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CHAVES

Olhares sobre a cidade de Chaves

Pergaminho dobrado em dois

06.05.18 | Fer.Ribeiro

pergaminho-1

 

Que perigos, que mortes lhe destinas

 

Dia 26 a 28 de abril celebrou-se a 3ª edição da Ponte Escrita, em Chaves. Um encontro luso-galaico de escritores que este ano recebeu, – com principal destaque – João Tordo e Ana Margarida de Carvalho. Ou seja, como devem calcular, estimados leitores, nada que tenha grande importância.

 

Eu e a minha mulher decidimos ir – não sei o que nos passou pela cabeça, é certo – sabendo que poderia haver inúmeras outras coisas bem mais interessantes que poderíamos estar a fazer, nomeadamente aprender a viver e amar com pequenos textos do último livro do Raul Minh’Alma (ando sempre atento aos novos talentos da literatura), ou passar a tarde a ver porquinhos fofinhos vestidos à floribella enquanto nos entretemos a fazer scroll down no Instagram até cumprirmos o dia, anoitecer e consequentemente dormir, ou em casos extremos apalpar os seios um do outro que, não anulando os porquinhos, é um divertimento cultural bem mais apelativo e saciável.

 

Não obstante, como jovens extremamente fúteis que somos, arriscamos.

 

Entrámos receosos.

 

Constatei, timidamente, que maior parte da aglomeração de pessoas que se dispunha a rodear-me já tinham a possibilidade judicial de me adotar, o que tornava as coisas bem mais estranhas. Não é o facto de o público ter uma idade mínima de cinquenta anos que me apoquenta – antes fosse -, mas a carência de jovens num evento literário como este. Todos nós sabemos que essa falta de frescura e juvenilidade no público resulta devido à ignorância dos organizadores em não perceberem que com boa literatura não se vai a lado nenhum. Ou pelo menos, não se vai ao encontro dos gostos dos jovens.

 

No final do dia, lembrei-me do velho d'aspeito venerando do Canto IV de Os Lusíadas, e como que a cada dia que passa me assemelho mais a ele.

 

Para quem conhece Os Lusíadas, claro.  

 

Herman JC