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CHAVES

Olhares sobre o "Reino Maravilhoso"

23
Out22

O Barroso aqui tão perto - Granja

Aldeias do Concelho de Boticas

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Tal como prometido cá estamos com mais uma aldeia de “O Barroso aqui tão perto”, no caso com a aldeia da Granja, a 21 km da cidade de Chaves e praticamente colada à sua sede de concelho, a vila de Boticas.

 

Aldeia da Granja que até à última reorganização administrativa de freguesias era sede de freguesia à qual, além da própria aldeia, pertencia também a aldeia de Ventuzelos.

 

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Iniciemos então este post dedicado à Granja com a sua localização e itinerário para lá chegar, como sempre a partir da cidade de Chaves. Quanto ao itinerário, é muito fácil. Saída de Chaves pela N103 (estrada de Braga) até Sapiãos, aí sai-se da N103 em direção a Boticas e a próxima aldeia é a Granja, imediatamente antes da Vila de Boticas, cuja rotunda de entrada fica a apenas 500 metros, ou seja, está praticamente colada a Boticas. Mas ficam os nossos mapas para ilustrar o itinerário e localização. Fica só uma nota, para quem não sair de Chaves e venha do Sul pela autoestrada que poderá sair no nó de Vidago ( e depois N311 até Boticas) ou nó de Chaves Sul, neste a saída é para o itinerário que recomendamos (N103) mas já a meio do caminho.

 

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Ao contrário da maioria das aldeias em que temos pouca documentação e informação disponível, no caso da Granja, graças a sua condição de ter sido sede de freguesia, existe alguma informação em documentos publicados, tal como na monografia “Preservação dos Hábitos Comunitário nas Aldeias do Concelho de Boticas” e na respetiva separata que é dedicada à antiga freguesia, que de seguida passaremos a transcrever o mais importante sobre a aldeia. Mas antes disso, apenas umas palavrinhas nossas sobre a aldeia, como o agradável que foi descobrir a aldeia, depois de tantas vezes lhe passar ao lado, pois de passagem não se pode respirar a sua intimidade e a sua vida, nem ver o largo da igreja com uma singular torre sineira, quase no meio do largo e separada da igreja e um pouco mais  abaixo uma belíssima fonte de 1932, com inscrição CMB – Construída Durante a Ditadura Nacional”, fonte esta de duas bicas e bebedouro que ainda dá de beber às vacas a caminho do pasto, tal como tivemos a sorte de testemunhar. Também sem entrar na Granja perdemos o andar nas suas rua, o calvário que se desenvolve em cima de um enorme rochedo, o cavalinho e a égua com que um puto fez para a fotografia,  e um antigo “palacete” com capela interessantíssima com servidão pela rua, que ao que parece se destina(ria) a um Núcleo Museológico Cistercience, apoiado pelo Programa de Desenvolvimento Rural 2007-2013, mas parece-me que com as obras paradas e por último, ter a honra de andar nas ruas e respirar os mesmos ares que o José Carlos Barros pisou e pisa, respirou e respira sempre que regressa à sua terrinha, o mesmo José Carlos Barros, Poeta e Escritor, o das “Pessoas Invisíveis” que foi prémio Leya 2021 e um autêntico embaixador do Barroso, e já agora, do Alto Tâmega… e com esta me bou até aquilo que se diz na separata “Preservação dos Hábitos Comunitário nas Aldeias do Concelho de Boticas”, com duas notas prévias, a primeira lembrar que o texto se refere à antiga freguesia da Granja (atualmente freguesia de Boticas e Granja) e a segunda a de o texto ser do ano de 2006, pelo que alguns dos dados daquilo que então era atual, hoje já estão naturalmente desatualizados. Vamos lá então, e passamos a citar (para descansar a vista da leitura, metemos umas imagens nossas pelo meio):

 

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Preservação dos Hábitos Comunitário nas Aldeias do Concelho de Boticas

 

A FREGUESIA DA GRANJA: GEOGRAFIA E PERSPECTIVA HISTÓRICA

A freguesia de Granja é uma das freguesias mais próximas de Boticas. Localizada a Este da vila de Boticas, confronta com várias freguesias: a Norte e a Este com Sapiãos, a Sul com Pinho e a Oeste com Boticas e Cervos do concelho de Montalegre.

É constituída pela aldeia de Granja, sede de freguesia, e anexo a ela tem o lugar de Ventuzelos, disposto paredes-meias com a vila de Boticas. O acesso viário faz-se pela EN 312. Dada a sua proximidade em relação à sede do concelho percorrem-se poucos metros até aparecer a indicação Granja.

As localidades de Granja e Ventuzelos encontram-se dispostas num vale, na parte sul da Serra do Leiranco. Protegidas a toda à volta por serras e montes, os seus pastos e campos de cultivo estendem-se ao longo da planície do Rio Terva. É a segunda freguesia mais pequena do concelho, ocupando uma área total de apenas 8,8 Km2.

 

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POPULAÇÃO, ECONOMIA E SOCIEDADE

O desenvolvimento da população da freguesia da Granja acompanhou o movimento demográfico que caracteriza toda a região de montanha no Norte de Portugal, tipificada por uma diminuição progressiva da população, com uma pirâmide etária invertida, onde os grupos etários mais baixos são diminutos e a população envelhecida aumenta.

 

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Atualmente, tem, aproximadamente, 266habitantes, sendo uma das freguesias com menos população, o que em parte se deve a sua pequena dimensão. Contrariando um pouco a tendência registada na maior parte das freguesias do concelho, até à década de 70 verificou-se um aumento significativo da população. No entanto, a partir dos anos 70, e à semelhança do que se verifica na generalidade das freguesias do concelho, também esta freguesia perdeu muita da sua população residente, aproximadamente 40,2%. Todavia, foi das freguesias do concelho, com excepção da freguesia de Boticas, aquela que menos população perdeu, facto que em parte se justifica pela proximidade da vila e sede do concelho, onde há uma maior oferta de emprego, não implicando a mudança de residência. O gradual decréscimo da população, que entretanto se registou, deveu-se, essencialmente, à intensificação dos fluxos migratórios que se verificaram desde os anos 70, para além dos factores gerais que caracterizam o actual movimento demográfico em Portugal. Muitos foram os que partiram para o estrangeiro, para países como França, Estados Unidos e Suíça, e para outras regiões do país, em busca de melhores condições de vida.

 

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Assim, quem permanece nas aldeias é, essencialmente, uma população marcadamente envelhecida, sendo que apenas um quarto dos 266 residentes têm menos de 25 anos e a grande maioria (55%) têm entre 25 e 64 anos.

 

Os níveis de alfabetização desta população residente são baixos, acompanhando o seu nível de envelhecimento, destacando-se o número elevado de pessoas sem nenhuma qualificação académica. Esta situação excepcional é suportada pelo elevado número de idosos, alguns deles regressados da (e)migração, em situação de aposentados.

 

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No que se refere à área de actividade, a maior parte da população local continua a dedicar-se à agricultura, essencialmente de subsistência, e à pecuária. Alguns trabalham na construção civil e no pequeno comércio e outros na área da indústria (Euronete) e Serviços em instituições do concelho (Município de Boticas, Santa Casa da Misericórdia, Resat, etc.).

 

Na freguesia existem três cafés com um pequeno salão de jogos onde os mais jovens se distraem.

 

Nas horas de ócio e sempre que o tempo permite, as pessoas, especialmente as mais idosas, juntam-se nos largos da aldeia a conversar.

 

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MARCAS DO SEU PASSADO

Não é fácil conhecer o dia primeiro da origem da maioria das paróquias e freguesias. Excluindo a ou outra que vem identificada nos documentos antigos, a maioria das aldeias têm origem desconhecida no tempo. Umas mais antigas, outras de origem mais recente, sabe-se que a maioria destas aldeias são formadas a partir do agrupamento de famílias, unidas por laços de parentesco ou afinidades económicas e profissionais, que se organizaram em comunidade. Muitas das aldeias de Barroso têm a sua origem histórica no movimento de reconquista e povoamento do território, iniciado com a formação do Reino de Portugal em 1143 e posterior fixação de uma ou mais famílias de povoadores. Teve particular desenvolvimento a partir dos finais do século XIII. Estes povoadores eram atraídos por contratos de aforamento cujos termos do contrato eram favoráveis à sua fixação, traduzidos em pagamentos de foros de valor acessível. Estes contratos são conhecidos como o processo de enfiteuse e eram promovidos indistintamente pela Coroa e/ou pelas Casas Nobres e Senhorios Eclesiásticos.

