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CHAVES

Olhares sobre o "Reino Maravilhoso"

20
Out20

Chaves D´Aurora

Crónicas

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As aldeias de Trás-os-Montes

           

            Encantaram-me, sempre,  as aldeias de Trás-os-Montes. Especialmente as que, mesmo a lhes chegarem as benesses (algumas polémicas)  da modernidade, conservam ainda, quando menos aos sítios centrais,  uma bucólica e multissecular disposição arquitetónica, com suas ruas, casas, igrejas e mercados de pedras, por cujas fendas nos muros ou às  janelas coloridas, plantas e flores brotam, como que trazidas pelas mãos do vento. À viagem de retorno que fiz por autocarro, de Chaves ao Porto, em 2002, os meus olhos perseguiam, até desaparecerem ao longe, muitas dessas aldeias petrificadas no tempo, embora ladeadas, agora, por ricas e hodiernas mansões.

 

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            Além dos vários bens imobiliários na (então) vila flaviense, meu avô possuía duas  quintas em aldeias serranas. No processo de escritura de meu romance Chaves D’ Aurora, queria muito conhecer alguns desses vilarejos, mormente porque, nos capítulos que tratam da Pneumónica, imaginei, com grandes possibilidades de certeza, que meu avô, para resguardar a família daquela pandemia virulenta,  haveria de transferir a família para uma de suas propriedades rurais. Eis que, como a adivinhar meu desejo, Fernando DC Ribeiro, acompanhado de outro amigo, Dinis Ponteira,  dedicado como ele a uma excelente  arte fotográfica, levou-me a conhecer várias aldeias no entorno de Chaves.

 

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            Algumas, conheci-as de passagem. A que mais me encantou foi a de São Lourenço, onde nos detivemos por algum tempo e fomos muito bem recebidos pelo Senhor Amável – de cujo nome jamais vi tanta correspondência ao nomeado  –  e que obsequiou-nos com um delicioso vinho caseiro, tão quão saborosos e domésticos eram o pão, o queijo e o famoso presunto de Chaves que o acompanhavam. Ali estavam, nessa aldeia, em largo número feita de pedras, casas com janelas de treliças, a igreja, pequenos estábulos com o feno e animais à vista, ruelas ora floridas, ora com muros entregues ao limo e às erosões do tempo.

 

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            Esse passeio campestre, além de outro a que me levaram os amigos Dona Maria da Luz e o Senhor António Miranda Chaves, serviram-me às fartas para compor, no romance, a minha fictícia Sant’Aninha de Monforte, onde os personagens da quinta Grão Pará, inspirados em meus familiares, passaram tantos dias,  agradáveis, uns, tristonhos, outros,  durante a propagação do vírus letal que, erroneamente, foi também conhecido  como Gripe Espanhola. Lá em Sant’Aninha, onde passaram o Natal e os Reis, puderam apreciar manifestações folclóricas como a dos Ramos e a Festa dos Moços, e vivenciaram uma consoada e festa de Reis imersos em melancolia.

 

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            Hoje, os aldeãos têm acesso à Televisão, à Internet, a carros modernos, mas, nas minhas viagens  –  as outras, as do sonho e da imaginação  –  fico a pensar nas carroças, nas ceias à luz das velas, nas historietas que se contavam antes de dormir e que (risos) algumas causavam pesadelos aos miúdos...

 

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            Trás-os-Montes de ontem e de hoje! Encantadora, sempre!  Sobretudo para mim, suspeito em meu amor genético por toda essa região de meu pai e ancestrais.

 

Raimundo Alberto

 

14
Out20

Pereira de Veiga - Chaves - Portugal

Aldeias de Chaves

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PEREIRA DE VEIGA

 

Continuando a cumprir a nossa falta para com as aldeias que, aquando dos seus posts neste blog, não tiveram o resumo fotográfico em vídeo, trazemos hoje esse resumo para a aldeia das Pereira de Veiga.

 

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Como vem sendo hábito, aproveitamos esta oportunidade para deixar aqui mais algumas imagens que escaparam às anteriores seleções para os posts que dedicámos à aldeia, e para os quais fica link no final deste post.

 

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Pereira de Veiga que, como o topónimo indica, fica na veiga, de Chaves, ou melhor, a aldeia começa onde a veiga termina, e o contrário também é verdade, tudo depende da perspetiva ou local onde estejamos. É portanto uma das aldeias da periferia da cidade, a apenas a 3Km do centro da cidade ou a menos de 1km da entrada na cidade via E.N.2, embora não seja este o seu acesso principal, pois esse, faz-se via Campo da Roda.

 

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Embora a proximidade da cidade, a aldeia mais antiga tem todas as características de uma aldeia rural, com o seu aglomerado de casas rodeado de campos agrícolas, e na sua ruralidade, a única modernidade que destoa, é mesmo a central elétrica, que abastece de eletricidade grande parte da cidade de Chaves.Mas hoje não estamos aqui para falarmos das Pereira de Veiga, pois isso, já o fomos fazendo ao longo dos vários posts que lhe dedicamos, hoje estamos aqui pelo seu vídeo resumo.

 

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E agora sim, o vídeo com todas as imagens da aldeia de Pereira de Veiga que foram publicadas até hoje neste blog. Espero que gostem e não esqueçam que agora também podem ver este e outros vídeos no MEO KANAL Nº 895 607.

