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CHAVES

Olhares sobre o "Reino Maravilhoso"

11
Jan21

Quem conta um ponto...

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523 - Pérolas e Diamantes: Zelig, os cães e o vazio

 

O grande problema dos cães é quando começam a sonhar em se parecerem, ou se igualarem, aos seus donos.

 

O dever chama-nos a todos. Mas, atenção, devemos ser sensíveis à diferença entre o dever inspirado pelo temor e o dever que tem origem no amor.

 

O sonho capitalista americano tomou conta de todos nós: construir uma casa, engordar nela e depois morrer.

 

O problema é quando o vácuo, ou o vazio de ideias, começa a tomar conta das nações e das suas instituições.

 

Agora andamos atrás da moralidade do poder. Provavelmente existe. O problema irresolúvel do poder democrático reside no facto de ser exercido de cima para baixo.

 

Mas o que interessa é prosseguir com estilo, como o fazem os cães mais aperaltados nos concursos de beleza.

 

A verdade é que os sacerdotes dos templos modernos (também conhecidos como líderes partidários regionais ou nacionais) aprenderam com os seus antecessores babilónios a, de vez em quando, sendo fiéis a um templo, levantarem o povo contra os sacerdotes do outro templo, gerando confusões periódicas, atualmente conhecidas como campanhas eleitorais.

 

Na Babilónia existiam as portas de Ishtar, prestando homenagem a uma deusa que era homem e mulher ao mesmo tempo. Daí ser sexualmente insaciável. A porta de Ishtar era, na realidade, duas portas – uma na muralha exterior e outra na muralha interior.

 

Das nove portas da cidade, as de Ishtar eram as mais importantes, pois conduziam diretamente até ao coração da margem esquerda de Babilónia, onde ficavam os templos, os palácios e os tesouros.

 

Na altura de Xerxes, os Grandes Reis, astutamente, consentiam que os povos adorassem as suas divindades, mas a verdade é que não deveriam ter reconhecido outro Deus além do Senhor da Sabedoria. Zoroastro bem os avisou: Meia Verdade é o mesmo que a Mentira toda.

 

É como todas as coincidências sobre os alegados casos de corrupção ligados a políticos nacionais, autarcas, homens de negócios e banqueiros. São demasiadas. Dizem que apenas os espíritos fracos acreditam em coincidências. Pois, talvez eu seja um deles. Coisa de que me penitencio, mas a idade não perdoa.

 

Lamentamos a mediocridade envolvente, mas a verdade é que o nosso espírito provinciano não nos deixa apostar na aventura. É essa a justificação plausível para a nossa resistência à mudança. A nossa vida está circunscrita ao dever e ao hábito.

 

Quando as coisas se complicam, os comediantes do poder local, atrasam as suas entradas, congelam as falas e passam a falar em esperanto. São, tal como os maus guionistas, inimigos do humor.

 

Os ensaios gerais, entre a família política, costumam ser eficazes. As provas do guarda-roupa excelentes. Mas a verdade, porque manca, dá de si.

 

O problema começa quando o enredo é macambúzio, as personagens são macarrónicas, as falas não jogam umas com as outras, a estrutura assenta em móbiles e a narrativa foi construída tendo como base as falas do padrinho.

 

E costuma agudizar-se quando tentamos misturar dois enredos em cima de uma, ou várias, desculpas esfarrapadas.

 

Um bom produtor de espetáculos é aquele que quer produzir os sucessos e os insucessos daqueles em que acredita.

 

Eu habituei-me a respeitar os que redigem as didascálias. São eles os que regem, e definem, as falas dos robertos.

 

A política tem razões que a própria razão desconhece.

 

No fundo somos como a personagem Zelig, do filme de Woody Allen: todos queremos ser aceites, enquadrados, não ofender, mudando de personalidade consoante a pessoa e fazendo o máximo possível por agradar.

 

O nosso grande Zelig é Marcelo Rebelo de Sousa.

 

O seu caráter é monótono, como o da generalidade das pessoas, ao contrário da variedade étnica e cultural dos seres humanos.

 

A verdade é que o homem gosta de nadar e dizem que não enjoa quando anda de barco. Uma lenda antiga garante que os magos enjoam sempre. Mas o nosso grande estadista é mais homem de cartas e mezinhas.

 

Uma coisa o distingue de muitos outros seus concorrentes: a rapidez em tirar vantagem de todas as situações em que se encontra.

 

E possui ainda aquela jovialidade dos rapazes de liceu que consiste em discutirem e apregoarem as proezas que um dia farão, quando forem grandes estadistas.

 

Felizmente que o futuro é sempre um perfeito mistério.

 

João Madureira

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