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CHAVES

Olhares sobre o "Reino Maravilhoso"

29
Nov20

O Barroso aqui tão perto - Pinhal Novo

Al deias do Barroso do Concelho de Boticas

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PINHAL NOVO

 

Nesta rubrica de O Barroso aqui tão perto, vamos continuar até concluir, as aldeias da freguesia de Beça, ficando aqui hoje a aldeia de Pinhal Novo.

 

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Estivemos quase para não trazer aqui esta aldeia, e o porquê ou razão é muito simples, já a tínhamos abordado anteriormente neste blog, mas foi num post especial, um post conjunto dedicado a várias aldeias, mais precisamente às aldeias de Salazar da Colónia do Barroso da Junta de Colonização Interna, da qual Pinhal Novo faz parte. No entanto seria injusto não ter uma abordagem particular, mesmo porque no referido post conjunto foi integrada nos posts dedicados às aldeias do concelho de Montalegre, e embora o Pinhal Novo faça parte desse conjunto da colónia do Barroso, é a única que pertence ao concelho de Boticas, e como tal, terá aqui o seu post, incluindo o seu vídeo. Vai ser pouca coisa e tudo muito parecido, mas a aldeia também é pequena e as casas originais da aldeia eram e ainda são, mais ou menos,  todas iguais.

 

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Embora tenha aqui o seu post, não vamos repetir aquilo que já dissemos sobre ela, principalmente sobre a sua origem e história, ou melhor, vamos repetir sim, mas recorrendo ao que sobre ela dissemos no tal post especial dedicado às aldeias de Salazar da Colónia do Barroso, mas antes, vamos deixar aqui, muito resumidamente, a história da origem desta e das restantes aldeias e colónias internas de Salazar.

 

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O designado Estado Novo de Salazar cria em 1936 a Junta de Colonização Interna (JCI), que, em síntese, visava povoar as zonas mais despovoadas de Portugal, construindo nelas aldeias novas destinadas a colonos, aos quais seriam entregues grandes áreas de terrenos, sobretudo constituídos por baldios existentes, Ideia que na época, não foi bem aceite pelas populações locais, sobretudo porque eram elas que administravam esses baldios e que deles tiravam, o que para muitos era o seu único rendimento e áreas de pastagem, embora, teoricamente, para a ocupação dessas novas aldeias fosse dada a preferência à população local, coisa que não aconteceu, pois foram maioritariamente ocupadas por casais (condição necessária) de vários pontos de Portugal. No entanto, a pobreza e necessidade da época fez com que alguma população trabalhasse para a JCI na construção desses novos aldeamentos, com alguns boicotes pelo meio, como o de plantarem árvores ao contrário (com as raízes para cima), segundo rezam alguns documentos da altura.

 

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Ao todo a JCI projetou para Portugal 7 colónias internas, sendo as mais próximas a Colónia do Barroso e a do Alvão, em Vila Pouca de Aguiar. Na Colónia do Barroso foram construídas 7 aldeias de colonos (ou colónios como dizia a população local) e ainda um Centro Administrativo para alojar técnicos e funcionários da JCI, centro este onde se localizava também o apoio administrativo às aldeias dos colonos, a fiscalização, sobretudo do cultivo e colheitas que os colonos tinham de entregar ao Estado, ou seja, em 7 partes da colheita, 6 eram para o Estado, e uma para seu sustento, destinando-se as 6 partes do Estado a amortizar empréstimos concedidos aos colonos, bem como a amortização do custo de cada casal (terrenos e habitação dos colonos), que a não ter sido o 25 de abril, hoje,  a segunda geração desses colonos, ainda estariam a amortizar.

 

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Colonização Interna que foi um fracasso, principalmente a do Barroso, começando logo pelas aldeias de colonos de Criande e Aldeia Nova que viu a maioria dos terrenos destinados aos casais dos colonos a serem inundados pela barragem do Alto Rabagão, para além de os terrenos que os colonos ocuparam serem maioritariamente impróprios para a agricultura, com a agravante de os terrenos cultiváveis estarem sujeitos a um clima hostil e pouco produtivos.

 

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A barragem invadiu parte da aldeia dos colonos de Criande e todos os seus terrenos de cultivo

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Com o 25 de abril as coisas alteraram-se e foi permitido aos colonos resolverem as obrigações que tinham com o Estado, podendo adquirir os casais que cultivavam ou abandoná-los, passando-lhes também a ser permitido vender o casal após a sua aquisição, coisa que não era permitida anteriormente, pois as obrigações do casal obrigatoriamente tinham de passar na totalidade para um e só um dos herdeiros dos colonos, de modo a que a propriedade não fosse dividida.

 

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De realçar que toda esta colonização interna era enaltecida pelo Secretariado da Propaganda Nacional, com constantes campanhas para a produção nacional e mostrando estas colónias como locais paradisíacos, produtivos e ocupados por famílias felizes, que na realidade não eram mais que escravos do estado e do sistema, além de mal queridos e até difamados pelas populações locais, porque afinal de contas, sem culpa, tinha tirado parte do rendimento e muitas vezes todo o rendimento ou sustento das populações locais. Hoje em dia, estas aldeias dos colonos encontram-se com alguns casais abandonados, outros foram vendidos e recuperados por não colonos tal como aconteceu nos Casais da Veiga de Montalegre, e nalguns, poucos,  ainda se mantêm os “colónios”, hoje, parece-me, já perfeitamente integrados e aceites nas populações locais.

 

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Pois Pinhal Novo é uma dessas aldeias de colonos, onde inicialmente foram construídas 10 habitações e constituídos os respetivos casais (casa+logradouro+terreno) e posteriormente uma escola. Estas aldeias que pela sua arquitetura e organização, nada têm a ver com as aldeias típicas do Barroso, eram constituídas por moradias isoladas com logradouro e tinham para a época já algumas condições de habitabilidade, além de todas elas serem servidas com as infraestruturas mínimas, ainda com um tanque e chafariz público, e áreas verdes envolventes, algumas com escola, e no caso da Aldeia Nova de Montalegre, tinha igreja, miradouro e posto da GNR, além da escola e espaços verdes.

 

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Hoje em dia ainda existem no Pinhal Novo as 10 construções iniciais, dessas, pelo menos 7 foram reconstruídas e/ou ampliadas, 3 mantêm a traça inicial e penso que estão abandonadas e dentro do espaço do aldeamento já nasceram pelo menos 3 novas construções/habitações e na proximidade outros tantos armazéns agrícolas.  

 

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Agora passamos àquilo que dissemos sobre o Pinhal Novo no tal post conjunto dedicado a todas as aldeias da colónia do Barroso:

 

As aldeias de Salazar – Aldeias Jardim

 

(…)

Esta aldeia, conjuntamente com a de Criande, Vidoeiro e Pinhal Novo, fazem parte de uma segunda fase de aldeias de colonos, decidida pela LCI em 1945.

(…)

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7 - Pinhal Novo

Esta aldeia foi implantada a apenas 1,5km da aldeia do Fontão, foi-lhe atribuído o topónimo de Pinhal Novo, talvez pela mesma razão das anteriores adotarem o nome do lugar. É a única aldeia da colónia de Barroso que foi construída no concelho de Boticas.

 

O Lugar de Pinhal Novo: «[…] com 10 casais, ficará situado já na freguesia de Beça, limite da aldeia do mesmo nome, na encosta Oeste do Alto das Pias. Para lhe dar acesso projectou-se a construção duma estrada principiando na E.N. - 4 - 1ª. no local denominado Alto do Fontão e terminando na povoação de Beça, do concelho de Boticas; prevê-se a continuação desta estrada para as termas de Carvalhelhos e para Boticas, sede do concelho do mesmo nome.» (J.C.I., 1945: 98). (…) A Escola e Capela: «Pinhal Novo, com 10 casais, ficará situado a cerca de 1.500m. de Beça, sede de freguesia, de que dependerá quanto à capela e escola.» (J.C.I., 1945: 99).

COSTA (2017)

 

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O terreno para implantação das moradias é retangular, com um arruamento de entrada, ao centro, que depois bifurca para dois arruamentos que acabam por se unir em curva no lado oposto à entrada. As moradias foram implantadas 5 de cada lado ao longo dos lados mais compridos do retângulo a confrontar com os arruamentos, entre os quais ficou uma zona verde, onde mais tarde se decidiu construir a escola, mesmo ao centro desta zona verde.

 

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Nos documentos acedidos, não se encontrou qualquer referência à área agrícola e florestal pertencente a cada casal nestas duas colónias. Supõe-se que no caso do Lugar do Pinhal Novo dado o número de casais ter permanecido inalterável, a área agrícola e florestal também terá permanecido. Já no caso do Lugar do Fontão, a redução do número de casais pode estar na origem da divisão da área agrícola estando, contudo, a área atribuída inicialmente a esta colónia dentro da média (14,5 a 25 ha) da área agrícola da colonização do Barroso.

COSTA (2017)

 

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Quantos aos projetos tipo adotados para a colónia de Barroso, a autoria é atribuída a mais que um arquiteto. Nalguns documentos que consultei, o arquiteto autor do projeto tipo das aldeias de colonos de Montalegre, à exceção da do Fontão é atribuída ao arquiteto Eugénio Corrêa (?), mas sempre com o ponto de interrogação à frente. Já quanto aos autores dos projetos da aldeia de Fontão e Pinhal Novos, temos o seguinte (no final também fica uma interrogação, mas por outros motivos:

 

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Fevereiro 1961: Projecto de Adaptação das Instalações Agrícolas do Casal a Posto Escolar. O projeto foi desenhado, pelo arquiteto António Trigo, para o Lugar do Pinhal Novo. O plano desta colónia também foi alterado, e a escola acabou por integrar a nova disposição no assentamento. O casal agrícola adotado, para o Lugar do Pinhal Novo, foi o mesmo desenhado pelo arquiteto Maurício Trindade Chagas para o Lugar do Fontão em Janeiro de 1951, e não o casal inicialmente pensado para esta colónia, o casal tipo desenhado para o Barroso, de 1943. Neste projeto, também se faz a adaptação do casal agrícola a posto escolar mas o edifício ao contrário do esperado foi construído de raiz no centro do largo que organiza os restantes casais agrícolas. Ainda mais intrigante é que o mesmo projeto foi replicado com a mesma disposição dentro da colónia de Lugar de S.Mateus — Seriam estes projetos destinados a casais desocupados e por não existir nenhum nessa condição tenham optado por construir uma cópia do projeto de adaptação?.

 COSTA (2017)

 

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Ainda antes de terminar este post e passarmos ao vídeo, vamos até ao itinerário para chegar ao Pinhal Novo, este, feito quase até ao destino pela N103 (estrada de Braga), com partida de Chaves e passagem por Curalha, Casas Novas, São Domingos, Sapelos e Sapiãos, a seguir a esta última aldeia, mesmo onde termina a longa subida, num cruzamento onde aparecem algumas construções, vira à esquerda em direção a Beça, e logo a seguir, a 1470m, num total de meia hora de viagem, num percurso de 26,3Km, temos Pinhal Novo. Ficam os nossos mapas

 

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Para quem quiser saber mais sobre as aldeias de Salazar também conhecidas popularmente como as aldeias dos “colónios”, fica aqui, na integra, em PDF, o que escrevemos e imagens sobre o assunto, basta clicar na imagem. Podem guardar e utilizar, desde que não seja para fins comerciais ou publicação na íntegra, e claro, como mandam as regras e eticamente o mais correto, caso utilizem em publicações ou trabalhos, por favor deem créditos à autoria.

Clicar na ligação:

aldeias jardim-Colonia do Barroso.pdf

 

capa.jpg

 

E agora sim, chegamos ao fim deste post, apenas nos falta o vídeo, aquele que nos foi possível

Fazer com as imagens disponíveis.  Mesmo assim, espero que gostem.

