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CHAVES

Olhares sobre o "Reino Maravilhoso"

18
Dez18

O Barroso aqui tão perto - Travassos do Rio

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Ontem deixámos uma amostra no blog da nossa aldeia convidada de hoje para esta rubrica de “O Barrosos aqui tão perta”. Uma amostra e simultaneamente um desafio. Tratava-se da primeira imagem que abre o presente post e o desafio era descobrir de que aldeia se tratava. Ninguém respondeu, mas o mais certo é que ninguém a tivesse reconhecido, mesmo tratando-se de uma aldeia bem conhecida.

 

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Estas aldeias do Barroso, dependendo de onde se veem, mudam de feições. Têm este dom de se travestir, mais para encantar do que para baralhar. Têm também o dom de ao longe nos provocarem e despertar em nós a vontade de as visitar e de conhecer a sua intimidade. Entendamos a coisa como um convite, e o primeiro que dela recebi, já foi há muitos anos, inícios dos anos setenta do século passado, ainda eu era um puto, mas já olhava para as pequenas manchas de casario que floriam no meio das montanhas verdes. Aconteceu na primeira vez que fui a Tourém, não à ida, mas no regresso, quando ela se dá a conhecer na descida para Covelães.  

 

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Revelado o segredo, hoje logo no título do post, entremos então na nossa aldeia de hoje, que dá pelo nome de “Travassos” e pelo apelido de “do Rio”, ou seja,  Travassos do Rio, e é do Rio porque pertence ao conjunto de aldeias que adotam este apelido por se localizarem junto ao pequeno vale que se desenvolve ao longo do Rio Cávado a jusante da Vila de Montalegre, mas também para se distinguir da outra aldeia que é também Travassos, mas no caso Travassos da Chã, esta última juntinha à Barragem dos Pisões.

 

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Continuemos então com o nosso itinerário para chegar até lá e com a sua localização, agora mais precisa,  onde não há nada que enganar, pois fica junto a um dos principais trajetos pelo interior do concelho de Montalegre, na margem direita do Rio Cávado, já dentro do Parque Nacional da Peneda-Gerês e imediatamente a seguir a aldeia de Sezelhe. Assim, o nosso itinerário a partir de Chaves é feito via estrada de S. Caetano/Soutelinho da Raia até Montalegre. A partir da Vila desce-se até ao campo de futebol e depois vamos passar ao lado de Donões (à direita) ao lado de Cambeses do Rio (à esquerda), ao lado de Mourilhe, Frades e Sezelhe (todas à direita). Curiosamente a estrada não atravessa nenhuma destas aldeias, passa-lhes sempre ao lado. Em Sezelhe, atenção às placas no cruzamento, dever-se-á seguir em frente e logo a seguir (a 1Km), estamos no nosso destino.  Mas fica o nosso mapa e itinerário para melhor localização.

 

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Se formos daqueles que antes de parar para os pormenores, gosta de dar uma volta geral à aldeia, pela certa que a sua atenção recairá sobre uma torre sineira que existe no meio de um largo, muito peculiar, pois trata-se de uma torre sineira sem igreja ou capela por perto e foi erguida em honra/homenagem, uma torre de culto ao boi do povo, tendo mesmo esculpida numa das suas fachadas a cabeça de um touro, mas também (li algures mas hoje não encontrei a referência) por não existir outro sino na aldeia, sino que nas aldeias sempre teve as suas funções de convocar o povo para vários fins, ou lançar avisos em caso de necessidade, como os sinais em caso de morte de um seu habitante, mas também, e no caso reforçado, para convocar o povo quando o boi partia para as chegas em terras vizinhas.

 

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Todos os barrosões conhecem a importância que tinha o boi do povo e quais as tradições, festa e outros que estavam a ele ligadas, mas para quem não sabe, recordemos aquilo que se diz ao respeito do boi do povo e do comunitarismo destas aldeias barrosãs na Etnografia Transmontana I, do Padre Lourenço Fontes para melhor se entender a sua importância:

 

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O BOI DO POVO

 

Dentro do culto dos animais, o que mais sobressai em Barroso é o Boi do Povo. Diz Miguel Torga em Diário X, localizando Serraquinhos:

«Atrai-me esta amplidão pagã, sinto-me bem a pisar um chão em que deus vivo, de rico e pobres, de alfabetos e analfabetos é o toiro do povo. Um deus de cornos e testículos, que depois de cada chega e de cada vitória, a gratidão dos fiéis, cobre de palmas, de flores, de cordões de oiro e de ternura. Um deus que a devoção adora, sem lhe pedir outros milagres, que não sejam os da força e da fecundidade… Um deus a quem se dão gemadas de cerveja, para que possa inundar as vacas de sémen, as moças de esperança, os moços de certeza e a senilidade de gratas recordações. Um deus eternamente viril, num paraíso sem pecado original.»

O boi do povo é a amostra mais válida do comunitarismo barrosão.

Tem boas cortes, bons palheiros e celeiros, pastos, lameiros de feno, lamas, terras de centeio, milho, poulas, etc.. Todas estas propriedades são do boi do povo, grande senhor feudal, mais rico que muitos dos habitantes da aldeia. O boi é propriedade do povo. Cada aldeia, segundo as posses, os caprichos, e o número de vacas, tem um, dois, três e quatro bois comuns. São comprados pelo povo ou seus representantes, com o dinheiro de todos. Vendem um que dá para comprar outro mais novo e sobra dinheiro, que entra para comprar alimentos ao boi ou, despesas comuns.

 

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PASTOR DO BOI

O boi tem um pastor do povo. É pago pelo povo, em alqueires de centeio, segundo o número de cabeças de gado, de cada lavrador. A vida subiu e hoje os pastores nem por um alqueire, por cabeça, querem guardar o boi. Quando uma terra tem muitas vacas ainda vale, mas com os tractores e florestas reduziu esse número e o pastor ganha menos. Há terras que além do pastor pagam ao tractor, especialmente por ocasião de chegas. O pastor ou sua mulher ou filhos pastoreiam  todo o dia o boi. Em Cambezes quando é o tempo das ferranhas de centeio, o boi anda à roda do povo e vai pastar, hoje, na ferranha de um lavrador, amanhã na de outro, até dar a volta e completar as rodas de cada lavrador, que variam segundo o número de vacas. Quanto mais vacas, mais pasto têm de dar ao boi. O pastor é o que tem a chave da corte do boi e é ele que abre a porta quando a vaca vai ao boi, ou nega a chave e o boi, quando a vaca anda estragada. A cobrição faz-se na rua pública, ao anoitecer.

 

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CHEGAS

São as chegas o verdadeiro desporto, se assim se pode chamar, que o Barrosão adora. Deixa tudo, percorre, a pé, as maiores distâncias, para ver uma chega de bois, que não conhece. Uma chega consiste (…) na luta entre dois bois do povo, de terras diferentes, ou da mesma terra.

Antes da chega o tratador aumenta a ração diária do boi. A juventude e outros  pedem grão, milho, farinha, farelo, batatas, feno para tratar o boi para a chega. Por vezes roubam as espigas de milho, as caixas de centeio das suas famílias ou de estranhos ou de terras vizinhas, para dar ao boi. Chegam a tirar da boca para não faltar ao boi, que é preciso engordar para ganhar. A emulação e rivalidade aparece quando um boi ganhou a outro na chega, ou quando os bois são do mesmo peso, ou têm de lidar, ou qualquer razão válida para poder desafiar o de outra terra. Começa a pensar-se na chega e a fogueira ateia-se. A mocidade, que tem certo direito no boi, pois é ela que o trata, pensa em ir contratar um adversário. Este concorda ou não, e pede prazo, para tratar o seu boi. Por fim, pede-se o placet à Junta ou regedor da freguesia de cada boi contendente, que nem sempre o dão, mas a chega faz-se. Combina-se o local, que tem de ser descampado, a meio das duas aldeias digladiantes. O boi que vai turrar convém estar totalmente fechado na corte oito dias, para no dia da chega sair mais bravo.

 

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E sobre as chegas, continua:

A chega é habitualmente a um Domingo ou dia santo, de tarde pelas 3 horas. De manhã na corte ou fora preso a uma árvore, afiam-lhe as pontas nos cornos, primeiro com navalha afiada, depois com grosa de vidro, a raspar. Alguns para que fira e faça fugir o adversário aplicam-lhe pontas de aço, nas extremidades. Alguns ainda dão vinho e cerveja ao animal, para que vá mais furioso. Durante a noite azougam-no, ou colocam-lhe a pele de uma vaca ou vitela no lombo, para que ai cheirar o inimigo, este fuja de pasmo e medo. Entretanto na missa, lembra-se aos santos o pedido de vitória para o boi da nossa terra. Fazem-lhe promessas, orações, responsos e votos de ansiedade, para que toda a corte do céu esteja do lado do nosso boi. Diziam na última chega em 3 de Fevereiro de 1974, entre Vilar e a Vila: Nossa Senhora da Saúde se ponha do lado do nosso boi, e respondiam outros, no meio das refregas da chega: Senhor da Piedade esteja pelo nosso. Fazem apostas de 100$00 ou mais.

E chega a hora da partida. Toca o sino da aldeia ou o do boi para juntar o povo e tocam o boi ao local previsto e marcado, de comum acordo.

 

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Ainda as chegas de bois:

À saída da corte pode sair um pouco bravo, então tocam outro companheiro para que não fuja. E toda a gente de pau na mão, rodeia o ídolo, fazem prognósticos de vitória ou derrota, e uns atrás, outros adiante, homens e mulheres, pequenos e grandes, velhos e velhas aí vai tudo, caras alegres, desafiando um e estimulando outro para animar e lhe dar peito para ganhar.

Se passam em frente a alguma capela, igreja, ou nicho das almas, não deixam de fazer a sua petição esperançada, ou dar a sua esmolinha aos santos ou às benditas almas que obtenham a vitória. Transitando por alguma aldeia, deitam sal e, cruz nas ruas por causa da bruxaria ou mau olhado, à ida e à vinda. Não podem passar por algum rio se não perde o azougue e a força.

Chegam os animais ao campo, já repleto de gente em círculo largo. Entra um, de cada extremo do campo e ao mesmo tempo. É a entrada triunfal onde ambos e dois esperam os louros. Cada boi é acompanhado do pastor, que empunha o seu pau de lodo, para apoiar e animar o boi, apesar de serem muitos os que nessa hora, desejariam estar ao lado do seu preferido, para lhe dar força e o ir enfurecendo: é boi, é boizinho!

 

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Continuamos com as chegas:

Fazem ou não, uns momentos de carranca, com as caras, viradas, e pouco a pouco ou de repente conforme a inspiração de momento, pegam-se de frente, com a maior violência possível, procurando ferir e rasgar o companheiro, com as hastes, bem aguçadas. É o momento de mais atenção dos milhares de espectadores, que de todas as aldeias mais afastadas vieram assistir. Se não fora a Guarda Republicana, o povo crescia e rodeava os bois, como acontece nas chegas que se fazem de noite, em que há poucos espectadores. 5, 10, 15, 30 minutos é o geral de tempo que os gladiadores se entretêm a disputar a força. Houve um ou dois casos em que um matou o adversário, que era de Parafita.

 

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E continua:

No geral apenas há a lamentar uns ferimentos mais ou menos graves, na superfície da pele. Quando as forças já estão bem medidas e houve sobreposição de um boi, o outro começa a olhar para o lugar por onde entrou, se tem tempo, e vai recuando, até que foge. O vencedor corre furioso a ver se o apanha. Intervêm logo os pastores e conterrâneos, com paus no ar, para os apartarem. E os da terra vencedora rodeiam o seu boi, sem medo. É o maior frenesi o da vitória. As raparigas e rapazes dão vivas: viva o nosso boi, viva! E depois de lhe verem as feridas, tocam cada qual o seu boi para a sua terra. Os vencidos, com a «beiça» e os vencedores cantando, uns diante, outros atrás do boi. Se podem, enfeitam-no com fitas, ramos, flores, bandeiras vermelhas, cordões de ouro, notas de conto, etc.. Chegando ao povoado, o boi vai, em procissão, dar a volta às ruas da aldeia, ovacionado por todos que dizem: abençoado boi e grão que comestes! Há festa com baile para todos e vinho à discrição pago pelos entusiastas e apostantes.

