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CHAVES

Olhares sobre o "Reino Maravilhoso"

05
Jan25

O Barroso aqui tão perto - Campos

Freguesia de Ruivães e Campos - Vieira do Minho


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Depois de uma longa ausência desta rúbrica das aldeias do Barroso neste blog, cá estamos de novo a retomar a nossa longa caminhada pelas aldeias barrosãs. Certo que já por aqui ficaram todas as aldeias do concelho de Montalegre e do concelho de Boticas, mas para o Barroso ficar completo, temos ainda que concluir as freguesias do concelho de Vieira do Minho e de Ribeira de Pena que também pertencem ao Barroso, mais propriamente as freguesias de Ruivães e Campos de Vieira do Minho, e a de Canedo de Ribeira de Pena.

 

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Do concelho de Vieira do Minho, freguesia de Ruivães e Campos, já aqui abordámos as aldeias de Botica, Espindo, Frades, Lamalonga, Paredinha, Soutelos e Santa Leocádia. Para concluirmos o “Barroso de Vieira do Minho” só está em falta a aldeia de Ruivães e Campos, sendo que esta última vai ser hoje aqui abordada.

 

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Seguindo a metodologia das anteriores abordagens às aldeias de Barroso, deixar-vos-emos aqui uma seleção das imagens que recolhemos na aldeia, um vídeo resumo, localização da aldeia, como chegar até lá a partir da cidade de Chaves, as nossas impressões pessoais sobre o nosso sentir da aldeia e a história, possível, com base na documentação escrita a que tivemos acesso, que é sempre rara e/ou alguma existente na internet, nas páginas oficiais dos municípios, turismo, etc.

 

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Vamos lá então partir da cidade de Chaves em direção à aldeia de Campos, pelo nosso itinerário preferido, que julgamos ser mais interessante, que por acaso também coincide com o itinerário mais curto em pelo menos 10Km em relação ao itinerário alternativo, que também deixaremos aqui a referência para quem o queira utilizar.

 

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Então a estrada principal a tomar par chegarmos até Campos é a Nacional 103, também por nós conhecida como estrada de Braga, mas só até Sapiãos, onde devemos saír em direção a Boticas, onde devemos apanhar a R311 em direção a Salto. Na entrada de Salto (sem entrar), deverá deixar a R311 e seguir pelo CM1025-2 em direção à Borralha (Minas) onde também lhe deverá passar ao lado (sem necessidade de entra na aldeia) e seguir aa partir de aí pela M623 em direção a Linharelhos, e logo a seguir terá a Lamalonga e de seguida o nosso destino – Campos. A todo são 66,5km, 1H20 se for cumpridor do itinerário, das regras de transito e sem paragens. Mas fica a carta com o itinerário marcado.

 

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A alternativa ao itinerário anterior é seguir sempre pela EN103 até passar a Barragem da Venda Nova, pouco mais à frente existe uma saída à esquerda em direção a Lamalonga e logo a seguir é Campos. Por este itinerário são mais 12Km, num total de 75.7km.

 

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As nossas deslocações a estas aldeias de Vieira do Minho iniciaram-se pouco antes da pandemia, tivemos que interromper por causa da mesma e só depois é que conseguimos concluir. Fizemos as nossas deslocações às aldeias sempre de Verão, mas calhou-nos na sorte apanharmos dias de inverno, embora com temperatura agradável, mas sempre com chuva, às vezes intensa, e nevoeiro. Exceção para um dia, de conclusão, maioritariamente dedicado à Serra da Cabreira, em pleno Inverno de Dezembro, com um dia de sol radiante.

 

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Gente nas ruas não havia, talvez pela chuva mas também pelo despovoamento que tem sido uma constante nas últimas dezenas de anos. exceção de uma ou outra que eram obrigados a andar nas lides diárias de levar o gado aos pastos que me pareceu ser a principal atividade da aldeia. Quanto ao casario é tipicamente barrosão, mais parecido ao do alto-barroso de rua estreitas e empedradas, com casas de granito a vista, incluindo a igreja e os canastros que abundam na aldeia, sendo uma aldeia ainda bem interessante no que respeita ao casario e ao seu aglomerado, com todos os seus pertences e sem grandes atentados de construções modernas. Os realces do que vimos, vão para a igreja, os canastros, o cruzeiro, o forno do povo e o casario privado em geral. Soubemos, entretanto, da existência de uma ponte romana que pelo que vi até bem interessante, mas não tivemos a oportunidade de ir até ela. Mas fica a referência. Em suma, mesmo com chuva e nevoeiro, gostámos do que vimos e recomendamos uma visita.

 

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Campos foi sede de freguesia até à última reorganização administrativa das freguesias de 2013, à qual pertencia a própria aldeia de Campos e os lugares de Lamalonga e Cambedo. A  freguesia foi extinta e passou a pertencer à União de Freguesias e Ruivães e Campos. A aldeia da Lamalonga já foi aqui abordada em tempo. Quanto ao lugar do Cambedo, pelo que nos apercebemos não se trata propiamente de uma aldeia com aglomerado tradicional, mas antes um lugar com algumas casas dispersas junto à EN103 e barragem da Venda Nova, mesmo em cima da fronteira com o concelho de Montalegre.