 

Aqui fica o vídeo, espero que gostem:

 

 

 

Post do blog Chaves dedicados à aldeia de Pereira de Veiga:

https://chaves.blogs.sapo.pt/pereira-de-veiga-chaves-portugal-1730125

https://chaves.blogs.sapo.pt/pereira-de-veiga-chaves-portugal-1260972

https://chaves.blogs.sapo.pt/290767.html

 

 

E quanto a aldeias de Chaves, despedimo-nos até ao próximo sábado em que teremos aqui a aldeia de Pereiro de Agrações.

 

 

 

10
Out20

Pereira de Selão - Chaves - Portugal

Aldeias do Concelho de Chaves

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PEREIRA DE SELÃO

 

Continuando a cumprir a nossa falta para com as aldeias que, aquando dos seus posts neste blog, não tiveram o resumo fotográfico em vídeo, trazemos hoje esse resumo para a aldeia de Pereira de Selão.

 

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Aldeia de Pereira de Selão que fica localizada dentro do grande triângulo que tem como vértices a cidade de Chaves, Vidago e Peto de Lagarelhos e como lados a EN2, EM311 e a M314.

 

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Tem como aldeias mais próximas a aldeia de Vilas Boas, Fornos, Valverde e Redial, no entanto, quem prende os seus olhares, é mesmo a Capela do santuário de Stª Bárbara, junto a Ventuzelos, santuário desde o qual, logo no sopé da montanha, se avista o todo da aldeia de Pereira de Selão. A nossa primeira foto de hoje é tomada desde Stª Bárbara.

 

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Mas como todas as aldeias, para a ficarmos a conhecer minimamente, temos mesmo que entrar na sua intimidade, percorrer as suas ruas e se possível conversar um bocadinho com os seus residentes que às vezes nos levam até outras descobertas preciosas. A partida da cidade de Chaves, o melhor acesso para esta aldeia é via EN2 até Bóbeda, logo a seguir encontrará o desvio para Redial, e após esta aldeia terá Pereira de Selão, a menos de 12 km de Chaves. Se for por lá, à vinda, não volte para trás, saia junto à lagoa das antigas minas em direção a Vilas Boas, suba em direção a Ventuzelos e antes de entrar nesta última aldeia, suba até Stª Bárbara e demore-se por lá o que tiver a demorar-se, pois as vistas entram dentro de quase todos os concelhos vizinhos de Chaves, incluindo os galegos.

 

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Mas hoje não estamos aqui para falar da aldeia, isso já o fomos fazendo ao longo da existência deste blog, em vários posts para os quais fica link no final. Hoje estamos aqui pelo vídeo resumo com todas as imagens da aldeia de Pereira de Selão que foram publicadas até neste blog. Espero que gostem .

 

Aqui fica:

Agora, este e outros vídeos de Chaves e da região, também pode ser visto no MEO KANAL nº 895 607

 

Post do blog Chaves dedicados à aldeia de Pereira de Selão:

 

https://chaves.blogs.sapo.pt/pereira-de-selao-chaves-portugal-1725437

https://chaves.blogs.sapo.pt/pereira-de-selao-1426074

https://chaves.blogs.sapo.pt/276194.html

https://chaves.blogs.sapo.pt/52953.html

 

E quanto a aldeias de Chaves, despedimo-nos até ao próximo sábado em que teremos aqui a aldeia de Pereira de Veiga.

 

 

 

09
Out20

O Barroso aqui tão perto - Negrões

Aldeias do Barroso - Concelho de Montalegre

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Negrões

 

 

Continuando a cumprir a nossa falta para com as aldeias que, aquando dos seus post neste blog, não tiveram o resumo fotográfico em vídeo, trazemos hoje esse resumo para a aldeia de Negrões, Montalegre.

 

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Como habitual aproveitamos a oportunidade para deixar aqui mais algumas imagens que escaparam à anterior seleção, aquando do seu post.

 

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Negrões, uma das aldeias que esta na margem da barragem do Alto Rabagão, ou Pisões se preferirem, com o seu casario quase a entrar pela água adentro, sendo o contrário também verdade.

 

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Mas sobre Negrões já dissemos tudo que tínhamos para dizer no post que lhe dedicámos e para o qual fica link no final deste post. Hoje estamos aqui pelo vídeo que faltou nesse mesmo post.

 

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Vídeo que vai já ficar de seguida e que reúne todas as imagens de Negrões publicadas neste blog até hoje, incluindo as deste post. Aqui fica, espero que gostem:

 

 

Este e outros vídeos do Barroso e região de Chaves, também pode ser vistos no MEO KANAL Nº 895607

 

Post do blog Chaves dedicados à aldeia de Negrões:

 

https://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-negroes-1511302

 

 

E quanto a aldeias do Barroso de Montalegre, despedimo-nos até a próxima sexta-feira em que teremos aqui a aldeia de Nogueiró.

 

 

04
Out20

O Barroso aqui tão perto - Bobadela

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BOBADELA – BOTICAS

 

E porque hoje é domingo, como vem sendo habitual, com algumas exceções, vamos até ao Barroso aqui tão perto. Ultimamente e até concluirmos, temos andado pelo concelho de Boticas, de freguesia em freguesia, com as suas respetivas aldeias. No último domingo andámos pela freguesia de Ardãos e Bobadela, mais precisamente na aldeia de Ardãos. Hoje vamos até Bobadela, e para o próximo domingo, para concluirmos a freguesia, iremos até Nogueira.

 

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Ardãos e Bobadela é a freguesia localizada mais a norte do concelho de Boticas e faz uma “incursão”, como se tivesse ficada entalada, entre o concelho de Montalegre e o concelho de Chaves, ficando o limite da freguesia bem próximo das aldeias de Meixide (Montalegre) e de Castelões, Calvão, Seara Velha, Soutelo, Noval, Pastoria, Casas Novas e Redondelo, estas todas do concelho de Chaves e a menos de 2Km do limite desta freguesia barrosã, com a Pastoria a menos de 500m de distância.