 

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São conhecidos alguns contratos de enfiteuse para as terras de Barroso o que nos permite pensar que a grande maioria das suas aldeias e povoados tiveram origem neste modo de povoamento[i].

 

Alguns contratos de aforamento são disso testemunho como é o caso do aforamento da "Póvoa" de Lavradas, feito nos finais do século XIII (1288 da Era Cristã), no tempo do Rei D. Dinis, e que, tudo o indica, está na origem da actual aldeia de Lavradas14, ou a carta de foral outorgada a Sapiãos dos meados do século XIII. Quer o primeiro, quer o segundo foram passados tendo em vista o desenvolvimento da terra, como prescreve a carta de Lavradas que diz: pobrem e lavem e fruteviguem, isto é, que povoas sem com mais gente, que lavrassem a terra e dela produzissem frutos para o seu sustento.

 

Em 1527 já Granja aparece identificada no "Numeramento" mandado fazer por D. João III, com 27 moradores ou fogos, o que perfaz um número aproximado de 120 pessoas[ii]. Ventuzelos não vem referido neste documento, mas já é identificado em 1758 como um lugarejo com oito fogos, isto é, com cerca de 30 a 40 pessoas, e Granja aparece já com 77 fogos e 254 habitantes.

 

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OS CASTROS DA GRANJA

No território desta freguesia encontram-se vestígios arqueológicos que testemunham a presença humana desde épocas remotas. Exemplo disso são o Castro do Cabeço e o Castro do Couto dos Mouros.

 

O Castro do Cabeço esta localizado num morro cónico, a cerca de 300m da EN 103, entre Sapiãos e o Alto do Fontão. O acesso a esse local faz-se seguindo por um carreiro através dos pinhais. Trata-se de um antigo povoado fortificado onde ainda são visíveis duas muralhas em ruínas, fossos e vestígios de casas circulares. Nas cercanias foram encontradas escórias (parecendo ser de ferro), partes de uma mó, pedaços de bronze e uma pequena moeda.

 

À esquerda da EN 311, que liga Boticas a Vidago, fica o Couto dos Mouros, cabeço pedregoso com grandes fragas de granito. Fica sobranceiro ao rio Terva, que a uns 200m lhe corre pelo Poente. Do lado Norte há um pequeno troço de muralha com 10m de comprimento, assinalado em parte por uma fiada de pedras em montão linear caótico. Há outro troço do lado poente com 12m de comprimento. No alto há uma casa circular com 2,7m de diâmetro, feita de pedra tosca, onde foi encontrada metade de uma mó circular de moinho.

 

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UM DOCUMENTO DE 1758

No ano de 1758 o Rei D. José, através de seu ministro Marquês de Pombal, desenvolveu um inquérito a todas as paróquias do Reino de Portugal continental que hoje se encontram no lAN/TT.

 

Este inquérito, que foi respondido pelos párocos das freguesias, era composto de três partes: a primeira respeitante à paróquia, onde se tratava de saber da sua história, produções agrícolas, população, instituições locais, igreja e capelas com suas devoções e romagens; a segunda tratava da serra e das suas características, se tinha lagoas e nascentes, monumentos, capelas, caça e árvores; a terceira perguntava sobre os rios e ribeiros que nela existissem, assim como as levadas, represas, moinhos, pisões e culturas nas suas margens. É graças a este inquérito que se pode obter uma visão mais ou menos completa de como era a freguesia da Granja nos meados do século XVIII como a seguir se pode ver.

É a resposta dada pelo pároco da freguesia da Granja nesse ano, o Vigário João Gonçalves, que adiante apresentamos. Para uma melhor leitura foi actualizado o Português naquelas palavras que consideramos necessário, introduzindo-se-lhe pontuação e parágrafos.

"Como sempre foi o meu ânimo observar as ordens dos meus excelentíssimos e reverendíssimos Senhores Prelados e como no presente se me apresentasse uma do Muito Reverendo Senhor Doutor Vigário Geral desta comarca, reduzida por artigos que no caso deste transunto apresento e para resposta ofereço o seguinte:

 

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Granja vista desde Ventuzelos

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Terra

  1. É província de Trás-os-Montes, termo de Montalegre, comarca de Chaves, do Arcebispado de Braga Primaz das Hespanhas.
  2. É igreja apresentada pelo Reverendíssimo padre Dom Abade do Real Mosteiro de Santa Maria de Bouro dos religiosos Bemardos que atualmente é Dom Abade Frei José de Melo.
  3. Tem esta freguesia setenta e sete fogos, e neles pessoas de maior idade duzentas e trinta e nove e de menor idade catorze. Acham-se absentas quarenta e três.
  4. Está situada quase toda em lajes bem firmes que várias vezes me tem ainda de dia batido. Nas costas dela se descobre tão somente parte de dois povos que são Quintas da freguesia de S. Bartolomeu de Beça e Boticas da freguesia de S. Salvador de Eiró. Este a uma distância de muito menos de meio quarto de légua e aquele será um quarto.
  5. Tem o seu termo bem demarcado a respeito dos dízimos e postos bem limitado parecido a um barco.

 

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  1. Está a igreja no meio do lugar e anexo a ela um lugarejo chamado Ventuzelos, que consta tão somente de oito fogos já supra numerados, e ficará a uma distância de um tiro de mosquete.
  2. É Santa Maria da Granja das Boticas de Barroso. Tem três altares: no altar-mor o orago Nossa Senhora da Assunção e dois colaterais, da parte direita Nossa Senhora do Rosário e da esquerda S. Sebastião. Não tem naves nem tem casa de Misericórdia.
  3. É vigaria colada apresentação, poderá render anualmente de setenta a oitenta mil réis, renderá algum anos cem mil reis.
  4. Tem uma ermida com a invocação da Senhora da Conceição e Santa Bárbara que fica no fim do povo para poente. É do Reverendo Domingos dos Santos Abade de S. Pedro de Gerez, Covelo. Como sua ele administrador não sei que para ela haja renda alguma, so que ele a paramenta.
  5. Não tenho visto que a ela acuda gente em romagem excepto dois anos primeiros que houve jubileu por breve de sete anos que se tem já findou e não se cuida em reforma.
  6. Os frutos que se colhem são: milho, vinho, castanhas e centeio, este em maior quantidade. Mas todos tem limitados que os mais dos fregueses quando chegam a meio do ano, já um bicho a que chama gorgulho não acha em que se dê vista em casa deles por mais que dele delegencie.

 

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  1. Tem esta freguesia o seu juiz, a que chamam espadanio, que rege os mais e está sujeito ao juiz de fora da vila de Montalegre.
  2. Por não haver correio, valemo-nos do de Chaves que fica pouco mais ou menos a uma distância de três léguas.
  3. Dista esta freguesia da cidade de Braga, capital deste Arcebispado, doze léguas, e da cidade de Lisboa, capital deste Reino, setenta e duas.
  4. Está nos tombos antigos que esta freguesia foi nos seus princípios Abadia e ouvi dizer que fora Couto privilegiado.
  5. Há neste lugar da Granja duas fontes públicas excepto algumas particulares. Neles se não tem experimentado virtude mais que a de se beber e para os usos necessários. E provaram de fontes que nos anos antecedentes de esterelidades ainda que alguma coisa temerata, sempre conservaram as suas torrentes.
  6. Não é porto marítimo por Viana ficar a uma distância de dezassete légua e o Porto a vinte. E por isso as mais das vezes temos peixe só na aptencia e quando chega a todos tira a vontade.
  7. Não padeceu ruína alguma durante o terramoto de mil setecentos e cinquenta e cinco, só o grande tremor e zunido.

 

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Respectiva à Serra

Não tem o termo desta freguesia mais do que um pedaço dessa (serra) da parte do norte chamada Chão Longo, que parte com Santa Cristina de Cervos e do nascente com São Pedro de Sapiãos e do poente com o Salvador de Eiró e vem acabar onde chamam o Outeiro do Cabeço onde se vêem vestígios de muros que dizem que foram casas de mouros.