 

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Por fim, ainda sobre as chegas:

Ganha uma vitória, logo outros, que têm na aldeia um boi do povo, que foi já vencedor, pensam em desafiar aquele para outra chega a ver qual é o campeão.

Antigamente no fim das chegas havia barulho. Ao fim das chegas dos bois, chegavam-se os homens. Todos levavam paus e discutia-se a força, o direito de ganhar, qualquer ilegalidade e toca a dar paulada à direita e à esquerda. Hoje a Guarda tira paus a quem os leva e já não há perigo de se pegarem os homens, por causa dos bois.

 

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Assim, tal e qual como atrás descrito, recordo as chegas do Sr. da Piedade entre os bois da Portela e da Vila, ou da Portela ou da Vila com outras aldeias, a festa à volta do vencedor e as «beiças» dos perdedores, mas recordemos que a Etnografia Transmontana – I,  foi publicada em 1974, isto para vos dizer que a tradição da chega dos bois, hoje,  já não é aquilo que então era.  As chegas ainda existem no Barroso, agora disputa-se um campeonato, mas os bois já não são comunitários, já não são do povo, já não representam as suas aldeias. Hoje são de proprietários particulares, alguns até nem são barrosões.  Mantêm-se as chegas, mas perdeu-se toda a tradição e festa comunitária que a elas estavam ligadas. Coisas dos novos tempos, mas também ela uma consequência do despovoamento das aldeias.

 

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Mas isto já não são coisas de hoje, Miguel Torga, no seu diário, em 29 de agosto de 1991, registava o seu lamento num escrito que hoje também ele repousa transcrito em placa colocada na base da torre do boi e onde se pode ler:

 

Travassos do Rio, Montalegre, 29 de Agosto de 1991

 

Notabiliza este lugar um baixo-relevo na torre sineira a figurar a cabeça de um toiro, que foi campeão invencível nas turras do seu tempo e os habitantes, ufanos de tanta valentia, quiseram perpetuar.

Vou rememorando: Cornos das Alturas, Cornos da Fonte Fria, Tourém, Toural, Pitões.

Era assim antanho. Por todo o lado a mesma obsessão a tutelar as consciências. O mal é que o povo, em meia dúzia de anos, deixou apagar nos olhos a imagem viril, e perdeu a identidade. O Barroso de hoje é uma caricatura. Sem força testicular, fala francês, bebe coca-cola, deixo de comer o pão e centeio do forno comunitário, assiste a chegas comerciais, em campos de futebol, com bilhetes pagos e animais alugados. É um nédio boi capado.

 

Miguel Torga, In Diário XVI

 

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E sem mais demora que esta coisa começa a alongar-se e se nos entusiasmamos temos aqui latim para uma semana, passemos às nossas habituais abordagens que repetimos em cada aldeia, como por exemplo saber o que nos diz a “Toponímia de Barroso” ao respeito da nossa aldeia convidada:

 

Travaços do Rio

 

A grafia com ss é ridiculamente errónea visto que toponimicamente não fica abonada por qualquer forma escrita antiga.

A raíz latina trabe é evidente, significando trave, com sufixo aço; trata-se, por conseguinte, de local onde abundam árvores para construção, elegantes e de boa madeira com as quais os povos primitivos, à falta de pedra próxima em quantidade, faziam muitas vezes resistentes paliçadas defensivas à roda das casas do castro.

Alguns dos mais antigos documentos concernentes ao território Barrosão dizem respeito ao termo desta localidade como já afirmei noutros trabalhos e de que destaco a célebre doação feita por Aloito e sua mulher Bonela a São Rosendo em

- 953 «ipsa villa qui vocitant Travazos…prope rivulo Catavello» T.de C., I, de Andrade Cernada, Santiago de Compostela, 1995. Pág. 7/12.

Como o rio desse nome entre Larouco e a foz do Regavão era o Catavelo não restam dúvidas quanto ao Travaços de que se fala!

 

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E como sobre Travassos nada consta na “Toponímia Alegre”, faço eu um apontamento.

Mais uma vez a Toponímia de Barroso vem “contrariar” aquilo que é oficial e popularmente aceite e em vigor, refiro-me ao topónimo da nossa aldeia de hoje que em todo o lado o vejo escrito (página oficial da Câmara Municipal, CENSOS, e outra literatura e documentos) com sendo Travassos (com ss) e não Travaços  (com ç). A título de curiosidade para nós flavienses, na direção oposta a este Travassos-Travaços encontramos um caso idêntico, mas ao contrário, ou seja Valpassos como antigamente se escrevia, hoje escreve-se Valpaços. E afirmei “idêntico” sem ter bem a certeza de se o é, pois como cidadão comum falham-me estas preciosidades eruditas da evolução da nossa língua, coisa que nem quero aprofundar, pois para confusão já me chega ser obrigado a escrever segundo o novo acordo ortográfico, daí, aceito as coisas como elas hoje são, e neste post, o Travassos com que iniciei vai continuar a ser Travassos até ao fim.

 

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Passemos ao livro “Montalegre” aqui também Travassos grafado como Travaços, mas embora seja uma exceção aos escritos comuns, não é exceção nenhuma, pois o autor da “Toponímia de Barroso” é o mesmo do livro “Montalegre”, é portanto uma questão de coerência. Mas diz então o livro “Montalegre” a respeito de Travassos do Rio:

 

O boi do povo em Barroso é o símbolo máximo da vida comunitária, da virilidade, da fecundidade, da força e da honra da freguesia. No castelo de São Romão gravaram uma cabeça de boi, há milhares de anos, em sinal do culto que lhe devotavam; no século passado, os de Travaços do Rio, terra de memórias firmes e longas, gravaram a cabeça do boi campeão numa torre que lhe dedicaram. Não há muitas décadas, dezenas e dezenas de bovinos faziam novenas à roda da Capelinha do Santo António de Viade que os protegera de doenças e desastres. As inseminações artificiais retiraram à “divindade de cornos” o poder dos testículos mas não impediram que os barrosões continuem a praticar o seu desporto favorito que são as chegas. Até estão organizadas num campeonato ao longo do ano! Se os leitores forem ao futebol, em Montalegre, verão a assistir umas cem ou duzentas pessoas; se esperarem para ver uma chega de campeões, tenham cuidado!...não sejam atropelados por alguma multidão de cinco ou seis mil pessoas cheias de emoção!

 

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Uma outra referência à aldeia, ainda no livro “Montalegre” é a respeito de um seu ilustre:

Filipe José Gonçalves Andrade (séc. XVIII) nasceu em Travaços do Rio, em 173. Foi médico e cirurgião – mor do Reino do Algarve. Traduziu do francês a “Memória a respeito da peste” e faleceu, com oitenta anos, em Cabril, Montalegre. Foi agraciado com o hábito da Ordem de S. Tiago em 1791.

 

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E ainda mais uma referência no livro “Montalegre”

 

A criação de gado foi tão importante que os de Travaços do Rio ergueram a meio do povo uma torre ao boi campeão. Os seus habitantes devem sentir-se orgulhosos também porque Travaços é, depois de Salto, a terra barrosã referida em documentos autênticos e mais antigos: trata-se de dois documentos do Tombo de Celanova, na Galiza, referentes a doações destinadas ao Mosteiro e ambas no termo de Travaços, datadas, respectivamente, dos anos 93 e 976, sendo que numa delas é doadora a própria mãe do bispo São Rosendo! Há 103 anos!

 

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E o nosso entusiasmo vai ficar por aqui, mas antes ainda uma referência a mais duas preciosidades que encontrámos em Travassos do Rio e que ficam nesta duas últimas imagens, a primeira uma senhora com a capa de burel vestida, um abrigo para o frio e para a chuva, como era o caso no momento em que tomámos a foto, capa que embora ainda se vá vendo ao longo do Barroso, já começa a rarear. A outra preciosidade, por sorte de uma porta aberta que nos facilitou a imagem, é a de uma malhadeira, que também já é rara e cuja invenção é atribuída a Júlio dos Santos Pereira, que embora natural de Valpaços, fez de Chaves a sua terra de residência (sobre a invenção da malhadeira, notícia aqui: https://www.jn.pt/arquivo/2005/interior/flavia-criativa-de-volta-13-anos-depois-494764.html

 

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E ficamos por aqui sem uma referência ou imagem das cascatas Barrondas, tudo porque não fomos lá e não temos imagens, mas ficam para um post futuro. Fica prometido. Ficam também as habituais referências às nossas consultas e dizer-vos que as abordagens que já fizemos às aldeias e temas de Barroso estão agora no menu do topo do blog, mas também nos links da barra lateral. Se a sua aldeia não está lá, em breve passará por aqui, num domingo próximo, e se não tem muito tempo para verificar se o blog tem alguma coisa de interesse, basta deixar o seu mail na caixa lateral do blog onde diz “Subscrever por e-mail”, que o SAPO encarregar-se-á de lhe mandar um mail por dia com o resumo das publicações, com toda a confidencialidade possível, pois nem nós teremos acesso à vossa identidade e mail.

 

BIBLIOGRAFIA

BAPTISTA, José Dias, (2006), Montalegre. Montalegre: Município de Montalegre.

BAPTISTA, José Dias, (2014), Toponímia de Barroso. Montalegre: Ecomuseu – Associação de Barroso.

FONTES, Lourenço, Etnografia Transmontana I – Crenças e Tradições de Barroso, edição do autor, Montalegre, 1974.

FONTES, Lourenço, Etnografia Transmontana II - Comunitarismo do Barroso, edição do autor, Montalegre, 1977.

 

 

10
Dez18

O Barroso aqui tão perto - São Lourenço

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No último fim-de-semana, em “O Barroso aqui tão perto”, fomos até Vila Nova, Sidrós e Ponte da Misarela, ali mesmo onde começa a barragem de Salamonde, precisamente onde o Rio Rabagão se encontra com o Rio Cávado. Na altura não referimos este pormenor, mas hoje, dá-nos jeito esta referência, pois o nosso destino fica precisamente em frente a Sidrós, mas na margem direita do Rio Cávado, igualmente entre dois rios, mas desta vez o Rio Cabril ocupa o lugar do Rio Rabagão.

 

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Confesso que inicialmente este pequeno território barrosão entre estes três rios, se me apresentava um pouco confuso, muita curva, muita estrada, muita montanha e embora os três rios existam nas cartas, no terreno quase não se dá por eles, pois todos eles deram origem a barragens. Só quando comecei a ter as barragens como uma das referências é que me comecei a entender com este pequeno território do Barroso. Com isto, vou deixando esquecido o nosso destino de hoje, que é a aldeia de São Lourenço da freguesia de Cabril.

 

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Mas voltemos à questão dos rios e das barragens. O concelho de Montalegre tem 6 barragens, mas uma podemos deixá-la já de parte, pois no concelho de Montalegre só tem um nico, a barragem propriamente dita acaba por se desenvolver em terras Galegas. Refiro-me à barragem de Tourém.

