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CHAVES

Olhares sobre a cidade de Chaves

Quem conta um ponto...

07.05.18 | Fer.Ribeiro

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391 - Pérolas e Diamantes: A falácia da corrupção dos políticos e banqueiros ou é tudo boa gente...

 

 

Os militantes dos partidos, sobretudo os do PSD e do PS, são gente muito crédula, talvez por isso tenham preenchido a ficha de adesão pensando que assim iam mudar as freguesias, os concelhos e o país, porque para mudar o mundo lá estão os revolucionários do PCP e do BE. E para reformar o céu existe a Assunção Cristas e os benzidos do CDS.

 

Também as crianças creem no Pai Natal, com o desfecho que todos conhecemos: em dezembro todas recebem, pelo menos, um brinquedo.

 

Também eu me fiei nas duas epifanias com os resultados que são públicos.

 

Só os ingénuos é que acreditam que a corrupção existe no nosso país.

 

Todos sabemos que os tribunais continuam a perder tempo e dinheiro a julgar portugueses suspeitos de corrupção perante a passividade de todos, sobretudo dos militantes e simpatizantes dos partidos do sistema. 

 

O escândalo não está na corrupção, mas sim naquilo que ocorre nos tribunais, pois continuam a insistir na tentativa de encontrar um português corrupto, até porque é mais do que evidente que não existe um único que seja.

 

Os pouquíssimos condenados, foram-no por pequenos equívocos ou por grandes enganos. Um deles esqueceu-se de declarar às Finanças o valor dos robalinhos enfiados num cesto rústico com que foi agraciado por contribuir para o combate à poluição do alumínio e do ferro-velho. O outro não se lembrou de declarar o dinheiro que tinha na Suíça e que lhe servia para pagar os charutos que fumava enquanto pensava e exercia o poder. Conseguindo até fazer as duas coisas ao mesmo tempo.

 

O dos havanos chegou mesmo a ser visitado, no seu retiro prisional e espiritual, por um ex-presidente da República que lhe manifestou a sua solidariedade e proclamou aos sete ventos a sua inocência.

 

E tanto assim é que o povo voltou a elegê-lo com uma votação expressiva. O crime, afinal, pelo menos em Portugal, não compensa.

 

O que não sabemos é quando este clima de suspeição sobre os políticos vai acabar. As mentiras são mais que muitas. Até o “Expresso”, uma espécie de “Correio da Manhã” semanal, se deixou instrumentalizar na divulgação de notícias falaciosas.

 

Só pode ser pura paranoia noticiar que o Ministério Público investiga 11 anos de contas bancárias de Manuel Pinho (ex-ministro de José Sócrates, esse paladino da amizade, já que ninguém conhece no mundo uma única pessoa que tenha um amigo tão generoso e altruísta como o engenheiro Santos Silva), pois existem indícios de que o ex-governante tinha quatro offshores.

 

Dizem, as más-línguas, claro, que Manuel Pinho terá recebido meio milhão de euros do GES enquanto governava.

 

Também Ricardo Salgado, o Midas português (ou Messias da banca, se preferirem) foi constituído arguido no caso EDP, pois, ao que parece, terá recebido mais dois milhões de euros de José Guilherme, por causa do crédito a um empreendimento ligado ao construtor.

 

Já Tomás Correia é suspeito de ter recebido milhão e meio de euros. O que só pode ser atribuído ao delírio especulativo dos jornalistas do “Expresso” e à maldade do MP.

 

O advogado de José Guilherme garante que o empresário se limitou a cumprir instruções de um amigo “a fim de garantir o futuro dos netos”, transferindo para uma conta que lhe foi indicada a quantia citada, mas desconhecendo que ela pertencia ao sr. dr. Tomás Correia.

 

Veem, o Pai Natal existe mesmo, mas não é lá muito equitativo. Aos nossos filhos, ou netos, dá-lhes brinquedos, mas aos filhos e netos dos nossos tímidos empresários oferece-lhes um pé-de-meia de meio milhão de euros. E, discreto como é, nem diz nada aos legítimos proprietários das contas bancárias.

 

Segundo o MP, o esquema entre Tomás Correia e Ricardo Salgado consistia no inventivo procedimento de um emprestar para o outro lhe dar.

 

Foram gestos deste tipo que fizeram com que José Guilherme pagasse a Ricardo Salgado catorze milhões de euros, justificados como um “presente”.

 

Pedro Santos Guerreiro, o suspeito e mal-intencionado diretor do “Expresso”, armado em esperto, atreve-se mesmo a concluir que nem é preciso “chegar à suspeita de corrupção, basta a suspeita de que Manuel Pinho recebeu dinheiro enquanto era ministro. Nunca tinha visto isto”. Ou então, “que se acumulem dois subsídios e se diga sem rir nem corar que isso é eticamente irrepreensível, é muito mais do que salvar a pele”.

 

Ora esta última tirada é direcionada a esse herói da democracia, do socialismo e da autonomia insular, que dá pelo nome de Carlos César, que, por puro acaso, é presidente do PS e membro do Conselho de Estado.

 

Os jornalistas do “Expresso” chegaram até a ousar fazer as contas e o atrevimento de dizer que César lucra mais de 300 euros com cada viagem aos Açores. Nos últimos dois voos, que realizou entre Lisboa e a Região Autónoma dos Açores, o lucro terá chegado aos 732 euros. Ou seja, por cada viagem a casa, Carlos César e os outros deputados dos Açores e da Madeira, têm lucro. 

 

Dizem por aí as más línguas do costume, com os jornalistas à cabeça, que os deputados do continente também demonstram comportamentos idênticos, conseguindo obter, com a mesma eficácia, o mesmo tipo de lucro. Mas para palavras loucas orelhas moucas.

 

Isto acontece sempre que os senhores deputados, magnânimos representantes do povo português, levantam o Subsídio de Mobilidade atribuído aos residentes nas Regiões Autónomas e aos que dizem morar fora da cidade de Lisboa, mesmo que residam a quinhentos metros da Assembleia da República.

 

Isto a juntar à ajuda de centenas de euros que recebem para custear as deslocações. Mas nestes, como noutros casos, há sempre uma ovelha ranhosa.

 

Não nos admiramos se, em breve, um incógnito deputado for objeto de um processo disciplinar por infringir as regras habituais, ou, então, por se armar em esperto, recusando prestar declarações falaciosas. Ele há gente capaz de realizar os gestos mais incríveis para conseguir dar nas vistas.

 

João Madureira

 

 

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