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CHAVES

Olhares sobre o "Reino Maravilhoso"

04
Ago19

Souto Velho - Chaves - Portugal

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Hoje chegou a vez de termos por aqui Souto Velho, uma das aldeias da margem direita do Rio Tâmega que lhe está bem próximo.

 

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Trata-se de uma pequena aldeia localizada junto à “Praia de Vidago”, mas também no limite do Concelho de Chaves, com o Concelho de Boticas a penas 700 m e a aldeia botiquense de Valdegas a cerca de 2 km, no entanto a suas vizinha mais próximas são as aldeias de Anelhe e Vilarinho das Paranheiras, esta última na outra margem do rio, mas com um pontão de lajes de granito que as liga.

 

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Conta a lenda e a tradição que o grande senhor destas terras, de uma e outra margem do rio, foi D. Fernão Gralho, o mítico marido da não menos lendária Maria Mantela. A casa que a lenda lhes atribui é um belo casarão em granito situado na entrada do núcleo antigo da aldeia, de uma arquitetura bem interessante que se destaca ao longe, na sua altaneira posição, adornada com um elegante e também altaneiro canastro (ou espigueiro se preferirem).

 

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Como, pelo menos, já deixei aqui a Lenda de Maria Mantela ou Lenda dos Gralhos, desta vez deixo apenas aqui o link para ela:  https://chaves.blogs.sapo.pt/159092.html

 

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Desta vez, mais que a lenda que é mais ou menos conhecida por todos os flavienses, interessei-me mais por saber quem era Fernão Gralho e meti-me na grande confusão da família Gralho.

 

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Ora segundo a genealogia a família Gralho, ela será originária do Alentejo, no entanto os estudiosos desta família,  encontram-na um pouco espalhada aqui pela região mais próxima, principalmente em Valpaços (Alhariz, Stª Maria de Émeres, Rendufe, Água Revés, Possacos, Serapicos), mas também aos do concelho de Chaves, um pouco ligados à lenda, como por exemplo no Carregal, Stª Leocádia e Souto Velho.

 

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Nestas estórias dos Gralhos, há casamentos com muitos filhos, daí ser natural que eles (Gralhos) se fossem espalhando um pouco pela região, falta saber, pois não é muito conclusivo,  qual a origem e a partir de onde é que os gralhos se começam a dispersar.

 

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Para além destes Gralhos aqui das redondezas, há relatos de outros Gralhos ou talvez dos mesmos, terem existido na zona de Aveiro e Alentejo, no entanto estes Gralhos do Sul, parecem ser posteriores aos nossos Gralhos do Norte, pois os relatos que vi dos Gralhos do Sul, são de mil oitocentos e tal, a os do Norte, já eram relatos em lenda (dos Gralhos ou Maria Mantela) no ano de 1634 por D. Rodrigo da Cunha, Arcebispo de Braga e primaz das Espanhas que depois foi nomeado Arcebispo de Lisboa.

 

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Ainda a respeito desta lenda da Maria Mantela, como há dias aqui relatei a respeito da aldeia de Santa Marinha,   há muito semelhança com a estória da Santa Marinha, virgem e mártir. Diz a tradição que tinha oito irmãs gémeas: Basília; Eufémia; Genebra; Liberata (também conhecida como Vilgeforte); Marciana; Quitéria e Vitória. A lenda atribui-lhes a naturalidade na cidade de Braga, no ano 120. Seriam filhas de um casal de pagãos, Calcia e de um oficial romano, Lúcio Caio Atílio Severo, régulo de Braga, o qual, quando elas nasceram, estaria ausente da cidade. Entretanto, na cidade, não se acreditava que as gémeas pudessem ser filhas do mesmo pai. O acontecimento causou enorme embaraço à mãe que, teria encarregado a parteira Cita, de as afogar. Em vez disso a mulher, que era cristã, levou-as ao Arcebispo Santo Ovídio, para que as batizasse e lhes desse destino. Foram então entregues a amas cristãs, crescendo e vivendo perto umas das outras, até aos 10 anos de idade.  Sobre o assunto, ver mais aqui: https://chaves.blogs.sapo.pt/santa-marinha-chaves-portugal-1846275

 

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Entre estas duas estórias, dos Gralhos e de Santa Marinha, há pelo menos 1400 anos de distância, pois a de Santa Marinha conta-se no ano 200 DC e a dos Gralhos é dos anos 1600. Apenas uma curiosidade dadas as semelhanças das estórias de ambos.

 

Para terminar, tal como já é habitual, ficamos com um vídeo com todas as fotos publicadas neste blog sobre a aldeia de Souto Velho.

 

Link direto para ver  you tube: https://youtu.be/LKRMboLEba4

 

 

 

 

 

08
Jun19

Sesmil - Chaves - Portugal

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Enquanto que na cidade e arredores vai acontecer magia, o Rali Alto Tâmega, o Mercado da Madalena e a festa de Vilar de Nantes, entre outros eventos, aqui no blog, vamos até mais uma aldeia, aqui também bem próxima, uma aldeia que dá pelo nome ou topónimo de Sesmil.

 

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Uma aldeia bem próxima de Chaves, a apenas cerca de 6 km, nas faldas da Serra do Brunheiro, com acesso a partir de Chaves via EM314 (Estrada de Carrazedo de Montenegro), podendo depois optar por dois caminhos, o primeiro, logo a seguir ao aeródromo municipal, deixa a EM314 e segue em direção à Nossa Senhora da Saúde até Paradela de Veiga, e aí apanhar o desvio para Sesmil.

 

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A outra opção é continuar pela EM314, passar ao lado de Vilar de Nantes (hoje em festa), continuar até Izei e logo a seguir, 500m, aparece a placa a indicar Sesmil. Por aqui o caminho é em terra batida, mas com bom piso,  isto se entretanto não foi pavimentado, pois já há algum tempo que não passo (desço)  por lá.

 

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Embora uma aldeia da periferia da cidade, segue todas as características das aldeias mais distantes, inclusive no despovoamento e envelhecimento da sua população, mas também no modo de vida, embora aqui, dada a proximidade da cidade, seja em parte também aldeia dormitório.

 

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Sesmil não é uma aldeia pequena que se vai desenvolvendo ao longo da sua rua principal, mas formando pequenos núcleos, pelo menos três, que são separados por terras de cultivo que aqui, ainda se vão cultivando por entre algumas oliveiras, vinha e outras árvores de fruto. Um pouco daquilo que vai sendo habitual nas nossas aldeias, com as culturas também habituais, dependendo, claro, da altitude que nesta aldeia anda entre os 420 e os 510m.

 

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Quanto ao casario, há um pouco de tudo, construções tipicamente rurais, de pedra de granito à vista, algumas reconstruções, construções novas, mas também algumas abandonadas e/ou em ruínas.

 

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Alguns pormenores interessantes, como tanques e fontes de mergulho, a capela, algumas fachadas mais dignas de realce com belos pormenores de cantaria e uma construção muito singular, com capela e construção anexa, pequena mas com um alçado muito bonito e interessante, embora sempre a tenha conhecido abandonada. Parece um solar, dos pequeninos, tão pequeno que segundo as minhas contas não chega a atingir os 80m² de construção.

 

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Quanto a festividades da aldeia, festeja-se a Santa Ana, no mês de Julho, ou festejava-se, pois não vos posso garantir se a festa ainda se realiza. Sei que numa das vezes que fui por lá, vi o cartaz com o programa da festa, mas como isto já foi há uns anos, hoje não sei. Digo isto porque realizar uma festa de aldeia não é barato e com as aldeias cada vez com menos população, os donativos são cada vez menos, e sem dinheiro não há festa. Tem acontecido isso em muitas aldeias, daí a minha incerteza.

 

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E vai sendo tudo. Como já vai sendo habitual, fica um pequeno vídeo com as fotos da aldeia que fui recolhendo e publicando aqui no blog ao longo destes últimos anos, incluindo uma com neve, que segundo o meu arquivo é de uma nevada de 16 de dezembro de 2009.

 

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Fica então o vídeo e este link para o caso de o quererem vê-lo diretamente no youtube ou eventualmente partilhá-lo. Espero que gostem.

 

Vídeo:  https://youtu.be/fB39atvYjt0

 

 

 

01
Jun19

Selhariz - Chaves - Portugal

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Cá estamos de novo com as nossas aldeias de Chaves, hoje, seguindo a ordem alfabética desta nova ronda, toca a vez a Selhariz.

 

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Selhariz é uma das aldeias que não calha nos nossos itinerários principais do concelho, quero dizer com isto, que não fica nas proximidades das estradas nacionais principais ou secundárias. Para sermos mais precisos, Selhariz fica localizada entre Chaves e Vidago, mais próxima de Vidago que de Chaves, numa das montanhas entre a Estrada Nacional 2 e a Estrada Municipal 311 entre o Peto de Lagarelhos e Vidago.

 

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Contudo o trajeto mais interessante a partir de Chaves, porque menos utilizado e mais selvagem, é pelo interior, entre montanhas, via Paradela de Veiga, Agostém, Ventuzelos, Vilas Boas, Fornos e finalmente Selhariz.  Se for por aqui, logo a seguir a Ventuzelos faça um pequeno desvio e suba até a Santa Bárbara que é um autêntico miradouro sobre (quase) todo o concelho. O quase é devido à Serra do Brunheiro cuja altura esconde todo o seu planalto.

 

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No regresso a Chaves, para não vir pelo mesmo caminho, depois de visitar Selhariz pode regressar via Vidago, descendo primeiro até à EM311 onde encontrará Vila Verde de Oura e logo a seguir temos Vidago.

 

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Vidago que é relativamente próxima de Selhariz, coisa de 4km de distância. Aliás, com a nova organização administrativa das freguesias em que Selhariz perde a sua freguesia para passar a fazer parte da Freguesia de Vidago (União das freguesias de Arcossó, Selhariz, Vidago, Vilas Boas e Vilarinho das Paranheiras) com sede em Vidago.

 

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Selhariz é uma aldeia que tem nitidamente um aglomerado mais antigo e concentrado que se desenvolveu à volta de uma casa senhorial mesmo ao lado da igreja, mas nesse pequeno núcleo central há vestígios de um núcleo medieval muito mais antigo que o atual. Este pequeno núcleo e igreja forma um quarteirão por onde passam as ruas principais da aldeia, desenvolvendo-se a restante aldeia a partir destas ruas, formando um núcleo de maior dimensões que terminam em dois largos, um o da antiga escola, com uma fonte no centro, tendo nos seus limites um campo polivalente anexo à antiga escola e do lado contrário um tanque e, se a memória não me falha, também o lavadouro público.

