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CHAVES

Olhares sobre o "Reino Maravilhoso"

19
Abr21

O Barroso aqui tão perto - Mosteirão

Aldeias do Barroso - Concelho de Boticas - C/Vídeo

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Mosteirão - Boticas

 

Nesta descoberta do Barroso do concelho de Boticas, temos andado pela União de freguesias de Codeçoso, Curros e Fiães do Tâmega, hoje continuamos na mesma freguesia, na aldeia de Mosteirão.

 

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Sobre Mosteirão, quase podíamos repetir o que dissemos sobre Fiães do Tâmega, ou sobre Curros, ou o que iremos dizer sobre Veral e Sobradelo, porque todas estas aldeias barrosãs têm em comum a vizinhança do Rio Tâmega e os olhares que se lançam sobre as montanhas além Tâmega e que entram nos concelhos de Chaves, de Vila Pouca de Aguiar e bem lá ao fundo, nas últimas montanhas, também um pouquinho do concelho de Valpaços. Na realidade são aldeias miradouros.

 

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Mas há miradouros e miradouros e embora o Barroso até seja rico em miradouros oficiais ou não, e todos eles sejam interessantes, este de Mosteirão é muito singular, pois a própria rua que atravessa a aldeia é uma varanda miradouro, com gradeamento e tudo, e sem obstáculos pela frente.

 

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Tal como disse em Fiães do Rio, estamos também num Barroso mais ameno,  com fortes influências do Rio Tâmega e das suas características neblinas e nevoeiros. Que por sua vez se vai refletir naquilo que a terra aí produz, já com árvores de frutos, a vinha, e outras culturas que no Alto Barroso são quase impossíveis de vingar.

 

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Terras mais amenas que no restante Barroso, mas na mesma com invernos rigorosos e mais húmidos o que faz com que o frio se sinta mais, mesmo com temperaturas mais altas, o frio entranha-se no corpo, não respeita a roupa e abrigos que vestimos, chega até aos ossos.

 

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Mas vamos até Mosteirão e como chegar lá. Também aqui se aplica o que dissemos para Fiães do Rio, pois para chegarmos a esta tivemos que passar por Mosteirão. Assim, o itinerário a partir, como sempre, da cidade de Chaves, é o mesmo, ou seja, via N103 (estrada de Braga) até Sapiãos, dai rumamos até Boticas e na segunda rotunda, segunda saída (antes da saída para Vidago) temos a estrada que nos leva até Mosteirão, e a não ser as instalações da RESAT, temos apenas montanha até chegarmos à aldeia. Hoje, por problemas alheios à nossa vontade, não temos o nosso mapa, mas temos um do google maps com todas as indicações necessárias.

 

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Assim, nem que fosse e só pelo que dissemos até aqui, Mosteirão já merecia uma visita, mas é também de visita obrigatória pela própria aldeia, pela sua disposição no terreno, pelo conjunto e particularidades do seu casario, e, claro, fique na varanda do seu miradouro o tempo que lhe apetecer, desde onde, tem também uma vista singular sobre Arcossó e a Vila de Vidago.

 

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O único senão destas aldeias é não existir muita informação/documentação disponível para podermos fazer uma abordagem mais completa sobre a aldeia, a sua gente e a sua vida.  Na monografia de Boticas – “Preservação dos Hábitos Comunitários nas Aldeias do Concelho de Boticas” apenas encontrámos algumas informações, como à freguesia a que pertence, as suas festas e celebrações religiosas, a Nossa Senhora de Fátima e Santa Bárbara em agosto, e em dezembro, apenas com celebração religiosa a Santa Bárbara.

 

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Como património cultural e edificado, a monografia refere a capela, e sim, embora muito simples, não deixa de ser interessante. A capela de Santa Bárbara com granito à vista, um granito de a duas cores de castanho, um, mais cor de café com leite e outro de cor de café puro, granito e cores que se repete um pouco por todas as construções da aldeia, curiosamente a umas dezenas de quilómetros das grandes explorações de granito azul.

 

Outros locais de interesse turístico Forno do Povo de Mosteirão.

 

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Mas graças à internet e à redes sociais podemos ter mais algumas informações, nomeadamente quando há pessoas nas aldeias que criam um espaço a ela dedicada, como neste caso de Mosteirão, que em forma de comunidade marca presença no facebbok, onde poderá acompanhar a vida da aldeia, os seus acontecimentos e alguns vídeos, está tudo aqui:

https://www.facebook.com/Mosteir%C3%A3o-Boticas-Vila-Real-437664913057350/

 

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E só nos resta, como de costume, deixar aqui o vídeo com todas as imagens publicadas neste post. Espero que gostem.

Aqui fica:

 

 

Agora também pode ver este e outros vídeos no MEO KANAL Nº 895 607

 

E quanto a aldeias de Boticas, despedimo-nos até ao próximo domingo em que teremos aqui a aldeia de Secerigo.

 

 

11
Abr21

O Barroso aqui tão perto - Fiães do Tâmega

Aldeias do Barroso - Concelho de Boticas

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Fiães do Tâmega - Boticas

 

Continuamos na união de freguesias de Codeçoso, Curros e Fiães do Tâmega, precisamente nesta última aldeia, Fiães do Tâmega  que, como se poderá deduzir pelo seu topónimo, é uma aldeia das proximidades do Rio Tâmega e daí, no limite do concelho de Boticas.

 

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Vamos então até Fiães do Tâmega, como sempre a partida da cidade de Chaves e quase pelo caminho do costume, à exceção da Carreira da Lebre, que desta vez não temos necessidade de passar por lá, pois a partir de Boticas temos uma estrada municipal que nos leva até Fiães se necessidade de utilizar a R311.

 

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Estrada municipal que deveremos apanhar na segunda rotunda da vila de Boticas, na mesma rotunda que recebe a R311 vinda de Vidago, ou seja, apena atravessamos aR314 para apanhar a municipal que serve também as aldeias de Mosteirão e Veral, depois com saída para a R312 que liga a Ribeira de Pena.

 

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Mais uma aldeia que nos surpreendeu pela positiva, com muita vida nas ruas e a paisagem um pouco diferente daquilo que é habitual no Barroso, e assim tem de ser, pois Fiães não só está no limite do concelho mas também no limite do Barroso, sendo o Rio Tâmega o limite natural das terras barrosãs.

 

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E como no caderno da “Preservação dos Hábitos Comunitários nas Aldeias do Concelho de Boticas” está quase tudo que queríamos dizer sobre Fiães, passemos já à transcrição de algumas partes desse caderno. Desde já se avisa que a realidade atual pode não coincidir com aquela que é descrita no caderno, pois o mesmo foi publicado em maio de 2006, e desde aí, algumas coisas se alteraram.

 

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Vamos então ao que consta no caderno da  “Preservação dos Hábitos Comunitários nas Aldeias do Concelho de Boticas”

 

A freguesia de Fiães do Tâmega situa-se na extremidade mais a sul do concelho de Boticas, zona mais quente com temperaturas amenas, mais parecidas com as de Ribeira de Pena do que com as de Barroso. Confronta a Norte com a freguesia de Curros, a Este com Bragado, do concelho de Vila Pouca de Aguiar, a Sul com Parada de Monteiros, do concelho de Vila Pouca de Aguiar, e a Oeste com Canedo, do concelho de Ribeira de Pena.

 

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Distando da sede do concelho aproximadamente 13 km, o acesso viário faz-se seguindo pelo CM 1050 ate Fiães do Tâmega, ou, em alternativa, segue­ se pela ER 311, apanha-se a EM 312, vira-se na indicação Veral e segue-se pelo CM 1050.

 

Esta freguesia e constituída par duas aldeias: Fiães do Tâmega, sede de freguesia, e Veral, localizadas na encosta da Serra de Santa Comba. Ocupa, em termos territoriais, 14,5 km2.

O desenvolvimento da população desta freguesia de Fiães do Tâmega acompanha o movimento demográfico que caracteriza toda a região de montanha no Norte de Portugal, tipificada por uma diminuição progressiva da população, com uma pirâmide etária invertida, onde os grupos etários mais baixos são diminutos e a população envelhecida aumenta.

 

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E, desde sempre, uma das menos povoadas freguesias do concelho, sendo que actualmente tem aproximadamente 167 residentes. Se até aos anos 70 a sua população registou um pequeno crescimento, a partir dessa década a tendência passou a ser inversa e a semelhança do que se verifica na generalidade das freguesias do concelho, perdeu muita da sua população residente nos ultimas 30 anos, mais de 47%. Este fenómeno e em parte explicado pela intensificação dos fluxos migratórios que se registaram a partir da década de 70, nomeadamente para Franca e Estados Unidos da América.

 

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A este fenómeno alia-se o gradual envelhecimento da  população, apresentando uma grande tendência para o envelhecimento, sendo que 67% dos 167 residentes têm idade superior a 25 anos. Os níveis de alfabetização desta população residente são baixos, acompanhando o seu nível de envelhecimento, destacando-se o numero elevado de pessoas sem nenhuma qualificação académica. Esta situação excepcional e suportada pelo elevado numero de idosos, alguns deles regressados da emigração em situação de aposentados.

 

Relativamente à àrea de actividade económica, a maior parte da população dedica-se à agricultura e à pecuária, seguindo as caminhos ancestrais da freguesia, visando apenas a subsistência.

 

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Assim, algumas famílias continuam a actividade tradicional de criação de gado e produção de batata e milho. São os produtos que melhor se desenvolvem e produzem nesta região de Barroso, com elevados níveis de qualidade e sabor. Por se encontrar numa zona localizada a médias altitudes, mais quente e com menores amplitudes térmicas do que as que se registram nas zonas mais altas do concelho, nas aldeias desta freguesia também se colhe vinho. Também a produção artesanal de mel esta hoje em vias de desenvolvimento, funcionando como complementaridade no rendimento das famílias. Parte da população trabalha na construção civil e na área da industria e em empresas do concelho (Aguas de Carvalhelhos, Euronete, etc).

 

No que se refere a sociedade esta comunidade caracteriza-se pela existência de famílias de lavradores e pequenos proprietários de terras onde se desenvolve a actividade agrícola e pecuária. É uma sociedade homogénea com alguns quadros médios que se dedicam a actividade comercial e desenvolvem actividade no ensino e na vida administrativa nas terras vizinhas designadamente na sede do concelho.

 

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Em Fiães do Tâmega existe um café, com mercearia, e em Veral uma taberna, também com uma pequena mercearia. Nas horas de ócio e sempre que o tempo o permite, as pessoas ainda têm a hábito de se reunirem a conversar nas principais ruas das aldeias ou sentadas nas escadarias das casas dos vizinhos.

 

MARCAS DO SEU PASSADO

Embora o desejo de todos os habitantes de uma terra seja saber como e quando ela nasceu, a resposta não é fácil de esclarecer. Excluindo uma ou outra que vem identificada nos documentos antigos, a maioria das aldeias têm origem desconhecida no tempo e por razões variadas. Umas com história mais antiga, outras de origem mais re­cente, sabe-se que a maioria destas aldeias foram formadas a partir do agrupamento de famílias unidas par laços de parentesco ou afinidades económicas e profissionais que se organizaram em comunidade.

 

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Os inúmeros vestígios histórico-arqueológicos informam-nos da passagem e até actividade e fixação de povos antigos designadamente os povos árabes, visigodos, suévicos e romanos.

 

Muitas das aldeias de Barroso têm a sua origem histórica no movimento de reconquista e povoamento do território iniciado com a formação do Reino de Portugal, em 1143, e posterior fixarão de uma ou mais famílias de povoadores Teve particular desenvolvimento a partir dos finais do seculo XIII. Estes povoadores eram atraídos por contratos de aforamento cujos termos eram favoráveis a sua fixação, traduzidos em pagamentos de foros de valor acessível. Estes contratos são conhecidos como o processo de enfiteuse ou aforamento e eram promovidos indistintamente pela Coroa e/ou pelas Casas Nobres e Senhorios Eclesiásticos.

 

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São conhecidos alguns contratos de aforamento para as terras de Barroso, o que nos permite pensar que a grande maioria das suas aldeias e povoados tiveram origem neste modo de povoamento.

 

Os casais eram bens aforados, com maior au menor dimensão, a uma ou várias famílias dando lugar a formação de aldeias. Os foreiros tinham como obrigação trabalhar a terra e pô-la a produzir, ficando senhores dela e pagando um foro que estava consignado no contrato, mui­ tas vezes traduzido em bens de consumo produzidos no próprio casal, como centeio e/ou partes de criação.

 

Fiães do Tâmega e certamente uma das aldeias que se integra neste movimento povoador.

Desde sempre fez parte do território da paróquia de Curros. Em 1527, no Numeramento de D. João III, aparece identificada e povoada já com 11 moradores e Veral apenas com seis. Por morador entende-se fogo, correspondendo assim a uma população calculada de 70 a 80 in­ divíduos.

 

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Em 1758 vem referida num documento produzido pelo pároco da paróquia de Curros como sendo uma aldeia dessa freguesia juntamente, com Curros, Antigo e Mosteirão.

 

Em 1834 foi autonomizada juntamente com Veral, formando uma paróquia sobre si e uma freguesia, vindo a fazer parte desde 1836 do território do concelho de Boticas, entretanto criado. Em 1895, consequência de um nova desenho administrativo, Fiães do Tâmega passou para o concelho de Ribeira de Pena onde se manteve apenas ate Janeiro de 1898. A partir dessa data passou definitivamente para o concelho de Boticas até aos dias de hoje.”

 

Só um aparte para esclarecer que, tal como se disse no início desta transcrição, este documento é de maio de 2006, entretanto também a freguesia de Fiães do Tâmega deixou de existir, pois com a reorganização administrativa do território das freguesias (Lei n.11-Al2013) passou a fazer parte da união de freguesias de Codeçoso, Curros e Fiães do Tâmega.

 

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Para finalizar a transcrição da “Preservação dos Hábitos Comunitários nas Aldeias do Concelho de Boticas” que consta no caderno da antiga freguesia de Fiães do Tâmega.

 

TRADIÇÕES E FESTIVIDADES

Ao longo dos tempos algumas das festividades que outrora animavam estas comunidades foram-se perdendo. Todavia, durante o ano outras ainda se realizam, embora não com o fulgor dos velhos tempos.

 

Ainda cantam os Reis e o que recolhem reverte para a igreja. As pessoas costumam dar dinheiro e outras coisas, como fumeiro, que depois são colocadas a leilão à saída da missa, revertendo o dinheiro para a igreja. Costumam cantar:

 

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I

Abram-me lá essas portas

Que ainda não estão bem abertas

Aí vem as do presépio

P'ra lhe dar as Boas Festas.

 

II

Boas Festas, Boas Festas

Trazemos nós p'ra lhe dar

Que nasceu o Deus Menino

Numa noite de Natal.

 

III

Numa noite de Natal

Noite de tanta alegria

Que nasceu o Deus Menino

Filho da Virgem Maria.

 

IV

Vamos todos, vamos todos

Bamos todos a Belém

Visitar o Deus Menino

Que Nossa Senhora tem.

 

V

Aqui vimos, aqui vimos

Aqui vimos bem sabeis

Vimos dar as Boas Festas

E também cantar as Reis.