 

Aqui fica:

 

 

 

Este e outros vídeos, agora, também podem ser vistos no Meo Kanal nº  895 607

 

 

 

BIBLIOGRAFIA

- COSTA, Ana Mafalda Almeida Guimarães. ARQUITETURA AGRÍCOLA As Colónias do Estado Novo para o Barroso. Dissertação para obtenção do Grau de Mestre em Arquitetura, Universidade Lusíada do Porto, Porto 2017

 

 

 

 

22
Nov20

O Barroso aqui tão perto - Montalegre

Vila de Montalegre

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Como é habitual por aqui, aos domingos vamos até ao Barroso aqui tão perto. Hoje deveríamos ir até mais uma aldeia de Boticas, mas… o povo, quando as coisas não lhe correm favoravelmente, costuma dizer que  o vento não lhes corre de feição, pois pra mim, não é o vento, mas antes, é o tempo dos relógios que não me corre de feição, corre rápido demais, não me dá tempo de fazer tudo que tenho para fazer… e mais uma vez o tempo não chegou para abordar mais uma aldeia do Barroso do concelho de Boticas, no entanto, como gosto de cumprir, principalmente as promessas, como esta que tenho de vir aqui aos domingos com o Barroso, vamos hoje começar a abordar a Vila de Montalegre, que deveria ter sido abordada logo após ter terminado a abordagem de todas as aldeias do concelho, mas, para ser sincero, não sabia como fazer essa abordagem. Nem há como dar tempo ao tempo para esclarecer ou as nossas dúvidas e tomar as decisões mais acertadas, pois desde logo senti que Montalegre não poderia ter uma única abordagem, num único post, por muito longo que fosse.

 

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Lá diz o povo que “há males que vêm por bem” e se o tempo foi pouco para preparar um post sobre uma aldeia de Boticas, sobrou para esclarecer algumas ideias quanto à abordagem da Vila de Montalegre, que por várias razões, passará a ser aqui abordada, não num post, mas nos posts que forem necessários para deixar aqui alguma da sua história, dos seus pormenores e particularidades, do seu todo, algumas estórias, mas sobretudo porque Montalegre, não é uma vila qualquer, pois ligam-me a ela fortes laços familiares e sentimentais. Talvez seja por isso que o nosso coração tem quatro compartimentos, em três deles, sei quem são os inquilinos, e num desses três está o Barroso e as minhas origens familiares maternas.

 

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Pois hoje daremos aqui início às abordagens de Montalegre, às vezes, um pouco como acontece hoje, com as suas imagens de marca (no caso de hoje o castelo), com os seus pormenores (no caso de hoje da chave na porta e do entre que é… ) e por último a forte presença e sentir das grandes serras dos Barroso, dos contrates das cores, desde o acastanhado esverdeado do agreste, à exuberância do verde, à vibratilidade do azul do céu e às vezes apenas o branco no céu e na terra, ou então, a magia da harmonia das cores (no caso de hoje num por do sol com a Serra do Gerês de fundo).

 

 

21
Nov20

O Barroso aqui tão perto - Padroso C/Vídeo

Aldeias do Barroso - Montalegre

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PADROSO -  MONTALEGRE

 

Continuando a cumprir a nossa falta para com as aldeias que, aquando dos seus posts neste blog, não tiveram o resumo fotográfico em vídeo, trazemos hoje esse resumo para a aldeia de Padroso.

 

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Padroso que é uma das aldeias que já está implantada em plena Serra do Larouco e que faz parte de um conjunto de aldeias que rodeiam a serra, que do lado português da mesma, em plena serra ou nas suas faldas tem Sendim, Padroso, Padornelos, Gralhas e Santo André.

 

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As três primeiras aldeias, Sendim, Padroso e Padornelos estão todas localizadas acima dos mil metros de altitude, no entanto a mais alta é Sendim, que não só e a mais alta do concelho de Montalegre, como também é a mais alta do Barroso e de Portugal ao atingir os 1170 metros de altitude junto ao que me parece ser uma antiga casa florestal. Isto a considerar as construções hoje existentes, pois se recuarmos no tempo até ao tempo em que Sendim tinha o seu castelo, então aí atingia os 1268m de altitude. Mas hoje estamos aqui por Padroso, que fica mesmo ao lado de Sendim, a apenas uma reta de distância (na estrada principal) e numa cota ligeiramente mais baixa, pois Padroso, no ponto mais alto da aldeia, atinge os 1045m de altitude.   

 

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Terras altas, terras frias, estas sim, sem qualquer dúvida são aldeias do Alto-Barroso, onde nasce o Rio Cávado que irá atravessar todo o Barroso para depois seguir a sua vida por terras minhotas e atravessar 9 concelhos, muitas aldeias, algumas vilas e cidades até desaguar no oceano atlântico junto a Esposende, mas a primeira aldeia que o Cávado conhece é aldeia de Padroso, implantada na sua margem direita.

 

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Rio Cávado que é um dos principais rios portugueses nascidos em Portugal e que corre livre e feliz pelo menos até Sezelhe, onde é aprisionado pela primeira vez, depois a cantiga é outra e em menos de 100km, alimenta meia-dúzia de barragens, 3 ou 4, se considerarmos a de Sezelhe, são no concelho de Montalegre (Paradela, Venda Nova e Salamonde).

 

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Voltando outra vez à aldeia de Padroso, gostámos do que vimos, e pelos visto não vimos tudo. Tem o seu núcleo antigo perfeitamente definido e a manter a sua integridade como aldeia típica barrosã, com os seus elementos mais típicos, como o forno do povo. A aldeia “nova”, desenvolveu-se ao longo da estrada de acesso à aldeia antiga, tal como deveria acontecer na maioria das aldeias. Claro que a aldeia antiga também tem alguns pecados cometidos no seu seio, mas quem não os comete, também nós cometemos um, e ainda bem, pois assim temos um pretexto para voltar a Padroso, pois é imperdoável não termos imagens da igreja e mais uns pormenores que entretanto soube que tem por lá, como umas alminhas que faltam na minha coleção. Assim, quem sabe se na próxima nevada não vamos por lá, isso se entretanto a porcaria do bicho que anda por cá nos deixar sair do concelho…  

 

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E agora sim, o vídeo com todas as imagens da aldeia de Padroso que foram publicadas até hoje neste blog. Espero que gostem e para rever aquilo que foi dito sobre a aldeia no post que lhe dedicámos, fica um link para o post logo após o vídeo, ao qual passamos de imediato. Espero que gostem.

Aqui fica:

 

 

 

Agora também pode ver este e outros vídeos no MEO KANAL Nº 895 607

 

Post do blog Chaves dedicado à aldeia de Padroso:

https://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-padroso-1384428

 

 

E quanto a aldeias do Barroso de Montalegre, despedimo-nos até à próxima sexta-feira em que teremos aqui a aldeia de Pai(o) Afonso.

 

 

15
Nov20

O Barroso aqui tão perto - Minas de Beça

Aldeias e lugares do Barroso

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O levantamento fotográfico para a abordagem das aldeias do concelho de Boticas que tenho deixado aqui nos domingos dos últimos meses, foi iniciado em 2011, mas com mais intensidade, de levar tudo a eito, em 2017 até 2019, sendo este último o ano em que dei como encerrado o levantamento, ficando apenas a Vila de Boticas com o levantamento incompleto, mas a completar em qualquer altura. Pensava eu, tendo como base um mapa que até me foi fornecido pela Câmara Municipal de Boticas, que tinha fotografado todas as localidades do concelho, no entanto, não foi bem assim.

 

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Para a abordagem no terreno, fui-me valendo dos mapas disponíveis, no entanto e no entretanto, fui reunindo outra documentação e informações para posterior abordagem, aqui no blog, de cada uma das aldeias do concelho de Boticas. Logo cedo fui-me dando conta que havia coisas que não batiam certo, e algumas ainda não consegui esclarecer. A primeira aldeia que não constava do mapa e que a descobri quando ainda estava a tratar das aldeias de Montalegre, mais precisamente as aldeias dos colonos, foi Pinhal Novo. Por sua vez, há uma que me aparece no mapa, mas que no terreno não consegui encontrar, trata-se de Caldas Santas, localizada bem próxima de Carvalhelhos e que acabei por dar como sendo pertença de desta aldeia.

 

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O aprofundar do estudo da documentação que tenho em meu poder e de outra à qual recorro, só acontece mesmo quando vou abordar essa aldeia, ou no caso do concelho de Boticas, quando abordo as aldeias de toda a freguesia, como atualmente está a acontecer com a freguesia de Beça, onde curiosamente, encontrei todas estas discrepâncias entre o que há documentado e o que consta nos meus mapas, em outros mapas a que tive acesso. Pois ao chegar a esta freguesia, nas primeiras pesquisas que fiz, nomeadamente na página oficial da C.M. de Boticas, na listagem dos lugares da freguesia aparecem:

 

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Freguesia de Beça

Povoações:

  • Beça
  • Carreira da Lebre
  • Carvalhelhos
  • Lavradas
  • Pinhal Novo
  • Quintas
  • Seirrãos
  • Vilarinho da Mó
  • Torneiros
  • Minas de Beça

 

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Ora, com esta listagem, fiquei esclarecido quanto às Caldas Santas não serem uma povoação, e confirma-se o Pinhal Novo, que é certo que é uma aldeia recente mas existe e está lá bem visível aos olhos de todos. Outra povoação que me aparece nesta lista mas que está ausente em muitas outras, é a Carreira da Lebre, também bem visível que é um povoado recente e que eu, por essa ausência em quase todas as listagens a que tive acesso das aldeias de Boticas, e dado a proximidade à aldeia de Quintas, dei como a Carreira da Lebre ser pertença desta aldeia, mas afinal na página oficial da CMB aparece como sendo uma povoação da freguesia de Beça. Ora como esta me apanhou desprevenido e embora tenha algumas fotografias da Carreira da Lebre, a verdade é que não são suficientes para a elaboração de um post, e daí não ter aparecido aqui o seu post a seguir à aldeia de Beça, isto seguindo a metodologia que tenho seguido até aqui em fazer estas abordagens por ordem alfabética.

 

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Mas a povoação que aparece nesta listagem das povoações da freguesia de Beça que me apanhou mesmo desprevenido, foi a povoação de Minas de Beça, pois só há 1 mês é que a vi mencionada pela primeira vez na listagem que tenho vindo a referir e que até consta no mapa da freguesia nos cadernos da “Prevenção dos Hábitos Comunitários nas aldeias do concelho de Boticas” . Pois esta descoberta tardia pôs mesmo em risco o poder trazê-la hoje aqui, pois sem fotografias não há post e eu não tinha nenhuma fotografia da povoação, mas era fácil de resolver, pois a distância não é muita e bastava destinar uma manhã de sábado ou domingo para chegar lá e fazer a recolha fotográfica, isto se os nosso dias corressem com a normalidade do decorrer dos dias normais, mas neste tempo de pandemia, não podemos fazer planos, mesmo que a curto prazo, pois podem-nos sair gorados, tal como aconteceu comigo.

 

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Pois acontece que antes do sábado que tinha previsto ir por lá à caça de fotografias, graças ao bicho da pandemia, por ter estado em contacto com pessoas contaminadas,  fui obrigado a fazer uma quarentena e a ficar confinado em casa, que felizmente tudo correu bem, daí como terminava a quarentena numa sexta-feira, programei o sábado logo a seguir para ir às Minas de Beça, mas por azar meu, e dado o grade número de casos que o concelho de Chaves teve, o Gorveno confinou-nos ao nosso concelho durante o fim-de-semana, proibindo-nos a saída dele, como o tempo apertava e já não havia mais sábados disponíveis, fui obrigado a gozar um dia de férias para finalmente ir a Minas de Beça, e fui, na esperança de ficar tudo resolvido mas…

 

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Pois, mas…, fui,  depois de ter feito o trabalho de casa, ou seja, o ter estudado os mapas do local, ver quais os caminhos para lá chegar e de lá sair, localizar a povoação que logo entendi não existir, mas antes, isso sim, existiam uma série de construções dispersas, algumas isoladas, outras em banda, e a aparência era a de que muitas delas estariam em ruínas, etc. Já no terreno confirmei isso mesmo, uma construção aqui, outra acolá, um conjunto de construções em banda e já quase quando estava a terminar avistei uma pessoa, no meio da estrada,  junto a uma das casas, que, ao aproximar-me verifiquei serem duas pessoas, o Sr. Marcelino e a esposa, a D. Aurora, que num plano mais baixo, ao lado da estrada,  tratava da horta, à boa maneira barrosã, onde ainda havia um bocadinho de tudo, mas sobretudo uns talhões de couve penca e troncha, a lembrar-nos de que o Natal está à porta, enquanto o Sr. Marcelino, soubemos depois, se preparava para ir botar o gado à pastagem. Mas voltemos ao mas que ficou para trás esquecido…

 

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Pois em conversa com o Sr. Marcelino, ao dizer-lhe ao que andávamos e que as Minas de Beça era a única “povoação” que nos tinha escapado no concelho de Boticas, ele nos surpreende ao dizer que nós já estávamos no concelho de Montalegre e que as antigas minas estavam todas no concelho de Montalegre, isto enquanto nos ia apontando onde ficava a linha imaginária do limite dos concelhos de Montalegre e Boticas. E de facto assim é, ao chegar a casa pude comprovar isso mesmo, as minas e algumas habitações e antigos bairros das casas dos mineiros se encontram no concelho de Montalegre, mas também há algumas no concelho de Boticas, nomeadamente um armazém em ruinas que tudo indica ter sido um armazém de apoio à minas.

