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CHAVES

Olhares sobre o "Reino Maravilhoso"

08
Jun18

A arte da cantaria e dos Mestres Canteiros

1600-(26031)

 

Se há arte que aprecio, é a arte de cantaria, a arte dos Mestres Canteiros, a verdadeira arte pela arte, quase sempre anónima, e temos pena, pois esses mestres da cataria também tinham nome.

 

Fica a minha humilde homenagem a esses mestres canteiros, principalmente aos nossos, os portugueses, que tão bem a conseguiram em Portugal e tão bem a levaram aos quatro cantos do mundo, penso que para além da língua portuguesa, a arte da cantaria é das poucas coisas que levámos além de Portugal das quais nos podemos orgulhar.

 

Para esta pequena homenagem aos Mestres Canteiros, fica um pouco da sua história, mas também a riqueza do glossário que foi construído à volta desta arte

 

Esculpir ou trabalhar as pedras é, certamente, uma das mais antigas atividades de engenho do ser humano e a utilização da rocha como elemento construtivo tem sua origem numa mudança social na pré-história. Provavelmente, isso aconteceu quando o homem deixou de ser nômade, abandonando as cavernas e dando origem a uma organização social definida e com abrigos mais sólidos.

 

 A técnica de cantaria consiste em lavrar a rocha em formas geométricas ou figurativas para aplicação em construções, com finalidade ornamental e/ou estrutural. As construções mais antigas, com as limitações técnicas e ferramentas escassas, eram caracterizadas por estruturas irregulares de pedras soltas e de tamanhos desiguais, compondo uma arquitetura bastante rudimentar.

 

 A civilização egípcia é uma das mais antigas, e de suas técnicas de cantaria existem registros desde 3000 a.C. Associando a disponibilidade de materiais líticos e o desejo de construir para a eternidade, os egípcios foram mestres na arte da cantaria, com obras monumentais, como os túmulos do Império Antigo, a Esfinge e as Pirâmides.

 

 As civilizações posteriores, como os gregos, etruscos e romanos, fizeram uso dessas técnicas e, principalmente a partir do século VI a.C., com o início das conquistas e expansão do Império Romano, iniciou-se a organização e regularização do ofício de mestre canteiro.

 

A abundância de rochas ornamentais relativamente fáceis de se talhar, como tufo vulcânico, calcário e arenito, permitiu rápida difusão das técnicas por toda a Europa e passou a expressar as qualidades artísticas de cada povo. Do norte da África até a Inglaterra, por onde passou o exército romano, encontram-se até hoje ruínas e edificações que revelam a sofisticação técnica já alcançada na época.

 

Foi nesse período que surgiu, em função da atividade bélica e do expansionismo, a primeira associação de construtores, acompanhando as legiões romanas para a reconstrução do que era destruído. Dos obreiros, regulamentados e organizados pela associação, a maior parte era de canteiros – os artesãos que executam a cantaria.

 

Com a queda do Império em 476 d.C., embora um pequeno grupo tenha persistido em Constantinopla, centro do Império Romano do Oriente, a associação entrou em decadência, deixando essa arte “perdida”, sem uma organização que desse continuidade à transmissão das técnicas.

 

Sobrevieram, porém, as invasões bárbaras, e os segredos dessa arte acabaram restritos às associações monásticas, graças aos clérigos que davam refúgio, em seus conventos, aos artistas e arquitetos.

 

Por volta do século X, pela necessidade de expansão, os frades começaram então a difundir a arte novamente, com a instituição das confrarias laicas.

 

Foi somente no século XII que surgiu novamente uma organização laica de canteiros, instituída por operários alemães - os Steinmetzen - que trabalharam na construção da catedral de Strasburgo e alcançaram grande notoriedade. Desde então, com o fundamental auxílio de associações como as guildas e os corpos de ofícios (corporações), a cantaria voltou a ser difundida em toda a Europa.

 

(…)

 

Glossário

 

Abóbada – teto de forma arqueada compreendido entre paredes ou colunas.

Adro – pátio à frente ou em torno das igrejas.

Alcatruz – conduto de água feito de pedra e usado nas cidades antigas de Minas Gerais.

Apicoado – desbastado de forma rústica com o picão.

Arco butante – arco que descarrega sobre o solo um empuxo lateral e interior em relação à parede de um prédio.

Arco-cruzeiro – arco que divide a nave principal de uma igreja do “transepto” e que se encontra voltado para a entrada do templo.

Arco de meio ponto – arco formado por meia circunferência.

Arquitrave – parte inferior do entablamento, que liga os capitéis das colunas entre si.

Ático – parte lisa que coroa uma ordem ou platibanda que encima uma edificação.

Balanço – parte de uma construção que avança sobre outra, projetando-se no espaço sem apoio.

Beiral – beira do telhado, bordas.

Buzinote – tubo destinado ao escoamento das águas dos balcões ou terraços, vertendo-as diretamente nos pátios ou jardins.

Bujarda – ferramenta com dentes que permite nivelar a superfície das peças e colocar a superfície de trabalho em um ângulo de 60º com a superfície horizontal.

Canga – rocha formada a partir de solos ferruginosos, usada principalmente na construção de muros e alicerces em Ouro Preto.

Cantaria – técnica de entalhar rochas para uso ornamental e/ou estrutural na construção civil

Capela-mor – capela principal das igrejas, que fica no fundo da nave central.