 

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Em Veral acendem o canhoto que vem do Natal e Ano Novo ate ao dia 6, a que nesta altura chamam de Canhoto do Entrudo.

 

O Entrudo trazia muita alegria e folia. Hoje ainda se mascaram, especialmente as crianças, andam pelas casas da aldeia e atiram farinha uns aos outros.

 

Na Páscoa faz-se a visita pascal.

 

São Bernardino, 20 de Maio, padroeiro de Fiães do Tâmega e da freguesia. Celebram este dia com missa, sermão e uma procissão com a imagem do Santo a volta da igreja.

 

No S. João (24 de Junho) e no S. Pedro (29 de Junho) outrora faziam as tranquilhas das ruas com carros de bois e paus. Todavia, esta tradição quase caiu em desuso.

 

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Santa Susana, 11 de Agosto, em Fiães do Tâmega. Neste dia fazem uma festa com missa e procissão com andores, acompanhada com uma banda musical, pelas principais ruas da al­ deia.  A noite realiza-se um  animado arraial popular com um conjunto musical e um espectáculo de fogo de artífico.

 

  1. Martinho, 11 de Novembro, padroeiro de Veral. Fazem uma festa com missa e procissão com andores pelas principais ruas da aldeia. A noite a festa prossegue com um animado arraial popular.

 

Em cada uma das  aldeias  por  ocasião do Natal e Ano Novo fazem aquilo a que chamam o "Canhoto de Natal" e "Canhoto de Ano Novo", ou seja, uma grande fogueira com cepos e trances de arvores. Em Fiães, no largo da igreja, e em Veral, num largo a que chamam Portela da Fecha. As pessoas têm por hábito juntarem-se  a volta destas fogueiras  e num espirito de partilha e comunidade despedem-se do ano que termina, enquanto celebram e dão as boas vindas ao novo ano que começa.

 

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E agora sim, o vídeo com todas as imagens da aldeia de FIÃES DO TÂMEGA que foram publicadas neste post. Espero que gostem.

 

Aqui fica:

 

Agora também pode ver este e outros vídeos no MEO KANAL Nº 895 607

 

E quanto a aldeias de Boticas, despedimo-nos até ao próximo domingo em que teremos aqui a aldeia de Mosteirão.

 

 

28
Mar21

O Barroso aqui tão perto - Curros

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CURROS - BOTICAS

 

Seguindo a metodologia que adotámos para o concelho de Boticas de abordar as aldeias do concelho por ordem alfabética das freguesias e dentro destas a ordem alfabética das aldeias, hoje vamos até a aldeia de Curros, que até 2013 era sede de freguesia, mas com a reorganização administrativa do território das freguesias (Lei n.11-Al2013) passou a fazer parte da união de freguesias de Codeçoso, Curros e Fiães do Tâmega.

 

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Iniciemos já pela localização e como ir até Curros, com partida como sempre desde a cidade de Chaves e pelo caminho do costume, ou seja pela EN103 (estrada de Braga) até Sapiãos, aí saímos para Boticas onde, na rotunda da entrara devemos seguir a indicação de Ribeira de Pena, o mesmo na segunda rotunda e terceira, quando sairmos desta última (em direção a Ribeira de Pena)  já estamos R311, seguimos por ela, passa-se por Quintas e logo a seguir temos a Carreira da Lebre.

 

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No final da Carreira da Lebre, na rotunda, devemos sair da N311 e tomar a N312 em direção de Ribeira de Pena (à esquerda), mas apenas durante 4km, onde devemos tomar o desvio à esquerda em direção a Antigo de Curros, esta a 1km de distância, mas só vamos passar ao lado de Antigo, pois o nosso destino fica 800m mais à frente.

 

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Recordo que uma vez, um amigo, me dizia que reconhecia e guardava com ele os cheiros dos locais e cidades por onde tinha passado e vivido. Outros falam-me que recordam a luz ou luzes dos sítios, curiosamente eu costumo recordar o tempo (meteorológico) dos sítios onde vou pela primeira vez, o frio ou calor, chuva, nevoeiro, vento… são esses os registos que naturalmente guardo na memória. Tudo isto para voz dizer que quando abordámos Curros, estava um frio de rachar. Fui rever o exif das fotos, e é natural que estivesse, pois foi em 1 de novembro de 2017 que passámos por lá, por sinal no dia em que Chaves vive a sua grande festa da Feira dos Santos, o dia mais concorrido da feira em que, da minha parte, já é habitual ficar em casa ou sair da cidade, pois a minha feira termina quase sempre no dia 31 de outubro.

 

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Claro que em dias de inverno nunca dá para sair para longe de casa, isto por causa da luz, que por natureza já é pouca e dura pouco tempo, pois estamos a caminhar para os dias mais pequenos do ano, daí termos andado pelo concelho de Boticas. O engraçado é que saímos de Chaves e logo na primeira fotografia que captámos em Curros, lá estava a cidade de Chaves ao longe, vista desde a capela do cemitério e também ainda mais perto, a vila de Vidago.

 

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Ao fundo parte da cidade de Chaves e aldeias de StºEstêvão e Faiões

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Ribeira de Oura, Viaduto de Arcossó e Vila de Vidago

 

Já no post que dedicámos ao Antigo de Curros referíamos que estes pontos altos eram verdadeiros miradouros, este de Curros, é mais um miradouro sobre Chaves e Vidago. Aliás penso que Curros é a única aldeia desde onde se avista a cidade de Chaves, ou parte dela, pois apenas se vê a Madalena e bem mais visíveis as aldeias de Faiões e Stº Estevão e parte da veiga de Chaves. Em suma, e mesmo o Barroso aqui tão perto que até a cidade se avista desde Curros e o contrário também é verdade, embora mais complicado de identificar.

 

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Quanto a Curros, é uma aldeia pequena, mas muito interessante, com o seu povoamento muito concentrado e já na encosta da montanha, esta sim a descer já para o rio Tâmega que fica a cerca de 2,5 km (em linha reta) de Curros, havendo no entanto ainda mais uma aldeia pelo meio – Mosteirão que em breve abordaremos aqui no blog.

 

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Segundo a monografia de Boticas ficámos a saber:

 

Que era nesta freguesia, conjuntamente com as freguesias de Dornelas e Fiães do Tâmega onde se concentra a maior parte da florestas do concelho de Boticas . Por sua vez  “a quebra de natalidade registada não permitiu uma renovação geracional capaz de inverter a tendência de diminuição da população residente, existindo freguesias no concelho que registam valores populacionais mínimos, como é o caso da freguesia de Curros com apenas 87 residentes repartidos por três aldeias: Antigo de Curros, Curros e Mosteirão.

 

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Ainda na monografia, mas dados referente à antiga freguesia de Curros, que era constituída por Antigo de Curros, Curros e Mosteirão. Atenção que os referem-se à data de publicação da monografia, e, maio de 2006:

 

“Dois Abrigos de Montanha

Localização geográfica: A freguesia de Curros situa[1]se na parte Sul do concelho de Boticas.

Distância relativamente à sede do concelho: aproximadamente 10,5 km.

Acesso viário: pela ER 311. Apanhando a EM312 no  lugar da Carreira da Lebre, em direcção a Ribeira de Pena, vira-se depois na indicação Antigo de Curros e  percorre-se o CM 1048; em alternativa pode seguir-se  pelo CM 1050 e depois pelo CM 1048.

Área total da freguesia: 12 km2

Localidades: Antigo de Curros, Curros, sede de freguesia, e Mosteirão.

População: 87 habitantes

Orago: Nossa Senhora das Neves

 

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Festas e Romarias:

- S. Brás, 03 de Fevereiro, Antigo de Curros

- Santo António,* 13 de Junho, Curros

- Nossa Senhora das Neves,* 05 de Agosto, Curros

- Nossa Senhora de Fátima e Santa Bárbara, em Agosto, Mosteirão

- Santa Bárbara,* 04 de Dezembro, Mosteirão

(*) Apenas celebração religiosa.

 

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Património Cultural e Edificado

- Capela de Mosteirão

- Capela de S. Brás (Antigo de Curros)

- Cruzeiro

- Forno do Povo de Antigo de Curros

- Forno do Povo de Curros

- Igreja de Nossa Senhora das Neves

Outros locais de interesse turístico

Forno do Povo de Mosteirão (construção recente)

 

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Ainda nos cadernos da monografia de Boticas temos:

 

UM DOCUMENTO DE 1758

No ano de 1758 o Rei D. José através do seu ministro Marquês de Pombal, desenvolveu um inquérito a todas as paróquias do Reino de Portugal continental que hoje se encontram no IANlTT.

Este inquérito, que foi respondido pelos párocos das freguesias, era composto de três partes:  a primeira respeitante  a paróquia, onde se tratava de saber da sua história, produções agrícolas, população. instituições locais, igreja e  capelas com suas devoções e romagens; a segunda tratava da serra e das suas caracteristicas, se tinha lagoas e nascentes, monumentos, capelas, caca e arvores; a terceira perguntava sobre os rios e ribeiros que nela existissem, assim como das levadas, represas,. moinhos, pisoes e culturas nas suas margens.

É graças a este inquérito que se pode obter uma visão mais ou menos completa sabre as freguesias portuguesas e entre etas a freguesia de Curros[i] . Antes porém, no ano de 1747 foi publicada a resposta a um inquérito mais simples, com o seguinte texto: Freguesia na província de Trás-os-Montes, Arcebispado de Braga, Comarca de Chaves, termo da vila de Montalegre : tem setenta moradores. A igreja paroquial dedicada a N. S. das Neves tem três altares: o maior, o de Cristo crucificado e o de N. S. do Rosário com a sua irmandade.

O Pároco e cura , da apresentação do D. Abade de S. Bento de Refojos de Basto, que dá ao pároco oito mil reis e por tudo rendera vinte e quatro mil reis. Colhem os moradores centeio e milho, de tudo em muito pequena quantidade por causa de ser uma terra demasiadamente fria [ii].

Relativamente a memória paroquial de 1758, apresentamos as respostas dadas pelo pároco da freguesia de Curros. Para melhor leitura foi actualizado o Português naquelas palavras que consideramos necessário, introduzindo-se-lhe pontuarão e parágrafos.

 

Em resposta a uma ordem do Muito Reverendo Senhor Doutor Vigário Geral da comarca de Chaves, Arcebispado de Braga Primaz.

Aos sete dias do mes de Margo de 1758 Esta igreja de Nossa Senhora  das Neves de Curros, desta comarca de Chaves, pertence a Provedoria de Trás-os-Montes, Arcebispado de  Braga Primaz, da dita comarca, termo da vila de Montalegre e é matriz.

Esta igreja é da visita do Reverendo Padre Dom Abade do Mosteiro de São Miguel de Refojos de Basto e e da vila do dito senhor.

Tem esta freguesia quatro lugares: Curros, onde esta situada a igreja, Antigo, Fiães e Mosteirão. Estes lugares todos tem sessenta e nove fogos ou vizinhos, tem esta dita freguesia duzentas e cinquenta e cinca pessoas.

Esta igreja esta situada num monte, entre montes. Do dito monte, avista-se a vila e Campo de Chaves até junta a Monte Rei, terra de Galiza; também se avista a Ribeira doura e terra de Vila Pouca.

Deste não há coisa que se possa dizer.. Esta igreja esta fora do lugar de Curros e não tem [arrabalde] algum. Tem esta freguesia quatro lugares, a saber: Curros, Antigo, Mosteirão e Fiães. O orago desta freguesia e Nossa Senhora das Neves deste lugar de Curros.

0 orago desta freguesia e Nossa Senhora das Neves de Curros. Tem três alta­ res, a saber: o altar - mor que tern a Senhora das Neves, um dos colaterais e do Sagrado Nome de Jesus, não tem mais imagem nenhuma e o outro colateral e da Senhora do Rosário, este altar tem as imagens da Senhora do Rosário, Santa Barbara, S. Sebastião e Santo António.

O pároco desta freguesia e cura anual e é apresentado  pelo padre  Dom Abade do mosteiro de Refojos de Basto, termo de Cabeceiras de Basto, comarca de Braga. Tem de renda [oitenta] mil reis, seis libras de cera, um almude de vinho, um alqueire de trigo e uma canada de azeite.

(…)

 

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Os frutos que da esta freguesia são: o centeio, milho, trigo, vinho e pouco azei­ te. E todos estes frutos não chegam para o sustento dos ditos lavradores.

Esta freguesia esta sujeita ao juiz de fora da vila de Montalegre, nomeado por Sua Majestade.

Esta freguesia não tem correio, só se serve do correio da vila e praça de Chaves e desta freguesia ao correio de Chaves são quatro léguas.

Dista esta freguesia da cidade de Braga Primaz doze léguas, e desta freguesia à cidade de Lisboa, capital do Reino, setenta e duas léguas e meia.

Alguns dos moradores desta freguesia são feudatários do convento de Refojos de Basto.

 

A segunda materia que toca a serras

 

Tem esta freguesia de fronte, ao nascente, a serra da Seixa.

 

Que tem de comprido uma grande légua e de largo outra pouco mais ou menos. Começa nos confins do Lugar de Mosteirão e acaba no lugar de Valdegas, freguesia de Santa Marta de Pinho, tudo da Comarca de Chaves.

 

A dita serra tem um clima muito frio e demasiado áspero.

0 que se cria na dita serra: cabras e crestois. E o que nela há são: lobos, javalis, coelhos, perdizes,Corças bravas e nada mais.

Deste nada.

Deste nada.

 

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Matéria terceira, dos rios há o seguinte Nesta freguesia há um rio chamado Tâmega. Corre pelos subúrbios desta freguesia, começa no reino da Galiza e juntam-se-lhe vários regatos que não têm nome.

Dizem que nasce brandamente e [atura] com boa torrente e em partes caudaloso, em todo o tempo.

Junta-se a ele outro rio nos limites desta freguesia junta ao lugar de Mosteirão.

Deste não há o que possa dizer.

Não há duvida de que desde que entra nesta freguesia tem um curso impetuoso.

E despinhadissimo e corre de nascente para poente.

Cria muitos peixes, a saber: poucas trutas, barbos, bogas, bordalos, leirogas, enguias, mexilhões e lontras comedoiros do dito peixe.

Sempre conservou e conserva este nome.

Não sei onde termina. Apenas me informaram que se junta ao Douro, juntamente com o rio Beça e outros que se lhe juntam até ao Douro.

Tem este rio uma grande ponte de cantaria na vila de Chaves chamada a ponte da Madalena, tem outra chamada ponte de Cabez, concelho de Cabeceiras de Basta e tem outra ponte na vila de Amarante.

 

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Tem muitos moinhos, azenhas de maquia e de lavradores. Deste rio, em nenhuma parte deste distrito me consta que os lavradores utilizem a agua dele para regadio por correr muito fundo, em demasia.

informaram-me que tem este rio, desde a sua nascente ate ao Douro, pouco mais ou menos, com suas retroceduras, mais de quarenta léguas. lsto e o que me dizem, não sei ao certo.

Deste não há que dizer.

E o que se me oferece dizer, o que conheço e não há outras coisas mais dignas de memória nesta freguesia de Nossa Senhora das Neves de Curros, desta comarca de Chaves, Arcebispado de Braga Primaz. 0 pároco Domingos Afonso Pereira.

