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CHAVES

Olhares sobre o "Reino Maravilhoso"

19
Jun22

O Barroso aqui tão perto - Pinho

Aldeias do Concelho de Boticas

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Iniciamos hoje a abordagem de mais uma freguesia do concelho de Boticas, a freguesia de Pinho. Seguindo a metodologia que temos seguido para o concelho de Boticas, vamos abordar as aldeias da freguesia por ordem alfabética, calhando assim a abertura da freguesia à aldeia que é sede de freguesia e dá nome à mesma – Pinho.

 

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Freguesia de Pinho que além desta aldeia possui mais duas aldeias, a aldeia de Sobradelo e Valdegas, todas nas encostas de montanhas com vertentes para o Rio Tâmega, sendo este o limite de freguesia a Nascente, mas também limite do concelho de Boticas e limite do Barroso, fazendo fronteira com os concelhos de Chaves e Vila Pouca de Aguiar. Bem podemos dizer que a freguesia, é uma freguesia de limites…

 

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Hoje para além da aldeia de Pinho faremos também a abordagem a um dos santuários mais importantes do concelho de Boticas, o Santuário do Senhor do Monte, isto por ser um Santuário da freguesia, pois em proximidade, é a aldeia de Valdegas a que fica mais próxima, a uns escassos 500m de distância.

 

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Já que iniciámos com a localização da freguesia e suas aldeias, deixemos a sua localização completa, bem como o nosso itinerário recomendado para chegar até lá, que desta vez não precisamos de ir por aquela estrada que habitualmente nos leva até terras de Boticas, pois temos como mais próximo e melhor caminho, a Nacional 2 até à entrada de Vidago, mais propriamente até à ponte seca onde devemos deixar a EN2 e apanhar a R311, esta sim bem nossa conhecida nas andanças por Boticas, uma vez que é a estrada que mais aldeias serve no concelho, atravessando-o de uma ponta à outra no sentido nascente-poente, sendo o contrário também verdade. Em suma, para os flavienses, deixamos a EN2 e rumamos em direção à Paria de Vidago, Souto Velho e Anelhe, sem entrar nestas duas aldeias, mas seguindo sempre pela estrada principal após a ponte sobre o Tâmega (Praia de Vidago), onde a umas centenas de metros à frente entramos no Concelho de Boticas e Freguesia de Pinho, ficando a aldeia a menos de 6Km. No total, entre Chaves e Pinho, são 25,7Km. Ficam os mapas para melhor orientação e entendimento.

 

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Quanto à freguesia e aldeia de Pinho, ficando já nas montanhas com vertentes para o Rio Tâmega e a uma cota que varia entre os 500 e os 600 m, já assume características de transição entre o Barroso da terra fria e a terra quente que tem em frente para lá das serras do Brunheiro e da Padrela, daí o cultivo da terra já com espécies muito variadas e árvores de fruta, mas também a proximidade da sede do concelho, de Vidago e Chaves, fazem com que Pinho seja uma aldeia grande, que rebentou com as costuras do núcleo antigo da aldeia e se tivesse expandido para novos bairros e ao longo da estrada e caminhos.

 

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Vamos agora passar àquilo que se diz sobre Pinho na monografia botiquense “Preservação dos Hábitos Comunitários nas Aldeias do Concelho de Boticas”, começando pela descrição geral da freguesia.

 

Localização geográfica: A freguesia de Pinho situa-se na parte Sudeste do concelho de Boticas.

Distância relativamente à sede do concelho: aproximadamente 5,5 km .

Acesso viário: Pela ER 311, sentido Vidago, virando na indicação Pinho.

Área total da freguesia: 22,4 km2.

Localidades: Pinho, sede de freguesia, Sobradelo e Valdegas.

População: 478 habitantes.

Orago: Santa Marta

Festas e Romarias: Senhor do Monte, último domingo de Julho.

Património Arqueológico: Castro do Mouril Povoado da Lage / Prados

Património Cultural e Edificado: Calvário (Pinho), Santuário do Senhor do Monte

 

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FESTA DO SENHOR DO MONTE

Esta festa realiza-se anualmente no último domingo de Julho, no Santuário do Senhor do Monte em Pinho. Localizado na Serra do Facho, é um dos maiores santuários do Concelho, tem uma igreja com duas torres, a casa dos andores, e à volta uma vasta zona de pinheiros e um espaço para merendas.

 

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Conta a lenda, perpetuada pela tradição oral, que no tempo de antigamente não havia lá nada, apenas um caminho por onde passavam os almocreves que tudo comerciavam. O espaço onde hoje está localizado o Santuário era local de descanso onde costumavam parar e onde se encontrava um nicho onde os almocreves colocavam uma esmola apelando à protecção divina que os protegesse dos ladrões. Até que um dia, segundo a lenda, apareceu nesse sítio, em cima de um monte de pedras onde ainda hoje se podem ver as pegadas, o Senhor do Monte. As gentes da terra pegaram no Santo e levaram-no para a Igreja de Pinho, mas o Santo teimava em aparecer no mesmo lugar. Até que as pessoas se renderam à sua vontade e construíram uma capelinha junto ao lugar onde ele apareceu e no monte de pedras colocaram uma cruz. Com o passar do tempo o dinheiro das esmolas foi sendo cada vez mais. Tal fama de protector conquistou, que construíram uma igreja em pedra, carrada em carros de bois pelos lavradores das aldeias da freguesia.

 

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É considerado o protector dos animais e em sua honra realiza-se anualmente esta festa. Manda a tradição que no sábado, dia reservado à bênção dos animais, os lavradores levem o gado até ao Santuário e com ele dêem três voltas à igreja. Muitos são os percorrem longas distâncias, não só do concelho, mas também de concelhos vizinhos, outrora a pé, agora em carrinhas, para levarem os seus animais até ao santuário em busca da protecção do Santo. Nesse dia, dizem os fiéis, apesar da grande concentração de animais nesse espaço, não se vê uma mosca no pinhal. As esmolas das promessas ou agradecimentos pela protecção ou benesse recebida costumavam ser dadas em centeio, mas agora costumam dar dinheiro. No domingo o santuário enche-se de fiéis para assistirem à celebração religiosa e à majestosa procissão com diversos andores, que se realiza em volta do Santuário, acompanhada por várias bandas musicais. Depois, a festa prossegue, animada por um conjunto. Muitos são os que trazem merendas de casa e aproveitam para almoçar no recinto.

 

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A esta festa acorrem também muitos vendedores ambulantes com os mais diversos produtos.

 

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TRADIÇÕES

Casamento

Em Pinho, no dia antes do casamento, é costume juntar-se um grupo de rapazes e percorrem as ruas da aldeia a tocar buzinas aos noivos.

 

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Os Caminhos

São espaços comunais utilizados pela população para se deslocarem no espaço territorial da aldeia. Dado que todos utilizam estes espaços, o seu arranjo e manutenção era feito pela comunidade aldeã. Assim, no final do Inverno e início da primavera, o Regedor e o Cabo de Ordens, mais tarde substituídos nessas funções pelo Presidente da Junta ou um seu representante, ou o Presidente do Conselho Directivo, à saída da missa, no largo junto à igreja, convocavam o ajunto ou ajuntamento do povo (um homem de cada casa) para ir aos caminhos. No dia combinado, geralmente aos sábados, ao toque do sino, o povo juntava-se num largo da aldeia, junto a uma igreja ou capela, e iam dar um jeito aos estragos provocados pelos rigores do Inverno e limpar os caminhos. Se, na generalidade das aldeias, participava nestes trabalhos o povo todo junto, nos dias marcados para arranjar os caminhos, na aldeia de Pinho, em cada um dos dias, iam aos caminhos quatro ou cinco casas (um representante de cada uma delas) conforme os trabalhos a realizar, num sistema de rotatividade pelas casas da aldeia até dar a volta ao povo.

 

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A Água

A água, elemento dominante da paisagem uma boa parte do ano, desempenha um importante papel na sobrevivência das economias agro-pastoris da região. São inúmeras as suas aplicações: garante da produtividade das parcelas agrícolas e dos lameiros, sustento dos gados, força motriz dos inúmeros moinhos de água existentes ao longo dos corgos e dos rios; estende a sua utilidade ao quotidiano das aldeias, aos tanques, bebedouros dos animais e aos lavadouros públicos existentes.

Dadas as características dos solos e os rigores do clima da região, a água, seiva da terra, desempenha um papel fulcral na produtividade agrícola.

No território do concelho pratica-se a rega por gravidade. A água de rega, proveniente de várias fontes de água superficiais, localizadas nas encostas dos montes e serras junto às aldeias, é utilizada para regar as parcelas localizadas a juzante.

 

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Para optimizar a utilização deste recurso, foram criadas infra-estruturas para a rega. Os regos conduzem a água desde as nascentes, corgos ou ribeiras, até às poças/tanques de rega, reservatórios de retenção da água. Da poça/tanque, a água é encaminhada, também através de regos, até às parcelas agrícolas. Acontece, por vezes, as nascentes brotarem no local onde se encontra a poça/tanque. Em quase todas as aldeias, estas infra-estruturas, outrora em terra batida e pedra, foram alvo de obras de beneficiação, remodeladas, e construídas em cimento e betão armado, de forma a rentabilizar este recurso, reduzindo ao mínimo o seu desperdício ao longo do percurso que faz até às parcelas agrícolas.

 

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Geralmente, cada uma das aldeias dispõe, no seu termo territorial, de nascentes, regatos ou ribeiros, donde provém a água para rega. Todavia, existem situações em que diferentes aldeias têm que partilhar a utilização da água. A partilha de água entre aldeias, geralmente conflituosa, levou à criação de regras de utilização bem definidas, nem sempre respeitadas pelos seus habitantes, ou à posse dessa água por apenas uma das aldeias.

 

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(…)

No que se refere às quantidades de água, estas têm uma dimensão variável. Nalgumas aldeias, a divisão da água processa-se à poçada, mas a quantidade de água disponível para rega depende, em larga medida, do que cada uma das poças/tanques conseguir recolher, enquanto está fechada. Cada regante, geralmente de acordo com a dimensão da área a regar, pode ter direito a uma ou mais poçadas, ou apenas a uma parte de poçada (1/2 ou ¼). Nestes casos, quando numa poçada rega mais que uma pessoa, dividem a água no rego, de acordo com os direitos de cada um. Existe ainda outro método de divisão da água na poça/tanque, os décimos. Em Pinho e Sobradelo, cada poçada encontra-se dividida em 10 partes. Cada regante, geralmente de acordo com a dimensão da área a regar, tem direito a um determinado número de décimos ou a poçadas completas (10 décimos). Se em Pinho a divisão dos direitos de água se processa no rego, dividindo o caudal da água consoante tenha mais ou menos direitos, em Sobradelo a medição da água é feita com uma vara. Antes de abrirem a poça/tanque para regar procedem à medição da água com uma vara e fazem a divisão consoante o número de herdeiros e a quantidade de água a que cada um tem direito, colocando laços. À medida que o nível da água atinge cada um dos laços, assim cada um dos regantes rega. Normalmente, os regantes entendem-se bem, mas como se sabe “no tempo de rega não há santos”, como se costuma dizer “quem sacha mal, rega bem”, algumas pessoas tornam a água quando os outros andam a regar. Isto gera alguns conflitos dentro da comunidade mas acabam por ser resolvidos entre os intervenientes.