Tem outro pedaço dela por ficar a freguesia no meio a onde chamam Pedrica e Val de Giestoso que parte com Valdegas, freguesia de Pinho, ao nascente com S. Pedro de Sapiãos e do poente com o Salvador do Eiró. Há entre ela alguns castanheiros. E não há mais coisas que possa relatar aos artigos que da serra tratam, Só o podem fazer os meus vizinhos de Sapiãos e Eiró por terem largos distritos e cobrirem o termo desta freguesia.

 

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Rio

  1. Pelo distrito desta freguesia passa, à distância de quase meio quarto de légua, de norte para sul, um regato a que chamam Terva. Tem a sua origem na freguesia de Calvão onde se divide a do Couto de Ervededo da Mitra Primaz.
  2. Desde o seu nascimento até se meter no rio Tâmega haverá uma distância de quatro léguas. O seu nascente são só umas fontezinhas pequenas. Corre todo o ano, ainda que no Estio em muito pouca quantidade. Não entram nele rios que se possam mencionar.
  3. Criam-se no seu (leito) pequenas trutas e algumas de bom tamanho, essas nem os fregueses quando as apanham gostam que os párocos o saibam pelo gosto que lhe acham. Criam-se mais bogas que estas por mais miúda que seja a rede passam sem lesão alguma e destas em maior abundância.
  4. Como seja diminuto não tem margens. Estão em pastos à beira dele alguns castanheiros se no destrito desta freguesia é bem provido de lagens.
  5. Não tenho notícia que desde o seu princípio tivesse outro nome.
  6. Tinha a sua corrente no rio Tâmega já confrontado no lugar de Mosteirão, que o mesmo Tâmega divide a comarca de Chaves da de Vila Real.
  7. Encontram-se no tal regato um pontilhão dito de pedra e outra de cantaria, que está na estrada que do Porto, Viana e praças do Minho vai para Chaves, ambas no distrito de Sapelos, freguesia de S. Pedro de Sapiãos. Tem mais outra ponte de pau e pedra bruta no sítio a que chamam Requeixo, freguesia de S. Salvador do Eiró.
  8. Tem no distrito desta freguesia oito moinhos para moer pão.

Não faça dúvida o não falar a todos os artigos que não apontei é que não achei, nem havia o que a eles dizer, e por essa razão os deixei. Tudo o mais vai conforme a verdade, o que juro in sachris e comigo assinaram o Reverendo Domingos Gonçalves, Reitor de S. Pedro de Sapiãos e Manuel Dias, Vigário do Salvador do Eiró.

 

Granja, vinte e quatro de Março ano de mil setecentos e cinquenta e oito.

Vigário se São Salvador do Eiró, Manuel Dias.

Reitor, Domingos Gonçalves

O Vigário, João Gonçalves

 

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E estamos quase a chegar ao fim da abordagem de mais uma aldeia do concelho de Boticas e do Barroso, só falta mesmo deixar aqui o vídeo com todas as imagens hoje aqui publicadas. Espero que gostem.

 

Aqui fica:

 

 

 

Também podem ver este e outros vídeos do Barroso no MEO KANAL Nº 895 607

e

no YouTube, onde podem subscrever o nosso canal para serem avisados de todas as publicações que lá fizermos, e nós agradecemos. Podem passar por lá e subscrevê-lo aqui 

 

No próximo domingo, dado estarmos em plena Feira dos Santos, não vai haver aldeias do Barroso, mas fica prometido para o domingo seguinte com a aldeia de Sanguinhedo, ainda na freguesia de Boticas e Granja.

 

 

[i] (13) BORRALHEIRO, Rogério, 2005, Montalegre, Memórias e História, Ed. Câmara Municipal de Montalegre, pp. 80-87.

[ii] Tendo por base o índice de 4 a 5 pessoas por fogo. Arquivo Histórico Português, Vol. VII, n° 7, Julho de 1909, p. 272

 

 

20
Ago22

Alminhas, nichos, cruzeiros e afins... - Matosinhos

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O nosso destino de hoje é Matosinhos, não aquele Matosinhos à beira mar com praia, mas também um Matozinhos que se encontra bem no meio de um mar de montanhas, das nossas montanhas do concelho de Chaves.

 

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E nesta rúbrica vamos às nossas aldeias à procura de símbolos religiosos que se manifestam das mais variadas formas, e em Matosinhos, nas nossas passagens por lá, encontrámos alguns, mais propriamente umas alminhas e três capelas, uma no largo da aldeia e duas particulares, embora uma, não temos bem a certeza se é ou foi capela, embora de uma, não temos a certeza se será mesmo capela, mas parece-nos que sim, da próxima vez que passarmos lá tramos as dúvidas.

 

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As alminhas, por sua vez, também não nos parece estarem na sua forma original, pois pelo pequeno recinto à volta delas é vedado com um muro de pedra, com uma entrada virada para a rua, e nas esquinas do muro existem ainda 4 pilares, também em pedra, que parecem terem suportado uma cobertura, pelo que teriam sido bem mais interessantes que hoje.

 

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Para terminar fica o nosso mapa/inventário com mais estas três capelas e umas alminhas.

 

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O resto de um bom fim-de-semana.   

 

 

19
Jun22

O Barroso aqui tão perto - Pinho

Aldeias do Concelho de Boticas

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Iniciamos hoje a abordagem de mais uma freguesia do concelho de Boticas, a freguesia de Pinho. Seguindo a metodologia que temos seguido para o concelho de Boticas, vamos abordar as aldeias da freguesia por ordem alfabética, calhando assim a abertura da freguesia à aldeia que é sede de freguesia e dá nome à mesma – Pinho.

 

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Freguesia de Pinho que além desta aldeia possui mais duas aldeias, a aldeia de Sobradelo e Valdegas, todas nas encostas de montanhas com vertentes para o Rio Tâmega, sendo este o limite de freguesia a Nascente, mas também limite do concelho de Boticas e limite do Barroso, fazendo fronteira com os concelhos de Chaves e Vila Pouca de Aguiar. Bem podemos dizer que a freguesia, é uma freguesia de limites…

 

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Hoje para além da aldeia de Pinho faremos também a abordagem a um dos santuários mais importantes do concelho de Boticas, o Santuário do Senhor do Monte, isto por ser um Santuário da freguesia, pois em proximidade, é a aldeia de Valdegas a que fica mais próxima, a uns escassos 500m de distância.

 

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Já que iniciámos com a localização da freguesia e suas aldeias, deixemos a sua localização completa, bem como o nosso itinerário recomendado para chegar até lá, que desta vez não precisamos de ir por aquela estrada que habitualmente nos leva até terras de Boticas, pois temos como mais próximo e melhor caminho, a Nacional 2 até à entrada de Vidago, mais propriamente até à ponte seca onde devemos deixar a EN2 e apanhar a R311, esta sim bem nossa conhecida nas andanças por Boticas, uma vez que é a estrada que mais aldeias serve no concelho, atravessando-o de uma ponta à outra no sentido nascente-poente, sendo o contrário também verdade. Em suma, para os flavienses, deixamos a EN2 e rumamos em direção à Paria de Vidago, Souto Velho e Anelhe, sem entrar nestas duas aldeias, mas seguindo sempre pela estrada principal após a ponte sobre o Tâmega (Praia de Vidago), onde a umas centenas de metros à frente entramos no Concelho de Boticas e Freguesia de Pinho, ficando a aldeia a menos de 6Km. No total, entre Chaves e Pinho, são 25,7Km. Ficam os mapas para melhor orientação e entendimento.

 

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Quanto à freguesia e aldeia de Pinho, ficando já nas montanhas com vertentes para o Rio Tâmega e a uma cota que varia entre os 500 e os 600 m, já assume características de transição entre o Barroso da terra fria e a terra quente que tem em frente para lá das serras do Brunheiro e da Padrela, daí o cultivo da terra já com espécies muito variadas e árvores de fruta, mas também a proximidade da sede do concelho, de Vidago e Chaves, fazem com que Pinho seja uma aldeia grande, que rebentou com as costuras do núcleo antigo da aldeia e se tivesse expandido para novos bairros e ao longo da estrada e caminhos.

 

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Vamos agora passar àquilo que se diz sobre Pinho na monografia botiquense “Preservação dos Hábitos Comunitários nas Aldeias do Concelho de Boticas”, começando pela descrição geral da freguesia.

