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CHAVES

Olhares sobre o "Reino Maravilhoso"

09
Fev19

Stº Estêvão - Chaves - Portugal

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Nestes sábados do blog dedicados ao mundo rural flaviense, em geral às nossas aldeias, temos de abrir duas exceções, pois para além da cidade, no concelho de Chaves existem duas vilas, a de Vidago e a que vos trago hoje, a Vila de Stº Estêvão.

 

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Stº Estêvão já é aqui repetente várias vezes, e para não estar a repetir aquilo que fui dizendo ao longo dos posts que lhe dediquei, hoje fazemos uma abordagem um pouco diferente e talvez chamar a atenção para alguns pormenores que alguns desconhecerão e que muitos se vão esquecendo do que por lá existe, como por exemplo o seu castelo, um dos três castelos medievais que o concelho de Chaves tem. Curiosamente na última imagem aparecem dois desses castelos, o de Stº Estêvão no meio do casario da vila e lá mais em cima, na croa da montanha, do lado esquerdo, o Castelo de Monforte de Rio Livre.

 

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Na última imagem o tal castelo com mais evidência. Infelizmente para mim, apenas conheço este castelo por fora, nunca tive a oportunidade de o ver por dentro. Verdade se diga talvez por algum desleixo meu, mas também porque nas minhas muitas passagens por Stº Estêvão nunca ter visto as suas portas abertas. Sinceramente nem sequer sei se está aberto ou não ao público, mas um dia hei de lá entrar e se o que vir tiver interesse, Stº Estêvão terá aqui outro post.

 

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Quanto à vila, é um misto de tradição e modernidade, mais modernidade que tradição, desta, apenas a antiga rua principal vai mantendo o seu casario mais antigo, e um pequeno núcleo à volta da igreja, de resto, nem o castelo escapou ao ser rodeado pela tal modernidade das novas construções, principalmente das que surgiram no pós 25 de abril e fizeram sair das costuras o antigo povoado.

 

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Há no entanto algumas construções do Estado Novo que se destacam na aldeia, tal como a escola primária, com o projeto tipo das escolas cinquentenárias, esta idêntica às das cidades com dois pisos e quatro salas, apoiada por uma cantina escolar também da época e no mesmo largo onde a escola foi implantada.

 

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Que mais há a acrescentar àquilo que já anteriormente foi dito!? – Talvez que Stº Estêvão é uma das povoações da Veiga de Chaves, que partilha com as vizinhas povoações de Vila Verde da Raia e Faiões, a que ainda se vai mantendo verde e cultivada, pois a restante, também ela foi vítima da modernidade, não resistindo à invasão do casario.

 

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E finalmente dizer que Stº Estevão é de visita obrigatória, embora a evidência da modernidade que lhe retira o estatuto de povoação rural tradicional onde o granito é uma constante do casario,  mas tem o castelo, a belíssima igreja e casario adjacente e o largo da Escola primária/cantina, mas não só, pois o seu território chega até ao Rio Tâmega, onde se localiza a maior lagoa que resultou da exploração de areias e que hoje serve de poiso a muitas espécies de aves, onde existem dois abrigos/observatórios.  

 

Mais sobre Stº Estevão, após este post deverão aparecer links para as anteriores abordagens deste blog.

 

 

26
Jan19

São Gonçalo da Ribeira - Chaves Portugal

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São Gonçalo da Ribeira

 

Nesta ronda pelas nossas aldeias em que nos propusemos traze-las mais uma vez ao blog com imagens que nos escaparam nas anteriores publicações, resolvemos fazê-lo pela ordem alfabética. Já vamos no S, nas aldeias e lugares que adotaram com topónimo um santo (Santiago do Monte, São Caetano, São Cornélio, São Domingos, São Gonçalo, São Julião, São Lourenço, São Pedro de Agostém, São Vicente da Raia e Santo Estêvão), as Santas, vêm a seguir.

 

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Nem sempre estes topónimos correspondem a aldeias propriamente ditas, tal como acontece com o São Caetano e São Gonçalo, estes nasceram como lugares de culto e assumem-se como santuários. Pois o nosso destino de hoje é para um destes lugares de culto - o São Gonçalo.

 

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Também aqui, tal como penso que aconteceu em São Domingos, começaram a nascer algumas casas junto à Capela. Neste Caso de São Gonçalo há por lá uma construção toda construída em xisto e habitada até há alguns anos atrás que notoriamente tem uns bons anos em cima. As restantes (meia-dúzia) são construções recentes, que não são mais que abrigos de pescadores de fim-de-semana.

 

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Inicialmente poder-nos-á parecer estranho que no meio de um mar de montanhas possam existir pescadores, mas não, não é nada estranho, pois é na base destas montanhas, onde elas se encontram, que correm os rios, maiores ou menores e também eles se encontram. O São Gonçalo é um desses locais de encontro de dois rios, que simultaneamente também são limites naturais de freguesias, de concelhos e de distritos, mas também de reservas naturais e outros limites.

 

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Os dois rios que se encontram em São Gonçalo são o Rio Mousse e o Rio Mente, o primeiro nasce na Galiza (em Terroso) e termina o seu curso aqui no São Gonçalo, onde desagua no Rio Mente que, um pouco mais à frente, irá desaguar no Rio Rabaçal, para já próximo de Mirandela abraçar o Rio Tua que entre montanhas e mais montanhas acabará por chegar ao Rio Douro, muito antes de este entrar no mar. Voltando aos dois rios do São Gonçalo, o Mousse vai servindo os limites de freguesias de Chaves, nomeadamente entre a freguesia de São Vicente da Raia e as freguesias de Travancas/Roriz, Cimos de Vila da Castanheira e Sanfins da Castanheira. Já quanto ao Rio Mente, este serve de fronteira aos concelhos de Chave e Vinhais e aos Distritos de Vila Real e Bragança.

