Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

CHAVES

Olhares sobre o "Reino Maravilhoso"

16
Out20

O Barroso aqui tão perto - Nogueiró c/vídeo

Aldeias do Barroso - Concelho de Montalegre

1600-nogeiro (1)-VIDEO

montalegre (549)

 

Continuando a cumprir a nossa falta para com as aldeias que, aquando dos seus posts neste blog, não tiveram o resumo fotográfico em vídeo, trazemos hoje esse resumo para a aldeia de Nogueiró, do Barroso de Montalegre.

 

1600-nogeiro (8)-video

1600-nogeiro (5)-video

1600-nogeiro (33)-video

 

Como vem sendo habitual aproveitamos também esta oportunidade para deixar aqui mais algumas imagens que escaparam à seleção que fizemos para o post que dedicámos à aldeia, para o qual fica link no final deste post.

 

1600-nogeiro (28)-video

1600-nogeiro (47)-video

1600-nogeiro (44)-video

 

Nogueiró fica na encosta da Serra do Facho, mesmo lá em cima onde a montanha deixa a vertente virada a nascente para descair para poente, ou seja deixa as vistas lançadas para a Serra do Barroso e vira-se para a serra do Gerês.

 

1600-nogeiro (37)-video

1600-nogeiro (18)-video

1600-nogeiro (13)-video

 

É graças a esta localização que desde a estrada e ponto mais alto de Nogueiró é um autêntico miradouro, quer para a Serra do Gerês, quer mais até terras do concelho de Vieira do Minho, cujas primeiras aldeias confrontantes com o concelho de Montalegre são ainda pertença do Barroso.

 

1600-nogeiro (10)-video

1600-desde-noguiro (17)-video

1600-desde-noguiro (16)-video

 

Já para Norte, as vistas são mais contidas, chegam até Xertelo e não vai mais além por causa da imponência da Serra do Gerês, que vista assim tão rochosa e escarpada chega a assustar, embora depois entrando nela, onde ela deixa, até se torna simpática e acolhedora, isto se por cima tiver o céu azul com o sol a brilhar… Mas hoje estamos aqui pelo vídeo, pois tudo que tínhamos a dizer sobre a aldeia, já o dissemos no post que em tempo lhe dedicámos.

 

1600-stamarinha-viveir-ferral-desde-noguiro (2)-video

1600-desde-noguiro (27)-video

1600-xertelo-desde-noguiro (15)-video

 

E agora sim, o vídeo com todas as imagens da aldeia das Nogueiró que foram publicadas até hoje neste blog. Espero que gostem e agora também o podem ver no MEO KANAL nº 895 607, este e outros vídeos do Barroso e não só.

 

Aqui fica:

 

 

 

Link para o post do blog Chaves dedicado à aldeia de Nogueiró:

 

https://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-nogueiro-1562925

 

E quanto a aldeias de Montalegre, despedimo-nos até à próxima sexta-feira em que teremos aqui a aldeia de Ormeche.

 

 

11
Out20

O Barroso aqui tão perto - Nogueira

Aldeias do Barroso - Concelho de Boticas

1600-sapelos (205)

1600-cabecalho-boticas

 

NOGUEIRA

 

Hoje no Barroso aqui tão perto, vamos até a aldeia de Nogueira, a terceira e última aldeia da freguesia de Ardãos e Bobadela, aqui bem pertinho de nós (cidade de Chaves), a apenas 18.3Km. Não queremos ser repetitivos, mas aquilo que dissemos sobre Ardãos e Bobadela, dada a proximidade das três aldeias, também se aplica a Nogueira, principalmente o seu enquadramento e relacionamento que tem com a Serra do Leiranco e com o vale do Alto Terva, daí os próximos capítulos são um bocadinho daquilo que já dissemos para as outras aldeias da freguesia.

 

1600-nogueira (286)

1600-nogueira (308)

 

Nogueira fica precisamente entre as duas aldeias que dão nome à freguesia, Ardãos e Bobadela, ficando a 1.800m de Ardãos e a 700m de Bobadela.  é a freguesia localizada mais a norte do concelho de Boticas e faz uma “incursão”, como se tivesse ficada entalada, entre o concelho de Montalegre e o concelho de Chaves, ficando o limite da freguesia bem próximo das aldeias de Meixide (Montalegre) e de Castelões, Calvão, Seara Velha, Soutelo, Noval, Pastoria, Casas Novas e Redondelo, estas todas do concelho de Chaves e a menos de 2Km do limite desta freguesia barrosã, com a Pastoria a menos de 500m de distância.

 

1600-nogueira (301)

1600-nogueira (291)

 

A par da aldeia de Sapelos, da freguesia de Sapiãos, é também a freguesia que se abre para o vale do Alto Terva, a acompanhar o rio Terva que, em termos de peixe só “dá bogas e às vezes trutas” e só nalguns troços do rio, mas que, desde a ocupação romana,  é conhecida pela riqueza em ouro do seu subsolo, pelo menos os romanos exploram neste vale algumas minas deste metal precioso, construíram uma cidade (Batocas) e fizeram passar por ela importantes vias romanas e/ou importantes ligações à Via Romana XVII, que ligava Bracara (Braga) a Asturica (Astorga), com passagem por Aquae Flaviae (Chaves).

 

1600-nogueira (283)

1600-nogueira (14)

 

Vale do Alto Terva onde existe um parque arqueológico, com alguns passadiços, miradouros, vestígios das antigas minas de ouro, como o poço das Freitas, ou vestígio da antiga cidade de Batocas, gravuras, castros, etc. Mas desde já fica um conselho, se não conhece o vale do Terva, não se aventures a ir para lá às cegas, que o mais provável é não encontrar nada ou mesmo perder-se. Na aldeia vizinha de Nogueira, Bobadela, junto à Igreja/cruzeiro, há um posto de informações com muita documentação, mapas, rotas (natura, das vias antigas, das gravuras, das minas, dos castros e das aldeias) e demais informações. Penso mesmo que fazem visitas guiadas ao Parque Arqueológico. Antes de se aventurar por lá sozinho, vá com alguém que conheça ou passe por este posto de informações.

 

1600-nogueira (278)

1600-nogueira (13)

 

Como já perceberam esta aldeia de Nogueira é uma aldeia bem próxima da cidade de Chaves mas nada tem a ver com a Nogueira da Montanha de Chaves. Para se ir até lá, Nogueira de Boticas, temos dois acesso possíveis, mas, curiosamente,  ambos mais ou menos à mesma distância. Um dos acessos é via EN103, estrada de Braga, passando por Curalha, Casas Novas, S. Domingos, Sapelos (já de Boticas) e a seguir a esta aldeia irá atravessar uma ponte sobre o rio Terva onde logo a seguir terá uma saída à direita (M507), por onde terá de percorrer 1,7Km para chegar a Nogueira. A outra alternativa, é com saída por Casas dos Montes, Valdanta, Soutelo, Seara Velha, Ardãos (já em Boticas), e logo a seguir temos Nogueira. Nós recomendamos este último itinerário, mas o melhor mesmo, é ir por um itinerário e regressar pelo outro, e aí tanto faz. Fica o nosso mapa para melhor poderem localizar a aldeia e ver como é mesmo perto da cidade de Chaves.

 

mapa nogueira.jpg

1600-nogueira (132)1

 

Nogueira fica implantada já em plena Serra do Leiranco, logo no início da sua encosta vira da nascente, a uma altitude a rondar os 600m, uma serra que embora muitas vezes fique vestida de branco no inverno, protege a aldeia dos ares frios vindos do grande planalto do Larouco e do restante Barroso. É uma aldeia que há muito conhecíamos das nossas inúmeras passagens, mas como sempre vamos dizendo, só passar, não nos dá a conhecer a aldeia. É preciso parar, entrar na sua intimidade, demorarmo-nos por lá o tempo que tiver de ser, e se possível, conversar com os seus residentes, só assim poderemos ficar com algum conhecimento dela, e esta aldeia, tal como as outras duas da freguesia,  surpreendeu-nos pela positiva. Sinceramente gostámos daquilo que vimos e que vamos deixando aqui um pouco em imagem. Uma aldeia com gente simpática, com que tivemos oportunidade de conversar e desfrutar das conversas e que nos levaram à descoberta de alguns pontos de interesse que sem a dica e indicação dos residentes, talvez não tivéssemos descoberto ou ficar a saber do que se tratava e da importância para a aldeia.

 

1600-nogueira (125)

1600-nogueira (67)

 

Então vamos lá entrar em Nogueira, recordando um pouco o dia 19 de julho de 2018, eram 8H00 (da manhã) quando lá chegámos, num dia coberto de nuvens que na serra do Leiranco era nevoeiro espesso, mas mesmo assim, convém recordar que estávamos numa aldeia, onde as pessoas têm por hábito levantarem-se cedo, daí já haver muita gente nas ruas, que ao saber ao que íamos, nos iam indicando as coisas bonitas para ver, a igreja, as capelas, o calvário, o cruzeiro, etc.

 

1600-nogueira (187)

1600-nogueira (194)

 

E lá fomos andando e descobrindo, mas como sempre, há pessoas mais dadas às conversas, que gostam de nos mostrar e levar até aquilo que eles acham ser do nosso interesse. Ao longo das ruas não precisamos de nos anunciar, os cães, à nossa aproximação, como estranhos que somos, dão sempre o aviso, tem aquele ladrar de dizer “anda aqui gente”, cumprem a sua missão, mas depois vêm ter connosco e dentro do seu território, até nos fazem companhia.

 

1600-nogueira (311)

1600-nogueira (153)

 

Já junto ao calvário encontrámos o Sr. Amaro, mas ao qual todos chamam Mário, perguntámos-lhes pelo que era feito do sol… “ele lá vem, hoje vem mais tarde…” por acaso até nem veio, e acrescentou “mas entra hoje o quarto-crescente e é capaz de mudar o tempo”. Pois sinceramente, para a fotografia dentro das aldeias, prefiro os dias encobertos aos dias de sol intenso, desde que haja luz. E a luz também se vai fazendo nestas conversas, como por exemplo a do Sr. dos Aflitos, que estava mesmo à nossa frente e não dávamos por ele. “Tem muita visita, gente de fora e emigrantes, quando estão aflitos, lembram-se dele…”, dizia-nos o Sr. Amaro a quem todos chamam Mário.

 

1600-nogueira (149)

1600-nogueira (146)

 

Nestas nossas andanças pelas aldeias do Barroso, sem conversas, despachamos a coisa em menos de uma hora, e em Nogueira estivemos quase a cumprir. Depois da conversa com o Sr. Amaro ao qual todos chamam Mário, demos a missão como cumprida, já estávamos de partida quando passamos por uma casa cuja decoração e pintura da fachada nos chamou a atenção. Claro que tivemos de parar para fazer o registo e, continuaríamos para Bobadela se não tivéssemos encontrado a Dona Natividade com a qual estivemos mais de uma hora na conversa.

 

1600-nogueira (245)

1600-nogueira (233)

 

A Dona Natividade que nos contou montes de estórias, alguma a envolver o seu nome, “o meu nome é fraco”, isto por não ser muito vulgar, era o único nas redondezas e só encontrou uma vez em Chaves um senhora com o mesmo nome. Com 88 anos, pedi-lhe para repetir a idade, pois parecia ter muito menos, e confirmou, 88 anos, e acrescentou “aqui o sossego da terra vale muito”. Pela certa que sim, bem mais sossegados que os anos que passou em França como emigrante, isto nos anos 60/70 do século passado, mas onde ainda tem filhos, netos e bisnetos. Contou-nos muitas estórias, sobretudo estórias que a sua “Vó” lhe contava, e ia-nos dizendo, “Quando eu era garota pequena os velhinhos diziam tantas coisas… a minha Vó dizia-nos: Olhai meus filhos, nada entra aqui no nosso povo, e porque Vó, perguntava eu, e ela dizia-me, olha, porque o diabo já andou para entrar na nossa aldeia, mas dizem que não conseguiu entrar, porque na “estaca do argueiro” está a N. Sr.ª do Alívio, no fundo do povo está o S. Caetano, lá em cima tem o Sr. dos Aflitos, ao pé da serra, ali em cima, tem a capela da Senhora das Graças”.

 

1600-nogueira (238)

1600-nogueira (270)

 

É o diabo não se deve dar muito bem por estas bandas, pois aqui, só nas redondezas desta aldeia, num circulo de 5km de raio, há pelo menos 5 santuários (S.Caetano, Srª do Engaranho (Castelões), Srª da Aparecida (Calvão) Srª das Neves (Ardãos), Sr. dos Milagres (Sapelos), então igrejas, capelas, nichos e alminhas, nem se fala...  “Já dizia a minha Vó”, continuava a Dona Natividade “Olhai meus filhos quando os homens andarem feitos pássaros a voar lá pelo ar e em cavalos cegos pela estrada fora, preparai-vos para o fim do mundo que está próximo… homens que matam filhos, pais que derrotam as filhas, eu às vezes até fecho a televisão…” . Aproveitámos a chegada do padeiro de Faiões, o padeiro do trigo de quatro cantos, para nos despedirmos da Dona Natividade.

