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CHAVES

Olhares sobre o "Reino Maravilhoso"

13
Abr19

Santa Ovaia - Chaves - Portugal

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Com a nossa aldeia de hoje, Santa Ovaia, terminamos todos os topónimos do concelho de Chaves com nome de santo ou santa, ao todo são 18 as localidades que utilizam nomes de santa(o)s. E por sinal, esta última, tem-nos dado que fazer, tudo porque tal como fizemos com as outras santas e santos, quisemos saber quem foi a Santa Ovaia, mas não o conseguimos totalmente.

 

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Ficamos a saber, isso sim, que é um topónimo utilizado por várias localidades de Portugal e até o encontrámos em apelidos de pessoas (como Sant’Ovaia), embora o nome e termo OVAIA não exista no português atual, nem nos dicionários em papel (pelo menos nos que consultei), no entanto já encontrei Santa Ovaia no dicionário infopédia online.  

 

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Na infopédia aparece o termo Ovaia com o seguinte significado:

“Variante popular de Eulália, de que também se conhece a forma Vaia, menos frequente. Hoje é raríssima como antropónimo, mas subsiste nos topónimos Santa Ovaia dos concelhos de Chaves, Felgueiras, Marco de Canaveses, Oliveira do Hospital, Santa Maria da Feira e Tondela.”

 

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Já no que respeita ao topónimo, a mesma ifopédia diz-nos:

O topónimo indica a existência de uma capela de Santa Eulália. O antropónimo Eulália aparecia no português arcaico como Olaia, Olalha e Ovaia, segundo as influências regionais. Tem a variante Santa Valha.

 

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Santa Olália, Santa Valha, Santa Ovaia e ainda existe a outra variante que está na placa da entrada da aldeia, como Santa Obaia, com B em vez de V, mas este será mesmo erro de quem pintou a placa. Mas embora o termo OVAIA não exista em português, já existe noutras línguas, como por exemplo em italiano em que Ovaia tem o significado de ovário.

 

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Também em todas as fontes que investiguei onde referem e têm uma listagem com os nomes de todos os santos, Santa Ovaia nunca aparece, pelo que, pessoalmente, e até melhor opinião, fico-me por aquilo que me parece mais provável, o de Ovaia ser uma variante popular de Eulália.

 

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Mas vamos então até Santa Ovaia que pertence à freguesia de uma outra Santa, a Leocádia.  Já ficamos assim a saber pra que lados fica a nossa aldeia de hoje, mas para ser mais em pormenor, eu diria que fica num dos locais mais verdes que conheço neste concelho de Chaves, localizada numa pequena baixa com um pequeno vale, entre montanhas igualmente vestidas de verde, que a abrigam e acolhem. As primeiras fotografia corroboram aquilo que digo, mas in loco e na primavera, ainda com o verde virgem dos primeiros dia, a coisa é mesmo bonita de ser ver, sentir e até ouvir as melodias que os habitantes (passarada) desde esses verdes emitem ou fazem soar no ar. Claro que as palavras e mesmo as imagens que vos deixo ficam muito aquém da realidade.

 

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Com tanto elogio ao verde, às melodias e aconchego até pode parecer o paraíso, mas pelos vistos é pouco convidativo a que se fique por lá, a viver, respirar, ver e ouvir. É uma aldeia de montanha interior, relativamente longe da sede de concelho que cada vez se torna menos acessível para quem lá vive, a não ser que tenha viatura própria para descer ao vale de Chaves quando necessita, dai não se estranhar que metade do casario da aldeia esteja abandonado e/ou em ruínas e que os seus poucos resistentes sejam maioritariamente idosos. Nisto, Santa Ovaia não é exceção ao que acontece à grande maioria das aldeias de do interior norte.

 

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Mas, mesmo sendo uma aldeia com pouca gente, de todas as vezes que lá fomos encontrámos sempre alguém na rua para conversar um bocadinho, ao contrário de outras (muitas) em que entramos, andamos por lá e saímos sem ver vivalma.

 

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Que mais dizer sobre a aldeia, pois para além do aconchego da sua localização e do verde que a rodeia e invade, agrada-me também  o seu conjunto de casario e até a simplicidade e enquadramento da pequena capela.

 

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Se quiser ir até lá, não há nada que enganar, basta tomar a Estrada 314 (a que passa por Carrazedo de Montenegro) subi-la sempre até chegar ao Carregal onde terá que a abandonar, virando à direita, logo a seguir passa ao lado de Adães, e começa a descer a encosta da montanha, quando terminar de descer estará num cruzamento cujas placas deverão indicar pra um lado a aldeia de Matosinhos e Fernandinho e pró outro, Vale do Galo e Dorna. Pois ao estar nesse cruzamento já está em Santa Ovaia. Ao estar por lá, desfrute também dessa pequena região de aldeias de montanha cuja paisagem é muito singular e onde o castanheiro se outras espécies autóctones se vão impondo com o seu verde, mesmo havendo alguns pinheiros pelo meio, mas em quantidades q.b. que não incomodam.  

 

 

As nossas consultas:

Santa Ovaia in Dicionário infopédia de Toponímia [em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2019. [consult. 2019-04-13 04:23:16]. Disponível na Internet: https://www.infopedia.pt/dicionarios/toponimia/Santa Ovaia

 

06
Abr19

Santa Marinha - Chaves - Portugal

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Depois de já termos passado pelas terras de todos os santos do concelho de Chaves, estamos agora a entrar na reta final das santas, hoje é a vez da Santa Marinha, sendo a santa que se segue,  a Santa Ovaia. Mas hoje ficamos por Santa Marinha, uma das aldeias da freguesia de Nogueira da Montanha, do planalto da Serra do Brunheiro, deste nosso concelho de Chaves.

 

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Iniciemos por conhecer Santa Marinha, mesmo a santa que dá o seu nome a nossa aldeia de hoje e que por sinal até é um topónimo mais ou menos frequente em Portugal, sendo a mesma santa, por exemplo, que dá nome à freguesia de Vila Nova de Gaia onde se localizam as caves do Vinho de Porto.

 

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Íamos e vamos então conhecer a Santa Marinha que tem uma história curiosa com muitos traços da nossa lenda flaviense da Maria Mantela, só que aqui a história faz-se com raparigas e não com rapazes, como acontece com a Maria Mantela (lenda) e também o fim delas, que acabaram todas martirizadas e santas foi diferente das dos nossos rapazes, que apenas se ficaram por padres, quando ao resto, vejam já a seguir.

 

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Pois reza assim a história:

Santa Marinha, virgem e mártir. Diz a tradição que tinha oito irmãs gémeas: Basília; Eufémia; Genebra; Liberata (também conhecida como Vilgeforte); Marciana; Quitéria e Vitória.

 

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A lenda atribui-lhes a naturalidade na cidade de Braga, no ano 120. Seriam filhas de um casal de pagãos, Calcia e de um oficial romano, Lúcio Caio Atílio Severo, régulo de Braga, o qual, quando elas nasceram, estaria ausente da cidade. Entretanto, na cidade, não se acreditava que as gémeas pudessem ser filhas do mesmo pai. O acontecimento causou enorme embaraço à mãe que, teria encarregado a parteira Cita, de as afogar. Em vez disso a mulher, que era cristã, levou-as ao Arcebispo Santo Ovídio, para que as batizasse e lhes desse destino. Foram então entregues a amas cristãs, crescendo e vivendo perto umas das outras, até aos 10 anos de idade.

 

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E continua assim a história:

Por esse tempo, o César romano ordenou aos delegados imperiais para ativarem a perseguição aos cristãos na Península Ibérica. Nessa perseguição, os soldados viriam a descobrir as gémeas, que foram detidas mercê das suas crenças, sendo levadas à presença do régulo. Este, acabou por constatar que elas, afinal, eram suas filhas. Quis convencê-las a renunciar à sua fé e a abraçar o paganismo. Porém, em face da sua resistência, mandou detê-las e enclausurá-las no Palácio. Sucedeu que as prisioneiras durante a noite, por intervenção sobrenatural ou com a ajuda da própria mãe, lograram alcançar a liberdade. Correndo em várias direções chegaram a províncias espanholas, donde se dispersaram. Todavia, Santa Marinha, teria sido apanhada nas proximidades de Orense, em Águas Santas, e condenada à morte, sendo aí degolada em 18 de Julho do ano 130, vindo as suas irmãs a ser também martirizadas.

 

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Seja como for, Santa Marinha acabou por ser o topónimo da nossa aldeia de hoje. Uma pequena aldeia do Planalto do Brunheiro, implantada junto a um cruzamento que com estradas/caminhos que a ligam às aldeias mais próximas de France, Sandomil, Amoinha Velha e Amoinha Nova, esta última já do concelho de Valpaços, terra da famosa Bruxa da Amoinha.

