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CHAVES

Olhares sobre o "Reino Maravilhoso"

14
Out18

O Barroso aqui tão perto - Friães (com um vídeo)

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Há coisa de um ano, mais precisamente no dia 16 de outubro do ano passado deixámos aqui em “O Barroso aqui tão perto” a aldeia de Friães (https://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-friaes-1594850). Hoje regressamos lá, não por ser o aniversário da publicação, mas por um vídeo que vi esta semana e que me encheu as medidas. Claro que não podia deixar de o partilhar aqui, pois merece ser visto. Espero que gostem e mais uma vez parabéns ao autor.

 

 

 

 

 

 

06
Out18

Rebordondo - Chaves - Portugal

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Seguindo a metodologia desta nova ronda pelas aldeias de Chaves, ou seja, a ordem alfabética, hoje toca a vez a Rebordondo, por sinal uma aldeia que tem sido nossa convidada com alguma frequência, e se isso acontece, alguma razão haverá para tal, pois não temos qualquer ligação em particular com ela. Vamos saber algumas dessas razões.

 

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Pois no geral será por ser uma aldeia que ainda mantém a integridade de uma aldeia tipicamente transmontana, sem grandes atentados no seu interior e onde o casario tipicamente tradicional convive com casario mais nobre e solarengo. É uma aldeia ainda com alguma vida, pois que recorde das vezes que fui por lá ou por lá passei sempre vi gente nas ruas e vida diária no trabalho dos campos. Só por isto já é uma aldeia convidativa para alguns registos fotográficos ou uma visita, mas há mais.

 

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Pormenores ou motivos que fazem a diferença temos a igreja, o conjunto da fonte de mergulho e tanque, o Solar dos Braganças, fontes e bebedouros públicos, alminhas, etc, mas o destaque, talvez possa ir além do que é património arquitetónico e centre no seu património associativo/cultural/social/artístico, com aquela que dá pelo nome de Bnada Musical de Rebordondo.

 

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Deixamos aqui um extrato daquilo que encontrámos na página desta coletividade:

 

Pois também desde sempre esta Banda musical existe. Não será bem desde sempre, mas pelo menos na aldeia, já não há memória do início da sua existência. Diziam-me na aldeia, que já quando nasceram os seus  avós, a Banda já existia, e que a estes, os pais, também lhe contavam que a Banda sempre existiu.

    Então e mesmo sem memória de uma data de início desta Banda Musical, sem uma data comemorativa, podemos afirmar que será a Banda Musical mais antiga do concelho e pelas contas feitas na aldeia, terá mais de 300 anos. Uma terra de músicos, portanto, com músicos em todas as gerações das famílias da aldeia.



Ler mais: https://banda-rebordondo.webnode.pt/nossa-historia/

 

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Para além daquilo que atrás já deixámos, temos os pormenores que eu deixo aqui em três imagens. Estes, quase aleatoriamente escolhidos, mas poderiam ser muitos mais, mas digamos que nestes temos um resumo de três “reinos” – o animal, o vegetal e o outro deveria ser o mineral, e de certa forma até o é, mas já transformado e aplicado, chamemos-lhe o “reino” arquitetónico. Apenas pormenores, claro está.

 

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Também em termos de apreciação e natureza, há a considerar o fértil planalto que ainda vai sendo cultivado que remata naquele que, atrevo-me a dizer, é a maior mancha atual de floresta do concelho de Chaves, toda de pinheiros, mas que felizmente tem escapado ao flagelo dos incêndios. Sem ter certeza no que vou afirmar, penso e parece-me que a limpeza, a exploração de resina e os postos de trabalho que aquela mancha de floresta vai garantido através da Comissão de Baldios, tem-na protegido.

 

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Mais uma vez não tenho a certeza do que vou afirmar, nem tempo para investigar sobre o assunto, mas recordo haver uma referência a um imponente carvalho centenário existente na quinta do Solar dos Braganças que pela sua imponência era assinalado como uma referência nas cartas militares. Penso que ainda existe e até onde se localiza, mas como são assuntos que remontam ao meu primeiro levantamento fotográfico e documental que fiz da aldeia em 2009, e a minha memória já não regista tudo, dou lugar à dúvida.

 

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Na realidade também as fotos que hoje vos deixo são de arquivo e parte delas tomadas em 2009 e outras em 2014, exceção para a foto da banda de música que recolhi na sede da banda, da qual desconheço a autoria e a data, mas suponho não ser muito antiga, talvez dos anos 60 ou 70, isto a julgar por algumas pessoas que estão nela retratadas.

 

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Muito mais haveria para dizer sobre Rebordondo e muita coisa já foi dita aqui no blog ao longo destes quase 14 anos da nossa existência, apontamentos que fui deixando em alguns posts que dediquei à aldeia e que pela certa o algoritmo utilizado pela SAPO irá selecionar alguns para rodapé deste post, mesmo assim deixo aqui um link para um post anterior:

https://chaves.blogs.sapo.pt/410825.html

 

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Também em termos de links deixo aqui outro para uma página nofacebook dedicada à Banda Musical de Rebordondo

https://www.facebook.com/pages/category/Musician-Band/Banda-Musical-de-Rebordondo-496372217133782/

Mas também recomendo uma visita Rebordondo que poderá complementar com uma visita a Casas Novas e a Redondelo, àquilo que eu costumar chamar a rota dos solares, dá para uma tarde bem passada onde se podem apreciar aquilo que de melhor o nosso concelho tem em casario solarengo. Uma proposta para a manhã ou tarde deste domingo, aqui mesmo ao lado da cidade de Chaves.

 

 

01
Set18

Póvoa de Agrações - Chaves - Portugal

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Na ronda de hoje pelas nossas aldeias do concelho, seguindo a metodologia utilizada até aqui de seguir a ordem alfabética, hoje toca a vez a Póvoa de Agrações.

 

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Antiga sede de freguesia, à qual pertenciam as aldeias de Fernandinho, Pereiro de Agrações, Agrações e Dorna, com a última reforma administrativa das freguesias foi agregada à de Loivos, passando a ser União de Freguesias de Loivos e Póvoa de Agrações.

 

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Nesta nova ronda por todas as aldeias do concelho, Póvoa era a única que faltava aqui passar da antiga freguesia, que tal como as restantes, é uma aldeia de montanha e no limite do concelho de Chaves, tendo como vizinhos os concelhos de Valpaços e Vila Pouca.

 

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Terras da castanha, onde é comum encontrarem-se soutos centenários com imponentes castanheiros, sendo o principal rendimento dos os que ainda resistem como habitantes, pois sendo aldeias de montanha e simultaneamente longe da sede de concelho, o convite à partida foi aceite pela maioria.

 

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Sendo aldeia de montanha, é também sinónimo de pertencer a terras altas que a par da aldeia da Dorna, eram as mais altas da antiga freguesia e continuam a ser na atual freguesia, próximas dos 900 metros, sem os atingir.