(…)

 

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Nalgumas aldeias, como em Pinho e Valdegas, existem os gestores da água, pessoas com um profundo conhecimento da distribuição da água, encarregues de organizar o rol semanal da água das diferentes poças de rega

 

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MARCAS DA HISTÓRIA ANTIGA

Castro do Mouril

Designação: Castro do Mouril

Localização: Pinho

Descrição: Este castro encontra-se no extremo do lado Nascente da freguesia de Pinho, a confrontar com a povoação de Arcossó, da freguesia de Vidago, do concelho de Chaves. O monte do Mouril é rodeado a Nascente e a Sul pelo rio Tâmega e fica na confluência da ribeira de Sampaio com o Tâmega, ribeira que limita o castro pelo Poente.

 

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O castro tem duas linhas de muralhas. Quase no cimo do topo Sul há um pedaço da primeira muralha com 40 m, feita de pedras de xisto e algumas pedras de granito, em forma de cunha e face do topo apicotado. A segunda muralha tem 2,6 m de largura e 50 a 60 cm acima da terra; tem um troço levemente arqueado a rodar para o topo do lado Poente do castro, com 30m de comprimento. Entre as duas muralhas há um patamar de 12 m de largura. Existem vestígios de três casas circulares e foi encontrada no local uma mó de um moinho manual. Existe também um penedo com gravuras e covinhas.

 

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E sobre Pinho vai sendo tudo, para já, pois ainda teremos oportunidade de trazer aqui a aldeia mais uma vez com o resumo da freguesia. Assim, hoje,só nos resta deixar aqui  o vídeo com todas as imagens da aldeia de PINHO que foram publicadas até hoje neste blog. Espero que gostem.

 

Aqui fica:

 

 

Agora também pode ver este e outros vídeos no MEO KANAL895 607

 

E quanto a aldeias de Boticas, despedimo-nos até ao próximo domingo em que continuaremos na freguesia de Pinho, mas com a aldeia de teremos aqui a aldeia de Sobradelo.

 

 

05
Jun22

O Barroso Aqui Tão Perto - Freguesia de Dornelas - 1ª Parte

Boticas - Barroso

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FREGUESIA DE DORNELAS - BOTICAS

 

Tal como aconteceu com as anteriores freguesias do Concelho de Boticas, no final da abordagem de todas as suas aldeias, trouxemos aqui um resumo de cada uma dessas freguesias. É o que vamos agora fazer com a freguesia de Dornelas e a abordagem conjunta das suas sete aldeias.

 

Uma vez que na monografia de Boticas “Preservação dos Hábitos Comunitários nas Aldeias do Concelho de Boticas” faz a abordagem de todas as freguesias do concelho, vamos lançar mão do que lá se diz a respeito da freguesia de Dornelas. Apenas fazemos aqui um aviso, pois como a monografia foi publicada em 2006, é natural que alguns dados do texto já não estejam atualizados, nomeadamente no que respeita a números de população e mesmo a algumas tradições e festas de algumas aldeias mais despovoadas, como por exemplo no caso da aldeia de Casal.

 

Assim, da nossa parte, para além da composição deste post, apenas fica esta introdução e a conclusão, bem como as imagens e vídeo que iremos intercalar com o texto da monografia “Preservação dos Hábitos Comunitários nas Aldeias do Concelho de Boticas”. À exceção das imagens e mapa desta introdução, as próximas, seguirão a ordem alfabética das aldeias da freguesia, com cinco imagens por aldeia.

 

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A FREGUESIA DE DORNELAS: GEOGRAFIA E PERSPETIVA HISTÓRICA

 

A freguesia de Dornelas, situada na parte mais a sudeste do concelho de Boticas, confronta com as freguesias de Alturas do Barroso a Nordeste, S. Salvador de Viveiro e Covas do Barroso a Este, com Gondiães, do concelho de Cabeceiras de Basto, a Sudoeste e com Cerdedo a Noroeste.

 

Esta freguesia tem a peculiaridade de ter um nome que não advém de nenhuma das aldeias que a compõem, mas antes terá a sua origem derivado das inúmeras dornas que aí existiam. E a maior freguesia do concelho e ocupa uma área total de 36,6 Km2, sendo constituída por 7 aldeias: Antigo, Casal, Espertina, Gestosa, Lousas, Vila Grande, sede da freguesia, e Vila Pequena, localizadas perto umas das outras, a excepção de Lousas e Casal que se encontram mais afastadas.

 

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Dista da sede do concelho aproximadamente 25 Km. O acesso viário faz-se seguindo pela ER 311, sentido Braga, e depois segue-se pelo CM 1046, ou em alternativa percorre-se um pouco mais a ER 311 e segue-se pelo CM 1045.

 

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1 - População, Economia e Sociedade

O desenvolvimento da população desta freguesia acompanha o movimento demográfico que caracteriza toda a região de montanha no Norte de Portugal, tipificada por uma diminuição progressiva da população, com uma pirâmide etária invertida, onde os grupos etários mais jovens são diminutos e a população envelhecida aumenta.

 

Actualmente, tem aproximadamente 413 residentes. Seguindo a tendência que se verifica na generalidade das freguesias do concelho, Dornelas perdeu muita da sua população residente nos últimos 40 anos, aproximadamente 59,9%. Este fenómeno explica-se, em parte, devido à intensificação dos fluxos migratórios, numa primeira fase, até meados do século XX, para os países da América particularmente o Brasil, e, a partir da década de 60, para o centro da Europa, particularmente Franca, Luxemburgo e Alemanha. Muitos foram também os que se deslocaram para os centros urbanos em busca de melhores condições de vida. (E)migrar continua a ser uma opção de vida, dada a limitação local de ofertas de emprego.

 

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A esta diminuição populacional alia-se a tendência para o seu crescente envelhecimento, sendo que 82% dos 413 residentes têm idade superior a 25 anos e destes, 37% têm 65 ou mais anos. nos.

 

Os níveis de alfabetização dos residentes são baixos, acompanhando o seu nível de envelhecimento, sendo que 30% destes não têm qualquer qualificação académica. Esta situação excepcional é suportada pelo elevado número de idosos, alguns dos quais regressados da (e)migração em situação de aposentados.

 

No que se refere as actividades económicas dominantes entre a população local, destacam-se a agricultura e a pecuária. Seguindo os caminhos ancestrais da freguesia, as famílias continuam a actividade tradicional de criação de gado e produção de batata e milho, os produtos que melhor se desenvolvem nesta região do Barroso. Dada a sua localização a médias altitudes, nas aldeias da freguesia produz-se também algum vinho e bagaço, essencialmente para autoconsumo. Tem vindo a desenvolver-se também a produção artesanal de mel e fumeiro, como complemento ao rendimento das famílias. Parte da população local trabalha na construção civil local ou nas freguesias vizinhas, outros ainda no comércio local.

 

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No que se refere a sociedade, esta comunidade é uma sociedade homogénea, que se caracteriza pela existência de famílias de lavradores, pequenos proprietários de terras, onde desenvolvem a actividade agrícola e pecuária, e por pequenos empresários e comerciantes, sendo que existem três cafés em Vila Grande (dois cafés - restaurante e um café com minimercado) e uma panificadora; em Vila Pequena existe uma taberna.

 

Em termos associativos existem na freguesia quatro associações: a Associação de Desenvolvimento de Dornelas, a Associação Cultural, Desportiva e Recreativa do Couto de Dornelas, a Associação Desportiva, Recreativa e Cultural de Vila Grande e a Banda Musical de Dornelas.

 

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Antigo

2 - Marcas do Seu Passado

Como já foi referido, muitas das aldeias e povoados do Norte de Portugal, e também desta região de Barroso, tiveram origem muito antiga, como os inúmeros castros conhecidos o testemunham. Os castros de que hoje apenas encontramos vestígios de ruinas são vulgarmente conhecidos também por citânias, mas também castelos, cercas e cividades. No caso do castro de Gestosa, muitos naturais da região conhecem-no e identificam-no como cividade da Giestosa.

 

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Efectivamente muitos destes povoados castrejos, caracterizados pela sua localização no cabeço dos montes e nas suas linhas de muralha, configurando uma vocação defensiva que nos informa que estes povos eram particularmente guerreiros e isolacionistas, vivendo sobre si em comunidades que se sustentavam do pastoreio dos gados, são testemunho da presença do homem muito antes da nacionalidade.

 

Os castros conhecidos nesta região indicam ser do tempo da II Idade do Ferro, isto é, pelos séculos III e II antes de Cristo. Muitos deles foram abandonados com a invasão dos povos romanos, mas outros foram ocupados pelos romanos, sofrendo os efeitos de uma nova civilização e desenvolvimento técnico.

 

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Casal

 

3 - Os Castros de Dornelas

No território de Dornelas encontram-se identificados dois castros. O castro de Gestosa, a que os locais chamam também Souto da Lama, esta datado da Idade do Ferro e apresenta claramente a sua natureza de povoado fortificado e, segundo elementos histéricos conhecidos, apresenta vestígios de romanização. O mesmo não se passa com o castro de Ervas Ruivas situado a sudoeste da aldeia de Lousas e sobranceiro a ribeira com o mesmo nome. É um castro fortificado, também da Idade do Ferro, que não apresenta sinais de romanização.

 

Estes dois sítios arqueológicos revelam a presença antiga da civilização castreja, não permitindo porém afirmar que destes dois castros tenham resultado, respectivamente, as actuais povoações de Gestosa e Lousas, da freguesia de Dornelas.

 

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Casal

 

DORNELAS NAS ORIGENS DE PORTUGAL: O COUTO

Dornelas é uma das terras mais antigas com referência muito significativa à formação de Portugal. Segundo a tradição, como em 1756 o pároco de Dornelas conta, teria passado por terras de Gestosa o Infante D. Henrique, na luta contra os mouros, ao tempo da reconquista cristã, onde travou fortes combates, tendo recorrido a proteção divina para poder triunfar.

 

Em troca de tal proteção, prometeu doar esta terra à Virgem, o que fez ao encarregar o seu filho, D. Afonso Henriques, que viria a ser o primeiro rei de Portugal, de cumprir tal tarefa.

 

Este assim fez e daí surgiu o Couto de Dornelas que foi doado por particulares ao Arcebispo de Braga. D. Afonso Henriques também doou ao Arcebispo de Braga, juntamente com os coutos de Agostém, da Campeã, de Capareiros, de Ervededo, o “hospital” de Dornelas entre outros[i]. Significa isto que esta terra passou a fazer parte do Arcebispado de Braga, que sobre ele detinha um conjunto de direitos, dos quais o mais importante era o de exercer a jurisdição sobre o território no domínio civil e crime, não podendo o rei ou os seus representantes entrar em terra coutada.

 

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Casal

Um couto, era um território com alguns privilégios, dos quais os mais relevantes eram o de exercer a administração do seu próprio território e exercer o controlo social, isto é, detinha uma autonomia municipal que andava depositada na câmara e nos oficiais do Couto.