 

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Mas como dizia, e com referência aos três rios mais importantes do concelho, as barragens obrigou-os por um lado a sair dos seus leitos originais, e por outro, entre barragens, fazendo-os quase desaparecer como rios. Iniciemos pelo Rio Cávado que em Sezelhe tem a sua primeira barragem, de pequenas dimensões, mas onde já há retenção de água. Logo a seguir, o mesmo rio dá origem à barragem de Paradela. Passemos agora para o Rio Rabagão que logo no início do seu percurso dá origem à barragem dos Pisões ou Alto-Rabagão,  para 6Km mais à frente dar início à barragem da Venda Nova. Neste momento da nossa descrição o Cávado está na barragem de Paradela e o Rio Rabagão está na Barragem da Venda Nova. Pois a partir de aqui os dois rios (Cávado e Rabagão) convergem e há um terceiro que se junta à convergência, o Rio Cabril. É precisamente na convergência dos três rios que começa a barragem de Salamonde, esta, marca também o fim  (limite) do concelho de Montalegre e o fim dos rios Cabril e Rabagão, passando a partir de aí o Rio Cávado entra em terras do Minho,  que depois de dar ainda origem a outras barragens e de passar próximo de Braga e por Barcelos, acaba por desaguar no mar em Esposende.

 

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Mas entremos em S. Lourenço. Deixei propositadamente o espaço da Sr.ª das Neves como primeira imagem deste post, precisamente porque foi a primeira imagem que tomei de S. Lourenço,  no dia 15 de julho de 2016, recordo ter sido um dia muito, mas mesmo muito quente. Chegámos lá, logo após termos almoçado em Sidrós. O dia recomendava uma sesta ou assossega para o almoço. Tomámos meia-dúzia de imagens e aproveitámos as convidativas sombras à volta da igreja para repousar um pouco, mas mesmo assim o calor era insuportável. Tínhamos na agenda fotografar S. Lourenço, mas apenas parámos no bar para hidratar. O calor quando aquece estupidamente com sabores de inferno, quando mais avança a tarde mais insuportável se torna, razão pela qual após a hidratação, regressámos a casa, sem uma única foto de S. Lourenço. Ficaria para mais tarde, com melhor calor, ou até frio, que este é questão de mais ou menos abrigos em cima do corpo.

 

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Voltámos a S. Lourenço em abril deste ano (2018). Tínhamos reservado o dia para as cascatas, um dia ótimo de sol, com calor acima do normal para a época, mas perfeitamente suportável, agradável até. A seguir à cascata de Pincães vimos ainda haver tempo para uma visita rápida a S. Lourenço para recolha de imagens, as suficientes para dar a conhecer a aldeia num dos nossos post´s. E para lá fomos, mas antes de começar a recolha fotográfica, fomos de novo hidratar ao bar que já era nosso conhecido e só depois avançámos para o coração da aldeia, não sem antes termos dado dois dedos de conversa com algumas pessoas da aldeia que estavam a aproveitar os preciosos raios de sol. Apenas interrompemos as suas conversas por uns curtos minutos, pois a tarde avançava e ainda tínhamos na agenda outra cascata.

 

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E lá fomos adentrando a aldeia até que numa das casas mais curiosas que encontrámos, nos saiu de lá uma senhora, com simpatia de sobra para que a conversa se fosse prolongando, mas infelizmente, desprevenido para tomar apontamentos para memória futura a utilizar neste post, apenas retive que a senhora tinha partido muito nova para Lisboa onde trabalhou toda a sua vida, e agora, já reformada, voltou à sua aldeia, que sempre teve no coração, para passar o resto dos seus dias.

 

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Fomos dando a conversa por terminada quando o céu se começou a encher de nuvens ameaçadoras de trovoada, coisa provável pois aquele calor fora de época, terras húmidas e altas, não de S. Lourenço, pois fica-se pelos 500m de altitude, mas mesmo ao lado as altitudes sobem acima dos 1300 metros na Serra do Gerês. E nós nem a meio estávamos da aldeia. Fizemos as despedidas, agradecemos a simpatia e alá pra frente, que é por aí que se faz caminho.

 

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Tivemos ainda tempo de conhecer, por mero acaso, um daqueles que deverá ser um dos maiores carvalhos (urbanos) do Barroso. Urbano por ficar no meio de um largo da aldeia, e tão grande que tivemos de nos afastar em bem dele para conseguirmos registá-lo no seu todo, mesmo assim, a imagem que fica é composta por uma montagem de três fotografias.

 

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Mesmo ao lado do grande carvalho fomos testemunhas de que é verdade que as árvores morrem de pé, não o grande carvalho que esse parecia estar de boa saúde, mas uma outra árvore que não cheguei ou lembrei de apurar qual era a espécie, mas pela silhueta pare ser igualmente um carvalho. No entretanto reparei, como por simpatia, que mesmo ao lado do carvalho morto jaz também um canastro (espigueiro) e achei curioso, pois é uma imagem que se vai repetindo nos canastros abandonados, afinal eles, os canastros também morrem de pé.

 

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Penso que quanto à localização de S. Lourenço já atrás ficou mais ou menos esclarecida. Indo pelos rios, fica na margem esquerda do Rio Cabril (acerca de 1000m) e na margem direita do Rio Cávado e Rabagão (a cerca de 800m) ali mesmo onde o Cávado recebe o Rabagão e começa a barragem de Salamonde. As distâncias indicadas são em linha reta, pois por estrada é um pouco mais. A última referência pode ser mesmo a sede de freguesia de Cabril que fica a apenas 1000m (onde o Cávado recebe o Rio Cabril, já em plena barragem de Salamonde).

 

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Mas fica a seguir o nosso mapa com a localização e também o itinerário para lá chegar, como sempre a partir da cidade de Chaves. Desta vez, ou mais uma vez, indicamos o trajeto via estradas municipais (sempre as mais interessantes), com o primeiro troço via S. Caetano/Soutelinho da Raia até à Vila de Montalegre e depois via campo de futebol onde o Benfica vai jogar com o Montalegre para a taça de Portugal (e viva a festa do futebol, Montalegre merecia um jogo com um dos grandes do futebol português e embora também torça para que o Montalegre ganhe, se perder, sai do campo como ganhador. Força!). Depois é só seguir em direção a Paradela (barragem) e depois via Ponteira e Ferral. Basta seguir a indicação das placas que a estrada está bem sinalizada.

 

s-lourenco-mapa.jpg

 

Em alternativa poderá utilizar as outras duas estradas por onde se chega a todo o Barroso, ou seja pela EN103 que atravessa o Barroso pelo meio, ou EN103 - Boticas e Salto - EN103. As distâncias são mais ou menos semelhantes, entre os 76 e os 84km conforme o itinerário. O que nós indicamos é o mais curto.

 

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E agora vamos às nossas pesquisas, que tratando-se de uma aldeia não muito grande, na média, não haverá muitas referências, mas algumas encontraremos. Vamos lá, talvez começando pelo livro “Montalegre” que deveria ser uma bíblia de todas as localidades do concelho, mas nem sempre é.

 

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Pois no livro Montalegre encontrámos (o negrito e sublinhado são nossos):

 

Das ermidinhas, que o estro de Junqueiro abençoa, destacamos quer pela beleza paisagística do local, quer pelo encanto do conjunto “Construção humana e Natureza envolvente”: Nossa Senhora das Neves (São Lourenço) e São Tiago (Fafião), na freguesia de Cabril; Senhor do Alívio, em Salto; Senhora do Monte (Serra do Barroso); São Frutuoso (Montalegre); Santo Amaro (Donões); Santa Marinha, em Vilar de Perdizes; S. Domingos, em Morgade; Nossa Senhora de Galegos, no Cortiço (Cervos); São João da Fraga, em Pitões; São Lourenço, em Tourém, e Nossa Senhora da Vila de Abril, em São Pedro (Contim).

 

A nossa opinião: Concordamos!

 

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Uma referência também a um dos seus ilustres, embora aqui se refira à antiga freguesia de São Lourenço de Cabril:

 

  1. Padre Diogo Martins Pereira (séc. XVII) nasceu em de Julho de 1681 no lugar de Pincães, freguesia de São Lourenço de Cabril. Deixou um manuscrito, datado de 1744, sobre a sua freguesia a que deu o nome de “Epítome Familiar e Árvore de Gerações de algumas casas da freguesia de São Lourenço de Cabril” que é um excelente relatório de muitas famílias do Baixo Barroso, seus costumes, suas vidas e seus feitos – a história e a lenda locais, no século dezassete, escritas com muito saber e gosto

 

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Passemos para a “Toponímia de Barroso”:

 

São Lourenço (Cabril)

 

Remota devoção pelo que se presume muito antiga a criação da Igreja e do próprio lugar desse nome. Contudo, não temos documento que o ateste. A tradição, ao contrário, diz da capela de invocação à Senhora das Neves, situada em lugar paradisíaco, perto de São Lourenço, que é o que resta do imemorial Mosteiros de pondras, origem primeiríssima do celebrado Mosteiro de Pitões!

-1258 « Sancti Laurentii de Cabril» INQ 1513

O hagiotopónimo tão afastado da Igreja deixa supor que a construção desta ocorreu mais tarde e em sítio mais central e assim aglutinou dois importantes polos religiosos da Idade Média: a Freiria de Pincães e o Mosteiro de Nossa Senhora das Neves! Acresce a força do orago que teve remotíssimo culto. Diz o Dr Avelino Costa que “foi o mártir romano que mais culto teve entre nós”

 

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Quanto à “Toponímia Alegre”

 

“Apelidos” de Cabril

 

Moeda-falsa de Lapela,

Vinho-azedo de Azevedo,

Cava-touças de Xertelo,

Escorricha-picheis de S.Lourenço

Rabões de Chelo,

(…)

Na Etnografia Transmontana do Padre Lourenço Fontes, o texto na referência a S. Lourenço aparece ligeiramente diferente: “Escorricha capichés de S. Lourenço” 

 

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E ainda na “Toponímia Alegre”

 

Nossa senhora das Neves

Do lugar de São Lourenço,

Todo o caminho fui bem

Só na barca tive medo

 

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Já adivinhávamos que pouca literatura haveria sobre São Lourenço, mesmo assim alguma coisa encontrámos, mas na ausência de mais, somos obrigados a encerrar este post.

Contudo é mais uma aldeia do Barroso, com características um pouco diferentes das aldeias do Alto Barroso, deste Barroso multifacetado e único. Tal como todas as aldeias do Barroso, esta também é de visita obrigatória, primeiro pela Senhora das Neves, não só pelo templo, mas também pela beleza do local, pelo aconchego e paz que por lá se vive. O carvalho da aldeia fica na memória a que o vê, pela sua imponência e beleza. O bar da hidratação, também é de paragem recomendável, principalmente de Verão quando se exige andarmos bem hidratados, mas pela certa que de Inverno também por lá poderemos aquecer um poucos os corpos.

 

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Ficamos então por aqui. Ficam ainda as habituais referências às nossas consultas e dizer-vos que as abordagens que já fizemos às aldeias e temas de Barroso estão agora no menu do topo do blog, mas também nos links da barra lateral. Se a sua aldeia não está lá, em breve passará por aqui, num domingo próximo, e se não tem muito tempo para verificar se o blog tem alguma coisa de interesse, basta deixar o seu mail na caixa lateral do blog onde diz “Subscrever por e-mail”, que o SAPO encarregar-se-á de lhe mandar um mail por dia com o resumo das publicações, com toda a confidencialidade possível, pois nem nós teremos acesso à vossa identidade e mail.

 

1600-s-lourenco (41)

 

BIBLIOGRAFIA

 

BAPTISTA, José Dias, Montalegre. Montalegre: Município de Montalegre, 2006.

BAPTISTA, José Dias, Toponímia de Barroso. Montalegre: Ecomuseu – Associação de Barroso, 2014.

FONTES, Lourenço, Etnografia Transmontana I – Crenças e Tradições de Barroso, edição do autor, Montalegre, 1974.

 

 

 

 

08
Dez18

Sandamil - Chaves - Portugal

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E porque hoje é sábado, vamos até mais uma das nossas aldeias do concelho de Chaves, desta vez, calha vir aqui Sandamil, da freguesia de Nogueira da Montanha, que fica ali onde bem na croa da Serra do Brunheiro, onde a serra parou de crescer para se transformar em planalto.

