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CHAVES

Olhares sobre a cidade de Chaves

Pergaminho dobrado em dois

05.08.18 | Fer.Ribeiro

pergaminho

 

Pão e Circo

 

Um pequeno latejar em nome dos melhores amigos do Homem

 

Tenho dois sonhos: um é instituir a paz no mundo. O outro é tocar pandeiro com o meu gigantesco falo no Marés Vivas – a solo. Nada disso interessa porque a paz no mundo é uma utopia e o tocar pandeiro com o falo é uma paródia grotesca de chavascal imundo só para entreter as mentes femininas que leem esta repelente crónica.

 

            Fora isso, confesso que entendo o exuberante entusiasmo do povo em geral quando em determinada altura começa a tocar a nova música do Toy. É perturbador esse êxtase, mas consegue-se compreender dado ao enorme bom gosto que normalmente a massa tem. Por exemplo, sabemos bem que as Variações de Goldberg de Bach está muito aquém da mestria e erudição do Coração Não Tem Idade do Toy, e reparem na fortíssima comparação que uso, vê-se que o autor, erudito como só ele sabe ser, domina tranquilamente cada género musical.

 

Agora: instituições de animais – os chamados canis – que continuam a não encontrar soluções para recolher animais abandonados deixando-os à deriva numa terra pecaminosa desde do inicio dos tempos, é que é de lamentar. Quem tem a possibilidade de ajudar estes pobres animais que chegam a ser mais humanos que os próprios humanos e mesmo assim não o faz é tão asqueroso e nojento (usei sinónimos propositadamente) como imaginar a Cicciolina com os seus sessenta e cinco anos a conceder uma copulação a um Equídeo.

 

Primeiro, os animais não têm culpa que os humanos sejam uma mixórdia de vários tipos de caca; segundo, se eu fosse um cão preferia ser capado três vezes sem anestesia do que alojar-me em alguns canis que por aí andam, canis esses que a única condição que eles têm é não ter condições. Aquilo não são canis, são barracões pré-fabricados de calhaus e arame farpado para dar a ilusão que os animais estão protegidíssimos e com um terreno de três metros por cinco para trezentos cães. Uma pessoa dirige-se ao canil para adotar um cão e aproveita e assiste a um tetris de matilha. Se observarmos bem percebemos que aquilo não são cães, são legos que ladram. Há mais cães abandonados do que vergonha na cara de quem tem a responsabilidade de mudar esta realidade.

 

Eu desfaço-me em risos com tanta instituição que proclama a boa ética da mesma nas redes sociais. Exerce em mim uma vontade imensa de tocar uma sarapitola enquanto reflito e chego à conclusão que, essas instituições percebem tanto de ética como eu de bijutaria. O problema de alguns canis é serem geridos por pessoas que gostam tanto de animais como eu gosto de escalar o Monte Evereste descalço.

 

Mas tudo isto, reparem, tem origem, direta ou indiretamente, numa coisa que se chama capitalismo. A miséria, a pobreza mental e financeira, a deficiência das instituições são o viagra de cada capitalista. Como a religião é o ópio do povo. Como a democracia é essencial na boa gestão do mundo. Como o feche éclair da braguilha é de uma extrema inutilidade, que devia acabar porque aleija, por vezes parece que morde aquando acabado de mictar.

 

 Observem, já que agora uma pessoa está tão entusiasmada neste assunto, também o descalabre que subsiste neste momento na sociedade, onde o capitalismo se ergue mais do que o meu pífaro em dias de orgia. Entrego-vos uma solução: uma suruba com todos os operários indignados tendo o prazer mais jucundo na aberta greta da burguesia. E assim poderia começar a despoletar um momento histórico na luta de classes. Confessem lá se não gostavam de enraber les burgeois como se fossem o Karl Marx da festa rija.

 

Em suma, o que realmente me preocupa a sério são aquelas pessoas que em determinado local fechado ainda continuam a usar os seus óculos escuros como se fossem o Pedro Abrunhosa no hipermercado de Mafamude.

 

Compreenderão agora a razão pela qual os animais são a única coisa que prevalece de bom na nossa humanidade?

 

Herman JC