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CHAVES

Olhares sobre o "Reino Maravilhoso"

01
Dez18

Pedra de Toque

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A LISÍSTRATA OU A GREVE DO SEXO

 

Desde muito novo que me apaixonei pelo teatro.

 

Ainda pela mão de minha saudosa avó fui ao Cineteatro ver alguns espetáculos de amadores ou de profissionais que por vezes aqui se deslocavam em Tournée.

 

A cidade gostava de teatro e por norma, as representações esgotavam.

 

No Liceu em Chaves bem como no de Vil Real, o teatro esteve sempre presente na minha vida.

 

Representei e por vezes dirigi sobretudo nas récitas estudantis.

 

Em Coimbra pertenci ao CITAC, um grupo académico que todos os anos apresentava peças de autores contemporâneos.

 

Em Angola colaborei com o Teatro Experimental de Luanda.

 

Regressado a Chaves, depois do 25 de abril, liguei-me aos Canários, uma associação culturalmente empenhada e juntamente com alguns amigos fizemos teatro encenando criações coletivas.

 

Nos últimos anos, como amador sempre, participei na representação de algumas peças no pouco tempo que a vida de advogado me permitia.

 

 Nunca deixei, sempre que possível, de assistir aos espetáculos de teatro que por cá foram acontecendo.

 

Vem este introito, a propósitos da peça de Aristófanes “Lisístrata ou a greve do sexo” que vi no passado dia 7 apresentada pelo Teatro Fórum de Boticas, no Teatro Bento Martins.

 

O texto foi adaptado pelo grupo de um original escrito há mais de 2500 anos.

 

Há muito que desejava assistir a um espetáculo deste grupo porque me tinham chegado informações muito elogiosas.

 

Só agora contudo, tive oportunidade de presenciar esta representação que superou todas as espectativas.

 

Uma ótima encenação, atores e atrizes com desempenhos notáveis, superiormente dirigidos. O espetáculo decorreu sem falhas, sempre com um ritmo que prendeu assistência que lotava a sala.

 

O público manifestou o seu agrado aplaudindo de pé, prolongadamente.

 

Parabéns pois ao Fórum de Boticas, que pretendo ver mais vezes e que naquela noite me saciou a paixão antiga pelo teatro.

 

Termino esta crónica com uma frase de Frederico Garcia Lorca, dramaturgo e poeta que escreveu assim:

 

 “O teatro é uma escola de lágrimas e riso, uma tribuna livre onde os homens podem denunciar as morais antiquadas ou equívocas e explicar com exemplos vivos, as normas eternas do coração e do sentimento do homem”.

 

Depois das palavras, permitam-me que sensibilizado, termine com as minhas:

 

                        HAJA TEATRO!

                        VIVA O TEATRO!

 

António Roque

 

17
Nov18

Pedra de Toque

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                  CAMINHO

 

                        Caminho, caminho inseguro.

                        Os meus passos são os teus passos,

                        Que meus pés perseguem.

                                                                                              

                        Já chove,

                        A água goteja para os teus olhos,

                        Que estão no luar.

 

                        O frio, penetra no corpo,

                        Intolerante e gélido.

                        A morte receio-a,

                        Mas com fascinação,

                        Porque a vida,

                        Deixa marcas na pele

                        E cicatrizes por dentro.

 

                        Hoje, usei todas as palavras,

                        No aroma do teu corpo.

 

                        Fiquei feliz por nós.

                        Apesar da insónia, que me desperta cansado,

                        Acordo e ressuscito,

                        Com a água quente

                        Percorrendo o meu corpo todo.

                        Do vapor surges

                        Radiante e serena.

 

                        É então que me abraças,

                        E eu, desesperadamente,

                        Te beijo.

 

                       António Roque

20
Out18

Pedra de Toque

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Todos os anos, nesta época dos Santos, desloco-me ao cemitério e visito, entre outras, a campa onde se encontra minha mãe, meu pai e minha avó materna.

 

A última a partir (1993) foi minha mãe. Sofri muito com o decesso dela. Senti-me desamparado e uns dias depois escrevi o texto que segue.

                       

Mãe

 

Perdê-la é o corte cerce da raiz mais funda que nos liga à vida.

 

É o desaparecimento doloroso da protecção, do suporte, da tábua que nunca naufraga neste rio de tormentas.

 

Perdê-la é nunca mais ouvir por detrás do trinar do telefone, a voz aflita temendo que o silvo da sirene fosse connosco.

 

É a falta irremediável do mais sincero regozijo pelas nossas venturas, da tristeza mais sentida pelo nosso desgosto, que desde logo aliviava com o carinho mais puro, mesmo que a razão não existisse.

