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CHAVES

Olhares sobre o "Reino Maravilhoso"

18
Jan21

Quem conta um ponto...


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524 - Pérolas e Diamantes: A arquitetura da virtude

 

 

Como diz Cavafis, mais cedo ou mais tarde, a todos chega “o momento do grande sim ou do enorme não”.

 

A literatura pode ser até útil, mas nunca será aquela que o pretende ser.

 

A virtude ou é secreta ou não existe. A virtude pública é sempre exibicionismo.

 

A boa literatura é aquela que não parece. A que não se parece com o belo. Mas aquela que soa a verdade. A uma verdade diferente, mas universalmente moral. A verdadeira literatura escreve-se sempre contra aquilo que, a cada momento histórico, é considerado convencional.

 

Tudo o que é absoluto, ou o pretende ser, cria incessantemente a mais absoluta das injustiças. Veja-se o caso das religiões monoteístas: cristianismo, islamismo, comunismo e fascismo.  Os seus chefes andam agora a fazer-se de distraídos dando de comer aos pombos.

 

É verdade que a história nunca se repete da mesma maneira, mas recorre sempre a máscaras ideológicas distintas. O erro, que costuma ser gravíssimo para os acólitos, está em acreditar que quando elas novamente surgirem serão menos perigosas.

 

Há homens que a partir da escola primária apenas deram larga à raiva, à inveja, ao azedume e à impaciência. E depois caíram na violência dos seus excessos estéreis, fazendo sátiras sempre mais insolentes que interessantes.

 

O caráter das pessoas de agora parece moldado pelas funções que desempenham. Só que isso não é caráter, é a tal máscara que esconde a personalidade.

 

Muitas das certezas públicas escondem incertezas privadas. Alguma razão tem de haver para ainda hoje sermos uma espécie de nação improvisada, onde é impossível distinguir aquilo que é esforço do que é inspiração.

 

Muitos dos nossos homens públicos pensam-se aves de quatro asas, mas não passam de avestruzes.

 

Aprendi com a burguesia duriense que os frutos e os gostos sabem melhor fora de época. Por isso são mais caros.

 

O verdadeiro luxo é austero, nunca artificioso.

 

Jonathan Swift, na sua obra Instrução aos Criados, escreveu: “Se o teu patrão ou a tua patroa chamam um criado ausente, que nenhum outro entre vocês responda. Porque nunca mais acabam de correr.”

 

Por alguma razão me fascinam os políticos que olham para as bouças de pinheiros com um ar preocupado. Talvez porque pensem, os mais letrados, que ali está a floresta de Dunsinane. Pressentem, ao de leve, que a vida se deteriora através de pequenos sinais que ignoramos.

 

Quando levamos os bobos a sério acabamos por perder o melhor deles.

 

Os mais astutos dos políticos são os que enchem os seus discursos com aquilo a que chamam de “profundos objetivos políticos”.

 

Maquiavel afirmou que os homens do seu tempo estavam menos afetos à liberdade porque eram mais fracos e mais religiosos. Nem quero pensar o que diria dos homens atuais. Talvez que estropiaram as nossas convicções.

 

O nosso povo debilitou-se pelo contágio dos seus dirigentes. Já ninguém se envolve em grandes ações. A indignação deu lugar à ociosidade.

 

Nunca há decisões definitivas. Ou melhor: nunca há boas decisões definitivas. A estrutura das cidades tentou transformar os rios. Mas a boa ideia talvez seja transformar as cidades a partir dos rios. 

 

Por vezes parece-me ouvir alguns queixumes de sofrimento, mas é apenas o vento a soprar de encontro aos padrões dos povos que ilustram a ponte Romana.

 

Agora sei contemplar o sítio exato onde os arcos da ponte são mais perfeitos. E desiludo-me com a nossa falta de entusiasmo político com os projetos arquitetónicos. E culturais.

 

A verdade é que as colunas se podem tornar perigosas.

 

As pessoas, parecendo andar aceleradas, vivem em “câmara lenta”.

 

Organizam festas sumptuosas sobre o rio. E sobre a ponte.

 

E generalizam. Pois, o que mais hão de fazer? Enquanto aguardam o resultado da primeira iniciativa, tratam de vulgarizar a ligação ao sistema. Ao sistema do êxito e da envergadura leve dos sistemas pesados.

 

Com ligeiros tremores de terras, as colunas que assentam em estruturas amovíveis desabam.

 

Mas até as estruturas mais robustas vêm abaixo quando atingem proporções desmesuradas.

 

Há sempre um nostalgia estranha que nos afasta da verdade. Há até amigos assimétricos que fazem cálculos curiosos para predizerem repartições, condições, traições e cogitações.

 

São sempre esses os que, depois de destruírem a estrutura, nos chegam a pedir para a reconstruirmos. Só que não se apercebem que já não há estrutura, nem aspetos, nem dimensões, nem integração, nem versão, nem entusiasmo. E muito menos dinamismo.

 

A partir de determinado momento, as recusas são sempre definitivas.

 

João Madureira

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