 

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A par da aldeia de Sapelos, da freguesia de Sapiãos, é também a freguesia que se abre para o vale do Alto Terva, a acompanhar o rio Terva que, em termos de peixe só “dá bogas e às vezes trutas” e só nalguns troços do rio, mas que, desde a ocupação romana,  é conhecida pela riqueza em ouro do seu subsolo, pelo menos os romanos exploram neste vale algumas minas deste metal precisos, construíram uma cidade (Batocas) e fizeram passar por ela importantes vias romanas e/ou importantes ligações à Via Romana XVII, que ligava Bracara (Braga) a Asturica (Astorga), com passagem por Aquae Flaviae (Chaves).

 

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Vista parcial de Bobadela desde a Serra do Leiranco

Vale do Alto Terva onde existe um parque arqueológico, com alguns passadiços, miradouros, vestígios das antigas minas de ouro, como o poço das Freitas, ou vestígio da antiga cidade de Batocas, gravuras, castros, etc. Mas desde já fica um conselho, se não conhece o vale do Terva, não se aventures a ir para lá às cegas, que o mais provável é não encontrar nada ou mesmo perder-se. Em Bobadela, junto à Igreja/cruzeiro, há um posto de informações com muita documentação, mapas, rotas (natura, das vias antigas, das gravuras, das minas, dos castros e das aldeias) e demais informações. Penso mesmo que fazem visitas guiadas ao Parque Arqueológico. Antes de se aventurar por lá sozinho, vá com alguém que conheça ou passe por este posto de informações.

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Como já perceberam esta aldeia de Bobadela é uma aldeia bem próxima da cidade de Chaves mas nada tem a ver com a Bobadela de Monforte de Chaves. Daí que em tempos e ainda hoje, às vezes se referem a ela como Bobadela do Barroso que, para se ir até lá, basta percorrer 19.6 Km, isto a partir da cidade de Chaves, com dois acesso possíveis, mas, curiosamente,  ambos à mesma distância. Um dos acessos é via EN103, estrada de Braga, passando por Curalha, Casas Novas, S.Domingos, Sapelos (já de Boticas) e a seguir a esta aldeia irá atravessar uma ponte sobre o rio Terva onde logo a seguir terá uma saída à direita (M507), por onde terá de percorrer pouco mais de 1Km para chegar a Bobadela (do Barroso). A outra alternativa, é com saída por Casas dos Montes, Valdanta, Soutelo, Seara Velha, Ardãos (já em Boticas), Nogueira e finalmente Bobadela. Nós recomendamos este último itinerário, mas o melhor mesmo, é ir por um itinerário e regressar pelo outro, e aí tanto faz. Fica o nosso mapa.

 

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Bobadela fica encostadinha à Serra do Leiranco, mesmo nas suas faldas, a uma altitude a rondar os 600m, uma serra que embora muitas vezes fique vestida de branco do inverno, protege a aldeia dos ares frios vindos do grande planalto do Larouco e do restante Barroso. É uma aldeia que há muito conhecíamos das nossas inúmeras passagens, mas como sempre vamos dizer, só passar, não nos dá a conhecer a aldeia. É preciso parar, entrar na intimidade da aldeia, demorarmo-nos por lá o tempo que tiver de ser, só assim poderemos ficar com algum conhecimento dela, e esta aldeia, na sua intimidade, surpreendeu-nos pela positiva. Sinceramente gostámos daquilo que vimos e que vamos deixando aqui um pouco em imagem. Uma aldeia limpinha e mesmo sem jardins, é uma aldeia ajardinada, cheia de ruas floridas e gente simpática, com que tivemos oportunidade de conversar e desfrutar das conversas. Penso que nas imagens que hoje vos deixo, são bem ilustrativas destas palavras.

 

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E agora passemos ao que dizem os documentos, aproveitando para a agradecer à Câmara Municipal de Boticas, na pessoa da sua Vereadora da Cultura, o ter-nos disponibilizado os mapas do concelho e muita da informação que vamos deixando por aqui, nomeadamente a que vem nos cadernos de cada freguesia, integrados na monografia “Preservação dos Hábitos Comunitários das Aldeias do Concelho de Boticas”, de onde retirámos toda a informação que deixaremos a seguir.

 

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Ainda antes de passarmos ao que se diz nos documentos, fica o aviso que as informações neles contidos poderá não estar atualizada, nomeadamente no que diz respeito ao número de população residentes e alguns estabelecimentos comerciais e outros nele referidos, pois este documento que vamos transcrever de seguida, é datado de maio de 2006.

 

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A FREGUESIA DE BOBADELA: GEOGRAFIA E PERPECTIVA HISTÓRICA

 

A freguesia de Bobadela situa-se na parte Nordeste do concelho de Boticas. Confronta com várias freguesias: a Norte Ardãos, a Este e a Sul com Sapiãos e a Oeste Cervos, do concelho de Montalegre. Ocupa uma área total de 14,7 Km2, sendo constituída por duas povoações, Bobadela, sede da freguesia, e Nogueira. Dista da sede do concelho aproximadamente 7 km. O acesso viário faz-se se-  guindo pela EN 312 até Sapiãos. Apanha-se, depois, a EN 103 na direcção de Chaves, virando-se onde surge a placa com a indicação de Bobadela e percorrendo a EM 527.

 

As aldeias de Bobadela e Nogueira encontram-se separadas entre si 1 km, aninhadas na base da encosta Este da Serra do Leiranco e protegidas a Oeste pela montanha. Os campos de cultivo estendem-se à sua volta ao longo do vale do Terva, uma zona plana e fértil.

