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CHAVES

Olhares sobre o "Reino Maravilhoso"

08
Out16

Pereiro de Agrações em tempo de colheitas e vindimas - Chaves - Portugal

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Tive a felicidade de ter nascido em plena veiga de Chaves, a felicidade de o meu pai ser de uma aldeia que vivia da terra, do gado e da floresta, onde também tínhamos por lá algumas coisas da terra a tratar e de, quase sempre, a felicidade de ter vivido mais próximo do campo do que da cidade, exceção para uma temporada de meia dúzia de anos em que vivi numa torre de betão e da qual não guardo nenhuma boa recordação.

 

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Tive também a felicidade de na minha juventude e formação ter passado pelos trabalhos do campo. Claro que na altura de jovem nem por isso valorizava esta mais valia, nem a troca da cidade pelo campo era lá muito “pacífica”,  mas com o tempo,  em adulto,  dei-me conta do tão positivo que foram esses tempos de contacto com a terra, com os seus trabalhos e com os sabedoria da gente das nossas aldeias. Sabedoria que é ágrafa , que só ouvindo-a, vendo-a  e vivendo-a se aprende.

 

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Tenho a felicidade de viver a meio caminho entre a cidade e o campo. Mais campo que cidade e a felicidade de a minha casa ainda estar rodeada de algumas vinhas que se cultivam e de alguma terra que ainda é lavrada, semeada e plantada e onde na altura certa se vão recolher os frutos.

 

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Hoje tive a felicidade de acordar ao som do bater do ferro das tesouras de poda, as mesmas que se usam para vindimar, acompanhadas do habitual burburinho das vozes de quem vindima, fazendo-me regressar ao tempo das minhas vindimas, das merendas com a obrigatória omelete de linguiça, dos lagares, da festa de pisar o vinho, da espera da fermentação, do baixar do bagaço, do encher das pipas, do espremer o bagaço e da longa espera de um dia de sol de abril ou maio para finalmente botar a torneira à pipa e engarrafar algum  vinho para mais tarde chegar à mesa. Uhhhh! Que bem sabia. Ainda hoje aprecio todas essas tarefas do vinho nos aromas que me ficam no palato, principalmente se sai de uma pipa guardada na frescura de uma adega.

 

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Pois é tempo da fruta madura, das vindimas que se repetem pouco por todo o lado, nas terras mais quentes há já algum tempo, nas mais frias há que aguardar mais uns dias. O tempo é que manda.

 

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Recordando este tempo de colheitas, lembrei-me que há uns anos, por esta altura,  fui até Pereiro de Agrações, onde se andava em vindimas, nos preparativos e lavagens de vasilhame e outros instrumentos mecânicos de “mastragar” as uvas, mas também ter a sorte de assistir ao pisar tradicional no lagar. Tradicional no gesto, pois faltava a companhia, mas mesmo assim deu para apreciar os aromas do mosto e recordar o tempo em que eram os nossos pés os que pisavam.

 

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Pereiro de Agrações onde vamos ou passamos de vez em quando se o nosso destino é Agrações, e nas nossas  idas e paragens,  vai sendo recorrente  encontrarmos pelo caminho, ou na aldeia,  caras conhecidas que já antes fotografámos. E é com agrado que quase sempre repetimos o gesto.

 

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Gesto repetido com as gentes da terra sempre na labuta do campo, quer seja dia de semana ou feriados e até aos domingos, tal como acontece com o pastor Fernando e as suas cabras, pois elas não conhecem os dias de semana e têm de comer todos os dias. A vida do campo e da serra é assim, não é fácil.

 

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E assim ficam alguns olhares sobre a vida da aldeia de Pereiro de Agrações em dias de recolha de frutos, de vindimas, de trabalho, de ir com as cabras ao monte.

 

 

 

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