 

Localização geográfica: A freguesia de Pinho situa-se na parte Sudeste do concelho de Boticas.

Distância relativamente à sede do concelho: aproximadamente 5,5 km .

Acesso viário: Pela ER 311, sentido Vidago, virando na indicação Pinho.

Área total da freguesia: 22,4 km2.

Localidades: Pinho, sede de freguesia, Sobradelo e Valdegas.

População: 478 habitantes.

Orago: Santa Marta

Festas e Romarias: Senhor do Monte, último domingo de Julho.

Património Arqueológico: Castro do Mouril Povoado da Lage / Prados

Património Cultural e Edificado: Calvário (Pinho), Santuário do Senhor do Monte

 

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FESTA DO SENHOR DO MONTE

Esta festa realiza-se anualmente no último domingo de Julho, no Santuário do Senhor do Monte em Pinho. Localizado na Serra do Facho, é um dos maiores santuários do Concelho, tem uma igreja com duas torres, a casa dos andores, e à volta uma vasta zona de pinheiros e um espaço para merendas.

 

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Conta a lenda, perpetuada pela tradição oral, que no tempo de antigamente não havia lá nada, apenas um caminho por onde passavam os almocreves que tudo comerciavam. O espaço onde hoje está localizado o Santuário era local de descanso onde costumavam parar e onde se encontrava um nicho onde os almocreves colocavam uma esmola apelando à protecção divina que os protegesse dos ladrões. Até que um dia, segundo a lenda, apareceu nesse sítio, em cima de um monte de pedras onde ainda hoje se podem ver as pegadas, o Senhor do Monte. As gentes da terra pegaram no Santo e levaram-no para a Igreja de Pinho, mas o Santo teimava em aparecer no mesmo lugar. Até que as pessoas se renderam à sua vontade e construíram uma capelinha junto ao lugar onde ele apareceu e no monte de pedras colocaram uma cruz. Com o passar do tempo o dinheiro das esmolas foi sendo cada vez mais. Tal fama de protector conquistou, que construíram uma igreja em pedra, carrada em carros de bois pelos lavradores das aldeias da freguesia.

 

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É considerado o protector dos animais e em sua honra realiza-se anualmente esta festa. Manda a tradição que no sábado, dia reservado à bênção dos animais, os lavradores levem o gado até ao Santuário e com ele dêem três voltas à igreja. Muitos são os percorrem longas distâncias, não só do concelho, mas também de concelhos vizinhos, outrora a pé, agora em carrinhas, para levarem os seus animais até ao santuário em busca da protecção do Santo. Nesse dia, dizem os fiéis, apesar da grande concentração de animais nesse espaço, não se vê uma mosca no pinhal. As esmolas das promessas ou agradecimentos pela protecção ou benesse recebida costumavam ser dadas em centeio, mas agora costumam dar dinheiro. No domingo o santuário enche-se de fiéis para assistirem à celebração religiosa e à majestosa procissão com diversos andores, que se realiza em volta do Santuário, acompanhada por várias bandas musicais. Depois, a festa prossegue, animada por um conjunto. Muitos são os que trazem merendas de casa e aproveitam para almoçar no recinto.

 

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A esta festa acorrem também muitos vendedores ambulantes com os mais diversos produtos.

 

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TRADIÇÕES

Casamento

Em Pinho, no dia antes do casamento, é costume juntar-se um grupo de rapazes e percorrem as ruas da aldeia a tocar buzinas aos noivos.

 

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Os Caminhos

São espaços comunais utilizados pela população para se deslocarem no espaço territorial da aldeia. Dado que todos utilizam estes espaços, o seu arranjo e manutenção era feito pela comunidade aldeã. Assim, no final do Inverno e início da primavera, o Regedor e o Cabo de Ordens, mais tarde substituídos nessas funções pelo Presidente da Junta ou um seu representante, ou o Presidente do Conselho Directivo, à saída da missa, no largo junto à igreja, convocavam o ajunto ou ajuntamento do povo (um homem de cada casa) para ir aos caminhos. No dia combinado, geralmente aos sábados, ao toque do sino, o povo juntava-se num largo da aldeia, junto a uma igreja ou capela, e iam dar um jeito aos estragos provocados pelos rigores do Inverno e limpar os caminhos. Se, na generalidade das aldeias, participava nestes trabalhos o povo todo junto, nos dias marcados para arranjar os caminhos, na aldeia de Pinho, em cada um dos dias, iam aos caminhos quatro ou cinco casas (um representante de cada uma delas) conforme os trabalhos a realizar, num sistema de rotatividade pelas casas da aldeia até dar a volta ao povo.

 

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A Água

A água, elemento dominante da paisagem uma boa parte do ano, desempenha um importante papel na sobrevivência das economias agro-pastoris da região. São inúmeras as suas aplicações: garante da produtividade das parcelas agrícolas e dos lameiros, sustento dos gados, força motriz dos inúmeros moinhos de água existentes ao longo dos corgos e dos rios; estende a sua utilidade ao quotidiano das aldeias, aos tanques, bebedouros dos animais e aos lavadouros públicos existentes.

Dadas as características dos solos e os rigores do clima da região, a água, seiva da terra, desempenha um papel fulcral na produtividade agrícola.

No território do concelho pratica-se a rega por gravidade. A água de rega, proveniente de várias fontes de água superficiais, localizadas nas encostas dos montes e serras junto às aldeias, é utilizada para regar as parcelas localizadas a juzante.

 

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Para optimizar a utilização deste recurso, foram criadas infra-estruturas para a rega. Os regos conduzem a água desde as nascentes, corgos ou ribeiras, até às poças/tanques de rega, reservatórios de retenção da água. Da poça/tanque, a água é encaminhada, também através de regos, até às parcelas agrícolas. Acontece, por vezes, as nascentes brotarem no local onde se encontra a poça/tanque. Em quase todas as aldeias, estas infra-estruturas, outrora em terra batida e pedra, foram alvo de obras de beneficiação, remodeladas, e construídas em cimento e betão armado, de forma a rentabilizar este recurso, reduzindo ao mínimo o seu desperdício ao longo do percurso que faz até às parcelas agrícolas.

 

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Geralmente, cada uma das aldeias dispõe, no seu termo territorial, de nascentes, regatos ou ribeiros, donde provém a água para rega. Todavia, existem situações em que diferentes aldeias têm que partilhar a utilização da água. A partilha de água entre aldeias, geralmente conflituosa, levou à criação de regras de utilização bem definidas, nem sempre respeitadas pelos seus habitantes, ou à posse dessa água por apenas uma das aldeias.

 

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(…)

No que se refere às quantidades de água, estas têm uma dimensão variável. Nalgumas aldeias, a divisão da água processa-se à poçada, mas a quantidade de água disponível para rega depende, em larga medida, do que cada uma das poças/tanques conseguir recolher, enquanto está fechada. Cada regante, geralmente de acordo com a dimensão da área a regar, pode ter direito a uma ou mais poçadas, ou apenas a uma parte de poçada (1/2 ou ¼). Nestes casos, quando numa poçada rega mais que uma pessoa, dividem a água no rego, de acordo com os direitos de cada um. Existe ainda outro método de divisão da água na poça/tanque, os décimos. Em Pinho e Sobradelo, cada poçada encontra-se dividida em 10 partes. Cada regante, geralmente de acordo com a dimensão da área a regar, tem direito a um determinado número de décimos ou a poçadas completas (10 décimos). Se em Pinho a divisão dos direitos de água se processa no rego, dividindo o caudal da água consoante tenha mais ou menos direitos, em Sobradelo a medição da água é feita com uma vara. Antes de abrirem a poça/tanque para regar procedem à medição da água com uma vara e fazem a divisão consoante o número de herdeiros e a quantidade de água a que cada um tem direito, colocando laços. À medida que o nível da água atinge cada um dos laços, assim cada um dos regantes rega. Normalmente, os regantes entendem-se bem, mas como se sabe “no tempo de rega não há santos”, como se costuma dizer “quem sacha mal, rega bem”, algumas pessoas tornam a água quando os outros andam a regar. Isto gera alguns conflitos dentro da comunidade mas acabam por ser resolvidos entre os intervenientes.

