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CHAVES

Olhares sobre o "Reino Maravilhoso"

11
Ago19

Torre de Ervededo - Chaves - Portugal

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Depois de terem passado por aqui todas as aldeias de Chaves com início na letra S, passamos à letra T, sendo a primeira com esta inicial a Torre de Ervededo, e aqui o apelido, que é da freguesia, faz todo sentido, pois existe uma outra aldeia no concelho de Chaves com o mesmo topónimo, a Torre de Moreiras. Mas hoje vamos ficar apenas pela Torre de Ervededo, a de Moreiras fica para a próxima semana.

 

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Torre de Ervededo em que Ervededo é o nome da freguesia sem, contudo, ser uma aldeia, ou seja, à freguesia de Ervededo, pertencem as aldeias do Couto, da Agrela e da Torre.

 

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Torre de Ervededo que às vezes também é grafada com o topónimo de Torre do Couto, porque de facto Ervededo também foi um Couto, Vila e Sede de Concelho, reivindicando a aldeia da Torre essa mesma sede de Concelho, apontando mesmo como sede um edifício existente, com torre sineira, no largo da fonte, belíssima por sinal.

 

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No Aquivo Distrital de Vila Real tivemos acesso à seguinte informação:

HISTÓRIA ADMINISTRATIVA/BIOGRÁFICA/FAMILIAR

Ervededo foi reitoria da apresentação da mitra de Braga, a cuja arquidiocese pertenceu até à criação da diocese de Vila Real. 

Ervededo foi vila e couto, recebendo foral do arcebispo de Braga, D. Silvestre Godinho, a 11 de Janeiro 1233. 

Foi sede de concelho próprio até 31 de Dezembro de 1853, data em que passou a pertencer ao concelho de Chaves. 

A freguesia é composta pelos lugares de Agrela, Couto de Ervededo e Torre do Couto. 

A paróquia de Ervededo pertence ao arciprestado de Chaves e à diocese de Vila Real, desde 22 de Abril de 1922. O seu orago é São Martinho.

 

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Sabemos que alguns historiadores e autores locais se têm debruçado sobre este tema do Concelho de Ervededo, mas sinceramente, da nossa parte, ainda não arranjamos tempo para estudar este tema..

 

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No entanto, a respeito de uma obra recente sobre o tema, intitulada “A Vila da Torre e o Concelho de Ervededo, de autoria de Alípio Martins Afonso, o Diário Atual, na notícia de lançamento desta obra referia:

 

“Lembra-se que o Concelho de Ervededo de 1836 a 1854 englobou as freguesias de Ervededo, Bustelo, Calvão, Seara Velha, Vilarelho da Raia, Vilela Seca e Soutelinho da Raia."

 

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Talvez um dia voltemos a este assunto da “Vila da Torre” do “Concelho de Ervededo” que da minha parte incluo também em território do Barroso, isto a acreditar em ditos populares dos da margem esquerda do Rio Tâmega. Mas isso é também outro assunto e hoje o que interessa é a atual aldeia da Torre de Ervededo ou Torre do Couto.

 

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Pois quanto a aldeia, é uma aldeia de dimensões considerável, desenvolvendo-se ao longo de uma rua principal com cerca de 1,2 km, mas onde se distinguem notoriamente dois núcleos principais aos quais está associado também um largo.

 

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Referia-me atrás aos largos da Igreja e Cruzeiro e um segundo largo onde está o tal edifício com torre sineira, apontado como desse do antigo concelho, que tem também a já mencionada fonte. No largo da igreja, também existe uma fonte de mergulho, com data inscrita de 1838, seguindo as características que lhes são habituais na região, de construção totalmente em pedra, uma espécie de cubo de granito tendo numa das faces uma abertura que remata num arco perfeito, e a fonte (água) propriamente dita abaixo do nível do pavimento.

 

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É uma aldeia com um misto de casario, algum mais nobre, outro nem tanto, mas sem nenhum atingir o casario senhorial ou solarengo. Contudo é interessante, ,mantendo a sua integridade inicial de aldeia tipicamente transmontana, onde a pedra (granito de pedra solta, com junta seca e algum perpianho), o ferro e a madeira dominam.

 

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Curiosamente em algumas construções,  ainda se mantêm as cores que fizeram tradição durante muitos anos do século passado, em caixilharias e gradeamentos de ferro ou madeira, refiro-me ao verde garrafa e vermelho sangue de boi da tinta de esmalte.

 

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Há no entanto uma característica nesta aldeia que não costuma ser habitual nas aldeias transmontanas, a de serem implantadas em terras inclinadas das faldas da montanha para deixarem os terrenos planos livres para cultivo. Aqui, a aldeia está implantada numa espécie de vale, rodeada de montanhas. Uma pequena exceção, entre os tais dois núcleos já mencionados, onde aí sim, o terreno é levemente inclinado com pendentes para uma linha de água que separa os dois núcleos.

 

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De resto, sem dúvidas algumas que a Torre é uma aldeia de visita obrigatória, ainda com muita gente na rua e espirito associativo que deu origem a uma banda de música, que é hábito vê-la a atuar quer na cidade de Chaves quer a abrilhantar arraiais em aldeias da região.

 

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De visita obrigatória onde para além de se poder apreciar todo o conjunto e pormenores de casario, se podem destacar os dois largos principais, o da Igreja e Cruzeiro, mais amplo, logo à entrada da aldeia, e o outro largo, mais intimista por ser mais pequeno onde se destacam a casa com torre sineira (apontada como sede do antigo concelho) e a fonte/tanque.

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Que mais há a dizer sobre aldeia!? Pois haveria muito mais a dizer, mas algumas coisas já as fomos dizendo em posts anteriores e outras ficaram para uma próxima oportunidade. Para hoje ficam algumas imagens que não couberam nas anteriores seleções.

 

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E para finalizar fica também um vídeo com todas as imagens, ou quase todas, que foram publicadas no blog até à presente data. E digo quase todas, porque sendo todas elas já da era digital, algumas dou-as como perdidas por terem sido vítimas de acidentes informáticos, que embora já tivesse o cuidado de ter uma cópia, foram vítimas de quase em simultâneo um disco ter avariado e outro perdido. Dentro do azar do acontecimento, alguma sorte por ter conseguido recuperar grande parte das fotos do disco avariado, mas não todas.

 

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Mas como se costuma dizer, há males que vêm por bem, e a partir desse acidente/incidente, passei a ter mais uma cópia, para além de dar graças aio Flickr por nele ter armazenadas a maioria das fotos publicadas. Já agora, se quiser ver outras fotos do concelho de Chaves entre outras, passe pelo flickr onde já estão, neste momento,  14.013 fotos alojadas. Basta seguir este link: https://www.flickr.com/photos/fer-ribeiro/ ou na barra superior do blog carregar no menu “Fotografias”.

 

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E agora é mesmo tudo, só resta mesmo deixar o vídeo com todas as fotos e o link direto para o youTube que serve também para link de partilha, caso as queram partilhar.

 

https://youtu.be/FdzFlM6Vz_I

 

 

Webgrafia consultada:

 

https://digitarq.advrl.arquivos.pt/details?id=1043199 - em 10/08/19

https://diarioatual.com/apresentacao-do-livro-a-vila-da-torre-e-o-concelho-de-ervededo-na-biblioteca-de-chaves/ - em 10/08/19

 

04
Ago19

Souto Velho - Chaves - Portugal

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Hoje chegou a vez de termos por aqui Souto Velho, uma das aldeias da margem direita do Rio Tâmega que lhe está bem próximo.

 

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Trata-se de uma pequena aldeia localizada junto à “Praia de Vidago”, mas também no limite do Concelho de Chaves, com o Concelho de Boticas a penas 700 m e a aldeia botiquense de Valdegas a cerca de 2 km, no entanto a suas vizinha mais próximas são as aldeias de Anelhe e Vilarinho das Paranheiras, esta última na outra margem do rio, mas com um pontão de lajes de granito que as liga.

 

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Conta a lenda e a tradição que o grande senhor destas terras, de uma e outra margem do rio, foi D. Fernão Gralho, o mítico marido da não menos lendária Maria Mantela. A casa que a lenda lhes atribui é um belo casarão em granito situado na entrada do núcleo antigo da aldeia, de uma arquitetura bem interessante que se destaca ao longe, na sua altaneira posição, adornada com um elegante e também altaneiro canastro (ou espigueiro se preferirem).

 

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Como, pelo menos, já deixei aqui a Lenda de Maria Mantela ou Lenda dos Gralhos, desta vez deixo apenas aqui o link para ela:  https://chaves.blogs.sapo.pt/159092.html

 

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Desta vez, mais que a lenda que é mais ou menos conhecida por todos os flavienses, interessei-me mais por saber quem era Fernão Gralho e meti-me na grande confusão da família Gralho.

 

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Ora segundo a genealogia a família Gralho, ela será originária do Alentejo, no entanto os estudiosos desta família,  encontram-na um pouco espalhada aqui pela região mais próxima, principalmente em Valpaços (Alhariz, Stª Maria de Émeres, Rendufe, Água Revés, Possacos, Serapicos), mas também aos do concelho de Chaves, um pouco ligados à lenda, como por exemplo no Carregal, Stª Leocádia e Souto Velho.