 

1600-nogueira (254)

1600-nogueira (49)

 

E agora passemos ao que dizem os documentos, mais precisamente ao que encontrámos sobre Nogueira na monografia “Preservação dos Hábitos Comunitários das Aldeias do Concelho de Boticas”.

 

Castro de Nogueira

Designação: Castro de Nogueira

Localização: Nogueira (Bobadela)

Descrição: o Castro de Nogueira fica no topo dum alto cabeço cónico por cima e a NO da aldeia de Nogueira, freguesia de Bobadela.

O acesso a este castro pode fazer-se pelo estradão até à Casa Florestal, dali aos lameiros da Serra, à Salgueira, e uns 200 m acima encontra-se um caminho e carro de bois que leva ao alto, junto das muralhas do castro, quase todas alagadas, embora haja algumas porções que ainda têm 1 m de altura.

No topo do castro existem indícios de aí terem existido casas. No que se refere às muralhas, estas encontram-se muito derruídas e quase imperceptíveis, não sendo possível aferir a sua dimensão. Foram encontrados vários pedaços de cerâmica neste espaço.

Perto do castro, do lado Nascente, encontra-se um ribeiro

 

1600-nogueira (46)

1600-nogueira (34)

 

Festas e Romarias

Santa Cruz,* 03 de Maio,

São Caetano,* 1º Domingo de Agosto,

 

Património Arqueológico

Castro de Nogueira

 

Património Edificado

Calvário

Capela de S. Mamede

Cruzeiro

Forno do Povo de Nogueira

 

1600-nogueira (28)

1600-nogueira (26)

 

As Lamas / Lameiras do Povo ou do Boi

(...)

Em algumas aldeias existem lamas/lameiras do povo ou do boi, propriedade comum da aldeia. Nas aldeias onde existiu boi do povo, estas propriedades garantiam parte da sua alimentação, sendo utilizadas como pastagem e para a produção de forragens (feno). Actualmente, estas propriedades, geridas pelas Juntas de Freguesias ou pelos Conselhos Directivos dos Baldios, são arrendadas aos lavradores que delas precisem. Anualmente, ou de cinco em cinco anos, como acontece em Nogueira (Bobadela), são postas a leilão e arrematadas por quem fizer melhor oferta, pois como costumam dizer “quem mais dá, mais amigo é do Santo”.

 

1600-nogueira (25)

1600-nogueira (17)

 

A água

(…)

As aldeias de Bobadela e Fiães do Tâmega, que partilhavam água com as aldeias vizinhas (Nogueira e Veral), recorrendo a determinadas estratégias, conseguiram ficar na posse dela. Na freguesia de Bobadela, ficou na memória dos aldeãos a história do “Santo Ladrão”. Conta a história que, há muitos anos atrás, no tempo dos antigos, Bobadela e Nogueira dividiam entre si uma água que vinha da Serra do Leiranco. Os de Bobadela achavam que aquela água lhes pertencia por direito e que não tinham que partilhá-la com os de Nogueira, pois estes já tinham muita água, doutras nascentes dessa Serra. Assim, arranjaram um estratagema para ficarem com a água toda, sem que os de Nogueira pudessem contestar tal apropriação. Um dia, juntaram-se as pessoas de ambas as aldeias, dirigiram-se à Serra, ao tornadouro de divisão das águas e combinaram deitar metade da água para Bobadela e a outra metade para Nogueira. A aldeia onde a água chegasse primeiro, ficava com ela. O sinal da chegada da água era o toque do sino da capela, em Nogueira, ou da capela de S. Lourenço, em Bobadela. Ora, os moradores de Bobadela, já com ela fisgada, ainda a água vinha longe, já eles estavam a tocar o sino. Os de Nogueira aceitaram a sentença, mas, convencidos que tinha havido batota, passaram a chamar-lhe o Santo Ladrão.

 

1600-nogueira (16)

1600-nogueira (15)

 

(…)

Todos os regantes, para poderem usufruir dos seus direitos de água, estão obrigados a participar nos ajuntamentos dos regos, sob pena de não poderem regar. Na prática, isso não acontece. O faltoso, nalgumas situações, apenas se arrisca a uma reprimenda verbal; noutras aldeias, como por exemplo Nogueira, quem, por algum motivo, não possa participar nestes ajuntos pode “compensar” os regantes que o fizeram, fazendo outro trabalho a favor da comunidade, como por exemplo limpar uma fonte ou um tanque.

 

1600-nogueira (213)

1600-nogueira (12)

 

Há ainda, como acontece em Nogueira (Bobadela) aqueles que têm água e não têm terrenos para regar. Então, dão a água a um vizinho que precise e este, em troca, dá-lhe batatas, dinheiro, etc. Há alguns anos atrás, tentaram alterar o sistema de atribuição da água de rega, de forma a dividirem-na apenas entre os que tivessem terras. Todavia, os que não tinham terras não abdicaram do seu direito à água e depressa se voltou ao sistema dos antigos.

 

1600-nogueira (10)

1600-nogueira (7)

 

O Gado

(...)

Acontecia, por vezes, em algumas aldeias, como por exemplo em Valdegas (Pinho) e em Nogueira (Bobadela), as pessoas mobilizarem diferentes recursos para poderem criar gado. Existia um sistema, o chamado gado a meias, em que um era dono dos animais e o outro detinha os recursos para a sua alimentação, ou garantia o seu pastoreio. Os lucros obtidos, por exemplo com a venda de crias, eram divididos pelos dois.

 

1600-nogueira (269)

 

E ficamos por aqui, neste tão longo post, mas muito mais haveria para dizer e imagens para mostrar. Fica para uma próxima oportunidade. Agora fica o vídeo, com um resumo apenas em imagem deste post. Espero que gostem

 

 

 

Agora este e outros vídeos do Barroso e região, também podem ser vistos no MEO Kanal nº 895 607

 

Quanto a aldeias do Barroso de Boticas, no próximo domingo teremos aqui o post da freguesia de Ardãos e Bobadela, à qual também pertence a aldeia de Nogueira.

 

 

09
Out20

O Barroso aqui tão perto - Negrões

Aldeias do Barroso - Concelho de Montalegre

1600-negroes (00)-VIDEO

montalegre (549)

 

Negrões

 

 

Continuando a cumprir a nossa falta para com as aldeias que, aquando dos seus post neste blog, não tiveram o resumo fotográfico em vídeo, trazemos hoje esse resumo para a aldeia de Negrões, Montalegre.

 

1600-negroes (21)xxxwww

1600-negroes (54)-video

1600-negroes (13)-video

 

Como habitual aproveitamos a oportunidade para deixar aqui mais algumas imagens que escaparam à anterior seleção, aquando do seu post.

 

1600-negroes (51)-video

1600-negroes (24)-video

1600-negroes (15).-video

 

Negrões, uma das aldeias que esta na margem da barragem do Alto Rabagão, ou Pisões se preferirem, com o seu casario quase a entrar pela água adentro, sendo o contrário também verdade.

 

1600-negroes (10)-video

1600-negroes (12)-video

1600-negroes (63)-video

 

Mas sobre Negrões já dissemos tudo que tínhamos para dizer no post que lhe dedicámos e para o qual fica link no final deste post. Hoje estamos aqui pelo vídeo que faltou nesse mesmo post.

 

1600-negroes (71)-video

 

Vídeo que vai já ficar de seguida e que reúne todas as imagens de Negrões publicadas neste blog até hoje, incluindo as deste post. Aqui fica, espero que gostem:

 

 

Este e outros vídeos do Barroso e região de Chaves, também pode ser vistos no MEO KANAL Nº 895607

 

Post do blog Chaves dedicados à aldeia de Negrões:

 

https://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-negroes-1511302

 

 

E quanto a aldeias do Barroso de Montalegre, despedimo-nos até a próxima sexta-feira em que teremos aqui a aldeia de Nogueiró.

 

 

04
Out20

O Barroso aqui tão perto - Bobadela

1600-bobadela (264)

1600-cabecalho-boticas

 

BOBADELA – BOTICAS

 

E porque hoje é domingo, como vem sendo habitual, com algumas exceções, vamos até ao Barroso aqui tão perto. Ultimamente e até concluirmos, temos andado pelo concelho de Boticas, de freguesia em freguesia, com as suas respetivas aldeias. No último domingo andámos pela freguesia de Ardãos e Bobadela, mais precisamente na aldeia de Ardãos. Hoje vamos até Bobadela, e para o próximo domingo, para concluirmos a freguesia, iremos até Nogueira.

 

1600-bobadela (115)

 

Ardãos e Bobadela é a freguesia localizada mais a norte do concelho de Boticas e faz uma “incursão”, como se tivesse ficada entalada, entre o concelho de Montalegre e o concelho de Chaves, ficando o limite da freguesia bem próximo das aldeias de Meixide (Montalegre) e de Castelões, Calvão, Seara Velha, Soutelo, Noval, Pastoria, Casas Novas e Redondelo, estas todas do concelho de Chaves e a menos de 2Km do limite desta freguesia barrosã, com a Pastoria a menos de 500m de distância.

 

1600-bobadela (231)

 

A par da aldeia de Sapelos, da freguesia de Sapiãos, é também a freguesia que se abre para o vale do Alto Terva, a acompanhar o rio Terva que, em termos de peixe só “dá bogas e às vezes trutas” e só nalguns troços do rio, mas que, desde a ocupação romana,  é conhecida pela riqueza em ouro do seu subsolo, pelo menos os romanos exploram neste vale algumas minas deste metal precisos, construíram uma cidade (Batocas) e fizeram passar por ela importantes vias romanas e/ou importantes ligações à Via Romana XVII, que ligava Bracara (Braga) a Asturica (Astorga), com passagem por Aquae Flaviae (Chaves).

 

1600-leiranco (120)

Vista parcial de Bobadela desde a Serra do Leiranco

Vale do Alto Terva onde existe um parque arqueológico, com alguns passadiços, miradouros, vestígios das antigas minas de ouro, como o poço das Freitas, ou vestígio da antiga cidade de Batocas, gravuras, castros, etc. Mas desde já fica um conselho, se não conhece o vale do Terva, não se aventures a ir para lá às cegas, que o mais provável é não encontrar nada ou mesmo perder-se. Em Bobadela, junto à Igreja/cruzeiro, há um posto de informações com muita documentação, mapas, rotas (natura, das vias antigas, das gravuras, das minas, dos castros e das aldeias) e demais informações. Penso mesmo que fazem visitas guiadas ao Parque Arqueológico. Antes de se aventurar por lá sozinho, vá com alguém que conheça ou passe por este posto de informações.

1600-bobadela (1)-a

 

Como já perceberam esta aldeia de Bobadela é uma aldeia bem próxima da cidade de Chaves mas nada tem a ver com a Bobadela de Monforte de Chaves. Daí que em tempos e ainda hoje, às vezes se referem a ela como Bobadela do Barroso que, para se ir até lá, basta percorrer 19.6 Km, isto a partir da cidade de Chaves, com dois acesso possíveis, mas, curiosamente,  ambos à mesma distância. Um dos acessos é via EN103, estrada de Braga, passando por Curalha, Casas Novas, S.Domingos, Sapelos (já de Boticas) e a seguir a esta aldeia irá atravessar uma ponte sobre o rio Terva onde logo a seguir terá uma saída à direita (M507), por onde terá de percorrer pouco mais de 1Km para chegar a Bobadela (do Barroso). A outra alternativa, é com saída por Casas dos Montes, Valdanta, Soutelo, Seara Velha, Ardãos (já em Boticas), Nogueira e finalmente Bobadela. Nós recomendamos este último itinerário, mas o melhor mesmo, é ir por um itinerário e regressar pelo outro, e aí tanto faz. Fica o nosso mapa.

 

mapa bobadela.jpg

1600-bobadela (256)

 

Bobadela fica encostadinha à Serra do Leiranco, mesmo nas suas faldas, a uma altitude a rondar os 600m, uma serra que embora muitas vezes fique vestida de branco do inverno, protege a aldeia dos ares frios vindos do grande planalto do Larouco e do restante Barroso. É uma aldeia que há muito conhecíamos das nossas inúmeras passagens, mas como sempre vamos dizer, só passar, não nos dá a conhecer a aldeia. É preciso parar, entrar na intimidade da aldeia, demorarmo-nos por lá o tempo que tiver de ser, só assim poderemos ficar com algum conhecimento dela, e esta aldeia, na sua intimidade, surpreendeu-nos pela positiva. Sinceramente gostámos daquilo que vimos e que vamos deixando aqui um pouco em imagem. Uma aldeia limpinha e mesmo sem jardins, é uma aldeia ajardinada, cheia de ruas floridas e gente simpática, com que tivemos oportunidade de conversar e desfrutar das conversas. Penso que nas imagens que hoje vos deixo, são bem ilustrativas destas palavras.