(…)

 

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Nalgumas aldeias, como em Pinho e Valdegas, existem os gestores da água, pessoas com um profundo conhecimento da distribuição da água, encarregues de organizar o rol semanal da água das diferentes poças de rega

 

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MARCAS DA HISTÓRIA ANTIGA

Castro do Mouril

Designação: Castro do Mouril

Localização: Pinho

Descrição: Este castro encontra-se no extremo do lado Nascente da freguesia de Pinho, a confrontar com a povoação de Arcossó, da freguesia de Vidago, do concelho de Chaves. O monte do Mouril é rodeado a Nascente e a Sul pelo rio Tâmega e fica na confluência da ribeira de Sampaio com o Tâmega, ribeira que limita o castro pelo Poente.

 

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O castro tem duas linhas de muralhas. Quase no cimo do topo Sul há um pedaço da primeira muralha com 40 m, feita de pedras de xisto e algumas pedras de granito, em forma de cunha e face do topo apicotado. A segunda muralha tem 2,6 m de largura e 50 a 60 cm acima da terra; tem um troço levemente arqueado a rodar para o topo do lado Poente do castro, com 30m de comprimento. Entre as duas muralhas há um patamar de 12 m de largura. Existem vestígios de três casas circulares e foi encontrada no local uma mó de um moinho manual. Existe também um penedo com gravuras e covinhas.

 

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E sobre Pinho vai sendo tudo, para já, pois ainda teremos oportunidade de trazer aqui a aldeia mais uma vez com o resumo da freguesia. Assim, hoje,só nos resta deixar aqui  o vídeo com todas as imagens da aldeia de PINHO que foram publicadas até hoje neste blog. Espero que gostem.

 

Aqui fica:

 

 

Agora também pode ver este e outros vídeos no MEO KANAL895 607

 

E quanto a aldeias de Boticas, despedimo-nos até ao próximo domingo em que continuaremos na freguesia de Pinho, mas com a aldeia de teremos aqui a aldeia de Sobradelo.

 

 

12
Fev22

O Barroso aqui tão perto - Zebral C/Vídeo

Aldeias do Barroso - Concelho de Montalegre

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ZEBRAL - MONTALEGRE

 

No último post vídeo dedicado às aldeias do Barroso de Montalegre dizia que, dado que todas as aldeias de Montalegre já tinham o seu vídeo, estava na altura de passar a outra fase, mas fui adiantando que pelo meio poderia haver uma falha, um lapso, e aconteceu mesmo, pois pela ordem alfabética a seguir ao X de Xertelo (a última aldeia que aqui trouxemos)  ainda existe o Z de Zebral, que eu pensava já ter vídeo, mas não tinha, por isso aqui fica hoje.

 

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Zebral que recordo ter sido uma agradável descoberta, com gente na rua e simpática, onde deu para fotografar algumas relíquias, conversar um pouco e até recordar algumas estórias vividas na primeira pessoa por um dos nossos companheiros destas andanças pelo Barroso, que por sinal tinha sido professor em Zebral.

 

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E se demorou o termos ido por lá a primeira vez, a partir de aí as nossas passagens por Zebral começaram a ser frequentes, pois a aldeia tornou-se num ponto de passagem, ou atalho,  para outros itinerários, e em boa hora o descobrimos, pois esse troço/atalho, é um dos mais interessantes do Barroso e simultaneamente pode poupar-nos uns bons quilómetros de trajeto.

 

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Como chegar a Zebral a partir, como sempre, da cidade de Chaves? Ora é muito fácil, mesmo porque Zebral fica a cerca de 27km, meia hora de viagem, isto se formos pelo itinerário que recomendamos, ou seja via estrada de São Caetano, Soutelinho da Raia e logo a seguir, em Meixide, após a aldeia, na bifurcação da estrada, tomarmos a opção da esquerda, para Pedrário e Sarraquinhos. Em Sarraquinhos, devemos entrar e atravessar a aldeia´, sempre pela rua principal até terminarem as casas e termos de novo estrada aberta, a partir de aí é seguir sempre por essa estrada até encontrarmos a primeira aldeia que já será Zebral. Mas para melhor entender a localização de Zebral, fica em mapa o itinerário por nós recomendado e fotografias aéreas do google Earth com algumas anotações.

 

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Em Zebral demore-se o tempo que for necessário, sem pressas, mesmo porque a aldeia não é assim tão grande para nela se poder demorar uma eternidade, mas com o tempo necessário para apreciar os pormenores, o casario, a vida no campo, conversar com as pessoas, beber a água das fontes, tendo sempre em conta aquilo que nos dizia Torga a respeito destes reinos maravilhoso “ O que é preciso para os ver, é que os olhos não percam a virgindade original diante da realidade e o coração”.

 

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Mas como hoje estamos aqui pelo vídeo que ZEBRAL não teve aquando do seu post completo, para o qual fica link no final deste, vamos passar de imediato para esse vídeo, com todas as fotos da aldeia publicadas até hoje neste blog. Espero que gostem.

Aqui fica:

 

Agora também pode ver este e outros vídeos no MEO KANAL Nº 895 607

 

Post do blog Chaves dedicados à aldeia de ZEBRAL:

 

https://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-zebral-1503453

 

Como todas as aldeias de Montalegre já têm o seu vídeo é tempo de passarmos a uma segunda fase de abordagem ao Barroso de Montalegre. Para já, nas próximas semanas iremos andar pela vila, sede de concelho, com imagens e algumas estórias e sempre que possível também com a sua História, depois, com o tempo, logo se verá. Certeza, sem ser necessário prometer, é que o Barroso vai continuar a ter lugar neste blog, sempre.

 

 

06
Fev22

O Barroso aqui tão perto - Golas

Aldeias de Montalegre

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GOLAS - MONTALEGRE

 

Pensávamos que todas as aldeias do concelho de Montalegre já tinham passado aqui pelo Blog, com o seu post completo, e mais tarde, numa nova ronda, com o seu vídeo resumo, mas afinal faltava uma, que, diga-se a verdade, de início até constava na nossa lista de aldeias a visitar e descobrir, mas que a determinada altura, erradamente, jugámos não ser uma aldeia, mas talvez um bairro de Salto, e daí, não passámos por lá na nossa primeira ronda pelas aldeias do concelho de Montalegre. Refiro-me a Golas, que hoje vai ter aqui o seu post e o seu vídeo com é devido, para agora sim, darmos como concluída a ronda por todas as aldeias de Montalegre..

 

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A sabedoria do nosso povo, costuma dizer que “Mais vale tarde do que nunca” e se concordamos com este saber, nem por isso deixamos de lamentar por só agora trazer aqui a aldeia de Golas, mas, e sem intensão de servir de desculpa, a culpa não é só nossa, ou melhor, é só nossa, mas existiram factos que nos induziram em erro, e lá está o povo a dizer mais uma vez “Contra factos não há argumentos”, o que me poderia consolar ao haver factos que me dão razão, mas não consola, porque também os á que não ma dão.

 

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Vamos então tentar esclarecer e compreender as razões das nossas omissões. Ora já o disse aqui vezes sem conta que andei enganado, quase toda uma vida, ao pensar conhecer o Barroso, isto porque conhecia desde a minha infância a Vila de Montalegre e algumas aldeias que calhavam nos itinerários entre Chaves e Montalegre, e digo itinerários porque durante esse período de visitas a Montalegre, houve dois itinerários, o primeiro que se fazia sempre pela N103 até ao Barracão, e mais tarde até S. Vicente, na carreira de Chaves-Braga, e depois destas localidades até Montalegre.

 

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O segundo itinerário frequente para Montalegre, só a partir de finais dos anos 70 do século passado é que passou a ser conhecido e preferido ao anterior (da E103), aqui já sem recorrer à carreira de Chaves-Braga, que com o tempo até deixo de existir. Pois conhecendo eu muito bem estes dois itinerários, julgava-me conhecedor de todo o Barroso, tanto mais, e ainda, que por algumas vezes calhou ir até Tourém Pitões da Júnias, isto ainda e muito antes de existirem computadores e internet, ou seja, antes de termos toda a informação disponível para fazer descobertas, não só em documentos escritos mas também em cartas geográficas, mapas, fotografia aérea, etc, e foi por aí que recentemente, embora há já mais de um ano ou até dois, pois a pandemia serve de referência, que cheguei à conclusão que Golas era uma aldeia, mas que quis confirmar, in loco, recentemente, em outubro passado (Out.2021), onde inclusive tive acesso a dois dados preciosos que, se dúvidas houvesse, faziam toda a luz sobre a verdade de Golas, ao conhecer a data de fundação da aldeia (1908) e os seus fundadores, o casal Acácio Fernandes e Teresa Fernandes.