 

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Quanto ao casal Sr. Marcelino e D. Aurora, hoje os únicos habitantes do lugar, mais um primo do Sr. Marcelino, portanto três no total, resta-nos agradecer a simpatia e hospitalidade com que nos recebeu e as preciosas informações que nos forneceu, senão iria hoje cometer aqui um erro crasso ao dedicar este post apenas às Minas de Beça de Boticas. Sr. Marcelino que é um descendente de um avô e pai mineiro, de quando aquilo estava cheio de gente, mas que tal como ele disse, o local não tardará outra vez a estar repleto de gente, com esta história do Lítio. E de facto, basta deitar um olho ao Google Earth para ver que no local e a contar por alto as marcas que deixaram no terreno, já se fizeram por ali cerca de uma centena de sondagens. Minas que, como veremos mais à frente, sempre existiram ao longo dos tempos, e o couto mineiro de Bessa já o era pelo menos nos tempos em que os romanos também andaram por lá.  

 

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Assim e resumindo, o complexo das antigas minas, ou couto mineiro de Bessa, as últimas a serem explodas até depois de meados do século passado,  distribuíam-se dentro dum círculo com um diâmetro de 2,5km em que mais ou menos metade dessa área pertence ao concelho de Montalegre, bem próximas da aldeia de Carvalhais, Morgade e Rebordelo,  e a outra metade ao concelho de Boticas, sendo a aldeia mais próxima, Vilarinho da Mó, daí, os créditos deste post serem também divididos pelos dois concelhos e fica assim também explicado do porquê de hoje o título ser Minas de Beça – Boticas e Montalegre – e o “mas…” que atrás deixámos. O seu a seu dono.

 

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Mas abordemos então aquilo que resta das Minas de Beça e os caminhos para lá chegar. Pois como sempre, no trabalho de casa traçamos o nosso itinerário para lá chegar. Desta vez optámos por ir sempre pela EN103 até ao Alto Fontão, ali mesmo onde se pode virar para Beça, por um lado e para a Serra do Leiranco, do lado oposto.

 

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No estudo da zona vimos um local que seria interessante para fotografar o conjunto de um pequeno aglomerado de casas, havendo um caminho de terra até lá, para tal teríamos de atravessa a aldeia dos colonos de Pinhal Novo. O local que tínhamos em mente era mesmo junto ao rio Beça, onde existem umas poldras, mas na ausência de uma ponte, para visitarmos de perto esse pequeno conjunto de casas, teríamos de voltar para trás, regressar ao Alto Fontão e a partir de aí tomar uns caminhos de montanha de terra batida, e esse tal conjunto, no nosso itinerário, seria um dos últimos a visitar, mas nem tudo sai como planeamos, pois uma coisa é o estudo dos mapas e cartas e outra a realidade.

 

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Acontece que enquanto estávamos a fotografar esse conjunto, uma carrinha todo terreno passou junto desse conjunto de casas do outro lado do rio, espanto nosso, quando fomos a dar conta a carrinha já estava junto a nós no lado de cá do rio Beça, rio que ainda estava a uma ou duas centenas de metros de nós e que o arvoredo não deixava ver as tais poldras, mas que pelos vistos também existiria um pontão, e antes de voltar para trás, resolvemos perguntar ao proprietário da carrinha se existia pontão, ao que nos respondeu que não, que não era preciso, pois atravessava-se diretamente pelo rio.

 

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Ora também lá fomos e também o atravessámos. Baralhou-nos um bocado o nosso itinerário pré-programado, pois passamos a fazer as visitas ao contrário, mas poupámos tempo e meia dúzia de quilómetros, mas não vai ser esse o itinerário que vos vou deixar, pois parto do princípio que os itinerários que aqui recomendo são para poderem ser feitos por automóveis ligeiros, embora os que fiz seja mais recomendados para viaturas todo o terreno, a verdade é que também vimos por lá um ligeiro, só não sei é se conseguirá atravessar o rio Bessa. Mais vale não arriscar e ir por estrada pavimentada.

 

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Ora então o nosso itinerário para chegar à zona das Minas de Bessa, com início como sempre na cidade de Chaves, é via N103 até ao Alto Fontão, não há nada que enganar, a seguir a Sapiãos quando aparecerem as primeiras casas, mesmo no final de toda a subida, está no Alto Fontão. Se a N103 começar a descer, já vai enganado, mas não se preocupe, pois estão lá as placas na estrada a indicar a saída para Beça. Logo a seguir vai passar ao lado da aldeia dos colonos, Pinhal Novo, e quando chegar a Beça, terá que entrar na aldeia e seguir as indicações das placas, onde estão assinaladas as Minas de Beça e também Vilarinho da Mó. Em caso de dúvidas, vá perguntado na aldeia, pois há sempre gente nas ruas. Se chegar até ao rio Beça, está no bom caminho.

 

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Depois de atravessar a ponte sobre o Beça, terá que percorrer apenas cerca de 1,2Km e abandonar a estrada por onde vai, que é quase seguir a direito, pois a estrada nesse local faz uma curva de 360º. A partir de aí, está a entrar no território das Minas de Beça. Tal como já atrás disse, não existe nenhuma povoação, existem sim, num raio de 2,5km algumas construções isoladas, pequenos conjuntos de 3 a 4 construções, e dois conjuntos de 5 ou 6 casas em banda. Quanto às minas propriamente ditas, esqueça, o melhor é não as procurar, pois já não há nada para ver, ou praticamente nada, apenas algumas ruinas pouco visíveis e encobertas pelo mato. A visita vale pelas paisagens e pelas margens do Rio Beça, pelo contacto com a natureza onde até as grandes aves de rapina nos sobrevoam nas calmas, quase como que nos ignorando…  Para ajudar a chegar até as Minas de Beça, ficam também os nossos mapas.

 

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Como não há aldeia, isto no conceito típico de aldeia, quando muito há, ou houve, um povoamento disperso à volta das Minas de Beça, isto atualmente e nos últimos tempos, então sem aldeia, vamos abordar as minas, que essas sim, existiram como minas, não só nos últimos tempos até há coisa de 50 a 60 anos, embora hoje inativas, mas desde sempre, conforme as necessidades do tipo de mineral a explorar, existem indícios de que terão existido outras, do tempo da ocupação romana, por exemplo, pois ao que parece a riqueza geológica do local tem dado para várias explorações de minério diferente, o mais recente, parece ter sido o estanho, quando o estanho fazia falta, tal como as de volfrâmio no tempo da segunda guerra mundial. Agora chegou a vez do lítio e que não haja dúvidas, pois a força da necessidade atual, e num futuro próximo, de lítio, será suficiente para se seguir em frente com a sua extração. S€mpr€ foi assim € s€mpr€  assim s€rá. Então. Lançando mão de alguns trabalhos académicos e outros estudos, quer no campo da geologia ou do ambiente, nomeadamente o florestal, vamos ver o que se diz e tem dito sobre este couto das minas de Beça.

 

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In MINERAÇÃO E POVOAMENTO NA ANTIGUIDADE NO ALTO TRÁS-OS-MONTES OCIDENTAL - CARLA MARIA BRAZ MARTINS (COORD.), encontrámos o seguinte:

 

N.º 050: Beça, Lavra de Beça, Cervos Descrição: Os trabalhos mineiros desenvolvem-se numa encosta sobre o rio Beça, num substrato xistoso, com grandes cortas (3 paralelas) e trincheiras (2). Admitem-se ser trabalhos antigos, romanos, apesar da existência de exploração contemporânea.

 

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Na mesma publicação, de autoria de João Manuel Farinha Ramos*

* LNEG (S. Mamede de Infesta)

Encontrámos o seguinte:

 

Das ocorrências deste tipo salientam-se as antigas minas de Sn e W de Carvalho em Vilar (Boticas), e as de Lavradas, Monte da Agrova N.º 3 e Monte das Vargelas todas em Beça, (Boticas). Nestas minas ocorrem filões e filonetes quartzosos e micáceos com cassiterite e volframite, encaixados numa formação metassedimentar de idade silúrica, nas proximidades do contacto com um granito de grão médio, tendência porfiróide, biotítico, sintectónico e depósitos aluvionares também mineralizados. A antiga mina Carvalho entre 1937 e 1971 produziu 30,6 t de mistos de cassiterite e volframite, e a de Monte das Vargelas 10,3 t de volframite e cassiterite em 1952.

 

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De autoria de Pedro Miguel Azevedo Paredes em “Prospecção de ocorrências filonianas do tipo LCT nas formações metassedimentares entre Boticas e Montalegre (N de Portugal) - Dissertação de Mestrado - Mestrado em Geologia – Ramo Valorização de Recursos Geológicos - Universidade do Minho, Escola de Ciências, encontrámos o seguinte:

 

Mais recentemente, em 2014, a Comissão Europeia publica novo relatório sobre as matérias-primas consideradas essenciais (numa actualização do primeiro relatório elaborado em 2010), em que introduz o estanho nessa lista (mantendo o tungsténio na lista das matérias-primas consideradas críticas),(...)

Também por essa razão (aliada à componente histórica), além do tungsténio o presente trabalho abarca a extracção do estanho (a partir da cassiterite), que foi uma das principais actividades do Couto Mineiro do Bessa.

 

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Apesar da importância do couto mineiro anteriormente referido, o conhecimento geológico da área é limitado, destacando-se apenas:

- A publicação “Jazigos portugueses de cassiterite e volframite”, de Cotelo Neiva (1944), onde o autor refere a natureza filoniana do jazigo, com numerosos filões de pegmatito granítico, registando possanças de alguns centímetros a 35 centímetros, com direcção geral NW-SE (concordantes com os planos de xistosidade do xisto encaixante) e inclinação geral NE, sendo por vezes de 40º relativamente à vertical. Realça também a existência de filões perpendiculares a estes últimos, ricos em cassiterite, sendo que a região metalífera mais rica é a que se encontra próxima da mancha granítica. No livro encontram-se ainda estudos sobre: as rochas eruptivas vizinhas, as rochas encaixantes e o greisen do Bessa; a mineralogia do pegmatito granítico e respectiva paragénese, destacando-se a presença, essencialmente, de quartzo e feldspato potássico, tendo como minerais acessórios, entre outros, a volframite e a cassiterite.

 

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A exploração mineira nesta zona remonta ao tempo dos romanos. No Boletim de Minas de 1938, referente às minas de Monte Agrove nº1 e Carvalho, aparece a seguinte citação: “Foram explorados aluviões ricos em cassiterite e volframite e resíduos de antiquíssimas fundições de estanho, provavelmente romanas, pois que nelas foram encontradas duas moedas de prata dessa época. Estes resíduos contêm, como é natural, a volframite, que então não era aproveitável. O povo dá o nome de agrovas às escavações antigas.” (Nunes, J. P. Avelãs; 2010). Inicialmente, o foco principal da exploração incidia nos filões pegmatíticos do tipo LCT, com mineralizações de cassiterite, para extracção do estanho. Acessoriamente, eram explorados concentrados de columbite-tantalite e ilmenite.

 

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As referências mais antigas da exploração no Couto Mineiro do Bessa, referidas em relatórios da Circunscrição Mineira do Norte, remontam a 1918 (minas da Corga das Domingas e da Cova da Mêda). De acordo com o mesmo organismo, de 1956 a 1965, foram produzidos 108t de cassiterite, com 60% a 75% de teor. Nesse mesmo período, produziu também 6t de concentrados de tantalite-columbite, com 30% de Ta2O5. Nas concessões de Carvalho, Estanheira e Palheiros, pertencentes ao mesmo Couto, foram produzidos, respectivamente: 11t de volframite e 26t de cassiterite; 2t de cassiterite; e 3t de cassiterite. Além do Sn e do W, também foram explorados recursos minerais não metálicos, como o quartzo e o feldspato (Ramos, Rui; 2003).

 

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Não propriamente sobre as minas mas sobre o povoamento florestal desde que a última exploração encerrou, encontrámos um trabalho de autoria de Raquel López, Engenheira florestal, visto em http://www.sinergeo.pt/evolucao-da-paisagem-no-couto-mineiro-de-beca-por-raquel-lopez/ , e consultado em 14-11-2020, que diz o seguinte:

 

Apesar da escassa presença humana, existiam algumas culturas agrícolas com grandes áreas de pasto, localizadas principalmente à esquerda da exploração mineira.