 

1600-bobadela (239)

 

E agora passemos ao que dizem os documentos, aproveitando para a agradecer à Câmara Municipal de Boticas, na pessoa da sua Vereadora da Cultura, o ter-nos disponibilizado os mapas do concelho e muita da informação que vamos deixando por aqui, nomeadamente a que vem nos cadernos de cada freguesia, integrados na monografia “Preservação dos Hábitos Comunitários das Aldeias do Concelho de Boticas”, de onde retirámos toda a informação que deixaremos a seguir.

 

1600-bobadela (210)

 

Ainda antes de passarmos ao que se diz nos documentos, fica o aviso que as informações neles contidos poderá não estar atualizada, nomeadamente no que diz respeito ao número de população residentes e alguns estabelecimentos comerciais e outros nele referidos, pois este documento que vamos transcrever de seguida, é datado de maio de 2006.

 

1600-bobadela (233)

 

A FREGUESIA DE BOBADELA: GEOGRAFIA E PERPECTIVA HISTÓRICA

 

A freguesia de Bobadela situa-se na parte Nordeste do concelho de Boticas. Confronta com várias freguesias: a Norte Ardãos, a Este e a Sul com Sapiãos e a Oeste Cervos, do concelho de Montalegre. Ocupa uma área total de 14,7 Km2, sendo constituída por duas povoações, Bobadela, sede da freguesia, e Nogueira. Dista da sede do concelho aproximadamente 7 km. O acesso viário faz-se se-  guindo pela EN 312 até Sapiãos. Apanha-se, depois, a EN 103 na direcção de Chaves, virando-se onde surge a placa com a indicação de Bobadela e percorrendo a EM 527.

 

As aldeias de Bobadela e Nogueira encontram-se separadas entre si 1 km, aninhadas na base da encosta Este da Serra do Leiranco e protegidas a Oeste pela montanha. Os campos de cultivo estendem-se à sua volta ao longo do vale do Terva, uma zona plana e fértil.

 

1600-bobadela (232)

 

População, Economia e Sociedade

O desenvolvimento da população desta freguesia de Bobadela acompanha o movimento demográfico que caracteriza toda a região de montanha no Norte de Portugal, tipificada por uma diminuição progressiva da população, com uma pirâmide etária invertida, onde os grupos etários mais baixos são diminutos e a população envelhecida aumenta.

 

1600-bobadela (267)

 

Actualmente, tem aproximadamente 354 residentes. Esta freguesia, que à semelhança do que se verifica na generalidade das freguesias do concelho perdeu muita da sua população residente nos últimos 40 anos, é uma das freguesias em que este fenómeno atingiu proporções mais alarmantes, atingindo o valor de 73,5%, sendo que na década de 60 a 70 perdeu mais de metade da sua população. Estes valores são em parte explicados pela intensificação dos fluxos migratórios que se registaram a partir da década de 60, nomeadamente para França, Estados Unidos da América, Suíça e Alemanha.

 

1600-bobadela (228)

 

Esta é também uma das freguesias que apresenta uma maior tendência para envelhecimento da sua população residente, sendo que 72 % dos 311 residentes têm idade superior a 25 anos.

 

Os níveis de alfabetização desta população residente são baixos, acompanhando o seu nível de envelhecimento, sendo que 20% da população residente não tem nenhuma qualificação académica. Esta situação excepcional é suportada pelo elevado número de idosos, alguns deles regressados da emigração, em situação de aposentados.

 

1600-bobadela (226)

 

A área de actividade económica dominante entre a população local é a agricultura e a pecuária, seguindo os caminhos ancestrais da freguesia e visando apenas a subsistência.

 

Algumas famílias continuam a actividade tradicional de criação de gado e produção de batata e centeio, os produtos que melhor se desenvolvem e produzem nesta região de Barroso, com elevados níveis de qualidade e sabor. Também a produção artesanal de mel e fumeiro está em vias de desenvolvimento, funcionando como complementaridade no rendimento das famílias. Parte da população trabalha na construção civil, no pequeno comércio local (cafés e mercearias), em empreendimentos locais como oficinas de mecânica ou a fábrica do fumeiro (Fumeinor) e outros ainda na área dos serviços e indústria em instituições do concelho (Município de Boticas, Santa Casa de Misericórdia de Boticas, Euronete, etc).

 

1600-bobadela (141)

 

No que se refere à sociedade, esta comunidade é caracterizada pela existência de famílias de lavradores, pequenos proprietários de terras onde se desenvolve a actividade agrícola e pecuária e por pequenos empresários e comerciantes. É uma sociedade homogénea com alguns quadros médios que se dedicam à actividade comercial e desenvolvem actividade no ensino e na vida administrativa nas terras vizinhas, designadamente na sede do concelho.

 

Em termos associativos existe na freguesia a Associação Recreativa e Cultural de Bobadela.

 

1600-bobadela (100)

 

Marcas do seu Passado

Não é fácil conhecer a data da origem da maioria das paróquias e freguesias, sendo a sua origem desconhecida no tempo por não haver provas documentais. Umas mais antigas, outras de origem mais recente, sabe-se que a maioria destas aldeias foram formadas a partir do agrupamento de famílias unidas por laços de parentesco ou afinidades económicas e profissionais que se organizaram em comunidade. Muitas das aldeias de Barroso têm a sua origem histórica no movimento de reconquista e povoamento do território iniciado com a formação do Reino de Portugal, em 1143, e posterior fixação de uma ou mais famílias de povoadores. Teve particular desenvolvimento a partir do século XIII. Estes povoadores eram atraídos por contratos de aforamento cujos termos do contrato lhes eram favoráveis e se traduziam em pagamentos pouco relevantes. Estes contratos são conhecidos como o processo de enfiteuse e eram promovidos indistintamente pela Coroa e/ou pelas Casas Nobres e Senhorios Eclesiásticos.

 

1600-bobadela (92)

 

São conhecidos alguns contratos de aforamento para as terras de Barroso que nos permitem pensar que a grande maioria das suas aldeias e povoados tiveram origem neste modo de povoamento[i]. Alguns contratos de aforamento são disso testemunho, como é o caso do aforamento da "Póvoa" de Lavradas, feito no inicio do segundo quartel do século XIV, no tempo do Rei D. Dinis, e que, tudo o indica, está na origem da actual aldeia de Lavradas.

 

1600-bobadela (79)

 

De facto, por este documento fundador de Lavradas verifica-se que foi terra ocupada a partir de uma carta de aforamento passada pelo Rei de Portugal a um conjunto de povoadores que, com suas mulheres, receberam autorização de Sua Majestade para formarem 11 casais (propriedades agrícolas) que deveriam povoar, lavrar e frutificar a troco de um foro (renda), traduzido em dois maravedis e dois alqueires de pão (um de milho outro de centeio) por casal, que deveriam pagar pelo S. Martinho.

 

1600-bobadela (51)

 

Bobadela ou Bobadela de Barroso, como também era conhecida, tem, porém, vestígios que informam a presença de habitantes de época pré-romana. A paróquia de Bobadela já existiria no século XIII, altura em que foi instituída pelo arcebispo de Braga. Foi comenda da ordem de Cristo.

 

1600-bobadela (29)

 

Nos inícios do século XVI, em 1527, aparece já como terra consolidada na sua organização comunitária. No "Numeramento" mandado fazer por D. João III, Bobadela é habitada por 21 moradores e Nogueira 28 moradores, o que dá uma população aproximada de 200 habitantes[ii].

 

1600-bobadela (41)

 

Os Castros de Bobadela

No território da actual freguesia de Bobadela estão identificados dois castros que testemunham a presença humana muito antes da independência de Portugal. O castro de Nogueira, situado entre a serra de Bobadela e Nogueira, perto da ribeira das Lameiras da Serra. Este monumento, embora reduzido a um aglomerado de pedra, restos de suas construções e muralha, é uma marca da antiguidade do povoamento desta freguesia. Outra marca do passado antigo de Bobadela é o castro de Bobadela ou do Brejo. Os vestígios deste são ainda menos expressivos que os de Nogueira.

 

1600-bobadela (14)

 

O Poço das Freitas

O Poço das Freitas, também denominado pelos habitantes locais por Poço do Limarinho, constitui um local de interesse turístico da freguesia de Bobadela. Pela sua peculiaridade e raridade, constitui a maior obra produzida pelo Homem no concelho de Boticas na conquista da exploração do ouro nas minas e no aluvião, da qual resultaram admiráveis cortas e lagoas.

 

1600-bobadela (37)

 

Um Documento de 1758

No ano de 1758 o Rei D. José, através do seu ministro Marquês de Pombal, desenvolveu um inquérito a todas as paróquias do Reino de Portugal continental que hoje se encontram no IAN/TT.

 

1600-bobadela (26)

 

Este inquérito, que foi respondido pelos párocos das freguesias, era composto de três partes: a primeira respeitante à paróquia, onde se tratava de saber da sua história, produções agrícolas, população, instituições locais, igreja e cape-las com suas devoções e romagens; a segunda tratava da serra e das suas características, se tinha lagoas e nascentes, monumentos, capelas, caça e árvores; a terceira perguntava sobre os rios e ribeiros que nela existissem, assim como das levadas, represas, moinhos, pisões e culturas nas suas margens. É graças a este inquérito que se pode obter uma visão mais ou menos completa de como era a freguesia de Bobadela nos meados do século XVIII, como abaixo se pode ver. Esta memória paroquial é particularmente rica de informação, o que nos permite até imaginar como seria a vida desta comunidade paroquial.

 

1600-bobadela (25)

 

É a resposta dada pelo pároco da freguesia de Bobadela, nesse ano o Reitor António Alvares Monteiro, que adiante apresentamos. Para melhor leitura foi actualizado o Português naquelas palavras que consideramos necessário, introduzindo-se-lhe pontuação e parágrafos.

 

1600-bobadela (35)

 

  1. Fica dentro da província de Trás-os-Montes, arcebispado de Braga, comarca de Guimarães, termo da vila de Montalegre, freguesia de São Miguel de Bobadela.
  2. Pertence esta igreja à collação do ordinário deste Arcebispado de Braga.
  3. Tem cento e trinta e nove vizinhos e trezentas e setenta e oito pessoas.
  4. Está situada em campo, dela apenas se avistam a freguesia de Sapiãos e a de Ardãos, com quem parte. Dista de cada uma delas uma meia légua.
  5. O [seu] termo é somente uma légua que parte com as referidas duas freguesias.
  6. A igreja paroquial está no fim deste lugar de Bobadela. Tem somente outro lugar chamado Nogueira.
  7. O orago é São Miguel. [A igreja] tem três altares: o maior de São Miguel; os colaterais, um da Senhora do Rosário e o outro da imagem do Santo Cristo. Não há irmandades.
  8. O pároco é reitor da collação do Ordinário Braga, que renderá cento e quarenta mil reis.
  9. Apresenta a igreja de Ardãos e a de Soutelo, cada uma delas renderá uns cem mil réis. A de São Jorge renderá sessenta mil réis.

 

1600-bobadela (21)

 

  1. Não há conventos.
  2. Não tem hospitais.
  3. Não tem casa de Misericórdia.
  4. Tem três ermidas: uma de São Lourenço que fica por cima deste lugar de Bobadela, a de Santo António que fica dentro do lugar de Nogueira e a de Santa Cruz que fica por baixo do dito lugar de Nogueira; pertencem aos vizinhos que as fabricam.
  5. Não acodem a elas romagens a não ser no dia em que celebram as suas imagens.
  6. Os frutos desta terra são: centeio, milho, vinho, legumes e castanhas.
  7. Tem juiz espadaneo subordinado ao juiz de fora da vila de Montalegre.
  8. Não é couto, nem cabeça de conselho, nem honra ou behtria.
  9. Não há memória que desta terra saíssem alguns homens ilustres, em virtudes, letras ou armas.
  10. Não tem feiras.

 

1600-bobadela (20)

 

  1. Não tem correio, serve-se do correio da vila de Chaves que dista [deste lugar] duas léguas e um quarto.
  2. Dista da cidade de Braga, capital deste Arcebispado, treze léguas, e de Lisboa, capital do Reino, perto de oitenta léguas.
  3. Não tem privilégios, nem antiguidades.
  4. Não há fonte nem lagoa célebre.
  5. Fica distante do mar mais de vinte léguas.
  6. Não é murada.
  7. No terramoto de 1755, caiu apenas uma [costa] da capela mor da igreja que logo se reparou.
  8. Não há coisa alguma digna de memória.

