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CHAVES

Olhares sobre o "Reino Maravilhoso"

11
Jul21

O Barroso aqui tão perto - Muro

Aldeias do Barroso - Concelho de Boticas

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Seguindo a metodologia que adotámos para o Barroso do concelho de Boticas, ou seja, seguir a ordem alfabética das freguesias e as suas aldeias,  já iniciámos as publicações da freguesia de Covas de Barroso, tendo-se iniciado as publicações desta freguesia precisamente com a aldeia de Covas, daí, hoje é a vez da sua segunda de três aldeias, a aldeia do Muro, ficando para a próxima publicação a aldeia de Romaínho.

 

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Para irmos até ao muro, teremos que passar por Covas do Barroso e pelo Romaínho, só depois teremos a aldeia do Muro. Vamos então ao nosso itinerário completo e respetivos mapas, para chegarmos à aldeia do Muro. Como sempre o ponto de partida é na cidade de Chaves.

 

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Então vamos lá, como ponto de partida podemos ter a praça do Brasil em  Chaves, seguindo pelo caminho mais habitual para ir até terras de Boticas, ou seja via N103 (estrada de Braga) até Sapiãos, onde, devemos deixar a N103 e tomamos à esquerda a M312 em direção a Boticas, onde devemos apanhar a R311. Basta seguir as indicações das placas em direção a Ribeira de Pena e Cabeceiras de Basto, principalmente na rotunda de saída da vila, junto ao Centro de Artes Nadir Afonso. Depois subimos até a Carreira da Lebre, o grande entroncamento de Boticas, e desta vez, na rotunda da Carreira da Lebre, seguimos em frente, mas apenas durante cerca de 5Km logo a seguir à última entrada para aldeia de Vilar (à esquerda) e saída para a aldeia de Carvalho (à direita), ou seja, devemos sair da R311, à esquerda, em direção à aldeia Campos, aldeia pela qual teremos de passar para ir até Covas do Barroso. E Covas, temos que atravessar a aldeia toda, sempre pela rua principal em direção à igreja paroquial e cemitério, mas sem chegar lá, pois antes terá de virar à esquerda. Já não recordo se há placas a indicar Romaínho e Muro, mas o melhor, em caso de dúvida, é perguntar a alguém no final da aldeia, que, felizmente, em Covas do Barroso há sempre gente na rua.

 

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O Muro é uma das aldeias que fica no limite do concelho de Boticas confrontante com o concelho de Ribeira de Pena. O limite do concelho fica a apenas 1Km e as primeiras aldeias do concelho de Ribeira de Pena (Alijó e Lamalonga) ficam a menos de 2Km, com ligação por estrada municipal (M1047). Curiosamente, estas duas aldeias e mais meia-dúzia do concelho de Ribeira de Pena, estão ainda dentro do território do Barroso, mais precisamente a freguesia de Canedo, que outrora, há cerca de 100 anos, pertencia ao Concelho de Boticas. É por estas e por outras que o território do Barroso não se fica apenas pelos concelhos de Montalegre e Boticas, pois os concelhos de Ribeira de Pena, Vieira do Minho e também o de Chaves, se considerarmos o limite natural do rio Tâmega como um dos limites do Barroso.

 

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O Muro é uma pequena aldeia com pouco mais de 20 construções e metade são anexos e armazéns, mas como na prática está já unida à aldeia de Romaínho, as duas, já fazem uma aldeia jeitosa. Aqui sim, nesta e outras aldeias que com o seu crescimento se uniram, poderia haver uma reforma administrativa e ficar só uma aldeia, do tipo Romaínho do Muro ou Muro do Romaínho, isto se entre ambas não houver quezílias antigas, que aí não há nada a fazer, mais vale respeitar as quezílias do que unir para desunir à batatada. São as tais questões de honra que no Barroso e em geral em todo Trás-os-Montes fazem lei, mesmo que não esteja escrita. Bem, mas isto da união das duas aldeias são coisas minhas, da minha imaginação, e até pode ser que entre estas duas aldeias nem haja quezílias antigas ou recentes, e se as houver, é natural, como natural também é acontecerem ou não dentro da própria aldeia.

 

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Continuando ainda com o tema das questões de honra, moral, quezílias e afins, introduzamos outro, o do Comunitarismo do Barroso, que é uma das singularidades deste povo, ou era, pois com os tempos modernos, cada vez mais o comunitarismo vai caindo em desuso, tal como os fornos do povo que hoje em dia, em grande parte das aldeias, apenas são utilizados como um ponto de atração turística ou mesmo convertidos em “postos” de turismo barrosão.

 

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Mas ia dizendo que o povo barrosão tem (ou tinha) como um dos elementos da sua identidade o comunitarismo, que é (era) uma forma de se entreajudarem, mas que, para funcionar, tinham regras apertadas para serem cumpridas. Desde o forno do povo, à água, aos caminhos, as vezeiras, a igreja, as festas, o boi do povo, etc. havia regras a cumprir.

 

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O Padre António Lourenço Fontes, hoje sobejamente conhecido pelos congressos de bruxaria e sextas-feiras 13 de Montalegre, é um dos conhecedores profundos do Barroso, dos seus usos e costumes, não só por também ele ser barrosão, mas também por ter dedicado toda a sua vida ao estudo e divulgação do Barroso. As suas primeiras publicações sobre os usos e costumes do Barroso e sobre o comunitarismo de Barroso remontam aos anos 70 do século passado, onde se revela o grande etnógrafo do Barroso, passando tintim por tintim todos os usos, costumes e comunitarismo do Barroso à escrita e publicação de dois volumes de Etnografia Transmontana, sendo o II Volume dedicado exclusivamente ao comunitarismo de Barroso.

 

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Por exemplo quanto ao boi do povo, que tinha duas funções, a primeira a de cobrir as vacas da aldeia e a segunda era o representante da aldeia no desporto do povo barrosão, o das chegas de bois. Lourenço Fonte diz ao respeito, no II volume de Etnografia Transmontana – O Comunitarismo de Barroso:

 

“ O boi do povo, um dos maiores proprietários da aldeia, é de todos os que têm vacas. Todos colaboram na sua manutenção e pastoria. Todos têm de lhe ir segar e recolher o feno, semear as batatas do boi, recolhe-las, pedir pão ou milho, ou mesmo roubá-lo, quando os mais velhos o não querem dar às boas. Em Cambezes quando é tempo das ferranhas tenras, o boi anda à roda, pelos vizinhos; cada um tem de dar ferranha ao boi ou bois, tantos dias, como de vacas tem para cobrir. Todos pagam ao pastor do boi, conforme o número de vacas. Em Pitões pagam em alqueires de centeio ao que guarda o rego da rega, no tempo respetivo. O tratador é gratuito, trata do boi para vender ou chegar com outro.”

 

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Já quanto ao boi do povo representar a aldeia no desporto barrosão - as chegas, diz Lourenço Fontes:

 

“Nas chegas, o desporto usual das aldeias de Barroso, todos vão acompanhar o seu boi, de pau na mão, e rogar aos santos da igreja que ele seja campeão. Se não for campeão, ou o vendem, ou o tratam para vir a sê-lo. Por isso, nem sempre o ser bom reprodutor é o motivo de conservar um boi, mas o ser o melhor lutador. Está aqui uma das razões da degenerescência da raça Barrosã, além de outras.”

 

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Voltando às quezílias das aldeias e afins, escreve Lourenço Fontes:

 

“Nos barulhos ou contendas, entre pessoas de aldeias diferentes, também a coesão e unidade se manifesta. Um por todos e todos por um, gritam logo. E toca de esgalhar paulada ou estadulhada nos inimigos do nosso vizinho. Há aldeias que não se ligam bem, apesar de serem da mesma freguesia, ou muito próximas, que não se gramam, por uma pequena questão particular. O jogo do pau era espetáculo nestas marés. (Salto)”.

 

E ainda

“ Nas feiras e festas a rapaziada junta-se em determinado local, mais ou menos central, ou à saída do povo, cada qual com seu pau de lodo, antes, hoje com a sua pistola no bolso. (1)

 

  • (1) – A G.N.R. acabou com os paus.

 

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E sobre esta aldeia que dá pelo topónimo de Muro vai sendo tudo. Sem dúvida que é mais uma aldeia do Barroso que merece uma visita, não só pela aldeia, que embora pequena não deixa de ser interessante, mas também pela paisagem envolvente das montanhas barrosãs. E chegamos ao vídeo final, com todas as imagens publicadas neste post. Espero que gostem:

 

Aqui fica:

 

 

 

Agora também pode ver este e outros vídeos no MEO KANAL Nº 895 607

 

 

E quanto a aldeias de Boticas, despedimo-nos até ao próximo domingo em que teremos aqui a última aldeia da freguesia de Covas de Barroso -  Romaínho.

 

 

27
Jun21

O Barroso aqui tão perto - Boticas e Montalegre

As duas vilas, sede de concelho, do Barroso

BOTICAS

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MONTALEGRE

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20
Jun21

O Barroso aqui tão perto - Covas do Barroso

Aldeias do Barroso - Concelho de Boticas

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Seguindo a metodologia que adotámos para o Barroso do concelho de Boticas, ou seja, seguir a ordem alfabética das freguesias e as suas aldeias,  e depois de termos abordado todas as aldeias da freguesia de Codessoso, Fiães do Tâmega e Curros chega a vez da freguesia de COVAS DO BARROSO, constituída pelas aldeias de Covas da Barroso, Muro e Romaínho.

 

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Seguindo a ordem alfabética nas aldeias dentro da freguesia, também calha a Covas do Barroso fazer a abertura da freguesia. Assim é até Covas que vamos hoje

 

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Fomos a Covas de Barroso três vezes. A primeira vez já há uns anitos, em 2011, num passeio de fotógrafos, numa visita muito rápida em que quase nos ficámos pela igreja e pelo largo principal, o do forno do povo. Já então, e ainda antes de termos iniciado esta rubrica das aldeias do Barroso, ficámos com vontade de lá voltar.