 

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Mas vamos até ao São Gonçalo e à sua localização, não de muito fácil acesso. Na última imagem que deixamos, assinalamos com um círculo vermelho o local onde mora o São Gonçalo. A imagem foi tomada desde Argemil. Por entre a baixa do encontro de montanhas em primeiro plano, corre o Rio Mousse, pelo caminho, passa ainda pelo Castelo do Mau Vizinho. À esquerda da imagem logo imediatamente a seguir a uma sombra no terreno, uns pontinhos brancos assinalam a aldeia de Orjais. É a partir desta aldeia que se faz um dos acessos até São Gonçalo. O outro acesso fica do lado direito para além da imagem e é feito a partir de Parada, uma das aldeias da freguesia de Sanfins da Castanheira.

 

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O São Gonçalo, tanto quanto sei, é reivindicado por estas duas aldeias, Orjais e Parada, mas segundo me consta, a festa é repartida a meias em são convívio. Isto pelo que me dizem, pois nunca tive oportunidade nem o gosto de poder assistir à festa anual. Nunca lá fui à festa e lamento, mas também não sei em que dia se realiza. Sei que é em tempo de Verão. Numa consulta que fiz às festas das duas freguesias que reivindicam o santo, em São Vicente da Raia a festa de São Gonçalo acontece no dia 20 de agosto, já nas festas da freguesia de Sanfins, o São Gonçalo acontece no 3º domingo de julho. Estou mais inclinado para esta segunda data, mas tal como disse, não posso confirmar que seja o mesmo São Gonçalo.

 

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É também conhecida pela festa das merendas, pois ao que consta é tradição levar a merenda de casa para lá ser degustada numa das sombras à beira rios, que por lá abundam. Merenda que pela certa é merecida, pois tal como já tive oportunidade de dizer, o São Gonçalo é de acessos complicados, recomendados para veículos todo o terreno. Os ligeiros também lá conseguem chegar, mas isto, tal como uma vez me disseram em Parada, é só para os que não têm amor ao popó.

 

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Dia de festa que se adivinha ser de festa, também sinónimo de alguma confusão, que pela certa não deixam apreciar o verdadeiro santuário, não o do santo, mas o do local, que tal como já uma vez afirmei aqui no blog, é um verdadeiro  santuário de montanhas, de beleza, de tranquilidade, de natureza, de verde e de água cristalina a correr entre margens de ambos os rios.

 

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No acesso até São Gonçalo, que tanto seja feito via Orjais a 5,5 km, ou via Parada a 6,5km, é ainda notório o devaste que um incendio de há quinze ou vinte anos atrás provocou na paisagem. Curiosamente este devaste na paisagem deixou a nu o rude que a montanha é, mas também, que não há um palmo de terra que não tivesse sido, em tempos, trabalhado pelo homem. Hoje penso que já não é bem assim, e também é notório, a montanha há muito que deixou de ser o ganha pão das populações, primeiro porque a população é cada vez mais escassa e segundo porque o fruto da montanha, hoje em dia, pela certa já nem para sobreviver dará.

 

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Uma curiosidade geológica que se vai desenhando ao longo do mar de montanhas chamará a atenção dos mais atentos. Trata-se de um aglomerado rochoso que nos surge à superfície, que se desenvolve em linha reta com cerca de 2 metros de largura e entre 1 a 2 metros de altura parecendo tratar-se de uma muralha, só que esta é natural sem a intervenção humana. Há uns bons anos, no dia em me dei conta desta “muralha” estava com o então presidente da Junta de S. Vicente da Raia que me disse, terem-lhe dito que este fenómeno, começa em terras da Galiza e só termina nas proximidades de Bragança. Pelo que vi, acredito bem que sim, mas mais não posso dizer sobre o assunto, pois nada mais sei.

 

 

E para terminar, deixo atrás um vídeo que encontrei no youtube, de autoria de Paulo Moura/ Flygraphy, que mostra um outro olhar sobre o São Gonçalo e respetivos acessos.

 

 

20
Jan19

São Domingos - Chaves - Portugal

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Hoje em dia de São Sebastião, vamos até São Domingos, calhou assim e assim será, embora ainda hoje, também iremos até ao São Sebastião do Barroso de Boticas, mas para já ficamos por este nosso São Domingos, não por ser santo ou por hoje ser domingo, mas por ser o topónimo da nossa aldeia de hoje.

 

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É uma pequena aldeia, penso que a mais pequena do concelho de Chaves e que serve de entrada ao concelho para quem entra pela EN 103 (estrada de Braga).  Na realidade esta pequena povoação resume-se a uma Capela, um Nicho cinco ou seis casas de habitação e dois ou três armazéns, isto dividido a meio pela travessia da EN103. O resto são terrenos de cultivo e um pouco de montanha, mais despida que vestida.

 

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Ao que parece esta pequena aldeia teria nascido a partir da capela que segundo reza na inscrição na torre sineira sem sino, é de 1754. Em vez de sino existe a escultura do santo que tudo indica ser o São Domingos, isto pelo pormenor do livro que tem na mão esquerda e pelo hábito de frade.

 

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As construções que rodeia a capela e as restantes mais próximas são de construção relativamente recente. Suponho que elas teriam sido construídas a partir de meados do século passado, enquanto que a capela caminhará para os seus três séculos de existência.

 

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E como esta povoação é pequena, o post também é pequeno, mas mesmo assim com todo o direito a passar por aqui, aliás como o tem vem acontecendo em todas as rondas que temos feito pelas aldeias do concelho de Chaves. É pouco, mas é o que há.

 

12
Jan19

São Cornélio - Chaves - Portugal

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Cá estamos em mais uma aldeia do concelho de Chaves, uma na qual tantas vezes passamos e tão raramente paramos e as desculpas, que não nos ilibam de culpas, são precisamente o ser uma aldeia de passagem,  e uma variante construída há uns anos que em vez de nos fazer passar pelo centro da aldeia, nos faz passar ao lado, mas isto, como se costuma dizer, são “desculpas de mau pagador”.