 

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Para não perder o fio à meada, regressemos atrás na escrita, aquando referia os factos que me levaram ao engano, ou seja, para documentar estes meus posts sobre as aldeias do Barroso, vou recorrendo áquilo que existe escrito em documentos e publicações, de preferência as oficiais, pois parte-se do princípio que essas são fidedignas. Assim, para Montalegre tinha como consultas preferidas e obrigatórias a monografia “Montalegre” e a “Toponímia de Barroso”, isto porque abordavam todas as freguesias e aldeias. Pois, mas foram estas publicações fidedignas que contribuíram para o meu engano, pois em nenhuma delas se refere a aldeia de Golas, é como se não existisse. Mas existe.

 

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Por outro lado, na página oficial da Câmara de Montalegre, no espaço dedicado à Freguesia de Salto,  houve o cuidado de introduzir Golas nos lugares da freguesia, embora fora da ordem alfabética, mas consta lá. O curioso é que o texto que consta nos dados da freguesia de Salto é o mesmo da monografia “Montalegre”, tipo copy-paste, onde em ambos consta “Lugares da Freguesia (20)”, vinte lugares, mas na monografia só são descritos 19 lugares. Estes dois pormenores, um, o de Golas estar fora de ordem na página da CMM e o outro, o de na monografia em vez de 20 lugares só constarem 19 na descrição, faz-me pensar que em ambos houve uma decisão de última hora de ser incluído e excluído na descrição.

 

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Para rematar este assunto do ser ou não ser aldeia, fiquemos com a definição mais comum de aldeia:

 


Pequena localidade, geralmente com poucos habitantes e de organização mais simples que a de uma vila ou cidade, sem autonomia administrativa; povoação.

 

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Claro que talvez fuja um bocadinho ao conceito que esteve na origem da maioria das aldeias e que, Afonso Ribeiro, no seu romance “Aldeia” de 1943,  tão bem descreve ao colocar a aldeia num espaço físico e social onde a um lado estavam os trabalhadores rurais e rendeiros, e dou outro, os senhores da terra.

 

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E agora sim, vamos até a aldeia de Golas, fundada em 1908 por Acácio Fernandes e Teresa Fernandes, claro que não seria logo como aldeia, mas aí teria o seu início, há pouco mais de 100 anos, sendo assim uma aldeia relativamente recente, o que está espelhado na arquitetura do casario, com um tipo de construção que sai fora daquilo que é o tradicionalmente barrosão. Ao todo são vinte e tal construções, entre as quais alguns armazéns. A julgar pela origem da aldeia e pelas expressões de agradecimento aos fundadores de Golas, a maioria dos seus habitantes serão descendentes dos fundadores, mas isto sou eu a supor.

 

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Quanto à localização da aldeia, está bem próxima da vila de Salto, da zona mais recente de Salto, e num raio de cerca de 2 km tem as aldeias da Venda Nova, Amiar, Pomar da Rainha e Borralha.

 

Quanto ao nosso trajeto para partir à descoberta de Golas, como sempre a partir da cidade de Chaves, optamos por iniciar pela N103 até Sapiãos, depois Boticas onde apanhamos a R311 em direção a Salto até chegarmos mesmo à entrada de Salto, no cruzamento, onde em vez de irmos em direção ao centro de Salto devemos tomar a direção contrária no sentido de da Venda Nova, onde a umas centenas de metros aparecerá a placa a indicar Golas. Mas ficam os nossos mapas e os da google para melhor localização.

 

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E vai sendo tudo, pois sobre Golas pouco mais há a acrescentar e as imagens que vos deixam documentam bem a sua realidade. Como habitualmente fica o vídeo com todas as imagens do post, que espero que gostem.

Aqui fica:

 

 

 

Agora também pode ver este e outros vídeos no MEO KANAL Nº 895 607

 

Hoje não anunciamos qual a próxima aldeia, porque na realidade já não temos mais aldeias do concelho de Montalegre para trazer aqui, mas mesmo assim, com tempo, ainda vamos ver se nos falhou alguma coisa. Entretanto Montalegre continuará por aqui às sextas-feiras, mas com imagens e posts dedicados à Vila de Montalegre, ou então de temática geral, sem se referir propriamente a uma aldeia.

 

 

16
Jan22

O Barroso aqui tão perto - Vilarinho de Negrões C/Vídeo

Aldeias do Barroso - Concelho de Montalegre

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VILARINHO DE NEGRÕES - MONTALEGRE

 

Continuando a cumprir a nossa falta para com as aldeias que, aquando dos seus posts neste blog não tiveram o resumo fotográfico em vídeo, trazemos hoje esse resumo para a aldeia de VILARINHO DE NEGRÕES, concelho de Montalegre.

 

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É mais uma aldeia da margem esquerda do rio Rabagão, no troço em que dá lugar à barragem dos Pisões (ou do Alto Rabagão). Na margem esquerda do rio/barragem, quase a entrar pela água adentro, aliás com a barragem na sua cota máxima, há mesmo casas que chegam a tocar a água, e se essa cota tivesse mais um metro ou dois, transformava a aldeia numa ilha.

 

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Esta particularidade da sua proximidade da barragem, por parecer quase uma ilha, principalmente quando a água da barragem atinge a sua cota máxima, transforma-a numa das aldeias mais interessantes para ver e fotografar, com uma beleza ímpar.

 

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Daí em nada termos estranhado que fosse uma das aldeias candidatas às sete maravilhas de Portugal, tendo sido uma das aldeias pré-finalistas na categoria de “Aldeias Ribeirinhas” a par da Aldeia da Luz, de Mourão, no Alentejo, a aldeia de Dornes em Ferreira do Zêzere, Escaroupim de Salvaterra de Magos, Furnas da Povoação nos Açores, Santa Clara-a-Velha em Odmira e Sete Cidades em Ponta Delgada. Não chegou à final, mas ficou entre as sete mais belas na sua categoria.

 

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Mas não é caso único, pois mesmo ao lado, a aldeia de Negrões é muito idêntica a Vilarinho e mais à frente, Criande, também comunga esta proximidade das águas da barragem e, do lado oposto da barragem, quase em frente a Vilarinho de Negrões, a aldeia de Parafita também tem meia dúzia de casas muito próxima da barragem, no entanto, sem qualquer dúvida que a que tem mais visibilidade é a de Vilarinho de Negrões, isto por causa dos locais mais elevados desde onde a aldeia se deixa ver, locais esses que não existem nas proximidades das outras aldeias.

 

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Na sua intimidade, dentro da aldeia, já não goza das vistas privilegiadas, mas também ganha o seu interesse por se sentir a proximidade da água, principalmente quando a barragem está na sua cota máxima em que há mesmo caminhos da aldeia que são interrompidos por ficarem submersos. No restante, é uma aldeia barrosã, com todas as características barrosãs das aldeias do Alto Barroso, implantada a uma cota que ronda os 880m de altitude, tendo por um lado uma das vertentes  da Serra do Barroso e em frente a “grande planície” das águas da barragem.

 

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E como tudo que tínhamos a dizer sobre a aldeia já o dissemos no post completo que lhe dedicámos (com link no final para ele) resta-nos referir a sua localização e o itinerário para lá chegar a partir da cidade de Chaves. Pois quanto à localização, não há melhor que a referência da barragem dos Pisões, na sua margem esquerda, já quanto ao itinerário, embora se possa fazer maioritariamente pela N103, nós recomendamos um outro, com distância idêntica mas com passagem obrigatória por algumas aldeias, todas elas bem interessantes, quer as do concelho de Chaves, quer as do Barroso, que embora fiquem as indicações nos mapas que deixamos a seguir, se pode resumir como partida de Chaves em direção ao S.Caetano e depois passagem por Soutelinho da Raia, Meixide, Pedrário, Serraquinhos, Zebral, Vidoeiro, Cortiço (não obrigatório) Barracão, Criande, Morgade, Negrões e finalmente Vilarinho de Negrões, ao todo são 44,3km, só ida, no regresso pode optar por subir aos Cornos do Barroso e descer até Boticas e depois Chaves.