 

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O segundo largo onde penso que estava a antiga sede de freguesia, localiza-se à saída da aldeia em direção a Vila Verde de Oura/Vidago.  A partir deste núcleo perfeitamente consolidado, nasce uma outra aldeia, de construções mais recentes que foram sendo construídas ao longo das ruas que dispersam a partir do núcleo central, mas que acabam por convergir para um outro ponto importante da aldeia – o cemitério onde existe uma pequena capela.

 

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Foi precisamente neste trajeto entre a capela deste cemitério e a igreja do núcleo central que, por sorte, na minha última deslocação à aldeia apanhei a procissão do Corpo de Deus, mas isso já foi há 10 anos, mais precisamente no dia 11 de junho de 2009. A partir de aí, embora tenha passado algumas vezes pela aldeia, não tive oportunidade de fazer mais registos fotográficos.

 

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Como destaques da aldeia, destacaria todo o núcleo histórico, principalmente o que é composto pela tal casa senhorial, que foi convertida em turismo Rural ou de Habitação e conhecida como a “Casa de Selhariz” e a igreja paroquial. O Largo da antiga escola também é muito interessante, incluindo a própria escola que sai fora da típica escola cinquentenária, sendo esta em pedra à vista, com uma única sala de aula, mas com uma entrada precedida por um pequeno alpendre de com telhado de três águas suportado por duas colunas cilíndricas de granito, peça única com adornos na base e no topo.

 

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Destacaria também a envolvência da aldeia, circundada por um espaço de terras de cultivo, pastagens ou pequenos pomares, olivais e vinhas, formando uma macha que na primavera e verão se enche de matizes de verdes. A circundar esta mancha, temos montanha maioritariamente coberta de pinhais, mas onde aparecem alguns sobreiros.

 

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Em termos de população residente, Selhariz também não é exceção no que respeita a perda de habitantes, contundo os dados que tenho são da antiga freguesia, à qual pertenciam também as aldeias Fornos e Valverde, já não contando a pequena aldeia de Vila Rel há muito totalmente despovoada. Assim, penso, que a descida de população foi mais acentuada nas restantes aldeias do que propriamente em Selhariz, onde se nota ser ainda uma aldeia com muita vida. Mas ficam os números, que repito são dados da freguesia, apenas os números de 3 CENSO, os de 1950 em que atingiu o topo de população desde que á registos de CENSOS e que foi de 593 habitantes residentes, e os dos CENSOS de 2001 e 2011, que foram de, respetivamente, 311 e 244 habitantes. Se quiser saber mais sobre os dados da freguesia, nem há como dar uma vista de olhos ao post/mosaico que dediquei à freguesia, aqui: Selhariz

 

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E é tudo, por agora, mas como vem sendo hábito, deixo um vídeo com as imagens de hoje e outras que fui publicando ao longo destes últimos anos. Espero que goste e pode copiar ou partilhar o link para o ver diretamente no youtube, aqui: SELHARIZ  

 

 

18
Mai19

Seixo - Chaves - Portugal

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Estava prometido e cá estamos com a aldeia do Seixo, uma das aldeias do vale da Ribeira de Oura.

 

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Seixo para além de ficar no vale da Ribeira de Oura é também uma aldeia da estrada 311. Já há tempos nos referimos a esta estrada como uma das estradas mais bonitas de Portugal (das que eu conheço), tudo por ser uma estrada de montanha. Penso mesmo que em vale, esta estrada, só mesmo do Seixo a Vidago é que é mais ou menos plana e sem grandes curvas, de resto é tudo em montanha e passa por quatro concelhos – o de Chaves, Boticas, Montalegre e Cabeceiras de Basto, Ou seja, liga o Alto Minho a Trás-os-Montes passando pelo Barroso.

 

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Estrada 311 que em tempos foi classificada com Estrada Nacional mas que hoje em dia para além de Estrada Nacional é também Estrada Regional e Estrada Municipal, ou seja, desde Cabeceiras de Basto até Boticas é Regional - ER311, de Boticas a Vidago é Nacional – EN311 e desde Vidago ao Peto de Lagarelhos passou a ser Municipal – EM311.

 

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Mas deixemos esta curiosidade de parte e partamos até ao Seixo, que fica num dos itinerários alterativos para se ir até Vidago, principalmente se formos em maré de passeio e apreciação, nas calmas, mesmo porque a estrada nos recomenda que se faça sem pressas.

 

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Pois o Seixo fica mesmo onde começa o estreito vale de da Ribeira de Oura que se vai prolongando (vale e ribeira) até desaguar no Rio Tâmega. Aqui no Seixo o vale desenvolve-se em ambas mas margens da Ribeira mas não tem mais que 200m de largura.

 

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Também a aldeia do Seixo se desenvolve em ambas as margens da Ribeira, mas principalmente entre a EM311 e a Ribeira de Oura. Na margem esquerda da ribeira apenas um pequeno bairro, a capela e em tempos a escola primária. Escola esta que foi de pouca dura, pois ainda me lembro de ter sido construída nos anos oitenta, escola de uma sala apenas que só funcionou durante uns anos.

 

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Seixo para além de aldeia de passagem da EM311 funciona também como cruzamento, embora com caminhos municipais, por um lado florestal e pelo outro agrícola. Pois desde o Seixo temos ligação também a Ventuzelos (estradão) e a Vila Boas (estradão) por um lado e para o outro um caminho agrícola pavimentado que nos liga a Matosinhos. Caminhos interessantes para quem anda em descoberta/aventura, mas não muito recomendáveis para tomarmos como ligação a essas aldeias, mesmo o que está pavimentado , pois as suas funções é mesmo de caminho agrícola onde mal cabe um carro, não dando mesmo para dois carros se cruzarem, daí a aventura, pois a qualquer momento poderá ter de fazer uma marcha atrás prolongada até encontrar um ponto onde duas viaturas possam cruzar.

 

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Quanto ao Seixo, aldeia, é uma povoação pequena, com uma casa senhorial com capela a ocupar a parte central da fachada principal a confrontar diretamente com a rua principal da aldeia que desce até à Ribeira de Oura.

 

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Não conheço a história desta aldeia mas tudo indica que a aldeia poderia ter nascido a partir deste casal senhorial, mas isto sou apenas eu a supor, a verdade é que esta casa se destaca das restantes construções do Seixo.

 

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O restante casario é um misto de construções tipicamente transmontanas, de pedra de granito à vista e construções mais recentes, com o núcleo mais antigo entre a estrada e a tal casa senhorial.

 

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Claro que todo o casario, a sua grande maioria, está fora do pequeno vale, deixando as terras mais férteis para o cultivo, ocupando o casario os terrenos inclinados.

 

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Quanto à agricultura que aqui se pratica, é o habitual da nossa região, mas ultimamente no Seixo a vinha tem ganho terrenos, na propriamente na zona de vale, mas na mais inclinada, com vinhas novas, bem tratadas e pela certa pensada para fazer bons vinhos, acompanhada por técnicos dessa área. Mais uma vez sou eu a supor pois o aspeto das vinhas a isso nos leva a pensar.

 

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Quanto ao envelhecimento da população e despovoamento, notoriamente ambas as coisas acontecem, Seixo não é exceção à restante maioria das aldeias do concelho de Chaves e concelhos vizinhos.   

 

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Quanto às imagens, são as possíveis, não há muita escolha, pois a aldeia é pequena, mas mesmo assim tem motivos interessantes e variados para composições também interessantes e, claro, variadas, nem que seja recorrendo àquilo que a natureza nos oferece.

 

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Claro que também não falta a componente humana, que diga-se, em todas as deslocações que fiz ao Seixo, há sempre gente na rua. Mas também nos campo há vida, que dos seus habitantes na lide das suas hortas e outros cultivos, mas também alguns animais domésticos.

 

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Por último, e tal como ultimamente vem sendo habitual, fizemos um pequeno vídeo com algumas imagens que até hoje fomos publicando no blog. Espero que gostem. Termina também aqui o passatempo das 7 diferenças. A solução já está nos comentários, decifrada por um blog amigo.

 

Fica o vídeo e o link para poder ter acesso a ele, diretamente, no youtube:

  

Link para o Video: https://youtu.be/LqFo54s4O0w

12
Mai19

Segirei - Chaves - Portugal

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Vamos até Segirei, mas por partes, com calma! A primeira:

 

DE CIDADELLA A SEGIREI – A ROTA DO CONTRABANDO

Ainda nas aldeias cujo topónimo começa por S , hoje toca a vez a Segirei. Pois para Segirei podemos propor dois tipos de visita, uma light, que consta em ir até Segirei, dar uma vista de olhos à aldeia e regressar a Chaves sem ver nada. A outra proposta é uma visita como deve ser, e para ela, terá de reservar todo um dia para ficar com uns ares do todo que é a aldeia de Segirei.

 

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Pois a proposta consta em ir de popó até à entrada de Segirei sem entrar na aldeia, há de haver por lá uma placa que nos manda para a Galiza, é para aí que devemos ir, pois a visita a Segirei começa em Cidadella, território galego, na Rota do Contrabando que será para fazer a pé até Segirei.

 

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O itinerário da Rota do Contrabando tem cerca de 2.500 m, quase sempre a descer, mas para chegar a Segirei, pela certa demorará toda a manhã, pois ninguém resistirá a fazer montes de paragens pelo caminho, para apreciar a natureza, as cascatas, os rápidos, os moinhos, as zonas de estar, os abrigos, os miradouros, etc., etc., etc.

 

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Dizia eu que é um percurso que se faz perfeitamente nas calmas, claro que isto é para quem não tiver mobilidade reduzida, infelizmente para essas pessoas o itinerário não é mesmo nada recomendável, pois embora o percurso se faça maioritariamente por um descida não muito acentuada, pelo caminho há dois ou três desníveis consideráveis para vencer por escadas, há passagens estreitas, entre outros. Isto na parte galega em que o itinerário foi preparado para passeio, com algumas proteções e pontes de madeira. Do lado português do itinerário, entre a linha de fronteira e Segirei aquilo é ao natural, maioritariamente por um carreiro pelo meio do monte e bota para Segirei. Do mal o menos,  é sempre a descer até à entrada na aldeia. Mas tal como eu disse, não havendo limitações, faz-se bem. Eu próprio que não sou de caminhas a pé, já fiz o percurso completo três vezes.

 

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Agora as recomendações, ou melhor, as opções para fazer o percurso, que são no mínimo três:

 

1ª Opção, com dois popós – Então é assim, o percurso tem cerca de 2,5Km,  os dois popós levam a gente toda até ao início do percurso em Cidadella, descarregam o pessoal e os condutores dos ditos, dão a volta e descem (os dois popós) até Segirei, aí deixam um popó e sobem com o outro até ao ponto de partida. Fazem o percurso todo e no final, com o popó que está em Segirei, vão buscar ou outro. Para já, não se preocupem em saber onde são estes locais, pois estão bem indicados em placas de informação.