 

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Tinha de iniciar este post com a verdade e as desculpas, pois São Cornélio até é uma das aldeias que merecia mais paragens nossas, por várias razões. A primeira por termos lá, por terem passado por lá ou descenderem de lá pessoas nossas amigas (com as três afirmações verdadeiras), aliás já tivemos oportunidade de explicar isto mesmo em posts anteriores dedicados à aldeia. Uma outra razão é porque foi uma das aldeias onde melhor fomos recebidos aquando do levantamento fotográfico e por último, por ser uma aldeia interessante para fotografar e desde onde se podem lançar vistas de encanto sobre um mar de montanhas mais ou menos distantes, onde o Vale de Chaves se deixa ver em pequenino.

 

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Mas há ainda uma outra razão pela qual vale a pena ir até São Cornélio e que se prende com a importância que a sua localização teve em tempos idos.  Sabemo-lo por algumas estórias que tiveram São Cornélio como palco, isto se recuarmos ao tempo das feiras que se realizavam no Castelo de Monforte, em que, já então, São Cornélio era aldeia de passagem obrigatória para outras aldeias vizinhas e suponho que também para algumas aldeias galegas da raia. Algumas são estórias complicadas, estórias de sangue, estórias hoje adormecidas pelo tempo mas que ainda se sentem e que às vezes calham em conversas. Pelo meio também haverá pela certa outras estórias, algumas anedóticas,  quiçá algumas de amores, e muitas de amizades.

 

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Pena que muitas dessas estórias acabem por morrer com quem as sabe ou genuinamente sabia, pois hoje algumas delas chegam até nós já deturpadas e/ou com várias versões, dependendo do lado de quem as conta, ou seja, estórias que têm todas as características para poderem passar à História, que, esta última, mesmo que documentada, tem sempre interpretações diferentes, mas isto são contas de outro rosário, que até acabam por ser interessantes, principalmente quando as mentiras são tantas vezes defendidas e repetidas que acabam por ser verdades indiscutíveis, é um bocado com o que hoje em dia se passa na internet/redes sociais e um pouco pelos media (mass media)  em geral, principalmente nas televisões  com as “fake news” (notícias falsas) em que basta serem noticiadas para passarem a ser verdades que dificilmente se desmontarão, e mesmo que se prove o contrário, a dúvida ficará semeada para sempre. Pior ainda é que, com a desconfiança, começa-se a duvidar das noticias verdadeiras.

 

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Mas todo este assunto do parágrafo anterior, embora também possa afetar as nossas aldeias, fazem-lhe pouca mossa, pois a este respeito as notícias que a eles dizem respeito, facilmente são confirmadas, e por serem pequenas comunidades em que todos se conhecem, já sabem quando devem acrescentar ou tirar um ponto, dependendo de quem leva ou traz a noticia e depois, nestas pequenas comunidades, a grande maioria é gente de bem e de confiança, pelo menos para quem lhas merece.

 

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Ainda antes de mudar de assunto, um outro pedido de desculpas, este por aqui no blog às vezes se recorrer à língua inglesa,  da qual agora se usa e abusa,  fazendo com que às vezes apenas fiquemos a ver passar navios , e bem longe da costa, mas que, infelizmente, às vezes, a sua utilização é a única forma de nos fazermos entender, isto por não haver palavras em português para definirem a coisa corretamente. É o abuso do inglês e das siglas/abreviaturas. Num pequeno exercício propus-me fazer uma “fake news” sobre o frio e anunciado surto de gripe, com recurso às habituais siglas que nos atiram para cima sem nos explicarem de onde vêm ,notícia que bem poderia ser verdadeira, e que seria assim:

“Esta onda de frio levou que a CIMAT  e a CMC a acusar o CHTMAD EPE de não cumprir o estipulado para a RRHUC, não tendo o HC e os CSC 1 e 2, capacidade de resposta a um surto de  H3N2 e H1N1, H3N2, H7N1 entre outros, pondo em causa o SNS a prestar à população ao não se cumprir o PNS conforme defende a DGS e o próprio PM. A gravidade da situação já fez com que  o MAI, através do SEPC e a ANPC decretassem o alerta Laranja para TMAD e que as DNPEBRPCAF e o SINAE, acompanhem o evoluir da situação pelo que o MAI já convocou para os devidos efeitos as DAJDORICS da ANPC.” [i] (ver a tradução das siglas no final do post

 

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A notícia e uso de siglas até podem estar exageradas, mas a notícia até poderá vir a tornar-se real, contudo o que mais irrita, é que no meio de tanta informação, os media, raramente informam no que é essencial. Por exemplo, mal a Proteção Civil decreta um alerta, laranja, por exemplo, todos (os media) se apressam a dizer que os distritos tais vão estar sobre alerta laranja, mas raramente dizem o que se deve fazer ou como proceder neste tipo de situação.   Cá para nós que ninguém nos ouve, nesta coisa (que para nós é uma treta) dos alertas às cores, os de Lisboa para nos avisarem, mais valia dizerem: “Para Trás-os-Montes vai cair uma geada do caralho…” e toda a gente ficava a saber que durante a manhã tínhamos de sair de casa mais agasalhados que o costume e que nas sombras teríamos de estar atentos ao gelo.

 

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Às vezes um caralhinho na boca dos lisboetas até nem lhes ficava mal, pelo menos informavam devidamente o pessoal e muito mais que essa cena das cores verde, amarela, laranja e vermelha, que ninguém sabe o que fazer com elas. Ah! Ainda outra, e quando derem informações, que as deem entendíveis para todos os níveis de educação, pois ainda há por aí muita gentinha a não entender metade do que dizem, estou a ver,  por exemplo, num alerta VERMELHO os de Lisboa a dizerem: “ Atenção, todas as zonas em perigo são para evacuar” .  Cá pra mim, alguns dirão “Estes de Lisboa estão malucos” no entanto, estou a ver outros, uns poucos,  a pegar apressadamente num pedaço de papel que tenham à mão e aí vão eles a correr para evacuar na zona de perigo… mesmo sem saber porque! há pessoal que gosta de cumprir com o dever… Por isso, tento na língua naquilo que dizem.

