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CHAVES

Olhares sobre o "Reino Maravilhoso"

02
Ago20

O Barroso aqui tão perto - Côvelo do Monte (totalmente despovoada)

Aldeia do Barroso - Concelho de Boticas

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Sempre que partimos para o Barroso desconhecido, fazemos previamente o trabalho de casa, principalmente estudamos bem o nosso itinerário, tomamos anotações de pontos de referência e de passagem obrigatória, anotamos possíveis atalhos e fazemos contas ao tempo que necessitamos para percorrer distâncias e paragens nos locais.

 

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Mas como sempre uma coisa são os mapas e outra é a realidade,  e se para alguns locais partimos mais despreocupados, pois há sempre uma aldeia por perto e pessoas a quem perguntar no caso de estarmos enrascados com a orientação, para outros destinos mais ermos, temos mesmo de estudar bem a lição antes de sairmos de casa,  que foi o caso de Côvelo do Monte.

 

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 Na partida para Côvelo do Monte, tínhamos como referência a central do parque eólico de Casas da Serra. Sabíamos que no entroncamento onde se encontra a central, no encontro de estradas, uma delas nos levava até Alturas do Barroso e na direção contrária para Coimbró e a terceira estrada, perpendicular à primeira, nos levava até Cerdedo. Seria nesta última que bem próximo do entroncamento, deveria existir um caminho em terra batida, e ele lá estava. Fácil, bastava seguir o caminho e Côvelo do Monte lá haveria de aparecer. Fica o nosso mapa que também serve para melhor localizar a aldeia

 

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Mas o que parecia fácil depressa se complicou, pois percorridos poucos metros o caminho bifurca e passamos a ter dois caminhos. Nos nossos apontamentos apenas tínhamos um caminho, mas a escolha foi fácil, tomámos o que estava em melhores condições, pois só poderia ser esse, e lá fomos, montanha adentro, quase sempre a subir, passámos por uma eólica, depois outra, mais uma, outra ainda e finalmente a última, pois o caminho terminava aí, bem lá no alto, mas olhando em redor, nada de aparecer Côvelo do Monte, mas sabíamos que não deveria estar longe.

 

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Desde essa última eólica, 100 metros abaixo em direção a poente, passava o outro caminho pelo qual não tínhamos optado. Embora bem próximo de nós, era impossível passar para ele, pois esses 100 metros eram de uma ribanceira bem acentuada e pejada de rochas, mas agora visto dali, não havia dúvidas que seria esse o caminho para Côvelo do Monte. Seguimos-lhe visualmente o traçado até o perder de vista, mas nada de Côvelo, com ajuda da teleobjetiva da câmara fotográfica, que também nos vais servindo de monóculo, tentamos perceber o que era uma pequena mancha, de cor ligeiramente diferente que havia ao fundo no encontro das duas montanhas, et voilá, eram telhados, os telhados das casas de Côvelo do Monte. Tal como no jogo do monopólio, depois de termos caído na casa da última eólica, tivemos de voltar à casa de partida percorrer todo o outro caminho que inicialmente tínhamos desprezado.

 

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Mas felizes e contentes por finalmente termos descoberto a aldeia, e lá fomos andando e indo, devagar, devagarinho, pois o piso do caminho a isso recomendava e umas cambalhotas pela encosta da montanha abaixo, pela certa que não seriam muito agradáveis, e num de repente, o mundo caiu-nos aos pés, a nossa felicidade terminou ali, já avistávamos a aldeia quando o caminho nos foi interrompido por uma cancela fechada.

 

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Sabíamos que a aldeia estava abandonada e que casa a casa e prédio a prédio, alguém a tinha comprado para fazer dela um empreendimento turístico, que com o tempo, talvez pelos custos, ou falta de “subsílios” acabou por abandonar, e era mesmo este o verbo que ali, pasmados a olhar para a cancela, íamos conjugando. Aldeia abandonada, projeto abandonado e nós também abandonados ao destino da nossa má sorte do dia. Ainda pusemos a hipótese de saltar a vedação e fazer o que restava do trajeto a pé, mas eram 13H00, daquele dia 6 de outubro de 2017, num dia ainda quente, mesmo estando na croa da montanha e as nossas barriguinhas já pediam assistência e com uns bons quilómetros para fazer até ao restaurante mais próximo, desistimos…

 

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A paisagem por ali é do mais agreste que há, aquele agreste que eu conhecia do Barroso desde criança, muito antes de conhecer o Barroso verde genericamente conhecido no Baixo Barroso, mas lá de cima, dava para notar que lá no fundo, onde estava o que restava de Côvelo do Monte, existia uma pequeníssima veiga, verde, com algumas árvores igualmente verdes, mas em tons mais escuros. Mas a descoberta teria que ficar para mais tarde, nem que fosse a última aldeia a ir e mesmo que tivéssemos de fazer o percurso todo a pé, era aldeia à qual tínhamos de ir, era obrigatório, pois era a primeira aldeia da era atual a estar completamente abandonada, mas teria de ser noutro dia.

 

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E não demorou muito tempo a fazermos a segunda tentativa, sete meses depois, em 24 de abril de 2018, aí já com uma viatura de todo o terreno, por volta das 11h30 lá estávamos nós em frente à cancela do caminho. Desta vez acertámos no caminho à primeira tentativa e a cancela embora ainda lá estivesse, estava aberta, e desta vez é que foi… fomos até à aldeia

 

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Desde a cancela até a aldeia são cerca de 800 metros, sempre a descer na mesma terra agreste, isto,  até chegarmos a uma pequena linha de água que dava origem a uma pequena veiga, a grosso modo aí com uns 700 metros de comprimento por 100 metros de largura, e no limite, por um lado ao longo da linha de água e do outro ao longo do caminho que atravessa a aldeia, algum arvoredo que transformam o local num pequeno, lindíssimo e apetecível oásis, só que em vez de ser no meio da areia do deserto, está no meio da aridez das encostas da montanha e quase a 1000 metros de altitude.

