Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

CHAVES

Olhares sobre o "Reino Maravilhoso"

26
Ago18

Pergaminho dobrado em dois

pergaminho

 

 

Peço desculpa. Voltei e prometo nunca mais ir.

 

 

Eu escrevo, não porque gosto, não por vaidade – seria embaraçoso escrever por vaidade – mas sim por irremediavelmente não me sentir bem se não o fizer.   

 

Sempre fui muito dado a todo o tipo de arte. Comecei desde novo a jogar futebol. Aprendi a tocar guitarra desde muito cedo. Estudei artes visuais quando percebi que só havia um caminho para a minha formação, contrariando toda a psicologia dos orientadores. Sempre gostei de ler e de escrever. Só comecei a dar a conhecer o que escrevia há muito pouco tempo. Eu escrevia para estar sozinho, para saber estar sozinho. Para me encontrar. Escrevia e desfazia o que escrevia logo que acabava de escrever. Eu vivia afastado de mim, até à hora que me sentava e olhava para o papel em branco que suplicava tinta. Matava saudades de mim mesmo num papel que estivesse à mão.

 

Desde muito cedo que me fazia acompanhar de velhos e de mortos. Saramago, na altura, por exemplo e Oscar Wilde ocupavam os meus dias mais lúgubres. Mas nunca deixei de viver, de me sujar na terra moída depois de um grande jogo de berlindes, de me apaixonar, de brincar, de foder, de chorar, de aproveitar tudo o que tinha direito. O que fiz, e o que faço é na ausência de mim. Só a escrever e quando estou na presença da pessoa mais importante da minha vida, a minha mulher, é que me sinto capaz, é aí que me encontro.

 

Fui bom em tudo o que fiz. Pode-se ser muito bom a fazer uma coisa, mas é legitimo procurar outras coisas que te completem ou que te deixem inconfortável. Escrever foi uma delas. Engraçado que só percebi isso quando me deparei que o que procurava estava mesmo de frente dos meus olhos. Eu procurava o que já estava encontrado. Uma busca sem sentido. De facto, escrever sempre me foi difícil, mas só tomei atenção depois de muito procurar. E agora escrevo porque encontrei a coisa que me faz perder o sentido na vida quando a deixo de fazer por um dia.

 

E agora escrevo. Escrevo porque quando escrevo ninguém me ouve, ninguém me vê. Fixo o olhar perante o abismo e tento me libertar das amarras da vida. Escrever é dançar o tango com a nossa própria consciência numa sintonia binária e compasso de dois por quatro. Escrevo porque a minha relação com as palavras é de um ódio tão particular que se transforma em amor quando as mesmas se debruçam no papel deixando-me completamente derretido de tanta beleza que nelas contém.

 

Eu vou continuar a escrever, a viver, e a aprender. Já deixei de procurar a razão pela qual me sinto útil. Agora é escrever e viver o resto do tempo com a mulher da minha vida.

 

Herman JC

 

 

 

Sobre mim

foto do autor

Pesquisar

Sigam-me

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

 

 

Olhares de sempre

Links

As minhas páginas e blogs

  •  
  • Aldeias de Barroso

  •  
  • FOTOGRAFIA

  •  
  • Animação Sociocultural

  •  
  • Cidade de Chaves

  •  
  • De interesse

  •  
  • GALEGOS

  •  
  • Imprensa

  •  
  • Páginas e Blogs

    A

    B

    C

    D

    E

    F

    G

    H

    I

    J

    L

    M

    N

    O

    P

    Q

    R

    S

    T

    U

    V

    X

    Z

    capa-livro-p-blog blog-logo

    Comentários recentes

    • JM Naturopatia

      Fantástico trabalho de recolha e divulgação de um ...

    • Anónimo

      gostaria muito de um dia poder conhecer. meu pai v...

    • Anónimo

      Não me admiraria se esta fotografia fosse «roubada...

    • Anónimo

      Sou alfacinha de gema, mas gosto de vos ler; olham...

    • Joaquim Ferreira

      Tantos anos passados, tantos sonhos por realizar.Q...