Sábado, 21 de Abril de 2018

Pedra de Toque

pedra de toque copy.jpg

 

 

A bondade do silêncio

 

Dou-me bem com o silêncio.

Procuro-o a todo o instante.

Quando o encontro falo com ele.

Desabafo e ele ouve-me, “em silêncio”.

Gosto de o ter comigo no cume das montanhas, nas margens de todos os rios, enquanto olho silenciosamente em meu redor.

Hoje vi-o, num rosto na net.

Em silêncio olhei-a e sorvi-lhe o sorriso.

Só o silêncio é grande.

Só o silêncio é sonho.

Lembro-o quando danço, e a tua mão aperta a minha e o teu rosto se cola ao meu.

Momentos de fascinação que estremecem a alma.

O som aveludado que sai do timbre de vocalista, recolhe-se no silêncio dos nossos corpos que se movimentam na pista.

Como te aprecio, oh silêncio, no recolhimento que a catedral proporciona na enormidade da mesquita que os crentes em fervor respeitam e que eu nas viagens que tenho feito pelo mundo, apesar de convictamente agnóstico, não deixo de visitar.

O silêncio por vezes alia-se ao medo.

Dor aguda e persistente, mas quando o medo se esvai regressa luminoso o belo silêncio.

Acredito na tua bondade silêncio!...

                       

António Roque

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 01:54
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Sábado, 3 de Março de 2018

Pedra de Toque

pedra de toque copy.jpg

 

Da janela do meu quarto...

 

É deveras difícil escrever, quando o escriva está inquieto, não está bem.
As ideias fervilham e só vêm `tona, por norma, quando a noite acontece e a solidão impera. Logo que o dia clareia a concentração é impossível, e a ansiedade cria o desassossego dispensável.
Nem a ternura estampada nos teus olhos, nem o perfume que exalas me dão a quietude de que preciso. Até os vossos versos "poetas do meu país" já não levitam na direcção dos sonhos que me alimentam.
Ai mãe, só a memória das tuas mãos sábias e doces acariciando-me o rosto, suavizando-me a fronte, continuam a afagar o pensamento e a serenar o meu coração.

 

Hoje, ao fim da tarde, a neve surpreendeu.
E como sempre excitou e embelezou as ruas, jardins e árvores.
O cenário já não acontecia há mais de quinze anos na minha cidade.
"Há quanto tempo a não via e que saudades Deus meu" - Com a devida vénia Augusto Gil.
E que bem me fez amigos, poisar meus olhos no manto branco que alindou a mina terra.
Apesar do frio, o espectáculo deslumbrante que a natureza propiciou, minorou a depressão que tem rondado minha porta.

 

Deixo-vos o que ontem vislumbrei da janela do meu quarto.

António Roque

 

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 05:11
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Sábado, 10 de Fevereiro de 2018

Pedra de Toque

1600-(45517)

pedra de toque copy.jpg

 

                       QUANDO

 

                        Quando te descobri,

                        Acariciei logo teu pensamento.

 

                        Quando te senti,

                        Afaguei logo teu coração.

 

                        Depois,

                        Dirigi-me para dentro de mim

                        E quedei-me absorto olhando a cidade, o rio

                        E teus olhos líquidos.

 

                        O cansaço adoeceu-me.

 

                        Só a tua boca,

                        Acalma as tempestades,

                        Reflete o sol

                        E sara maleitas!

 

                        Bendita sejas!... 

 

António Roque

 

 

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 00:44
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Sábado, 3 de Fevereiro de 2018

Pedra de Toque

brunheiro (403)

 

Os piquinhos do Brunheiro

 

O inverno chuvoso e frio, com muita neblina que escurece os dias e uma maleita preocupante que ando a cuidar, tem contribuído para a tristeza me bater na disposição, virando-me, sobretudo, a concentração que preciso para dar à luz os meus modestos escritos.