 

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A aldeia de Santa Marinha implanta-se ao longo da estrada em dois pequenos núcleos, um mais antigo à volta da capela e um de construções recentes, mas ao todo são apenas cerca de 30 construções, contando habitações, armazéns, anexos e a capela, a caber tudo num círculo de 150m. Mesmo assim, não é a aldeia mais pequena do concelho, aliás todas estas aldeias da freguesia de Nogueira da Montanha, são muitas (11 no total) mas todas pequenas aldeias, talvez a exceção vá mesmo para Carvela já com dimensões médias.

 

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Imagem do Google Earth

Claro que não vou recomendar uma visita obrigatória e propositada a Santa Marinha, pois a aldeia vê-se em 5 minutos e pessoas também poucas há, pelo menos na rua, mas pode acontecer que haja e com quem até podemos conversar um bocadinho, mesmo assim, também não vamos ficar uma tarde ou uma manhã a conversar, mesmo porque as pessoas tem os seus afazeres e há que respeitar a vidinha deles. Sempre pode dar dois dedos de conversa com os gatos, pelo menos eu falo com eles e eles até parece que me ouvem, isto se acordarem...

 

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E poderão perguntar: - Então esta aldeia não é para visitar!? Claro que é, mas para aproveitar o tempo, que é sempre precioso (pelo menos para mim é) programe logo uma manhã ou uma tarde, ou até ambas, para visitar a toda a freguesia, e ai já terá 11 aldeias para visitar, e esta (visita) sim, recomendo, pois a freguesia tem por lá algumas coisas interessantes, como a igreja de Nogueira da Montanha e o seu castanheiro milenar (dizem!) capelas, cruzeiros, alminhas e sobretudo paisagens e muito casario tipicamente transmontano. Claro que algum desse casario está abandonado, outro em ruínas mas também as há de pé. Quanto ao povoamento, a palavra evoluiu para despovoamento, sendo Nogueira da Montanha uma das freguesias onde mais se faz sentir.

 

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Despovoamento, sim, não pelas terras que até são cultiváveis e dão produtos de qualidade, tal como a batata, mas são terras difíceis de viver, principalmente os Invernos rigorosos não são muito convidativos para se permanecer por lá, pelo menos ao ar livre e o seu rigor tanto se faz nas noites frias de geadas, como debaixo de nevoeiros que para nós, cá de baixo desde o vale o vemos como nuvens que se abatem sobre a serra.

 

Consultas:

http://www.memoriaportuguesa.pt/santa-marinha em 06/04/2019

 

30
Mar19

Santa Leocádia - Chaves - Portugal

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Hoje é a vez de irmos até outra aldeia “santa” do concelho de Chaves, a Santa Leocádia, no limite do concelho de Chaves, ali já para os lados de terras de Montenegro, não as de São Julião mas as de Carrazedo do concelho de Valpaços.

 

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Para chegarmos até Santa Leocádia temos de tomar uma das nossas estradas de montanha que a mais aldeias do concelho nos conduz, a única estrada do concelho que num sentido é sempre a subir e no outro, sempre a descer (claro!). É a estrada que nos leva até ao planalto do Brunheiro e um dos acessos para o concelho de Valpaços, refiro-me à EN314, com título de estrada nacional embora tivesse sido desclassificada para estrada municipal.

 

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Bem, mas para chegarmos até à nossa aldeia de hoje temos que, antes de lá chegar,  abandonar a EN314 e entrar para o interior. Temos duas opções, uma abandonamos a estrada no Carregal, entramos em Adâes, atravessamos esta e logo a seguir vemos lá no cimo Santa Leocádia. A outra opção é continuarmos até Fornelos, abandonar aí a estrada para o interior e logo a seguir é Santa Leocádia. Pessoalmente prefiro a primeira opção, via Adães, isto porque começo a avistar a aldeia ao longe, pois pela segunda opção, só damos pela aldeia só, ou quase, quando estamos em cima dela, mas há outra razão, que explico já a seguir.

 

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Quando as vistas se estendem pelo horizonte adentro até a terra começa a ficar azul e quase se confunde com o céu, temos tendência a apreciar essa maravilha que a natureza nos proporciona e esquecemos os pormenores que temos ali mesmo ao pé de nós. Esta será a vista que nós iremos ver se tomarmos Santa Leocádia via Fornelos e é por essa razão que eu prefiro a outra entrada na aldeia, via Adães, pois aí esta maravilha distante da natureza ficará nas nossas costas, sem a vermos, mas ganhamos as vistas de outras maravilhas que se começam a avistar desde Adães, uma delas são as vistas sobre as duas Santas Leocádias (a seguir já explico isto…) e a outra é sobre uma construção que lá no cimo sobressai e que dá pelo nome de Igreja Românica de Santa Leocádia, para mim a mais bonita e interessante das igrejas românicas que temos no nosso concelho, por várias razões, e uma delas tem a ver precisamente com a sua vistosidade[i] , outra com a própria igreja, outra com os preciosos frescos que se podem apreciar no seu interior, outra com o pormenor do cruzeiro se desviar e inclinar para deixar ver a torre sineira e por último porque é desde a igreja que a outra vista maravilhosa que se perde no horizonte melhor se vê.

 

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Quanto às duas Santas Leocádias não são mais que os dois pequenos núcleos de concentração de casario que a aldeia tem, quase parece a Santa Leocádia de cima, composto pelo núcleo que se desenvolve à volta da igreja onde está também a residência paroquial, o cemitério e um pequeno conjunto de casas. E a Santa Leocádia de baixo onde penso estar o núcleo mais antigo da aldeia, mas isto sou eu a supor que no passado a aldeia seria este pequeno núcleo e lá em cima seria apenas a Igreja e a residência paroquial, o cemitério e o restante casario teriam aparecido depois, suponho. Quanto ao cemitério tenho a certeza, pois antigamente a igreja também tinha a função de ser cemitério, aliás nesta igreja de Santa Leocádia ainda há sepulturas no seu interior.

 

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Quanto ao casario da aldeia, são mesmo dois pequenos núcleos de construções maioritariamente antigas, pois ao que parece a aldeia não se mostrou muito convidativa a receber as novas construções que no último quartel do século passado  popularam um pouco por todo o lado, o que aqui até é mais ou menos compreensível tendo em conta a maleita do despovoamento rural que nas pequenas aldeias é mais fácil de acontecer, Assim, o casario não atinge a grandiosidade das vistas e da Igreja Românica mas é igualmente grande ao manter a sua integridade com aldeia transmontana, não digo típica, porque esta, com os seus dois núcleos, até é atípica.

 

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Qua mais dizer sobre a aldeia!? Pois mais nada, se quiser saber o resto vá até lá e descubra por si, e com esta não estou a ser mauzinho, nada disso, antes pelo contrário, é um convite, tipo conselho para que não deixe de visitar esta aldeia de visita obrigatória, e vá por cima ou por baixo, o que interessa mesmo é ir. Não deixe de visitar um dos mais belos exemplares que temos de arquitetura religiosa do românico, principalmente após o restaura a que esta igreja foi sujeita e que deixou a descoberto os frescos do seu interior. Na deixe de visitar o interior. Por sorte, na maioria das vezes que lá fui apanhei quase sempre a igreja aberta, mas se estiver fechada, pergunte na aldeia que tem a chave, pois pela certa que terão todo o gosto em abri-la e mostrar o seu interior.

 

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E fico-me por aqui, as imagens hoje ficam aos molhos pois embora ainda houvesse mais para dizer, e palavras para intercalar entre imagens, já fui dizendo o que havia a dizer sobre a aldeia em posts anteriores a ela dedicados e depois hoje quero mesmo realçar as três preciosidades da aldeia, ou sejam, os seus núcleos, a Igreja Românica e as maravilhosas vistas que desde ela se alcançam.

 

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Um bom fim de semana e não esqueça que na próxima noite muda a hora, ou seja na próxima noite não vamos ter a 1 da manhã, da meia-noite passamos para as 2 da manhã,  o que faz com que este domingo tenha apenas 23 horas e menos 1 hora de sono, é desta parte que não gosto…

 

 

 

[i] Pelos vistos este termo não existe em português, e temos pena, mas fui buscá-lo aqui ao lado, aos nossos irmãos galegos que ainda falam parte do nosso português antigo, e aí sim, a vistosidade existe e tem o significado que tem de ter, pois tem o significado de: “ qualidade de ser vistoso”

 

24
Mar19

Santa Cruz da Castanheira - Chaves - Portugal

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E cá estamos com mais uma aldeia do concelho de Chaves, ainda por terras santas, pelo menos no topónimo que foi adotado para a aldeia, e embora esta nem seja de santo ou santa em forma de gente, é-o em forma de cruz, ou seja, vamos até Santa Cruz, que por ser de terras da castanheira, leva ainda com o seu apelido – Santa Cruz da Castanheira, o que até dá jeito para a distinguir da outra localidade do concelho de Chaves com o mesmo topónimo – Santa Cruz, esta sem apelidos. Refiro-me a Santa Cruz da freguesia de Santa Cruz, Trindade e Sanjurge.