 

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Mas de pouco vale esse oásis, pois a aldeia está totalmente despovoada, abandonada e com metade do seu casario metade em ruínas e o restante para lá caminha, mas não nos surpreendeu, pois previamente já sabíamos que a aldeia estava assim. Não fomos surpreendidos, mas começou aí aquela mescla de sentimentos que sentimos quando vemos assim as aldeias, mas até essa altura, apenas aldeias que caminham para o despovoamento total, como a aldeia vizinha de Casas da Serra, mas esta era a primeira que víamos completamente abandonada, sem vida, apenas com o casario da antiga aldeia.

 

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E lá fomos entrando na aldeia, com o tal misto de sentimentos a invadirmos, às vezes mesmo contraditórios, como o de não compreendermos como a aldeia chegou ao despovoamento total, mas por outro lado a compreender perfeitamente que tal tivesse acontecido, pois é uma aldeia quase no meio do nada, apenas com a sua pequena veiga, que quando muito poderia dar para subsistir, como deu quando tinha pessoas para habitar as casas.

 

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Os tempos hoje são outros, e também muito mais exigentes, em que só a terra, já não chega para viver, e depois, viver a 1000 metros de altitude, isolados, sem estrada e distantes do que hoje se quer por perto, como a saúde e a educação, e já deixo de parte o tempo de lazer e a cultura, ao qual todos temos direito, mas que só é para uns tantos…

 

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Contudo Côvelo do Monte é uma aldeia, que pelas suas características, localização, isolamento e ambiente natural que a rodeia, também poderia ser bem interessante, desde que fosse para viver lá por opção, sem ser obrigado a. Bem poderia ser um pequeno paraíso e desfrutar do seu pequeno oásis. Aliás é uma aldeia interessante, mesmo em ruinas e despovoada, continua a mostrar o seu encanto, e bastaria ter um bom acesso à R311, com 2 km de boa estrada, e a música seria outra.

 

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Quanto às nossas pesquisas sobre a aldeia, vai aparecendo no mapa, e pouco mais, apenas vimos uma referência à capela, que diz estar fora de culto, mas ter sido de devoção a Santa Bárbara. Já é alguma coisa, pois quanto à capela, dela, hoje só existem as 4 paredes, e uma delas também ameaça ruir.

 

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As outras referência que encontrámos, até como notícia de TV nacional, é a de que a aldeia está à venda, toda ela, pois hoje é de um único proprietário. Segundo a notícia, está à venda por 4 milhões de euros, que feitas bem as contas, e somando o investimento necessário para fazer da aldeia alguma coisa, dá para perceber que a aldeia vai continuar abandonada, e temos pena…

 

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Assim, sem mais para contar sobre a aldeia, está na altura de nos despedirmos e de deixar aqui o vídeo com todas as fotografias do post. Espero que gostem.

 

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Mas antes do vídeo, apenas uma nota quanto à forma como grafei a aldeia, como Côvelo. Vá-se lá saber porquê, pois as referências que há à aldeia, em mapas e outros documentos em que diz que a aldeia pertence à freguesia de Cerdedo, aparece grafada de 3 maneiras, como Covelo, sem qualquer acento, Covêlo com acento no “e” e Côvelo com acento no “o”. Eu optei pelo último, e está a justificação dada para que achar estranho vê-la assim.

 

E agora sim, o vídeo:

 

 

Quanto a aldeias do Barroso, teremos aqui na próxima sexta-feira mais uma Barroso de Montalegre. A próxima aldeia de Boticas, virá por aqui no próximo domingo.

 

 

 

 

31
Jul20

O Barroso aqui tão perto - Lamas

Aldeias de Barroso - Com Vídeo

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Continuando a cumprir a nossa falta para com as aldeias que, aquando dos seus posts neste blog, não tiveram o resumo fotográfico em vídeo, trazemos hoje esse resumo para a aldeia das Lamas.

 

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Mas uma vez que aqui estamos, aproveitamos a oportunidade para deixar mais algumas imagens da aldeia que escaparam à anterior seleção.

 

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Imagens com pormenores com que alguns poderão matar saudades e recuar ao tempo de criança, aquando aprenderam as primeiras letras e números, mas principalmente um regresso às brincadeiras e traquinices do recreio da escola.

 

 

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Imagens também cada vez mais raras, mesmo em vias de extinção, tal como uma cobertura em colmo que tem resistido ao tempo da modernidade. Um dos poucos exemplares que ainda resta no Barroso, e é pena que se acabem, pois cada aldeia, para memória futura, poderia manter uma construção com cobertura de colmo, mesmo que para isso tivesse de ser “nacionalizada” pelo município, pois um dia destes, ou aliás,  já é complicado explicar a uma criança como era uma cobertura de colmo.

 

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Mas hoje estamos aqui para falar da aldeia ou tecermos opiniões ao respeito do que quer que seja. Estamos aqui pelo vídeo que faltou ao post da aldeia, post esse para o qual fica um link no final. Vamos então ao vídeo, que espero que seja do vosso agrado.

Aqui fica:

 

 

 

Post do blog Chaves dedicados à aldeia de Lamas:

https://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-lamas-1668129

 

E quanto a aldeias do Barroso do concelho de Montalegre, despedimo-nos até à próxima sexta –feira, quando teremos aqui a aldeia de Lapela, mas domingo, estaremos aqui com mais uma aldeia do Barros, mas do concelho de Boticas.

 

 

27
Jul20

O Barroso aqui tão perto - Coimbró

Aldeias de Barroso - Concelho de Boticas

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Coimbró

 

Como é habitual este blog aos fins de semana mergulha no mundo rural da nossa região, e se aos sábados as aldeias de Chaves têm marcado aqui a sua presença, os domingos têm estado  reservados para as nossas descobertas do Barroso. Primeiro andámos pelo concelho de Montalegre e mais recentemente começámos a abordar (publicar) as aldeias do concelho de Boticas, e hoje cá estamos com mais uma das suas aldeias, Coimbró.