Ajuda-me a cidade que me envolve e que amo irremediavelmente, bem como as montanhas que me circundam e me inspiram e serenam quando as contemplo.


E claro, os amigos que prezo muito, porque estão sempre, porque "se revelam na adversidade".


Se algum condão tenho é o de preservar e fazer amigos. 


Procuro estar com eles e com eles partilhar ideais, sonhos, projectos.


Depois e a todo o instante, as mulheres que preenchem a minha vida. Umas que aparecem caídas não sei de onde. Outras que a memória preserva e que marcaram a felicidade que passou.


Raro é o dia que não lembro ou não descortino umas mãos, um sorriso, uns olhos, uma boca, que me entontecem. 


Fui hoje aos piquinhos do Brunheiro, que descobri numa bela foto do artista Fernando Ribeiro.


Para além da água, do verde que a circunda e da brisa que se fazia sentir, com Chaves por cenário, reencontrei a tua incomensurável simpatia que transpira dos teus dentes branquíssimos que enfeitam o teu rosto e o teu sorriso.

 

Foi uma bela prenda que me ofertaste.
Muito obrigado.

António Roque

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 05:04
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Sábado, 13 de Janeiro de 2018

Pedra de Toque

pedra de toque copy.jpg

 

 

TEUS OLHOS DA COR DA TERNURA

 

Sempre fui pessoa comunicativa, mas nos últimos tempos, tenho falado em demasia comigo.


Nem tenho escrito o que tenho para escrever. Começo algumas crónicas mas não as termino e envio-as para na gaveta fermentarem e aguardarem nova oportunidade.


Tenho sofrido muito com a saudade.


Banalizada a palavra, cita-se de forma leviana, sem respeitar a dor que tantas vezes provoca naqueles que a sentem fundo.


Eu tenho imensas saudades tuas.


De tal sorte que, desde o encontro fugaz em que trocamos curtas palavras num momento de júbilo, tu estás sempre comigo.


Senti a tua fragilidade nas mãos finas com dedos compridos que sempre me enamoraram, mas sobretudo nos teus olhos que aos meus se colaram até hoje.


Eles estão nos becos da cidade, nas mesas de café, nos passeios que ladeiam as ruas, nos regatos, entre as flores nos canteiros dos jardins.


Já os vi espelhados nas águas do nosso rio.


Tenho-te visto muito pouco, por vezes na rua quando me desloco, noutras ocasiões no face, com teus olhos a embelezarem o teu rosto doce.


Teus olhos têm cor indefinida. Tanto me parecem verdes, como me parecem azuis, ou até cinzentos.


Só sei que quando os vejo, me perco neles.


Sei, contudo, que têm sempre a cor da ternura, a cor da poesia, a cor da tua boca.

 

Quando passares por mim, olha-me por favor.
A minha saudade, comovida agradece.
Obrigado.


António Roque

 

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 18:43
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Sábado, 6 de Janeiro de 2018

Pedra de Toque

pedra de toque copy.jpg

 

O meio da noite

 

Da noite das pessoas reconhecem o princípio e o fim que termina coma a manhã radiosa, o nascer do dia.

 

Quando há meses criei o hábito de, “passar pelas brasas” ao fim da tarde, descobri o meio da noite, esse período mágico onde desaguo feliz, prenhe da paz interior, que há muito não conhecia.

 

Acontece que, depois de ¾ de horas de sono chego ao meu lugar de eleição na hora do sossego – o meio da noite.

 

No fundo do silêncio encontro o céu com estrelas brilhantes, cometas dançando para meu fascínio.

 

A memória entra em turbilhão e traz-me os amigos, os amores, os vivos e os mortos, com quem procuro entender-me, aconselhar-me, questionando-os, escutando-os.

 

Ele, o que nasceu em Belém, que morreu na cruz – o grande castigo na época -, também para os corajosos, para os dignos e para os libertadores, escuta-me e dá-me a palavra exata, Serena-me. Só não aparece no meio da noite porque não ressuscitou. Então eu levito e entro no espaço.