 

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E quanto ao nosso olhar pessoal sobre a aldeia, ficamo-nos por aqui, o restante que virá a seguir é de alguma informação que recolhemos na internet, sobretudo em dois portais, um do turismo e outro das aldeias de Portugal, que transcrevemos a seguir, e onde a aldeia é tratada como sendo ainda sede de freguesia, daí às vezes haver referências à própria freguesia e seus lugares.

 

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Do Portal de Turismo de Vieira do Minho temos o seguinte:

“Freguesia de Campos

A freguesia de Campos situa-se a cerca de 32 Km ENE da sede do concelho de Vieira do Minho, ocupando uma área de 1313 hectares. O rio Rabagão e a freguesia de Ferral do Concelho de Montalegre constituem o seu limite geográfico a Norte. Ruivães apresenta-se a Poente e Agra (Rossas) a Sul, enquanto a Nascente é a Barragem da Venda Nova e Salto(Montalegre) que delimitam a sua fronteira. Os aglomerados rurais concentrados de Campos e Lamalonga têm uma tipologia já marcadamente transmontana e a sua localização nas cotas 820 e 860 respectivamente condiciona naturalmente o tipo de actividades agrícolas aqui desenvolvidas. O nome desta freguesia adequa-se à grande quantidade de prados virados a sul, onde predomina a cultura do milho e centeio, sendo a pecuária (sobretudo do gado de raça barrosã) preponderante na subsistência de quem ainda se dedica ao sector primário. Os paúis existentes na encosta sul até à ribeira da Lage produzem pastos naturais de elevada qualidade.

 

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Terra de transição entre o Minho e Trás-os-Montes, a aldeia de Campos conserva um núcleo concentrado de habitações tradicionais, assim como um património valioso e uma paisagem natural excepcional. Com uma localização privilegiada por entre montes e campos, a aldeia oferece excelentes condições a quem procura um contacto directo com amplos espaços e conviver com o mais puro que a vida rural pode oferecer. Aqui, os pontos que merecem ser visitados são os Fornos Comunitários, local onde antigamente se refugiavam os pobres que passavam por Campos, a Igreja de S. Vicente de Campos, os vários espigueiros, as Alminhas e algumas casas de granito que datam do século XVIII.

 

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O carvalhal do Esporão, já próximo do limite com Linharelhos, é uma relíquia verde e um espaço aprazível de que esta freguesia se orgulha e tem procurado salvaguardar. Aqui fica o campo de Jogos e o parque de merendas, apetrechado com pontos de fogo, água e mesas adequadas, constituindo um espaço de lazer muito procurado nos períodos estivais.

 

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Dadas essas características, a aldeia de Campos foi classificada como “Aldeia de Portugal”, em 2005, pela Associação de Turismo de Aldeia (ATA).

 

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Origem histórica:

Primitivo povoamento pré-histórico (restos de crastos). Nos começos da nacionalidade estava incluída no julgado de Borba de Barroso, depois concelho de Ruivães, onde ainda permanecia conforme registos nas memórias paroquiais de 1758. Nessa altura, era povoada por trezentos e cinquenta habitantes distribuídos por sessenta e sete habitações. Em 1925, há referências que indicam a existência de quatrocentos e quarenta e três almas distribuídas por cento e quatro fogos.

A igreja matriz de antiquíssima fundação tem por orago S. Vicente e aparece com vigararia de apresentação do reitor de Viade até à extinção dos coutos, passando seguidamente à Coroa e desta, por doação à Casa de Bragança.

 

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Nos tempos da corrida ao volfrâmio, esta freguesia conheceu períodos de grande prosperidade e folgança financeira não só pela proximidade das minas da Borralha, como também pela existência de jazidas daquele minério em vários locais. Ainda são observáveis as ruínas da Lavaria e outros edifícios de apoio na zona da Quebrada, nas Cruzinhas e noutros locais.

 

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Imóveis de interesse patrimonial:

:: Dois Fornos comunitários um no lugar de Lamalonga sendo coberto de pedra lavrada a pico e outro no lugar de Campos.
:: A Igreja Paroquial de São Vicente é um belo exemplo da arquitectura religiosa barroca e neoclássica, tem Torreão e apresenta uma interessante traça arquitectónica na sua fachada principal, destacando-se o retábulo esculturado com nicho que alberga a imagem da Nossa Sra. Da Conceição em granito.
:: Capela de Santo António em Lamalonga tem na sua frente uma escultura em granito representando um frade.
:: Cruzeiro, situa-se a poente da Igreja paroquial e foi construído a partir de um arco miliário romano da antiga Geira

 

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Casas de interesse patrimonial:

- Casa das Fintas ou das Rendas (bom exemplar da arquitectura popular, apresentando uma janela ladeada por 2 caratonhas)
- Casa do Lopes (tem um forno todo em cantaria);
- Casa da Fonte; casa do Calado (ostenta soleiras e cornijas de boa cantaria) e casa do Tanque, todas no aglomerado rural de Campos
(…)

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Outros locais de interesse turísticos:

Carvalhal do Esporão, Quebrada (ruínas de volfrâmio e praia fluvial), ribeira da Lage, Serra da Cabreira (lado nascente), Albufeira da Venda Nova (junto à barragem do Cambedo, onde existe um parque arborizado) e fornos do Povo de Lamalonga e Campos.