 

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Nestas estórias dos Gralhos, há casamentos com muitos filhos, daí ser natural que eles (Gralhos) se fossem espalhando um pouco pela região, falta saber, pois não é muito conclusivo,  qual a origem e a partir de onde é que os gralhos se começam a dispersar.

 

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Para além destes Gralhos aqui das redondezas, há relatos de outros Gralhos ou talvez dos mesmos, terem existido na zona de Aveiro e Alentejo, no entanto estes Gralhos do Sul, parecem ser posteriores aos nossos Gralhos do Norte, pois os relatos que vi dos Gralhos do Sul, são de mil oitocentos e tal, a os do Norte, já eram relatos em lenda (dos Gralhos ou Maria Mantela) no ano de 1634 por D. Rodrigo da Cunha, Arcebispo de Braga e primaz das Espanhas que depois foi nomeado Arcebispo de Lisboa.

 

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Ainda a respeito desta lenda da Maria Mantela, como há dias aqui relatei a respeito da aldeia de Santa Marinha,   há muito semelhança com a estória da Santa Marinha, virgem e mártir. Diz a tradição que tinha oito irmãs gémeas: Basília; Eufémia; Genebra; Liberata (também conhecida como Vilgeforte); Marciana; Quitéria e Vitória. A lenda atribui-lhes a naturalidade na cidade de Braga, no ano 120. Seriam filhas de um casal de pagãos, Calcia e de um oficial romano, Lúcio Caio Atílio Severo, régulo de Braga, o qual, quando elas nasceram, estaria ausente da cidade. Entretanto, na cidade, não se acreditava que as gémeas pudessem ser filhas do mesmo pai. O acontecimento causou enorme embaraço à mãe que, teria encarregado a parteira Cita, de as afogar. Em vez disso a mulher, que era cristã, levou-as ao Arcebispo Santo Ovídio, para que as batizasse e lhes desse destino. Foram então entregues a amas cristãs, crescendo e vivendo perto umas das outras, até aos 10 anos de idade.  Sobre o assunto, ver mais aqui: https://chaves.blogs.sapo.pt/santa-marinha-chaves-portugal-1846275

 

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Entre estas duas estórias, dos Gralhos e de Santa Marinha, há pelo menos 1400 anos de distância, pois a de Santa Marinha conta-se no ano 200 DC e a dos Gralhos é dos anos 1600. Apenas uma curiosidade dadas as semelhanças das estórias de ambos.

 

Para terminar, tal como já é habitual, ficamos com um vídeo com todas as fotos publicadas neste blog sobre a aldeia de Souto Velho.

 

Link direto para ver  you tube: https://youtu.be/LKRMboLEba4

 

 

 

 

 

29
Jul19

Soutelo - Chaves - Portugal

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Soutelo

 

E chegou a vez de irmos até Soutelo, uma das aldeias da periferia da cidade de Chaves, mas nem por isso perde a sua ruralidade, basta entrar nela para nos sentirmos numa aldeia genuinamente transmontana.

 

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Por sinal uma das aldeias mais afamadas do concelho de Chaves, pelo menos até há 40 ou 50 anos atrás, tudo pelos seus teares, as suas tecedeiras, as suas mantas, mas não só.

 

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Como Soutelo já passou por aqui algumas vezes e já dissemos tudo o que tínhamos a dizer sobre a aldeia e freguesia, passemos aos teares, às tecedeiras e às mantas, ou ausência delas, baseado num projeto académico que não passou disso, e quando muito poderá estar perdido numa estante qualquer.

 

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“Nós, portugueses, estamos não nas vésperas, mas em plena fase de perdermos toda essa riqueza do passado. E (se) não corrermos rapidamente a salvar o que resta, seremos amargamente acusados pelos vindouros pelo crime indesculpável de ter deixado perder o nosso património tradicional, dando mostras de absoluta incúria e ignorância.”

 

Jorge Dias

(A Etnografia como Ciência)

 

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Como naturais e residentes neste concelho de Chaves, fomos assistindo nestas últimas décadas ao despovoamento das aldeias e ao perder de tradições e saberes que eram parte da vida quotidiana da sociedade rural. A esta situação não foi estranho o novo sistema político democrático introduzido em Portugal a partir de Abril de 1974, onde socialmente passou a haver mais justiça e igualdade, mas também onde economicamente foram abertas as fronteiras a novas oportunidades e novos empreendimentos localizados no litoral e junto às grandes cidades, que ofereciam às pessoas um garante de vida mais eficaz e justo, rodeadas de todas as infraestruturas sociais básicas como as da educação, saúde, habitação, transportes e acesso à cultura, lazer para os tempos livres  e oportunidades. Em suma fez-se a revolução e saiu-se de um sistema ditatorial para entrar diretamente em democracia e liberdade plena sem que estruturalmente se estivesse preparado para viver um novo sistema político e mais tarde uma adesão à Comunidade Europeia, com todas alterações prévias que se exigiam e impunham de modo a combater uma real assimetria e desigualdade existente em Portugal entre o litoral e o interior e sem saber quais as consequências futuras ou a sua sustentabilidade. Pois todo este conjunto de fatores teve as suas consequências, tendo-se agravado as assimetrias já anteriormente existentes e que hoje, passados 38 anos, deixaram as suas mazelas nas zonas interiores rurais devido a um êxodo massivo da população mais jovem,  para os grandes centros e litoral ou para a emigração, indo agravar também aí a qualidade de vida e justiça social que inicialmente se mostrava promissora para um futuro melhor.

 

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É certo que no mundo rural quase não havia condições de vida dignos e toda a vida das pessoas andava na prática à volta da subsistência, com muito trabalho árduo em que um sistema político fechado ao exterior obrigava também as populações a serem autossuficientes, criando toda uma economia local de produção dos artigos e produtos quase e apenas para as suas necessidades. Existia toda uma economia do utilitário onde o acessório e o dispensável não tinham lugar nem razão de existir, onde as profissões existiam dependentes umas das outras e conforme as necessidades.

 

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Com o novo sistema político e a abertura económica à novos empreendimentos e comércio exterior, passaram a existir no mercado todos os produtos que satisfaziam as necessidades mais básicas da população,  com boa aparência, alguma qualidade e a um preço baixo ou muito acessível, provenientes quer do exterior quer de fabrico ou produção nacional  e que, aos poucos, foi matando toda uma série de atividades artesanais e respetivas profissões, sem ter havido a mínima preocupação de preservar, modernizar e reconverter/adaptar todas as atividades, profissões e produções artesanais que existiam, de modo a serem um garante de vida das populações envolvidas nessas atividades, permitindo também assim a sua fixação nas suas terras de origem.

 

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A consequência foi o abandono das aldeias, da agricultura e de uma série de atividades e profissões, algumas seculares. Abandono esse que se fez sentir essencialmente na população jovem e ativa, trazendo como consequência o envelhecimento da população rural do interior, a mesma que detém ainda os saberes de uma série de atividades artesanais e que, com o abandono da população jovem, perdem também os aprendizes a quem poderiam transmitir as tradições e saberes.

 

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Devem ser raras as famílias do concelho de Chaves ou de toda a região interior norte, onde, ainda hoje, não haja uma peça artesanal de barro preto de Vilar de Nantes ou de Bisalhães, uma toalha ou lençol de linho , uma colcha de algodão, uma manta de lã, uma passadeira ou tapete de tiras, uma cesta de vime … coisas que passaram dos avôs para os filhos ou netos, muitas vezes feitas pelos próprios avôs ou compradas na feira semanal da vila ou cidade mais próxima.

 

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A cidade de Chaves, graças à sua localização geográfica, sempre foi conhecida pelas suas feiras semanais, culminando na grande feira anual (Feira dos Santos) onde ao longos dos tempos esses produtos utilitários e artesanais fabricados na região eram comercializados ou trocados. Eram famosos os barros pretos de Vilar de Nantes, não só pela sua qualidade e resistência, mas também por apresentar uma gama variada de peças utilitárias de uso diário na vida das famílias, como as talhas de vários tamanhos, as travessas, assadeiras ou alguidares, também de vários tamanhos, os púcaros, os tachos, as cafeteiras, pratos, etc. Tudo que era de uso comum, no dia a dia das famílias,  que pudesse ser feito em barro, Vilar de Nantes fazia-o e tanto assim era, que em Vilar de Nantes, em todas as famílias, havia oleiros ou cesteiros, que era outra das atividades da aldeia.

 

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Também ao nível do utilitário e do utilitário-decorativo, as roupas, tapetes, cobertas, colchas e mantas, entre outros, ao longo dos tempos eram confecionadas um pouco por todas as aldeias, embora houvesse aldeias que tinha melhores condições naturais para desenvolver determinados tipos de trabalhos, como os das mantas, trepadeiras (passadeiras e tapetes), liteiros e cobertores.

 

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A aldeia de Soutelo foi uma das aldeias que sobressaiu na confeção de mantas, cobertores, liteiros, trepadeiras e atoalhados, mas principalmente pelas mantas e cobertores, Soutelo ficou famosa em todo o Norte de Portugal, de onde vinha gente de todas as localidades para comprar as “mantas de Soutelo” nas feiras semanais, mas principalmente na feira anual dos Santos, que até tinha o dia 30 de Outubro dedicado à venda exclusiva destes produtos e daí esse dia ficar conhecida como o da feira da lã.