 

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Acho que com esta, está na altura de me ir… Então assim sendo, bou-me!

Até amanhã e desculpas ao pessoal de São Cornélio por termos saído do carreiro e andar práqui com outras conversas, mas às vezes temos de aproveitar esta idas às aldeias para falar um bocadinho nos nossos problemas e preocupações que, afinal de contas, nas aldeias se sentem muito mais do que aqui na cidade. 

 

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[i]  “Esta onda de frio levou que a Comunidade Intermunicipal do Alto-Tâmega   e a Câmara Municipal de Chaves a acusar o Centro Hospitalar de Trás-os-Montes e Alto Douro EPE de não cumprir o estipulado para a Rede de Referenciação Hospitalar de Urgência/Emergência, não tendo o Hospital de Chaves  e os Centros de Saúde de Chaves 1 e 2,  capacidade de resposta a um surto de  vírus da gripe, pondo em causa o Serviço Nacional de Saúde a prestar à população ao não se cumprir o Plano Nacional de Saúde conforme defende a Direção Geral de Saúde e o próprio Primeiro Ministro. A gravidade da situação já fez com que o Ministério da Administração Interna, através do Secretário de Estado da Proteção Civil e a Autoridade Nacional de Proteção Civil decretassem o alerta Laranja para Trás-os-Montes e Alto Douro e que as Direções Nacionais: de Planeamento de Emergência, de Bombeiros, de Recursos de Proteção Civil e de Auditoria e Fiscalização e o Sistema Nacional de Vigilância Epidemiológica, acompanhem o evoluir da situação pelo que o Ministro da Administração Interna já convocou para os devidos efeitos as Divisões de Apoio Jurídico, de Desenvolvimento Organizacional e Relações Internacionais e de Comunicação e Sensibilização da Associação Nacional de Proteção Civil.”

 

 

05
Jan19

São Caetano - Chaves - Portugal

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Como há anos vem sendo hábito neste blog, os sábados e domingos são para as nossas aldeias, ou melhor, para o nosso mundo rural, tudo aquilo que vai além da cidade, pois as nossas montanhas, rios, paisagens, etc, também têm aqui lugar, mas também os nossos santuários, lugares de culto, que embora pertença de uma freguesia, não são aglomerados populacionais, tal como acontece com o Santuário do São Caetano que hoje vamos ter aqui.

 

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São Caetano que, rara é a semana em que neste blog não é referido, pois é por lá que passamos para a maioria dos nossos itinerários do Barroso. Talvez pela frequência das nossas passagens e das vezes que aqui o mencionamos, o desprezamos tanto sem o desprezar. Eu explico melhor não vá ser mal-entendido. Então é assim, o nosso desprezo está em não fazermos do S. Caetano uma paragem obrigatória quando por lá temos de passar, mas talvez isso sejam ordens do nosso subconsciente, pois quando nos dá para lá parar, há qualquer coisa naquele santuário que nos prende a ele e vamos fincando. Não que haja qualquer mal nisso, apenas, quando por lá passamos vamos com o tino noutro destino e daí o nosso subconsciente sussurrar baixinho ao nosso consciente a dizer: “não pares, não pares!” – Só pode ser assim.

 

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Pois prometo que amanhã, dia de termos por aqui mais uma aldeia do Barroso, vou fazer passar por lá o nosso itinerário e recomendar uma paragem no São Caetano. Claro que terá de ser breve, senão não poderemos cumprir o nosso itinerário pelo Barroso. E eu próprio prometo que na próxima passagem por lá, vou desativar o meu subconsciente e deixar que o meu consciente me permita lá parar, isto, nem que seja e só porque quando hoje abri o meu arquivo de fotografias do São Caetano, corei de vergonha, pois a passar por lá amiúde, a saber que me faltam registar ainda alguns dos seus motivos e verifiquei que a última vez que fiz registo já foi em 2013. Imperdoável.

 

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No nosso concelho de Chaves existem alguns santuários, como o da Nossa Senhora da Saúde em S.Pedro de Agostém, o da Nossa Senhora da Aparecida em Calvão, onde reza a história religiosa apareceu Nossa Senhora, ainda antes dos aparecimentos de Fátima, e temos ainda o Santuário da Senhora do Engaranho em Castelões, no entanto dos quatro mencionados, os que apelam mais a devoção dos crentes, são o Santuário de Nossa Senhora da Saúde e o do S.Caetano, mais este último, pelo menos para a população flaviense, para onde parece ser também o santo preferido para encaminhar as suas promessas, incluindo as promessas de cera que são guardadas em local próprio no santuário.

 

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As caminhadas a pé dos flavienses ao S.Caetano costumam ser habituais durante todo o ano, mas com maior significado na altura da celebração da festa do Santo, aí são aos milhares as pessoas que durante o dia e toda a noite se dirigem ao santuário, por promessa ou meramente por tradição. Festa que se realiza no domingo 7 de agosto ou, quando o 7 de agosto não coincide com o domingo, no primeiro domingo a seguir ao 7 de agosto.

 

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A data da festa do São Caetano coincide com a morte deste Santo italiano, natural de Vicenza.

Caetano de Thiene (Gaetano di Thiene) nasceu em Vicenza, em outubro de 1480 e morreu em Nápoles, a 7 de agosto de 1547 . Foi um sacerdote católico italiano, beatificado em 8 de outubro de 1629 pelo papa Urbano VIII e canonizado em 1671 pelo papa Clemente X.  Formado em Direito, São Caetano ficou responsável pela fundação da Ordem dos Clérigos Regulares da Divina Providência, chamados de "teatinos", uma ordem religiosa católica masculina sob a qual os sacerdotes nada deviam possuir ou pedir. Fundou ainda um hospital para os incuráveis, entre outros atos de ajuda aos mais pobres . É conhecido como o Santo da Providência, Patrono do pão e do trabalho. É ainda padroeiro dos gestores administrativos, das pessoas que procuram trabalho e dos desempregados.