 

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Desta vez trocamos aqui as voltas. Hoje deveríamos ter aqui uma aldeia do Barroso, pois a de Chaves, deveria ter sido ontem, no entanto para este blog ter imagens, de vez em quando, temos que ir à caça delas, e como ontem foi dia de caça, não nos pudemos dedicar ao blog. Não pôde ser ontem, mas pode ser hoje. A aldeia do Barroso, fica para o próximo domingo.

 

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Vamos então até Santa Cruz da Castanheira que em imagem começámos com uma vista geral sobre a aldeia, tomada, se não me engano, desde a aldeia vizinha de Sanfins da Castanheira. Aldeia que tem uma igreja (ver primeira imagem) com uma torre sineira muito singular. Eu, em tom de brincadeira e sem qualquer ofensa, costumo dizer que é do estilo pombalino, mas não é bem o que Sebastião José de Carvalho e Melo (1699-1782), o Marques de Pombal, utilizou na reconstrução de Lisboa, não, não é esse, este é mesmo estilo de pombal de pombas, senão repare-se na imagem seguinte onde estão duas torres pombais, existentes e localizadas a 900 metros a poente da igreja.. Da duas uma, ou a torre da igreja foi beber inspiração aos pombais ou estes o foram beber à torre da igreja. Isto é apenas uma curiosidade, mas que a torre sineira é singular, lá isso é, o que até é bom, pois é diferente de todas as outras.

 

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Mas entremos em Santa Cruz da Castanheira, uma das aldeias que já conheço desde os anos setenta do século passado, tudo por causa da sua festa e de uma família amiga que temos nesta aldeia, pela qual fomos então convidados, mais precisamente uns colegas de liceu que simultaneamente também moravam no meu bairro.

 

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Mas dessa Santa Cruz da Castanheira pouco recordo, a não ser uma aldeia longe de Chaves, que afinal não é assim tão longe, mas os acessos da altura faziam-na mais longe. A verdadeira descoberta da aldeia já é mais tardia. A primeira vez que lá fui em recolha de imagens foi em 2007, depois em 2008 e as últimas lá recolhidas são de 2012, mas já passei por lá muitas mais vezes, por é de passagem obrigatória para ser ir a outra aldeia, Parada, ou mesmo pró São Gonçalo, embora este último tenha a alternativa voa Orjais. Curiosamente as imagens de hoje são todas de 2007 e 2008. Ou seja, todas com mais de 10 anos, o que faz com que os rapazes que aparecem na próxima imagem, hoje já tenham barba e já andem a rondar os vinte anos de idade.

 

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Rapazes que na altura não me ligaram puto, eles andava pra lá nas suas brincadeiras e isso é que interessava, e muito bem, embora se possa brincar toda a vida, em criança e jovem adolescente as brincadeiras têm outro sabor, então as brincadeiras de rua tem sabor reforçado e o mais engraçado é que na maioria das vezes se brinca ou brincava sem brinquedos, pelo menos com brinquedos convencionais, quando muito uma bola já chegava e qualquer cantinho da rua servia, de preferência se não houvesse envidraçados por perto, mas às vezes lá calhava e lá ia um ou outro vidro à vida. Os rapazes não me ligaram puto, mas fiquei agradado por ver que em Santa Cruz da Castanheira a rapaziada ainda brincava na rua.

 

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Mas não era só os rapazes que andavam na rua, as pitas pedreses também andava e igualmente, também não me ligaram puto, lá continuaram a esgaravatar o chão à procura de migalhas e bicharocos ou mesmo gãos de areia para o seu papo. Também são do meu tempo estas raparigas pedreses e estava-lhes sempre reservado um fim especial, penso que era para alheiras, mas sei que dava sempre uma boa canja.

 

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Já as vacas, o cavalo e os burros que também lá estavam mas não ficaram na imagem, embora vedados, gozavam toda a liberdade do lameiro e igualmente não me ligaram puto mas também não ligavam puto ao guardador, que nem era necessário, penso que estava lá mais numa de meditação do que de guardador, quando muito estava à espera que as reses enchessem o bandulho para as levar de volta à corte, mas não o sei, pois eu também andava na minha vida…

 

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Enfim, uma verdadeira aldeia que além disso tinha um café onde parávamos para uma mini fresquinha ou mesmo um simples café, mas era também pretexto para dar dois dedos de conversa com o seu proprietário que por sinal era primo dos meus amigos de liceu. Estou a conjugar os verbos no passado porque como já não vou por lá há mais de 10 anos não sei se o café ainda existe, suponho que sim, mas 10 anos numa aldeia de hoje é muito tempo, só mesmo os resistentes se conseguem manter por lá tanto tempo.

 

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E foi tudo por hoje, mas estou em crer que não será a última vez que Santa Cruz da Castanheira estará por aqui, aliás quando esta ronda por todas as aldeias do concelho terminar, já há projeto para outra ronda, remodelada e um pouco diferente, mas ainda só está em projeto. Garantia é que os fins-de-semana deste blog são do mundo rural, o nosso do concelho de Chaves, mas também um pouco mais distante, onde o da região e concelhos vizinhos também têm lugar. Andamos a tratar disso, assim tenhamos saúde e condições para o fazer, pois este blog veio para ficar.

 

 

16
Mar19

Santa Bárbara - Chaves - Portugal

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Depois de termos passado por todas as nossas aldeias do concelho de Chaves com nome de santo, chegou a vez das santas. Eu sei que as santas deveriam ter vindo aqui primeiro, mas erro na ordenação do nosso arquivo fez com que os santos aparecessem primeiro. Foi uma exceção à ordem alfabética e como não há uma sem duas, a exceção de hoje chama-se Santa Bárbara, que não é aldeia, mas uma pequena capela na croa dum monte desde onde se avista o mundo todo. É por essa, pela paz que lá se vive e por alguns pormenores que gosto de ir por lá de vez em quando.

 

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Aqui vão ficando as provas de que, desde a Santa Bárbara, se vê o mundo todo, ou pelo menos aquilo que às vezes nos parece a uma certa distância, afinal é aqui tão perto, como o Barroso Da imagem que fica atrás, com a Serra do Larouco ao fundo e em primeiro plano a aldeia, ainda flaviense, de Casas Novas.

 

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Se rodarmos o olhar 90º em relação à imagem do Barroso, nesta imagem que agora fica, chegamos até Vila Pouca, com a aldeia de Oura lá ao fundo, antes da primeira montanha com as curvas do Reigás a dirigirem-se para a reta e vale de Saboroso. Curioso nesta imagem é que se vê mesmo para além de Vila Pouca, incluindo o viaduto da autoestrada que atravessa o vale de Vila Pouca. Quer-se dizer, talvez não vejam, mas está lá, senão vejam a seguir a ampliação da última imagem:

 

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Está lá ou não!? Claro que está, o que é preciso é ter olho para o ver, já a cidade de Chaves está bem mais próxima e é também desde Santa Bárbara que temos uma das mais belas vistas panorâmicas sobre a nossa cidade:

 

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Mais próxima ainda fica a aldeia de Ventuzelos, a umas escassas centenas de metros tendo a Serra do Brunheiro de fundo. Ventuzelos à qual pertence esta Santa Bárbara que por estar na croa do monte está mais próxima do Céu, pelo qual passam quase todos os aviões que vindos da Europa se dirigem para o Porto (suponho). É uma autêntica autoestrada de aviões sempre a passar que também ficam mais perto do nosso olhar.

 

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Quanto à Santa Bárbara, lugar e assim uma espécie de pequeno santuário, é copos por uma casa de esmolas com um pequeno alpendre, uma escadaria no cimo das quais fica a capela tendo ainda pelo meio uma espécie de terraço que penso seja o coreto da banda.

 

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Deste pequeno conjunto ficam apenas duas imagens e da capela apenas uma nesga, tudo porque não é fácil fotografá-la no seu todo, quer porque as árvores lhe tapam as vistas, os muros de elevação também não ajudam e por outro lado a proximidade dos grandes penedos não nos deixa espaço para um foto com o seu todo. Descendo a Pereira de Selão, desde aí é possível, mas a distância apenas permite ver um pequeno ponto branco. Mas fica para uma próxima oportunidade.

 

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Outra das razões pela qual gostamos de ir por lá, são os pormenores, alguns da capela que já temos deixado por aqui noutras ocasiões, mas também os que a natureza nos dá, como os da bicheza onde há sempre por lá uma espécime de borboletas que gosta de posar para a fotografia.     

 

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Penso que as razões apresentadas merecem bem as nossas visitas, mas sobretudo há também a paz do lugar, às vezes um pequeno murmurar do vento, as melodias da passarada ou mesmo alguns silêncios absolutos,  apenas quebrados pelos nossos ruídos pessoais, como o da respiração ou os nossos passos. Um dia destes tenho de voltar por lá… faço o mesmo e deixe-se ficar por lá o tempo que o tempo quiser, pois não se irá arrepender.