 

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A caminho de Coimbró - Ao fundo, em último plano a serra do Gerês

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A caminho de Coimbró - Em primeiro plano a aldeia de Telhado, Montalegre e ao fundo, em último plano a serra do Larouco

Tentamos fazer em imagem, mas também em palavras, um resumo de cada aldeia, daquilo que tem de mais importante e significativo, daquilo que mais nos atrai, mas não só da aldeia, pois tudo aquilo que a rodeia, o caminho até lá chegarmos e também aquilo que desde a aldeia se alcança, em vistas, também fazem parte do ser dessa aldeia. Daí, tentamos, e sempre que possível deixamos uma ou mais imagens da aldeia vista a uma certa distância, mas também as vistas que vamos captando pelo caminho ou a partir de cada aldeia, que hoje é o caso das duas imagens que ficaram atrás e desde onde se alcança quase todo o Barroso de Montalegre desde a serra do Gerês até à serra do Larouco.

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Mas se as vistas gerais podem ser de encantar, os pormenores, muitos deles, despertam muito mais, quer pelo seu ser curioso, quer pela sua beleza, pela sua singularidade, pela sua raridade, pela sua simplicidade… fazendo a entrada na aldeia de Coimbró, vindos da aldeia do Telhado, encontramos ao nosso lado direito uma pequena capela de devoção a Stª Bárbara, debaixo de um enorme carvalho, no meio de um campo de cultivo, sem qualquer acesso (estrada, caminho ou carreiro). Mais parece uma pequena ilha no meio do oceano… para rematar a entrada na aldeia, um pouco mais à frente, existem umas alminhas no meio da estrada, precisamente onde os dois acessos à aldeia se unem num só, servido na prática de um separador de trânsito. Não é caso único, mas em geral costumam ter um pequeno canteiro ou uma qualquer estrutura de proteção às alminhas, estas, não, são simplesmente alminhas no meio da estrada. Pela entrada e pelas paisagens que se atravessam até chegar à aldeia, a aldeia promete.

 

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Claro que estamos em terras altas da Serra do Barroso, acessos e a própria aldeia estão acima da cota dos 1000 metros de altitude. A aldeia não é visível à distância, as montanhas que lhes tapam as vistas, também, em parte, as protegem ou minimizam do rigor dos invernos, principalmente dos ventos que fazem sempre aumentar a sensação de frio.

 

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Não é uma aldeia pequena, mas também não é muito grande, tem dois pequenos núcleos quase juntos, e algumas construções dispersas fora desses núcleos. À volta da aldeia estão os terrenos de cultivo e as pastagens, estas bem necessárias, pois Coimbró, de entre todas as aldeias que conheço do Barroso, foi aquela onde vi mais gado graúdo (bovinos), de várias raças, entre as quais, a barrosã.

 

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Quanto à sua localização, é uma das aldeias da Serra do Barroso, bem lá no alto, toda a aldeia está acima dos 1000m de altitude. As aldeias mais próximas são Casas da Serra, Vila da Ponte, Telhado e Ormeche, no entanto, por estrada, só tem ligação com Casas da Serra e Telhado. Com Vila da Ponte liga-se por um estradão de montanha, em terra batida e com Ormeche não tem ligação direta, a mais próxima é via Vila da Ponte.

 

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Quanto ao nosso itinerário para lá chegar, sempre a partir de Chaves, há duas alternativas principais, que podem ter umas variantes. Ambas com início na EN103 (Estrada da Braga). Uma delas é maioritariamente pela EN103 até aos Pisões, aí abandona-se a EN e atravessa-se o paredão da Barragem e logo a seguir a este, na Lama da Missa, segue-se em direção ao Telhado e logo na entrada da aldeia, no largo, vira-se à esquerda em direção a Coimbró. Por este trajeto são 63.7Km. O que nós recomendamos é via Boticas e depois a ER311 até pouco depois da Carreira da Lebre, a seguir vira-se em direção a Carvalhelhos e ainda antes desta aldeia, vira-se à esquerda em direção a Atilhó e Alturas de Barroso. Nesta última aldeia, como tem 3 saídas, embora estando assinaladas as direções que cada uma toma, recomendo mesmo assim perguntar a alguém (que de certeza vai encontrar, pois nas Alturas há sempre gente na rua) onde é a saída para Coimbró. Depois é seguir sempre por essa estrada até Coimbró. Irá encontrar um entroncamento com um desvio à esquerda, mas não ligue e siga em frente.

Mas para uma ajuda, fica o nosso mapa.

 

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No regresso, recomendo outro itinerário. Um deles poderá ser ou outro itinerário alternativo de ida, mas ao contrário, ou seja, Telhado, Pisões, Chaves. Mas recomendo que regresse pela estrada que entrou na aldeia até ao entroncamento (a 3,5 km) que sai para Cerdedo. Ao chegar a Cerdedo vire à esquerda em direção ao Boticas, e o resto já sabe como é… Este itinerário de regresso é uma variante ao itinerário de ida, assim, pode fazer tudo ao contrário, ou seja, ir até Coimbró via Cerdedo e regressar pelas Alturas do Barroso.

 

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Que mais há a dizer sobre Coimbró!? Pois talvez a simpatia e hospitalidade das pessoas com quem conversámos, que na nossa visita para recolha de imagens em 6 de outubro 2017, essa simpatia e hospitalidade teve um sabor redobrado, principalmente depois do episódio pelo qual tínhamos acabado de passar na aldeia do Telhado, não com a população, mas com um empreiteiro que andava a trabalhar na via pública. A cena, que poderia ter dado para o torto, mas que felizmente terminou em bem, passou-se quando eu saí do carro para perguntar ao pessoal das obras por onde poderia ir para Coimbró, uma vez que eles tinham a rua cortada ao trânsito e era mesmo impossível passar com as obras.