 

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População, Economia e Sociedade

O desenvolvimento da população desta freguesia de Bobadela acompanha o movimento demográfico que caracteriza toda a região de montanha no Norte de Portugal, tipificada por uma diminuição progressiva da população, com uma pirâmide etária invertida, onde os grupos etários mais baixos são diminutos e a população envelhecida aumenta.

 

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Actualmente, tem aproximadamente 354 residentes. Esta freguesia, que à semelhança do que se verifica na generalidade das freguesias do concelho perdeu muita da sua população residente nos últimos 40 anos, é uma das freguesias em que este fenómeno atingiu proporções mais alarmantes, atingindo o valor de 73,5%, sendo que na década de 60 a 70 perdeu mais de metade da sua população. Estes valores são em parte explicados pela intensificação dos fluxos migratórios que se registaram a partir da década de 60, nomeadamente para França, Estados Unidos da América, Suíça e Alemanha.

 

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Esta é também uma das freguesias que apresenta uma maior tendência para envelhecimento da sua população residente, sendo que 72 % dos 311 residentes têm idade superior a 25 anos.

 

Os níveis de alfabetização desta população residente são baixos, acompanhando o seu nível de envelhecimento, sendo que 20% da população residente não tem nenhuma qualificação académica. Esta situação excepcional é suportada pelo elevado número de idosos, alguns deles regressados da emigração, em situação de aposentados.

 

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A área de actividade económica dominante entre a população local é a agricultura e a pecuária, seguindo os caminhos ancestrais da freguesia e visando apenas a subsistência.

 

Algumas famílias continuam a actividade tradicional de criação de gado e produção de batata e centeio, os produtos que melhor se desenvolvem e produzem nesta região de Barroso, com elevados níveis de qualidade e sabor. Também a produção artesanal de mel e fumeiro está em vias de desenvolvimento, funcionando como complementaridade no rendimento das famílias. Parte da população trabalha na construção civil, no pequeno comércio local (cafés e mercearias), em empreendimentos locais como oficinas de mecânica ou a fábrica do fumeiro (Fumeinor) e outros ainda na área dos serviços e indústria em instituições do concelho (Município de Boticas, Santa Casa de Misericórdia de Boticas, Euronete, etc).

 

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No que se refere à sociedade, esta comunidade é caracterizada pela existência de famílias de lavradores, pequenos proprietários de terras onde se desenvolve a actividade agrícola e pecuária e por pequenos empresários e comerciantes. É uma sociedade homogénea com alguns quadros médios que se dedicam à actividade comercial e desenvolvem actividade no ensino e na vida administrativa nas terras vizinhas, designadamente na sede do concelho.

 

Em termos associativos existe na freguesia a Associação Recreativa e Cultural de Bobadela.

 

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Marcas do seu Passado

Não é fácil conhecer a data da origem da maioria das paróquias e freguesias, sendo a sua origem desconhecida no tempo por não haver provas documentais. Umas mais antigas, outras de origem mais recente, sabe-se que a maioria destas aldeias foram formadas a partir do agrupamento de famílias unidas por laços de parentesco ou afinidades económicas e profissionais que se organizaram em comunidade. Muitas das aldeias de Barroso têm a sua origem histórica no movimento de reconquista e povoamento do território iniciado com a formação do Reino de Portugal, em 1143, e posterior fixação de uma ou mais famílias de povoadores. Teve particular desenvolvimento a partir do século XIII. Estes povoadores eram atraídos por contratos de aforamento cujos termos do contrato lhes eram favoráveis e se traduziam em pagamentos pouco relevantes. Estes contratos são conhecidos como o processo de enfiteuse e eram promovidos indistintamente pela Coroa e/ou pelas Casas Nobres e Senhorios Eclesiásticos.

 

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São conhecidos alguns contratos de aforamento para as terras de Barroso que nos permitem pensar que a grande maioria das suas aldeias e povoados tiveram origem neste modo de povoamento[i]. Alguns contratos de aforamento são disso testemunho, como é o caso do aforamento da "Póvoa" de Lavradas, feito no inicio do segundo quartel do século XIV, no tempo do Rei D. Dinis, e que, tudo o indica, está na origem da actual aldeia de Lavradas.

 

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De facto, por este documento fundador de Lavradas verifica-se que foi terra ocupada a partir de uma carta de aforamento passada pelo Rei de Portugal a um conjunto de povoadores que, com suas mulheres, receberam autorização de Sua Majestade para formarem 11 casais (propriedades agrícolas) que deveriam povoar, lavrar e frutificar a troco de um foro (renda), traduzido em dois maravedis e dois alqueires de pão (um de milho outro de centeio) por casal, que deveriam pagar pelo S. Martinho.

 

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Bobadela ou Bobadela de Barroso, como também era conhecida, tem, porém, vestígios que informam a presença de habitantes de época pré-romana. A paróquia de Bobadela já existiria no século XIII, altura em que foi instituída pelo arcebispo de Braga. Foi comenda da ordem de Cristo.

 

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Nos inícios do século XVI, em 1527, aparece já como terra consolidada na sua organização comunitária. No "Numeramento" mandado fazer por D. João III, Bobadela é habitada por 21 moradores e Nogueira 28 moradores, o que dá uma população aproximada de 200 habitantes[ii].