 

 

09
Mar19

São Vicente da Raia - Chaves - Portugal

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Diz-me a experiência que não é preciso ser conhecedor de nenhuma ciência para entrarmos por terras desconhecidas para as ficar a conhecer, mas nem sempre entramos nelas e as descobrimos. Se as queremos descobrir, temos de ir com esse propósito, demorar o tempo que for necessário, não deixar escapar nenhum pormenor, por mais simples que seja e, se realmente queremos descobrir as maravilhas deste reino, mas sobretudo, nunca esquecer as palavras sábias de Torga para ver este ou qualquer outro reino maravilhoso:  “ (…) O que é preciso, para os ver, é que os olhos não percam a virgindade original diante da realidade e o coração, depois, não hesite. (…)”.

 

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De facto assim é. Fui pela primeira vez a terras de São Vicente da Raia há coisa de trinta e tal anos, em trabalho, num dia escuro de inverno e muita chuva, com os últimos quilómetros de estrada ainda em terra batida. No desespero de poder cumprir a minha missão fui galgando esses últimos quilómetros com a preocupação de conseguir chegar ao destino. Chuva, pavimento de terra, lama e piso escorregadio,  descidas bem inclinadas e curvas bem apertadas,  aumentavam a preocupação, que terras estas…

 

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À preocupação de lá chegar ia-me afrontando por antecipação, preocupação maior com o caminho de regresso. Se assim era a descer, a subir as coisas complicar-se-iam muito mais, mas como na altura o sangue na guelra ainda fervilhava por e numa boa aventura, que fosse o que Deus quisesse e se os outros desciam e subiam, eu também haveria de conseguir… sem mesmo reparar que ninguém tinha passado por mim, mas como bem podem reparar agora, fui e regressei, e dessa viagem apenas recordo aqueles últimos quilómetros de estrada.

 

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Durante uns anos fui por lá mais algumas vezes, não muitas, mas algumas, talvez 3, 4 vezes, sempre em trabalho, sempre à pressa, sempre com uma preocupação extra, ora do tempo dos relógios, ou falta dele, ora com a viatura que levava e que nunca era de confiança, ou outra coisa qualquer, ou seja, continuei a ir por lá com um olhar afetado, adulterado, infiel, traiçoeiro, em suma, cego, sem a tal virgindade original perante a realidade e o coração.

 

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Foram precisos passarem-se 20 anos para numa tarde de setembro,  abandonar o vale de Chaves, subir a montanha, alcançar o planalto, sem relógio, sem preocupações, apenas eu, a máquina fotográfica, um carro de confiança e a virgindade no olhar como se fosse a primeira vez, e lá fui. Primeiro desvio na estrada e passagem pela Bolideira, depois Travancas, mais um pouco e passei Argemil, terras já minhas conhecidas, e a partir de aí começo a surpreender-me, primeiro com o mar de montanhas com vistas lançadas, por um lado para terras de Vinhais e mais além, para o outro as terras da Galiza.

 

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Antes de começar a descer aquela que então era estrada de terra batidas, parei num alto, um autêntico miradouro natural. Pela primeira vez reparei como a partir de Argemil a terra era outra, mudava na cor, mudava nas formas, até o penedio era diferente, menos azul, mais sépia, era o granito a dar lugar ao xisto e tudo isto delimitado por uma muralha natural que sobe e desce encostas, mais percetível numas encostas, menos noutras, mas que o olhar virginal viam como se tivessem a grandeza das muralhas da China, e lá do alto, aos meus pés, desenhava-se uma linda estrada cheia de curvas e pequenas retas, que ora se viam ora desapareciam do olhar encobertas pelas encostas da montanha, como se de um rio se tratasse, desaguava lá ao fundo numa povoação, imediatamente antes de uma encosta descer de novo para o desconhecido, talvez, quem sabe, para outras povoações.

 

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Pasmei por ali não sei quanto tempo, deliciei-me, embriaguei-me de tanto olhar e descobrir e imaginar, mas também reflexionar em como este reino maravilhoso tão pequeno e tão igual, é tão grande e tão diferente dentro da sua identidade diferenciada. Tinha abandonado o Vale de Chaves há tão pouco tempo e estava perante outra realidade, mas, continuava eu reflexionando em como se desde o vale de Chaves tivesse tomado a direção oposta, mais ou menos à mesma distância, sentiria o mesmo, mas de uma forma distinta, porque a realidade seria outra, tão diferente do vale e tão diferente desta que tinha à minha frente, mas igualmente interessante, fascinante até, estaríamos em terras de Barroso e não aqui, perante terras de Vinhais, mas ainda com os pés assentes no concelho de Chaves.

 

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Mas vamos lá. Já sóbrios, deixemos o miradouro e desçamos a estrada até um pequeno rio que foi batizado como Rio Mousse e a partir deste, de novo começamos a subir para só parar lá no alto naquela que é a nossa aldeia de hoje, a última desta série de povoações com nome de santo, este, o São Vicente que dá nome à aldeia e sede de freguesia de São Vicente da Raia, cujo apelido bem poderia ser “das Raias”, porque são várias as raias desta freguesia, primeiro da raia com a Galiza, depois da raia com Vinhais, mas também da Raia com o Parque Natural de Montesinho e se levarmos em conta aquilo que pra trás deixei escrito, faz também raia com a tal muralha natural (que existe mesmo) a partir de onde tudo começa a ser diferente.

 

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E estamos, entramos, finalmente na aldeia de  São Vicente da Raia, que embora da raia, para além dela ainda há mais três povoações a compor a freguesia e que, igualmente fazem parte do concelho de Chaves. Refiro-me a Orjais, Aveleda e Segirei, sem esquecer o São Gonçalo,  todas elas aldeias e lugares de xisto, com ares de Vinhais e da Galiza, mas também bem próximas dos limites dos três reinos (Portugal-Galiza- Castela e Leão) a apenas 20 km, mas isto são estórias de outra História, pois hoje ficamo-nos por São Vicente da Raia, que por sinal, o santo, é mais um santo mártir e era do Sul de Espanha (Huesca).

 

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O Curioso é que nesta nova entrada na aldeia, que já aconteceu em 2006, foi mesmo como se fosse a primeira vez que ia por lá, pois a não ser o largo de entrada que também é o largo do cemitério, mais nada recordava. Foi assim uma verdadeira descoberta, iniciada pelo pequeno núcleo junto à igreja,  para depois descer e passar a estrada de acesso a Orjais, Aveleda e Segirei e entrar no outro núcleo da aldeiam que notoriamente é muito mais antigo.

 

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Diz-me também a experiência que numa primeira visita nunca vemos tudo e deixamos sempre escapar pormenores de interesse, além de haver sempre uma ou outra imagem que pede e merece um novo enquadramento, para além de outras que saem desfocadas, queimadas ou outro acidente qualquer. Assim,  só uma visita não basta para termos uma recolha de imagens que faça justiça ao todo da aldeia, daí já ter por lá passado mais vezes, não tão exaustivamente como da primeira vez, mas recolhendo sempre um ou outro pormenor, isto dentro da aldeia, pois ao nível geral, vista geral da aldeia e paisagens que a rodeiam, são sempre diferentes, conforme a época do ano, em que a luz e as cores da vegetação variam tanto, que às vezes quase parece que estamos perante paisagens completamente diferentes.

 

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Tenho alguns desses registos tomados em épocas diferentes do ano, penso que só me falta mesmo um com a paisagem vestida de branco e quase a consegui, mas dessa vez, com viatura imprópria para a neve,  sabia mesmo que se descesse, já não subiria. Deixei para outra oportunidade que espero vir a acontecer.

 

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E que dizer de São Vicente da Raia!? Pois é uma aldeia interessante em que o xisto utilizado nas construções faz a diferença em relação à maioria das aldeias do concelho de Chaves. Notoriamente construções muito antigas, hoje maioritariamente abandonadas e/ou em ruínas, algumas com inscrições curiosas,  possivelmente ligadas a uma comunidade judaica que viveu na freguesia.

 

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É uma aldeia que sofre também da maleita do despovoamento e do envelhecimento da sua população, embora exista por lá um caso de sucesso em que o processo foi invertido. Trata-se de um jovem casal em que um deles tinha origens na aldeia e que abandonou o trabalho e a sua vida do grande Porto para se fixar em São Vicente da Raia, primeiro explorando um bar da aldeia, onde serviam excelentes refeições com coisas boas da terra. Posteriormente montaram uma cozinha regional com fabrico de fumeiro,  cuja matéria prima, o porco bísaro, é de exploração própria. Sou testemunha que o que lá se fabrica é de primeira qualidade e nem vos quero descrever o requinte de um cozido à portuguesa com todos os ingredientes made in São Vicente da Raia, carnes, fumeiro, batatas, couves e vinho, penso que só mesmo o azeite é que não é de lá… ou seja, tudo do “bô e do milhor”.

 

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Aproxima-se a primavera e o verão e como o dinheiro ainda está caro para férias noutras paragens, se não conhece a freguesia de São Vicente da Raia, proponho-lhe que reserve 4 dias para conhecer a freguesia, que poderão e deverão ser alternados, pois de seguida vai ser muito cansativo. Tanto faz ser dia de semana como fim de semana, por lá não se nota muita diferença.

