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CHAVES

Olhares sobre o "Reino Maravilhoso"

07
Nov19

Ocasionais

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TAMBÉMNISMO

 

“… a mim faz-me tristeza contemplar a ribaldaria

com que os belfurinheiros e lantejoulas

adornam a Língua de Camões,

despojando-a dos seus adereços diamantinos”.

Camilo- A queda de um anjo

 

Não querendo ficar atrás de corrente filosófica, literária ou artística, figuras públicas e figurões, e candidatos a figurões e a figuras públicas, com a saturação de tantas pantominas em todos os palcos; com o cansaço de tantas pincha-carneiras nos campos e lameiros da política; com infindáveis macacadas e macaquices em todos os galhos (ramos) de qualquer modo de vida, imensos (eles são cada vez mais!) «tugaleses» do “Tugaquistão” desunham-se raivosamente para fazer a «burrice» valer como sabedoria; o disparate, como subtileza; o erro, como exactidão; o absurdo, como sensatez; a palermice oratória, como soberba eloquência.

 

Tardiamente, e ao acaso, passaram os olhos por um livrito traduzido por um traduzidor, daqueles que encontra a folgança da sua glória intelectual em aplicar incansavelmente, e à trouxe-mouxe, advérbios, e toca a copiá-los!

 

Dá-lhes jeito para disfarçar a gaguez do pensamento; a tremideira do juízo; a insegurança da palavra; a traição do gesto, do jeito e do trejeito; a falta de sinceridade e de honestidade no que prometem ou afirmam.

 

Ligo a Televisão, e julgo assistir à «guerra da Cochinchina»: não há canal que se preze que não apresente um batalhão de «rangers», «comandos», «fuzileiros», «especialistas em minas e armadilhas», «paraquedistas», «caçadores especiais», «correspondentes de guerra»  a dispararem «mísseis» e «petardos» em «transições rápidas» de «transacções lentas»; garantindo «entre linhas» os «desequilíbrios» entre as «janelas de oportunidade» e as «zonas de conforto», numa «filosofia de jogo» de palavras assinalado tal como no da «delambida» , com sinais verbais onde pontificam o o «obviamente», o «seguramente«, o «também» como certificados  da infalibilidade papal com que conquistam as posições estratégicas, de «importância capital»  para a «entrada de capital» nos cofres dos seus ministérios!

 

Os realizadores dos programas, sabidolas, combinando o movimento da câmara com o plano, até nos apresentam cada um desses especialistas, tão parecidos com «jumentos nunca ferrados em condições», como autênticos ministros da Cultura.

 

Deleito-me com a «feroz competição» entre eles a ver qual o que usa com mais frequência, e «intensidade», numa das suas «transições rápidas», os bordões de linguagem que, entre si, estipularam estar mais na moda!

 

Eles dizem **pensar «claramente» que «de certeza absoluta» «talvez» o jogador ”A” é «claramente» «TAMBÉM» um «reforço» «claramente» nesta «janela de transferências» «claramente»  para este clube «TAMBÉM» jogando «claramente» nas «costas do ponta de lança» «TAMBÉM» «claramente» «flectindo para dentro» podendo «TAMBÉM» «claramente» «jogar a oito» «TAMBÉM» «obviamente» com «claramente» «grande margem de progressão» «TAMBÉM» «claramente»**.

 

Diamantino Viseu, Chibanga, Paquirri, El Cordobés ou Roca Rey «claramente» perdem «seguramente» com os empáfios figurões públicos e pindéricas figuras públicas, «obviamente», «nesta altura», «TAMBÉM», no sábio uso da muleta!

 

É manifestamente degradante a demissão de jornalistas e de «tudólogos» da sua responsabilidade no melhor uso da Língua Portuguesa.

 

O respeito pela POTUGUÊS (e o respeito por quem por ele tem respeito) deve ser manifestado a todo o momento e em qualquer circunstância. 

 

“A Língua é monumento que se deve amparar, embora admita uma riqueza nova ou um enfeite que a não destrua”.

 

É pena que alguns idiotas apenas tenham inspiração para larachas fúteis, convencidos de que são uns grandes «reguilas», não demonstrando mais do que a tentativa frustrada de disfarçar a sua mediocridade!

 

Se a Língua é mesmo essencial para a formação e continuação da Cultura, por este andar … bem que depressa passaremos a falar «berlenguês»!....

 

Tornando-se todos mais iguais uns aos outros, patenteiam as suas asneiras e disparates, e assim os exibem com supremas virtudes!

 

Afinal, são mesmo idiotas!

 

M., dezanove de Setembro de 2019

Luís Henrique Fernandes, da Granginha

 

 

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