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CHAVES

Olhares sobre o "Reino Maravilhoso"

04
Ago18

Pereiro de Agrações - Chaves - Portugal

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O nosso destino de hoje para mais uma das nossas aldeias do concelho de Chaves é para Pereiro de Agrações. É uma das três aldeias do concelho de Chaves, sendo nesta como, tal como na Póvoa de Agrações, mas há uma que assume o topónimo por inteiro, sendo apenas Agrações.

 

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Ora se fossemos a seguir o topónimo pelo seu significado teríamos “pereiro” como uma variedade de macieira que dá maças em forma de pera e  “agrações” [i] é o aumentativo masculino plural de agraço, que por sua vez significa uva verde ou sumo de uva verde. Ou seja, Pereiro de Agrações seria a terra da fruta verde e esquisita, mas não, já vi por lá fazer vinho e uvas bem madurinhas, maças das normais e peras, mas a fruta rainha da aldeia ou das três Agrações, até é a castanha. Pois uma das coisas que fui aprendendo com a toponímia é que os topónimos na maior parte das vezes, principalmente quando têm nome de animais ou de árvores, nada têm com os animais ou as árvores com o mesmo nome. Ou seja, mais uma vez ficamos, pelo menos eu fico, sem saber a origem deste topónimo.

 

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Pereiro de Agrações e Agrações são duas aldeias até onde gostamos de ir. Também subiríamos mais um pouco até à Póvoa se os acessos fossem bons a partir do Pereiro, mas não, nem por isso são lá muito bons para popós, embora já algumas vezes me atrevesse a fazer o trajeto via Pereiro.

 

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Mas como ia dizendo gostamos de ir por Pereiro e Agrações, principalmente no Outono/Inverno, pelo colorido e pelas neblinas (quer por lá quer as que cobrem o vale da Ribeira de Oura) que oferecem sempre motivos interessantes para fotografar, quer pelo colorido, no caso do outono, ou pelas neblinas e nevoeiros no caso do inverno. No entanto, pelo meu arquivo fotográfico vejo que Agrações tem sido mais vezes o nosso destino, embora sejamos sempre obrigados a parar dentro ou perto de Pereiro para umas imagens especiais, que os pastores da terra os vão proporcionando, com os quais vamos sempre dado alguns dedos de conversa, pois já somos velhos conhecidos e que quase sempre encontrámos quando fomos por lá.

 

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E desta vez espero não meter nenhuma galga como o fiz da primeira vez que abordei esta aldeia, que corrigi logo que tomei conhecimento dela. A estória até é caricata, pois abordei o Pereiro de Agrações, com as fotografias que então lá tinha tomado, referi-me sempre às coisas da aldeia e na feitura do post ia revivendo os momentos que lá passei e as conversas que por lá fui tendo, no entanto, desde o início ao fim dos post em vez de escrever Pereiro de Agrações, escrevia Póvoa de Agrações. Após a publicação, passados dois ou três dias, encontrei o Presidente da Junta que me disse já ter visto o post, e até tinha gostado, só que, tinha-me enganado no nome da aldeia…

 

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São traições que a nossa mente nos prega, pois conheço, localizo e distingo perfeitamente as três aldeias que têm Agrações no seu topónimo, no entanto cometi esse lapso. Mas em mim não é caso único. Neste caso relatado, dado a proximidade, o serem da mesma freguesia e terem o mesmo topónimo Agrações, até pode ser explicado ou em parte justificado, mas tenho outro caso bem mais estranho em que a minha mente já me atraiçoou várias vezes e em que as duas aldeias nada têm a ver uma com a outra, pois em algumas vezes que o meu destino deveria ser Stº António de Monforte, quando fui a dar por mim, estava em Nogueira da Montanha. A única justificação que encontro para tal, e que até nem justifica nada,  é eu conhecer Stº António de Monforte por Curral de Vacas e daí o meu inconsciente rejeitar o primeiro topónimo e de castigo (que até nem é castigo nenhum)  leva-me para a croa do Brunheiro. Já se me disserem: — O pá, tens de ir a Curral de Vacas… vou lá direitinho. Mas isto é apenas um aparte que até nem interessa nada para Pereiro de Agrações.

 

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Pereiro de Agrações, que no próximo outono ou inverno, teremos de fazer por lá uma paragem mais prolongada, para além dos pastores e dos seus rebanhos, pois pelo meu arquivo fotográfico sinto que a aldeia merece uma abordagem mais atenta e mais madura. Poderá ser no outono/inverno como poderá ser noutra ocasião que há muito tenho pensada para essa aldeia, mas que agora não poderei desvendar, pois ainda está no segredo dos “deuses” e a amadurar, será, isso é certo, uma abordagem bem diferente daquelas que costumo fazer a todas as aldeias.

 

 

 

 

 

 

 

[i] agraço in Dicionário infopédia da Língua Portuguesa [em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2018. [consult. 2018-08-04 03:06:35]. Disponível na Internet:  https://www.infopedia.pt/dicionarios/lingua-portuguesa/agraço

 

 

 

28
Jul18

Pereira de Veiga - Chaves - Portugal

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Seguindo a metodologia da ordem alfabética, a seguir a Pereira de Selão (a  nossa aldeia do último sábado) segue-se a aldeia de Pereira de Veiga. É por lá que hoje vamos passar.

 

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Uma passagem breve, pois todas as aldeias do nosso concelho já tiveram aqui o seu post completo. Nesta nova abordagem ficam apenas algumas imagens que nos posts anterior não foram selecionadas e mais alguns apontamentos sobre a aldeia.

 

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A titulo de curiosidade gosto sempre de abordar a origem dos topónimos que cada local tem, não propriamente o seu significado, mas mais o porquê do topónimo. No entanto na grande maioria dos casos não é fácil chegar a uma conclusão, pois com topónimos tão antigos como o são os nossos, chegar à sua origem e porquê, é complicado e há ainda a acrescentar uma série de informação, que em vez de esclarecer, apenas complica mais a coisa.

 

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Neste topónimo de Pereira de Veiga, quanto ao apelido Veiga, não há qualquer dúvida, visto que esta aldeia se localiza em plena veiga de Chaves. Curiosamente é a única aldeia da veiga que utiliza este apelido, embora no concelho este apelido se repita em Vila Nova de Veiga e Paredela de Veiga, aldeias vizinhas de Pereira de Veiga, mas já fora da Veiga. O problema surge com Pereira, pois a informação existente, além de confusa, até é contraditória.

 

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Todos estão de acordo que pereira é a árvore que dá peras. Quanto à origem como nome/apelido de pessoas, dizem que teve origem no topónimo de um local, ou seja, o lugar/localidade Pereira é que deu origem aos senhores Pereiras e não o contrário. Diz-se ser de origem portuguesa (o apelido de pessoa) mas os judeus defendem o apelido como seu e até contestam que o Pereira tivesse origem numa localidade portuguesa com esse topónimo, pois defendem que os Pereiras tiveram origem numa localidade, sim, mas espanhola e muito antiga, antes de aparecerem em Portugal. Por sua vez num sítio da net de referência nesta coisa dos topónimos “Toponímia galego-portuguesa” a respeito do topónimo Pereira diz ser um dos de pseudo-Fitotoponímia, sendo a fitotoponímia a associação de um topónimo ao nome de uma árvore ou flora local. Pois Pereira, tal como outros topónimos com nomes de árvores ( Amoreira, Carvalho, Castanheira, figueira, oliveira, sobreira, entre outros) têm nome de árvore mas não é na árvore que têm a sua origem.  Pois para o autor da “Toponíma galego-portuguesa o topónimo Pereira  está associado à existência de pedras ou pedreiras no local. Como em Montalegre também há uma aldeia com este topónimo, fui espreitar à Toponímia de Barroso, mas por azar é um dos poucos que não tem referências à origem e se tivesse, levar-nos-ia à origem da palavra que nos remeteria para a pereira que dá peras. Assim sendo fico-me por aqui sem esclarecer nada, apenas ciente de que deitei algumas achas para a confusão/discussão.