 

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E terras altas são também sinónimo de invernos rigorosos mas também de poderem lançar vistas mais além, pois como todas também estas aldeias são implantadas nos pontos mais altos, deixando as terras mais baixas e também mais protegidas para terrenos agrícolas.

 

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Sofrem com os invernos mas gozam com as vistas, isto se os céus estiverem limpos, sei que não serve de consolo para o rigor do inverno mas pelo menos podem servir para o da vista a lançar olhares para horizontes distantes, quase sempre para o lado dos sonhos…

 

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Ficam hoje nove imagens que escaparam às anteriores seleções nas vezes em que a Póvoa já passou por este blog. Imagens de duas ou três idas lá em recolha de imagens, não muitas, pois a aldeia também não é grande, mas pelo menos com algumas que dão para termos uma ideia do ser da Póvoa de Agrações  

 

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Claro que quando terminarmos esta ronda, iniciaremos outra nova, com algumas alterações pensadas, o que nos obrigará a ir por lá de novo, mas isso ainda está em projeto e também ainda só vamos na letra P da ordem alfabética. Quero com isto dizer que ainda não vai ser para já, mas lá iremos.

 

 

 

26
Ago18

O Barroso aqui tão perto - Pondras

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O nosso destino de hoje no “Barroso aqui tão perto” é a aldeia de Pondras, que até terem inventado aquela da reorganização administrativa em 2013, era também freguesia, hoje agregada à freguesia da Venda Nova, ou seja, hoje pertence à União de Freguesias de Venda Nova e Pondras. Assim, é natural que ao longo deste post, quando me referir a Pondras, tanto o esteja a fazer em relação à aldeia como à antiga freguesia.

 

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Iniciemos pela sua localização, uma das aldeias cujo território tinha um dos seus limites no rio Rabagão, margem esquerda, mais precisamente onde a barragem da Venda Nova tem o seu início, mesmo junta à EN103 que atravessava toda a freguesia e que servia as restantes aldeias da freguesia (São Fins, Ormeche e Pai(o) Afonso).

 

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Se recuarmos no tempo, Pondras esteve sujeita a outras alterações administrativas. Segundo o Arquivo Distrital de Vila Real, Pondras foi abadia da apresentação da mitra no termo de Montalegre. Pertenceu ao concelho de Ruivães até à extinção deste, em 31 de Dezembro de 1853, altura em que transitou para o de Montalegre. Em 1839, surge na comarca de Chaves e, em 1862, na comarca e concelho de Montalegre. A paróquia de Pondras pertence ao arciprestado de Montalegre e à diocese de Vila Real, desde 22 de Abril de 1922. O seu orago é São Pedro Fins.

 

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Em termos de população a antiga freguesia atingiu o seu auge em 1960, com 513 habitantes, população essa que vinha crescendo desde 1864 com 287 habitantes. A partir de 1960 a linha de tendência é decrescente e tem-se mantido ao longo dos CENSOS, tendo atingido em 2011 os 131 habitantes, e se a linha de tendência se mantiver nos próximos CENSOS, dentro de 20 anos não terá qualquer habitante. O problema é que qualquer que seja a medida a tomar para travar o despovoamento rural, já vai ser tardia, pois tenho a impressão que já se ultrapassou o ponto crítico de não retorno.

 

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Só um aparte a respeito do Brasão da antiga freguesia de Pondras, pois achei curiosas as figuras do escudo, principalmente a das chaves, uma a ouro e outra a prata. Curiosas por serem comuns às da cidade de Chaves (rio, ponte e chaves). Sei que deve ser apenas coincidência. Tentei ver o significado das figuras mas não consegui. Se alguém souber, por favor, digam-nos, num comentário aqui no blog, no facebook,  ou por e’mail, tanto faz.

 

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Dizem que a história ao longo dos tempos se vai repetindo, pois cá pra mim não tardará muito e teremos no Barroso e um pouco por todo Trás-os-Montes uma nova medida tipo as “aldeias jardim” de Salazar, tal como foram apelidadas as aldeias novas dos colonos e que o concelho de Montalegre até tem algumas, que a Junta de Colonização Interna levou a efeito em meados do século passado. Só temo é que os novos colonos não sejam trabalhadores da terra, mas antes exploradores da terra,  e que em vez de pequenos baldios dados à exploração de famílias, sejam dadas regiões à exploração de grandes empresas e indústrias, supostamente portuguesas ou chinesas, tanto faz. O futuro o dirá, e não irá tardar muito…

 

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E já que abordámos a localização de Pondras e um pouco da sua História, é tempo de fazermos o(s) nosso(s) itinerário(s) para lá chegar. No último fim de semana deixámos aqui uma nova forma de abordar este assunto, ou seja, deixámos um caminho para ir e outro para vir. Hoje vamos fazer o mesmo, e podem considerar fazer os percursos ao contrário, pois tanto faz.

 

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Pois como podem ver no mapa que atrás deixámos, a nossa partida, como sempre da cidade de Chaves é feita pela estrada de Braga, a EN103, será esta que nos levará direitinhos até Pondras, pois basta não sair dela que ao quilómetro 63,7, mais metro menos metro, estaremos em Pondras. Se é dos que cumpre as regras de velocidade, demorará pouco mais de 1 hora a chegar lá. Claro que se vai em passeio, e gosta de ir parando pelo caminho, o que recomendo sempre que a coisa seja interessante, demorará mais, mas às vezes compensa. A proposta do regresso é via Boticas, pelo que deverá continuar mais umas centenas de metros pela EN103 até à Venda Nova, aí deverá virar à esquerda em direção a Salto, a entrada desta apanhar a EN311 até Boticas, a seguir Sapiãos e estamos de novo na EN103, agora em direção a Chaves.

 

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Mas regressemos a Pondras e aos seus traços culturais de aldeia, com sabores e saberes, tradições, crenças e tudo que fazem o ser de uma aldeia, traços que cada vez mais apenas têm significado na resistência do seu povo e no testemunho, ia dizer vestígios, mas ainda podemos ficar pelos testemunhos, físicos, que vão ficando para memória futura, tal como sejam algumas construções dedicadas à comunidade (capelas, igrejas, tanques e fornos do povo, chafarizes, alminhas, etc.), e que Pondras também tem, e até com alguma abundância e singularidade, como é o caso dos canastros e das alminhas, uma delas lindíssima e muito bem enquadrada. Fica a imagem:

 

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Mas nem todas são ou estão assim, pois há as que são obrigadas e desprezadas pela agressividade da modernidade. Não bastam os fios e postes elétricos ou de comunicações que são colocados sem o mínimo de respeito pelas populações e por algumas coisas que as aldeias têm de melhor (igrejas, capelas, cruzeiros, etc.), como na colocação de outros equipamentos, do lixo no caso, tiram toda a dignidade àquilo que até é património de Portugal, as alminhas, como estas que deixo a seguir. Poder-se-á dizer que é mais uma para aquelas do “Portugal no seu melhor”. Ficam as imagens:

 

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É, gostamos de mostrar aquilo que as aldeias ainda têm de interessante, mas muitas das vezes somos privados de o fazer, pois acontecem coisas destas que são verdadeiros atentados à dignidade das aldeias. Pela certa que não faltariam locais mais apropriados para a colocação destes pequenos mamarrachos cuja companhia não agrada a ninguém, eu sei, mas as alminhas, por não se queixarem, não têm culpa. Desta vez não resisti e tive de trazer aqui as imagens que ficaram atrás.