Esta freguesia é composta pelos seguintes lugares:

- Cambedo, Campos e Lamalonga

Festas e romarias:

- Santo António – 2º Domingo de Agosto (Lamalonga)."

 

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No portal Portal “Aldeias de Portugal” apurámos o seguinte:

Com um vasto património para apreciar, parta à descoberta de Campos, em Vieira do Minho, uma aldeia cheia de personalidade e dotada de uma rara beleza natural! Abraçada pela Serra da Cabreira, esta aldeia bem preservada possui uma identidade rural muito própria que encanta descobrir pelas ruas e enquadramento verdejante.

 

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Um local para percorrer sem pressas, caminhando pelas pequenas e rústicas ruas empedradas, e visitando o património acumulado ao longo do tempo. O cruzeiro, a igreja, os moinhos, a ponte romana, o forno comunitário e os espigueiros são locais a não perder. Contam-se 46 espigueiros onde são guardadas as espigas de milho que, depois de arejadas secas são malhadas para dar aos animais e para fazer pão! As casas da aldeia de Campos, bons exemplares da tradição rural minhota, mostram-se na sua faceta mais prática, com o andar de cima como habitação e o de baixo reservado aos animais e lida agrícola. Eiras, eirados, celeiros e espigueiros são outros elementos que encontra pela terra, reveladores do passado ligado à terra e à agricultura.

 

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Mas mais do que pelo património, perca-se pelas lendas e tradições deste núcleo de vida em comunidade. Meta conversa com os habitantes locais e descubra a sua calorosa hospitalidade!

 

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Depois, deambule pelos contornos da aldeia e respire todo o ar puro deste ambiente de serra e encontre, escondidas pela densa vegetação, as ruínas das antigas minas de volfrâmio! Não perca, também, a gastronomia local, em que sobressaem a vitela barrosã, o cabrito das terras altas do Minho, o queijo, o mel e o fumeiro.

 

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Como é habitual nesta rubrica, fica o vídeo com todas as imagens publicadas neste post:

 

Poderá ver este e outros vídeos no YouTube, onde podem subscrever o nosso canal para serem avisados de todas as publicações que lá fizermos, e nós agradecemos. Pode passar por lá e subscrevê-lo aqui:

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Referências:

https://vieiraminhoturismo.com/freguesia-de-campos/

https://www.aldeiasdeportugal.pt/aldeia/campos/

08
Jan23

O Barroso aqui tão perto...

O Barroso minhoto


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Serra da Cabreira – Cabana dos Poços

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Nesta rubrica de “O Barroso aqui tão perto” hoje vamos fazer apenas a introdução ao Barroso que nos fica mais longínquo e que sai fora das fronteiras dos concelhos de Montalegre e Boticas, bem como sai das fronteiras do distrito de Vila Real e da província de Trás-os-Montes, pois na realidade trata-se do Barroso que entra no Alto Minho, no distrito de Braga e no Concelho de Vieira do Minho, mas em apenas duas das suas antigas freguesias, que por sinal, com a última reorganização administrativa passou a ser uma freguesia, a freguesia de Ruivães e Campos.

 

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Ruivães em primeiro plano vista desde a Serra da Cabreira, ao fundo a Serra do Gerês

 

A inclusão desta freguesia no Barroso, aparentemente, parece não ter muita lógica, no entanto esta pertença ao Barroso tem as suas razões históricas e culturais, mas também geográficas. As razões históricas conhecidas são as de que o antigo concelho de Vilar de Vacas, hoje Campos e Ruivães, é mencionado nos documentos mais antigos como sendo território do Barroso. As coisas começam a baralhar-se um pouco com a Reforma Administrativa de Silva Passos, decretada em 6 de Novembro de 1836, e mesmo que essa reforma não tivesse sido definitiva nem foi no seu todo bem sucedida, promoveu mesmo assim a extinção de uns concelhos e a criação de outros, havendo concelhos que viram o seu território diminuido, enquanto outros viram o seu território aumentado, sofrendo diferentes alterações até 1853 e no que diz respeito às Terras de Barroso prolongou-se mesmo até 1898.