 

Ainda que variassem de couto para couto, os povos da terra coutada beneficiavam de alguns privilégios, dos quais os mais comuns eram a isenção de ir à guerra no exército do rei e de pagar outros tributos: coutar huma terra he escusar os seus moradores de hoste e de fossado, e de foro e de toda a peita[ii] . Estava também isento de pagar “siza de compras e vendas dos bens no dito Couto.

 

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Casal

 

O couto era criado pelo rei, através de uma Carta de Couto, para compensar algum préstimo de gente eclesiástica, nobre ou fidalga, ou para promover o povoamento de terra deserta, privilegiando quem se dignasse viver em terras inóspitas e de permanente conflito, como acontecia por certo na terra de Dornelas. Neste caso, como já vimos, a carta de couto foi passada para cumprimento de uma promessa do pai do primeiro rei de Portugal, mas também serviu para a promoção da ocupação e povoamento. Na Carta do Couto estavam indicados os limites geográficos da terra coutada e o alcance da imunidade que poderia ser total ou parcial face ao rei. Normalmente a isenção era total.

 

No século XVIII escreveu um magistrado régio que o Couto de Dornelas era pertença da Mitra de Braga, a quem pagava tributos e consta que foi dado este couto ao dito Arcebispo por el-rei o Snr. Affonso Henriques[iii]. Do seu território faziam parte as terras de Vila Pequena, Lousas, Antigo e Vila Grande que era a Vila, cabeça do concelho e sede da Câmara da Couto[iv].

 

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Hoje, a freguesia de Dornelas, apesar do século e meio passado, mantém o nome Couto, de tal modo que no dia-a-dia, com frequência se usa o nome de freguesia do Couto ou Couto de Dornelas em vez de Dornelas.

 

Não anda alheia a este fenómeno a narrativa oral que transmite de viva voz o seu passado. Revela-se algum orgulho nos habitantes da freguesia pelo facto de em tempos ter tido uma identidade jurídico-administrativa própria expressa, no seu rústico pelourinho, que permanece garboso junto a igreja, afirmando aos visitantes a sua condição de terra livre e com autonomia municipal[v],

 

O Couto de Dornelas era, assim, um dos inúmeros concelhos portugueses. Por todo o território existiam imensos concelhos que eram designados por cidades, vilas, concelhos, coutos e honra[vi]

 

No “reino” de Barroso, também essa complexidade se manifestava. Para além do Couto de Dornelas, de jurisdição eclesiástica, existiam também os Concelhos de Ruivães e Montalegre, pertencentes a Sereníssima Casa de Bragança, assim como as honras de Gralhas, Meixedo, Padornelos, Vilar de Perdizes, Padroso e Tourém, e os lugares místicos de Santiago, Rubiás e Meãos, em terras da Galiza e Trás-os-Montes, governados em simultâneo por dois Juízes ordinários, um de cada reino.

 

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Espertina

O Couto de Dornelas e a Câmara

A Câmara

Como senhor do Couto de Dornelas era ao Arcebispo, ao Cabido, Sé Vacante, que competia o exercício de toda a jurisdição cível e crime[vii]. Nas suas terras, não entrava nem Corregedor, nem os funcionários régios. O Governo do couto era feito pela câmara, composta de quatro membros a saber: o Juiz Ordinário, dois Vereadores e um Procurador. Eleitos pela assembleia do povo, eram os Vereadores e o Procurador escolhidos de entre homens de boa consciência e, naturalmente, com alguns haveres. Exigia-se que os homens que deveriam andar na câmara fossem dos mais ricos e importantes na terra. Os homens dos ofícios e os mais humildes não podiam exercer estes cargos. Num couto de pequena dimensão territorial, com uma economia muito débil, como o de Dornelas, era natural que esta disposição não pudesse ser integralmente cumprida, exigindo uma maior rotatividade nos cargos, por carência de homens com qualidades para pertencer à câmara.

 

O mandato era anual, não podendo os eleitos exercê-lo nos dois anos seguintes.

 

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Espertina

Competia ao Juiz Ordinário, aos Vereadores e ao Procurador, exercer funções administrativas, económicas, judiciais e fiscais. O Juiz Ordinário tinha funções administrativas e judiciais, podendo julgar em primeira instância pequenos delitos. Como não tinha formação jurídica, existia no concelho um escrivão com formação em direito, que assessorava o Juiz Ordinário. É provável que no Couto de Dornelas o corpo de oficiais fosse reduzido, mas mesmo assim haveria um tabelião e um escrivão. Competia também à câmara velar pelo território sob a sua alçada e pelas suas gentes. Aos vereadores competia fazer as posturas, administrar os bens do couto, regulamentar o trânsito de mercadorias, feiras e mercados, cuidar do abastecimento de bens de consumo, construir e reparar pontes e estradas, promover o recrutamento militar, vigiar os pesos e medidas, o pagamento dos tributos e manter a ordem pública.

 

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Espertina

0 quotidiano de Dornelas no tempo do Couto

A população do Couto de Dornelas foi crescendo ao longo dos séculos. Em 1506 0 couto de Dornelas, aparecia no censual de D. Diogo de Sousa, com 29 moradores, e em 1530 com 39 moradores[viii]. Ocupava-se naturalmente da agricultura que, nos meados do século XVIII era, juntamente com a criação de gado, o suporte principal da comunidade. A indústria era artesanal e para o consumo dos elementos do grupo doméstico.

 

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Espertina

A imagem da sociedade que o juiz demarcante Columbano P. Ribeiro de Castro nos dá para o ano de 1796 (ver quadro infra), ilustra bem que a maioria da população se dedicava à agricultura, donde 44 indivíduos eram lavradores na vila e termo do Couto. Os restantes habitantes repartiam-se pelas actividades ligadas a vida da comunidade. Havia o barbeiro, alguns jornaleiros e as restantes profissões indispensáveis para que a comunidade fosse auto-suficiente: carpinteiro, pedreiro, sapateiro, ferreiro. Havia 4 clérigos, todos sediados na Vila. Como se vê, não aparece neste quadro algum nobre fidalgo ou aristocrata, o que não surpreende, uma vez que os nobres e fidalgos se refugiavam nas vilas e cidades ou mesmo junto da Corte régia. O poder de governar o couto estaria nas mãos de alguns lavradores/proprietários que exerceriam os cargos de Vereadores e Procurador em rotatividade. Eram cargos muito exigentes e desgastantes, que não compensavam nem conferiam estatuto, para que pudessem ser objecto da avidez da aristocracia fidalga, como acontecia nos concelhos poderosos e ricos. Por isso, os nobres viviam em Braga ou junto da Corte Real.

 

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O Couto de Dornelas era do domínio do Arcebispo de Braga, por isso o domínio directo da terra permanecia no senhor, mas o domínio útil andava nos moradores, muitas vezes como rendeiros, pelo qual pagavam o respectivo foro. Havia enormes áreas de terrenos incultos, os baldios, e superfícies de aptidão agrícola agregadas em parcelas e jeiras que formavam as herdades ou casais. Nelas se cultivava principalmente o centeio, algum trigo e algumas hortas, vinha nas terras mais propicias, para além dos lameiros. Note-se que o couto de Dornelas tinha um território baldio pouco extenso, de tal forma que os povos tinham que pagar um tributo a Montalegre, que nos meados do século XVIII era de 30 000 réis pagão no cabeção das sizas, para poder pastar os seus gados nos maninhos do concelho.

 

Grande parte da população ocupava-se do trabalho da terra. Constituída por rendeiros, caseiros e colonos, todos entrariam na categoria de lavradores, ainda que o nível de dependência fosse diferente de uns para outros. Com contratos de prazo perpétuos ou em vidas e rendas mais estáveis, assim se conseguia um estatuto mais independente ou não. A repartição da terra andava naturalmente associada ao estatuto dos lavradores. Os maiores arrendatários teriam um estatuto mais elevado, que lhes conferia maior poder e influência social. Era esta relação de posse (com bens de prazo) e a dimensão da propriedade que definiam o estatuto, numa sociedade essencialmente agrária como a do Couto de Dornelas.

 

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*José M.A.Mendes, Trás-Os-Montes nos Fins do século XVIII, , INIC, Coimbra, 1981

** Note-se que no ano de 1796 não aparece Espertina nem Gestosa nos domínios do Couto e freguesia de Dornelas, mas tudo indica que é uma falha de informação pois em 1758 cerca de 30 anos antes Gestosa vem referida como aldeia de Dornelas. Quanto a Espertina é provável que ainda não existisse como povoação.

 

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Gestosa

No quadro supra pode observar-se em detalhe a actividade profissional da população do Couto, que nos dá um retrato bem representativo de uma comunidade onde a agricultura e a criação de gado são, efectivamente, as actividades estruturantes do seu quotidiano, onde não faltam as profissões complementares típicas que auxiliam a sobrevivência e contribuem decisivamente para uma autonomia que, mais que desejada, é indispensável à sobrevivência destas comunidades do interior transmontano.

 

É um quadro económico e social que apenas poderia sobreviver com estratégias de convivência comunitária, que justificam a existência dos bens comunitários e das regras de convivência e entreajuda, que as autoridades do couto cuidavam de regular e fazer cumprir.

 

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Gestosa

Fim da 1ª parte

Devido ao tamanho do post, tem de ser publicado em duas partes. A segunda parte está no post seguinte.

 

 

05
Jun22

O Barroso Aqui Tão Perto - Freguesia de Dornelas - 2ª Parte

Boticas - Barroso

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O Barroso aqui tão perto - Freguesia de Dornelas - 2ª Parte

 

UM DOCUMENTO DE 1758

No ano de 1758 o Rei D. José, através do seu ministro Marquês de Pombal, desenvolveu um inquérito a todas as paróquias do Reino de Portugal continental que hoje se encontram no IAN/TT.

 

Este inquérito, que foi respondido pelos párocos das freguesias era composto de três partes. A primeira parte, respeitante á paróquia onde se tratava de saber da sua história, produções agrícolas, população, instituições locais, igreja e capelas com suas devoções e romagens, a segunda tratava dos rios e ribeiros que nela existissem, assim como das levadas e represas, moinhos e pisões, e a terceira perguntava pela serra e por todas as suas caracteristicas, se tinha lagoas e nascentes, monumentos, capelas, caça e árvores.

 

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Gestosa

É graças a este inquérito que se pode obter uma visão mais ou menos completa de como era a freguesia e o Couto de Dornelas, nos meados do século XVIII como abaixo se vê. Esta memória paroquial é particularmente importante na informação que dá sobre o funcionamento do couto e da sua economia que mais tarde viria a ser complementada pelo levantamento feito por Columbano Pinto de Castro no ano de 1796 do qual se extraiu a informação que permitiu a construção do quadro atrás analisado.

 

Breve cópia de relação e fundação deste Couto de Dornelas da comarca de Chaves, do Arcebispado de Braga Primaz das Hespanhas.

interrogatório

Fica este Couto na Província de Trás-os-Montes, confronta pela parte do Sul e a Poente com a província do Minho. No espiritual pertence a comarca de Chaves e ao Arcebispado de Braga Primaz. O seu termo compreende somente uma freguesia que tem por orago o Apóstolo São Pedro.

