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CHAVES

Olhares sobre o "Reino Maravilhoso"

06
Fev16

Outeiro Seco - Solar dos Montalvões nos Monumentos.pt

1600-outeiro-seco (779)

 

Em março de 2006, ou seja quase há 10 anos, publicava a fotografia que atrás vos deixo com o seguinte comentário:

 

“ (…) Quanto à foto, trata-se do Solar dos Montalvões, propriedade da Câmara Municipal e que foi adquirido para instalação da tal universidade que ainda nunca passou do projecto, prevendo-se que nesta bela mas também degradada construção, seja instalada a Reitoria da tal (universidade). (…)”

 

1600-solar-16 (12)

 

Pois passados 10 anos deixo-vos a foto atual e atualizo o texto que então deixei: “Quanto à foto, trata-se dos restos do Solar dos Montalvões, hoje em ruinas onde só as paredes exteriores e paredes mestras de pedra teimam em manter-se de pé. O edifício é propriedade da Câmara Municipal tendo sido adquirido há mais de 20 anos com a intensão de lá instalar a Reitoria de uma universidade que seria construída no terreno anexo ao solar. Passados 20 anos, nem universidade nem solar…”, Fica então as fotos atuais do Solar e de seguida vamos ao que hoje interessa:

 

1600-solar-16 (23)

 

Há poucos dias atrás fui alertado pelo autor do blog http://velhariasdoluis.blogspot.pt/ que o Solar dos Montalvões, em Outeiro Seco, passou a fazer parte do inventário nacional do património cultural, informação que se encontra on-line no site http://www.monumentos.pt/Site/APP_PagesUser, onde se faz toda a história e descrição do solar, num trabalho assinado por Paula Noé, 2015. Vale a pena passar pelo sítio dos monumentos.pt (link que vos deixo atrás) para ficar a conhecer (em palavras) o Solar.

 

1600-solar-16 (44)

 

Pois só me podia congratular com a notícia e com a inclusão do Solar dos Montalvões no Inventário Nacional do Património Cultural, pois de facto é(ra) merecida esta inclusão, só lamento que o Solar já não esteja a altura de merecer tal honra, pois hoje já não nos podemos referir ao Solar dos Montalvões, mas antes às ruinas do Solar dos Montalvões. Contudo satisfaz-me saber que consta nos monumentos.pt nem que seja para fazer corar de vergonha os responsáveis de hoje termos ruinas em vez de um solar do qual todos nos poderíamos orgulhar de ter. E este parágrafo ficaria politicamente correto se o tivesse terminado no ponto final anterior, mas os culpados, embora sem nomes personalizados, têm nomes, e a ordem dos culpados não interessa, pois todos têm a sua quota parte de culpa:

 

1600-solar-16 (49)

 

Então são eles a Junta de Freguesia de Outeiro Seco por nada fazer (NADA) ao ver o evoluir da sua degradação, das pilhagens e os atentados que contra ele se praticaram durante mais de 20 anos. À Junta de Freguesia temos de acrescentar a população de Outeiro Seco, por tal como a Junta de Freguesia nada (NADA) fazer quanto à proteção do seu solar, denunciando e exigindo pelo menos a sua manutenção, para além de saírem do seu seio os atentados e pilhagens ao solar, incluindo á capela. Igualmente culpada a Câmara Municipal porque além de ser a proprietária do Solar, nada (NADA) fez quanto à sua conservação e por último, uma vez que se trata de um edifício municipal, responsabiliza igualmente a população em geral, todos nós, porque o património municipal é de todos os munícipes, pelos menos responsabilizava todos aqueles que tinham conhecimento do evoluir da degradação do Solar.

 

1600-solar-16 (63)

 

E o mal do Solar e de hoje ele estar em ruínas está mesmo em ser um edifício municipal, que é de todos, ou seja, que infelizmente não é de ninguém em particular, o que na mente da grande maioria, se é de todos e está abandonado, está perdido e daí se poder fazer dele o que cada um quer, abusar dele, pilhá-lo e destrui-lo ou deixar que se destrua sem nada fazer. Para além de ser um problema de formação penso mesmo que também é um problema cultural dos tempos de hoje em que o antigo comunitarismo e respeito pela coisa pública se transformou no exagero do individualismo com amor apenas por aquilo que é apenas nosso, pessoal.

 

1600-solar-16 (70)

 

Claro que há exceções e seria injusto senão as referisse aqui, pois há pelo menos três pessoas que através dos seus blogues têm denunciado o evoluir da degradação do solar, além de contribuir para a história e memória do mesmo. São eles o Blog “Velharias” de Luís Montalvão, o Blogue “Outeiro Seco AQI” de Humberto Ferreira e eu próprio com este blog, pelo menos desde 2006, em:

 

18-3-2006 - http://chaves.blogs.sapo.pt/75874.html

1-5-2010 - http://chaves.blogs.sapo.pt/496213.html

30-10-2010 (1ª parte) - http://chaves.blogs.sapo.pt/552520.html

30-10-2010 (2ª Parte) - http://chaves.blogs.sapo.pt/552941.html

30-10-2010 (3ª parte) - http://chaves.blogs.sapo.pt/553035.html

23-10-2011 - http://chaves.blogs.sapo.pt/701105.html

29-8-2014 - http://chaves.blogs.sapo.pt/solar-da-familia-montalvao-outeiro-1110812

16.5.2015 - http://chaves.blogs.sapo.pt/outeiro-seco-rural-e-urbana-1227760

 

1600-solar-16 (92)

 

Mas também, e por coincidência, ontem mesmo ficava aqui um “ Discurso sobre a cidade” de autoria de A.Souza e Silva em que na última parte do “discurso”, ilustrada com uma foto do Solar dos Montalvões, alertava para este mesmo mal (em geral) que vem castigando o nosso património e não será demais repetir as suas palavras, mesmo que ainda ontem aqui tivessem ficado:

“ (…) património construído, rural e urbano (do Alto Tâmega e Barroso e, especialmente, o do concelho de Chaves). Grande parte dele é hoje já, manifestamente, ruínas. Em pouco tempo, se nada fizermos, nada restará senão pó e cinza.”

 

1600-solar-16 (98)

 

E continuava:

“Não está apenas na nossa mão inverter esta tendência global que crassa pelo país fora em termos da delapidação daquilo que nos verdadeiramente identifica - a nossa memória histórica e coletiva.”

 

1600-solar-16 (117)

 

“Mas, certamente, está nas mãos de todos os flavienses refletirmos sobre o nosso meio urbano e, principalmente, o meio rural. Para decidirmos o que nele perspetivamos em termos de futuro. Cuidando do património que estamos a deixar cair em ruínas. Respeitando a memória do seu tempo. Inventando novas valências, pondo-as ao serviço do tempo presente e do futuro.”

 

1600-solar-16 (171)

 

Para terminar assim: “Deixarmo-nos cair na apatia e na indiferença é desinteressarmo-nos pela nossa própria identidade. É apressarmos a nossa «morte» como flavienses orgulhosos que devemos ser da nossa terra e da grandeza da nossa história.”

 

1600-solar-16 (198)

 

Subscrevo na íntegra estas palavras do discurso de ontem e, se valer de alguma coisa, nem que seja para refletir, ficam também as imagens que há dois dias atrás tomei nas, hoje, ruínas do Solar dos Montalvões.

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