 

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Então os 4 dias seriam para:

 

1º dia – Conhecer as 4 aldeias da freguesia, primeiro São Vicente da Raia, depois Orjais, de seguida Aveleda e por fim Segirei. Só as aldeias, não se entusiasme com outros apelos.

2º dia – Fazer a rota do contrabando de Segirei. O trilho está indicado e inicia-se na parte galega com descida sempre junto ao riacho, com passagem pelas cascatas e a terminar ou com passagem por Segirei, pois pode continuar a caminhada até à Praia Fluvial de Segirei. Claro que este dia para andar a pé, mas se eu que não sou de caminhadas já fiz o percurso, qualquer um o faz.

3º dia – O dia completo para passar na praia fluvial de Segirei onde tem bar de apoio e grelhadores. As águas do rio junto à praia fluvial são pouco profundas e o espaço ótimo para crianças e também para pescadores.

4º dia – Descida ao São Gonçalo onde também existe um parque de lazer e pode ir a banhos, com águas também pouco profundas e ótimas para pescar.

 

Claro que para todos estes dias a máquina fotográfica é imprescindível.

 

 

02
Mar19

São Pedro de Agostém - Chaves - Portugal

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Como nesta nova ronda pelas nossas aldeias a metodologia adotada para as trazer aqui foi a ordem alfabética, depois de uma longa caminhada já vamos nos topónimos com início com a letra S, letra na qual aparecem os topónimos com nome de santos, que no concelho de Chaves são 10 os santos que dão nomes às aldeias e talvez 2 tenha nos santos a origem do seu topónimo. Depois da última aldeia que passou por aqui, São Lourenço, só já nos restam dois santos, o São Pedro de Agostém e o São Vicente, mas hoje ficamos apenas pelo São Pedro, São Vicente fica para o próximo sábado.

 

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Como se de um concerto se tratasse, hoje vamos fazer o post em três movimentos, com dois andamentos e um réquiem.

 

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Primeiro andamento - São Pedro de Agostém, a aldeia

 

Aldeia e sede de freguesia, uma das duas freguesias que mais aldeias tem, a par da freguesia vizinha de Nogueira da Montanha, ambas com 11 aldeias em que à de São Pedro de Agostem pertencem as aldeias de Agostém, Bóbeda, Escariz, Lagarelhos, Paradela de Veiga, Pereira de Veiga, São Pedro de Agostém, Sesmil, Ventozelos, Vila Nova de Veiga e Peto de Lagarelhos. Em termos de território ocupa 26,7 Km² que se estende desde a Veiga de Chaves até à Serra do Brunheiro, a Sul da Cidade de Chaves, que é ocupada por 1.419 habitantes.

 

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A aldeia de São Pedro de Agostém, a cerca de 6,5Km da cidade de Chaves (em linha reta) é constituída por um pequeno núcleo de aldeia concentrada mas ou menos à volta da igreja, o seu núcleo mais antigo, estendendo-se a partir deste por duas ruas, uma seguindo a direção do santuário da Nossa Senhora da Saúde e outra para sul, esta mais longa. Núcleo e rua rodeadas por terras de cultivo, pomares, olivais e vinhas, para depois dar lugar a algumas pequenas manchas de pinhais e/ou pastagens.

 

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A aldeia vai mantendo a sua integridade como aldeia típica transmontana, sem grandes atentados, mantendo assim o seu interesse no conjunto do casario. Destacam-se dentro da aldeia a sua Igreja e quase em frente a esta,  uma fonte do tempo da ditadura nacional com bebedouro e lavadouro, tendo nela inscrita as iniciais “CMC”, o ano de construção, “1932”, e “CONSTRUÍDO DURANTE A DITADURA NACIONAL”, e ainda, “BEBEDOURO” e “LAVADOURO” por cima dos respetivos tanques, estas últimas, suponho que para não haver enganos nos tanques. Um tipo de fonte com projeto tipo, pois repete-se noutras aldeias, sendo esta o modelo maior das que conheço, pois há alguns mais simples, apenas com a fonte e o bebedouro, ou mais simples ainda, sem lavadouro e bebedouro. Não deixa de ser curioso a inscrição de “DITADURA NACIONAL” nestas fontes públicas, ou seja, o Estado a assumir a ditadura que hoje a História classifica como a Segunda República, precisamente por ter tido um regime de ditatorial.

 

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E por se falar em projetos tipo da ditadura, a aldeia tem mais um, o da sua antiga escola primária, sendo também de projeto tipo, onde as mais simples tinham apenas uma sala de aulas que, conforme as necessidades da localidade, poderia ser de 2 ou mais salas, e ter um  ou dois pisos. Estas escolas foram construídas no Plano dos Centenários, a partir de 1940 até ao final da década de 1950, tendo sido projetadas por dois arquitetos, Raul Lino para as escolas da região Sul e Rogério Azevedo para as da região Norte. Dentro deste pano foram construídas mas de 7000 escolas. O Plano dos Centenários deve o seu nome às comemorações do 3º centenário da Restauração da Independência e o 8º da independência de Portugal, comemorados, respetivamente em 1940 e 1943.

 

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Segundo andamento - O Santuário de Nossa Senhora da Saúde

 

É um dos santuários marianos de Portugal, construído junto à aldeia de São Pedro de Agostém onde se realiza a maior festa mariana da região festas da região.

 

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Como a grande maioria das grandes festas do norte de Portugal, a festa de Nossa Senhora da Saúde de São Pedro de Agostém tem a parte religiosa muito concorrida, com missa e procissão, que apesar de geralmente ser em maio, junta muitas mais pessoas que os habitantes da freguesia.

 

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Para além das missas e procissão, é toda uma festa, com arraial e feira, comes e bebes, fogo de artifício, bandas filarmónicas e conjuntos musicais

 

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No recinto para além da capela e outras instalações de apoio há um coreto e uma construção envidraçada onde colocaram o altar para as celebrações festivas.
É uma das duas grandes festas do concelho de Chaves, distrito e diocese de Vila Real. A outra grande festa do concelho é a do santuário do São Caetano.

 

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A festa realiza-se sempre num domingo e segunda-feira e para acesso à festa, geralmente são garantidos autocarros a partir da cidade de Chaves, passando durante todo o dia a transportar pessoas nos dois sentidos, festa que é também conhecida pelas suas merendas.

 

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Terceiro andamento – Um réquiem

 

Em 3 de julho de 2010 associei-me à homenagem dos 50 anos de sacerdócio do Pároco Ladislau José de Sousa e Silva, então pároco do Santuário da Nossa Senhora da Saúde, mas também de muitas aldeias da freguesia. Hoje, ao trazer aqui São Pedro de Agostém, presto-lhe mais uma homenagem, trazendo aqui o post de 2010, ao qual apenas acrescento um parágrafo no final:  “ O pároco do Santuário da Nossa Senhora da Saúde, Ladislau José de Sousa e Silva, Nasceu em 03/07/1936; foi ordenado presbítero em 08/05/1960; faleceu em 04/02/2019."

 

 

Amanhã, dia 4 de Julho, a Junta de Freguesia de S.Pedro de Agostém, o Grupo Tradicional de Ventuzelos e a Comissão Fabriqueira vão homenagear no Santuário da Nossa Senhora da Saúde o Pároco Ladislau José de Sousa e Silva.

 

Uma homenagem à qual o autor deste blog não poderia ficar indiferente, não só por ser o Pároco de S.Pedro de Agostém e do Santuário da Nossa Senhora da Saúde, mas também pelos seus 50 anos de sacerdócio, pela sua dedicação às freguesias flavienses onde exerceu esse sacerdócio, como ainda pelo professor da Escola Secundária Fernão de Magalhães e da Escola Dr. Júlio Martins. Estas, seriam já razões de sobra para me associar a esta homenagem, mas pessoalmente, tenho muitas mais e bem valiosas razões. Como costumo dizer, o Padre Ladislau é o meu “Padre de Cerimónias”, pois em todas as cerimónias importantes em que estive envolvido, foi ele o Padre das celebrações, desde o meu casamento ao casamento de alguns familiares e casais amigos, desde o baptizado dos meus filhos aos baptizados dos meus afilhados e alguns sobrinhos, mas também em cerimónias de horas menos felizes de familiares meus. O Padre Ladislau já é como da família, mas acima de todas as razões atrás apontadas, ponho ao amizade e o amigo que o Padre Ladislau sempre foi desde que o conheço e, já lá vão longos anos.

 

Associo-me assim a esta homenagem dedicando-lhe o post de hoje, mas também deixando aqui um pouco da sua vida e algumas imagens que lhe são bem familiares por nas últimas dezenas de anos ter passado por esses locais em todo o tipo de celebrações religiosas.

 

 

Ladislau José de Sousa e Silva é filho de António Silva Júnior e de Elisa Teixeira de Sousa.