 

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2ª opção, com um popó – Aqui as coisas complicam-se, pois para fazer o percurso terá que deixar o carro, fazer o percurso  e depois regressar a pé até ao ponto de partida (não conte com boleias, pois por lá não há muitos popós a circular) e com a agravante que o regresso são na mesma 2.5Km a subir.

 

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3ª opção, com um popó — O condutor deixa os passageiros em Cidadella e não faz o percurso, mas sempre pode fazer uma parte dele, pelo menos visita o que é mais interessante (Cascatas, rápidos e miradouros). Então é assim, o condutor deixa o pessoal todo no início do percurso e regressa até meio do mesmo (na zona dos miradouros). Deixa aí o carro e faz sozinho o percurso desde os miradouros até encontrar o seu pessoal que vem a descer. Como estes vão parando aqui e ali pasmados com o que veem, o condutor vai subindo e apreciando nas calmas as várias cascatas, os rápidos, etc. Quando encontrar o resto do pessoal, junta-se a eles e como já conhece o percurso que acabou de fazer, daí para baixo, até pode servir de guia. Tem de se aproveitar sempre o lado positivo da experiência. Quando chegar à zona dos miradouros, deixa continuar os outros a pé até Segirei, mete-se no popó e espera por eles na aldeia. Entretanto, lá, na aldeia, deve haver alguém, há sempre, com que pode dar uns dedos de conversa. São residentes nativos que gostam de conversar e contar estórias, de contrabando por exemplo, pois nestas aldeias da raia nos tempos em que existia a fronteira, das duas uma, ou eram contrabandistas ou guardas fiscais, e às vezes até ambas as duas…

 

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Quanto ao percurso da rota do contrabando, em palavras, é impossível descreve-lo, quer seja de inverno, primavera, outono ou verão, é sempre interessante. mas diferente. De verão e primavera pode gozar da frescura do percurso, do lado galego é sempre feito debaixo da frescura das sombras das árvores e a paisagem mais contrastada, o sol e sombras a isso obrigam. No outono e inverno é tudo mais igual, com menos colorido. Fica tudo mais acastanhado e verdes azulados esbatidos, mas o riacho corre com mais água e torna as cascatas mais imponentes, principalmente a cascata principal que tem a particularidade de ser descer por umas escadas metálicas acompanhando toda a queda da sua água.

 

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Durante o percurso vá recordando que está numa rota que foi utilizada para contrabando, vá imaginando o que era fazer por aí contrabando, a pé ou de burro, passando tudo que havia para passar, incluindo rebanhos, manadas de gado ou varas de porcos, tudo em silêncio, geralmente de noite. Ser contrabandista não era fácil, dava umas croas para sustentar a família, mas era vida complicada, tanto mais que de quando em vez lhes saía a guarda fiscal ao caminho e  tinha de dar às de vila Diogo e ficar sem o contrabando. Guarda fiscal que na aldeia era vizinho e amigo mas que no trelo, era obrigado a cumprir, cada um andava ao seu.

 

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Contaram-me por lá, que, por exemplo, para passarem varas de porcos em silêncio e direitinhos pelo carreirão fora, era pegar nos porcos esfomeados ir à frente deles deixando cair bolota ou castanhas, os coitados (porcos) com o cheiro na bolota nem viam por onde andavam e lá iam carreiro fora.

 

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 Chegados à zona dos miradouros, para um lado as cascatas e a paisagem galega, para o outro é Portugal, e lá ao fundo num pequeno aglomerado de casas, é Segirei. E para lá que vamos de seguida.

 

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ALDEIA DE SEGIREI

Se iniciou a visita onde deve iniciar, em Cidadella, estará a chegar a Segirei por volta das 11 da manhã, isto se iniciar a visita por volta da 9 horas. Por esta altura a barriguinha também já deve estar a começar a dar horas, mas ainda é cedo para almoçar. Um copinho de água fresca ou até uma mini, chegará para enganar o estômago, entretanto poderá fazer uma visita à aldeia.

     

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A aldeia é pequena, mas já foi muito concorrida, principalmente na era das fronteiras até aos anos oitenta, pois como Segirei tinha quartel da guarda fiscal, pelo menos estariam por lá 4 a 7 guardas, com as respetivas mulheres e filhos, já era quase meia aldeia, com os naturais, que eram mais, a aldeia compunha-se. Durante o dia o gado e as poulas davam e chegavam para trabalhar, à noite o contrabando, e assim,  havia vida na aldeia quase durante as 24 horas do dia.

 

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Esta zona, já em pleno Parque Natural de Montesinho, caracteriza-se pelas construções de xisto, ou caracterizava-se, pois como o contrabando dava algum dinheiro extra e o trabalhar a pedra não era tarefa fácil, o tijolo, blocos e cimento depressa começaram a substituir a pedra de xisto. Estes novos materiais mais leves e fáceis de trabalhar, acabavam também por ficar mais baratos e permitir novas soluções construtivas. Daí, pelas características das construções atuais, penso que a partir dos anos 50 do século passado começaram a surgir novas construções de tijolo ou acrescentos e remendos nas de xisto.

 

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Tenho pena de não ter conhecido a aldeia no seu pleno construída em xisto, deveria ter uma beleza singular, mesmo porque o xisto presta-se a isso, quer pela sua cor acastanhada/avermelhada/amarelada, quer pela suas dimensões e forma (em lascas), tornando as construções interessantes à vista, já não tanto à resistência e penso que no isolamento térmico e acústico também não.

 

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Hoje em dia ainda restam por lá algumas construções em xisto, não propriamente habitações, mas destinadas a arrumos, adegas e cortes do gado. Uma ou outra vai conciliando o xisto com novos materiais, o que torna a aldeia numa mistura de arquiteturas no que respeita ao uso de materiais.

 

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Já no que toca ao seu aglomerado, é uma daquelas aldeias que se mantém juntinha e que se desenvolve a partir de um pequeno largo central da aldeia pela encosta fora, não se desenvolve à volta da Capela ou Igreja como soe acontecer, mas à volta de uma antiga fonte de mergulho, hoje modernizada com a colocação de uma torneira, mas de pouco uso, pois falta gente para a utilizar, mas também porque, suponho, que a aldeia tem rede de abastecimento de água.

 

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Uma aldeia que sofre portanto da maleita que mais aflige as aldeias interiores de montanha, esta com a agravante de ser da raia e a aldeia mais distante da sede do concelho, tal como se costuma dizer, fica em cascos de rolha, hoje sem contrabando e com pouca terra cultivável para além de agora não render sequer para sobreviver, não admira que a sua gente, principalmente os mais novos, tenham procurado o seu destino noutras paragens . É um bom exemplo de uma aldeia de resistentes onde o despovoamento se faz sentir.

 

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Mas há sempre exceções, e para além dos resistentes idosos, tenho conhecimento de que pelo menos um ou dois casais, ainda novos com filhos crianças, vivem em Segirei, pois graças à proximidade da Galiza têm lá trabalho, com o sacrifício de viagens diárias de dezenas, às vezes centenas de  quilómetros, é certo, mas vai dando para ganharem algum e manterem-se por Segirei.

 

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De resto, as pessoas (resistentes) que compõem a população, vão-se apoiando, uns aos outros, com alguns contactos à cidade para as necessidades, uns regressos esporádicos aos fins de semana e alguma vida vinda de fora para a pesca ou para umas passagens de fins-de-semana de gente ligada à aldeia que vive noutras paragens. Em agosto é diferente. E isto é Segirei que, enquanto o casal está vivo e em condições de fazerem a sua vida diária de viver com a reforma, vão-se mantendo por lá, mas quando lhe faltar o parceiro ou o apoio familiar,  lá terão que rumar até um lar de 3ª idade…

 

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E de Segirei, aldeia, é tudo ou quase tudo, uma aldeia aconchegadinha no fundo de vertentes de montanhas, ela mesma numa vertente, sem grandes pormenores para assinalar ou realçar, com uma pequena e simples capela, um moinho e pouco mais. Talvez seja a sua simplicidade o que mais cativa, que a torna interessante e que faça com que o fator humano se realce mais.

 

RESISTENTES

E é precisamente para o fator humano que vamos de seguida, com imagens de alguns resistentes que ao longo destes 13 últimos anos fomos registando nas nossas idas a Segirei, sem palavras, apenas com imagem.

 

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Já fizemos a rota do contrabando, já andámos um pouco pela aldeia de Segirei, e deixámos aqui alguns dos seus resistentes, mas as aldeias também se fazem com a sua paisagem e envolvência, é para lá que vamos agora.

 

A ENVOLVÊNCIA PAISAGISTICA

 

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Já sabemos que as paisagens têm o dom de se irem transformando conforme a época do ano. Felizmente por estas terras já fomos umas dezenas de vezes em várias estações do ano onde fomos fazendo alguns registos, com sol, frio, chuva, etc. Penso que só mesmo com neve é que nunca arriscámos chegar até lá, aliás não penso, tenho a certeza, pois com neve nunca fui além de Argemil, e já foi uma aventura.

 

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Na primavera já sabemos que contamos sempre com a exuberância dos vários matizes de verdes, com os amarelos a sobressair e aqui e ali, pontualmente outro colorido das flores co campo, como o lilás da urze e por lá também o da alfazema.

 

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Os outonos e invernos também tem a sua graça na magia de cor, sobretudo no outono onde os vermelhos e amarelos torrados fazem combinações perfeitas, mas também e ainda com os verdes a marcarem presença. Por vezes à flora silvestre também se junta a fauna, mesmo que não seja selvagem, e também o homem, em harmonia, ajudam a compor o ambiente.

 

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Mas também há momentos que pela luz ou falta dela, pela complexidade dos céus nublados, combinados com montanhas despidas, chuvas e ventos, transformam a paisagem, dando-lhe um certo mistério, criando momentos sombrios, às vezes até aterradores e ameaçadores. Eh, a natureza também tem os seus dias, não diria maus, mas diferentes e mais bravios.  

 

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PRAIA FLUVIAL

Com o fator humano e as paisagens pelo meio, perdemo-nos nas horas, mas se bem se lembram, nesta nossa visita/proposta e imaginária,  chegámos a Segirei por volta das 11 da manhã, depois de termos descido a rota do contrabando. Pois para a visita à aldeia e para algumas conversas breves com os resistentes, chega cerca de 1 hora, e já estamos chegados ao meio dia, hora de pensar nas nossas barriguinhas. A nossa proposta é que o almoço se faça no parque de merendas da praia fluvial de Segirei, com o Rio Mente por companhia.