 

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Em primeiro plano aldeias e montanhas de Montalegre, ao fundo a Serra da Cabreira, a meio o rio Cávado e do lado direito a Serra do Gerês

 

Ainda conforme reza a história o antigo concelho de Vilar de Vacas (Ruivães) pertenceu à Casa de Bragança e à província de Trás-os-Montes, era uma das «Sete Honras de Barroso» e constituiu, em conjunto com a freguesia de Campos, o Couto de Ruivães, tendo sido vila e sede de concelho até 31 de Dezembro de 1853, data em que foi extinto. Em 1836 pertencia à comarca de Chaves e, em 1842, como julgado e concelho, reunia as freguesias de Cabril, Campos, Covelo do Gerês, Ferral, Pondras, Reigoso, Ruivães, Salto, Venda Nova e Vila da Ponte. Com a extinção do concelho em 1853, as freguesias foram divididas pelos concelhos de Montalegre e Vieira do Minho, ficando Campos e Ruivães a pertencer a Vieira do Minho e as restantes a Montalegre.

 

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Frades de Vieira do Minho em primeiro plano, rio Cávado ao centro e ao fundo a Serra do Gerês.

 

Para melhor se perceber administrativamente qual o território original  do Barroso e a sua evolução até o estado atual,  ficam os nossos mapas, que já em tempo foram aqui utilizados aquando de um post dedicado à origem do Barroso para o qual deixamos link no final deste post.

 

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Como se a História não bastasse, podemos ainda apontar as razões geográficas para incluir esta(s) freguesias do concelho de Vieira do Minho no Barroso. Como é sabido. em geral, as fronteiras são delimitadas recorrendo-se a elementos naturais para fazerem as divisões/separações administrativas dos territórios de regiões, províncias, países e continentes, elementos tais como rios, serras, lagos, mares e oceanos. Ora o território do Barroso também deitou mãos destes elementos naturais, encontrando-se bem delimitado desde a sua origem por serras e um rio, ou seja, a Norte e Poente pelas Serras do Larouco e a Serra do Gerês, a Sul pela Serra da Cabreira e a Nascente pelo Rio Tâmega, e no meio disto tudo, a serra do Barroso, quase como tendo o ponto, bem no meio dos cornos do Barroso, para espetar a ponta do compasso para fazer a circunferência que delimita todo o Barroso.

 

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Vista parcial do Barroso vista desde a Serra da Cabreira

 

Pois então é precisamente com base nestes limites que a freguesia de Campos e Ruivães, bem como as suas aldeias, são incluídas no Barroso, isto porque quando se recorre à divisão de fronteiras nas montanhas, também em geral e para não haver conflitos entre vizinhos com problemas relacionados com a água, as divisões/fronteiras administrativas fazem-se nos seus pontos mais altos das montanhas onde iniciam as suas vertentes, é o caso desta freguesia do concelho de Vieira do Minho que se localiza na vertente Norte da Serra da Cabreira, ou seja, na vertente para o Rio Cávado, enquanto que a vertente Sul dá origem ao Rio Ave, em que, o mais correto teria sido que o antigo concelho de Vilar de Vacas, todo ele, fosse integrado no concelho de Montalegre. Mas não foi, outros interesses se impuseram, no entanto nem por isso deixa de pertencer ao Barroso, pelas razões já apontadas, culturalmente e também pelo romanticamente, aliás todo este tema do Barroso é assim que tem de ser visto, porque na realidade oficial do Portugal atual, nem sequer temos regiões administrativas, ainda, nem sequer as antigas províncias existem, estando, segundo a Constituição Portuguesa em vigor, apenas as regiões autónomas e o continente, este último dividido em distritos, estes em concelhos e estes últimos em freguesias, e mais nada, ou seja, o Barroso, oficialmente,  não existe, nem sequer nas NUTS consta, NUTS que são a coisa mais parecida com as regiões administrativas, embora não tenham qualquer valor administrativo. Um imbróglio que os senhores da política criaram e não sabem, ou não querem, resolver.

 

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Dois garranos na Serra da Cabreira. Ao fundo a Serra do Gerês (concelho de Montalegre)

 

Ora bolas, então o Barroso não existe!?

Existe sim senhor, e existirá sempre. Estas coisas administrativas e o seu território até são coisas menores, pois o que mais interessa é mesmo o ser do Barroso, o ser barrosão e a cultura barrosã, esses sim é que podem ou estão mesmo em perigo, com o êxodo e despovoamento rural, com a perda de saberes e tradições e com a globalização em que os diferentes se tornam cada vez iguais, e ainda, tal como dizia Torga a respeito da falta de respeito pelas aldeias do Barroso:

Entro nestas aldeias sagradas a tremer de vergonha. Não por mim, que venho cheio de boas intenções, mas por uma civilização de má-fé que nem ao menos lhe dá a simples proteção de as respeitar.

Miguel Torga, In Diário VIII

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Soutelos (Vieira do Minho) em primeiro plano, em baixo o Rio Cávado e ao fundo São Lourenço, Montalegre.

 

Mas para já ainda vai existindo o Barroso e é para lá que este blog continuará a ir aos domingos durante as próximas semanas, para já abordando algumas aldeias do concelho de Vieira do Mino e depois de Ribeira de Pena e ainda estou a pensar se irei incluir, ou não, as freguesias do concelho de Chaves que ficam na margem direita do rio Tâmega, isto em defesa do raciocínio feito atrás em relação às fronteiras geográficas do Barroso.