 

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Toda a freguesia de Soutelo que é composta por duas aldeias (Soutelo e Noval) vivia à volta do tear, direta ou indiretamente, pois se as mulheres se dedicavam ao manuseamento da lã, linho, algodão e do tear, os homens tratavam da matéria-prima, com o cultivo do linho e toda a transformação até chegar a fio de tear, ou com os rebanhos de ovelhas para delas retirar a lã e fazer o seu tratamento. Reza a história ainda recente que rara era a casa da freguesia de Soutelo onde não se tecia ou houvesse um tear e,  segundo testemunham ainda hoje na freguesia, não tinham mãos a medir, pois além das peças para satisfazer as necessidades das próprias famílias, havia as vendas das feiras e as encomendas das populações de outras aldeias que não se dedicavam ao tear, havendo aqui um sistema de trocas em que a lã, o linho ou o algodão eram fornecidos por quem encomendava e as tecedeiras de Soutelo confecionavam as mantas, cobertores ou o que fosse solicitado, tendo ainda direito a uma compensação monetária e/ou de produtos agrícolas que não produziam, por exemplo azeite.

 

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Hoje ainda existem alguns teares e tecedeiras em Soutelo, mas os teares estão desmontados ou parados e as tecedeiras fazem parte da população mais idosa da aldeia, mas não é por essa razão que os teares já não tecem, mas antes,  porque ao longo dos anos foi perdendo os mais jovens e a mão de obra para tratar da matéria prima mas também porque terminou a procura dos seus produtos, tudo graças a tecelagem industrial que inundou o mercado com produtos aparentemente idênticos a preços baixos.

 

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Abordada a história da tecelagem na freguesia de Soutelo e detetada a origem do seu abandono, eis-nos então chegados ao nosso projeto,  que terá como objetivos gerais a recuperação da arte da tecelagem e da fama que Soutelo ostenta na sua história. Claro que com estes objetivos principais se pretende também alcançar outros objetivos mais específicos e de ordem cultural e social,  como o de travar o despovoamento da freguesia e se possível o repovoamento, ocupar o tempo livre de reformados e da terceira idade em geral, arranjar uma ocupação/trabalho para desempregados e jovens à procura do primeiro emprego. (…)

 

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Isto eram algumas das palavras de introdução ao “projeto”.  No projeto seguiram-se as técnicas, teorias e outros a ter em conta neste género de projetos de âmbito social, a parte técnica por assim dizer que não tem muito interesse para este post, daí passarmos diretamente às conclusões do mesmo.

 

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Nunca tanto como hoje em dia se tem falado em crescimento, desenvolvimento ou ambas, acrescentadas da palavra sustentável. A economia, os livros, as teorias, exploram até à exaustão os termos e os conceitos. Por lá encontra-se o que se deve e não deve fazer, existem até alternativas conforme os pensamentos liberais, conservadores ou mais radicais para, teoricamente, por caminhos diferentes, se alcançar o mesmo objetivo. Está tudo nos livros, nas cabeças dos teóricos, e de tão preocupados que andam com esses assuntos e as suas teorias, esquecem-se de descer à terra, à realidade, ou melhor – às realidades -  aos povos e povoados, ao ser humano. Depois as teorias falham por causa disto, por causa daquilo, pela alavanca que não alavancou, etc.

 

Sempre gostamos de complicar aquilo que é fácil e tal como na fábula da “Galinha dos Ovos de Ouro”, em vez de nos preocuparmos em manter a galinha para ter o precioso ovo de ouro diário, matamo-la para dela tirar todos os ovos de uma vez, e acabamos por ficar sem eles.

 

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No projeto que se deixa queremos manter a galinha viva, que embora já não ponha ovos, queremos que ensine os filhos e netos a pô-los, e já nem se querem de ouro, mas dos normais, daqueles que se podem partir e com eles fazer ovos estrelados ou  omeletes.

 

Infelizmente trata-se de um projeto académico (…) baseado num caso real. Soutelo existe, as tecedeiras e os teares também, mas nem as tecedeiras nem os teares tecem. (…)

 

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E para finalizar, fica aquele que já vem sendo habitual na abordagem às nossas aldeias, um vídeo com a maior parte das fotografias publicadas até hoje neste blog sobre a aldeia que aqui trazemos, no presente caso a aldeia de Soutelo.

 

Link direto para ver no youtube:

https://youtu.be/jwk2fZuc9dE

 

 

 

 

20
Jul19

Soutelinho da Raia - Chaves - Portugal

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SOUTELINHO DA RAIA

 

Chegou a vez de irmos até Soutelinho da Raia, uma das aldeias do concelho de Chaves que mais vezes tem passado por este blog e que continuará a passar, não só por aquilo que fotograficamente falando nos proporciona, mas também pela sua história, pela sua condição de ser uma aldeia da raia, ter sido um antigo povo promíscuo, entre outras razões, como a de ser uma aldeia com características tipicamente barrosãs, como não poderia deixar de ser, não estivesse ela no grande planalto da Serra do Larouco, em pleno território do Barroso. E iniciámos com esta imagem, por sinal a mais recente que temos da aldeia e que calhou numa das nossas passagens com destino ao concelho de Montalegre, num ponto onde paramos sempre, junto ao rochedo que aparece em primeiro plano e desde onde, quase com um simples olhar, alcançamos a Serra do Larouco em toda a sua majestosa plenitude, todo o seu planalto, terras galegas e Soutelinho da Raia. Nem que fosse só por isto, já valia a pena ir por lá, mas Soutelinho da Raia é muto mais.

 

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Hoje iniciámos este post com aquilo que poderemos considerar um clássico, ou um cliché fotográfico, ou seja, com aquilo que é mais comum fotografar-se para além de serem motivos obrigatórios a serem fotografados. Este último, quase poderia resumir aquilo que é Soutelinho da Raia, não só na sua beleza ou na riqueza da composição, com a sua Igreja, mas também uma capela, a sua fonte de mergulho e o tanque, a água, o azul do céu, o sol e a neve, o seu casario, as suas varandas, só falta mesmo o fator humano que por sinal neste local é sempre habitual, aliás como em toda a aldeia.

 

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Mas que não falte esse fator humano, e cá está ele, na companhia do rigor dos invernos, numa representação daquelas que exigem respeito mas também compreensão que nada tem a ver com tradição, embora também o seja, refiro-me ao luto, pesado, vestido numa única cor, o preto, muitas das vezes, ainda, a única cor que vestirão para todo o resto das suas vidas, o preto negro do luto, voluntário,  símbolo de dor, de ausência, de respeito e honradez, às vezes pelo companheiro, outras vezes pelos filhos, mas também pelo pai, pela mãe, pelo irmão(s), e às vezes, é tão pesado, que é por todos eles.

 

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O FATOR HUMANO

 

Fator humano que por aqui também é símbolo de trabalho, da terra, que outra ocupação não há, embora em tempos, dada a sua condição de aldeia da raia seca, o contrabando também fosse uma fonte de rendimento e de trabalho, pelo menos para a Guarda Fiscal, onde existia um posto fronteiriço, mesmo a queimar a raia, Guarda Fiscal que acabava também por enriquecer o povoamento da aldeia, com os Guardas Fiscais e as suas famílias. Aliás estou em crer que

 

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Fator humano que aqui embora ainda bem presente nas ruas e nas casas também não escapa à maleita da modernidade, a do envelhecimento da sua população, despovoamento e natural abandono do casario, embora em menor escala que na maioria das aldeias, ou pelo menos, nota-se menos. Uma maleita que há 30 ou 40 anos atrás já era previsível acontecer, mas que desde então nada se fez para a contrariar.

 

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De facto as condições criadas após o 25 de abril de acesso à educação, para todos, passando até a ser obrigatória, e muito bem, até aos 18 anos ou 12ª ano, levou a que os nossos jovens não queiram regressar ao trabalho árduo da terra, que repartida como está, quase ou nem sequer dá para sobreviver. Também a facilidade e apoios para acesso ao ensino superior, levou a grande maioria a formar-se com um curso superior ou a ter habilitações para outras profissões que maioritariamente só existem nas cidades, principalmente nas de maior dimensão. Claro que é mais que compreensível que depois de uma vida a estudar, principalmente agora que só a licenciatura já é coisa pouca no mercado tão competitivo, vendo-se os nossos jovens obrigados a continuar os estudos com mestrados, doutoramentos e outras graduações e até outras licenciaturas, dizia eu que era compreensível que não voltassem à sua aldeia para pegar na enxada, semear umas batatas, plantar umas couves e ter meia dúzia de galinhas e um reco, coisas boas por sinal, mas muito pouco para poderem ter uma vida digna e ate poder sobreviver com elas.

 

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 E nada contraria este estado de coisas, aliás antes pelo contrário, tudo que se dita e decide em Lisboa é feito no sentido contrário, o da centralizar nos grandes centros toda a vida económica, de trabalho, administrativa de ensino, etc. Grandes e médios centros cada vez mais povoados e amontoadas com todo o nosso interior a desfechar em sentido contrário – envelhecimento, despovoamento e abandono das terras e das casas, com velhos a viver das reformas e sentados nas escaleiras das casas à espera que as horas passem. Ou isto que é o pouco e tudo que têm ou um lar, que na maioria dos casos não passa de um lucrativo negócio de armazenamento de velhos.

