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CHAVES

Olhares sobre a cidade de Chaves

Parada - Chaves - Portugal

16.06.18 | Fer.Ribeiro

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Hoje é a vez de irmos até Parada, uma das nossas aldeias a queimar a Nascente o limite do concelho de Chaves, confrontando com o mar de montanhas dos concelhos de Vinhais e Valpaços, sendo Parada também uma das aldeias de montanha, mas nem por isso a muita altitude, pois a aldeia anda entre os 650 e os 700m de altitude.

 

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É uma das aldeias à qual gosto sempre de ir, não só pela própria aldeia, principalmente pela forma como ela se localiza na encosta e lança vistas para as montanhas que se perdem no horizonte, mas também pelo seu casario e imagens de marca, como o Largo do Cruzeiro e o multifuncional abrigo de passageiros para um autocarro que julgo já não vai lá, para um “posto de correios” onde o carteiro raramente irá, se é que vai, e ainda para suporte da placa toponímica para lembrar os distraídos que lá vão, que aquele é o Largo do Cruzeiro.

 

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Também gostamos de lá ir pelas pessoas, claro que sim, pois das vezes que lá fomos tivemos sempre oportunidade de trocar dois dedos de conversa com os seus poucos habitantes, às vezes conversas não muito esclarecedoras, mas pelo menos eram de amigo. Eu explico melhor para não haver mal entendidos, então foi assim: Uma das vezes que fui por lá, penso que a segunda vez, além de querer completar a recolha fotográfica da aldeia, levava também como destino o S.Gonçalo, pois diziam-me que um dos seus acessos se fazia via Parada. Confirmei nas cartas militares e assim era, mas por estradões e caminhos que eu desconhecia. Perguntei então a uma das pessoas com quem estava a conversar qual era o caminho. Indicou-mo com indicações suficientes para lá chegar. Mas nestas coisas pergunto sempre se o carro vai lá bem e ele foi pronto a responder — “vai-vai, os outros também lá vão!”, mas à surdina dizia-me —  “ se não tiver amor ao carro…”. Bem, vai lá bem ou não vai? Insistia eu. — Vai, vai bem! E de novo à surdina repetia — “Se não tiver amor ao carro!”. Agradeci e desculpei-me que naquele dia até nem tinha tempo de lá ir, era só para saber, ou seja, uma forma de dizer que embora não tenha nenhuma relação amorosa com o meu carro, ele faz-me falta e é ele que me leva a descoberta do nosso mundo rural. Decidi poupá-lo, pois mesmo à surdina, quem te avisa, teu amigo é.

 

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Pois como já disse, gosto de ir a esta aldeia, nem que seja e só pelas vistas que desde ela se alcançam. Vá por lá e vai ver que eu tenho razão, mas tem mesmo de ir lá, pois a aldeia fica no final de estrada, a partir dela, só mesmo a penantes, num todo terreno ou não carro pelo qual não esteja perdido de amores. Mas vale a pena lá ir, sem pressas, entre no Largo do Cruzeiro (deve lá estar uma placa que indica o S.Gonçalo. A pé, siga essa placa e vá até ao fim da aldeia. Não é preciso andar muito, bastam uns 50 a 100 metros, e quando os seus olhos alcançarem o mar de montanhas, deixe-se ficar por aí, sem pressas, poise mesmo, demore-se na apreciação, é um bom revigorante para o corpo e a alma, acredite que é, sem químicos, apenas com aquilo que a natureza nos dá, ou nos brinda.

 

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Quanto ao S.Gonçalo, também é merecedor de uma visita, sou testemunha disso, pois acabei por lá ir, de boleia, num todo o terreno. Pelo caminho deu para ver que afinal um carro normal até vai lá, chega lá bem, os outros também lá vão, se não tiver amor ao carro…

 

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Como chegar até Parada!?

 

Simples, apanha a EN103 em direção a Bragança (Lebução ou Vinhais), passa Faiões, as três Assureiras, depois passa entre Águas Frias e o Castelo de Monforte, sobe prá Bolideia e aí abandona a EN103 virando à esquerda, passa pela Pedra do Bolideira, entra no início do planalto da batata, segue por aí um pouco até encontrar uma bifurcação na estrada onde aparecem dois conjuntos de placas, um que indica as aldeias à esquerda (S.Cornélio, Travancas, Argemil, S. Vicente, Orjais, Aveleda, Segirei e Roriz), não vá por esta estrada, vá pela outra que indica Dadim, Cimo de Vila Sanfins, Mosteiro, Polide, Santa Cruz, Parada e Roriz.

 

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Depois de tomar a estrada à direita,  passa-se por Dadim, entra-se em Cimo de Vila e sai-se em Sanfins, aqui atenção que é mesmo assim, pois entre Cimo de Vila e Sanfins não há separação física, ou seja entra em Cimo de Vila e quando chegar ao fundo da Rua já está em Sanfins. Aqui siga pela estrada principal em direção a Santa Cruz da Castanheira, se for pelas que dizem Mosteiro ou Polide, vai errado, volte para trás e se andar aos papeis, pare e pergunte a alguém. Se for pelo caminho certo, à frente de Sanfins tem logo Santa Cruz, siga sempre pela estrada principal, atravessa a aldeia e vai entrar num troço de estrada que parece não nos levar para lado nenhum, pois só se veem montanhas. Vá sempre por aí que vai bem, e quando menos esperar, a seguir a uma curva mais longa, aparece PARADA. Chegou!

 

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O regresso vem pelo mesmo caminho, pois não há outro. E agora que os levámos até lá, está na altura de nós partirmos em direção contrária, altura de travessar o concelho de Chaves e entrar no Barroso, é para lá que vamos todos os domingos, aproveitando o facto de o Barroso ficar aqui tão perto, vamos completando a descoberta deste nosso Reino Maravilhoso. Até amanhã numa aldeia do Barroso, mas antes ainda deve vir aí o Herman JC com mais uma das suas crónicas. Até amanhã!

 

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