Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

CHAVES

Olhares sobre o "Reino Maravilhoso"

29
Nov20

O Barroso aqui tão perto - Pinhal Novo

Al deias do Barroso do Concelho de Boticas

1600-pinhal-novo (8)-p.jpg

1600-cabecalho-boticas

 

PINHAL NOVO

 

Nesta rubrica de O Barroso aqui tão perto, vamos continuar até concluir, as aldeias da freguesia de Beça, ficando aqui hoje a aldeia de Pinhal Novo.

 

1600-pinhal-novo (15)

 

Estivemos quase para não trazer aqui esta aldeia, e o porquê ou razão é muito simples, já a tínhamos abordado anteriormente neste blog, mas foi num post especial, um post conjunto dedicado a várias aldeias, mais precisamente às aldeias de Salazar da Colónia do Barroso da Junta de Colonização Interna, da qual Pinhal Novo faz parte. No entanto seria injusto não ter uma abordagem particular, mesmo porque no referido post conjunto foi integrada nos posts dedicados às aldeias do concelho de Montalegre, e embora o Pinhal Novo faça parte desse conjunto da colónia do Barroso, é a única que pertence ao concelho de Boticas, e como tal, terá aqui o seu post, incluindo o seu vídeo. Vai ser pouca coisa e tudo muito parecido, mas a aldeia também é pequena e as casas originais da aldeia eram e ainda são, mais ou menos,  todas iguais.

 

1600-pinhal-novo (13)

 

Embora tenha aqui o seu post, não vamos repetir aquilo que já dissemos sobre ela, principalmente sobre a sua origem e história, ou melhor, vamos repetir sim, mas recorrendo ao que sobre ela dissemos no tal post especial dedicado às aldeias de Salazar da Colónia do Barroso, mas antes, vamos deixar aqui, muito resumidamente, a história da origem desta e das restantes aldeias e colónias internas de Salazar.

 

1600-pinhal-novo (12)-aldeia

 

O designado Estado Novo de Salazar cria em 1936 a Junta de Colonização Interna (JCI), que, em síntese, visava povoar as zonas mais despovoadas de Portugal, construindo nelas aldeias novas destinadas a colonos, aos quais seriam entregues grandes áreas de terrenos, sobretudo constituídos por baldios existentes, Ideia que na época, não foi bem aceite pelas populações locais, sobretudo porque eram elas que administravam esses baldios e que deles tiravam, o que para muitos era o seu único rendimento e áreas de pastagem, embora, teoricamente, para a ocupação dessas novas aldeias fosse dada a preferência à população local, coisa que não aconteceu, pois foram maioritariamente ocupadas por casais (condição necessária) de vários pontos de Portugal. No entanto, a pobreza e necessidade da época fez com que alguma população trabalhasse para a JCI na construção desses novos aldeamentos, com alguns boicotes pelo meio, como o de plantarem árvores ao contrário (com as raízes para cima), segundo rezam alguns documentos da altura.

 

18 - fig-1819 - sete colonia portugal.jpg

 

Ao todo a JCI projetou para Portugal 7 colónias internas, sendo as mais próximas a Colónia do Barroso e a do Alvão, em Vila Pouca de Aguiar. Na Colónia do Barroso foram construídas 7 aldeias de colonos (ou colónios como dizia a população local) e ainda um Centro Administrativo para alojar técnicos e funcionários da JCI, centro este onde se localizava também o apoio administrativo às aldeias dos colonos, a fiscalização, sobretudo do cultivo e colheitas que os colonos tinham de entregar ao Estado, ou seja, em 7 partes da colheita, 6 eram para o Estado, e uma para seu sustento, destinando-se as 6 partes do Estado a amortizar empréstimos concedidos aos colonos, bem como a amortização do custo de cada casal (terrenos e habitação dos colonos), que a não ter sido o 25 de abril, hoje,  a segunda geração desses colonos, ainda estariam a amortizar.

 

aldeias jardim.jpg

 

Colonização Interna que foi um fracasso, principalmente a do Barroso, começando logo pelas aldeias de colonos de Criande e Aldeia Nova que viu a maioria dos terrenos destinados aos casais dos colonos a serem inundados pela barragem do Alto Rabagão, para além de os terrenos que os colonos ocuparam serem maioritariamente impróprios para a agricultura, com a agravante de os terrenos cultiváveis estarem sujeitos a um clima hostil e pouco produtivos.

 

21-1600-criande (40).jpg

A barragem invadiu parte da aldeia dos colonos de Criande e todos os seus terrenos de cultivo

17 - Fig-17 cartaz de propaganda 1940.JPG

 

Com o 25 de abril as coisas alteraram-se e foi permitido aos colonos resolverem as obrigações que tinham com o Estado, podendo adquirir os casais que cultivavam ou abandoná-los, passando-lhes também a ser permitido vender o casal após a sua aquisição, coisa que não era permitida anteriormente, pois as obrigações do casal obrigatoriamente tinham de passar na totalidade para um e só um dos herdeiros dos colonos, de modo a que a propriedade não fosse dividida.

 

19-1600-Campanha agricola.jpg

10 Fig-10  deus-patria-familia.PNG

 

De realçar que toda esta colonização interna era enaltecida pelo Secretariado da Propaganda Nacional, com constantes campanhas para a produção nacional e mostrando estas colónias como locais paradisíacos, produtivos e ocupados por famílias felizes, que na realidade não eram mais que escravos do estado e do sistema, além de mal queridos e até difamados pelas populações locais, porque afinal de contas, sem culpa, tinha tirado parte do rendimento e muitas vezes todo o rendimento ou sustento das populações locais. Hoje em dia, estas aldeias dos colonos encontram-se com alguns casais abandonados, outros foram vendidos e recuperados por não colonos tal como aconteceu nos Casais da Veiga de Montalegre, e nalguns, poucos,  ainda se mantêm os “colónios”, hoje, parece-me, já perfeitamente integrados e aceites nas populações locais.

 

41-pinhal novo.jpg

 

Pois Pinhal Novo é uma dessas aldeias de colonos, onde inicialmente foram construídas 10 habitações e constituídos os respetivos casais (casa+logradouro+terreno) e posteriormente uma escola. Estas aldeias que pela sua arquitetura e organização, nada têm a ver com as aldeias típicas do Barroso, eram constituídas por moradias isoladas com logradouro e tinham para a época já algumas condições de habitabilidade, além de todas elas serem servidas com as infraestruturas mínimas, ainda com um tanque e chafariz público, e áreas verdes envolventes, algumas com escola, e no caso da Aldeia Nova de Montalegre, tinha igreja, miradouro e posto da GNR, além da escola e espaços verdes.

 

1600-pinhal-novo (9)-aldeia

 

Hoje em dia ainda existem no Pinhal Novo as 10 construções iniciais, dessas, pelo menos 7 foram reconstruídas e/ou ampliadas, 3 mantêm a traça inicial e penso que estão abandonadas e dentro do espaço do aldeamento já nasceram pelo menos 3 novas construções/habitações e na proximidade outros tantos armazéns agrícolas.  

 

1600-pinhal-novo (7)-aldeia

 

Agora passamos àquilo que dissemos sobre o Pinhal Novo no tal post conjunto dedicado a todas as aldeias da colónia do Barroso:

 

As aldeias de Salazar – Aldeias Jardim

 

(…)

Esta aldeia, conjuntamente com a de Criande, Vidoeiro e Pinhal Novo, fazem parte de uma segunda fase de aldeias de colonos, decidida pela LCI em 1945.

(…)

1600-pinhal-novo (4)-aldeia

 

7 - Pinhal Novo

Esta aldeia foi implantada a apenas 1,5km da aldeia do Fontão, foi-lhe atribuído o topónimo de Pinhal Novo, talvez pela mesma razão das anteriores adotarem o nome do lugar. É a única aldeia da colónia de Barroso que foi construída no concelho de Boticas.

 

O Lugar de Pinhal Novo: «[…] com 10 casais, ficará situado já na freguesia de Beça, limite da aldeia do mesmo nome, na encosta Oeste do Alto das Pias. Para lhe dar acesso projectou-se a construção duma estrada principiando na E.N. - 4 - 1ª. no local denominado Alto do Fontão e terminando na povoação de Beça, do concelho de Boticas; prevê-se a continuação desta estrada para as termas de Carvalhelhos e para Boticas, sede do concelho do mesmo nome.» (J.C.I., 1945: 98). (…) A Escola e Capela: «Pinhal Novo, com 10 casais, ficará situado a cerca de 1.500m. de Beça, sede de freguesia, de que dependerá quanto à capela e escola.» (J.C.I., 1945: 99).

COSTA (2017)

 

1600-pinhal-novo (3)-aldeia

 

O terreno para implantação das moradias é retangular, com um arruamento de entrada, ao centro, que depois bifurca para dois arruamentos que acabam por se unir em curva no lado oposto à entrada. As moradias foram implantadas 5 de cada lado ao longo dos lados mais compridos do retângulo a confrontar com os arruamentos, entre os quais ficou uma zona verde, onde mais tarde se decidiu construir a escola, mesmo ao centro desta zona verde.

 

1600-7-pinhal-novo (2)

 

Nos documentos acedidos, não se encontrou qualquer referência à área agrícola e florestal pertencente a cada casal nestas duas colónias. Supõe-se que no caso do Lugar do Pinhal Novo dado o número de casais ter permanecido inalterável, a área agrícola e florestal também terá permanecido. Já no caso do Lugar do Fontão, a redução do número de casais pode estar na origem da divisão da área agrícola estando, contudo, a área atribuída inicialmente a esta colónia dentro da média (14,5 a 25 ha) da área agrícola da colonização do Barroso.