 

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Embora Soutelinho da Raia não seja o melhor exemplo desta maleita do despovoamento e envelhecimento, aliás que lá for ainda vê uma aldeia com vida, penso que, mesmo sendo uma das aldeias localizada no limite do concelho, vai servindo também de dormitório a pessoas que trabalham na cidade, sem dados para o garantir. Mas ainda se vive um certo espírito comunitário, já não há tabernas mas há cafés e no tanque comunitário ainda se lava roupa.

 

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E nas ruas há sempre gente, nos seus afazeres, ou simplesmente estando em amena cavaqueira, vindos ou indo para outros trabalhos, aparentemente felizes, talvez herança dos tempos em que Soutelinho da Raia era um povo promíscuo em que a aldeia era atravessada a meio pela linha de fronteira, onde de uma lado da aldeia viviam portugueses e do outro galegos. Um mesmo povo, a mesma aldeia, duas nacionalidades. Até 1864 Soutelinho da Raia era assim, promíscua.

 

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Embora o termo “promiscuidade”, em geral, seja utilizado em coisas mais depreciativas, aqui tinha um sentido romântico e até bem interessante. De facto podemos-lhe aqui utilizar o seu significado de mistura e indistinto, mas apenas na nacionalidade e na obediência a reinos e leis diferentes, de resto era apenas um povo misturado e indistinto de portugueses a galegos, assumindo aqui o indistinto o significado de não haver diferenças entre a povoação.

 

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Estas aldeias promíscuas eram casos únicos, por sinal aconteciam em três aldeias do concelho de Chaves: Soutelinho da Raia, Cambedo e Lamadarcos. A par destas aldeias, aqui bem próximo (do outro lado da Serra da Larouco) existia o Couto Misto (Couto Mixto) também com três aldeias: Santiago, Rubiás e Meaus.  Era um micro estado independente encravado entre Portugal e a Espanha e que não estavam ligados nem à coroa portuguesa nem espanhola, tinha leis próprias, direitos e privilégios, isenção de impostos e dava asilo a foragidos da lei de Portugal e Espanha, exceto para crimes de sangue. Em 1864  com o tratado (das fronteiras) de Lisboa, os reinos de Portugal e Espanha chegaram ao acordo de as três aldeias promíscuas (Soutelinho da Raia, Cambedo e Lamadarcos) passaram na totalidade para o reino de Portugal, enquanto que o Couto Misto (Mixto) passou para o domínio do reino espanhol.  Para saber mais sobre os povos promíscuos e o Couto Misto, siga os links no final do post.

 

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Sobre o fator humano falta falar das atividades e iniciativas da juventude de Soutelinho da Raia que ia organizando alguns eventos para a população, mas também para todos os que quisessem participar. Há anos (2012) fomos a uma das suas iniciativas, só ver, fotografar e comer. Tratou-se do 2º Passeio de BTT. Não sei se ainda continuam ativos. Confesso que com a nossa aventura de descobrir todo o Barroso. Temo-nos  descuidado um pouco com as aldeias flavienses. Espero que continuem ativos com as suas iniciativas.

 

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Os invernos e o Larouco

 

O Larouco é também uma imagem de marca para Soutelinho da Raia, não só goza do seu planalto superior como goza das suas vistas, por sinal das mais interessantes que se podem lançar sobre o Larouco, de inverno muitas das vezes coberto de neve e nas restantes estações a mostrar todo o esplendor da sua grande encostas que só termina aos 1535 metros de altitude. Assim, se for por a Soutelinho da Raia, percorra a aldeia toda até ao final das suas ruas e contemple  aquele que também é apelidado por Deus Larouco.

 

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Neve e nevadas às quais Soutelinho da Raia está bem habituada, pois é visita recorrente todos os invernos. Pode não vir para ficar, mas às vezes fica durante uns dias. Aliás a neve e o frio seco de inverno também fazem a tempera desta gente barrosã do planalto do Larouco, mas também quando todo o vale de Chaves está mergulhado num mar de nevoeiro, ele lá no alto gozam do radioso sol de inverno, que sempre vai dando algum calor e alegria aos seus dias.

 

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A Igreja

 

Já de início deixamos uma das que também é imagem de marca de Soutelinho, aquela com a fonte de mergulho e a igreja de fundo. Uma belíssima igreja localizada logo no largo de entrada da aldeia. Bonita e bem enquadrada exteriormente mas também muito interessante no seu interior, e agora ainda mais, com a descoberta e recuperação das pinturas, frescos de parede com que quase todo o seu interior está revestido, um deles datado de 1748, um ex.voto.

 

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O  Casario e seus pormenores

 

A primeira vez que fui a Soutelinho da Raia, já há uns bons 30 ou 40 anos que me rendi logo à beleza das suas ruas e do seu casario, passando a ser desde então uma das minhas aldeias de referência para aquilo que temos de melhor ao nível do conjunto mas também de pormenores no que respeita ao casario típico transmontano e no caso também barrosão.

 

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Com o tempo, fui indo por lá amiúde, sempre de máquina fotográfica na mão. Primeiro as ruas principais, depois as outras, os pormenores são para descobri sempre que vou por lá, mas o que mais me fascina, é a aldeia manter a sua integridade, sem grande feridas no conjunto do seu casario, mesmo nas recuperações, ficando as construções novas, fora deste núcelo antigo, tal como deve de ser.

 

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Dai não ser estranho que Soutelinho da Raia, talvez a par de Seara Velha, serem as aldeias que mais vezes têm passado aqui pelo blog. São os meus trunfos para quando não há tempo de cumprir com as aldeias flavienses, pois no meus arquivo fotográfico destas duas aldeias há sempre imagens a pedirem para serem publicadas e divulgadas.

 

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Espero continuar a ir e encontrar assim Soutelinho da Raia, não só para manter a sua beleza mas também para a poder continuar a indicar como visita obrigatória a quem visita o concelho de Chaves e gosta do mundo rural.

 

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Muito mais teríamos para deixar aqui sobre Soutelinho da Raia e já muita coisa fomos deixando ao longo da existência deste blog, mas temos de deixar ainda alguma coisa para podermos continuar a trazer aqui esta aldeia, que temos vindo a fotografar desde o nascer do sol até ele se pôr, principalmente nestes últimos tempos das nossas andanças pelo Barroso em que Soutelinho da Raia nos calha quase sempre nos nossos itinerários, de ida ou regresso a Chaves.

 

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 E para finalizar, aquele que já vai sendo habitual nos últimos tempos do blog, um vídeo com todas ou quase todas as imagens aqui publicadas até hoje. Após o vídeo ficam os links para mais informação sobre as aldeias promíscuas e o couto misto.

 

 

 

link para o vídeo no youtube:

https://youtu.be/18KaXGWpB3o

 

Para saber mais sobre os povos promíscuos e o Couto Misto:

 https://chaves.blogs.sapo.pt/lama-de-arcos-chaves-portugal-e-um-1636026

https://chaves.blogs.sapo.pt/231841.html

 

 

 

 

01
Jul19

Sobreira - Chaves - Portugal

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Hoje vamos até Sobreira, uma das aldeias do planalto de terras de Monforte, no mesmo planalto do Castelo de Monforte e mais meia dúzia de aldeias, ali mesmo onde o planalto acaba e a montanha começa a descer em direção ao vale de Chaves, mais propriamente na encosta que desce para Santo Estêvão, que fica apenas a cerca de 2,5km, isto em linha reta, pois por estrada, a cantiga é outra.

 

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Pois para chegarmos até à aldeia de Sobreira a partir da cidade de Chaves temos de tomar a EN103 em direção a Vinhais/Bragança, passamos por Faiões, a seguir ao lado de Stº Estevão, depois Assureiras de Baixo e a meio das Assureiras do Meio abandonamos a EN103 e tomamos a  M541-1 para Sobreira, a mesma estrada de acesso às Avelelas.

 

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Avelelas que por estrada acaba por ser a aldeia que Sobreira tem mais próxima, estrada (M541-1) que serve também as aldeias de Vila Nova, Oucidres, Vilar de Izeu e Bobadela de Monforte, embora para todas estas aldeias o acesso possa ser também feito em sentido contrário, uma vez que esta estrada municipal é uma espécie de variante interior à EN103. Mas aqui o acesso a todas estas aldeias do Planalto de Monforte é feito também a partir da EN103, entre a Bolideira e Tronco.

 

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Assim, se tiver curiosidade em conhecer esta aldeia, nem há como subir para ela a partir das Assureiras do meio e depois em vez de voltar para trás, continua pela estrada municipal via Avelelas. À exceção de Vila Nova, todas as restantes aldeias são atravessadas pela mencionada estrada municipal. Para ir a Vila Nova, é preciso fazer um pequeno desvio de cerca 900m.

 

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Costuma-se dizer que as primeiras impressões são as mais autêntica. Isto vale o que vale, e bem sabemos que não é bem assim, pelo menos com pessoas, já com os lugares pode ser mais verdadeiro e a verdade é que a primeira vez que vi Sobreira, agradou-me aquilo que vi.

 

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Embora a tal estrada municipal, variante interior à estrada nacional, seja uma das estradas que calha com frequência nos meus itinerários, por onde, aliás, há dois acessos ao Castelo de Monforte, a verdade é que a Sobreira fui apenas três vezes.

