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CHAVES

Olhares sobre o "Reino Maravilhoso"

10
Abr19

Ocasionais

ocasionais

 

A banalidade da política

 

 “De tanto ver triunfar as nulidades;

de tanto ver prosperar a desonra,

de tanto ver crescer a injustiça,

de tanto ver agigantarem-se

os poderes nas mãos dos maus,

o homem chega a desanimar-se da virtude,

a rir-se da honra

e a ter vergonha de ser honesto.”
                                                           (Rui Barbosa)

 

 

A tragédia do fracasso do nosso desenvolvimento, do desenvolvimento civilizacional e cultural de CHAVES, da NOSSA TERRA, tem a sua causa mais na resignação dos flavienses do que na incompetência, na mediocridade, na cretinice e na maldade de quem a tem governado.

 

Os flavienses ainda não atingiram o ponto de indignação que os leve à revolta contra aqueles que os têm ludibriado com promessas não cumpridas, sejam eles administradores municipais, regionais ou nacionais: continuam a deixar-se amansar por sebentos elogios e falsas esperanças!

 

Encharcados pelos meios de comunicação com constantes caudais de notícias e imagens de catástrofes, de violência, de miséria, de morte, e distraídos com caleidoscópios de telenovelas alcoviteiras, festins de curiosidades sádicas, de «voyeurismo», e de circo futebolístico, os flavienses (Ai! E os «tugas», carago!) são bem levados a considerar o seu modo de vida um privilégio que os faz sentir envergonhados!

 

E, porque ciclicamente são chamados a pôr uma cruzinha num Boletim de voto, com a qual julgam afirmar e confirmar a sua soberania, continuam na ilusão de serem senhores do seu destino.

O povo “tuga” ainda não entendeu e aceita que as campanhas eleitorais são a dourada oportunidade de impostores, oportunistas, medíocres e macanjos a badalarem fantasias com que o que querem governar governando-se!

 

Depois, em nome da «democrática tolerância», alimentam fanatismos partidários!

 

 “Um homem não é menos escravo porque lhe é permitido eleger um novo amo” de quatro em quatro (ou cinco) anos!

 

Entre esses ciclos eleiçoeiros, gemem e lamentam o seu descontentamento com a pouca sorte que lhes calha, com tantas esperanças perdidas!

 

Mais de quarenta anos depois do seu alvor, a distância entre o sonho e a realidade da «jovem (?!) Democracia Portuguesa», em vez de diminuir, tem vindo a aumentar!

 

O princípio, para mim, mais fundamental da Democracia   -   a Justiça   -   que expressão de universalidade e de nobreza se lhe está a reconhecer?! Pouco falta para vê-la «pelas ruas da amargura»!

 

E até parece que a palavra «prosperidade» foi banida da nossa Língua … e do propósito de quem tem o dever de governar e a obrigação de saber governar   -   uma Freguesia, um Município, um País   -   Portugal!

 

Diverte-me contemplar o triste espectáculo de pretensos democratas, soberbos falsos arautos de bons ventos e bem-aventuranças políticas para a NOSSA TERRA a empenharem-se, cretinamente, em dissimular   -    com jactância de isenção, de honestidade, e de independência, e com uma pirotecnia de falsos propósitos, de aldrabices, de disparates, de palavreado oco   -      o compromisso da sua submissão aos mais altos, secretos, discretos e indiscretos interesses pessoais e partidários!

 

Mal entram no Paço do Duque, os «faroleiros» políticos de CHAVES ficam logo mais inspirados e apressados para destruir do que para criar. (Bem, nem políticos são, embora pretendam ser admitidos e admirados como tal: apenas conseguem tomar de outros uns «tiques» e uns «toques» pantomineiros!).

 

Esses pingentes aprenderam a falar sem que alguém os perceba e aperfeiçoaram-se no hábito de não servirem para nada!

 

Gosto da NOSSA TERRA!

 

Das parcelas que compõem e integram Portugal, ninguém se atreverá a pôr em dúvida como CHAVES, a NOSSA TERRA sempre foi das mais generosas e das mais sacrificadas.

 

E custa-me a ingratidão, o desleixo e a insolência, até, com que tem sido tratada, particularmente, na nossa época.

 

O grande obstáculo ao desenvolvimento de CHAVES, da NOSSA CIDADE, reside muito menos nos seus recursos naturais e muito mais nos vícios e caprichos ideológicos de quem a tem administrado! Por aí, anda espalhado demasiado dinheiro tão mal acompanhado e tão mal aplicado por tão poucas e tão pobres ideias!

 

Na verdade, nas décadas mais recentes tem sido aviltada, e mais ainda com as cínicas pantominas de uma Auto-estrada que a diminui para Vila Real e um Casino que nada diz à cidade e à Região. Este é um enclave da estratégia gananciosa dos «reis de qualquer coisa»; aquela assemelha-se ao atalho de Efialtes e que ajudou à «sangria» de importantes estruturas de apoio e desenvolvimento da Região.

 

E a UTAD (Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro) é uma treta: é a Universidade de Vila Real (Parabéns aos da «Bila»! Que têm sabido muito bem aproveitar esse mimo, e desfrutar de uma Instituição de crescente prestígio que os deixa cada vez mais babadinhos!...)!