COSTA (2017)

 

15-1600-pinhal-novo (11)

 

Quantos aos projetos tipo adotados para a colónia de Barroso, a autoria é atribuída a mais que um arquiteto. Nalguns documentos que consultei, o arquiteto autor do projeto tipo das aldeias de colonos de Montalegre, à exceção da do Fontão é atribuída ao arquiteto Eugénio Corrêa (?), mas sempre com o ponto de interrogação à frente. Já quanto aos autores dos projetos da aldeia de Fontão e Pinhal Novos, temos o seguinte (no final também fica uma interrogação, mas por outros motivos:

 

1600-pinhal-novo (17)

 

Fevereiro 1961: Projecto de Adaptação das Instalações Agrícolas do Casal a Posto Escolar. O projeto foi desenhado, pelo arquiteto António Trigo, para o Lugar do Pinhal Novo. O plano desta colónia também foi alterado, e a escola acabou por integrar a nova disposição no assentamento. O casal agrícola adotado, para o Lugar do Pinhal Novo, foi o mesmo desenhado pelo arquiteto Maurício Trindade Chagas para o Lugar do Fontão em Janeiro de 1951, e não o casal inicialmente pensado para esta colónia, o casal tipo desenhado para o Barroso, de 1943. Neste projeto, também se faz a adaptação do casal agrícola a posto escolar mas o edifício ao contrário do esperado foi construído de raiz no centro do largo que organiza os restantes casais agrícolas. Ainda mais intrigante é que o mesmo projeto foi replicado com a mesma disposição dentro da colónia de Lugar de S.Mateus — Seriam estes projetos destinados a casais desocupados e por não existir nenhum nessa condição tenham optado por construir uma cópia do projeto de adaptação?.

 COSTA (2017)

 

1600-pinhal-novo (5).jpg

 

Ainda antes de terminar este post e passarmos ao vídeo, vamos até ao itinerário para chegar ao Pinhal Novo, este, feito quase até ao destino pela N103 (estrada de Braga), com partida de Chaves e passagem por Curalha, Casas Novas, São Domingos, Sapelos e Sapiãos, a seguir a esta última aldeia, mesmo onde termina a longa subida, num cruzamento onde aparecem algumas construções, vira à esquerda em direção a Beça, e logo a seguir, a 1470m, num total de meia hora de viagem, num percurso de 26,3Km, temos Pinhal Novo. Ficam os nossos mapas

 

mapa pinhal.jpg

mapa pinhal-1.jpg

 

Para quem quiser saber mais sobre as aldeias de Salazar também conhecidas popularmente como as aldeias dos “colónios”, fica aqui, na integra, em PDF, o que escrevemos e imagens sobre o assunto, basta clicar na imagem. Podem guardar e utilizar, desde que não seja para fins comerciais ou publicação na íntegra, e claro, como mandam as regras e eticamente o mais correto, caso utilizem em publicações ou trabalhos, por favor deem créditos à autoria.

Clicar na ligação:

aldeias jardim-Colonia do Barroso.pdf

 

capa.jpg

 

E agora sim, chegamos ao fim deste post, apenas nos falta o vídeo, aquele que nos foi possível

Fazer com as imagens disponíveis.  Mesmo assim, espero que gostem.

 

Aqui fica:

 

 

 

Este e outros vídeos, agora, também podem ser vistos no Meo Kanal nº  895 607

 

 

 

BIBLIOGRAFIA

- COSTA, Ana Mafalda Almeida Guimarães. ARQUITETURA AGRÍCOLA As Colónias do Estado Novo para o Barroso. Dissertação para obtenção do Grau de Mestre em Arquitetura, Universidade Lusíada do Porto, Porto 2017

 

 

 

 

21
Nov20

O Barroso aqui tão perto - Padroso C/Vídeo

Aldeias do Barroso - Montalegre

1600-p-fontes-mouri (15)-VIDEO

montalegre (549)

 

 

PADROSO -  MONTALEGRE

 

Continuando a cumprir a nossa falta para com as aldeias que, aquando dos seus posts neste blog, não tiveram o resumo fotográfico em vídeo, trazemos hoje esse resumo para a aldeia de Padroso.

 

1600-padroso (61)-video

1600-padroso (53-55)- video

1600-padroso (67)-VIDEO

 

Padroso que é uma das aldeias que já está implantada em plena Serra do Larouco e que faz parte de um conjunto de aldeias que rodeiam a serra, que do lado português da mesma, em plena serra ou nas suas faldas tem Sendim, Padroso, Padornelos, Gralhas e Santo André.

 

1600-padroso (60)-video

1600-padroso (50)video

1600-padroso (37)-video

 

As três primeiras aldeias, Sendim, Padroso e Padornelos estão todas localizadas acima dos mil metros de altitude, no entanto a mais alta é Sendim, que não só e a mais alta do concelho de Montalegre, como também é a mais alta do Barroso e de Portugal ao atingir os 1170 metros de altitude junto ao que me parece ser uma antiga casa florestal. Isto a considerar as construções hoje existentes, pois se recuarmos no tempo até ao tempo em que Sendim tinha o seu castelo, então aí atingia os 1268m de altitude. Mas hoje estamos aqui por Padroso, que fica mesmo ao lado de Sendim, a apenas uma reta de distância (na estrada principal) e numa cota ligeiramente mais baixa, pois Padroso, no ponto mais alto da aldeia, atinge os 1045m de altitude.   

 

1600-padroso (35)-video

 

1600-padroso (27)-video

 

1600-padroso (76)-videoe

 

Terras altas, terras frias, estas sim, sem qualquer dúvida são aldeias do Alto-Barroso, onde nasce o Rio Cávado que irá atravessar todo o Barroso para depois seguir a sua vida por terras minhotas e atravessar 9 concelhos, muitas aldeias, algumas vilas e cidades até desaguar no oceano atlântico junto a Esposende, mas a primeira aldeia que o Cávado conhece é aldeia de Padroso, implantada na sua margem direita.

 

1600-padroso (2)-video

1600-padroso (46)-video

1600-padroso (26)-video

 

Rio Cávado que é um dos principais rios portugueses nascidos em Portugal e que corre livre e feliz pelo menos até Sezelhe, onde é aprisionado pela primeira vez, depois a cantiga é outra e em menos de 100km, alimenta meia-dúzia de barragens, 3 ou 4, se considerarmos a de Sezelhe, são no concelho de Montalegre (Paradela, Venda Nova e Salamonde).

 

1600-padroso (25)-video

1600-padroso (24)-video

1600-padroso (17)-video

 

Voltando outra vez à aldeia de Padroso, gostámos do que vimos, e pelos visto não vimos tudo. Tem o seu núcleo antigo perfeitamente definido e a manter a sua integridade como aldeia típica barrosã, com os seus elementos mais típicos, como o forno do povo. A aldeia “nova”, desenvolveu-se ao longo da estrada de acesso à aldeia antiga, tal como deveria acontecer na maioria das aldeias. Claro que a aldeia antiga também tem alguns pecados cometidos no seu seio, mas quem não os comete, também nós cometemos um, e ainda bem, pois assim temos um pretexto para voltar a Padroso, pois é imperdoável não termos imagens da igreja e mais uns pormenores que entretanto soube que tem por lá, como umas alminhas que faltam na minha coleção. Assim, quem sabe se na próxima nevada não vamos por lá, isso se entretanto a porcaria do bicho que anda por cá nos deixar sair do concelho…  

 

1600-padroso (33)-video

1600-p-fontes-mouri (16)

 

E agora sim, o vídeo com todas as imagens da aldeia de Padroso que foram publicadas até hoje neste blog. Espero que gostem e para rever aquilo que foi dito sobre a aldeia no post que lhe dedicámos, fica um link para o post logo após o vídeo, ao qual passamos de imediato. Espero que gostem.

Aqui fica:

 

 

 

Agora também pode ver este e outros vídeos no MEO KANAL Nº 895 607

 

Post do blog Chaves dedicado à aldeia de Padroso:

https://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-padroso-1384428

 

 

E quanto a aldeias do Barroso de Montalegre, despedimo-nos até à próxima sexta-feira em que teremos aqui a aldeia de Pai(o) Afonso.

 

 

09
Nov20

O Barroso aqui tão perto - Lavradas

Aldeias do Barroso - Concelho de Boticas

1600-lavradas (81)

1600-cabecalho-boticas

 

LAVRADAS

 

Cá estamos de novo para continuar a nossa viagem pelo Barroso do concelho de Boticas. Temos abordado as aldeias freguesia a freguesia, pela ordem alfabética e no último domingo tivemos aqui Carvalhelhos, da freguesia de Beça, e e nesta freguesia que vamos continuar, com a aldeia de Lavradas.

 

1600-lavradas (68)

1600-lavradas (180)

l1600-avradas (89)

 

Iniciemos já pela sua localização e como chegar até lá, como sempre a partir da cidade de Chaves. Pois não há nada que enganar, saímos de Chaves pela EN103 em direção a Braga, mas só até Sapiãos, onde devemos tomar o caminho de Boticas, aí, apanhamos a route 66 de Boticas, por cá conhecida como R311, estrada essa que atravessa o Concelho de Boticas de lés a lés, uma estrada toda ela de montanha, que se inicia no concelho de Chaves, no Peto de Lagarelhos e termina em Fafe, passando assim por 5 concelhos (Chaves, Boticas, Montalegre, Cabeceiras de Basto e Fafe).

 

1600-lavradas (18)

1600-lavradas (192)

1600-lavradas (174)

 

É assim a magia desta R311 que até nos tira do nosso caminho, que hoje é o de Lavradas. Pois depois de apanharmos a R311, seguimos até à Carreira da Lebre, seguimos em frente e logo a seguir, como quem diz, depois de atravessar o Rio Beça, viramos à direita em direção a Carvalhelhos onde, na rotunda com a santa das águas, viramos à esquerda em direção a Atilhó e Alturas do Barroso e, claro, também Lavradas que será a primeira aldeia a aparecer, a cerca de 4Km de Carvalhelhos. Fica o nosso mapa para melhor localização.