 

Aí ouço a música de todos os géneros, de todas as latitudes. Não passo, nem sonho, sem música.

 

Hoje uma orquestra cheia de talentos tocou para mim o bolero de Ravel. Dancei com o povo em êxtase de mãos estendidas que, escutava em silêncio no meio da noite.

 

Nesse momento deixei o meu poiso e subi Olimpo. Aí ouvi os que entoavam o amor, a solidariedade, a saudade.

 

O sussurro das águas correntes era música celestial para os meus ouvidos, lindamente sublinhando os versos que ia dizendo.

 

Voltei então ao meu lugar de eleição.

 

O frio faz-me procurar o calor humano que me traz acalmia.

Do sítio dei um salto a Coimbra, percorrendo Lusa Atenas de mão dada com amiga o romantismo dos recantos e lembrei também os punhos em crise dos companheiros de luta.

 

A ti mulher de outrora, apertei a cintura e colei-me com ela bem ao teu corpo no baile da faculdade.

 

Os camaradas de guerra na imensidão de África com muitas gargalhadas e sofrimento, apareciam quando solicitados.

 

Da última vez invadiu-me o cheiro e o sabor do Natal, a ternura da família, o amor sem limites.

 

A vida no dia seguinte vai continuar.

 

E da próxima vez que repousar no meio da noite quero que tu venhas luminosa para contigo viajar longamente pelo sono e pelo sonho parando tão só na sede, na fome, no cansaço.

 

Quando vieres de novo traz os teus olhos.

 

A chuva e o vento batem nas vidraças.

 

Gosto tanto de ti…

 

António Roque

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publicado por Fer.Ribeiro às 02:55
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Domingo, 19 de Novembro de 2017

Pedra de Toque

pedra de toque copy.jpg

 

O meu céu…

 

                        O meu céu está cinzento.

                        A lua escondeu-se.

                        As estrelas não cintilam.

 

                        Mas a paz desceu

                        E trouxe a serenidade,

                        Que por momentos é minha.

 

                        O bulício lá fora, passa-me ao lado.

                        Comigo está o perfume da cidade,

                        que não ateia o desejo.

 

                        Vou procurando o sonho no teu olhar quente.

                        Nos meus dedos, quero a água fresca das levadas.

 

                        Aconchega-me, ao teu ventre inquieto,

                        Para sentir seu pulsar, enquanto soa

                        A rapsódia húngara de Franz Lizt.

 

                        Depois, suspira por mim!...

 

António Roque

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publicado por Fer.Ribeiro às 03:46
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Sexta-feira, 29 de Setembro de 2017

Pedra de Toque

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Está a chegar a hora!...
De acordar para mudar!...

 

A mediocridade já cansa, impõe-se a transparência, a honradez, a cultura, a competência.


A suspeição apodrece as instituições.


A história merece ser respeitada, bem como a memória dos íntegros, dos honrados que aqui nasceram, aqui viveram e aqui decidiram morrer.


Chaves foi uma cidade importante, sempre estimulada por um comércio vivo, hoje decadente.


A cidade está farta desta gente no comando da autarquia.


Já se não toleram promessas feitas em 16 anos e não cumpridas.


Já se não suportam investimentos caros e inconsequentes que contribuíram para a substancial dívida que a Câmara tem e não trouxeram nada de novo ou proveitoso para os flavienses.


O “bunker” defronte do Tribunal não resiste à mais modesta apreciação arquitectónica.


Como ele só o ostensivo autocarro que circula pelas ruas proibidas da cidade e onde não se vislumbram dentro dele quaisquer personagens. Eventualmente vão lá, mas certamente temem o contacto com o povo.


Aliás, o Tribunal perdeu importantes valências e para tal contribuiu o voto a favor do mapa judiciário por uma das candidatas da lista do PSD para vereadora da Câmara.