 

Em redor das cortas a classe mais representativa era o estrato arbustivo.

 

Ao longo dos anos, ou seja, após 53 anos o quadro é bastante diferente e a intervenção humana tem muito a ver com a transformação da paisagem.

 

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Em 2011 as espécies florestais de coníferas são as que verificaram um maior crescimento em área. Desta vez, o estrato arbóreo (o pinheiro, o carvalho vermelho, o carvalho negral, o castanheiro, o amieiro, o choupo, o vidoeiro, o eucalipto, etc.) é a classe mais representativa, muito diferente do que se verificava em 1958, onde a classe arbustiva era a vegetação dominante e a arbórea a de menor ocupação. Nos arredores da exploração, onde antes crescia vegetação de tipo arbustiva em  competição com o mato, agora crescem povoações recentes de pinheiros e em menor superfície povoações de eucaliptos.

 

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As povoações humanas são maiores e é observado um pequeno aumento na presença de culturas agrícolas, de localização semelhante como em 1958. Em 2011não foram observadas alterações significativas na distribuição dos pastos. Estes estão distribuídos mais ou menos pela mesma área e ocupando superfícies semelhantes em ambos anos.

 

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Ao comparar ambos anos com o 2006 a paisagem  volta a trocar. Em 2006 era praticamente dominada por uma mancha densa composta principalmente de plantações de pinheiro de duas classes de idade diferentes, porém mais velhas do que as plantações de pinheiros que estavam a crescer em 2011. Por outro lado, a paisagem de 2006 também está longe do que ela era em 1958 (lembre-se que o mesmo espaço estava ocupado principalmente por arbustos).

 

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Atualmente, e apesar de ter passado apenas quatro anos, a paisagem nas imediações da mina amostra-se de novo diferente com respeito a como ela se apresentava em 2011. Durante este período houve uma série de incêndios que causaram o desaparecimento de uma grande parte da floresta, interrompendo novamente o crescimento natural da vegetação e, consequentemente, alterando a paisagem.

Resulta, portanto, que esta região tem sido sujeita fortemente a fatores (quer sejam de origem humana ou natural) que repetidamente alteraram a evolução natural da vegetação, transformando a paisagem significativamente, em períodos curtos.

 

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E estamos a chegar ao fim deste post, hoje idêntico a todos os anteriores desta série, mas também, em tudo diferente, não tivemos uma aldeia mas sim umas minas, só que, para já desativadas, mas vimos o que delas restou, ou melhor, o que a elas sobreviveram, o casario disperso, também ele moribundo, mas não todo, pois existem sempre resistentes que por uma ou outra razão insistem em ficar e vão ficando.

 

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Só nos resta o vídeo final com todas as fotografias hoje aqui publicadas, e no próximo domingo cá estaremos novamente, com mais uma aldeia da freguesia de Beça, do concelho de Boticas, e aí, será uma aldeia a sério, mas que também tem os seu mas. Chama-se Pinhal Novo e é uma das 7 aldeias de colonos que Salazar mandou construir no Barroso, esta, a única a ser construída no concelho de Boticas, as restantes 6 foram construídas no concelho de Montalegre.

 

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Aqui fica o vídeo, espero que gostem:

 

 

 

Agora também pode ver este e outros vídeos no MEO KANAL Nº 895 607

 

 

13
Nov20

Crónicas Estrambólicas

Crónicas de um Primeiro-Ministro sobre o Barroso – 13

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Composição vista desde a Serra do Larouco

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Crónica de um Primeiro-Ministro sobre Barroso 13

 

Mais uma crónica do antigo Primeiro-Ministro António Granjo, um ilustre flaviense. É a uma das 15 crónicas sobre Barroso publicadas no jornal A Capital em 1915. A crónica está escrita como foi publicada, no português da altura, incluindo gralhas tipográficas.

 

Não tenho grandes comentários a fazer a esta crónica, que é quase uma continuação da última onde é descrita a subida ao Larouco. Nesta, o Granjo começa na descida do Larouco e vai até Pitões. Tem piada ver que alguns dos desejos do Granjo para a região foram realizados apesar dos resultados não serem bem os previstos. Notei aqui e ali uma outra coisa que me parecem incongruências, mas deixo para os leitores as apreciações sem eu meter o bedelho.

Luís de Boticas

 

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Serra do Larouco

 

BARROSO, FONTE DE SAÚDE

 

A descida quasi a pique, sob uma chuva diluviana, entre touças queimadas, ó coisa de que o leitor nunca fazia bem ideia. Os ramos carbonizados batendo o ensarrafuscando as cargas, as bestas deixando-se escorregar, nós segurando-nos aos cabrestos das ditas, e a água entrando-nos pelo já minguado pescoço sahindo-nos pelas já desfeitas plantas, é qualquer coisa que escapou ao Dante do Inferno. Verdade seja que chegar ao posto da guarda fiscal de Padornelos, accender uma fogueira para enxugar a roupa no corpo, beber dois golos da borracha e comer um bocado de atum de conserva com cebola e um dedal d’azeite, é qualquer coisa que escapou ao Milton no Paraizo.

 

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Padornelos

Pelo cahir da tarde estavamos em Montalegre. Certamente o leitor acredita que comemos e dormimos bem, e como isto de comer e dormir bem, sobretudo de dormir bem, vae sendo, com a crise de subsistências e a crise de revoluções, coisa por deveras apetecida, o leitor acredita que démos por bem empregada a enorme jornada e por bem ganho o nosso dia.

 

Espera-se pelo correio. O que se teria passado pelo mundo? Ter-se-hia feito a paz?  O Sr. Leotte do Rego não seria já commandante da divisão naval? O Sr. Dr. José de Castro teria deixado de ser o estadista «empalhado»? O que teria acontecido?

 

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Montalegre

Veem os jornaes. Na frente occidental, os mesmos duelos d’artilharia na oriental, a tomada da decimamilionesima fortaleza russa pelos austro-allemães; nos Dardanelos, algumas cargas de baioneta. A divisão naval continua a fazer exercícios em Cascaes; e o Sr. Dr. José de Castro continua a convencer-se que o não fadaram os destinos para cavallarias altas e se deveria ter deixado ficar pela presidência da Associação da Árvore.

 

Sacudo os jornaes, como um lobo sacode a presa. Levanto o olhar para as montanhas, para o céu. Mando apromptar a caravana: e fujo para o Alto Barroso.

 

O Cávado decorre serenamente. Uma parpalhaça canta. Por cima das restolhas plana um milhafre. Cae uma chuva miudinha. Por entre as silvas, as amoras espreitam como grandes olhos de insectos.

 

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Ponte de Frades

Passa-se o Cávado em Frades, alcança-se Covellães, e eis-nos em Paredes. Despenhamo-nos nos braços robustos do Accacio de Barros, o mais perfeito barrosão que Barroso gerou e em cuja casa o viajante encontra sempre ancoradouro seguro.

 

Já o sol declina, quando nos pomos a caminho para Fecha Velha. Não me demoro a fazer a discripção da caminhada desde Parada do Outeiro até Pitões, pelo sopé do Gerez. É qualquer coisa que vale um tomo; e é qualquer coisa que não é lícito tentar aos meus recursos descriptivos. Imagine-se um encapellado oceano de pedras, que de repente se immobilizou.

 

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As vagas ameaçam ainda o céu, suspendem-se ainda sobre o pequeno vale. É chapinhando na espuma verde desse oceano petrificado, que vamos trotando. Nada que nos revelle o homem. Aqui e ali, um ou outro muro de pedra solta que serviram para levar os lobos até aos fojos. Atravessam-se moitas de carvalhos. O sol desapparece; e na densidade da floresta o crepúsculo toma uns tons violaceos.

 

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Prendem-se os cavallos a meia encosta, e é derrubando árvores, deslocando penedos. seguindo um corrego por onde suspira um fio de água, que chegamos à formosíssima cascata. Hei-de deixar à photograpfia o encargo de dar uma ideia da beleza selvagem d’este canto de Barroso. Não há-de haver no mundo muitas coisas semelhantes.

 

O ribeiro perfura o enorme rochedo, precipita-se por um canal que a água cavou, e vem tombar entre os fraguedos, dentre os quaes irrompe uma vegetação equatorial. Por cima da Fecha, pairam algumas aves de presa; no fundo, recorta-se o Gerez; a água ruge sob as penedias em que mal equilibramos os corpos cançados; as vozes repercutem-se ao longe.

 

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Cascatas de Pitões das Júnias

Passam há séculos embasbacadas as gerações perante os rochedos, os vales, os lagos da Suissa, e eu morto ando por lá ir também embasbacar-me. Mas se alguns archimilionarios americanos presentissem estas maravilhas, viriam certamente das fontes do Mississipi e das Montanhas Rochosas passar alguns dias na contemplação destas bellas coisas.

 

Um outro paiz...

 

Sim, um outro paiz, uma estrada pelo vale do Cávado até Parada do Outeiro, à vista do Gerez, junto dos derradeiros refúgios do corço e do javardo, e um caminho acessível até à Fecha, além de trazerem ao Alto Barroso os aquistas das Pedras, Vidago, Chaves e Verim, chamariam essas creaturas tomadas do delírio deambulatório, enfastiadas dos museus, fartas das praias, resaibiadas da cidade, e sedentas da natureza e do movimento.

 

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Nenhuma estação do verão existiria em Portugal como Montalegre, desde que uma alma piedosa, ou um negociante arrojado, construisse nas proximidades um bom hotel, e desde que a estrada do Cávado, um bom caminho vicinal até ao Larouco, e a estrada já em construção, que liga a capital barrosã directamente com Braga, facilitassem alguns bons passeios.

 

Barroso seria para o paiz uma fonte de saúde, a grande estação de cura e de repouso. E essa pobre gente, cujo alimento principal é a sopa de leite desnatado, e precisa de emigrar, em camaradas, para as terras do vinho e do azeite, á busca d’uns patacos com que indireite a vida, conheceriam a prosperidade.

 

Era preciso para isso, no entanto, que os governantes pensassem n’outra coisa que não fosse nas intenções dos chefes dos grupos revolucionários e que o paiz deixasse de tremer perante o carbonário, como uma criança deante do papão. E era preciso que todos nos descemos ao trabalho de sabermos valorizar as nossas coisas.

 

N'um outro paiz...

 

Antonio Granjo

 

 

09
Nov20

O Barroso aqui tão perto - Lavradas

Aldeias do Barroso - Concelho de Boticas

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LAVRADAS

 

Cá estamos de novo para continuar a nossa viagem pelo Barroso do concelho de Boticas. Temos abordado as aldeias freguesia a freguesia, pela ordem alfabética e no último domingo tivemos aqui Carvalhelhos, da freguesia de Beça, e e nesta freguesia que vamos continuar, com a aldeia de Lavradas.

 

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Iniciemos já pela sua localização e como chegar até lá, como sempre a partir da cidade de Chaves. Pois não há nada que enganar, saímos de Chaves pela EN103 em direção a Braga, mas só até Sapiãos, onde devemos tomar o caminho de Boticas, aí, apanhamos a route 66 de Boticas, por cá conhecida como R311, estrada essa que atravessa o Concelho de Boticas de lés a lés, uma estrada toda ela de montanha, que se inicia no concelho de Chaves, no Peto de Lagarelhos e termina em Fafe, passando assim por 5 concelhos (Chaves, Boticas, Montalegre, Cabeceiras de Basto e Fafe).

 

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É assim a magia desta R311 que até nos tira do nosso caminho, que hoje é o de Lavradas. Pois depois de apanharmos a R311, seguimos até à Carreira da Lebre, seguimos em frente e logo a seguir, como quem diz, depois de atravessar o Rio Beça, viramos à direita em direção a Carvalhelhos onde, na rotunda com a santa das águas, viramos à esquerda em direção a Atilhó e Alturas do Barroso e, claro, também Lavradas que será a primeira aldeia a aparecer, a cerca de 4Km de Carvalhelhos. Fica o nosso mapa para melhor localização.

 

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Nos nossos itinerários pelo Barroso, já fizemos algumas passagens por esta aldeia, no entanto, para fotografá-la, apenas parámos lá duas vezes, a primeira já foi em maio de 2011, a segunda em julho de 2018. Da primeira vez, como fomos conduzidos até lá depois de passarmos por várias aldeias, nem deu para perceber onde ficava, e como a visita foi breve, também não deu para perceber a aldeia.