 

1600-bobadela (19)

 

  1. Tem esta freguesia uma serra chamada Leiranco.
  2. Terá uma légua de comprimento e quase outra de largura, principia no Termo de Ardãos e finda no de Sapiãos.
  3. Não tem braços.
  4. Nasce nela um regato e algumas fontes que correm para o nascente.
  5. Não tem povoações de vilas ou lugares.
  6. Não tem fontes de propriedades raras.
  7. Não tem minas de metais, nem canteiras de pedra ou materiais de estimação.
  8. Não tem plantas ou ervas medicinais. Não é cultivada. Só tem lenha de urze e carcheijão.
  9. Não tem mosteiro, nem igreja, romagem nem imagens.
  10. É muito fria por ficar alta e quando neva fica coberta.
  11. Só cria coelhos e algumas perdizes.
  12. Não tem lagoa nem fojo.
  13. Não tem mais nada que seja digno de registo.

 

1600-bobadela (12)

 

  1. Tem um rio chamado Terva que nasce na serra da freguesia de Ardãos e de Calvão.
  2. Nasce com pequena corrente e corre todo o ano.
  3. Não desagua nele nenhum rio.
  4. É rio que não tem barca, só uma ponte que se chama Pedrinha.
  5. Só quando há tempestades é que não se pode passar a vau, o resto do tempo passa-se por ser pequeno.
  6. Corre de norte para sul.
  7. Como é de pouca água só cria algumas bogas.
  8. Não tem pescarias.
  9. Como não as há nele não podem ter senhorio.
  10. Como é pequeno, cultivam-se as terras junto ás margens. Não tem arvoredos.
  11. As suas águas não têm virtudes especiais.
  12. Sempre conserva o mesmo nome.
  13. Desagua no rio Tâmega por baixo da freguesia de Pinho.
  14. Não tem presas nem açudes.
  15. Só tem a ponte de Pedrinha de cantaria no termo deste lugar de Bobadela.
  16. Só tem alguns moinhos.
  17. Não consta que se tirasse ouro das suas áreas.
  18. Os povos usam as suas águas livremente para cultura dos campos.
  19. Terá três léguas donde nasce até onde desagua no rio Tâmega. Passa pela freguesia de Sapiãos, Granja, Eiró e Pinho.
  20. Perto da corrente deste rio, no termo do lugar de Nogueira desta freguesia, onde se chamam as Freitas há uma lagoa e [catas] ao pé dela, dizem que foram minas que os romanos tiraram delas ouro ou prata. E não há mais nada digno de memória nesta freguesia.

 

E por passar na verdade fiz esta que juro in verbo sacerdotis, Bobadela, 10 de Março de 1758, que assinei com os Reverendos párocos mais próximos.

O Reitor António Alvares Monteiro

O Pároco de Santo André de Ardãos Álvares

O Reitor de S. Pedro de Sapiãos Domingos Gonçalves.

 

1600-bobadela (33)

 

E por hoje vai sendo tudo. Hoje não deixamos por aqui algumas imagens de alguns pontos importantes fora da aldeia, como o Poço das Freitas, mas Bobadela e Ardãos ainda virão aqui de novo com o post resumo dedicado à freguesia de Ardãos e Bobadela, e nessa altura teremos aqui mais imagens. Por hoje só nos resta deixar o vídeo resumo com todas as imagens aqui publicadas, ao qual passamos de imediato. Espero que gostem.

 

 

Agora também poderá ver este, e outros vídeos,  no MEO KANAL.

320-meokanal 895607.jpg

 

E quanto a aldeias do Barroso do concelho de Boticas, estaremos aqui de novo no próximo domingo com a aldeia de NOGUEIRA, com a qual encerraremos as aldeias da freguesia de Ardãos e Bobadela.

 

[i] BORRALHEIRO, Rogério, 2005, Montalegre, Memórias e História. Ed. Câmara Municipal de Montalegre. Pp. 80-70.

[ii] Tendo por base o índice de 4 a 5 habitantes por fogo. Arquivo Histórico Português, Vol. VII, nº7, Julho de 1909, p. 272.

 

 

02
Out20

O Barroso aqui tão perto - Mourilhe

Aldeias do Barroso - Concelho de Montalegre

1600-mourilhe (57)-video

montalegre (549)

 

Continuando a cumprir a nossa falta para com as aldeias que, aquando dos seus posts neste blog, não tiveram o resumo fotográfico em vídeo, trazemos hoje esse resumo para a aldeia de Mourilhe, Montalegre.

 

1600-mourilhe (1)-video

1600-mourilhe (67)-video

1600-mourilhe (62)-video

 

Como vem sendo habitual, aproveitamos esta ocasião para deixar aqui mais algumas imagens da aldeia que escaparam à anterior seleção.

 

1600-mourilhe (61)-video

1600-mourilhe (29)-video

1600-mourilhe (9)-video

 

Mourilhe que é uma das aldeias da periferia da sede do concelho, Montalegre.

 

1600-mourilhe (7)-video

1600-p-fontes-mouri (171)-video

 

Mas hoje não estamos aqui para falarmos de Mourilhe, isso, já o fizemos no post que lhe dedicámos (com link no final). Hoje é mesmo pelo vídeo, onde poderá ver todas as imagens da aldeia publicadas até hoje neste blog.

 

Aqui fica, espero que gostem:

 

 

Agora tabém pode ver este e outros vídeos no MEO KANAl nº 895 607

Link para o post de Mourilhe:

 

https://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-mourilhe-1589137

 

E quanto a aldeias do Barroso de Montalegre, despedimo-nos até à próxima sexta-feira em que teremos aqui a aldeia de Negrões.

 

 

27
Set20

O Barroso aqui tão perto - Ardãos

Aldeias de Barroso - Concelho de Boticas

1600-ardaos (19)

1600-cabecalho-boticas

 

O nosso destino de hoje no Barroso aqui tão perto é para a aldeia de Ardãos, uma das aldeias que fica no limite do concelho de Boticas, que confronta com o concelho de Chaves, e que a par da aldeia de Sapelos, são as aldeias de Boticas mais próximas da cidade de Chaves. E com Ardãos iniciamos também hoje um périplo pelas aldeias da freguesia de Ardãos e Bobadela.

 

1600-ardaos (17)

 

Ardãos que já foi pertença do concelho de Chaves. Acontece que o concelho de Boticas foi criado em 1836, recebendo as suas freguesias do concelho de Montalegre. Apenas as freguesias Anelhe e Ardãos transitaram do concelho de Chaves. (Ambas pertenceram anteriormente ao Julgado de Barroso conforme se verifica nas Inquirições afonsinas de 1258 referentes àquele Julgado). Em 1855, Anelhe regressa ao concelho de Chaves, mas Ardãos manteve-se em Boticas.

 

1600-ardaos (35)

 

Esta de Ardãos ter pertencido a Chaves é apenas uma curiosidade do tempo em que os concelhos e freguesias davam origem a novos concelhos e freguesias, ao contrário de hoje em que a tendência é a de unir freguesias, tal como aconteceu na última reorganização administrativa  de 2013 em que Ardãos é de novo protagonista ao ver-se unida à freguesia vizinha de Bobadela, sendo hoje a freguesia de Ardãos e Bobadela do concelho de Boticas, para já, pois cheira-me que mais cedo do que aquilo que se possa pensar, teremos aí uma nova reorganização administrativa envolvendo também concelhos e não apenas freguesias tal como aconteceu em 2013, reorganização feita apenas para “inglês ver”.

 

1600-sra-neves (63)

 

Então iniciemos pela localização e itinerário até Ardãos, que por ser tão perto e fácil, até dispensamos o nosso segundo mapa assinalando os pontos de passagem mais importantes. Ardãos fica a apenas 15,1km da cidade de Chaves e o melhor acesso, mais curto e mais rápido para lá chegar é via Seara Velha, saindo de Chaves por Casas dos Montes, Valdanta, Soutelo, Seara Velha e quase logo a seguir, teremos Ardãos. Fica o nosso mapa com a localização.

 

mapa ardaos.jpg

1600-ardaos (1)

 

O quase a seguir do parágrafo anterior tem a ver com uma paragem obrigatória que temos de fazer antes de entrar na aldeia de Ardãos, pois mais ou menos entre Seara Velha e Ardãos temos de visitar o Santuário de N.ª Sr.ª  das Neves, não só pela sua beleza mas também pela paz e harmonia que o local inspira, basta estar lá para se estar bem, pelo menos comigo foi assim. Mas também porque pelo caminho temos outros símbolos, não só religiosos, mas também culturais, por serem traços da cultura portuguesa – alminhas e cruzeiros. Digamos que para quem vai a Ardãos desde Chaves, pelo aperitivo, a aldeia promete.

 

1600-ardaos (22-28)

 

Depois de se demorar o tempo que tiver a demorar no Santuário de N.ª Sr.ª das Neves, sigamos então para Ardãos. Então logo após retomarmos a estrada entre Seara Velha e Ardãos, a menos de 1,5km teremos de atravessar a ponte sobre o rio Terva, um afluente do rio Tâmega. O rio Terva que nasce no concelho de Chaves, nas proximidades de Calvão, que atravessa o concelho de Boticas e desagua no Tâmega já no concelho de Vila Pouca de Aguiar. Embora passe em três concelhos, é um pequeno rio com uma extensão de apenas  23km, mas o suficiente para, segundo os pescadores especialistas, se pescarem por lá boas trutas, só têm é de ter sorte em encontrar os troços do rio onde as há, e este fenómeno já há muito que é conhecido, pelo menos já era referido nas Memórias Paroquias de 1758… mas sobre este assunto de haver trutas só em alguns troços do rio, nem há como ler um texto que José Carlos Barros deixou neste blog em setembro de 2014, um delicioso e divertido texto sobre as mesmas, fica aqui: As Trutas do rio Terva em 1758  

 

1600-sra-neves (42)

 

Atravessado o rio Terva entramos em Ardãos, pois logo a seguir ao rio começam a aparecer as construções mais recentes a anunciar o casco velho da aldeia, por sinal de povoamento bem concentrado, com um largo logo no início da aldeia aonde convergem vários arruamentos da mesma. Mais lá para dentro, quase no centro da aldeia, um outro largo, de menores dimensões, aliás muito mais pequeno, mas onde me parece ser, ou ter sido, o coração da aldeia, pois é nele que está o forno do povo, uma fonte de mergulho um grande tanque bebedouro e um dos dois cruzeiros que vi na aldeia. Um largo bem interessante por sinal.

 

1600-ardaos (129)

 

Foi precisamente neste largo que encontrámos fortuitamente o nosso cicerone para o resto da visita à aldeia, o Sr. Baia Valença, que nos mostrou o resto da aldeia enquanto nos dizia: “- Antes de ter tido duas tromboses, escrevia e lia muito, agora já estou a enrolar, mas eu tenho isto tudo estudado”.  A manhã estava fria, aliás estávamos a meados de janeiro do passado ano de 2018, no tempo daquele frio mesmo frio de cortar, o Sr. Baia, protegia a cabeça com um daqueles bonés com proteção para as orelhas, as mãos eram protegidas com um par de meias de lã, enquanto do seu discurso fluíam ensinamentos sobre o universo, a ecologia e a ciência em geral, contrariando mesmo a Lei de Conservação das Massas do francês Antoine Laurent de Lavoisier (1743-1794), que ficou mundialmente conhecida como a Lei de Lavoisier que vulgarmente aprendemos como “Na natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma”. No entanto o Sr. Baia Valença deixou-me a pensar com a sua teoria, a sua Lei, muito mais breve que a de Lavoisier em que contraria a sua primeira parte, e eu hoje não sei a quem dar razão, se ao Lavoisier, se ao Sr. Baia ou a ambos, mesmo com uma contradição pelo meio. Pois segundo o Sr. Baia Valença: “ O Sol é como um pai a alimentar a família, é ele que alimenta a vida na terra. Cá em baixo tudo se cria e transforma”.

 

1600-ardaos (134)

 

Ardãos é uma das aldeias que calha muitas vezes nos nossos itinerários do Barroso, por onde passamos amiúde, quer para entrarmos ou sairmos no Barroso, quer venhamos ou vamos para Boticas ou Montalegre, num dos sentidos, fazemo-lo via Ardãos, mas uma coisa é parar e outra é entrar dentro da aldeia, na sua intimidade, pois na passagem apenas nos fica na memória o grande largo da entrada e a restante estrada que não é mais que uma variante à aldeia, que passa à beira dela.