 

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E ficaram propositadamente, de rajada, três imagens desta aldeia. Se apenas tivesse estas imagens o que poderia dizer sobre ela? – Pois saltaria logo à vista o abandono que é também sinónimo de despovoamento, à qual esta aldeia também não foge, mesmo sendo uma aldeia da veiga e a pouco mais de 3km da cidade, mas é uma aldeia agrícola, e agricultura, hoje, também é sinónimo de abandono > despovoamento. Uma outra imagem, tem com ela dois pedaços de história, um, o das construções de perpianho à vista com junta pintada, utilizado em casas mais ricas que as da pedra solta, mas não o suficientemente para terem a nobreza do solar ou casa solarenga, mas o que atraiu a objetiva foi a placa colocada na parede, onde está inscrito EQUIDADE – PORTO 1853. Os mais novos pela certa que não saberão do que se trata, mas eu ainda sou do tempo de as ver colocadas, novinhas em folha, nas paredes das casas. Pois para quem não sabe, trata-se ou tratava-se de uma casa que estava assegurada pela companhia de seguros Equidade, isto ainda no tempo em que as companhias de seguros eram portuguesas e muitas, hoje quase todas absorvidas por grandes seguradoras estrangeiras. Curiosamente esta companhia EQUIDADE não a conhecia, mas vim a saber que foi fundada em 1853, era do Porto e foi constituída com elementos dissidentes da Companhia de Seguros Garantia, esta sim, bem conhecida. A EQUIDADE existiu até 1975, altura em que foi nacionalizada e conjuntamente com outras deu origem à Portugal RE, companhia de seguros. E.P.

 

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E por último uma foto com uma preciosidade, a cama que virou banco de jardim ou de rua, que demonstra bem como o nosso povo é(ra) criativo, engenhoso e preocupado com o ambiente, que praticamente não produzia lixo e tudo era aproveitado e reutilizado. A do “preocupado com o ambiente” não é bem verdade, pois essa preocupação nem sequer existia, ainda, mesmo porque o plástico/lixo, por exemplo, era raro, os popós também e tudo que era embalagem ou recipiente não ia para o lixo, pois tinha uma utilidade destinada. Hoje tudo é diferente e tudo poderia ser diferente. Ainda ontem recebi, pelo correio, um livro que tinha encomendado na NET, tamanho normal (15x22x2cm) que me foi entregue dentro de uma embalagem que tinha as dimensões de 40x30x12cm. Como para o livro a caixa era enorme e para o mesmo não vir dentro dela aos trambolhões, encheram o espaço sobrante com plástico de bolinhas. Não seria mais fácil  fazer um embrulho à medida!? Não sabem!? Que aprendam com os chineses… poupadinhos!

 

E com esta me bou!

 

 

 

21
Jul18

Pereira de Selão - Chaves - Portugal

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Muito antes de ir pela primeira vez a Pereira de Selão, há anos que que este topónimo surgia no meu dia a dia – “camada base com solos selecionados das minas de Pereira de Selão”. Se a lengalenga não era esta, era parecida. Eram os melhores solos (diziam os engenheiros) para as camadas base das estradas que então (anos 80/90) se pavimentavam para todos os destinos, e como os solos eram bons, e tudo que era bom vinha de fora, nunca imaginei que Pereira de Selão pertencia ao concelho de Chaves. Ainda vivia na minha idade da inocência e de não me preocupar muito de onde as coisas vinham. O que então interessava é que elas existiam, e era tudo…

 

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Anos mais tarde vim a saber que afinal Pereira de Selão era ali para a montanha a caminho de Vidago. Fui lá pela primeira vez por causa da escola primária, precisamente na sequência de um “pedido de vistoria” solicitado pela professora da escola, com medo que a mesma caísse com as explosões que efetuavam na mina. As fendas na escola e a proximidade da mina a céu aberto a menos de 100 metros assustavam professora e crianças.  Não sei qual foi o resultado da vistoria, pois estive lá apenas como observador, mas as preocupações da professora eram válidas. A mina passados poucos anos fechou, a escola também, por motivos diferentes, mas ambas fecharam e ambas ficaram abandonadas, a escola sem professora e sem alunos, a mina sem mineiros e exploradores. A escola esvaziou a mina encheu-se de água, formando uma lagoa do tamanho da aldeia. Penso que a Lei determina que após cessar a exploração das minas deve ser “tapado o buraco”, mas se calha fui eu que sonhei com isso…

 

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Primeiro ia-me cruzando com Pereira de Selão nas memórias descritivas e justificativas por causa dos tais solos das minas, depois fui lá por causa das mesmas minas mas a realidade é que ir à aldeia para a visitar, sentir e fotografar, só há 10 anos é que aconteceu, graças a este blog e à minha teimosia de trazer aqui todas as aldeias do concelho de Chaves. Teimosia essa que depois de se esgotar no concelho de Chaves foi alargada para o Barroso que também se está a esgotar. Atenção Vila Pouca de Aguiar é para lá que a nossa teimosia vai a seguir, já com dia marcado para daqui a uns dias com início na aldeia de Parada do Corgo que também é de Aguiar.  

 

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Mas voltemos a Pereira de Selão à qual demorámos a ir mas que agora nos calha nos nossos itinerários algumas vezes, principalmente desde que a estrada entre esta aldeia e Vila Boas foi construída, ou pavimentada, pois suponho que já existiria um caminho entre ambas as aldeias.

 

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É uma aldeia que gostámos de descobrir, surpreendeu-nos quando lá fomos à recolha de imagens. Embora seja atravessada pela estrada que liga Redial a Valverde, o coração da aldeia sente-se mais no largo da capela, onde para nós estão também as construções mais interessantes, algumas ainda com o andar em madeira. Claro que estão abandonadas ou pelo menos desabitadas, mas estão lá fazendo testemunho de uma época.

 

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Não é uma aldeia muito grande e agora a sua grandeza apenas se faz sentir no casario, pois tal como a maioria das nossas aldeias também sofre da maleita atual do despovoamento, no entanto há algumas construções mais recentes e ainda há gente para ir mantendo os terrenos cultivados e tratados, pelo menos à volta da aldeia.

 

E vai sendo tudo. Determina a ordem alfabética que no próximo fim de semana esteja por aqui outra Pereira, mas terá o apelido de Veiga. O Pereiro só virá a seguir. Amanhã teremos por aqui o “Pergaminho dobrado em dois” uma aldeia do Barroso, que, ainda não sabemos qual será. Mas ainda antes, às 17 horas de hoje teremos por aqui a brincadeira 40 das 100 brincadeiras comsiso.

 

Até amanhã!

 

 

 

14
Jul18

Pastoria, Chaves, Portugal

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Então vamos lá retomar o regresso às nossas aldeias de Chaves que, segundo a metodologia da ordem alfabética, hoje toca a vez à aldeia da Pastoria.

 

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Uma aldeia que nos fica aqui ao lado da cidade e à qual gostamos de ir de vez em quando, mas pelos vistos nem tanto quanto pensamos que vamos, pois olhando ao registo das imagens, as últimas já têm data de 2009, ou seja, há 9 anos que não vamos por lá, mas vamos passando ao lado, é esta a desvantagem e vantagem de não ser uma aldeia de passagem, à beira de uma estrada com muitos destinos, embora apenas esteja a 3km de duas das principais vias do concelho de Chaves — a A24 (nó de Curalha) e EN103.

 

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Mas fica lá na sua pacatez de um pequeno vale, entalado entre estas duas vias e a montanha que resguarda a aldeia dos ares frios do Barroso, montanha em cuja croa se faz a divisão administrativa entre o concelho de Chaves e o de Boticas, a apenas 700m. Parece perto, mas a inclinação da montanha não permite qualquer ligação à outra vertente da montanha, e é pena, pois mesmo do outro lado está um interessante santuário, o da Nª Senhora das Neves, de Ardãos.

 

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Uma aldeia que vive na sua pacatez, mas ainda com vida dentro dela. Claro que não é uma aldeia exceção às questões do despovoamento, mas mesmo assim, pelo menos há 9 anos ainda assim era, é uma aldeia que tem sempre gente nas ruas e nos campos que ainda vão cultivando.

