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CHAVES

Olhares sobre o "Reino Maravilhoso"

16
Nov20

Quem conta um ponto...

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516 - Pérolas e Diamantes: Nós bem sabemos...

 

É prudente não nos deixarmos encurralar pelas meias-verdades. Uma pessoa livra-se de preconceitos e logo volta a cair noutros.

 

A era industrial deu lugar à revolução do colarinho branco. Agora, os filhos e as filhas dos operários batem em teclas de computador ou atendem telefonemas em empresas de baixos salários, afadigando-se em folhear páginas invisíveis, tentando acelerar as comunicações graças à magia incorpórea da eletrónica.

 

Depois vão para casa preparar-se para outro dia como o último, que é em tudo semelhante ao anterior. E o seguinte. E, a toda a volta, telemóveis. Pessoas a falar, a falar, a falar, com alguém que não veem, enquanto o mundo visível lhes passa ao lado.

 

Todos conseguem falar num inglês com ligeiro sotaque dos Estados Unidos, numa mistura sincopada com o inglês das ilhas britânicas. As ganzas dão nisto. E também naquilo.

 

Em Portugal não se fez uma revolução de ideias, mas antes uma revolução de aparências. A própria revolução foi uma aparência democrática e... socialista. Nada mudou de lugar, apenas a mesa é rotativa.

 

As borboletas, apesar da sua aparente beleza, não passam de traças com antenas e asas. E os pirilampos mais não são do que insetos de corpo mole que possuem órgãos luminescentes e que, por isso, apenas brilham no escuro.

 

A aparência é viral e viciosa. Doentia. Não mata, mas engana.

 

O problema é quando nos rimos para o espelho e nos assustamos com aquilo que vemos. Não é aconselhável brincar com os brincalhões. Mas nunca se sabe. O futuro a Deus pertence.

 

Dizem por aí que um tipo rico é um ladrão ou filho de outro.

 

Lembro-me sempre da ética que me ensinou a minha família: sentir alegria em não dever nada a ninguém, cumprir os nossos deveres e viver de cara levantada. Eu nunca mais a esqueci.

 

Há outros que apenas a invocam de vez em quando, como se a mentira fosse desculpável.

 

A injustiça também se pode praticar invocando princípios honestos e bons motivos.

 

Toda a cultura é subversiva porque combate a rigidez da sabedoria e o senso comum daquilo que costumamos designar como realidade.

 

A política acaba sempre por fracassar porque é fruto do ressentimento.

 

Nós bem sabemos que nessa coisa da gestão da polis surgem sempre as dissidências e as intrigas. Por isso, com isso ou por causa disso, aparecem também as artes de enganar aqueles que nos são fiéis, mas são vistos com as qualidades de nos suprimirem ou ultrapassarem.

 

Os mais avisados, ou conservadores, escolhem sempre um provador de venenos, para os manterem ligados às suas origens, costumes, nomes de família e preconceitos de bairro, sem morrerem no ato da prova nos jantares de família. Gostam de falar para o seu reflexo. Depois ouvem as ovelhas e, de seguida, os cães pastores. Andam sempre acompanhados pelo caderno das probabilidades.

 

Depois de se chegar ao poder, todos os eleitos pensam numa fórmula mágica para estabelecerem a paz eterna na luta de classes.

 

São essas coisas que, por vezes, nos fazem sentir muito esquerdistas.

 

Quando discordamos deles dizem sempre que estamos a perceber mal as coisas.

 

A resignação aparece quando nos deixamos comover com a mediocridade. A resignação passa então a ser vista como uma virtude, quando mais não é do que um colete de forças.

 

Os que estragam tudo são os que andam continuamente impacientes pelo que se vai passar.

 

Já estamos todos cansados da conversa dos que dizem estar dispostos a darem o melhor de si, quando sabemos que apenas estão disponíveis para guardarem o melhor para si.

 

Como disse Michel Eyquem de Montaigne, já em 1575: “Até quem ocupa o mais alto trono da terra continua a sentar-se sobre o seu traseiro.”

 

A verdade é que as pessoas agora caminham como antigamente o faziam os monges ou os romeiros. Mas a sua única intenção é suar e cansarem-se. A meditação deixou de ser o motivo. Agora é tudo lugares-comuns e frivolidades. E roupas tão justas que fazem logo pensar em sexo. Eles Sansões e elas Salomés. Ou eles Kenes de esteroides anabolizantes e elas bonecas de plástico insufláveis. Mesmo as classes superiores se tornaram fonte indisfarçável de comédia social. 

 

As adorações de agora são coisas abstratas.

 

João Madureira

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