 

Do casal nasceram os seguintes irmãos: Maria Alice; Hélder, falecido recentemente; António e Angélica.

 

Ladislau nasceu a três de Julho de 1936, na freguesia de Oliveira, concelho de Mesão-Frio, distrito de Vila Real.

 

Aos 10 anos entra no Seminário Diocesano de Vila Real.

 

A 17 de Junho de 1959 termina o Curso de Humanidades, Filosofia e Teologia naquele Seminário.

 

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A 3 de Outubro de 1959 é chamado para a Diocese de Beja.

 

A 12 de Outubro de 1959 é nomeado, por sua Excelência Reverendíssima, D. José do Patrocínio Dias, Bispo de Beja, chanceler da Câmara Eclesiástica.

 

A 17 de Outubro de 1959 é nomeado professor de Português e História no Colégio Católico, Dr. Ramalho.

 

A 8 de Maio de 1960, é ordenado sacerdote no Seminário Diocesano de Vila Real.

 

Após uma preparação e adaptação à Escola do Movimento dos Cursos de Cristandade, em Espanha, regressa em 1960 a Beja e, nesse ano, é nomeado pároco da paróquia de São Matias e Director dos Cursos de Cristandade daquela Diocese.

 

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Em Outubro de 1960 é nomeado capelão das Carmelitas de Beja.

 

Acompanhou sempre, nas visitas pastorais e nas visitas de administração do Sacramento da Confirmação, o Bispo Auxiliar de Beja, D. António Cardoso Cunha.

 

Em 1962 regressa à sua Diocese de origem, Vila Real, onde foi nomeado Director dos Movimentos dos Cursos de Cristandade.

 

Em Julho de 1965 é nomeado pároco de São Pedro de Agostém, onde aqui permanece há 45 anos.

 

Em 1977 é também nomeado pároco de Vilela do Tâmega, onde permanece há 33 anos.

 

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Após a saída do Reverendo Dr. Curral da freguesia de Santa Maria Maior, ficou responsável pelos Cursos de Cristandade na área do arciprestado do Alto Tâmega.

 

Fez, com a ajuda do seu povo, uma residência paroquial em 11 meses; duas igrejas (de Vila Nova e Bóbeda) outras duas mais pequenas; três capelas novas e restaurou todas as capelas das povoações de São Pedro de Agostém, à excepção da de Paradela de Veiga.

 

Depois de ter tirado na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra as disciplinas de História Universal, História de Portugal, Linguística I, II e III, Literatura Moderna e Literatura Contemporânea, é nomeado professor de Português no então Liceu Fernão de Magalhães, de Chaves.

 

Aí lecciona aquela disciplina durante 17 anos.

 

Após esse período, é nomeado professor da disciplina de Educação Moral e Religiosa Católica para a Escola Secundária Dr. Júlio Martins, em Chaves, onde aí permanece mais de 20 anos e até que se reforma da actividade docente.

 

 

Nos primórdios da sua actividade pastoral era frequente ver o Padre Ladislau a deslocar-se a pé a todas as aldeias da sua paróquia, onde abordava temas actuais para aquele tempo e para aquelas gentes.

 

O Padre Ladislau tem a consciência que muito mais podia fazer pelos povos que paroquiou e não dispensa o seu muito obrigado a todo o povo que o ajudou no seu múnus pastoral.

 

No início da sua actividade sacerdotal aprendeu com dois bispos, um deão e um arcediago a máxima de nunca passar pelas suas mãos um tostão que fosse do património das suas paróquias; por isso, procurou estar sempre rodeado de homens sérios e honestos, em concordância com o povo, que o auxiliassem nessa tarefa.

 

 

O Padre Ladislau foi e é um homem crente.

 

Colocou sempre a sua força e fé ao serviço de Deus, da família e do seu povo.

 

Teve e tem nos seus colegas padres a amizade, a estima, a consideração, o respeito e o afecto, sentimentos e atitudes imprescindíveis para se manter sempre firme na fé, ao serviço de Deus e do Seu Povo.

 

Ordenação Sacerdotal a 08/05/1960

 

Bodas de Ouro a 08/05/2010

 

04/07/2010, uma justa homenagem ao Padre Ladislau José de Sousa e Silva.

 

O pároco do Santuário da Nossa Senhora da Saúde, Ladislau José de Sousa e Silva, Nasceu em 03/07/1936; foi ordenado presbítero em 08/05/1960; faleceu em 04/02/2019.

 

 

 

 

 

 

23
Fev19

São Lourenço - Chaves - Portugal

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Nesta rúbrica das aldeias de Chaves, ultimamente temos andado por terras de santos, que quer os haja ou não na aldeia, têm-nos no topónimo, tal como a nossa aldeia de hoje - São Lourenço, e como na última aldeia que por aqui passou (São Julião), iniciámos com uma fotografia com neve, hoje, para não se ficarem a rir uma da outra, hoje iniciamos também com neve que já caiu em dezembro de 2009.

 

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A ordem alfabética ditou que hoje fosse a vez a São Lourenço tal como no último fim de semana calhou a São Julião, e estas coisas não acontecem por acaso, embora também não acredite que estivesse predestinado acontecer, mas até poderia estar. Na realidade estas aldeias também são próximas, aliás seguindo pela estrada acima em direção a Valpaços, a seguir a São Lourenço temos São Julião. Quis o destino que assim fosse, talvez, pois não sei qual a origem dos topónimos, mas acontece que ambos os santos são santos mártires, mandados matar pela mesma gente, são da mesma época (nasceram no mesmo século III) e morreram à distância de 47 anos, São Lourenço no ano de 258 e São Julião no ano de 305.

 

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Deixemos o São Julião lá mais em cima (na estrada) e vamos saber um pouco sobre a vida e morte de São Lourenço, até com um pouco de humor, o do Santo, que dizem que ele tinha. Verdade ou lenda, apenas transcrevo:

 

Em 257, os cristãos começaram a ser perseguidos e mortos por ordem do imperador Valeriano I. Em 258, o Papa Sisto II foi decapitado. Conta a história que, ao caminhar para o lugar da execução, São Lourenço caminhava junto ao papa e dizia: Aonde vai sem seu diácono, meu pai? Jamais oferecestes o sacrifício da missa, sem que eu vos acolitasse (ajudasse)! O papa, comovido com essas palavras de dedicação filial, respondeu: Não estou te abandonando, meu filho! Deus reservou-te provação maior e vitória mais brilhante, pois és jovem e forte. Velhice e fraqueza faz com que tenham pena de mim. Em três dias você me seguirá.

Depois da morte do Papa, o imperador exigiu que a Igreja lhe entregasse todos os seus bens, dentro de 3 dias. Vencido o prazo, São Lourenço apresentou os pobres que eram acudidos pela Igreja e disse ao imperador: Estes são os bens da Igreja. Valeriano, então, com muita raiva, ordenou que Lourenço fosse queimado vivo. O santo manteve a alegria no momento da execução, mostrando sua profunda fé na vida eterna, no encontro com Jesus Cristo. Por isso, no momento mais angustiante de sua vida – aos olhos do mundo – Lourenço, feliz, dizia aos soldados: agora podem me virar, este lado já está assado. Uma multidão acompanhava o martírio de São Lourenço. E, no meio do povo, grande foi o número dos que se converteram a jesus cristo ao verem o testemunho do jovem São Lourenço.

 

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Voltemos a São Lourenço, agora à aldeia, que fica lá no alto na Serra do Brunheiro, a caminho de Valpaços, acima do Vale de Chaves e dos seus famosos nevoeiros, tal como acontece nesta última foto que vos deixei atrás, com uma preciosidade que só hoje descobri (na foto) e que me convida a subir de novo a São Loureço num dia de nevoeiro para ver se, com uma objetiva mais potente a vencer distâncias, consigo dar mais realce ao motivo. Se repararem bem na foto, o nevoeiro mais distante tal como as montanhas são em terras da Galiza. O último nevoeiro que se vê é sobre a Verin (ou seja o nevoeiro cobre a EuroCidade Chaves-Verin), do lado esquerdo, em cima, há um biquinho de montanha que sai do nevoeiro e nele notam-se uns pontinos amarelados que não são mais que o Castelo de Monterrey.

 

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São Lourenço é uma das aldeias que tem passado aqui no blog com alguma frequência e penso que nos posts anteriores já disse tudo que tinha a dizer sobre a aldeia, mas mesmo assim, sempre que vamos por lá temos que salientar alguns pormenores da aldeia, pois são também a sua imagem de marca ou às quais não podemos ficar indiferentes. Uma delas é pelo presunto, do bô, não só o que as pessoas de lá têm em suas casas, mas também o que servem lá nos bares junto à estrada, acompanhado de bô vinho que São Lourenço também tem e de umas fatias de cebola crua com bô pão centeio, tudo de lá e podem crer que é do melhor que há, tudo bô, sou testemunha disso na primeira pessoa, quer do presunto, vinho, cebola e pão caseiros, quer do dos bares. Se duvidar, nem há com ir por lá, mas cuidado com as curvas ao descer para o vale de Chaves.