 

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A segunda vez já fomos com mais tempo, já para fazer a recolha de imagens de um futuro post dedicado à aldeia. Foi em março de 2018, por sinal um dia de chuva intensa, que embora até sejam interessantes para a fotografia, já o não são tanto para os nossos corpos e muito menos para as Câmara fotográficas. Mesmo assim fizemos o possível e recolhemos algumas imagens, mas desde logo sentimos que a recolha não estava completa.

 

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Como não há duas sem três, voltámos lá no mesmo ano, três meses depois, em junho de 2018, e em boa hora o fizemos, pois assim podemos dizer que a recolha ficou quase completa, e o quase é apenas porque uma recolha nunca fica completa. Um dia de sol interessante, com nuvens para enfeitar, sem incomodar, bem diferente do dia invernoso de março, agora com a primavera no seu auge, a mostrar toda a sua exuberância no colorido florido da paisagem, principalmente na paisagem selvagem dos montes que rodeiam a aldeia, só interrompido pelo corredor que o asfalto da estrada rasgava por entre as giestas, como se tratasse de um tapete que nos conduzia até Covas.

 

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Quanto à aldeia, é um misto de aldeia concentrada, com uma igreja, o forno comunitário e o cruzeiro no grande largo, ainda, como quase todas as aldeia, na falda da montanha, mesmo na passagem da montanha para o pequeno vale de terras de cultivo, só que, a aldeia não termina aqui, pois a aldeia continua ao longo de cerca de 2,5km de arruamentos dispersos pelo pequeno vale agrícola. Uma aldeia sem dúvida diferente, mas com todos os ingredientes de uma aldeia barrosã.

 

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Pessoalmente, realço da aldeia o belíssimo cruzeiro do largo principal, desde a sua base até ao topo a terminar na cruz com duas figuras esculpidas em granito, uma em cada face da cruz. O forno do povo, todo em granito, incluindo a cobertura, tendo como particularidade ter dois fornos, lado a lado, no seu interior, não sei se existem mais assim, pessoalmente, foi o primeiro que vi (com dois fornos). Realce também para as suas igrejas, principalmente a que se localiza junto ao cemitério. Um segundo cruzeiro, mais simples, mas com base idêntica ao do largo principal, e embora simples, não deixa de ser interessante. Realce também para os canastros e seu enquadramento e também as montanhas envolventes, principalmente as que se atravessam vindos da aldeia de Campos.

 

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Até aqui temos deixado as nossas impressões sobre a aldeia, mas anda não referimos como chegar até lá e onde ela se localiza. Então vamos lá, como ponto de partida como sempre da cidade de Chaves e pelo caminho mais habitual para ir até terras de Boticas, ou seja via N103 (estrada de Braga) até Sapiãos, depois deixa-se a N103 e tomamos a M312 até Boticas, onde apanhamos a R311 e subimos até a Carreira da Lebre, o grande entroncamento de Boticas, e desta vez, na rotunda da Carreira da Lebre, seguimos em frente, mas apenas durante cerca de 5Km logo a seguir à última entrada para aldeia de Vilar (à esquerda) e saída para a aldeia de Carvalho (à direita), ou seja, na saía à direita que indica Campos, aldeia pela qual teremos de passar para ir até Covas do Barroso. Se por acaso se enganar e andar mais de 5Km, não volte para trás, pois mais à frente, depois da aldeia de Bostofrio, mas antes de Agrelos, há outra entrada para a aldeia.

 

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E agora vamos às nossas pesquisas sobre a documentação existente, ou perlo menos aquela a que tivemos acesso, sobre a Cova do Barroso. Como sempre a principal fonte é a monografia “PRESERVAÇÃO DOS HÁBITOS COMUNITÁRIOS NAS ALDEIAS DO CONCELHO DE BOTICAS”, onde há a referência a um parque de lazer a dois castros: O Alto do Castro e o Castro do Poio.

 

Alto do Crasto

Designação: Alto do Crasto

Localização: Covas do Barroso

Descrição: Sobranceiro à aldeia de Covas encontra-se o Alto do Castro, monte de encostas empinadas, principalmente a do lado Sul, voltada para Covas do Barroso. Tem um pequeno reduto, com 6 a 8 metros de diâmetro, rodeado por todos os lados, excepto no lado Sul onde se abre uma longa portada com 27m de largura. Um pouco acima da linha dos 27 m da grande portada há uma fiada de 6 a 7 metros de pedras pequenas, que se supõe corresponderem ao miolo do paredão, ou muralheta, que fechava daquele lado o rodeio dos penedos que por três lados cercam a irregular e pedregosa plaina cimeira.

 

No local forma encontrados pedaços de cerâmica.

 

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O Castro do Poio

Designação: Castro do Poio

Localização: Covas do Barroso

Descrição: O Castro do Poio fica no termo da freguesia de Covas do Barroso. Encontra-se localizado a uns 400m a jusante da ponte nova que atravessa o rio pela estrada de Covas do Barroso ao Couto de Dornelas.

O cabeço de pedra de xisto em que assenta o castro é uma espécie de promontório arredondado, rodeado pelo rio do Couto de Dornelas a Norte, Poente e Sul. Um grosso istmo liga-o pelo NE ao monte adjunto. O castro tem três muralhas. A primeira, no fundo da ladeira, fica a uns 10 a 12 metros acima da margem esquerda do rio, tem 1,70 m de largura, parte do fosso do lado Norte, abraça a base do promontório e vai desembocar no fosso, sensivelmente à mesma distância do rio. A segunda muralha também com 1,70 m de largura, na linha Nordeste/Sudoeste, fica 30 m acima da anterior e segue, em arco de ferradura, mais ou menos paralelo à primeira muralha num comprimento de 150 a 200 metros. Começa e acaba, como a anterior, nas duas portas do fosso. A terceira muralha, na linha NE/SO fica 50m acima da segunda. Mais acima na plaina do topo do monte, esta terceira muralha estreita a 1 m de largura, forma um conjunto elipsóide com um lacete, onde se distinguem três anéis de pedra amontoadas que devem corresponder a outras tantas casas circulares.

O fosso, com 6 m de boba e 3m de fundo, foi rasgado a cortar o istmo daquele promontório e estende-se seguindo o pendor das encostas, aproximadamente 60 m de cada lado, até ao rio.

 

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COVAS DO BARROSO

 

Localização geográfica: A freguesia de Covas do Barroso situa-se na parte Sul do concelho de Boticas

Distância relativamente à sede do concelho: aproximadamente 20 km.

Acesso viário: seguindo pela ER 311, virando na indicação Campos / Covas do Barroso, percorre-se a EM 519-C até à aldeia de Covas do Barroso, ou, em alternativa, percorre-se a ER 311 e virando na indicação Covas do Barroso segue-se pela EM 519-1C.

Área total da freguesia: 29,6 km2

Localidades: Covas do Barroso, sede de freguesia, Muro e Romaínho.

População: 348 habitantes.

Orago: Santa Maria.

Festas e Romarias

Nossa Senhora da Saúde, 1º domingo de Junho, Covas do Barroso.

Santo António,* 13 de Junho, Covas do Barroso.

Carolo de Santo António, 14 de Junho, Covas do Barroso.

Património Arqueológico

Alto do Castro.

Castro do Poio.

Povoado de S. Martinho.

Povoado do Cemitério de Covas do Barroso.

Património Edificado

Capela de Nossa Sra da Saúde (Covas do Barroso).

Cruzeiro de Covas do Barroso – Património Classificado (IIP).

Fontanário (Covas do Barroso).

Forno Comunitário de Covas do Barroso.

Igreja Paroquial de Covas do Barroso – Património Classificado (IIP).

Tribunal (Covas do Barroso).

Capela de S. José (Romaínho).

Outros locais de interesse turístico.

Forno do Povo de Romaínho (construção recente).

Dois Moinhos de Rodízio (Covas do Barroso).

Um Percurso Pedrestre.

 

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Da monografia ainda uma última referência, a de uma tradição de entrudo, que, não sei se ainda se realiza:

 

O Entrudo, traz consigo os caretos, as brincadeiras e a folia.

 

No Domingo Gordo, o domingo antes do Entrudo, em Covas do Barroso, fazem o carro do galo, tradição dedicada ao professor (a) da aldeia. Todos os anos os alunos, da escola primária, arranjam um carrito de mão, enfeitam-no com flores levando as suas ofertas que, como manda a tradição, são compostas por um coelho, uma galinha, vinho do porto, doces e um galo. Depois fazem um cortejo com o carro pelas ruas da aldeia.

 

Nesta aldeia ainda existe a tradição de ler os motes. Juntam-se três rapazes no principal largo da aldeia, um coloca-se no forno do povo, outro no cruzeiro, seguram uma corda com o galo preso no meio e tentam acertar com ele ao que está a ler os motes de forma a atirarem-lhe com o chapéu ao chão. Este, enquanto lê os motes, com uma espada tenta afastar o galo da sua cabeça. No final oferecem o galo e o restante conteúdo do carro.

 

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Para finalizar, também Miguel Torga passou por Covas do Barroso, pelo menos duas vezes, isto a crer pelos dois registos de Covas que Torga deixa no seus diários, um de 1958 e outro de 1987:

 

Covas do Barroso, 27 de Setembro de 1958

 

Almoço na casa do abade da terra. É bom alimentar de vez em quando o ateísmo a uma mesa residencial.

 

Miguel Torga, In Diário VIII

 

 

Covas do Barroso, 8 de Setembro de 1987

 

Uma bonita imagem de Nossa Senhora de Rocamador na igreja matriz, e o forno do povo ainda quente  e a reacender da última fornada. Um lavrador, quando me viu ougado, meteu a navalha a uma broa e fartou-me. O comunitarismo, por estas bandas, não é uma palavra vã. Significa solidariedade activa em todos os momentos. Até a fome turística tem direito ao pão da fraternidade.

 

Miguel Torga, In Diário XV

 

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E para finalizar o vídeo com todas as imagens publicadas neste post dedicado a Covas do Barroso. Infelizmente, já depois do vídeo publicado,  demos conta de um pequeno lapso no nosso mapa, nas placas que indicam as aldeias de Codessos e Antigo de Curros, deveriam indicar Muro e Romaínho, tal como consta no mapa que fica neste post. Mesmo assim, espero que gostem do vídeo e que me desculpem este pequeno lapso.