 

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Como a intenção deste trazer aqui as nossas aldeias é múltipla, ou seja, primeiro para as dar a conhecer, segundo para marcarem o seu lugar na WEB, terceiro como um convite a uma visita, nem há como a localizar devidamente e traçar-vos um itinerário para lá chegar. Pois embora já atrás tenha ficado a indicação que Sandamil fica no planalto do Brunheiro, este, tem uma dimensão considerável, entrando mesmo em terras de Valpaços, daí serem necessárias mais algumas indicações. Pois para lá chegarmos (a parti de Chaves), devemos subir a EN314 (Chaves-Carrazedo de Montenegro), passamos Vilar de Nantes, Izei, no Peto de Lagarelhos seguimos pelo lado esquerdo, passamos Lagarelhos e antes de chegarmos a France, logo após as “bombas de gasolina”, viramos à esquerda, seguindo por uma reta que se perde na croa de uma pequena elevação para logo a seguir começar a descer até chegar a um cruzamento onde encontrará a seguinte placa:

 

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Já lá estamos. O que há a dizer sobre a aldeia, já o fui dizendo em anteriores post´s dedicados a Sandamil, pela certa que logo a seguir a este post, o algoritmo da SAPO irá deixar as anteriores abordagens que fiz à aldeia, se tiverem curiosidade, nem há como clicar no link e ir ver o que por lá deixei. Hoje vou abordar outro tema que se prende com o topónimo SANDAMIL, pois tenho sempre curiosidade em saber ou tentar saber qual a sua origem.

 

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Pois bem, se fizermos uma pesquisa na net pelo seu significado, na infopédia encontramos o seguinte:

 

“Do baixo-latim [Villa] Sandemiri, 'a quinta de Sandemiro'. Encontra-se também na Galiza, e tem as variantes Sandomil, Santomil e Santosmil.”

 

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Já na “toponímia galego-portuguesa e brasileira”, um blog que se dedica à toponímia, encontrámos o seguinte:

 

Sandamil (Pt. e Gz.) - existe a variante Sandamiro (Gz.). do antropónimo germânico Sandemiru

 

E acrescenta ainda:

 

Topónimos terminados em "-mil"


Não seriam muitos, mas não há dúvida que vieram para possuir a terra. ao contrário dos romanos, que administravam territórios com a cobertura do poderio militar (sendo proporcionalmente poucas as villae, quintas ou fazendas de romanos de raiz), os novos senhores germânicos instalaram-se aqui para fazer da nossa terra a terra deles também. como senhores, é bom de ver. a toponímia galego-portuguesa não me deixa mentir: os "...ar", "...ães", "...ufe", "...ulfe", "...inde", "...ende", "...iz", e agora os "-mil", não serão milhares mas são realmente muitos. traduzem uma vivência rural, uma opção pelo campo em desfavor das cidades - onde os romanos vencidos tinham preferido viver até então. colapsam as "Bragas" e "Idanhas", desaparecem cidades, perde-se o fio à meada no Itinerário de Antonino. a vida retorna à terra-mãe, ao seio da natureza. as relações de poder de tipo administrativo passam agora para relações de poder de carácter ético e moral.
Da língua deles, incompreensível a nativos e romanos (que lhes chamavam bárbaros, por causa do blá-blá inentendível que soltavam das goelas), restam estes topónimos no genitivo latino: "(propriedade) de f..."
Aprenderam o latim, mas como os romanos já não mandavam para os corrigir, o latim deles, mais o dos nativos, deu em galego-português. e não está nada mal, ficou até legal. bem melhor que o inglês, que o diabo o fez (*).


A nota de rodapé também fica (no rodapé, claro), não só por concordar com ela, mas também pelo sentido de humor do autor.

 

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Por sua vez, o autor de um outro blog ( O Galaico), num comentário ao texto anterior,  deita mais achas para a fogueira, dizendo ao respeito:

 

Os topónimos que acabam por Mil tem muitas vezes origem em locais onde o exército romano tinha recrutado forças para as suas legiões.

A troco de soldo ou à força, as terras que doaram significativa parte da sua população as ordens do invasor ganharam por vezes o tal MIL no fim.

Mil de Militares...

 

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Ora esta última leva-nos a ir à procura do significado de SANDA ao qual se teria acrescentado MIL, que no Priberam nos leva até ao verbo SANDAR, com o seguinte significado:

 

san·dar  (talvez de sarar) - verbo intransitivo - [Portugal: Minho]  Sarar ou melhorar.

 

Sandamil, pelo menos para curar os males do nevoeiro do vale de Chaves, encaixa na perfeição nesta definição, e se o rigor do frio dos seus invernos cura tão bem os presuntos, as chouriças, os salpicões e as alheiras, porquê não nos curar (sarar) a nós também!?... Mais uma acha prá fogueira.

 

Claro que na busca da origem das coisas, às vezes em vez de esclarecer só se complica, mas pelo menos fica uma base para partirmos à descoberta, no entanto, também se pode dar o caso de a origem ser outra qualquer.

 

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As nossas consultas:

 

- Sandamil in Dicionário infopédia de Toponímia [em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2018. [consult. 2018-12-08 04:01:25]. Disponível na Internet:  https://www.infopedia.pt/dicionarios/toponimia/Sandamil

 

- "sanda", in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2013, https://dicionario.priberam.org/sanda [consultado em 08-12-2018].

 

- https://dicionario.priberam.org/sanda

 

- http://toponimialusitana.blogspot.com/

 

 

(*) tendo em conta que essa erva-daninha se tornou obrigatória nas culturas em Portugal desde a escolaridade básica, e que já ninguém é capaz de escrever coisa que se veja senão nessa espécie de língua, calcula-se que as próximas Comunicações de Ano Novo dos senhores Presidente da República e Primeiro Ministro sejam proferidas em Inglês, para poupar dinheiro ao Défice e evitar calinadas, pontapés na gramática e os inefáveis "controlos" e "impactes".

 

 

 

25
Nov18

Roriz - Chaves - Portugal

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Hoje vamos até Roriz e começo com um pedido de desculpas, com as devidas explicações na esperança de ser perdoado. Poderia evitá-las se… mas também para isso há explicações.

 

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Ora então vamos lá, é quase uma estória. A minha vida laboral levou-me ao longo destes últimos trinta anos algumas vezes até Roriz. Desde a primeira vez fiquei de olho na aldeia, primeiro porque ainda antes de entrarmos nela se deixava ver no seu todo, onde se podia apreciar o seu conjunto mais ou menos bem concentrado, depois porque logo na entrada se avistava um edifício mais senhorial que nos chamava a atenção, logo a seguir um largo que dava a entender ser o seu largo principal, e depois todo o casario tipicamente rural e transmontano, para além de ser uma aldeia sempre com vida nas ruas, o que fazia sempre agradável uma visita. Acontece que nessas visitas de trabalho, ia em trabalho, e embora até já me dedicasse à fotografia, ainda estávamos no tempo da analógica, ou seja, no tempo em que, por exemplo, arrancávamos por aí fora numas férias de 15 dias com um rolo de 36 fotografias e regressávamos a casa ainda com 4 ou 5 fotografias por tirar, pois a revelação e ampliação das fotos tinha que ser paga e digamos que os custos não eram muito convidativos para quem não lhe abundava o dinheiro. Ou seja, não acontecia como hoje em que se tomam fotografias de tudo e alguma coisa, a torto e a direito. Concluindo, nessas minhas visitas de trabalho, nem sequer levava a máquina fotográfica comigo, e hoje, diga-se a verdade, arrependo-me bem, pois sem prejudicar o trabalho, poderia ter registado alguns momentos que hoje são impossíveis de registar.

 

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Mas avancemos. Quando iniciei este blog, nunca imaginei que ele se viria a transformar naquilo que é hoje. Primeiro era para ser dedicado só a coisas mais pessoais e à cidade de Chaves, mas logo me dei conta que as coisas pessoais são, como o próprio nome indica, pessoais, e a cidade de Chaves, embora para mim seja uma grande cidade, é coisa pouca para mostrar o ser flaviense, pois o nosso ser ficaria manco sem a componente rural das nossas aldeias do concelho, e assim, cedo me dei conta que o Blog seria de Chaves, sim senhor, mas não da cidade de Chaves, antes do município de Chaves, ou seja, da cidade de Chaves, da vila de Vidago e das aldeias do concelho. Iniciava então a minha primeira ronda por todas as aldeias do concelho, uma a uma, nuns fascinantes dias de descobertas. A primeira ronda demorou seis anos a ficar completa e a Roriz tocou-lhe a sorte no mês de outubro do ano de 2008.

 

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Acontece que nessa primeira abordagem a objetiva da minha máquina já apresentava algum cansaço, não pela idade, mais pelo uso, e começou a focar as imagens só quando lhe apetecia, ou seja, 2/3 das imagens saíram-me desfocadas. Sei isto porque mesmo desfocadas ainda guardo essas imagens, isto só para me lembrar que tinha de ir por Roriz novamente para repetir essas fotografias e aproveitar para tirar mais algumas, e fui, passados 4 anos (outubro de 2012). Nessa altura já com duas lentes, uma para todo o serviço e outra, uma teleobjetiva, só para grandes distâncias, daquelas que vê coisinhas mais pequenas a grande distância.

 

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Ora acontece que eu até sou organizadinho, mas também um pouco despistado. Coisas que não combinam muito bem. Antes de sair para o terreno tenho sempre o cuidado de carregar pilhas suplentes, limpar o cartão de memória, etc, mas, às vezes, chegado ao terreno, falha-me a pilha da máquina e só então me lembro que a suplente ficou em casa no carregador, ou o cartão de memória no computador. Para a minha segunda abordagem a Roriz levei pilha e cartão de memória, mas quando cheguei lá, ao retirar a máquina do saco é que me dei conta que levava a lente errada, a tal objetiva para grandes distâncias o que, convenhamos, não dá mesmo jeito nenhum para tirar fotografias no interior de uma aldeia,  onde tudo fica perto. Mas não dei parte de fraco, tirei algumas fotos, as possíveis de maior distância dentro da pouca distância e regressei a casa com espírito de missão NÃO cumprida, ou seja, com a necessidade de ter de lá voltar para finalmente poder fazer como deve de ser, com todo o equipamento que necessito e adequado,  para fazer o devido levantamento da aldeia, mas, infelizmente, cheguei ao dia de hoje sem lá ter voltado, ou seja, todas as imagens que hoje vos deixo são desses dois idos anos de 2008 e 2012, e, ainda por cima, não tenho a certeza se estou a repetir imagens.

 

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Claro que o palavreado que atrás fica, embora sincero, mais que desculpas são justificações para as imagens que hoje vos deixo, mas também para vos poder dizer que em nenhuma das abordagens que fiz aqui no blog ficou completa, pois há imagens que deveriam aqui estar e que nunca aqui apareceram, mas tudo isto serve também de pretexto para mais uma visita a Roriz, e desta vez vou certificar-me mesmo que levo tudo que necessito e se não levar, volto atrás, recolho o que falta, e volto pra lá no mesmo dia. Fica prometido e aqui quando se promete é para cumprir.

 

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Mesmo assim, deixo por aqui algumas imagens de alguns pormenores, da vista quase geral de Roriz, das vistas que desde Roriz se alcançam e que entram pela Galiza adentro (recorde-se que em linha reta a raia da Galiza fica a apenas 3.5km de Roriz) e a imagem possível da sua igreja.

 

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Mas há duas imagens que me merecem um destaque, a primeira, a daquela data do ano de 1960 que me chama sempre a atenção (por ter sido ano de boa colheita) e a segunda a da galinha em liberdade na rua. Suponho que seja galinha, parece-me, mas também como já não conheço muito bem o engaço, aquela crista deixa-me na dúvida se será realmente uma daquelas galinhas poedeiras que mais tarde dão uma bela canja ou carne para alheiras, ou um galo. Mas mesmo com a crista grande eu aposto na galinha, pois o galo tem sempre aquele ar de importante de pescoço bem levantado.

 

E com esta me bou e prometo que não me esquecer do que prometi. E cumprir!