 

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Nestas nossas abordagens às aldeias flavienses, mas também do Barroso, geralmente não referimos quais são as suas principais atividades. Talvez uma falta nossa que cometemos porque o modo de vida nas nossas aldeias é transversal a todas elas, ou pelo menos à grande maioria. Mas estamos sempre a tempo de fazer uma espécie de diagnóstico social.

 

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Então podemos dizer de todas as nossas aldeias, com algumas poucas exceções, que entre os seus naturais, há os que partiram, abalaram, emigraram  e os que ficaram. Os que emigraram são a maioria, geralmente jovens. Os que ficaram, a minoria, são constituídos por idosos/reformados/pensionistas e alguns, poucos, mais jovens, ainda em vida ativa que se dedicam à agricultura e/ou pecuária, esta em menor escala. Ainda são menos os que trabalham fora e fazem da aldeia o seu dormitório, estes principalmente concentrados nas aldeias mais próximos da cidade ou de um ponto onde haja trabalho.

 

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Artistas e outros profissionais já não existem atualmente nas nossas aldeias e se por acaso ainda existir alguma, será para extinguir quando vagar. Artes e profissões como a do pedreiro, canteiro, carpinteiro, marceneiro, ferreiro, barbeiro, almocreve, ferrador, capador, enxertador, parteiro/parteira, costureira, tecedeira, carvoeiro, sucateiro, professor/a, padre, recadeiro, soqueiro, correeiro, albardeiro, curandeiro/a, cesteiro, e mais outras tantas ou mais que agora não se me ocorrem. Será mais fácil dizer as que ainda vão existindo: Reformados/pensionistas, desempregados, agricultores e pastores, estes últimos, em todo o concelho de Chaves, devem-se contar pelos dedos das mãos.

 

E com esta me bou. Estou de partida para o “Barroso aqui tão perto” para trazer cá, amanhã domingo, mais uma das suas aldeias.

 

 

 

30
Jun18

Paradela de Veiga - Chaves - Portugal

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Nesta roda, ronda pelas aldeias de Chaves, hoje fazemos uma paradela, paragem em Paradela de Veiga, que tal como o topónimo indica, fica na veiga, ou quase, pois fica a beirinha dela, tanto, que por entre as casas e a vegetação, se virarmos o olhar para Norte, esbarra com a veiga mas também com toda a cidade de Chaves.

 

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É uma das aldeia pela qual vou ou vamos passando com alguma regularidade, mas raramente paramos, e porquê!? — Pois por nenhuma razão em especial, primeiro não paramos porque calha com frequência na passagem para outros destinos e depois, como passamos por ela, já a conhecemos, ou julgamos conhecer, no entanto, para se conhecer no seu encanto, temos mesmo que entrar na sua intimidade, ou intimidades.

 

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Não é uma aldeia muito grande, refiro-me, claro, ao seu núcleo histórico, construído à volta de um pequeno largo, onde também existe uma pequena capela. Facto que terá a ver com a sua história de um passado em que o território da aldeia deveria ser pertença de dois ou três grandes proprietários. Claro que também não tenho certeza nisto que afirmo e se o digo, é porque para um e outro lado da aldeia existiam duas casas senhoriais que se construíam,  em geral,  à volta de grandes propriedades.

 

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Casas senhoriais que ainda existem, mas hoje ou estão abandonadas ou dotadas de outras funções. As duas de Paradela de Veiga, são casas brasonadas com brasão de família, uma delas, penso que a mais antiga, com armas da família Losada de Quiraz e aqui pertencentes à família Barros de Samaiões que por via do matrimónio estiveram ligadas às famílias mais ilustres da cidade de Chaves e da região.

 

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A titulo de curiosidade fica um pouco do registo genealógico da Família Losada até chegar ao Dr. Franscisco de Barros Ferreira Cabral Teixeira Homem, senhor da Quinta de Samaiões:

 

1 – Pedro Rodrigues Lousada, fidalgo espanhol que casou com D.Ana Pires da Veiga, natural de Quiraz (Vinhais), e tiveram pelo menos:

 

2 – Francisco Rodrigues Lousada que casou com D.Isabel Vaz de Morais, de Vilar Seco da Lomba. Tiveram pelo menos:

 

3 – Pedro Rodrigues de Morais, Capitão Mor de Vilar Sêco de Lomba, casou com D.Maurícia de Barros, de Águas Frias, que tiveram pelo menos:

 

4 – João de Barros Pereira do Lago, foi cavaleiro Professo na Ordem de Cristo. Tenente Coronel de Cavalos, casou com D.Jerónima de Morais Ferraz. Tiveram pelo menos:

 

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5 – Francisco de Barros de Morais Araújo Teixeira Homem, Marechal de Campo, casou com D.Luísa Joaquina de Arrochela de Castro de Almada e Távora, da família Castro Moraes, de Chaves, senhores dos Morgados do Pópulo e Santa Catarina. Tiveram pelo menos:

 

6 -  Joaquim Teixeira de Barros de Araújo Lousada, casou com D.Maria Bárbara Damasceno de Sousa Yebra y Oca, da Casa dos Morgados de Vilar de Perdizes. Foi sua herdeira:

 

7 – D.Luísa Adelaide de Sousa Barros, casou com o Brigadeiro de Cavalaria Joaquim Ferreira Cabral Paes do Amaral, tiveram pelo menos:

 

8 – Manuel de Barros Ferreira Cabral, casou com D.Maria Leonor Paes de Sande e Castro, bisneta dos 5ºs Viscondes de Asseca. Tiveram, entre outros, o Dr Francisco de Barros Ferreira Cabral Teixeira Homem, senhor da Quinta de Samaiões, que casou com D.Maria da Assunção de Abreu Castelo Branco, filha dos 3ºs Conde de Fornos de Algodres e o Dr. António de Sales Paes de Sande e Castro de Barros, senhor da Quinta de Paradela, que casou com D.Helena Cicilia Dora Wemans.

 

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A outra casa senhorial brasonada, hoje conhecida por Quinta de Samaiões e transformada em Hotel Rural,  era pertença da família Barros, de Samaiões, é uma das mais ilustres da região flaviense estando ligada há mais de quinhentos anos aos principais acontecimentos da sua História. No Brasão constam os BARROS, os ARAUJO, os TEIXEIRA e os HOMEM.

 

Os atuais representantes desta família descendem de famílias titulares como os Viscondes de Asseca e os de Vila Nova de Cerveira, os Condes de Avintes, os de Fornos de Algodres e os de São Payo, os marqueses de Lavradio e os de Pombal.

 

O representante da família na primeira metade deste século era o Dr. Francisco de Barros Ferreira Cabral Teixeira Homem, erudito arqueólogo e distinto investigador da História de Chaves e como vimos atrás na outra casa brasonada, são descendentes da família espanhola Losada, ou seja, ambas as casas brasonadas têm a mesma origem familiar de onde ao longo dos tempos descendem os Barros Teixeira Homem, de Samaiões, com ligações familiares por via dos matrimónios com as principais famílias flavienses dos séculos XV a XVIII, como Teixeiras, Castros, Morais, Pimentel, Pequeno, Araújo, Magalhães, Fontoura e Leite.

 

 

BIBLIOGRAFIA

 

J.G. Calvão Borges, In Revista , Aquae Flaviae, nº9 de Junho de 1993. Editada por Grupo CulturalAquae Flaviue

 

J.G. Calvão Borges, IN Tombo Heráldico do Noroeste Transmontano, Volume Primeiro, Livraria Bizantina, Lisboa 2000.

23
Jun18

Paradela de Monforte - Chaves - Portugal

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Dita a ordem alfabética que hoje toca a vez á terra dos fidalgos de Paradela de Monforte, que pelo apelido do topónimo será fácil deduzir que fica por ali pelas terras de Monforte onde existe o castelo com o mesmo nome, porque de facto é daí que lhe vem o apelido, mesmo porque segundo reza a História, Paradela de Monforte até 31 de Dezembro de 1853, pertenceu ao extinto concelho de Monforte de Rio Livre.

 

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Terra dos Fidalgos ou pelo menos assim são conhecidos, e tudo, ao que a História ou as lendas contam, graças à fidalguia ligada ao Castelo de Monforte e à lenda dos fidalgos que estiveram na origem do topónimo de Paradela.  