 

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Mal comecei a dirigir-me para o que supostamente seria o empreiteiro patrão ou encarregado da obra, ele já corria em direção a mim, exaltado, que nem sequer me deu oportunidade de perguntar nada, e continuando exaltado, muito exaltado, disse-me que não podia tirar fotografias e que nos partia as máquinas…(não foram bem estas as palavras dele, pois a linguagem foi bem mais forte, à moda de transmontano exaltado que, se tivesse de passar em reportagem de TV, estaria pejada de pis). Ora o meu espanto à reação do homem, é que eu nem sequer estava com a máquina fotográfica, mas o meu parceiro de viagem sim, a uns 50m atrás de mim, que aproveitou a paragem para tomar umas fotografias da aldeia. Afinal a máquina que ia já para o piiiiiiiiii, era a do meu parceiro. Eu bem fui dizendo ao exaltado, e na mesma linguagem para que ele me percebesse bem -  “oh chefe! eu estou-me a piiiii para a sua obra, quero que ela se piiiiii, o que eu quero é saber por onde posso ir para Coimbró…” Como não obtive resposta e o exaltado continuou exaltado, voltei para o popó, fiz marcha atrás e lá perguntei depois a uma pessoa da aldeia qual era a alternativa para ir para Coimbró. O caricato da questão, é que a rua em obras não tinha saída e a de Coimbró, sempre esteve desimpedida… Erro nosso que nos poderia ter saído caro. Mas a estória não termina aqui…

 

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Ora mal chegámos a entrada de Coimbró encontrámos uma grande manada de vacas a pastar e a nossa paixão pelo gado, provocou logo a paragem do popó e o pegar nas câmaras fotográficas para uns cliques. Por sorte o dono estava por perto, e pelo sim pelo não, depois da cena passada há apenas alguns minutos, fui-lhe perguntando se não se importava que tirassemos umas fotos às vacas. “Claro que não me importo, estejam à vontade…” respondeu pronto e até agradado. Depois disto contei-lhe o que se tinha passado na aldeia do Telhado, e ele riu-se e explicou-nos qual deveria ter sido a razão para tal. Ora estávamos a 6 de outubro de 2017, as eleições autárquicas tinham acontecido uma semana antes e ainda estava quente uma polémica qualquer com aquelas obras, em que parece que até teve honras de noticias na televisão e na imprensa escrita, daí, o meu interlocutor me ter dito “as tantas pensaram que vocês eram jornalistas…”.

 

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Claro que também em Coimbró,  às pessoas com quem conversámos, dissemos quem éramos e ao que íamos, como sempre fazemos nas aldeias, e as pessoas recebem sempre bem quem vai por bem, para além de que estas conversas e apresentação servem para abrir caminho à indicação de algumas coisas interessantes para fotografar na aldeia e que sem a ajuda ou indicação das pessoas da aldeia dificilmente encontraríamos algumas delas. Em geral, queremos sempre fotografar as capelas e igrejas, fontes e tanques, cruzeiros e alminhas, fornos do povo, moinhos, um pouco do casario típico e mais antigo, relógio de sol, gado nas ruas ou pastagens quando o há, as paisagens envolventes e vistas para mais além, as cascatas, a vida nas ruas e na aldeia, pormenores e singularidades, tudo que seja de interesse para fazer um post dedicado à cada aldeia.

 

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Afinal de contas queremos apenas mostrar o quão interessantes são estas aldeias para serem visitadas e incluí-las num roteiro turístico deste Barroso que tem tanto de fama, como de desconhecido, e afinal de contas, o que de mais interessante tem o Barroso, são mesmo as suas aldeias e o viver da aldeia, aqui e ali ainda com uns resquícios de um viver comunitário e de uma interajuda entre vizinhos que ainda se mantém.   

 

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Agora, sobre a aldeia de Coimbró,  vamos ao que encontrámos nas nossas, como por exemplo na sua Monografia - Preservação dos Hábitos Comunitários nas Aldeias do Concelho de Boticas:

 

Festas e Romarias

- Santo Amaro,* 15 de Janeiro.

- Nossa Senhora da Saúde, Agosto.

 

Património Edificado:

- Capela de Santo Amaro.

- Casa do Morgado.

- Casario Tradicional - Património em vias de Classificação.

- Forno do Povo.

 

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Também nas nossas pesquisas encontrámos algumas referências aos moinhos de Coimbró, a existência de 7 moinhos em cerca de 500m. Confessamos que não vimos nenhum, mesmo porque os moinhos exigem mais tempo para serem abordados e nesta ronda pelas aldeias de Barroso fomos deixando quase todos os moinhos para trás, a não ser que estejam dentro da aldeia ou junto a caminhos e estradas, dessem sim, vamos fazendo o registo. Mas tal como costumamos dizer, convém deixar sempre qualquer coisa interessante por ver, assim, ficará justificada um nova ronda pelas aldeias, nem que seja e só para ver estas coisas interessantes que nos foram escapando.

 

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Também apurámos em algumas notícias e estudos que a aldeia de Coimbró está em vias de ter o seu Património classificado. No entanto não consegui apurar que tipo de património é, se toda a aldeia, se o conjunto de moinhos, etc. Também não sei o que implicará esta classificação. Em principio este tipo de classificações é boa para as aldeias, mas não basta classificar, depois é preciso agir e fiscalizar, mas também, no que respeita a património privado, são necessários apoios.

 

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Isto das classificações é muito bonito, compreende-se e até se exige, embora no que respeita às nossas aldeias tipicamente transmontanas, a maioria destas medidas pecam por tardias, mas também têm os seus senãos, principalmente no que diz respeito aos privados. Em geral exige-se muito e apoia-se pouco ou nem sequer há apoios. Não se entende, por exemplo se determinada intervenção em património arquitetónico numa reconstrução exigir escavações arqueológicas ou outro tipo de intervenção do género, que tenham de ser os privados a suportar os custos dessas escavações, pois é sabido, que se nessas escavações for encontrada qualquer coisa de interesse, é e passa a ser do interesse público, ou seja do estado, que nalguns casos até chega a “hipotecar” ou impossibilitar a reconstrução que se pretende levar a efeito, ou seja, o privado paga uma pipa de massa, quem usufrui da descoberta é o interesse público, ou seja o estado, ou seja todos nós, e o privado, apenas lucra em prejuízo. E por isso, que muitas vezes é preferível não mexer, deixar cair, nada fazer…

 

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Estes post são sempre um bocadinho longos, mas é mais por causa das imagens, pois assim ficamos com uma ideia do que são estas aldeias, coisa que é impossível mostrar em apenas uma ou duas imagens, assim fica mais completo, embora compreenda que a grande maioria não vai ter paciência para ler tudo isto, principalmente hoje em dia em que as baboseiras  rápidas das redes sociais são mais eficazes, mas há ainda muito boa gente que lê e gosta de saber, mesmo que poucos, vale a pena o esforço de vir aqui com estes posts. E agora, como é habitual, terminamos com o vídeo resumo, com todas as imagens publicadas sobre a aldeia. Espero que gostem.