 

 

18
Nov18

O Barroso aqui tão perto - Lodeiro Darque

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montalegre (549)

 

Continuando as nossas visitas ao Barroso aqui tão perto, hoje vamos mais uma vez até à freguesia de Salto, para uma aldeia que fica simultaneamente no limite da freguesia, no limite do concelho de Montalegre, no limite do Barroso e no limite de Trás-os-Montes, dá pelo nome de Lodeiro de Arque, às vezes também grafado como Lodeiro d’Arque, Lodeiro Darque, Lordeiro Darque e Lodeiro de Arca. Por aqui quase parece ser uma aldeia em tudo plural, mas não, é até muito singular nas suas características.  Da nossa parte para não estarmos a utilizar todos os topónimos conhecidos, de futuro, passaremos a referir a aldeia como Lodeiro Darque.

 

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Só fomos a esta aldeia uma única vez, decorria o dia 27 de maio de 2016, já depois das 17 horas, debaixo de uma valente trovoada em que chovia a potes, céu carregado e “baixo”, com muito pouca luz. Ainda pusemos a hipótese de lhe passar ao lado e ficar para uma próxima visita, que teria de ser propositada, pois sendo uma aldeia de limites não calha na passagem dos nossos itinerários pelo Barroso. Era um daqueles momentos em que sair do carro não era mesmo recomendável, nem com guarda chuva, mesmo assim decidimos dar uma volta pela aldeia.

 

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Entrámos e fomos logo brindados com um conjunto que nos agradou. Cruzeiro, alminhas e um pequeno chafariz compunham o largo de entrada. Não dava para sair do carro, mas com o vidro aberto sempre dava para fazer umas fotos rápidas. Muito escuras, por sinal, mas antes escuras que queimadas com luz a mais.

 

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As técnicas recomendam que o trabalho de campo seja precedido do devido trabalho de casa. Antes de avançarmos para o terreno deveríamos saber e recolher o máximo de informação daquilo que há por lá, no terreno. Mas digamos que sempre fui um pouco rebelde quando a normas estipuladas e que gosto de ser surpreendido. A única coisa que defino com antecedência são os itinerários de ida e volta a casa. Sei que com esta atitude às vezes deixámos coisas importantes para trás, mas também descobrimos outras, pormenores, que não vêm nos livros ou na informação disponível. Depois há também outra razão para esta atitude, é que ficando o Barroso aqui tão perto, a qualquer altura podemos lá chegar para completar o nosso levantamento, ou seja, arranjamos um pretexto para ir por lá outra vez. Não sei se será o caso, pois ainda estou na introdução do post sem saber o que os livros e outros documentos para pesquisa me reservam, mas prevejo que não sejam muitos.

 

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Em suma já tenho desculpas, talvez, para coisas que fossem de abordagem obrigatória e que tenham escapado ao levantamento, em imagem, pois quanto as conversas, na maioria das aldeias, vai sendo cada vez mais difícil, é que ao contrário do que acontecia há coisa de 30 e tal anos atrás, em que ao entrarmos numa aldeia apareciam logo os cães, os gatos, as crianças e as ruas tinham uma correria viva de pessoas e animais domésticos, hoje entramos e saímos, às vezes, sem ver vivalma. Pois em Lodeiro Darque, mesmo que habitualmente tenha uma vida social de rua, nesse dia não era mesmo recomendável andar nela. E assim foi, entramos e saímos sem ver vivalma.

 

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Já em casa, no pós-levantamento da aldeia, uma das primeiras coisas que geralmente faço é consultar as cartas, mapas e fotografia aérea. Às vezes lá dou conta de algumas falhas, de pequenos núcleos separados da aldeia que parecem merecer uma visita. No caso de Lodeiro Darque, a aldeia resume-se mesmo ao que vi. Pareceu-me então uma pequena aldeia que deveria ter mais qualquer coisa, mas não. Na realidade deve tratar-se de uma aldeia antiga que vivia à volta de duas grandes casas agrícolas, isto a julgar pelo casario existente em que duas construções se destacam como tal, e outras tantas com menos opulência, parecendo-me o restante serem armazéns agrícolas. Num total de cerca de vinte de casas, incluindo a capela e os armazéns e arrumos agrícolas.

 

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Pequena, sim, mas nem por isso deixa de ser interessante, com destaque para a sua entrada com o cruzeiro, alminhas e pequeno chafariz encostado às alminhas, as duas grandes casas agrícolas com pátio interior, a capela, o restante casario tipicamente transmontano e barrosão e a paisagem chegam para lhe recomendarmos uma visita.

 

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Vamos então à sua localização e itinerário para lá chegar a partir (como sempre) da cidade de Chaves. Pois desta vez, quanto a itinerário, partimos desde a estrada de Braga (EN103) até Sapiãos, onde abandonamos esta estrada para nos dirigirmos a Boticas. Depois tomamos a Nacional 311 em direção a Salto, nada que enganar, pois é sempre pela estrada principal, mesmo assim, a estrada está bem sinalizada para qualquer dúvida que possa surgir. Tem de se atravessar Salto e no final tem duas opções, sensivelmente de igual distância, numa segue-se pela N311 , passando ao lado de Reboreda e de Póvoa, a outra é via CM 1033, passando por Corva, Amial e Bagulhão, logo a seguir entra de novo na N311 e 400 metros à frente tem Lodeiro Darque. No nosso mapa que fica a seguir, recomendámos o CM1033 para ir (com passagem por 3 aldeias). No regresso, sempre poderá fazê-lo pela Póvoa e Reboreda, até Salto. Quanto ao restante itinerário de regresso a Chaves, desta vez, recomendo o mesmo de ida, mas sempre podem, chegado a Salto, descer à EN 103 e seguir sempre por ela até Chaves. Pelo itinerário recomendado, de Chaves a Lodeiro Darque são 60km (Via EN103 são mais 16Km).

 

lodeiro-mapa.jpg

 

Retomemos agora com aquilo que encontrámos na documentação disponível, à qual tive acesso, sobre Lodeiro Darque, começando pela Toponímia de Barroso:

 

Lordeiro Darque, ou melhor, Lodeiro de “Arca”

 

É  mais um caso de eruditismo bacoco que até rima com idiotismo. Derivado de LODO (do latino LUTEU, que quer significar terreno enlameado) chegamos a lodeiro. No determinativo reside a dificuldade. Arque não é nada mas por dissimilação chegamos a Arque, corruptela de Arca. E essa arca teria de entrar no domínio arqueológico: ou “arca” > do latino arca como sepultura rupestre; ou como construção dolménica (que representa o mesmo); ou como marco divisório predial.

Como se trata de “lodeiro” onde a água e a terra se misturam, e condiz com parte da envolvência topográfica do sítio em causa, opto pela existência de algum marco que dividisse duas “vilinhas”, talvez Lodeiro de Arque e Lamachã, ali perto.

A confirmar quanto digo estão as INQUIRIÇÕES de

-1258 «in Lodeiro de Archa». A que propósito virá cá o Arque? Que tolice tamanha!

“Mais vale dinheiro na arca que fiador na praça”.

 

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Tolices quem não as comete… mas pelo menos já fiquei a compreender porque chovia tanto quando fui a Lodeiro … E agora apetecia-me dizer: “e com esta me bou!”, mas ainda vou ficar mais um bocadinho.

 

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Esperávamos que na “Toponímia Alegre” houvesse uma referência a Lodeiro Darque, mas não há, no entanto, bem mais antiga, há uma referência (do género) na Etnografia Transmontana I:

 

Alcunhas da Freguesia de Salto

(…)

Fome lazeira de Pereira,

Fome de rachar de Amiar, ou Manilhas

Tripas de Coelhos de Linharelhos,

Secos de pó de Caniçó,

Corvanitos de Corva,

Toucinheiros de Seara,

Pouco pão e muitas arcas de Lodeiro d’Arque

Peles de coelho em Paredes,

Sacos de palhas da Borralha.

(Informou Domingos Pereira Fernandes de Amial e José Frutuoso de Salto)

 

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E ficamos por aqui. Ficam ainda as habituais referências às nossas consultas e dizer-vos que as abordagens que já fizemos às aldeias e temas de Barroso estão agora no menu do topo do blog, mas também nos links da barra lateral. Se a sua aldeia não está lá, em breve passará por aqui, num domingo próximo, e se não tem muito tempo para verificar se o blog tem alguma coisa de interesse, basta deixar o seu mail na caixa lateral do blog onde diz “Subscrever por e-mail”, que o SAPO encarregar-se-á de lhe mandar um mail por dia com o resumo das publicações, com toda a confidencialidade possível, pois nem nós teremos acesso à vossa identidade e mail.

 

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BIBLIOGRAFIA

 

BAPTISTA, José Dias, Toponímia de Barroso. Montalegre: Ecomuseu – Associação de Barroso, 2014.

FONTES, Lourenço, Etnografia Transmontana I – Crenças e Tradições de Barroso, edição do autor, Montalegre, 1974.

 

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12
Nov18

O Barroso aqui tão perto - Sanguinhedo

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Como já sabemos que os finais de outono, todo o inverno e inícios de primavera, meteorologicamente falando, o tempo não é muito certo, em geral agendamos as nossas descobertas do Barroso para quando temos garantias de haver bom tempo e mais luz. Pois então, com alguma antecedência, marcámos o dia 12 de maio de 2017 para a descoberta de mais um pouco do Barroso, na qual tínhamos também incluído no nosso itinerário a aldeia de Sanguinhedo.

 

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Mas os dias do mês de maio também não são muito certos, é conforme lhes dá, e quando lhes dá para o torto, é mesmo para o torto o dia todo. Foi assim, bem torto, chuvoso e até com algum frio que nasceu aquele 12 de maio de 2017. Os parceiros de viagem ainda interrogaram se mantínhamos o dia para a fotografia e descoberta de mais algumas aldeias do Barroso. Claro que sim, em maio não podia chover todo o dia, algumas abertas haveríamos de ter… mas não tivemos, no entanto,  já que andávamos por lá, fizemos frente à chuva, ao frio e ao vento e embora as máquinas fotográficas até nem gostem de chuva, as fotografias adoram, ficam mais brilhantes, mais misteriosas, diferentes. Cumprimos a nossa missão e isso é o que interessa.

 

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Quanto a Sanguinhedo, já nos tinham falado da aldeia, como sendo uma das aldeias, a primeira completamente despovoada no concelho de Montalegre. Mal deixámos a EN103 para tomar a rampa de acesso à aldeia, com o temporal a cair sobre nós e as primeiras casas a surgirem no nosso horizonte, quase tivemos a sensação de  não estranhar o despovoamento. Parámos o carro para descansar da subida, olhámos para trás e eis o primeiro impacto, agradável, mesmo  debaixo de um céu ameaçador, a paisagem impressionava, ninguém podia ficar indiferente ao que se via. Olhando melhor para as primeiras casas, um pouco estranhas e fora do habitual no Barroso, acabavam também por fazer um conjunto simpático e igualmente interessante.

 

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A aldeia parecia começar e terminar ali, logo após aquilo que se via. Avançámos a pé mais um pouco e deparámos com um placa pousada em cima de umas pedras, encostada às paredes de uma das casas “Horse & Move – B&C Equitação”.  O Azul elétrico da placa atraía o nosso olhar e o lettering despertava-nos a curiosidade, para além disso demos conta de que a rua e a aldeia continuavam por ali acima. Os companheiros de viajem avançaram na direção que a placa indicava e eu, entrei no carro e avancei até ao final da rua que era também o final da aldeia e mal parei, fui recebido por um cão, amigável e simpático, troquei umas impressões com ele para ficarmos à-vontade, já sei que nunca me respondem, mas entendem-me sempre.