 

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Os Castros de Bobadela

No território da actual freguesia de Bobadela estão identificados dois castros que testemunham a presença humana muito antes da independência de Portugal. O castro de Nogueira, situado entre a serra de Bobadela e Nogueira, perto da ribeira das Lameiras da Serra. Este monumento, embora reduzido a um aglomerado de pedra, restos de suas construções e muralha, é uma marca da antiguidade do povoamento desta freguesia. Outra marca do passado antigo de Bobadela é o castro de Bobadela ou do Brejo. Os vestígios deste são ainda menos expressivos que os de Nogueira.

 

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O Poço das Freitas

O Poço das Freitas, também denominado pelos habitantes locais por Poço do Limarinho, constitui um local de interesse turístico da freguesia de Bobadela. Pela sua peculiaridade e raridade, constitui a maior obra produzida pelo Homem no concelho de Boticas na conquista da exploração do ouro nas minas e no aluvião, da qual resultaram admiráveis cortas e lagoas.

 

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Um Documento de 1758

No ano de 1758 o Rei D. José, através do seu ministro Marquês de Pombal, desenvolveu um inquérito a todas as paróquias do Reino de Portugal continental que hoje se encontram no IAN/TT.

 

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Este inquérito, que foi respondido pelos párocos das freguesias, era composto de três partes: a primeira respeitante à paróquia, onde se tratava de saber da sua história, produções agrícolas, população, instituições locais, igreja e cape-las com suas devoções e romagens; a segunda tratava da serra e das suas características, se tinha lagoas e nascentes, monumentos, capelas, caça e árvores; a terceira perguntava sobre os rios e ribeiros que nela existissem, assim como das levadas, represas, moinhos, pisões e culturas nas suas margens. É graças a este inquérito que se pode obter uma visão mais ou menos completa de como era a freguesia de Bobadela nos meados do século XVIII, como abaixo se pode ver. Esta memória paroquial é particularmente rica de informação, o que nos permite até imaginar como seria a vida desta comunidade paroquial.

 

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É a resposta dada pelo pároco da freguesia de Bobadela, nesse ano o Reitor António Alvares Monteiro, que adiante apresentamos. Para melhor leitura foi actualizado o Português naquelas palavras que consideramos necessário, introduzindo-se-lhe pontuação e parágrafos.

 

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  1. Fica dentro da província de Trás-os-Montes, arcebispado de Braga, comarca de Guimarães, termo da vila de Montalegre, freguesia de São Miguel de Bobadela.
  2. Pertence esta igreja à collação do ordinário deste Arcebispado de Braga.
  3. Tem cento e trinta e nove vizinhos e trezentas e setenta e oito pessoas.
  4. Está situada em campo, dela apenas se avistam a freguesia de Sapiãos e a de Ardãos, com quem parte. Dista de cada uma delas uma meia légua.
  5. O [seu] termo é somente uma légua que parte com as referidas duas freguesias.
  6. A igreja paroquial está no fim deste lugar de Bobadela. Tem somente outro lugar chamado Nogueira.
  7. O orago é São Miguel. [A igreja] tem três altares: o maior de São Miguel; os colaterais, um da Senhora do Rosário e o outro da imagem do Santo Cristo. Não há irmandades.
  8. O pároco é reitor da collação do Ordinário Braga, que renderá cento e quarenta mil reis.
  9. Apresenta a igreja de Ardãos e a de Soutelo, cada uma delas renderá uns cem mil réis. A de São Jorge renderá sessenta mil réis.

 

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  1. Não há conventos.
  2. Não tem hospitais.
  3. Não tem casa de Misericórdia.
  4. Tem três ermidas: uma de São Lourenço que fica por cima deste lugar de Bobadela, a de Santo António que fica dentro do lugar de Nogueira e a de Santa Cruz que fica por baixo do dito lugar de Nogueira; pertencem aos vizinhos que as fabricam.
  5. Não acodem a elas romagens a não ser no dia em que celebram as suas imagens.
  6. Os frutos desta terra são: centeio, milho, vinho, legumes e castanhas.
  7. Tem juiz espadaneo subordinado ao juiz de fora da vila de Montalegre.
  8. Não é couto, nem cabeça de conselho, nem honra ou behtria.
  9. Não há memória que desta terra saíssem alguns homens ilustres, em virtudes, letras ou armas.
  10. Não tem feiras.

 

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  1. Não tem correio, serve-se do correio da vila de Chaves que dista [deste lugar] duas léguas e um quarto.
  2. Dista da cidade de Braga, capital deste Arcebispado, treze léguas, e de Lisboa, capital do Reino, perto de oitenta léguas.
  3. Não tem privilégios, nem antiguidades.
  4. Não há fonte nem lagoa célebre.
  5. Fica distante do mar mais de vinte léguas.
  6. Não é murada.
  7. No terramoto de 1755, caiu apenas uma [costa] da capela mor da igreja que logo se reparou.
  8. Não há coisa alguma digna de memória.

 

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  1. Tem esta freguesia uma serra chamada Leiranco.
  2. Terá uma légua de comprimento e quase outra de largura, principia no Termo de Ardãos e finda no de Sapiãos.
  3. Não tem braços.
  4. Nasce nela um regato e algumas fontes que correm para o nascente.
  5. Não tem povoações de vilas ou lugares.
  6. Não tem fontes de propriedades raras.
  7. Não tem minas de metais, nem canteiras de pedra ou materiais de estimação.
  8. Não tem plantas ou ervas medicinais. Não é cultivada. Só tem lenha de urze e carcheijão.
  9. Não tem mosteiro, nem igreja, romagem nem imagens.
  10. É muito fria por ficar alta e quando neva fica coberta.
  11. Só cria coelhos e algumas perdizes.
  12. Não tem lagoa nem fojo.
  13. Não tem mais nada que seja digno de registo.