 

mapa lavradas.jpg

mapa lavradas-1.jpg

 

Nos nossos itinerários pelo Barroso, já fizemos algumas passagens por esta aldeia, no entanto, para fotografá-la, apenas parámos lá duas vezes, a primeira já foi em maio de 2011, a segunda em julho de 2018. Da primeira vez, como fomos conduzidos até lá depois de passarmos por várias aldeias, nem deu para perceber onde ficava, e como a visita foi breve, também não deu para perceber a aldeia.

 

1600-lavradas (172)

1600lavradas (48)

1600-lavradas (76)

 

Na segunda visita a nossa intenção era mesmo fotografar e perceber a aldeia para a trazermos a este blog. Embora hoje vos aconselhe um itinerário a partir de Chaves, a nossa entrada em Lavradas na segunda visita fotográfica que fizemos, foi feita a partir da aldeia vizinha de Lamachã, do concelho de Montalegre e chegados lá, foi como se fosse pela primeira vez.

 

1600-lavradas (146)

1600-lavradas (150)

1600-lavradas (152)

 

Como sempre, para se ficar a conhecer uma aldeia, não nos podemos ficar pela primeira impressão, pois lá diz o ditado que as aparências enganam. Além disso certas há horas do dia que não são muito próprias para a fotografia, sobretudo à hora do almoço, isto por duas razões, primeiro porque a nossa cabecinha já começa a ouvir a nossa barriguinha a reclamar por comida, a segunda, tem a ver com a intensidade da luz, principalmente nos dias intensos com o sol de verão, e embora a luz seja uma condição necessária para haver fotografia, quando é muito intensa, em vez de ajudar só atrapalha. Pois era nestas condições que entrávamos em Lavradas e logo nas primeiras construções que vimos, armazéns e construções novas… enfim, fizemos meia-dúzia de fotos e já estávamos quase de partida, mas há sempre encontros felizes, e descobertas mais felizes ainda…

 

1600-lavradas (149)

1600-lavradas (53)

1600-lavradas (136)

 

Depois do largo da igreja, o nosso destino fazia-se com passagem por Vilarinho da Mó e foi aí que começámos a perceber e conhecer a aldeia, principalmente com aquilo que vai além das ruas e entra nos pátios e outros pormenores que não estão ao alcance de todos, coisas que nos fazem despertar para a realidade das coisas… os nossos olhos só veem aquilo que querem, e às vezes atraiçoam-nos.

 

1600-lavradas (126)

1600-lavradas (104)

1600-lavradas (123)

 

Lavradas é uma aldeia com certas dimensões, para aldeia do Barroso até pode ser considerada grande, rodeada de campos agrícolas férteis e bem tratados e isso reflete-se também no casario que ao longo dos tempos foi sendo recuperado e transformado, já longe da arquitetura vernácula original. Mas a aldeia vale pelo seu todo, não só pelo casario, mas também pela vida que tem, pelos seus usos e costumes, e nisso tenho a certeza que a aldeia mantém toda a sua integridade, vê-se nas suas ruas, nas suas casas e nos seus campos.

 

1600-lavradas (120)

1600-lavradas (25)

1600-lavradas (118)

 

Campos verdes, aliás já estamos habituados ao Barroso verde das terras planas e baixas a contrastar com o Barroso agreste no alto das montanhas, mas só há verde se houver água, e se o Barroso por uma lado é castigado com o rigor dos invernos frios, por outro lado recebe a bênção da água, sendo frequente vê-la a correr livremente em valetas e levadas, a inundar lameiros, a encher barragens, mas embora abundante, não se pode desperdiçar e tem de haver regras para chegar a todos.

 

1600-lavradas (39)

1600-lavradas (101)

1600-lavradas (171)

 

Pois a água é um bem precioso e daí ser também um bem comunitário. Vejamos o que se diz sobre o assunto na “Preservação dos Hábitos Comunitários nas Aldeias do Concelho de Boticas”. Atenção, como sempre avisamos que os dados deste documento foram publicados em 2006, daí, poderão não estar atualizados.

 

1600-lavradas (99)

1600-lavradas (95)

 

A Água

A água, elemento dominante da paisagem uma boa parte do ano, desempenha um importante papel na sobrevivência das economias agro-pastoris da região. São inúmeras as suas aplicações: garante da produtividade das parcelas agrícolas e dos lameiros, sustento dos gados, força motriz dos inúmeros moinhos de água existentes ao longo dos corgos e dos rios; estende a sua utilidade ao quotidiano das aldeias, aos tanques, bebedouros dos animais e aos lavadouros públicos existentes.

 

Dadas as características dos solos e os rigores do clima da região, a água, seiva da terra, desempenha um papel fulcral na produtividade agrícola.

 

1600-lavradas (86)

1600-lavradas (83)

1600-lavradas (79)

 

No território do concelho pratica-se a rega por gravidade. A água de rega, proveniente de várias fontes de água superficiais, localizadas nas encostas dos montes e serras junto às aldeias, é utilizada para regar as parcelas localizadas a juzante.

 

Para optimizar a utilização deste recurso, foram criadas infra-estruturas para a rega. Os regos conduzem a água desde as nascentes, corgos ou ribeiras, até às poças/tanques de rega, reservatórios de retenção da água. Da poça/tanque, a água é encaminhada, também através de regos, até às parcelas agrícolas. Acontece, por vezes, as nascentes brotarem no local onde se encontra a poça/tanque. Em quase todas as aldeias, estas infra-estruturas, outrora em terra batida e pedra, foram alvo de obras de beneficiação, remodeladas, e construídas em cimento e betão armado, de forma a rentabilizar este recurso, reduzindo ao mínimo o seu desperdício ao longo do percurso que faz até às parcelas agrícolas.

 

1600-lavradas (78)

1600-lavradas (29)

 

Geralmente, cada uma das aldeias dispõe, no seu termo territorial, de nascentes, regatos ou ribeiros, donde provém a água para rega. Todavia, existem situações em que diferentes aldeias têm que partilhar a utilização da água. A partilha de água entre aldeias, geralmente conflituosa, levou à criação de regras de utilização bem definidas, nem sempre respeitadas pelos seus habitantes, ou à posse dessa água por apenas uma das aldeias. Existem no concelho três aldeias em que parte da água, que utilizam para rega, é proveniente de outra aldeia: em Antigo (Dornelas) regam com água de Gestosa (Dornelas), em Carvalhelhos (Beça), regam com água de um ribeiro de Carvalho (Vilar), e em Lavradas (Beça) regam com água de Lamachã (Negrões - Concelho de Montalegre). Cada uma destas aldeias tem direito a essa água por um determinado período, durante o qual os da outra aldeia não podem tornar a água. Esta regra nem sempre é respeitada, acontecendo por vezes as pessoas andarem a regar e a água faltar, porque alguém da outra aldeia a tornou. Estas situações, além dos conflitos que geram entre os intervenientes, acarretam inúmeras canseiras, pois quem quer regar tem que ir buscar a água à outra aldeia e guardá-la para que não lha voltem a tornar.

 

1600-lavradas (60)

1600-lavradas (80)

 

E estamos a chegar ao fim deste post, só falta mesmo o vídeo onde estão reunidas todas as fotografias deste post, mais algumas que já foram sendo publicadas ao longo da existência deste blog para ilustrar outros posts, como o das crónicas de António Granjo na sua passagem por Lavradas a caminho de Alturas do Barroso. Aqui fica, espero que gostem:

 

 

 

Agora também pode ver este e outros vídeos no MEO KANAL Nº 895 607

 

E quanto a aldeias de Chaves, despedimo-nos até ao próximo domingo em que teremos aqui mais uma aldeia da freguesia de Beça.

 

 

 

02
Nov20

O Barroso aqui tão perto - Carvalhelhos

Aldeias do Barroso - Concelho de Boticas

1600-bessa (99)-carvalhelhos

1600-cabecalho-boticas

 

Carvalhelhos

 

O nosso destino de hoje no Barroso aqui tão perto, é a aldeia de Carvalhelhos, freguesia de Bessa, concelho de Boticas. E quem é que não conhece Carvalhelhos!? Pois se nos referirmos à água de Carvalhelhos, penso que é conhecida em todo o nosso Portugal mas também no estrangeiro e suponho que pelas suas características, haja muito boa gente a bebê-la, a a utilizá-la em tratamentos nas suas termas, sem qualquer dúvida que água de Carvalhelhos é uma boa embaixadora do Barroso.

 

1600-carvalhelhos (411)

 

Mas Carvalhelhos vai para além da água, pois para além de também ser uma aldeia atual do concelho de Boticas, o lugar já era povoado na idade do ferro, tal como o testemunha o castro aí existente.

 

1600-carvalhelhos (397)

 

Se às vezes na abordagem destas localidades do Barroso não sabemos como começar, principalmente por falta de informação, deixando aqui só as nossas impressões pessoais, hoje não sabemos por onde começar com tanta informação disponível para gerir e selecionar, mas para resumir, vamos dividir este post em quatro capítulos. Deveríamos seguir a ordem cronológica e começar pelo castro também conhecido como castelo dos mouros, mas vamos, antes, abordar a atual aldeia, depois passaremos para o castro, depois passaremos a Miguel Torga e aos registos nos seus diários sobre Carvalhelhos e por último abordaremos a água, as termas e o seu parque.

 

1600-carvalhelhos (336)

 

A aldeia, sua localização e itinerário

Dizem que a qualidade da água não terá sido alheia a razão da localização do castro existente. Pois a atual aldeia também pela certa que sofreu da mesma influência, mais recente, sem dúvida, mas que também deixa marcas na atual aldeia, talvez não só por isso, mas que faz a aldeia ter características próprias, numa mistura notória da aldeia tradicional barrosã com construções mais recentes.