 

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E finalmente chegamos à parte em que deixamos aqui o vídeo, com todas as imagens publicadas de Vilarinho de Negrões publicadas até hoje neste blog. Espero que gostem.

 

Aqui fica:

 

 

 

Agora também pode ver este e outros vídeos no MEO KANAL Nº 895 607

 

Post do blog Chaves dedicado à aldeia de VILARINHO DE NEGRÕES:

https://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-vilarinho-1393643

 

E quanto a aldeias de Montalegre, despedimo-nos até à próxima sexta-feira em que teremos aqui o vídeo da aldeia de Viveiro.

 

 

09
Jan22

O Barroso aqui tão perto - Vilarinho de Arcos C/Vídeo

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VILARINHO DE ARCOS - MONTALEGRE

 

Continuando a cumprir a nossa falta para com as aldeias que, aquando dos seus posts neste blog, não tiveram o resumo fotográfico em vídeo, trazemos hoje esse resumo para a aldeia de VILARINHO DE ARCOS, concelho de Montalegre.

 

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Estamos no Barroso, estamos no Norte de Portugal, temos a Galiza aqui ao lado por isso é comum, vulgar até, estarmos em terras cujo topónimo contenha “Vilar de” Vilarinho de”, “Paradas” e “Paradelas” e “Sãos” e “Santas” de todos os nomes, topónimos conjuntos que lançam mão de um segundo topónimo de uma aldeia mais próxima onde têm a sua origem, de uma igreja ou capela, de uma região ou da sua condição geográfica. Pois hoje estamos numa dessas aldeias cujo topónimo, no caso, é Vilarinho.

 

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Vilarinho que também é diminutivo de Vilar, que teoricamente seria um “Vilar” mais pequeno, cujo significado de origem, seria também ser parte de uma “Villa” cedida para usos agrícolas, daí ter no seu segundo topónimo o nome dessa “Villa” que lhe fica sempre próxima, ao lado, por assim dizer, como acontece aqui no concelho de Montalegre com o Vilarinho de Arcos, com a aldeia de Arcos ao lado e Vilarinho de Negrões, com Negrões também próxima.

 

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Mas dizia atrás que esta do “Vilarinho” ser um diminutivo de “Vilar”, que por sua vez nasce de uma “Villa” ou sejam povoações mais pequenas que a sua “Villa”, o era teoricamente, e talvez o fossem na sua origem, mas que hoje em dia nem sempre corresponde à verdade, pois tanto os “Vilares” como os “Vilarinhos” cresceram e muitas das vezes são povoações maiores do que aquelas onde tiveram a sua origem, mas isto são apenas curiosidades que tem a ver com a história destas povoações.

 

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Pelo menos no caso destes “Vilarinhos” não temos dúvidas quanto à sua origem, que no caso deste Vilarinho de Arcos, teve origem na povoação de Arcos que lhe fica ao lado, a menos de 1Km de distância, e sim, ligadas por terras agrícolas na margem direita do Rio Bessa, quase junto à sua nascente. Outra curiosidade ainda, e que tem a ver com outro topónimo que atrás não mencionámos, que é o topónimo “Antigo de” que neste caso também existe, pois as tais terras agrícolas que unem Vilarinho de Arcos a Arcos, prolongam-se sempre junto ao Rio Bessa até Antigo de Arcos, mas este sem povoação, ou quando muito, em tempos remotos, poderia ter sido o Antigo de Serraquinhos.

 

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Mas como hoje estamos aqui pelo vídeo que Vilarinho de Arcos não teve aquando do seu post completo, para o qual finca link no final deste, vamos passar de imediato ao seu vídeo, com todas as fotos da aldeia publicadas até hoje neste blog. Espero que gostem.

Aqui fica:

 

 

Agora também pode ver este e outros vídeos no MEO KANAL Nº 895 607

 

Post do blog Chaves dedicados à aldeia de VILARINHO DE ARCOS:

https://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-vilarinho-1508489 

 

E quanto a aldeias de Montalegre, despedimo-nos até à próxima sexta-feira em que teremos aqui o vídeo da aldeia de VILARINHO DE NEGRÕES, curiosamente outro “Vilarinho” de Montalegre.

 

 

27
Dez21

O Barroso aqui tão perto - Lousas

Aldeias do Barroso - Concelho de Boticas

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LOUSAS - BOTICAS

 

Nesta descoberta das aldeias do Barroso, continuamos no concelho de Boticas, na freguesia de Dornelas. Desta freguesia já passaram por cá as aldeias de Antigo, Casal, Espertina e Gestosa. Seguindo a ordem alfabética, calha hoje a vez a Lousas.

 

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Lousas é mais uma das aldeias isoladas que nasceu junto a uma pequena várzea de um ribeiro que mais à frente desagua no rio Beça. Localizada entre grandes montanhas, mais ou menos onde a serra do Barroso se encontra com a serra da Cabreira, que no meio de tanto ondular de montanhas é complicado saber onde começam umas e terminam outras, só mesmo que é de lá é que lhes deve conhecer os limites e saber se a terra que pisam, é de uma ou outra montanha.

 

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Dizia-mos atrás que Lousas é uma das aldeias isoladas do Barroso, nem tanto pela distância que a separa da sede de freguesia de Dornelas, a 4km ou do concelho, Boticas, que fica a cerca de 30Km, mas mais pela sua situação de ficar lá ao fundo, numa pequena várzea de onde só se avistam montanhas, para além de não ser terra de passagem para nenhum lado, pois a partir de Lousas só há mesmo montanhas e caminhos florestais que nem sequer ligam às aldeias mais próximas, à exceção de uma ligação para a aldeia de Casal, que seguindo a linha de água que passa por Lousas, fica um pouco mais acima.

 

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Uma aldeia isolada e de limites, pois fica a apenas 1km do concelho de Montalegre e à mesma distância do Concelho de Cabeceiras de Basto, pertencendo este último já ao distrito de Braga, mas desde a aldeia de Lousas não há qualquer ligação direta por estrada a estes concelhos. Por exemplo a aldeia de Gondiães que fisicamente fica a 3km de distância, a montanha que as separa faz com que por estrada estas duas aldeias esteja a 40km de distância. Daí nós falarmos do seu isolamento, pois até fica perto de tudo, mas longe do seu alcance, principalmente se considerarmos que estas aldeias não são servidas por transportes públicos.

 

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Isolamento que até poderia ser interessante, pois estas aldeias até têm o seu encanto, são lugares que têm tanto de bucólico como de romântico, mas que só por si não são suficientes para prender lá o seu povo, pois tirando a terra e algum gado, não há outra forma de ganhar o sustento para a família, daí estas aldeias terem as suas portas abertas para partidas sem regressos, apenas os mais velhos resistem, mas só até um dia…

 

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Ao longo destes últimos anos temos trazido aqui as aldeias deste Reino Maravilhoso que Torga tão bem descreveu, um reino de gente pobre é certo, mas de uma riqueza sem igual no seu comunitarismo, no seu ser, nas suas tradições, na sua cultura. Um Reino Maravilhoso que já foi cheio de vida onde era possível construir futuros e que hoje definha para uma morte já há muito anunciada.

 

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Quem se der ao cuidado de ver os resultados dos CENSOS nas últimas décadas, verificará que é arrepiante ver a linha vertiginosa com que a nossa população caminha para o zero. A partir do CENSOS  de 1960 em que no interior se atinge o pico máximo de população, a linha de tendência inverte-se a caminho do zero, primeiro mais notória no mundo rural, nas freguesias rurais mais longe das cidades e vilas sedes de concelho, havendo aí um êxodo bem visível das populações das aldeias para as sedes de concelho, o problema é que agora, o emagrecimento da população não se dá só e apenas nas freguesias rurais, já atingem o todo dos concelhos, as suas vilas e cidades, as suas sedes.

 

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Um elogio ao fio azul, com mais uma aplicação

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Em julho passado, o INE divulgou os Resultados Preliminares dos CENSOS 2021 e, naquilo que a nós interessa, o Alto Tâmega, os números são preocupantes. Em 10 anos passámos de 94 143 habitantes para 84 330. Todos os concelhos, sem exceção, perderam população.