 

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  1. Tem um rio chamado Terva que nasce na serra da freguesia de Ardãos e de Calvão.
  2. Nasce com pequena corrente e corre todo o ano.
  3. Não desagua nele nenhum rio.
  4. É rio que não tem barca, só uma ponte que se chama Pedrinha.
  5. Só quando há tempestades é que não se pode passar a vau, o resto do tempo passa-se por ser pequeno.
  6. Corre de norte para sul.
  7. Como é de pouca água só cria algumas bogas.
  8. Não tem pescarias.
  9. Como não as há nele não podem ter senhorio.
  10. Como é pequeno, cultivam-se as terras junto ás margens. Não tem arvoredos.
  11. As suas águas não têm virtudes especiais.
  12. Sempre conserva o mesmo nome.
  13. Desagua no rio Tâmega por baixo da freguesia de Pinho.
  14. Não tem presas nem açudes.
  15. Só tem a ponte de Pedrinha de cantaria no termo deste lugar de Bobadela.
  16. Só tem alguns moinhos.
  17. Não consta que se tirasse ouro das suas áreas.
  18. Os povos usam as suas águas livremente para cultura dos campos.
  19. Terá três léguas donde nasce até onde desagua no rio Tâmega. Passa pela freguesia de Sapiãos, Granja, Eiró e Pinho.
  20. Perto da corrente deste rio, no termo do lugar de Nogueira desta freguesia, onde se chamam as Freitas há uma lagoa e [catas] ao pé dela, dizem que foram minas que os romanos tiraram delas ouro ou prata. E não há mais nada digno de memória nesta freguesia.

 

E por passar na verdade fiz esta que juro in verbo sacerdotis, Bobadela, 10 de Março de 1758, que assinei com os Reverendos párocos mais próximos.

O Reitor António Alvares Monteiro

O Pároco de Santo André de Ardãos Álvares

O Reitor de S. Pedro de Sapiãos Domingos Gonçalves.

 

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E por hoje vai sendo tudo. Hoje não deixamos por aqui algumas imagens de alguns pontos importantes fora da aldeia, como o Poço das Freitas, mas Bobadela e Ardãos ainda virão aqui de novo com o post resumo dedicado à freguesia de Ardãos e Bobadela, e nessa altura teremos aqui mais imagens. Por hoje só nos resta deixar o vídeo resumo com todas as imagens aqui publicadas, ao qual passamos de imediato. Espero que gostem.

 

 

Agora também poderá ver este, e outros vídeos,  no MEO KANAL.

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E quanto a aldeias do Barroso do concelho de Boticas, estaremos aqui de novo no próximo domingo com a aldeia de NOGUEIRA, com a qual encerraremos as aldeias da freguesia de Ardãos e Bobadela.

 

[i] BORRALHEIRO, Rogério, 2005, Montalegre, Memórias e História. Ed. Câmara Municipal de Montalegre. Pp. 80-70.

[ii] Tendo por base o índice de 4 a 5 habitantes por fogo. Arquivo Histórico Português, Vol. VII, nº7, Julho de 1909, p. 272.

 

 

20
Jul20

O Barroso aqui tão perto - Cerdedo

Aldeias de Barroso - Concelho de Boticas - Portugal

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CERDEDO 

 

A descoberta de Cerdedo é recente. A primeira vez que lá fui, foi pela mão do Luís de Boticas, um botiquense amante do seu Barroso e também colaborador deste blog. Estávamos na festa do São Sebastião da Vila Grande, Dornelas. edição de 2016, e falou-nos desta aldeia, que tínhamos de ir lá, e lá fomos, antes de fazemos a passagem do São Sebastião da Vila Grande para o São Sebastião das Alturas do Barroso. O mesmo santo, ambas festas comunitárias, mas bem diferentes na forma de as fazer. Já agora, o Cerdedo também celebra o São Sebastião, também com uma festa comunitária, logo pela manhã, ainda antes de começar a da Vila Grande, mas sobre isso, falaremos mais à frente.

 

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Pois mal chegámos à aldeia, quer-se dizer, mal parámos na estrada ER311 e lançamos um olhar sobre a aldeia, ficámos logo apaixonados por ela. Como era possível por entre montanhas despidas ou vestidas tons avermelhados e acastanhados escuros, existir tanto verde. Parecia coisa artificial, uma tela pintada por um artista naturalista de paisagens que tinha abusado e exagerado na exuberância verde, apenas quebrado pelo recortar dos muros de pedras e do casario que se vai dispersando no meio de tanto verde, mas tudo aquilo era real e estava ali mesmo à minha frente. Mas dessa vez ficámos apenas pelas vistas desde a estrada, mas Cerdedo ficou debaixo de olho para as próximas passagens e para uma visita com descida à aldeia, nas calmas.

 

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E assim foi durante os 2 anos seguintes até maio de 2018 em que decidimos fazer a descida à aldeia para o nosso levantamento fotográfico e algumas conversas, aliás muitas conversas, pois Cerdedo é uma terra com gente nas ruas que gosta de conversar e de alguns lamentos. Contam-nos estórias, falam-nos nos filhos que estão fora a lutar pela vida, da vida na aldeia, do “trabalhar de estrela a estrela” como me dizia o Sr. Arlindo e a D. Alda, falam-nos na falta de gente na aldeia e nas aldeias vizinhas, “antigamente bastava um realejo e fazia-se logo um baile na rua, agora não há ninguém” três, filhos, todos fora, “a mais nova vive no Algarve” dizia-nos a D. Alda enquanto nos mostrava a cozinha velhas e a adega onde faziam vinho , a bold e sublinhado pois fazer vinho no Barroso é obra, mas agora já não se faz, “as pipas estão todas esbardalhadas” e se não fosse termos uma agenda a cumprir, ainda hoje lá estávamos à conversa.