 

1600-carvalhelhos (394)

 

Quanto à sua localização, situa-se na margem direita do Rio Bessa, mesmo em frente à aldeia de Bessa, na margem direita do mesmo rio. Fica a 30 km do nosso ponto de partida, a cidade de Chaves, a pouco mais de 6km da vila de Boticas e a apenas 1km da R311, a estrada que tanto utilizamos nos nossos itinerários do concelho de Boticas e que hoje tomaremos novamente a partir de Boticas, passando pela Carreira da Lebre e a cerca de 700m desta, logo após de atravessarmos a ponte sobre o Rio Bessa, temos o desvio para Carvalhelhos. Fica o nosso mapa de seguida. O Ponto de partida, como sempre é Chaves, com saída pela EN103 (Estrada de Braga) até Sapiãos, depois Boticas, etc.

 

mapa carvalhelhos.jpg

mapa carvalhelhos-1.jpg

 

Os destaques para a aldeia vão para as vistas que desde ela se lançam para o vale do Rio Bessa e mais além, para o conjunto do casario da aldeia onde não faltam os tradicionais canastros (espigueiros se preferirem) alguns ainda totalmente em madeira e um tanque, com bebedouro e umas alminhas cobertas com uma espécie de cruzeiro e mais elementos no seu interior. Ainda um cruzeiro no largo, com uma base antiga, mas o restante (parece) de construção recente, e claro o Castro e as Termas e respetivo parque.

 

1600-carvalhelhos (455)

 

Na monografia de Boticas apontam-se ainda mais alguns pontos de interesse, mas como sempre fica o aviso de que os dados já são de 2006 e alguns desses pontos de interesse poderão já não existir. Mas lá consta ainda:

 

- A festa de Sta. Bárbara, Último Domingo de Agosto;

- Mina do Alto do Coto / Coto de Carvalhelhos;

- Capela de Santa Bárbara;

- Cruzeiro e alminhas de Nossa Senhora da Conceição;

- Forno Comunitário;

- O Castro;

- As Termas;

- A estalagem;

- Cozinha da Eugénia;

- Taberna do Tio João.

 

1600-carvalhelhos (396)

 

O Castro de Carvalhelhos/Castelo dos Mouros

 

De entre a documentação disponível, optamos por trazer aqui aquela que é oficial e está nas páginas oficiais dos monumentos.pt e do património cultural, iniciando pela dos monumentos.pt:

 

1600-carvalhelhos (188)

1600-carvalhelhos (199)

 

Descrição

Povoado fortificado proto-histórico e romanizado, circundado por duas linhas de muralha, apresentando, na vertente E., uma linha de defesa exterior. As muralhas chegam a atingir c. de 3,5 m de espessura, conservam rampas interiores de acesso a estas, com uma largura de c. de 0,5 m, correspondendo a um alargamento da muralha nos pontos em que estas se inserem. O sistema defensivo está complementado por dois fossos escavados no afloramento de O. a E., embora a O., na zona de mais fácil acesso e onde se localiza a entrada principal do povoado, se tenha acrescentado um terceiro fosso, chegando estes a atingir c. de 7 m de profundidade. Registe-se também uma área com pedras fincadas de NO a O. As cristas superiores dos taludes que intermeiam os fossos apresentam igualmente pedras fincadas. A entrada no povoado faz-se por uma porta estreita, virada a O., que continua por uma passagem angular, igualmente de reduzida largura, para o acesso à plataforma superior, havendo também uma outra entrada na muralha exterior, virada a NE, sobre a ribeira do Castro. Nas plataformas interiores às muralhas encontram-se construções habitacionais de planta circular e rectangular, aparentemente organizado em bairros, em núcleos familiares, apresentando alguns pátio lajeado. Numa das construções foi detectada uma lareira com lastro em lajes e um trasfogueiro como anteparo.

 

1600-carvalhelhos (295)

 

Observações

A reconstituição das estruturas está assinalada com uma camada de cimento. O seu espólio é constituído por fragmentos de cerâmica comum da Idade do Ferro, cerâmica comum romana, cerâmica romana de importação, vidro, cossoiros, tegula, imbrex, cossoiros, mós manuárias rotativas, abundantes elementos numismáticos, artefactos metálicos (armas, ferramentas artesanais), fíbulas, objectos metálicos de adorno, contas de colar de pasta vítrea, escória e 200 kg de cassiterite. O espólio está depositado no Museu da Região Flaviense, em Chaves, e no Museu do Instituto de Antopologia da Faculdade de Ciências do Porto. Em alguns pontos das vertentes do outeiro foram exploradas pedreiras. Tendo as estruturas visíveis sido objecto de restauro.  Embora em algumas zonas as pedras fincadas estejam derrubadas

 

1600-carvalhelhos (242)

 

Passemos agora ao que nos diz a página oficial do património cultural:

 

Nota Histórico-Artístico

Classificado em 1951 como "Imóvel de Interesse Público", o "Castro de Carvalhelhos" (ou "Castelo dos Mouros", como também é conhecido), ergue-se no topo de um esporão sobranceiro ao vale da ribeira das Lameiras, subsidiária do rio Beça, nas imediações das conhecidas termas de Carvalhelhos.

 

1600-carvalhelhos (212)

1600-carvalhelhos (238)

 

Construído durante a Idade do Ferro, o povoado dispunha de um complexo sistema de fortificação constituído por três cintas de muralha com paramento duplo revestido com blocos graníticos no exterior e de xisto no interior, completada por três fossos profundamente escavados no afloramento granítico precedido de um campo de pedras fincadas. E enquanto coordenador das campanhas arqueológicas, José Rodrigues dos Santos Júnior decidiu, em 1957, reutilizar o material pétreo derrubado na base do muralhado para reconstruir uma extensão de cerca de cinquenta metros da cinta da muralha interior.

 

1600-carvalhelhos (300)

 

É esta primeira linha de muralha que delimita toda a área interna, de forma sub-circular, onde foi escavado um conjunto de estruturas habitacionais de planta predominantemente circular e rectangular. As campanhas arqueológicas conduzidas ao longo de trinta anos permitiram recolher um vasto espólio, do qual, para além de fragmentos de cerâmica comum da Idade do Ferro, se encontrou um depósito com duzentos quilos de cassirite, fíbulas, pontas de lança em ferro e uma quantidade expressiva de escória, a testemunharam, no seu conjunto, a actividade metalúrgica que teria lugar no interior do próprio povoado. [AMartins]

 

1600-carvalhelhos (191)

 

 

1600-carvalhelhos (440)

 

Miguel Torga

 

Entalamos aqui Miguel Torga entre o castro e a água e termas precisamente porque foram estes que levaram Torga até Carvalhelhos, amante que ele era de beber água de todas as fontes, além de às vezes com elas se tratar, e amante da história mais antiga dos lugares de Portugal, do mesmo Torga que fez destas terras o “Reino Maravilhoso” , dedicando a Carvalhelhos 7 dias do seu diário.

 

1600-carvalhelhos (418)

 

Carvalhelhos, Barroso, 17 de Junho de 1956

 

A doença tem-me dado muitas horas amargas, mas devo-lhe também uma intimidade com a pátria de que poucos portugueses se podem gabar. Obrigado a procurar a esperança em cada fonte, passo a vida de terra em terra, com as tripas na mão. E até a este Barroso vim parar! O problema, agora, é estar à altura das alturas onde me encontro. O escrúpulo dos tempos em que comungava, tenho-o presentemente quando me aproximo do povo. Estarei puro para lhe ouvir a voz?

Miguel Torga, in Diário VIII

1600-carvalhelhos (414)

 

Carvalhelhos, Barroso, 21 de Junho de 1956

 

PASTOREIO

 

Uma cabra montesa no pascigo;

Fiel ao seu balido,

Um fauno apaixonado;

Entre os dois, um açude adormecido,

Imagem do instinto represado.

 

Corcunda como a vida,

Uma ponte arqueada de suspiros

A ligar as arribas do desejo;

E um guarda as passadiço, uma presença humana,

- O pastor, a moral quotidiana…

 

Miguel Torga, in Diário VIII

 

 

1600-carvalhelhos (363)

 

Carvalhelhos, Barroso, 18 de Junho de 1956

 

Tarde de pesca, mas só a ver. Não sou homem de anzóis. Seja qual for o sonho que me apeteça prender, luto com eles de caras, sem isca. Entro nos matagais aos tiros, a avisar as perdizes que lá vai metralha. Agora que deve ser cómodo atirar um engodo fingindo à realidade e puxá-la depois até nós com a manivela da astúcia, deve. Enche-se o cabaz, e volta-se para casa fresco como uma alface, mesmo que se tenha chafurdado o dia inteiro – ou a vida inteira…- num baixio de águas turvas…

 

Miguel Torga, in Diário VIII

1600-carvalhelhos (360)

 

Carvalhelhos, Barroso, 23 de Junho de 1956

 

Confesso a minha pena: tenho medo de trovoadas. Quando o rosto da natureza se começa a congestionar, começo eu a empalidecer. É que não tenho defesa. Contra o ódio dos homens, nunca o instinto se sente inteiramente desamparado: há sempre outros homens, limpos de alma, capazes de nos acudir. Mas diante da violência obtusa e cega dos elementos, parece que o mundo se despovoa, esvazia, e tudo à nossa volta se rende, abdica e acobarda. No auge da aflição – e isso aconteceu-me há pouco, no alto da serra -, chega-se a gente a um castanheiro, vegetalmente hercúleo e oficialmente acéfalo, e o desgraçado treme como nós!

Miguel Torga, in Diário VIII

 

1600-carvalhelhos (365)

 

Carvalhelhos, 24 de Junho de 1956

 

Conhece-nos,  o sexo fraco! E tanto monta que a psicóloga seja uma requintada Madame de La Fayette, como qualquer parola de Trás-os-Montes. Esta tarde, em Vilar, povoação serrana que visitei para ver uma tábua bem bonita, porque só me apareciam velhas à porta das casas, meti conversa com uma, a tirar nabos da púcara.

- Quantas viúvas há cá na terra?

- Quarenta e duas.

- E viúvos

- Três.

Espantado com semelhante desproporção, perguntei-lhe a causa.