 

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Pois para a origem do topónimo, reza assim a lenda:

 

" Dois irmãos cavaleiros à maneira de exploradores ou fugitivos da sociedade, toparam um alto donde se lhe deparou um vale.

- Que linda e ampla veiga aqui se encontra!

- Pára nela, disse-lhe o outro num gesto de desdém...

- Pois hei-de parar.... e como disseste “pára nela”, há-de ser esse o nome do nosso acampamento."

E daqui veio - dizem os naturais - por mudança do N em D, o nome de Paradela. E daí também os naturais de Paradela se autointitularem, Fidalgos de Paradela.

 

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Mas lendas são lendas e valem o que valem, contudo há outra(s) teoria(s) para a origem deste topónimo:

Pode referir-se a um tributo ou um foro, a que se dava o nome de Parada, foro esse que o povo pagava aos senhores da terra quando nela apareciam e que consistia em certa quantidade de mantimentos ou dinheiro, para mantença ou aposentadoria deles e da comitiva. Era um dos foros pagos entre os séculos XII a XV, pelo que a aldeia, a ter aí a origem do seu topónimo, terá também no mínimo essa antiguidade.

 

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Refira-se também que o topónimo Paradela é muito comum em Portugal, existe aqui no nosso concelho, mas também e Montalegre, Barcelos, Miranda do Douro, Penacova, Trofa, Águeda, Aveiro, e pela certa mais concelhos terão a sua Paradela. Na "Toponímia do Barroso", por exemplo, a respeito do Topónimo Paradela, diz-se o seguinte:

“De “parada + ella”. (…) “parada” do latino > parata, topónimo topográfico, isto é, significa um “alto” ou paragem para descanso nas árduas viagens das gentes medievais, romanas, célticas, pré-históricas e até actuais. Estes topónimos relacionam-se obviamente com o tempo de “paragem”. Na Paradela o tempo de paragem é curto, daí o diminutivo, e dá para seguir viagem; (…)”.

 

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Ora a lenda que atrás deixámos, encaixa em parte nesta última possível origem do topónimo.

 

Então se for por terras de Monforte faça o favor de parar nesta aldeia que dá pelo topónimo de Paradela de Monforte, mas antes, aprecie-a vista de longe, depois entre na sua intimidade onde poderá apreciar ainda algumas das construções típicas transmontanas, o seu património e arquitetura religiosa, patente em pelo menos numa igreja, numa capela e numa capelinha localizada num alto (se calha foi neste que pararam os cavaleiros da lenda).

 

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Igreja Paroquial, em estilo barroco, bem simples, com uma bela pia baptismal manuelina; tem por padroeira a Senhora das Neves cuja festividade se celebra em 5 de Agosto e é conhecida pela festa dos casados. É tradição, cada casal cuidar um ano da manutenção da Igreja, o homem servindo de sacristão e a mulher zelando a limpeza e asseio das instalações. Decorrido o ano, o casal organiza uma festa que inclui a elaboração de um ramo enfeitado com variados produtos da região, entre eles um frango, uma cabaça de vinho, um cacho de uvas, uma melancia e as chaves da Igreja. Realizam se algumas cerimónias religiosas, e este ramo é entregue ao casal destinado a desempenhar as funções de mordomo no ano seguinte. A festa termina com um baile, à porta do novo casal.

 

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A capela da Senhora do Rosário dotada de uma galilé. Tem como remate uma artística cruz latina e na sua base está inscrita a data de 1730. Pequena mas interessante, mas não tão pequena como a pequeníssima capela localizada num alto nos limites da aldeia, de onde se avista toda a aldeia e vale da freguesia.

 

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Este alto da capelinha é um autêntico miradouro com vistas que se prolongam até ao vale de Chaves e se perdem num longínquo mar de serras e montanhas. Capelinha ou capela pequena, mas com direito a festa e um espaço envolvente bem interessante que ficou a ganhar com a nova ligação da aldeia a Mairos. Local de visita obrigatória, pois embora a capela seja pequena impõe-se pela sua localização e simplicidade e depois, as vistas que dali se alcançam, são um pequeno paraíso visual que fará as delicias a qualquer fotógrafo.

 

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Paradela de Monforte onde nós também já parámos algumas vezes para tomar umas fotos, algumas, poucas, ainda antes de este blog existir, pois segundo o registo são fotos de 2002, no entanto a primeira recolha para o blog foi feita em 2006 e posteriormente em janeiro e maio de 2010, ou seja, há oito anos que não recolhemos por lá imagens.

 

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E para última imagem fica a imagem do forno que penso será o forno comunitário da aldeia. Este fornos sem qualquer dúvida que fazem parte do património cultural das nossas aldeias, não só pelas estórias que se poderão contar das passagens por eles, mas principalmente pela magia daquilo que sai pela pequena porta do forno, do melhor que há em iguarias da nossa terra, não só o tradicional pão centeio, mas também os folares e os assados em dias de festa, onde os leitões, cabritos, cordeiros, perus e tudo que la entra, sai transformado naquilo que há de melhor à mesa transmontana, deliciosas iguarias sem igual. Pena que estes fornos com a modernidade tivessem caído em desuso, ou do uso comum que noutros tempos era quase, senão, diário.

 

E é tudo, por hoje.

 

 

 

16
Jun18

Parada - Chaves - Portugal

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Hoje é a vez de irmos até Parada, uma das nossas aldeias a queimar a Nascente o limite do concelho de Chaves, confrontando com o mar de montanhas dos concelhos de Vinhais e Valpaços, sendo Parada também uma das aldeias de montanha, mas nem por isso a muita altitude, pois a aldeia anda entre os 650 e os 700m de altitude.

 

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É uma das aldeias à qual gosto sempre de ir, não só pela própria aldeia, principalmente pela forma como ela se localiza na encosta e lança vistas para as montanhas que se perdem no horizonte, mas também pelo seu casario e imagens de marca, como o Largo do Cruzeiro e o multifuncional abrigo de passageiros para um autocarro que julgo já não vai lá, para um “posto de correios” onde o carteiro raramente irá, se é que vai, e ainda para suporte da placa toponímica para lembrar os distraídos que lá vão, que aquele é o Largo do Cruzeiro.

 

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Também gostamos de lá ir pelas pessoas, claro que sim, pois das vezes que lá fomos tivemos sempre oportunidade de trocar dois dedos de conversa com os seus poucos habitantes, às vezes conversas não muito esclarecedoras, mas pelo menos eram de amigo. Eu explico melhor para não haver mal entendidos, então foi assim: Uma das vezes que fui por lá, penso que a segunda vez, além de querer completar a recolha fotográfica da aldeia, levava também como destino o S.Gonçalo, pois diziam-me que um dos seus acessos se fazia via Parada. Confirmei nas cartas militares e assim era, mas por estradões e caminhos que eu desconhecia. Perguntei então a uma das pessoas com quem estava a conversar qual era o caminho. Indicou-mo com indicações suficientes para lá chegar. Mas nestas coisas pergunto sempre se o carro vai lá bem e ele foi pronto a responder — “vai-vai, os outros também lá vão!”, mas à surdina dizia-me —  “ se não tiver amor ao carro…”. Bem, vai lá bem ou não vai? Insistia eu. — Vai, vai bem! E de novo à surdina repetia — “Se não tiver amor ao carro!”. Agradeci e desculpei-me que naquele dia até nem tinha tempo de lá ir, era só para saber, ou seja, uma forma de dizer que embora não tenha nenhuma relação amorosa com o meu carro, ele faz-me falta e é ele que me leva a descoberta do nosso mundo rural. Decidi poupá-lo, pois mesmo à surdina, quem te avisa, teu amigo é.

