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CHAVES

Olhares sobre o "Reino Maravilhoso"

01
Jun19

Pedra de Toque

pedra de toque copy.jpg

 

Cristina

 

O Brunheiro chorou por ti,
Quando tu morreste.

 

As lágrimas desceram tristes,
As encostas verdejantes
E desaguaram nas levadas
Que as conduziram ate aos nossos olhos.

 

As flores da tua casa
Perderam viçosidade
Com tristeza
E com a saudade.

 

Eras miúda,
eras menina,
foi assim que te conheci,
querida Cristina.

 

Sempre lúcida,
Sempre doce,
Sempre ao lado do progresso,
Com “ Abril dentro do peito”.

 

A literatura fascinava-te.
Os teus alunos e as palavras dos poetas empenhados,
Permaneceram até ao fim.

 

Foste a primeira “Ponta Solta” que definitivamente me deixou

 

Permite-nos que sejamos teus herdeiros
Da muita poesia que te corria no sangue.
Para nós amiga, não morreste!
Permaneces …
Eras miúda
Eras menina,
Quando te conheci,
Querida Cristina !

 

António Roque

 

 

 

 

04
Mai19

Pedra de Toque...

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LUISA…

 

                        Acordo sereno.

                        Mas pouco depois fico intranquilo, porque os sonhos não são perfeitos.

                        Esta manhã despertei com o teu rosto moreno, salpicado por sensuais sardas, oriundas quiçá, da África distante.

                        Os teus olhos sorrindo, irradiavam o sabor quente da tua boca e dos teus lábios molhados que já foram meus.

                        O teu corpo emanava perfume que ainda hoje retenho.

                        Ficávamos pelo caminho.

                        Separou-nos a guerra injusta e a nossa pequenez para a vencermos.

                        Perdura em mim o teu desejo fremente de dizeres sim e a leveza e doçura com que me dizias não.

                        Tinhas nome mas davas-te ao apelido.

                        Sei que perguntaste por mim quando eu estava demasiado longe.

                        Sei que no regresso perguntei por ti mas a tua vida já levava rumo.

 

                        Não é justo só agora te pôr em crónica.

                        A tua ternura exigia que o fizesse há muito mais tempo.

                        Até porque nunca julguei, ser possível, gostar tanto tanto de uma mulher como gostei de ti,

                        Depois de definitivamente te perder…

 

António Roque

23
Mar19

Pedra de Toque

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ESCREVER É UMA NECESSIDADE.

 

E quando o faço para ti é uma necessidade imperiosa.

Sei que lês meus textos e sinto-me feliz com teus olhos pousados nas minhas frases.

A noite, a minha noite, enquanto o sono tarda, propicia-me a beleza, a emoção, o sonho, constantes da minha vida.

É então que escrevo para ti com muita intimidade, ainda que longe do papel.

Falo contigo, sussurro contigo, oiço a tua voz quente sem nunca a ter ouvido.

Levo-te então para a minha Coimbra dos anos 60. Vais gostar de ouvir Adriano e Zeca, cantando para uma multidão de estudantes emocionada.

Depois, num vapor sulcando mares, irás comigo até à África enorme, de “sois irreais”, com crianças gingando no dorso das mães.

Regressaste comigo ao Continente (o puto como por lá lhe chamavam), em Março de 1974 nas asas de um Boeing.

Chegaste bem a tempo para viveres Abril ao meu lado e para sentires dentro do peito “ a madrugada que eu esperava, o dia inicial, inteiro e limpo, onde emergimos da noite e do silêncio”, como cantou superiormente Sofia.

Foram dias únicos, que a memória gravou em todos os que tiveram o privilégio de os viver.

Vou suspender esta viagem contigo porque o frio gela-me as mãos que precisavam das tuas.

 

Gosto de te ver de preto.

O preto envolve-te num certo mistério que apetece.

Mas não te consigo ver por dentro, o que me dói.

                       

António Roque

 

19
Jan19

Pedra de Toque

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Já deixei de ser quem era…

 

Nos últimos 7 anos, tudo começou a acontecer.

 

A minha reforma motivou o abrandamento do meu ritmo de trabalho.

 

Depois, e em consequência,

 

Aquele individuo elétrico, que adorava a noite, que gostava de beber e de fumar, 

 

Sempre aberto às farras, que espalhava boa disposição contagiante, apaixonado por viagens e bailaricos, esse Senhor, como é uso dizer-se” encostou às boxes”.

 

As polémicas políticas e outras coloquei-as de lado, porque me desgastavam.

 

Agora, mais soturno, prezo as rotinas viajando na cidade entre a casa, o café do bairro e o escritório onde opino sobre duvidas jurídicas que me colocam os amigos que as pretendem esclarecer. Aí leio e escrevo sobre o muito que ficou no baú da memória, durante muitos anos.

 

Os convites para o social, recuso-os por norma.

 

Nunca presei tanto estar comigo como agora.