- É que os homens são mais aflitos…

Miguel Torga, in Diário VIII

 

1600-carvalhelhos (392)

 

Carvalhelhos, 25 de Junho de 1956

 

Olho a serra. E diante desta natureza sem disfarces, aberta para todos os horizontes, sinto como que uma centrifugação do espírito. Ando, e parece que voo; tento localizar-me, e perco-me na indeterminação. Uma espécie de nomadismo da alma descentra-me e liberta-me das amarras mesquinhas da vida compartimentada. E compreendo de repente a força universal que impregna os gestos e as palavras destes barrosões, puros na impureza, que lavam as mãos no sangue dum semelhante e há mil anos que descobriram o cepticismo moderno. Homens para quem o absoluto é o relativo clarificado, e que por isso entregam desta maneira a filha ao namorado que lhe pede casamento:

 

Pastora é,

Gado guardou;

Sebes saltou;

Se alguma se picou,

Tal como está

Assim vo.la dou…

 

Miguel Torga, in Diário VIII

 

1600-carvalhelhos (374)

 

Carvalhelhos, 3 de Setembro de 1989

 

Horas e horas de correria por este Barroso a cabo, num Domingo de romarias, na mira de assistir a mais uma vez uma chega de toiros. Mas não fui feliz. Em todas as aldeias visitadas, o grande acontecimento tinha já acontecido. Restavam dele apenas o doce sabor do triunfo ou o amargo da derrota. Na pega ribatejana, outra expressão da nossa virilidade e vitalidade, é o pegador que está em causa ao saltar para dentro da arena. Aqui, é a povoação inteira que se revê na luta entre o boi e o boi rival. E o desfecho do combate diz respeito a todos. Por isso, se vence, o deus testicular é festejado até ao delírio, se fraqueja e se rende, é amaldiçoado até às lágrimas.

Celebração colectiva, a turra é a mais sagrada cerimónia que se pode presenciar nestas paragens, onde cada acto tem a profundidade dos tempos primordiais e não há divindade sem terra nos pés. E eu sou uma natureza religiosa, sedenta de transcendente, que aprendeu nas grutas de Altamira que ele pode ter a figuração de um bisonte e é sempre uma resposta luminosa a perguntas obscuras do instinto.

 

Miguel Torga, In Diário XV

 

1600-carvalhelhos (373)

 

A Água e Termas de Carvalhelhos

 

Também aqui vamos lançar mão da documentação disponível em duas páginas da internet, uma as Termas de Portugal e outra a da empresa das águas de Carvalhelhos que também gere as termas. Iniciemos pelo que nos diz a página das Termas de Portugal. As imagens são do parque das Termas e Estalagem e algumas antigas:

 

1600-carvalhelhos (334)

 

TERMAS DE CARVALHELHOS

Situadas a 800m de altitude, no sopé de um castro pré-romano e envoltas pelo frondoso parque das serras do Barroso, as Termas de Carvalhelhos (ditas santas devido ao ser poder curativo) providenciam um descanso revitalizador.

 

As águas de mineralização mediana são indicadas para repor o equilíbrio natural do organismo e são particularmente aconselhadas para doenças de pele e patologias dermatológicas, afecções do aparelho digestivo e do aparelho circulatório.

 

1600-carvalhelhos (562)

 

Características da água

Mineralização Total: Fracamente mineralizada.

Composição Iónica: Bicarbonatada sódica.

Temperatura: 20ºC

pH: 8

 

Época Termal

De 15 de julhos a 15 de setembro

 

1600-carvalhelhos (483)

 

Da empresa das águas de Carvalhelhos, retirámos o seguinte:

 

Agua de Carvalhelhos

 

Aqui brotam aquelas que começaram por ser conhecidas as Águas das Caldas Santas, em prol do seu virtuoso efeito terapêutico, que diz a lenda, terá sido descoberto por uma pastora que nelas lavou seus pés em chagas e ficou curada. Esta pastora, a “Barrosinha”, ficou para sempre ligada à imagem da marca e faz parte do logotipo da empresa.

 

Passados 100 anos, as suas características mantêm-se inalteradas, demonstrando assim a qualidade e a nobreza dos seus aquíferos. Vários ensaios efetuados, permitem estimar em dezenas de anos o tempo que decorre entre a infiltração da água no solo e a sua emergência à superfície.

 

1600-carvalhelhos (322)

 

1915 - 1948

As origens das águas de Carvalhelhos

Das águas santas de Carvalhelhos diz-se que foram descobertas em 1915, por uma pastora que nelas lavou os pés em chaga e ficou curada. Ganharam fama com um fotógrafo do Porto que chegou à região e documentou a sua própria recuperação. Nessa época, o engarrafamento era feito à mão e a água minero-medicinal era vendida em farmácias.

 

carvalhelhos antiga-1.JPG

1961

Do engarrafamento manual até à produção em série

Em 1961 é instalada uma linha de enchimento automática, considerada a mais moderna do país, com uma capacidade produtiva de 6.000 garrafas por hora. Devido à crescente procura desta água no mercado, várias linhas de enchimento foram instaladas, satisfazendo as necessidades de produção e garantindo a qualidade intocável do produto.

 

1600-carvalhelhos (260)

 

1975 - 1982

Novo Complexo Industrial

Em 1975 é dado um grande salto qualitativo em termos de instalações industriais, tendo sido construído um complexo industrial, com uma área coberta de aproximadamente 15.000 m², que ainda hoje é uma referência no setor. Nos 7 anos seguintes, a capacidade produtiva da empresa evoluiu significativamente para 33.000 garrafas/hora, e mais tarde para as 40.000 garrafas/hora.

 

gua-de-Carvalhelhos.59.jpg

 

1989 - 1995

O surgimento do plástico e as renovadas linhas de Vidro

Em 1989, depois de várias experiências com diferentes soluções, a empresa foi pioneira a introduzir em Portugal as embalagens de plástico em PET, de elevada qualidade, à qual o mercado só aderiu dez anos mais tarde.

 

Em 1995, no âmbito de uma estratégia orientada para o meio ambiente, a empresa renova as suas linhas de vidro, instalando uma nova linha de alta cadência e elevada performance, substituindo simultaneamente todo o seu parque de vasilhame.

 

gua-de-Carvalhelhos.106.jpg

 

2000

A qualidade Carvalhelhos

Em 2000, a empresa implementa o sistema de gestão da qualidade, certificado pela APCER, ao abrigo das normas ISO 9002, tendo sido adaptado à norma ISO 9001 em 2003 e posteriormente atualizado às diversas revisões desta norma internacional.

 

1600-carvalhelhos (65)

 

2002

Comercialização direta em Lisboa

Em 2002 inicializou-se a comercialização dos produtos Carvalhelhos de forma direta em Lisboa, com staff próprio de armazém e de vendedores.

 

1600-carvalhelhos (105)

 

2004

As novas tendências do mercado

Em 2004, a empresa desenvolve um conjunto de produtos inovadores, seguindo as tendências de mercado da época, surge a Carvalhelhos Limão. Estes produtos foram sendo ajustados às expectativas dos consumidores.

 

1600-carvalhelhos (67)

 

2011

Evolução Tecnológica

Em 2011 houve uma nova evolução tecnológica implementando um ERP na gama PHC Enterprise para substituição da plataforma tecnológica existente, com arquitetura e génese de 1989;

 

1600-carvalhelhos (479)

 

2015

100 Anos Carvalhelhos

2015 é o ano de centenário e da nova identidade corporativa da Carvalhelhos – novo logo, logo dos 100 anos e nova imagem dos rótulos.

 

gua-de-Carvalhelhos.810.jpg

As nascentes

A Água de Carvalhelhos brota naturalmente na serra do Barroso, na localidade de Carvalhelhos, no Norte de Portugal, na montanha, em meio ambiente preservado. Foi neste local que em meados do Sec. XIX, foram descobertas umas águas com propriedades medicinais. A existência das suas fontes, batizadas de Lucy e Stella, em homenagem às filhas do fundador da empresa, são conhecidas há mais de 150 anos.

 

1600-carvalhelhos (98)

 

Admite-se hoje que as termas das Caldas Santas de Carvalhelhos já fossem conhecidas antes dos romanos, como o comprovou a descoberta, nos anos 50, do Castro de Carvalhelhos ou “Castelo os Mouros”, como também é designado, pelas escavações realizadas por Santos Júnior e pela sua equipa.

 

Painel6.jpg

 

A captação da nossa água ocorre nessas duas nascentes tradicionais de água mineral, a 750-800 metros de altitude, mas também em um poço vertical de água mineral, muito acima do nível médio do mar.

 

Principais Características do nosso Aquífero:

 

Composição Geológica: granitos e xistos;

Tipo de Aquífero: fraturado, composto por “blocos” e “fraturas”;

Fluxo de Águas Subterrâneas: profundidade em rochas graníticas fraturadas, provavelmente, também em xistos;

Parâmetros hidráulicos: transmissividade na faixa de 70-100 metros2/dia e permeabilidade média na faixa de 60-70 metros/dia;

Proteção do recurso água: totalmente assegurada por três razões principais: excelentes condições ambientais verificadas em áreas de recarga, circulação e descarga; a companhia é o proprietário dos terrenos envolvidos com as áreas de descarga; não há fontes de contaminação na área, incluindo corpos d’água superficiais.

 

1600-bessa (208)-carvalhelhos

 

E chegamos a fim deste post, apenas nos falta deixar por aqui o vídeo com todas as imagens de Carvalhelhos publicadas até hoje no Blog Chaves.