 

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O São Caetano,  lugar de devoção, de culto, de peregrinação e de tradições era um dos lugares que o grande poeta e escritor português Miguel Torga visitava aquando das suas estadias na cidade de Chaves, fazendo nessas visitas alguns registos que constam nos seus diários:

 

São Caetano, Chaves, 12 de Setembro de 1988

Padroeiros da nossa devoção! São tantos, e não chegam para os milagres de que necessitamos.

 

Miguel Torga, in Diário XV 

 

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Chaves, 26 de Agosto de 1990

Visita sacramental a S. Caetano, um santo fronteiriço que tem na terra os serviços administrativos modelarmente organizados. «Meta as esmolas nos petos» — avisam os letreiros. E lá estão as tulhas para os cereais, a grade para os galináceos, e o orifício aberto na parede granítica da capela para encarreirar a pecúnia. Peregrino anual e céptico, não peço ao orago graças que sei que não pode conceder a um mau romeiro. Bebo-lhe a água gelada da fonte de três bicas, regalo os olhos na paisagem aberta e larga, espreito o cemitério visigótico precariamente preservado e fico satisfeito. Mas volto sempre, e sempre com a mesma curiosidade e disponibilidade emotiva. A minha bem-aventurança começou quando abri os olhos no mundo e há-de acabar assim, quando, já cansado de tanto o ver e surpreender, os fechar.

Miguel Torga, in Diário XVI

 

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O cemitério visigótico que Torga atrás refere, segundo o Portal do Arqueólogo, trata-se de uma Necrópole, localizada sob o Santuário de São Caetano, uma importante estação arqueológica romana e medieval. A primeira referência à estação arqueológica é feita pelo Coronel Mário Cardozo que interveio em 1942 quando as obras no santuário puseram a descoberto várias estruturas e sepulturas pertencentes a uma necrópole romana assim como um templo alti-medievo e uma necrópole alto-medieval com 27 sepulturas.

 

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Sem qualquer sombra de dúvidas que o São Caetano é um lugar de atração religiosa, devoção e culto mas que poderia muito bem ser também de atração turística, tanto mais que num raio de 2 quilómetros temos 3 santuários, o do São Caetano, da Srª do Engaranho (Castelões) e da Nossa Senhora da Aparecida (Calvão). Estes dois últimos localizados junto a aldeias bem interessantes, e o São Caetano também bem próximo, além destas últimas duas aldeias, num raio de 3 a 4 quilómetros tem igualmente aldeias interessantes e tipicamente transmontanas, barrosãs e galegas, a saber: Soutelinho da Raia, Couto de Ervededo, Agrela, Torre de Ervededo e Videferre, Espiño e Bousés, estas três últimas galegas. Poderão ver algumas destas aldeias num post que em tempos lhe dediquei neste blog, fica o link:

https://chaves.blogs.sapo.pt/a-galiza-aqui-ao-lado-aldeias-da-raia-1428927

 

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Claro que quando digo que estes locais poderiam ser pontos turísticos por excelência, não bastará indicá-los e localizá-los como tal, longe disso, pois primeiro há que fazer o trabalho de casa. Um trabalho conjunto que teria de envolver municípios e outras entidades, nomeadamente as responsáveis pelo turismo. Digamos que temos assim como um diamante em bruto que precisa de especialistas para o lapidar

 

 

E por hoje é tudo, ficam as referências às consultas:

 

BIBLIOGRAFIA

TORGA, Miguel - Miguel Torga Obra Completa, Diário (Volumes XIII a XVI), Circulo de Leitores, Rio de Mouro, 2001.

 

WEBGRAFIA

http://arqueologia.patrimoniocultural.pt/index.php?sid=sitios.resultados&subsid=55983

 

 

29
Dez18

Santiago do Monte - Chaves - Portugal

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Há caminhos que são mais caminhos que outros, isto, porque nos levam até mais destinos, porque os utilizamos mais vezes, porque são mais interessantes, porque neles acontecem coisas. O mesmo acontece com os lugares, localidades, aldeias, povoações.

 

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Ainda à cerca dos caminhos que são mais que outros, nem sempre os itinerários principais são mais que os secundários. Podem-no ser em movimento, número de utilizadores e melhor caminho para vencer quilómetros, mas não o são no resto, principalmente no ser interessante e no despertar em nós o prazer de os percorrer.

 

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Vem isto a respeito da nossa aldeia de hoje, Santiago do Monte,  em que simultaneamente passam por ela caminhos interessantes e se torna interessante por ser um entroncamento de caminhos interessantes, e não se deixem levar pelo topónimo de Santiago podendo pensar que me refiro aos caminhos de Santiago, não, longe disso, embora, também sejam caminhos de Santiago, como todos por aqui a nossa volta e se não o são, são caminhos e atalhos para apanhar os caminhos de Santiago.

 

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Um dos caminhos que pessoalmente integro nos caminhos que são mais que outros, por todas as razões que atrás apontei, é a Estrada Nacional 314, que em termos de importância rodoviária até foi desclassificada, deixando de ser estrada nacional, mas é por ela que vamos para a nossa aldeia de hoje e que podemos ir para mais de 50 aldeias do concelho de Chaves, mas também mais além, para terras de Valpaços, Murça, Alijó…

 

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É pela E314 que vamos até Santiago do Monte, ou seja, depois de Vilar de Nantes, Izei, Peto de Lagarelhos e Lagarelhos, temos Santiago do Monte, mas para tal temos que deixar a E314 logo a seguir a Lagarelhos e subir em direção à croa da Serra do Brunheiro, onde estão Maços e Carvela, mas sem lá chegar, porque pelo caminho temos a nossa aldeia, que faz entroncamento com outros dos tais caminhos que são mais que outros, que nos levam até todas as restantes aldeias da freguesia de Nogueira da Montanha, 11, no total.  