 

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Pois como já disse, gosto de ir a esta aldeia, nem que seja e só pelas vistas que desde ela se alcançam. Vá por lá e vai ver que eu tenho razão, mas tem mesmo de ir lá, pois a aldeia fica no final de estrada, a partir dela, só mesmo a penantes, num todo terreno ou não carro pelo qual não esteja perdido de amores. Mas vale a pena lá ir, sem pressas, entre no Largo do Cruzeiro (deve lá estar uma placa que indica o S.Gonçalo. A pé, siga essa placa e vá até ao fim da aldeia. Não é preciso andar muito, bastam uns 50 a 100 metros, e quando os seus olhos alcançarem o mar de montanhas, deixe-se ficar por aí, sem pressas, poise mesmo, demore-se na apreciação, é um bom revigorante para o corpo e a alma, acredite que é, sem químicos, apenas com aquilo que a natureza nos dá, ou nos brinda.

 

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Quanto ao S.Gonçalo, também é merecedor de uma visita, sou testemunha disso, pois acabei por lá ir, de boleia, num todo o terreno. Pelo caminho deu para ver que afinal um carro normal até vai lá, chega lá bem, os outros também lá vão, se não tiver amor ao carro…

 

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Como chegar até Parada!?

 

Simples, apanha a EN103 em direção a Bragança (Lebução ou Vinhais), passa Faiões, as três Assureiras, depois passa entre Águas Frias e o Castelo de Monforte, sobe prá Bolideia e aí abandona a EN103 virando à esquerda, passa pela Pedra do Bolideira, entra no início do planalto da batata, segue por aí um pouco até encontrar uma bifurcação na estrada onde aparecem dois conjuntos de placas, um que indica as aldeias à esquerda (S.Cornélio, Travancas, Argemil, S. Vicente, Orjais, Aveleda, Segirei e Roriz), não vá por esta estrada, vá pela outra que indica Dadim, Cimo de Vila Sanfins, Mosteiro, Polide, Santa Cruz, Parada e Roriz.

 

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Depois de tomar a estrada à direita,  passa-se por Dadim, entra-se em Cimo de Vila e sai-se em Sanfins, aqui atenção que é mesmo assim, pois entre Cimo de Vila e Sanfins não há separação física, ou seja entra em Cimo de Vila e quando chegar ao fundo da Rua já está em Sanfins. Aqui siga pela estrada principal em direção a Santa Cruz da Castanheira, se for pelas que dizem Mosteiro ou Polide, vai errado, volte para trás e se andar aos papeis, pare e pergunte a alguém. Se for pelo caminho certo, à frente de Sanfins tem logo Santa Cruz, siga sempre pela estrada principal, atravessa a aldeia e vai entrar num troço de estrada que parece não nos levar para lado nenhum, pois só se veem montanhas. Vá sempre por aí que vai bem, e quando menos esperar, a seguir a uma curva mais longa, aparece PARADA. Chegou!

 

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O regresso vem pelo mesmo caminho, pois não há outro. E agora que os levámos até lá, está na altura de nós partirmos em direção contrária, altura de travessar o concelho de Chaves e entrar no Barroso, é para lá que vamos todos os domingos, aproveitando o facto de o Barroso ficar aqui tão perto, vamos completando a descoberta deste nosso Reino Maravilhoso. Até amanhã numa aldeia do Barroso, mas antes ainda deve vir aí o Herman JC com mais uma das suas crónicas. Até amanhã!

 

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09
Jun18

Outeiro Seco - Chaves - Portugal

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Em Chaves há dois Outeiros, ou melhor, há muitos, mas com Outeiro como topónimo só há dois. Outeiro Jusão e Outeiro Seco. No último sábado estivemos em Outeiro Jusão, hoje vamos até Outeiro Seco. E a respeito dos Outeiros, recordemos o que disse no último sábado:

 

Se é “outeiro” está num alto, e tendo como apelido jusão, deveria estar para baixo. Aparentemente uma contradição, pois jusão significa “para baixo”, “para jusante”, ou seja num alto para jusante, encaixa na perfeição em Outeiro Jusão, isto se tivermos em conta o Rio Tâmega,  a veiga de Chaves e a própria cidade de Chaves, ou seja o outeiro que está ao lado do rio a jusante da veiga e de Chaves, e faz sentido, não só porque o localiza como o diferencia do outro outeiro a montante de Chaves e do rio, ou seja Outeiro Seco, ambas povoações muito antigas.

 

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Pois para Outeiro Seco não tenho qualquer teoria para a origem do topónimo, ainda por cima nem é muito outeiro nem muito seco, aliás até tem um riacho que passa pelo meio da aldeia. É certo que nos anos mais secos o riacho seca, mas qual é o riacho que resiste a um ano de seca? Poderá ser que a origem do topónimo tenha a ver com a localização do povoado antigo, mas isto são tudo suposições que não têm qualquer valor, por isso, passemos à frente, entremos em Outeiro Seco.

 

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Outeiro Seco que já tem passado aqui no blog algumas vezes, não só pela aldeia no seu todo mas também com alguns post´s dedicados em exclusivo ao Solar dos Montalvões. Hoje também não vai ser exceção. Assim, o post terá dois andamentos, o primeiro dedicado à aldeia e o segundo dedicado ao Solar dos Montalvões. Iniciemos pela aldeia e freguesia de Outeiro Seco, que hoje em dia vem a ser a mesma coisa, embora nem sempre tivesse assim sido.

 

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Aldeia e Freguesia de Outeiro Seco

 

Não vamos ser muito exaustivos nesta abordagem, tanto mais que a aldeia já foi abordada aqui várias vezes,  onde então deixámos muita coisa sobre a aldeia. Hoje faremos uma abordagem diferente, por exemplo supondo que alguém ia visitar Outeiro Seco e nos perguntasse o que lhe aconselhávamos a ver e visitar. Pois bem, é por aí que vamos e a quem me perguntasse, recomendar-lhe-ia entrar pela clássica entrada de Outeiro Seco, a mais antiga, junto à veiga e mais ou menos paralela ao Rio Tâmega e dir-lhe-ia para logo na entrada da aldeia parar e apreciar umas alminhas que lá existem do lado direito. Quem anda comigo na recolha de imagens já sabe que eu sou fã de alminhas, não só por ser um traço do nosso ser português, mas porque realmente as acho interessantes, e estas de Outeiro Seco merecem uma vista de olhos de apreciação.

 

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Pois a partir das alminhas recomendar-lhe-ia ir a pé para logo a seguir parar na Igreja Românica da Srª da Azinheira. Aqui para parar com tempo, apreciar os seus pormenores tipicamente românicos, como as imagens esculpidas nos beirais, mas também a porta principal, e no seu interior, deixar-se invadir pela frescura do espaço enquanto aprecia os frescos das paredes e toda a intimidade da igreja. Mesmo que não seja lá muito católico, aproveite o espaço para meditar em qualquer coisa e deixe-se lá ficar um tempinho. Valerá muito mais que uma sessão de psicólogo ou psiquiatra, suponho eu, pois nunca fui a nenhuma…

 

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Depois da Srª da Azinheira é só atravessar a estrada e subir o pequeno outeiro (se calha é daqui que vem o topónimo a aldeia) e aí encontrará uma pequena capelinha cheia de história, a Capela de Stª Ana, construída em cima de um altar rupestre. Para ver mais pormenores sobre a história destes locais recomendar-lhes-ia que dessem um vista de olhos ao post completo sobre a aldeia, publicado em 30.10.2010 (https://chaves.blogs.sapo.pt/552520.html).

 

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Pois de seguida recomendaria que seguisse a Via Sacra até ao seu final, a terminar num outro outeiro, já após a Escola de Enfermagem, que há pouco tempo atrás era também Polo da Universidade de Trás-os-Montes, que hoje é só Universidade de Vila Real. Mas dizia eu que recomendaria atravessar toda a aldeia seguindo a Via Sacra, com muitas paragens pelo caminho, quer para apreciar algum casario ainda tipicamente transmontano e rural que foi resistindo à modernidade, mas também para apreciar a Igreja Paroquial com torre sineira dupla e construída com pedra à vista, mas também a Capela da Senhora do Rosário e a Capela de Nossa Senhora da Portela e também recomendaria visitar a Capela de Santa Rita, se ainda existisse, pois foi vandalizada e de capela pouco restou, ou nada mesmo.