Aqui fica o vídeo, espero que gostem:

 

 

Agora também pode ver este e outros vídeos no nosso MEO KANAL nº 895 607

 

Bibliografia:

CÂMARA MUNICIPAL DE BOTICAS, Preservação dos Hábitos Comunitários nas Aldeias do Concelho de Boticas - Câmara Municipal de Boticas, Boticas, 2006

 

Webgrafia:

http://www.monumentos.gov.pt/site/app_pagesuser/sipa.aspx?id=5987

http://www.patrimoniocultural.gov.pt/pt/patrimonio/patrimonio-imovel/pesquisa-do-patrimonio/classificado-ou-em-vias-de-classificacao/geral/view/73697

https://termasdeportugal.pt/rede-termas/santas-de-carvalhelhos

https://carvalhelhos.pt/

http://www.cm-boticas.pt/

 

 

30
Out20

O Barroso aqui tão perto - Outeiro C/Vídeo

Aldeias do Barroso - Concelho de Montalegre

1600-paradela (33)-outeiro-VIDEO

montalegre (549)

 

OUTEIRO

 

Continuando a cumprir a nossa falta para com as aldeias que, aquando dos seus posts neste blog, não tiveram o resumo fotográfico em vídeo, trazemos hoje esse resumo para a aldeia de Outeiro, do Concelho de Montalegre.

 

outeiro (95)-video

 

Mais uma das pérolas do Barroso, esta mesmo à beirinha da barragem de Paradela, com vistas privilegiadas sobre a Serra do Gerês e sobre a Barragem, mas também ela, a aldeia de Outeiro,  vista ao longe, encanta qualquer olhar, quer desde Paradela, quer desde o lado oposto, que não fica aqui hoje neste post, mas que estão no vídeo.

 

1600-outeiro (62)-video

 

Para o post de hoje apenas 4 imagens, pois no seu post já tinha mais imagens que o habitual, é o que acontece quando a aldeia é fotogénica e as vistas são de encantar.

 

1600-outeiro (80)-video

 

Mas hoje estamos aqui mesmo por causa do vídeo que não teve no seu post, este com link no final. Agora sim  vamos ao vídeo, espero que gostem.

Aqui fica:

 

 

 

Agora também pode ver este e outros vídeos no MEO KANAL Nº 895 607

 

Post do blog Chaves dedicados à aldeia de Outeiro:

https://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-outeiro-1709896

 

 

E quanto a aldeias de Montalegre, despedimo-nos até a próxima sexta-feira, para trazermos aqui a aldeia de Padornelos.

 

 

23
Out20

O Barroso aqui tão perto - Ormeche C/Vídeo

Aldeias do Barroso de Montalegre

1600-paio afonso (12)-1-VIDEO

montalegre (549)

 

ORMECHE

 

Continuando a cumprir a nossa falta para com as aldeias que, aquando dos seus posts neste blog, não tiveram o resumo fotográfico em vídeo, trazemos hoje esse resumo para a aldeia de Ormeche, do Barroso de Montalegre.

 

1600-ormeche (17)-video

 

Ormeche é mais uma das aldeias localizada nas proximidades da EN103 e do Rio Cávado, curiosamente onde o Rio Cávado começa a dar lugar à Barragem da Venda Nova, com o rio e a estrada, juntinhos, parecem fazer um par de dança a deslizar nas curvas do terreno. Embora esta proximidade de rio, estrada e aldeia, o facto é que para se ver e conhecer Ormeche, somos mesmo obrigados a sair da estrada.

 

1600-ormeche (1)-VIDEO

 

Ormeche tem como aldeias mais próximas Reigoso, São Fins, Pondras, Paio Afonso (Pai Afonso) e Vila da Ponte, todas num raio aproximado de 2Km, isto no terreno, pois por estrada pode ser mais um bocadinho.

 

1600-ormeche (3)-VIDEO

 

Mas hoje não estamos aqui para falar da aldeia, mas sim por causa do vídeo que não teve aquando do post que lhe dedicámos e para o qual fica link no final deste post. Mas também como é habitual trazemos mais algumas imagens da aldeia que escaparam à seleção anterior, chamado a atenção para duas imagens, a primeira, uma vista geral de Ormeche vista desde a capela de Paio Afonso, onde se pode ver também Ladrugães ao fundo. A segunda imagem, a que fica a seguir, é uma vista geral do lado oposto, ou seja desde Ladrugães, onde se pode ver também a capela de Paio Afonso lá na croa da montanha.

 

1600-ladrugaes (34)-ormeche-video

 

E agora sim, o vídeo com todas as imagens da aldeia de Ormeche que foram publicadas até hoje neste blog.

 

Aqui fica:

 

 

 

Agora também pode ver este e outros vídeos no MEO KANAL Nº 895 607

 

Post do blog Chaves dedicados à aldeia de Ormeche:

 

https://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-ormeche-1540443

 

 

 

18
Set20

O Barroso aqui tão perto - Meixide

Aldeias do Barroso de Montalegre - C/Vídeo

1600-meixide (44)-VIDEO

montalegre (549)

 

Meixide

 

Continuando a cumprir a nossa falta para com as aldeias que, aquando dos seus posts neste blog, não tiveram o resumo fotográfico em vídeo, trazemos hoje esse resumo para a aldeia das Meixide.

 

1600-meixide (29)-video

1600-meixide (68)-VIDEO

 

Entrar em Meixide é o mesmo que entrar no grande planalto onde, citando António Granjo nas suas crónicas das suas viagens pelo Barroso, ao fundo, a perder-se no horizonte mas nem por isso muto distante, vê-se um grande lagarto deitado que prolonga a sua cauda até à Galiza – a Serra do Larouco.

 

1600-larouco (285)-video-meixide

1600-meixide (77)-video

 

Embora este post se destine a trazer aqui o vídeo que estava em falta para Meixide, aproveitamos sempre para deixar aqui mais algumas imagens que escapara à seleção anterior, mas também com alguns pormenores e porque não, homenagens, como por exemplo aos vendedores ambulantes que levam até estas aldeias um autêntico minimercado com os produtos que as pessoas das aldeias mais necessitam. Há a juntar a estes minimercados, o padeiro e peixeiro que, claro, andam a tratar da sua vidinha e do seu ganha pão, mas também fazem um autêntico serviço público às nossas aldeias mais distantes ou mesmo perto, dos grandes centros e da sede do concelho. Um bem-haja para eles. É justo.

 

1600-meixide (75)-video

1600-meixide (26)-video

 

E depois, imagens das nossas aldeias nunca são demais, também elas têm direito a serem apreciadas e a terem o seu cantinho na internet, ou a chegar até aos seus que foram obrigados a partir,  a deixar a terrinha para trás para ganharem o seu sustento, educar os seus filhos e ter acesso a outras coisas que só os grandes centros têm. E por último, imagens que ficam para memória futura, pois muitas das nossas aldeias, lamentavelmente,  estão a caminho do seu fim. Fica uma última imagem com um pouquinho do rigor dos seus invernos, mas também um dos motivos de atração do Barroso. 

 

1600-barroso (50)-video

 

Mas hoje não estamos aqui para falarmos das Meixide, nem para lamentos, estamos mesmo por causa do vídeo resumo com todas as imagens e vídeo que fizemos da aldeia e publicámos no seu devido post, bem como no post de hoje. Fica já a seguir, espero que gostem.

 

 

 

Post do blog Chaves dedicados à aldeia de Meixide:

 http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-meixide-1496229

 

 

 

E quanto a aldeias de Montalegre, e seguindo a ordem alfabética, a próxima seria mesmo a Vila de Montalegre, mas essa vai ficar para o fim, primeiro as aldeias que, dando este pulo por cima da vila, será Morgade. Que estará aqui na próxima sexta-feira. Entretanto, domingo, teremos aqui mais uma aldeia do Barroso de Boticas.

 

 

 

 

11
Set20

O Barroso aqui tão perto - Meixedo

1600-meixedo (92)-video

montalegre (549)

 

Continuando a cumprir a nossa falta para com as aldeias que, aquando dos seus posts neste blog, não tiveram o resumo fotográfico em vídeo, trazemos hoje esse resumo para a aldeia das Meixedo, concelho de Montalegre.

 

1600-meixedo (99)-video

1600-meixedo (81)-video

 

Para quem, partindo da cidade de Chaves pela estrada do S,Caetano, costuma ir a Montalegre, Meixedo, não precisa de apresentações, é a última aldeia que se encontra no itinerário para Montalegre, aliás, entre Meixedo e Montalegre, na prática, há apenas uma reta de 2Km, isto até à entrada da vila, pois para o centro, são mais 2,3km.

 

1600-meixedo (134-136) video

1600-meixedo (45)-video

 

Neste itinerário para Montalegre via estrada do S.Caetano, sempre achei curioso os dois topónimos que fazem a entrada no concelho de Montalegre e o que faz a entrada na Vila, isto porque são muito parecidos e inicialmente costumava confundir, ou melhor, não conseguia distinguir qual era um ou outro, isto porque o de entrada no concelho é Meixide e o de entrada na vila é Meixedo. Quase o mesmo que me foi acontecendo com confundir Gralhas com Gralhós, que embora todas aldeias próximas, cada uma tem a sua identidade e singularidades.

 

1600-meixedo (26)-video

1600-meixedo (12)-video

 

Hoje, depois de percorrer e repetidamente calcorrear todas as estradas e muitos dos caminhos do concelho de Montalegre, bem como todas as suas aldeias, e alguns dos lugares que sem aldeia tem igreja, capela, cascata, miradouro ou outros de interesse, já ninguém me leva ao engano e sei onde estão todas as aldeias e lugares, mesmo aqueles, poucos, onde não fui, sei onde estão e um dia, se tiver tempo, saúde e coragem, hei de lá ir, a pé, pois não há outro caminho, a não ser que me saia o euromilhões, aí, peço para me pousarem lá…Não é um, mas dois nós que tenho na garganta – São João da Fraga e as Minas de Carris, bem próximos por sinal, mas ambos nos picos do Gerês.  

 

1600-meixedo (7)-video

1600-p-fontes-mouri (9)-video

 

E tudo isto é Barroso e a sua magia, mas já sou feliz por ter descoberto todas as suas aldeias e dizer que conheço todo o Barroso e humildemente reconhecer como andei enganado e errado durante mais de 40 anos ao dizer que conhecia o Barroso, quando afinal apenas conhecia o caminho para Montalegre, o que está longe, bem longe, de ser a mesma coisa. Mas regressemos a Meixedo que é a razão de estamos aqui hoje.

