Pedra de Toque
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Há dias assim…
Como o de hoje.
Chove, o céu está plúmbeo.
Faz frio.
A tristeza anda no ar que penetra e as pessoas ficam cinzentas como o tempo.
Não apetece fazer nada.
As notícias que os periódicos ou a net anunciam, leem-se com todo o pessimismo.
Os dramas parecem mais dramáticos, as tragédias mais trágicas.
Estou a escrever, estou a tentar escrever, mas sinto que não me sai coisa nenhuma, para além destes desabafos.
Interrompi de momento este texto, porque uma velha amiga, com quem já não falava há muito, telefonou-me a procura r por mim, pela minha saúde.
Lembrou-me a data do meu aniversário que ocorreu há cerca de um mês e parabenizou-me.
Recordei os meus que já cá não estão mas que não deixavam passar o dia dos meus anos em vão.
Saí então à rua e vi jovens namorados com quem me cruzei que levavam com eles brilhos nos olhos e esgares e sorrisos que transbordavam felicidade.
A amiga que me chamou fez-me ver a importância da vida (agora mais curta), da amizade e do amor.
Foi então que o dia se tornou mais claro, mais limpo e luminoso.
Aos meus olhos voltou o azul do firmamento.
Espero que a serenidade seja minha esta noite, que desça sobre o meu leito e me permita um sono repousante e tranquilo CONTIGO no pensamento.
António Roque