E o que se oferece e posso dizer conforme os interrogatórios, ao que assistimos o Reverendo Reitor do Salvador de Canedo, Bento Pereira; o Reverendo Vigário de S. Lourenço de Codessoso, Pedro Pires e eu que preenchi esta e do que vai escrito afirmo in verbo sacerdotis, hoje doze de Março do ano de mil setecentos e cinquenta e oito.

0 padre Domingos Afonso Pereira

O pároco Bento Pereira

0 padre de Codessoso Pedro Pires

 

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E agora sim, o vídeo com todas as imagens da aldeia de CURROS que foram publicadas até hoje neste blog. Espero que gostem .

 

Aqui fica:

 

 

Agora também pode ver este e outros vídeos no MEO KANAL Nº 895 607

 

 

E quanto a aldeias do Barroso de Boticas, despedimo-nos até ao próximo domingo em que teremos aqui a aldeia de Fiães do Tâmega.

 

 

 

[i] 0 documento integral vem publicado em Boticas nas Memórias Paroquiais de 1758, Ed. C. M. de Boticas, 2001.

 

[ii] CARDOSO, P. Luís, 1747-1751, Dicionário Geográfico, 2 tomos, Lisboa.

 

 

15
Mar21

O Barroso aqui tão perto - Codessoso - Boticas

Aldeias do Barroso C/ Vídeo

Aldeias do Barroso

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CODESSOSO - BOTICAS

 

Nesta ronda pelas aldeias do Barroso, iniciámos na última semana as visitas às aldeias da união de freguesias de Codessoso, Curros e Fiães do Tâmega, com a aldeia de Antigo de Curros. Como esta abordagem é feita por ordem alfabética, hoje é a vez da aldeia de Codessoso.

 

Aldeias do Barroso

Aldeias do Barroso

Aldeias do Barroso

 

Convém desde já dizer que é Codessoso de Boticas, isto porque no Barroso existem ao todo três aldeias com este topónimo, esta e mais duas no concelho de Montalegre, que pela mesma razão, além do Codessoso (às vezes também grafado como Codeçoso) acrescentam-lhes um apelido, Codeçoso da Venda Nova e Codeçoso da Chã para as aldeias do Barroso de Montalegre.

 

Aldeias do Barroso

Aldeias do Barroso

Aldeias do Barroso

 

Então já que sabemos em que Codessoso estamos, vamos saber como chegar até lá. Já sabem que as nossas partidas são sempre a partida da cidade de Chaves e para o concelho de Boticas temos sempre três caminhos, é só seguir pelo que mais nos convém e em geral, esse caminho, é o da EN103 ou estrada de Braga, mas só até Sapiãos. Aliás Sapiãos, Boticas e a Carreira da Lebre são as três localidades onde temos de tomar as grandes opções ou opções certas para tomarmos o nosso bom caminho até ao nosso destino, onde Sapiãos nos aprece (quase) sempre como o local onde temos de abandonar a EN103 para tomar o caminho de Boticas.

Aldeias do Barroso

Aldeias do Barroso

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Em Boticas, na prática, só há uma opção, é a de apanhar a estrada 311 mas qui sim, como ela tem duas direções opostas, temos de tomar o sentido que nos leva até ao Rio Tâmega (Vidago), onde só há três aldeias,  ou o outro sentido que nos leva até ao grosso das aldeias de Boticas e restante Barroso. É por este último que vamos até a Carreira da Lebre, onde podemos tomar todas as direções do Barroso, a Carreira da Lebre é aquilo a que se pode chamar um verdadeiro entroncamento, ou seja para se ir à sede do concelho, Boticas, das suas 53 localidades, 37 têm de obrigatoriamente passar pela Carreira da Lebre, só as restantes 16 não passam por lá, mas ainda há mais, pois para irmos até o Barroso de Ribeira de Pena, de Montalegre e de Vieira do Minho, também temos de passar pela Carreira da Lebre. Mas tudo isto para chegarmos a Codessoso, mas estando na Carreira da Lebre, também está em Codessoso, pois entre ambas as localidades há apenas 2Km de distância, basta seguir em direção a Ribeira de Pena que logo a seguir tem Codessoso.

 

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Aldeias do Barroso

Aldeias do Barroso

 

Embora só agora estas aldeia do Barroso estejam a chegar aqui ao blog, na realidade já fizemos o seu levantamento fotográfico há uns anos, não muitos, mas alguns, estas fotos que hoje trazemos aqui já foram tomadas no ano de 2017, já lá vão 4 anos. Ora acontece que nestas nossas andanças pelo Barroso há aldeias que já conhecemos muito bem por tantas vezes passarmos por elas ou por nelas acontecerem ou existirem coisas que nos levam até lá regularmente. Outras há em que só lá fomos uma vez, precisamente para fazer o levantamento fotográfico, e destas, no meio de centenas ou milhares de imagens que vamos fazendo durante o ano, com o tempo, começamos a ficar com uma ideia deturpada daquilo que vimos e registámos, e às vezes até, sem ideia nenhuma.

 

Aldeias do Barroso

Aldeias do Barroso

Aldeias do Barroso

 

Nestas aldeias como a de Codessoso em que não nos calha na passagem para outras aldeias, ou seja, que temos mesmo de ir lá propositadamente para a conhecermos, mesmo que se possa avistar o seu conjunto desde certa distância, por exemplo desde uma estrada que lhe passe a poucos km ou centenas de metros de distância, tende-se a ficar com essa imagem do conjunto retido na nossa memória, perdendo-se os pormenores da aldeia, e tal como à noite todos os gatos são pardos, também as aldeias ao longe, são todas mais ou menos iguais, a não ser que sejam favorecidas pelo terreno e possam adotar uma posição de anfiteatro, ou se, se localizem numa depressão de terreno e possam ser vistas desde um miradouro natural, aí distinguem-se das restantes aldeias, e ao longe ganham uma certa beleza.

 

Aldeias do Barroso

Aldeias do Barroso

Aldeias do Barroso

 

Mas tal como diz a voz do povo, as aparência iludem, e é mesmo preciso entrar na intimidade destas aldeias para verdadeiramente as ficarmos a conhecer, e às vezes aquilo que ao longe está cheio de beleza, a sua intimidade contraria-a, e o contrário também é verdade. Pois Codessoso vista ao longe, é mais uma aldeia igual a tantas outras na sua situação, uma pequena mancha alaranjada que os telhados das casas lhe dão, com os respetivos salpicos brancos das paredes que se deixam ver, tudo isto, em geral no meio do verde da floresta ou do verde azulado das montanhas.

 

Aldeias do Barroso

Aldeias do Barroso

Aldeias do Barroso

 

Confesso que desta aldeia, depois dos 4 anos de distância e de mais uns milhares de cliques, a minha memória já estava um bocado confusa em relação àquilo que nela encontrei, apenas quando comecei as ver as imagens de arquivo se começou a fazer luz sobre a realidade de Codessoso, onde fiz cerca de 200 registos, e nesta segunda visita à aldeia, foi possível voltar atrás e retomar alguns momentos de descoberta da aldeia, mas sobretudo reparar em pormenores que ficaram congelados na fotografia que me tinham escapado aquando da visita, pois quando estamos nas aldeias, preocupam-nos mais com a composição em detrimento dos pormenores, pois esses sabemos que estarão lá sempre, mas a verdade é que na maior parte das vezes só os descobrimos na fotografia.

 

Aldeias do Barroso

Aldeias do Barroso

Aldeias do Barroso

 

Recordo agora já então fiquei surpreendido com aquilo que a aldeia nos oferecia, mas agora ao rever todas as imagens e os seus pormenores, fiquei muito mais surpreendido, tanto, que não duvido em nada considerar esta aldeia de Codessoso uma das mais interessantes de todo o Barroso. Espero que a seleção de imagens o demonstrem, pois não foi tarefa fácil fazer esta seleção de imagens, não por falta de motivos de interesse, mas pela decisão de quais delas deixaria de fora.

 

Aldeias do Barroso

Aldeias do Barroso

Aldeias do Barroso

 

Passemos agora àquilo que os documentos disponíveis nos oferecem sobre Codessoso, no caso o que se diz na monografia “Preservação dos Hábitos comunitários nas Aldeias do Concelho de Boticas”.  Uma das referências não é propriamente sobre a aldeia mas à sua história mais antiga que nos leva até ao Castro do Alto da Coroa:

 

Castro do Alto da Coroa

Designação: Castro do Alto da Coroa / Castro da Naia / Rio Mau

Localização: Codessoso

Descrição: O monte donde se localiza o Castro Alto da Coroa, ou simplesmente a “Coroa”, fica a cerca de 1km a N/W da aldeia de Codessoso.

Este castro possui dois fossos separados por um combro relativamente estreito. Uns 20 m acima do segundo fosso, há uns restos de parede que parecem vestígios de muralheta. Acima uns 12 m, há restos de outra parede que pode ser parte da segunda muralheta que corre paralela à primeira. Foi encontrada cerâmica, tégula, escórias e vestígios da fundição de ferro. Pensa-se que este castro terá sido romanizado.

 

Aldeias do Barroso

Aldeias do Barroso

Aldeias do Barroso

 

E a monografia continua com algumas descrições da antiga freguesia:

 (…)

Distância relativa à sede do concelho: aproximadamente 6,5 km.

Acesso viário: Pela ER 311 virando na indicação Codessoso segue-se pelo CM 1039-A, ou, em alternativa, segue-se pela ER 311, apanha-se a EM 312 e vira-se na indicação Codessoso.

Área total da freguesia: 8,7 km2 (é a mais pequena freguesia do concelho)

Localidades: Codessoso, sede de freguesia, e Secerigo.

População: 168 habitantes

Orago: S. Lourenço

Festas e Romarias

  1. Frutuoso, 16 de Abril, Secerigo
  2. Lourenço,* 10 de Agosto, Codessoso

Nossa Senhora de Guadalupe,* 08 de Setembro, Codessoso

Património Arqueológico

Castro do Alto da Coroa / Castro da Naia / Rio Mau

Povoado de Santa Bárbara

Património Cultural e Edificado

Calvário (Codessoso)

Capela de Nossa Senhora de Guadalupe

Capela de S. Frutuoso (Secerigo)

Casario tradicional (Codessoso)

Forno do Povo de Codessoso

Igreja Paroquial de S. Lourenço (Codessoso)

 

 

Aldeias do Barroso

Aldeias do Barroso

Aldeias do Barroso

 

E chegamos ao fim deste post, só falta mesmo o vídeo com todas as imagens de Codessoso publicadas neste blog, vídeo que poderá ver aqui no blog, mas também no nosso canal do You Tube  e no MEO KANAL  Nº 895 607. Espero que gostem.

 

Aqui fica:

 

E quanto a aldeias do Barroso de Boticas, despedimo-nos até ao próximo domingo em que teremos aqui a aldeia de Curros.

 

 

07
Mar21

O Barroso aqui tão perto - Antigo de Curros

Aldeias do Barroso - Concelho de Boticas

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Antigo de Curros - Boticas

 

Seguindo a metodologia que adotámos para o concelho de Boticas de abordar as aldeias do concelho por ordem alfabética das freguesias e dentro destas a ordem alfabética das aldeias, e concluída que está a freguesia de Beça, segue-se a freguesia de Boticas e Granja, no entanto, por esta ser a freguesia da sede do concelho, que ficará para o final desta série, passamos à freguesia seguinte, que é a freguesia de Codeçoso, Curros e Fiães do Tâmega, que resultou da união das antigas freguesias de Codeçoso,  de Curros e de Fiães do Tâmega, conforme reorganização administrativa do território das freguesias (Lei n.11-A/2013).

 

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Ao todo, esta nova freguesia, tem 7 aldeias, sendo a primeira (por ordem alfabética) a aldeia de Antigo de Curros, pertencente à antiga freguesia de Curros. Esta freguesia localiza-se a sul de Boticas e confronta a nascente com o rio Tâmega/Concelho de Vila Pouca de Aguiar e a Poente com a freguesia barrosã de Canedo, mas do concelho de Ribeira de Pena.

 

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Vamos deixar a descrição da freguesia para o seu devido post, no final da abordagem de todas as aldeias da freguesia, e vamos passar para a nossa aldeia de hoje – Antigo de Curros, iniciando também pela sua localização, onde mais uma vez utilizamos o caminho do costume, pelo menos até à Carreira da Lebre, onde devemos sair da N311 e tomar a N312 em direção de Ribeira de Pena, mas apenas durante 4km, onde devemos tomar o desvio à esquerda em direção a Antigo de Curros, a 1km de distância.

 

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Como sempre o nosso ponto de partida é a cidade de Chaves e como quase sempre para Botica tomamos a N103 até Sapiãos onde devemos tomar a N312 até Boticas, onde devemos tomar a R311 (ou N311) até à Carreira da Lebre e aqui sair (novamente) para a N312. O novamente é apenas porque a estrada entre Sapiãos e Boticas também é N312, ou seja, o traçado entre Boticas e a Carreira da Lebre é comum à N311 e N312, tal como acontece em Chaves com a N2 e a N103 entre o Raio X e o Km0 da EN2, apena uma curiosidade de poder circular em duas estradas em simultâneo.

 

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E finalmente estamos em Antigo de Curros, já no início de um outro Barroso com algumas diferenças em relação aos outros Barrosos que temos abordado aqui, este já com vertentes a descaírem diretamente para o Rio Tâmega e onde geograficamente se começa a fazer a transição da Terra Fria para a Terra Quente, por um lado, mas também onde o Barroso começa a perder a predominância do verde minhoto para entrar já bem dentro de terras transmontanas.

 

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Antigo de Curros é uma aldeia pequena que cabe toda dentro de um circulo com 120m de raio, mas graças ao seu aldeamento concentrado à volta de um grande largo no centro da aldeia onde se encontra o tanque/bebedouro do povo, consegue meter nesse circulo as cerca de 100 construções que a aldeia tem.

 

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A rua principal da aldeia liga o largo da entrada, onde se encontra a capela de São Brás cujo santo é o orago da aldeia que tem celebração no dia 3 de fevereiro, ao largo do tanque, este funcionando como se fosse uma rotunda de onde saem 4 ruas, a principal que liga à capela de São Brás e outras 3 que acabam em caminhos de acesso aos campos de cultivo que hoje em dia estão maioritariamente convertidos em pastagens para o gado bovino, onde pelo que pudemos observar in loco  já não é a raça barrosã que se alimenta naquelas pastagens.

 

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Para além do tanque do povo onde junto tem erguida uma cruz, tem também como comunitário o forno do povo, onde como na maioria das aldeias do Barroso, hoje já não é de utilização diária e habitual, embora ainda seja utilizado ocasionalmente, aliás quando o visitámos não estava a ser utilizado, mas estava cheio de lenha prontinha para entrar e aquecer o forno. Ainda no Largo de São Brás, existe também um lavadouro público coberto.

 

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Quanto às construções privadas, a aldeia mantém a sua integridade de aldeia típica transmontana, com a maioria das construções erguidas com pedra solta (junta seca) de granito, de maiores ou menores dimensões, algumas com pedra aparelhada, outras tantas com junta argamassada e algumas (poucas) rebocadas, bem como algumas (também poucas) reconstruções com novos materiais, mas sem destoar muito, ou melhor, sem ferir muito o conjunto, aliás a única coisa que destoa mesmo do conjunto, são alguma coberturas em placas tipo sanduiche que nem mesmo pintadas de cor de telha, deixam de destoar, mas antes as “sanduiches” que as ruinas, pois é sinal que ainda são utilizadas ou habitadas, ao contrário das ruinas onde se dão apenas as eras, silvas e gatos.