 

Aqui fica:

 

 

 

Agora também pode ver este e outros vídeos no MEO KANAL Nº 895 607

 

 

E quanto a aldeias de Boticas, despedimo-nos até ao próximo domingo em que teremos aqui a aldeia de Muro.

 

 

 

30
Mai21

O Barroso aqui tão perto - União de Freguesias de Codessoso, Curros e Fiães do Tâmega

Freguesias de Boticas

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Codessoso, Curros e Fiães do Tâmega é uma freguesia portuguesa do concelho de Boticas com 35,17 km² de área e 298 habitantes (2011). A sua densidade populacional é 8,5 hab/km².

 

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História

Foi constituída em 2013, no âmbito de uma reforma administrativa nacional, pela agregação das antigas freguesias de Codessoso, Curros e Fiães do Tâmega e tem a sede em Condessoso.

 

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Nesta abordagem resumo da atual união de freguesias, vamos basear-nos na documentação que existe das antigas freguesias de Codessoso, Curros e Fiães do Tâmega.

 

Antiga Freguesia de CODESSOSO

 

Alojamento Turismo Rural - Casa de Paula (Virtelo)

 

Localização geográfica: A freguesia de Codessoso situa-se na parte sul do concelho de Boticas. Distância relativa à sede do concelho: aproximadamente 6,5 km.

 

Acesso viário: Pela ER 311 virando na indicação Codessoso segue-se pelo CM 1039-A, ou, em alternativa, segue-se pela ER 311, apanha-se a EM 312 e vira-se na indicação Codessoso.

 

Área total da freguesia: 8,7 km2 (é a mais pequena freguesia do concelho) Localidades: Codessoso, sede de freguesia, e Secerigo.

 

População: 168 habitantes

 

Aldeias do Barroso

 

Orago: S. Lourenço

 

Festas e Romarias: S. Frutuoso, 16 de Abril, Secerigo S. Lourenço,* 10 de Agosto, Codessoso Nossa Senhora de Guadalupe,* 08 de Setembro, Codessoso.

Com (*) - Só celebração religiosa.

 

Património Arqueológico: Castro do Alto da Coroa / Castro da Naia / Rio Mau Povoado de Santa Bárbara.

 

Património Cultural e Edificado: Calvário (Codessoso), Capela de Nossa Senhora de Guadalupe, Capela de S. Frutuoso (Secerigo), Casario tradicional (Codessoso), Forno do Povo de Codessoso, Igreja Paroquial de S. Lourenço (Codessoso).

 

Castro do Alto da Coroa Designação: Castro do Alto da Coroa / Castro da Naia / Rio Mau.

 

Localização: Codessoso

 

Descrição: O monte donde se localiza o Castro Alto da Coroa, ou simplesmente a “Coroa”, fica a cerca de 1km a N/W da aldeia de Codessoso. Este castro possui dois fossos separados por um combro relativamente estreito. Uns 20 m acima do segundo fosso, há uns restos de parede que parecem vestígios de muralheta. Acima uns 12 m, há restos de outra parede que pode ser parte da segunda muralheta que corre paralela à primeira. Foi encontrada cerâmica, tégula, escórias e vestígios da fundição de ferro. Pensa-se que este castro terá sido romanizado.

 

 

Antiga freguesia de CURROS

 

Localização geográfica: A freguesia de Curros situa-se na parte Sul do concelho de Boticas.

 

Distância relativamente à sede do concelho: aproximadamente 10,5 km.

 

Acesso viário: pela ER 311. Apanhando a EM312 no lugar da Carreira da Lebre, em direcção a Ribeira de Pena, vira-se depois na indicação Antigo de Curros e percorre-se o CM 1048; em alternativa pode seguir-se pelo CM 1050 e depois pelo CM 1048.

 

Área total da freguesia: 12 km2

 

Localidades: Antigo de Curros, Curros, sede de freguesia, e Mosteirão.

 

População: 87 habitantes

 

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Orago: Nossa Senhora das Neves.

 

Festas e Romarias: S. Brás, 03 de Fevereiro, Antigo de Curros Santo António,* 13 de Junho, Curros Nossa Senhora das Neves,* 05 de Agosto, Curros Nossa Senhora de Fátima e Santa Bárbara, em Agosto, Mosteirão Santa Bárbara,* 04 de Dezembro, Mosteirão.

 

Com (*) - Só celebração religiosa.

 

Património Cultural e Edificado: Capela de Mosteirão, Capela de S. Brás (Antigo de Curros), Cruzeiro, Forno do Povo de Antigo de Curros, Forno do Povo de Curros, Igreja de Nossa Senhora das Neves.

 

Outros locais de interesse turístico: Forno do Povo de Mosteirão (construção recente).

 

 

Antiga Freguesia de FIÃES DO TÂMEGA

 

Fiães do Tâmega, que em 1834 tinha sido criada paróquia vindo a fazer parte do concelho de Ribeira de Pena para mais tarde se fixar no concelho de Boticas.

 

locais de interesse turístico: Praia Fluvial e a ponte de arame sobre o rio Tâmega que liga a aldeia de Veral a aldeia de Monteiros, esta de Vila Pouca de Aguiar. Ponte de arame que infelizmente irá ficar submersa com a barragem em construção no rio Tâmega.

 

Localização geográfica: A freguesia de Fiães do Tâmega situa-se na extremidade mais a Sul do concelho de Boticas.

 

Distância relativamente à sede do concelho: aproximadamente 13 km.

 

Acesso viário: Seguindo pelo CM 1050 até Fiães, ou, em alternativa, segue-se pela ER 311, apanha-se a EM 312, vira-se na indicação Veral e segue-se pelo CM 1050.

 

Área total da freguesia: 14,5 km2

 

Localidades: Fiães do Tâmega, sede de freguesia, e Veral.

 

População: 167 habitantes.

 

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Orago: S. Bernardino Festas e Romarias: S. Bernardino,* 20 de Maio, Fiães do Tâmega Santa Susana, 11 de Agosto, Fiães do Tâmega S. Martinho, 11 de Novembro, Veral.

 

Património Cultural e Edificado: Igreja Paroquial de Santa Susana (Fiães do Tâmega) Capela de S. Martinho (Veral) Forno do Povo de Fiães do Tâmega.

 

 

Aldeias da União de Freguesias de

Codessoso, Currais e Fiães do Tâmega

 

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Fazem parte da atual união de freguesias as aldeias de:

 

Antigo de Curros

Codessoso

Curros

Fiães do Tâmega

Mosteirão

Secerigo

Veral

 

 

Antigo de Curros

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Link para o post completo da aldeia de  Antigo de Curros:  ANTIGO DE CURROS 

 

Codessoso

 

Aldeias do Barroso

Aldeias do Barroso

Aldeias do Barroso

 

Link para o post completo da aldeia de Codessoso: CODESSOSO 

 

Curros

 

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Link para o post completo da aldeia de Curros: CURROS 

 

Fiães do Tâmega

 

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Link para o post completo da aldeia de Fiães do Tâmega: FIÃES DO TÂMEGA 

 

 

Mosteirão

 

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Link para o post completo da aldeia de Mosteirão: MOSTEIRÃO

 

Secerigo

 

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Link para o post completo da aldeia de Secerigo: SECERIGO

 

Veral

 

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Link para o post completo da aldeia de Veral: VERAL

 

 

E só nos resta o vídeo resumo das aldeias da União de Freguesias de Codessoso, Currais e Fiães do Tâmega. O vídeo individual de cada aldeia pode ser visto no post de cada aldeia (para o qual ficou link atrás). Vamos então ao vídeo. Espero que gostem.

 

 

No próximo domingo iniciamos a abordagem à freguesia de Covas do Barroso.

 

 

 

17
Mai21

O Barroso aqui tão perto - Veral

Aldeias do Barroso - Concelho de Boticas

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VERAL - BOTICAS

 

Nestas andanças pelo concelho de Boticas, hoje vamos até Veral, a última aldeia que trazemos aqui da União de freguesias de Codeçoso, Curros e Fiães do Tâmega.

 

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Iniciemos já pela localização e itinerário para chegar até Veral. O ponto de partida é a partida da cidade de Chaves com partida e para o Concelho de Boticas, para a maioria das freguesias, e esta não é exceção, a melhor estrada é a de Braga (N103), até Sapiãos, aí deixamos a N103 e rumamos até Boticas, aí tomamos a direção de Ribeira de Pena apanhando a R311 até a Carreira da Lebre, onde, na rotunda devemos saír em direção a Ribeira de Pena, pela N312, onde passados cerca de 14Km encontraremos, à esquerda, a saída para Veral, ao todo, entre Chaves e Veral, são 41,1Km. Mas fica o itinerário em mapa, para melhor localização.

 

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Veral fica no limite do concelho de Boticas, a confrontar com o concelho de Ribeira de Pena, a Sul e com o concelho de Vila Pouca, a nascente, neste a linha divisória dos dois concelhos é o Rio Tâmega, que fica a cerca de 500 de Veral.

 

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Embora cada aldeia tenha as suas singularidades, também as há que partilham algumas identidades, no caso Mosteirão e Fiães do Rio partilham a sua condição em relação à proximidade do Rio Tâmega e as mesmas vistas, e até a forma como povoaram a encosta, dispondo as suas construções em anfiteatro.

 

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Quanto à aldeia, tem um capela, de vocação a S.Martinho, o orago da aldeia, localizada sensivelmente a meio do anfiteatro composto pelas construção da aldeia, com a particularidade de ter a torre sineira separada da capela, o que torna a capela muito mais interessante.

 

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Como pontos de interesse, tem ainda a ponte de arame sobre o rio Tâmega que liga a aldeia de Veral a aldeia de Monteiros, esta de Vila Pouca de Aguiar. Ponte de arame que infelizmente, este ponto de interesse turístico, irá ficar submersa com a barragem em construção no rio Tâmega. Infelizmente, também,  não temos imagens desta ponte.