 

1600-meixedo (144)-video

1600-meixedo (114)-video

 

Pois Meixedo, tal como já atrás disse, fica ali à entrada de Montalegre, com vistas privilegiadas para a Serra do Larouco e tal como o mapa turístico colocado na “vitrine dos editais” indica, está cheia de pontos de interesse. Transcrevendo o que consta no mapa, pois na foto não dá para ler ou identificar, temos a  igreja matriz, o calvário, o forno do povo, a sineta que suponho seja a da “casa” do boi do povo, a capela de São Sebastião, uma zona balnear (piscina), área de lazer e o campo de futebol. Como património paisagístico natural, apresentam a ribeira, paisagens agrícolas, a serra do Larouco e os urzais.

 

1600-meixedo (109)-video

1600-meixedo (103)-video

 

À lista que atrás deixei também poderiam acrescentar alguns exemplares da arquitetura vernacular, ou seja, da arquitetura tradicional barrosã, prefiro assim. Não sei porque, pois nunca me fez mal nenhum, mas não gosto lá muito do termo vernacular ou vernáculo, embora até reconheça alguma nobreza e importância no seu significado. Apenas embirrei com o termo.  

 

1600-meixedo (80)-video

1600-meixedo (71)-video

 

E como hoje a intenção era mesmo trazer aqui o vídeo que estava em falta para Meixedo, permiti-me a trazer aqui alguns dos meus devaneios, mas também mais algumas imagens da aldeia que não foram selecionadas para o post que lhe foi dedicado. Já o disse em tempos e repito agora, penso que esta do vídeo foi apenas uma forma inconsciente de continuar a trazer por aqui as aldeias de Montalegre, ou dito de outra forma, um pretexto para…pois olhando bem para alguns posts desta rubrica, têm mais fotos da aldeia neste post do vídeo do que  tiveram no post da aldeia, tal como acontece com este post de Meixedo.

 

1600-meixedo (98)-video

 

E agora sim, fica o vídeo com todas as imagens de Meixedo publicadas até hoje neste blog. Espero que gostem.

 

Aqui fica:

 

 

 

Posts dedicados  à aldeia de Meixedo:

https://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-meixedo-1377262

 

E quanto a aldeias barrosãs de Montalegre, despedimo-nos até à próxima sexta-feira,  em que teremos aqui a aldeia de Meixide.

 

 

06
Set20

O Barroso aqui tão perto - Virtelo

Aldeias do Concelho de Boticas

1600-virtelo (78)

1600-cabecalho-boticas

 

O nosso destino de hoje é Virtelo, mais uma aldeia barrosã do concelho de Boticas e da união de freguesias de Alturas do Barroso e Cerdedo.

 

1600-virtelo (124)

1600-virtelo (4)

 

Virtelo é uma aldeia do limite do concelho de Boticas que fica mesmo na raia com o concelho de Montalegre, tendo como aldeias mais próximas Pomar da Rainha a 1700m e Salto a 2 300m, as duas de Montalegre, e quase à mesma distância de Salto, mas em direção contrária, a aldeia de Cerdedo, esta de Boticas que em conjunto com as Alturas do Barroso dão nome a atual freguesia.

 

1600-virtelo (2)

1600-virtelo (98)

 

Localizada a cerca dos 1 000 metros de altitude, nos sopés/encontro de montanhas, onde se forma uma pequena veiga fértil e verde a contrastar com o agreste das montanhas que a rodeiam.

 

google earth.JPG

1600-virtelo (130)

 

É também mais uma das aldeias servida pela E311, aliás a última aldeia do concelho de Boticas a ser servida por esta estrada, que logo a seguir entra no concelho de Montalegre e continua para o concelho de Cabeceiras de Basto…

 

1600-virtelo (123)

1600-virtelo (84)

 

Assim, o nosso itinerário para lá chegar a partir de Chaves, vem a ser aquele que é mais habitual para as restantes aldeias de Boticas, ou seja, tomamos a EN103 (estrada de Braga) até Sapiãos, aí desviamos para Boticas, passamos esta última e entramos na E311 em direção a Ribeira de Pena, Cabeceiras de Basto e Salto. Seguimos sempre pela E311 até passarmos a aldeia de Cerdedo, logo a seguir, meia dúzia de curvas à frente, como quem diz a cerca de 2,5Km, temos à esquerda o desvio para Virtelo.

 

mapa virtelo.jpg

mapa virtelo-1.jpg

 

Virtelo é uma aldeia pequena, penso ser mesmo a mais pequena do concelho de Boticas, onde se destaca uma grande casa agrícola, suponho que em tempos seria a única que existia, hoje convertida também em casa de Turismo Rural. Além deste conjunto da grande casa agrícola (casa mais respetivos anexos), existem mais duas moradias de construção mais recente, uma pequena capela (recente – 1989), dois ou três armazéns e pequenas construções já fora do núcleo e dispersas.

 

1600-virtelo (61)

1600-virtelo (33)

 

A maior parte dos terrenos da pequena veiga são ocupados com pastagens, os mais próximos da aldeia, com outras culturas, principalmente o milho, onde também há árvores de fruto e videiras, mas tudo isto é mesmo numa pequena faixa de terreno, pois logo a seguir a montanha começa a subir e aí, só mesmo rochas, penedos em quantidade e entre o rochedo a habitual vegetação rasteira das terras mais altas, pequenas urzes (ou torgas se preferir), carqueja, etc. Apenas uma das montanhas, a que se encontra entre Virtelo e Cerdedo, é que tem alguma floresta de pinheiros. Mais próximo da aldeia, aí aparecem algumas espécies autóctones variadas, sobretudo junto às linhas de água e divisórias dos terrenos.

 

1600-virtelo (76)

1600-virtelo (74)

 

Quanto a Virtelo, o topónimo, curiosamente é um nome que já ouvia em criança em Montalegre, mas penso que era o nome ou alcunha de uma pessoa, e não da aldeia de Boticas, quem sabe, se calha, às tantas, essa pessoa não seria desta aldeia. Mas não perdendo o fio à meada, a aldeia de Virtelo só a conheci em outubro de 2017, na única vez que fui lá para fazer o levantamento fotográfico para o post de hoje.

 

1600-virtelo (81)

1600-virtelo (79)

Seria agora altura de passar àquilo que encontrámos em documentos e na monografia de Boticas sobre Virtelo, mas para além de uma referência à Capela de N. Sr.ª da Ajuda e outra à “Casa de Paula” de turismo rural, nada mais encontrei. Quanto à capela, penso que será a que está à entrada da aldeia, pois outra não vi por lá.

 

1600-virtelo (48)

1600-virtelo (49)

 

Bem queria deixar aqui mais algumas palavras sobre a aldeia, mas não encontrei mais referencias sobre ela. Assim, e como (pelo menos) temos ainda mais algumas imagens para mostrar, vamos passar aos temas de Barroso, que são, ou melhor, eram, comuns e habituais em todas as aldeias do Barroso. Ficam alguns exemplos de comunitarismo agrário, que hoje em dia já caíram em desuso ou raramente se praticam ou mesmo já não existem, tal como o boi do povo. Vezeiras ainda conheço, pelo menos, a de Santo André, em Montalegre. Os fornos do povo ainda se vão usando ocasionalmente em algumas aldeias, longe das 24 horas por dia como antigamente acontecia na maioria das aldeias. Penso que, o que ainda se vai praticando entre os resistentes que ficaram, é o da entreajuda.

 

1600-virtelo (72)

1600-virtelo (70-71)

 

Exemplos de Comunitarismo Agrário

Os Baldios - Propriedade comunal, localizados na parte mais distante e montanhosa, desempenham um papel muito importante para a economia aldeã. “Embora ocupando de longe a maior parte das terras mais altas e pobres da aldeia, a importância primordial dos baldios reside nas suas enormes extensões de urzes, mato e outros arbustos selvagens fundamentais para a pastorícia e para as actividades agrícolas. Os direitos comuns dos baldios são permanentes e ilimitados.” (O’Neill, 1984:67)”. Considerando que estas populações dependem das actividades agro-pastoris e dada a limitação, quer em termos de área, quer em termos produtivos das propriedades particulares, os baldios sempre desempenharam um papel muito importante na sobrevivência dos agregados domésticos. Enquanto terrenos comunais – logradouros comuns - são passíveis de serem utilizados de diversas maneiras como: área de pastagem para o pastoreio do gado ovino e caprino ao longo do ano e do gado bovino no Inverno; área de recolha de lenha e de matos (carqueja, giesta, tojo, urze, etc.). Algumas parcelas destes terrenos, as cavadas, também eram exploradas individualmente pelos aldeãos mais pobres, muitas vezes sem qualquer outro recurso fundiário para cultivo, de forma a mitigar um pouco a sua pobreza e garantir recursos mínimos de Exemplos de Comunitarismo Agrário subsistência.

 

1600-virtelo (62)

1600-virtelo (59)

 

O Regadio Colectivo - A água de rega é um bem precioso e limitado. Há dois tipos de rega: a rega de Inverno e a rega de Verão, ou, como Orlando Ribeiro (1998) lhe chamou, a rega da abundância (destina-se a intensificar a produção, mas na realidade podia dispensar-se) e a rega da carência (que se destina a corrigir as condições do clima e sem a qual não era possível produzir).

 

A água para a rega é encaminhada das nascentes através de regos ou canais de rega até aos tanques (poças) sendo depois distribuída pelos terrenos segundo regras ancestrais bem definidas (aviação). De forma a evitar desperdícios da água de rega, o seu sistema de rotação era feito, geralmente, de acordo com a ordem dos terrenos. Os direitos de rega são transmitidos de geração em geração através da tradição oral. Por vezes acontece proceder-se ao seu registo escrito (rol).