 

Perdê-la é a amarga sensação de não poder satisfazer os seus mimos, de não poder brincar com as suas perrices, de não lhe proporcionar todos os seus desejos, de não abraçar e beijar a sua ternura.

 

E é, também, um violento empurrão para a solidão, mesmo quando as palavras eram sussurros ininteligíveis, saídos da cara linda que a brancura do cabelo prateava, nas voltas a meu lado pela cidade nova.

 

Falar em saudade é pouco.

 

A sua memória eterna, é no momento, as lágrimas que o tempo cuidará em transformar em pérolas preciosas, a guardar para sempre no cofre que temos no peito bem ao lado do coração.

 

Porque herdamos a sua simplicidade, a sua bondade, os seus gestos, a sua maneira de andar, o formato de suas mãos, os traços da sua face, o desenho das suas unhas e, sobretudo, o sangue que nas veias corre.

 

Agora que a terra, esconde e come, só podemos com humildade preservar a lembrança e ensinar aos nossos, o amor sem limites, o mais querido e o mais rico legado, que nos deixou.

 

António Roque

13
Out18

Pedra de Toque

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QUANDO…

 

Quando a hipocrisia me incomoda, quando o oportunismo me indigna e quando a desonestidade me repugna,

A solidão espera-me, e a vida de braços abertos recebe-me.

Fico então longe de tudo, sem saber o que quero mas quero muito.

Preciso tanto da música que me chega não sei de onde.

 

Nunca me escondas teus olhos, nem as tuas lágrimas, meu amor.

Sem eles e sem elas, não sei amar, não sei sofrer.

Em cada noite, há um beijo que nunca te posso dar.

Restam-me as tuas mãos que protegem.

A vida dói, a solidão magoa.

 

Nos meus versos tem de estar água, para eles fluírem.

 

A minha memória da tua boca, a obsessão pelo teu corpo quente,

São sempre o lenitivo,

Para abraçar os sonhos, contigo por perto.

 

António Roque

06
Out18

Pedra de Toque

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QUE MAL ME FAZEM AS TUAS LÁGRIMAS

 

Não fora a certeza que a química sedativa nos embalaria, eu ter-te ia ligado.

É estranho e doloroso entender que alguém pode ficar bela quando chora.

É assim tão difícil de explicar, como quando sabemos que alguém sofre, se dói, quando sabe que é amada.

Ontem também estava com o coração em luto.

Até os sonhos me magoavam.

Aquela que às vezes me aparece (doce milagre), coberta com lantejoulas de esperança, surgiu-me decadente, sem brilho, qual Mimi Codonis, trapezista que pela milésima vez, desceu à cidade numa noite de muito calor.

As palavras que te li com paixão encontraram no outro lado da linha um silêncio preocupante, fundo e vislumbrei lágrimas bailando nos teus olhos.

Depois descolaram e deslizaram pela tua pele branca, aliviando o nó na garganta, a pressão no peito.

Só o rubor da papoila que nasceu na tua boca me serenou nessa noite.

Que mal me fizeram as tuas lágrimas…

 

António Roque

 

 

22
Set18

Pedra de Toque

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Tenho períodos na minha vida em que escrevo quase diariamente. Outros, como no presente, leio bastante. É um prazer enorme para mim ler e reler Gabriel Garcia Marquez. Por isso esta crónica já escrita há uns anos para vocês, na espectativa que saboreiem este extraordinário autor, talvez o maior romancista do século passado.

 

 

GABRIEL GARCIA MARQUEZ

 

Um dos maiores romancistas, dos mais notáveis escritores do século XX.

 

Nascido na Colômbia em 1927, foi agraciado com o prémio Nobel em 1982.

 

A sua vasta obra está traduzida em variadíssimas línguas e publicada em inúmeros países.

 

Li alguns dos seus romances.

 

Desde logo o celebre Cem Anos de Solidão, considerado até hoje a sua obra prima.

 

Quando o li, pela primeira vez, tive uma sensação de fascínio, de encantamento difícil de descrever.

 

No imediato, apreciei o seu absoluto e impressionante domínio da forma narrativa.

 

Pretendia há muito ler também o Amor nos Tempos de Cólera, obra que segundo a crítica, constitui um marco equiparável aos Cem Anos de solidão.

 

Tive oportunidade de adquirir o romance que devorei em poucos dias, dada a prosa brilhante, onde se conjugam e se fundem a beleza das imagens, o triunfo tão difícil do amor e o percurso tortuoso das aventuras e desventuras da felicidade humana.

 

Nas quatrocentas páginas estão presentes a todo o instante o humor, a poesia, as imagens em vertigem, plasmadas numa escrita encantatória que os imitadores não conseguem atingir.

