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CHAVES

Olhares sobre a cidade de Chaves

Pedra de Toque

23.09.17 | Fer.Ribeiro

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Minha Senhora, minha.

 

                        Há coisas que não entendo.

 

                        Eu não entendo a doença que fere e pode matar gente.

 

                        Eu não entendo a crueldade que petrifica os sentimentos das pessoas.

 

                        Continuo a não perceber as calamidades que destroem, que semeiam fome e miséria, bem como o estado dormente de quem manda, se é que alguém manda.

 

                        Não entendo também a ignorância assumida, a inveja incontrolável, a vaidade que supera todos os desígnios e que vira maldade incompreensível.

 

                        Entendo, no entanto, o sol que alivia a depressão, que oculta o nevoeiro que definha as mentes.

 

                        Entendo as águas dos rios que empurram outras para a imensidão dos oceanos que atemorizam e assustam.

 

                        Entendo-te a ti, minha senhora minha, que me falas dos confins e persistes em não aparecer.

 

                        Eu estou à tua espera no fim de todos os caminhos de braços abertos para estreitamente te apertar.

 

                        Esse dia, dizem-me os santos em que não acredito, chegará vindo de nuvens embaladas pela brisa com cheiro a camélias e jasmins.

 

                        Estou cansado, um pouco doente e entristecido, mas quero que saibas até porque “a dor também precisa de respiro” que TE AMO,

 

                        Minha senhora minha.

 

António Roque