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CHAVES

Olhares sobre o "Reino Maravilhoso"

26
Mai18

Oura - Chaves - Portugal

1600-oura (177)

Em primeiro plano Oura, em segundo plano Vila Verde de Oura

 

Hoje vamos até Oura, ali ao lado de Vidago, no limite do concelho de Chaves, a fazer fronteira com o concelho de Vila Pouca de Aguiar, com saída pela agora famosa EN 2, mas que em tempos não muito distantes, também (e quase ao lado) se podia fazer saída pelo saudoso comboio. Estamos a falar de saídas, mas o contrário, entradas, também é verdade. Tudo depende da perspetiva, pois a aldeia de Oura é uma das que serve de porta de entrada no concelho de Chaves, mas como eu estou cá na terrinha, em Chaves, e sou muito caseiro, a porta de Oura é uma das portas de saída para a “rua”.

 

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Atrás referia-me à agora famosa EN 2. Pois é verdade, a EN 2 que passa por Oura,  é agora olhada como a (mítica) “U.S. Rout 66”  portuguesa.  Bem longe dos seus tempos áureos em que era a principal via portuguesa que ligava pelo interior, Chaves (Km 0) a Faro (Km 738.5) e também utilizada para as deslocações de Chaves a Lisboa. Na altura era apenas uma estrada utilitária de trabalho e ligações, com muito movimento, muita curva e contracurva a Norte e retas a Sul e muitos locais castiços e interessantes onde se parar, onde Portugal se dava a conhecer de lés a lés com a sua gente e até os seus produtos que ia vendendo ao logo da estrada. Tive a honra de a percorrer na totalidade (ida e volta) em 1975 e 1976, ainda com a sua virgindade inicial, aí sim, bem interessante. Hoje, que perdeu todo esse encanto de outrora, que, com a construção de autoestradas passou na prática a seu uma estrada “local” ou secundária, está na moda, o que demonstra bem que a moda nem sempre é (de todo) interessante e duram o que duram.

 

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Mas Oura também perdeu um pouco com a “desclassificação” da EN 2 e da abolição da Linha do Corgo   e respetivo comboio, embora aqui apenas tivesse um dos apeadeiros mais pobres de que eu tenho conhecimento, embora muito bonito e interessante, mas pequenino e construído em madeira. Mas ia eu dizendo que com a “desclassificação” da EN 2, Oura deixou de ser uma aldeia de passagem para as nossas frequentes deslocações ao Porto, Lisboa e até a Portugal, pois com exceção de parte do Minho e distrito de Bragança em que utilizávamos a EN 103, era obrigatória a passagem por Oura, onde muitas vezes se parava na “estação de serviço” do largo junto à estrada. Mas ser uma aldeia de passagem não quer dizer que conhecêssemos a sua intimidade, embora tenha um largo interessante com umas “alminhas” junto à estrada, só na sua intimidade é que a aldeia se revela, com tudo para ser uma das aldeias mais interessantes do concelho de Chaves.

 

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Pois Oura tem um bocadinho de tudo para a tornar interessante, em todos os aspetos. Implantada nas faldas da montanha, abrem-se à sua frente as vistas sobre parte do vale da Ribeira de Oura que é atravessada por uma belíssima ponte medieval que serve o caminho que liga esta aldeia à outra Oura (Vila Verde de Oura). Com um núcleo de aglomerado tradicional, com construções tradicionais e tipicamente transmontanas a manter a sua integridade, convive ao lado de outras construções mais nobres, como dois solares, um deles o típico solar brasonado, com brasão das famílias Antas, Puga, Magalhães (de Montalegre) e Macedo, da segunda metade do século XVIII, com capela e uma singular torre sineira, isolado a Sul da aldeia mas confrontante com via pública, com propriedade rústica de montanha e respetivas construções (anexos) de apoio. Um belíssimo exemplar de solar e dos poucos que existem no concelho de Chaves.

 

1600-oura (87)

 

O outro solar ou casa senhorial do século XVIII está localizada e integrado no núcleo histórico de Oura, com uma belíssima capela de talha dourada privativa (1768) e igualmente interessante cruzeiro (virados à rua), foi sujeito nos últimos anos a obras de restauro e convertido em alojamento turístico, tendo adotado o nome de Solar de Oura. Após as obras ainda não tivemos oportunidade de passar por lá, mas adivinhava-se vir a ser um espaço interessante, que já o era, mas que com as obras pela certa se tornou bem mais interessante.

 

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Já aqui atrás deixámos alguns dos motivos de interesse, desde a sua veiga à montanha, o casario típico, o singular apeadeiro que embora a sua fragilidade de madeira ainda continua de pé, a EN 2 e a moda de a percorrer, Os solares e casas senhoriais, as suas capelas e o cruzeiro, a ponte medieval, talvez falte uma pequena referência a sua igreja de torre sineira dupla, também um belo exemplar da arquitetura religiosa e falta-nos, isso sim, falar das pessoas da aldeia, que já sabemos serem dignos representantes deste Reino Maravilhoso cá no cimo de Portugal, mas quanto às pessoas, há que ir lá, conversar com elas, conhecê-las na primeira pessoa, pois cada uma é cada qual e cada conversa e uma conversa com muitas estórias e uma história de vida, esta sempre única. Mas aí a prosa já tem de ser outra e não pode ser tratada com a leviandade de hoje, sábado, vamos até Oura e no próximo sábado vamos até à aldeia seguinte, que pela ordem alfabética que estamos a seguir será Outeiro Jusão.  

 

 

 

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