 

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Pelo caminho recomendaria ainda visitar as ruinas do Solar dos Montalvões, com um lamento, que foi igualmente vandalizado com a sua capela (Santa Rita) e o tempo, desprezo e falta de manutenção, encarregou-se de tornar ruinas aquilo que foi um solar- Mas mais à frente falaremos disso. Pelo caminho há ainda umas inscrições curiosas e bem interessantes em padieiras de portas e janelas, em casas particulares. Tanques e fontes também há, uma casa de Turismo Rural, e o largo da Mesa de Pedra onde há sempre alguém que poderá contar a história da mesa e do largo.

 

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Claro que pelo caminho há sempre gente para conversar, que felizmente Outeiro Seco ainda é uma aldeia com gente e vida. A proximidade da cidade e bom acesso à mesma, facilitou que a sua população não abandonasse, mas também que surgissem novas construções que também levou gente nova para Outeiro Seco. Já dos investimentos municipais que por lá se fizeram – Escola de Enfermagem e Parque Empresarial, com Plataforma Logística, Mercado Abastecedor e Parque Industrial, pouco ou nada mexeram com a aldeia, a não ser o terem ficado sem os terrenos onde tais empreendimentos foram construídos, e depois há que dizer a verdade, tal como muitos previam, a grande maioria dos lotes do Parque Industrial não foram ocupados, e quanto Ao Mercado Abastecedor e Plataforma Logística nunca entraram nem nunca irão entrar em funcionamento como tal, mas sabemos que tem outras funcionalidades, mesmo estando à margem de empreendimentos e economias…

 

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Para além  da modernidade, que não é sinónimo de progresso, Outeiro Seco vai mantendo e bem a sua ruralidade e algumas tradições, o cultivo dos campos mas também alguma pecuária vão alegrando os campos e vestindo de verde as terras, mas não só, pois na primavera vai sendo um regalo para a vista ver alguns prados floridos. De tradição, destaca-se a sua festa anual de 8 de setembro, ainda com toda a sua tradição e importância, sendo uma das maiores festas populares do concelho, que, todos concordarão comigo, mete as festas da cidade de Chaves num bolso.

 

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Solar dos Montalvões

 

O restante texto irá ser acompanhado de imagens do solar que eu fui tirando ao longo dos anos. Infelizmente só iniciei essa recolha em 2006, no entanto consegui algumas imagens da família Montalvão de datas anteriores.

 

Como todos os solares, este, também estava ligado a uma família, no caso, a família Montalvão, daí, ser o Solar dos Montalvões. Na sua descrição, conforme consta na página de património arquitetónico do governo (http://www.monumentos.gov.pt/Site/APP_PagesUser/SIPA.aspx?id=35397)  e registada com a referência IPA.00035397 é a seguinte:

 

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Data desconhecida

 

Solar dos Montalvões

IPA.00035397

Portugal, Vila Real, Chaves, Outeiro Seco

 

Casa nobre de planta quadrangular irregular, com pátio central, composta por alas construídas em diferentes épocas do séc. 17 e 18, resultando numa planimetria e volumetria irregular, com nítidas diferenças de tratamento e má articulação espacial. O núcleo mais antigo corresponde, provavelmente, ao corpo da cozinha, a sul, a que se acrescentou, na primeira metade do séc. 18, a ala este e norte, dando origem a casa de planta em U. Este foi fechado pela ala oeste, com zona residencial, já construída em 1762, data em que o proprietário pede licença para construir a capela, no ângulo sudoeste, só concluída pela viúva, em 1784. A ala poente transforma-se assim na fachada principal, com ala residencial tardo-barroca, evoluindo em dois pisos e mezanino superior, com pilastras marcando três panos, rasgados por vãos abatidos, o central com portal, sobreposto por brasão, e janela de sacada e os laterais com janelas de peitoril, sendo o mezanino aberto por óculos. O portal brasonado acede ao pátio central, o piso térreo era destinado a lojas e o segundo aos salões nobres, não existindo, contudo, escada interior de interligação ou exterior de acesso a esse espaço mais público da casa, o que exigia ser acedido a partir da cozinha ou pela zona dos quartos, atravessando toda a parte privada. A capela tem já linguagem rococó e maior riqueza decorativa, com a fachada terminada em frontão de lances, e portal de verga reta entre duplas pilastras, suportando o entablamento e frontão curvo interrompido por vão. No interior, possuía retábulo em talha policroma e dourada, de planta côncava e três eixos, de estilo rococó, com influência da Escola de Braga. As restantes alas são mais irregulares e mais baixas, com vãos retilíneos ou abatidos, possuindo escadas de acesso no topo da ala norte e na ala sul, nesta por sul e pelo pátio, onde a guarda é decorada com aletas. No interior, o piso térreo era destinado a lojas e o andar nobre a habitação, com tetos de apainelados de madeira, e cozinha. O vão decorado e datado de 1782, aberto virado ao pátio na ala oeste, pertenceria a uma janela de varandim ou de sacada ou a um portal, à frente do qual não se construiu a escada.

 

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Fotografia da família Montalvão - 1990

 

Ficou atrás a descrição do que era o Solar dos Montalvões, pois hoje são apenas ruinas, na prática apenas se mantêm as paredes de pedra exteriores e algumas, as interiores mais espessas, também de pedra, tudo o resto ruiu, graças a uma série de razões que só nos podem deixar envergonhados, tais como atos de vandalismo de vândalos, falta de manutenção por parte dos proprietários e indiferença, também por parte dos proprietários, da Junta de Freguesia e da população.

 

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Solar dos Montalvões - Alçado Sul - 2006

 

A história do seu declínio conta-se em meia dúzia de palavras.

 

Após a morte do seu último proprietário habitante, os herdeiros da família Montalvão, em 31 de julho de 1987,  venderam o solar à Câmara Municipal de Chaves por 20.000 contos (aproximadamente €100.000,00 na moeda atual). Um bom negócio para a Câmara Municipal ainda para mais tendo em conta os fins a que se destinava, pois o Solar e a quinta destinar-se-ia a receber as instalações de um Polo da UTAD-Universidade de Trás-os-Montes e Alto-Douro, e penso que a intenção era real, pois em 27 de junho de 1997, solar e quinta foram doados UTAD. O facto é que desde a compra do solar, que à altura da compra estava em bom estado de conservação, o mesmo fechou as suas portas e nunca mais as abriu, fosse para o que fosse, nem sequer para a necessária manutenção que todas as construções exigem, sobretudo se estiverem desabitadas. E dia a dia, o edifício ia-se degradando, e dado que “aquilo” deixou de ter dono que cuidasse dele, as coisas agravaram-se com atos de vandalismo aos quais Câmara Municipal, Junta de Freguesia e população assistiam impávidos e serenos a situação.

 

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Solar dos Montalvões - Alçado Sul - 2006

 

A Universidade viria aí e encarregar-se-ia de reconstruir aquilo tudo. Só que não veio, nunca veio e por parte dos políticos da terra também não houve força e se calha também interesse, em que a Universidade viesse. Vai daí, em 13 de setembro de 2007, o doado foi dado por não doado e o Solar regressa a propriedade da Câmara Municipal de Chaves. A partir de aí a pedra instalou-se definitivamente no sapato da CMC. O que fazer com o Solar? Vai para sede disto diziam uns, para isto diziam outros, para aquilo, diziam outros tantos. Fizeram-se levantamentos, estudos, planos, promessas e o Solar continuou na sua de caiar aos bocadinhos, primeiros as telhas, depois vandalizaram a capela, as silvas invadiram a escadaria e cobertura e acabaram por derrubá-la, a estrutura de madeira das coberturas ruiu sobre os soalhos, os soalhos ruíram sobre o chão e as silvas invadiram o interior do Solar. O que fazer do Solar?