 

Preciso dizer-vos que se aconteceu a mudança de hábitos, permanece a paixão pelas palavras, pelos sonhos que não consigo impedir, pelos jasmins, pelas camélias, pelas papoilas, pelos riachos, pelos montes e prados verdes, pela poesia que os teus olhos me transmitem, pela saudade sempre presente do teu corpo rasgando o mar, silenciando o amor total.

 

As minhas ideias, meus pilares que plantei desde muito novo, permanecem, e mantenho-me determinado, por um mundo melhor, mais tolerante, mais fraterno, mais livre, mais justo.

 

Os meus filhos, sangue do meu sangue, estão comigo a todo o instante e presentes dentro de mim.

 

 Os poucos mas verdadeiros amigos, fazem-me falta porque os estimo deveras.

 

Agora caminho pela vida, sentindo que a estrada aos poucos se estreita, apoiado na poesia, acompanhado pelo sonho e pela utopia.

 

A meu lado caminham também a música e a minha milenária cidade que me habituei a amar.

 

E claro, todas as mulheres que foram e ainda poderão vir a ser, importantes na minha vida.

 António Roque

 

29
Dez18

Pedra de Toque

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HÁ COISAS QUE NÃO SE ENTENDEM…

 

                        Eu não entendo a doença que fere e pode matar gente boa.

                        Eu não entendo a maldade que petrifica os sentimentos das pessoas.

                        Continuo a não entender a ignorância petulante, a inveja incontrolável, a vaidade que supera todos os desígnios e torna as gentes insuportáveis.

                        Entendo no entanto o sol que alivia a depressão, que dissipa o nevoeiro que tantas vezes definha as mentes.

                        Entendo as águas que nos levam para a enormidade dos oceanos que assustam.

                        Entendo-te a ti, minha senhora minha, que me falas dos confins e que teimas em não me aparecer.

                        Eu estou no fim de todas as estradas, qual Godot, à tua espera.

                        Haverá um dia, dizem-me os santos em que não acredito, que chegarás numa manhã de nevoeiro, vinda das nuvens, empurrada pela brisa e pelo cheiro dos jasmins e das camélias.

                        Eu estarei na minha alcova entre a brancura dos lençóis, para acariciar docemente o teu sorriso e para te dizer balbuciando que te amo demais!...

 

António Roque

01
Dez18

Pedra de Toque

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A LISÍSTRATA OU A GREVE DO SEXO

 

Desde muito novo que me apaixonei pelo teatro.

 

Ainda pela mão de minha saudosa avó fui ao Cineteatro ver alguns espetáculos de amadores ou de profissionais que por vezes aqui se deslocavam em Tournée.

 

A cidade gostava de teatro e por norma, as representações esgotavam.

 

No Liceu em Chaves bem como no de Vil Real, o teatro esteve sempre presente na minha vida.

 

Representei e por vezes dirigi sobretudo nas récitas estudantis.

 

Em Coimbra pertenci ao CITAC, um grupo académico que todos os anos apresentava peças de autores contemporâneos.

 

Em Angola colaborei com o Teatro Experimental de Luanda.

 

Regressado a Chaves, depois do 25 de abril, liguei-me aos Canários, uma associação culturalmente empenhada e juntamente com alguns amigos fizemos teatro encenando criações coletivas.

 

Nos últimos anos, como amador sempre, participei na representação de algumas peças no pouco tempo que a vida de advogado me permitia.

 

 Nunca deixei, sempre que possível, de assistir aos espetáculos de teatro que por cá foram acontecendo.

 

Vem este introito, a propósitos da peça de Aristófanes “Lisístrata ou a greve do sexo” que vi no passado dia 7 apresentada pelo Teatro Fórum de Boticas, no Teatro Bento Martins.

 

O texto foi adaptado pelo grupo de um original escrito há mais de 2500 anos.

 

Há muito que desejava assistir a um espetáculo deste grupo porque me tinham chegado informações muito elogiosas.

 

Só agora contudo, tive oportunidade de presenciar esta representação que superou todas as espectativas.

 

Uma ótima encenação, atores e atrizes com desempenhos notáveis, superiormente dirigidos. O espetáculo decorreu sem falhas, sempre com um ritmo que prendeu assistência que lotava a sala.

 

O público manifestou o seu agrado aplaudindo de pé, prolongadamente.

 

Parabéns pois ao Fórum de Boticas, que pretendo ver mais vezes e que naquela noite me saciou a paixão antiga pelo teatro.

 

Termino esta crónica com uma frase de Frederico Garcia Lorca, dramaturgo e poeta que escreveu assim:

 

 “O teatro é uma escola de lágrimas e riso, uma tribuna livre onde os homens podem denunciar as morais antiquadas ou equívocas e explicar com exemplos vivos, as normas eternas do coração e do sentimento do homem”.

 

Depois das palavras, permitam-me que sensibilizado, termine com as minhas:

 

                        HAJA TEATRO!

                        VIVA O TEATRO!