 

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 A respeito da água que serve estas povoações, vamos transcrever alguns parágrafos do que se diz na monografia de Boticas “PRESERVAÇÃO DOS HÁBITOS COMUNITÁRIOS NAS ALDEIAS DO CONCELHO DE BOTICAS”

 

As aldeias de Bobadela e Fiães do Tâmega, que partilhavam água com as aldeias vizinhas (Nogueira e Veral), recorrendo a determinadas estratégias, conseguiram ficar na posse dela. Na freguesia de Bobadela, ficou na memória dos aldeãos a história do “Santo Ladrão”.

 

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Conta a história que, há muitos anos atrás, no tempo dos antigos, Bobadela e Nogueira dividiam entre si uma água que vinha da Serra do Leiranco. Os de Bobadela achavam que aquela água lhes pertencia por direito e que não tinham que partilhá-la com os de Nogueira, pois estes já tinham muita água, doutras nascentes dessa Serra.

 

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Assim, arranjaram um estratagema para ficarem com a água toda, sem que os de Nogueira pudessem contestar tal apropriação. Um dia, juntaram-se as pessoas de ambas as aldeias, dirigiram-se à Serra, ao tornadouro de divisão das águas e combinaram deitar metade da água para Bobadela e a outra metade para Nogueira. A aldeia onde a água chegasse primeiro, ficava com ela. O sinal da chegada da água era o toque do sino da capela, em Nogueira, ou da capela de S. Lourenço, em Bobadela. Ora, os moradores de Bobadela, já com ela fisgada, ainda a água vinha longe, já eles estavam a tocar o sino. Os de Nogueira aceitaram a sentença, mas, convencidos que tinha havido batota, passaram a chamar-lhe o Santo Ladrão.

 

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Em Fiães do Tâmega, a água da Poças das Breiras era pertença comum dos habitantes de Fiães do Tâmega e Veral. Reza a história que, estes tentaram apropriar-se da água, mas os de Fiães do Tâmega foram mais rápidos. Numa noite, juntaram-se todos e fizeram um rego pela serra abaixo. Botaram a água para Fiães e fizeram um rol da água para que os moradores de Veral não a pudessem reclamar

 

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E com esta nos vamos até ao vídeo, com todas as imagens hoje aqui publicadas. Espero que gostem. Mas antes, avisar que o próximo post de “O Barroso aqui tão perto”, será os post resumo da União de freguesias de Codeçoso, Curros e Fiães do Tâmega, onde termos oportunidade de mais uma vez abordarmos esta aldeia de Veral.

 

Aqui fica o vídeo:

 

 

 

Agora também pode ver este e outros vídeos no MEO KANAL Nº 895 607

 

Boa semana!

 

 

09
Mai21

O Barroso aqui tão perto - Secerigo

Aldeias do Barroso - Concelho de Boticas

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Secerigo - Boticas

 

Nesta descoberta do Barroso do concelho de Boticas, temos andado pela União de freguesias de Codeçoso, Curros e Fiães do Tâmega, hoje continuamos na mesma freguesia, para irmos até à sua penúltima aldeia, isto porque temos seguido a ordem alfabética, tocando hoje a vez a Secerigo.

 

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Apenas para fazer o ponto da situação e saberem por onde temos andado, esta freguesia é composta por 7 aldeias, a saber, Antigo de Curros, Codessoso, Curros, Fiães do Tâmega, Mosteirão, Secerigo e Veral.

 

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Esta freguesia fica “entalada” entre os Tâmega e o Beça, e se nas últimas semanas andávamos próximos do rio Tâmega, hoje vamos para as proximidades do rio Beça, pois Secerigo fica na sua margem esquerda, a apenas 400m.

 

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Quando começámos a abordar o Barroso neste blog, partimos do princípio pré-definido da existência do Alto e Baixo Barroso. Tivemos oportunidade de dizer aqui, que quando iniciámos esta rúbrica, o nosso Barroso conhecido era,  na prática, apenas entre Chaves e Montalegre e Boticas, a partir de aí, apenas tínhamos feito umas visitas a Torém, Pitões das Júnias (no concelho de Montalegre) e as voltas do S. Sebastão, no concelho de Boticas, ou sejam as aldeias de Vila Grande (Dornelas) Vilarinho Seco e Alturas do Barroso, ou seja, segundo as definições, apenas conhecíamos o Alto-Barroso, de terras altas, frias e agrestes. O Baixo-Barroso, era assim, também para nós desconhecido.

 

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Com a descoberta desse Baixo-Barroso, começámos a notar que, se a definição do Alto-Barroso se identificava com o Barroso que até aí tínhamos conhecido, a do Baixo-Barroso nem por isso, ou então, poderíamos dizer que enquanto o Alto-Barroso é uniforme nas suas principais características, o Baixo-Barroso não o é. Mas quem sou eu para por em causa aquilo que oficiosamente é aceite? No entanto tenho direito à minha opinião, e o meu Barroso é feito por outras divisões, que tem tudo a ver com aquilo que lhes dá as singularidades de o tornar diferente, ou seja, aquelas que a natureza define, limita, condiciona, etc. ou seja, as montanhas, os rios, os planaltos e os vales.

 

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Assim, poder-vos-ia falar por um lado, no que toca a montanhas, no Barroso do Larouco, do Gerês, da Cabreira, do Leiranco e do Barroso da Serra do Barroso, em que esta última, ocupa o centro do Barroso. Quanto aos rios, ficaria apenas pelo rio Cávado e Tâmega, quando muito, talvez também o Rabagão, em que este último, serve também como um dos limites do Barroso, sendo os outros, as serras do Larouco, do Gerês e a Serra da Cabreira. Tudo isto para vos dizer, que toda esta freguesia da União de freguesias de Codeçoso, Curros e Fiães do Tâmega, para mim, fica no Barroso do Tâmega, com um clima mais moderado e que abrange além desta freguesia, todas as outras freguesias que ficam na margem esquerda do Rio Beça, as da margem direita do rio Tâmega e a nascente da serra do Leiranco, incluindo, claro, a Vila de Boticas. Mas repito, este é o meu Barroso, ou a forma como eu o vejo. Daí, Secerigo estar também neste barroso.

 

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E como vamos até Secerigo? Ora, pelas estradas do costume, e por onde é mais habitual ir até ao Barroso do Concelho de Boticas, ou seja, pela N103 até Sapiãos, e depois passagem por Boticas, subida pela R311 até a Carreira da Lebre onde se abandona a R311 em direção a Ribeira de Pena, depois passagem pela aldeia de Codessoso e logo a seguir é Secerigo. Ao todo, desde o nosso ponto de partida, como sempre a cidade de Chaves, até Secerigo, são 30,8Km. Mas fica o mapa de apoio com o itinerário, que ainda não é o nosso porque ainda não resolvemos os nossos problemas para ter acesso a ele.

 

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Mas atenção, se por algum acaso, para este passeio, tem de utilizar a autoestrada (A24), não precisa de ir até à cidade de Chaves, pois pode sair no nó de Vidago e logo a seguir apanhar a N311 ou sair no nó de Curalha e logo a seguir apanhar a E103 em direção a Braga, ou seja, fazer apenas parte do percurso que deixámos no mapa.

 

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Quanto a Secerigo, foi uma aldeia agradável de descobrir, com um tipo de povoamento não muito concentrado, mais a definir-se junto a um arruamento principal, quer no seu povoamento mais antigo, quer no mais recente, localizada 760m de altitude, num pequeno planalto que tem início na Carreira da Lebre, que aqui em Secerigo, por se encontrar entre montanhas, ganha característica de vale, mas superior em relação à vizinhança do Rio Beça, visto que este passa ao lado de Secerigo a uma cota de 690m.

 

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Por outro lado, embora ainda dentro daquele Barroso do Tâmega e suas influências, já está na zona de transição para o Barroso da Serra do Barroso, naturalmente mais frio que as anteriores populações que abordámos, mas em tudo o restante, idêntico à restante freguesia.

 

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Resumindo, Secerigo é também uma aldeia de visita obrigatória, gostámos em particular da sua capela, de S.Frutuoso, com celebração/festa em 16 de abril, das suas construções tipicamente transmontanas/barrosãs, construídas com pedra solta à vista, da vida que ainda há nas ruas, e embora seja de estranhar, não estranhe se em algumas fotos vê algumas alusões ao dia das bruxas “Alloween” com cabaças iluminadas, pois andámos por lá em recolha de imagens num dia 1 de novembro, modernices que até são engraçadas, mas que não têm tradição na região nem abalam o dia de Todos os Santos, nem o do Fiéis Defuntos, que embora celebrado no dia 2 de novembro, muitos por antecipação o celebram também no dia 1. Quanto às cabaças, tinha melhor fim se tivessem feito compotas com elas, essas sim, são bem tradicionais e para mim, das melhores compotas que há, as caseiras, claro.

 

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E agora sim só nos resta o vídeo com todas as imagens da aldeia de SECERIGO que foram publicadas hoje neste post. Espero que gostem,

Aqui fica:

 

 

Agora também pode ver este e outros vídeos no MEO KANAL Nº 895 607

 

E quanto a aldeias de BOTICAS, despedimo-nos até ào próximo domingo em que teremos aqui a aldeia de Veral.

 

 

19
Abr21

O Barroso aqui tão perto - Mosteirão

Aldeias do Barroso - Concelho de Boticas - C/Vídeo

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Mosteirão - Boticas

 

Nesta descoberta do Barroso do concelho de Boticas, temos andado pela União de freguesias de Codeçoso, Curros e Fiães do Tâmega, hoje continuamos na mesma freguesia, na aldeia de Mosteirão.

 

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Sobre Mosteirão, quase podíamos repetir o que dissemos sobre Fiães do Tâmega, ou sobre Curros, ou o que iremos dizer sobre Veral e Sobradelo, porque todas estas aldeias barrosãs têm em comum a vizinhança do Rio Tâmega e os olhares que se lançam sobre as montanhas além Tâmega e que entram nos concelhos de Chaves, de Vila Pouca de Aguiar e bem lá ao fundo, nas últimas montanhas, também um pouquinho do concelho de Valpaços. Na realidade são aldeias miradouros.

