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CHAVES

Olhares sobre o "Reino Maravilhoso"

10
Nov25

Quem conta um ponto...


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753 - Pérolas e Diamantes: São insondáveis os caminhos do Senhor

 

É verdade, nunca vi um palhaço negro. Nem um. Em lado nenhum. Nem na televisão. Será que existe alguma razão válida para isso? Já vi até muitos cantores de ópera negros, mas nenhum palhaço. Perguntarão vossas excelências a quem é que isso interessa? E têm razão.

Dizem que os cientistas, finalmente, descobriram a razão das zebras serem listradas: é para afastarem os insetos, sobretudo os que provocam doenças.

Mas continua o mistério da razão pela qual o grasnar dos patos não produz eco.

Isto para não falar do monte de retalhos animal que é o ornitorrinco, talvez uma das experiências mais exóticas de Deus enquanto Criador da bicharada.

São insondáveis os caminhos do Senhor.

Já agora, será que a Muralha da China é visível do espaço? Provavelmente pensa que sim. Mas a resposta correta é não. Quase todos incorremos nos mesmos erros quando pensamos. A verdade é que, na sua parte mais larga, a Muralha da China mede aproximadamente nove metros. Ou seja, a largura de uma casa pequena. Além disso, foi construída com pedras cuja cor é semelhante à das montanhas circundantes, pelo que se confunde com a paisagem. Mas não é para admirar. Dez por cento dos franceses ainda acreditam que a terra é plana. Ou seja, há bolsas de estupidez até nos países cultos e civilizados.

A maneira como pensamos é que nos leva, a maioria das vezes, a ter perceções falsas do mundo. Os seja, as perceções da realidade são muitas vezes desacertadas. Brendan Nyhan, professor no Dartmouth College, em New Hampshire, escreveu que “as perceções erróneas diferem da ignorância na medida em que é frequente as pessoas não duvidarem delas e, por isso, considerarem-se bem informadas”. Ao que se sabe, as perceções erróneas das pessoas não se combatem com mais informação, mas com melhor informação. E mesmo isso não basta. Esse é o problema.

A nossa preferência, porque gostamos de pensar rápido, é para procurar informação que confirme aquilo em que já acreditamos, sermos atraídos por informação negativa, sermos suscetíveis aos estereótipos e ainda pela nossa apetência por imitar a maioria.

Muitas das fake news somos nós que as procuramos. Por incrível que pareça, o nível de fake news depende essencialmente do nosso nível de crendice.

Uma coisa aprendi ao longo da vida, a compreensão profunda da razão de estarmos errados é o caminho certo para nos aproximarmos da realidade. Para continuarmos a ter esperança no futuro, não nos devemos esquecer que os factos ainda continuam a importar.

A verdade é que a nossa perceção do mundo anda uns passos atrasada em relação à realidade.

Francis Bacon, referindo-se à nossa adesão às ideias políticas, leia-se seguidismo ideológico ou partidário, escreveu em 1620: “Assim que adota uma opinião, o entendimento humano vai buscar tudo o resto para sustentar e concordar com ela. E mesmo que haja um maior número e um maior peso de provas em contrário, negligencia-as ou despreza-as ou, lançando mão de certas distinções, põe-nas de parte e rejeita-as.”

Está explicado o espírito de manada.

Depois de nos afeiçoarmos a uma ideia, causa-nos sofrimento psicológico abandoná-la. Daí andarmos atrás de informação (muitas vezes de origem duvidosa) que confirme as nossas certezas.

A nossa ignorância é pluralista. Do mal o menos.

É normal as nossas preocupações transformarem-se em exageros. A tendência quase geral é para seguir o rebanho.

E isto tem consequências. Cálculos recentes estimam que a fortuna de 1% dos mais ricos do planeta é superior à da totalidade do resto da população. Cerca de 73% da população do globo detêm uns meros 2,4% da riqueza mundial. Melhor será dizer da pobreza mundial.

Deste 1% dos mais ricos, 7% vivem no Reino Unido, 5% na Alemanha e 37% residem nos EUA. Na Rússia, por exemplo, apesar da dimensão da sua economia, apenas 0,2% das pessoas mais ricas do mundo lá habitam.

À escala mundial, o número de pessoas que vivem com quase nada ou absolutamente nada é gigantesco.

As nossas perceções erróneas estão sempre relacionadas com as nossas opiniões. Os nossos medos são, na maior parte das vezes, motivados, não apenas por aquilo que desconhecemos mas, sobretudo, pela incompreensão dos factos.

As pessoas escolhem os meios de comunicação que refletem o que elas já pensam. E assim se habituam a pensar mais do mesmo.

Estamos ancorados nos nossos próprios palpites. Mas, como dizia Aldous Huxley, “os factos não deixam de existir por serem ignorados”.

João Madureira

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