 

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Nas tais primeiras impressões com que fiquei da primeira vez que fui por lá, já em recolha de imagens para este blog, gostei do que vi e era uma aldeia com vida. Isto foi em 2006, parece que foi ontem, mas já lá vão 13 anos. Depois dessa primeira vez, voltei por lá em 2008 e depois em 2010 e se inicialmente fui por lá de dois em dois anos, a última vez que estive próximo, foi no cruzamento da estrada, aquando do incêndio de agosto de 2015.

 

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Possivelmente hoje estará um pouco diferente e olhando à tendência das aldeias vizinhas, terá também menos pessoas a habitá-la.

 

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Estamos próximos do final desta ronda pelas nossas aldeias, ronda que iniciámos seguindo a ordem alfabética, na qual estamos quase no final dos topónimo iniciados pela letra S, apenas faltando os topónimos iniciados pela letra T e V, mas mesmo assim ainda vai dar até ao final deste ano. A partir de aí queremos iniciar uma nova ronda, diferente das anteriores, mas ainda não sabemos muito bem como vai ser, mas uma coisa é certa, vamos ter que ir novamente a todas as nossas aldeias,  e aí, então,  veremos como está a aldeia da Sobreira.

 

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Claro que as imagens de hoje são de aquivo, imagens que escaparam às anteriores seleções dos posts que fui fazendo sobre a aldeia e, são imagens das minhas três deslocações que fiz à aldeia, ou sejam, imagens com 13, 11 e 9 anos. Só faltam mesmo imagens do incêndio de 2015, mas essas irão aparecer já de seguida no pequeno vídeo que ultimamente temos feito das aldeias por onde passamos.

 

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E vamos ficando por aqui. A próxima aldeia será Soutelinho da Raia, ou seja, temos que descer ao vale, atravessá-lo e entrar no Barroso, já no grande planalto que se estende até à Serra do Larouco.

 

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Fica então o nosso vídeo sobre a aldeia de Sobreira que poderão ver aqui, ou então diretamente no youtube seguindo este link:

https://youtu.be/Q23XIc9o1Rk

 

 

 

 

Até amanhã!

 

16
Jun19

Sobrado - Chaves - Portugal

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Há uns bons anos que é hábito neste blog, os sábados serem reservados para as nossas aldeias do concelho de Chaves. Nesta nova ronda decidimos fazê-lo por ordem alfabética com fotografias que escaparam à seleção dos anteriores post’s. Assim, hoje toca a vez à aldeia do Sobrado.

 

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Sobrado que se localiza no planalto da Serra do Brunheiro, pertence à freguesia de Nogueira da Montanha, a pouco mais de 1 Km do limite do Concelho de Chaves/Valpaços, tendo como aldeias mais próximas a sede de freguesia (Nogueira da Montanha) e Gondar a Nascente, Alanhosa a Norte, Capeludos e Sandomil a Poente e Amoinha Velha a Sul. A aldeias mais próximas estão entre os 400 e os 600 metros de distância (Nogueira e Gondar) e as restantes a cerca de 1Km. A título de curiosidade, Sobrado fica num cruzamento de estradas mais ou menos orientadas conforme os pontos cardeais que ligam às aldeias atrás mencionadas.

 

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É uma das nossas aldeias de montanha e também das mais altas do concelho (como quase toda a freguesia), localizada a uma altitude de 825m, onde é bem real aquele dito que se aplica por cá, o dos 9 meses de inverno e 3 de inferno, mas por lá, o inverno é mesmo rigoroso, mas se tem este dói, também alguma coisa se aproveita deste rigor, principalmente do frio, bom para curar as carnes de porco e, também, conjuntamente com a terra, um clima ideal para nele se produzir batata de qualidade, mas não só.

 

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Olhem só para estas cebolas, até parecem de oiro, e são-no, principalmente nas mãos de uma boa cozinheira ou bom cozinheiro. Aliás no Sobrado calhou numa visita feita a pedido a um dos seus habitantes, ter encontrado e fotografado os ingredientes necessários para um manjar dos deuses, e se não é de todos os deuses, é pelo menos dos deuses transmontanos e de todos os transmontanos fiéis.

 

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Só não fotografei o azeite e o vinho, mas esses já todos sabemos que são condimentos ou companhia obrigatória na nossa cozinha e de uma boa mesa, aliás se todos os cozinheiros forem como eu, sem azeite, cebola e alho, não faço nada.

 

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Então já temos as cebolas, o feijão seco, umas carnes na salgadeira e a seguir vai ficar a imagem de uma cabeça de porco com todos os seus pertences e uns pezinhos. Ora que é que isto sugere!? – Uma palhada à transmontana, claro!

 

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Invejosos por não terem desta coisas!? não há problema, por cá, pelo menos os que acreditam, enxotam a inveja, os maus olhados, as bruxas, espíritos e outros males com uma   Ruta graveolens à porta ou no jardim. Esta da Ruta graveolens foi só para o armanço, o nome científico, pois por cá o que põem mesmo à porta é uma planta de arruda (que é a mesma coisa), e também denominada como arruda-fedida, arruda-doméstica, arruda-dos-jardins, ruta-de-cheiro-forte. A arruda é uma planta da família das Rutáceas. E podem crer que o cheiro da arruda é mesmo fedido (podem trocar o “e” por um “o”, porque o é mesmo.

 

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Embora a arruda também seja por alguns considerada uma erva medicinal, não é das ervas mais recomendadas, pois é muito forte e tóxica em todas as suas formas, e pode matar. Se a vir, deixe-a em paz com a sua função de enxotar invejas, maus olhados e outros, pois a medicina, mesmo a das ervas, é só para quem sabe, especialistas, pois se não for na dose certa, pode ir mesmo desta para melhor, passar férias para a terra, mas definitivas, por baixo dela! A mim basta-me o cheiro fedido para não me aproximar dela.

 

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Quanto à aldeia de Sobrado e ao seu topónimo, pode ter origem muito antiga dos tempos da Gallaécia, e afirmo isto porque ainda hoje na Galiza este topónimo é muito comum e tendo em conta a sua origem, encaixa perfeitamente na nossa aldeia, pois em português comum, sobrado é um pavimento de madeira, e não me parece ter aí a sua origem. Os nossos irmãos galegos explicam assim os seus “Sobrados”:

 

O topónimo Sobrado, para o que cómpre reconstruir un antigo superatu ou superato, “altura”, “que está sobre ou enriba”

 

Penso que não será necessária a tradução, pois o galego e o português, são quase a mesma coisa.

 

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Quanto a este nosso Sobrado, tem o seu núcleo antigo bem identificado, com um aglomerado de construções antigas, maioritariamente construídas em granito de pedra solta. Trata-se de um pequeno núcleo com cerca de 10 casas. A restante aldeia é de construções novas, dispersas, que foram construídas ao longo das estradas que ligam às aldeias vizinhas.

 

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Quanto ao seu povoamento atual, sendo uma aldeia de montanha, tem todas as condições para ser uma aldeia despovoada e com população envelhecida. Já assim o era em 2006 quanto tomei a maioria das fotografias que hoje vos deixo e como a tendência do despovoamento se tem mantido e nada, nem ninguém a contraria, hoje deve estar bem pior.

 

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Mas esteja com estiver nada nos impede de a deixar aqui, nem que seja e só para memória futura, mas sabemos que ainda há pessoas com fortes ligações a esta aldeia, e daí estar aqui com todo o direito e também ter direito àquele que começa a ser o nosso habitual vídeo de encerramento, como de costume, com todas as fotografias (ou quase todas, pois confesso que perdemos algumas) que foram postadas neste blog. Fica também o link para o caso de quererem aceder ao vídeo diretamente a partir do youtube:

 

https://youtu.be/8jm7-twOeBY

 

 

 

 

08
Jun19

Sesmil - Chaves - Portugal

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Enquanto que na cidade e arredores vai acontecer magia, o Rali Alto Tâmega, o Mercado da Madalena e a festa de Vilar de Nantes, entre outros eventos, aqui no blog, vamos até mais uma aldeia, aqui também bem próxima, uma aldeia que dá pelo nome ou topónimo de Sesmil.

 

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Uma aldeia bem próxima de Chaves, a apenas cerca de 6 km, nas faldas da Serra do Brunheiro, com acesso a partir de Chaves via EM314 (Estrada de Carrazedo de Montenegro), podendo depois optar por dois caminhos, o primeiro, logo a seguir ao aeródromo municipal, deixa a EM314 e segue em direção à Nossa Senhora da Saúde até Paradela de Veiga, e aí apanhar o desvio para Sesmil.

 

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A outra opção é continuar pela EM314, passar ao lado de Vilar de Nantes (hoje em festa), continuar até Izei e logo a seguir, 500m, aparece a placa a indicar Sesmil. Por aqui o caminho é em terra batida, mas com bom piso,  isto se entretanto não foi pavimentado, pois já há algum tempo que não passo (desço)  por lá.

 

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Embora uma aldeia da periferia da cidade, segue todas as características das aldeias mais distantes, inclusive no despovoamento e envelhecimento da sua população, mas também no modo de vida, embora aqui, dada a proximidade da cidade, seja em parte também aldeia dormitório.

