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CHAVES

Olhares sobre o "Reino Maravilhoso"

28
Abr14

Quem conta um ponto...

 

Pérolas e diamantes (87): solidão e dignidade

 

Este sistema de austeridade económica, financeira e democrática é tão paradoxal, e contraditório, que pode perfeitamente ter sido copiado da sebenta de qualquer filósofo do absurdo, explicando que até confia a liberdade aos portugueses na condição de não a usarem, tendo eles, no entanto, de garantir este compromisso com a sua pronta mansidão.

 

Estes liberais do ancien regime arriscaram ir demasiado longe tentando com isso descobrir até onde podem esticar a corda. Ou seja, a política, que dizem tudo explicar, afinal não explica nada.

 

Mas, para mal da sua prepotência, “nenhuma autoridade está fora do alcance da crítica”, como afirmou Karl Popper.

 

As notícias sobre as prescrições dos casos em julgamento indiciam que continuámos a ser um país subdesenvolvido onde os poderosos não são tocados.

 

Apesar disso, muitos de nós continuam a não pronunciar em voz alta aquilo que pensam. E por medo. Outra vez por medo.

 

A passividade do nosso povo é sinónimo de indolência, de conformismo e de abdicação. Muitos creem que as coisas lá se arranjarão por si. Esse estádio é o da infância.

 

Tal aceitação é a que promove a prepotência das elites, a prepotência dos governos e a prepotência dos políticos sobre o povo.

 

Anda por aí muito aldrabão a dizer que o homem é por natureza bom, para com isso justificar um Estado mínimo. Os cidadãos mais informados sabem bem que a bondade não está na natureza humana, mas sim na educação.

 

E por natureza também não somos maus, senão esta rapaziada que agora nos governa já tinha sido corrida a varapau.

 

Mark Twain dizia que a história não se repete mas rima.

 

Quem leu um pouco da História de Portugal reparou, com toda a certeza, de que estivemos, e continuamos a estar, sempre à beira de um conflito e também sempre à beira de o evitar.

 

Agora o papão dos portugueses chama-se troika. E é com ele que o governo de Passos Coelho e Portas nos ameaça. Uma e outra vez. Mas eles também sabem que, mesmo justificando-se com o papão, não podem fazer tudo aquilo que pretendem. Persentem que não podem fazer tudo o que têm em mente. O medo também os atinge.

 

O princípio, erradamente identificado como cristão, de que devemos ser bons para quem nos faz mal é o que nos leva à passividade. Não nos devemos esquecer que Jesus expulsou os vendilhões do templo à paulada e sem contemplações.

 

O estado contemplativo é o que noz faz mal. Esse é o lado mau, o lado subserviente, o lado atávico, que é o oposto da dignidade que a democracia promove: o direito à expressão, o direito a uma existência digna, o direito à cidadania plena, o direito ao amor-próprio.

 

Nós hoje somos as cobaias da Europa rica. Inocularam-nos esta vacina da reestruturação para ver como reagimos ao vírus. E nós como se nada fosse. Limitamo-nos a emitir alguns gemidos de dor, para que tenham pena de nós.

 

Disseram-nos que tínhamos gasto o que não devíamos e que estava na hora de cada um de nós o assumir e pagar por isso.

 

Mas eu não gastei o que não devia, cá em casa ninguém gastou o que não devia, na restante família aconteceu o mesmo. Afinal quem é que gastou aquilo que não devia e não pagou?

 

Pergunto-me por que razão é que o primeiro-ministro me quer inculcar esse complexo de culpa? A mim e a todos os que não gastaram aquilo que não deviam, porque, pura e simplesmente, não o tinham.

 

Por vezes sentimo-nos sós. Mas já Camus dizia que podemos estar sozinhos mas temo-nos uns aos outros.

 

João Madureira

 

 

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