 

Assim, no próximo domingo entraremos nas aldeias da atual União das Freguesias de Ruivães e Campos.

 

                                                                                                         

 

Para quem interessar aqui fica o link de um post antigo dedicado ao Barroso e as suas origens:

Barroso - Origem, história e território

 

17
Mai20

O Barroso aqui tão perto - Campos

Aldeias de Barroso - Boticas


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Campos - Boticas

 

O nosso apontamento

 

Neste Barroso de Boticas temos hoje como destino a aldeia de Campos, em três andamentos, como quem diz, em três visitas. A primeira, em dia de nevada, aconteceu na sexta-feira santa de 30 de março de 2018.

 

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A segunda visita, aconteceu em 24 de abril de 2018, e não foi propriamente à aldeia de Campos, mas a um “senhor” que mora lá perto, em Castro Lesenho e é um ícone de Campos, ícone de Boticas e também, porque não, um ícone de Barroso e não só, referimo-nos ao “Guerreiro Calaico” ou “Guerreiro Galaico”, que vem a ser a mesma coisa,  ou seja um guerreiro da antiga Galaécia, que era composta pela atual Galiza e parte do Norte de Portugal, portanto um antepassado nosso. Mas sobre este guerreiro, falaremos mais à frente.

 

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A terceira visita aconteceu em 16 de junho de 2018 e aconteceu porque andávamos próximos de Campos e lembrámo-nos que as únicas fotografias que tínhamos então, eram apenas da aldeia com neve. Pensámos então que meia dúzia de fotos sem neve, mais coloridas, pois as de neve são sempre cinzentonas, iriam ficar bem neste post e no nosso arquivo.

 

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Primeiro andamento – A aldeia em dia de neve

 

Mas foi na primeira visita que descobrimos a aldeia e que a percorremos quase na totalidade, mesmo com a neve a cair-nos em cima. Claro que como bons transmontanos que somos e que se prezam de tal, levamos sempre uma bucha para deitar pelo caminho. Calhou o ratinho do nosso estômago começar a dar sinal em Campos, por altura em que a neve começou a cair em bom cair. Ora houvesse um abrigo por perto e a bucha marchava mesmo ali… e até havia um abrigo bem jeitoso mesmo à nossa frente, um pátio coberto de acesso a uma das casas da rua, mas tinha dono, era privado, e nessas coisas somos respeitadores, só entramos se formos convidados ou se nos deixarem, o problema é que não havia por ali ninguém. No entretanto, do vamos ou ficamos, procuramos um sítio ou não, apareceu o dono do pátio e da casa e pedimos-lhe se poderíamos utilizar o pátio para deitar uma bucha.

 

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Estávamos na casa do Sr. João Batista Jorge, que segundo nos informou era mais conhecido pelo João da Portela, coisa que já vinha do pai que era Albino Jorge mas toda a gente o conhecia por Albino da Portela. Pois como bom barrosão que é, o Sr. João da Portela disse-nos que sim, mas que subíssemos que estávamos melhor na cozinha, que tinha a lareira acesa. Mas não aceitámos, não por falta de insistência do Sr. João e depois do filho que entretanto chegou, mas, para além de não querermos abusar da hospitalidade, e como além da vontade à bucha também estávamos ávidos pelo cair da neve, preferimos ficar mesmo ali, a ver a neve a cair, apenas aceitámos o vinho da casa para regar a bucha, que por sinal era do bô. Curioso é que o Barroso não é conhecido por produzir vinhos, embora se faça nalgumas terras, mas de qualidade duvidosa, com o vinho dos mortos à parte, mas ia dizendo, o curioso é que não se produz vinho mas nas adegas dos barrosões há sempre bom vinho. Não produzem, mas sabem onde o há.

 

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Merenda comida, companhia desfeita, e nós tínhamos ainda muito caminho pra andar, mesmo com neve, que embora branca, quando cai tudo fica escuro. Mas tinha de ser e o que tem de ser tem muita força. Claro que agradecemos então ao Sr. João Portela e ao filho pela sua hospitalidade, e voltamos a agradecer hoje, aqui, publicamente a simpatia e hospitalidade, fazendo jus à hospitalidade barrosã. Bem hajam e obrigado pelo abrigo, pelo vinho e pela companhia.

 

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Na aldeia apanhámos a nevada no seu início, e para quem já assistiu a uma nevada, sabe que a neve não cai toda de uma vez. Primeiro começa a cair sem pegar, ou seja, cai no chão, mas derrete logo, ou pelo menos parece, pois, o gelo fica lá, mas transparente sem a brancura da neve. Essa só depois de o chão estar bem encharcado de gelo é que a neve branca se começa a ver no chão e já bem depois de ter pegado nos telhados e nos ramos das árvores. Foi nesta fase do pega e não pega que demos a volta à aldeia, sem termos uma vista geral prévia do que era.