 

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Na segunda visita a nossa intenção era mesmo fotografar e perceber a aldeia para a trazermos a este blog. Embora hoje vos aconselhe um itinerário a partir de Chaves, a nossa entrada em Lavradas na segunda visita fotográfica que fizemos, foi feita a partir da aldeia vizinha de Lamachã, do concelho de Montalegre e chegados lá, foi como se fosse pela primeira vez.

 

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Como sempre, para se ficar a conhecer uma aldeia, não nos podemos ficar pela primeira impressão, pois lá diz o ditado que as aparências enganam. Além disso certas há horas do dia que não são muito próprias para a fotografia, sobretudo à hora do almoço, isto por duas razões, primeiro porque a nossa cabecinha já começa a ouvir a nossa barriguinha a reclamar por comida, a segunda, tem a ver com a intensidade da luz, principalmente nos dias intensos com o sol de verão, e embora a luz seja uma condição necessária para haver fotografia, quando é muito intensa, em vez de ajudar só atrapalha. Pois era nestas condições que entrávamos em Lavradas e logo nas primeiras construções que vimos, armazéns e construções novas… enfim, fizemos meia-dúzia de fotos e já estávamos quase de partida, mas há sempre encontros felizes, e descobertas mais felizes ainda…

 

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Depois do largo da igreja, o nosso destino fazia-se com passagem por Vilarinho da Mó e foi aí que começámos a perceber e conhecer a aldeia, principalmente com aquilo que vai além das ruas e entra nos pátios e outros pormenores que não estão ao alcance de todos, coisas que nos fazem despertar para a realidade das coisas… os nossos olhos só veem aquilo que querem, e às vezes atraiçoam-nos.

 

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Lavradas é uma aldeia com certas dimensões, para aldeia do Barroso até pode ser considerada grande, rodeada de campos agrícolas férteis e bem tratados e isso reflete-se também no casario que ao longo dos tempos foi sendo recuperado e transformado, já longe da arquitetura vernácula original. Mas a aldeia vale pelo seu todo, não só pelo casario, mas também pela vida que tem, pelos seus usos e costumes, e nisso tenho a certeza que a aldeia mantém toda a sua integridade, vê-se nas suas ruas, nas suas casas e nos seus campos.

 

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Campos verdes, aliás já estamos habituados ao Barroso verde das terras planas e baixas a contrastar com o Barroso agreste no alto das montanhas, mas só há verde se houver água, e se o Barroso por uma lado é castigado com o rigor dos invernos frios, por outro lado recebe a bênção da água, sendo frequente vê-la a correr livremente em valetas e levadas, a inundar lameiros, a encher barragens, mas embora abundante, não se pode desperdiçar e tem de haver regras para chegar a todos.

 

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Pois a água é um bem precioso e daí ser também um bem comunitário. Vejamos o que se diz sobre o assunto na “Preservação dos Hábitos Comunitários nas Aldeias do Concelho de Boticas”. Atenção, como sempre avisamos que os dados deste documento foram publicados em 2006, daí, poderão não estar atualizados.

 

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A Água

A água, elemento dominante da paisagem uma boa parte do ano, desempenha um importante papel na sobrevivência das economias agro-pastoris da região. São inúmeras as suas aplicações: garante da produtividade das parcelas agrícolas e dos lameiros, sustento dos gados, força motriz dos inúmeros moinhos de água existentes ao longo dos corgos e dos rios; estende a sua utilidade ao quotidiano das aldeias, aos tanques, bebedouros dos animais e aos lavadouros públicos existentes.

 

Dadas as características dos solos e os rigores do clima da região, a água, seiva da terra, desempenha um papel fulcral na produtividade agrícola.

 

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No território do concelho pratica-se a rega por gravidade. A água de rega, proveniente de várias fontes de água superficiais, localizadas nas encostas dos montes e serras junto às aldeias, é utilizada para regar as parcelas localizadas a juzante.

 

Para optimizar a utilização deste recurso, foram criadas infra-estruturas para a rega. Os regos conduzem a água desde as nascentes, corgos ou ribeiras, até às poças/tanques de rega, reservatórios de retenção da água. Da poça/tanque, a água é encaminhada, também através de regos, até às parcelas agrícolas. Acontece, por vezes, as nascentes brotarem no local onde se encontra a poça/tanque. Em quase todas as aldeias, estas infra-estruturas, outrora em terra batida e pedra, foram alvo de obras de beneficiação, remodeladas, e construídas em cimento e betão armado, de forma a rentabilizar este recurso, reduzindo ao mínimo o seu desperdício ao longo do percurso que faz até às parcelas agrícolas.

 

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Geralmente, cada uma das aldeias dispõe, no seu termo territorial, de nascentes, regatos ou ribeiros, donde provém a água para rega. Todavia, existem situações em que diferentes aldeias têm que partilhar a utilização da água. A partilha de água entre aldeias, geralmente conflituosa, levou à criação de regras de utilização bem definidas, nem sempre respeitadas pelos seus habitantes, ou à posse dessa água por apenas uma das aldeias. Existem no concelho três aldeias em que parte da água, que utilizam para rega, é proveniente de outra aldeia: em Antigo (Dornelas) regam com água de Gestosa (Dornelas), em Carvalhelhos (Beça), regam com água de um ribeiro de Carvalho (Vilar), e em Lavradas (Beça) regam com água de Lamachã (Negrões - Concelho de Montalegre). Cada uma destas aldeias tem direito a essa água por um determinado período, durante o qual os da outra aldeia não podem tornar a água. Esta regra nem sempre é respeitada, acontecendo por vezes as pessoas andarem a regar e a água faltar, porque alguém da outra aldeia a tornou. Estas situações, além dos conflitos que geram entre os intervenientes, acarretam inúmeras canseiras, pois quem quer regar tem que ir buscar a água à outra aldeia e guardá-la para que não lha voltem a tornar.

 

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E estamos a chegar ao fim deste post, só falta mesmo o vídeo onde estão reunidas todas as fotografias deste post, mais algumas que já foram sendo publicadas ao longo da existência deste blog para ilustrar outros posts, como o das crónicas de António Granjo na sua passagem por Lavradas a caminho de Alturas do Barroso. Aqui fica, espero que gostem:

 

 

 

Agora também pode ver este e outros vídeos no MEO KANAL Nº 895 607

 

E quanto a aldeias de Chaves, despedimo-nos até ao próximo domingo em que teremos aqui mais uma aldeia da freguesia de Beça.

 

 

 

02
Nov20

O Barroso aqui tão perto - Carvalhelhos

Aldeias do Barroso - Concelho de Boticas

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Carvalhelhos

 

O nosso destino de hoje no Barroso aqui tão perto, é a aldeia de Carvalhelhos, freguesia de Bessa, concelho de Boticas. E quem é que não conhece Carvalhelhos!? Pois se nos referirmos à água de Carvalhelhos, penso que é conhecida em todo o nosso Portugal mas também no estrangeiro e suponho que pelas suas características, haja muito boa gente a bebê-la, a a utilizá-la em tratamentos nas suas termas, sem qualquer dúvida que água de Carvalhelhos é uma boa embaixadora do Barroso.

 

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Mas Carvalhelhos vai para além da água, pois para além de também ser uma aldeia atual do concelho de Boticas, o lugar já era povoado na idade do ferro, tal como o testemunha o castro aí existente.

 

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Se às vezes na abordagem destas localidades do Barroso não sabemos como começar, principalmente por falta de informação, deixando aqui só as nossas impressões pessoais, hoje não sabemos por onde começar com tanta informação disponível para gerir e selecionar, mas para resumir, vamos dividir este post em quatro capítulos. Deveríamos seguir a ordem cronológica e começar pelo castro também conhecido como castelo dos mouros, mas vamos, antes, abordar a atual aldeia, depois passaremos para o castro, depois passaremos a Miguel Torga e aos registos nos seus diários sobre Carvalhelhos e por último abordaremos a água, as termas e o seu parque.

 

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A aldeia, sua localização e itinerário

Dizem que a qualidade da água não terá sido alheia a razão da localização do castro existente. Pois a atual aldeia também pela certa que sofreu da mesma influência, mais recente, sem dúvida, mas que também deixa marcas na atual aldeia, talvez não só por isso, mas que faz a aldeia ter características próprias, numa mistura notória da aldeia tradicional barrosã com construções mais recentes.

 

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Quanto à sua localização, situa-se na margem direita do Rio Bessa, mesmo em frente à aldeia de Bessa, na margem direita do mesmo rio. Fica a 30 km do nosso ponto de partida, a cidade de Chaves, a pouco mais de 6km da vila de Boticas e a apenas 1km da R311, a estrada que tanto utilizamos nos nossos itinerários do concelho de Boticas e que hoje tomaremos novamente a partir de Boticas, passando pela Carreira da Lebre e a cerca de 700m desta, logo após de atravessarmos a ponte sobre o Rio Bessa, temos o desvio para Carvalhelhos. Fica o nosso mapa de seguida. O Ponto de partida, como sempre é Chaves, com saída pela EN103 (Estrada de Braga) até Sapiãos, depois Boticas, etc.

 

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Os destaques para a aldeia vão para as vistas que desde ela se lançam para o vale do Rio Bessa e mais além, para o conjunto do casario da aldeia onde não faltam os tradicionais canastros (espigueiros se preferirem) alguns ainda totalmente em madeira e um tanque, com bebedouro e umas alminhas cobertas com uma espécie de cruzeiro e mais elementos no seu interior. Ainda um cruzeiro no largo, com uma base antiga, mas o restante (parece) de construção recente, e claro o Castro e as Termas e respetivo parque.

 

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Na monografia de Boticas apontam-se ainda mais alguns pontos de interesse, mas como sempre fica o aviso de que os dados já são de 2006 e alguns desses pontos de interesse poderão já não existir. Mas lá consta ainda:

 

- A festa de Sta. Bárbara, Último Domingo de Agosto;

- Mina do Alto do Coto / Coto de Carvalhelhos;

- Capela de Santa Bárbara;

- Cruzeiro e alminhas de Nossa Senhora da Conceição;

- Forno Comunitário;

- O Castro;

- As Termas;

- A estalagem;

- Cozinha da Eugénia;

- Taberna do Tio João.

 

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O Castro de Carvalhelhos/Castelo dos Mouros

 

De entre a documentação disponível, optamos por trazer aqui aquela que é oficial e está nas páginas oficiais dos monumentos.pt e do património cultural, iniciando pela dos monumentos.pt:

 

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Descrição

Povoado fortificado proto-histórico e romanizado, circundado por duas linhas de muralha, apresentando, na vertente E., uma linha de defesa exterior. As muralhas chegam a atingir c. de 3,5 m de espessura, conservam rampas interiores de acesso a estas, com uma largura de c. de 0,5 m, correspondendo a um alargamento da muralha nos pontos em que estas se inserem. O sistema defensivo está complementado por dois fossos escavados no afloramento de O. a E., embora a O., na zona de mais fácil acesso e onde se localiza a entrada principal do povoado, se tenha acrescentado um terceiro fosso, chegando estes a atingir c. de 7 m de profundidade. Registe-se também uma área com pedras fincadas de NO a O. As cristas superiores dos taludes que intermeiam os fossos apresentam igualmente pedras fincadas. A entrada no povoado faz-se por uma porta estreita, virada a O., que continua por uma passagem angular, igualmente de reduzida largura, para o acesso à plataforma superior, havendo também uma outra entrada na muralha exterior, virada a NE, sobre a ribeira do Castro. Nas plataformas interiores às muralhas encontram-se construções habitacionais de planta circular e rectangular, aparentemente organizado em bairros, em núcleos familiares, apresentando alguns pátio lajeado. Numa das construções foi detectada uma lareira com lastro em lajes e um trasfogueiro como anteparo.

 

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Observações

A reconstituição das estruturas está assinalada com uma camada de cimento. O seu espólio é constituído por fragmentos de cerâmica comum da Idade do Ferro, cerâmica comum romana, cerâmica romana de importação, vidro, cossoiros, tegula, imbrex, cossoiros, mós manuárias rotativas, abundantes elementos numismáticos, artefactos metálicos (armas, ferramentas artesanais), fíbulas, objectos metálicos de adorno, contas de colar de pasta vítrea, escória e 200 kg de cassiterite. O espólio está depositado no Museu da Região Flaviense, em Chaves, e no Museu do Instituto de Antopologia da Faculdade de Ciências do Porto. Em alguns pontos das vertentes do outeiro foram exploradas pedreiras. Tendo as estruturas visíveis sido objecto de restauro.  Embora em algumas zonas as pedras fincadas estejam derrubadas

 

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Passemos agora ao que nos diz a página oficial do património cultural:

 

Nota Histórico-Artístico

Classificado em 1951 como "Imóvel de Interesse Público", o "Castro de Carvalhelhos" (ou "Castelo dos Mouros", como também é conhecido), ergue-se no topo de um esporão sobranceiro ao vale da ribeira das Lameiras, subsidiária do rio Beça, nas imediações das conhecidas termas de Carvalhelhos.

