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CHAVES

Olhares sobre a cidade de Chaves

Pecados e Picardias

12.03.17 | Fer.Ribeiro

pecados e picardias copy

 

Mulheres por ordem De Crescente

 

Mãe, nas memórias coletivas e idiossincráticas do meu coração és tu que marcas o passo e todas as batidas por segundo de primeiro amor, és tu a voz sopro de sol das minhas luzes e chamas que acendem  os meus sorrisos e a minha vontade de viver. Nunca esmoreceu a tua abnegação nem a renúncia a ti por nós. Quem me dera que o meu corpo piegas fosse homem para poder trazer-te ao colo e  aliviar com o meu abraço, o teu corpo desistente onde a tua alma já transborda de grandeza pelos feitos de amor sem interesses escondidos.

 

Queridas  Avós e Tias ,e Primas tias, lembro-me do ar trocista e das cumplicidades pelos caminhos de um não sereno quase a parecer  sim, pelas almofadas bordadas num ponto cheio de compreensão e mantas ou xailes do aconchego a boas venturas, sustento do bom autoconceito, tantos obrigada que vos estendo em passadeiras vermelhas de mar ou céu de respeitos.

 

Primas e irmãs  e amigas e colegas tão difíceis às vezes de dissociar os apegos e as artes do desenho de pertenças e vínculos  sangue ou cola que jamais descola? Sei lá? A Zé a Nélia,a Guida, a Locas, a Kika, a Nininha,a Bébé ,a Mila, a Cândida,  a Maria, a Adelina,a Judite, a Natércia, a João,a Luisinha, e tantas  outras, tantas ,como as subidas e descidas das escadas e dos acessos à escola  pelo valee de quem eram os dias de levar a braseira de brasas logo pela manhã de  inverno má como a fome que nos reduzia a feridas temíveis como boubas e frieiras que só curavam com o pó de maio e aliviavam com carinhos de atenção e penas.

 

Lembro-me Delas da Sra. Albertina em Bornes,  a mulher mais rica que eu conheci, sem dinheiro ou brasões que nos cobria do ouro  preciso nas infâncias, com a força de uma vida inteira que a idade aglutina em o que é realmente importante, sem ser efémero, são eles a platina e o ouro  que só quem é bom tem acesso, Os Afetos. Mostrava-nos que tinha já adquirido o direito a todo o tempo do mundo e dava-nos aquele sorriso incondicional maior que o horizonte em cada colher de sopa impulsionada a canções de embalar que nos tirava o custo de engolir o faz bem sem saber…Lembro-me da Bertinha da Prazeres e da Sra. Bia.

 

A dona Dorinhas  e a menina Lurdinhas  ,sempre idosas pra mim mesmo novas, idosas de sabedoria incontestável exemplos de virtudes de respeito, sempre a baixarem-se à terra e aos canteiros pra tirar as ervas daninhas a mais ninguém , bem a menina Lurdinhas nem sei bem talvez ao padre domingos de resto era a sra mais cheia de boas vontades que eu conheci, a d. dorinhas não de porte austero o porte mais austero que eu consegui admirar…

 

Já todas professavam e sem saber à sua maneira o poema do Ary dos Santos

 

Ary dos Santos

 

MULHER

A mulher não é só casa
mulher-loiça, mulher-cama
ela é também mulher-asa,
mulher-força, mulher-chama

 

E é preciso dizer
dessa antiga condição
a mulher soube trazer
a cabeça e o coração

,

Lembro-me das  festas das comadres e  das mulheres que escondias mãe, com bons modos e boas maneiras, dos estadulhos desses homens que eram ao mesmo tempo  bons amigos do pai,  bons filhos e de boas famílias , bons chefes de família, e secretamente predadores , pedófilos e carrascos de seres humanos que cuidavam deles como as esposas e as filhas até…a quem se lhes dedicava um deserto por desistido e resignado deixa lá é assim a vida, mas olha que não deixa de ser boa pessoa e é temente a deus;… muitas vezes é por não ser capaz e pela miséria; E lembro-me do chinelo que nos educava às espanadelas, da resignação do deixar bater das professoras como inevitável pedagogia para nos abrir a cabeça  rápido, ou a revolta merda, ( filhas da mãe que batessem nos delas), ó mãe a tia Laurinha que bata nos filhos dela quando os tiver, bate-nos porque não tem filhos, não sabe o que dói e a mãe e o pai não deviam deixar… -Ai só se perdem as que caem no chão?!… Que linda resposta… deixem-me crescer que vão ver…. -Ó rapariga vais sofrer muito… Bou, bou, isso é o que vamos ver…ó tia Laurinha não nos bata mais que nós amanhã estudamos… Mas como estudar o que ainda não se sabe o que é para aprender?...  Oh que pena, vocês é que eram obrigadas por esse miserável do tudo pra nós  sal azar  e que vos transformava sem serem, vitimas da sua versão suas Suas socas, a fazerem-nos boubas na alma, porra, havia necessidade?!...

 

Continua…

Isabel seixas in Quem me limpou os moncos, quem me ensinou a assoar

 

 

 

Trouxe a fábrica ao seu lar
e ordenado à cozinha
e impôs a trabalhar
a razão que sempre tinha

Trabalho não só de parto
mas também de construção
para um filho crescer farto
para um filho crescer são

A posse vai-se acabar
no tempo da liberdade
o que importa é saber estar
juntos em pé de igualdade

Desde que as coisas se tornem
naquilo que a gente quer
é igual dizer meu homem
ou dizer minha mulher

ARY DOS SANTOS