 

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Se ainda não conhece os números por concelho, aqui ficam:

 

- Boticas em 2011 tinha 5 750 habitantes e em 2021 tem 5 002. Isto resulta numa perda de 748 residentes, o que em termos percentuais significa uma quebra de 13%.

- Chaves passou de 41 243 habitantes em 2011 para 37 623 em 2021. São menos 3 620 pessoas, equivalendo a uma percentagem de menos 8,8%. A nível percentual, o concelho flaviense foi o que menos população perdeu no conjunto dos seis municípios da região.

- Montalegre passou de 10 537 habitantes em 2011 para 9 279 em 2021. Uma perda de 1 258 residentes, uma quebra de 11,9%.

- Ribeira de Pena a perda foi de 657 residentes entre 2011 e 2021, passando de 6544 para 5887 habitantes. Uma perda percentual de 10%.

- Valpaços em 2011 registava 16 882 habitantes, e em 2021 regista 14 714, significando uma perda de 2 168. São menos 12,8%.

- Vila Pouca de Aguiar passou de 13 187 habitantes em 2011 para 11 825 em 2021, uma perda de 1 362, resultando em menos 10,3%.   

 

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Resumindo, estes concelhos são agora grandes aldeias, ainda, mas igualmente com a sua linha de tendência a caminhar para o zero, no entretanto, todos assistem alheados, conformados e serenos a este definhar, palavras que me levam mais uma vez a evocar Torga: “Que povo este! Fazem-lhe tudo, tiram-lhe tudo, negam-lhe tudo, e continua a ajoelhar-se quando passa a procissão” e em janeiro aí teremos nova procissão a caminho de S.Bento.

 

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Para terminar, regressemos a Lousas, com um pedido de desculpas por pouco falar da aldeia ao trazer aqui a amarga realidade do despovoamento. Aldeia onde até me ficaram os olhos num lugar, com uma casa à beira de uma linha de água onde até me foi possível sonhar durante uns instantes, imaginando os acordares das manhãs na companhia do sussurro da passagem da água, cristalina por sinal, na companhia dos concertos e  melodias debitadas pela passarada do lugar.

 

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Pois só nos falta definir um itinerário para chegar até Lousas, com partida como sempre desde a cidade de Chaves pela N103 até Sapiãos, depois o desvio até Boticas e a partir de aí a R311 em direção a Ribeira de Pena e Cabeceiras de Basto, com passagem pela Carreira da Lebre e saída em Espertina/Antigo ou para a Vila Pequena e Vila Grande, com passagem obrigatória por esta última a partir da qual se toma a estrada que só nos leva a dois destinos — Casal e/ou Lousas.

 

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E agora o habitual vídeo final, com todas as imagens de Lousas aqui publicadas, vídeo que poderá ver aqui no blog ou no nosso canal do  YouTube ou no MEO KANAL Nº 895 607.

 

Aqui fica, espero que gostem:

 

 

E quanto a aldeias de Boticas, despedimo-nos até ao próximo domingo em que deveríamos ter aqui a aldeia de Vila Grande, mas que por razões que mais tarde compreenderão, vamos primeiro à Vila Pequena .

 

 

19
Dez21

O Barroso aqui tão perto - Vilaça

Aldeias do Barroso - Concelho de Montalegre

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VILAÇA - MONTALEGRE

 

Continuando a cumprir a nossa falta para com as aldeias que, aquando dos seus posts neste blog, não tiveram o resumo fotográfico em vídeo, trazemos hoje esse resumo para a aldeia de VILAÇA, concelho de Montalegre.

 

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É mais uma aldeia das proximidades do Rio Cávado, na sua margem esquerda e entre as barragens dos Pisões e de Paradela, a 52 quilómetros de Chaves, e embora seja uma aldeia de passagem, com estrada, não calha nos itinerários principais do concelho de Montalegre, mas antes numa ligação entre a aldeia de São Pedro e Paradela do Rio. Quero dizer com isto que não é fácil passar por lá por acaso, mas pode funcionar como tal para quem utiliza a N103 e pretende ir para Paradela, mesmo para quem vai de Chaves.

 

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Embora já tivéssemos dedicado um post completo à aldeia de Vilaça para o qual fica um link no final, o mesmo já foi em fev. de 2017,  e para nós pareça que foi ontem, já lá vão quase 5 anos, e mesmo que este post seja para deixar aqui o vídeo que então não teve, nunca é demais deixar aqui o itinerário, a partir da cidade de Chaves, para chegar a Vilaça.

 

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Então, a partir da cidade de Chaves, há duas alternativas para chegarmos a Vilaça, sensivelmente ambas com a mesma distância, uma, a que recomendamos, é pela estrada do São Caetano até Montalegre, aí descemos ao campo de futebol e continuamos por essa estrada até Sezelhe, onde devemos sair à esquerda, atravessar o paredão da barragem de Sezelhe e logo a seguir, devemos abandonar essa estrada em direção a São Pedro, sem ter que entrar no centro da aldeia, basta seguir pela estrada que e logo a seguir, a pouco mais de 1Km é Vilaça. A outra opção a partir de Chaves é via N103 (estrada de Braga) até a Barragem dos Pisões, e logo a seguir às saídas para Viade de Baixo e de Cima, ainda antes da aldeia dos Pisões, tem uma saída para Brandim, Contim e São Pedro, onde a partir desta última aldeia o itinerário que falta (cerca de 1Km) é idêntico ao primeiro itinerário.

 

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Mas como hoje estamos aqui pelo vídeo que Vilaça não teve aquando do seu post completo, para o qual finca link no final deste, vamos passar de imediato ao seu vídeo, com todas as fotos da aldeia publicadas até hoje neste blog. Espero que gostem.

Aqui fica:

 

 

Agora também pode ver este e outros vídeos no MEO KANAL Nº 895 607

 

Post do blog Chaves dedicados à aldeia de VILAÇA:

https://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-vilaca-1493232

 

E quanto a aldeias de Montalegre, despedimo-nos até à próxima sexta-feira em que teremos aqui o vídeo da aldeia de VILARINHO DE ARCOS.

 

 

09
Out21

O Barroso aqui tão perto - Travassos do Rio

Aldeias do Barroso - Concelho de Montalegre

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TRAVASSOS DO RIO - MONTALEGRE

 

Continuando a cumprir a nossa falta para com as aldeias que, aquando dos seus posts neste blog, não tiveram o resumo fotográfico em vídeo, trazemos hoje esse resumo para a aldeia de TRAVASSOS DO RIO, concelho de Montalegre.

 

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Tal como referimos na última publicação em que referimos a existência de duas aldeias em Montalegre com o mesmo topónimo de Travassos, hoje trazemos a segunda aldeia com esse mesmo topónimo, mas agora com o “apelido” de Rio, em que tal como as aldeias das terras chãs da freguesia da Chã adotaram a chã como apelido, aqui são as aldeias da proximidade do rio Cávado que adotam o “apelido” Rio.

 

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Uma aldeia bem interessante e bonita de ver, que à distância desde S. Pedro ou Covelães, que na sua intimidade e nos seus pormenores, onde se destacam a torre do boi do povo, as capelas, alminhas e os mantos verdes que rodeiam a aldeia. É também uma aldeia de passagem para muitos destinos afamados do Barroso e do Gerês, daí, muitas vezes só lhe lançarmos um olhar de passagem, mas numa próxima passagem, lembrem-se que é mais uma das aldeias do Barroso que merece uma visita a uma das aldeias a quem Miguel Torga também dedicou algumas linhas do seu diário.

 

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Mais haveria para dizer sobre Travassos do Rio, mas isso já o fomos fazendo nos post completo que lhe dedicámos e para o qual fica link no final. Hoje hoje estamos aqui pelo vídeo que não teve nesse do seu post completo, assim, é para ele que vamos passar de imediato. Espero que gostem.

Aqui fica:

 

 

Agora também pode ver este e outros vídeos no MEO KANAL Nº 895 607

 

Post do blog Chaves dedicados à aldeia de TRAVASSOS DO RIO:

https://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-travassos-do-1804588

 

E quanto a aldeias de Montalegre, despedimo-nos até à próxima sexta-feira em que teremos aqui um vídeo conjunto com as aldeias de Venda Nova e Padrões.

 

 

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