 

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Gestosa

É esta freguesia Couto dos senhores arcebispos de Braga, por doação e mercê que dela lhe fez o Senhor Dom Afonso Henriques, primeiro rei de Portugal. O motivo que para isso houve foi o seguinte: no tempo em que Senhor Conde Dom Henrique da Litoringia, com o seu célebre esforço andava na expulsão dos Sarracenos, que nesse tempo ocupavam estas terras, ao chegar a esta terra os encontrou tao fortificados que combatendo-os em vários combates não conseguiu destruir a praça ou muralha em que se achavam fortificados no que chamavam a cidade de Genestota, vocábulo que se transformou em Genestoza. Vendo-se o Senhor Conde D. Henrique neste conflito recorreu a Deus prometendo esta terra a Virgem Santíssima Nossa Senhora Santa Maria do Hospital. E assim que fez a promessa os tomou a combater e logo os venceu, assolou e destruiu. E não podendo por em execução, a promessa que linha feito, até as portas da sua morte, encontrando-se na cidade de Astorga no reino da Galiza, ali mandou chamar seu filho o Senhor Afonso Dom Henriques, lhe disse e pediu que lhe cumprisse aquela promessa a Nossa Senhora, dando-lhe aquela terra. Como lhe tinha prometido, o Santo Príncipe executou-a quando lhe foi possível, a ela veio ele próprio na companhia do senhor Dom Plázio Arcebispo de Braga e a deu e doou a Nossa Senhora na forma seguinte: Em nome do Pai e do Filho e do Espirito Santo. Eu servo de Deus o infante Dom Afonso Henriques faço, dou a Santa Maria e àquele hospital de Dornelas para remédio da minha alma ou dos meus parentes e é aquele couto terminado em primeiro lugar a Lucenciam e depois (vai) à Portela Figueiras que depois (vai) ao Penedo (Pena Boa) depois à carvalhosa depois a Mossa de Subverso depois à Fraga da Graça (Graçalios) depois a Pena Petrovili depois Arco (Arcem) de Lagena, depois ao Couto de Cividade de Genestosa a Lucencia onde iniciamos; tudo o que dentro deste couto pertence ao império real tudo isso pagamos, disto foi feito por mão do Senhor Paio (Mendes) Arcebispo da Sé de Braga. E se algum homem vier ou virmos que este (instrumento) feito nosso tentar infringir primeiramente seja excomungado e mal pague uma libra de ouro e este nosso instrumento feito nosso permaneça firme. Eu Infante Dom Afonso confirmo pela minha mão este Couto a que foram presentes Paio testemunha, Pedro testemunha, João testemunha, Gongaio testemunha, Rodrigo testemunha, Egas Moniz confirmo Ermigio Moniz confirmo Gomezio Mendes confirmo Gueda Mendes confirmo... Couto que fez o Infante Dom Afonso a Santa Maria e ao Hospital de Dornelas. Em nome do Pai e do Filho e do Espirito Santo eu servo de Deus, Infante Dom Afonso, faço couto dou a Santa Maria e aquele Hospital de Dornelas para remédio da minha alma ou dos meus parentes e é aquele couto terminado (limitado) por todos os seus vizos que são no circuito tudo o que dentro desse couto e pertence ao império real tudo isso é pago e isto foi feito por mão do Senhor Paio Arcebispo da Sé Bracarense que se algum homem vier que este couto tentar infringir primeiramente seja excomungado e pague uma libra de ouro é este nosso instrumento permaneça firme. Eu Infante Dom Afonso neste couto com a minha mão roboro (confirmo) Paio testemunha, Pedro testemunha, João testemunha, Gonçalo testemunha, Rogus (sic) testemunha, Egas Moniz confirmo Ermigio Moniz confirmo Mendes Moniz confirmo, Mendes Moniz confirmo, Gomes Mendes confirmo, Geda Mendes confirmo, Mendo presbítero escreveu...

 

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As quais doações aqui copiei de uma certidão autêntica que em meu poder tenho e foi tirada autênticamente do arquivo da Sé Primaz de um livro que nele se acha intitulado Tomus tertius Rerum Memorabilium as folhas cento e oitenta e três até ao cento oitenta e cinco, como da mesma certidão mais largamente consta Este couto não paga dízimos nem promissa de frutos alguns que colha. Mas, em seu lugar paga quinze arrobas de cera amarela, todos os anos, à Mitra Primaz de Braga para o que houve Bula Pontifica por contrato e ajuste que fizeram os moradores dele com o Senhor Arcebispo, que a tradição foi o Senhor D. Frei Bartolomeu dos Mártires.

 

Não pagam siza de compras nem vendas dos bens no dito Couto, mas por ser muito pequeno o seu termo e não poderem os moradores dentro criar os seus gados, para os pastarem fora pagam trinta mil réis em cada ano ao cabeção da siza da vila de Montalegre, vão-na entregar a Vila Real e lá tiram paga dela.

 

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Lousas

4°. Tem este Couto e freguesia cento e sete fogos e quatrocentas é nove pessoas. Destas acham-se absentas quarenta e sete.

 

interrogatório - Está este Couto situado entre montes a toda a volta pelas suas divisões. Dele para fora não se avistam povoações para parte alguma por ficar baixo, razão porque é muito doentio e sujeitos os frutos a tolherem-se com a geada.

 

interrogatório — Consta esta freguesia de seis lugares, a saber: Vila Grande que é a cabeça do concelho e freguesia, Antigo, Vila Pequena, Gestosa, Lousas e Casal de Guimbroa. Que todos são do termo e distrito do Couto mesmo que assim o não queiram conceder os Abades da igreja de Santa Maria de Covas do Barroso, pois movendo estes demandas a alguns moradores do Antigo e outros de Gestosa pedindo-lhe dízimos dos seus campos. Por conclusão, o Couto foi demarcado no ano de mil setecentos e três na presença do Doutor Ouvidor e Procurador Geral da Mitra, justiça e Câmara do Couto, justiça e Câmara de Cabeceiras de Basto, justiça e Câmara da Vila de Montalegre e todos os povos circunvizinhos.

 

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Lousas

Concluindo o acto de demarcação, tomou, o que então era abade de Covas, a meter-se com palavras fribulas e sophislicas com os moradores de Gestosa e se tornou a meter de posse de alguns bens do dito lugar, entrando a obrigar os pobres moradores pelos dízimos em que os trouxe muitos anos debaixo de censuras, pondo-os na mais consternação que considerar se pode e os compelio, pela posse que intrusamente tomou, a pagarem dízimos do que nunca se pagou pois até aquele tempo se nado pagava no dito lugar de Gestosa sanjoaneira e agora a pagam mas contra a razão pois avista das doações acima foi este povo a causa de se fazer este Couto.

 

Está tão próxima a fortaleza em que os mouros se fortificaram e resistiram ao Conde o Senhor Dom Henrique, que do alto dela se chega com uma pedra de funda às casas do mesmo povo. Este conservando ainda o nome da antiga cidade Genestoza, ainda vendo-se pelas casas antigas do mesmo povo e paredes dos campos feitas e lavradas que bem mostram ser de antigas habitações. E sobretudo da doação se vê claramente o que o Senhor Dom Afonso deu a Nossa Senhora pois diz a primeira doação nesta parte falando usque ad cautum civitatis Genestosa (até ao da cidade de Genestosa); e porque algum dia poderia haver dúvidas como há, declarou a sua vontade e atenção na segunda doação, que logo fez, onde diz: per suos vizus qui sunte in circuitu (por seus vizinhos que estado ao redor) donde claramente se vê pois ficam em roda deste Povo e seus campos para a parte do norte e entre norte e nascente este monte que é ramo da serra das Alturas. Pela parte do norte se chama o Mourisco e decaindo para o nascente se chama ainda hoje a Luzenga que é até onde aquele sempre memorável Príncipe doou a Nossa Senhora e aos Senhores Arcebispos de Braga. E assim se devem entender as doações acima sobreditas, eu assim o entendo e afirmo pelas ordens que professo.

 

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Lousas

interrogatório - A igreja matiz deste Couto acha-se situada no lugar de Vila Grande, dentro do corpo do lugar, mais pendente para a parte do Nascente, entre as casas dos moradores e tem a residência do pároco dentro do adro dela.

 

Interrogatório - Tem por orago e padroeiro o Apóstolo São Pedro, esta colocado no altar-mor da mesma igreja. Tem mais no mesmo altar, na parte da Epístola Santo António e São Libório, ambos em vulto e da parte do Evangelho o padroeiro São Pedro e o da Senhora do Pilar, todos em vulto.

 

Tem mais três altares colaterais, dois encostados ao arco da capela-mor e um metido de acostam da parte do sul. No da parte do Evangelho é padroeira nele Nossa Senhora da Conceição. Tem mais a parte da Epístola São José e a do Evangelho Santa Ana, todos em vulto. O altar da parte da Epístola é intitulada de São Sebastião tem o mesmo Santo em vulto e o menino Deus da mesma sorte; o que esta na costam da igreja intitula-se o altar das Almas.

 

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Lousas

Estão neles pintadas e retratadas, em penas no meio do altar está um Senhor pregado numa cruz de bastante grandeza. Todos estes Santos são festejados no seu dia com uma missa cantada organizada por mordomos.

 

Há nesta igreja o sacrário do Santíssimo Sacramento colocada no meio do Altar-mor. Tem renda para sua subsistência e fabrica, que não sei ao certo o que pouco mais ou menos será quinhentos mil réis. Tem uma irmandade das Almas debaixo da proteção do Santíssimo Sacramento. Terá até duzentos irmãos e de casco até seiscentos mil réis pouco mais ou menos. O Santíssimo Sacramento venera-se no dia do Corpo de Cristo com exposição, missa cantada e sermão. Não tem esta igreja naves.

 

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interrogatório - O pároco desta freguesia tem o título de Vigário, é colado, o seu padroeiro e o Senhor Arcebispo. Esta igreja é uma das da sua Camara da Mitra Primaz, tem de estipéndio seis mil e quinhentos réis. Rendera de um ano para outro setenta mil réis pouco mais ou menos.

 

9 Interrogatório — Não há que responder. Nem também ao décimo, décimo primeiro e décimo segundo pois não há nada do que nestes quatro se pergunta.

 

13 Interrogatório - Tem esta freguesia cinco capelas. Uma de São Caetano na lugar do Antigo, junto ao povo, colocada ao pé da estrada que vai da Vila Grande, Cabeça desta freguesia, para a vila de Chaves. Os seus moradores o festejam no seu dia com missa cantada sempre e sermão alguns anos. Tem a mesma capela uma imagem em vulto de Nossa Senhora da Guia que também se festeja muitos os anos, aos 15 de Agosto, com missa cantada e sermão. Não tem fábrica nem rendimentos alguns. Tem mais outra capela no lugar de Vila Pequena com o título de Nossa Senhora das Neves, é Senhora milagrosa, a ela concorrem no seu dia alguns romeiros dos povos circunvizinhos. Seus moradores fabricam a capela e festejam a Senhora com missa cantada e sermão todos os anos.

 

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Vila Grande

Tem os moradores do lugar da Gestoza outra capela com o orago de Nossa Senhora do Bom Despacho e o São Bento, ambos em vulto. Fabricam os seus moradores a tal capela e veneram o Santo com missa cantada todos os anos e em alguns também há sermão.