 

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Que não sejam estas imagens as que manchem a imagem de Pondras. São de lamentar, mas têm solução e Pondras são muito mais, é uma aldeia interessante, quer na sua intimidade quer na sua beleza vista a alguma distância. Também as vistas que desde a aldeia se alcançam, recomenda-se a quem gosta de paisagens que vai mudando conforme a distância, mas onde predominam o verde e o azul, quer o do céu, quer o da terra que as montanhas mais distantes oferecem ou o reflexo das águas das albufeiras.

 

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E agora é aquela parte dedicada às nossas pesquisas, em que vasculhamos nos livros, nos documentos e na internet aquilo que se diz sobre as aldeias que vistamos. Claro que vamos sempre ao livro Montalegre, penso que lhe posso chamar monografia de Montalegre, onde encontrámos:

Vestígios de estilo românico nas Igrejas de S. Vicente da Chã, Viade e Tourém. É justo salientar que diversas outras igrejas datam dos primeiros tempos da monarquia e seriam incluídas nesse estilo. Acontece que foram sofrendo remodelações – muitas vezes a fundamentis – que as descaracterizaram. A última grande febre dos arranjos deu-se nos princípios do século XVIII e, por isso, os edifícios exibem datas dessa altura. Por exemplo: Pondras -17; Santo André- 1813; Vila da Ponte – 1710, etc.

 

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E continua:

Os cruzeiros são mais de 60 e se lhes juntarmos os calvários ainda existentes com as cruzes das estações da via sacra serão três vezes mais. Destacam-se o de Salto, Pondras, Mourilhe, Codessoso de Meixedo, de Montalegre, o da Interdependência da Vila da Ponte, Negrões, Meixedo, Sabuzedo, Santa Marinha, Santo André, Penedones, Antigo de Serraquinhos, Sezelhe, Travasços do Rio, Vila da Ponte, Bustelo e Parafita!

Pois esta imagem do cruzeiro escapou-nos, não sei porque razão, mas não a temos, talvez não o tivéssemos visto, o que é estranho ou então algum coisa, obstáculo ou outro nos impediu de tomar a imagem. Lamento mas não a tenho.

 

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E na página dedicada à freguesia de Pondras diz o seguinte:

Ocorre evidente discrepância sobre o hagiotopónimo desta freguesia. As inquirições de 18 tratam-na, e bem, por Santo Fins; o Catálogo de todas as Igrejas, 130, (reinado de D. Dinis) chamam-lhe, e mal, São Félix. Mais recentemente, voltámos, e bem, ao chamadouro correcto que é São Pedro Fins de Pondras. É provável que a confusão derive do tratamento dado na arquidiocese ao problema de São Pedro de Rates, dito primeiro bispo-fundador da Igreja de Braga, ou a D. Pedro, primeiro bispo-refundador da Igreja de Braga. De todo o modo, em Pondras, fazem festa ao príncipe dos Apóstolos, em 9 de Junho. É um caso significativo o modo de povoamento verificado visto que as principais povoações da freguesia, Pondras e Ormeche estão algo distantes do local da Igreja, por acaso (ou talvez não) junto do outeiro que foi um castro e onde demora a povoação de São Fins. (é esta a verdadeira grafia do hagiotopónimo que dá nome ao lugar onde se situa a igreja).

No cabeçalho do artigo, nos pontos de interesse, também se fala num relógio de sol em Pondras, a nossa objetiva também não o viu. Mais um lamento.

 

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Quanto à Toponímia de Montalegre, ao respeito da aldeia, diz o seguinte:

 

Pondras

Desde 2013 – União das Freguesias de Venda Nova e Pondras

Vem de “PONDERA” < PONDRA ou POLDRA. Este L de Poldra aparece por acção da reversa R: é o que se chama uma assimilação imperfeita.

Alguns toponimistas (eventuais imitadores de poldros e semelhantes raças cavalares) propõem para Poldras o radical de Poldra com o significado de égua jovem. Evidente ridiculez. Acontece que o nosso topónimo:

- 1258 Ponderas INQ 1513 explica claramente o latino neutro do plural (aqui tido por singular) pondera > pondra, com significado de peso (pondus). O facto de ser plural singularizado ajuda a ver que se trata de pedras separadas e pesadas para atravessar correntes de água. Os árabes arabizaram, como se esperava, o vocábulo e meteram-lhe o artigo al que também aceitamos. O caso das poldras é muito encontrável na evolução fonética (sem qualquer intervenção arábica) por influência das consoantes r e l como acima se disse.

Este nome justifica-se perfeitamente porque toda a freguesia se encontra situada na margem esquerda do Regavão e que só podiam atravessar em pedras passadeiras visto que não possuíam ponte. Talvez por isso a freguesia que é tão pequena se institui tão cedo.

 

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Ainda antes de entrámos na Toponímia Alegre que é parte integrante da Toponímia de Barroso, queria aqui fazer um aparte a este respeito. Como devem reparar, limito-me a citar aquilo que vem escrito na “Toponímia de Barroso”, por curiosidade, porque sempre gostei de saber a origem dos topónimos, ou nomes dos nossos lugares, no entanto não quer dizer que concorde, aceite ou valide tudo o que se lá diz, mas como é uma citação, limito-me a citar. Longe de mim de ser ou pretender ser um “toponimista”, mas parece-me que muitas das vezes o topónimo nada tem a ver com o significado que se vai buscar à origem da palavra que faz o topónimo. Parece-me e conheço muitos casos em que assim não é, mas, claro, temos que dar sempre o benefício da dúvida, ou então dizer como Firmino Aires, na Toponímia Flaviense a respeito dos argumentos utilizados por  J.L. de Vasconcelos, no Archeologo Português, sobre o topónimo da Rua da Trancada em Chaves, quando termina a sua citação dizendo: “… Os investigadores que o confirmem ou o refutem”.   Subscrevo esta!

 

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E na Toponímia Alegre temos o seguinte:

 

Pondras (Memórias Paroquiais de 1758):

(Sobre os habitantes)

“…lavradores de baixo bordo e limitada esfera mas soberbos, quase todos lagareiros de azeite em terras dos Alentejos e todos homens de alforge.”

Abade Miguel Vieira

 

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E continua:

Entre Pondras e Ormeche

Andam melros no namoro:

Eu levo por todo o lado

Saudades, amor e choro.

