Paradela de Monforte - Chaves - Portugal

Hoje vamos mais uma vez até Paradela de Monforte com algumas imagens das antigas e tradicionais construções de granito do nosso mundo rural, algumas das que foram resistindo aos tempos modernos e que hoje em dia estão maioritariamente desabitadas ou mesmo em ruinas.

Construções que fazem história e que fazem parte do nosso património cultural, arquitetónico e social das nossas aldeias transmontanas e que aos poucos se foram perdendo e dando lugar a novas construções adaptadas a uma nova forma de vida. Evolução que era inevitável e que à falta de políticas de planeamentos, planos diretores, apoios, informação e visão de futuro fizeram com que as nossas aldeias tradicionais se descaracterizassem, que fossem permitidos verdadeiros atentados no nosso património que é aquilo que temos de melhor.

Falta de interesse pelo nosso património rural, cultural, tradicional e social em que os erros do passado recente levaram ao despovoamento e envelhecimento das nossas populações rurais chegando-se na maioria dos casos a um ponto de rotura com o passados e séculos de existência destas populações e povoamento, chegando a um ponto de não retorno e que mesmo que o haja, ficarão para sempre perdidos os saberes, sabores, tradições e folclore da cultura popular transmontana que tão rica era nas suas singularidades.

Para terminar, pois seria injusto com Paradela de Monforte se não acrescentasse este parágrafo, sei que em Paradela ainda existe população interessada em manter algumas das suas tradições e folclore e que os seus filhos ainda mantêm uma forte ligação à aldeia, mesmo estando fora, mas tudo poderia ser bem diferente se em vez dos interesses económicos e financeiros dos senhores de Lisboa que mandam nisto tudo, estivessem os interesses das pessoas e das populações onde poderiam coexistir os núcleos das antigas aldeias tradicionais, em suma o seu centro histórico perfeitamente preservado, com uma nova aldeia planeada arquitetonicamente e economicamente sustentável que garantisse a permanência da população e o regresso dos seus filhos que partiram para a emigração ou para a sua formação. Em vez disso venderam-lhes ilusões armadilhadas onde muitos depositaram as poupanças de uma vida num poço sem fundo.