 

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E estava eu ainda de conversa com o cão, enquanto ia tirando a máquina fotográfica do carro e o guarda-chuva, o que provoca um certo embaraço andar e manejar as duas coisas, quando surge um homem vindo de uma das casas. Claro que vi logo que não era o fantasma da aldeia abandonada, pois via-se bem que era bem real, mesmo que viesse de cabeça coberta e o rosto naquele dia escuro ficasse à sombra do carapuço. E as minhas primeiras palavras dirigidas ao aparecido, ainda antes de o cumprimentar, foram de espanto: “Pensei que já não vivia aqui ninguém!?”. Que não!  Disse-me o aparecido, que vivia ele, a mulher o(s) filho(s), 10 cavalos e alguns cães, os que iam aparecendo e ficando por lá. Pela resposta deu logo para entender que o aparecido não era barrosão, embora falasse português, era um português esquisito, que deu mote para a próxima pergunta: — O senhor não é de cá, pois não!?. Pois não, não era, tinha vindo da Holanda à procura de uma propriedade para se poder dedicar aos cavalos. Era veterinário, gostava dos animais e da natureza e embora a intenção dele fosse outra região do país, calhou conhecer aquele cantinho do Barroso e apaixonar-se por ele, onde tinha tudo para aquilo que queria, e por ali ficaram.

 

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No entretanto,  os meus parceiros de viagem chegaram e ficaram tão espantados quanto eu fiquei quando viram o aparecido, que viemos depois a saber chamar-se Casper,  que vivia com a mulher, Brigitte, que entretanto também apareceu, ela professora de equitação. Bem, para o levantamento fotográfico da aldeia bastariam uns 20 minutos, mas a conversa foi rendendo, os anfitriões eram simpáticos, mostraram-nos as instalações, apresentaram-nos os cavalos que estavam lá mais à mão, um deles o halibute (fixei o nome por ser curioso) e acabámos por ficar por lá cerca de duas horas, se bem recordo.

 

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Um ano e uns meses já é muito tempo para recordar pormenores da conversa que tivemos, mas recordo ainda terem-nos falado de uma atividade com barcos de recreio na barragem da Venda Nova, que fica a penas 120m da aldeia, ou seja, entre a aldeia e a barragem, praticamente apenas temos a EN103. Recordo ainda terem falado em turismo rural, que tinham algumas das casas preparadas para este fim. Fui à net, pesquisei e lá está, pelo menos no “Booking.com” onde encontrei uma descrição sobre as instalações, que suponho ser da responsabilidade dos proprietários (holandeses), pelo menos a julgar por um pormenor do texto que deve estar relacionado com o ainda não dominarem convenientemente o português, refiro-me a este pormenor que irão ver no texto que a seguir vou transcrever: “existem estábulos para cavalos nos quartos”.  

 

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Pois aqui fica a transcrição daquilo que está no “Booking.com”

 

Quinta da Riba

Situada em Sanguinhedo, a Quinta da Riba é uma propriedade que providencia passeios a cavalo, com um total de 10 cavalos lusitano. Existem estábulos para cavalos nos quartos e um dos proprietários é um instrutor de equitação.

Entre as várias comodidades desta propriedade estão um jardim e um terraço. Está disponível acesso Wi-Fi gratuito. Os quartos deste alojamento de turismo rural estão equipados com um guarda-roupa. Os quartos estão completos com uma casa de banho partilhada, enquanto algumas unidades da Quinta da Riba também possuem uma área de estar.

Todas as manhãs é servido um pequeno-almoço continental na propriedade.

Uma variedade de actividades populares estão disponíveis na área em redor do alojamento, incluindo caminhadas. A propriedade também é um abrigo para cães.

Braga fica a 41 km da Quinta da Riba. O aeroporto mais próximo é o Aeroporto Francisco Sá Carneiro, a 76 km deste alojamento de turismo rural. 

Esta propriedade também tem uma das localizações melhor pontuadas em Sanguinhedo! Os hóspedes estão mais satisfeitos com ela do que com outras propriedades da mesma área.

Este alojamento é recomendado pela boa relação preço/qualidade em Sanguinhedo! Os hóspedes têm mais por menos dinheiro em comparação a outros alojamentos nesta cidade.

Falamos o seu idioma!

 

Para saber mais sobre esta unidade, nem há como consultar os seus sítios na net:

 

Páginas da Horse & Move – Sanguinhedo - Portugal

Internet: http://horseandmove.123website.nl/

Facebook: https://www.facebook.com/horseandmove/

 

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No texto que atrás foi ficando, já fica um pouco ou quase tudo a respeito da localização de Sanguinhedo. Já dissemos que fica junto à Barragem da Venda Nova, junto à EN103, a 41 Km de Braga e a 76 Km do aeroporto Sá Carneiro. Falta dizer que fica a 500 metros da Venda Nova e a 61,8 km de Chaves, mas a seguir deixamos o melhor caminho para lá chegar a partir de Chaves, logo seguido do nosso habitual mapa.

 

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Pois embora Sanguinhedo fique junto à EN103 e bastaria tomar esta estrada em Chaves, seguir sempre por ela até à Venda Nova (Barragem) e logo a seguir quatrocentos e tal metros) virar à esquerda para a nossa aldeia de hoje, não é este o itinerário que vou recomendar, pois esse será o da N311, por ser mais curto e para mim o mais interessante, no  entanto já sabem que eu recomendo sempre um caminho para ir e outro para vir, e o regresso, esse sim, recomendo a EN103. Mas que decide não sou eu e vocês tomarão aquele que entenderem. Falta só referir que a N311 é a estrada que liga Boticas a Salto, ou seja, caso seja este o itinerário escolhido, terão de tomas a EN103 em Chaves até Sapiãos, aí abandonam a EN103 e viram para Boticas, atravessam esta vila e seguem em direção a Salto, mesmo antes de chegar a Salto terão de virar à direita em direção à Venda Nova. Há sempre placas informativas, não há nada que enganar. Por este itinerário são 61.8 Km pela EN103 são 68.7 Km. Fica o nosso mapa.

 

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Vamos agora ao que encontrámos nas nossas pesquisas, onde como sempre o livro “Montalegre” é de consulta obrigatória. Pois no referido livro só encontrei duas referências a Sanguinhedo, uma quando se refere o roteiro das barragens e outra em relação ao Padre Domingos Barroso, que transcrevemos:

 

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Padre Domingos Barroso (séc. XIX) nasceu na quase erma povoação de Sanguinhedo, em 1889. Assinalado praticante das actividades cinegéticas, devemos-lhe o apuramento da raça canina dita “perdigueira”. Devido a tal escreveu “O Perdigueiro Português,” obra publicada em duas edições e muito elogiada. Escrevia muito bem, em estilo desempenado e limpo e colaborou em diversos órgãos de comunicação social escrita.

 

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Achámos estranho não aparecer nenhuma referência quanto à freguesia a que pertence, que deduzimos ser a Freguesia da Venda Nova. Fomos até essa parte do livro e lá aparece a aldeia grafada como Sangunhedo (sem o i). Mais por curiosidade do que por dúvida, fomos consultar o site do Município de Montalegre, que na pesquisa nos remete para o livro “Montalegre”, ou seja, voltámos ao mesmo, mas há sempre a “Toponímia de Barroso” para tirar dúvidas, e aí esclarecemos aquilo que já sabíamos, que Sanguinhedo é mesmo Sanguinhedo, só não sabíamos é que era do Arco, ou seja, Sanguinhedo do Arco, mas vamos à “Toponímia de Barroso” ver o que por lá se diz ao respeito.

 

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Sanguinhedo do Arco

Este topónimo tem percorrido o mesmo caminho de Sabuzedo, mas a partir do nome comum SANGUINHO + EDO – SANGUINHEDO. Apesar disso o povo pronuncia muitas vezes Sangunhedo  e refere o topónimo ao nome de um santinho: São Gunhedo, o que é um acto de crença inexplicável! E a tal santinho dedicaram as alminhas  do lugar que estão junto à Estrada Nacional 103.

 

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Ora com mais esta do São Gunhedo lá tive de ir à procura das alminhas para deixar aqui e que tinha arquivadas com as da aldeia de Padrões, mas como não quero que aqui falte nada, aqui estão as referidas alminhas:  

 

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Ainda integrado na “Toponímia de Barroso” está a “Toponímia Alegre” onde aparece uma quadra dedicada a Sanguinhedo:

 

Adeus, adeus, Sanguinhedo

És de ladeiras ao fundo;

Quem lá vai tomar amores

Vai-se despedir do mundo.

 

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No Dicionário do mais ilustres Transmontanos e Alto Durienses, encontrámos mais uma referência a Sanguinhedo:

 

MONUMENTOS, ACHADOS HISTÓRICOS E LOCAIS DE INTERESSE

De entre os monumentos destacamos: os diversos dólmenes e antas, já assinalados. Estes monumentos tumulares de pedra foram construídos, entre nós, no período que se situa nos fins do Neolítico, com prolongamento pela Idade do Bronze; os castros são povoações fortificadas, localizadas em colinas de difícil acesso e, de preferência, junto a cursos de água, onde os povos viviam em relativa tranquilidade e se poderiam defender de outras tribos. A cultura castreja teve larga difusão no Barroso, como já vimos; as estradas romanas que atravessavam a região do Barroso, fazem a ligação entre Braga e Chaves e Astorga com variantes e itinerários diferentes; os marcos miliários, monolitos que se fixavam ao longo das vias romanas, por vezes, com indicação de nomes e títulos honoríficos. assinalavam as distâncias de 1.000 em 1.000 passos. Dos muitos existentes ainda se conservam os que se encontraram em Vilarinho dos Padrões, Sanguinhedo.

 

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E vamos iniciando as despedidas, mas antes ainda há tempo para referir que na Internet encontrei a referência a uma  “Associação Recreativa e de Revitalização da Aldeia de Sanguinhedo”, mas apenas isso e ainda uma Dissertação de Mestrado de Arquitetura, data de 2013 e intitulada “Impacto da arquitetura na minimização do despovoamento local : Sanguinhedo, um caso de estudo”, ao qual só tivemos acesso ao resumo, que diz assim:

 

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O presente trabalho de investigação aborda a implementação de um restaurante apoiado por edifícios dirigidos ao Turismo de Habitação Rural, em Sanguinhedo, lugar de Venda Nova, um lugar quase abandonado no concelho de Montalegre. Representa a última etapa do 2º Ciclo, Mestrado Integrado em Arquitetura, a apresentar na Faculdade de Arquitetura e Artes da Universidade Lusíada de Vila Nova de Famalicão. “Impacto da Arquitetura na Minimização do Despovoamento Local – Sanguinhedo: Um caso de estudo” foi o título produzido, após se analisar o estudo desenvolvido e se estabelecerem os objetivos pretendidos. A escolha deste trabalho foi motivada pelo conhecimento prévio da propriedade e região onde se pretende implementar o restaurante. Este trabalho explora o Turismo, em particular o Turismo em Espaço Rural e a forma como este pode dinamizar uma região e diminuir o seu despovoamento. A ideia surge depois do contato com a região do Barroso e suas gentes, aqui caracterizados, bem como da constatação do êxodo rural que esta região tem vivido em tempos recentes. Caracteriza-se a povoação de Venda Nova e seu enquadramento natural e geográfico fundamentando assim, a necessidade de implementação de um espaço que apoie o Turismo e sirva como âncora para não só atrair turistas, mas cativar as gerações mais novas a ficarem na sua terra natal. Cria-se, assim, um pólo dinamizador para um reinventar do espaço rural de Sanguinhedo, Venda Nova.

 

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Pois, todas as ideias são válidas e preciosas para combater despovoamento rural, o problema é que se trata de um problema estrutural, que não depende de nós e da nossa vontade, mas sim do poder central, se é que existe, pois também ele está hipotecado a quem realmente detém, e o problema maior, é que, parece-me, já não se saber que o detém. Entretanto, vamos ficando sem hospitais públicos, sem escolas, sem comércio local, sem agricultura, sem o regresso dos nossos filhos, sem os nossos saberes, sem os nossos sabores, sem as nossas tradições, enfim, sem a nossa cultura, para por fim ficarmos sem a nossa identidade.