 

 

BIBLIOGRAFIA

CÂMARA MUNICIPAL DE BOTICAS, Preservação dos Hábitos Comunitários nas Aldeias do Concelho de Boticas - Câmara Municipal de Boticas, Boticas, 2006

 

WEBGRAFIA

http://www.cm-boticas.pt/

 

 

17
Jul20

O Barroso aqui tão perto - Ladrugães

Aldeias do Barroso - Com Vídeo

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LADRUGÃES - MONTALEGRE

 

Continuando a cumprir a nossa falta para com as aldeias que, aquando dos seus posts neste blog, não tiveram o resumo fotográfico em vídeo, trazemos hoje esse resumo para a aldeia das Ladrugães.

 

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Ladrugães é uma das aldeias que fica nas proximidades do Rio Rabagão, na sua margem direita, entre as barragens dos Pisões e da Venda Nova, tendo como aldeias mais próximas a Vila da Ponte e Reigoso.

 

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Já que referimos o rio que tem próximo, passemos às Serras próximas, serras e rios, que afinal são a essência do Barroso. Pois quanto a Serras, a aldeia localiza-se na Serra do Facho, que mais coisa menos coisa, fica a meio e entre a Serra do Barroso e a Serra do Gerês.

 

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Mas embora seja uma aldeia de montanha, aliás como quase a grande totalidade das aldeias de Barroso, não está implantada nas terras mais altas, pois encontra-se a uma cota entre os 760 e os 870 metros de altitude. Quer-se dizer, são terras altas, mas não muito. Já agora, e a título de curiosidade, a serra do Facho atinge os 1280m de altitude.

 

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Quando se fala das Serras do Barroso, em geral só se mencionam as mais altas, como o Gerês, o Larouco, a Serra do Barroso ou Cabreira, mas há mais algumas que ultrapassam os 1.000 metros de altitude. Mas hoje não estamos aqui para falar de rios ou serras, e até da aldeia que trazemos hoje, pois sobre ela, já dissemos tudo que tínhamos a dizer no post que lhe dedicámos, hoje estamos aqui pelo vídeo que não teve nesse post e aproveitámos para deixar mais algumas fotografias. Antes do vídeo, só queria chamar a atenção para a última foto, pois ao fundo vê-se Ladrugães e a serra do Facho, mas a foto é tomada desde a Serra do Barroso, Casas da Serra, e tem em último plano a serra do Gerês.

 

Agora sim, o vídeo:

 

 

Post do blog Chaves dedicado à aldeia de Ladrugães:

https://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-ladrugaes-1520004

 

E quanto a aldeias do Barroso, despedimo-nos até ao próximo domingo  em que teremos aqui a aldeia de Cerdedo, concelho de Boticas e até de hoje a oito, com a aldeia de Lamachã, concelho de Montalegre. Amanhã, temos mais uma aldeia de Chaves, Lamadarcos (andamos nas lamas).

13
Jul20

O Barroso aqui tão perto - Casas da Serra

Aldeias de Barroso - Concelho de Boticas

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Já estávamos no outono, mas apenas no calendário, pois bem lá na croa da Serra do Barroso, naquele dia de 6 de outubro, ainda era verão, como se fosse julho ou agosto, mesmo nos incêndios que iam manchando o azul do céu com o fumo do que ardia em terra, e a nossa volta, por onde íamos passando, não era exceção, o pouco mato rasteiro que havia para arder, ia ardendo, coisa de pastores diziam-nos, mas por ali não havia alma viva, apenas nós e a estrada, estreita, a caminho de mais uma aldeia do Barroso que nos diziam existir por ali, mas sem se avistar.

 

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Vindos de Coimbró e de Covelo do Monte, passámos por um pequeno santuário no meio do nada e continuámos por estrada virgem para nós, era a primeira vez que por ali passávamos, as curvas iam contornando pequenas elevações, muitos penedos, vegetação sempre rasteira e muito fumo, às vezes passávamos mesmo pelo meio do fogo, de ambos os lados da estrada, sem grande perigo pois as chamas iam comendo nas calmas o que restava por arder. Segundo os nossos cálculos, Casas da Serra deveria estar a aparecer-nos no horizonte, mas no entretanto apenas estrada, penedos, e o incêndio, para trás, nas nossas costas, iam ficando as grandes ventoinhas de um dos parques eólicos, um tipo de vegetação recente que agora vai cobrindo os montes altos do Barroso…

 

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E finalmente uma pequena placa indicava Casas da Serra, e sim senhor, serra(s) havia muita(s), estávamos na Serra do Barroso e ao fundo víamos a serra do Facho e depois dela a Serra do Gerês, e uma pequena povoação na Serra do Facho, Ladrugães, parece-me, mas casas de Casas da Serra, ainda nada. A figura de um pequeno pato chamou-nos a atenção e mais um clique, um daqueles patinhos que as crianças põem na banheira enquanto tomam banho, mas este era mais um rochedo no monte,  depois de um outro grande penedo que obriga a mais uma curva na estrada, e finalmente, entre rochedos e bocadinhos de estrada, um ponto vermelho que tudo leva a crer ser um telhado das Casas da Serra.