 

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Da aldeia até à praia fluvial pode ir a pé ou de carro, ou ainda de ambas as maneiras, pois uns podem ir a pé e outros de carro. Não é longe mas também não é perto, são cerca de 1.250m de caminho, bom caminho para ambas as hipóteses. Embora o itinerário a pé e de carro seja feito quase em paralelo e muito próximos, quase juntos, para a nossa visita ficar completa e como deve ser,  o trajeto até à praia deverá se feito também a pé. Pelo caminho encontrará as famosas águas de Segirei, ferrosas e levemente gaseificadas, muito idêntica às águas de Vidago. Tem torneira na captação onde poderá beber um copo, que nesta altura da jornada cai sempre bem.

 

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Chegados à praia fluvial, se for de verão, sempre pode dar uma banhoca no Rio Mente. Pouca profundidade, bom para crianças, mas dá para refrescar, pois por ali, mesmo estando boa,  a água é sempre fresca. Quanto à paparoca, de Verão (agosto) o bar da praia costuma estar aberto e prepara umas coisas rápidas, mas bom mesmo é que a paparoca do piquenique já venha meia feita de casa para aqui não ter surpresas de bar fechado e não perder muito tempo em preparativos, mas tem grelhadores de apoio onde, se chegar cedo, poderá confecionar por lá alguns dos alimentos.

 

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E temos a nossa visita concluída, pois na praia fluvial o resto do dia é para descansar e desfrutar. Convém ter umas bejecas frescas para ajudar a passar a tarde.

 

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Penso que se irá tornar hábito aqui no blog o de terminarmos os post’s às aldeias com um vídeo com todas as imagens que já publicámos até hoje. Fizemo-lo com Seara Velha e pela certa vamos continuar, pois aqui fica o de Segirei, com as imagens de hoje e mais algumas dos post’s anteriormente dedicados à aldeia. Espero que gostem e até amanhã, com mais uma aldeia do Barroso aqui tão perto.

 

Aqui fica o vídeo:

 

 

Filme, link:

 

 

Link para o vídeo no youtub:

https://youtu.be/P_W0xVyYc2o

 

 

04
Mai19

Seara Velha - Chaves - Portugal

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E nesta nova ronda pelas aldeias do concelho de Chaves, hoje toca a vez a Seara Velha, por sinal uma das aldeias que mais vezes tem passado por este blog e também uma das aldeias por onde mais tenho passado e visitado, isto por várias razões, inclusive, em tempos,  até profissionais.

 

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Calha-nos em caminho, por exemplo, nas nossas vindas do Barroso, aliás, Seara Velha é uma aldeia tipicamente barrosã e segundo alguns, eu incluído, defendemos que o Barroso não se fica apenas pelos concelhos de Montalegre e Boticas (estes na sua totalidades) ou pelos concelhos de Ribeira de Pena e Vieira do Minho (algumas freguesias), mas que tem o seu território alargado até à margem direita do Rio Tâmega, tal como acontece com Boticas e Ribeira de Pena.

 

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Aliás quem conhece o Barroso e o nosso concelho de Chaves, sabe bem que todo este conjunto de aldeias de Chaves que confrontam com os concelhos de Boticas e de Montalegre (Seara Velha, Calvão, Castelões, Soutelinho da Raia, mas também as freguesias que confrontam com estas (Ervededo, entre outras) têm todas elas as características típicas do Barroso. Mas deixemos esta questão para outros debates e concentremo-nos em Seara Velha.

 

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Os destaques

 

Pois vamos aos destaques, ou melhor, àquilo que vos poderá convencer para fazerem uma visita a esta aldeia.

 

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Conjuntos

Primeiro começaria pela paisagem que envolve a aldeia, que é em tudo singular, única, começando pelas terras verdes e férteis que envolvem a proximidade da aldeia para logo a seguir ter um conjunto de elevações, pequenos montes quase completamente cobertos por pequenos rochedos das mais variadas formas e feitios. Parece uma paisagem de outro planeta ou que um qualquer gigante andou por ali a brincar como se estivesse numa praia de gigantes a fazer montinhos de areia em que cada grão de areia, em Seara Velha, na realidade são rochedos. Só por este espetáculo da natureza vale a pena ir a esta aldeia.

 

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Depois temos o conjunto do casario com as construções tipicamente transmontano-barrosãs de granito à vista a marcarem presença em todas as ruas da aldeia, e até nas novas construções, Seara Velha foi feliz, pois nasceram na periferia do núcleo da aldeia, sem o incomodar e mesmo nas reconstruções tem havido algum cuidado, seguindo as características originais. Claro que também há um ou outro pecado, mas sem afetar muito o conjunto, exceção para uma reconstrução recente, que dada a sua localização, parece-me deveria ter havido mais cuidado na sua reconstrução, pelo menos pareceu-me na última passagem que fiz pela aldeia, mas como foi de passagem, pode ser que esteja enganado, mas parece-me que não. Refiro-me à uma reconstrução em frente à igreja.

 

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Depois do casario, se calha esta razão até deveria ser a primeira, pois trata-se de pessoas, da população de Seara Velha que sempre que lá vou, vê-se,  dá vida às ruas e às casas, mas que também é hospitaleira e gosta de receber bem quem os visita. Neste ser da população da aldeia, pela certa não será estranho haver ainda muitas pessoas de geração mais nova que vive ou frequenta com alguma assiduidade a aldeia. A proximidade de Chaves talvez seja outra razão para tal acontecer, mas também os seus emigrantes que ainda tem na aldeia o seu torrão de terra e casa que têm recuperado para um dia a ela voltarem.

 

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Mas nem tudo são rosas por Seara Velha, pois mesmo com os predicados que atrás deixámos, não é exceção no que toca ao abandono e/ou ameaça de ruina de algum do seu casario e também no que toca a despovoamento, menos que em algumas aldeias, mas igualmente sofre dessas maleitas.

 

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Os pormenores

Mas estávamos e vamos continuar naquilo que Seara Velha tem de bom, que compensa e bem o que tem de menos bom. Estávamos naquilo que tem de bom a nível de conjunto, como a paisagem, o casario e a sua população, passemos agora para as suas singularidades e pormenores onde destacaria a sua Igreja Paroquial de Seara Velha, ou de São Tiago, quer pelo enquadramento, quer por alguns pormenores, principalmente os das figuras dos Santos colocados em pequenos nichos com destaque para a imagem de São Tiago a cavalo parecendo querer saltar da igreja.

 

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Destaques também para as alminhas, pelo menos três, uma logo no alto da montanha entre Soutelo e Seara Velha, com 4 faces, outra no início da aldeia incorporada no cruzeiro e uma terceira colocada junto à estrada que serve de variante à antiga estrada que passava pelo centro da aldeia.

 

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Fontes de mergulho, uma no meio da aldeia que está tapada e com a subida da cota do arruamento quase nem se dá por ela, já a outra, à saída da aldeia, é uma das mais interessantes do concelho de Chaves, não só pelo seu enquadramento mas também pelo pormenor da caleira em pedra de peça única, cujo pormenor deixamos aqui em imagem, embora revestida de verde pela pequena vegetação.

 

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No centro da aldeia existe também um belo exemplar de chafariz e tanque/bebedouro, seguindo mais ou menos a arquitetura dos fontanários/tanques da Ditadura Nacional (1928-1933), mas esta com a inscrição CMC de 1935, já no Estado Novo.  Um outro chafariz também chama a atenção, muito mais simples mas com a curiosidade de ser coroado com a concha de Santiago, claro que esta está incorporada no muro que serve de suporte ao átrio da igreja de São Tiago.

 

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Um destaque também para o Associativismo com Associação Cultural e Recreativa À Volta do Pote, fundada em 2008 tem-se mantido em atividade desde aí, promovendo vários eventos e mantendo as principais tradições da aldeia de pé, para além de manter o único espaço de estar/bar da aldeia.

 

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A noite de Seara Velha

Há noites e noites, se as de inverno convidam mesmo ao estar à volta da lareira e à volta dos potes e ir bem cedinho para o calor dos cobertores,  as de verão já convidam um pouco ao estar ao estar na rua, a apanhar um pouco da frescura da noite. Tirando isso, Seara Velha tem o bar da Associação onde dá para por o futebol e a política em dia enquanto se toma um café ou se bebe uma mini, isto sou eu a supor, pois e o que comummente se faz nestes “centros sociais” de aldeia.

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Pois estas imagens da noite de Seara Velha foram tomadas numa noite em que fui por lá para estar à volta do pote, ou melhor, à volta daquilo que os potes tinham cozinhado. Noite fria de inverno, em pleno janeiro, com ar de cortar, seco mas bem frio como soe ser o ar barrosão, mas mesmo assim ainda deu para uns minutos ao ar livre, não muitos, mas os suficientes para tomar umas imagens com a geada já a cair-nos sobre as orelhas, e no momento o relógio ainda só registava as 19H10, mas já com todas as almas recolhidas em casa.

 

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O Forno do Povo

Eu não vos digo que isto é Barroso, pois tal como lá, onde o comunitarismo era uma forma de viver e o forno do povo nunca falta em nenhuma aldeia, principalmente no Alto Barroso, também Seara Velha tem o seu forno do povo. Claro que hoje em dia, embora ainda se usem, já estão longe da utilização que tinham há trinta e mais anos atrás, em que o forno era utilizado quase continuamente, com regras de utilização para que todos pudessem dele usufruir. Mas isso são coisas de outros tempos. Sei que ainda se usam, e até temos a prova disso, mas agora mais esporadicamente, por altura dos folares da Páscoa ou das festas da aldeia.

 

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Pois este forno também é singular, metade rochedo, metade forno, como quem diz que uma das suas paredes é um enorme rochedo que sobressai para lá do forno. É notório que não se trata apenas do forno original, o coberto da entrada é bem mais recente. Em termos de beleza, penso que o original seria bem mais interessante, mas em termos de utilização, assim está muito melhor. Às vezes lá temos que desculpar estes acrescentos pela sua utilidade e conforto que podem proporcionar. Então, já a seguir, aqui fica a prova de que no forno ainda se fazem coisas boas, caseirinhas, este é de mistura de centeio e trigo, a não ser, estou a perder os meus dotes de identificação.

 

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E para terminar este post, fica um pequeno vídeo com as imagens de hoje e outras de outros post’s que fui dedicando a Seara Velha, mas não quero com isto dizer que será o último post dedicado à aldeia, longe disso, pois enquanto pudermos, Seara Velha terá sempre aqui lugar, pois tem sempre motivos de interesse para aqui trazermos, e mesmo com o nosso arquivo já bem alargado no que toca a imagens, ainda não temos tudo. Deixamos sempre alguma coisa por registar para termos a desculpa de um dia lá  voltar.