 

E ficamos por aqui. Ficam ainda as habituais referências às nossas consultas e dizer-vos que as abordagens que já fizemos às aldeias e temas de Barroso estão agora no menu do topo do blog, mas também nos links da barra lateral. Se a sua aldeia não está lá, em breve passará por aqui, num domingo próximo, e se não tem muito tempo para verificar se o blog tem alguma coisa de interesse, basta deixar o seu mail na caixa lateral do blog onde diz “Subscrever por e-mail”, que o SAPO encarregar-se-á de lhe mandar um mail por dia com o resumo das publicações, com toda a confidencialidade possível, pois nem nós teremos acesso à vossa identidade e mail.

 

BIBLIOGRAFIA

 

BAPTISTA, José Dias, Montalegre. Montalegre: Município de Montalegre, 2006.

BAPTISTA, José Dias, Toponímia de Barroso. Montalegre: Ecomuseu – Associação de Barroso, 2014.

DA FONTE, Barroso, Dicionário dos mais ilustres Trasmontanos e Alto Durienses, Guimarães.

 

WEBGRAFIA

https://www.booking.com/hotel/pt/quinta-da-riba.pt-pt.html, consultado às 18H50 de 11/11/2018.

http://repositorio.ulusiada.pt/handle/11067/2996, consultado às 19H30 de 11/11/2018.

 

14
Out18

O Barroso aqui tão perto - Friães (com um vídeo)

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Há coisa de um ano, mais precisamente no dia 16 de outubro do ano passado deixámos aqui em “O Barroso aqui tão perto” a aldeia de Friães (https://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-friaes-1594850). Hoje regressamos lá, não por ser o aniversário da publicação, mas por um vídeo que vi esta semana e que me encheu as medidas. Claro que não podia deixar de o partilhar aqui, pois merece ser visto. Espero que gostem e mais uma vez parabéns ao autor.

 

 

 

 

 

 

06
Out18

Rebordondo - Chaves - Portugal

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Seguindo a metodologia desta nova ronda pelas aldeias de Chaves, ou seja, a ordem alfabética, hoje toca a vez a Rebordondo, por sinal uma aldeia que tem sido nossa convidada com alguma frequência, e se isso acontece, alguma razão haverá para tal, pois não temos qualquer ligação em particular com ela. Vamos saber algumas dessas razões.

 

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Pois no geral será por ser uma aldeia que ainda mantém a integridade de uma aldeia tipicamente transmontana, sem grandes atentados no seu interior e onde o casario tipicamente tradicional convive com casario mais nobre e solarengo. É uma aldeia ainda com alguma vida, pois que recorde das vezes que fui por lá ou por lá passei sempre vi gente nas ruas e vida diária no trabalho dos campos. Só por isto já é uma aldeia convidativa para alguns registos fotográficos ou uma visita, mas há mais.

 

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Pormenores ou motivos que fazem a diferença temos a igreja, o conjunto da fonte de mergulho e tanque, o Solar dos Braganças, fontes e bebedouros públicos, alminhas, etc, mas o destaque, talvez possa ir além do que é património arquitetónico e centre no seu património associativo/cultural/social/artístico, com aquela que dá pelo nome de Bnada Musical de Rebordondo.

 

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Deixamos aqui um extrato daquilo que encontrámos na página desta coletividade:

 

Pois também desde sempre esta Banda musical existe. Não será bem desde sempre, mas pelo menos na aldeia, já não há memória do início da sua existência. Diziam-me na aldeia, que já quando nasceram os seus  avós, a Banda já existia, e que a estes, os pais, também lhe contavam que a Banda sempre existiu.

    Então e mesmo sem memória de uma data de início desta Banda Musical, sem uma data comemorativa, podemos afirmar que será a Banda Musical mais antiga do concelho e pelas contas feitas na aldeia, terá mais de 300 anos. Uma terra de músicos, portanto, com músicos em todas as gerações das famílias da aldeia.



Ler mais: https://banda-rebordondo.webnode.pt/nossa-historia/

 

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Para além daquilo que atrás já deixámos, temos os pormenores que eu deixo aqui em três imagens. Estes, quase aleatoriamente escolhidos, mas poderiam ser muitos mais, mas digamos que nestes temos um resumo de três “reinos” – o animal, o vegetal e o outro deveria ser o mineral, e de certa forma até o é, mas já transformado e aplicado, chamemos-lhe o “reino” arquitetónico. Apenas pormenores, claro está.

 

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Também em termos de apreciação e natureza, há a considerar o fértil planalto que ainda vai sendo cultivado que remata naquele que, atrevo-me a dizer, é a maior mancha atual de floresta do concelho de Chaves, toda de pinheiros, mas que felizmente tem escapado ao flagelo dos incêndios. Sem ter certeza no que vou afirmar, penso e parece-me que a limpeza, a exploração de resina e os postos de trabalho que aquela mancha de floresta vai garantido através da Comissão de Baldios, tem-na protegido.

 

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Mais uma vez não tenho a certeza do que vou afirmar, nem tempo para investigar sobre o assunto, mas recordo haver uma referência a um imponente carvalho centenário existente na quinta do Solar dos Braganças que pela sua imponência era assinalado como uma referência nas cartas militares. Penso que ainda existe e até onde se localiza, mas como são assuntos que remontam ao meu primeiro levantamento fotográfico e documental que fiz da aldeia em 2009, e a minha memória já não regista tudo, dou lugar à dúvida.

 

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Na realidade também as fotos que hoje vos deixo são de arquivo e parte delas tomadas em 2009 e outras em 2014, exceção para a foto da banda de música que recolhi na sede da banda, da qual desconheço a autoria e a data, mas suponho não ser muito antiga, talvez dos anos 60 ou 70, isto a julgar por algumas pessoas que estão nela retratadas.

 

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Muito mais haveria para dizer sobre Rebordondo e muita coisa já foi dita aqui no blog ao longo destes quase 14 anos da nossa existência, apontamentos que fui deixando em alguns posts que dediquei à aldeia e que pela certa o algoritmo utilizado pela SAPO irá selecionar alguns para rodapé deste post, mesmo assim deixo aqui um link para um post anterior:

https://chaves.blogs.sapo.pt/410825.html

 

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Também em termos de links deixo aqui outro para uma página nofacebook dedicada à Banda Musical de Rebordondo

https://www.facebook.com/pages/category/Musician-Band/Banda-Musical-de-Rebordondo-496372217133782/

Mas também recomendo uma visita Rebordondo que poderá complementar com uma visita a Casas Novas e a Redondelo, àquilo que eu costumar chamar a rota dos solares, dá para uma tarde bem passada onde se podem apreciar aquilo que de melhor o nosso concelho tem em casario solarengo. Uma proposta para a manhã ou tarde deste domingo, aqui mesmo ao lado da cidade de Chaves.

 

 

01
Set18

Póvoa de Agrações - Chaves - Portugal

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Na ronda de hoje pelas nossas aldeias do concelho, seguindo a metodologia utilizada até aqui de seguir a ordem alfabética, hoje toca a vez a Póvoa de Agrações.

 

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Antiga sede de freguesia, à qual pertenciam as aldeias de Fernandinho, Pereiro de Agrações, Agrações e Dorna, com a última reforma administrativa das freguesias foi agregada à de Loivos, passando a ser União de Freguesias de Loivos e Póvoa de Agrações.

 

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Nesta nova ronda por todas as aldeias do concelho, Póvoa era a única que faltava aqui passar da antiga freguesia, que tal como as restantes, é uma aldeia de montanha e no limite do concelho de Chaves, tendo como vizinhos os concelhos de Valpaços e Vila Pouca.

 

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Terras da castanha, onde é comum encontrarem-se soutos centenários com imponentes castanheiros, sendo o principal rendimento dos os que ainda resistem como habitantes, pois sendo aldeias de montanha e simultaneamente longe da sede de concelho, o convite à partida foi aceite pela maioria.

 

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Sendo aldeia de montanha, é também sinónimo de pertencer a terras altas que a par da aldeia da Dorna, eram as mais altas da antiga freguesia e continuam a ser na atual freguesia, próximas dos 900 metros, sem os atingir.

 

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E terras altas são também sinónimo de invernos rigorosos mas também de poderem lançar vistas mais além, pois como todas também estas aldeias são implantadas nos pontos mais altos, deixando as terras mais baixas e também mais protegidas para terrenos agrícolas.

 

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Sofrem com os invernos mas gozam com as vistas, isto se os céus estiverem limpos, sei que não serve de consolo para o rigor do inverno mas pelo menos podem servir para o da vista a lançar olhares para horizontes distantes, quase sempre para o lado dos sonhos…

 

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Ficam hoje nove imagens que escaparam às anteriores seleções nas vezes em que a Póvoa já passou por este blog. Imagens de duas ou três idas lá em recolha de imagens, não muitas, pois a aldeia também não é grande, mas pelo menos com algumas que dão para termos uma ideia do ser da Póvoa de Agrações  

 

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Claro que quando terminarmos esta ronda, iniciaremos outra nova, com algumas alterações pensadas, o que nos obrigará a ir por lá de novo, mas isso ainda está em projeto e também ainda só vamos na letra P da ordem alfabética. Quero com isto dizer que ainda não vai ser para já, mas lá iremos.

 

 

 

26
Ago18

O Barroso aqui tão perto - Pondras

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O nosso destino de hoje no “Barroso aqui tão perto” é a aldeia de Pondras, que até terem inventado aquela da reorganização administrativa em 2013, era também freguesia, hoje agregada à freguesia da Venda Nova, ou seja, hoje pertence à União de Freguesias de Venda Nova e Pondras. Assim, é natural que ao longo deste post, quando me referir a Pondras, tanto o esteja a fazer em relação à aldeia como à antiga freguesia.

 

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Iniciemos pela sua localização, uma das aldeias cujo território tinha um dos seus limites no rio Rabagão, margem esquerda, mais precisamente onde a barragem da Venda Nova tem o seu início, mesmo junta à EN103 que atravessava toda a freguesia e que servia as restantes aldeias da freguesia (São Fins, Ormeche e Pai(o) Afonso).

 

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Se recuarmos no tempo, Pondras esteve sujeita a outras alterações administrativas. Segundo o Arquivo Distrital de Vila Real, Pondras foi abadia da apresentação da mitra no termo de Montalegre. Pertenceu ao concelho de Ruivães até à extinção deste, em 31 de Dezembro de 1853, altura em que transitou para o de Montalegre. Em 1839, surge na comarca de Chaves e, em 1862, na comarca e concelho de Montalegre. A paróquia de Pondras pertence ao arciprestado de Montalegre e à diocese de Vila Real, desde 22 de Abril de 1922. O seu orago é São Pedro Fins.

 

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Em termos de população a antiga freguesia atingiu o seu auge em 1960, com 513 habitantes, população essa que vinha crescendo desde 1864 com 287 habitantes. A partir de 1960 a linha de tendência é decrescente e tem-se mantido ao longo dos CENSOS, tendo atingido em 2011 os 131 habitantes, e se a linha de tendência se mantiver nos próximos CENSOS, dentro de 20 anos não terá qualquer habitante. O problema é que qualquer que seja a medida a tomar para travar o despovoamento rural, já vai ser tardia, pois tenho a impressão que já se ultrapassou o ponto crítico de não retorno.

 

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Só um aparte a respeito do Brasão da antiga freguesia de Pondras, pois achei curiosas as figuras do escudo, principalmente a das chaves, uma a ouro e outra a prata. Curiosas por serem comuns às da cidade de Chaves (rio, ponte e chaves). Sei que deve ser apenas coincidência. Tentei ver o significado das figuras mas não consegui. Se alguém souber, por favor, digam-nos, num comentário aqui no blog, no facebook,  ou por e’mail, tanto faz.