 

1600-ardaos (217)

 

Se entramos na sua intimidade, no seu casco histórico e coração, começamos logo a surpreender-nos, nem o frio daquela manhã de inverno de janeiro, com a temperatura a rondar os zero graus nos fez interromper as conversas e o tomar de fotografias, que segundo o registo das mesmas, foi feito num período que ultrapassou as duas horas, mas valeu a pena, e só temos, também pena, de não podermos deixar aqui todas as imagens, mesmo assim, hoje excedemos um pouco aquilo que vem sendo habitual. E sobre a aldeia e os nossos registos pessoais, nada mais dizemos, passemos agora à documentação, que neste caso de Ardãos e as restantes aldeias localizadas no vale superior do rio Terva, até há, ia dizer em demasia, mas se a informação é de qualidade, nunca é em demasia, digamos antes que há muita, desde teses de mestrado e doutoramento a outros documentos mais antigos, não fosse este vale superior do Terva rico em ouro, onde os romanos exploraram várias minas.

 

1600-ardaos (147)

 

Passemos então à leitura e transcrição de algum do conteúdo de um dos cadernos que a C.M.de Boticas publicou a cada freguesia com a “Preservação dos Hábitos Comunitários nas Aldeias do Concelho de Boticas”, neste caso com o caderno da antiga freguesia de Ardãos.

 

1600-ardaos (32)

 

Saliente-se que a publicação atrás referida é do ano de 2006,  pelo que é natural que alguma da informação esteja desatualizada, nomeadamente no que diz respeito ao número de habitantes, estabelecimentos, associações existentes e outros existentes na altura, pelo que, nalguns casos, entre [ ] deixamos alguns apontamentos nossos.

 

1600-ardaos (82)

 

A freguesia de Ardãos fica na par­te mais a nordeste do concelho de Boticas. Confronta com várias freguesias: a Norte Sarraquinhos e Meixide, ambas do concelho de Monta­legre, a Este Seara Velha e Redondelo, ambas do concelho de Chaves, a Sul Bobadela e Sapiãos e a Oeste Cervos, do concelho de Montalegre. Dista da sede do concelho aproximadamente 10 km. O acesso viário [a partir de Boticas],  faz-se seguindo pela EN 312. Em Sapiãos segue-se pela EN 103 na direcção Chaves. Virando depois em direcção a Bobadela, percorre-se a EM 527 até Ardãos. A aldeia de Ardãos, (…), encontra­-se disposta num vale. Protegida a toda a volta por serras e montes, os seus pas­tos e campos de cultivo estendem-se por uma vasta zona plana e fértil, povoada de várias ribeiras. A [antiga] freguesia [de Ardãos] ocupa uma área total de 22,4 Km2.

 

1600-ardaos (204)

 

O desenvolvimento da população (…) [da antiga] freguesia de Ardãos acompanha o movimento demográfico que caracteriza toda a região de montanha no Norte de Portugal, tipifi­cada por uma diminuição progressiva da população, com uma pirâmide etária in­vertida, onde os grupos etários mais bai­xos são diminutos e a população enve­lhecida aumenta.

 

1600-ardaos (121)

 

Actualmente [em 2006], tem aproximadamente 311 habitantes. Se da década de 60 até á de 70 a população residente não registou grandes oscilações, a partir dos anos 70, esta freguesia, à semelhança do que se verifica na generalidade das freguesias do concelho, perdeu muita da sua população residente, aproximadamente 60%. Este gradual decréscimo da população deve-se essencialmente à intensificação do êxodo populacional que a partir de então se verificou. Muitos foram os que partiram para o estrangeiro, para países como Brasil, Estados Unidos da América, França, Luxemburgo e Suíça, e para outras regiões do país, em busca de melhores condições de vida.

 

1600-ardaos (107)

 

(E)migrar continua a ser uma opção para a popula­ção mais jovem dada a limitação local de ofertas de emprego. Note-se que em 1758 (…) a freguesia de Ardãos tinha 309 pessoas, e em 1796 tinha um aumento aproxima­do de 50%, perfazendo um total de 470 pessoas", mesmo assim muito distante dos valores populacionais de 1960, altura em que atingiu o máximo de população. Depois disso tem vindo a diminuir gradualmente, atingindo valores muito próximos daqueles que Ardãos tinha nos inícios do século XVI, em 1527, cujo nú­mero de moradores cabeça de casal era de 48, o que em habitantes dá um valor aproximado de 200 indivíduos[i].

 

Ardãos é hoje [2006] habitada por uma população marcadamente envelhecida, da qual apenas um quinto tem menos de 25 anos.

 

1600-ardaos (55)

 

Os níveis de alfabetização desta população residente são baixos, acompanhando o seu nível de envelhecimento, destacando-se o número elevado de pessoas sem nenhuma qualificação académica. Esta situação excepcional é suportada pelo elevado número de idosos, alguns deles regressados da emigração, em situação de aposentados.

 

No que se refere à área de actividade, a maior parte da população local continua a dedicar-se à agricultura, essencialmente de subsistência, e á pecuária. Alguns trabalham na construção civil e no pequeno comércio e outros na área dos serviços em instituições do concelho (Município de Boticas, Santa Casa da Misericórdia de Boticas, etc.) e nos concelhos vizinhos, especialmente em Chaves.

 

1600-ardaos (104)

 

Na aldeia há um café e mini mercado com um pequeno salão de jogos onde os mais jovens se distraem. A sede da Junta de Freguesia também tem um bar que está a ser explorado pela Associação Recreativa e Cultural de Ardãos e abre aos Sábados à tarde e Domingos para os sócios. Além do bar, o edifício possui também um salão que pode ser utilizado pela população para os mais diversos fins. Nas horas de ócio e sempre que o tempo permite vêem-se pessoas nos largos da aldeia a conversar.

 

Em termos associativos, em Ardãos existe a Associação Recreativa e Cultural de Ardãos e um Agrupamento de Escuteiros do Corpo Nacional de Escutas, Agrupamento 1196 — Ardãos.

 

No primeiro sábado de cada mês realiza-se uma feira na aldeia.

 

1600-ardaos (101)

 

MARCAS DO PASSADO

Não é fácil conhecer o dia primeiro da origem da maioria das paróquias e freguesias. Excluindo uma ou outra que vem identificada nos documentos antigos, a maioria das aldeias têm origem desconhecida no tempo. Umas mais antigas, outras de origem mais recente, sabe-se que a maioria destas aldeias são formadas a partir do agrupamento de famílias unidas por laços de parentesco ou afinidades económicas e profissionais que se organizaram em comunidade. Muitas das aldeias de Barroso têm a sua origem histórica no movimento de reconquista e povoamento do território iniciado com a formação do Reino de Portugal em 1143 e posterior fixação de uma ou mais famílias de povoadores.

 

1600-ardaos (86-89)

 

Teve particular desenvolvimento a partir do século XIII. Estes povoadores eram atraídos por contratos de aforamento de terras incultas que se comprometiam a trabalhar e a fazer produzir, assim como a povoar e defender. Em troca pagavam o foro em géneros produzidos na terra: cereal, galinhas, ovos, carneiros, peças de porco. Estes contratos são conhecidos como o processo de enfiteuse e eram promovidos indistintamente pela Coroa e/ou pelas Casas Nobres e Senhorios Eclesiásticos. Em Ardãos já a presença humana se fazia sentir no tempo da ocupação romana, muitos séculos antes da fundação de Portugal. Não podemos é afirmar a existência de uma povoação organizada. Pelo menos os vestígios arqueológicos indicam que foi couto mineiro dos romanos, que estes exploraram a céu aberto, como o testemunham as lagoas antigas que ai existiam e sempre se afirmou serem feitas para exploração de metal no tempo dos romanos[ii]. Entretanto, com as invasões dos povos germânicos grande parte destas terras estavam desertas, vindo a ser ocupadas pelos portugueses, então liderados pelos reis da primeira dinastia, através de movimentos de povoamento.

 

1600-ardaos (80)

 

São conhecidos alguns contratos de enfiteuse para as terras de Barroso, que nos permitem pensar que a grande maioria das suas aldeias e povoados tiveram origem neste modo de povoamento[iii]. Alguns contratos de aforamento são disso testemunho, como é o caso do aforamento da "Póvoa" de Lavradas, feito nos finais do século XIII (1288 da era cristã), no tempo do Rei D. Dinis e que, tudo o indica, está na origem da actual aldeia de Lavradas".

 

1600-ardaos (74)

 

De facto, por este documento fundador de Lavradas verifica-se que foi terra ocupada, a partir de uma carta de aforamento passada pelo Rei de Portugal, por um conjunto de povoadores que, com suas mulheres, receberam autorização de Sua Majestade para formarem 11 casais (propriedades agrícolas) que deveriam povoar, lavrar e frutificar a troco de um foro (renda) traduzido em dois maravedis e dois alqueires de pão (um de milho outro de centeio) por casal, que deveriam pagar pelo S. Martinho. A freguesia de Ardãos terá tido a sua origem neste movimento povoador. Em 1527 aparece já bem consolidada no "Numeramento" mandado fazer por D. João III, com uma população composta por 48 moradores ou cabeças de casal que daria um número aproximado de 200 habitantes.

 

1600-ardaos (69)

 

OS CASTROS DE ARDÃOS

No território da freguesia de Ardãos encontram-se identificados variados vestígios de povoados fortificados, localizados nos montes à volta da aldeia. Os principais vestígios castrejos identificados são: o Castro de Malhó, o Castro da Gorda e o Castro do Muro ou Cunhas. Existem também no termo desta freguesia os vestígios da cidade de Batocas e as respectivas minas, onde em tempos idos se fazia exploração mineira.

 

1600-ardaos (54)

 

UM DOCUMENTO DE 1758

No ano de 1758, o Rei D. José, através do seu ministro Marquês de Pombal, desenvolveu um inquérito a todas as paróquias do Reino de Portugal continental que hoje se encontram no IAN/TT.

 

Este inquérito, que foi respondido pelos párocos das freguesias, era composto de três partes: a primeira respeitante à paróquia onde se tratava de saber da sua história, produções agrícolas, população, instituições locais, igreja e capelas com suas devoções e romagens; a segunda tratava da serra e das suas características, se tinha lagoas e nascentes, monumentos, capelas, caça e árvores e a terceira perguntava sobre os rios e ribeiros que nela existissem, assim como das levadas, represas, moinhos, pisões e culturas nas suas margens.

 

1600-ardaos (67)

 

É graças a este inquérito que se pode obter uma visão mais ou menos completa de como era a freguesia de Ardãos nos meados do século XVIII como abaixo se pode ver. Estas memórias paroquiais são particularmente ricas em informação, o que nos permite até imaginar como seria a vida desta comunidade paroquial. É a resposta dada pelo pároco da freguesia de Ardãos, nesse ano o padre Miguel Álvares, que adiante apresentamos. Para melhor leitura foi actualizado o Português naquelas palavras que consideramos necessário, introduzindo-se-lhe pontuação e parágrafos.

 

1600-ardaos (63)

 

Miguel Álvares, pároco nesta igreja de Santo André de Ardãos, comarca de Chaves, Arcebispado de Braga Primaz, recebi uma ordem do muito Reverendo Senhor Doutor Vigário Geral desta comarca para informar o que se pede nos interrogatórios seguintes:

 

  1. Este lugar de Ardãos pertence à província de Guimarães, Arcebispado de Braga, termo e comarca de Chaves, freguesia de Santo André.
  2. É Comenda do Almotacé mor, o senhor dela no presente.
  3. Tem esta freguesia noventa e um vizinhos, pessoas que comungam trezentas e nove e menores que não comungam quarenta e nove.
  1. Está este lugar situado num baixo, num vale. Está rodeado de serra a norte, a nascente e a poente. Deste lugar somente se avistam os lugares de Nogueira, Bobadela e Sapelos, distantes deste lugar a meia légua.
  2. Tem termo seu e não tem mais lugares nem aldeias. Os noventa e um vizinhos [vivem] todos juntos num só lugar e aldeia.
  3. A igreja paroquial está junto à residência do pároco e dos vizinhos do lugar. Não tem mais lugares ou aldeias.
  4. É orago desta igreja Santo André, tem três altares: um da capela-mor da igreja com a imagem de Santo André e da Nossa Senhora do Amparo: outro do Santo Cristo com a imagem do Senhor Crucificado e outra imagem de São Sebastião; e o terceiro altar é do Menino Deus com a sua imagem e um painel das Almas. Não tem irmandades algumas nem naves.
  5. É o pároco desta freguesia vigário colado apresentação do Reitor de São Miguel de Bobadela. Rende de um ano para o outro noventa mil reis, e os frutos para o Comendador quatrocentos e cinquenta mil reis pouco mais ou menos.
  6. Não tem beneficiados nem renda para eles nem quem os apresente.