 

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Embora estas aldeias entroncamentos com vias de passagem para outras localidades tenham alguma vantagem por assim estarem localizadas, também têm as suas desvantagens, principalmente para a sua descoberta, pois sendo aldeia de passagem, passa-se, quase sempre com o tino noutro destino e não reparamos com deve ser nestas aldeias. Aconteceu comigo muitas vezes, em que passava por ela e apenas lhe deitava um olho, sem nunca ter despertado grande interesse, que o tem, mas que o oculta a quem passa.

 

1600-santiago (186)

 

Na primeira vez que lá parei para tomar algumas fotografias mudei de opinião, bastou estar lá uns minutos para começar a descobrir a verdadeira aldeia. Mas também as minhas primeiras paragens (2005, 2006 e 2008) não foram feitas com o tempo devido, partindo sempre sem o espirito de missão cumprida. Missão que quase cumpri, pois nunca se cumpre na totalidade.

 

1600-santiago (4)

 

Só  em junho de 2015, quando reservei toda uma manhã para apenas duas aldeias – Santiago e Alanhosa, é que entrei verdadeiramente nesta aldeia, e valeu a pena o tempo dedicado, não só por algumas imagens e descobertas, mas também pelo contacto com as pessoas, componente em que costumamos falhar, quer por falta de oportunidades mas também por falta de tempo para dedicar a conversas com os filhos destas aldeias, e não pensem que com uma manhã se fica a conhecer uma aldeia, longe disso, quando muito ficamos com uma leve ideia do ser da aldeia.

 

1600-santiago (181)

 

Cá de baixo desde o vale de Chaves, costumamos olhar para a Serra do Brunheiro e senti-la como nossa. Eu que nasci na sua proximidade e vivo nas suas faldas, sinto-a mais minha do que quando a avisto desde a cidade, mas a verdadeira serra está lá em cima, no seu alto planalto. Aí sim, é que ela se sente em toda a sua plenitude, em todo o seu rigor, aí é que se é verdadeiramente filho da serra num constante conflito de amor/ódio, por ser uma terra berço onde dói viver.

 

1600-santiago (46)

 

Daí em nada me admirar que os seus filhos aceitem o constante convite de abandonar terras que amam e partam em busca de melhores paragens, mas a minha vénia, essa, fica com os seus velhos, os resistentes, aqueles que ainda detêm os saberes e sabores da serra, que apenas resistirão enquanto os resistentes resistirem.

 

 

22
Dez18

Sanjurge - Chaves - Portugal

1600-sanjurge (210)

 

Como vem acontecendo há anos neste blog, os sábados são para as nossas aldeias, as do concelho de Chaves. Hoje vamos até Sanjurge, ou melhor, vamos mais uma vez até Sanjurge, pois esta aldeia é uma das que já passou por este blog várias vezes, e continuará a passar, pois é uma das aldeias que nos caiu em graça, que tem sempre vida dentro dela, mesmo que… ou com alguns mas… pois poderia ser bem diferente, com muita mais vida e mais interessante, tem todas as condições para ser uma aldeia modelo com a vantagem de ser à beirinha da cidade.

 

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Aliás Sanjurge, atualmente, é uma das aldeias que integra uma das freguesias urbanas da cidade, foi apanhada pela última reorganização das freguesias e anexada À freguesia de Santa Cruz/Trindade, a freguesia das grandes superfícies comerciais, do loteamento industrial e que acolheu o grande crescimento da cidade de Chaves nos anos 80/90 do século passado, mas desta freguesia até Sanjurge ainda há uma passo a percorrer, ou seja, foi anexada à grande freguesia da cidade, mas manteve-se e mantém-se lá no seu cantinho com o seu espirito de aldeia rural e a meu ver, muito bem, mesmo porque há uma barreira física entre Sanjurge e o resto da freguesia, uma barreira chamada autoestrada.

 

1600-sanjurge (182)

 

Dava uma excelente aldeia dormitório da cidade, que penso já o seja um pouco, embora não se note, pois quem entra na sua intimidade, nem sequer notamos que a cidade está mesmo ao lado. São as tais condições excelentes que tem, mas como se nota, a proximidade da cidade não é tudo, e acaba também por ser mais uma aldeia (no  seu centro histórico) com os mesmos problemas das aldeias mais distantes da cidade.

 

1600-sanjurge (117)

 

Quanto às imagens que hoje deixo da aldeia, não são as mais representativas daquilo que Sanjurge tem. Falta-lhe o grande largo atravessado pelo Rivelas  (suponho que o seja, e se não for é um dos seus efluentes), falta a igreja, falta o santuário paredes meias com a autoestrada, faltam algumas ruas da aldeia e até algum do seu casario mais marcante, mas tal como disse no início, Sanjurge é uma das aldeias que tem passado por aqui com alguma frequência, e imagens desses locais já as fui deixando aqui nos posts anteriores.

 

1600-sanjurge (156)

 

Hoje ficam algumas imagens que escaparam à seleção anterior e uma que até já é repetente, embora de ângulo diferente. Refiro-me à capela particular que abre hoje o post, que é lindíssima e que apenas lamento ser uma capela fechada, desconhecendo mesmo como é o seu interior e se o mesmo ainda existe como capela.

 

1600-sanjurge (131)

 

Por último fica uma composição, tipo uma história, tipo um filme, tipo qualquer coisa que nem eu sei o que pretende ser, dada em duas tranches, tudo porque após a conclusão da primeira (tranche), apercebi-me que faltava uma passagem da história, filme ou seja lá o que é, e vai daí completá-la, mas como a outra já estava feita, para não se estragar, também aqui fica.

 

1600-sanjurge (149)a154

 

Então, suponhamos que é uma história, daquelas que começa por:

 

Era uma vez uma rua de uma aldeia, chamava-se Rua das Cerdeiras, sem cerdeiras, nela apenas a paz santa do silêncio de naquele momento nada acontecer, na rua e nesta aldeia com nome também santo -  São Jurge. Mas eis que num sussurrar, parecendo aparecer do nada, um homem surge, com uma corda numa das mãos, parecendo com ela guiar qualquer coisa, é então que surge um burro, parecendo que vai atrás do homem, ainda sem percebermos que logo a seguir surge uma carroça, também ela parecendo silenciosa com os seus pneus de borracha para não quebrar o silêncio que após a sua passagem, surge por inteiro, caindo a tela, com o habitual FIM (The End).