 

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Mas há miradouros e miradouros e embora o Barroso até seja rico em miradouros oficiais ou não, e todos eles sejam interessantes, este de Mosteirão é muito singular, pois a própria rua que atravessa a aldeia é uma varanda miradouro, com gradeamento e tudo, e sem obstáculos pela frente.

 

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Tal como disse em Fiães do Rio, estamos também num Barroso mais ameno,  com fortes influências do Rio Tâmega e das suas características neblinas e nevoeiros. Que por sua vez se vai refletir naquilo que a terra aí produz, já com árvores de frutos, a vinha, e outras culturas que no Alto Barroso são quase impossíveis de vingar.

 

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Terras mais amenas que no restante Barroso, mas na mesma com invernos rigorosos e mais húmidos o que faz com que o frio se sinta mais, mesmo com temperaturas mais altas, o frio entranha-se no corpo, não respeita a roupa e abrigos que vestimos, chega até aos ossos.

 

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Mas vamos até Mosteirão e como chegar lá. Também aqui se aplica o que dissemos para Fiães do Rio, pois para chegarmos a esta tivemos que passar por Mosteirão. Assim, o itinerário a partir, como sempre, da cidade de Chaves, é o mesmo, ou seja, via N103 (estrada de Braga) até Sapiãos, dai rumamos até Boticas e na segunda rotunda, segunda saída (antes da saída para Vidago) temos a estrada que nos leva até Mosteirão, e a não ser as instalações da RESAT, temos apenas montanha até chegarmos à aldeia. Hoje, por problemas alheios à nossa vontade, não temos o nosso mapa, mas temos um do google maps com todas as indicações necessárias.

 

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Assim, nem que fosse e só pelo que dissemos até aqui, Mosteirão já merecia uma visita, mas é também de visita obrigatória pela própria aldeia, pela sua disposição no terreno, pelo conjunto e particularidades do seu casario, e, claro, fique na varanda do seu miradouro o tempo que lhe apetecer, desde onde, tem também uma vista singular sobre Arcossó e a Vila de Vidago.

 

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O único senão destas aldeias é não existir muita informação/documentação disponível para podermos fazer uma abordagem mais completa sobre a aldeia, a sua gente e a sua vida.  Na monografia de Boticas – “Preservação dos Hábitos Comunitários nas Aldeias do Concelho de Boticas” apenas encontrámos algumas informações, como à freguesia a que pertence, as suas festas e celebrações religiosas, a Nossa Senhora de Fátima e Santa Bárbara em agosto, e em dezembro, apenas com celebração religiosa a Santa Bárbara.

 

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Como património cultural e edificado, a monografia refere a capela, e sim, embora muito simples, não deixa de ser interessante. A capela de Santa Bárbara com granito à vista, um granito de a duas cores de castanho, um, mais cor de café com leite e outro de cor de café puro, granito e cores que se repete um pouco por todas as construções da aldeia, curiosamente a umas dezenas de quilómetros das grandes explorações de granito azul.

 

Outros locais de interesse turístico Forno do Povo de Mosteirão.

 

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Mas graças à internet e à redes sociais podemos ter mais algumas informações, nomeadamente quando há pessoas nas aldeias que criam um espaço a ela dedicada, como neste caso de Mosteirão, que em forma de comunidade marca presença no facebbok, onde poderá acompanhar a vida da aldeia, os seus acontecimentos e alguns vídeos, está tudo aqui:

https://www.facebook.com/Mosteir%C3%A3o-Boticas-Vila-Real-437664913057350/

 

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E só nos resta, como de costume, deixar aqui o vídeo com todas as imagens publicadas neste post. Espero que gostem.

Aqui fica:

 

 

Agora também pode ver este e outros vídeos no MEO KANAL Nº 895 607

 

E quanto a aldeias de Boticas, despedimo-nos até ao próximo domingo em que teremos aqui a aldeia de Secerigo.

 

 

11
Abr21

O Barroso aqui tão perto - Fiães do Tâmega

Aldeias do Barroso - Concelho de Boticas

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Fiães do Tâmega - Boticas

 

Continuamos na união de freguesias de Codeçoso, Curros e Fiães do Tâmega, precisamente nesta última aldeia, Fiães do Tâmega  que, como se poderá deduzir pelo seu topónimo, é uma aldeia das proximidades do Rio Tâmega e daí, no limite do concelho de Boticas.

 

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Vamos então até Fiães do Tâmega, como sempre a partida da cidade de Chaves e quase pelo caminho do costume, à exceção da Carreira da Lebre, que desta vez não temos necessidade de passar por lá, pois a partir de Boticas temos uma estrada municipal que nos leva até Fiães se necessidade de utilizar a R311.

 

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Estrada municipal que deveremos apanhar na segunda rotunda da vila de Boticas, na mesma rotunda que recebe a R311 vinda de Vidago, ou seja, apena atravessamos aR314 para apanhar a municipal que serve também as aldeias de Mosteirão e Veral, depois com saída para a R312 que liga a Ribeira de Pena.

 

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Mais uma aldeia que nos surpreendeu pela positiva, com muita vida nas ruas e a paisagem um pouco diferente daquilo que é habitual no Barroso, e assim tem de ser, pois Fiães não só está no limite do concelho mas também no limite do Barroso, sendo o Rio Tâmega o limite natural das terras barrosãs.

 

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E como no caderno da “Preservação dos Hábitos Comunitários nas Aldeias do Concelho de Boticas” está quase tudo que queríamos dizer sobre Fiães, passemos já à transcrição de algumas partes desse caderno. Desde já se avisa que a realidade atual pode não coincidir com aquela que é descrita no caderno, pois o mesmo foi publicado em maio de 2006, e desde aí, algumas coisas se alteraram.

 

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Vamos então ao que consta no caderno da  “Preservação dos Hábitos Comunitários nas Aldeias do Concelho de Boticas”

 

A freguesia de Fiães do Tâmega situa-se na extremidade mais a sul do concelho de Boticas, zona mais quente com temperaturas amenas, mais parecidas com as de Ribeira de Pena do que com as de Barroso. Confronta a Norte com a freguesia de Curros, a Este com Bragado, do concelho de Vila Pouca de Aguiar, a Sul com Parada de Monteiros, do concelho de Vila Pouca de Aguiar, e a Oeste com Canedo, do concelho de Ribeira de Pena.

 

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Distando da sede do concelho aproximadamente 13 km, o acesso viário faz-se seguindo pelo CM 1050 ate Fiães do Tâmega, ou, em alternativa, segue­ se pela ER 311, apanha-se a EM 312, vira-se na indicação Veral e segue-se pelo CM 1050.

 

Esta freguesia e constituída par duas aldeias: Fiães do Tâmega, sede de freguesia, e Veral, localizadas na encosta da Serra de Santa Comba. Ocupa, em termos territoriais, 14,5 km2.

O desenvolvimento da população desta freguesia de Fiães do Tâmega acompanha o movimento demográfico que caracteriza toda a região de montanha no Norte de Portugal, tipificada por uma diminuição progressiva da população, com uma pirâmide etária invertida, onde os grupos etários mais baixos são diminutos e a população envelhecida aumenta.

 

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E, desde sempre, uma das menos povoadas freguesias do concelho, sendo que actualmente tem aproximadamente 167 residentes. Se até aos anos 70 a sua população registou um pequeno crescimento, a partir dessa década a tendência passou a ser inversa e a semelhança do que se verifica na generalidade das freguesias do concelho, perdeu muita da sua população residente nos ultimas 30 anos, mais de 47%. Este fenómeno e em parte explicado pela intensificação dos fluxos migratórios que se registaram a partir da década de 70, nomeadamente para Franca e Estados Unidos da América.

 

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A este fenómeno alia-se o gradual envelhecimento da  população, apresentando uma grande tendência para o envelhecimento, sendo que 67% dos 167 residentes têm idade superior a 25 anos. Os níveis de alfabetização desta população residente são baixos, acompanhando o seu nível de envelhecimento, destacando-se o numero elevado de pessoas sem nenhuma qualificação académica. Esta situação excepcional e suportada pelo elevado numero de idosos, alguns deles regressados da emigração em situação de aposentados.

 

Relativamente à àrea de actividade económica, a maior parte da população dedica-se à agricultura e à pecuária, seguindo as caminhos ancestrais da freguesia, visando apenas a subsistência.

 

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Assim, algumas famílias continuam a actividade tradicional de criação de gado e produção de batata e milho. São os produtos que melhor se desenvolvem e produzem nesta região de Barroso, com elevados níveis de qualidade e sabor. Por se encontrar numa zona localizada a médias altitudes, mais quente e com menores amplitudes térmicas do que as que se registram nas zonas mais altas do concelho, nas aldeias desta freguesia também se colhe vinho. Também a produção artesanal de mel esta hoje em vias de desenvolvimento, funcionando como complementaridade no rendimento das famílias. Parte da população trabalha na construção civil e na área da industria e em empresas do concelho (Aguas de Carvalhelhos, Euronete, etc).

 

No que se refere a sociedade esta comunidade caracteriza-se pela existência de famílias de lavradores e pequenos proprietários de terras onde se desenvolve a actividade agrícola e pecuária. É uma sociedade homogénea com alguns quadros médios que se dedicam a actividade comercial e desenvolvem actividade no ensino e na vida administrativa nas terras vizinhas designadamente na sede do concelho.

 

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Em Fiães do Tâmega existe um café, com mercearia, e em Veral uma taberna, também com uma pequena mercearia. Nas horas de ócio e sempre que o tempo o permite, as pessoas ainda têm a hábito de se reunirem a conversar nas principais ruas das aldeias ou sentadas nas escadarias das casas dos vizinhos.

 

MARCAS DO SEU PASSADO

Embora o desejo de todos os habitantes de uma terra seja saber como e quando ela nasceu, a resposta não é fácil de esclarecer. Excluindo uma ou outra que vem identificada nos documentos antigos, a maioria das aldeias têm origem desconhecida no tempo e por razões variadas. Umas com história mais antiga, outras de origem mais re­cente, sabe-se que a maioria destas aldeias foram formadas a partir do agrupamento de famílias unidas par laços de parentesco ou afinidades económicas e profissionais que se organizaram em comunidade.