 

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E quase para finalizar. Sobre a aldeia de Pondras, encontrei uma página no facebook pertencente à “Associação Pondras em Movimento” e ao que parece é mesmo para por em movimento a população de Pondras, pelo menos a crer naquilo que a associação diz ter por missão: “Promover eventos de confraternização entre a povoação local”  e pela foto do cabeçalho, parece-me ter muita gente jovem. Esperemos que estes jovens ao partirem, deixem outros no seu lugar, porque sou dos que ainda acreditam neste tipo de associações sem fins lucrativos, embora, infelizmente, não costumem ter apoios ou ser acarinhadas por quem deveria ter esse dever. Não sei se é o caso, mas há algumas que conheço que assim é.  Fica o link para a página da associação no facebook: https://www.facebook.com/Associa%C3%A7%C3%A3o-Pondras-em-Movimento-148801851850059/

 

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E ficamos por aqui. Ficam ainda as habituais referências às nossas consultas e dizer-vos que as abordagens que já fizemos às aldeias e temas de Barroso estão agora no menu do topo do blog, mas também nos links da barra lateral. Se a sua aldeia não está lá, em breve passará por aqui num domingo próximo, e se não tem muito tempo para verificar se o blog tem alguma coisa de interesse, basta deixar o seu mail na caixa lateral do blog onde diz “Subscrever por e-mail”, que a SAPO encarregar-se-á de lhe mandar um mail por dia com o resumo das publicações, com toda a confidencialidade possível, pois nem nós teremos acesso à vossa identidade e mail.

 

BIBLIOGRAFIA

 

BAPTISTA, José Dias, Montalegre. Montalegre: Município de Montalegre, 2006.

BAPTISTA, José Dias, Toponímia de Barroso. Montalegre: Ecomuseu – Associação de Barroso, 2014.

 

 

WEBGRAFIA

 

https://digitarq.advrl.arquivos.pt/details?id=1067634

 

 

 

 

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25
Ago18

Polide - Chaves - Portugal

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E porque hoje é sábado e os nossos destinos de fim de semana são sempre para o mundo rural das aldeias do nosso concelho ou região, hoje vamos fazer uma breve passagem por Polide, do concelho de Chaves, mas mesmo a queimar o limite do concelho, pois as terras de Valpaços surgem ao fundo do caminho, as uns escassos 200m e também não muito longe das terras de Vinhais, estas a perto de 4Km, tendo ainda a aldeia de Parada pelo meio.

 

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Uma breve passagem por Polide porque a aldeia também é muito breve, ou seja, pequena, é uma das mais pequenas do concelho, com cerca de vinte casas, e a maioria de construção mais recente, aparentemente construídas durante o último quartel do século 20, pois o seu núcleo histórico, mais antigo, parece resumir-se a 7 ou 8 construções, mas nem todas eram habitações.

 

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Uma aldeia pequena mas que vai tendo um pouco de tudo que uma aldeia costuma ter. Uma pequena capela, um tanque público e cemitério, sofrendo também da maleita que agora vai sendo comum a todas as aldeias, e nesta nota-se muito mais – o despovoamento, tendo todas as condições e convites para o despovoamento total.

 

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Em recolha de imagens fui por lá quatro vezes, sempre na esperança de arranjar novos motivos ou de ver por lá vida. Pessoas, só da primeira vez que lá fui é que as vi. Numa segunda vez em visita mais demorada, não vi vida humana, apenas um bode que se mostrava espantado e admirado com a nossa presença, não tirando de nós o seu olhar, mas isso já foi há uns bons anos, pois a última vez que passei por lá já foi há 10 anos. Fora isso, só um rebanho que vimos a caminho da aldeia, mas também não vimos o pastor.

 

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Aldeia pequena também oferece poucos motivos para fotografar, assim ficamos por aqui, mas ainda há espaço para referir que em redor da aldeia são campos de cultivo, com a vinha a marcar uma forte presença, vai aparecendo também a oliveira e outras árvores de fruto. Polide já tem ares de Terra Quente, localizada num pequeno planalto a rondar os 600m de altitude, já vai assumindo as características de terras de Valpaços, aliás as povoações mais próximas são valpacenses (Ferreiros, Lebução e Vilartão).

 

 

18
Ago18

Peto de Lagarelhos, Chaves, Portugal

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Depois de uma pequena pausa nas idas às nossas aldeias, cá estamos de novo com mais uma, ou talvez apenas um lugar, um cruzamento – o Peto de Lagarelhos.

 

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Um lugar de passagem e destinos da nossa EN314. De facto, é nesse cruzamento que temos de optar e decidir se continuamos a subir a serra, continuando pela EN314 até terras de Valpaços (Carrazedo de Montenegro), ou mais além (Murça) por onde podemos também subir ao planalto da Serra do Brunheiro e a algumas freguesias de montanha (Nogueira da Montanha, Moreiras e Santa Leocádia), aparentemente apenas três freguesias, mas às quais pertencem 22 aldeias.

 

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Pois no mesmo Peto de Lagarelhos em vez de subirmos a serra, podemos optar por descer ao vale da Ribeira de Oura/Vidago por uma das estradas mais interessantes de Portugal. Pois para quem não sabe, esta estrada inicia-se em Fafe e termina aqui, no Peto de Lagarelhos. É uma estrada interior entre estradas nacionais principais, que atravessa o concelho de Cabeceiras de Basto, o de Montalegre e Boticas (Salto-Boticas) para entrar no concelho de Chaves pela Praia de Vidago, atravessa a Vila de Vidago (num troço comum com a EN2) de onde continua para Vila Verde de Oura, Loivos e Peto de Lagarelhos. É uma das principais vias do concelho de Boticas.  Todo o itinerário desta estrada é de encantar, todo em montanha, passando por alguns vales e planalto, e é a partir dela que se pode conhecer grande parte do Barroso, aliás foi e ainda é um dos nossos itinerários principais quando partimos à descoberta da nossa região mais próxima.

 

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Ainda no Peto de Lagarelhos podemos optar por outro destino, interior q.b. do nosso concelho, que nos pode trazer de regresso a Chaves via São Pedro de Agostém, ou então subir a montanha até Stª Bárbara, passando por Ventuzelos, descendo depois a Vilas Boas, Valverde e finalmente Vidago.  Um itinerário curtinho, mas também bem interessante, com paragem obrigatória no alto de Stª Bárbara, junto à capela, num dos miradouros desconhecidos do nosso concelho.

 

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E agora a parte do post em que admitimos as nossas falhas, os nossos pecados a nossa vergonha, pois já passei pelo Peto de Lagarelhos umas centenas de vezes, inclusive ainda passei por lá com a EN314 em terra batida, mas apenas parei três ou quatro vezes, e por breves instantes. Quero com isto dizer que poucas fotografias tenho deste local, deste cruzamento e as que tenho, são poucas e de há 10 anos, excetuando as da neve que são de há 9 anos. Certo que o lugar é pequeno, com poucos motivos para registar e depois ainda se agrava porque as vistas desde o Peto de Lagarelhos para o vale da Ribeira de Oura também atraem a objetiva. Assim, ficam as fotografias possíveis, mas confessamos que nos penalizamos por não termos mais e por não ter dado a devida atenção ao Peto de Lagarelhos.