 

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E era. Logo de seguida, uma capela na croa de um pequeno monte e na base, uma casa branca realça no meio de uma pequena veiga amarela, por aqui não há a exuberância do verde. A terra é alta, estávamos a 1.150 metros de altitude e não me cheira a fontes de água nem as oiço a correr nas levadas, talvez de inverno o verde regresse. Vista dali as Casas da Serra parecem simpáticas, embora aquela casa branca chame toda a atenção para só, mas nota-se por trás dela o casario de pedra bem camuflando na paisagem, apenas uns poucos telhados laranja nos indicam o granito que os suportam.

 

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Há terras onde se sente mesmo estar no teto do mundo, esta é uma delas, Casas da Serra, lá bem no alto da serra, mas a croa da serra, essa é reservada à pequena capela, mais parecendo um farol em terra para quem anda a navegar no mar de montanhas do Barroso, embora não seja essa a sua finalidade, mas na realidade, servem mesmo de faróis diurnos para quem navega no mar de montanhas do Barroso.

 

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E esta das capelas nas croas de pequenos montes dentro das grandes montanhas, vão-se repetindo nas aldeias das redondezas, desde a capela de São João da Fraga no Gerês à capela de Santo Isidro nas Alturas do Barroso, desde a capela de Santa Luzia em Cela à capela de Atilhó, desde a capela da Senhora da Livração em Ormeche (Paio Afonso) à de São Domingos em Morgade ou à da capela na Nossa Senhora das Treburas em Montalegre, entre outras. Um dia, quando acabarmos esta ronda por todas as aldeias do Barroso, pode ser que surja aqui um post com todas estas capelas e igrejas das croas dos montes ou isoladas na montanha.

 

 

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Apetecia-me ficar no discurso anterior pois o cartaz de boas-vindas à aldeia não é lá muito acolhedor, um largo, no meio um tanque vazio sem água, a maioria do casario, senão todo, está abandonado, fechado. Metade da aldeia está em ruinas, pelo menos os telhados estão todos esbarrondados, e as paredes não estão porque são de boa construção, aliás uma construção em granito maioritariamente trabalhado em perpianho que demonstra que esta aldeia quando existiu com toda a sua integridade e pessoas dentro das casas, não era uma aldeia qualquer, mas que agora parece uma aldeia fantasma. Mais uma vez a casa branca destoa no conjunto, não parece abandonada, mas também não parece habitada e, ia a quase a dizer que pessoas na aldeia não havia, mas uma alma viva apareceu, assim a modos de querer saber ao que andávamos, e tinha toda a razão, depois das apresentações e de contarmos ao que íamos, começámos a dialogar.

 

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Pensávamos que não havia aqui ninguém, fomos-lhe dizendo, que Casas da Serra já estava como Covelo do Monte[i], mas afinal ainda há vida por aqui. E o resto do pessoal!?Sou só eu!, respondeu-nos o José da Silva Freitas, cinquenta e poucos anos… então é o dono disto tudo! Afirmámos, e a resposta foi pronta - não, só das casas com telhado… e a aquela branca não é minha. Seguiu-se um prolongado silêncio enquanto subíamos a encosta em direção à pequena capela.

 

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Vista lá de cima a aldeia nem melhora nem piora, é aquilo que ali está. Invadem-nos sentimentos estranhos, faze-mos a nós próprios perguntas que não têm resposta porque não sabemos responder, e também não queremos perguntar. O que levou os antepassados desta aldeia a construir ali as suas casas no meio de rochas, num pequeno vale, é certo, mas metade desse vale é ocupado pelas casas. Ao contrário das outras aldeias que ergueram as suas casas nas encostas para deixarem as terras de cultivo livre, mas aqui compreende-se o porque das casas estarem no vale, pois é fácil de imaginar o que serão por aqui os invernos, a neve, o gelo e o vento, e o vale está mais protegido, principalmente dos ventos.

 

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Tento imaginar esta aldeia com vida, com o gado, as galinhas, os cães e as pessoas na rua, as casas ainda todas habitadas e o pequeno vale cultivado com o forno do povo bem afastado da aldeia, vá-se lá saber porque, talvez com medo aos incêndios, pois hoje as casas têm telhado de telha cerâmica, mas há coisa de 40 ou 50 anos ainda eram os colmos que faziam a cobertura das casas, o coroamento das parede de topo são testemunho disso. Mas olhando lá do alto da capela, vê-se perfeitamente que os antigos habitantes não viviam da agricultura. Talvez fossem pastores com grandes cabradas e outro gado maior. Talvez fossem caçadores. Talvez fossem ambas e duas as coisas..

 

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Tento imaginar a aldeia antiga o interessante que deveria ser. O lugar é bonito. Desde ele, basta subir até à capela, vê-se quase todo o Barroso, com vistas privilegiadas para terras do Gerês, terras de Cabril, terras de Salto, alcança-se o Larouco já bem distante e ao descer a montanha em direção a poente o rio Rabagão e os seus vales de Ladrugães na margem direita e de Vila da Ponte e Ormeche na margem esquerda, isto hoje, já depois das barragens, que há 60, 70 anos atrás era só o Rabagão.

 

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Ainda lá em cima no alto da capela,  os sentimento continuam contraditórios, aquilo que os meus olhos veem são de uma beleza singular, ali poderia existir um pequeno paraíso, mais uma pequena pérola deste colar do Barroso, mas assim, abandonado, com apenas uma alma viva a habitá-lo, mete dó e temos pena… por outro lado, a compreensão faz-nos voltar à razão, compreendemos, oh! se compreendemos, perfeitamente, que todos tivessem abandonado, partido e vêm-me de novo as palavras de Torga à lembrança “ Entro nestas aldeias sagradas a tremer de vergonha. Não por mim, que venho cheio de boas intenções, mas por uma civilização de má-fé que nem ao menos lhe dá a simples proteção de as respeitar.” E esta falta de respeito continua, pois estas aldeias definham, morrem à vista de todos e ninguém faz nada para contrariar este mundo que se acaba. Assim a compreensão das partidas leva-me até um outro sentimento, o da raiva.

