Ocasionais - A Minha Terra

“A MINHA TERRA”
“O Português, pela Saudade,
ama a natureza, a paisagem;
ama, portanto, a terra;
e vê na terra
a principal fonte da sua riqueza”.
-Txª Pascoais
A MINHA TERRA!
Com que paixão, ou soberba, qualquer um usa esta expressão!
O nosso EU, ao proferi-la, ergue-se mais alto do que a “Serra do Brunheiro”, do Larouco, da Estrela ou… do Everest!
Ao dizê-lo, até parece que somos senhores de todo o mundo - e que o céu e a estrelas são pequenos arredores que dela dependem!
E então aquele lugar, aquele recanto, aquele buraquito onde fica a nossa casa, a casa onde nascemos e a outra onde fomos tolhidos de mimos pelos nossos primos!...

E, quando já «saídos da casca», voamos para países próximos ou distantes - nem que seja para uma província vizinha! - até usamos “A NOSSA TERRA”!
E CHAVES é o nome mais consagrado por esta expressão: na sua “Marcha”, com que força, com que eco, com que brio e peito cheio os Flavienses entoam… “Pois a quem nós queremos tanto/Porque és tu - A NOSSA TERRA!”.
Se há gente apaixonada ela é a dos Flavienses e dos Normando – Tameganos!
É que CHAVES é o ponto de encontro de todos os Normando-Tameganos, o coração do Continente e Grão-Ducado da NORMANDIA TEMEGANA!
Esta é composta por Condados ricos de nobreza, de História, e de Recursos Naturais!
E até as suas “CALDAS” são «as de mais virtude”!
A “MONTANHA”, “a VEIGA” e o “BARROSO” têm de recuperar a sua identidade, única e excepcional, e que este autor sublima no termo que cunhou de “NORMANDIA TAMEGANA”!
Ah! Para os que não conhecem, ou não sabem bem, os GALEGOS são nossos irmãos - e os Verinenses, irmãos gémeos!
Ao Castelo de Chaves, ao Castelo de Montalegre, ao Castelo de Monforte de Rio Livre, ao “Forte de S. Francisco” e ao de “S. Neutel”, a Torre de S. Estêvão, ao Castro de CURALHA e ao de CARVALHELHOS queremos ver junto o Castelo de Monterrey!
As águas do Tâmega e do Cávado - e do Beça! E do Covas! E do Noro! - circulam nas nossas veias!
Dizei-me, com franqueza, quem de vós não tem uma costela de Boticas, de Valpassos, de Montalegre, de Chaves, de Ribeira de Pena ou de Vila Pouca?! Bem, e mesmo de OURENSE?!
Aos que não entenderem - ou se façam desentendidos ou «queiram conversa fiada» - eu estou aqui, pronto e «às ordes» para lhes explicar (ou «dar-lhes o troco»)!
Vós sabeis, mas há quem faça umas centenas de quilómetros para (v)ir a CHAVES buscar umas “couves” - ó «virgolinos», já vos destes conta como se pronuncia «couves» na NORMANDIA TAMEGANA?! - para a CONSOADA!
E eu vos garanto: há, pelo menos, um «maluco» que vem (vai) aí às couves … e à procura de uma (rodela) de RABA!
“Sabendes” o que é isso”?!
Hum! Hoje em dia, só, talvez, numa ou noutra casa de Stº Estêvão, na Veiga!
Sabeis lá vós o que é uma CONSOADA à moda da NOSSA TERRA!
A couve e a batata «de CHAVES»; o bacalhau, português, bem curado, na Gafanha da Nazaré, na d’Aquém ou de Viana; e o polvo galego (as rabanadas feitas de cacete de Feces!) e com azeite de Faiões ou de Valpassos!.....
O vinho pode ser de qualquer adega, ou mesmo da «Adega»!
E ficai a saber que os melhores «pastéis de bacalhau» do mundo só podem ser feitos com «batata de CHAVES» - cujo saco pode vir da Castanheira, de Outeiro Seco, de Valdanta, de Lamachã, de Lavradas ou de Solveira, por exemplo!
E sabeis o que são «filhozes» de abóbora (o nosso «ç/z» tem um som especial)?!
Ai! Um caldinho de “chícharros”! E com calondro!...
Uma “FEIRA dos SANTOS”, autêntica, retinta!
Era, outrora, o Dia Nacional da NORMANDIA TAMEGANA!
À cidade chegavam colunas de cavaleiros, montados em cavalos, éguas, machos, mulas, burros, burras e burrecos!
Na “FEIRA dos SANTOS”, a “Feira do Gado” era um acontecimento lembrado durante todo o ano!
Até os «recos» tinham direito a um espaço especial!
Já nas Casas-dos-Montes, no Matadouro, no Caneiro, na Madalena, em Stª Cruz d’Outeiro Seco o tilintar das campainhas das Juntas de bois ou de vacas, de bezerros e vitelas começava a espalhar-se pela cidade, quais trombetas de Jericó a tocarem «Aleluia»!
Era um regalo ver a beleza do gado apadrinhada pelo orgulho do boieiro e a arte do toque de aguilhada no jugo ou na molhelha.
Gosto da NOSSA TERRA!
É o meu maior pecado capital.
Das parcelas que compõem e integram Portugal, ninguém se atreverá a pôr em dúvida como sempre foi das mais generosas e das mais sacrificadas.
E custa-me a ingratidão, e a insolência, até, com que tem sido tratada, particularmente, na nossa época.
Na verdade, nos decénios mais recentes tem sido aviltada, e mais ainda com as cínicas pantominas de uma Auto-estrada que a diminui para Vila Real e um Casino que nada diz à cidade e à Região. Este é um enclave da estratégia gananciosa dos «reis de qualquer coisa»; aquela assemelha-se ao atalho de Efialtes e que ajudou à «sangria» de importantes estruturas de apoio e desenvolvimento da Região.
E o que mais me custa ainda, repetindo-o, é termos por aí, e daí, uma caterva de traidores, uns merdosos que envergonham a honra e o brio das ancestrais qualidades dos Transmontanos.
Videirinhos, têm sorte em que os da capital, sendo da mesma cepa, lhe aparam - e dão cobertura - o jogo.
Obrigam a população em idade activa a procurar a sobrevivência noutras paragens, ficando por aí os mais indefesos e menos capazes de os enfrentar - idosos, jovenzitos e crianças.
Claro, para apoio, arregimentam sempre um punhado de rendidos e uma mancheia dos da mesma laia.
CHAVES, A NOSSA TERRA, foi, outrora uma Olímpia, uma Atenas e uma Roma!
CHAVES foi, outrora, Nobre Cidade!
Foi terra e capital da "Palavra de Honra”!
Hoje, com «pavões», «lalões» e tantos «filhos-da-Pomba» a administrá-la, e uma caterva de moinantes politiconeiros é uma vergonha completa para os Normando – Tameganos.
Ah! Para mal desses medíocres, desses impostores e cretinos ainda existe um punhado de «Mohicanos» (Defensores de CHAVES) que se recusam a ser «os últimos»!
Feitios!
M.,09-Julho-2015)
Luís Henrique Fernandes