 

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Os inúmeros vestígios histórico-arqueológicos informam-nos da passagem e até actividade e fixação de povos antigos designadamente os povos árabes, visigodos, suévicos e romanos.

 

Muitas das aldeias de Barroso têm a sua origem histórica no movimento de reconquista e povoamento do território iniciado com a formação do Reino de Portugal, em 1143, e posterior fixarão de uma ou mais famílias de povoadores Teve particular desenvolvimento a partir dos finais do seculo XIII. Estes povoadores eram atraídos por contratos de aforamento cujos termos eram favoráveis a sua fixação, traduzidos em pagamentos de foros de valor acessível. Estes contratos são conhecidos como o processo de enfiteuse ou aforamento e eram promovidos indistintamente pela Coroa e/ou pelas Casas Nobres e Senhorios Eclesiásticos.

 

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São conhecidos alguns contratos de aforamento para as terras de Barroso, o que nos permite pensar que a grande maioria das suas aldeias e povoados tiveram origem neste modo de povoamento.

 

Os casais eram bens aforados, com maior au menor dimensão, a uma ou várias famílias dando lugar a formação de aldeias. Os foreiros tinham como obrigação trabalhar a terra e pô-la a produzir, ficando senhores dela e pagando um foro que estava consignado no contrato, mui­ tas vezes traduzido em bens de consumo produzidos no próprio casal, como centeio e/ou partes de criação.

 

Fiães do Tâmega e certamente uma das aldeias que se integra neste movimento povoador.

Desde sempre fez parte do território da paróquia de Curros. Em 1527, no Numeramento de D. João III, aparece identificada e povoada já com 11 moradores e Veral apenas com seis. Por morador entende-se fogo, correspondendo assim a uma população calculada de 70 a 80 in­ divíduos.

 

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Em 1758 vem referida num documento produzido pelo pároco da paróquia de Curros como sendo uma aldeia dessa freguesia juntamente, com Curros, Antigo e Mosteirão.

 

Em 1834 foi autonomizada juntamente com Veral, formando uma paróquia sobre si e uma freguesia, vindo a fazer parte desde 1836 do território do concelho de Boticas, entretanto criado. Em 1895, consequência de um nova desenho administrativo, Fiães do Tâmega passou para o concelho de Ribeira de Pena onde se manteve apenas ate Janeiro de 1898. A partir dessa data passou definitivamente para o concelho de Boticas até aos dias de hoje.”

 

Só um aparte para esclarecer que, tal como se disse no início desta transcrição, este documento é de maio de 2006, entretanto também a freguesia de Fiães do Tâmega deixou de existir, pois com a reorganização administrativa do território das freguesias (Lei n.11-Al2013) passou a fazer parte da união de freguesias de Codeçoso, Curros e Fiães do Tâmega.

 

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Para finalizar a transcrição da “Preservação dos Hábitos Comunitários nas Aldeias do Concelho de Boticas” que consta no caderno da antiga freguesia de Fiães do Tâmega.

 

TRADIÇÕES E FESTIVIDADES

Ao longo dos tempos algumas das festividades que outrora animavam estas comunidades foram-se perdendo. Todavia, durante o ano outras ainda se realizam, embora não com o fulgor dos velhos tempos.

 

Ainda cantam os Reis e o que recolhem reverte para a igreja. As pessoas costumam dar dinheiro e outras coisas, como fumeiro, que depois são colocadas a leilão à saída da missa, revertendo o dinheiro para a igreja. Costumam cantar:

 

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I

Abram-me lá essas portas

Que ainda não estão bem abertas

Aí vem as do presépio

P'ra lhe dar as Boas Festas.

 

II

Boas Festas, Boas Festas

Trazemos nós p'ra lhe dar

Que nasceu o Deus Menino

Numa noite de Natal.

 

III

Numa noite de Natal

Noite de tanta alegria

Que nasceu o Deus Menino

Filho da Virgem Maria.

 

IV

Vamos todos, vamos todos

Bamos todos a Belém

Visitar o Deus Menino

Que Nossa Senhora tem.

 

V

Aqui vimos, aqui vimos

Aqui vimos bem sabeis

Vimos dar as Boas Festas

E também cantar as Reis.

 

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Em Veral acendem o canhoto que vem do Natal e Ano Novo ate ao dia 6, a que nesta altura chamam de Canhoto do Entrudo.

 

O Entrudo trazia muita alegria e folia. Hoje ainda se mascaram, especialmente as crianças, andam pelas casas da aldeia e atiram farinha uns aos outros.

 

Na Páscoa faz-se a visita pascal.

 

São Bernardino, 20 de Maio, padroeiro de Fiães do Tâmega e da freguesia. Celebram este dia com missa, sermão e uma procissão com a imagem do Santo a volta da igreja.

 

No S. João (24 de Junho) e no S. Pedro (29 de Junho) outrora faziam as tranquilhas das ruas com carros de bois e paus. Todavia, esta tradição quase caiu em desuso.

 

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Santa Susana, 11 de Agosto, em Fiães do Tâmega. Neste dia fazem uma festa com missa e procissão com andores, acompanhada com uma banda musical, pelas principais ruas da al­ deia.  A noite realiza-se um  animado arraial popular com um conjunto musical e um espectáculo de fogo de artífico.

 

  1. Martinho, 11 de Novembro, padroeiro de Veral. Fazem uma festa com missa e procissão com andores pelas principais ruas da aldeia. A noite a festa prossegue com um animado arraial popular.

 

Em cada uma das  aldeias  por  ocasião do Natal e Ano Novo fazem aquilo a que chamam o "Canhoto de Natal" e "Canhoto de Ano Novo", ou seja, uma grande fogueira com cepos e trances de arvores. Em Fiães, no largo da igreja, e em Veral, num largo a que chamam Portela da Fecha. As pessoas têm por hábito juntarem-se  a volta destas fogueiras  e num espirito de partilha e comunidade despedem-se do ano que termina, enquanto celebram e dão as boas vindas ao novo ano que começa.

 

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E agora sim, o vídeo com todas as imagens da aldeia de FIÃES DO TÂMEGA que foram publicadas neste post. Espero que gostem.

 

Aqui fica:

 

Agora também pode ver este e outros vídeos no MEO KANAL Nº 895 607

 

E quanto a aldeias de Boticas, despedimo-nos até ao próximo domingo em que teremos aqui a aldeia de Mosteirão.

 

 

28
Mar21

O Barroso aqui tão perto - Curros

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CURROS - BOTICAS

 

Seguindo a metodologia que adotámos para o concelho de Boticas de abordar as aldeias do concelho por ordem alfabética das freguesias e dentro destas a ordem alfabética das aldeias, hoje vamos até a aldeia de Curros, que até 2013 era sede de freguesia, mas com a reorganização administrativa do território das freguesias (Lei n.11-Al2013) passou a fazer parte da união de freguesias de Codeçoso, Curros e Fiães do Tâmega.

 

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Iniciemos já pela localização e como ir até Curros, com partida como sempre desde a cidade de Chaves e pelo caminho do costume, ou seja pela EN103 (estrada de Braga) até Sapiãos, aí saímos para Boticas onde, na rotunda da entrara devemos seguir a indicação de Ribeira de Pena, o mesmo na segunda rotunda e terceira, quando sairmos desta última (em direção a Ribeira de Pena)  já estamos R311, seguimos por ela, passa-se por Quintas e logo a seguir temos a Carreira da Lebre.

 

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No final da Carreira da Lebre, na rotunda, devemos sair da N311 e tomar a N312 em direção de Ribeira de Pena (à esquerda), mas apenas durante 4km, onde devemos tomar o desvio à esquerda em direção a Antigo de Curros, esta a 1km de distância, mas só vamos passar ao lado de Antigo, pois o nosso destino fica 800m mais à frente.

 

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Recordo que uma vez, um amigo, me dizia que reconhecia e guardava com ele os cheiros dos locais e cidades por onde tinha passado e vivido. Outros falam-me que recordam a luz ou luzes dos sítios, curiosamente eu costumo recordar o tempo (meteorológico) dos sítios onde vou pela primeira vez, o frio ou calor, chuva, nevoeiro, vento… são esses os registos que naturalmente guardo na memória. Tudo isto para voz dizer que quando abordámos Curros, estava um frio de rachar. Fui rever o exif das fotos, e é natural que estivesse, pois foi em 1 de novembro de 2017 que passámos por lá, por sinal no dia em que Chaves vive a sua grande festa da Feira dos Santos, o dia mais concorrido da feira em que, da minha parte, já é habitual ficar em casa ou sair da cidade, pois a minha feira termina quase sempre no dia 31 de outubro.

 

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Claro que em dias de inverno nunca dá para sair para longe de casa, isto por causa da luz, que por natureza já é pouca e dura pouco tempo, pois estamos a caminhar para os dias mais pequenos do ano, daí termos andado pelo concelho de Boticas. O engraçado é que saímos de Chaves e logo na primeira fotografia que captámos em Curros, lá estava a cidade de Chaves ao longe, vista desde a capela do cemitério e também ainda mais perto, a vila de Vidago.

 

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Ao fundo parte da cidade de Chaves e aldeias de StºEstêvão e Faiões

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Ribeira de Oura, Viaduto de Arcossó e Vila de Vidago

 

Já no post que dedicámos ao Antigo de Curros referíamos que estes pontos altos eram verdadeiros miradouros, este de Curros, é mais um miradouro sobre Chaves e Vidago. Aliás penso que Curros é a única aldeia desde onde se avista a cidade de Chaves, ou parte dela, pois apenas se vê a Madalena e bem mais visíveis as aldeias de Faiões e Stº Estevão e parte da veiga de Chaves. Em suma, e mesmo o Barroso aqui tão perto que até a cidade se avista desde Curros e o contrário também é verdade, embora mais complicado de identificar.

 

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Quanto a Curros, é uma aldeia pequena, mas muito interessante, com o seu povoamento muito concentrado e já na encosta da montanha, esta sim a descer já para o rio Tâmega que fica a cerca de 2,5 km (em linha reta) de Curros, havendo no entanto ainda mais uma aldeia pelo meio – Mosteirão que em breve abordaremos aqui no blog.

