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CHAVES

Olhares sobre o "Reino Maravilhoso"

18
Out21

Quem conta um ponto...

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562 - Pérolas e Diamantes: O pragmatismo da treta

 

Quer queiramos, quer não, o indivíduo enquanto autor da sua própria vida é o protagonista do nosso tempo, quer entendamos este facto como emancipação ou aflição. Apesar do potencial libertador desta segunda modernidade, as condições da nossa existência refletem perfeitamente uma forma de vida complicada.

 

Mas os problemas e as relações sociais continuam a estar em ponto de rutura. A queda económica continua a ser praticamente irresolúvel, o contrato social está dependente de exigências ruidosas, a ansiedade e o desespero dos políticos eleitos, mal preparados intelectualmente para perceberem os motivos das novas políticas aparentemente keynesianas, e aparentemente fiáveis, não conseguem inverter o rumo dos acontecimentos. Os políticos neoliberais chafurdam no vácuo político. Dizem que a sua ideologia política reside na sua vontade pragmática. É tudo treta.

 

Dizem que o seu credo político reside numa defesa generalizada do mercado livre contra a nova ameaça das ideologias totalitárias e comunistas coletivistas. Para eles, o fascismo é um mal menor.

 

Explicam que existe a necessidade quase absoluta de o indivíduo e do coletivo se submeterem à disciplina redentora do mercado, evitando a radicalidade das putativas formas de supervisão estatal.

 

Os neoliberais defendem que o capitalismo deve voltar à sua essência: igualdade nos direitos e desigualdade na riqueza. O comportamento dos gestores tem de estar de acordo com o interesse dos donos. A não ser assim, a horda dos bárbaros derrubará a lógica e as leis do mercado. Os indivíduos devem ser educados e induzidos à competição perpétua.

 

A verdade é que a reciprocidade de oferta e procura é muito mais adaptável do que imaginavam os teóricos de esquerda. Mas o que hoje temos é uma lógica de capitalismo que transitou da produção lucrativa de bens e serviços para formas crescentemente exóticas de especulação financeira.

 

Apesar do desemprego e da amarga pobreza das pessoas, toda a gente quer pertencer, pelo menos, à classe média.

 

A realidade diz-nos que sem emprego não há dinheiro, nem oportunidades, nem educação de qualidade, sobrando daqui as privações, as injustiças e o desespero.

 

Apesar das décadas de crescimento digital explosivo, as divisões sociais indiciam um futuro ainda mais estratificado e antidemocrático. Como dizem os estudos, a economia assistiu à maior transferência de rendimentos para as camadas mais altas de toda a História.

 

Estamos em crer que mais de metade da população portuguesa vive em pobreza funcional.

 

Segundo Thomas Piketty, existe uma lei genérica da acumulação: a taxa de retorno sobre o capital tende a exceder a taxa de crescimento económico. Neste contexto, o economista francês identifica as formas com que as elites financeiras usam os seus lucros desproporcionais para financiar um ciclo de captação de políticos capazes de proteger os seus interesses da contestação política. Tudo em troco de reduzir legislação, cortar impostos e eliminar direitos.

 

Ou seja, tem de saber cozinhar uma sociedade democrática e capitalista em banho maria, porque o capitalismo cru é antissocial.

 

O que mais custa é o sentimento de invisibilidade. Mas o que pode ser preocupante, pelo menos ao nível teórico, é que o povo demonstra ser mais sensato do que os nossos estadistas, pois isso significa uma inversão na legitimidade tradicional das elites governantes, defendendo que quem manda sabe mais do que a ralé.

 

Apesar do conhecimento das novas gerações ser ímpar na história do nosso país, são tratadas como se fossem invisíveis. O seu futuro é como a areia, escapasse-lhes por entre os dedos das mãos. A promessa de cada jovem licenciado ter direito à sua vida, à sua independência e à sua habitação a um preço acessível não passou de um discurso de boas intenções. As promessas do sucesso do capitalismo de informação foi conversa da treta, difundido tanto pela direita como por alguma esquerda dita liberal.

 

João Madureira

 

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