 

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Mas fica um pouco da sua ruralidade e das vistas que desde lá se podem alcançar.

 

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Um motivo com neve, não só para refrescar os atuais dias quentes. Este foi tomado com a sorte de uma proibição. Pois ia eu em dia de neve (16 de dezembro de 2009) a subir a EN314 para uns motivos com neve, com destino mais além do Peto de Lagarelhos, mas azar o meu e sorte para os registo do Peto. A EN314 a partir do Peto estava cortada a popós pela GNR, só com 4x4 podiam passar. Ficou o registo da neve com a sorte de um rebanho a regressar a casa. Há males que vêm por bem.

 

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E é tudo por hoje. Para o próximo sábado teremos aqui mais uma aldeia do concelho de Chaves, mas vamos até m dos limites do concelho de Chaves, pois dita a ordem alfabética que seja Polide a próxima aldeia. Até lá, entretanto amanhã também retomaremos as aldeias do Barroso, ainda no concelho de Montalegre.

 

 

 

04
Ago18

Pereiro de Agrações - Chaves - Portugal

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O nosso destino de hoje para mais uma das nossas aldeias do concelho de Chaves é para Pereiro de Agrações. É uma das três aldeias do concelho de Chaves, sendo nesta como, tal como na Póvoa de Agrações, mas há uma que assume o topónimo por inteiro, sendo apenas Agrações.

 

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Ora se fossemos a seguir o topónimo pelo seu significado teríamos “pereiro” como uma variedade de macieira que dá maças em forma de pera e  “agrações” [i] é o aumentativo masculino plural de agraço, que por sua vez significa uva verde ou sumo de uva verde. Ou seja, Pereiro de Agrações seria a terra da fruta verde e esquisita, mas não, já vi por lá fazer vinho e uvas bem madurinhas, maças das normais e peras, mas a fruta rainha da aldeia ou das três Agrações, até é a castanha. Pois uma das coisas que fui aprendendo com a toponímia é que os topónimos na maior parte das vezes, principalmente quando têm nome de animais ou de árvores, nada têm com os animais ou as árvores com o mesmo nome. Ou seja, mais uma vez ficamos, pelo menos eu fico, sem saber a origem deste topónimo.

 

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Pereiro de Agrações e Agrações são duas aldeias até onde gostamos de ir. Também subiríamos mais um pouco até à Póvoa se os acessos fossem bons a partir do Pereiro, mas não, nem por isso são lá muito bons para popós, embora já algumas vezes me atrevesse a fazer o trajeto via Pereiro.

 

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Mas como ia dizendo gostamos de ir por Pereiro e Agrações, principalmente no Outono/Inverno, pelo colorido e pelas neblinas (quer por lá quer as que cobrem o vale da Ribeira de Oura) que oferecem sempre motivos interessantes para fotografar, quer pelo colorido, no caso do outono, ou pelas neblinas e nevoeiros no caso do inverno. No entanto, pelo meu arquivo fotográfico vejo que Agrações tem sido mais vezes o nosso destino, embora sejamos sempre obrigados a parar dentro ou perto de Pereiro para umas imagens especiais, que os pastores da terra os vão proporcionando, com os quais vamos sempre dado alguns dedos de conversa, pois já somos velhos conhecidos e que quase sempre encontrámos quando fomos por lá.

 

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E desta vez espero não meter nenhuma galga como o fiz da primeira vez que abordei esta aldeia, que corrigi logo que tomei conhecimento dela. A estória até é caricata, pois abordei o Pereiro de Agrações, com as fotografias que então lá tinha tomado, referi-me sempre às coisas da aldeia e na feitura do post ia revivendo os momentos que lá passei e as conversas que por lá fui tendo, no entanto, desde o início ao fim dos post em vez de escrever Pereiro de Agrações, escrevia Póvoa de Agrações. Após a publicação, passados dois ou três dias, encontrei o Presidente da Junta que me disse já ter visto o post, e até tinha gostado, só que, tinha-me enganado no nome da aldeia…

 

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São traições que a nossa mente nos prega, pois conheço, localizo e distingo perfeitamente as três aldeias que têm Agrações no seu topónimo, no entanto cometi esse lapso. Mas em mim não é caso único. Neste caso relatado, dado a proximidade, o serem da mesma freguesia e terem o mesmo topónimo Agrações, até pode ser explicado ou em parte justificado, mas tenho outro caso bem mais estranho em que a minha mente já me atraiçoou várias vezes e em que as duas aldeias nada têm a ver uma com a outra, pois em algumas vezes que o meu destino deveria ser Stº António de Monforte, quando fui a dar por mim, estava em Nogueira da Montanha. A única justificação que encontro para tal, e que até nem justifica nada,  é eu conhecer Stº António de Monforte por Curral de Vacas e daí o meu inconsciente rejeitar o primeiro topónimo e de castigo (que até nem é castigo nenhum)  leva-me para a croa do Brunheiro. Já se me disserem: — O pá, tens de ir a Curral de Vacas… vou lá direitinho. Mas isto é apenas um aparte que até nem interessa nada para Pereiro de Agrações.

 

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Pereiro de Agrações, que no próximo outono ou inverno, teremos de fazer por lá uma paragem mais prolongada, para além dos pastores e dos seus rebanhos, pois pelo meu arquivo fotográfico sinto que a aldeia merece uma abordagem mais atenta e mais madura. Poderá ser no outono/inverno como poderá ser noutra ocasião que há muito tenho pensada para essa aldeia, mas que agora não poderei desvendar, pois ainda está no segredo dos “deuses” e a amadurar, será, isso é certo, uma abordagem bem diferente daquelas que costumo fazer a todas as aldeias.

 

 

 

 

 

 

 

[i] agraço in Dicionário infopédia da Língua Portuguesa [em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2018. [consult. 2018-08-04 03:06:35]. Disponível na Internet:  https://www.infopedia.pt/dicionarios/lingua-portuguesa/agraço

 

 

 

29
Jul18

O Barroso aqui tão perto - Santa Marinha

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E como hoje é domingo, vamos mais uma vez dar uma voltinha pelo “Barroso aqui tão perto”, pela freguesia de Ferral, mais precisamente, vamos até à aldeia de Santa Marinha, no Barroso que eu apelido de verde e disperso com vistas lançadas para o Gerês.

 

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Antigamente defendia que as primeiras impressões, ligadas à aparência, é que valiam. Com o tempo aprendi que não é bem assim, que afinal os pormenores é que têm valor, e a aparência é apenas uma fachada que esconde toda a intimidade. Quero com isto dizer que quando avistei Santa Marinha desde a aldeia vizinha de Pardieiros, gostei do que vi, pequenina e arrumadinha na encosta da serra. Quando cheguei à aldeia, junto ao cemitério, acrescentei mais um ponto ao gosto, não pelo cemitério, que embora até poderá ter certa beleza, não é local que eu aprecie em particular, mas pelo conjunto da pequena capela e cruzeiro.