Nuno Vaz é um cidadão íntegro que nunca dará a sua contribuição, se for eleito como se espera, para a desvalorização das instituições da cidade.


Porque é um transmontano de “antes quebrar que torcer”, um político preparado como demonstrou no último debate. É também um profissional brilhante cuja competência é reconhecida por onde tem trabalhado.


Nuno Vaz é também um homem de cultura (na sua lista não tem analfabetos…), um homem vertical que pretende criar emprego, sempre preocupado com o ambiente, a educação, a cultura e o desporto.


Homem do campo, de boa cepa, apoiará sem receios toda a actividade agrícola e florestal.


Não deixará de atender empenhadamente à acção social e à saúde, áreas que conhece também porque é um homem solidário e de princípios.


Os receios e temores dos funcionários da Câmara, que se traduzem em manifestações constantes quando solicitados pelas oposições, deixarão de se verificar.


Porque Nuno Vaz é homem de profundas e enraizadas convicções democráticas, nunca se lhe reconhecendo quaisquer laivos ditatoriais.


Nuno respeitará a história e os monumentos da nossa querida cidade milenária.


E respeitará também a memória dos homens de valores, a sua obra, homens que aqui exerceram serviço público sem dele se servirem.


Citamos à guisa de exemplo o nome do Dr. António Granjo, o General Ribeiro de Carvalho, o Coronel David Ferreira, o Dr. Júlio Montalvão Machado e tantos outros que de momento os nomes não retenho, gente honrada e íntegra, que nunca se dobrou a quaisquer interesses menos limpos.


O Nuno Vaz é a esperança para o futuro da nossa cidade e concelho.


Os flavienses estão fartos de quem os tem governado, querem a mudança e os ventos que sopram já a anunciam.


Com Nuno Vaz e todo o nosso apoio, VAMOS ACORDAR CHAVES!!

António Roque

 

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 23:58
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Sábado, 23 de Setembro de 2017

Pedra de Toque

pedra de toque copy.jpg

 

Minha Senhora, minha.

 

                        Há coisas que não entendo.

 

                        Eu não entendo a doença que fere e pode matar gente.

 

                        Eu não entendo a crueldade que petrifica os sentimentos das pessoas.

 

                        Continuo a não perceber as calamidades que destroem, que semeiam fome e miséria, bem como o estado dormente de quem manda, se é que alguém manda.

 

                        Não entendo também a ignorância assumida, a inveja incontrolável, a vaidade que supera todos os desígnios e que vira maldade incompreensível.

 

                        Entendo, no entanto, o sol que alivia a depressão, que oculta o nevoeiro que definha as mentes.

 

                        Entendo as águas dos rios que empurram outras para a imensidão dos oceanos que atemorizam e assustam.

 

                        Entendo-te a ti, minha senhora minha, que me falas dos confins e persistes em não aparecer.

 

                        Eu estou à tua espera no fim de todos os caminhos de braços abertos para estreitamente te apertar.

 

                        Esse dia, dizem-me os santos em que não acredito, chegará vindo de nuvens embaladas pela brisa com cheiro a camélias e jasmins.

 

                        Estou cansado, um pouco doente e entristecido, mas quero que saibas até porque “a dor também precisa de respiro” que TE AMO,

 

                        Minha senhora minha.

 

António Roque

 

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 00:00
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Sábado, 29 de Julho de 2017

Pedra de Toque

pedra de toque copy.jpg

 

Dina, princesa negra

 

                        As mulheres tratavam das pequenas leiras, com os filhos no dorso baloiçando.

                        Envolviam-se em panos do Congo próximo, garridos, de belos desenhos, que as embelezavam.

                        Na zona não eram demasiado negras, antes tinham uma tez que lembrava as mulheres de Cabo Verde.

                        Na lavra trabalhavam duramente.

                        No meio do capim conseguiam parir sozinhas.