 

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Construído durante a Idade do Ferro, o povoado dispunha de um complexo sistema de fortificação constituído por três cintas de muralha com paramento duplo revestido com blocos graníticos no exterior e de xisto no interior, completada por três fossos profundamente escavados no afloramento granítico precedido de um campo de pedras fincadas. E enquanto coordenador das campanhas arqueológicas, José Rodrigues dos Santos Júnior decidiu, em 1957, reutilizar o material pétreo derrubado na base do muralhado para reconstruir uma extensão de cerca de cinquenta metros da cinta da muralha interior.

 

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É esta primeira linha de muralha que delimita toda a área interna, de forma sub-circular, onde foi escavado um conjunto de estruturas habitacionais de planta predominantemente circular e rectangular. As campanhas arqueológicas conduzidas ao longo de trinta anos permitiram recolher um vasto espólio, do qual, para além de fragmentos de cerâmica comum da Idade do Ferro, se encontrou um depósito com duzentos quilos de cassirite, fíbulas, pontas de lança em ferro e uma quantidade expressiva de escória, a testemunharam, no seu conjunto, a actividade metalúrgica que teria lugar no interior do próprio povoado. [AMartins]

 

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Miguel Torga

 

Entalamos aqui Miguel Torga entre o castro e a água e termas precisamente porque foram estes que levaram Torga até Carvalhelhos, amante que ele era de beber água de todas as fontes, além de às vezes com elas se tratar, e amante da história mais antiga dos lugares de Portugal, do mesmo Torga que fez destas terras o “Reino Maravilhoso” , dedicando a Carvalhelhos 7 dias do seu diário.

 

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Carvalhelhos, Barroso, 17 de Junho de 1956

 

A doença tem-me dado muitas horas amargas, mas devo-lhe também uma intimidade com a pátria de que poucos portugueses se podem gabar. Obrigado a procurar a esperança em cada fonte, passo a vida de terra em terra, com as tripas na mão. E até a este Barroso vim parar! O problema, agora, é estar à altura das alturas onde me encontro. O escrúpulo dos tempos em que comungava, tenho-o presentemente quando me aproximo do povo. Estarei puro para lhe ouvir a voz?

Miguel Torga, in Diário VIII

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Carvalhelhos, Barroso, 21 de Junho de 1956

 

PASTOREIO

 

Uma cabra montesa no pascigo;

Fiel ao seu balido,

Um fauno apaixonado;

Entre os dois, um açude adormecido,

Imagem do instinto represado.

 

Corcunda como a vida,

Uma ponte arqueada de suspiros

A ligar as arribas do desejo;

E um guarda as passadiço, uma presença humana,

- O pastor, a moral quotidiana…

 

Miguel Torga, in Diário VIII

 

 

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Carvalhelhos, Barroso, 18 de Junho de 1956

 

Tarde de pesca, mas só a ver. Não sou homem de anzóis. Seja qual for o sonho que me apeteça prender, luto com eles de caras, sem isca. Entro nos matagais aos tiros, a avisar as perdizes que lá vai metralha. Agora que deve ser cómodo atirar um engodo fingindo à realidade e puxá-la depois até nós com a manivela da astúcia, deve. Enche-se o cabaz, e volta-se para casa fresco como uma alface, mesmo que se tenha chafurdado o dia inteiro – ou a vida inteira…- num baixio de águas turvas…

 

Miguel Torga, in Diário VIII

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Carvalhelhos, Barroso, 23 de Junho de 1956

 

Confesso a minha pena: tenho medo de trovoadas. Quando o rosto da natureza se começa a congestionar, começo eu a empalidecer. É que não tenho defesa. Contra o ódio dos homens, nunca o instinto se sente inteiramente desamparado: há sempre outros homens, limpos de alma, capazes de nos acudir. Mas diante da violência obtusa e cega dos elementos, parece que o mundo se despovoa, esvazia, e tudo à nossa volta se rende, abdica e acobarda. No auge da aflição – e isso aconteceu-me há pouco, no alto da serra -, chega-se a gente a um castanheiro, vegetalmente hercúleo e oficialmente acéfalo, e o desgraçado treme como nós!

Miguel Torga, in Diário VIII

 

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Carvalhelhos, 24 de Junho de 1956

 

Conhece-nos,  o sexo fraco! E tanto monta que a psicóloga seja uma requintada Madame de La Fayette, como qualquer parola de Trás-os-Montes. Esta tarde, em Vilar, povoação serrana que visitei para ver uma tábua bem bonita, porque só me apareciam velhas à porta das casas, meti conversa com uma, a tirar nabos da púcara.

- Quantas viúvas há cá na terra?

- Quarenta e duas.

- E viúvos

- Três.

Espantado com semelhante desproporção, perguntei-lhe a causa.

- É que os homens são mais aflitos…

Miguel Torga, in Diário VIII

 

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Carvalhelhos, 25 de Junho de 1956

 

Olho a serra. E diante desta natureza sem disfarces, aberta para todos os horizontes, sinto como que uma centrifugação do espírito. Ando, e parece que voo; tento localizar-me, e perco-me na indeterminação. Uma espécie de nomadismo da alma descentra-me e liberta-me das amarras mesquinhas da vida compartimentada. E compreendo de repente a força universal que impregna os gestos e as palavras destes barrosões, puros na impureza, que lavam as mãos no sangue dum semelhante e há mil anos que descobriram o cepticismo moderno. Homens para quem o absoluto é o relativo clarificado, e que por isso entregam desta maneira a filha ao namorado que lhe pede casamento:

 

Pastora é,

Gado guardou;

Sebes saltou;

Se alguma se picou,

Tal como está

Assim vo.la dou…

 

Miguel Torga, in Diário VIII

 

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Carvalhelhos, 3 de Setembro de 1989

 

Horas e horas de correria por este Barroso a cabo, num Domingo de romarias, na mira de assistir a mais uma vez uma chega de toiros. Mas não fui feliz. Em todas as aldeias visitadas, o grande acontecimento tinha já acontecido. Restavam dele apenas o doce sabor do triunfo ou o amargo da derrota. Na pega ribatejana, outra expressão da nossa virilidade e vitalidade, é o pegador que está em causa ao saltar para dentro da arena. Aqui, é a povoação inteira que se revê na luta entre o boi e o boi rival. E o desfecho do combate diz respeito a todos. Por isso, se vence, o deus testicular é festejado até ao delírio, se fraqueja e se rende, é amaldiçoado até às lágrimas.

Celebração colectiva, a turra é a mais sagrada cerimónia que se pode presenciar nestas paragens, onde cada acto tem a profundidade dos tempos primordiais e não há divindade sem terra nos pés. E eu sou uma natureza religiosa, sedenta de transcendente, que aprendeu nas grutas de Altamira que ele pode ter a figuração de um bisonte e é sempre uma resposta luminosa a perguntas obscuras do instinto.

 

Miguel Torga, In Diário XV

 

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A Água e Termas de Carvalhelhos

 

Também aqui vamos lançar mão da documentação disponível em duas páginas da internet, uma as Termas de Portugal e outra a da empresa das águas de Carvalhelhos que também gere as termas. Iniciemos pelo que nos diz a página das Termas de Portugal. As imagens são do parque das Termas e Estalagem e algumas antigas:

 

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TERMAS DE CARVALHELHOS

Situadas a 800m de altitude, no sopé de um castro pré-romano e envoltas pelo frondoso parque das serras do Barroso, as Termas de Carvalhelhos (ditas santas devido ao ser poder curativo) providenciam um descanso revitalizador.

 

As águas de mineralização mediana são indicadas para repor o equilíbrio natural do organismo e são particularmente aconselhadas para doenças de pele e patologias dermatológicas, afecções do aparelho digestivo e do aparelho circulatório.

 

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Características da água

Mineralização Total: Fracamente mineralizada.

Composição Iónica: Bicarbonatada sódica.

Temperatura: 20ºC

pH: 8

 

Época Termal

De 15 de julhos a 15 de setembro

 

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Da empresa das águas de Carvalhelhos, retirámos o seguinte:

 

Agua de Carvalhelhos

 

Aqui brotam aquelas que começaram por ser conhecidas as Águas das Caldas Santas, em prol do seu virtuoso efeito terapêutico, que diz a lenda, terá sido descoberto por uma pastora que nelas lavou seus pés em chagas e ficou curada. Esta pastora, a “Barrosinha”, ficou para sempre ligada à imagem da marca e faz parte do logotipo da empresa.

 

Passados 100 anos, as suas características mantêm-se inalteradas, demonstrando assim a qualidade e a nobreza dos seus aquíferos. Vários ensaios efetuados, permitem estimar em dezenas de anos o tempo que decorre entre a infiltração da água no solo e a sua emergência à superfície.

 

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1915 - 1948

As origens das águas de Carvalhelhos

Das águas santas de Carvalhelhos diz-se que foram descobertas em 1915, por uma pastora que nelas lavou os pés em chaga e ficou curada. Ganharam fama com um fotógrafo do Porto que chegou à região e documentou a sua própria recuperação. Nessa época, o engarrafamento era feito à mão e a água minero-medicinal era vendida em farmácias.

 

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1961

Do engarrafamento manual até à produção em série

Em 1961 é instalada uma linha de enchimento automática, considerada a mais moderna do país, com uma capacidade produtiva de 6.000 garrafas por hora. Devido à crescente procura desta água no mercado, várias linhas de enchimento foram instaladas, satisfazendo as necessidades de produção e garantindo a qualidade intocável do produto.

 

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1975 - 1982

Novo Complexo Industrial

Em 1975 é dado um grande salto qualitativo em termos de instalações industriais, tendo sido construído um complexo industrial, com uma área coberta de aproximadamente 15.000 m², que ainda hoje é uma referência no setor. Nos 7 anos seguintes, a capacidade produtiva da empresa evoluiu significativamente para 33.000 garrafas/hora, e mais tarde para as 40.000 garrafas/hora.

 

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1989 - 1995

O surgimento do plástico e as renovadas linhas de Vidro

Em 1989, depois de várias experiências com diferentes soluções, a empresa foi pioneira a introduzir em Portugal as embalagens de plástico em PET, de elevada qualidade, à qual o mercado só aderiu dez anos mais tarde.

 

Em 1995, no âmbito de uma estratégia orientada para o meio ambiente, a empresa renova as suas linhas de vidro, instalando uma nova linha de alta cadência e elevada performance, substituindo simultaneamente todo o seu parque de vasilhame.

 

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2000

A qualidade Carvalhelhos

Em 2000, a empresa implementa o sistema de gestão da qualidade, certificado pela APCER, ao abrigo das normas ISO 9002, tendo sido adaptado à norma ISO 9001 em 2003 e posteriormente atualizado às diversas revisões desta norma internacional.

 

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2002

Comercialização direta em Lisboa

Em 2002 inicializou-se a comercialização dos produtos Carvalhelhos de forma direta em Lisboa, com staff próprio de armazém e de vendedores.

 

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2004

As novas tendências do mercado

Em 2004, a empresa desenvolve um conjunto de produtos inovadores, seguindo as tendências de mercado da época, surge a Carvalhelhos Limão. Estes produtos foram sendo ajustados às expectativas dos consumidores.

 

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2011

Evolução Tecnológica

Em 2011 houve uma nova evolução tecnológica implementando um ERP na gama PHC Enterprise para substituição da plataforma tecnológica existente, com arquitetura e génese de 1989;

 

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2015

100 Anos Carvalhelhos

2015 é o ano de centenário e da nova identidade corporativa da Carvalhelhos – novo logo, logo dos 100 anos e nova imagem dos rótulos.

 

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As nascentes

A Água de Carvalhelhos brota naturalmente na serra do Barroso, na localidade de Carvalhelhos, no Norte de Portugal, na montanha, em meio ambiente preservado. Foi neste local que em meados do Sec. XIX, foram descobertas umas águas com propriedades medicinais. A existência das suas fontes, batizadas de Lucy e Stella, em homenagem às filhas do fundador da empresa, são conhecidas há mais de 150 anos.