 

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Também na arquitetura privada o destaque para os canastros, alguns apenas em madeira mas a maioria a seguir a tipologia dos canastros tradicionais, a maioria duplos (com três bases e três conjuntos de colunas) e entre outros,  3 seguidos construídos junto a uma grande eira, quase parecendo um comboio com três carruagens, só lhe falta mesmo a locomotiva para parecer mesmo um comboio.

 

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Quanto ao resto, temos a paisagem envolvente, onde felizmente é ocupada por pastagens e por algumas árvores de fruto, castanheiros e carvalhos, só ao longe é que o pinheiro aparece, infelizmente estes, mais que serem para servirem a população, são para alimentar incêndios, parece-me…

 

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E como nas minhas pesquisas não encontrei nenhuma documentação sobre a aldeia, e pouco mais há a dizer a não ser que gostei da aldeia no seu conjunto e por manter a sua integridade de aldeia típica, ainda com alguma vida e trânsito na rua, incluindo o bovino a caminho das pastagens. Para rematar é sem dúvida uma aldeia a visitar, mas também nas suas redondezas para parar nos pontos mais altos e contemplar a paisagem que se perde no horizonte. Agora fica o nosso, já tradicional, vídeo com todas as imagens aqui publicadas. Vídeo que também poderá ver diretamente no youtube ou no MeoKanal nº 895 607. Espero que gostem.

 

 

Até ao próximo domingo, na mesma freguesia, mas com a aldeia de Codeçoso.

 

 

 

28
Fev21

O Barroso aqui tão perto - Freguesia de Beça

Freguesia de Beça - Boticas

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Freguesia de Beça - Boticas - Barroso

 

 

Beça é uma freguesia portuguesa do concelho de Boticas, com 30,01 km² de área e 843 habitantes (2011). Densidade: 34,4 hab/km. Orago - São Bartolomeu

 

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Depois de todas as aldeias da freguesia terem passado aqi pelo blog, é tempo de fazermos agora um resumo da freguesia, com uma abordagem geral sobre a mesma. Para fazermos esse resumo recorremos aos cadernos da “Preservação dos Hábitos Comunitários nas Aldeias do Concelho de Boticas – Freguesia de Beça” onde ficamos a saber:

 

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A freguesia de Beça situa-se na parte Norte do concelho de Boticas. Confronta com várias freguesias: a Norte Negrões, Morgade e Cervos, todas do concelho de Montalegre, a Este Boticas e Pinho, a Sul Curros, Codessoso, Vilar e S. Salvador de Viveiro e a Oeste Alturas do Barroso. Dista da sede do concelho aproximadamente 6 km, o acesso viário faz-se seguindo pela ER 311, virando na indicação Beca segue-se pela EM 311-2. É a freguesia do concelho com mais localidades, sendo constituída por nove aldeias e lugares:

 

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Aldeias da freguesia de Beça

 

Beça

 

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Carreira da Lebre

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Carvalhelhos

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Lavradas

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Minas de Beca

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Pinhal Novo

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Quintas

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Seirrãos

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Torneiros

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Vilarinho da Mó

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MARCAS DO SEU PASSADO

 

Não é fácil conhecer a origem da maioria das paroquias e freguesias dada a inexistência de fontes documentais. Umas mais antigas, outras de origem mais recente, sabe-se que a maioria destas aldeias foram formadas a partir do agrupamento de famílias unidas por laços de parentesco ou afinidades económicas e profissionais que se organizaram em comunidade. Muitas das aldeias de Barroso tem a sua origem no movimento de reconquista e povoamento do território iniciado com a formação do Reino de Portugal em 1143 e posterior fixação de famílias de povoadores. Teve particular desenvolvimento a partir dos finais do seculo XIII. Os povoadores eram atraídos por contratos de aforamento cujos termos eram favoráveis à sua fixação, traduzidos em pagamentos de foros de valor acessível. Estes contratos de aforamento eram promovidos indistintamente pela Coroa e/ou pelas Casas Nobres e Senhorios Eclesiásticos.

 

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Beça

 

Beça tem vestígios que informam a presença de habitantes da época pré-romana, sendo a sua origem mais antiga. Integra um conjunto de povoados que revelam vestígios da presença dos povos antigos designadamente dos romanos e dos suevos cuja ocupação resultava da existência de minérios e da sua exploração, dando origem a habitats mais ou menos permanentes. Almeida Fernandes situa Beça já no tempo suévico coma sendo Berese uma das circunscrições identificadas no Paroquiale Suevo que nos remete para o seculo VI.

 

 

OS CASTROS E OUTROS VESTÍGIOS ARQUELÓGICOS

 

Em Beça, junto da povoação de Carvalhelhos, existe um conjunto de vestígios que constitui um dos castros mais importantes desta região de Boticas, amplamente referenciado por vários investigadores — o castro de Carvalhelhos, também conhecido por Castelo dos Mouros.

 

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Castro de Carvalhelhos

 

Em 1951 fizeram-se as primeiras escavações destes vestígios de uma forma sistemática, apoiadas pela empresa das Águas de Carvalhelhos, dirigidas por Santos Júnior. Nesse mesmo ano foi classificado como "imóvel de interesse público" (IIP). Junto da povoação de Lavradas passa um ramo da via romana que ligava Bracara Augusta a Aquae Flaviae, podendo encontrar-se vestígios da calcada romana. No espaço territorial desta aldeia encontram-se também vestígios de um antigo povoado fortificado a que chamam Castro de Lavradas. A norte de Seirrãos existem vestígios de construção que se pensa corresponderem aos restos de uma torre defensiva com privilegiada situação geográfica e estratégica conhecida como Torre de Seirrãos. Não se conhece ao certo a sua origem nem tempo de construção. Em 1758 o Pároco de Beça informa que esta torre já estava em ruinas e atribui-lhe uma origem lendária, outros informam que terá sido mandada construir no reinado de D. João I, podendo porém ser uma evolução de um antigo povoado castrejo .

 

AS CARTAS DE POVOAMENTO

 

Como já referimos, as cartas de povoamento foram um instrumento legal decisivo na promoção da ocupação do território, na sua defesa e no seu desenvolvimento económico.

 

Entre os contratos de aforamento conhecidos para as terras de Barroso destaca-se o aforamento da "Póvoa" de Lavradas, feito nos finais do seculo XIII (1288 da era Cristã), no tempo do Rei D. Dinis e que, tudo o indica, esta na origem da actual aldeia de Lavradas.

 

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Lavradas

 

De facto, por este documento fundador de Lavradas verifica-se que foi terra ocupada, a partir de uma carta de aforamento passada pelo Rei de Portugal, a um conjunto de povoadores que, com suas mulheres, receberam autorização de Sua Majestade para formarem 11 casais (propriedades agrícolas) que deveriam povoar, lavrar e frutificar a troco de um foro (renda) traduzido em dois maravedis e dois alqueires de pão (um de milho outro de centeio) por casal, que deveriam pagar pelo S. Martinho. Foi através deste modelo de ocupação do território que muitas famílias se dispuseram a mudar para esta terra inóspita, agreste e pejada de muitos perigos. Para o efeito as condições de povoamento eram mais atractivas. Os faros contratados eram pagos em espécie, produtos que a terra dava e de valor reduzido. Para além disso tinham direito a proteção do senhorio, estando isentos de alguns tributos e tarefas a que normalmente estavam obrigados os foreiros para com o seu senhor.

 

Veja-se o documento, tal como se encontra no Paco Ducal de Vila Viçosa, sede da Casa de Bragança que adaptamos para Português moderno, a fim de facilitar a sua leitura e compreensão.

 

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Lavradas

 

Aforamento da Pobra das Lavradas em Barroso

 

Dom Denis pela graça de Deos Rey de Portugal e do Algarve a todos aquelles que esta carta virem faço saber que eu dou e outorgo a foro pêra todo sempre aos pobradores das Lavradas,

E a sas molheres, e todos seus sucessores a mha Pobra das Lavradas que he em terra de Barroso per aquelles termhos que som conteudos na Carta que esses pobradores teem do Conselho de Monte alegre per tal preyto e so tal condiçom que elles fagam hy honze casaaes e que os pobrem e lavrem e fruteviguem os ditos casaaes e que dem ende a mim e a todos os meus successores cada anno compridamente ou ao Concelho de Monte alegre se essa terra tever dous marevedis velhos e dous alqueires de pam de cada casasl e darem o pam por Sam Martinho meyo milho e meyo centeo e darem os dyeiros aas terças do anno assy como derem a outra renda da terra e a esse tempo e nom devem hy meter outro foreyro e eles nom devem a vender nem dar nem doar nem alhear em nenhuma maneyra as ditos casaaes, nem parte deles a Ordem nem a Abade, nem a clérigo, nem a Cavalleyro, nem a  Dona, nem a Escudeyro, nem a nenhuma pessoa relligiosa, se nom a tal pessoa que faga a mym e todos meus successores cada anno dito fora. E mando e defendo que nenhum nom seja ousado de Ihys fazer mal, nem força, nem Ihys filhe rendo seu sem seu grado, nem Ihys pouse hy ricomem, nem prestameyro, nem Alcayde, nem moordomo, nem outro homem, que Ihys força faça so pena dos meus encoutos. En testemoyo da qual cousa dey ende a elles esta mha carta. Dante em Lixboa vinte e oito dias de Dezembro. El Rey o mandou. Domingo Pires a fez era de mil trezentos e vinte e seis.

(…)

 

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Carvalhelhos

 

Para além desta carta de povoamento da terra de Lavradas também é conhecida a carta de aforamento da "Póvoa de Carvalhelhos", em tudo semelhante a de Lavradas, sendo esta de 25 de Dezembro de 1326, passada a oito povoadores e suas mulheres para nela fazerem oito casais e a carta de foro de um prado em Beça, esta do tempo de D. Afonso III.

 

UM DOCUMENTO DE 1758

 

No ano de 1758 o Rei D. José através do seu ministro Marquês de Pombal desenvolveu um inquérito a todas as paróquias do Reino de Portugal continental que hoje se encontram no IAN/TT. Este inquérito que foi respondido pelos párocos das freguesias era composto de três partes: a primeira respeitante a paróquia onde se tratava de saber da sua historia, produções agrícolas, população, instituições locais, igreja e capelas com suas devoções e romagens, a segunda tratava dos rios e ribeiros que nela existissem, assim como das levadas e represas, moinhos e pisoes, e a terceira perguntava pela serra e por todas as suas características, se tinha lagoas e nascentes, monumentos, capelas, caça e árvores. E a resposta dada pelo pároco da freguesia de Beça, nesse ano a Abade Caetano Rodrigues Vergueiro, que adiante apresentamos. Note-se que esta memória paroquial tem uma narrativa muito rica. 0 Abade faz uma descrição geográfica da terra de Bessa colocando-a no centro do mundo partindo para uma descrição do relevo e do território para além do seu termo numa viagem notável. Por razões que se prendem com a qualidade do documento ficaram partes do texto por ler, que não foi possível superar. Para melhor leitura foi actualizado o Português naquelas palavras que consideramos necessário, introduzindo-se-Ihe pontuação e parágrafos.

 

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Pontes sobre o Rio Beça - Carreira da Lebre

 

Discrição da freguesia de São Bartolomeu de Bessa conforme os interrogatórios contidos na ordem circular do Muito Reverendo Senhor Doutor Vigário Geral da Comarca de Chaves, deste Arcebispado Primaz.

 

Esta freguesia de São Bartolomeu de Bessa está situada no concelho de Barroso o Norte de Portugal, assim pela qualidade fria que nele domina, como por ficar verdadeiramente ao Norte, pois dista de Castela para parte do Nascente vinte léguas e para a parte do Norte confina com a Galiza que é o Reino mais o Norte de Portugal. Chama-se Barroso, não pelos muitos barros de que seja abundante, antes as terras todas são soltas e coma arientas e de poaca correia, propriedade do barro; mas há tradição que havendo cinco anos de seca na Província do Minho que confina com ela para a parte do Sul, os moradores desta província obrigados da [...] se retirarem para esta situação par ser mais alta e abundante de águas e nela edificaram suas choupanas de terra para se abrigar dos temporais que são grandes neste sitio, em todo a tempo. Nem em todo este concelho há Lugar ou vila ou sitio que esta espacialmente se chame Barroso, que possa dar a denominação a este concelho. Antes, é nome tao odioso que as do contra do mesmo concelho dizem lá para Barroso, sacudindo fora de si este nome do modo que podem.

 

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Minas de Beça

 

Tem este concelho pela parte do sul inclinada ao Nascente, por divisão, o Rio Tâmega, de que dará melhor noticia o pároco por donde ele corre e pelo Nascente confina com o concelho de Vila Pouca de Aguiar, e acima da Barca de Sobradelo, passa a confinar com o concelho de Chaves, principiando no lugar de Souto Velado, ficando o rio Tâmega ao Nascente, e daí pelo mesmo Nascente  quase linha recta para o Node parte com Anelhe, Rebordondo, Casas Novas e Pastoria, lugares todos do concelho de Chaves. E daí linha, algum tanto curva, do Nascente para o Poente, ficando-lhe a Galiza ao Norte com quem confina chega ao lugar de [Paçadas], freguesia de São Lourenço do lugar de Cabril. E daqui sai outra linha, também mais curvada, paralelo para o Nascente ficando-lhe para o Sul a Província do Minho, partindo com Ruivães, com o concelho de Cabeceiras de Bastos e com o concelho do Couto de Dornelas, toma a findar no mesmo rio Tâmega a donde principiou. Tem seis léguas e meia de largo ou diâmetro do Sul ao Norte, e sete e meia de comprido do Poente a Nascente donde se vê claramente que não é este concelho de Barroso de figura perfeita circular, antes tem mais de oval.

 

Neste remate e princípio que demos a este concelho no rio Tâmega dele se vai levantando pouco a pouco e quase insensivelmente uma serra que vem correndo por légua e meia ate ao lugar das Boticas e aí principia a serra a empinar-se, enforma que tem meia légua de subida, nem tao ingreme que não possam vir carros por ela, posto que com seus caracóis não tão suave que não faço suar o caminhante a sua camisa se como fogo a quiser trepar.

 

 

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Quintas

 

Acabada esta subida para o Poente repentinamente se da com os olhos em uma planície onde se estende algum tanto a vista e não desagradável a ela cultivada e com algumas árvores de frutos como são: castanheiros e cerdeiras, não tao plana que não tenha escorrenta para as águas, nem tao despenhada que seja custoso seu ascenso ou discenso. Continuando-se esta planície assim dita tiro de bala de artilharia para o rio Bessa, estendendo-se ao comprido ao longo do rio, do Sul para o Node, por meia légua faz a veiga da agricultura do lugar de Bessa.

