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CHAVES

Olhares sobre o "Reino Maravilhoso"

01
Dez14

Quem conta um ponto...

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217 - Pérolas e diamantes: recuperar a Esperança

 

Não me sai da cabeça uma frase de António Pires de Lima, o cínico entertainer parlamentar, e também gerente do Ministério da Economia, pois não consigo perceber se ela é uma habilidade semântica ou uma rematada imbecilidade. Na dúvida, aqui a deixo inteirinha para que os estimados leitores possam decidir naquilo em que eu fui manifestamente incompetente.   Ei-la, a tal pérola: “A recuperação do investimento é como «ketchup» e golos do Ronaldo: quando começa ela vem em golpes mais fortes.”

 

Cá para mim, isto tem tudo a ver com o clima eleitoral que se aproxima. Ninguém sabe ao certo qual a margem de manobra para o PSD e o CDS cumprirem as promessas que vão fazendo e com as que se preparam para fazer. Mas mais legítimo é perguntar sobre qual o nível de credibilidade do PS para cumprir as promessas que anda a proclamar, como os feirantes dos Santos.

 

Cá para nós, que os conhecemos há muito tempo, a resposta é simples: a margem de manobra é nula. E quem tiver dúvidas, é favor consultar o último relatório de avaliação da Troika.

 

Os partidos tradicionais são constituídos por uma maioria de pessoas medíocres que apenas raciocinam na lógica da salvaguardada dos seus próprios interesses. O caso mais paradigmático, e recente, é o do ex-primeiro-ministro José Sócrates.

 

Enquanto cidadãos, na velha tradição democrática e republicana, todos os portugueses se devem sentir sinceramente lesados pela forma como o país tem sido gerido nas últimas décadas.

 

Vivemos na lógica do salve-se quem puder.

 

Quarenta anos desta nossa democracia partidocrática, baseada no poder exercido invariavelmente pelo PSD, CDS e PS, levou-nos a tocar o fundo.

 

O resultado está aí à vista de todos: um Estado falido; empresas com maioria de capital estrangeiro defendendo os interesses de terceiros; e uma dívida que nos asfixia a todos.

 

Portugal é já um Estado insolvente, desacreditado e abúlico.

 

A modernização visível assenta em infraestruturas de discutível pertinência, feitas à custa de empréstimos externos, e não da criação de riqueza interna, que nos estão a custar os olhos da cara.

 

Mas, pior do que isso, é que no interior do sistema, cresceu, e prolifera, um mundo de cumplicidades entre o Estado e o mundo dos negócios, que tolhe qualquer réstia de esperança.

 

É evidente que a insolvência do Estado advém da nossa indigência cultural e moral. E de estadistas do calibre de Dias Loureiro ou José Sócrates.

 

O PSD e o PS, para já não falar do CDS, possuem o mesmo tipo de discurso porque, bem vistas as coisas, alimentam-se da mesma dependência da máquina do Estado. Daí o facto de o discurso político nacional ter estagnado.

 

É urgente, e necessário, o ressurgimento de uma terceira alternativa. Uma alternativa séria, competente e independente.

 

No fundo, Portugal continua a ser o mesmo que o retratado em 1871, por Eça de Queirós: 1 - “O país perdeu a inteligência e a consciência moral.” 2 – “A prática de vida tem por única direção a conveniência. “ 3 – “Não há princípio que não seja desmentido.” 4 – “Ninguém crê na honestidade dos homens públicos.” 5 – “Alguns agiotas felizes exploram.” 6 – “O Estado é considerado, na sua ação fiscal, como um ladrão e tratado como um inimigo.” 7 – “O país está perdido.”

 

Não sabemos se o país está perdido. Mas uma coisa intuímos: é fundamental que apareça algo de novo que nos dê esperança, com outros intérpretes, com nova postura, com diferente cultura, com distinta ética. Com outra moral.

 João Madureira

 

PS – Para que os vereadores do PS da CMC também se ponham de acordo quanto à sua verdadeira posição relativamente ao pedido de auditoria externa às contas da CMC – até porque não é bonito atirar um calhau ao (ex-) vereador do MAI e esconder a mão relativamente à posição de um seu vereador que, num primeiro escrutínio votou favoravelmente a realização de uma auditoria externa às contas da autarquia flaviense, para depois, numa segunda fase, dar o dito por não dito, e votar em sentido inverso –, vimos por este meio solicitar mais uma vez ao senhor presidente António Cabeleira, que, pelos vistos sofre de surdez crónica, e aos seus distintos vereadores, que tenham a coragem de assumir a necessidade de uma auditoria externa às contas da autarquia. Pois quem não deve não teme e à mulher de César… etc.

 

PS 2 – E, também em nome da transparência, já agora senhor presidente, talvez fosse boa ideia aprovar conjuntamente uma auditoria externa às contas da JF de Santa Maria Maior, da qual foi insigne presidente, até 2013, o risonho vereador João Neves (ex-MAI e atualmente do PSD), pois quem não deve não teme; certos de que aquele que tão insistentemente reivindicou, durante toda a campanha eleitoral, uma auditoria às contas da CMC, com toda a certeza verá com bons olhos, e até enaltecerá fervorosamente, uma auditoria realizada às contas do seu íntegro mandato.

 

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