 

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 Solar dos Montalvões - Alçado Sul - 2007

 

 A questão continuava, ideias muitas, projetos a avançar nenhum. Venda-se! Entretanto alienou-se parte da quinta para a Escola de Enfermagem, para um campo de futebol, para a construção de não sei que que ficou quase pelos alicerces e o resto da quinta para lixeira municipal, que em tempos, segunda informação dada neste mesmo blog pelo Presidente da Junta ou Ex-Presidente (já não sei bem), aquilo não era lixo, mas sim depósito de materiais para futura reutilização… Venda-se! E em 2012, “O Solar”, apenas o solar, pois a quinta já tinha ido à vida,  foi a hasta pública pelo valor de €260.500,00, para a qual apareceu uma proposta de €100.500,00 abaixo da base, e daí ter sido excluída. Nesta fase do campeonato, ao Solar, apenas lhe restam as paredes estruturais de pé, que a continuarem assim, nem estas resistirão. Na ausência de ideias para o imóvel, ponha-se de novo à venda! E em 14 de fevereiro de 2014, a Câmara Municipal  delibera de novo por o Solar à venda por €236.600,00, com a aprovação da proposta por maioria, com a abstenção do vereador do Partido Socialista, o qual apresentou uma declaração de voto, a saber:

Sobre o assunto em apreciação, usou da palavra o Vereador do Partido Socialista, Senhor Eng. João Adérito Moura Moutinho, tendo apresentado, por escrito, a seguinte declaração de voto: Somos de parecer que o lote A (Q.ta dos Montalvões) não deve ser vendido, pelos seguintes motivos:

 

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Solar dos Montalvões - Alçado Sul - 2010

 

  1. Valor histórico do edifício.
  2. Localização do mesmo e dimensão do prédio rústico.
  3. Património imobiliário presentemente com baixa valorização.
  4. Haver perspetivas de aí poder ser instalado o Pólo Universitário de Chaves, através da celebração de parcerias com outras instituições para além da UTAD. - Este último ponto para nós é de extrema importância, pois ainda continua no nosso horizonte, dotar esta cidade com um Pólo Universitário de excelência, nos diferentes domínios do saber, focado principalmente na área da engenharia. É de referir que a nossa cidade é das poucas que não têm um Pólo Universitário, digno desse nome, possuindo o concelho e região do AT um elevado número de estudantes na área da engenharia, que têm de sair da sua região. Esperamos que este executivo autárquico não desista da prossecução deste objetivo.

 

Palavras e sonhos bonitos que de nada adiantaram, pois a proposta já estava aprovada.

 

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Solar dos Montalvões - Alçado Sul - 2011

 

Então venda-se o Solar  €236.600,00 em hasta pública, só que ninguém se chegou à frente, não houve interessados e a hasta pública ficou deserta. Segundo a Lei vigente, nos termos do disposto na alínea c), do nº2 do Artigo 81º do decreto-Lei nº 280/2007, de 7 de agosto – Regime do Património Imobiliário Público -, pode ser adotado o ajuste direto, para a realização da venda, quando a praça da hasta pública tenha ficado deserta. Pelo que, mediante a Proposta nº 60/GAP/2014, aprovada pelo executivo camarário na reunião de 09 de junho de 2014, o Presidente da Câmara ficou legitimado a entabular, institucionalmente, diligências em vista a serem encontrados potenciais interessados na aquisição dos imóveis objeto do procedimento público que ficou deserto.

 

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Altar da Capela já propriedade da CMC, ainda com o altar 

Data desconhecida - Foto da Família Montalvão

 

Tudo bem se não fosse a data dos acontecimentos, pois esta deliberação é tomada em pleno fim de mandato e na prática já em campanha eleitoral autárquica e aconselharia o bom senso e até talvez a ética que tais decisões não se tomassem em períodos de campanha eleitoral. Mas enfim, se a Lei o permite, esteja correta ou não, há que acatá-la e vai daí que o Sr. Presidente da Câmara António Cabeleira, para o efeito, ao abrigo do disposto no nº 2, do Artigo 105º do citado regime jurídico, com as necessárias adaptações, remeteu convite, no dia 06 de abril de 2016, para apresentação de proposta, nos precisos termos das normas disciplinadoras do procedimento de alienação, aprovadas pelo competente órgão municipal, à sociedade “Flavigrés, S.A.”, com sede em Chaves, e a Mário Manuel Garcia, residente em Vallorbe, Suíça, para apresentação de proposta tendente à aquisição dos imóveis. Azar do c, da coisa, “Durante o prazo concedido para o efeito, nenhum dos agentes económicos convidados apresentou proposta para a aquisição dos ditos imóveis”.

 

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Altar da Capela - 2016

 

 

Volta tudo à estaca zero, mais eis que o Sr. Presidente, num ato de magia, saca de um trunfo da manga, não sei como, mas descobre o Dott. Matteo Arthur Colombo me Bresso, na Itália e faz-lhe um convite para aquisição do Solar. Assim, no dia 04 de setembro de 2017, ao abrigo da credencial administrativa que lhe foi conferida, foi, mais uma vez, encetada diligência tendente à alienação dos aludidos imóveis, mediante a expedição de convite para apresentação de proposta de aquisição ao agente económico Dott. Matteo Arthur Colombo, com morada na Via del Molino, 29, 20091 Bresso (Milão), Itália, nos termos oportunamente definidos. No prazo definido para apresentação da proposta – 13 de outubro de 2017 -, veio o empresário convidado, sócio e gerente único da sociedade “SOLAR INVESTMENT – Imobiliária, Lda.” – NIPC 514567520, responder ao convite formulado, apresentando proposta global de aquisição, dos ditos imóveis, pelo valor de €221 220,00 (duzentos e vinte e um mil, duzentos e vinte euros), a qual veio a ser registada nos serviços municipais sob o nº 2017, DCG, E,G, 7507, de 22-09-2017. 8. Tal proposta, consubstanciando a intenção de adquirir os imóveis sitos em Outeiro Seco, e conhecidos por “Solar de Outeiro Seco e “Eira”, inscritos na respetiva matriz predial urbana sob o artigo 123º e na matriz predial rústica sob o artigo 4945º, descritos na Conservatória do Registo Predial sob os números 504/19870728 e 3519/20090311, iguala o valor base da “hasta pública”.

 

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Altar e teto da Capela - 2016

 

Embora no documento se diga que a proposta iguala o valor base da hasta pública, na verdade, nas condições de alienação dos bem imóveis definidos em fevereiro de 2014, tal valor era de €236 600,0, a diferença não é grande, apenas de €15.380, e talvez, dado o estado lastimável em que se encontravam os restos do Solar, tivesse sido considerado um pequeno desconto.

 

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Solar dos Montalvões - Alçado Sul - 2016

 

Facto: O Solar foi vendido ao  Dott. Matteo Arthur Colombo que a sociedade SOLAR INVESTMENT – Imobiliária comprou.

 

Diz-se p´raí: Que vão la fazer uma unidade hoteleira de luxo.

Pois Deus queira que sim, que se faça alguma coisa digna naquele espaço e daquele solar, no entanto, na venda do imóvel não havia nenhuma cláusula que obrigue o novo proprietário a fazer o que quer que seja, se quiser até o pode reconstruir e por uma luzinha vermelha na porta de entrada… ou pôr pratos prontos a comer do tipo “El Rancho a la transmontana”, com estacionamento privativo…

 

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Solar dos Montalvões - Interior - 2016

 

 

Alguns post’s blogs que ao longo dos tempos foram dando conta do que se passava em Outeiro Seco e com o Solar dos Montalvões:

 

https://chaves.blogs.sapo.pt/outeiro-seco-solar-dos-montalvoes-nos-1340988

http://ruinarte.blogspot.com/2014/08/solar-da-familia-montalvao-outeiro-seco.html

http://velhariasdoluis.blogspot.com/2009/10/outeiro-seco.html

https://andanhos.blogs.sapo.pt/reino-maravilhoso-patrimonio-em-46837

https://outeiroseco-aqi.blogs.sapo.pt/ruinas-do-solar-dos-montalvoes-765443

https://outeiroseco-aqi.blogs.sapo.pt/arte-ou-vandalismo-ruinas-do-solar-742033

http://velhariasdoluis.blogspot.com/2010/05/como-era-interior-da-capela-do-solar.html

 

As fotos que não são de nossa autoria, são ou foram retiradas do blog “Velharias” de Luís Montalvão.

 

 

 

02
Jun18

Outeiro Jusão - Chaves - Portugal

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Na presente ronda pelas aldeias de Chaves optámos na sua seleção utilizar a ordem alfabética. Já vamos na letra O, e como no anterior sábado tivemos aqui Oucidres, hoje toca a vez a Outeiro Jusão.