 

1600-ardaos (57)

 

  1. Não tem conventos de religiosos ou religiosas, nem quem os apresente.
  2. Não há hospital, nem quem o administre, nem renda para ele.
  3. Não tem casa de Misericórdia, nem quem a administre, nem renda para ela.
  4. Tem duas ermidas, uma de S. Roque junto a este lugar e a outra de Nossa Senhora das Neves, no sitio da Ribeira, distante deste lugar meia légua. Fabricam-nas os fregueses deste lugar.
  5. Não acodem a elas romarias, somente, alguns sábados, vão alguns devotos à Nossa Senhora das Neves, e não são sempre uns e também nos seus dias.
  6. Os frutos comuns são na maior parte centeio, vinho ordinário, milho mediano, pouco trigo, castanha, feijão, hortas de couves, cebolas e alfaces em proporção.
  7. Tem juiz espadano, que está sob a alçada do juiz de fora e da Câmara da vila de Chaves. Não tem Câmara.
  8. Não é couto, nem cabeça de conselho, nem honra ou behtria.
  9. Não há memória que houvesse neste lugar, ou daqui saíssem homens ilustres, em virtudes, letras ou armas.
  10. Não tem nenhum dia, nem tempo determinado para feiras francas ou cativas.
  11. Não tem correio, vale-se do da vila de Chaves, que dista deste lugar 2 léguas.
  12. Este lugar dista da cidade capital de Braga catorze léguas, e da capital do Reino, Lisboa, setenta e cinco léguas, mais ou menos.
  13. Este lugar não tem privilégios, nem antiguidades, nem outras coisas dignas de memória.
  14. Não há no termo desta freguesia nenhuma fonte especial. Somente algumas fontes de água comum que nascem no povo, servem para alimento dos racionais, e outras fontelas e regatos que servem para os irracionais e se juntam à Ribeira do Brão.
  15. Não há porto marítimo.
  16. Não é praça de armas, nem tem fortalezas, nem mesmo castelos nem torres.
  17. Não sofreu nenhuma destruição no terramoto de 1755.
  18. Há nos limites desta freguesia quatro muralhas em ruínas que dizem ter sido antigamente fortalezas dos romanos. Um chama-se o muro da Murada, outro o muro do Malho, outro o muro de Cunhas e outro o muro da Ribeira. Há também umas concavidades em dois sítios, uma chama-se das Batocas e a outra das Freitas, que terão sido, antigamente, minas dos Mouros, mas não me consta que nelas se tenha achado ouro, nem prata, nem que para isso se fizesse alguma diligência. Há nestas concavidades umas lagoas de água que nunca secam e têm pouca correnteza para fora em lançar água comum.

 

1600-ardaos (50)

 

Serra

  1. Há uma serra que no meio se chama o Pindo.
  2. Tem duas léguas de comprido e meia de largo. Principia no termo do lugar de Meixide e acaba no lugar das Quintas.
  3. Os nomes dela são: as Palhaças, Fosqueira, Chão de Lexandre, Chão de João Diz [Roca] de Covas, Piomeiras, Murada, Pindo, Penices e Leiranco.
  4. Nascem nela regatos, uns secam no Verão, outros não. Não são propriedade de ninguém, nascem para o Nascente, correm para Sul e terminam no Tâmega. Este no Douro e antes forma-se um rio que se chama Terva.

 

1600-ardaos (46)

 

  1. Não há nele vilas nem ao redor. Há da parte do Nascente este Ardãos, o lugar de Nogueira, Bobadela, Sapiãos, Eiró, Boticas e Quintas, e para o poente há Cervos, Arcos, Antigo, Pedrário e no norte Meixide.
  2. Não consta que haja fontes com propriedades medicinais na dita serra.
  3. Não tem minas de metais alguns, nem canteiras de pedra, nem de outras matérias.
  4. Não consta que tenha ervas medicinais. Só lenhas como torgos e urzes, carquejas, giestas, carvalhos, ervedeiros, estevas, estevais e queirogas.
  5. Não há nela mosteiros, nem capelas nem imagens milagrosas que se saiba.
  6. A sua temperatura é mediana, às vezes tem neve. Para a parte nascente é favorável e para a do poente é fria.
  7. Criam-se nela lobos, raposas, gatos a que chamam Algaria, coelhos, perdizes, gadunhas e umas aves a que chamam bufos.
  8. Não tem lagoa nem fojos.

Não sei mais nada desta serra que seja digno de memória.

 

1600-ardaos (38)

 

Rios

  1. Rio de Ribeira de Brão nasce de diversos regatos pela serra acima.
  2. Não nasce caudaloso, porém corre todo o ano.
  3. Juntam-se-lhe outros regatos de Nogueira e Bobadela logo abaixo desta freguesia.
  4. Não é navegável, nem apropriado para embarcações.
  5. Corre com curso mediano.
  6. Corre de norte para sul.
  7. Cria umas bogas e quando há enchentes encontram-se algumas trutas.
  8. Não há nele pescarias, não há peixes senão bogas.
  9. Como não há pescarias também, não há senhor delas.
  10. Cultivam-se as suas margens e não tem arvoredos.
  11. Não têm virtudes especiais as águas.

 

1600-ardaos (37)

 

  1. Não conserva [sempre] o nome de Ribeira de Brão, logo abaixo junta-se outro regato no sítio de Sapelos que vem de Calvão e ali principia a ter o nome de rio Terva. Não há memória que tivesse outro nome.
  2. Desagua no rio Tâmega, entra nele no sítio da Seixa.
  3. Como não é navegável não tem açudes nem cachoeiras que o contenham.
  4. Tem uma ponte de três arcos entre Sapelos e Sapiãos, na estrada de Braga para Chaves ou de Chaves para Braga, por se não poder passar a vão em enchentes.
  5. Tem alguns moinhos onde somente no Inverno se pode moer. Não tem pisões, nem noras nem outros engenhos.
  6. Não consta que em tempo algum se tirasse dele ouro, nem outro metal.
  7. Os povos usam as suas águas livremente para cultura dos seus campos.
  8. Desta freguesia até ao Tâmega, onde termina, serão duas léguas. Passa pelo termo de Bobadela, Sapelos, Sapiãos e Granja.
  9. Não sei mais coisas que possa declarar mais do que o referido nos interrogatórios. E por ser verdade passei esta que assino com os párocos mais vizinhos. Ardãos, 12 de Março de 1758. I juro in verbo sacerdotis.

O Pároco de Santo André de Ardãos Miguel Álvares.

O Reitor de Bobadela António Alves Monteiro

O Cura de S. Tiago de Seara Velha

O padre Francisco Alves

 

1600-ardaos (123)

 

Depois deste longo post, mas, ou bem que se fala da aldeia ou não, e muita coisa fica por dizer, passamos ao vídeo final com todas as imagens hoje aqui publicadas. Vídeo que também pode ser visto no MEO KANAL no nº 895607

 

Fica o vídeo, espero que gostem:

 

BIBLIOGRAFIA

CÂMARA MUNICIPAL DE BOTICAS, Preservação dos Hábitos Comunitários nas Aldeias do Concelho de BoticasFreguesia de Ardãos - Câmara Municipal de Boticas, Boticas, 2006

 

WEBGRAFIA

http://www.cm-boticas.pt/

 

 

[i] MENDES, José Maria Amado, 1995, Trás-os-Montes nos fins do século XVili, 2' ed., FCG/JNICT, Lisboa.

[ii] LEAL, Augusto Pinho, 1874, Portugal Antigo e Moderno, Vol. I, Lisboa, Livraria Ed. de Mattos Moreira,

[iii] BORRALHEIRO, Rogério, 2005, Montalegre, Memánas e História, Ed. Câmara Municipal de Montalegre: pp. 80-87.

 

 

 

02
Ago20

O Barroso aqui tão perto - Côvelo do Monte (totalmente despovoada)

Aldeia do Barroso - Concelho de Boticas

1600-covelo-Monte (67)

1600-cabecalho-boticas

 

Sempre que partimos para o Barroso desconhecido, fazemos previamente o trabalho de casa, principalmente estudamos bem o nosso itinerário, tomamos anotações de pontos de referência e de passagem obrigatória, anotamos possíveis atalhos e fazemos contas ao tempo que necessitamos para percorrer distâncias e paragens nos locais.

 

1600-covelo-Monte (40)

 

Mas como sempre uma coisa são os mapas e outra é a realidade,  e se para alguns locais partimos mais despreocupados, pois há sempre uma aldeia por perto e pessoas a quem perguntar no caso de estarmos enrascados com a orientação, para outros destinos mais ermos, temos mesmo de estudar bem a lição antes de sairmos de casa,  que foi o caso de Côvelo do Monte.

 

1600-covelo-Monte (63)

 

 Na partida para Côvelo do Monte, tínhamos como referência a central do parque eólico de Casas da Serra. Sabíamos que no entroncamento onde se encontra a central, no encontro de estradas, uma delas nos levava até Alturas do Barroso e na direção contrária para Coimbró e a terceira estrada, perpendicular à primeira, nos levava até Cerdedo. Seria nesta última que bem próximo do entroncamento, deveria existir um caminho em terra batida, e ele lá estava. Fácil, bastava seguir o caminho e Côvelo do Monte lá haveria de aparecer. Fica o nosso mapa que também serve para melhor localizar a aldeia

 

mapa covelo

mapa covelo-1

 

Mas o que parecia fácil depressa se complicou, pois percorridos poucos metros o caminho bifurca e passamos a ter dois caminhos. Nos nossos apontamentos apenas tínhamos um caminho, mas a escolha foi fácil, tomámos o que estava em melhores condições, pois só poderia ser esse, e lá fomos, montanha adentro, quase sempre a subir, passámos por uma eólica, depois outra, mais uma, outra ainda e finalmente a última, pois o caminho terminava aí, bem lá no alto, mas olhando em redor, nada de aparecer Côvelo do Monte, mas sabíamos que não deveria estar longe.

 

1600-covelo-Monte (64)

 

Desde essa última eólica, 100 metros abaixo em direção a poente, passava o outro caminho pelo qual não tínhamos optado. Embora bem próximo de nós, era impossível passar para ele, pois esses 100 metros eram de uma ribanceira bem acentuada e pejada de rochas, mas agora visto dali, não havia dúvidas que seria esse o caminho para Côvelo do Monte. Seguimos-lhe visualmente o traçado até o perder de vista, mas nada de Côvelo, com ajuda da teleobjetiva da câmara fotográfica, que também nos vais servindo de monóculo, tentamos perceber o que era uma pequena mancha, de cor ligeiramente diferente que havia ao fundo no encontro das duas montanhas, et voilá, eram telhados, os telhados das casas de Côvelo do Monte. Tal como no jogo do monopólio, depois de termos caído na casa da última eólica, tivemos de voltar à casa de partida percorrer todo o outro caminho que inicialmente tínhamos desprezado.

 

1600-covelo-Monte (21)

1600-covelo-Monte (22)

 

Mas felizes e contentes por finalmente termos descoberto a aldeia, e lá fomos andando e indo, devagar, devagarinho, pois o piso do caminho a isso recomendava e umas cambalhotas pela encosta da montanha abaixo, pela certa que não seriam muito agradáveis, e num de repente, o mundo caiu-nos aos pés, a nossa felicidade terminou ali, já avistávamos a aldeia quando o caminho nos foi interrompido por uma cancela fechada.

 

1600-covelo-Monte (23)

1600-covelo-Monte (24)

 

Sabíamos que a aldeia estava abandonada e que casa a casa e prédio a prédio, alguém a tinha comprado para fazer dela um empreendimento turístico, que com o tempo, talvez pelos custos, ou falta de “subsílios” acabou por abandonar, e era mesmo este o verbo que ali, pasmados a olhar para a cancela, íamos conjugando. Aldeia abandonada, projeto abandonado e nós também abandonados ao destino da nossa má sorte do dia. Ainda pusemos a hipótese de saltar a vedação e fazer o que restava do trajeto a pé, mas eram 13H00, daquele dia 6 de outubro de 2017, num dia ainda quente, mesmo estando na croa da montanha e as nossas barriguinhas já pediam assistência e com uns bons quilómetros para fazer até ao restaurante mais próximo, desistimos…

 

1600-covelo-Monte (26)

1600-covelo-Monte (250)

 

A paisagem por ali é do mais agreste que há, aquele agreste que eu conhecia do Barroso desde criança, muito antes de conhecer o Barroso verde genericamente conhecido no Baixo Barroso, mas lá de cima, dava para notar que lá no fundo, onde estava o que restava de Côvelo do Monte, existia uma pequeníssima veiga, verde, com algumas árvores igualmente verdes, mas em tons mais escuros. Mas a descoberta teria que ficar para mais tarde, nem que fosse a última aldeia a ir e mesmo que tivéssemos de fazer o percurso todo a pé, era aldeia à qual tínhamos de ir, era obrigatório, pois era a primeira aldeia da era atual a estar completamente abandonada, mas teria de ser noutro dia.

