Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

CHAVES

Olhares sobre o "Reino Maravilhoso"

13
Fev19

Ocasionais

ocasionais

 

BACKMONTANOS!

 

O vício e a petulância no recurso a frases feitas, a fórmulas e frases pré-formatadas; a «adverbialices» rebidas, a modismos descartáveis e a estrangeirismos envernizados só não tornam os textos, as reportagens, os comentários, os noticiários monótonos porque cobrem de pinceladas de ridículo garrido quem deles se serve por estúpida imitação corporativista, como biombo para disfarçar a ignorância ou má preparação acerca do assunto sobre o qual abrem a boca, e… porque, afinal, mostram muito pouco respeito pela capacidade intelectual dos leitores, dos ouvintes e dos telespectadores.

 

E como se já não bastasse a colonização económica a que os Portugueses estão submetidos, medra por cá demasiada gentinha a colaborar na colonização linguística, especialmente por parte dos “filhos de Drake”!

 

Tenho para mim como comportamento grave a demissão dos Jornalistas em contribuírem, como lhes compete, dar esplendor à nossa Língua   -   o Português!

 

Nas Rádios, nos Jornais, nas TV’s, a praga de disparates linguísticos e gramaticais está a ser mais incomodativa e impertinente do que um ataque de sarna, de sarampo ou … de vespas asiáticas!

 

Os enfermeiros, liderados pelos especialistas em Cirurgia, fazem uma greve, e logo jornalistas, locutores, apresentadores, opinantes «tugueses» tratam o feito como «greve cirúrgica»!

 

 Ora lá temos nós que, nem que seja um «traque» dado por um enfermeiro, ou enfermeira, qualquer coisa ou coisinha feita por gente da enfermagem passa a ser uma coisa ou coisinha «cirúrgica»!

 

A ambição de serem originais, de conseguirem um discurso, ou mesmo até uma frase, que lhes faça ganhar (Ah! Como eles se derretem a dizer «vencer»!) um premiozito qualquer, nem que seja um “Razzies” do sindicato da sua estimação, nlouquece-os, e, vendo-se tão incapazes e incompetentes, deitam a mão … e a boca a quanto modismo descartável, chavão e bordão de linguagem exista; a toda e qualquer «adverbialice». E, qual rebanho de medíocres, procuram conforto e apoio na amacacada imitação uns dos outros!

 

O “Louçã”, num plenário da Assembleia da República, fala do acordo com este e do acordo com aquele, e declara que os “acôrdos” são «acÓrdos»: e imediatamente todo aquele bando de ilustres e iluminados começa a grasnar «acÓrdos», em tom épico e tenórico, como se acabassem de ter uma revelação na Cova da Iria, na da Piedade ou na da Moura …. ou na da onça!...

 

Depois, mortinhos para darem nas vistas da camareira - mor do hotel de Buckingham, e convencidos que marcam pontos para a nomeação de «lord», até franzem a «brancelha» sempre que têm oportunidade de dizer e, ou, escrever «mídia»!

 

Só lhes falta mesmo apertar as ligas ao «jarreta» grego que renegou ser príncipe danês para aceder a duque escocês!

 

Ai não é?!

 

O «papa-mosquitismo» pelo Inglês, cedo ou tarde, vai levar os «tugaleses» a passarem a vida a fazer salamaleques a «quingues» e a «cuínes»!

 

A moda pegou: toda a lagartixa quer, à viva força, ser jacaré!

 

E como não têm cabecinha para mais, e já que as lagartixas que conseguiram açambarcar o sol … e a sombra da politiquice ficaram com o sebo todo para dar graxa ao Zé pagode, «os «papa-moscas e mosquitos» «tugaleses» valem-se dos arrebiques que lhes proporcionam uns palavrõezitos repimpados de Inglês grão-bretão, californiano e … do Cais do Sodré para se fazerem ver, ouvir e falar inventando um novo idioma:

 

-   o  “PORTUGENGLISH”!

 

Numa actividade, ali para as bandas da “baía dos porcos”, fruto do neo-«empreendodorismo»  «tugalisca» do séc. XXI, onde se emborcam umas bejecas, e se realizam umas outras actividades sucedâneas, a pedra de toque da inovação do brilhante «empreendodor tugalês» está bem à vista de quem passa ali na rua:

 

- “ENTRADA pela BACKDOOR”!

 

O que lamento e me enfada é ver tanta gentinha deslumbrada pelo «oxfordês» de Yorkshire ou de Finsbury Park e conheça tão mal o seu idioma  - o Português!

 

Vão pró rai que os parta!