 

 

 

 

24
Mar19

Santa Cruz da Castanheira - Chaves - Portugal

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E cá estamos com mais uma aldeia do concelho de Chaves, ainda por terras santas, pelo menos no topónimo que foi adotado para a aldeia, e embora esta nem seja de santo ou santa em forma de gente, é-o em forma de cruz, ou seja, vamos até Santa Cruz, que por ser de terras da castanheira, leva ainda com o seu apelido – Santa Cruz da Castanheira, o que até dá jeito para a distinguir da outra localidade do concelho de Chaves com o mesmo topónimo – Santa Cruz, esta sem apelidos. Refiro-me a Santa Cruz da freguesia de Santa Cruz, Trindade e Sanjurge.

 

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Desta vez trocamos aqui as voltas. Hoje deveríamos ter aqui uma aldeia do Barroso, pois a de Chaves, deveria ter sido ontem, no entanto para este blog ter imagens, de vez em quando, temos que ir à caça delas, e como ontem foi dia de caça, não nos pudemos dedicar ao blog. Não pôde ser ontem, mas pode ser hoje. A aldeia do Barroso, fica para o próximo domingo.

 

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Vamos então até Santa Cruz da Castanheira que em imagem começámos com uma vista geral sobre a aldeia, tomada, se não me engano, desde a aldeia vizinha de Sanfins da Castanheira. Aldeia que tem uma igreja (ver primeira imagem) com uma torre sineira muito singular. Eu, em tom de brincadeira e sem qualquer ofensa, costumo dizer que é do estilo pombalino, mas não é bem o que Sebastião José de Carvalho e Melo (1699-1782), o Marques de Pombal, utilizou na reconstrução de Lisboa, não, não é esse, este é mesmo estilo de pombal de pombas, senão repare-se na imagem seguinte onde estão duas torres pombais, existentes e localizadas a 900 metros a poente da igreja.. Da duas uma, ou a torre da igreja foi beber inspiração aos pombais ou estes o foram beber à torre da igreja. Isto é apenas uma curiosidade, mas que a torre sineira é singular, lá isso é, o que até é bom, pois é diferente de todas as outras.

 

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Mas entremos em Santa Cruz da Castanheira, uma das aldeias que já conheço desde os anos setenta do século passado, tudo por causa da sua festa e de uma família amiga que temos nesta aldeia, pela qual fomos então convidados, mais precisamente uns colegas de liceu que simultaneamente também moravam no meu bairro.

 

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Mas dessa Santa Cruz da Castanheira pouco recordo, a não ser uma aldeia longe de Chaves, que afinal não é assim tão longe, mas os acessos da altura faziam-na mais longe. A verdadeira descoberta da aldeia já é mais tardia. A primeira vez que lá fui em recolha de imagens foi em 2007, depois em 2008 e as últimas lá recolhidas são de 2012, mas já passei por lá muitas mais vezes, por é de passagem obrigatória para ser ir a outra aldeia, Parada, ou mesmo pró São Gonçalo, embora este último tenha a alternativa voa Orjais. Curiosamente as imagens de hoje são todas de 2007 e 2008. Ou seja, todas com mais de 10 anos, o que faz com que os rapazes que aparecem na próxima imagem, hoje já tenham barba e já andem a rondar os vinte anos de idade.

 

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Rapazes que na altura não me ligaram puto, eles andava pra lá nas suas brincadeiras e isso é que interessava, e muito bem, embora se possa brincar toda a vida, em criança e jovem adolescente as brincadeiras têm outro sabor, então as brincadeiras de rua tem sabor reforçado e o mais engraçado é que na maioria das vezes se brinca ou brincava sem brinquedos, pelo menos com brinquedos convencionais, quando muito uma bola já chegava e qualquer cantinho da rua servia, de preferência se não houvesse envidraçados por perto, mas às vezes lá calhava e lá ia um ou outro vidro à vida. Os rapazes não me ligaram puto, mas fiquei agradado por ver que em Santa Cruz da Castanheira a rapaziada ainda brincava na rua.

 

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Mas não era só os rapazes que andavam na rua, as pitas pedreses também andava e igualmente, também não me ligaram puto, lá continuaram a esgaravatar o chão à procura de migalhas e bicharocos ou mesmo gãos de areia para o seu papo. Também são do meu tempo estas raparigas pedreses e estava-lhes sempre reservado um fim especial, penso que era para alheiras, mas sei que dava sempre uma boa canja.

 

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Já as vacas, o cavalo e os burros que também lá estavam mas não ficaram na imagem, embora vedados, gozavam toda a liberdade do lameiro e igualmente não me ligaram puto mas também não ligavam puto ao guardador, que nem era necessário, penso que estava lá mais numa de meditação do que de guardador, quando muito estava à espera que as reses enchessem o bandulho para as levar de volta à corte, mas não o sei, pois eu também andava na minha vida…

 

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Enfim, uma verdadeira aldeia que além disso tinha um café onde parávamos para uma mini fresquinha ou mesmo um simples café, mas era também pretexto para dar dois dedos de conversa com o seu proprietário que por sinal era primo dos meus amigos de liceu. Estou a conjugar os verbos no passado porque como já não vou por lá há mais de 10 anos não sei se o café ainda existe, suponho que sim, mas 10 anos numa aldeia de hoje é muito tempo, só mesmo os resistentes se conseguem manter por lá tanto tempo.

 

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E foi tudo por hoje, mas estou em crer que não será a última vez que Santa Cruz da Castanheira estará por aqui, aliás quando esta ronda por todas as aldeias do concelho terminar, já há projeto para outra ronda, remodelada e um pouco diferente, mas ainda só está em projeto. Garantia é que os fins-de-semana deste blog são do mundo rural, o nosso do concelho de Chaves, mas também um pouco mais distante, onde o da região e concelhos vizinhos também têm lugar. Andamos a tratar disso, assim tenhamos saúde e condições para o fazer, pois este blog veio para ficar.

 

 

02
Mar19

São Pedro de Agostém - Chaves - Portugal

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Como nesta nova ronda pelas nossas aldeias a metodologia adotada para as trazer aqui foi a ordem alfabética, depois de uma longa caminhada já vamos nos topónimos com início com a letra S, letra na qual aparecem os topónimos com nome de santos, que no concelho de Chaves são 10 os santos que dão nomes às aldeias e talvez 2 tenha nos santos a origem do seu topónimo. Depois da última aldeia que passou por aqui, São Lourenço, só já nos restam dois santos, o São Pedro de Agostém e o São Vicente, mas hoje ficamos apenas pelo São Pedro, São Vicente fica para o próximo sábado.

 

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Como se de um concerto se tratasse, hoje vamos fazer o post em três movimentos, com dois andamentos e um réquiem.

 

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Primeiro andamento - São Pedro de Agostém, a aldeia

 

Aldeia e sede de freguesia, uma das duas freguesias que mais aldeias tem, a par da freguesia vizinha de Nogueira da Montanha, ambas com 11 aldeias em que à de São Pedro de Agostem pertencem as aldeias de Agostém, Bóbeda, Escariz, Lagarelhos, Paradela de Veiga, Pereira de Veiga, São Pedro de Agostém, Sesmil, Ventozelos, Vila Nova de Veiga e Peto de Lagarelhos. Em termos de território ocupa 26,7 Km² que se estende desde a Veiga de Chaves até à Serra do Brunheiro, a Sul da Cidade de Chaves, que é ocupada por 1.419 habitantes.

 

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A aldeia de São Pedro de Agostém, a cerca de 6,5Km da cidade de Chaves (em linha reta) é constituída por um pequeno núcleo de aldeia concentrada mas ou menos à volta da igreja, o seu núcleo mais antigo, estendendo-se a partir deste por duas ruas, uma seguindo a direção do santuário da Nossa Senhora da Saúde e outra para sul, esta mais longa. Núcleo e rua rodeadas por terras de cultivo, pomares, olivais e vinhas, para depois dar lugar a algumas pequenas manchas de pinhais e/ou pastagens.

 

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A aldeia vai mantendo a sua integridade como aldeia típica transmontana, sem grandes atentados, mantendo assim o seu interesse no conjunto do casario. Destacam-se dentro da aldeia a sua Igreja e quase em frente a esta,  uma fonte do tempo da ditadura nacional com bebedouro e lavadouro, tendo nela inscrita as iniciais “CMC”, o ano de construção, “1932”, e “CONSTRUÍDO DURANTE A DITADURA NACIONAL”, e ainda, “BEBEDOURO” e “LAVADOURO” por cima dos respetivos tanques, estas últimas, suponho que para não haver enganos nos tanques. Um tipo de fonte com projeto tipo, pois repete-se noutras aldeias, sendo esta o modelo maior das que conheço, pois há alguns mais simples, apenas com a fonte e o bebedouro, ou mais simples ainda, sem lavadouro e bebedouro. Não deixa de ser curioso a inscrição de “DITADURA NACIONAL” nestas fontes públicas, ou seja, o Estado a assumir a ditadura que hoje a História classifica como a Segunda República, precisamente por ter tido um regime de ditatorial.

 

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E por se falar em projetos tipo da ditadura, a aldeia tem mais um, o da sua antiga escola primária, sendo também de projeto tipo, onde as mais simples tinham apenas uma sala de aulas que, conforme as necessidades da localidade, poderia ser de 2 ou mais salas, e ter um  ou dois pisos. Estas escolas foram construídas no Plano dos Centenários, a partir de 1940 até ao final da década de 1950, tendo sido projetadas por dois arquitetos, Raul Lino para as escolas da região Sul e Rogério Azevedo para as da região Norte. Dentro deste pano foram construídas mas de 7000 escolas. O Plano dos Centenários deve o seu nome às comemorações do 3º centenário da Restauração da Independência e o 8º da independência de Portugal, comemorados, respetivamente em 1940 e 1943.

 

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Segundo andamento - O Santuário de Nossa Senhora da Saúde

 

É um dos santuários marianos de Portugal, construído junto à aldeia de São Pedro de Agostém onde se realiza a maior festa mariana da região festas da região.

 

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Como a grande maioria das grandes festas do norte de Portugal, a festa de Nossa Senhora da Saúde de São Pedro de Agostém tem a parte religiosa muito concorrida, com missa e procissão, que apesar de geralmente ser em maio, junta muitas mais pessoas que os habitantes da freguesia.

 

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Para além das missas e procissão, é toda uma festa, com arraial e feira, comes e bebes, fogo de artifício, bandas filarmónicas e conjuntos musicais

 

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No recinto para além da capela e outras instalações de apoio há um coreto e uma construção envidraçada onde colocaram o altar para as celebrações festivas.
É uma das duas grandes festas do concelho de Chaves, distrito e diocese de Vila Real. A outra grande festa do concelho é a do santuário do São Caetano.

 

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A festa realiza-se sempre num domingo e segunda-feira e para acesso à festa, geralmente são garantidos autocarros a partir da cidade de Chaves, passando durante todo o dia a transportar pessoas nos dois sentidos, festa que é também conhecida pelas suas merendas.