 

1600-virtelo (56)

1600-virtelo (37)

 

Os caminhos – espaço comunal utilizado para deslocação. O seu arranjo e manutenção era responsabilidade dos habitantes da aldeia. Assim, era convocado o ajuntamento do povo para o arranjo dos caminhos.

 

As Lamas / Lameiras do Povo ou do Boi – em grande parte das aldeias o Boi do Povo tinha as suas  próprias lamas / lameiras que garantiam parte da sua alimentação (erva e feno). Para além destes bens, em alguns sítios o boi do povo tinha também cortes epalheiros próprios.

 

1600-virtelo (21)

1600-virtelo (50)

 

O Forno do Povo – propriedade colectiva da aldeia, edifício térreo, coberto de colmo, era o café dos pobres. A sua utilização estava sujeita a regras próprias, como a obrigatoriedade de quentar o forno. Para além disso era um espaço de convívio.

 

Os Moinhos – Em algumas aldeias havia o moinho do povo, propriedade comum dos habitantes da aldeia, onde quem precisasse ia moer os cereais (centeio e milho).

 

Associados a estes bens e equipamentos comunitários andam os trabalhos comunitários que também se denominam por hábitos comunitários. Muitos destes trabalhos extinguiram-se ou estão em vias de desaparecimento por força da alteração do modelo de produção agrícola e das mudanças do modelo demográfico. De facto, a redução da mão-de-obra e a mecanização da agricultura alteraram drasticamente os modos de vida agrícola nestas aldeias rurais de Barroso. Muitos dos trabalhos comunitários como a segada e a malhada do centeio, as sachas colectivas dos batatais, o arranjo dos caminhos e a condução de águas deixaram de ter sentido. A segada e a malhada passaram a fazer-se através de meios mecânicos, dispensando os ranchos de homens e mulheres e reduzindo o hábito da entreajuda e torna jeira. A produção agrícola da batata foi drasticamente reduzida, o boi do povo tende a ser substituído pela inseminação artificial num combate e redução das doenças transmissíveis e na tentativa do apuramento da raça, e os trabalhos de conservação dos caminhos e condução de águas, entre outros, têm vindo a ser assumidos pelas autoridades autárquicas (municipais e da freguesia) no âmbito das suas competências. Permanecem porém alguns, por interesse efectivo das populações ou recusa de perda de gestos, usos e costumes que se pretendem conservar e manter sobretudo como marca etnográfica e elemento de atracção de turistas e apaixonados pelos hábitos e tradições destas comunidades da terra barrosã. É o caso da vezeira, do Boi do Povo, da limpeza de levadas, regos e nascentes.

 

1600-virtelo (42)

1600-virtelo (39)

 

Os Trabalhos Comunitários - A expressão trabalhos comunitários, “…compreende todas as tarefas que beneficiam a comunidade ou que se referem aos bens de propriedade comum, e para os quais se torna indispensável a organização de grandes grupos de trabalho.”(O’Neill,1984:160). Os principais eram a limpeza dos caminhos, do regadio, manutenção dos moinhos e do forno do povo. Os trabalhos nos caminhos realizavam-se durante o Inverno, geralmente aos sábados, quando havia mais bagar, o regadio era limpo, uma vez antes do início da época de rega, procedendo-se à limpeza e ao arranjo dos regos e das poças. Estes trabalhos faziam-se através dos ajuntamentos do povo, geralmente no largo da igreja à saída da missa, o regedor ou o cabo de ordens dava as ordes relativas à comunidade ou às coisas comunais. Tocava-se o sino da igreja e um elemento de cada agregado familiar comparecia ao ajunto.

 

1600-virtelo (32)

1600-virtelo (28)

 

A Entreajuda - A entreajuda ocorria essencialmente na altura do pico dos trabalhos agrícolas: sementeiras, ceifa (segada) do feno e do centeio, malhadas, arranque das batatas, desfolhada do milho, vindimas, etc. As pessoas trocavam trabalho ou outros tipos de ajuda de forma a assegurar força de trabalho ou apoio perante uma situação semelhante. Além da troca de trabalho, há outras formas de troca como a cedência de animais, concessão de favores ou comida.

 

O Boi do Povo – Propriedade colectiva dos lavradores da aldeia que garantiam a sua alimentação e manutenção de acordo com o número de vacas que tinham. A sua função era essencialmente a reprodução. Acontecia por vezes fazerem chegas com os bois das aldeias vizinhas.

 

A Vezeira - rebanho comum de gado da mesma espécie, pertencente a várias pessoas da mesma povoação. Era pastoreada nas zonas de pasto comum – baldio – ou nas terras de restolho, à vez por cada uma das pessoas de acordo com o número de cabeças de gado que tivessem, ou entre todos pagavam a um pastor para ir com a vezeira.

 

1600-virtelo (24)

1600-virtelo (55)

 

 

E por último, tal como vem sendo habitual,  deixamos o vídeo com todas as imagens da aldeia das Virtelo que foram publicadas no post de hoje. Espero que gostem.

 

 

E quanto a aldeias de Boticas, despedimo-nos até ao próximo domingo. Uma vez que Virtelo foi a última aldeia que abordámos da União de Freguesias de Alturas do Barroso e Cerdedo, a próxima publicação não será sobre uma aldeia, mas sim sobre o conjunto da freguesia.

 

 

BIBLIOGRAFIA

CÂMARA MUNICIPAL DE BOTICAS, Preservação dos Hábitos Comunitários nas Aldeias do Concelho de Boticas - Câmara Municipal de Boticas, Boticas, 2006

 

WEBGRAFIA

http://www.cm-boticas.pt/

 

04
Set20

O Barroso aqui tão perto - Medeiros

Aldeias do Concelho de Montalegre

1600-medeiros-P-VIDEO

montalegre (549)

 

Continuando a cumprir a nossa falta para com as aldeias que, aquando dos seus posts neste blog, não tiveram o resumo fotográfico em vídeo, trazemos hoje esse resumo para a aldeia das Medeiros, Montalegre.

 

1600-medeiros (27)-VIDEO

1600-medeiros (38)-video

 

Aproveitamos também esta ocasião para deixar mais algumas imagens da aldeia, imagens que escaparam à anterior seleção ou posteriores ao post que lhe dedicámos, imagens que sejam representativas e identificativas, quer de casario, quer da vida da aldeia ou ainda da paisagem envolvente

 

1600-medeiros (37)-video

1600-medeiros (11)-VIDEO

 

Assim, ficam mais 4 imagens com o seu casario, as imagens anteriores, e também imagens da paisagem que se vê desde Medeiros, ou a aldeia vista desde a Senhora das Treburas, em Montalegre, as próximas imagens.

 

1600-medeiros (42)-video

1600-medeiros (40)-video

 

Imagens também que fazem parte dos traços da cultura portuguesa e do ser português, como as que estão ligadas à religião católica, com as nossas tão típicas alminhas, as ermidas, cruzeiros ou outros símbolos da religião católica, como o Cristo Rei ...

 

1600-medeiros (46)-video-video

1600-medeiros (43)-video

 

Por último imagens da vida da aldeia num arrancar de batatas. Por mero acaso tivemos a sorte de passar pro lá na hora certa, já não assistimos ao arranque mas assistimos à apanha enquanto demos dois dedos de conversa com o proprietário. Trabalho bonito de ver mas nem tanto de executar, pois embora não seja um trabalho duro, antigamente até era um trabalho quase exclusivo das mulheres e crianças que executavam enquanto os homens à enxada, cada um em seu rego, as arrancava.

 

1600-medeiros (49)-video

1600-medeiros (57)-video

 

Agora com os tratores o trabalho do arrancar é facilitado e a apanha da batata toca a todos, homens e mulheres, mas continua a ser árduo, não por ser duro ou difícil, mas porque faz doer as “cruzes”, pelo pó e pelo calor, mas também não é uma coisa do outro mundo, geralmente até é divertido se houver gente divertida no grupo. Quanto à qualidade da batata, no Barroso, em geral, é sempre de boa qualidade. Quanto ao próprietário, se a coisa corre bem, ou seja, se a batata é boa e em quantidade, o seu rosto acusa-o logo...

 

1600-medeiros (81)-video

1600-medeiros (71)-video

1600-medeiros (63)-video

 

E agora sim, o vídeo com todas as imagens da aldeia das Medeiros que foram publicadas até hoje neste blog. Espero que gostem e para rever aquilo que foi dito sobre Medeiros,  a seguir ao vídeo, fica link para o post que lhe dedicámos.

 

Aqui fica:

 

 

Post do blog Chaves dedicado à aldeia de Medeiros:

 

https://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-medeiros-1687277

 

 

E quanto a aldeias do Barroso de Montalegre, despedimo-nos até à próxima sexta-feira em que teremos aqui a aldeia de Meixedo.

 

 

 

Sobre mim

foto do autor

320-meokanal 895607.jpg

Pesquisar

Sigam-me

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

 

 

15-anos

Links

As minhas páginas e blogs

  •  
  • FOTOGRAFIA

  •  
  • Flavienses Ilustres

  •  
  • Animação Sociocultural

  •  
  • Cidade de Chaves

  •  
  • De interesse

  •  
  • GALEGOS

  •  
  • Imprensa

  •  
  • Aldeias de Barroso

  •  
  • Páginas e Blogs

    A

    B

    C

    D

    E

    F

    G

    H

    I

    J

    L

    M

    N

    O

    P

    Q

    R

    S

    T

    U

    V

    X

    Z

    capa-livro-p-blog blog-logo

    Comentários recentes

    • Fer.Ribeiro

      Obrigado Ana pelo seu comentário.Concordo consigo ...

    • Anónimo

      Seria curial escrever mais um pouco sobre este ass...

    • Anónimo

      Agora não são só as fotografias que encantam...Tam...

    • fjr - barreiro

      Tomei nota do número um dia destes vou ligar para ...

    • Anónimo

      Se desejar eu dou-lhe o número de telefone.Ligue-m...

    FB