 

Poucos passos entrada esta planície se da com os olhos na igreja matriz desta freguesia de Bessa cujo padroeiro é o senhor São Bartolomeu Apostolo; é esta igreja de uma nave só, forrada de madeira de escama de peixe. Tem seu campanário com dois sinos suficientes para chamar a freguesia. Tem coro e dois altares colaterais um donde se venera Nossa Senhora do Rosário, é imagem antiga de vestir mas perfeita; outro donde está colocado Santo Nome de Jesus, ou o Menino Deus, o Mártir São Sebastião e o Senhor e Santa Barbara, de quem é muito devota esta freguesia.

 

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Seirrãos

 

Na capela-mor que também é forrada de esteira com seus brutescos se acham colocadas três imagens do bem-aventurado Apostolo São Bartolomeu, a primeira levantado em trono de talha antiga mas bem feita e da mesma talha é o retábulo e esta representa o Santo esfolado, a segunda esta colocada para o lado direito, ou do Evangelho, e representa ao Santo vestido e a terceira apresenta também o Santo vestido e esta sobre a banqueta do altar, serve para as procissões por ser mais manual. Para a parte do Evangelho no mesmo paralelo em que a imagem do Santo padroeiro vestida está no seu nicho, o Senhor São Pedro e a correspondência para o lado da Epístola esta o Senhor São Paulo e Santo Tomé. A sacristia desta capela-mor está de trás da mesma capela singularidade que se acha como poucas e todas as imagens referidas são perfeitas.

 

Está esta igreja circunvalada de alto muro e em círculo de planície [faz] um adro perfeito, tem as portas principais viradas para o poente e os poucos passos alguns degraus para tirar água da fonte para os ministérios da igreja a cuja servidão está obrigada a horta de hum particular contíguo ao mesmo adro para parte do Poente. Tem esta igreja duas portas travessas uma que respeita ao Norte, outra o Sul, e para a porta do Norte dais carvalhais de desmarcada gradeza e venerável tão antigos como a mesma igreja e freguesia. Esta igreja desviada do lugar à distancia de uma via-sacra com os passos medidos, pois no lugar começa e nele acaba. E ainda que salutaria é vistosa e dela se descobrem para parte do nascente Vilar de Porro que dista dela meia légua e Carvalhelhos que dista quarto de légua, lugar da mesma freguesia e o mais que avista para a parte do Poente são légua e meia de montanhas até chegar ao lugar das Alturas.

 

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Pinhal Novo

 

Poucos passos caminhando da igreja assim descrita para o Poente que não excedam os da Via-sacra está o lugar de Bessa que é capital desta freguesia. Consta este lugar de quarenta fogos e pessoas cento e setenta e seis, com ausentes e menores e de sacramento. É abadia, que tiradas as quartas renderão duzentos mil réis que se consomem em pagar pensões e reparar a capela e residência, e como o sustento muito ordinário do abade e cura. É apresentação da Sereníssima Casa de Bragança [não] beneficiados, nem conventos, nem hospital, nem Casa de Misericórdia.

 

Está este lugar de Bessa, como todos os mais da freguesia que com ele são [citos], no Arcebispado de Braga e dista dela doze léguas e da Corte de Lisboa sessenta. É Comarca de Chaves e dista dela três léguas e tudo Província de Trás dos Montes, é governada esta comarca pelo Vigário Geral posto pelo Senhor Arcebispo Primaz.

 

No civil é sujeito este lugar à vila de Montalegre, capital de Barroso, e dista dela três léguas para a parte do Node. Tem esta vila juiz de fora apresentado pela Sereníssima Casa de Bragança e está sujeito a Ouvidoria de Bragança.

 

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Quintas

 

Consta esta abadia de sete lugares convêm a saber como são: Bessa, Quintas, Curroens (Seirrãos), Torneiros, Lavradas, Carvalhelhos e Vilarinho da Mó e Paço está no meio como outro da freguesia. Todos têm suas capelas decentemente ornadas para se administrar os sacramentos aos enfermos, sustentadas pelas limitadas esmolas dos mesmos lugares [respectivos] e administradas pelo abade da mesma freguesia de visitação pelo Ordinário. Bessa tem o título de Nossa Senhora da Apresentação e nesta capela esta o sacrário com a decência devida conforme julgam os Ordinários; Quintas, é o Senhor São Bento; Curroens, o Senhor São Martinho Bispo; Torneiros, a Senhora Santa Margarida; Carvalhelhos, o Senhor São Gonçalo; Lavradas, o Senhor Santo António; Vilarinho da Mó, o Senhor São Mamede e em todos estes lugares não há romagens de concurso, só no do Senhor São Bartolomeu se celebra a sua festa com um mercado de algumas tendas e comestível para os devotos que vem assistir a sua missa [cantando-lhe] com a música de [fraderma] e gaiteiros. Cada lugar destes tem respectivamente os seus termos e vintenas e se governam pelas leis municipais do seu concelho que como já disse, a saber, de Montalegre, Quintas e Curroens, São lugares reguengos foreiros e privilegiados onde quanto mal se [guardem] os seus privilégios a Sereníssima Casa de Bragança. Em Curroens (Seirrãos) se acha uma torre com bastante altura e largura a proporção arruinada para a parte do Sul [não] se sabe com certeza o autor dela. Alguns dizem ser alguns obra do [Lorvam Grande] que procedeu da Casa dos Infantes chamados os Cavaleiros e foi o caso que parindo uma mulher Senhora sete filhos de hum ventre e receando que o marido lhe imputasse sete pais, mandou por uma negra seis e encontrando-a o marido lhos tirou e mandou criar. E depois tudo em segredo, os mandou vestir todos da mesma lebre com o que tinha em casa e fazendo hum dia de festa entrando todos na mesma casa, não se conheciam uns aos outros. E vendo a mãe esta confusão chamou o marido e mandou que todos eram seus filhos quase homens para sempre e deste sete saiu o ladrão guiem que, dizem, fabricara a torre de Curroens para sair a furtar e roubar os passageiros. E nisto algum crédito se lhe pode dar por ser torre vizinha da estrada. Outros dizem fora um há dos doze pares de Inglaterra, porém como me mandam passar esta discrição debaixo de juramento e que a não mandassem e era a mesma, disto afirmo por certo porque conheço que há muitas torres neste Reino que [...]. E nem nesta torre não em outra coisa alguma nesta freguesia e fez algum dano o Terramoto de que falam os interrogatórios.

 

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Beça

 

Terá esta freguesia três léguas de circunferência e uma de diâmetro parte pela parte do Norte com abadia de Santa Cristina de Cervos, correndo pelo meio uma boa légua de são Pedro de Morgade e correndo para a parte do Sul com abade de Santa Maria de Covas e correndo para a parte do Nascente com a vigararia de Vilar de Porro, são Lourenço de Codessoso e São Salvador de Eiró, cujos Párocos darão mais [certo nelas dos das suas padroeiros] que apresentam e todos estes confins ficam meia légua distantes desta freguesia.

 

Há nesta freguesia três chamadas confrarias, a saber: da Senhora do Rosário, do Santo Nome de [Deus] e São Sebastião e do Santíssimo Sacramento, e não [tem] mais riquezas as das indulgencias e rosários que rezam os confrades, uns pelos outros quando morrem e alguma esmola que tiram pelos fiéis da freguesia para lhe fazerem a sua festa correspondente e se não a tiram não a fazem mas está em termos de se perder tudo e se restarem todos pelas competências entre o Ordinário e Provedor por lhe querem tomar contas do que não tem e levar-lhe esportolas [maiores] do que os rendimentos e talvez seja esta a causa dos terramotos e não coisas naturais que se pretendem indagar.

 

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Torneiros

 

E tenho respondido aos interrogatórios pertencentes ao universo do reino politico, ou racional assim civil como espiritual desta freguesia falta-me responder aos interrogatórios do reino natural e para responder a estes seja-me [permitido] descrever segundo o meu à origem desta serrania ou montanha de Barroso para dela se [colherem] os rios e de lhes começar do clima e ainda a especialidade dos frutos desta montanha por todas as partes levantadas como donde [à vista] se observam mais as leis por não haver apotentados e nem homens insignes que façam respeito falo desta freguesia e ao mesmo dirá no mais deste concelho. Ninguém imagine que a cargo seria dos montes foi acaso como cuidaram os atomistas mas foi antes disposição da Divina Providencia que sem ela nada se move e se faz por que a cadeia dos montes tao [difusa] par todo o ser círculo da terra foi disposta e feita para mostra dos grandes poderes de Deus e para deles tirarmos as seus louvores justa.

 

Item montes e omnes collas para os mares estivessem clausurados entre certos termos justa. Item constituinte términos e jus = e para pelo altivo dos montes se despenhassem as águas para regar as tetras mais ardentes se recolhesse outra vez ao mesmo mar, para outra vez correr. = Justa idem flumine in mare iende exsceunt revertuntum ut eterim fluent = e todos sabem que os montes são os que atrás têm as águas do mar e que são os pastos da terra que muito com que isto se faz não pretendem para a descrição qua mandam fazer.

 

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Vilarino da Mó

 

A [área] dos montes na terra de tal forma está disposta que imita a esfera natural porque assim como na esfera natural muitos círculos se lançam de pólo a pólo e alternativamente se cercam correndo o Equador pelo meio, ficando igual de uma e outra parte lançadas linhas paralelas se faz a esfera natural. Assim se se considerar o Cosmos esférico, acham-na distribuída em cadeias circulares de montes que correm de pólo a pólo, lançadas outras linhas circulares do Nascente ao Poente que servem como de Equador fica o globo da terra mais perto.

 

Finalmente assim como o corpo humano ou outro qualquer corpo organizado ficaria um esqueleto se lhe tirassem as partes húmidas e térreas e aquosas, assim este grande corpo esférico da terra ficaria um esqueleto se tirassem as partes térreas e a água, porque os mesmos ofícios que fazem os ossos no corpo humano fazem os montes no corpo da terra, pois, assim como os ossos solidam a corpo, assim os montes solidam a terra. E assim os ossos se fazem das partes mais [crassas] e frias do [calor] do corpo vivente, assim os montes se fazem das partes mais [crassas] e cruas e frias do corpo da terra porque assim como as partes do corpo viventes que mais distam do coração que é o sol do mundo pequeno ou microcosmos tem ossos mais duros e fortes como deve na cabeça do corpo humano porque distam mais do calor para se casarem, assim os montes no geo cosmo ou globo da terra são partes frias e cruas do [guello] da mesma terra porque distam mais do calor do sol para se cozerem. E mostra a experiência pois as partes mais vizinhas aos polos Norte e Sul são as mais montanhosas e é porque estão mais distantes do sol para as cozer o afinar. Nemo obsta que nas regiões quentes haja montes altimus e o sol não tem vigor para os cozer por que estes montes se defendem do sol pela sua altura pois ficam vizinhos à região media de ar que fria, porém será fora do nosso propósito tornámos à série dos montes que é o que tomei para explicar as montanhas de Barroso.

 

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Torneiros

 

A primeira série de montes ordenada em círculos [divididos] pelo Ártico ou Norte por meridiano anglian, Germania até aos Alpes, os quais montes são como os grandes desta grande série ou cadeia donde se ata por estar por alguns espaços descontinua nos Alpes de novo a toda esta cadeia se ajunta o monte Apenino o qual ao comprido fica toda a área da Itália e dal confinada a mesma cadeia corre por Sicília ajuntando-se com os montes da Africa, ate aqueles montes que chamam montes da.

 

Outro nó desta grande cadeia se deriva até ao último promontório do pólo Austríaco chamada da Boa Esperança o qual mostra a razão se continua até ao mesmo pólo Antárctico, antena do Pólo Austral ou Antárctico ou Sul se estende por regiões ainda incógnitas usque ad fretum magullondiam, dai correndo polo Índio estão, série longíssima e majestosíssima de montes, com várias voltas que faz pelo amarelo, assim austral como Botica se toma aguentar no pólo do Norte, donde tinham dimanado.

 

Outra serie de montes se continua do Oriente para o Ocidente porque da última regiam dos sinos de tal sorte se encadeia montes e com os montes que aqueles que os estenderam pela chama transversalmente fora do clima os recebo e continua polo Ocidente da Itália e Cáspio e da Asia Menor até aos montes Alpes. Donde toda a Gália Narborense com a continuada série de montes corre até aos Pirineus, logo [...] se vê os círculos que os montes fazem no globo da terra de pólo a pólo e do Oriente ao Ocaso e ainda que pare esta pelo mar e ainda pela terra vão muitas vezes disfarçados e não são círculos tão perfeitos que não tenham linhas curvas, conforme pede a necessidade da terra.

 

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Lavradas

 

E estamos nos montes que fazem o país e além das montanhas de Barroso que dividem estas da Espanha da Franca [com algumas] mais coroas sempre se conserva a neve de vários ramos ou braços; um corta direito e daí a arida facia chamado serra Morena deste ramo de junto para Portugal e em Castela se chama serra de Gata e em Portugal serra de Estrela. Da serra da Estrela disfarçado hora até ora Basto passa ao Minho e ela se expira com seus altos e baixos e faz a Província do Minho e para a fazer se lamelha até que vai abater no concelho de Barroso e ali se exalta e empaba coma um mar bravo, até faz um pela parte do Sul quase é inacessível enforma que génio, da terra é todo o mesmo só deferem que Barroso é um monte levantado e soberbo e Minho de um Barroso mais baixo e humilde.

 

Outro fazem os vizinhos lançando-se para a porta e extremo ou braço bem a saber a Bragança e daí dissimulado passa a Chaves e em Chaves se levanta e vem fazendo muro a Barroso para parte do nascente correndo para sul três léguas; outro braço finalmente dos Perendos entra em Astorga no Reino de Galiza e cercado a Barroso pelo Norte o faz também por aquela parte levantosa com que por todas as partes fazendo vários círculos e rodeios de empenharam dos Perendos a fazer este concelho levantado. Dentro do conselho ainda há montes e serras mas não tao altos. Destes darão conta os párocos que em tomo outra vez a discrição do sítio natural desta freguesia que o que se [me recomenda].

 

Principiando do Nascente das margens do rio Tâmega se principia a levantar uma serra ou para melhor a ressurgir, [Confinando-se] por espaço de meia légua na coroa dele está o lugar de Torneiros primeiro desta freguesia e consta de dezoito fogos e pessoas oitenta e uma entre menores, adultos e ausentes. De pão de centeio e milho e castanhas medianamente, colhe algum vinho maduro nas ladeiras da corga chamada a Seixa a qual tem alguma caça grossa, coma porcos e corços. Não sei que tenha águas medicinais, as que tem não são desagradáveis ao gosto. E não há notícia que deste lugar saísse homem insigne, e da sua capela já fiz conta.

 

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Vilarinho da Mó

 

Continuando-se esta serra ate agora chamada serra de Torneiros caminhando para o Nascente por hum quarto de légua faz uma quebrada que terá de largura tiro de bala de artilharia e neste sitio está primeiro o lugar de Cerraens e logo tiro de mosquete o lugar das Quintas, Cerraens consta de dezasseis fogos e pessoas cinquenta e sete entre menores e ausentes e adultos. 0 fruto em que predomina são: castanhas, colhe [centeio, medianamente] milho e algum vinho e o mais verde de ramadas. Não saíram dele homens insignes nem tem mais coisa digna de notar que a torre de que já dei conta. O lugar das Quintas consta de quarenta e um fogos, pessoas cento e quarenta e nove entre adultos, menores e ausentes. Colhe pão e castanhas moderadamente, milho e centeio, que trigo em toda a freguesia não se cultiva ainda que se dá cultivando-o. Não o saíram dele homens insignes nem há noticia que as águas tenham virtude alguma. Por esta quebrada da serra passa a estrada para Braga.