                    Bebiam, dançavam frenéticas ao som do batuque e aquando de um óbito deixavam moeda aos familiares do falecido e faziam farra para minorarem a saudade e a dor do ente querido que partia.

                        Um adolescente de 12/13 anos que me acompanhava sempre que podia e a quem eu ajudava, que era tratado pelos meus camaradas de armas por buta Costa (o pequeno Costa), porque o grande era eu, disse-me um dia que a Dina gostava de me conhecer.

                        A Dina era falada pelo pessoal da “guerra”, não só pelos seus 16/17 anos mas também pela sua beleza negra com sua boca sensual plantada no rosto perfeito.

                        Vivia na sanzala, mas fora educada pelos padres da missão. Sabia estar, contar e escrever pelo seu nome falando, para além do seu dialeto, um português escorreito com um sotaque “bonito mesmo”.

                        Aos que a catrapiscavam, educadamente brindava-os com um sorriso furtivo.

                        Dos outros, ela, ladina, fugia para a missão ou para a proteção paterna.

                        A Dina para mim era África, castanha de sóis irreais.

                        Quando de jipe, ao fim da tarde passava a caminho do quartel, vi-a à sombra de um embondeiro com acácias por perto, mascando folhas e esperando a chuva que caía sempre ao fim da tarde sobre a terra quente deixando um cheiro agradável e inconfundível que se impregnava nas narinas.

 

                        Um dia ao passar ouvi a Dina cantar.

                        Cantava em voz doce e negra.

                        Fiquei em silêncio, embevecido, a ouvi-la.

                        Quando viu que a escutava parou a melodia e eclipsou-se.

                       

                        Estive 8 meses em terra da Damba.

                        Depois rumei a Luanda, à justiça militar.

                        Regressei ao Puto (metrópole) 20 meses mais tarde.

 

                        De África trouxe o meu espanto pela enormidade de Angola, pela beleza da baía de Luanda, trouxe também o sabor da água do Bengo que bebi, e sobretudo,

                        O sorriso único da Dina, que me enfeitiçou de tal sorte que ainda hoje me aparece nas paredes do meu quarto e me ilumina.

 

António Roque

 

 

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Sábado, 15 de Julho de 2017

Pedra de Toque

poema.jpg

 

pedra de toque copy.jpg

 

 

 

 

 

 

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Sábado, 17 de Junho de 2017

Ilumina-me, poesia de António Roque

a-roque-1.jpg

 

Hoje em vez da Pedra de Toque de António Roque, vamos falar um pouco do poeta António José Roque da Costa e do seu livro de poesia “Ilumina-me”, apresentado no passado dia 9, na Biblioteca Municipal de Chaves.

 

roque-biblio.jpg

 

Mas antes regressemos um pouco no tempo, mais precisamente (isto se a memória não me atraiçoa) ao dia 6 de janeiro de 1977, quando um pequeno grupo de estudantes do Liceu de Chaves, com duas violas, uma flauta, ferrinhos e pandeireta, resolveu cumprir a tradição do cantar dos reis aos vizinhos, iniciando precisamente na casa de António Roque.  Como mandava tradição, escolheu-se uma música e letra do reportório tradicional dos cantares dos reis, deu-se os vivas aos senhores da casa e no final a porta abriu-se com o convite para entrar e cantar umas canções da época, ainda canções de abril, de Zeca Afonso, Adriano, Fausto , Sérgio Godinho, Manuel Freire, Janita e Vitorino Salomé…, à mistura com poemas de Manuel Alegre, entre outros.  Aquilo que se programou ser uma noite de cantar dos reis pelos vizinhos, acabou por ser uma noite na casa de um vizinho a cantar canções de Abril com muita poesia à mistura. António Roque já tinha nome na praça com advogado, mas nessa noite ficámos a conhecer o António Roque amante de poesia e das canções de Abril, mas também o António Roque declamador de poesia e de poetas. Uma noite inesquecível, daquelas que não se repetem e que revelava já o António Roque poeta.