 

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Admite-se hoje que as termas das Caldas Santas de Carvalhelhos já fossem conhecidas antes dos romanos, como o comprovou a descoberta, nos anos 50, do Castro de Carvalhelhos ou “Castelo os Mouros”, como também é designado, pelas escavações realizadas por Santos Júnior e pela sua equipa.

 

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A captação da nossa água ocorre nessas duas nascentes tradicionais de água mineral, a 750-800 metros de altitude, mas também em um poço vertical de água mineral, muito acima do nível médio do mar.

 

Principais Características do nosso Aquífero:

 

Composição Geológica: granitos e xistos;

Tipo de Aquífero: fraturado, composto por “blocos” e “fraturas”;

Fluxo de Águas Subterrâneas: profundidade em rochas graníticas fraturadas, provavelmente, também em xistos;

Parâmetros hidráulicos: transmissividade na faixa de 70-100 metros2/dia e permeabilidade média na faixa de 60-70 metros/dia;

Proteção do recurso água: totalmente assegurada por três razões principais: excelentes condições ambientais verificadas em áreas de recarga, circulação e descarga; a companhia é o proprietário dos terrenos envolvidos com as áreas de descarga; não há fontes de contaminação na área, incluindo corpos d’água superficiais.

 

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E chegamos a fim deste post, apenas nos falta deixar por aqui o vídeo com todas as imagens de Carvalhelhos publicadas até hoje no Blog Chaves.

Aqui fica o vídeo, espero que gostem:

 

 

Agora também pode ver este e outros vídeos no nosso MEO KANAL nº 895 607

 

Bibliografia:

CÂMARA MUNICIPAL DE BOTICAS, Preservação dos Hábitos Comunitários nas Aldeias do Concelho de Boticas - Câmara Municipal de Boticas, Boticas, 2006

 

Webgrafia:

http://www.monumentos.gov.pt/site/app_pagesuser/sipa.aspx?id=5987

http://www.patrimoniocultural.gov.pt/pt/patrimonio/patrimonio-imovel/pesquisa-do-patrimonio/classificado-ou-em-vias-de-classificacao/geral/view/73697

https://termasdeportugal.pt/rede-termas/santas-de-carvalhelhos

https://carvalhelhos.pt/

http://www.cm-boticas.pt/

 

 

30
Out20

O Barroso aqui tão perto - Outeiro C/Vídeo

Aldeias do Barroso - Concelho de Montalegre

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OUTEIRO

 

Continuando a cumprir a nossa falta para com as aldeias que, aquando dos seus posts neste blog, não tiveram o resumo fotográfico em vídeo, trazemos hoje esse resumo para a aldeia de Outeiro, do Concelho de Montalegre.

 

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Mais uma das pérolas do Barroso, esta mesmo à beirinha da barragem de Paradela, com vistas privilegiadas sobre a Serra do Gerês e sobre a Barragem, mas também ela, a aldeia de Outeiro,  vista ao longe, encanta qualquer olhar, quer desde Paradela, quer desde o lado oposto, que não fica aqui hoje neste post, mas que estão no vídeo.

 

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Para o post de hoje apenas 4 imagens, pois no seu post já tinha mais imagens que o habitual, é o que acontece quando a aldeia é fotogénica e as vistas são de encantar.

 

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Mas hoje estamos aqui mesmo por causa do vídeo que não teve no seu post, este com link no final. Agora sim  vamos ao vídeo, espero que gostem.

Aqui fica:

 

 

 

Agora também pode ver este e outros vídeos no MEO KANAL Nº 895 607

 

Post do blog Chaves dedicados à aldeia de Outeiro:

https://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-outeiro-1709896

 

 

E quanto a aldeias de Montalegre, despedimo-nos até a próxima sexta-feira, para trazermos aqui a aldeia de Padornelos.

 

 

26
Out20

O Barroso aqui tão perto - Beça

Aldeias do Barroso - Concelho de Boticas

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BEÇA - BOTICAS

 

Hoje abrimos uma nova freguesia de Boticas, Beça, e com ela todas as aldeias desta freguesia, pela ordem alfabética, que por coincidência é a aldeia sede de freguesia – Beça.

 

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Vamos então até Beça, aldeia e sede de freguesia, do concelho de Boticas. Beça que à vezes também aparece grafado como Bessa, cujo topónimo é também o nome do rio, Rio Beça, também ele às vezes grafado como Bessa, rio este que atravessa toda a freguesia, vindo da nascente na Serra do Barroso, perto de Sarraquinhos, concelho de Montalegre, um rio todo ele Barrosão que no seu percurso de cerca de 45 quilómetros, passa por Cervos, Beça, Vilar e Canedo indo desaguar na margem direita do Rio Tâmega perto de Ribeira de Pena.

 

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Iniciemos já pela localização de Beça e o melhor itinerário para lá chegarmos a partir da Cidade de Chaves. Pois Beça fica a aproximadamente 6km de Boticas, a partir da qual podemos ir até à aldeia, mas desta vez, vamos tomar a EN103 (estrada Chaves-Braga) mas ao chegarmos a Sapiãos, em vez de virarmos para Boticas, continuamos pela EN103, mas apenas mais 6Km, aí, à esquerda, teremos o desvio para Beça, quase em frente ao desvio para a Serra do Leiranco. Mas fica o nosso mapa como uma pequena ajuda. Ao todo, de Chaves até Beça são 28,8Km.

 

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Logo ao entrámos na estrada em direção a Beça, CM1037, a cerca de 3Km, temos a aldeia de Pinhal Novo, a única aldeia de colonos que Salazar mandou construir no concelho de Boticas, mas integradas nas aldeias dos colonos do Barroso. Aldeia que também faz parte da freguesia de Beça, mas que nós já abordámos em tempo conjuntamente com as restantes aldeias dos colonos do Barroso, numa série de posts em que contámos toda a história ligada a estas aldeias. Embora Pinhal Novo também seja abordado nesta freguesia, fica aqui já adiantado o que dissemos sobre ela nas aldeias dos colonos de Salazar, que alguém com um romantismo sem equivalência real, chamou de “Aldeias Jardim”. 

 

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Mas Pinhal Novo hoje fica só como uma referência na nossa passagem para Beça, que fica logo a seguir, apenas mais meia-dúzia de retas e outras tantas curvas, abre-se a aldeia e o seu vale a descair ligeiramente para a margem esquerda do Rio Beça, mesmo em frente a Carvalhelhos, mas esta, na margem direita do rio.

 

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Pois Beça é um topónimo que já nos soa nos ouvidos há muito tempo, desde miúdo, mas a verdade se diga, já não sei porque. Sei, isso sim, que a primeira vez que lá fui, já foi em visita fotográfica com um grupo alargado de fotógrafos, isto já em 2011, aliás algumas, poucas, das fotos de hoje são desse dia (28-05-2011), as restantes são mais recentes, mas também já lá vão dois anos desde o dia em que as fizemos (1-06-2018).

 

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E ainda bem que fomos por lá segunda vez com a intenção de fotografar, pois da primeira vez apenas nos ficámos pelo largo da igreja, e dado o calor do dia, penso que passamos mais tempo no bar que a fotografar. Fica uma imagem desses momentos, já de 2011, não vão pensar que a fotografia é recente e que que está nela está a confraternizar sem os cuidados que o bicho (Corona vírus ou covid-19) nos exige.

 

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O que dizer sobre a aldeia!?, pois é uma aldeia já com dimensões para se poder considerar uma aldeia grande, não muito grande, mas grande, com um núcleo mais antigo, ainda com muitas construções tradicionais e mais antigas, algumas reconstruções pelo meio feitas com algum gosto na preservação, outras nem tanto, mas o casario novo aparece ao longo de novos arruamentos e da estrada que nos leva até à Carreira da Lebre/Boticas, ou seja, a que nós indicámos para se ir até Beça.

 

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Claro que uma aldeia quanto mais preservada estiver, mais interessante é para quem a visita e para chamar novos visitantes, principalmente agora que o turismo local se recomenda, mas para isso, já há muito que se deveriam tomar as medidas preventivas necessárias, que nem sempre são bem aceites e compreendidas pelas populações locais. Depois também é uma questão de exemplo, principalmente nestas aldeias do Barroso onde o parece bem ou parece mal, ainda se vai tendo em conta, ou seja, se um vizinho restaura uma construção e ficou bem, o seu vizinho tende a fazer o mesmo e a partir de aí, todos lhe vão seguir o exemplo, e ninguém se atreverá a construir um mamarracho novo no meio, pois vai parecer mal… e o que parece mal, é a própria aldeia que critica o “prevaricador”, mesmo que dentro da lei.

 

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Mas sejamos sinceros, os primeiros a prevaricar, muitas das vezes, são as Juntas de Freguesia e a própria autarquia, primeiro pela ausência de medidas preventivas, depois por alguns arranjos, ou construções públicas que não seguem a traça do típico na região, começando logo pelos materiais (novos) que aplicam. Mas não só, também a EDP, a PT e outras empresas de fornecimento e abastecimento de infraestruturas às aldeias, são as que mais as destroem visualmente falando, principalmente a EDP que às cegas coloca postes e armários de eletricidade (plásticos ou coisa parecida) em frente a monumentos, igrejas, capelas, nichos e outros de interesse histórico e turístico, sem o mínimo de respeito pelo que há por perto. Deixo-vos a seguir um exemplo, que até nem é dos piores, pois ali ainda cabia pelo menos mais um post e por cima do armário, uma cabina telefónica daquelas azuis que a PT agora anda a colocar nas aldeias do Barroso, que já as vimos colocadas em fachadas de capelas e dos tradicionais fornos do povo barrosões, aqueles cobertos com lajes de granito. No caso desta foto, são apenas umas alminhas, bem interessantes por sinal e que até são consideradas um dos traços da cultura portuguesa.

 

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Mas isto que tenho vindo a dizer, à exceção do último parágrafo, até nem se aplica a Beça, embora também não esteja livre de alguns, mas já vimos aldeias bem interessantes com atentados que são de bradar aos céus. Mas deixemos as desgraças e passemos às graças, àquilo que Beça tem de interessante e que é de visita obrigatória na aldeia.  

 

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Pois a primeira é mesmo a beleza do conjunto e a harmonia dos campos envolventes, com muito verde no qual o Rio Beça também tem alguma responsabilidade. Campos verdes que se estendem até às aldeias vizinhas mais próximas (Carreira da Lebre e Carvalhelhos). Em segundo lugar punha a vida que esta aldeia ainda tem. Pela certa que também muita gente já a abandonou, é quase inevitável que tal não tenha acontecido, mas a proximidade de Boticas e mesmo à cidade de Chaves, com bons acessos (embora pudessem ser melhores), com certeza que têm a ver com a preservação de alguma dessa vida.   

 

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De interesse também a Igreja da Nossa Senhora da Apresentação e a Igreja de São Bartolomeu, santo que também é o orago da freguesia. A residência paroquial também mereceu a nossa atenção.

 

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A ponte medieval da Pedrinha também é uma referência para a freguesia, mas essa, e outros pontos de interesse da freguesia irão ser tratados nos próximos posts, um deles dedicado à Carreira da Lebre que embora não conste (oficialmente) como uma localidade da freguesia, penso que já tem condições para tal, pelo menos para merecer um post nosso.

 

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E vai sendo tudo. Só nos resta dizer que que no final da abordagem de todas as aldeias da freguesia de Beça, regressaremos novamente a esta aldeia, com o post da freguesia, mas primeiro passarão por aqui todas as aldeias, sendo a próxima, a aldeia de Carvalhelhos.

 

E o vídeo com todas as imagens da aldeia de Beça que foram publicadas até hoje neste blog. Aqui fica:

 

 

Agora também pode ver este e outros vídeos no MEO KANAL Nº 895 607

 

 

19
Out20

O Barroso aqui tão perto - Freguesia de Ardãos e Bobadela

Freguesias de Boticas

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Vale superior do Rio Terva

1600-cabecalho-boticas

 

Freguesia de Ardãos e Bobadela

 

Tal como vem acontecendo com as anteriores freguesias, após abordarmos todas as aldeias da freguesia, que no caso são Ardãos, Bobadela e Nogueira, fazemos aqui o resumo da freguesia, no entanto, no caso das freguesias que foram unificadas com a última reorganização administrativa do território (Lei n.º 11-A/2013 de 28 de janeiro), como é o caso, esse resumo torna-se mais complicado, ou mais confuso, porque os dados que possuímos são ainda das antigas freguesias.

