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CHAVES

Olhares sobre o "Reino Maravilhoso"

15
Mar15

Pereiro de Agrações - Chaves -Portugal

1600-pereiro-agra (3)

Para não voltar ao discurso de sempre sobre as nossas aldeias, hoje fica um poema de Fernando Pessoa, ou melhor, do seu heterónimo Alberto Caeiro.

1600-pereiro-agra (20)

 

Eu Sou do Tamanho do que Vejo

 

Da minha aldeia vejo quanto da terra se pode ver no Universo...
Por isso a minha aldeia é tão grande como outra terra qualquer
Porque eu sou do tamanho do que vejo
E não, do tamanho da minha altura...
Nas cidades a vida é mais pequena
Que aqui na minha casa no cimo deste outeiro.

Na cidade as grandes casas fecham a vista à chave,
Escondem o horizonte, empurram o nosso olhar para longe de todo o céu,
Tornam-nos pequenos porque nos tiram o que os nossos olhos nos podem dar,
E tornam-nos pobres porque a nossa única riqueza é ver.

                                                    Alberto Caeiro, in "O Guardador de Rebanhos - Poema VII"

 

 

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