Capitel – parte superior de uma coluna, em geral mais larga e bastante ornamentada.

Carranca – figura de rosto humano entalhado, geralmente usada em chafarizes.

Cariátide – figura feminina entalhada ou posicionada como pilares, com função estrutural.

Cimalha – arremate superior da parede que faz a concordância entre ela e o forro ou o beiral, semelhante à cornija.

Cinzel – ferramenta de aço, ferro ou vídea de seção retangular e ponta em forma de cunha, utilizada para gravar, desbastar e nivelar superfícies e talhas ornamentais.

Coluna lapidar – coluna feita de pedra.

Colunas torsas – colunas que apresentam o fuste retorcido, originando hélices que podem ser ornamentadas ou não.

Contraforte – maciço de obra posicionado contra uma parede para reforçar os pontos de apoio onde nascem os arcos ou se apoiam as vigas.

Coruchéu – ornamento em forma de bipirâmide posicionado no alto de cunhais.

Cunhal – ângulo externo de uma edificação, às vezes representado por pilastras de cantaria.

Cruz papal – cruz de três braços horizontais representando o poder do papa na Igreja.

Empena – parede que fecha o vão triangular formado entre duas águas de telhado.

Entablamento – elemento apoiado sobre os capitéis das colunas, composto por três faixas horizontais.

Friso – elemento colocado entre a arquitrave e a cornija, constituído por série de peças dispostas transversalmente em relação à arquitrave.

Frontão – empena posicionada na fachada, coroando a parte central do frontispício.

Fuste – parte principal da coluna (meio).

Gárgula – abertura por onde correm as águas pluviais no telhado, podendo ser ornamentada.

Gradina – semelhante ao cinzel com o corte formado por dentes de seção retangular e trapezoidal.

Ilharga – parte lateral e inferior do interior de uma igreja.

Lioz – rocha carbonática, normalmente um calcário, utilizada na cantaria europeia.

Nave – parte interna principal da igreja da entrada até a capela-mor.

Óculo – abertura ou janela circular ou elíptica em igrejas, destinada à passagem de ar ou luz.

Pestana – bordas salientes destinadas à proteção contra a chuva.

Portada – grande porta enquadrada por composições ornamentais.

Púlpito – tribuna para pregação posicionada nas laterais da nave.

Quartzito – rocha metamórfica composta essencialmente de quartzo, produto de metamorfismo intenso de arenito.

Retábulo – moldura ou acabamento bastante decorado que envolve a tribuna arrematando-a com a parede da igreja.

Risco ou traça – desenho ou prospeto arquitetónico da época da construção das igrejas, sendo muitas vezes delineado na própria parede da obra.

Sineira – vão destinado à colocação dos sinos nas torres.

Transepto – corpo da igreja que atravessa a nave e corresponde aos dois braços de uma cruz, nas plantas que apresentam esse desenho.

Tribuna – nicho ou lugar reservado e elevado para imagens ou espécie de varanda para assistir à cerimônia religiosa.

Voluta – espiral que se desenvolve ao redor de um círculo.

Verga – peça de cantaria que se apoia em portas ou janelas para sustentar a parede acima do vão.

Xisto - rocha metamórfica acentuadamente foliada, composta predominantemente de micas orientadas (biotita, muscovita, clorita, sericita, etc.) e quartzo em menor proporção.

 

 

Referências:

“ A Arte da Cantaria” de Carlos Alberto Pereira, António Liccardo e Fabiano Gomes Silva,  C/Arte - Belo Horizonte - 2007

 

 

05
Jul16

Inauguração do Museu de Arte Contemporânea Nadir Afonso em dez momentos

1600-inaugura (6)

 

O anunciado dia chegou e o Museu de Arte Contemporânea Nadir Afonso está oficialmente inaugurado com a presença do Presidente da República, do Ministro da Cultura, do autor do Projeto Arquiteto Siza Vieira, do Executivo Municipal e outras entidades convidadas. Vamos então à reportagem, breve, e sem pretensiosismos de ser uma reportagem jornalística, mas antes uma reportagem fotográfica com a legendagem de dez momentos marcantes desta inauguração. Pois então a primeira foto é do momento da chegada do Presidente da República e os cumprimentos à população.

 

1600-inaugura (13)

 

Subida da rampa de acesso à entrada principal.

 

1600-inaugura (29)

 

Descerramento da placa inaugural pelas mãos do Presidente da República, Ministro da Cultura e Presidente da Câmara.

 

1600-inaugura (43)

 

O Presidente da República a assinar o livro de honra do Museu.

 

1600-inaugura (75)

 

Entrada no primeiro dos quatro salões de exposições.

 

1600-inaugura (84)

 

O salão principal de exposições ainda à espera de ser inaugurada.

 

1600-inaugura (95)

 

O Salão principal de exposições com os convidados.

 

1600-inaugura (97)

 

Apreciações mais isoladas e mais atentas sem a confusão dos restantes convidados.

 

1600-inaugura (105)

 

E claro, a música made in Chaves num dos salões de exposições

 

1600-inaugura (204)

 

E finalmente, nos jardins do Museu,  a festa aberta à população com o foguete no ar após concerto da Orquestra de Sopros da Academia de Chaves.

 

E quanto ao Museu de Arte Contemporânea Nadir Afonso é tudo por hoje. Regressaremos com o mesmo tema no próximo dia 8 de julho com a abertura do Museu ao público, com entrada gratuita.

 

 

 

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