 

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Outra imagem à qual não podemos ficar indiferentes é à casa da árvore ou à árvore que nasce dentro da casa. Uma pereira, se bem recordo, que insiste em fazer a delícia de quem vê o motivo, pois não é todos os dias que se vê uma coisa destas. Aliás isto não é bem verdade, pois quem lá vive pode-a ver todos os dias e que por lá passa, também, eu assim faço sempre que passo por lá.

 

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A outra imagem de marca, são as imagens de marca da ruralidade da aldeia, que embora a lançar vistas para o vale de Chaves e que para chegar até ele basta descer o Brunheiro, continua com a sua ruralidade, com motivos que fazem verdadeiros “quadros” de arte” com o selo de garantia do fio azul, o melhor de todos os tempos.

 

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Ainda outra imagem, mas esta já está armazenada na memória, no entanto impossível de esquecer por tantas vezes a ter visto passar à porta da minha infância – as lavadeiras de São Lourenço. Os mais novos não sabem, mas eu conto. Até finais dos anos 60 (Séc. XX) talvez ainda inícios de 70 em São Loureço existia a maior lavandaria do concelho de Chaves. Era para lá que ia muita da roupa suja da cidade para lavar e que depois de lavada, descia em comboios de burros carregados de roupa branca.

 

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Claro que ista subida de roupa suja e descida de roupa branca era no tempo em que a cidade estava dependente de muitos serviços e produtos que as nossas aldeias ofereciam e produziam. Como o abastecimento de leite à cidade feito por Outeiro Seco, a lavagem de roupa de São Lourenço, o carvão e carqueja de várias aldeias, o famoso presunto de Chaves que até das aldeias do Barroso e outros concelhos vizinhos vinha, em que a principal empresa de transporte de mercadorias eram os burros, as pessoas vinham a pé. É por essa razão que o colesterol só começou a aparecer em abundância nos últimos tempos, pois naqueles tempos não tinha tempo de se instalar nos corpos das pessoas.

 

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Também é de terras de São Lourenço que se pode avistar todo o vale de Chaves, terras da Galiza a até ver se a Serra do Larouco está ou coberta de neve. Neve que também cai com alguma frequência em São Loureço, pelo menos aquela que se costuma ver na croa das montanhas e que já cai no vale em forma de chuva. Neve que lá vai caindo por cá, na cidade e nas montanhas, quando lhe dá na gana, isto para contrariar aqueles que dizem que antigamente é que era. Mas não era, ou melhor, também era, pois posso-vos garantir que nestes últimos 30 anos nevou mais em Chaves que nos 30 anos anteriores. Agora se o antigamente é que era se refere aos séculos distantes, isso já não sei, pois não estava cá para ver.

 

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E por hoje é tudo. Para a semana continuamos pelas terras dos santos. Depois de já terem passado por aqui o Santiago, o Santo Estêvão, o São Caetano, o São Cornélio, o São Domingos, o São Gonçalo, o São Julião e o São Lourenço, e talvez o São Fins (Sanfins) e o São Jurge (Sanjurge) chega a vez do São Pedro, mas este só para o próximo sábado, pois hoje é o dia do São Loureço.

 

Fontes consultadas:

https://cruzterrasanta.com.br/historia-de-sao-lourenco/152/102/#c

https://pt.wikipedia.org/wiki/Louren%C3%A7o_de_Huesca

 

 

 

16
Fev19

São Julião de Montenegro e 3+1 Kmºs Zero de Chaves

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Embora iniciemos o post com duas fotografias de neve, a verdade é que esta neve já não é de hoje e há muito que derreteu, aliás, depois desta nevada, já caíram outras. Para sermos precisos, esta nevada caiu em 25 de janeiro de 2009. Mas não ficamos só por aqui, pois se a foto com neve nos leva ao engano, a própria placa de entrada no concelho de Chaves também é enganadora, mas sem nos enganar. Na realidade esta placa está à entrada do concelho de Chaves, localizada  antes de chegarmos à aldeia de São Julião, deixando para trás o concelho de Valpaços, só que antes de aqui chegámos já tínhamos entrado no concelho de Chaves e passado por Limãos, deixado o concelho de Valpaços para trás, só que logo a seguir a Limãos, entramos novamente no concelho de Valpaços (Barracão), deixando o concelho de Chaves para trás, ainda antes de entrámos nele. Confuso, mas é assim mesmo, ou seja, saímos do concelho de Valpaços e entramos no concelho de Chaves, logo a seguir saímos deste e entramos novamente no de Valpaços para logo a seguir sair dele e entrar novamente no de Chaves… é melhor ficar por aqui, mas a realidade é mesmo assim.

 

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Quanto a esta segunda imagem, do mesmo dia da anterior, também é enganadora, mas só quanto à neve, pois quanto às placas, o STOP é mesmo para parar antes de entrar na estrada principal, placa que nos tapa um pouco a outra placa, tirando a santidade a São Julião de Montenegro, a nossa aldeia de hoje.

 

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A título de curiosidade, São Julião é um dos 10 santos (talvez 12) aos quais concelho de Chaves   recorre para ser topónimo das suas aldeias, a saber: Santiago do Monte; Santo Estêvão; São Caetano; São Cornélio; São Domingos; São Gonçalo da Ribeira; São Julião, São Lourenço; São Pedro de Agostém e São Vicente. Disse talvez 12 porque Sanjurge e Sanfins da Castanheira, também podem ter na sua origem um Santo, no primeiro caso o São Jurge, pois este topónimo existe por exemplo em Ranhados no concelho da Mêda, e no segundo caso o São Pedro Fins, este sim, é assumido com estando na origem de outras localidades portuguesas que hoje têm como topónimo Sanfins.

 

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Tal como tenho vindo a afirmar todos os sábados, esta nova abordagem às nossas aldeias do concelho de Chaves, tem sido feita por ordem alfabética, no entanto como no nosso arquivo em alguns casos abreviámos o Santo para Stº e o São para S. fomos levados ao engano, por exemplo na ordem em que Stº Estêvão apareceu e,  trouxemos primeiro os topónimos Santos quando deveriam ter trazido as Santas (Santa Bárbara, Santa Cruz, Santa Cruz da Castanheira,  Santa Leocádia, Santa Marinha e Santa Ovaia). As nossas desculpas às Santas, mas fica prometido que a seguir ao último Santo, o São Vicente, vamos às Santas, para continuar na santidade dos topónimos flavienses, que ao todo (Santas e Santos) são 18, talvez 20.

 

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Deixando as curiosidades de parte, entremos então na Aldeia de São Julião de Montenegro que até à última reforma administrativas das freguesias, foi também sede de Freguesia, hoje integradas na grande/extensa freguesia da União de Freguesias das Eiras, São Julião de Montenegro e Cela. Atrás disse grande/extensa porque agora o território desta freguesia estende-se desde o Concelho de Valpaços até ao Vale de Chaves (Eiras).

 

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Quanto à localização de São Julião de Montenegro, para trás, neste post, já fomos adiantando onde fica, mas para sermos mais precisos, a aldeia fica junta à EN 213 (Chaves-Vila Flor), no troço entre São Lourenço e o Barracão (Valpaços).

 

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Os 3+1 Kms Zero de Chaves

A título de curiosidade, pois hoje parece que além de ser um post dedicado a São Julião o é também às curiosidades. Então agora que o Km zero da EN2 está tão na moda, temos também que realçar que esta Estrada Nacional  que serve São Julião, tem também o seu Km Zero em Chaves, mais precisamente na Rotunda do Raio X. Trata-se da EN213 que tem início no Raio X em Chaves e termina em Vila Flor. Ora aqui surge outra curiosidade e outro Km zero, o da Antiga EN314, hoje R314 que também tem o seu KM zero em Chaves, naquela rotunda que não é rotunda (outra curiosidade flaviense) a apenas 200 do KM zero da EN213. Curiosamente esta R314 que tem o seu Km zero em Chaves a 200 metros do Km zero da EN213, termina precisamente em Vila Flor, no preciso cruzamento onde termina a EN213. Ainda outra curiosidade menos curiosa é a dos 3 Km’s zeros destas 3 estradas nacionais se encontrarem dentro de um circulo com 300 m de raio, quase juntos e a EN213 nasce na EN2 e a R314 nasce na EN213, ou seja, rodoviariamente falando, isto só prova que Portugal nasce em Chaves, estatuto que lhe é conferido pela EN2 que atravessa Portugal de Norte a Sul. Por último, referia no título o 3+1 Kms Zero de Chaves, pois além dos três já referido ainda temos outro, o Km zero da EN103-5, que começa no Lameirão e terminava na Fronteira de Vila Verde da Raia, hoje, outra curiosidade, termina na Galiza.

 

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Voltemos a São Julião a uma razão que seja para ser de visita obrigatória. Pois tem mais que uma razão para ser de visita obrigatória, mas há uma muito forte, a da sua Igreja, pois é uma que está nos roteiros obrigatórios das Igrejas Românicas.