 

Os moradores do lugar de Lousas tem também capela com o orago de São Marcos, veneram-no no seu dia com missa rezada, porém em alguns anos é cantada. Tem outra capela, no monte de {Terreiro} junto a estrada que vem de Chaves para o Couto, com o título de Santo Antão. E muito antiga e conta a tradição que foi igreja matriz ainda no tempo dos mouros. O que parecia ser provável antes de se reconstruir porque tinha a forma de corpo de igreja e capela-mor, tudo muito pequenino e com o seu adro à volta tapado. Hoje reconstruiu-se de novo a fundamentis com esmolas de algumas benfeitorias e outras que os seus devotos lhe oferecem. E um Santo milagroso para os animais. Como já disse, esta capela fica no monte de Terreiro, defronte a igreja matriz deste Couto, no seu termo e a ela pertencente como todas as que tenho feito menção neste interrogatório.

 

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Vila Grande

Interrogatório — Colhe-se nesta terra centeio, milhão, milho-alvo e painço, vinho e castanha, mas o que mais é abundante é o centeio e a castanha. Mas nem por isso deixam os moradores de comprar pão, quase todos, por se lhe tolher muito com a geada e ser muito apertada a terra que se fabrica.

 

interrogatório — É este Couto de Dornelas da Mitra Primaz, como tenho dito, e todas as suas justiças são postas por ela. Tem juiz ordinário e dos órfãos, vereador e procurador que são eleitos pelo Doutor Ouvidor de Braga. Tem a sua carta de ouvir, estes elegem a Câmara para o que têm o seu escrivão que serve todos os ofícios do publico, judicial, notas, órfãos e câmara. Também estes ofícios são dados pelos senhores Arcebispos de Braga, a quem pertence tudo no espiritual e temporal! dentro deste Couto.

 

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Vila Grande

Interrogatório - Já respondi.

 

interrogatório — Não tenho que dizer.

 

interrogatório — Não tenho que responder.

 

 interrogatório — Não tenho que dizer, só que não há correio e se servem, os moradores deste Couto, de muitos conforme o negócio para onde escrevem. O mais comum é pelo de Cabeceiras de Basto, que fica onde chamam a Rapozeira. Dista quatro léguas deste Couto, nado sei ao certo o dia que parte nem até onde chega.

 

interrogatório - Dista este Couto da cidade de Braga, capital do Arcebispado, dez léguas, e de Lisboa sessenta e seis, oiço dizer, mas nunca aí passei, nem sei ao certo.

 

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Vila Grande

interrogatório - Já no princípio desta breve relação dei conta e copiei as doações deste Couto, agora só me resta dizer que os moradores dele têm obrigação não só de fabricar o corpo da igreja matriz, mas também a capela mo re ornamentá-la com todo o necessário, dar a paga ao pároco, camo disse no ponto 8 e fazer aposentadoria ao Reverendo Visitador quando vem visitar esta igreja. E não tem para ela mais do que três mil réis e isto esta disposto por decreto do senhor Arcebispo inquisidor Geral passado no ano de mil seiscentos e setenta e seis e depois confirmado por outros prelados. E se o Reverendo Visitador gastar mais o repõe ou perde o juiz da freguesia que é o que esta obrigado a fazer aposentadoria.

 

Antigamente tinha a justiça e Câmara deste Couto a regalia e prerrogativa de nomear o pároco para esta igreja, era cura de São João a São João. Os senhores Arcebispos de Braga, por distúrbios que nisto havia, lhe tiraram esta liberdade e puseram encomendados na igreja cinquenta anos. E depois, a deram colada, haverá trinta e oito anos que segue a natureza de colada e se tem dado a três párocos. Não tenho mais coisa alguma que responda e este interrogatório nem aos mais que se seguem até ao número 27.

 

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Tratado segundo das serras e montes que se encontram a volta do Couto e na sua jurisdição, reduzido tudo a um.

 

Principiando pela parte do Norte a esta parte fica a Serra das Alturas. Desta descem dois ramos, um que desce entre Vilarinho Seco, que é lugar da freguesia das Alturas, e a Ribeira de Gestosa pela parte do Nascente e chega até direito do lugar de Agrelos que é povo da freguesia de Santa Maria de Covas de Barroso. Terá esta serra meia légua de comprimento. E infrutífera, não produz mais do que urzes. Tem muita pedra que fora da terra se estão vendo e são de má qualidade, pois são de sua natureza bravas, duras e ásperas, mas da gram branca. Esta serra é por natureza seca e não produz ervas medicinais conhecidas. A esta serra chama-se Luzença, outros chamam-lhe a Costa por ficar muito ao cimo para quem vai da Giestosa para o supracitado lugar de Vilarinho.

 

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Vila Pequena

E a outro braço da serra das Alturas vem pela parte do norte discorrendo para o poente, chama-se o Mourisco e outros chamam-lhe a serra da Carvalha. Vem esta serra dividindo o Couto, e o seu termo, do de Montalegre e acaba onde lhe chama a Ganidoura, ou ponte das Barjas. É de sua natureza seca e muito fria e no Inverno acha-se muito tempo coberta de neve. Não produz árvores nem ervas medicinais, mas sim muitos lobos que nela se criam pela sua aspreza. Tem matos, urzes e pedras, tem e aí cria alguns coelhos e perdizes. Não produz senão centeio em algumas partes mais abrigadas.

 

Defronte a este monte da Ganidoura, olhando em volta se vê e segue-se o monte do Mugadouro que fica ao Poente aos moradores do Couto. Deste nasce um braço que vem pelo Couto abaixo pela parte do Sul.

 

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Vila Pequena

Esta serra no seu inicio chama-se a Pedradeira, por onde vem a estrada de Basto e Salto para o Couto. Finda esta serra dentro do mesmo Couto onde chamam a Figueira da Cabra. Tem de cumprido uma légua. Esta serra produz muita colmeia, tem muita castanha e vária caça como javalis, corgas, coelhos, lebres, perdizes e também lobos; dizem-me que nela se tem visto algumas vezes gamos e veados.

 

 Em conferência desta serra sobredita corre igualmente outra que se chama a Lomba de Melcas, que faz a divisão do termo do Couto do concelho de Cabeceiras de Basto, cujo termo vai pelo cume, ou serro da serra abaixo e vai findar o termo com a serra onde chamam o Mosteiro que é um porto onde se passa deste Couto para o lugar do Penedo, da freguesia de Gondiães do concelho de Cabeceiras de Basto. Esta serra tem a mesma natureza, comprimento e caça que a de cima e ambas correm de Poente para Sul, iguais na altura e no comprimento.

 

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Vila Pequena

Este Couto tem mais um monte da parte do Nascente que fica defronte aos lugares dele e encobre a vista a todos os lugares e terras circunvizinhas. Este defronte ao lugar do Antigo, chama-se Terreiro é onde esta a Capela de Santo Antão a que já fiz menção.

 

Em seu lugar, e subindo mais ao alto do monte se chama Pinheiro o  qual é por uma e outra parte do termo do Couto. Fica entre Nascente e Sul aos moradores do lugar de Giestosa. Tem este ao pé de si outro monte chamado o Crasto que foi onde os mouros se fortificaram para resistirem aos seus adversários. É este monte redondo, pequeno e descortinado da parte do Poente, Norte e do Nascente lhe fica o monte Pinheiro que o cobre e defende.

 

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Vila Pequena

 

Esta fortaleza, ou monte Castro, foi murada com três ordens de muralhas: a primeira cerca-o pelo meio em roda, a segunda mais acima coisa de quarenta passos, e a terceira em todo acima em toda a roda e terá de comprimento de Norte a Sul cem passos e de Nascente a Poente cinquenta. Hoje se acham os seus muros quase que todos arruinados, mas ainda se vêem os seus fundamentos e em algumas partes se acha ainda parte dos mesmos muros. No cimo desta muralha para a parte sul descobre-se uma porta, que oiço dizer por tradição, que é uma estrada falsa que eles tinham feito para ir buscar água a um ribeiro que passa a beira da fortaleza, mas to fundo que são mais de seiscentos passos de onde se divisa a porta abaixo ao ribeiro.

 

Este monte é todo fragoso. Esta ainda cheio de pedras virgens que nunca foram movidas nem quebradas. [Não há] em todo este monte, nem dentro da fortaleza, vestígios de ter existido casa alguma, Está todo coberto de urzes e matos, não tem arvores em si e só o redor está povoado de castanheiros, dos moradores daquele lugar. Que eu saiba, nenhum dos montes acima tem minhas, nem ervas medicinais, nem águas com virtudes especiais de que se possa fazer menção.

 

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Festa do S. Sebastião

 

Terceiro tratado, dos rios e suas propriedades.

 

Tem este Couto três regatos. Um nasce e começa onde chamam Rebordelos, do distrito e termo do lugar de Vilarinho Seco das Alturas. Nasce muito pequeno e assim vem descendo pela ribeira do lugar da Gestosa. Os moradores dos dois lugares de suas águas livremente para cultura dos seus campos, para regar os frutos e as suas ervas. Este regato corre de Norte para Sul, tudo por terras do Couto e seu termo, vai passando à beira de Vila Pequena onde os moradores também se serve dele usando as suas águas para limar os prados e regar os frutos dos seus campos; depois vai-se meter e incorporar o que vem de Cerdedo entre o lugar do Antigo e a Vila Grande. Tem este regato uma ponte de pau onde chamam o Troviscal, que fica no caminho que vai da Gestosa para Vilarinho Seco do termo e concelho de Montalegre; tem outra ponte de pau onde chamam o Sabugueiro, abaixo da Giestosa na estrada que vai para Vila Pequena; tem outra mais abaixo onde chamam a Telhada entre vila Pequena e um monte chamado a Gramela; Tem outra entre Vila Pequena e o Antigo no sitio a que chamam Candelas; tem outra entre Vila Grande e Antigo no sítio chamado Porto Carreiro, todas de pau e todas nas estradas que vão de uns lugares para os outros. Tem este ribeiro seis moinhos negreiros que só no inverno moem, por falta de águas, no Estio descansam.

 

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Festa do S. Sebastião

 

O ribeiro que de Cerdedo desce entra neste Couto no sítio onde chamam as Varges e desce por montes bravos até onde chamam a Codeçosa e assentando aí o seu curso vai brandamente correndo regando os prados dos moradores de Vila Grande que usam também [as suas águas] para regarem os frutos dos campos. Vai correndo em roda e cercando os campos do dito lugar até vir incorporar com o que vai da Gestosa, onde chamam o Espinhagal e juntos ambos seguem o seu curso até se juntarem com outro que vem do lugar de Agrelos, a que chamam Rumião. Juntos vão correndo, fazendo a divisão entre o Couto e o termo de Montalegre até onde chamam o Mestras, que juntos ai com o rio chamado Beça vão as suas águas parar ao rio Tâmega no sítio chamado Ponte de Cabes (sic, por Cavez).

 

Tem este rio que vem de Cerdedo uma ponte de pau onde chamam a Fraga, outra onde chamam Tijosa, outra no sítio chamado Água Longa e outra desde que ambos se juntam, a que chama a Ponte do Antigo por ficar próxima daquele lugar. Este rio teve, noutro tempo, outra num sítio chamado Piagro Negro, num atalho que ia deste Couto para o lugar de Covas. Este rio tem alguns moinhos negreiros que moem todo o ano.