 

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Fomos descobrindo a sua intimidade conforme íamos trilhando a rua. Referência da aldeia só levávamos a do “guerreiro”, mas esse era impossível de atingir em dia de neve. Ficámos-mos pela aldeia e registámos aquilo que vimos de mais interessante, a capela, o casario típico bem barrosão, alguns canastros e o raio de uma pequena estatueta de loiça em cima de uma alta e elegante coluna cilíndrica de granito, um rapazinho todo colorido, loirinho, de olhos azuis e lábios rosados, tipo puto da realeza mais antiga, a ler um livro, e tão entretido estava, que nem deu por nós. A coisa pensada e projetada, pela certa que não ia dar certo, o facto, é que lá, tal como está, tem uma certa graça

 

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Segundo andamento – O Castro do Outeiro Lesenho e o Guerreiro Calaico

 

Claro que os castros têm o seu interesse, sobretudo histórico, mas a grande maioria, fotograficamente falando, não têm interesse nenhum, exceção quando se trata de fotografias para trabalho ou como documento, ou se do castro ainda resta alguma coisa para se poder entender, tipo o de Carvalhelhos, mas não é o caso deste de Outeiro Lesenho. Ora, com isto, pensarão que não tem interesse subir aquela penosa encosta, principalmente se vai à procura de um ponto interessante para fotografar, ainda para mais, quando  o guerreiro que lá está ao alto, é uma réplica do original. Mas não, o castro tem todo o interesse fotográfico, aliás eu diria mesmo que não ficamos a conhecer o Barroso senão subirmos ao Outeiro do Castro Lesenho, pois desde lá, vê-se e entende-se todo o Barroso.

 

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Uma coisa é dizer que o Barroso é uma região de planaltos e altas montanhas e serras como a do Gerês, o Larouco, o Leiranco a Serra do Barroso e os Cornos do Barroso, o verde exuberante das pastagens, o agreste das croas das montanhas, os aglomerados e distribuição das aldeias, o azul límpido do céu a contrastar com o azul das montanhas mais distantes. Uma coisa é dizer isto tudo, descrevê-lo em palavras e outra coisa, é subir ao Castro de Outeiro Lesenho e ver isto tudo, compreender in loco o Barroso, e depois, o guerreiro que lá está, embora réplica, tem figura e marca presença. Assim, uma subida ao Outeiro de Castro Lesenho é obrigatória, penosa, porque aquilo sobe mesmo, de ser mesmo a subir. Pena, e inveja até, tenho daquilo que me disse o filho do Sr. João da Portela a respeito do Outeiro do Castro Lesenho – “ Eu de vez em quando, eu e os meus rapazes, vamos lá à noite. Gosto de ir lá à noite, deitar-me naquelas pedras e ficar a olhar para o céu a ver as estrelas”

 

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O Castro de Lesenho/Outeiro Lesenho e o Guerreiro Calaico (o que diz a história)



No sítio do patrimoniocultural.gov diz-se o seguinte:

Sítio
O Castro de Lesanho localiza-se em Vilar, no Lugar de Campo, nas freguesias de Vilar e Viveiro e Canedo, concelho de Boticas. Dista sensivelmente 1,2 km para sudoeste da povoação de Campos. implanta-se num cabeço cónico com uma área aproximada de 9 hectares, sobranceiro à Ribeira do Corgo, a uma cota máxima de 1073 metros, dotado de um notável destaque visual e disfrutando de um eficaz controlo das linhas de circulação e da paisagem circundante, numa região de recursos abundantes, tanto agrícolas como minerais. A investigação realizada indica tratar-se de um grande povoado fortificado de altura, da segunda Idade do Ferro (finais do século II a.C.) que persistiu durante a época Romana, até ao século VII d.C.. No entanto, alguns fragmentos cerâmicos exumados podem indiciar uma ocupação desde a Idade do Bronze Final. No cabeço assinala-se, ainda, a existência de dois penedos insculpidos. Jorge Alarcão aventa a hipótese de constituir a sede de um populus, eventualmente os Equaesi.

 

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Dispunha um complexo sistema defensivo, de características monumentais, com três cercas graníticas concêntricas de paramentos em aparelho irregular poligonal, miolo de pedra irregular e terra, com espessuras que oscilam entre 1,70 e 2,90 metros, complementadas por linhas radiais, torreões e conjuntos de pedras fincadas a defender as entradas. Na encosta norte, com menos condições naturais de defesa, foram erguidas outras duas linhas de muralha. Protegiam um espaço útil de apenas um hectare, sugerindo uma dispersão da comunidade pela envolvente. Registam-se estruturas de caracter habitacional de planta circular, construídas sobre plataformas artificiais no espaço circunscrito pela segunda cerca, e uma oficina para práticas metalúrgicas onde foram recolhidas escórias provenientes da sua estrutura de combustão. Sujeitas a análise, estas revelaram a presença predominante de estanho e volfrâmio.
A notoriedade do Castro de Lesenho encontra-se, igualmente, associada à descoberta do maior conjunto conhecido, até à data, de estátuas de guerreiro, ditas galaicas, o que reforça a convicção de representar um lugar central. Presume-se que estariam colocadas junto às entradas nas muralhas, embora tenham sido todas identificadas deslocadas do seu contexto original e em alturas distintas. Presentemente estão depositadas no Museu Nacional de Arqueologia em Lisboa e duas mereceram uma classificação autónoma (Estátuas Lusitanas de Montalegre).

