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CHAVES

Olhares sobre o "Reino Maravilhoso"

01
Abr19

Quem conta um ponto...


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436 - Pérolas e Diamantes: A graça e os engraçados

 

Abre-se uma revista qualquer, seja ela do coração, desportiva, de saúde, de economia, ciência, ou intelectual, e sai-nos logo o Ricardo Araújo Pereira. Ou então um seu sucedâneo, quando não o senhor presidente Marcelo a dar um beijo a uma senhora de idade com lágrimas nos seus olhos já cansados. Será que o RAP anda a treinar para PR? Será que o senhor Marcelo anda a ensaiar para humorista? Ao RAP falta-lhe uma costela lamecha. Ao senhor PR pesam-lhe já os anos e nota-se a ausência de uma inteligência irónica. O PR é mais lugares comuns.

 

A revista “Estante”, pegando na moda, ou mania, pediu ao Nuno Markl para entrevistar o seu colega e amigo RAP. O resultado, segundo a própria, envolveu livros, humor e... cocó. E, diga-se em abono da verdade, o cocó, tal como os humoristas, está na moda.

 

Uma tal de Sónia Morais Santos criou mesmo um blogue a que chamou de “Cocó na Fralda”. A princípio estava pensado para ser apenas um diário de desabafos para amigos e família. Mas transformou-se na sua profissão. Agora, com quatro filhos e inspirada pelo próprio trabalho, teve a sua melhor ideia: criar um clube de leitura.

 

Como necessitava de um espaço com livros onde houvesse cadeiras, lembrou-se da FNAC do Chiado. E é aí que, uma vez por mês, se encontra com o seu grupo para discutir os livros lidos.

 

E as ideias andam à solta como o cavalo da canção do Fernando Tordo.

 

Até o “sensivelmente idiota” humorista Diogo Faro arranjou coragem para publicar um livro  intitulado “Também Tive Um Pega Monstro”, que parece ser uma viagem à era de ouro dos Tamagotchi, dos DOT e das pessoas que não se sabe “onde arranjaram tanto estilo”.

 

Bons tempos. Eram os anos 90 e no Buéréré, Ana Malhoa apresentava animações como Drangon Ball e Navegantes da Lua. E também todos nos lembramos, com imensa saudade, do emblemático palhaço Batatinha e do seu programa Batatoon.

 

O cocó televisivo era adorável: MacGyver; The A Team; O Justiceiro; Xena, a Princesa Guerreira; e o anódino Baywatch. O cocó televisivo desse tempo cheirava a rosas.

 

Los Del Rio ensinavam o mundo inteiro a dançar a “Macarena”. E esse génio da vacuidade, que dava pelo nome de Iran Costa, punha toda a gente a dançar “O Bicho”.

 

Mas talvez tudo isto não passe de ritual. Com os artistas nada pode ser dado por adquirido. Charles Dickens tinha um: antes de qualquer leitura em público de um “Conto de Natal”, comia um ovo batido cru, a que adicionava um pouco de xerez. E foi com ele que se despediu na última leitura pública que fez. Morreu três meses depois.

 

Já Stanley Kubrick ficou para a história por realizar um filme sobre a relação do Homem com o Universo. Algo que foi capaz de gerar em todos nós inquietação e terror. Afinal o que estamos aqui a fazer? Como chegámos cá? Para onde vamos?

 

“2001, Odisseia no Espaço” é unanimemente considerado um dos melhores e mais ambiciosos filmes de sempre. Uma experiência muito mais visual que verbal, mostrando-nos computadores mais humanos do que os homens. Talvez essa seja a derradeira evolução.

 

Na estreia, realizada em Washington, várias pessoas abandonaram a exibição a meio, confusas com o que estavam a ver.

 

Vítimas, talvez, das distopias, assistimos agora ao declínio da venda de livros para adultos e ao crescimento mundial da literatura infantil e juvenil.

 

Rui Unas, outro castiço dado à paródia, resolveu publicar um livro de entrevistas. No entanto, confessou que lê menos do que gostaria. E deveria. Diz que tenta impor a si próprio hábitos de leitura, mas que é muito difícil. Já tentou andar com um livro no carro, mas desapegou-se depressa. Curiosamente, não gosta de livros de humor. Em casa de ferreiro, espeto de pau.

 

Perguntaram ao tal de Unas que livro daria aos seus colegas de ofício. Ao Alvim, que gosta de ser a tal eterna criança, oferecia um livro infantil. Ao Markl, por ser um geek e por passar o tempo a ler, recomendava-lhe qualquer coisa para não ler. Talvez um livro em branco. Já ao RAP não aconselhava nada pois tem uma inveja muito boa dele. A criatividade dos humoristas lusos continua a deslumbrar-me.

 

Numa coisa coincidimos eu e o Ricardo: “Humoristas e crianças pequenas partilham algumas obsessões e até características de personalidade. Uma delas é achar graça a cocó.”

 

João Madureira

 

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