 

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Se é “outeiro” está num alto, e tendo como apelido jusão, deveria estar para baixo. Aparentemente uma contradição, pois jusão significa “para baixo”, “para jusante”, ou seja num alto para jusante, encaixa na perfeição em Outeiro Jusão, isto se tivermos em conta o Rio Tâmega,  a veiga de Chaves e a própria cidade de Chaves, ou seja o outeiro que está ao lado do rio a jusante da veiga e de Chaves, e faz sentido, não só porque o localiza como o diferencia do outro outeiro a montante de Chaves e do rio, ou seja Outeiro Seco, ambas povoações muito antigas. Mas isto sou apenas eu a supor, pois na ausência de documentos que levem à origem do topónimo, penso que posso tomar essa liberdade, mas ainda há mais uma. Fica a seguir à foto e a ser levada em conta, vem contrariar parte daquilo que aqui se diz.

 

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Pois tendo encontrado algures um documento sobre o badalado e hoje inexistente Convento da Veiga, documento que hoje procurei e não encontrei,  mas que num destes dias quando procurar outra coisa vai aparecer, confiando na memória lia eu então nesse documento a descrição da localização do dito convento, onde dizia ficar próximo da povoação de Outeiro João, junto ao rio Tâmega, a sul de Chaves. Esta ficou apenas como uma curiosidade sobre o topónimo, hoje Outeiro Jusão,  que às vezes também aparece grafado como Outeiro Juzão.

 

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Pois Outeiro Jusão fica lá no alto a jusante de Chaves e da veiga, como tal, lança olhares privilegiados sobre ambas (cidade e veiga), mas nua sua intimidade vive-se uma autêntica aldeia rural, ou vivia, pois hoje cresceu, passou além da estrada e, embora sem dados, atrevo-me a dizer que trocou grande parte da aldeia rural pela aldeia dormitório, e também nisso é privilegiada, pois a cidade, o grande centro de trabalho e empregos fica ali à distância de uma reta.

 

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Quanto às fotos que vos deixo, se alguém conhecer bem Outeiro Jusão, não estranhe se hoje as coisas não forem bem como estão nas imagens, pois acontece que as fotos já têm 10 anos, e é natural que alguma coisa se tivesse modificado.

 

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Como sempre, aquilo que temos à mão, por ser de acesso mais fácil, vai ficando para trás, pois já sabemos que se necessitarmos é só dar lá um pulo. Mas se for o caso de haver coisas alteradas, o passado ou o “como era”, também tem o seu encanto. Mas um dia destes, quando calhar em passagem, coisa que acontece com frequência, e tivermos tempo, recolhemos por lá mais uns motivos para uma próxima abordagem.

 

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No próximo sábado rumamos rio acima com destino ao outro outeiro do concelho de Chaves, o Outeiro Seco.

 

 

 

26
Mai18

Oura - Chaves - Portugal

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Em primeiro plano Oura, em segundo plano Vila Verde de Oura

 

Hoje vamos até Oura, ali ao lado de Vidago, no limite do concelho de Chaves, a fazer fronteira com o concelho de Vila Pouca de Aguiar, com saída pela agora famosa EN 2, mas que em tempos não muito distantes, também (e quase ao lado) se podia fazer saída pelo saudoso comboio. Estamos a falar de saídas, mas o contrário, entradas, também é verdade. Tudo depende da perspetiva, pois a aldeia de Oura é uma das que serve de porta de entrada no concelho de Chaves, mas como eu estou cá na terrinha, em Chaves, e sou muito caseiro, a porta de Oura é uma das portas de saída para a “rua”.

 

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Atrás referia-me à agora famosa EN 2. Pois é verdade, a EN 2 que passa por Oura,  é agora olhada como a (mítica) “U.S. Rout 66”  portuguesa.  Bem longe dos seus tempos áureos em que era a principal via portuguesa que ligava pelo interior, Chaves (Km 0) a Faro (Km 738.5) e também utilizada para as deslocações de Chaves a Lisboa. Na altura era apenas uma estrada utilitária de trabalho e ligações, com muito movimento, muita curva e contracurva a Norte e retas a Sul e muitos locais castiços e interessantes onde se parar, onde Portugal se dava a conhecer de lés a lés com a sua gente e até os seus produtos que ia vendendo ao logo da estrada. Tive a honra de a percorrer na totalidade (ida e volta) em 1975 e 1976, ainda com a sua virgindade inicial, aí sim, bem interessante. Hoje, que perdeu todo esse encanto de outrora, que, com a construção de autoestradas passou na prática a seu uma estrada “local” ou secundária, está na moda, o que demonstra bem que a moda nem sempre é (de todo) interessante e duram o que duram.

 

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Mas Oura também perdeu um pouco com a “desclassificação” da EN 2 e da abolição da Linha do Corgo   e respetivo comboio, embora aqui apenas tivesse um dos apeadeiros mais pobres de que eu tenho conhecimento, embora muito bonito e interessante, mas pequenino e construído em madeira. Mas ia eu dizendo que com a “desclassificação” da EN 2, Oura deixou de ser uma aldeia de passagem para as nossas frequentes deslocações ao Porto, Lisboa e até a Portugal, pois com exceção de parte do Minho e distrito de Bragança em que utilizávamos a EN 103, era obrigatória a passagem por Oura, onde muitas vezes se parava na “estação de serviço” do largo junto à estrada. Mas ser uma aldeia de passagem não quer dizer que conhecêssemos a sua intimidade, embora tenha um largo interessante com umas “alminhas” junto à estrada, só na sua intimidade é que a aldeia se revela, com tudo para ser uma das aldeias mais interessantes do concelho de Chaves.

 

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Pois Oura tem um bocadinho de tudo para a tornar interessante, em todos os aspetos. Implantada nas faldas da montanha, abrem-se à sua frente as vistas sobre parte do vale da Ribeira de Oura que é atravessada por uma belíssima ponte medieval que serve o caminho que liga esta aldeia à outra Oura (Vila Verde de Oura). Com um núcleo de aglomerado tradicional, com construções tradicionais e tipicamente transmontanas a manter a sua integridade, convive ao lado de outras construções mais nobres, como dois solares, um deles o típico solar brasonado, com brasão das famílias Antas, Puga, Magalhães (de Montalegre) e Macedo, da segunda metade do século XVIII, com capela e uma singular torre sineira, isolado a Sul da aldeia mas confrontante com via pública, com propriedade rústica de montanha e respetivas construções (anexos) de apoio. Um belíssimo exemplar de solar e dos poucos que existem no concelho de Chaves.

 

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O outro solar ou casa senhorial do século XVIII está localizada e integrado no núcleo histórico de Oura, com uma belíssima capela de talha dourada privativa (1768) e igualmente interessante cruzeiro (virados à rua), foi sujeito nos últimos anos a obras de restauro e convertido em alojamento turístico, tendo adotado o nome de Solar de Oura. Após as obras ainda não tivemos oportunidade de passar por lá, mas adivinhava-se vir a ser um espaço interessante, que já o era, mas que com as obras pela certa se tornou bem mais interessante.

 

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Já aqui atrás deixámos alguns dos motivos de interesse, desde a sua veiga à montanha, o casario típico, o singular apeadeiro que embora a sua fragilidade de madeira ainda continua de pé, a EN 2 e a moda de a percorrer, Os solares e casas senhoriais, as suas capelas e o cruzeiro, a ponte medieval, talvez falte uma pequena referência a sua igreja de torre sineira dupla, também um belo exemplar da arquitetura religiosa e falta-nos, isso sim, falar das pessoas da aldeia, que já sabemos serem dignos representantes deste Reino Maravilhoso cá no cimo de Portugal, mas quanto às pessoas, há que ir lá, conversar com elas, conhecê-las na primeira pessoa, pois cada uma é cada qual e cada conversa e uma conversa com muitas estórias e uma história de vida, esta sempre única. Mas aí a prosa já tem de ser outra e não pode ser tratada com a leviandade de hoje, sábado, vamos até Oura e no próximo sábado vamos até à aldeia seguinte, que pela ordem alfabética que estamos a seguir será Outeiro Jusão.  

 

 

 

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