Reino Maravilhoso - Alberguería (Galiza)
Douro e entre os montes



Alberguería - Galiza
A nossa proposta de hoje para um passeio de um dia no Reino Maravilhoso, ou mesmo uma manhã/tarde, é até Alberguería, aqui ao lado, na vizinha Galiza, a 57 km de distância de Chaves.


E vamos até Alberguería por várias razões e algumas até fortes, isto se tem interesse em saber a origem das coisas, como onde e como nasce um rio, que no caso, até é o também nosso rio Tâmega. Pois é mesmo ao lado desta pequena aldeia galega que nasce o rio Tâmega, lá no alto do monte Talariño, a 975m, onde curiosamente, a umas dezenas de metros da nascente do Tâmega, também a nascem de mais dois rios, o rio Lima e o Arnóia.


Mesmo que, “aprisionado” logo à partida, pois sobre a nascente foi instalada uma captação de água para abastecer a aldeia de Alberguería, podemos também dizer que começa logo a servir as populações por onde passa, e Albergueria não lhe “rouba” assim tanta água, pois estas aldeias galegas, que culturalmente são verdadeiras irmãs das aldeias transmontanas, também ela sofrem da mesma maleita do despovoamento… mesmo assim, logo à nascença, o rio Tâmega já é um bom rego de água e umas centenas de metros abaixo, já tem o seu primeiro “lago”, que só não é um charco, porque é um rio.



Imagens da nascente do Tâmega, do primeiro troço e do primeiro “lago”
Mas Alberguería tem também História secular, tal como o testemunha um monumento colocado num dos largos da aldeia “El Rollo – Pena de Picota”, um símbolo de jurisdição, justiça e castigo, tal como os nossos pelourinhos. Repare-se na imagem (que fica a seguir) como também aqui as aldeias galegas são irmãs das portuguesas, refiro-me ao poste e iluminação pública que com tanto espaço à volta a “EDP” lá do sítio resolveu colocá-lo mesmo ao lado do monumento, tanto que nem sei como é que em vez do poste não colocaram um candeeiro mesmo em cima de “El Rollo”. Enfim, como já estamos habituados, já ninguém estranha… não é!?


Outra razão que nos leva até lá, é a mesma que nos leva à descoberta das nossas aldeias, pois todas elas são interessantes, onde o granito à vista também é rei e senhor nas construções/habitações o que confere a estas aldeias um interesse acrescido.


Por último Alberguería faz parte de um dos Caminhos de Santiago onde existe um albergue de peregrinos que recolhe e acomoda diariamente nas sua caminhada para Santiago de Compostela. Albergue que tem a curiosidade de a tradição “mandar” a cada peregrino que deixe uma concha de Santiago, inscrita com o nome do peregrino, e assim, por entre milhares de conchas já quase não há espaço nas pareces e teto para mais uma, mas há sempre lugar para mais uma e para todas.


E fico-me por aqui, em razões para ir até Alberguería, num passeio simpático, quase todo feito por estrada num pequeno vale por onde o Rio Tâmega desce até nós e vai recebendo os seus afluentes, alguns bem caudalosos, algumas vezes maiores que o próprio Tâmega. Ainda a caminho, em Tamicelas, dois afluentes entram em simultâneo no Tâmega. Uma viagem cheia de curiosidades para se fazer nas calmas e neste tempo ainda de verão, até pode parar numa das suas praias fluviais.

O caminho para lá chegar, não tem nada que enganar, é partir de Chaves em direção aVerin, depois Verin até Laza onde, à entrada, encontrará uma série de placas indicativas (que ficaram registadas na fotografia anterior), onde, se repararem, lá está a placa de Albergueria, a indicar para a esquerda, a 13Km. A partir de aqui é só seguir essa estrada que não há mais desvios. ao todo são 57km, 1 hora de viagem. Vai ficar impressionado com o que estrada sobre nos últimos quilómetros antes de chegar a Alberguería, agora pense nos peregrinos que a sobem. Dizem, os que já a subiram, que é um dos troços mais difíceis de fazer em todos os cainhos de Santiago.
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E por hoje é tudo neste Reino Maravilhoso que nos rodeia, onde o complicado é só escolher quais os caminhos a trilhar, pois todos eles são interessantes e todos eles aqui à mão de semear.