 

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Mas com o aproximar da aldeia, onde ela está mais concentrada, nem por isso estava a gostar do que ia vendo. Fui entrando com ar de quem não iria sair de lá satisfeito, e é aqui que entram os pormenores, o conjunto dos pormenores que fez com que saísse da aldeia a dizer: - Afinal até valeu a pena!. Há por lá pormenores que fazem a diferença,   algumas preciosidades até, e já nem quero falar dos matizes do verde ou das vistas que desde lá se podem lançar. O problema da aldeia, que até nem é problema, está no ela ser dispersa, dificultando uma interpretação no seu todo, principalmente em imagem. Aliás este tipo de povoamento disperso é transversal a toda a freguesia e penso que se deve à forma/modo de aproveitamento agrícola das encostas.

 

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Mais uma vez refiro aqui as singularidades do Barroso, este, da freguesia de Ferral mas também o de Cabril a mostrar uma outra cara do Barroso, de povoamento disperso, verde, de montanha, onde praticamente não há terra plana, e a que há, é em socalcos,  onde houve a intervenção humana para aproveitamento da riqueza da terra, que aqui se apresenta fértil, graças à humidade, exposição ao sol e temperatura, em terras que já se encontram a uma cota bem mais baixa que no restante Barroso, entre os 200 e 600 metros de altitude. Isto pelo que pude observar no local, sem qualquer documentação que o valide, mas penso que não andarei longe da verdade.

 

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A descrição que faço da entrada da aldeia nada tem a ver com a entrada que irão encontrar se seguirem o itinerário que à frente irei recomendar. Acontece que o itinerário recomendado é para irmos especificamente até Santa Marinha, no entanto, nas minhas idas ao Barroso para fotografar as suas aldeias, nunca ia apenas a uma aldeia, mas a várias, daí ter entrado na aldeia vindo de Ferral, pelo qual o itinerário recomendado até nem passa.  

 

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Quem acompanha o blog sabe que esta rubrica sobre o Barroso surgiu para dar a conhecer as suas aldeias,  mas,  simultaneamente, servem como uma proposta, ou um convite para as visitar, principalmente agora em que o dinheiro não abunda para podermos ir à descoberta de outros destinos mais longínquos e caros. Juntar o útil ao agradável, sim, porque o Barroso tem uma série de destinos tão interessantes ou mais ainda que muitos dos que encontramos lá fora. Temos é que entrar nele à sua descoberta, pois continua a ser um tesouro desconhecido da maioria que vive a menos de uma hora de viagem. Mas queria eu dizer, isto se aceitarem esta minha sugestão de visitar a aldeia, que uma vez que vão à aldeia, aproveitem o dia para ver outras aldeias e outros pontos de interesse que ficam no itinerário ou na proximidade desta aldeia, pois seria um desperdício não aproveitar a ocasião.

 

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Ainda antes de irmos ao itinerário recomendado e continuando nesta onda de descoberta/promoção do Barroso, uma vez que estamos em tempo de férias de verão, porque não passar por lá uns dias de sol com banhos incluídos, numa das suas cascatas ou albufeiras. Se for como eu, ao qual já passou o gosto de ser lagarto ao sol para além do médico me recomendar sombras, estas também não faltam por lá. Uma proposta para um dia, pois sendo aqui da terrinha (Chaves) poderá ir e vir no mesmo dia, com dormida na nossa caminha. Fica prometido que no próximo domingo deixo aqui um mini roteiro com propostas para algumas albufeiras e cascatas.

 

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Vamos então ao itinerário recomendado para chegarmos a Santa Marinha, da freguesia de Ferral, concelho de Montalegre.

 

Pois desta vez apenas recomendamos um itinerário, por sinal um dos nossos preferidos, talvez porque é um dos que nos mostra também os vários matizes do Barroso, para além de passar pela vila de Montalegre, que é sempre interessante.

 

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Pois para este itinerário devemos seguir pela estrada do S. Caetano/Soutelinho da Raia. Logo na primeira aldeia de Montalegre, Meixide, devemos tomar a primeira opção de seguir via Vilar de Perdizes ou via Pedrário/Sarraquinhos. Tanto faz, a distância é sensivelmente igual e o destino será sempre o mesmo — Meixedo, mesmo antes de Montalegre. Isto já não é novidade para quem acompanha o blog, mas pode-se dar o caso de alguém vir por aqui a primeira vez ou não ser visita habitual e há sempre que repetir estes pormenores. Pois chegado a Montalegre, que é de paragem obrigatória nem que seja apenas para um café,  seguimos pela M308, em direção ao Campo de Futebol.

 

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Tínhamos ficado em Montalegre, já na M308 em direção a Sezelhe que devemos passar e seguir em direção a Paradela do Rio, com passagem por Travassos do Rio, Covelães, Paredes do Rio e Outeiro. Os topónimos têm apelido do Rio por ficarem perto do rio Cávado. Aliás este itinerário entre Montalegre e Santa Marinha é sempre feito na proximidade do Cávado e mais ou menos paralelo ao mesmo, primeiro pela margem esquerda até um pouco antes de Frades, depois pela direita até Outeiro e em Paradela já estamos outra vez na margem esquerda.

 

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Já estamos em Paradela, fácil de identificar pela Barragem que tem ao lado. Aliás entre Outeiro e Paradela vamos ter sempre a Barragem ao lado por companhia. Em Paradela não há nada que enganar. Chegado ao largo do cruzeiro, fácil de ver, pois o mesmo serve de rotunda no cruzamento, seguimos em frente, ou seja, na terceira saída da rotunda. Para não ter mesmo dúvidas, atenção às placas indicativas, pois o cruzamento está bem sinalizado. Devemos sair pela estrada cujas placas indiquem Ponteira, Sexta Freita, Covelo do Gerês e Ferral.  Até ao nosso destino, já próximo, não vamos passar por dentro de nenhuma aldeia, ficam todas ao lado, mas devemos passar ao lado de Ponteira e de Sexta Freita, logo a seguir ao desvio para Sexta Freita (mais 2km) vamos encontrar um pequeno conjunto de casas junto à estrada, com uma saída à esquerda para Sacoselo e 200 metros à frente uma saída para a direita, a nossa saída, onde devem estar as placas de Stª Marinha e Covelo do Monte, cinco curvas à frente e estamos em Santa Marinha.

 

Sta-marinha-mapa.jpg

 

 

Curioso que ainda atrás falava em albufeiras e cascatas, pois embora Santa Marinha não tenha nenhuma delas, tem na sua proximidade algumas, mas fiquemos apenas pelas barragens, a da Venda Nova a cerca de 2.5 km, a de Salamonde à mesma distância (2.5Km) e a de Paradela um pouco mais distante, mas mesmo assim próxima, a 7.5km. Tudo distância em linha reta, pois por estrada é um pouco mais.