 

1600-covelo-Monte (321)

1600-covelo-Monte (254)

 

E não demorou muito tempo a fazermos a segunda tentativa, sete meses depois, em 24 de abril de 2018, aí já com uma viatura de todo o terreno, por volta das 11h30 lá estávamos nós em frente à cancela do caminho. Desta vez acertámos no caminho à primeira tentativa e a cancela embora ainda lá estivesse, estava aberta, e desta vez é que foi… fomos até à aldeia

 

1600-covelo-Monte (247)

1600-covelo-Monte (142)

 

Desde a cancela até a aldeia são cerca de 800 metros, sempre a descer na mesma terra agreste, isto,  até chegarmos a uma pequena linha de água que dava origem a uma pequena veiga, a grosso modo aí com uns 700 metros de comprimento por 100 metros de largura, e no limite, por um lado ao longo da linha de água e do outro ao longo do caminho que atravessa a aldeia, algum arvoredo que transformam o local num pequeno, lindíssimo e apetecível oásis, só que em vez de ser no meio da areia do deserto, está no meio da aridez das encostas da montanha e quase a 1000 metros de altitude.

 

1600-covelo-Monte (314)

1600-covelo-Monte (297)

 

Mas de pouco vale esse oásis, pois a aldeia está totalmente despovoada, abandonada e com metade do seu casario metade em ruínas e o restante para lá caminha, mas não nos surpreendeu, pois previamente já sabíamos que a aldeia estava assim. Não fomos surpreendidos, mas começou aí aquela mescla de sentimentos que sentimos quando vemos assim as aldeias, mas até essa altura, apenas aldeias que caminham para o despovoamento total, como a aldeia vizinha de Casas da Serra, mas esta era a primeira que víamos completamente abandonada, sem vida, apenas com o casario da antiga aldeia.

 

1600-covelo-Monte (289)

1600-covelo-Monte (286)

 

E lá fomos entrando na aldeia, com o tal misto de sentimentos a invadirmos, às vezes mesmo contraditórios, como o de não compreendermos como a aldeia chegou ao despovoamento total, mas por outro lado a compreender perfeitamente que tal tivesse acontecido, pois é uma aldeia quase no meio do nada, apenas com a sua pequena veiga, que quando muito poderia dar para subsistir, como deu quando tinha pessoas para habitar as casas.

 

1600-covelo-Monte (219)

1600-covelo-Monte (198)-1

 

Os tempos hoje são outros, e também muito mais exigentes, em que só a terra, já não chega para viver, e depois, viver a 1000 metros de altitude, isolados, sem estrada e distantes do que hoje se quer por perto, como a saúde e a educação, e já deixo de parte o tempo de lazer e a cultura, ao qual todos temos direito, mas que só é para uns tantos…

 

1600-covelo-Monte (191)

1600-covelo-Monte (168)

 

Contudo Côvelo do Monte é uma aldeia, que pelas suas características, localização, isolamento e ambiente natural que a rodeia, também poderia ser bem interessante, desde que fosse para viver lá por opção, sem ser obrigado a. Bem poderia ser um pequeno paraíso e desfrutar do seu pequeno oásis. Aliás é uma aldeia interessante, mesmo em ruinas e despovoada, continua a mostrar o seu encanto, e bastaria ter um bom acesso à R311, com 2 km de boa estrada, e a música seria outra.

 

1600-covelo-Monte (148)

1600-covelo-Monte (89)

 

Quanto às nossas pesquisas sobre a aldeia, vai aparecendo no mapa, e pouco mais, apenas vimos uma referência à capela, que diz estar fora de culto, mas ter sido de devoção a Santa Bárbara. Já é alguma coisa, pois quanto à capela, dela, hoje só existem as 4 paredes, e uma delas também ameaça ruir.

 

1600-covelo-Monte (80)

1600-covelo-Monte (74)

 

As outras referência que encontrámos, até como notícia de TV nacional, é a de que a aldeia está à venda, toda ela, pois hoje é de um único proprietário. Segundo a notícia, está à venda por 4 milhões de euros, que feitas bem as contas, e somando o investimento necessário para fazer da aldeia alguma coisa, dá para perceber que a aldeia vai continuar abandonada, e temos pena…

 

1600-covelo-Monte (55)

1600-covelo-Monte (49)

 

Assim, sem mais para contar sobre a aldeia, está na altura de nos despedirmos e de deixar aqui o vídeo com todas as fotografias do post. Espero que gostem.

 

1600-covelo-Monte (37)

1600-covelo-Monte (4)-granjo-6

 

Mas antes do vídeo, apenas uma nota quanto à forma como grafei a aldeia, como Côvelo. Vá-se lá saber porquê, pois as referências que há à aldeia, em mapas e outros documentos em que diz que a aldeia pertence à freguesia de Cerdedo, aparece grafada de 3 maneiras, como Covelo, sem qualquer acento, Covêlo com acento no “e” e Côvelo com acento no “o”. Eu optei pelo último, e está a justificação dada para que achar estranho vê-la assim.

 

E agora sim, o vídeo:

 

 

Quanto a aldeias do Barroso, teremos aqui na próxima sexta-feira mais uma Barroso de Montalegre. A próxima aldeia de Boticas, virá por aqui no próximo domingo.

 

 

 

 

31
Jul20

O Barroso aqui tão perto - Lamas

Aldeias de Barroso - Com Vídeo

1600-lamas (1)-video

montalegre (549)

 

Continuando a cumprir a nossa falta para com as aldeias que, aquando dos seus posts neste blog, não tiveram o resumo fotográfico em vídeo, trazemos hoje esse resumo para a aldeia das Lamas.

 

1600-lamas (86)-video

1600-lamas (105)-video

 

Mas uma vez que aqui estamos, aproveitamos a oportunidade para deixar mais algumas imagens da aldeia que escaparam à anterior seleção.

 

1600-lamas (100)-video

1600-lamas (107)-video

 

Imagens com pormenores com que alguns poderão matar saudades e recuar ao tempo de criança, aquando aprenderam as primeiras letras e números, mas principalmente um regresso às brincadeiras e traquinices do recreio da escola.

 

 

1600-lamas (99)-video

1600-lamas (92)-video

 

Imagens também cada vez mais raras, mesmo em vias de extinção, tal como uma cobertura em colmo que tem resistido ao tempo da modernidade. Um dos poucos exemplares que ainda resta no Barroso, e é pena que se acabem, pois cada aldeia, para memória futura, poderia manter uma construção com cobertura de colmo, mesmo que para isso tivesse de ser “nacionalizada” pelo município, pois um dia destes, ou aliás,  já é complicado explicar a uma criança como era uma cobertura de colmo.

 

1600-lamas (64)-video

1600-lamas (31)-video

 

Mas hoje estamos aqui para falar da aldeia ou tecermos opiniões ao respeito do que quer que seja. Estamos aqui pelo vídeo que faltou ao post da aldeia, post esse para o qual fica um link no final. Vamos então ao vídeo, que espero que seja do vosso agrado.

Aqui fica:

 

 

 

Post do blog Chaves dedicados à aldeia de Lamas:

https://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-lamas-1668129

 

E quanto a aldeias do Barroso do concelho de Montalegre, despedimo-nos até à próxima sexta –feira, quando teremos aqui a aldeia de Lapela, mas domingo, estaremos aqui com mais uma aldeia do Barros, mas do concelho de Boticas.

 

 

27
Jul20

O Barroso aqui tão perto - Coimbró

Aldeias de Barroso - Concelho de Boticas

1600-coimbro (177)

1600-cabecalho-boticas

 

Coimbró

 

Como é habitual este blog aos fins de semana mergulha no mundo rural da nossa região, e se aos sábados as aldeias de Chaves têm marcado aqui a sua presença, os domingos têm estado  reservados para as nossas descobertas do Barroso. Primeiro andámos pelo concelho de Montalegre e mais recentemente começámos a abordar (publicar) as aldeias do concelho de Boticas, e hoje cá estamos com mais uma das suas aldeias, Coimbró.

 

1600-desde coimbro (1)

A caminho de Coimbró - Ao fundo, em último plano a serra do Gerês

1600-desde coimbro (5)

A caminho de Coimbró - Em primeiro plano a aldeia de Telhado, Montalegre e ao fundo, em último plano a serra do Larouco

Tentamos fazer em imagem, mas também em palavras, um resumo de cada aldeia, daquilo que tem de mais importante e significativo, daquilo que mais nos atrai, mas não só da aldeia, pois tudo aquilo que a rodeia, o caminho até lá chegarmos e também aquilo que desde a aldeia se alcança, em vistas, também fazem parte do ser dessa aldeia. Daí, tentamos, e sempre que possível deixamos uma ou mais imagens da aldeia vista a uma certa distância, mas também as vistas que vamos captando pelo caminho ou a partir de cada aldeia, que hoje é o caso das duas imagens que ficaram atrás e desde onde se alcança quase todo o Barroso de Montalegre desde a serra do Gerês até à serra do Larouco.

1600-coimbro (4)

1600-coimbro (192)

 

Mas se as vistas gerais podem ser de encantar, os pormenores, muitos deles, despertam muito mais, quer pelo seu ser curioso, quer pela sua beleza, pela sua singularidade, pela sua raridade, pela sua simplicidade… fazendo a entrada na aldeia de Coimbró, vindos da aldeia do Telhado, encontramos ao nosso lado direito uma pequena capela de devoção a Stª Bárbara, debaixo de um enorme carvalho, no meio de um campo de cultivo, sem qualquer acesso (estrada, caminho ou carreiro). Mais parece uma pequena ilha no meio do oceano… para rematar a entrada na aldeia, um pouco mais à frente, existem umas alminhas no meio da estrada, precisamente onde os dois acessos à aldeia se unem num só, servido na prática de um separador de trânsito. Não é caso único, mas em geral costumam ter um pequeno canteiro ou uma qualquer estrutura de proteção às alminhas, estas, não, são simplesmente alminhas no meio da estrada. Pela entrada e pelas paisagens que se atravessam até chegar à aldeia, a aldeia promete.

 

1600-coimbro (181)

1600-coimbro (101)

 

Claro que estamos em terras altas da Serra do Barroso, acessos e a própria aldeia estão acima da cota dos 1000 metros de altitude. A aldeia não é visível à distância, as montanhas que lhes tapam as vistas, também, em parte, as protegem ou minimizam do rigor dos invernos, principalmente dos ventos que fazem sempre aumentar a sensação de frio.

 

1600-coimbro (8)

1600-coimbro (173)

 

Não é uma aldeia pequena, mas também não é muito grande, tem dois pequenos núcleos quase juntos, e algumas construções dispersas fora desses núcleos. À volta da aldeia estão os terrenos de cultivo e as pastagens, estas bem necessárias, pois Coimbró, de entre todas as aldeias que conheço do Barroso, foi aquela onde vi mais gado graúdo (bovinos), de várias raças, entre as quais, a barrosã.

 

1600-coimbro (172)

1600-coimbro (170)

 

Quanto à sua localização, é uma das aldeias da Serra do Barroso, bem lá no alto, toda a aldeia está acima dos 1000m de altitude. As aldeias mais próximas são Casas da Serra, Vila da Ponte, Telhado e Ormeche, no entanto, por estrada, só tem ligação com Casas da Serra e Telhado. Com Vila da Ponte liga-se por um estradão de montanha, em terra batida e com Ormeche não tem ligação direta, a mais próxima é via Vila da Ponte.

 

1600-coimbro (148)

1600-coimbro (159)

 

Quanto ao nosso itinerário para lá chegar, sempre a partir de Chaves, há duas alternativas principais, que podem ter umas variantes. Ambas com início na EN103 (Estrada da Braga). Uma delas é maioritariamente pela EN103 até aos Pisões, aí abandona-se a EN e atravessa-se o paredão da Barragem e logo a seguir a este, na Lama da Missa, segue-se em direção ao Telhado e logo na entrada da aldeia, no largo, vira-se à esquerda em direção a Coimbró. Por este trajeto são 63.7Km. O que nós recomendamos é via Boticas e depois a ER311 até pouco depois da Carreira da Lebre, a seguir vira-se em direção a Carvalhelhos e ainda antes desta aldeia, vira-se à esquerda em direção a Atilhó e Alturas de Barroso. Nesta última aldeia, como tem 3 saídas, embora estando assinaladas as direções que cada uma toma, recomendo mesmo assim perguntar a alguém (que de certeza vai encontrar, pois nas Alturas há sempre gente na rua) onde é a saída para Coimbró. Depois é seguir sempre por essa estrada até Coimbró. Irá encontrar um entroncamento com um desvio à esquerda, mas não ligue e siga em frente.

Mas para uma ajuda, fica o nosso mapa.

 

mapa coimbro.jpg

mapa coimbro-1.jpg

 

No regresso, recomendo outro itinerário. Um deles poderá ser ou outro itinerário alternativo de ida, mas ao contrário, ou seja, Telhado, Pisões, Chaves. Mas recomendo que regresse pela estrada que entrou na aldeia até ao entroncamento (a 3,5 km) que sai para Cerdedo. Ao chegar a Cerdedo vire à esquerda em direção ao Boticas, e o resto já sabe como é… Este itinerário de regresso é uma variante ao itinerário de ida, assim, pode fazer tudo ao contrário, ou seja, ir até Coimbró via Cerdedo e regressar pelas Alturas do Barroso.