 

A velhice, a decrepitude, a ruína do corpo, tudo suportado pelo sentimento do amor perene, visível lenitivo para a alma e para os sonhos.

 

Como ressuma da estória, contra a solidão dolorosa só o amor total alivia.

 

O romance é um hino que louva a resistência ao decurso dos anos pela força do amor que permanece no vai-e-vem da vida, no vai-e-vem num rio até ao último dos portos, a morte.

 

Por favor, na primeira oportunidade, leiam o Amor nos Tempos de Cólera.

 

Imperdível.

 

António Roque

 

 

 

15
Set18

Pedra de Toque

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A MULHER DE PRETO

 

 

De preto vestida, assim aparece, plantada no verde da natureza.

 

Por vezes surge no meio das gentes, nas ruas da cidade.

 

Sempre só, mas com muito dentro dela, que eu já vi nas palavras que escreve, nas ideias que expressa.

 

Quando se pronuncia, revela lucidez, sensibilidade funda.

 

Sente o murmúrio dos riachos, a quietude das águas que correm pelos rios, a história que os monumentos narram.

 

Guarda muitos segredos, a sua imagem os indicia, mas não os partilha.

 

Por isso fascina e estimula a descoberta.

 

Quem é esta mulher? Quem foi esta mulher? O que lhe aconteceu para ser assim, impressionantemente só?

 

Gostaria que o luar chegasse e que com ela reinventasse o amor ou o suscitasse.

 

Porque com ela, certamente o amor cruzou-se um dia e deixou-lhe a magia das coisas possíveis.

 

Nunca consegui ver-lhe o olhar que procuro sempre no mar.

 

Um dia, e ele chegará, quero com as minhas mãos abraçar seu coração.

 

 

António Roque

 

 

 

04
Ago18

Pedra de Toque

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                         POEMA CURTO

 

                           As tuas costas,

                        São seda, na rota da minha vida.

                       

                        Tu tremes ao som dos meus dedos,

                        Quando as percorro.

 

                        Dá-me da fonte

                        Que brota límpida dentro de ti.

 

                        Preciso tanto que me sacies…

 

         António Roque

 

 

 

21
Jul18

Pedra de Toque

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NÃO TE CONHEÇO

 

                            Mas vi-te nas palavras que escreves.

                        Nas fotos que postas.

                        Estás lá nítida, sensível, simpática.

                        Inteira.

                       

                        Um dia, não sei quando, nem sei onde, vou-te encontrar.

                        Gostava que o luar estivesse presente.

                        Depois pedia-lhe que me respondesse porque tardei tanto em descobrir-te.

                        Quiçá tarde demais.

                        Tenho fé na água que corre nos regatos e se precipita nas cascatas deslizando por entre os prados verdes.

                        Fico absorto enquanto a olho e molha-me a frescura que dela dimana.

 

                        Quando o dia escurecer farei viagens contigo até ao fundo da noite.

                        Embalado dormirei no teu sorriso que ouço, escutando religiosamente Ravel.

 

                        António Roque

 

 

 

07
Jul18

Pedra de Toque

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Até sempre!...

 

Não é costume, mas há dias que acordo azedo, zangado com a vida.

 

Não que ela me tenha sido madrasta, mas por vezes, se cruzam no meu caminho, pessoas que considero insuportáveis pela forma indigna com que circulam entre as gentes.

 

Fere-me, sobretudo, a petulância com que disfarçam a iliteracia, a ignorância.

 

Postam aqui (facebook) textos com erros crassos, debitando descaradamente opiniões sobre temas que desconhecem.

 

Para quem sabe deles há muito tempo e lhes conhece as curvas com que andam pela vida, sempre com o oportunismo e a ganância na ponta dos dedos, sem o mínimo da verticalidade exigida, o “espetáculo” que proporcionam entristece e é desolador.

 

 

 

Mas mesmo nos momentos mais tristes, acontece o inesperado que proporciona alento, laivos de felicidade.

 

Acaba de sair uma coletânea de poemas e textos do meu querido e saudoso amigo Eduardo Guerra Carneiro, amigo na infância, na juventude e na vida. Poeta brilhante e jornalista consagrado merece ser lido e ser lembrado.

 

Uma boa amiga conta-nos emocionada do carinho e da ternura que tem pela capelinha do seu bairro, da sua terra, da sua infância. Sensibilizei-me.

 

Soube que Portugal é um dos países europeus que no momento mais se destaca na luta, com sucesso, contra a sida.

 

 

 

Eu, enquanto me continuar a encantar com o teu sorriso e a tua boca me apetecer, retomarei forças para “enfrentar lá fora aquela gente que da nossa ternura anda sorrindo…”

 

 

Até sempre!...

 

António Roque

 

 

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