 

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Terceiro andamento – Um réquiem

 

Em 3 de julho de 2010 associei-me à homenagem dos 50 anos de sacerdócio do Pároco Ladislau José de Sousa e Silva, então pároco do Santuário da Nossa Senhora da Saúde, mas também de muitas aldeias da freguesia. Hoje, ao trazer aqui São Pedro de Agostém, presto-lhe mais uma homenagem, trazendo aqui o post de 2010, ao qual apenas acrescento um parágrafo no final:  “ O pároco do Santuário da Nossa Senhora da Saúde, Ladislau José de Sousa e Silva, Nasceu em 03/07/1936; foi ordenado presbítero em 08/05/1960; faleceu em 04/02/2019."

 

 

Amanhã, dia 4 de Julho, a Junta de Freguesia de S.Pedro de Agostém, o Grupo Tradicional de Ventuzelos e a Comissão Fabriqueira vão homenagear no Santuário da Nossa Senhora da Saúde o Pároco Ladislau José de Sousa e Silva.

 

Uma homenagem à qual o autor deste blog não poderia ficar indiferente, não só por ser o Pároco de S.Pedro de Agostém e do Santuário da Nossa Senhora da Saúde, mas também pelos seus 50 anos de sacerdócio, pela sua dedicação às freguesias flavienses onde exerceu esse sacerdócio, como ainda pelo professor da Escola Secundária Fernão de Magalhães e da Escola Dr. Júlio Martins. Estas, seriam já razões de sobra para me associar a esta homenagem, mas pessoalmente, tenho muitas mais e bem valiosas razões. Como costumo dizer, o Padre Ladislau é o meu “Padre de Cerimónias”, pois em todas as cerimónias importantes em que estive envolvido, foi ele o Padre das celebrações, desde o meu casamento ao casamento de alguns familiares e casais amigos, desde o baptizado dos meus filhos aos baptizados dos meus afilhados e alguns sobrinhos, mas também em cerimónias de horas menos felizes de familiares meus. O Padre Ladislau já é como da família, mas acima de todas as razões atrás apontadas, ponho ao amizade e o amigo que o Padre Ladislau sempre foi desde que o conheço e, já lá vão longos anos.

 

Associo-me assim a esta homenagem dedicando-lhe o post de hoje, mas também deixando aqui um pouco da sua vida e algumas imagens que lhe são bem familiares por nas últimas dezenas de anos ter passado por esses locais em todo o tipo de celebrações religiosas.

 

 

Ladislau José de Sousa e Silva é filho de António Silva Júnior e de Elisa Teixeira de Sousa.

 

Do casal nasceram os seguintes irmãos: Maria Alice; Hélder, falecido recentemente; António e Angélica.

 

Ladislau nasceu a três de Julho de 1936, na freguesia de Oliveira, concelho de Mesão-Frio, distrito de Vila Real.

 

Aos 10 anos entra no Seminário Diocesano de Vila Real.

 

A 17 de Junho de 1959 termina o Curso de Humanidades, Filosofia e Teologia naquele Seminário.

 

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A 3 de Outubro de 1959 é chamado para a Diocese de Beja.

 

A 12 de Outubro de 1959 é nomeado, por sua Excelência Reverendíssima, D. José do Patrocínio Dias, Bispo de Beja, chanceler da Câmara Eclesiástica.

 

A 17 de Outubro de 1959 é nomeado professor de Português e História no Colégio Católico, Dr. Ramalho.

 

A 8 de Maio de 1960, é ordenado sacerdote no Seminário Diocesano de Vila Real.

 

Após uma preparação e adaptação à Escola do Movimento dos Cursos de Cristandade, em Espanha, regressa em 1960 a Beja e, nesse ano, é nomeado pároco da paróquia de São Matias e Director dos Cursos de Cristandade daquela Diocese.

 

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Em Outubro de 1960 é nomeado capelão das Carmelitas de Beja.

 

Acompanhou sempre, nas visitas pastorais e nas visitas de administração do Sacramento da Confirmação, o Bispo Auxiliar de Beja, D. António Cardoso Cunha.

 

Em 1962 regressa à sua Diocese de origem, Vila Real, onde foi nomeado Director dos Movimentos dos Cursos de Cristandade.

 

Em Julho de 1965 é nomeado pároco de São Pedro de Agostém, onde aqui permanece há 45 anos.

 

Em 1977 é também nomeado pároco de Vilela do Tâmega, onde permanece há 33 anos.

 

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Após a saída do Reverendo Dr. Curral da freguesia de Santa Maria Maior, ficou responsável pelos Cursos de Cristandade na área do arciprestado do Alto Tâmega.

 

Fez, com a ajuda do seu povo, uma residência paroquial em 11 meses; duas igrejas (de Vila Nova e Bóbeda) outras duas mais pequenas; três capelas novas e restaurou todas as capelas das povoações de São Pedro de Agostém, à excepção da de Paradela de Veiga.

 

Depois de ter tirado na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra as disciplinas de História Universal, História de Portugal, Linguística I, II e III, Literatura Moderna e Literatura Contemporânea, é nomeado professor de Português no então Liceu Fernão de Magalhães, de Chaves.

 

Aí lecciona aquela disciplina durante 17 anos.

 

Após esse período, é nomeado professor da disciplina de Educação Moral e Religiosa Católica para a Escola Secundária Dr. Júlio Martins, em Chaves, onde aí permanece mais de 20 anos e até que se reforma da actividade docente.

 

 

Nos primórdios da sua actividade pastoral era frequente ver o Padre Ladislau a deslocar-se a pé a todas as aldeias da sua paróquia, onde abordava temas actuais para aquele tempo e para aquelas gentes.

 

O Padre Ladislau tem a consciência que muito mais podia fazer pelos povos que paroquiou e não dispensa o seu muito obrigado a todo o povo que o ajudou no seu múnus pastoral.

 

No início da sua actividade sacerdotal aprendeu com dois bispos, um deão e um arcediago a máxima de nunca passar pelas suas mãos um tostão que fosse do património das suas paróquias; por isso, procurou estar sempre rodeado de homens sérios e honestos, em concordância com o povo, que o auxiliassem nessa tarefa.

 

 

O Padre Ladislau foi e é um homem crente.

 

Colocou sempre a sua força e fé ao serviço de Deus, da família e do seu povo.

 

Teve e tem nos seus colegas padres a amizade, a estima, a consideração, o respeito e o afecto, sentimentos e atitudes imprescindíveis para se manter sempre firme na fé, ao serviço de Deus e do Seu Povo.

 

Ordenação Sacerdotal a 08/05/1960

 

Bodas de Ouro a 08/05/2010

 

04/07/2010, uma justa homenagem ao Padre Ladislau José de Sousa e Silva.

 

O pároco do Santuário da Nossa Senhora da Saúde, Ladislau José de Sousa e Silva, Nasceu em 03/07/1936; foi ordenado presbítero em 08/05/1960; faleceu em 04/02/2019.

 

 

 

 

 

 

16
Fev19

São Julião de Montenegro e 3+1 Kmºs Zero de Chaves

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Embora iniciemos o post com duas fotografias de neve, a verdade é que esta neve já não é de hoje e há muito que derreteu, aliás, depois desta nevada, já caíram outras. Para sermos precisos, esta nevada caiu em 25 de janeiro de 2009. Mas não ficamos só por aqui, pois se a foto com neve nos leva ao engano, a própria placa de entrada no concelho de Chaves também é enganadora, mas sem nos enganar. Na realidade esta placa está à entrada do concelho de Chaves, localizada  antes de chegarmos à aldeia de São Julião, deixando para trás o concelho de Valpaços, só que antes de aqui chegámos já tínhamos entrado no concelho de Chaves e passado por Limãos, deixado o concelho de Valpaços para trás, só que logo a seguir a Limãos, entramos novamente no concelho de Valpaços (Barracão), deixando o concelho de Chaves para trás, ainda antes de entrámos nele. Confuso, mas é assim mesmo, ou seja, saímos do concelho de Valpaços e entramos no concelho de Chaves, logo a seguir saímos deste e entramos novamente no de Valpaços para logo a seguir sair dele e entrar novamente no de Chaves… é melhor ficar por aqui, mas a realidade é mesmo assim.

 

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Quanto a esta segunda imagem, do mesmo dia da anterior, também é enganadora, mas só quanto à neve, pois quanto às placas, o STOP é mesmo para parar antes de entrar na estrada principal, placa que nos tapa um pouco a outra placa, tirando a santidade a São Julião de Montenegro, a nossa aldeia de hoje.

 

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A título de curiosidade, São Julião é um dos 10 santos (talvez 12) aos quais concelho de Chaves   recorre para ser topónimo das suas aldeias, a saber: Santiago do Monte; Santo Estêvão; São Caetano; São Cornélio; São Domingos; São Gonçalo da Ribeira; São Julião, São Lourenço; São Pedro de Agostém e São Vicente. Disse talvez 12 porque Sanjurge e Sanfins da Castanheira, também podem ter na sua origem um Santo, no primeiro caso o São Jurge, pois este topónimo existe por exemplo em Ranhados no concelho da Mêda, e no segundo caso o São Pedro Fins, este sim, é assumido com estando na origem de outras localidades portuguesas que hoje têm como topónimo Sanfins.

 

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Tal como tenho vindo a afirmar todos os sábados, esta nova abordagem às nossas aldeias do concelho de Chaves, tem sido feita por ordem alfabética, no entanto como no nosso arquivo em alguns casos abreviámos o Santo para Stº e o São para S. fomos levados ao engano, por exemplo na ordem em que Stº Estêvão apareceu e,  trouxemos primeiro os topónimos Santos quando deveriam ter trazido as Santas (Santa Bárbara, Santa Cruz, Santa Cruz da Castanheira,  Santa Leocádia, Santa Marinha e Santa Ovaia). As nossas desculpas às Santas, mas fica prometido que a seguir ao último Santo, o São Vicente, vamos às Santas, para continuar na santidade dos topónimos flavienses, que ao todo (Santas e Santos) são 18, talvez 20.

 

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Deixando as curiosidades de parte, entremos então na Aldeia de São Julião de Montenegro que até à última reforma administrativas das freguesias, foi também sede de Freguesia, hoje integradas na grande/extensa freguesia da União de Freguesias das Eiras, São Julião de Montenegro e Cela. Atrás disse grande/extensa porque agora o território desta freguesia estende-se desde o Concelho de Valpaços até ao Vale de Chaves (Eiras).

 

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Quanto à localização de São Julião de Montenegro, para trás, neste post, já fomos adiantando onde fica, mas para sermos mais precisos, a aldeia fica junta à EN 213 (Chaves-Vila Flor), no troço entre São Lourenço e o Barracão (Valpaços).