 

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Estas entradas nas aldeias do Barroso têm de ser feitas sempre como mandam as regras, primeiro com respeito por tudo e por todos, depois convém fazer as apresentações, dizer ao que vamos, quem somos, de onde vimos, para onde vamos, depois vem a conversa, saber ouvir é importante, muito importante, primeiro porque aprendemos sempre alguma coisa, depois porque nos dão dados preciosos para o conhecimento e pordemos fazer um pouco da história destas aldeias, e tivéssemos mais tempo, não fosse uma “visita de médico” para recolher imagens, e acabávamos à mesa com uns nacos de presunto, linguiças e bom vinho (este das terras onde o há do bem), tudo do genuíno, tal é a pureza e hospitalidade deste povo barrosão. Mas atenção, isto é para quem vai por bem e com boas intenções, e eles sabem quando assim é, pois para os que vão de má fé e são descobertos, o mais provável é levarem umas estadulhadas no lombo ou na cabeça, que os arruma logo, mas como agora os estadulhos já não estão à mão,  um zagalote também serve, perde-se talvez uma perdiz ou um coelho, mas não são levados por lorpas.    

 

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Quanto à aldeia, já fora das vistas desde a ER311, agora já na sua intimidade, tem um povoamento disperso ao longo de todos os cainhos, mas com dois pequenos núcleos mais consolidados. A aldeia cabe dentro de um circulo com perto de 900 metros de diâmetro, e no seus tempos em que a população abundava, a freguesia chegou a ter 508 habitantes (Censo de 1960), mas nos últimos Censos (2011) a freguesia só já tinha 145 habitantes e Cerdedo, segundo informações colhidas na aldeia, agora tinha à volta de 70 pessoas, mesmo assim, ainda é uma aldeia com vida.

 

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A aldeia implanta-se numa baixa entre montanhas, não em vale, mas em terras com pouca inclinação, mesmo assim a construção que se encontra no ponto mais alto da aldeia está implantada quase a uma cota de 1000 metros de altitude, enquanto que o ponto mais baixo, já junto ao rio, anda na cota dos 800 metros. Terras altas e de invernos rigorosos, mas sem a força de quebrar ou queimar o verde das pastagens cuja exuberância domina a cor da aldeia.

 

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Para mim, ou seja a opinião é pessoal, se me pedissem para indicar 10 aldeias do Barroso de visita obrigatória, não hesitaria nem um segundo em indicar Cerdedo, não por ser uma aldeia típica do Barroso, mas pelo seu todo e pelo domínio e exuberância do seu verde.

 

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E como se chega lá!? Pois é muito fácil. Para nós que saímos sempre da cidade de Chaves, basta apanhar a EN103 (estrada de Braga) até Sapiãos, depois Boticas e aqui apanhamos a ER311 em direção a Salto, depois ´se seguir sempre pela ER311 até chegar a Cerdedo. Atenção às placas de entrada na aldeia, pois embora as melhores vistas sobre Cerdedo sejam desde a ER311, indo de carro e desde o seu interior, a aldeia não é muito visível, é necessário estarmos bem na berma da estrada para a ver como deve ser. Depois de apreciá-la lá desde cima, desde a ER311, uma descida à aldeia é obrigatório, e não se preocupe se deixou a entrada da aldeia para trás, pois como a aldeia tem 4 entradas, pode apanhar a última e assim vai vendo a aldeia de vários ângulos, qual deles o mais interessante. Para ajudar um pouco na localização, fica o nosso mapa.

 

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Para ver com mais atenção, recomenda-se uma visita à igreja do cemitério e também as vistas que desde aí se alcançam para a aldeia, mais uma vista interessante e diferente de todas as outras. Os dois pequenos núcleos de construções, também são interessantes, e uma descida ao rio, também é de não perder.

 

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Falta-nos conhecer com mais pormenor a Festa do São Sebastião, que tal como as outras do Barroso se celebra todos os anos a 20 de janeiro. Este ano fomos lá, mas chegamos em má hora para as nossas pretensões, que seria antes ou depois da missa, mas quando chegámos estava a missa a decorrer, e como na nossa agenda estava também chegar a horas à Vila Grande, adiámos para uma próxima edição, talvez na próxima edição, isto se o raio do bicho do Covid-19 o permitir, vamos esperar que até lá tudo fique resolvido com este problema que tanto nos afeta a normalidade dos dias, das festas e do convívio onde as pessoas de ajuntam. 

 

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Mas vejamos o que diz a monografia de Boticas – Preservação dos Hábitos Comunitários nas Aldeias de Boticas.

 

Festa de S. Sebastião em Cerdedo

 

A Festa em honra de S. Sebastião, a 20 de Janeiro, em Cerdedo, é muito antiga, como o certifica o Abade em 1758, e caracteriza-se pela sua dimensão intimista. Mantém as características genuínas de uma manifestação religiosa comunitária onde praticamente só os moradores da freguesia e alguns dos seus “filhos” emigrados que por essa altura vêm à terra venerar o Santo e cumprir com os seus votos, se juntam pelas oito da manhã na igreja em torno do pároco para celebrar a missa da festa. Após esta, parte em cortejo processional em direcção à casa do Juiz. Este, com o Santo no regaço, segue atrás da cruz, acompanhado por todos. O pároco, uma vez chegado, benze e abençoa sucessivamente o pão, a carne e o vinho, delicadamente expostos em cestos e tabuleiros, sob a presença do Santo venerado.