 

a-roque-3

 

Este livro de poemas já há muito que se esperava e é até ele que agora vamos, iniciando pela biografia, apresentada pelo autor na primeira pessoa:

 

“Nasci em Chaves, bem no “caroço” desta cidade milenária.

Corria o longínquo ano de 1943.

Por aqui frequentei a escola primária e o Liceu Fernão de Magalhães.

Durante dois anos fui aluno do Liceu Castelo Branco, em Vila Real, e aí concluí o sexto e o sétimo ano, alínea de Direito.

Em 1961 rumei a Coimbra, onde cursei a Faculdade de Direito da vetusta universidade.

Vivi intensamente Coimbra da saudosa década de 60, participando com empenho nos movimentos académicos e em alguns organismos da Associação, como Coro Misto e CITAC.

Na Lusa Atenas, concluí meu curso mas, entretanto, apaixonei-me pela cidade, pelo teatro, pela poesia e pela política.

Depois de uma ida “à Guerra, de onde voltei, à triste paz destes rios”, dei aulas durante poucos anos e em cerca de quarenta anos, exerci advocacia, com escritório na minha amada cidade.

Por aqui me mantenho , usufruindo o vale e as serras que me rodeiam, abraçando os amigos que me estimam e escrevendo uns pequenos textos e alguns poemas para meu gáudio pessoal e dos que, simpaticamente, me vão lendo.

Por aqui quero ficar.”

 

a-roque-2.jpg

 

 

E nós também vamos ficar por aqui, mas antes, fica ainda o poema que,  com a caricatura de autoria do Mestre Nadir Afonso,  consta na contracapa do livro.

 

A DANÇA

 

A dança é o sorriso do corpo!...

 

E a boca

Para onde grito calado,

É o princípio de ti.

 

 

 

 

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 04:36
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Sábado, 27 de Maio de 2017

Pedra de Toque

pedra de toque copy.jpg

 

PARA JÁ ME BASTAM…

 

Quando o desespero passa por mim, deixa-me marcas e eu, acolho meu corpo nas águas límpidas que regam as orquídeas e as rosas de Angola, flores de África que permanecem coladas aos meus olhos e ao meu cheiro.

 

A inquietação mexe por dentro e projeta-me para os sonhos irreais, por vezes doces, por vezes tumultuosos.

 

A certeza de que gosto de ti, apesar de insistires em manteres-te ausente, amacia-me a vida.

 

 

Nem que seja só por mim, vem e traz o teu sorriso branco e ainda aquela camélia que nasce no teu peito todas as primaveras,

Por ora, já me bastam…

 

António Roque

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publicado por Fer.Ribeiro às 00:12
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Sábado, 20 de Maio de 2017

Pedra de Toque

pedra de toque copy.jpg

 

                        Dá-me a tua boca

 

                        Escrever,

                        É tantas vezes esquecer.

 

                        Eu vou sofrendo, vou esquecendo

                        Vou sonhando.

 

                        Porque,

                        A felicidade acontece

                        Nas estrelas do teu corpo.

 

                        Dá-me a tua boca,

                        Para eu respirar.

 

 

                       António Roque

 

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 23:30
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Sábado, 22 de Abril de 2017

Pedra de Toque

pedra de toque copy.jpg

 

AI, QUEM ME DERA…

 

                   Hoje, eu queria

                   Desvendar teus segredos

                   Sondar teus mistérios

                   Acordar exausto entre os teus seios.

 

                   Toca para mim, amor

                   Uma sonata em dia de chuva,

                   E traz-me os teus olhos verdes

                   E o cheiro das rosas brancas

                   Que entra intenso

                   Pelas fendas da alma.

 

                   Ai, quem me dera

                   Morar em ti!...

                       

António Roque

 

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 02:37
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