 

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Os 3+1 Kms Zero de Chaves

A título de curiosidade, pois hoje parece que além de ser um post dedicado a São Julião o é também às curiosidades. Então agora que o Km zero da EN2 está tão na moda, temos também que realçar que esta Estrada Nacional  que serve São Julião, tem também o seu Km Zero em Chaves, mais precisamente na Rotunda do Raio X. Trata-se da EN213 que tem início no Raio X em Chaves e termina em Vila Flor. Ora aqui surge outra curiosidade e outro Km zero, o da Antiga EN314, hoje R314 que também tem o seu KM zero em Chaves, naquela rotunda que não é rotunda (outra curiosidade flaviense) a apenas 200 do KM zero da EN213. Curiosamente esta R314 que tem o seu Km zero em Chaves a 200 metros do Km zero da EN213, termina precisamente em Vila Flor, no preciso cruzamento onde termina a EN213. Ainda outra curiosidade menos curiosa é a dos 3 Km’s zeros destas 3 estradas nacionais se encontrarem dentro de um circulo com 300 m de raio, quase juntos e a EN213 nasce na EN2 e a R314 nasce na EN213, ou seja, rodoviariamente falando, isto só prova que Portugal nasce em Chaves, estatuto que lhe é conferido pela EN2 que atravessa Portugal de Norte a Sul. Por último, referia no título o 3+1 Kms Zero de Chaves, pois além dos três já referido ainda temos outro, o Km zero da EN103-5, que começa no Lameirão e terminava na Fronteira de Vila Verde da Raia, hoje, outra curiosidade, termina na Galiza.

 

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Voltemos a São Julião a uma razão que seja para ser de visita obrigatória. Pois tem mais que uma razão para ser de visita obrigatória, mas há uma muito forte, a da sua Igreja, pois é uma que está nos roteiros obrigatórios das Igrejas Românicas.

 

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Num post anterior deste blog dedicado a São Julião dizia eu a respeito desta igreja:

“A igreja matriz de São Julião de Montenegro é um templo de traça românica onde ainda persistem muitos dos elementos arquitectónicos originais. Só a fachada principal, com uma orientação a Oeste, é que se encontra completamente descaracterizada por obras de restauro mais recentes, aliás obras a que tem estado mais ou menos sujeita ao longo dos tempos e ligadas a estragos causados por causas naturais, como o terramoto de 1755 (segundo alguns documentos) ou mais recentemente, atribuídas a um ciclone do início do século passado que muitas vezes é referido pela população mais idosa, ou mais recentes ainda, nos anos 80, por iniciativa do então padre da freguesia. Obras mais ou menos felizes que lá foram mantendo a cachorarrada  que testemunha a sua origem românica, bem como uma pequena porta que se rasga na parede norte do edifico e que curiosamente podemos ver repetida em desenho na Igreja de Moreiras, desenho onde se encontra reproduzida a famosa cruz usada pela Ordem dos Templários que neste caso seria já da Comenda da Ordem de Cristo, à qual pertenceu S.Julião.”

 

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A Igreja de São Julião de Montenegro está classificada como MIP - Monumento de Interesse Público pela Portaria n.º 740-EH/2012, DR, 2.ª série, n.º 252 (suplemento), de 31-12-2012.

Saliente-se que esta portaria veio repor o estatuto de interesse público que a Igreja de São Julião já tinha possuído e que indevidamente lhe tinha sido retirado em 2010.

 

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Na nota Histórico-Artística que consta na ficha da Direção-Geral do Património Cultural, a respeito da igreja de São Julião, pode ler-se o seguinte:

Povoado desde a Pré-história, como atestam as necrópoles, os testemunhos de arte rupestre, os povoados fortificados de altura (castros) da Idade do Ferro e as construções do período romano (calçada, ponte, barragem e villa) identificados até ao momento, numa comprovação da diversidade e da excelência dos recursos cinegéticos que dispunha às comunidades humanas que o percorriam e nele se fixavam, o território correspondente, na actualidade, ao concelho de Chaves confina, a Norte, com a Galiza, constituindo um dos seis municípios do 'Alto Tâmega'. 

 

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E continua:


De entre a multiplicidade de construções erguidas ao longo dos tempos faz parte a "Igreja Paroquial de São Julião de Montenegro", originalmente construída, ao que se supõe - pela análise da estrutura e das pinturas a fresco existentes na parede interior - , ainda no século XIII, inscrevendo-se, por conseguinte, na arquitectura românica da região, até que, em meados de oitocentos, a fachada principal adquiriu nova feição, destituindo-a da primitiva estrutura. 
Constituindo um dos templos melhor conservados de todo o termo administrativo de Chaves, a igreja preserva, no entanto, a maior parte do estaleiro românico. 

 

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E remata assim:


Composto de nave única (pavimentada com lajes graníticas), cabeceira e sacristia (adossada) de planta rectangular, o templo alberga capela-mor separada do restante corpo por arco quebrado com banda externa de enxaquetado apoiado em meias-colunas com capitéis decorados com motivos zoomórficos, ostentando pinturas a fresco nos dois lados da parede. A capela acolhe grande retábulo de talha dourada profusamente decorado - com tribuna escalonada e sacrário - contendo imagem de Sto. António, sendo, ainda, de destacar, a presença, no interior, de arcossólio na parede Sul com tampa sepulcral com cruz de Cristo. 
Acede-se à nave através de portal rectangular sobrepujado por óculo, ambos rasgados no alçado principal encimado por campanário de dupla ventana coroado com dois pináculos laterais e cruz central. No exterior, merecem especial destaque, a par de duas pias baptismais, talhadas em granito, as fachadas laterais Sul e Norte com cachorrada lavrada com elementos zoomórficos, antropomórficos ou com decoração em rolos e cornija em laços e/ou bolas. 
[AMartins]

 

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Penso que quanto à igreja, deixo documentação suficiente para justificar  a visita obrigatória a a São Julião de Montenegro, mas há mais, pois a aldeia, embora com algumas construções mais recentes que não se enquadram dentro do nosso gosto particular, mantém as suas características como aldeia típica transmontana, principalmente ao longo da rua principal que se inicia na rua da escola e termina no largo da Igreja, bem como ao redor desta, área hoje protegida que no entanto não corrige erros do passado.

 

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No largo da entrada da aldeia, onde se encontra a escola, existe o cruzeiro da aldeia com a sua escadaria elevada em relação ao pavimento do largo, o que lhe confere um ar mais interessante e alguma imponência.

 

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Existe também, numa rua transversal a rua da igreja que liga aos campos de cultivo da aldeia, uma fonte de mergulho que na altura do levantamento fotográfico me indicaram como sendo muito antiga. É notória uma intervenção mais recente em que o arco originalmente aberto e que dava acesso à fonte, foi tapado com blocos de cimento nos quais colocaram uma porta de ferro, retirando-lhe algum interesse. Penso que na altura me falaram também em certas estórias ou lendas ligadas à fonte, mas não o posso afirmar com certeza.

 

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Pela certa que haverá outros motivos de interesse que agora já não recordo, pois também São Julião foi uma das primeiras aldeias a fazer o levantamento fotográfico, isto já lá vão pelo menos 10 anos. Fui por lá mais recentemente mas com a missão mais nobre de acompanhar um amigo à sua última morada onde coincidiu despedir-me de outro pela última vez, um momento em nada apropriado quer para recolha de novas imagens ou para procurar motivos de interesse.

 

E é tudo!

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Consultas em: http://www.patrimoniocultural.gov.pt/en/patrimonio/patrimonio-imovel/pesquisa-do-patrimonio/classificado-ou-em-vias-de-classificacao/geral/view/71282 em 16-02-2019

 

 

13
Jan19

O Barroso aqui tão perto - Chã e São Vicente da Chã

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No “Barroso aqui tão perto” de hoje vamos até à Chã, ou melhor, até São Vicente da Chã, ou ambas, penso eu.

 

A passagem das aldeias do Barroso aqui pelo blog tem-se feito de maneira aleatória, isto porque alguma metodologia teria de seguir para as trazer aqui. Pensei inicialmente fazê-lo por ordem alfabética, mas para isso, na altura em que iniciámos esta rubrica, teríamos de ter o levantamento de todas as aldeias, o que não era o caso. Como sempre gostamos de ser surpreendidos, optámos por sortear a aldeia a estar aqui todos os domingos. Com alguma batota pelo meio, assim foi sendo. Acontece que a Chã calhou-nos em sorteio algumas vezes, mas tivemos de passar à frente e fazer novo sorteio, tudo isto porque desde início tive a dúvida de se a Chã e  São Vicente seriam duas aldeias, ou apena uma. Estudando a geografia do local e a proximidade daquilo que eu pensava ser São Vicente e a Chã, a distância entre ambas era tão pouca que me convenci ser apenas uma aldeia.

 

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Pois sendo então uma única aldeia, outra dúvida surgiu. Qual era afinal o topónimo da aldeia? Apenas Chã, apenas São Vicente ou São Vicente da Chã?  

 

Na verdade a Chã é toda uma pequena região que em termos toponímicos, vai aparecendo colada como apelido ao topónimo principal, tal como Travassos da Chã ou Castanheira da Chã, além de a Chã ser a freguesia de uma série de aldeia. Foi talvez por isso, o ser freguesia, que me induziu em erro ou dúvida, pois em princípio, sendo freguesia, seria também aldeia, mas não é obrigatório que assim seja. Aliás no concelho de Chaves acontecem alguns casos idênticos em que a freguesia não é aldeia, como é o caso da freguesia de Stº António de Monforte  à qual pertencem as aldeias de Curral de Vacas e Nogueirinhas.

 

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Assim, teremos mesmo de chegar à conclusão que aqui se passa o mesmo, ou seja, o topónimo da nossa aldeia de hoje será São Vicente da Chã, em que a Chã é também freguesia e região. Pois é por aí que vamos hoje, com fotografias de São Vicente da Chã mas aproveitando para falar um pouco de toda a freguesia e desta pequena região dentro do Barroso que dá pelo nome de Chã.

 

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São Vicente da Chã é uma velha conhecida minha que vem do tempo em que aí me apeava da carreira Chaves-Braga para apanhar a ligação para Montalegre. Se bem recordo penso que assim passou a ser a partir de meados dos anos 70, pois antes recordo também que o apeadeiro e ligação a Montalegre se fazia a partir do Barracão para depois seguir via Gralhós.

 

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Mas vamos então à Chã (região e freguesia) para depois ficarmos nos pormenores de São Vicente da Chã.

 

Ora a Chã, como o seu significado indica:

 

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(latim plana, feminino de planus-a-um, plano, liso, uniforme, chato, fácil)

- Chão

 - plano ou extensão plana de terra.