 

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Segundo a monografia de Boticas ficámos a saber:

 

Que era nesta freguesia, conjuntamente com as freguesias de Dornelas e Fiães do Tâmega onde se concentra a maior parte da florestas do concelho de Boticas . Por sua vez  “a quebra de natalidade registada não permitiu uma renovação geracional capaz de inverter a tendência de diminuição da população residente, existindo freguesias no concelho que registam valores populacionais mínimos, como é o caso da freguesia de Curros com apenas 87 residentes repartidos por três aldeias: Antigo de Curros, Curros e Mosteirão.

 

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Ainda na monografia, mas dados referente à antiga freguesia de Curros, que era constituída por Antigo de Curros, Curros e Mosteirão. Atenção que os referem-se à data de publicação da monografia, e, maio de 2006:

 

“Dois Abrigos de Montanha

Localização geográfica: A freguesia de Curros situa[1]se na parte Sul do concelho de Boticas.

Distância relativamente à sede do concelho: aproximadamente 10,5 km.

Acesso viário: pela ER 311. Apanhando a EM312 no  lugar da Carreira da Lebre, em direcção a Ribeira de Pena, vira-se depois na indicação Antigo de Curros e  percorre-se o CM 1048; em alternativa pode seguir-se  pelo CM 1050 e depois pelo CM 1048.

Área total da freguesia: 12 km2

Localidades: Antigo de Curros, Curros, sede de freguesia, e Mosteirão.

População: 87 habitantes

Orago: Nossa Senhora das Neves

 

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Festas e Romarias:

- S. Brás, 03 de Fevereiro, Antigo de Curros

- Santo António,* 13 de Junho, Curros

- Nossa Senhora das Neves,* 05 de Agosto, Curros

- Nossa Senhora de Fátima e Santa Bárbara, em Agosto, Mosteirão

- Santa Bárbara,* 04 de Dezembro, Mosteirão

(*) Apenas celebração religiosa.

 

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Património Cultural e Edificado

- Capela de Mosteirão

- Capela de S. Brás (Antigo de Curros)

- Cruzeiro

- Forno do Povo de Antigo de Curros

- Forno do Povo de Curros

- Igreja de Nossa Senhora das Neves

Outros locais de interesse turístico

Forno do Povo de Mosteirão (construção recente)

 

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Ainda nos cadernos da monografia de Boticas temos:

 

UM DOCUMENTO DE 1758

No ano de 1758 o Rei D. José através do seu ministro Marquês de Pombal, desenvolveu um inquérito a todas as paróquias do Reino de Portugal continental que hoje se encontram no IANlTT.

Este inquérito, que foi respondido pelos párocos das freguesias, era composto de três partes:  a primeira respeitante  a paróquia, onde se tratava de saber da sua história, produções agrícolas, população. instituições locais, igreja e  capelas com suas devoções e romagens; a segunda tratava da serra e das suas caracteristicas, se tinha lagoas e nascentes, monumentos, capelas, caca e arvores; a terceira perguntava sobre os rios e ribeiros que nela existissem, assim como das levadas, represas,. moinhos, pisoes e culturas nas suas margens.

É graças a este inquérito que se pode obter uma visão mais ou menos completa sabre as freguesias portuguesas e entre etas a freguesia de Curros[i] . Antes porém, no ano de 1747 foi publicada a resposta a um inquérito mais simples, com o seguinte texto: Freguesia na província de Trás-os-Montes, Arcebispado de Braga, Comarca de Chaves, termo da vila de Montalegre : tem setenta moradores. A igreja paroquial dedicada a N. S. das Neves tem três altares: o maior, o de Cristo crucificado e o de N. S. do Rosário com a sua irmandade.

O Pároco e cura , da apresentação do D. Abade de S. Bento de Refojos de Basto, que dá ao pároco oito mil reis e por tudo rendera vinte e quatro mil reis. Colhem os moradores centeio e milho, de tudo em muito pequena quantidade por causa de ser uma terra demasiadamente fria [ii].

Relativamente a memória paroquial de 1758, apresentamos as respostas dadas pelo pároco da freguesia de Curros. Para melhor leitura foi actualizado o Português naquelas palavras que consideramos necessário, introduzindo-se-lhe pontuarão e parágrafos.

 

Em resposta a uma ordem do Muito Reverendo Senhor Doutor Vigário Geral da comarca de Chaves, Arcebispado de Braga Primaz.

Aos sete dias do mes de Margo de 1758 Esta igreja de Nossa Senhora  das Neves de Curros, desta comarca de Chaves, pertence a Provedoria de Trás-os-Montes, Arcebispado de  Braga Primaz, da dita comarca, termo da vila de Montalegre e é matriz.

Esta igreja é da visita do Reverendo Padre Dom Abade do Mosteiro de São Miguel de Refojos de Basto e e da vila do dito senhor.

Tem esta freguesia quatro lugares: Curros, onde esta situada a igreja, Antigo, Fiães e Mosteirão. Estes lugares todos tem sessenta e nove fogos ou vizinhos, tem esta dita freguesia duzentas e cinquenta e cinca pessoas.

Esta igreja esta situada num monte, entre montes. Do dito monte, avista-se a vila e Campo de Chaves até junta a Monte Rei, terra de Galiza; também se avista a Ribeira doura e terra de Vila Pouca.

Deste não há coisa que se possa dizer.. Esta igreja esta fora do lugar de Curros e não tem [arrabalde] algum. Tem esta freguesia quatro lugares, a saber: Curros, Antigo, Mosteirão e Fiães. O orago desta freguesia e Nossa Senhora das Neves deste lugar de Curros.

0 orago desta freguesia e Nossa Senhora das Neves de Curros. Tem três alta­ res, a saber: o altar - mor que tern a Senhora das Neves, um dos colaterais e do Sagrado Nome de Jesus, não tem mais imagem nenhuma e o outro colateral e da Senhora do Rosário, este altar tem as imagens da Senhora do Rosário, Santa Barbara, S. Sebastião e Santo António.

O pároco desta freguesia e cura anual e é apresentado  pelo padre  Dom Abade do mosteiro de Refojos de Basto, termo de Cabeceiras de Basto, comarca de Braga. Tem de renda [oitenta] mil reis, seis libras de cera, um almude de vinho, um alqueire de trigo e uma canada de azeite.

(…)

 

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Os frutos que da esta freguesia são: o centeio, milho, trigo, vinho e pouco azei­ te. E todos estes frutos não chegam para o sustento dos ditos lavradores.

Esta freguesia esta sujeita ao juiz de fora da vila de Montalegre, nomeado por Sua Majestade.

Esta freguesia não tem correio, só se serve do correio da vila e praça de Chaves e desta freguesia ao correio de Chaves são quatro léguas.

Dista esta freguesia da cidade de Braga Primaz doze léguas, e desta freguesia à cidade de Lisboa, capital do Reino, setenta e duas léguas e meia.

Alguns dos moradores desta freguesia são feudatários do convento de Refojos de Basto.

 

A segunda materia que toca a serras

 

Tem esta freguesia de fronte, ao nascente, a serra da Seixa.

 

Que tem de comprido uma grande légua e de largo outra pouco mais ou menos. Começa nos confins do Lugar de Mosteirão e acaba no lugar de Valdegas, freguesia de Santa Marta de Pinho, tudo da Comarca de Chaves.

 

A dita serra tem um clima muito frio e demasiado áspero.

0 que se cria na dita serra: cabras e crestois. E o que nela há são: lobos, javalis, coelhos, perdizes,Corças bravas e nada mais.

Deste nada.

Deste nada.

 

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Matéria terceira, dos rios há o seguinte Nesta freguesia há um rio chamado Tâmega. Corre pelos subúrbios desta freguesia, começa no reino da Galiza e juntam-se-lhe vários regatos que não têm nome.

Dizem que nasce brandamente e [atura] com boa torrente e em partes caudaloso, em todo o tempo.

Junta-se a ele outro rio nos limites desta freguesia junta ao lugar de Mosteirão.

Deste não há o que possa dizer.

Não há duvida de que desde que entra nesta freguesia tem um curso impetuoso.

E despinhadissimo e corre de nascente para poente.

Cria muitos peixes, a saber: poucas trutas, barbos, bogas, bordalos, leirogas, enguias, mexilhões e lontras comedoiros do dito peixe.

Sempre conservou e conserva este nome.

Não sei onde termina. Apenas me informaram que se junta ao Douro, juntamente com o rio Beça e outros que se lhe juntam até ao Douro.

Tem este rio uma grande ponte de cantaria na vila de Chaves chamada a ponte da Madalena, tem outra chamada ponte de Cabez, concelho de Cabeceiras de Basta e tem outra ponte na vila de Amarante.

 

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Tem muitos moinhos, azenhas de maquia e de lavradores. Deste rio, em nenhuma parte deste distrito me consta que os lavradores utilizem a agua dele para regadio por correr muito fundo, em demasia.

informaram-me que tem este rio, desde a sua nascente ate ao Douro, pouco mais ou menos, com suas retroceduras, mais de quarenta léguas. lsto e o que me dizem, não sei ao certo.

Deste não há que dizer.

E o que se me oferece dizer, o que conheço e não há outras coisas mais dignas de memória nesta freguesia de Nossa Senhora das Neves de Curros, desta comarca de Chaves, Arcebispado de Braga Primaz. 0 pároco Domingos Afonso Pereira.

E o que se oferece e posso dizer conforme os interrogatórios, ao que assistimos o Reverendo Reitor do Salvador de Canedo, Bento Pereira; o Reverendo Vigário de S. Lourenço de Codessoso, Pedro Pires e eu que preenchi esta e do que vai escrito afirmo in verbo sacerdotis, hoje doze de Março do ano de mil setecentos e cinquenta e oito.

0 padre Domingos Afonso Pereira

O pároco Bento Pereira

0 padre de Codessoso Pedro Pires

 

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E agora sim, o vídeo com todas as imagens da aldeia de CURROS que foram publicadas até hoje neste blog. Espero que gostem .

