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CHAVES

Olhares sobre a cidade de Chaves

Sanjurge, Bairro ou Aldeia?

23.04.16 | Fer.Ribeiro

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Depois de tratar as imagens de hoje, estive tentado a fazer um discurso sobre a fotografia, mas não, não vou por aí pela simples razão de hoje trazer aqui … de hoje trazer aqui. Pois, se fosse há uns poucos anos atrás não hesitaria em dizer  que hoje trazia aqui a aldeia e freguesia de Sanjurge, mas hoje questiono-me se poderei dizer o mesmo, pois graças às ordenanças  de Lisboa, àquela de ter de diminuir ao número de freguesias para sairmos da crise, ou contribuir para, teoricamente Sanjurge deixou de ser aldeia e freguesia para passar a fazer parte de uma sociedade urbana, do tipo Santa Cruz/Trindade e Sanjurge, Ldª. O Ldª é meu, o resto é real.

 

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Há coisas que nunca chegarei a entender. Uma é a da realidade não ser absoluta, pelo menos aqui em Portugal  onde há sempre duas realidades, por exemplo nesta questão das aldeias do  interior e o próprio interior no seu todo versus litoral. Há quem lhe chame o Portugal de duas velocidades, mas eu vou mais longe e chamo-lhe de duas realidades – uma aquela com que nos vemos e outra aquela com que desde Lisboa nos veem, uma são os nossos interesses, outra são os interesses de Lisboa e, começo a pensar que esta do despovoamento rural foi planeada à má fé desde Lisboa. Mas esta minha teoria dava páginas de discussão, mas a realidade, e aqui é absoluta, a continuar tudo como até aqui, as aldeias vão passar à história.

 

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Mas vamos de novo a Sanjurge e à tal sociedade Santa Cruz/Trindade e Sanjurge, Ldª., pois este negócio também não o entendi. Então há anos atrás a freguesia de Outeiro Seco era composta pela aldeia de Outeiro Seco e Santa Cruz. Cozinhou-se então um negócio em que Outeiro Seco perdia Santa Cruz e esta unia-se à Trindade (um bairro da cidade), para formarem uma nova freguesia. Até aqui tudo bem, pois além de, religiosamente falando,  se juntar a Santa Cruz à Trindade, os dois bairros estavam na realidade (absoluta)  juntos, e Outeiro Seco ficava lá com a sua ruralidade e as suas poulas mas também, pela certa, ganhou alguma coisa com o negócio.  Mas para concluir, aquando da recente união de freguesias, o mais lógico seria que a aldeia de Outeiro Seco retomar de novo Santa Cruz mais a Trindade, em vez de Sanjurge, que geograficamente até está separada de Santa Cruz/Trindade. Mas enfim, quem manda, manda, e manda bem, mesmo que isto não seja verdade.

 

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Mas ainda há mais para eu não dar como entendido o tal negócio, pois fisicamente o território da nova freguesia de Santa Cruz/Trindade e Sanjurge está dividido por uma barreira chamada autoestrada em que deixa Sanjurge de um lado e Santa Cruz Trindade do outro. Mas enfim, quando os negócios são tratados por políticos, nunca são para entender, pois há sempre coisas (interesses) ocultas que os regem, e já diz o ditado que “o segredo é a alma do negócio” e se é segredo ninguém tem nada que saber.

 

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Pois seja como for e negócios à parte, eu continuo a ir até a aldeia de Sanjurge, porque isto de ser aldeia não é bem o mesmo que ser um bairro da cidade. Podem ter certa parecença mas não é bem a mesma coisa. As aldeias têm alma própria, os bairros são arrabaldes.