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CHAVES

Olhares sobre o "Reino Maravilhoso"

08
Jul18

Pergaminho dobrado em dois

pergaminho

 

Portugal. Tempo. E outras coisas.

 

 

Upa, Upa. Olhem para eles todos felizes por chegar a sexta-feira. Cá estamos nós outra vez, meus estimados leitores. Esperemos continuar com este mútuo sentimento genuíno, não é? É tão fofinho quando se constrói assim uma amizade tão bonita e platónica que só dá vontade de correr todo nu a trote com as cores da nossa seleção. Por falar na nossa seleção, alguém a viu? Bem, esqueçamos esse facto que deixou dói dói nos nossos corações e sigamos em frente. Esqueçamos tudo. Sim, tudo. Não não não. Brasil, o Roberto Leal é vosso.

 

Este tempo é que está uma chatice. Parece que anda a brincar connosco. Uma pessoa sai de casa para ir passear e chove. Regressa a casa, que a chuva aleija, e fica sol. Nunca percebi as pessoas que dizem que a chuva aleija, dizem isso porque nunca apanharam o autocarro das sete e quarenta e cinco em plena semana de aulas com a sensação de um possível capotamento ou passaram setenta e duas horas em pé no Hospital só para saber se aquela tosse que tinham era tuberculose ou constipação normal. Por mim, não me importava que Deus acabasse com a chuva, com as moscas e com aquelas pessoas que roem as unhas dos pés. Parecem títeres a fazerem contorcionismo.

 

Eu sei como se sentem, não é fácil para ninguém. É sempre uma chatice quando a inícios do mês de julho a única piscina a que podemos ir é aquele passeio de pouca profundidade em frente à nossa casa. Os únicos chinelos são aquelas botas de equitação do nosso avô. Praia, só mesmo aquela lama das obras em fase de acabamento já há trezentos anos antes de cristo. E onde andam elas e eles? Que nos fazem a delícia do Verão e que nos deixam invejosos com aqueles corpos tonificados como se nos estivessem a convidar para um gin tónico na discoteca Platz, bem junto ao rio. Andar a comprimidos de Vitamina D enquanto podia estar a apanhar sol e a reclamar que a imperial está quente – o copo tem que vir bem frio – ou passar uma boa quarta-feira a falar mal de quem passa “Olha só para ele, olha, anda aí todo pimpão armado em escritor só porque escreve para o jornal”. Podia vir uma valente diarreia e abraçá-los de forma que os levassem a todos para um Domingo à Tarde na TVI.

 

Continuo a escrever, e o sol ainda nada. Às vezes ainda espreita por detrás do algodão, mas não nos concede a tal alegria. É preciso ter paciência. Enquanto isso, continuo.

 

Já alguma vez pararam para pensar no porquê das pessoas dizerem que ao seu animal de estimação só lhe falta falar? É um bocado esquisito para quem tem cágados. Imaginem-no a gritar “Ó Lurdes, já paravas de coçar a bexiga enquanto vês a casa dos segredos. Muda lá isso para o National Geographic, acho que é hoje que passa a reportagem da minha extinção”. Era um bocado chato. Ou para quem domestica um porco, como o caso da porca Joana tão bem conhecida “só lhe falta falar de resto faz tudo”, só faltava dizer que também faz o pino ao mesmo tempo que muda uma lâmpada com o nariz, lê Os Mais detrás para a frente e ainda monta o cubo mágico 4x4x4 com os óculos do Abrunhosa. Temos que parar com isso. Não só estamos a ofender o nosso pobre animal de estimação porque a função dele não é falar muito menos dar a pata quando pedem, mas sim fingir que dorme o dia todo enquanto nos roga pragas em silêncio, faz cocó no sítio mais difícil de limpar e chichi que só descobrimos passados doze anos, como também nos estamos a ofender porque somos de tal maneira ignorantes que acreditamos no que dizemos e deparámo-nos, a meio da noite, a ter um monólogo shakespeariano com o raio do animal que não tem qualquer apreço pelo o criador do Rei Lear. Por exemplo, eu tenho um cão e quando chego a casa, ora bem, como é que vos posso explicar para vocês bem entenderem, fica onde está ignorando-me completamente. Estavam a pensar no quê, que se levantava, punha-me coleira e levava-me a passear, era? Parem lá com isso por favor, antes que vos obrigue a ver a Tarde É Sua ao mesmo tempo que dão uns valentes linguadões ao vosso periquito que só lhe falta falar.

 

Vá, agora podem ir. Até daqui a quinze dias.

 

Herman JC

 

 

 

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