 

Aqui fica:

 

 

Agora também pode ver este e outros vídeos no MEO KANAL Nº 895 607

 

 

E quanto a aldeias do Barroso de Boticas, despedimo-nos até ao próximo domingo em que teremos aqui a aldeia de Fiães do Tâmega.

 

 

 

[i] 0 documento integral vem publicado em Boticas nas Memórias Paroquiais de 1758, Ed. C. M. de Boticas, 2001.

 

[ii] CARDOSO, P. Luís, 1747-1751, Dicionário Geográfico, 2 tomos, Lisboa.

 

 

15
Mar21

O Barroso aqui tão perto - Codessoso - Boticas

Aldeias do Barroso C/ Vídeo

Aldeias do Barroso

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CODESSOSO - BOTICAS

 

Nesta ronda pelas aldeias do Barroso, iniciámos na última semana as visitas às aldeias da união de freguesias de Codessoso, Curros e Fiães do Tâmega, com a aldeia de Antigo de Curros. Como esta abordagem é feita por ordem alfabética, hoje é a vez da aldeia de Codessoso.

 

Aldeias do Barroso

Aldeias do Barroso

Aldeias do Barroso

 

Convém desde já dizer que é Codessoso de Boticas, isto porque no Barroso existem ao todo três aldeias com este topónimo, esta e mais duas no concelho de Montalegre, que pela mesma razão, além do Codessoso (às vezes também grafado como Codeçoso) acrescentam-lhes um apelido, Codeçoso da Venda Nova e Codeçoso da Chã para as aldeias do Barroso de Montalegre.

 

Aldeias do Barroso

Aldeias do Barroso

Aldeias do Barroso

 

Então já que sabemos em que Codessoso estamos, vamos saber como chegar até lá. Já sabem que as nossas partidas são sempre a partida da cidade de Chaves e para o concelho de Boticas temos sempre três caminhos, é só seguir pelo que mais nos convém e em geral, esse caminho, é o da EN103 ou estrada de Braga, mas só até Sapiãos. Aliás Sapiãos, Boticas e a Carreira da Lebre são as três localidades onde temos de tomar as grandes opções ou opções certas para tomarmos o nosso bom caminho até ao nosso destino, onde Sapiãos nos aprece (quase) sempre como o local onde temos de abandonar a EN103 para tomar o caminho de Boticas.

Aldeias do Barroso

Aldeias do Barroso

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Em Boticas, na prática, só há uma opção, é a de apanhar a estrada 311 mas qui sim, como ela tem duas direções opostas, temos de tomar o sentido que nos leva até ao Rio Tâmega (Vidago), onde só há três aldeias,  ou o outro sentido que nos leva até ao grosso das aldeias de Boticas e restante Barroso. É por este último que vamos até a Carreira da Lebre, onde podemos tomar todas as direções do Barroso, a Carreira da Lebre é aquilo a que se pode chamar um verdadeiro entroncamento, ou seja para se ir à sede do concelho, Boticas, das suas 53 localidades, 37 têm de obrigatoriamente passar pela Carreira da Lebre, só as restantes 16 não passam por lá, mas ainda há mais, pois para irmos até o Barroso de Ribeira de Pena, de Montalegre e de Vieira do Minho, também temos de passar pela Carreira da Lebre. Mas tudo isto para chegarmos a Codessoso, mas estando na Carreira da Lebre, também está em Codessoso, pois entre ambas as localidades há apenas 2Km de distância, basta seguir em direção a Ribeira de Pena que logo a seguir tem Codessoso.

 

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Aldeias do Barroso

Aldeias do Barroso

 

Embora só agora estas aldeia do Barroso estejam a chegar aqui ao blog, na realidade já fizemos o seu levantamento fotográfico há uns anos, não muitos, mas alguns, estas fotos que hoje trazemos aqui já foram tomadas no ano de 2017, já lá vão 4 anos. Ora acontece que nestas nossas andanças pelo Barroso há aldeias que já conhecemos muito bem por tantas vezes passarmos por elas ou por nelas acontecerem ou existirem coisas que nos levam até lá regularmente. Outras há em que só lá fomos uma vez, precisamente para fazer o levantamento fotográfico, e destas, no meio de centenas ou milhares de imagens que vamos fazendo durante o ano, com o tempo, começamos a ficar com uma ideia deturpada daquilo que vimos e registámos, e às vezes até, sem ideia nenhuma.

 

Aldeias do Barroso

Aldeias do Barroso

Aldeias do Barroso

 

Nestas aldeias como a de Codessoso em que não nos calha na passagem para outras aldeias, ou seja, que temos mesmo de ir lá propositadamente para a conhecermos, mesmo que se possa avistar o seu conjunto desde certa distância, por exemplo desde uma estrada que lhe passe a poucos km ou centenas de metros de distância, tende-se a ficar com essa imagem do conjunto retido na nossa memória, perdendo-se os pormenores da aldeia, e tal como à noite todos os gatos são pardos, também as aldeias ao longe, são todas mais ou menos iguais, a não ser que sejam favorecidas pelo terreno e possam adotar uma posição de anfiteatro, ou se, se localizem numa depressão de terreno e possam ser vistas desde um miradouro natural, aí distinguem-se das restantes aldeias, e ao longe ganham uma certa beleza.

 

Aldeias do Barroso

Aldeias do Barroso

Aldeias do Barroso

 

Mas tal como diz a voz do povo, as aparência iludem, e é mesmo preciso entrar na intimidade destas aldeias para verdadeiramente as ficarmos a conhecer, e às vezes aquilo que ao longe está cheio de beleza, a sua intimidade contraria-a, e o contrário também é verdade. Pois Codessoso vista ao longe, é mais uma aldeia igual a tantas outras na sua situação, uma pequena mancha alaranjada que os telhados das casas lhe dão, com os respetivos salpicos brancos das paredes que se deixam ver, tudo isto, em geral no meio do verde da floresta ou do verde azulado das montanhas.

 

Aldeias do Barroso

Aldeias do Barroso

Aldeias do Barroso

 

Confesso que desta aldeia, depois dos 4 anos de distância e de mais uns milhares de cliques, a minha memória já estava um bocado confusa em relação àquilo que nela encontrei, apenas quando comecei as ver as imagens de arquivo se começou a fazer luz sobre a realidade de Codessoso, onde fiz cerca de 200 registos, e nesta segunda visita à aldeia, foi possível voltar atrás e retomar alguns momentos de descoberta da aldeia, mas sobretudo reparar em pormenores que ficaram congelados na fotografia que me tinham escapado aquando da visita, pois quando estamos nas aldeias, preocupam-nos mais com a composição em detrimento dos pormenores, pois esses sabemos que estarão lá sempre, mas a verdade é que na maior parte das vezes só os descobrimos na fotografia.

 

Aldeias do Barroso

Aldeias do Barroso

Aldeias do Barroso

 

Recordo agora já então fiquei surpreendido com aquilo que a aldeia nos oferecia, mas agora ao rever todas as imagens e os seus pormenores, fiquei muito mais surpreendido, tanto, que não duvido em nada considerar esta aldeia de Codessoso uma das mais interessantes de todo o Barroso. Espero que a seleção de imagens o demonstrem, pois não foi tarefa fácil fazer esta seleção de imagens, não por falta de motivos de interesse, mas pela decisão de quais delas deixaria de fora.

 

Aldeias do Barroso

Aldeias do Barroso

Aldeias do Barroso

 

Passemos agora àquilo que os documentos disponíveis nos oferecem sobre Codessoso, no caso o que se diz na monografia “Preservação dos Hábitos comunitários nas Aldeias do Concelho de Boticas”.  Uma das referências não é propriamente sobre a aldeia mas à sua história mais antiga que nos leva até ao Castro do Alto da Coroa:

 

Castro do Alto da Coroa

Designação: Castro do Alto da Coroa / Castro da Naia / Rio Mau

Localização: Codessoso

Descrição: O monte donde se localiza o Castro Alto da Coroa, ou simplesmente a “Coroa”, fica a cerca de 1km a N/W da aldeia de Codessoso.

Este castro possui dois fossos separados por um combro relativamente estreito. Uns 20 m acima do segundo fosso, há uns restos de parede que parecem vestígios de muralheta. Acima uns 12 m, há restos de outra parede que pode ser parte da segunda muralheta que corre paralela à primeira. Foi encontrada cerâmica, tégula, escórias e vestígios da fundição de ferro. Pensa-se que este castro terá sido romanizado.

 

Aldeias do Barroso

Aldeias do Barroso

Aldeias do Barroso

 

E a monografia continua com algumas descrições da antiga freguesia:

 (…)

Distância relativa à sede do concelho: aproximadamente 6,5 km.

Acesso viário: Pela ER 311 virando na indicação Codessoso segue-se pelo CM 1039-A, ou, em alternativa, segue-se pela ER 311, apanha-se a EM 312 e vira-se na indicação Codessoso.

Área total da freguesia: 8,7 km2 (é a mais pequena freguesia do concelho)

Localidades: Codessoso, sede de freguesia, e Secerigo.

População: 168 habitantes

Orago: S. Lourenço

Festas e Romarias

  1. Frutuoso, 16 de Abril, Secerigo
  2. Lourenço,* 10 de Agosto, Codessoso

Nossa Senhora de Guadalupe,* 08 de Setembro, Codessoso

Património Arqueológico

Castro do Alto da Coroa / Castro da Naia / Rio Mau

Povoado de Santa Bárbara

Património Cultural e Edificado

Calvário (Codessoso)

Capela de Nossa Senhora de Guadalupe

Capela de S. Frutuoso (Secerigo)

Casario tradicional (Codessoso)

Forno do Povo de Codessoso

Igreja Paroquial de S. Lourenço (Codessoso)

 

 

Aldeias do Barroso

Aldeias do Barroso

Aldeias do Barroso

 

E chegamos ao fim deste post, só falta mesmo o vídeo com todas as imagens de Codessoso publicadas neste blog, vídeo que poderá ver aqui no blog, mas também no nosso canal do You Tube  e no MEO KANAL  Nº 895 607. Espero que gostem.

 

Aqui fica:

 

E quanto a aldeias do Barroso de Boticas, despedimo-nos até ao próximo domingo em que teremos aqui a aldeia de Curros.

 

 

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