 

1600-coimbro (169)

1600-coimbro (168)

 

Que mais há a dizer sobre Coimbró!? Pois talvez a simpatia e hospitalidade das pessoas com quem conversámos, que na nossa visita para recolha de imagens em 6 de outubro 2017, essa simpatia e hospitalidade teve um sabor redobrado, principalmente depois do episódio pelo qual tínhamos acabado de passar na aldeia do Telhado, não com a população, mas com um empreiteiro que andava a trabalhar na via pública. A cena, que poderia ter dado para o torto, mas que felizmente terminou em bem, passou-se quando eu saí do carro para perguntar ao pessoal das obras por onde poderia ir para Coimbró, uma vez que eles tinham a rua cortada ao trânsito e era mesmo impossível passar com as obras.

 

1600-coimbro (84)

1600-coimbro (156)

 

Mal comecei a dirigir-me para o que supostamente seria o empreiteiro patrão ou encarregado da obra, ele já corria em direção a mim, exaltado, que nem sequer me deu oportunidade de perguntar nada, e continuando exaltado, muito exaltado, disse-me que não podia tirar fotografias e que nos partia as máquinas…(não foram bem estas as palavras dele, pois a linguagem foi bem mais forte, à moda de transmontano exaltado que, se tivesse de passar em reportagem de TV, estaria pejada de pis). Ora o meu espanto à reação do homem, é que eu nem sequer estava com a máquina fotográfica, mas o meu parceiro de viagem sim, a uns 50m atrás de mim, que aproveitou a paragem para tomar umas fotografias da aldeia. Afinal a máquina que ia já para o piiiiiiiiii, era a do meu parceiro. Eu bem fui dizendo ao exaltado, e na mesma linguagem para que ele me percebesse bem -  “oh chefe! eu estou-me a piiiii para a sua obra, quero que ela se piiiiii, o que eu quero é saber por onde posso ir para Coimbró…” Como não obtive resposta e o exaltado continuou exaltado, voltei para o popó, fiz marcha atrás e lá perguntei depois a uma pessoa da aldeia qual era a alternativa para ir para Coimbró. O caricato da questão, é que a rua em obras não tinha saída e a de Coimbró, sempre esteve desimpedida… Erro nosso que nos poderia ter saído caro. Mas a estória não termina aqui…

 

1600-coimbro (153)

1600-coimbro (110)

 

Ora mal chegámos a entrada de Coimbró encontrámos uma grande manada de vacas a pastar e a nossa paixão pelo gado, provocou logo a paragem do popó e o pegar nas câmaras fotográficas para uns cliques. Por sorte o dono estava por perto, e pelo sim pelo não, depois da cena passada há apenas alguns minutos, fui-lhe perguntando se não se importava que tirassemos umas fotos às vacas. “Claro que não me importo, estejam à vontade…” respondeu pronto e até agradado. Depois disto contei-lhe o que se tinha passado na aldeia do Telhado, e ele riu-se e explicou-nos qual deveria ter sido a razão para tal. Ora estávamos a 6 de outubro de 2017, as eleições autárquicas tinham acontecido uma semana antes e ainda estava quente uma polémica qualquer com aquelas obras, em que parece que até teve honras de noticias na televisão e na imprensa escrita, daí, o meu interlocutor me ter dito “as tantas pensaram que vocês eram jornalistas…”.

 

1600-coimbro (105)

 

1600-coimbro (191)

 

Claro que também em Coimbró,  às pessoas com quem conversámos, dissemos quem éramos e ao que íamos, como sempre fazemos nas aldeias, e as pessoas recebem sempre bem quem vai por bem, para além de que estas conversas e apresentação servem para abrir caminho à indicação de algumas coisas interessantes para fotografar na aldeia e que sem a ajuda ou indicação das pessoas da aldeia dificilmente encontraríamos algumas delas. Em geral, queremos sempre fotografar as capelas e igrejas, fontes e tanques, cruzeiros e alminhas, fornos do povo, moinhos, um pouco do casario típico e mais antigo, relógio de sol, gado nas ruas ou pastagens quando o há, as paisagens envolventes e vistas para mais além, as cascatas, a vida nas ruas e na aldeia, pormenores e singularidades, tudo que seja de interesse para fazer um post dedicado à cada aldeia.

 

1600-coimbro (85)

1600-coimbro (146)

 

Afinal de contas queremos apenas mostrar o quão interessantes são estas aldeias para serem visitadas e incluí-las num roteiro turístico deste Barroso que tem tanto de fama, como de desconhecido, e afinal de contas, o que de mais interessante tem o Barroso, são mesmo as suas aldeias e o viver da aldeia, aqui e ali ainda com uns resquícios de um viver comunitário e de uma interajuda entre vizinhos que ainda se mantém.   

 

1600-coimbro (143)

1600-coimbro (115)

1600-coimbro (152)

 

Agora, sobre a aldeia de Coimbró,  vamos ao que encontrámos nas nossas, como por exemplo na sua Monografia - Preservação dos Hábitos Comunitários nas Aldeias do Concelho de Boticas:

 

Festas e Romarias

- Santo Amaro,* 15 de Janeiro.

- Nossa Senhora da Saúde, Agosto.

 

Património Edificado:

- Capela de Santo Amaro.

- Casa do Morgado.

- Casario Tradicional - Património em vias de Classificação.

- Forno do Povo.

 

1600-coimbro (130)

 

 

Também nas nossas pesquisas encontrámos algumas referências aos moinhos de Coimbró, a existência de 7 moinhos em cerca de 500m. Confessamos que não vimos nenhum, mesmo porque os moinhos exigem mais tempo para serem abordados e nesta ronda pelas aldeias de Barroso fomos deixando quase todos os moinhos para trás, a não ser que estejam dentro da aldeia ou junto a caminhos e estradas, dessem sim, vamos fazendo o registo. Mas tal como costumamos dizer, convém deixar sempre qualquer coisa interessante por ver, assim, ficará justificada um nova ronda pelas aldeias, nem que seja e só para ver estas coisas interessantes que nos foram escapando.

 

1600-coimbro (60)

1600-coimbro (24)

 

Também apurámos em algumas notícias e estudos que a aldeia de Coimbró está em vias de ter o seu Património classificado. No entanto não consegui apurar que tipo de património é, se toda a aldeia, se o conjunto de moinhos, etc. Também não sei o que implicará esta classificação. Em principio este tipo de classificações é boa para as aldeias, mas não basta classificar, depois é preciso agir e fiscalizar, mas também, no que respeita a património privado, são necessários apoios.

 

1600-coimbro (75)

 

Isto das classificações é muito bonito, compreende-se e até se exige, embora no que respeita às nossas aldeias tipicamente transmontanas, a maioria destas medidas pecam por tardias, mas também têm os seus senãos, principalmente no que diz respeito aos privados. Em geral exige-se muito e apoia-se pouco ou nem sequer há apoios. Não se entende, por exemplo se determinada intervenção em património arquitetónico numa reconstrução exigir escavações arqueológicas ou outro tipo de intervenção do género, que tenham de ser os privados a suportar os custos dessas escavações, pois é sabido, que se nessas escavações for encontrada qualquer coisa de interesse, é e passa a ser do interesse público, ou seja do estado, que nalguns casos até chega a “hipotecar” ou impossibilitar a reconstrução que se pretende levar a efeito, ou seja, o privado paga uma pipa de massa, quem usufrui da descoberta é o interesse público, ou seja o estado, ou seja todos nós, e o privado, apenas lucra em prejuízo. E por isso, que muitas vezes é preferível não mexer, deixar cair, nada fazer…

 

1600-coimbro (204)

1600-coimbro (90)

 

Estes post são sempre um bocadinho longos, mas é mais por causa das imagens, pois assim ficamos com uma ideia do que são estas aldeias, coisa que é impossível mostrar em apenas uma ou duas imagens, assim fica mais completo, embora compreenda que a grande maioria não vai ter paciência para ler tudo isto, principalmente hoje em dia em que as baboseiras  rápidas das redes sociais são mais eficazes, mas há ainda muito boa gente que lê e gosta de saber, mesmo que poucos, vale a pena o esforço de vir aqui com estes posts. E agora, como é habitual, terminamos com o vídeo resumo, com todas as imagens publicadas sobre a aldeia. Espero que gostem.

 

 

BIBLIOGRAFIA

CÂMARA MUNICIPAL DE BOTICAS, Preservação dos Hábitos Comunitários nas Aldeias do Concelho de Boticas - Câmara Municipal de Boticas, Boticas, 2006

 

WEBGRAFIA

http://www.cm-boticas.pt/

 

 

17
Jul20

O Barroso aqui tão perto - Ladrugães

Aldeias do Barroso - Com Vídeo

1600-ladrugaes (4)-video

montalegre (549)

 

LADRUGÃES - MONTALEGRE

 

Continuando a cumprir a nossa falta para com as aldeias que, aquando dos seus posts neste blog, não tiveram o resumo fotográfico em vídeo, trazemos hoje esse resumo para a aldeia das Ladrugães.

 

1600-ladrugaes (1)-video

1600-ladrugaes (2)-video

 

Ladrugães é uma das aldeias que fica nas proximidades do Rio Rabagão, na sua margem direita, entre as barragens dos Pisões e da Venda Nova, tendo como aldeias mais próximas a Vila da Ponte e Reigoso.

 

1600-ladrugaes (11)-video

1600-ladrugaes (40)-video

 

Já que referimos o rio que tem próximo, passemos às Serras próximas, serras e rios, que afinal são a essência do Barroso. Pois quanto a Serras, a aldeia localiza-se na Serra do Facho, que mais coisa menos coisa, fica a meio e entre a Serra do Barroso e a Serra do Gerês.

 

1600-ladrugaes (33)-video

1600-ladrugaes (22)-video

 

Mas embora seja uma aldeia de montanha, aliás como quase a grande totalidade das aldeias de Barroso, não está implantada nas terras mais altas, pois encontra-se a uma cota entre os 760 e os 870 metros de altitude. Quer-se dizer, são terras altas, mas não muito. Já agora, e a título de curiosidade, a serra do Facho atinge os 1280m de altitude.

 

1600-ladrugaes (20)-video

1600-casas-serra (121)-video

 

Quando se fala das Serras do Barroso, em geral só se mencionam as mais altas, como o Gerês, o Larouco, a Serra do Barroso ou Cabreira, mas há mais algumas que ultrapassam os 1.000 metros de altitude. Mas hoje não estamos aqui para falar de rios ou serras, e até da aldeia que trazemos hoje, pois sobre ela, já dissemos tudo que tínhamos a dizer no post que lhe dedicámos, hoje estamos aqui pelo vídeo que não teve nesse post e aproveitámos para deixar mais algumas fotografias. Antes do vídeo, só queria chamar a atenção para a última foto, pois ao fundo vê-se Ladrugães e a serra do Facho, mas a foto é tomada desde a Serra do Barroso, Casas da Serra, e tem em último plano a serra do Gerês.

 

Agora sim, o vídeo:

 

 

Post do blog Chaves dedicado à aldeia de Ladrugães:

https://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-ladrugaes-1520004

 

E quanto a aldeias do Barroso, despedimo-nos até ao próximo domingo  em que teremos aqui a aldeia de Cerdedo, concelho de Boticas e até de hoje a oito, com a aldeia de Lamachã, concelho de Montalegre. Amanhã, temos mais uma aldeia de Chaves, Lamadarcos (andamos nas lamas).

Sobre mim

foto do autor

320-meokanal 895607.jpg

Pesquisar

Sigam-me

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

 

 

15-anos

Links

As minhas páginas e blogs

  •  
  • FOTOGRAFIA

  •  
  • Flavienses Ilustres

  •  
  • Animação Sociocultural

  •  
  • Cidade de Chaves

  •  
  • De interesse

  •  
  • GALEGOS

  •  
  • Imprensa

  •  
  • Aldeias de Barroso

  •  
  • Páginas e Blogs

    A

    B

    C

    D

    E

    F

    G

    H

    I

    J

    L

    M

    N

    O

    P

    Q

    R

    S

    T

    U

    V

    X

    Z

    capa-livro-p-blog blog-logo

    Comentários recentes

    • Anónimo

      Obg António Roque. Os irmãos são isso mesmo!

    • Anónimo

      Ainda há pessoas que podem dizer e contar a sua fe...

    • Anónimo

      Que bela surpresa. Força Fernando a gente agradece...

    • Ana D.

    • Anónimo

      Caro Fernando Ribeiro,Com um abraço parabéns, com ...

    FB