 

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Festa do S. Sebastião

 

Todos estes regatos trazem as suas trutas e bogas, nele não há pesqueiras nem poços de senhorio, geralmente [a pescaj é livre excepto nos meses de defeso.

 

Tem este Couto outro regato que nasce acima do Casal de Guimbroa e vem descendo a beira dos campos deste povo, correndo entre Poente e Norte, vem descendo pelos campos do lugar de Lousas, de que toma o rio o nome nome, chama-se rio de Lousas, e vai desaguar nos outros, que também nascem no Couto, no sítio onde chamam o Mosteiro. Este rio tem alguns moinhos negreiros. Traz e cria seus peixes como são: trutas, bogas e escalos. Os seus moradores usam livremente as suas águas para limar e regar os seus campos. Não sei que as suas águas tenham alguma propriedade rara de que se faça menção nem que em suas áreas se achem [faíscas] de ouro.

 

Isto é tudo quanto se me oferece a responder aos interrogatórios, que tudo é e vai na verdade e se necessário eu afirmo I juro in verbo sacerdotis.

 

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Festa do S. Sebastião

 

Couto de Dornelas, 18 de Março de 1758, o pároco desta igreja o padre José Pinto da Silva. Vai também assinada pelo revendo Abade de Cerdedo e pelo Reverendo Vigário de Gondiães, de cada um os seus nomes.

Abade de Cerdedo Vicente Ferreira de Alcantara

O Vigário Domingos Ferreira Alves

 

Referências documentais:

IAN/TT, Memórias Paroquiais, vol. 13, memória 27, fl. 157.

ADVR, Registo de Óbitos: 1871-1882. Total de Livros: 1.

I.I.P.: Castro de Giestosa/Castro do Souto da Lama; Pelourinho de Dornelas.

 

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Festa do S. Sebastião

 

TRADICÕES E FESTIVIDADES

Ao longo dos tempos, muitas das festividades que outrora animavam estas comunidades foram-se perdendo. Todavia, algumas resistiram a erosão dos tempos e continuam a realizar-se.

 

Ainda cantam os Reis. A Banda Musical de Dornelas dá a volta pelas aldeias a cantar os Reis. O que as pessoas oferecem é para a banda pagar o ordenado mensal ao seu mestre. Antigamente as pessoas juntavam-se em grupos a cantar os Reis.

 

“Abram-se essas portas

Que ainda não estão bem abertas

Que aqui vem os do presépio

Vem lhe dar as boas festas.”

 

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Festa do S. Sebastião

As pessoas costumavam dar ovos, chouriças, dinheiro. Com o dinheiro, mandavam rezar uma missa. O resto era utilizado, uns dias depois, para fazer uma função.

 

Todos os anos, no dia 20 de Janeiro, realiza-se aquela que é uma das mais importantes festas de cariz comunitário: a Mezinha de S. Sebastião ou Festa das Papas, como era inicialmente conhecida. As origens desta festa perdem-se nos tempos. Diz a memória popular que, aquando da segunda invasão francesa, em 1809, comandada pelo general Soult, o povo de Vila Grande avistou os soldados a passar numa estrada, a estrada velha, perto das aldeias do Couto de Dornelas e sabendo que por onde passavam, saqueavam tudo, imploraram a protecção divina.

 

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Festa do S. Sebastião

Pegaram na imagem de S. Sebastião, saíram com ele à rua, levaram-no até à torre da igreja e prometeram ao Santo que todos os anos realizariam uma festa em sua honra se as tropas não descessem até às aldeias. Eis que o milagre se deu, caiu uma grande nevada e as tropas passaram ao largo das aldeias e o povo, agradecido, cumpriu a promessa.

 

Existe também outra lenda de que esta festa se começou a fazer depois de uma grande peste que matou muitos animais na freguesia. Desesperadas, as pessoas pediram protecção ao Santo, prometeram-lhe que todos os anos fariam a festa em sua honra se os livrasse de tão terrível maleita. Feito o milagre, o povo cumpriu a sua promessa.

 

Certo ano faltaram ao prometido e não celebraram a festa, contam que por causa disso deu uma moléstia nas patas dos animais e, nesse ano, não os puderam utilizar para os trabalhos agrícolas. Em desespero de causa, arrependidos pelo incumprimento da promessa, imploraram novamente a protecção ao Santo e desde então para cá a festa tem-se realizado no dia 20 de Janeiro de cada ano.

 

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Festa do S. Sebastião

A organização desta festa, refeição comunitária, está a cargo dos mordomos, inicialmente os 9 maiores lavradores da aldeia de Vila Grande, os que tinham mais posses, num sistema de rotatividade entre eles.

 

São os mordomos, com a ajuda de familiares e amigos, que arranjam e preparam a comida servida na refeição comunitária (pão, carne e arroz). Dada a dimensão desta festa, tudo tem que ser preparado com muita antecedência. Por altura do Natal, andam pelas casas das aldeias da freguesia a recolher os cereais (centeio e milho) para fazer as broas. Em Janeiro, recolhem os restantes donativos: carne de porco (essencialmente peito e queixadas) e dinheiro para comprar o arroz.

 

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Festa do S. Sebastião

Além de procederem à recolha destes produtos, arranjam lenha para cozerem as broas e para cozerem os alimentos; e procedem à moagem dos cereais em dois moinhos locais.

 

A comida é confeccionada na “Casa do Santo”. Esta casa, construída para o efeito com o apoio da Câmara Municipal, tem uma cozinha com uma lareira, um forno grande, uma amassadeira eléctrica e uma sala para armazenar as broas.

 

Durante cerca de cinco dias e cinco noites cozem as centenas de broas que vão ser distribuídas ou vendidas no decorrer da festa. No dia 19, à meianoite, acendem o lume na lareira da “Casa do Santo”, à volta do qual dispõem mais de 20 potes de ferro com a carne partida aos bocados, a cozer. No dia 20, assim que toca o sino para a missa, colocam-se os potes com o arroz a cozer.

 

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Festa do S. Sebastião

Finda a missa, seguem em procissão com o Santo até à “Casa do Santo”, onde o padre procede à bênção do pão, da carne e do arroz.

 

Pode então iniciar-se a distribuição da comida. Na principal rua da aldeia, ao longo de centenas de metros, estão colocados os bancos de madeira, cobertos com alvas toalhas de linho – a mesa – onde, de vara em vara, será colocada a comida: broa e dois pratos de madeira, um com carne outro com arroz.

Esta refeição é para todas as pessoas que a ela acorram. Pratos e talheres cada um leva os seus, assim como a bebida para acompanhar tão salutares alimentos. Entretanto, o mordomo percorre a mesa dando o S. Sebastião a beijar e recolhendo as dádivas que cada romeiro queira oferecer ao Santo.

 

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Festa do S. Sebastião

Dizem que, por ser benzida, esta comida tem propriedades curativas; de tal forma que as broas podem-se guardar muito tempo que não criam bolor. Tais são os benefícios que lhe são atribuídos, que muitos são os que levam pedaços, senão mesmo broas inteiras, para casa, para comer ou dar aos animais para que não padeçam de maleita nenhuma.

 

São Brás, 3 de Fevereiro, Espertina. Este Santo é o padroeiro desta aldeia, assinalando-se este dia com uma missa.

 

O Entrudo, trazia muita alegria e folia como saudosamente recordam os informantes. Encaretavam-se e andavam pelas aldeias da freguesia, enfarinhavam-se e atiravam farinha a quem encontrassem pelo caminho. Hoje são poucos, essencialmente crianças e jovens, os que se vestem de caretos.

 

No dia de Entrudo as refeições são à base de carne de porco (orelheira, pés) e um petisco especial a que chamam o “Bucho do Entrudo”, enche-se o bucho de um porco com farinha (centeio, trigo ou milho) misturada com ovos, açúcar e há quem lhe misture também chouriço. Coloca-se num pote e coze-se. Depois serve-se cortado as fatias.

 

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Festa do S. Sebastião

 

Na Páscoa costuma realizar-se a visita pascal. Antigamente, nesse dia costumavam jogar os panêlos. Os jovens juntavam-se num grupo numa rua ou largo da aldeia, faziam uma roda e atiravam um panêlo uns aos outros. Perdia quem o deixasse cair.

 

São Marcos, 25 de Abril, Lousas. Assinalam o dia deste Santo, padroeiro da aldeia, com uma missa.

 

No S. João (24 de Junho) e no S. Pedro (29 de Junho) — Padroeiro da freguesia — faziam as tranquilhas das ruas com carros dos bois, paus e cancelas. Esta tradição acabou por desaparecer.

 

São Bento, 11 de Julho, Gestosa. Assinalam o dia deste Santo, padroeiro desta aldeia, com uma missa.

 

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Festa do S. Sebastião

Nossa Senhora das Neves, 5 de Agosto, Vila Pequena. Assinalam o dia dedicado a esta Santa, padroeira desta aldeia, com uma missa e procissão de andores, acompanhada com uma banda musical, pelas principais ruas da aldeia. à noite, a festa prossegue num animado arraial popular.

 

São Caetano, 7 de Agosto, Antigo de Dornelas. Assinalam o dia dedicado a este Santo, padroeiro desta aldeia, com missa.

 

Nossa Senhora dos Remédios, 17 de Agosto, Vila Grande. Assinalam esse dia com missa e procissão de andores, acompanhada com uma banda de música, pelas principais ruas da aldeia. A noite a festa prossegue com um conjunto que anima o arraial popular.

 

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Festa do S. Sebastião

 

Por altura das festas do final do ano (Natal e Ano Novo) costumam fazer as Fogueiras de Natal, reacendidas por altura da passagem de ano, a volta das quais as pessoas se reúnem e num ambiente de partilha e comunidade celebram o final de um ano de labutas e recebem o novo ano, mais um em que o ciclo se renova e a tradição perpetua.

 

Conclusão

 

Para concluir, apenas vamos deixar o nosso habitual vídeo, não com a totalidade das imagens que já aqui publicámos, de cada uma das aldeias da freguesia, pois cada aldeia teve o seu vídeo, mas um vídeo da freguesia com as imagens do post de hoje. Para rever os vídeos de cada uma das aldeias, a seguir ao vídeo de hoje fica um link para o post de cada aldeia da freguesia.

 

 

 

Agora os nossos vídeos também podem ser vistos no MEO KANAL nº 895607

 

Link para os posts das aldeias:

Antigo

Casal

Espertina

Gestosa

Lousas

Vila Grande

Vila Pequena

 

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[i] COSTA, Avelino Jesus, 1997 (2° Edição), O Bispo D. Pedro e a organização da Arquidiocese de Braga, vol. I, Braga, Ed da irmandade de S. Bento da Porta Aberta, p. 416

[ii] definição do tempo de D. Dinis citado por António Caetano do Amaral in, COSTA, J.Avelino, 1959, O Bispo D.Pedro II e a Organização da Diocese de Braga, Coimbra.