 

E logo se principia a levantar esta mesma serra para parte por quarto de légua deixando só hum boqueirão passar a estrada que vem de Chaves para as entranhas de Barroso e para Braga. No cume desta subida se acha o lugar de Bessa com o descrive donde a serra quebra algum tanto e com inclinação suave se vai levantando e fazendo veiga deste lugar por meio quarto de légua e nela se colhe centeio bastante que fruto que predomina deste lugar, algum milho e poucas castanhas e menos vinho. As águas são boas para o gosto mas não são medicinais nem tao pouco aqui houve homens insignes.

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Torneiros

 

É regada a margem desta veiga com a água do rio Bessa que toma o nome do mesmo lugar e o continua desde o seu nascimento correndo até se fundir com o rio Tâmega. Terá este rio de comprido três léguas e meia corre do Norte para o Sul. 0 seu nascimento é no lugar do Pedrário freguesia de Sarraquinhos que é anexa de Santa Cristina de Servos. Dá algumas águas da fonte da mesma o lugar de Sarraquinhos e em pouco tempo engrossa com as águas de vários regatos que não têm nome, enforma que andam moinhos e alguns pisões que os engenhos que há neste rio e por isso a donde presas e levadas o seu nascimento nem tem coisa digna de notar. Corre placidamente passa pelo lugar de Rebordelo da freguesia de São Pedro de Morgade e há uma ponte de pau capaz de passarem bestas. Vem a este lugar de Bessa e daqui passa a Penalonga freguesia de Canedo e desta o seu nascimento que dista de Bessa duas léguas e de Penalonga duas e meia. Corre placidamente da Penalonga até se meter no rio Tâmega que é uma légua no lugar de Santo Alegro na Ribeira de Pena, vai sempre precipitado por se levantarem aqui os montes para fazerem a Barroso para a parte do Sul e de caminho recebe o rio Abestres que corre do Poente para o Nascente e sai de Covas e do Couto. Os seus párocos darão melhor noticia das suas qualidades. 0 Bessa sempre conserva o seu nome ate se meter no Tâmega.

 

É rio perene mas não tão caudaloso que não passe a vau em todo o ano tem outra ponte de pau em Pena Longa e neste lugar da Bessa distará um quarto de légua a dezoito do mesmo lugar uma ponte de cantaria lavrada com quatro arcos de bastante altura, chamada a Ponte Pedrinha, por onde passa a estrada de Chaves para Braga. Por todo este distrito de Pena Longa até ao seu nascimento não recebe em si rios que tenham nome, senão alguns regatos ainda que corre entre serras não tem ladeiras despenhadas antes todas dão passagem a carros e em qualquer parte admite poldras para se passar apreonxota (sic, a pé enxuto) e nem nele os moinhos de pão que de azeite nem fruta desta terra, nem de todo o Barroso, todo o ano não é navegável, nem tem capacidade para isso pelo pouco fundo.

 

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Minas de Beça

 

Não tem margens de árvores frutíferas, excepto amieiros e salgueiros das infrutíferas. Não tem nas margens [...] a menos pela frialdade das águas e por as águas não tem virtude alguma medicinal. É abundante de trutas e alguns escalos e enguias. Descrito assim o rio Bessa. Dele para a parte do Nascente se principia outro outra vez e levanta a serrania uma légua pelo rio acima desde Pena Longa até o lugar de Rebordelo e crescendo vai pouco a pouco insensivelmente até que forma um semi círculo que é forma? Ou horizonte deste lugar de Bessa para o Sul, Nascente e Norte para a parte do Sul se chama de serra do [Gairam] que é da freguesia de Santa Maria de Vilar de Porro, mais acima se chama a Portela da Vigia sita na freguesia de Santa Maria de Covas e Vilar de Porro, correndo circularmente para o nascente se chama a no lugar de Viveiros da freguesia de Covas e correndo para a parte do Poente e Norte e Nascente se chama a [Ferreira] e a poucos passos e correndo mais adiante passando a fonte do lugar de Carvalhais se chama a serra de São Domingos por ter em cima a capela deste Santo tudo freguesia de São Pedro de Morgade menos a que esta no termo das Lavradas desta freguesia e torna a fechar este semicírculo e Rebordelo da mesma freguesia de Morgade em forma que este semicírculo faz horizonte ou termo da vista a este lugar de Bessa.

 

Dentro deste semicírculo meio quarto de légua para o Nascente está o lugar de Carvalhelhos desta freguesia. Consta de vinte e um fogos e pessoas sessenta e três. Colhe centeio, milho e castanhas moderadamente. Nele não há coisa digna de notar dos interrogatórios, só por uma fonte que lhe chamam as Caldas e como efeito fumega mas nasce misturada com outras águas frias. E não se sabia a intenção de seu calor se se [precoce] faz as outras águas tépidas sendo de natural frias e por este lugar passa a estrada que vai de Chaves para Braga que atrás descemos, passava o rio Bessa na ponte Pedrinha.

 

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Pinhal Novo

 

Saindo de Carvalhelhos para o nascente quarto de légua esta situado o lugar das Lavradas desta freguesia. Consta de trinta e dais fogos e pessoas cento e vinte e três. Está em lugar mais alto desta serrania. Colhe centeio bastante, castanha poucas, vinho e azeite nada, que é comum a toda a freguesia de Barroso, milho pouco, e não mais coisa de notar. Conteúdo nos interrogatórios, [de si tem o ser] lugar muito frio e combatido de todos os ventos e por esta rezam dará nele a neve mais tempo.

 

Caminhando outra vez para o nascente se acha distante do lugar das Lavradas meia légua pequena o lugar de Vilarinho da Mó. Consta este de nove fogos, pessoas quarenta e três. Dá centeio bastante, castanhas medianamente, vinho e azeite nada. Como se disse milho algum e não há mais nada digno de nota nesta do que falam os interrogatórios.

 

Enfim fica este lugar de Bessa capital desta freguesia metido em num círculo de cerras por que para a parte do Nascente fica o outeiro do Senhor São Bartolomeu padroeiro desta freguesia de que já dei conta. E este outeiro para parte do Nascente tem por horizonte um termo da vista toda a ribeira Douro, concelho de Vila Pouca de Aguiar, vista mais agradável que a do Poente pois nesta não topam os olhos senão com urzes e tojos de que estão estas serras povoadas e na veiga acham vinhas e verdes oliveiras e outras especialidades de árvores frutíferas de que os seus Párocos darão melhor conta.

 

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Rio Beça - Carreira da Lebre

 

Deste outeiro de São Bartolomeu fariam levantadas pouco um certo para a parte do Norte e esta se chama a serra de Cervos por o seu se encontrar para a freguesia de Cervos e dali se comunica com serra do Eiró, e outros de que os párocos darão melhor etapa para esta parte avista deste lugar não é áspera não tem fontes de especial notícia como também as não tem as outras serras que tenho escrito. Passada meia légua na [linha] que dela vira um braço para a parte do Nascente por espaços de meio quarto de légua e vai terminar no rio Bessa defronte do lugar de Rebordelo que dizemos e aqui se acaba de fechar o círculo, em que este lugar está metido. E este rio faz uma veiga entre estas serras do Norte para o Sul, e este rasgo entram os ventos do Node e Sul de que há bem lavrado esta terra, e isto é o respeita ao reino natural.

 

No que toca no reino animal há pouco porque os frios consomem que há muitos lobos e desaforados porcos do monte poucos pela razão do frio; domésticos poucos carneiros também pela mesma razão, vacas mais há a criação muito bem e mais haveria se houvesse pastos. No que respeita ao reino mineral não à ali noticia que em todo Barroso, haja minas de metal, algum. Que em todo ele é muito falto de outeiro e também faz que o grande frio neste tempo da Quaresma me impedem a tomar mais largas e me desculparam as erratas desta discrição pois me não deram tempo a rever mas entendo e tenho satisfeito aos interrogatórios e são verdade e abaixo vai certidão jurada.

 

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Torneiros

 

Certifico o padre Caetano Rodrigues Vergueiro, Abade de São Bartolomeu de Bessa em come por verdade dos interrogatórios inclusos em uma ordem circular do Muito Reverendo Senhor Doutor Vigário Geral desta comarca de Chaves, Arcebispado Primaz fiz a descrição acima e me enformei com diligencia pedida na ordem, de tudo o que nela vai e por me parecer verdade o escrevi e como tal o juro in verbo sacerdotis. Hoje doze de Margo de mil setecentos e cinquenta e oito. Bessa e vai esta certidão assinada por mim e o reverendo abade de Servos e o reverendo vigário de Santa Maria de Vilar do Porro como párocos mais vizinhos. O abade Caetano Rodrigues Vergueiro. Miguel Pinto abade de Santa Cristina de Cervos. António Dias Trindade vigário de Santa Maria de Vilar do Porro).

 

Referencias documentais:

IAN/TT, Memórias Paroquiais, vol. 7, memória 10, fl. 177.

ADB/UM. Igrejário: Tombo desta Igreja, 1555, liv. 4, fl 380v; Obrigação à fábrica da Irmandade de Nossa Senhora do Rosário, 1628, liv. 29, fl. 29; Obrigação à fábrica da ermida de S. Miguel o Anjo, 1651, liv. 16, fl. 38; Obrigação a fábrica do Santíssimo Sacramento, 1728, liv. 69, fl. 486. ADVR, Registo de Baptismos: 1626-1707, 1730-1882; Registo de Casamentos: 1626-1882; Registo de Óbitos: 1626-1701, 1771-1882.

Registo de Testamentos: 1720-1754. Total de Livros: 43.

I.I. P.: Castro de Carvalhelhos sobranceiro a estância termal das Caldas Santas de Carvalhelhos/Castelo dos Mouros; Ponte Pedrinha sobre o Rio Beça.

 

 

 

Ainda antes de terminar fica link para os posts dedicados às aldeias da freguesia de Beça:

 

Beça

https://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-beca-2084341

Carreira da Lebre

https://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-carreira-da-2147770

Carvalhelhos

https://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-carvalhelhos-2089260

Lavradas

https://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-lavradas-2093549

Minas de Beça

https://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-minas-de-2097102

Pinhal Novo

https://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-pinhal-novo-2106653

Quintas

https://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-quintas-2115523

Vilarinho da Mó

https://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-vilarinho-da-2140099

Torneiros

https://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-torneiros-2131346

Seirrãos

https://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-seirraos-2119998

 

 

 

 

 

 

 

07
Fev21

O Barroso aqui tão perto - Carreira da Lebre

Aldeias do Barroso - Concelho de Boticas

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Carreira da Lebre - Boticas

 

Seguindo com as nossas visitas a “O Barroso aqui tão perto” vamos até mais uma localidade do concelho de Boticas – Carreira da Lebre.

 

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Desde já vamos iniciar por uma breve explicação que se exige. É certo que já percorri todo o Barroso e embora eu não seja barrosão de nascença, toda a minha família materna mais direta o são, incluindo os meus irmãos, primos, tios,  mas daí a ser um conhecedor profundo ou uma entidade sobre o Barroso, estou muito longe disso, falta-me a vivência do dia a dia, para além de o Barroso, em território, ser uma grande região que abrange cerca de 1200km2.

 

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Vista desde o Castro Lesenho

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Se repararem, tive o cuidado de começar este post referindo-me à Carreira da Lebre como uma localidade, porque isso sei que o é, uma localidade, como quem diz um lugar, sítio, com um aglomerado de casas e uma povoação que as habita, mas daí a ser uma aldeia, disso já não tenho a certeza, nem consegui esclarecer se administrativamente o é, embora na página oficial da Câmara Municipal de Boticas, na freguesia de Beça, apareça a Carreira da Lebre como uma povoação a par das outras aldeias da freguesia, no entanto, também lá estão como povoação as Minas de Beça, que tal como sabemos e vimos quando lá fomos, as minas já não existem tal como não existe propriamente uma povoação, mas sim meia dúzia de casas dispersas e desabitadas (exceto uma) e parte delas já estão no concelho de Montalegre.

 

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Agora também é verdade que não há qualquer dúvida que a Carreira da Lebre é uma povoação, tem casas e população, mais que muitas das aldeias do Barroso, no entanto, a minha dúvida é mesmo se a Carreira da Lebre pode ser considerada ou não uma aldeia. De uma coisa tenho a certeza, até pode ser considerada uma aldeia, mas não é uma aldeia típica do Barroso, nem com o mínimo de características barrosãs. A Carreira da Lebre, tal como é, poderia ser uma qualquer povoação nova do nosso Portugal, que nasce, tal como esta nasceu, junto a um cruzamento com ligações importantes e próxima de uma localidade mais importante, que no caso é a sede do concelho – Boticas, pois apenas 4 km separam as duas localidades.

 

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Independentemente de ser ou não ser aldeia é uma povoação, tem um aglomerado de casas, restaurantes, um hotel, posto de abastecimento de combustíveis, comércios e pequenas indústrias, armazéns, movimento, vida, pessoas e daí ter todo o direito a ter o seu post, o seu vídeo e uma palavras, não da sua história, porque essa é muito recente, mas com aquilo que tem,  e nem que fosse só e apenas por ser um dos locais de referência onde se pode comer uma boa refeição à barrosã, já valia para estar aqui.

 

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Toda esta introdução e explicação exigia-se para justificar a maioria das imagens que hoje deixo aqui, quase todas à volta do rio Beça e das suas três pontes. Aliás com o aglomerado do casario, só deixo mesmo vistas gerais, que além de interessantes, provam que a Carreira da Lebre existe mesmo como uma localidade, de resto, o novo casario, que não é mais que o casario construído já na minha geração, não me fascina em termos fotográficos, precisamente por, tal como já disse atrás, não ser característico de uma região e ser mais ou menos igual em todos os novos bairros das aldeias, vilas e periferia das cidades. Em suma, é certo que este aglomerado de casario da Carreira da Lebre foi construído bem no meio do Barroso, mas se fosse, por exemplo, um dos novos bairros da cidade de Chaves, ninguém estranharia nada.

 

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Vista desde o Miradouro de Boticas

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Do único que poderemos falar são dos restaurantes onde vamos quando por lá passamos à hora de almoço, por sinal ficam quase um em frente ao outro. Um é mais seleto na apresentação e serviço, com um ambiente naturalmente mais selecionado, mas não diferenciam quem entra e quem servem. O outro é mais terra-a-terra, com pratos do dia e frequentado por todos. Em ambos se come bem, comida farta e o preço a condizer. Trata-se no primeiro caso do restaurante do Hotel Rio Beça e no segundo do Restaurante O Caçador, ambos na rua/estrada principal da Carreira da Lebre.

 

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Poderia dar o meu testemunho sobre ambos, pois já fui aos dois várias vezes, mas prefiro deixar aqui a descrição daquilo que os próprios anunciam ou testemunhos de outros que encontrei nas páginas da especialidade, em que em geral, elogiam ambos, mas também há quem reclame, um por exemplo, reclama que teve de esperar quase 2 (dois) minutos para ser atendido. Realmente é preciso ter muita paciência para esperar tanto tempo… mas enfim, vamos aqueles mais realistas que melhor descrevem os sítios.