 

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E o que dizem os livros e documentos de Santa Marinha. Vamos lá ver se temos sorte.

 

No livro “Montalegre” encontrámos algumas referências:

 

As Igrejas, Capelas, Alminhas e Cruzeiros

Vestígios de estilo românico nas Igrejas de S. Vicente da Chã, Viade e Tourém. É justo salientar que diversas outras igrejas datam dos primeiros tempos da monarquia e seriam incluídas nesse estilo. Acontece que foram sofrendo remodelações – muitas vezes a fundamentis – que as descaracterizaram.

 

A última grande febre dos arranjos deu-se nos princípios do século XVIII e, por isso, os edifícios exibem datas dessa altura. Por exemplo: Pondras -1725; Santo André- 1813; Vila da Ponte – 1710, etc.

 

Contudo, a maior riqueza das nossas igrejas encontra-se no interior: tanto em muitos dos seus santos que escaparam à usura de sacristães, padres e “homens-bons”, como na talha que as orna, sendo que uma boa parte dela se deve a ignorados artistas autóctones. Merecem algum realce certos exemplares como Salto, Santa Marinha, Covelo, Vila da Ponte, Viade, S. Vicente, e sobretudo, pelo ruralíssimo e humílimo conjunto de talha de S. Miguel de Vilaça.

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E continua:

 

Os cruzeiros são mais de 60 e se lhes juntarmos os calvários ainda existentes com as cruzes das estações da via sacra serão três vezes mais.

 

Destacam-se o de Salto, Pondras, Mourilhe, Codessoso de Meixedo, de Montalegre, o da Interdependência da Vila da Ponte, Negrões, Meixedo, Sabuzedo, Santa Marinha, Santo André, Penedones, Antigo de Serraquinhos, Sezelhe, Travasços do Rio, Vila da Ponte, Bustelo e Parafita!

 

Das ermidinhas, que o estro de Junqueiro abençoa, destacamos quer pela beleza paisagística do local, quer pelo encanto do conjunto “Construção humana e Natureza envolvente”: Nossa Senhora das Neves  (São Lourenço) e São Tiago (Fafião), na freguesia de Cabril; Senhor do Alívio, em Salto; Senhora do Monte (Serra do Barroso); São Frutuoso (Montalegre); Santo Amaro (Donões); Santa Marinha, em Vilar de Perdizes; S. Domingos, em Morgade; Nossa Senhora de Galegos, no Cortiço (Cervos); São João da Fraga, em Pitões; São Lourenço, em Tourém, e Nossa Senhora da Vila de Abril, em São Pedro (Contim).

 

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Ainda no livro “Montalegre” a respeito da freguesia de Ferral, mais algumas referências a Stª Marinha.

 

Ferral

Esta freguesia mudou várias vezes de nome: foi primeiro Santa Marinha de Covêlo do Gerês por oposição a São Pedro de Covêlo do Gerês; depois dava apenas pelo hagiotopónimo Santa Marinha; mais tarde foi Santa Marinha de Ferral e hoje é somente Ferral. Contudo, é da tradição local que existiu neste mesmo termo a freguesia de São João da Misarela, de que não possuímos qualquer documento escrito! Na realidade, nunca se encontraram vestígios de tal construção nem qualquer referência à sua localização. Apesar das oito povoações que integram a freguesia, o seu isolamento até ao século XVIII era tão acentuado que se tornava extremamente propício à criação e sedimentação de lendas de que é paradigma a da Misarela. Tal como na vizinha Cabril, antes das barragens, os rios eram barreiras difíceis de transpor, mesmo de verão… Por isso a freguesia foi-se alargando e anexando povoações na área de entre Cávado e Regavão: Vila da Ponte e Bustelo (freguesia anexa até ao século XIX) e Contim e São Pedro, igualmente freguesia anexa. Restos evidentes desse antigo fausto é a riquíssima talha da vetusta Igreja de Santa Marinha.

 

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E a o que nos diz a “Toponímia de Barroso”. Não sei, mas vamos ver:

 

Santa Marinha (Ferral)

Correm por aí diversas lendas sobre Marinha, Santa e Mártir. É de espantar a ingenuidade de algumas que referem a naturalidade da Santa e da sua vida bem longe dos locais onde terá nascido, vivido e sofrido o seu martírio.

Teve culto já documentado no século VIII, após a invasão árabe, e de tal forma arreigado, lendário e popular que a deram como natural de várias localidades. Na realidade Santa Marinha foi martirizada em Antioquia.

1258 - « in collatione de Sancte Marine» INQ. 1523.

 

Na Toponímia Alegre temos o seguinte:

 

Requerimento do Abade de Santa Marinha ao Senhor Arcebispo de Braga.

 

O abaixo –assinado,

Abade Albino Mendes,

De setenta anos de idade,

Sentindo-se velho e cansado

E estando-se a esgotar

O prazo da sua colocação

Que exerceu com lealdade, a Vossa Eminência vem rogar

Licença para continuar

Que para tanto autoridade tendes;

Beija-lhe o anel sagrado

O abade Albino Mendes!

 

E ainda:

 

Nomes do “Rio” intermédio:

Carabunhas de Vila Nova,

Conspiradores de Covelo,

Rabinos de Loivos,

Peixeiros de Sidrós,

Papa-ventos de Ferral,

De Viveiro não sai graeiro,

Carrapatos dos Pardieiros,

Borra-ladeiras de Santa Marinha,

Carvoeiros de Nogueiró.

 

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E ficamos por aqui. Ficam ainda as habituais referências às nossas consultas e dizer-vos que as abordagens que já fizemos às aldeias e temas de Barroso estão agora no menu do topo do blog, mas também nos links da barra lateral. Se a sua aldeia não está lá, em breve passará por aqui num domingo próximo, e se não tem muito tempo para verificar se o blog tem alguma coisa de interesse, basta deixar o seu mail na caixa lateral do blog onde diz “Subscrever por e-mail”, que a SAPO encarregar-se-á de lhe mandar um mail por dia com o resumo das publicações, com toda a confidencialidade possível, pois nem nós teremos acesso à vossa identidade e mail.

 

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BIBLIOGRAFIA

 

BAPTISTA, José Dias, Montalegre. Montalegre: Município de Montalegre, 2006.

BAPTISTA, José Dias, Toponímia de Barroso. Montalegre: Ecomuseu – Associação de Barroso, 2014.