Moral da história ou filme!?, pois não há, porque a história não está completa, falta-lhe uma imagem.

 

1600-sanjurge (149)a154-1

 

Agora sim, com a imagem em falta, a composição, tipo história, tipo filme, fica assim:

 

Era uma vez uma rua de uma aldeia, chamava-se Rua das Cerdeiras, sem cerdeiras, nela apenas a paz santa do silêncio de naquele momento nada acontecer, na rua e nesta aldeia com nome também santo -  São Jurge. Mas eis que num sussurrar, parecendo aparecer do nada, um homem surge, com uma corda numa das mãos, parecendo com ela guiar qualquer coisa, é então que surge, preso à corda do homem, a cabeça de um burro que acaba por se revelar ter corpo também,  um burro inteiro, parecendo que vai atrás do homem, mas ao mesmo tempo, parecendo que traz alguma coisa atrás de sí, e eis que surge uma carroça, também ela parecendo silenciosa com os seus pneus de borracha para não quebrar o silêncio que após a sua passagem, surge por inteiro, o silêncio, caindo a tela, com o habitual FIM (The End).

 

O Título da história ou do filme é: “Parecendo surge em São Jurge” e continua sem ter moral…

 

Estava o post a correr tão bem para descambar assim! Talvez o filme se devesse chamar “Efeitos Secundários” da medicação que ando a tomar para a constipação que nem sei se é gripe, mas seja como for, e para rematar, gostei da sequência de imagens, daí a composição, apenas, sem história e sem filme, esqueçam os últimos parágrafos.

 

Até amanhã e Boas Festas!

 

15
Dez18

Sanfins da Castanheira - Chaves - Portugal

1600-sanfins (97)

 

Na nossa habitual ronda pelas aldeias do concelho de Chaves, hoje vamos até Sanfins da Castanheira que como o apelido do topónimo indica, é mais uma das aldeias de terras da Castanheira, algumas adotando o mesmo apelido, tais como Cimo de Vila da Castanheira e Santa Cruz da Castanheira, e outras com apenas o nome próprio como topónimo, como Parada, Polide e Mosteiro.

 

1600-sanfins (31)

 

Como curiosidade, que em mim gerava alguma confusão aquando ainda andava na fase de descoberta das nossas aldeias, é o facto de não haver separação física entre as aldeias de Cimo de Vila e Sanfins, que para um desconhecedor desta particularidade, entenderá as duas aldeias como apenas uma.

 

1600-sanfins (91)

 

Sanfins é uma das aldeias que já há muito é nossa conhecida, pelo menos de passagem, pois ainda no tempo em que as festas das aldeias onde tínhamos amigos e colegas,  faziam parte da nossa agenda de verão, para uma delas (Stª Cruz da Castanheira) tínhamos obrigatoriamente de passar por Sanfins. Mas não só, também por motivos profissionais, calhava no nosso itinerário para atingirmos as aldeias de Mosteiro, Polide, Stª Cruz e Parada, para além da própria aldeia de Sanfins. Contudo, só desde que temos o blog é que iniciámos os nossos registos fotográficos da aldeia, geralmente também de passagem para as outras aldeias. Assim foi em 2007, em 2010 e 2012, mas nunca chegou a ficar completo. Geralmente é este o problema das aldeias de passagem, como passamos tantas vezes por elas, vamos adiando a nossa recolha para a próxima vez.

 

1600-sanfins (35)

 

Assim na seleção fotográfica de hoje, há fotografias de há 11 anos e as mais recentes de há 6 já a caminho dos 7 anos. Um dia destes temos de voltar por lá e parar para descobrir o que há ainda para descobrir.

 

1600-sanfins (8)

 

Quanto ao topónimo SANFINS é muito vulgar em Portugal mas também na Galiza e restante Espanha. Sobre o topónio a Infopédia refere o seguinte:

 

Do baixo-latim Sancto Felice, 'o lugar de São Félix'. Também se encontra na Galiza, sob as formas San Fins e San Fiz, na Catalunha sob a forma San Felíu e no resto de Espanha como San Felices.

 

Nas nossas voltas pelo Barroso já passámos e trouxemos aqui ao blog uma aldeia com a outra variante deste topónimo, a aldeia de São Fins.

 

1600-sanfins (113)

 

Sanfins da Castanheira localiza-se em terras da Castanheira, em terras não muito acidentadas e rodeada de uma pequena depressão do terreno no grande planalto da montanha, com bons terrenos agricolas, mas à beirinha do mar de montanhas que entra por terras de Vinhais adentro.

 

1600-sanfins (102)

 

E é tudo, quase nada, eu sei, mas como já não é a primeira vez que trazemos aqui esta aldeia, nem será a última. Para saber mais sobre ela, pela certa aparecerá a seguir a este post um link aos posts anteriores.

 

 

 

Nossas consultas:

Sanfins in Dicionário infopédia de Toponímia [em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2018. [consult. 2018-12-15 05:04:15]. Disponível na Internet:  https://www.infopedia.pt/dicionarios/toponimia/Sanfins

 

08
Dez18

Sandamil - Chaves - Portugal

1600-sandamil (25)

 

E porque hoje é sábado, vamos até mais uma das nossas aldeias do concelho de Chaves, desta vez, calha vir aqui Sandamil, da freguesia de Nogueira da Montanha, que fica ali onde bem na croa da Serra do Brunheiro, onde a serra parou de crescer para se transformar em planalto.