 

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Na página oficial do Hotel Rio Beça (***) pode-se ler o seguinte:

...destaca-se pela gastronomia típica e diversificada do seu restaurante, Restaurante Rio Beça, tendo como expoente máximo a suculenta carne de vitela barrosã (DOP) e o seu famoso Cozido barrosão, o Cabrito Barrosão, o Javali com castanhas e ainda o Presunto, Alheira e Linguiça.

À exceção do Javali com castanhas, já tive oportunidade de experimentar o restante. Claro que o presunto, alheira e linguiça são entradas que caem sempre bem, do restante, tanto faz, marcha tudo, mas sem misturas, um de cada vez. Recomendam-se. Tem uma boa carta de vinhos, mas o vinho da casa é sempre bom. Aliás é curioso que o Barroso não produz vinho mas tem sempre bons vinhos nos restaurantes (e nas casas).

 

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Quanto ao Restaurante Caçador, transcrevo dois depoimentos que encontrei em páginas da especialidade:

Este restaurante oferece culinária Portuguesa. Os funcionários graciosos neste restaurante mostram o quanto apreciam os clientes. É sempre agradável comer aqui por causa do serviço veloz.

E mais esta, sem espera de 2 minutos…

Fomos Jantar a este restaurante por mera do acaso passamos vimos o caçador e como eu sou caçador paramos para experimentar entramos fomos logo encaminhados para uma mesa de 6 pessoas, a empregada de mesa perguntou se queríamos entradas e se queríamos pão depois entregou a ementa e disse que podíamos escolher eu escolhi posta a empregada disse me que uma posta geralmente dá para duas pessoas confiando nela eu mandei vir 3 postas para nos os 6. as postas eram realmente enormes e de grande qualidade a carne tenrinha e muito saborosa e mesmo assim não deu para comer tudo, pedimos a sobremesa comemos o pudim caseiro 5 estrelas o preço dentro do normal recomendo gente simpática (excelente) 5 estrelas.

 

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Mesmo sem o casario da Carreira da Lebre estamos a chegar ao fim do nosso post, mas bem podemos dizer que aquilo que nos oferece o rio Beça e as três pontes compensam a ausência das casas. E  agora só falta mesmo indicar-vos o caminho para lá chegar, com saída, como sempre de Chaves, Estrada de Braga até Sapiãos, depois viramos em direção a Boticas onde devemos seguir as placas que indicam Ribeira de Pena, Cabeceiras de Basto e Salto, ou seja a R311, mal entremos nesta estrada, mais 4 Km e estamos na Carreira da Lebre. Atenção que estes itinerários têm início na cidade de Chaves, mas se quiser ir à Carreira da Lebre e tiver de utilizar a autoestrada, não é necessário entrar em Chaves, deverá sair no nó que existe entre os nós de Chaves e Vidago, numa saída que, embora seja junto à aldeia de Curalha e já próxima de Chaves, se não me engano, só tem a indicação de Boticas e Carvalhelhos.

 

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E agora sim, o vídeo com todas as imagens da CARREIRA da LEBRE que foram publicadas até hoje neste blog. Espero que gostem.

Aqui fica:

 

 

Agora também pode ver este e outros vídeos no MEO KANAL Nº 895 607

 

Com a Carreira da Lebre terminámos a abordagem a todas as povoações da freguesia de Beça, assim, no próximo domingo teremos o post da freguesia de Beça, com uma abordagem geral, que também terá imagens de vídeo da freguesia.

 

 

 

 

24
Jan21

O Barroso aqui tão perto - Vilarinho da Mó

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VILARINHO DA MÓ - BOTICAS

 

O nosso destino de hoje no Barroso aqui tão perto, é mais uma aldeia da freguesia de Beça, do concelho de Boticas, a última aldeia da freguesia a abordar, isto se não consideramos a Carreira da Lebre como uma aldeia, caso contrário é a penúltima aldeia cujo topónimo é Vilarinho da Mó.

 

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Vamos já ao itinerário para lá chegar, que como é habitual saímos da cidade de Chaves pela EN103 (estrada de Braga), mas só até Sapiãos, onde devemos tomar o caminho de Boticas, logo à entrada, na primeira rotunda, seguimos as placas que indicam Cabeceiras de Basto e Ribeira de Pena, na segunda e terceira rotundas, idem, nesta última teremos pela frente o Centro de Artes Nadir Afonso, que deveremos contornar e já estamos na R311, que atravessa todo o concelho de Boticas, seguimos por ela até à Carreira da Lebre que também tem uma rotunda quase no final desta localidade, onde devemos seguir em frente, mas apenas por mais 1 Km, depois de atravessarmos a ponte sobre o Rio Beça e logo a seguir viramos à direita em direção a Carvalhelhos onde, na rotunda com a santa das águas no meio, seguimos em frente sempre por essa estrada até vermos em frente a empresa das águas de Carvalhelhos, aí tomamos um desvio à direita deixarmos Carvalhelhos para trás, seguimos sempre por essa estrada que a menos de 2K estamos no nosso destino. Ficam os nossos mapas para melhor localização.

 

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Chegados lá, desfrute da aldeia, do seu casario, visite a capela de São Mamede e o Forno do Povo, esteja por lá o tempo que tiver de estar, a paisagem envolvente também se recomenda, os tanque e fontes, a vida da aldeia que ainda tem. É uma aldeia com o seu núcleo mais antigo bem conservado, sem grandes atentados pelo meio, com o casario novo ao longo das entradas da aldeia, como deve de ser, se for por lá no dia 17 de agosto, vai no dia da festa de S.Mamede.

 

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Depois de visitar a aldeia, não volte para trás, saia da aldeia em direção a Beça e aí, depois de atravessar a aldeia, na estrada, vire à esquerda que uns quilómetros mais à frente terá a EN103, no Alto Fontão, ai vire à direita em direção a Chaves, mas se quiser e ainda tiver tempo disponível, no mesmo Alto Fontão tem o acesso à serra do Leiranco, com vistas para a cidade de Chaves.

 

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Agora passamos à parte em que abordamos aquilo que se diz de Vilarinho da Mó nos documentos que temos e nas pesquisas que fizemos sobre a aldeia, pouca coisa mas foi o que encontrámos, com uma referência ao “altura” do São João e do São Pedro, isto na monografia  “Preservação dos Hábitos Comunitários nas Aldeias do Concelho de Boticas”:

 

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Por altura do S. João (24 de Junho) e do S. Pedro (29 de Junho), em algumas aldeias do concelho ainda fazem as tranquilhas das ruas com paus e cancelas. Particularmente na freguesia de Beça, onde lhe chamam as trancheiras, para além de trancarem as ruas, também é costume colocarem os arados de pau e as grades, que apanham, na torre da Igreja. Por altura do S. Pedro roubam os vasos das flores às mulheres e colocam-nos nos largos junto aos poços, na igreja, capelas ou cruzeiros como nos disse um informante de Torneiros “no S. Pedro, que é o santo mais maroto, às vezes quando as raparigas se esquecem dos vasos, daquelas flores e assim, os rapazes apanham-nas e levam-nas lá p’ra capela e depois elas tem que as ir lá buscar”, de tal forma que algumas mulheres nesses dias escondem os seus vasos.

 

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Noutras aldeias, tinham por hábito colocar os carros dos bois nos tanques das aldeias, em especial quando os donos, tentando impedir que lhos roubassem nesse dia, dormiam em cima deles. Cansados de mais um dia de labutas, adormeciam profundamente. Juntava-se, então, um grupo de rapazes, pegavam no carro e colocavam-no dentro do poço, com o dono a dormir, em cima.

 

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Outros iam buscar os rebanhos das ovelhas às cortes, roubavam as cancelas das cortinhas e faziam uma cancelada no largo das aldeias; também os burros não estavam a salvo, por vezes iam buscar um à corte e prendiam-no à gramalheira do sino da igreja ou das capelas e punham-lhe um molho de erva para ele se baixar a comer e assim tocar o sino.

Em Beça e Vilarinho da Mó, por altura do S. Pedro também era hábito fazer um S. Pedro em palha, vestiam-no e colocavam-no junto ao principal tanque da aldeia com uma cana (por vezes com uma sardinha na ponta) a pescar.

 

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E agora, porque é (ou era) uma das atividades da época, um pouco comum a todas as aldeias do Barroso e de Trás-os-Montes, vamos abordar um dos seus temas. Assim, e com vossa licença, vamos à matança do porco.

 

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Mas antes exige-se uma pequena explicação para o “com vossa licença” que deixei no último parágrafo. O respeitinho sempre foi muito lindo, ensinavam-nos os mais velhos, e esta do “com vossa licença” também era uma forma de respeito, pelo ambiente em que se estava e por trazer o porco à conversa. Hoje em dia a tradição da matança do porco está cada vez mais em desuso, mas há poucas dezenas de anos rara era a família das aldeias que não tinham um ou mais porcos para matar. Era então comum as pessoas, sobretudo entre os mais idosos,  quando se referiam ao porco, pedirem sempre licença. Embora nunca tivesse perguntado o porquê desse pedir licença, penso que tinha a ver com a associação que se fazia do porco ao ele ser mesmo porco, viver num ambiente quase sempre sujo e cheio de porcaria. Porco que por muitas pessoas também era denominado por reco ou ceva (por cá – ceba), no caso deste último termo, vinha do cevar (cebar) o porco, ou seja, alimentar o porco para engordar e ter mais uns quilos na matança, mas também para as carnes ganharem camadas de gordura, que faziam toda a diferença para ser ter bom fumeiro e bons presuntos.

 

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Feita esta ressalva que serve também de introdução à “Matança do Porco” que vamos transcrever da  “Preservação dos Hábitos Comunitários nas Aldeias do Concelho de Boticas”

 

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A Matança do Porco

 

A matança do porco assume uma grande importância no ciclo anual das tarefas agrícolas e festivas, pois é simultaneamente uma tarefa produtiva e uma festa lúdica. A carne de porco é um dos alimentos base da gastronomia local, pelo que a matança do porco é vital para a economia familiar, assegurando grande parte das provisões de carne, além de constituir uma festa familiar e vicinal por excelência. A época da matança do porco decorre de Novembro a Janeiro, uma vez que o frio é um factor essencial para a conservação da carne.

 

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Dada a importância que o porco assume na dieta alimentar dos agregados familiares exige especiais cuidados na sua criação e ceva, nomeadamente nos meses que antecedem a matança. Assim, as mulheres desvelam-se em mil cuidados no que se refere à sua alimentação que consiste fundamentalmente em alimentos produzidos localmente como centeio, batatas, couves e nabos. Tal é a preocupação constante que rodeia o trato deste animal que muitas vezes se prometem oferendas ao Santo António (Santo protector dos animais) para que o proteja das doenças e males ruins.

 

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O dia da matança combina-se com antecedência. Convidam-se os familiares mais próximos, vizinhos e amigos que mais tarde retribuirão o convite por altura da matança dos seus porcos. Este aspecto insere a matança do porco no contexto da entreajuda tão característica desta região. No dia que antecede a matança se aos homens compete o arranjo do espaço onde vai decorrer a matança do porco e a loja onde serão dependurados depois de mortos, às mulheres compete toda a azáfama dos restantes preparativos: preparar os alguidares e restantes utensílios utilizados no decorrer da matança do porco. No final desse dia não se deita comida aos porcos para as tripas estarem limpas.

 

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Todas as matanças são tristes, mas o dia da matança do porco é uma festa de comida, alegria e convívio. Como que um funeral invertido onde se celebra a morte, que garante o armazenamento de um alimento essencial para a subsistência.

Esse dia é especialmente trabalhoso para as mulheres da casa, vale nesses apertos a ajuda de familiares e vizinhas que dão uma mãozinha. Mais tarde essa ajuda será retribuída quando fizerem a matança dos seus porcos. Numa azáfama constante as mulheres preparam a parva ou mata-bicho para forrar o estômago aos convivas. Dispõem na mesa da cozinha um repasto variado (pão, queijo, carne, pataniscas de bacalhau, sopa, etc.) onde não falta o vinho e a aguardente para empurrar a comida e aquecer o corpo.

 

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Terminada esta refeição matinal, os convivas dirigem-se para junto da corte onde se encontram os porcos, ajeitam-se as ferramentas (o banco de madeira, as facas), arregaçam as mangas e dão inicio à festa. Enquanto um homem guarda a porta para não deixar fugir os animais, os restantes entram na corte agarram um porco e levam-no até ao altar do sacrifício, o banco onde será morto. Quando junto às cortes existem pátios fechados, soltam os animais para fora da corte e é ver os homens a correr atrás deles tentando apanhá-los, um agarra uma perna, outro o rabo, outro as orelhas e o focinho até que finalmente capturam o animal e o matam. Entre estes convivas é ao sangrador que cabe o papel de mestre de cerimónias e imolar o animal, uma mulher acompanha o desenrolar da matança e apara o sangue para um alguidar.

 

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Enquanto isso, em casa, as restantes mulheres preparam o almoço da festa, dividindo as tarefas “uma tira o testo, outra mete a colher e outra deita o sal”. A mulher que recolheu o sangue regressa a casa com o alguidar, mexendo-o para evitar que coagule e prepara o sarrabulho. Este petisco muito apreciado nas terras do concelho, consiste no sangue cozido temperado com sal e que depois é servido partido aos pedaços com cebola cortada às rodelas ou alho cortado aos bocadinhos e temperado com azeite.

 

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Depois de mortos, os porcos são chamuscados (queimam-lhe o pelo), outrora com palha, carquejas ou giestas, agora utilizam um maçarico a gás e raspam a pele com uma faca ou lâmina. Em seguida lavam-nos com água, sabão, esfregam muito bem a pele e deitam água para limpar todas as impurezas que possa ter. Depois abrem os porcos e retiram-lhes as entranhas. Mais tarde as mulheres estremam as tripas (retiram a gordura que as envolve, utilizando-a posteriormente para fazer rojões).

 

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Todo este processo decorre em alegre cavaqueira entre os convivas, mas foi grande o esforço exigido e é altura de recuperar energias. Uma mulher leva o sarrabulho, pão, vinho e coloca um pano sobre o porco, que se encontra em cima do banco, servindo de mesa onde é colocada a travessa com o sarrabulho para os convivas comerem.

 

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Recuperadas as forças e com o estômago mais aconchegado, pegam nos porcos, levam-nos para os baixos da casa onde os penduram e deixando-os assim um ou dois dias. Mesa de festa, mesa farta. O almoço é um autêntico banquete onde a tradição manda que se coma essencialmente carne do porco que se matou. Além do sarrabulho comem fígado frito, coração frito e rojões da costela. A esta junta-se um pouco da carne do porco que se matou no ano anterior, é sinal de bom governo da casa. Há ainda quem faça também um cozido com vitela, chouriça e frango. Como acompanhamento costuma fazer-se arroz e batatas. A este repasto não faltam muitas e variadas sobremesas: aletria, pão-de-ló, rabanadas, etc. Todavia, na freguesia de Fiães do Tâmega a refeição mais importante, de comemoração, é a refeição da noite, a ceia da matança, onde além dos manjares mencionados se come também o peito do porco que se matou, cozido.