 

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História
As menções mais antigas à ocupação proto-histórica do Outeiro de Lesanho remontam ao século XVIII, referenciando duas estátuas mobilizadas em data incerta para o adro da Igreja Paroquial de Covas do Barroso, em Boticas, que motivaram uma escavação, em 1782, por Miguel Pereira de Barros, juiz de Fora de Montalegre. Nos anos 60 do século passado, Joaquim Rodrigues dos Santos Júnior procedeu a trabalhos de conservação e restauro. João Mário Martins da Fonte desenvolveu uma investigação aprofundada do arqueossítio que resultou em diversas publicações, tendo conduzido trabalhos de escavação arqueológica no ano de 2008. Finalmente, em 2012, Bruno Delfim Pinto Fernandes Osório dirige novos trabalhos, promovidos pela Câmara Municipal de Boticas, no âmbito do projeto de conceção do Centro Europeu de Documentação e Interpretação da Escultura Castreja.
Ana Vale
DGPC, 2020

 

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Em arqueologia.patrimoniocultural.pt diz-se o seguinte

 

Os materiais de superfície são bastante escassos, e detectaram-se apenas algumas poucas cerâmicas manuais da Idade do Ferro, embora se refira a existência de materiais de época romana. O espólio mais conhecido deste sítio é, no entanto, o achado de quatro estátuas de guerreiros, aparecidas duas a duas em momentos diferentes e circunstâncias pouco esclarecidas. Duas estão no Museu de Viana do Castelo, e as outras duas no Museu Nacional de Arqueologia.

 

Por sua vez, em  Matriznet.dgcp, nas fichas das estátuas dos guerreiros , ficamos a saber que as quatro estátuas estão no Museu Nacional de Arqueologia catalogadas na Supercategoria de Arqueologia, na Categoria de Escultura, Denominadas como Estátua de guerreiro calaico, do Grupo Cultural Cultura Castreja do Noroeste Peninsular, datadas de  I d.C., em matéria de granito. Isto é comum a todas as estátuas que apenas diferem no número de inventário e nas dimensões, a saber:

1

N.º de Inventário:E 3397

Dimensões (cm):altura: 207; largura: 61; espessura: 45;

2

N.º de Inventário:E 3398

Dimensões (cm):altura: 173; largura: 54; espessura: 30;

3

N.º de Inventário:E 7210

EsculturaDimensões (cm):altura: 157; largura: 56; espessura: 29;

4

N.º de Inventário:E 7211

Dimensões (cm):altura: 126; largura: 44; espessura: 20;

 

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Ficamos ainda a saber que as duas primeiras estátuas foram descoberta em 1789, em Montalegre (atualmente concelho de Boticas) e foram ambas levadas para os Jardins do Palácio Nacional da Ajuda, passando a integrar as Coleções Reais. Após a implantação da República, foram incorporadas, por decreto ministerial de 1911, no acervo do Museu Ethnologico Português - Museu Nacional de Arqueologia, por determinação do então Ministro das Finanças, José Relvas

 

As duas últimas foram adquirida pelo Diretor do Museu, Manuel Heleno a D. Maria Engrácia de Figueiredo da Guerra, de Viana do Castelo.e entrou no MNA entre o final de Dezembro de 1932 e Janeiro de 1933. Ao contrário das duas primeiras estátuas que se encontram completas, a estas últimas duas falta-lhes a cabeça.

 

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Terceiro andamento – A aldeia em dia de sol

 

E para terminarmos o nosso apontamento pessoal, embora atrás já tivéssemos lançado mão à História no que respeita ao Castro de Outeiro Lesenho e o Guerreiro Calaico. Este é o terceiro apontamento em que já entrámos na aldeia como terras conhecidas e vistas gerais privilegiadas desde o Outeiro Lesenho.

 

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Mas tínhamos de fazer esta terceira entrada na aldeia para recolher alguns motivos em dias de sol, já com muita luz, até em demasia, para contrastar com as imagens do dia de neve. Esta terceira abordagem da aldeia, tal como já dissemos atrás, foi feita em 16 de junho de 2018.

 

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Claro que tentámos neste dia reunir outros motivos que não tinham sido abordados no dia de neve, principalmente o da paisagem que envolve a aldeia com a verdura das pastagens e também de quem com ela se delicia.

 

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A aldeia assim iluminada até parece outra, não quero com isto dizer que assim, com luz,  seja mais interessante, pois quer seja com neve ou sem neve, é uma aldeia interessante que merece uma visita, apenas o mesmo, com ares diferentes.