 

1600-sandamil (34)

 

Como a intenção deste trazer aqui as nossas aldeias é múltipla, ou seja, primeiro para as dar a conhecer, segundo para marcarem o seu lugar na WEB, terceiro como um convite a uma visita, nem há como a localizar devidamente e traçar-vos um itinerário para lá chegar. Pois embora já atrás tenha ficado a indicação que Sandamil fica no planalto do Brunheiro, este, tem uma dimensão considerável, entrando mesmo em terras de Valpaços, daí serem necessárias mais algumas indicações. Pois para lá chegarmos (a parti de Chaves), devemos subir a EN314 (Chaves-Carrazedo de Montenegro), passamos Vilar de Nantes, Izei, no Peto de Lagarelhos seguimos pelo lado esquerdo, passamos Lagarelhos e antes de chegarmos a France, logo após as “bombas de gasolina”, viramos à esquerda, seguindo por uma reta que se perde na croa de uma pequena elevação para logo a seguir começar a descer até chegar a um cruzamento onde encontrará a seguinte placa:

 

1600-sandamil (86)

 

Já lá estamos. O que há a dizer sobre a aldeia, já o fui dizendo em anteriores post´s dedicados a Sandamil, pela certa que logo a seguir a este post, o algoritmo da SAPO irá deixar as anteriores abordagens que fiz à aldeia, se tiverem curiosidade, nem há como clicar no link e ir ver o que por lá deixei. Hoje vou abordar outro tema que se prende com o topónimo SANDAMIL, pois tenho sempre curiosidade em saber ou tentar saber qual a sua origem.

 

1600-sandamil (75)

 

Pois bem, se fizermos uma pesquisa na net pelo seu significado, na infopédia encontramos o seguinte:

 

“Do baixo-latim [Villa] Sandemiri, 'a quinta de Sandemiro'. Encontra-se também na Galiza, e tem as variantes Sandomil, Santomil e Santosmil.”

 

1600-sandamil (51)

 

Já na “toponímia galego-portuguesa e brasileira”, um blog que se dedica à toponímia, encontrámos o seguinte:

 

Sandamil (Pt. e Gz.) - existe a variante Sandamiro (Gz.). do antropónimo germânico Sandemiru

 

E acrescenta ainda:

 

Topónimos terminados em "-mil"


Não seriam muitos, mas não há dúvida que vieram para possuir a terra. ao contrário dos romanos, que administravam territórios com a cobertura do poderio militar (sendo proporcionalmente poucas as villae, quintas ou fazendas de romanos de raiz), os novos senhores germânicos instalaram-se aqui para fazer da nossa terra a terra deles também. como senhores, é bom de ver. a toponímia galego-portuguesa não me deixa mentir: os "...ar", "...ães", "...ufe", "...ulfe", "...inde", "...ende", "...iz", e agora os "-mil", não serão milhares mas são realmente muitos. traduzem uma vivência rural, uma opção pelo campo em desfavor das cidades - onde os romanos vencidos tinham preferido viver até então. colapsam as "Bragas" e "Idanhas", desaparecem cidades, perde-se o fio à meada no Itinerário de Antonino. a vida retorna à terra-mãe, ao seio da natureza. as relações de poder de tipo administrativo passam agora para relações de poder de carácter ético e moral.
Da língua deles, incompreensível a nativos e romanos (que lhes chamavam bárbaros, por causa do blá-blá inentendível que soltavam das goelas), restam estes topónimos no genitivo latino: "(propriedade) de f..."
Aprenderam o latim, mas como os romanos já não mandavam para os corrigir, o latim deles, mais o dos nativos, deu em galego-português. e não está nada mal, ficou até legal. bem melhor que o inglês, que o diabo o fez (*).


A nota de rodapé também fica (no rodapé, claro), não só por concordar com ela, mas também pelo sentido de humor do autor.

 

1600-sandamil (57)

 

Por sua vez, o autor de um outro blog ( O Galaico), num comentário ao texto anterior,  deita mais achas para a fogueira, dizendo ao respeito:

 

Os topónimos que acabam por Mil tem muitas vezes origem em locais onde o exército romano tinha recrutado forças para as suas legiões.

A troco de soldo ou à força, as terras que doaram significativa parte da sua população as ordens do invasor ganharam por vezes o tal MIL no fim.

Mil de Militares...

 

1600-sandamil (33)

 

Ora esta última leva-nos a ir à procura do significado de SANDA ao qual se teria acrescentado MIL, que no Priberam nos leva até ao verbo SANDAR, com o seguinte significado:

 

san·dar  (talvez de sarar) - verbo intransitivo - [Portugal: Minho]  Sarar ou melhorar.

 

Sandamil, pelo menos para curar os males do nevoeiro do vale de Chaves, encaixa na perfeição nesta definição, e se o rigor do frio dos seus invernos cura tão bem os presuntos, as chouriças, os salpicões e as alheiras, porquê não nos curar (sarar) a nós também!?... Mais uma acha prá fogueira.

 

Claro que na busca da origem das coisas, às vezes em vez de esclarecer só se complica, mas pelo menos fica uma base para partirmos à descoberta, no entanto, também se pode dar o caso de a origem ser outra qualquer.

 

1600-sandamil (28)

 

As nossas consultas:

 

- Sandamil in Dicionário infopédia de Toponímia [em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2018. [consult. 2018-12-08 04:01:25]. Disponível na Internet:  https://www.infopedia.pt/dicionarios/toponimia/Sandamil

 

- "sanda", in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2013, https://dicionario.priberam.org/sanda [consultado em 08-12-2018].

 

- https://dicionario.priberam.org/sanda

 

- http://toponimialusitana.blogspot.com/

 

 

(*) tendo em conta que essa erva-daninha se tornou obrigatória nas culturas em Portugal desde a escolaridade básica, e que já ninguém é capaz de escrever coisa que se veja senão nessa espécie de língua, calcula-se que as próximas Comunicações de Ano Novo dos senhores Presidente da República e Primeiro Ministro sejam proferidas em Inglês, para poupar dinheiro ao Défice e evitar calinadas, pontapés na gramática e os inefáveis "controlos" e "impactes".

 

 

 

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