[iii] MENDES, J.M.A., 1981, Trás-os-Montes nos fins do séc. XVIII, Coimbra, INIC, pp. 376

[iv] MENDES, J.M.A., ob-cit., pp.377

[v] Alexandre Herculano considera que um dos factores da formação de alguns concelhos assentou na organização dos homens que se agruparam em comunidades concelhias com vista à sua liberdade pondo fim a servidão.

[vi] BORRALHEIRO, Rogério, 2005, Montalegre, Memorias e História, Ed. Câmara Municipal de Montalegre.

[vii] Os concelhos quase sempre preferiam depender directamente do Rei. Columbano Pinto Ribeiro de Castro, juiz demarcante da província de Trás-os-Montes conforme a lei de 1730, em 1796 propôs a extinção do Couto de Dornelas e a sua integração no Concelho de Montalegre porque a administração eclesiástica se tornara muito prejudicial a tranquilidade pública evitando-se as desordens que se praticão em semelhantes coutos.

[viii] FREIRE, Anselmo Braancamp, 1909, A Povoação de Trás-os-Montes no séc. XVI, Arquivo Histórico Português, Lisboa, pp272.

 

 

13
Mai22

Montalegre - Sexta-Feira 13

dia das bruxas

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Hoje é sexta-feira, dia 13 e como vem mandando a tradição, nas sextas-feiras 13, todos os caminhos convergem para Montalegre, exceção para os dois últimos anos de pandemia, mas a tradição está de regresso. Infelizmente não vamos poder lá ir, mas isso não impede de trazer aqui algumas imagens de anos anteriores, numa daquelas que é das maiores festas de rua da nossa região e Portugal. Aqui ficam algumas imagens de uma seleção de algumas imagens que temos em arquivo, não muitas, porque das vezes que lá fomos estivemos mais empenhados em viver a festa, em detrimento da fotografia.

 

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Já sei que a queimada é boa e umas bejecas correm bem, mas nestas coisas convém sempre recordar que, se beber… não voe!!!, mesmo porque há sempre quem esteja à nossa espera nas estradas de regresso a casa, também parece fazer parte da tradição…

 

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Quer vá ou não à noite das bruxas a Montalegre, ficam os desejos de bom fim de semana, e de preferência, sem ressacas.

 

 

29
Abr22

UM OLHAR SOBRE A PAISAGEM - DIA DE PRIMAVERA

Texto de Soledade Martinho Costa

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UM OLHAR SOBRE A PAISAGEM - DIA DE PRIMAVERA

 

De mansinho, como só ele sabe, o dia acorda a Primavera no azul da manhã. Mira-se ao espelho, no cristal das gotas do orvalho que a madrugada lhe deixou, e estende os olhos pelos campos sem fim. Verdes, tão verdes, assim, reflectidos no seu olhar de luz!

 

O Sol, seu companheiro de sempre, faz-lhe companhia. Na Primavera levanta-se mais cedo, liberto da preguiça de ficar escondido entre os lençóis do sono.

 

— Quero ver como vão as coisas lá em baixo, na Terra. Quero zelar por elas. Ajudar a terra a florir e a frutificar. Essa é a tarefa que me cabe cumprir – murmura ele. Portanto, deita mãos ao trabalho. Ou seja, afadiga-se a lançar sobre a terra a quentura dos seus raios para que a semente desponte, a flor tenha perfume e o fruto a doçura que o fará cobiçado.

 

— O Sol é um mágico! – segreda o canavial à brisa que passa.

— O Sol é um trabalhador cheio de coragem! – afirma o rio, na sua viagem sobre as pedras.

— O Sol é o irmão da Natureza! – acrescenta a macela a oscilar nos ramos.

— O Sol é um amigo de todos nós! – congratula-se o homem, que cultiva a terra, a imaginar a seara que há-de ceifar nos meados do Verão.

 

Mas como o dia tem de aproveitar o tempo, ei-lo a bater à porta das casas da aldeia, atento aos passos e às vozes; a saltar os muros de pedras sobrepostas, onde espreitam os tufos de conchelos e erva-moleirinha; a subir ao topo das serras, entre veredas de murta, verbenas e boninas.

 

As borboletas, as libélulas, as joaninhas, os besouros e as abelhas andam também numa roda-viva a saborear a liberdade que a Natureza lhes oferece.

 

— Bom dia! Bom dia! É Primavera! – repetem sem parar, deslumbrados com a beleza que os rodeia e curiosos de tanta novidade.

 

Aqui e além ouvem-se os grilos, as cigarras e os ralos, a desenferrujarem a sua música dos muitos dias de silêncio e merecido descanso. Nas hastes e nos tronos das plantas e das árvores rebentam os renovos, orgulhosos do vigor que fará a seiva correr com força redobrada nas suas raízes, adormecidas durante os meses frios do Inverno. É a vida que volta. Que começa ou recomeça. É o letargo interrompido. O sono que termina. O pousio que cessa. Daqui em diante, são os dias a encherem-se de sons, de aromas, de colorido. E também a certeza de que a Primavera não deixa nunca de nos maravilhar num repetido e sempre renovado canto!

 

Mas engalanados ficam também os moitões de tojo, a esconderem a aridez dos picos debaixo de um manto de florinhas de oiro. Numa mistura de cores, de formas e perfumes, fazem-lhe companhia os almeirões, juntinhos, a formarem tufos de flores lilases; os resmonos azuis, a confundirem-se com a flor do rosmaninho; a flor das estevas, olhar castanho-escuro a espreitar nas cinco pétalas translúcidas; o lilás das minúsculas flores da malva, pincelado em cada pétala com três filetes roxos, e o branco e o amarelo dos pampilhos a salpicarem o vermelho das papoilas. Tanta beleza, tanta, por esses campos a perder de vista! E um perfume sem par a respirar na aragem! Mas as casas… Ah!, as casas são as flores mais bonitas da paisagem!

 

Soledade Martinho Costa

 

Do livro «Histórias que a Primavera me contou»

Ed. Publicações Europa-América

Foto: Fernando DC Ribeiro (Aldeia de Morgade, Barroso)

Publicado em: https://www.facebook.com/soledade.martinhocosta/posts/5030100077077851

 

 

 

01
Abr22

O Barroso aqui tão perto - Montalegre

Um olhar sobre um trecho da Portela

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Como já vendo sendo habitual, às sextas-feiras vamos ter por aqui num dos posts do blog, a Vila de Montalegre, com posts mais ou menos elaborados um simplesmente com um olhar, sobre uma rua, um largo, uma igreja, o castelo, etc.. Assim, hoje ficamos apenas com um olhar de um trecho da Portela, ou a Portela na intimidade das suas ruas, na margem da sua rua, historicamente, principal.

 

 

 

27
Mar22

O Barroso aqui tão perto - Montalegre

Vila de Montalegre

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Desde já fica o aviso de que a nevada que se vê na foto não é de hoje, bem poderia ser, mas esta já se foi, há muito que caiu e derreteu, pois a foto é de fevereiro de 2014, mas como é um cenário que pode acontecer a qualquer momento e que eu saiba o largo é assim que existe, continua a ser uma imagem atual.

 

Um largo que é também uma imagem de marca de Montalegre e que bem poderia chamar-se o largo dos poderes, pois nele moram o poder político no edifício da Câmara Municipal de Montalegre, o poder judicial com o seu Palácio da Justiça e um outro poder, que embora não oficial é dos que mais manda, o poder económico, representado na praça pelo edifício da Caixa Geral de Depósitos, do qual se vê apenas uma nesga do seu edifício, à esquerda da imagem.

 

Imagem também de marca é o centenário carvalho, designado por Carvalho da Forca e que está considerada uma árvore de interesse público (D.L. 14/2006) que segundo consta na placa que repousa a seu pé, nele foi publicamente executado, em 18 de setembro de 1844, o último enforcado de Montalegre.

 

 

13
Mar22

O Barroso aqui tão perto - Vila Grande

Vila Grande - Dornelas - Boticas

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Sem qualquer desculpa, há algum tempo interrompemos a regularidade de trazer aqui as aldeias de Boticas. Para relembrar, antes da interrupção, andávamos por terras da freguesia de Dornelas.

 

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Temos abordado as freguesias por ordem alfabética, e dentro delas, seguimos a mesma metodologia. A última aldeia que tivemos aqui da freguesia foi Lousas, o que quer dizer que já tinham sido abordadas  as aldeias de Antigo, Casal, Espertina e Gestosa, daí, termos cá hoje a Vila Grande, ficando por abordar a Vila Pequena.

 

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Vila Grande – Dornelas - Boticas

 

Vila Grande que comummente por cá, em geral, é conhecida pelo Couto de Dornelas, tudo pelo antigo Couto que existiu na freguesia. Mas sobre o Couto de Dornelas, falaremos no post final da freguesia. Hoje abordamos a aldeia mas também a sua festa grande, que a torna famosa a nível nacional mas também lá fora, ou aqui mais perto na Galiza, também é conhecida, tudo por ser uma festa comunitária. Mais à frente também falaremos desta festa.

 

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Quanto à Vila Grande que também eu conhecia por Couto de Dornelas, foi uma das primeiras aldeias a conhecer no Concelho de Boticas, mas já foi há tanto tempo que na memória, quase só ficou o complicado que foi chegar até lá, então ainda por caminhos de montanha em terra batida e muito irregular.

 

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Decorria então o ano de 1975, quando tudo era possível acontecer e concretizar, quando um grupo de teenagers, penso que 12, todos rapazes, se juntaram e formaram um grupo de cantares de música de intervenção, à capela. Sei que a ideia surgiu num dia, no dia seguinte ensaiámos, e no seguinte já estávamos no palco dos “Canários”, com salão cheio a ouvir-nos cantar, onde fomos logo contratados para a uma atuação no Couto de Dornelas no fim-de- semana seguinte.

 

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O Grupo chamava-se GIEC, se bem recordo eram as siglas de Grupo de Intervenção Estudantil de Chaves, e só falo disto aqui porque a Vila Grande, além de nos ter recebido muito bem, teve a honra de assistir à uma das duas atuações que o grupo fez, depois de uma longa e dura viagem, principalmente a partir de Boticas, que fizemos distribuídos por três ou quatro carros.

Já lá vão quase 50 anos, e para além destas poucas memórias outras não há.

 

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Só anos depois é que soube da festa da Mezinha do São Sebastião que, confesso, me despertou logo o interesse de ir por lá ver como era. Festa que se realiza todos os anos no dia 20 de janeiro e que desde que me falaram dela queria lá ir, mas que por ser sempre dia 20, a maioria das vezes calha fora do fim de semana e que por essa razão, fui adiando, ou porque então ainda estudava e eram dias de aula ou porque depois já trabalhava e era dia de trabalho, e assim foi sendo adiada a ida ao São Sebastião da Vila Grande.

 

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Assim foi sendo adiada a verdadeira descoberta da Vila Grande até que fomos lá ao nosso primeiro São Sebastião, que aconteceu em 2010, mais para descobrir a festa comunitária, da qual ficámos fãs, com promessa de lá voltar nos anos seguintes, que só falhámos no ano de 2019 e 2021/22, nestes dois últimos anos por não se ter realizado por causa da pandemia.

