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CHAVES

Olhares sobre a cidade de Chaves

Pecados e Picardias

25.06.17 | Fer.Ribeiro

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Cemitérios vivos

 

Olá Pai

 

Deixo-me estar em Bornes, no escorrega de promessas dos sonhos de miúda.

Agora é a nossa vez de  ir deitar água benta no vazio,  onde sucumbiram aos desgostos os fia-te na virgem e não corras.

Fizemos tanto tanto que não fizemos nada e agora o cansaço abafa-nos na solidão da falta do poder de já não ser capaz.

 

Eu não te disse?

 

Um rebanho de ovelhas entra nos terrenos baldios de escolhas e gostam de ser pasmadas e empurradas pelo latir dos cães que só ladram…

Há uma brisa no fundo do estradão que já não é fundo do estradão, fomos à escola e já sabíamos…

Só os cadáveres são verdade.

 

Deixo-me estar sem fazer nada e é como se estivesse a fazer alguma coisa, o não fazer nada…

Os gordos continuam a ser pesados, principalmente a si próprios e os magros principalmente aos outros,

Oh, continuam cada um a puxar para o seu lado.

 

Uma ou duas pessoas sabem que ainda continuo a ser a filha do Chiquinho e da d. Aninhas

Olhamo-nos de lado

Todos somos coitadinhos, até os que não, mais a mais gosto do Cristiano…

 

Disseste, disseste  que eram todos iguais, que …

E depois, que queres que faça, eu também sou…

 

A casa da avozinha já não está lá…

Ó tempo…

Já não temos ninguém que se lembre

 

A memória acende  sozinha a cada  tormento, rabanadas de morte ou abanar de medos

Já nos entendemos na desgraça

Paramos nas cinzas…

 

Disseste, disseste tudo passa

Nós também

 

Isabel Seixas