 

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Contudo, como já estávamos a contar com este post resumo da freguesia, e o que tínhamos a dizer sobre cada uma das freguesias, já o fomos dizendo nos posts que fizemos de cada aldeia, para hoje reservamos apenas aquilo que é mais ou menos comum a todas as aldeias, em suma, à atual freguesia, como seja a história do vale superior do Terva e a Serra do Leiranco,  deixando antes, em termos de população e dados do território, os das antigas freguesias de Ardãos e Bodadela

 

 

Ardãos (Antiga freguesia)

 

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Ardãos foi uma freguesia portuguesa do concelho de Boticas, com 22,43 km² de área e 249 habitantes (2011). Densidade: 11,1 hab/km².

 

4 - grafico ardaos.jpg

 

Ardãos era a única aldeia da freguesia.

 

Bobadela (Antiga freguesia)

 

5 -1600-bobadela (264)-c-br

 

Bobadela foi uma freguesia portuguesa do concelho de Boticas, com 14,7 km² de área e 330 habitantes (2011). Densidade: 22,4 hab/km².

 

6 - grafico - bobadela.jpg

 

A freguesia era constituída pelos lugares de Bobadela e Nogueira.

 

7 - 1600-sapelos (205).jpg

 

 

Freguesia de Ardãos e Paradela

 

A freguesia de Ardãos e Bobadela é constituída pelas localidades de Ardãos, Bobadela e Nogueira, com 37,13 Km² de área e 579 habitantes (2011). Densidade: 15,59 hab/Km².

 

8 - atual -freg.jpg

9-grafico conjunto.jpg

 

A atual freguesia de Ardãos e Bobadela confronta com os concelhos de Montalegre (a norte e poente) e concelho de Chaves (a norte e nascente), e o seu território grande parte do vale superior do Rio Terva e a Serra do Leiranco, e como as aldeias da freguesia já tiveram aqui o seu post, neste capítulo dedicado à freguesia vamos abordar mais em pormenor aquilo que o seu território tem de interesse, quer na Serra do Leiranco, quer no vale do Rio Terva.

 

Serra do Leiranco

 

10-2000-Panoramica desde leiranco

 

Embora o concelho de Boticas seja rico em miradouros naturais, cada um tem as suas particularidades. Penso que conheço todos os seus miradouros naturais mais importantes, mas estes, da Serra do Leiranco são os mais surpreendentes e dos quais podemos alcançar muito mais além num raio de 360º. Desde os seus miradouros podemos lançar olhares sobre a Galiza, quase todo o concelho de Chaves, incluindo a sua veiga e cidade, Concelho de Vinhais, Valpaços, Vila Pouca de Aguiar, Ribeira de Pena e Montalegre. Deles alcançam-se as serras mais altas da região, como a Serra do Larouco, Serra de Mairos, Serra do Brunheiro, Serra da Padrela, Serra do Marão, Serra do Alvão, Serra da Cabreira, Serra do Gerês e Serra do Larouco.

 

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Também é do cimo do Leiranco que melhor se pode observar o todo da nossa freguesia de hoje, principalmente o vale superior do rio Terva. Já o mesmo não acontece para as aldeias da freguesia, exceção para Ardãos sobre a qual se lançam excelentes vistas, mas já o mesmo não acontece para Nogueira e Bobadela, porque de tão encostadas que estão à Serra do Leiranco, delas, apenas se conseguem ver pequenos trechos das duas aldeias.

 

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Excelentes vistas também para a cidade de Chaves, a olho nu, mas bem melhor com binóculos ou teleobjetiva da câmara fotográfica, como na foto seguinte onde se todo o centro histórico da cidade, quase toda a freguesia da Madalena, vendo-se em primeiro plano a barragem de Valdanta/Curalha, a aldeia de Valdanta e Cando e ao fundo, em último plano, do lado esquerdo a aldeia de Faiões e do lado direito as localidades de Campo de Cima, Eiras e Castelo.

 

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Para o lado oposto da cidade de Chaves, pode-se ver grande parte do Alto-Barroso de Montalegre, desde a Barragem dos Pisões até à serra do Larouco (e Larouquinho), tendo vistas privilegiadas para as aldeias mais próximas do Leiranco, como Cervos e Arcos.

 

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Para além dos miradouros e das vistas, há ainda que abordar a biodiversidade da serra do Leiranco, mas como nós nessa matéria apenas sabemos apreciar, vamos ver o que se diz sobre o assunto na página de visitboticas:

 

Na cumeada do Leiranco, para além do deslumbramento da paisagem com horizontes a perder de vista, poderá observar espécies florísticas raras e protegidas, alguns endemismos ibéricos, com interesse para a conservação em Portugal, como a gramínea Festuca elegans e a caldoneira (Echinospartum ibericum), a Eryngium duriaei subsp. juresianumFestuca summilusitana e cravinhos-bravos (Dianthus langeanus).

Relativamente à fauna, o cume do Leiranco constitui um biótopo de montanha, tendo-se registado várias espécies residentes, como o coelho-bravo (Oryctolagus cuniculus) e a cia (Emberiza cia), e estivais, como o chasco-cinzento (Oenanthe oenanthe) e o melro-das-rochas (Monticola saxatilis), este referenciado como espécie “Em Perigo” no LVVP.

 

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Por último, ainda na serra, fica também uma das suas preciosidades, embora haja pouca informação sobre o mesmo, trata-se do Castelo da Contenda, mas fica uma imagem do mesmo e uma referência que dá nome a uma das rotas das vias antigas proposta pelo Parque Arqueológico do Vale Superior do Rio Terva, que tem gabinete de apoio e informações na aldeia de Bobadela.

 

Via Medieval do Castelo da Contenda

Com a nova estruturação de povoamento na Idade Média, organiza-se uma nova rede viária regional, passando a ligação de Chaves ao Minho a fazer-se preferencialmente pelos eixos meridionais de Alturas do Barroso-Ruivães e de Salto–Rossas, em detrimento da antiga ligação pela zona de Montalegre, provavelmente por ainda não estar bem estabelecida a apropriação deste espaço por parte da coroa portuguesa, como parece denunciar a tardia construção do castelo de Montalegre, já no século XIV.

Na bacia inicial do rio Terva, para além da desaparecida ponte de cantaria que fazia a passagem do rio entre Sapelos e Sapiãos, na via que seguia para sul pela ponte de Carvalhelhos, apenas se conserva uma importante via local de época medieval, ainda com longos troços de pavimento lajeado.

Trata-se da via Arcos-Bobadela, já referenciada nas Inquirições de Afonso III, de 1258. Ligando as povoações de Cervos e Arcos (em Montalegre), a Bobadela e Sapiãos (em Boticas), esta via servia igualmente, a meio do seu percurso, o castelo medieval das Fragas da Contenda, o qual testemunha os primeiros esforços de organização do território ao tempo do Condado Portucalense.

 

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Vale Superior do Rio Terva

 

Falar do Vale Superior do Rio Terva é sinónimo de falar em OURO, mais precisamente do povoamento romano e das minas de ouro que aí exploraram. Este complexo mineiro antigo do vale superior do rio Terva tem sido desde 2006 sistematicamente investigado pela Unidade de Arqueologia Universidade do Minho (UAUM) através do “Programa para a Conservação, Estudo, Valorização e Divulgação do Complexo Mineiro Antigo do Vale Superior do Rio Terva”, resultante de um protocolo entre a referida instituição e a Câmara Municipal de Boticas, daí, já muita coisa ter sido descoberta e muita por descobrir, não propriamente as minas cujos testemunhos são ainda bem visíveis, mas mais precisamente no que respeita aos povoados romanos que nasceram como apoio a estes complexos mineiros, nomeadamente a cidade romana de Batocas e Carregal.

 

18 - 1600-p das freitas (15)

 

Sobre o assunto, vejamos o que se regista na pagina oficial do IGESPAR sobre o Património Cultural:

 

Entre os ribeiros do Vidoeiro e do Calvão, e na confluência de ambos com o rio Terva, este notável conjunto mineiro localiza-se junto da estrada romana que ligava Chaves a Braga. Nesta área relativamente ampla, estimada em cerca de 40 hectares, identificaram-se diversas cortas de extracção do ouro a céu aberto, assim como algumas galerias que auxiliavam aos trabalhos de remeximento dos solos. Na origem, foi uma exploração romana de grande impacto, densidade ainda hoje bem visível na radical transformação da paisagem e da topografia então operada.

São vários os pontos essenciais de extracção antiga do ouro. O Poço das Freitas, no limite Sul do conjunto, é o mais importante, por ser a maior das cortas deixadas pelos romanos, cuja cratera, frequentemente inundada, tem cerca de 100 metros de comprimento. Fazem ainda parte deste complexo as minas de Batocas e do Brejo. O trabalho de exploração do ouro implicou a definição de habitats relativamente perto, razão da existência do de Carregal, imediatamente abaixo do Poço das Freitas e que constitui uma mancha de ocupação dificilmente detectável pela grande densidade vegetal que cobre a zona e da qual não se detectaram quaisquer estruturas, apenas espólio de superfície.

Na actualidade, decorrendo em paralelo com o processo de classificação do complexo, uma empresa canadiana promoveu novas análises dos solos, concluindo pela viabilidade de exploração de ouro no local, tendo-se estimado o potencial mineiro em aproximadamente 7,1 toneladas de minério. A autarquia de Boticas concedeu o apoio possível ao projecto, consolidando o investimento privado de reactivação das minas com um eixo turístico-cultural que ligue o passado romano ao presente, através de um centro de interpretação, percursos pedonais e uma valorização dos sítios proto-históricos e romanos já identificados na área.

Paulo Fernandes | DIDA | IGESPAR, I. P. - 22.08.2007

 

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Numa tese de doutoramento apresentada por João Fonte na Facultade de Xeografía e Historia, de Santiago de Compostela, encontramos o seguinte:

 

Para época romana esta relação entre povoamento e mineração encontra-se já devidamente atestada, pois existe um conjunto de povoados romanos directamente associados às frentes mineiras, nomeadamente o de Batocas e o do Carregal. As recentes intervenções arqueológicas levadas a cabo no povoado de Batocas revelaram a existência de um importante complexo edificado de época romana, inequivocamente associado às diversas frentes de exploração mineira que o rodeiam, com uma ocupação genericamente datada entre meados do século I d.C. e inícios do II d.C. (Lemos & Martins, 2014: 342), onde apareceram vestígios evidentes da fundição de ouro, nomeadamente um cadinho que revelou a presença de pingos de ouro (Fontes et al., 2013b, 2014; Fontes, Martins, et al., 2011; Martins, 2015).

 

Tanto no povoado mineiro de Batocas, como no do Carregal, este último associado à zona mineira do Poço das Freitas/Limarinho, refere-se a presença de cerâmica de tradição indígena (Fontes, Alves, et al., 2011: 212-214), algo também constatado no povoado da Veiga da Samardã na zona mineira de Tresminas (Batata, 2009) (5.3.2.), o que, por si só, não implica uma ocupação da Idade do Ferro e, sobretudo, uma exploração mineira préromana, pois sabemos que a cerâmica indígena perdura até pelo menos meados do século I d.C., tando mais que quem seguramente habitaria nestes povoados seriam as populações locais que trabalhariam nas minas, embora enquadradas já no novo contexto imperial romano.

 

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E vamos dar por terminado este post, contudo, será uma freguesia que vai continuar debaixo de olho, nomeadamente no que respeita à Serra do Leiranco, mas principalmente ao Vale Superior do Rio Terva e aquilo que ainda há por descobrir ou revelar sobre o povoamento romano.

 

Ainda antes de terminar fica link para os posts dedicados às aldeias da freguesia de Ardãos e Bobadela:

 

Ardãos

Bobadela

Nogueira

 

E sobre o Barroso de Boticas, estaremos aqui no próximo domingo com os posts dedicados às aldeias da freguesia que se segue, que, segundo a ordem alfabética será a freguesia de Beça, com a aldeia de Beça.

 

 

Bibliografia

FONTE, João -  TESE DE DOUTORAMENTO PAISAGENS EM MUDANÇA NA TRANSIÇÃO ENTRE A IDADE DO FERRO E A ÉPOCA ROMANA NO ALTO TÂMEGA E CÁVADO Departamento de Historia I Facultade de Xeografía e Historia, SANTIAGO DE COMPOSTELA, 2015

 

Webgrafia

https://visitboticas.pt/2017/02/rota-natura/ (consultado dia18-10-2020)

http://www.patrimoniocultural.gov.pt/pt/patrimonio/patrimonio-imovel/pesquisa-do-patrimonio/classificado-ou-em-vias-de-classificacao/geral/view/9990054/ (consultado dia18-10-2020)

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