 

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Fora do São Sebastião só fizemos por lá uma visita com um grupo de fotógrafos da Associação Lumbudus, em Maio de 2011 e algumas passagens mais recentes aquando do levantamento fotográfico das aldeias de freguesia de Dornelas. O que fica em imagem é uma seleção das fotografias da aldeia desde do ano de 2010 até 2020.

 

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E como chegamos até à Vila Grande? Pois para quem acompanha o blog e viu os posts de Espertina e Antigo, a Vila Grande fica logo a seguir a estas aldeias. Para quem viu os posts de das aldeias de Casal e Lousas, para lá chegarmos, tivemos que, obrigatoriamente, passar pela Vila Grande.

 

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Para que não viu nenhum dos posts atrás referidos, fica hoje a localização e o melhor itinerário para chegar à Vila Grande, que hoje, ao contrário da primeira vez que lá fomos, é muito fácil de lá chegar.

 

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Então, com partida da cidade de Chaves, como sempre, saímos da cidade pela N103 (estrada de Braga) até Sapiãos. Aí saímos da N103 em direção a Boticas que deveremos atravessar ou passar ao lado pela variante ao centro até encontrarmos o Centro de Artes Nadir Afonso, onde na rotunda, devemos seguir em direção a Ribeira de Pena, Cabeceiras e Salto pela R311 que, deveremos seguir passando por Quintas, e Carreira da Lebre, seguindo depois sempre pela R311 até nos aparecer o desvio à esquerda para Espertina e Antigo. Ficam os mapas e imagens aéreas para ajudar

 

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Um post normal terminaria mais ou menos por aqui, pois em imagens estaria, também, mais ou menos completo com imagens a representar a aldeia, mas falta-nos abordar a festa da Mezinha do São Sebastião, que é, sem qualquer dúvida, onde acontecem os momentos mais altos da aldeia, com milhares de visitantes a confirmar e validar esses momentos.

 

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Festa da Mezinha do São Sebastião  

 

Como já algumas versões diferentes, ou com algumas diferenças,  vamos deixar aqui aquela que consta na monografia de Boticas - PRESERVAÇÃO DOS HÁBITOS COMUNITÁRIOS NAS ALDEIAS DO CONCELHO DE BOTICAS. As imagens ficam pela ordem do decorrer dos acontecimentos, desde a chegada à aldeia manhã cedo, ao juntar do pessoal, à festa, a cerimónia religiosa e a distribuição dos alimentos ao longo da mesa colocada ao longo do arruamento principal da aldeia.

 

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Todos os anos, no dia 20 de Janeiro, realiza-se aquela que é uma das mais importantes festas de cariz comunitário: a Mezinha de S. Sebastião ou Festa das Papas, como era inicialmente conhecida. As origens desta festa perdem-se nos tempos. Diz a memória popular que, aquando da segunda invasão francesa, em 1809, comandada pelo general Soult, o povo de Vila Grande avistou os soldados a passar numa estrada, a estrada velha, perto das aldeias do Couto de Dornelas e sabendo que por onde passavam, saqueavam tudo, imploraram a protecção divina.

 

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Pegaram na imagem de S. Sebastião, saíram com ele à rua, levaram-no até à torre da igreja e prometeram ao Santo que todos os anos realizariam uma festa em sua honra se as tropas não descessem até às aldeias. Eis que o milagre se deu, caiu uma grande nevada e as tropas passaram ao largo das aldeias e o povo, agradecido, cumpriu a promessa.

 

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Existe também outra lenda de que esta festa se começou a fazer depois de uma grande peste que matou muitos animais na freguesia. Desesperadas, as pessoas pediram protecção ao Santo, prometeram-lhe que todos os anos fariam a festa em sua honra se os livrasse de tão terrível maleita. Feito o milagre, o povo cumpriu a sua promessa.

 

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Certo ano faltaram ao prometido e não celebraram a festa, contam que por causa disso deu uma moléstia nas patas dos animais e, nesse ano, não os puderam utilizar para os trabalhos agrícolas. Em desespero de causa, arrependidos pelo incumprimento da promessa, imploraram novamente a protecção ao Santo e desde então para cá a festa tem-se realizado no dia 20 de Janeiro de cada ano.

 

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A organização desta festa, refeição comunitária, está a cargo dos mordomos, inicialmente os 9 maiores lavradores da aldeia de Vila Grande, os que tinham mais posses, num sistema de rotatividade entre eles.

 

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São os mordomos, com a ajuda de familiares e amigos, que arranjam e preparam a comida servida na refeição comunitária (pão, carne e arroz). Dada a dimensão desta festa, tudo tem que ser preparado com muita antecedência. Por altura do Natal, andam pelas casas das aldeias da freguesia a recolher os cereais (centeio e milho) para fazer as broas. Em Janeiro, recolhem os restantes donativos: carne de porco (essencialmente peito e queixadas) e dinheiro para comprar o arroz.

 

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Além de procederem à recolha destes produtos, arranjam lenha para cozerem as broas e para cozerem os alimentos; e procedem à moagem dos cereais em dois moinhos locais.

 

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A comida é confeccionada na “Casa do Santo”. Esta casa, construída para o efeito com o apoio da Câmara Municipal, tem uma cozinha com uma lareira, um forno grande, uma amassadeira eléctrica e uma sala para armazenar as broas.

 

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Durante cerca de cinco dias e cinco noites cozem as centenas de broas que vão ser distribuídas ou vendidas no decorrer da festa. No dia 19, à meia[1]noite, acendem o lume na lareira da “Casa do Santo”, à volta do qual dispõem mais de 20 potes de ferro com a carne partida aos bocados, a cozer. No dia 20, assim que toca o sino para a missa, colocam-se os potes com o arroz a cozer.

 

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Finda a missa, seguem em procissão com o Santo até à “Casa do Santo”, onde o padre procede à bênção do pão, da carne e do arroz.

 

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Pode então iniciar-se a distribuição da comida. Na principal rua da aldeia, ao longo de centenas de metros, estão colocados os bancos de madeira, cobertos com alvas toalhas de linho – a mesa – onde, de vara em vara, será colocada a comida: broa e dois pratos de madeira, um com carne outro com arroz.

 

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Esta refeição é para todas as pessoas que a ela acorram. Pratos e talheres cada um leva os seus, assim como a bebida para acompanhar tão salutares alimentos. Entretanto, o mordomo percorre a mesa dando o S. Sebastião a beijar e recolhendo as dádivas que cada romeiro queira oferecer ao Santo.

 

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Dizem que, por ser benzida, esta comida tem propriedades curativas; de tal forma que as broas podem-se guardar muito tempo que não criam bolor. Tais são os benefícios que lhe são atribuídos, que muitos são os que levam pedaços, senão mesmo broas inteiras, para casa, para comer ou dar aos animais para que não padeçam de maleita nenhuma.

 

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Para finalizar o vídeo com todas as imagens da aldeia de VILA GRANDE que foram publicadas até hoje neste blog. Espero que gostem.

Aqui fica:

 

 

 

Agora também pode ver este e outros vídeos no MEO KANAL Nº 895 607

 

E quanto a aldeias de Boticas, despedimo-nos até ao próximo domingo em que teremos aqui a aldeia de Vila Pequena .

 

 

11
Mar22

O Barroso aqui tão perto - Montalegre

Vila e Portela

1600-montalegre (1500)

montalegre (549)

 

Nesta primeira imagem, a rua do Reigoso a subir para a vila da Vila de Montalegre, mas como todas as ruas que sobem, também descem em sentido contrário, e neste caso a descida é para a Portela, para onde queremos ir hoje e entrar.

 

1600-montalegre (1404)

 

Esta rotunda que, como todas servem para organizar o trânsito automóvel, neste caso serve também de “fonteira” ou “separara” a vila da vila de Montalegre e a Portela. A vila na parte mais alta de Montalegre, mais antiga e que se desenvolve em plano inclinado em direção ao castelo. A Portela, na parte mais baixa de Montalegre e que outrora teria sido um núcleo bem consolidado, mas já fora da vila. Claro que Montalegre também teve o seu crescimento natural e saiu da sua moldura histórica, a mais antiga e, vila e Portela são hoje um todo consolidado, rodeado da novas construções e novos bairros que foram surgindo à volta desse todo consolidado histórico e mais antigo.

 

1600-montalegre (1406)

 

Esta última imagem, da entrada na Portela para quem vem da vila, era e ainda é a rua principal da Portela, que assumiu esse mesmo topónimo, ou seja rua da Portela e que na prática passa pelo meio da Portela e era uma das saídas de Montalegre, a saída norte em direção à Serra do Larouco, e o contrário também é verdade, pois também era a entrada norte de Montalegre, todo ele Alto-Barroso que só termina na fronteira com a Galiza e com o concelho de Chaves.

 

 

25
Fev22

O Barroso aqui tão perto - Montalegre

Igreja do Castelo

1600-montalegre (948)

montalegre (549)

 

Iniciámos na semana passada estas visitas breves à Vila de Montalegre, que tal como então dissemos, iriamos trazer aqui em três momentos com: O Castelo, a Vila e a Portela. Sem que seja obrigatoriamente por esta ordem, embora hoje até fique aqui uma imagem do Castelo, mas vista desde o adro da Igreja Paroquial de Montalegre/Igreja do Castelo de Montalegre, que é essa a que hoje queremos realçar.

 

1600-montalegre (907)

 

E o realce fica, nem que seja e só, pela beleza desta igreja, não apenas pelo edifício em si, mas pelo conjunto do edifício e o seu enquadramento, com vistas privilegiadas para o castelo, para a Portela, para o rio Cávado e para a Serra do Larouco.

 

1600-montalegre (898)

 

É um dos locais que quase sempre visito quando vou por Montalegre, sendo também de visita obrigatória para quem descobre Montalegre, pois sem uma visita a esta igreja, a descoberta ficará incompleta, não só pela igreja, como atrás já realcei, mas também pelas vistas que desde o seu adro se alcançam.

 

1600-montalegre (953)

 

Para ficar a saber mais sobre esta igreja, fica um pequeno apontamento que retirámos da página Património Cultural da Direção-Geral do Património Cultural:

Arquitectura religiosa, maneirista e barroca. Igreja paroquial de planta longitudinal composta por nave e capela-mor, mais estreita, interiormente com tectos de madeira e iluminada axial e lateralmente. Fachadas em cantaria aparente, com cunhais apilastrados coroados por pináculos piramidais, e terminadas em cornija. A fachada principal termina em empena e é rasgada por portal de verga recta, moldurado, e óculo, e as laterais são rasgadas por vão no topo da nave, abrindo-se ainda na lateral direita porta travessa de verga recta e vão na capela-mor. Fachada posterior terminada em empena. No interior possui coro-alto de madeira, púlpito de bacia circular e guarda plena em madeira, pintada, retábulo lateral e dois colaterais maneiristas, em talha dourada de planta recta e um eixo ou três respectivamente. Arco triunfal de volta perfeita e na capela-mor retábulo-mor em barroco nacional, de talha policroma e dourada, de planta recta e três eixos. Possui separado, disposto lateralmente, campanário terminado em dupla sineira, seguindo o esquema comum das igrejas da região Barrosã.

(…)

séc. 16 / 17 - provável construção da igreja e do campanário;

 

 

 

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