 

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Quanto ao futuro desta aldeia já se sabe qual é, está a um pequeno passo disso mesmo. Quiçá daqui a 500 ou 1000, ou 10000 anos seja um dos muitos campos de arqueologia, com jovens arqueólogos a estudar uma civilização antiga que vivia o chamado comunitarismo barrosão…

 

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Vou manter esta aldeia debaixo de olho, talvez da próxima vez que lá for me aconteça o que me aconteceu em Covelo do Monte, quando tentei ir lá a primeira vez, quando a meio do caminho uma vedação e um portão vedavam a entrada, toda a aldeia foi comprada para um empreendimento turístico que nunca passou do papel, se é que algum papel existiu. E o turismo bem poderia contribuir para o futuro destas aldeias, mas para isso, teria de ter o seu povo, hábitos e costumes a habitá-las.

 

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Deixemos este já longo desabafo para trás e passemos à localização e itinerário para lá chegar. Já compreenderam que esta aldeia fica na serra do Barroso, lá bem no alto, mas ali, já, onde ela começa a descer para a Serra da Cabreira. Como temos andado pela Freguesia de Alturas do Barroso/Cerdedo, aliás a aldeia fica mais ou menos entre estas duas aldeias (Alturas e Cerdedo) e desde ambas se pode fazer o acesso a Casas da Serra, mas vou indicar-vos o itinerário que julgo mais interessante, com partida como sempre da cidade de Chaves, passagem por Boticas e Carreira da Lebre, até aqui nada que enganar. Logo a seguir à Carreira da Lebre, após passar o rio, vira-se em direção a Carvalhelhos, sem entrar na aldeia, pois imediatamente antes, vira-se à esquerda em direção a Atilhó e Alturas do Barroso. Nas alturas do Barroso o melhor é perguntar a alguém (há sempre gente nas ruas em Alturas do Barroso) qual a saída para Casas da Serra ou Coimbró, digo isto porque em alturas do Barroso, vindos de Atilhó, há mais duas saídas, uma para Montalegre e outra para Vilarinho Seco, não é por essas, é pela outra que fica a meio, mas vá por mim, pergunte a alguém na aldeia. Depois de estar na estrada certa, deixe-se ir até encontrar um cruzamento com umas construções (parece-me que de apoio ao parque eólico. Aí vire à esquerda e só passados 900 metros encontrar um pequeno santuário, vai pelo caminho certo, depois, logo a seguir, a menos de 3km, encontrará à direita o desvio para Casas da Serra. Mas ficam os nossos mapas com o itinerário, já é uma ajuda.

 

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Quanto às nossas pesquisas sobre a aldeia, bem vasculhamos os nosso documentos, na interente, em tudo quanto era sítio, mas nada ou quase nada, apenas duas referências à aldeia e uma delas já ultrapassada, duas referência na monografia de Boticas onde refere pertencer à freguesia de Cerdedo (que hoje já é Alturas do Barroso/Cerdedo, e a outra que diz: “ Parque Eólico da Serra do Barroso (Casas da Serra – Cerdedo)”, e mais nada.

 

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Mas com todo o nosso palavreado de hoje, também não tínhamos mais espaço e nem sequer um tema do Barroso, como habitualmente acontece, vamos ter por aqui. Assim só nos resta deixar aqui o vídeo resumo com todas as fotos do post de hoje.

 

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No entanto não queria terminar sem recomendar uma visita a aldeia, o lugar é bonito e recomenda-se, quanto aos sentires, cada um é cada qual e lá sente à sua maneira, se for um misto de sentimentos, até contraditórios, também não é mau, às vezes são necessários para melhor discernimos as coisas.

 

 Agora sim, o vídeo:

 

 

 

[i] Covelo do Monte, uma aldeia vizinha, completamente despovoada.

 

 

 

10
Jul20

O Barroso aqui tão perto - Gralhós

Aldeias do Barroso - Concelho de Montalegre (Com vídeo)

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GRALHÓS - MONTALEGRE

 

Continuando a cumprir a nossa falta para com as aldeias que, aquando dos seus posts neste blog, não tiveram o resumo fotográfico em vídeo, trazemos hoje esse resumo para a aldeia das Gralhós, Montalegre.

 

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Aldeia de Gralhós, uma das aldeias bem típicas do Alto-Barroso e a manter toda a sua tipicidade, com o seu núcleo antigo a manter a sua integridade, embora a com muito casario abandonado e em ruínas.

 

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Já as novas construções foram sendo construídas nos acessos à aldeia antiga e junto à estrada de ligação a Montalegre, formando dois pequenos núcelos. Em suma, é uma aldeia que tem três pequenos aglomerados de construções, dois novos e um antigo.

 

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Pena que o núcleo antigo esteja tão abandonado e com algumas ruínas, tanto mais que esta aldeia tem uma localização excelente, próxima da sede do concelho, Montalegre, próxima da EN103 e próxima da barragem dos Pisões.

 

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Poderia muito bem ser uma das aldeias turísticas de Montalegre se… e este se passa por uma forte aposta no turismo. Todo o Barroso é um tesouro turístico por explorar, tem tudo para ter um turismo de interior e de qualidade, só falta mesmo explorá-lo, de uma forma sustentável, não com projetos isolados, mas num projeto que pense o Barroso como um todo, de interesse intermunicipal e nacional.

 

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Mas hoje não estamos aqui para falar do Barroso, mas sim para cumprir a nossa falta para com a aldeia de Gralhós, trazendo aqui o vídeo resumo com todas as fotografias publicadas até hoje neste blog, incluindo as deste post que escaparam à anterior seleção.

 

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Pois aqui fica o vídeo da aldeia de Gralhós. No próximo domingo continuaremos pelo Barroso, com uma nova aldeia do concelho de Boticas e da Freguesia de Alturas do Barroso/Cerdedo. Ao concelho de Montalegre, regressaremos na próxima sexta-feira com mais um vídeo em falta, no caso, da aldeia de Ladrugães.