 

António Roque

 

17
Nov18

Pedra de Toque

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                  CAMINHO

 

                        Caminho, caminho inseguro.

                        Os meus passos são os teus passos,

                        Que meus pés perseguem.

                                                                                              

                        Já chove,

                        A água goteja para os teus olhos,

                        Que estão no luar.

 

                        O frio, penetra no corpo,

                        Intolerante e gélido.

                        A morte receio-a,

                        Mas com fascinação,

                        Porque a vida,

                        Deixa marcas na pele

                        E cicatrizes por dentro.

 

                        Hoje, usei todas as palavras,

                        No aroma do teu corpo.

 

                        Fiquei feliz por nós.

                        Apesar da insónia, que me desperta cansado,

                        Acordo e ressuscito,

                        Com a água quente

                        Percorrendo o meu corpo todo.

                        Do vapor surges

                        Radiante e serena.

 

                        É então que me abraças,

                        E eu, desesperadamente,

                        Te beijo.

 

                       António Roque

20
Out18

Pedra de Toque

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Todos os anos, nesta época dos Santos, desloco-me ao cemitério e visito, entre outras, a campa onde se encontra minha mãe, meu pai e minha avó materna.

 

A última a partir (1993) foi minha mãe. Sofri muito com o decesso dela. Senti-me desamparado e uns dias depois escrevi o texto que segue.

                       

Mãe

 

Perdê-la é o corte cerce da raiz mais funda que nos liga à vida.

 

É o desaparecimento doloroso da protecção, do suporte, da tábua que nunca naufraga neste rio de tormentas.

 

Perdê-la é nunca mais ouvir por detrás do trinar do telefone, a voz aflita temendo que o silvo da sirene fosse connosco.

 

É a falta irremediável do mais sincero regozijo pelas nossas venturas, da tristeza mais sentida pelo nosso desgosto, que desde logo aliviava com o carinho mais puro, mesmo que a razão não existisse.

 

Perdê-la é a amarga sensação de não poder satisfazer os seus mimos, de não poder brincar com as suas perrices, de não lhe proporcionar todos os seus desejos, de não abraçar e beijar a sua ternura.

 

E é, também, um violento empurrão para a solidão, mesmo quando as palavras eram sussurros ininteligíveis, saídos da cara linda que a brancura do cabelo prateava, nas voltas a meu lado pela cidade nova.

 

Falar em saudade é pouco.

 

A sua memória eterna, é no momento, as lágrimas que o tempo cuidará em transformar em pérolas preciosas, a guardar para sempre no cofre que temos no peito bem ao lado do coração.

 

Porque herdamos a sua simplicidade, a sua bondade, os seus gestos, a sua maneira de andar, o formato de suas mãos, os traços da sua face, o desenho das suas unhas e, sobretudo, o sangue que nas veias corre.

 

Agora que a terra, esconde e come, só podemos com humildade preservar a lembrança e ensinar aos nossos, o amor sem limites, o mais querido e o mais rico legado, que nos deixou.

 

António Roque

13
Out18

Pedra de Toque

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QUANDO…

 

Quando a hipocrisia me incomoda, quando o oportunismo me indigna e quando a desonestidade me repugna,

A solidão espera-me, e a vida de braços abertos recebe-me.

Fico então longe de tudo, sem saber o que quero mas quero muito.

Preciso tanto da música que me chega não sei de onde.

 

Nunca me escondas teus olhos, nem as tuas lágrimas, meu amor.

Sem eles e sem elas, não sei amar, não sei sofrer.

Em cada noite, há um beijo que nunca te posso dar.

Restam-me as tuas mãos que protegem.

A vida dói, a solidão magoa.

 

Nos meus versos tem de estar água, para eles fluírem.

 

A minha memória da tua boca, a obsessão pelo teu corpo quente,

São sempre o lenitivo,

Para abraçar os sonhos, contigo por perto.

 

António Roque

06
Out18

Pedra de Toque

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QUE MAL ME FAZEM AS TUAS LÁGRIMAS

 

Não fora a certeza que a química sedativa nos embalaria, eu ter-te ia ligado.

É estranho e doloroso entender que alguém pode ficar bela quando chora.

É assim tão difícil de explicar, como quando sabemos que alguém sofre, se dói, quando sabe que é amada.

Ontem também estava com o coração em luto.

Até os sonhos me magoavam.

Aquela que às vezes me aparece (doce milagre), coberta com lantejoulas de esperança, surgiu-me decadente, sem brilho, qual Mimi Codonis, trapezista que pela milésima vez, desceu à cidade numa noite de muito calor.

As palavras que te li com paixão encontraram no outro lado da linha um silêncio preocupante, fundo e vislumbrei lágrimas bailando nos teus olhos.

Depois descolaram e deslizaram pela tua pele branca, aliviando o nó na garganta, a pressão no peito.

Só o rubor da papoila que nasceu na tua boca me serenou nessa noite.

Que mal me fizeram as tuas lágrimas…

 

António Roque

 

 

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