 

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Sesmil não é uma aldeia pequena que se vai desenvolvendo ao longo da sua rua principal, mas formando pequenos núcleos, pelo menos três, que são separados por terras de cultivo que aqui, ainda se vão cultivando por entre algumas oliveiras, vinha e outras árvores de fruto. Um pouco daquilo que vai sendo habitual nas nossas aldeias, com as culturas também habituais, dependendo, claro, da altitude que nesta aldeia anda entre os 420 e os 510m.

 

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Quanto ao casario, há um pouco de tudo, construções tipicamente rurais, de pedra de granito à vista, algumas reconstruções, construções novas, mas também algumas abandonadas e/ou em ruínas.

 

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Alguns pormenores interessantes, como tanques e fontes de mergulho, a capela, algumas fachadas mais dignas de realce com belos pormenores de cantaria e uma construção muito singular, com capela e construção anexa, pequena mas com um alçado muito bonito e interessante, embora sempre a tenha conhecido abandonada. Parece um solar, dos pequeninos, tão pequeno que segundo as minhas contas não chega a atingir os 80m² de construção.

 

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Quanto a festividades da aldeia, festeja-se a Santa Ana, no mês de Julho, ou festejava-se, pois não vos posso garantir se a festa ainda se realiza. Sei que numa das vezes que fui por lá, vi o cartaz com o programa da festa, mas como isto já foi há uns anos, hoje não sei. Digo isto porque realizar uma festa de aldeia não é barato e com as aldeias cada vez com menos população, os donativos são cada vez menos, e sem dinheiro não há festa. Tem acontecido isso em muitas aldeias, daí a minha incerteza.

 

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E vai sendo tudo. Como já vai sendo habitual, fica um pequeno vídeo com as fotos da aldeia que fui recolhendo e publicando aqui no blog ao longo destes últimos anos, incluindo uma com neve, que segundo o meu arquivo é de uma nevada de 16 de dezembro de 2009.

 

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Fica então o vídeo e este link para o caso de o quererem vê-lo diretamente no youtube ou eventualmente partilhá-lo. Espero que gostem.

 

Vídeo:  https://youtu.be/fB39atvYjt0

 

 

 

01
Jun19

Selhariz - Chaves - Portugal

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Cá estamos de novo com as nossas aldeias de Chaves, hoje, seguindo a ordem alfabética desta nova ronda, toca a vez a Selhariz.

 

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Selhariz é uma das aldeias que não calha nos nossos itinerários principais do concelho, quero dizer com isto, que não fica nas proximidades das estradas nacionais principais ou secundárias. Para sermos mais precisos, Selhariz fica localizada entre Chaves e Vidago, mais próxima de Vidago que de Chaves, numa das montanhas entre a Estrada Nacional 2 e a Estrada Municipal 311 entre o Peto de Lagarelhos e Vidago.

 

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Contudo o trajeto mais interessante a partir de Chaves, porque menos utilizado e mais selvagem, é pelo interior, entre montanhas, via Paradela de Veiga, Agostém, Ventuzelos, Vilas Boas, Fornos e finalmente Selhariz.  Se for por aqui, logo a seguir a Ventuzelos faça um pequeno desvio e suba até a Santa Bárbara que é um autêntico miradouro sobre (quase) todo o concelho. O quase é devido à Serra do Brunheiro cuja altura esconde todo o seu planalto.

 

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No regresso a Chaves, para não vir pelo mesmo caminho, depois de visitar Selhariz pode regressar via Vidago, descendo primeiro até à EM311 onde encontrará Vila Verde de Oura e logo a seguir temos Vidago.

 

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Vidago que é relativamente próxima de Selhariz, coisa de 4km de distância. Aliás, com a nova organização administrativa das freguesias em que Selhariz perde a sua freguesia para passar a fazer parte da Freguesia de Vidago (União das freguesias de Arcossó, Selhariz, Vidago, Vilas Boas e Vilarinho das Paranheiras) com sede em Vidago.

 

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Selhariz é uma aldeia que tem nitidamente um aglomerado mais antigo e concentrado que se desenvolveu à volta de uma casa senhorial mesmo ao lado da igreja, mas nesse pequeno núcleo central há vestígios de um núcleo medieval muito mais antigo que o atual. Este pequeno núcleo e igreja forma um quarteirão por onde passam as ruas principais da aldeia, desenvolvendo-se a restante aldeia a partir destas ruas, formando um núcleo de maior dimensões que terminam em dois largos, um o da antiga escola, com uma fonte no centro, tendo nos seus limites um campo polivalente anexo à antiga escola e do lado contrário um tanque e, se a memória não me falha, também o lavadouro público.

 

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O segundo largo onde penso que estava a antiga sede de freguesia, localiza-se à saída da aldeia em direção a Vila Verde de Oura/Vidago.  A partir deste núcleo perfeitamente consolidado, nasce uma outra aldeia, de construções mais recentes que foram sendo construídas ao longo das ruas que dispersam a partir do núcleo central, mas que acabam por convergir para um outro ponto importante da aldeia – o cemitério onde existe uma pequena capela.

 

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Foi precisamente neste trajeto entre a capela deste cemitério e a igreja do núcleo central que, por sorte, na minha última deslocação à aldeia apanhei a procissão do Corpo de Deus, mas isso já foi há 10 anos, mais precisamente no dia 11 de junho de 2009. A partir de aí, embora tenha passado algumas vezes pela aldeia, não tive oportunidade de fazer mais registos fotográficos.

 

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Como destaques da aldeia, destacaria todo o núcleo histórico, principalmente o que é composto pela tal casa senhorial, que foi convertida em turismo Rural ou de Habitação e conhecida como a “Casa de Selhariz” e a igreja paroquial. O Largo da antiga escola também é muito interessante, incluindo a própria escola que sai fora da típica escola cinquentenária, sendo esta em pedra à vista, com uma única sala de aula, mas com uma entrada precedida por um pequeno alpendre de com telhado de três águas suportado por duas colunas cilíndricas de granito, peça única com adornos na base e no topo.

 

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Destacaria também a envolvência da aldeia, circundada por um espaço de terras de cultivo, pastagens ou pequenos pomares, olivais e vinhas, formando uma macha que na primavera e verão se enche de matizes de verdes. A circundar esta mancha, temos montanha maioritariamente coberta de pinhais, mas onde aparecem alguns sobreiros.

 

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Em termos de população residente, Selhariz também não é exceção no que respeita a perda de habitantes, contundo os dados que tenho são da antiga freguesia, à qual pertenciam também as aldeias Fornos e Valverde, já não contando a pequena aldeia de Vila Rel há muito totalmente despovoada. Assim, penso, que a descida de população foi mais acentuada nas restantes aldeias do que propriamente em Selhariz, onde se nota ser ainda uma aldeia com muita vida. Mas ficam os números, que repito são dados da freguesia, apenas os números de 3 CENSO, os de 1950 em que atingiu o topo de população desde que á registos de CENSOS e que foi de 593 habitantes residentes, e os dos CENSOS de 2001 e 2011, que foram de, respetivamente, 311 e 244 habitantes. Se quiser saber mais sobre os dados da freguesia, nem há como dar uma vista de olhos ao post/mosaico que dediquei à freguesia, aqui: Selhariz

 

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E é tudo, por agora, mas como vem sendo hábito, deixo um vídeo com as imagens de hoje e outras que fui publicando ao longo destes últimos anos. Espero que goste e pode copiar ou partilhar o link para o ver diretamente no youtube, aqui: SELHARIZ  

 

 

18
Mai19

Seixo - Chaves - Portugal

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Estava prometido e cá estamos com a aldeia do Seixo, uma das aldeias do vale da Ribeira de Oura.

 

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Seixo para além de ficar no vale da Ribeira de Oura é também uma aldeia da estrada 311. Já há tempos nos referimos a esta estrada como uma das estradas mais bonitas de Portugal (das que eu conheço), tudo por ser uma estrada de montanha. Penso mesmo que em vale, esta estrada, só mesmo do Seixo a Vidago é que é mais ou menos plana e sem grandes curvas, de resto é tudo em montanha e passa por quatro concelhos – o de Chaves, Boticas, Montalegre e Cabeceiras de Basto, Ou seja, liga o Alto Minho a Trás-os-Montes passando pelo Barroso.

 

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Estrada 311 que em tempos foi classificada com Estrada Nacional mas que hoje em dia para além de Estrada Nacional é também Estrada Regional e Estrada Municipal, ou seja, desde Cabeceiras de Basto até Boticas é Regional - ER311, de Boticas a Vidago é Nacional – EN311 e desde Vidago ao Peto de Lagarelhos passou a ser Municipal – EM311.

 

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Mas deixemos esta curiosidade de parte e partamos até ao Seixo, que fica num dos itinerários alterativos para se ir até Vidago, principalmente se formos em maré de passeio e apreciação, nas calmas, mesmo porque a estrada nos recomenda que se faça sem pressas.

 

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Pois o Seixo fica mesmo onde começa o estreito vale de da Ribeira de Oura que se vai prolongando (vale e ribeira) até desaguar no Rio Tâmega. Aqui no Seixo o vale desenvolve-se em ambas mas margens da Ribeira mas não tem mais que 200m de largura.

 

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Também a aldeia do Seixo se desenvolve em ambas as margens da Ribeira, mas principalmente entre a EM311 e a Ribeira de Oura. Na margem esquerda da ribeira apenas um pequeno bairro, a capela e em tempos a escola primária. Escola esta que foi de pouca dura, pois ainda me lembro de ter sido construída nos anos oitenta, escola de uma sala apenas que só funcionou durante uns anos.