Aqui fica vídeo, espero que gostem:

 

 

 

Post do blog Chaves dedicados à aldeia de Gralhós, Montalegre:

 

https://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-gralhos-1531210

 

 

03
Jul20

O Barroso aqui tão perto - Gralhas

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GRALHAS - MONTALEGRE

 

Continuando a cumprir a nossa falta para com as aldeias que, aquando do seu post neste blog, não tiveram o resumo fotográfico em vídeo, trazemos aqui hoje esse resumo para a aldeia de Gralhas, Montalegre.

 

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Aldeia das proximidades da sede do concelho, Montalegre, mas bem mais próxima da Serra do Larouco, pois fica mesmo nas suas faldas.

 

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Daí, lá e também aqui em imagem, a neve ser uma visita habitual, principalmente no inverno, mas também já não é de estranhar se ela cair em plena primavera.

 

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A par de Sendim, Padornelos, Meixedo e Santo André, é uma das aldeias que da parte portuguesa rodeiam a Serra do Larouco

 

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Mas sobre a aldeia de Gralha já dissemos tudo que tínhamos a dizer no post que lhe dedicámos, para o qual fica link no final deste post. Hoje é mais pelo vídeo que não teve, e aproveitamos a ocasião para deixar aqui mais algumas fotos que escaparam à anterior seleção.

 

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E agora sim, o vídeo com todas as imagens da aldeia de Gralhas que foram publicadas até hoje neste blog. Espero que gostem. Aqui fica:

 

 

Post do blog Chaves dedicados à aldeia de Eiras:

 

E quanto a aldeias de Montalegre, despedimo-nos até a próxima sexta-feira,  em que teremos aqui a aldeia de Gralhós.

 

 

24
Abr20

O Barroso aqui tão perto - Covelo do Gerês

aldeias do barroso - C/vídeo

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Continuando a cumprir a nossa falta para com as aldeias que, aquando dos seus posts neste blog, não tiveram o resumo fotográfico em vídeo, trazemos aqui hoje esse resumo, para a aldeia de Covelães.

 

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Aproveitamos também a oportunidade e deixamos mais algumas imagens que escaparam à anterior seleção.

 

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Covelo do Gerês é uma das aldeias típicas do Baixo Barroso com o a Serra do Gerês de fundo. Terra verde interrompida pelo azul da serra e do céu.

 

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E é tudo, hoje estamos aqui mesmo pelo vídeo que, aquando do post dedicado a Covelo do Gerês, ainda não tínhamos por costume a sua realização. Daí ficar aqui agora. Espero que gostem. Fica no final também o link para o post que dedicámos à aldeia.

 

 

Post do blog Chaves dedicados à aldeia de Covelo do Gerês:

https://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-covelo-do-1702440

 

 

 

 

27
Mar20

O Barroso aqui tão perto - Cortiço

Aldeias de Barroso

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Cortiço - Montalegre

 

Continuando a cumprir a nossa falta para com as aldeias que, aquando do seu post neste blog,  não tiveram o resumo fotográfico em vídeo, trazemos hoje aqui esse resumo, mais propriamente o da aldeia de Cortiço, Montalegre.

 

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E aproveitamos para deixar mais algumas imagens inéditas, imagens que pela certa trarão muitas recordações a quem é da aldeia, como por exemplo a da escola primária onde muitos aprenderam as primeiras letras, os primeiros números, a ler, escrever e fazer contas.

 

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Recordações também, pela certa, de quem lá foi à festa, em romaria, terão da Senhora de Galegos, das merendas barrosãs, dos namoricos e bailaricos e porque não, os mais idosos recordarem a pancadaria entre o a rapaziada de aldeias vizinhas, isto a jugar por aquilo que Bento da Cruz deixa no prefácio das “Histórias da Vermelhinha”, que a seguir transcrevo:

 

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Conta-se por aí a história dum morgado, já velho e trôpego, que não podia ir às romarias, mas aguardava, impaciente, o regresso dos romeiros.

— Então? Que tal esteve a festa?

— Boa!

— Quantos morreram?

— Nenhum…

— E para o hospital?

— Também não…

— Oh! Então não prestou para nada…

Para acabar com a praga das cabeças rachadas, a autoridade proibiu os paus nas feiras e romarias. Foi pena. Barrosão sem um varapau é cavaleiro andante sem durindana.

 

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E com esta me bou!” – penso que esta também é das histórias de Bento da Cruz, e que eu aqui adapto para - e com esta passamos ao vídeo do Cortiço:

 

 

Post do blog Chaves dedicados à aldeia de Cortiço:

 

 http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-1490249

 

 

 

10
Jan20

O Barroso aqui tão perto - Carvalhais (vídeo)

Carvalhais - Barroso - Montalegre

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Carvalhais - Montalegre

 

Esta promessa antiga de trazer aqui as aldeias do Barroso que não tiveram o vídeo resumo no post completo da aldeia, foi até aqui cumprida aos domingos, mas agora passa a ser todas as sextas-feiras, isto, porque aos domingos vão estar aqui as aldeias que ainda não abordámos, aliás ainda não completámos as aldeias de Montalegre, faltando ainda todas as aldeias de Boticas e uma freguesia de Vieira do Minho e outra de Ribeira de Pena que também pertencem ao Barroso. Daí, agora o blog Chaves dedicar dois dias ao Barroso, as sextas-feiras e os domingos.

 

Hoje como já perceberam, temos aqui a aldeia de Carvalhais, do concelho de Montalegre. Aqui está o seu vídeo:

 

 

Link para partilha ou ver diretamente no youtube:

https://youtu.be/TNJBrWACbno

 

Post do blog Chaves anteriormente dedicado à aldeia de Carvalhais:

https://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-carvalhais-1550943

 

E ainda um aviso que já várias vezes deixámos por aqui, mas que nunca é demais repeti-lo:

Para ver as aldeias de Barroso que já tiveram aqui o seu post, basta ir ao menu que está no topo deste blog, onde diz “BARROSO” ou então e mais rápido, ir à barra lateral do blog onde estão todas as aldeias listadas por ordem alfabética. Se a aldeia que pretende ver não está lá, é porque ainda não teve aqui o seu post, mas em breve terá.

 

 

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