- planície; planura; chapada; chada

- planalto

 

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E de facto assim é, todas as aldeias que pertencem à freguesia da Chã estão em terras pouco acidentadas, em planalto a rondar a cota dos 900 metros de altitude. Conhecendo a região, penso mesmo que a Chã (região) vai muito além dos limites da freguesia e bem se poderia estender para todo o planalto do Larouco e outras freguesias vizinhas que estão todas em terra de planalto na cota aproximada dos 900m de altitude

 

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Quanto à freguesia da Chã e segundo consta na página oficial do Município de Montalegre, temos o seguinte:

 

Ainda ostenta evidentes vestígios da sua importância constante nos tempos medievais e clássicos.

Cinco das suas doze povoações receberam a visita da estrada Romana – a XVII do Itinerário de Antonino: Penedones (Santo Aleixo), Travaços, São Vicente, Peireses e Gralhós. Pouco mais jovem que a via Romana é a ara que recentemente se achou em São Vicente – sinal inequívoco de que no outeiro (altarium) onde o cristianismo ergueu o templo românico, séculos antes, os povos que nos antecederam, aí adoravam o seu “Deus Óptimo Máximo”.

O mesmo lugar foi também do interesse dos reis de Portugal que o ofereceram como comenda às freiras de Santa Clara com mais duas freguesias anexas, num total de dezasseis povoações. O actual templo da freguesia é bem digno da mais atenta visita devido à obra patente dos Pintos de Donões, exímios artistas de Barroso.

 

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Outros dados da freguesia:

- Área: 51 km2

- Densidade Populacional: 14.7 hab/km2

- População Presente: 752

- Orago: S. Vicente

- Pontos Turísticos: Igreja Românica e Inscrição votiva a Júpiter (S.Vicente); Ponte Velha (Peireses); Sepulturas Antropomórficas e Ara (Penedones); Via Romana (Gralhós); Cascata de Fírvidasl; Parque de lazer de Penedones.

- Lugares da Freguesia (12): Aldeia Nova, Castanheira, Fírvidas, Gorda, Gralhós, Medeiros, Peireses, Penedones, São Mateus, São Vicente, Torgueda e Travaços da Chã.

 

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Pois aqui nos pontos turísticos, penso que são muito modestos e bem lhe poderiam acrescentar outros tantos, mas há pelo menos mais três pontos turísticos ou de interesse que seria obrigatório mencionar, deixando a paisagem natural de parte. Pois esses três pontos são: a Barragem dos Pisões; a gastronomia (restaurantes);  e as duas aldeias dos colonos (Aldeia Nova e S. Mateus), sem esquecer, claro, a arquitetura tradicional transmontana/barrosã das restantes aldeias.

 

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São Vicente da Chã

Ainda antes de entrarmos nos pormenores, fica um conselho ou alerta – Não se deixe levar a crer que São Vicente da Chã é aquilo que vê desde a Estrada Nacional 103 ou da estrada que liga esta a Montalegre, pois não é assim, aí apenas verá o que é mais recente. As suas preciosidades, estão mesmo na e à volta da sua Igreja Românica, mas para isso, terá de sair da estrada nacional, tomar a estrada secundária (M509-1) e 250m à frente, abandonar esta última, virando à esquerda até chegar à Igreja Românica a apenas 150m. Aí sim, temos tudo, a cereja e o bolo.

 

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Quanto à igreja Românica, para mim, é uma das mais interessantes que o Barroso tem, e nem sequer vimos o seu interior. Principalmente o enquadramento, mesmo com a torre sineira separada da igreja a esconder a sua fachada principal, ou será antes, com a torre sineira separada, mas a fazer parte da fachada principal da igreja.

 

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Como dissemos não é só a igreja Românica, mas também o seu enquadramento e casario à sua volta logo seguido da exuberância do verde barrosão, que quando é verde é mesmo verde, cheio de frescura que as terras com água lhe dão. Neste conjunto, mais uma pérola do Barroso, apenas um reparo. Tal como diz o povo, no melhor pano cai a nódoa, e esta lá está, em forma de telhado em fibrocimento na construção mesmo em frente à igreja (15m). Não é por nada, mas destoa do conjunto, no entanto é de fácil reparo e ouro sobre azul, no reparo, era o telhado retomar a sua cobertura original, o colmo, nem que fosse e só para memória futura ou para a história das coberturas de colmo. Claro, eu sei que se trata de uma construção particular e que (talvez) não se possa exigir tal ao seu proprietário, mas aqui, como o interesse até é público e turístico, as pessoas são sensíveis a alterações e o Município, através ou com a Junta de Freguesia, poderiam e deveriam contribuir para a substituição e preservação do espaço envolvente da igreja.   

 

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Depois deste pequeno conjunto que não é mais que o centro histórico de São Vicente da Chã, temos a paisagem, com muito verde, sobretudo de lameiros limitados por estremas de arvoredo autóctone, principalmente na baixa que liga à aldeia de Torgueda da Chã. Mais além, já na estrada que liga a Montalegre, outro tipo de cultivo, menos verde. Também nesse trajeto, um monumento religioso chama a atenção de quem passa.

 

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O tal monumento, de construção recente, de um lado, no canteiro relvado, numa placa tem inscrito “Grande Jubileu – Ano 2000” e do outro lado, noutra placa, uma mensagem religiosa: “Mistério da fé para a salvação do mundo! / Glória a vós que morrestes na cruz e agora viveis para sempre. Salvador do mundo, salvai-nos, vinde Senhor Jesus”

 

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Vamos agora ao itinerário para chegar até São Vicente da Chã, como sempre a partir da cidade de Chaves e que não tem nada que enganar, pois fica mesmo junto à Estrada Nacional 102 que liga Chaves a Braga. Por curiosidade o nosso itinerário de hoje é idêntico ao do último fim de semana onde mais uma vez optamos pelas estradas secundárias em vez da estrada nacional, ou seja, via São Caetano/Soutelinho da Raia, Meixide após a aldeia outra pela estrada da esquerda até Serraquinhos, passar ao lado de Viade tomar a direção do Barracão e estramos na EN103 em direção a Braga, logo a seguir temo a Aldeia Nova do Barroso e um pouco mais à frente São Vicente da Chã. Mas fica o nosso mapa para melhor orientação.

 

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Vamos agora ao que dizem os livros e documentos.  Iniciando pelo livro “Montalegre”:

 

“Sinais dos tempos”

Vários outros monumentos da romanização se descobriram e permanecem cá testemunhando a sua origem e finalidade: marcos miliários em (Padrões, Currais, Travaços e Arcos) aras romanas em (Vilar de Perdizes, Pitões e São Vicente da Chã) estelas funerárias (Vila da Ponte/ Friães), o célebre Penedo de Rameseiros (Vilar de Perdizes) e outros.

 

Padre José Adão dos Santos Álvares (séc. XIX) nasceu no Cortiço, filho do anterior, em 1814. Foi correspondente muito conceituado de vários jornais e revistas do Porto, Braga e Lisboa. Foi pároco de São Vicente da Chã, onde jaz, e arcipreste de Montalegre. Descreveu com realismo os últimos momentos de vida de José Fernandes, o Bagueiro, último condenado à morte em Barroso, que subiu ao cadafalso em 17 de Setembro de 1844.

 

O vale do Regavão, que bordeja a freguesia pelo sul e nascente, dá passagem à via prima, aqui assinalada por um miliário gigante que depois se transformou na cruz de Leiranque. Não longe desse local houve um pisão – que passou a topónimo da barragem e mais acima a antiquíssima Vila de Mel, provavelmente a primeira “statio” (São Vicente da Chã seria a segunda ) entre as cidades de “Praesidium” e “Caladunum” – “mansiones” da dita via imperial.

 

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Quanto à “Toponímia de Barroso” temos o seguinte:

 

CHÃ

É um corónimo: nome de uma região!

Chã, como já se disse (veja Cabril) vem do adjectivo latino PLANA > CHÃ, o que implica subentender  um substantivo terra ou seara: terra chã!

 

Quanto a S.Vicente na mesma obra temos:

 

SÃO VICENTE teve culto remoto. O célebre mártir de Saragoça já gozava honras de templo importante e antiquíssimo na própria cidade de Braga. Diz o ignorado mas interessante sabedor, Almeida Fernandes, em “Cadernos Vianenses” TV (1980) pp.285, que os cultos antigos (como S. Vicente) vieram substituir cultos pagãos.

-1258, «in collatione Sancti Vicencii de Chaa» INQ 1517.

Em S. Vicente da Chã foi encontrada uma ara dedicada ao deus olimpo Júptiter Óptimo Máximo, em 2004, o que vem confirmar o que Almeida Fernandes afirma. São Vicente é o orago da extensa freguesia da Chã que, com suas anexas de Morgade e Negrões, constitui Comenda das Clarissa de Vila do Conde. Também é orago de Contim e de Campos (esta, depois de desmembrada de São Martinho de Ruivães) e foi-o  da antiquíssima freguesia extinta que teve o nome de São Vicente d’ O Gêres, junto de Pitões e a que estupidamente vão chamado Juríz.

 

1600-s-vicente (31)

 

Na “Toponímia Alegre” incluída na “Toponímia de Barroso”, temos o seguinte:

 

Chã – São Vicente

Ruim sítio, ruim gente,

Coelheiros de Medeiros,

Ciganos os de Peireses,

Pretinhos de Travaços de Chã,

Cruz-veigas de Gralhós,

Viajantes de Penedones,

Carvoeiros de Castanheira,

Torgueiros de Torgueda,

De Fírvidas são salta-pocinhas e

Arranca-torgos de Codessoso da Chã.

 

1600-s-vicente (1)

 

E ficamos por aqui. Ficam ainda as habituais referências às nossas consultas e dizer-vos que as abordagens que já fizemos às aldeias e temas de Barroso estão agora no menu do topo do blog, mas também nos links da barra lateral. Se a sua aldeia não está lá, em breve passará por aqui, num domingo próximo, e se não tem muito tempo para verificar se o blog tem alguma coisa de interesse, basta deixar o seu mail na caixa lateral do blog onde diz “Subscrever por e-mail”, que o SAPO encarregar-se-á de lhe mandar um mail por dia com o resumo das publicações, com toda a confidencialidade possível, pois nem nós teremos acesso à vossa identidade e mail.

 

1600-medeiros (4)

 

BIBLIOGRAFIA

BAPTISTA, José Dias, Montalegre. Montalegre: Município de Montalegre, 2006.

BAPTISTA, José Dias, Toponímia de Barroso. Montalegre: Ecomuseu – Associação de Barroso, 2014.

 

WEBGRAFIA

- "chã", in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2013, https://dicionario.priberam.org/ch%C3%A3 [consultado em 13-01-2019].

-   https://www.infopedia.pt/dicionarios/lingua-portuguesa/ch%C3%A3 (Consultado em 13-01-2019)

- https://www.cm-montalegre.pt/pages/451 (Consultado em 13-01-2019)

 

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