 

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Seixo para além de aldeia de passagem da EM311 funciona também como cruzamento, embora com caminhos municipais, por um lado florestal e pelo outro agrícola. Pois desde o Seixo temos ligação também a Ventuzelos (estradão) e a Vila Boas (estradão) por um lado e para o outro um caminho agrícola pavimentado que nos liga a Matosinhos. Caminhos interessantes para quem anda em descoberta/aventura, mas não muito recomendáveis para tomarmos como ligação a essas aldeias, mesmo o que está pavimentado , pois as suas funções é mesmo de caminho agrícola onde mal cabe um carro, não dando mesmo para dois carros se cruzarem, daí a aventura, pois a qualquer momento poderá ter de fazer uma marcha atrás prolongada até encontrar um ponto onde duas viaturas possam cruzar.

 

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Quanto ao Seixo, aldeia, é uma povoação pequena, com uma casa senhorial com capela a ocupar a parte central da fachada principal a confrontar diretamente com a rua principal da aldeia que desce até à Ribeira de Oura.

 

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Não conheço a história desta aldeia mas tudo indica que a aldeia poderia ter nascido a partir deste casal senhorial, mas isto sou apenas eu a supor, a verdade é que esta casa se destaca das restantes construções do Seixo.

 

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O restante casario é um misto de construções tipicamente transmontanas, de pedra de granito à vista e construções mais recentes, com o núcleo mais antigo entre a estrada e a tal casa senhorial.

 

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Claro que todo o casario, a sua grande maioria, está fora do pequeno vale, deixando as terras mais férteis para o cultivo, ocupando o casario os terrenos inclinados.

 

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Quanto à agricultura que aqui se pratica, é o habitual da nossa região, mas ultimamente no Seixo a vinha tem ganho terrenos, na propriamente na zona de vale, mas na mais inclinada, com vinhas novas, bem tratadas e pela certa pensada para fazer bons vinhos, acompanhada por técnicos dessa área. Mais uma vez sou eu a supor pois o aspeto das vinhas a isso nos leva a pensar.

 

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Quanto ao envelhecimento da população e despovoamento, notoriamente ambas as coisas acontecem, Seixo não é exceção à restante maioria das aldeias do concelho de Chaves e concelhos vizinhos.   

 

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Quanto às imagens, são as possíveis, não há muita escolha, pois a aldeia é pequena, mas mesmo assim tem motivos interessantes e variados para composições também interessantes e, claro, variadas, nem que seja recorrendo àquilo que a natureza nos oferece.

 

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Claro que também não falta a componente humana, que diga-se, em todas as deslocações que fiz ao Seixo, há sempre gente na rua. Mas também nos campo há vida, que dos seus habitantes na lide das suas hortas e outros cultivos, mas também alguns animais domésticos.

 

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Por último, e tal como ultimamente vem sendo habitual, fizemos um pequeno vídeo com algumas imagens que até hoje fomos publicando no blog. Espero que gostem. Termina também aqui o passatempo das 7 diferenças. A solução já está nos comentários, decifrada por um blog amigo.

 

Fica o vídeo e o link para poder ter acesso a ele, diretamente, no youtube:

  

Link para o Video: https://youtu.be/LqFo54s4O0w

12
Mai19

Segirei - Chaves - Portugal

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Vamos até Segirei, mas por partes, com calma! A primeira:

 

DE CIDADELLA A SEGIREI – A ROTA DO CONTRABANDO

Ainda nas aldeias cujo topónimo começa por S , hoje toca a vez a Segirei. Pois para Segirei podemos propor dois tipos de visita, uma light, que consta em ir até Segirei, dar uma vista de olhos à aldeia e regressar a Chaves sem ver nada. A outra proposta é uma visita como deve ser, e para ela, terá de reservar todo um dia para ficar com uns ares do todo que é a aldeia de Segirei.

 

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Pois a proposta consta em ir de popó até à entrada de Segirei sem entrar na aldeia, há de haver por lá uma placa que nos manda para a Galiza, é para aí que devemos ir, pois a visita a Segirei começa em Cidadella, território galego, na Rota do Contrabando que será para fazer a pé até Segirei.

 

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O itinerário da Rota do Contrabando tem cerca de 2.500 m, quase sempre a descer, mas para chegar a Segirei, pela certa demorará toda a manhã, pois ninguém resistirá a fazer montes de paragens pelo caminho, para apreciar a natureza, as cascatas, os rápidos, os moinhos, as zonas de estar, os abrigos, os miradouros, etc., etc., etc.

 

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Dizia eu que é um percurso que se faz perfeitamente nas calmas, claro que isto é para quem não tiver mobilidade reduzida, infelizmente para essas pessoas o itinerário não é mesmo nada recomendável, pois embora o percurso se faça maioritariamente por um descida não muito acentuada, pelo caminho há dois ou três desníveis consideráveis para vencer por escadas, há passagens estreitas, entre outros. Isto na parte galega em que o itinerário foi preparado para passeio, com algumas proteções e pontes de madeira. Do lado português do itinerário, entre a linha de fronteira e Segirei aquilo é ao natural, maioritariamente por um carreiro pelo meio do monte e bota para Segirei. Do mal o menos,  é sempre a descer até à entrada na aldeia. Mas tal como eu disse, não havendo limitações, faz-se bem. Eu próprio que não sou de caminhas a pé, já fiz o percurso completo três vezes.

 

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Agora as recomendações, ou melhor, as opções para fazer o percurso, que são no mínimo três:

 

1ª Opção, com dois popós – Então é assim, o percurso tem cerca de 2,5Km,  os dois popós levam a gente toda até ao início do percurso em Cidadella, descarregam o pessoal e os condutores dos ditos, dão a volta e descem (os dois popós) até Segirei, aí deixam um popó e sobem com o outro até ao ponto de partida. Fazem o percurso todo e no final, com o popó que está em Segirei, vão buscar ou outro. Para já, não se preocupem em saber onde são estes locais, pois estão bem indicados em placas de informação.

 

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2ª opção, com um popó – Aqui as coisas complicam-se, pois para fazer o percurso terá que deixar o carro, fazer o percurso  e depois regressar a pé até ao ponto de partida (não conte com boleias, pois por lá não há muitos popós a circular) e com a agravante que o regresso são na mesma 2.5Km a subir.

 

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3ª opção, com um popó — O condutor deixa os passageiros em Cidadella e não faz o percurso, mas sempre pode fazer uma parte dele, pelo menos visita o que é mais interessante (Cascatas, rápidos e miradouros). Então é assim, o condutor deixa o pessoal todo no início do percurso e regressa até meio do mesmo (na zona dos miradouros). Deixa aí o carro e faz sozinho o percurso desde os miradouros até encontrar o seu pessoal que vem a descer. Como estes vão parando aqui e ali pasmados com o que veem, o condutor vai subindo e apreciando nas calmas as várias cascatas, os rápidos, etc. Quando encontrar o resto do pessoal, junta-se a eles e como já conhece o percurso que acabou de fazer, daí para baixo, até pode servir de guia. Tem de se aproveitar sempre o lado positivo da experiência. Quando chegar à zona dos miradouros, deixa continuar os outros a pé até Segirei, mete-se no popó e espera por eles na aldeia. Entretanto, lá, na aldeia, deve haver alguém, há sempre, com que pode dar uns dedos de conversa. São residentes nativos que gostam de conversar e contar estórias, de contrabando por exemplo, pois nestas aldeias da raia nos tempos em que existia a fronteira, das duas uma, ou eram contrabandistas ou guardas fiscais, e às vezes até ambas as duas…

 

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Quanto ao percurso da rota do contrabando, em palavras, é impossível descreve-lo, quer seja de inverno, primavera, outono ou verão, é sempre interessante. mas diferente. De verão e primavera pode gozar da frescura do percurso, do lado galego é sempre feito debaixo da frescura das sombras das árvores e a paisagem mais contrastada, o sol e sombras a isso obrigam. No outono e inverno é tudo mais igual, com menos colorido. Fica tudo mais acastanhado e verdes azulados esbatidos, mas o riacho corre com mais água e torna as cascatas mais imponentes, principalmente a cascata principal que tem a particularidade de ser descer por umas escadas metálicas acompanhando toda a queda da sua água.

 

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Durante o percurso vá recordando que está numa rota que foi utilizada para contrabando, vá imaginando o que era fazer por aí contrabando, a pé ou de burro, passando tudo que havia para passar, incluindo rebanhos, manadas de gado ou varas de porcos, tudo em silêncio, geralmente de noite. Ser contrabandista não era fácil, dava umas croas para sustentar a família, mas era vida complicada, tanto mais que de quando em vez lhes saía a guarda fiscal ao caminho e  tinha de dar às de vila Diogo e ficar sem o contrabando. Guarda fiscal que na aldeia era vizinho e amigo mas que no trelo, era obrigado a cumprir, cada um andava ao seu.

 

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Contaram-me por lá, que, por exemplo, para passarem varas de porcos em silêncio e direitinhos pelo carreirão fora, era pegar nos porcos esfomeados ir à frente deles deixando cair bolota ou castanhas, os coitados (porcos) com o cheiro na bolota nem viam por onde andavam e lá iam carreiro fora.

