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CHAVES

Olhares sobre o "Reino Maravilhoso"

25
Jan14

Pedra de Toque - A Geração "Orpheu"

 

A GERAÇÃO DO “ORPHEU”

 

Há poucos dias, o meu estimado sobrinho Henrique Souza de Azevedo, um jovem e brilhante diplomata, pelos vistos interessado nas coisas da arte, o que me apraz registar, postou no seu mural do face, um extraordinário quadro de Amadeo de Souza Cardoso, o pintor nascido em Manhufe – Amarante, em 1887.

 

Amadeo, que morreu muito jovem a 14 de Novembro de 1918, tão só com 31 anos, ceifado pela pneumónica, com a sua curta obra modernista, conseguiu abalar o provincianismo reinante na época, o que lhe valeu algumas afrontas nas exposições que levou a cabo no Porto e em Lisboa, pouco antes do seu decesso.

 

Cozinha da Casa de Manhufe, c. 1913, óleo sobre madeira, 29,2 x 49,6 cm de Amadeu de Souza Cardozo

 

Amadeo, juntou-se a outros nomes de elevada grandeza no mundo das letras e das artes que, reunidos na revista “Orpheu”, publicaram textos e reproduziram pintura e desenhos.

 

Logo, os dois primeiros números da revista, editados em 1915, tinham, entre outros, textos de Almada Negreiros, de Mário Sá Carneiro e de Fernando Pessoa, que usou o seu heterónimo de Álvaro de Campos.

 

Também Amadeo, como Santa-Rita Pintor, integraram a geração do Orpheu mas durante pouco tempo, porque a morte os levou em consequência da referenciada epidemia.

 

Sá Carneiro não conseguiu suportar a depressão que o atormentava e em Paris, com 26 anos, num quarto de hotel tomou estricnina e despediu-se tragicamente da vida deixando uma obra poética ímpar e ainda hoje extremamente lida e apreciada.

 

Mário de Sá Carneiro

 

Fernando Pessoa, o genial Pessoa, o homem que foi Ricardo Reis, Álvaro de Campos, Alberto Caeiro e Bernardino Soares (quiçá para além de outros muito menos conhecidos), deixou-nos em 1935, aos 47 anos num fim de vida extremamente difícil e fisicamente degradante.

 

Ficou contudo, para nós e para o mundo, uma genial obra, sobretudo poética, a cuja qualidade se renderam e rendem homens e mulheres de todos os continentes.

 

Foi Almada Negreiros, com quem julgo me cruzei uma ou outra vez nas ruas de Lisboa, o intelectual da “Orpheu”, de maior longevidade.

 

Retrato de Fernando Pessoa, 1954, óleo sobre tela, 201 x 201 cm, de Almada Negreiros

 

Partiu aos 77 anos, em 1970, um ano após se ter dado a conhecer ao povo português numa entrevista a Raul Solnado, no saudoso programa televisivo Zip-Zip.

 

A sua clarividência, a sua cultura, o seu discurso simples, escorreito e profundo, permitiram um momento superior de televisão que ficou certamente na memória de todos aqueles que tiveram o privilégio de o ouvir.

 

Dramaturgo, poeta, escritor, ensaísta (o Manifesto Anti-Dantas, entre outros textos) e sobretudo pintor, deixou painéis, frescos (Gare Marítima da Rocha de Conde de Óbidos) e inúmeros quadros e desenhos.

 

Almada Negreiros -- Auto-retrato

 

 

Amigo de Fernando Pessoa, imortalizou o poeta que muito admirava, no célebre quadro em que este está sentado à mesa do restaurante Irmãos Unidos.

 

A geração do Orpheu não foi uma ínclita geração, mas foi um conjunto de personalidades eivadas de talento desmedido, que ficaram e ficarão para sempre nos compêndios da cultura e da arte portuguesas.

 

António Roque

 

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