 

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Após o almoço, os homens entretêm-se a jogar às cartas e depois vão tratar do gado. Por seu lado as mulheres dividem as tarefas entre si, enquanto umas ficam a lavar a louça e arrumar a cozinha, as outras vão lavar as tripas, consoante as aldeias lavam-nas nos rios, corgos ou lavadouros, construídos para o efeito. Depois de lavadas, as tripas são envoltas em sal e conservam-se assim até ao dia em que se fizer o fumeiro.

 

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Uma excelente descrição, apenas faltam as brincadeiras e partidas desta festa que envolviam também as crianças, pelo menos aqui ao lado, no concelho de Chaves, uma delas era quando o “matador” dizia ter-se esquecido de afiar a faca e pedia a um dos putos para ir a casa de “fulano tal” pedir a pedra de afiar. Os putos que assistiam à matança pela primeira vez caiam sempre nesta, e lá iam a casa de “fulano tal” para daí a pouco chegarem ao lugar da matança com um pedregulho às costas, mas as brincadeiras mais comuns, era a dos putos esperarem que arrancassem as unhas aos porcos para depois as “vestirem ou calçarem” nos seus dedos, a outra, era esperarem pela bexiga do porco para a encherem de ar e depois de darem um nó na ponta da tripa se regalarem com uma futebolada com a bexiga cheia até que esta furava, o que não era fácil. Entre as tarefas da matança, a única em que deixavam as crianças participar, era na lavagem do porco, com uma pequena pedra de granito… e, claro, também participavam no comer dos petiscos e do sarrubulho. Isto é o que guardo na memória do meu tempo de puto nas matanças a que assisti.

 

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E agora sim, o vídeo com todas as imagens da aldeia de Eiras que foram publicadas até hoje neste blog. Espero que gostem e para rever aquilo que foi dito sobre as Eiras ao longo do tempo de existência deste blog, a seguir ao vídeo, ficam links para esses posts.

Aqui fica:

 

 

 

Agora também pode ver este e outros vídeos no MEO KANAL Nº 895 607

 

E quanto a localidades do Barroso de Boticas, despedimo-nos até ao próximo domingo em que teremos aqui a Carreira da Lebre.

 

BIBLIOGRAFIA

CÂMARA MUNICIPAL DE BOTICAS, Preservação dos Hábitos Comunitários nas Aldeias do Concelho de Boticas - Câmara Municipal de Boticas, Boticas, 2006

 

WEBGRAFIA

http://www.cm-boticas.pt/

 

 

 

11
Jan21

O Barroso aqui tão perto - Torneiros

Aldeias do Barroso - Concelho de Boticas

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Vamos lá até mais uma aldeia do Barroso de Boticas, ainda na freguesia de Beça, mas muito próximos da sede de concelho, Boticas, a apenas 3,5km, embora no itinerário que nós vamos recomendar sejam mais umas centenas de metros.

 

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Iniciemos já pelo itinerário, como sempre com partida da cidade de Chaves. Tal como apelidamos esta rubrica de “O Barroso aqui tão perto”, andamos mesmo por terras do Barroso bem próximas, ficando a nossa aldeia de hoje, Torneiros, a apenas 29,8Km.

 

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mapa torneiros.jpg

 

Mais uma vez, é a EN103 (estrada de Braga) que deveremos tomar para irmos até Torneiros, mas apenas até Sapiãos, aí deveremos abandonar a EN103 e virar para Boticas onde, logo na rotunda de entrada, deveremos saír na segunda saída, seguindo as placas que indicam Cabeceiras, Ribeira de Pena, é esta a direção que deveremos tomar até sair de Boticas, aí já estaremos na R311, a subir em direção a Quintas que fica a 3.2Km de Boticas. Nesta aldeia deveremos abandonar a R311 e virar à esquerda, isto quando nso aparecer o desvio (à esquerda) em direção a Seirrãos, Torneiros e Miradouro.

 

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Depois é só seguir por essa estrada, atravessar Seirrãos e continuar em direção ao Miradouro, onde, imediatamente antes deste último, tem a saída para Torneiros. Chegados à nossa aldeia de hoje, desfrute dela sem menosprezar as vistas que desde a aldeia se lançam, foi isso o que eu fiz nas duas visitas que fiz à aldeia, na primeira e segunda descobertas, nomeadamente em 2011 e 2018, visitas das quais resultaram as imagens que hoje vos deixo e que traduzem um pouco daquilo que é Torneiros .

 

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A titulo de curiosidade, as tais vistas sobre o mar de montanhas que se avistam desde Torneiros, segundo o sítio na net valentim.org, avistam-se serras e localidades dos concelhos mais próximos, como o de Chaves, Vila Pouca de Aguiar, Montalegre e Ribeira de Pena, mas a nível do avistamento de serras, chega até serras de Bragança, Vila Real, Marco de Canavezes, Macedo de Cavaleiros, Vinhais, Alfandega da Fé, Amarante, Celorico de Basto e Mondim de Basto.

 

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Uma aldeia arrumadinha na encosta da montanha, em patamares, que faz com que a aldeia seja um autêntico miradouro com olhares lançados para o mar de montanhas que se perdem no horizonte, mas também um miradouro sobre si mesma, permitido pelos arruamentos que se desenvolvem em paralelo em diferentes cotas, todos com ligação a um pequeno largo centrar onde se encontra a capela e o núcleo mais antigo da aldeia.

 

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A aldeia é rodeada por pequena elevações no fundo das quais se forma um pequeno vale com cerca de 200m de largura por 900 metros de comprimento, um autêntico tapete verde de pastagens e terras de cultivo bordejado nos seus limites com pequenos conjuntos de arvoredo a contrastar com os cumes das pequenas elevações onde apenas existe uma vegetação rasteira, mais descolorida a contrastar por sua vez com manchas de esqueletos escuros que restam de pé,  de uma antiga floresta dizimada pelos incêndios.

 

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O casario, mais antigo, à volta do núcleo da capela,  é composto por construções de granito à vista com junta seca, hoje todos com telhados de telha cerâmica, maioritariamente em telha marselha vida das cerâmicas de Chaves, mas com alguns telhados a manterem as guias de granito que antigamente acomodavam o colmo das coberturas. O casario vai sendo interrompido por pátios e pequenas eiras com canastros, alguns totalmente em madeira e os restantes com estrutura em granito, com uma duas ou três secções. A quantidade de espigueiros traduzem bem a riqueza do pequeno vale que serve a aldeia.

 

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Torneiros é uma aldeia ainda com vida nas ruas, com o habitual transito do gado a ir ou vir das pastagens e crianças, que cada vez são menos nas nossas aldeias, algumas que captamos em imagem na primeira vez que fomos à aldeia, crianças que hoje com mais 10 anos em cima já são jovens a entrar na fase adulta, gente simpática sempre com um sorriso nos rostos.

 

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Ora para concluir, Torneiros é uma das aldeias do Barroso de visita obrigatória, fique por lá o tempo que a aldeia lhe pedir para ficar, embriague-se com as vistas, descanse o olhar deixando-o navegar no degradê do mar de montanhas e quando sair da aldeia, não dê a visita por terminada, pois ainda tem mais uma paragem obrigatória, o miradouro de Seirrãos/Torneiros ou de Boticas, desde onde se pode ver toda a vila.

 

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Quanto ao que nos diz a documentação sobre a aldeia, encontrámos na monografia de Boticas – Preservação dos Hábitos Comunitários nas Aldeias do Concelho de Boticas, que em Torneiros, no que toca a festas e romarias, é a Nossa Senhora de Fátima que é celebrada nos dias 13 de maio e no primeiro domingo de agosto.

 

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No mesmo documento, ficámos também a conhecer uma das tradições da aldeia:

“Por altura do S. João (24 de Junho) e do S. Pedro (29 de Junho), em algumas aldeias do concelho ainda fazem as tranquilhas das ruas com paus e cancelas.

Particularmente na freguesia de Beça, onde lhe chamam as trancheiras, para além de trancarem as ruas, também é costume colocarem os arados de pau e as grades, que apanham, na torre da Igreja. Por altura do S. Pedro roubam os vasos das flores às mulheres e colocam-nos nos largos junto aos poços, na igreja, capelas ou cruzeiros como nos disse um informante de Torneiros “no S. Pedro, que é o santo mais maroto, às vezes quando as raparigas se esquecem dos vasos, daquelas flores e assim, os rapazes apanham-nas e levam-nas lá p’ra capela e depois elas tem que as ir lá buscar”, de tal forma que algumas mulheres nesses dias escondem os seus vasos."

 

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E na ausência de mais informação disponível, vamos dando por terminado este post, apenas nos falta o habitual vídeo com todas as imagens publicadas até à presente data neste blog. Espero que gostem.

Aqui fica:

 

 

Agora também pode ver este e outros vídeos no MEO KANAL Nº 895 607

Post do blog Chaves dedicados à aldeia de Eiras:

 

 

E quanto a aldeias de Barroso, do concelho de Boticas, despedimo-nos até ao próximo domingo em que teremos aqui a última aldeia da freguesia de Beça, a aldeia de Vilarinho da Mó.

 

BIBLIOGRAFIA

CÂMARA MUNICIPAL DE BOTICAS, Preservação dos Hábitos Comunitários nas Aldeias do Concelho de Boticas - Câmara Municipal de Boticas, Boticas, 2006

 

WEBGRAFIA

http://www.cm-boticas.pt/

http://valentim.org/cume/1014

 

20
Dez20

O Barroso aqui tão perto - Seirrãos

Aldeias do Barroso - Freguesia de Beça - Concelho de Boticas

1600-quintas (36)-seirraos

1600-cabecalho-boticas

 

SEIRRÃOS - BOTICAS

 

Hoje nesta andança pelas aldeias do Barroso, do concelho de Boticas, da freguesia de Beça, vamos até Seirrãos.

 

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Iniciemos pelo nosso itinerário, a partir da cidade de Chaves, para chegar até Seirrãos e vamos seguir o mesmo itinerário que seguimos para ir até à aldeia de Quintas, a última aldeia que esteve aqui no domingo passado, isto porque Seirrãos fica a apenas 500 metros de Seirrãos, embora a partir de Boticas se possa optar por itinerário alternativo, mas já lá vamos.

 

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Então saímos de Chaves pela EN103 e direção a Braga, mas só até Sapiãos, aí saímos em direção a Boticas onde devemos tomar a R311 em direção a Ribeira de Pena, Salto e Braga, logo a seguir a cerca de 3Km temos a aldeia de Quintas onde devemos tomar um desvio à esquerda em direção a Seirrãos, Miradouro e Torneiros, logo a seguir é Seirrãos. Depois de visitar Seirrãos, suba mais um bocadinho até ao Miradouro. Depois de visitar o miradouro, não regresse a Seirrãos, siga a estrada, a descer, pois já está a descer para Boticas. Claro que pode fazer este pequeno itinerário entre Boticas e Seirrãos ao contrário, que por acaso até foi o que nós fizemos quando lá fomos. Fica o nosso mapa, só de ida.

 

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Seirrãos é uma pequena aldeia que se não fosse uma pequena montanha estava mesmo encostadinha à vila, sede de concelho, Boticas, pois Seirrãos está nas faldas desse pequeno monte e o lado oposto do mesmo, o monte descai até chegar à vila de Boticas.

 

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Um pequeno monte que serve também de degrau para outro monte, um pouco mais elevado e que lá na croa, mesmo lá no alto, tem um miradouro para se lançarem olhares sobre Boticas, a Granja e mais além, até às montanhas de Chaves e da Galiza, mas que é também um miradouro sobre Seirrãos aninhadinha no meio do verde do arvoredo, imediatamente antes de Quintas, a aldeia mais próxima de Seirrãos, que fica a apenas duas pequenas retas e uma curva traduzidas para metros, Para o lado oposto temos a aldeia de Torneiros,.

 

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Foi precisamente depois de termos fisgado Seirrãos desde o miradouro que descemos até à sua intimidade. Vista lá de cima, a aldeia prometia, mas para sentir o seu pulsar, tínhamos que descer e entrar na sua intimidade.

 

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Meados de julho, início da tarde, depois de um almoço daqueles almoços que só no Barroso se podem saborear, era mais hora de assossega que por cá, depois dos almoços se resolve melhor com o dormir de uma sesta, que pelo quase silêncio da aldeia, não fosse o chilrear dos pardais intercalado aqui e ali por um trinar mais melodioso de outras espécies e o silêncio seria total ou quase…

 

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As sestas até deviam ser obrigatórias, mas nem todos podem usufruir delas. Nós bem tínhamos vontade de botar uma sestinha, mas tínhamos de ganhar o dia, de cumprir o nosso roteiro fotográfico e para além de Seirrãos ainda tínhamos a aldeia vizinha de Quintas para fotografar, daí não havia tempo a perder.

 

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A aldeia ia continuando no seu silêncio chilreado da passarada até que um monolugar descapotável, vulgarmente conhecido por trator, começa a quebrar o silêncio ao fundo de uma rua, é assim, tal como dizia atrás nem todos têm direito a sesta e nas aldeias, mesmo não havendo empregos, há sempre trabalho para fazer. chilrear

 

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O trator passou, penetrou no arvoredo da montanha e o seu ruído foi sendo absorvido até ficarmos de novo no quase silêncio total, mas por pouco tempo, pois um filho da terra chegou até nós em conversa, o Fernando Guimarães natural de Seirrãos, a terra do pai, mas que vive em Beça, a terra da mãe. Pelo seu nome e por sermos homónimos, meti-me com ele dizendo-lhe que era um nome em desuso, fora de moda, que já havia poucos Fernandos… ao que ele me interrompeu “Poucos!? Só em Beça somos para aí 18…”, mas a provocação foi apenas o mote para uma conversa…

 

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Claro que os naturais destas terras gostam sempre do seu berço, mas não são indiferentes àquilo que os rodeia e a nossa conversa acabou por tomar o rumo do incêndio que no ano anterior (2016) lhes queimou o monte (do miradouro) num incêndio que dizimou uma grande área do pinhal de Boticas, de ambos os lados da R311 entre Pinho e Boticas. Palavras de revolta, justas, que qualquer um que tivesse visto o cenário desolador que aquele incêndio deixou teria.

 

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E em Seirrãos foram os únicos momentos com vida durante a nossa estadia, não porque a aldeia seja uma aldeia sem vida, pois era notória que a tinha, mas estávamos no início de uma daquelas tardes dos verões dos verões de inferno que por cá atravessamos no mês de julho e o mais provável era mesmo que as pessoas estivessem a dormir a sua sesta ou protegidos do intenso calor na frescura das suas casas ou sombra.

 

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Pouco mais temos para dizer sobre esta aldeia, a não ser que é uma aldeia interessante que merece uma visita, após a qual deverá subir ao miradouro para desfrutar das vistas e rever a aldeia de Seirrãos, mas agora na sua perspetiva geral. Vale a pena e não se vai arrepender.

 

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E chegamos à altura de trazer aqui o vídeo com todas as imagens publicadas hoje neste blog. Espero que gostem.

Aqui fica:

 

 

 

Agora também pode ver este e outros vídeos no MEO KANAL Nº 895 607

 

Quanto a próxima aldeia do Barroso, continuaremos na freguesia de Beça, com a aldeia de Torneiros, curiosamente também aldeia vizinha da nossa aldeia de hoje.

 

 

 

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