 

Não falta nada para que nas Antologias e Enciclopédias; conferências, entrevistas, discursos; «lançamentos» de livros, de pedras, de discos … voadores ou de música «pimba»; de campanhas políticas; tomadas de posse; libelos acusatórios, e de concursos para botar figura em Telenovelas da Malveira; para sublinhar as supremas qualidades e os doutos conhecimentos de oradores e candidatos, estes se refiram, por exemplo,  a Bento da Cruz, a Domingos Monteiro, a Araújo Correia, a Rogério Ribeiro Gomes, ao soldado Milhões, a Edgar Carneiro, a Adérito Freitas, a Alexandre Parafita, a Graça Morais, a António Pires Cabral, a Gil dos Santos,  a Fernando DC Ribeiro, a Miguel Torga,  e até ao Padre Fontes como ilustres «BACKmontanos!

 

A Inglaterra perdeu a «jóia da Coroa»! Mas encontrou aqui, no “Jardim das Berlengas” um novo rebanho de sipaios!

 

Porra!

 

Isto deixa-me mesmo pouco católico!

 

Para além do mau uso do léxico da nossa Língua, o Português, os cultos, os eruditos, os sábios, os líderes (de quê?!...), os iluminados, os «cheios de importância» «tugaleses» desviaram do Trent e do Tamisa, do Ohio, do Colorado, do S. Joaquim e do Mississípi enxurradas de termos que contaminam uma Língua que lhes merece mais respeito que qualquer outra   -   o PORTUGUÊS!

 

E, para facilitar o engano que aos políticos lhes permite a sobrevivência e aos jornalistas a aparência, a Rádio, a Televisão e os Jornais oferecem catadupas de trivialidades e de compensações emocionais.

 

Não me venham com a treta de ser este um processo de aumentar, ou afirmar, a auto-estima dos «tugaleses»!

 

Porque se confunde auto-estima e orgulho com fanfarronice, e a propaganda política e os políticos espalham profusamente o vírus da bazófia e da estupidez mascarada de arrogância, não admira que os vícios de linguagem, os erros gramaticais, os disparates de pretensas metáforas, os estrangeirismos despropositados sejam usados por tanto sapateiro que quer subir acima da chinela, por impostores politiconeiros, que não pretendem mais do que confundir a mente de uma população  transformada em massa ou em chusma.

 

O eufemismo, a metáfora, e os estrangeirismos cosméticos são conveniente e abusivamente utilizados por aqueles que mais preocupados estão em esconder a realidade, em mentir como se jurassem verdades sagradas, em confundir o espírito e a razão de quem pretendem dominar e controlar.

 

Os jornalistas e os jornalistas-escritores demitiram-se, uns por incompetência, outros por conveniência, da responsabilidade que lhes cabe na crítica à perversão da linguagem e da Língua.

 

A ânsia de manipular os cidadãos; os eleitores; os consumidores, os adeptos, enfim, as populações, leva a trupe de medíocres e impostores, que abunda na política e nos media, a empregar palavras e expressões que não se usam para traduzir o que realmente expressam.

 

Atrasos de vida” na Língua Portuguesa, julgam-se «modernos» ao usar e abusar de certos termos e feias asneiras!

O «também», o «claramente», o «aprofundamento», o «justamente», o «seguramente», o «transversal», o «fragilizar», o «agressivo»; e «democracia» pràqui e «liberdade» pràcola usadas a torto e a direito, de uma forma inflacionária, acabam por perder o seu significado.

 

E de tanto repetirem os disparates, essa trupe vulgar a querer fazer-se passar por erudita!

 

Salvaguardando o respeito que alguns (poucos e raros) jornalistas merecem, alguém dizia (António Guerreiro):

 

- “Jornalistas e políticos, ou melhor, políticos e pessoas que escrevem em Jornais (e falam na Rádio e na Televisão, acrescento) pertencem à mesma classe, funcionam segundo a mesma lógica e falam a mesma linguagem”.

 

Camões virá um dia na onda de nevoeiro do D. Sebastião, e reescreverá “OS LUSÍADAS” em “PORTUGENGLISH”!

 

M., sete de Fevereiro de 2019

Luís Henrique Fernandes, da Granginha

 

Sobre mim

foto do autor

Pesquisar

Sigam-me

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

 

 

Olhares de sempre

Links

As minhas páginas e blogs

  •  
  • FOTOGRAFIA

  •  
  • Animação Sociocultural

  •  
  • Cidade de Chaves

  •  
  • De interesse

  •  
  • GALEGOS

  •  
  • Imprensa

  •  
  • Aldeias de Barroso

  •  
  • Páginas e Blogs

    A

    B

    C

    D

    E

    F

    G

    H

    I

    J

    L

    M

    N

    O

    P

    Q

    R

    S

    T

    U

    V

    X

    Z

    capa-livro-p-blog blog-logo

    Comentários recentes