 

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Dizem que a história ao longo dos tempos se vai repetindo, pois cá pra mim não tardará muito e teremos no Barroso e um pouco por todo Trás-os-Montes uma nova medida tipo as “aldeias jardim” de Salazar, tal como foram apelidadas as aldeias novas dos colonos e que o concelho de Montalegre até tem algumas, que a Junta de Colonização Interna levou a efeito em meados do século passado. Só temo é que os novos colonos não sejam trabalhadores da terra, mas antes exploradores da terra,  e que em vez de pequenos baldios dados à exploração de famílias, sejam dadas regiões à exploração de grandes empresas e indústrias, supostamente portuguesas ou chinesas, tanto faz. O futuro o dirá, e não irá tardar muito…

 

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E já que abordámos a localização de Pondras e um pouco da sua História, é tempo de fazermos o(s) nosso(s) itinerário(s) para lá chegar. No último fim de semana deixámos aqui uma nova forma de abordar este assunto, ou seja, deixámos um caminho para ir e outro para vir. Hoje vamos fazer o mesmo, e podem considerar fazer os percursos ao contrário, pois tanto faz.

 

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Pois como podem ver no mapa que atrás deixámos, a nossa partida, como sempre da cidade de Chaves é feita pela estrada de Braga, a EN103, será esta que nos levará direitinhos até Pondras, pois basta não sair dela que ao quilómetro 63,7, mais metro menos metro, estaremos em Pondras. Se é dos que cumpre as regras de velocidade, demorará pouco mais de 1 hora a chegar lá. Claro que se vai em passeio, e gosta de ir parando pelo caminho, o que recomendo sempre que a coisa seja interessante, demorará mais, mas às vezes compensa. A proposta do regresso é via Boticas, pelo que deverá continuar mais umas centenas de metros pela EN103 até à Venda Nova, aí deverá virar à esquerda em direção a Salto, a entrada desta apanhar a EN311 até Boticas, a seguir Sapiãos e estamos de novo na EN103, agora em direção a Chaves.

 

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Mas regressemos a Pondras e aos seus traços culturais de aldeia, com sabores e saberes, tradições, crenças e tudo que fazem o ser de uma aldeia, traços que cada vez mais apenas têm significado na resistência do seu povo e no testemunho, ia dizer vestígios, mas ainda podemos ficar pelos testemunhos, físicos, que vão ficando para memória futura, tal como sejam algumas construções dedicadas à comunidade (capelas, igrejas, tanques e fornos do povo, chafarizes, alminhas, etc.), e que Pondras também tem, e até com alguma abundância e singularidade, como é o caso dos canastros e das alminhas, uma delas lindíssima e muito bem enquadrada. Fica a imagem:

 

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Mas nem todas são ou estão assim, pois há as que são obrigadas e desprezadas pela agressividade da modernidade. Não bastam os fios e postes elétricos ou de comunicações que são colocados sem o mínimo de respeito pelas populações e por algumas coisas que as aldeias têm de melhor (igrejas, capelas, cruzeiros, etc.), como na colocação de outros equipamentos, do lixo no caso, tiram toda a dignidade àquilo que até é património de Portugal, as alminhas, como estas que deixo a seguir. Poder-se-á dizer que é mais uma para aquelas do “Portugal no seu melhor”. Ficam as imagens:

 

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É, gostamos de mostrar aquilo que as aldeias ainda têm de interessante, mas muitas das vezes somos privados de o fazer, pois acontecem coisas destas que são verdadeiros atentados à dignidade das aldeias. Pela certa que não faltariam locais mais apropriados para a colocação destes pequenos mamarrachos cuja companhia não agrada a ninguém, eu sei, mas as alminhas, por não se queixarem, não têm culpa. Desta vez não resisti e tive de trazer aqui as imagens que ficaram atrás.

 

1600-pondras (46)

 

Que não sejam estas imagens as que manchem a imagem de Pondras. São de lamentar, mas têm solução e Pondras são muito mais, é uma aldeia interessante, quer na sua intimidade quer na sua beleza vista a alguma distância. Também as vistas que desde a aldeia se alcançam, recomenda-se a quem gosta de paisagens que vai mudando conforme a distância, mas onde predominam o verde e o azul, quer o do céu, quer o da terra que as montanhas mais distantes oferecem ou o reflexo das águas das albufeiras.

 

1600-pondras (47)

 

E agora é aquela parte dedicada às nossas pesquisas, em que vasculhamos nos livros, nos documentos e na internet aquilo que se diz sobre as aldeias que vistamos. Claro que vamos sempre ao livro Montalegre, penso que lhe posso chamar monografia de Montalegre, onde encontrámos:

Vestígios de estilo românico nas Igrejas de S. Vicente da Chã, Viade e Tourém. É justo salientar que diversas outras igrejas datam dos primeiros tempos da monarquia e seriam incluídas nesse estilo. Acontece que foram sofrendo remodelações – muitas vezes a fundamentis – que as descaracterizaram. A última grande febre dos arranjos deu-se nos princípios do século XVIII e, por isso, os edifícios exibem datas dessa altura. Por exemplo: Pondras -17; Santo André- 1813; Vila da Ponte – 1710, etc.

 

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E continua:

Os cruzeiros são mais de 60 e se lhes juntarmos os calvários ainda existentes com as cruzes das estações da via sacra serão três vezes mais. Destacam-se o de Salto, Pondras, Mourilhe, Codessoso de Meixedo, de Montalegre, o da Interdependência da Vila da Ponte, Negrões, Meixedo, Sabuzedo, Santa Marinha, Santo André, Penedones, Antigo de Serraquinhos, Sezelhe, Travasços do Rio, Vila da Ponte, Bustelo e Parafita!

Pois esta imagem do cruzeiro escapou-nos, não sei porque razão, mas não a temos, talvez não o tivéssemos visto, o que é estranho ou então algum coisa, obstáculo ou outro nos impediu de tomar a imagem. Lamento mas não a tenho.

 

1600-pondras (6)

 

E na página dedicada à freguesia de Pondras diz o seguinte:

Ocorre evidente discrepância sobre o hagiotopónimo desta freguesia. As inquirições de 18 tratam-na, e bem, por Santo Fins; o Catálogo de todas as Igrejas, 130, (reinado de D. Dinis) chamam-lhe, e mal, São Félix. Mais recentemente, voltámos, e bem, ao chamadouro correcto que é São Pedro Fins de Pondras. É provável que a confusão derive do tratamento dado na arquidiocese ao problema de São Pedro de Rates, dito primeiro bispo-fundador da Igreja de Braga, ou a D. Pedro, primeiro bispo-refundador da Igreja de Braga. De todo o modo, em Pondras, fazem festa ao príncipe dos Apóstolos, em 9 de Junho. É um caso significativo o modo de povoamento verificado visto que as principais povoações da freguesia, Pondras e Ormeche estão algo distantes do local da Igreja, por acaso (ou talvez não) junto do outeiro que foi um castro e onde demora a povoação de São Fins. (é esta a verdadeira grafia do hagiotopónimo que dá nome ao lugar onde se situa a igreja).

No cabeçalho do artigo, nos pontos de interesse, também se fala num relógio de sol em Pondras, a nossa objetiva também não o viu. Mais um lamento.

 

1600-pondras (78)

 

Quanto à Toponímia de Montalegre, ao respeito da aldeia, diz o seguinte:

 

Pondras

Desde 2013 – União das Freguesias de Venda Nova e Pondras

Vem de “PONDERA” < PONDRA ou POLDRA. Este L de Poldra aparece por acção da reversa R: é o que se chama uma assimilação imperfeita.

Alguns toponimistas (eventuais imitadores de poldros e semelhantes raças cavalares) propõem para Poldras o radical de Poldra com o significado de égua jovem. Evidente ridiculez. Acontece que o nosso topónimo:

- 1258 Ponderas INQ 1513 explica claramente o latino neutro do plural (aqui tido por singular) pondera > pondra, com significado de peso (pondus). O facto de ser plural singularizado ajuda a ver que se trata de pedras separadas e pesadas para atravessar correntes de água. Os árabes arabizaram, como se esperava, o vocábulo e meteram-lhe o artigo al que também aceitamos. O caso das poldras é muito encontrável na evolução fonética (sem qualquer intervenção arábica) por influência das consoantes r e l como acima se disse.

Este nome justifica-se perfeitamente porque toda a freguesia se encontra situada na margem esquerda do Regavão e que só podiam atravessar em pedras passadeiras visto que não possuíam ponte. Talvez por isso a freguesia que é tão pequena se institui tão cedo.

 

1600-pondras (40)

 

Ainda antes de entrámos na Toponímia Alegre que é parte integrante da Toponímia de Barroso, queria aqui fazer um aparte a este respeito. Como devem reparar, limito-me a citar aquilo que vem escrito na “Toponímia de Barroso”, por curiosidade, porque sempre gostei de saber a origem dos topónimos, ou nomes dos nossos lugares, no entanto não quer dizer que concorde, aceite ou valide tudo o que se lá diz, mas como é uma citação, limito-me a citar. Longe de mim de ser ou pretender ser um “toponimista”, mas parece-me que muitas das vezes o topónimo nada tem a ver com o significado que se vai buscar à origem da palavra que faz o topónimo. Parece-me e conheço muitos casos em que assim não é, mas, claro, temos que dar sempre o benefício da dúvida, ou então dizer como Firmino Aires, na Toponímia Flaviense a respeito dos argumentos utilizados por  J.L. de Vasconcelos, no Archeologo Português, sobre o topónimo da Rua da Trancada em Chaves, quando termina a sua citação dizendo: “… Os investigadores que o confirmem ou o refutem”.   Subscrevo esta!

 

1600-pondras (81)

 

E na Toponímia Alegre temos o seguinte:

 

Pondras (Memórias Paroquiais de 1758):

(Sobre os habitantes)

“…lavradores de baixo bordo e limitada esfera mas soberbos, quase todos lagareiros de azeite em terras dos Alentejos e todos homens de alforge.”

Abade Miguel Vieira

 

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E continua:

Entre Pondras e Ormeche

Andam melros no namoro:

Eu levo por todo o lado

Saudades, amor e choro.

 

1600-pondras (3)

 

E quase para finalizar. Sobre a aldeia de Pondras, encontrei uma página no facebook pertencente à “Associação Pondras em Movimento” e ao que parece é mesmo para por em movimento a população de Pondras, pelo menos a crer naquilo que a associação diz ter por missão: “Promover eventos de confraternização entre a povoação local”  e pela foto do cabeçalho, parece-me ter muita gente jovem. Esperemos que estes jovens ao partirem, deixem outros no seu lugar, porque sou dos que ainda acreditam neste tipo de associações sem fins lucrativos, embora, infelizmente, não costumem ter apoios ou ser acarinhadas por quem deveria ter esse dever. Não sei se é o caso, mas há algumas que conheço que assim é.  Fica o link para a página da associação no facebook: https://www.facebook.com/Associa%C3%A7%C3%A3o-Pondras-em-Movimento-148801851850059/

 

1600-pondras (79)

 

E ficamos por aqui. Ficam ainda as habituais referências às nossas consultas e dizer-vos que as abordagens que já fizemos às aldeias e temas de Barroso estão agora no menu do topo do blog, mas também nos links da barra lateral. Se a sua aldeia não está lá, em breve passará por aqui num domingo próximo, e se não tem muito tempo para verificar se o blog tem alguma coisa de interesse, basta deixar o seu mail na caixa lateral do blog onde diz “Subscrever por e-mail”, que a SAPO encarregar-se-á de lhe mandar um mail por dia com o resumo das publicações, com toda a confidencialidade possível, pois nem nós teremos acesso à vossa identidade e mail.

 

BIBLIOGRAFIA

 

BAPTISTA, José Dias, Montalegre. Montalegre: Município de Montalegre, 2006.

BAPTISTA, José Dias, Toponímia de Barroso. Montalegre: Ecomuseu – Associação de Barroso, 2014.

 

 

WEBGRAFIA

 

https://digitarq.advrl.arquivos.pt/details?id=1067634

 

 

 

 

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