 

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 Chegados à zona dos miradouros, para um lado as cascatas e a paisagem galega, para o outro é Portugal, e lá ao fundo num pequeno aglomerado de casas, é Segirei. E para lá que vamos de seguida.

 

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ALDEIA DE SEGIREI

Se iniciou a visita onde deve iniciar, em Cidadella, estará a chegar a Segirei por volta das 11 da manhã, isto se iniciar a visita por volta da 9 horas. Por esta altura a barriguinha também já deve estar a começar a dar horas, mas ainda é cedo para almoçar. Um copinho de água fresca ou até uma mini, chegará para enganar o estômago, entretanto poderá fazer uma visita à aldeia.

     

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A aldeia é pequena, mas já foi muito concorrida, principalmente na era das fronteiras até aos anos oitenta, pois como Segirei tinha quartel da guarda fiscal, pelo menos estariam por lá 4 a 7 guardas, com as respetivas mulheres e filhos, já era quase meia aldeia, com os naturais, que eram mais, a aldeia compunha-se. Durante o dia o gado e as poulas davam e chegavam para trabalhar, à noite o contrabando, e assim,  havia vida na aldeia quase durante as 24 horas do dia.

 

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Esta zona, já em pleno Parque Natural de Montesinho, caracteriza-se pelas construções de xisto, ou caracterizava-se, pois como o contrabando dava algum dinheiro extra e o trabalhar a pedra não era tarefa fácil, o tijolo, blocos e cimento depressa começaram a substituir a pedra de xisto. Estes novos materiais mais leves e fáceis de trabalhar, acabavam também por ficar mais baratos e permitir novas soluções construtivas. Daí, pelas características das construções atuais, penso que a partir dos anos 50 do século passado começaram a surgir novas construções de tijolo ou acrescentos e remendos nas de xisto.

 

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Tenho pena de não ter conhecido a aldeia no seu pleno construída em xisto, deveria ter uma beleza singular, mesmo porque o xisto presta-se a isso, quer pela sua cor acastanhada/avermelhada/amarelada, quer pela suas dimensões e forma (em lascas), tornando as construções interessantes à vista, já não tanto à resistência e penso que no isolamento térmico e acústico também não.

 

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Hoje em dia ainda restam por lá algumas construções em xisto, não propriamente habitações, mas destinadas a arrumos, adegas e cortes do gado. Uma ou outra vai conciliando o xisto com novos materiais, o que torna a aldeia numa mistura de arquiteturas no que respeita ao uso de materiais.

 

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Já no que toca ao seu aglomerado, é uma daquelas aldeias que se mantém juntinha e que se desenvolve a partir de um pequeno largo central da aldeia pela encosta fora, não se desenvolve à volta da Capela ou Igreja como soe acontecer, mas à volta de uma antiga fonte de mergulho, hoje modernizada com a colocação de uma torneira, mas de pouco uso, pois falta gente para a utilizar, mas também porque, suponho, que a aldeia tem rede de abastecimento de água.

 

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Uma aldeia que sofre portanto da maleita que mais aflige as aldeias interiores de montanha, esta com a agravante de ser da raia e a aldeia mais distante da sede do concelho, tal como se costuma dizer, fica em cascos de rolha, hoje sem contrabando e com pouca terra cultivável para além de agora não render sequer para sobreviver, não admira que a sua gente, principalmente os mais novos, tenham procurado o seu destino noutras paragens . É um bom exemplo de uma aldeia de resistentes onde o despovoamento se faz sentir.

 

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Mas há sempre exceções, e para além dos resistentes idosos, tenho conhecimento de que pelo menos um ou dois casais, ainda novos com filhos crianças, vivem em Segirei, pois graças à proximidade da Galiza têm lá trabalho, com o sacrifício de viagens diárias de dezenas, às vezes centenas de  quilómetros, é certo, mas vai dando para ganharem algum e manterem-se por Segirei.

 

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De resto, as pessoas (resistentes) que compõem a população, vão-se apoiando, uns aos outros, com alguns contactos à cidade para as necessidades, uns regressos esporádicos aos fins de semana e alguma vida vinda de fora para a pesca ou para umas passagens de fins-de-semana de gente ligada à aldeia que vive noutras paragens. Em agosto é diferente. E isto é Segirei que, enquanto o casal está vivo e em condições de fazerem a sua vida diária de viver com a reforma, vão-se mantendo por lá, mas quando lhe faltar o parceiro ou o apoio familiar,  lá terão que rumar até um lar de 3ª idade…

 

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E de Segirei, aldeia, é tudo ou quase tudo, uma aldeia aconchegadinha no fundo de vertentes de montanhas, ela mesma numa vertente, sem grandes pormenores para assinalar ou realçar, com uma pequena e simples capela, um moinho e pouco mais. Talvez seja a sua simplicidade o que mais cativa, que a torna interessante e que faça com que o fator humano se realce mais.

 

RESISTENTES

E é precisamente para o fator humano que vamos de seguida, com imagens de alguns resistentes que ao longo destes 13 últimos anos fomos registando nas nossas idas a Segirei, sem palavras, apenas com imagem.

 

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Já fizemos a rota do contrabando, já andámos um pouco pela aldeia de Segirei, e deixámos aqui alguns dos seus resistentes, mas as aldeias também se fazem com a sua paisagem e envolvência, é para lá que vamos agora.

 

A ENVOLVÊNCIA PAISAGISTICA

 

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Já sabemos que as paisagens têm o dom de se irem transformando conforme a época do ano. Felizmente por estas terras já fomos umas dezenas de vezes em várias estações do ano onde fomos fazendo alguns registos, com sol, frio, chuva, etc. Penso que só mesmo com neve é que nunca arriscámos chegar até lá, aliás não penso, tenho a certeza, pois com neve nunca fui além de Argemil, e já foi uma aventura.

 

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Na primavera já sabemos que contamos sempre com a exuberância dos vários matizes de verdes, com os amarelos a sobressair e aqui e ali, pontualmente outro colorido das flores co campo, como o lilás da urze e por lá também o da alfazema.

 

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Os outonos e invernos também tem a sua graça na magia de cor, sobretudo no outono onde os vermelhos e amarelos torrados fazem combinações perfeitas, mas também e ainda com os verdes a marcarem presença. Por vezes à flora silvestre também se junta a fauna, mesmo que não seja selvagem, e também o homem, em harmonia, ajudam a compor o ambiente.

 

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Mas também há momentos que pela luz ou falta dela, pela complexidade dos céus nublados, combinados com montanhas despidas, chuvas e ventos, transformam a paisagem, dando-lhe um certo mistério, criando momentos sombrios, às vezes até aterradores e ameaçadores. Eh, a natureza também tem os seus dias, não diria maus, mas diferentes e mais bravios.  

 

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PRAIA FLUVIAL

Com o fator humano e as paisagens pelo meio, perdemo-nos nas horas, mas se bem se lembram, nesta nossa visita/proposta e imaginária,  chegámos a Segirei por volta das 11 da manhã, depois de termos descido a rota do contrabando. Pois para a visita à aldeia e para algumas conversas breves com os resistentes, chega cerca de 1 hora, e já estamos chegados ao meio dia, hora de pensar nas nossas barriguinhas. A nossa proposta é que o almoço se faça no parque de merendas da praia fluvial de Segirei, com o Rio Mente por companhia.

 

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Da aldeia até à praia fluvial pode ir a pé ou de carro, ou ainda de ambas as maneiras, pois uns podem ir a pé e outros de carro. Não é longe mas também não é perto, são cerca de 1.250m de caminho, bom caminho para ambas as hipóteses. Embora o itinerário a pé e de carro seja feito quase em paralelo e muito próximos, quase juntos, para a nossa visita ficar completa e como deve ser,  o trajeto até à praia deverá se feito também a pé. Pelo caminho encontrará as famosas águas de Segirei, ferrosas e levemente gaseificadas, muito idêntica às águas de Vidago. Tem torneira na captação onde poderá beber um copo, que nesta altura da jornada cai sempre bem.

 

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Chegados à praia fluvial, se for de verão, sempre pode dar uma banhoca no Rio Mente. Pouca profundidade, bom para crianças, mas dá para refrescar, pois por ali, mesmo estando boa,  a água é sempre fresca. Quanto à paparoca, de Verão (agosto) o bar da praia costuma estar aberto e prepara umas coisas rápidas, mas bom mesmo é que a paparoca do piquenique já venha meia feita de casa para aqui não ter surpresas de bar fechado e não perder muito tempo em preparativos, mas tem grelhadores de apoio onde, se chegar cedo, poderá confecionar por lá alguns dos alimentos.

 

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E temos a nossa visita concluída, pois na praia fluvial o resto do dia é para descansar e desfrutar. Convém ter umas bejecas frescas para ajudar a passar a tarde.

 

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Penso que se irá tornar hábito aqui no blog o de terminarmos os post’s às aldeias com um vídeo com todas as imagens que já publicámos até hoje. Fizemo-lo com Seara Velha e pela certa vamos continuar, pois aqui fica o de Segirei, com as imagens de hoje e mais algumas dos post’s anteriormente dedicados à aldeia. Espero que gostem e até amanhã, com mais uma aldeia do Barroso aqui tão perto.

 

Aqui fica o vídeo:

 

 

Filme, link:

 

 

Link para o vídeo no youtub:

https://youtu.be/P_W0xVyYc2o

 

 

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