 

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Num post anterior deste blog dedicado a São Julião dizia eu a respeito desta igreja:

“A igreja matriz de São Julião de Montenegro é um templo de traça românica onde ainda persistem muitos dos elementos arquitectónicos originais. Só a fachada principal, com uma orientação a Oeste, é que se encontra completamente descaracterizada por obras de restauro mais recentes, aliás obras a que tem estado mais ou menos sujeita ao longo dos tempos e ligadas a estragos causados por causas naturais, como o terramoto de 1755 (segundo alguns documentos) ou mais recentemente, atribuídas a um ciclone do início do século passado que muitas vezes é referido pela população mais idosa, ou mais recentes ainda, nos anos 80, por iniciativa do então padre da freguesia. Obras mais ou menos felizes que lá foram mantendo a cachorarrada  que testemunha a sua origem românica, bem como uma pequena porta que se rasga na parede norte do edifico e que curiosamente podemos ver repetida em desenho na Igreja de Moreiras, desenho onde se encontra reproduzida a famosa cruz usada pela Ordem dos Templários que neste caso seria já da Comenda da Ordem de Cristo, à qual pertenceu S.Julião.”

 

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A Igreja de São Julião de Montenegro está classificada como MIP - Monumento de Interesse Público pela Portaria n.º 740-EH/2012, DR, 2.ª série, n.º 252 (suplemento), de 31-12-2012.

Saliente-se que esta portaria veio repor o estatuto de interesse público que a Igreja de São Julião já tinha possuído e que indevidamente lhe tinha sido retirado em 2010.

 

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Na nota Histórico-Artística que consta na ficha da Direção-Geral do Património Cultural, a respeito da igreja de São Julião, pode ler-se o seguinte:

Povoado desde a Pré-história, como atestam as necrópoles, os testemunhos de arte rupestre, os povoados fortificados de altura (castros) da Idade do Ferro e as construções do período romano (calçada, ponte, barragem e villa) identificados até ao momento, numa comprovação da diversidade e da excelência dos recursos cinegéticos que dispunha às comunidades humanas que o percorriam e nele se fixavam, o território correspondente, na actualidade, ao concelho de Chaves confina, a Norte, com a Galiza, constituindo um dos seis municípios do 'Alto Tâmega'. 

 

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E continua:


De entre a multiplicidade de construções erguidas ao longo dos tempos faz parte a "Igreja Paroquial de São Julião de Montenegro", originalmente construída, ao que se supõe - pela análise da estrutura e das pinturas a fresco existentes na parede interior - , ainda no século XIII, inscrevendo-se, por conseguinte, na arquitectura românica da região, até que, em meados de oitocentos, a fachada principal adquiriu nova feição, destituindo-a da primitiva estrutura. 
Constituindo um dos templos melhor conservados de todo o termo administrativo de Chaves, a igreja preserva, no entanto, a maior parte do estaleiro românico. 

 

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E remata assim:


Composto de nave única (pavimentada com lajes graníticas), cabeceira e sacristia (adossada) de planta rectangular, o templo alberga capela-mor separada do restante corpo por arco quebrado com banda externa de enxaquetado apoiado em meias-colunas com capitéis decorados com motivos zoomórficos, ostentando pinturas a fresco nos dois lados da parede. A capela acolhe grande retábulo de talha dourada profusamente decorado - com tribuna escalonada e sacrário - contendo imagem de Sto. António, sendo, ainda, de destacar, a presença, no interior, de arcossólio na parede Sul com tampa sepulcral com cruz de Cristo. 
Acede-se à nave através de portal rectangular sobrepujado por óculo, ambos rasgados no alçado principal encimado por campanário de dupla ventana coroado com dois pináculos laterais e cruz central. No exterior, merecem especial destaque, a par de duas pias baptismais, talhadas em granito, as fachadas laterais Sul e Norte com cachorrada lavrada com elementos zoomórficos, antropomórficos ou com decoração em rolos e cornija em laços e/ou bolas. 
[AMartins]

 

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Penso que quanto à igreja, deixo documentação suficiente para justificar  a visita obrigatória a a São Julião de Montenegro, mas há mais, pois a aldeia, embora com algumas construções mais recentes que não se enquadram dentro do nosso gosto particular, mantém as suas características como aldeia típica transmontana, principalmente ao longo da rua principal que se inicia na rua da escola e termina no largo da Igreja, bem como ao redor desta, área hoje protegida que no entanto não corrige erros do passado.

 

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No largo da entrada da aldeia, onde se encontra a escola, existe o cruzeiro da aldeia com a sua escadaria elevada em relação ao pavimento do largo, o que lhe confere um ar mais interessante e alguma imponência.

 

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Existe também, numa rua transversal a rua da igreja que liga aos campos de cultivo da aldeia, uma fonte de mergulho que na altura do levantamento fotográfico me indicaram como sendo muito antiga. É notória uma intervenção mais recente em que o arco originalmente aberto e que dava acesso à fonte, foi tapado com blocos de cimento nos quais colocaram uma porta de ferro, retirando-lhe algum interesse. Penso que na altura me falaram também em certas estórias ou lendas ligadas à fonte, mas não o posso afirmar com certeza.

 

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Pela certa que haverá outros motivos de interesse que agora já não recordo, pois também São Julião foi uma das primeiras aldeias a fazer o levantamento fotográfico, isto já lá vão pelo menos 10 anos. Fui por lá mais recentemente mas com a missão mais nobre de acompanhar um amigo à sua última morada onde coincidiu despedir-me de outro pela última vez, um momento em nada apropriado quer para recolha de novas imagens ou para procurar motivos de interesse.

 

E é tudo!

**************

Consultas em: http://www.patrimoniocultural.gov.pt/en/patrimonio/patrimonio-imovel/pesquisa-do-patrimonio/classificado-ou-em-vias-de-classificacao/geral/view/71282 em 16-02-2019

 

 

09
Fev19

Stº Estêvão - Chaves - Portugal

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Nestes sábados do blog dedicados ao mundo rural flaviense, em geral às nossas aldeias, temos de abrir duas exceções, pois para além da cidade, no concelho de Chaves existem duas vilas, a de Vidago e a que vos trago hoje, a Vila de Stº Estêvão.

 

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Stº Estêvão já é aqui repetente várias vezes, e para não estar a repetir aquilo que fui dizendo ao longo dos posts que lhe dediquei, hoje fazemos uma abordagem um pouco diferente e talvez chamar a atenção para alguns pormenores que alguns desconhecerão e que muitos se vão esquecendo do que por lá existe, como por exemplo o seu castelo, um dos três castelos medievais que o concelho de Chaves tem. Curiosamente na última imagem aparecem dois desses castelos, o de Stº Estêvão no meio do casario da vila e lá mais em cima, na croa da montanha, do lado esquerdo, o Castelo de Monforte de Rio Livre.

 

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Na última imagem o tal castelo com mais evidência. Infelizmente para mim, apenas conheço este castelo por fora, nunca tive a oportunidade de o ver por dentro. Verdade se diga talvez por algum desleixo meu, mas também porque nas minhas muitas passagens por Stº Estêvão nunca ter visto as suas portas abertas. Sinceramente nem sequer sei se está aberto ou não ao público, mas um dia hei de lá entrar e se o que vir tiver interesse, Stº Estêvão terá aqui outro post.

 

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Quanto à vila, é um misto de tradição e modernidade, mais modernidade que tradição, desta, apenas a antiga rua principal vai mantendo o seu casario mais antigo, e um pequeno núcleo à volta da igreja, de resto, nem o castelo escapou ao ser rodeado pela tal modernidade das novas construções, principalmente das que surgiram no pós 25 de abril e fizeram sair das costuras o antigo povoado.

 

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Há no entanto algumas construções do Estado Novo que se destacam na aldeia, tal como a escola primária, com o projeto tipo das escolas cinquentenárias, esta idêntica às das cidades com dois pisos e quatro salas, apoiada por uma cantina escolar também da época e no mesmo largo onde a escola foi implantada.

 

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Que mais há a acrescentar àquilo que já anteriormente foi dito!? – Talvez que Stº Estêvão é uma das povoações da Veiga de Chaves, que partilha com as vizinhas povoações de Vila Verde da Raia e Faiões, a que ainda se vai mantendo verde e cultivada, pois a restante, também ela foi vítima da modernidade, não resistindo à invasão do casario.

 

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E finalmente dizer que Stº Estevão é de visita obrigatória, embora a evidência da modernidade que lhe retira o estatuto de povoação rural tradicional onde o granito é uma constante do casario,  mas tem o castelo, a belíssima igreja e casario adjacente e o largo da Escola primária/cantina, mas não só, pois o seu território chega até ao Rio Tâmega, onde se localiza a maior lagoa que resultou da exploração de areias e que hoje serve de poiso a muitas espécies de aves, onde existem dois abrigos/observatórios.  

 

Mais sobre Stº Estevão, após este post deverão aparecer links para as anteriores abordagens deste blog.

 

 

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