 

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E continua a monografia:

 

Cá fora, no logradouro da casa ou na eira, dispõe-se a mesa coberta com toalha branca e na cabeceira, numa outra mesa pequena, coloca-se o São Sebastião que vai presidir à refeição comunitária. A mulher do mordomo aparece com tabuleiros de pão cortado em fatias, logo atrás surgem as vizinhas com travessas de carne de porco (peito) cortada em bocados. E, num movimento rápido e partilhado, um traz o vinho, outro os copos, outro os guardanapos de papel. Entretanto os devotos iniciam a refeição. Equipados com uma navalha ou uma faca pegam numa fatia de pão centeio, um pedaço de carne e vão degustando enquanto se trocam opiniões sobre o quotidiano da aldeia. Um ou outro vai entretanto pagar a esmola ao Santo que, alheio a tal burburinho, vela pelos seus devotos. Animam-se os comensais e vai-se terminando a refeição com um pouco de aguardente ou vinho do Porto, mimos com que o mordomo não deixa de presentear os seus concidadãos e amigos. Ao lado de grandes cestos de carvalho é doado a cada romeiro um quarto de broa (cerca de um quilo) que, em casa, será partilhado por toda a família e até animais. O pão santo – a mezinha – ajudará a proteger todos aqueles que o comem.

 

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E ainda:

É hora do Leilão e o Sr. Gomes, que ambiciona ter quem lhe suceda em tarefa tão nobre e também tão alegre, lá sobe as escadas até ao pátio para do alto “cantar” o lanço mais alto para um peito de porco, uma orelheira ou meia dúzia de chouriças. Faz isto há Festa de S. Sebastião em Cerdedo mais de vinte anos. As broas de centeio, enormes, são licitadas avidamente, com alegres escaramuças, pela cerca de meia centena de convivas e devotos, todos irmanados no continuar da tradição.

 

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Festa do São Sebastião com muita tradição no Barroso, no entanto a Orago de Cerdedo é o São Tiago, mas fazem festa ao Santo António e São Lourenço no terceiro domingo de agosto e em 8 de setembro à Srª do Monte, esta num pequeno santuário isolado no meio da Serra do Barroso.

 

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Srª do Monte

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Quanto a património religioso e comunitário da aldeia, tem a capela da Srª do Monte, a Igreja Paroquial de São Tiago e o forno do povo.

 

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Igreja Paroquial e antigo cemitério

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Ainda sobre Cerdedo apurámos que foi abadia da casa de Bragança. Em 1839, pertencia ao concelho de Montalegre e judicialmente à comarca de Chaves. Em 1852 passou a pertencer ao concelho de Boticas e judicialmente à comarca de Montalegre. Segundo informação veiculada através das cartas paroquiais de 1758, nasceu e viveu neste lugar um famoso poeta popular conhecido por Pantoja, cuja obra infelizmente se perdeu no tempo

 

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A respeito deste poeta popular Pantoja, num documento de 1758, um inquérito que Marques de Pombal mandou para resposta de todas a paróquias do Reino de Portugal, o então Abade de Cerdedo, o Abade Vicente Ferreira de Alcantra, diz o seguinte:

“ Neste sobredito lugar cresceu aquele insigne Pantoja muito conhecido pelas suas trovas, que fazia cantigas e sátiras que inventava não tendo mais ciência do que a enxada e o arado com que o pobre vivia, como tal acabou imitando os poetas e por tal ao clamado pelos moradores do lugar. Deste não ficou sucessão, nem as sua obras editadas, só ficou na memória de alguns alguma coisa burlesca.”

 

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Ainda neste inquérito de 1758, o mesmo Abade Ferreira, dizia sobre Cerdedo:

“Tem trinta e seis fogos ou vizinhos e pessoas de sacramento cento e quarenta. Está situada em montes ásperos, a maior parte dela, donde se avistam várias montanhas como a montanha do Gerês, bem nomeada pela sua aspereza e os arredores de Montalegre, tudo para a parte do norte. Para a parte de nascente vêem-se vários montes como é o Alvão, e outros que vão correndo per de fronte a ribeira de pena, rio Tâmega, que vem da vila de Chaves para Amarante, cuja ribeira dista daqui três léguas e do Gerês três. E quanto ao eclesiástico está sujeita à Vila de Chaves, onde existe o Doutor Vigário Geral da dita comarca, a qual dista daqui seis léguas para a parte.

Tem esta freguesia cinco lugares: Cerdedo, Covelo, Coimbró, Serra e Virtelo. O primeiro tem doze vizinhos, o segundo quatro, o terceiro onze, o quarto três e o quinto dois e uma pobre e outra na do Cerdedo."

 

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As montanhas a nascente, mencionadas pelo Abade Ferreira no inquérito de 1758

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E na ausência de mais informação sobre Cerdedo, vamos caminhando para o final deste já longo post, apenas nos falta o vídeo com todas as fotografias publicadas até hoje neste blog. Espero que gostem:

 

 

E quanto a aldeias de Barroso, despedimo-nos até a próxima sexta-feira com uma aldeia do Barroso do concelho de Montalegre, Lamachã, e no próximo domingo com uma aldeia do concelho de Boticas, Coimbró.

 

BIBLIOGRAFIA

CÂMARA MUNICIPAL DE BOTICAS, Preservação dos Hábitos Comunitários nas Aldeias do Concelho de Boticas - Câmara Municipal de Boticas, Boticas, 2006

 

WEBGRAFIA

http://www.cm-boticas.pt/

 

 

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