 

E para que se note ainda mais a usurpação que tem sido feita, e continua a fazer-se, aos legítimos merecimentos da NOSSA TERRA,  aponto-vos a desfaçatez, porque constante, de um autarca metropolitano a reclamar tudo e mais alguma coisa para a sua autarquia, como se só ela fosse o Norte de Portugal!

 

E o que mais me custa ainda, repetindo-o, é termos por aí, e daí, uma caterva de solertes traidores, uns merdosos que envergonham a honra e o brio das ancestrais qualidades dos Transmontanos.

 

Videirinhos, têm sorte em que os da capital, sendo da mesma cepa, lhe aparam    -   e dão cobertura   -    o jogo.

 

Obrigam a população em idade activa a procurar a sobrevivência noutras paragens, ficando por aí um punhado de «resistentes» e os mais indefesos e menos capazes de os enfrentar   - idosos, jovenzitos e crianças.

 

Claro, para apoio, arregimentam sempre um punhado de rendidos e uma mancheia dos da mesma laia.

 

Como se tem verificado ao longo dos anos, a gente gentalha que tem sido eleita tem governado mesmo de acordo com os interesses dos eleitores?

 

Aquilo que a maioria dos flavienses, e dos portugueses, tem feito com o seu voto é contribuir para a eleição de pronósticos impostores, que, na realidade, vão representar os que lhes financiaram as boémias eleiçoeiras e lhes facilitam e concedem as maiores mordomias.

 

E os governos   - nacional, regionais e autárquicos   -     com o que é que se mostram mais preocupados?

 

Está à vista, não está?!

 

Para onde caminha a nossa Democracia, quando nela se notam assustadores sintomas ora de oligarquia, ora de plutocracia, ora de cleptocracia, mentitocracia, e que outros, menos suaves nas palavras, classificam como «bandidocracia»?!

 

Por mim, encontro melhor propriedade em chamar-lhe “mediocrecracia”!

 

Veja-se a quantidade de dirigentes e dirigentezinhos políticos que, na realidade, nunca exerceram uma profissão (ou se a exerceram, nela nunca passaram da cepa-torta e ou se o fizeram foi por um período que mal deu para aquecer o lugar!) e que encontraram na politiquice o mais importante modo de vida! 

 

Infelizmente, cá nesta terra do “Jardim das Berlengas”, não é exigido «exame de aptidão» para se entrar na política!

 

A falta de competência, de estudo, de talento é disfarçada com o chavão de «progressistas»!

 

A subida na vida, para eles, não está no «pulso», mas, sim, no obedecer e aplaudir o «chefe» …de «gabinete», da «concelhia», da «distrital», da «nacional», e na colheita de vantagens e benefícios que a impunidade consente!

 

Os flavienses, os portugueses, têm de se tornar mais conscientes do ambiente político e histórico que os envolve, darem-se conta da carga e do bombardeio de manipulação a que estão submetidos, e fugir do delírio com que são infectados!

 

Aos flavienses, aos portugueses, urge acabar com a indiferença à verdade e com o aplauso aos pantomineiros vestidos, ou travestidos, de políticos!

 

Quantas vezes me vem à lembrança, por laivos de comparação, ditados pela decadência da nossa cidade, a fraqueza dos «Judenrats»!

 

E, tal como a minha amiga Johanna Arendt, também eu me espanto: “Os nossos inimigos sabemos de sobra quem são; surpreende-nos a reacção dos nossos conterrâneos (amigos)”!

 

Por que há tanta gente a quem lhe custa mudar o seu voto, e tente aceitar os erros do seu Partido político ainda que tenha estado e continue vítima das suas injustiças e asneiras?!

 

Também eu, suspirando e lutando “por um mundo melhor”, tenho por convicção não devermos «esperar por uma deusa da História ou por uma deusa da Revolução para introduzir melhores condições nos assuntos humanos»: devemos, sim, “produzir e experimentar, de modo crítico, as nossas ideias quanto ao que podemos e devemos fazer agora   -   e fazê-lo agora”!

 

Aos mais descuidados, esclareço não estar empenhado no restauro do Passado, mas, sim, comprometido com o respeito ao Passado e em contribuir para um Futuro diferente!

 

Este, o Futuro, nunca é a continuidade, tampouco uma versão alargada do Presente.

 

Não abdico, não renuncio, não denuncio o meu compromisso com a História.

 

Não sou Sócrates nem Aristipo, mas flaviense de todo o coração, para poder insurgir-me contra os desmandos e desleixos de quem administra, e tem administrado, a “cidade”!

 

Sou um português, um normando-tamegano e um flaviense que deseja conservar do Passado aquilo que me parece bem!

 

A minha agenda cultural e social não coincide com a agenda política de Partidos políticos decadentes, com cheiro a mofo, cartelizados.

 

Deixo-vos com Hanna Arendt: - “O mal pode destruir o mundo, porém, profundo e radical só pode ser o bem”!

 

M., quatro de Abril de 2019

Luís Henrique Fernandes, da Granginha

 

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