Pecados e picardias
Ao cair da tarde
na placidez do ultimo voo
uma só brisa de silêncio,
amortece a raiva surda muda dos acossados,
Respiram mágoa
Inocentes e condenados
à maldição da pobreza…
Ao cair da tarde
esmorecido o crepúsculo,
escurece nas encostas da alma,
passos trôpegos de quem já não se vê descem as ruas,
anoitecem tristes
esperanças sem corpo, nuas
de futuro e certeza…
Ao cair da tarde
pela mão implacável do tempo
branqueiam têmporas da vontade,
refém das memórias, promessas de sonhos, infiéis
para si próprios,
ficam na história, cruéis
afogadas pelo medo…
Ao cair da tarde
Cansados do dia já passado
Voltamos a ser, anjos de pecado…
Isabel seixas in Espólio