 

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Localização e itinerário para uma visita

 

Estamos no Barroso de Boticas, para quem não sabe e não conhece, o Barroso estende-se pelos concelhos de Montalegre e Boticas e ainda tem uma freguesia de Ribeira de Pena e outra de Vieira do Minho e toda esta região pertence ainda a  Trás-os-Montes e faz a transição para Minho, enquanto que a Norte confronta com a Galiza. Mas estamos no Barroso de Boticas, e hoje na aldeia de Campos, por sinal bem próxima da freguesia de Ribeira de Pena que ainda é pertença do Barroso.

 

mapa campos-1.jpg

 

Fica o nosso mapa para melhor localizarem a aldeia. Quanto ao itinerário para uma visita, como sempre fazemo-lo a partir da cidade de Chaves, cidade desde onde este blog é feito e para o Barroso de Boticas, nas sua grande maioria, utilizamos a Estrada Nacional 103, que liga Chaves a Braga, mas só até Sapiãos, onde abandonamos a EN103 e viramos em direção a Boticas, onde ao chegar na primeira rotunda deve seguir em direção a Ribeira de Pena, Cabeceiras e Salto, que o leva até uma segunda rotunda seguindo as mesmas indicações anteriores, levando-o até uma terceira rotunda, junto ao Centro de Artes Nadir Afonso, devendo seguir as mesmas indicações de Ribeira de Pena, Cabeceiras e Salto, entrando na ER311. Ao chegar à Carreira da Lebre, quando chegar à rotunda, segue em frente, e continua pela ER311, vai passar pela saída para Carvalhelhos (à direita) e a seguir  para Vilar (à esquerda), deve continuar, agora com mais atenção, pois deve estar a aparecer a saída, à esquerda para Campos.

 

mapa campos-2.jpg

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O que dizem os documentos sobre Campos

 

Na monografia “Preservação dos Hábitos Comunitários nas Aldeias do Concelho de Boticas” encontrámos:

 

Festas e Romarias: Santo Amaro,* 15 de Janeiro, Campos

Património Arqueológico -  Castro do Lesenho (Campos)

 Património Classificado - Capela de Santo Amaro (Campos)    

 

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Quanto à “Toponímia de Barroso” temos o seguinte:

 

Campos

Sem adjectivação nem determinativos é o topónimo. Do nome comum latino CAMPU e com a significação que todos conhecem.

-1258 «Item, de campus faciunt inde três partes INQ 1522,”onde, apesar de escrito sem maiúscula, aparece o nosso topónimo já praticamente estabelecido pelo latino campu > campo, no plural.

Campos constitui uma das quatro localidades  que, tendo por cabeça Viveiro, se desligaram da freguesia de Covas, e ganharam autonomia sob o orago de São Salvador, já no século XX, muito por influência do viveirense Padre Serafim de Oliveira.

 

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Na Toponímia Alegre, encontrámos o seguinte:

 

Boticas: ( As alcunhas dos de Arcossó aos da outra banda)

 

Escacha-nozes do Antigo,

Carrasqueiros da Gestosa

Na Vila Grande justiceiros,

Dos de Casal nada digo;

Manca-vacas de Espertina

De Lousas grande castigo.

Bailarinos de Romainho,

No Muro só há pategos,

Estripa-bogas de Fiães,

Olham p’ra longe em Sesserigo,

Ainda mais os de Campos

Na Vila Pequena catam-cães.

Fidalguinhos de Seirrãos,

Pascácios de Codessoso,

Corta-ventos dos Torneiros,

Covelo do Monte fala-só,

Os de Cerdedo são arteiros,

Tolinhos os d|Aquimbró.

 

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E bem queríamos deixar mais qualquer coisa sobre Campos, mas os livros e documentos que temos mais nada dizem, ou então não os encontrei, mas a intenção é mesmo mostrar um pouco da aldeia e abrir o apetite para uma visita.

 

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E agora só nos resta deixar o vídeo com todas as fotografias publicadas. Um resumo de Campos em imagem, sem palavras:

 

 

 

Nota Final: O Castro Lesenho às vezes aparece no texto também grafado como Lesanho, não sei qual a forma correta, pois ambos aparecem em documentos oficiais. Nós, no nosso texto optámos por Lesenho, daí os Lesanhos que aparecem no texto, são de citações e está conforme o original.

 

BIBLIOGRAFIA

BAPTISTA, José Dias, (2014), Toponímia de Barroso. Montalegre: Ecomuseu – Associação de Barroso.

CÂMARA MUNICIPAL DE BOTICAS, Preservação dos Hábitos Comunitários nas Aldeias do Concelho de Boticas - Câmara Municipal de Boticas, Boticas, 2006

 

WEBGRAFIA

 (consultas efetuadas dia 16 de maio de 2020)

http://www.cm-boticas.pt/

http://www.matriznet.dgpc.pt/MatrizNet/Objectos/ObjectosConsultar.aspx?IdReg=113141

http://www.patrimoniocultural.gov.pt/pt/patrimonio/patrimonio-imovel/pesquisa-do-patrimonio/classificado-ou-em-vias-de-classificacao/geral/view/74606

https://arqueologia.patrimoniocultural.pt/index.php?sid=sitios&subsid=48217

 

 

 

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