 

 

21
Jul18

Pereira de Selão - Chaves - Portugal

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Muito antes de ir pela primeira vez a Pereira de Selão, há anos que que este topónimo surgia no meu dia a dia – “camada base com solos selecionados das minas de Pereira de Selão”. Se a lengalenga não era esta, era parecida. Eram os melhores solos (diziam os engenheiros) para as camadas base das estradas que então (anos 80/90) se pavimentavam para todos os destinos, e como os solos eram bons, e tudo que era bom vinha de fora, nunca imaginei que Pereira de Selão pertencia ao concelho de Chaves. Ainda vivia na minha idade da inocência e de não me preocupar muito de onde as coisas vinham. O que então interessava é que elas existiam, e era tudo…

 

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Anos mais tarde vim a saber que afinal Pereira de Selão era ali para a montanha a caminho de Vidago. Fui lá pela primeira vez por causa da escola primária, precisamente na sequência de um “pedido de vistoria” solicitado pela professora da escola, com medo que a mesma caísse com as explosões que efetuavam na mina. As fendas na escola e a proximidade da mina a céu aberto a menos de 100 metros assustavam professora e crianças.  Não sei qual foi o resultado da vistoria, pois estive lá apenas como observador, mas as preocupações da professora eram válidas. A mina passados poucos anos fechou, a escola também, por motivos diferentes, mas ambas fecharam e ambas ficaram abandonadas, a escola sem professora e sem alunos, a mina sem mineiros e exploradores. A escola esvaziou a mina encheu-se de água, formando uma lagoa do tamanho da aldeia. Penso que a Lei determina que após cessar a exploração das minas deve ser “tapado o buraco”, mas se calha fui eu que sonhei com isso…

 

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Primeiro ia-me cruzando com Pereira de Selão nas memórias descritivas e justificativas por causa dos tais solos das minas, depois fui lá por causa das mesmas minas mas a realidade é que ir à aldeia para a visitar, sentir e fotografar, só há 10 anos é que aconteceu, graças a este blog e à minha teimosia de trazer aqui todas as aldeias do concelho de Chaves. Teimosia essa que depois de se esgotar no concelho de Chaves foi alargada para o Barroso que também se está a esgotar. Atenção Vila Pouca de Aguiar é para lá que a nossa teimosia vai a seguir, já com dia marcado para daqui a uns dias com início na aldeia de Parada do Corgo que também é de Aguiar.  

 

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Mas voltemos a Pereira de Selão à qual demorámos a ir mas que agora nos calha nos nossos itinerários algumas vezes, principalmente desde que a estrada entre esta aldeia e Vila Boas foi construída, ou pavimentada, pois suponho que já existiria um caminho entre ambas as aldeias.

 

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É uma aldeia que gostámos de descobrir, surpreendeu-nos quando lá fomos à recolha de imagens. Embora seja atravessada pela estrada que liga Redial a Valverde, o coração da aldeia sente-se mais no largo da capela, onde para nós estão também as construções mais interessantes, algumas ainda com o andar em madeira. Claro que estão abandonadas ou pelo menos desabitadas, mas estão lá fazendo testemunho de uma época.

 

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Não é uma aldeia muito grande e agora a sua grandeza apenas se faz sentir no casario, pois tal como a maioria das nossas aldeias também sofre da maleita atual do despovoamento, no entanto há algumas construções mais recentes e ainda há gente para ir mantendo os terrenos cultivados e tratados, pelo menos à volta da aldeia.

 

E vai sendo tudo. Determina a ordem alfabética que no próximo fim de semana esteja por aqui outra Pereira, mas terá o apelido de Veiga. O Pereiro só virá a seguir. Amanhã teremos por aqui o “Pergaminho dobrado em dois” uma aldeia do Barroso, que, ainda não sabemos qual será. Mas ainda antes, às 17 horas de hoje teremos por aqui a brincadeira 40 das 100 brincadeiras comsiso.

 

Até amanhã!

 

 

 

14
Jul18

Pastoria, Chaves, Portugal

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Então vamos lá retomar o regresso às nossas aldeias de Chaves que, segundo a metodologia da ordem alfabética, hoje toca a vez à aldeia da Pastoria.

 

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Uma aldeia que nos fica aqui ao lado da cidade e à qual gostamos de ir de vez em quando, mas pelos vistos nem tanto quanto pensamos que vamos, pois olhando ao registo das imagens, as últimas já têm data de 2009, ou seja, há 9 anos que não vamos por lá, mas vamos passando ao lado, é esta a desvantagem e vantagem de não ser uma aldeia de passagem, à beira de uma estrada com muitos destinos, embora apenas esteja a 3km de duas das principais vias do concelho de Chaves — a A24 (nó de Curalha) e EN103.

 

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Mas fica lá na sua pacatez de um pequeno vale, entalado entre estas duas vias e a montanha que resguarda a aldeia dos ares frios do Barroso, montanha em cuja croa se faz a divisão administrativa entre o concelho de Chaves e o de Boticas, a apenas 700m. Parece perto, mas a inclinação da montanha não permite qualquer ligação à outra vertente da montanha, e é pena, pois mesmo do outro lado está um interessante santuário, o da Nª Senhora das Neves, de Ardãos.

 

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Uma aldeia que vive na sua pacatez, mas ainda com vida dentro dela. Claro que não é uma aldeia exceção às questões do despovoamento, mas mesmo assim, pelo menos há 9 anos ainda assim era, é uma aldeia que tem sempre gente nas ruas e nos campos que ainda vão cultivando.

 

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Nestas nossas abordagens às aldeias flavienses, mas também do Barroso, geralmente não referimos quais são as suas principais atividades. Talvez uma falta nossa que cometemos porque o modo de vida nas nossas aldeias é transversal a todas elas, ou pelo menos à grande maioria. Mas estamos sempre a tempo de fazer uma espécie de diagnóstico social.

 

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Então podemos dizer de todas as nossas aldeias, com algumas poucas exceções, que entre os seus naturais, há os que partiram, abalaram, emigraram  e os que ficaram. Os que emigraram são a maioria, geralmente jovens. Os que ficaram, a minoria, são constituídos por idosos/reformados/pensionistas e alguns, poucos, mais jovens, ainda em vida ativa que se dedicam à agricultura e/ou pecuária, esta em menor escala. Ainda são menos os que trabalham fora e fazem da aldeia o seu dormitório, estes principalmente concentrados nas aldeias mais próximos da cidade ou de um ponto onde haja trabalho.

 

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Artistas e outros profissionais já não existem atualmente nas nossas aldeias e se por acaso ainda existir alguma, será para extinguir quando vagar. Artes e profissões como a do pedreiro, canteiro, carpinteiro, marceneiro, ferreiro, barbeiro, almocreve, ferrador, capador, enxertador, parteiro/parteira, costureira, tecedeira, carvoeiro, sucateiro, professor/a, padre, recadeiro, soqueiro, correeiro, albardeiro, curandeiro/a, cesteiro, e mais outras tantas ou mais que agora não se me ocorrem. Será mais fácil dizer as que ainda vão existindo: Reformados/pensionistas, desempregados, agricultores e pastores, estes últimos, em todo o concelho de Chaves, devem-se contar pelos dedos das mãos.

 

E com esta me bou. Estou de partida para o “Barroso aqui tão perto” para trazer cá, amanhã domingo, mais uma das suas aldeias.

 

 

 

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