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CHAVES

Olhares sobre o "Reino Maravilhoso"

22
Set10

As nossas desgraças e a Nossa Senhora das Graças

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Ainda antes de irmos à Nossa Senhora das Graças, queria deixar aqui um apontamento, se me é permitido, sobre o nosso Portugal real, que quase não o parece (real).

 

Claro que os temas e discussões do nosso dia-a-dia vão sendo feitos com aquilo que os media nos vendem ou impingem. Todos sabemos que nem tudo que dizem e mostram, é como é, ou seja, os media têm a força de iluminar os caminhos que eles querem que o pessoal (o povo) caminhe, deixando os outros às escuras. Em vez da informação isenta, eles (os media) formulam opiniões e têm toda uma série de artimanhas de fazer a cabecinha do povo, e, se necessário for, até inventam.

 

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Por muito conhecedores ou informados que se possa estar de como as coisas (o sistema) funciona, a verdade é que as notícias e informações que os media nos passam, fazem mossa e sem querermos, somos obrigados a participar na discussão, a entrar no sistema, senão, podemos correr o risco de ficar isolados e a falar sozinhos.

 

Mas o sistema é muito mais complexo e vai muito para além dos media. Estes apenas são um pequeno tentáculo do tão falado polvo…mas adiante, somos constantemente levados mas ao que parece, até gostamos.

 

Há no entanto coisas que revoltam, e se umas até dão para rir por tão anedóticas que são, outras revoltam a sério.

 

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Por anedótico podemos tomar tudo aquilo que se tem passado com a Federação Portuguesa de Futebol e com a selecção nacional. É oficial que Paulo Bento é o novo seleccionador Nacional. Quase dá para dizer que a “tranquilidade” chegou à selecção. Embora me esteja a marimbar para a bola e os seus problemas, a Selecção Nacional é de todos nós, é a nossa equipa e que até tem a força de fazer parar Portugal para a vermos jogar e torcer por ela, onde, honra lhe seja feita, tem o dom de unir todos os portugueses num mesmo sentimento. E, se é nossa, de todos, também todos devemos ter opinião. Não tenho uma ideia formada sobre o homem Carlos Queirós, não o conheço, mas por aquilo que conheço da sua carreira, é um bom profissional, e como tal, respeito o seu trabalho. Nesta história dos acontecimentos da selecção, acredito seriamente que foi uma vítima do sistema e de outros interesses… o tempo deixará ver algumas dessas tramóias. A anedota chegou agora, pois quer se goste ou não de Carlos Queirós, ninguém pode por em dúvida o seu passado, o seu trabalho, competência e experiência. Será que podemos dizer o mesmo de Paulo Bento? – Faço a pergunta porque não sei a resposta, pois aquilo que é conhecido de Paulo Bento, são um somar de pontos negativos para o alto cargo que ocupa, mas ocupa, por muito boa pessoa que possa ser, e parece ser, deixa algumas dúvidas quanto ao que possa fazer pela selecção de todos nós. Do Mourinho nem quero falar, e embora todos digam que ficou bem no retrato desta crise que envolve a selecção, eu gostava de conhecer toda e a verdadeira história dos acontecimentos.

 

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Este tipo de pensamento e sentimento leva-me a uma notícia de ontem, que já é de há anos. Portugal atravessa uma crise sem precedentes, em que está teso e sem soluções para sair dela. A temida notícia de ontem era a hipótese do FMI entrar por Portugal adentro para por ordem na casa, em simultâneo, vão saindo a lume os astronómicos custos da construção do TGV, bem como os custos e prejuízos a que Portugal vai ficar sujeito após a sua construção, e qual é a solução – Construir o TGV!. Tesos como carapaus, mas não se abdica de um luxo que em nada vai contribuir para a nossa felicidade. É assim como uma família que passa necessidades ou sérias dificuldades, que o dinheiro quase nem chega para comer e, como solução, resolve comprar um Ferrari topo de gama… e creiam que a comparação fica muito aquém da realidade do TGV. É este o Portugal que temos! Não admira que tenhamos o Fado como “choro nacional”  e a saudade para sermos eternos saudosistas do pouco que tivemos de melhor.

 

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E pego no saudosismo para entrar finalmente no tema de hoje – A Nossa Senhora das Graças e afinal, para voltar à terrinha, que é a quem este blog se dedica. O que ficou escrito para trás, são puros devaneios, sentidos, mas devaneios de um flaviense, que afinal, também é português.

 

Pois fui ao arquivo do blog ver as minhas referências a esta festa da Nossa Senhora das Graças.  Como em 2008 e 2009 não estive por Chaves no dia dos festejos, os únicos registos que tenho são de 2007 e a título de curiosidade, deixo aqui o que então escrevi sobre o assunto.

 

Segunda-feira, 17 de Setembro de 2007

 

Ainda há dias dizia aqui no blog que não valia a pena inventarem festas quando elas não têm tradição. Ontem mesmo dizia também aqui que as festas se mediam pela música e neste caso de procissões, pelo número de bandas a acompanhar.

 

Pois vamos lá à festa da Nossa Senhora das Graças, que a julgar pelas bandas de música (quatro) e gente,  é uma boa festa. O mesmo não acontece com a tradição, pois esta nova versão apenas tem 3 ou 4 anos (se não me engano). Parece contradição, mas no caso, não o é, mas há truque.

 

Claro que uma festa com apenas 3 ou 4 anos, não seria de ter tanta gente como tem e, o truque, está em chamar a participar na festa, com os seus padroeiros, todas as freguesias do concelho de Chaves.

 

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O que o nosso povo quer é procissão na rua (fé), foguete no ar e arraial abrilhantado por umas boas bandas de música e, se é isso que o nosso povo quer, porque não dar-lho. A festa tem que ser popular e é com o povo que a festa se faz e que se cala qualquer crítica dos intelectuais de cidade (da esquerda ou direita, tanto faz).

A par da Feira dos Santos (festa de Inverno), bem se poderia verdadeiramente pensar e fazer desta festa, as verdadeiras festas (de verão) da cidade e das freguesias que a cidade não tem e, abandonar de vez o 8 de Julho, que lá terá o seu valor histórico, mas não tem qualquer valor festivo.

 

Em tudo posso estar enganado, mas é a minha opinião e, até prova em contrário, continuarei a defende-la.

 

Entretanto vamos ficando com as imagens que faz descer o povo flaviense das montanhas até à cidade e, sempre bem acompanhados pelos seus padroeiros.

 

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Se quiser ver o texto acompanhado das fotos, nem há como seguir o link até ao post publicado:

http://chaves.blogs.sapo.pt/208959.html

 

Nisto da escrita e da opinião que deixamos vertida nela, corremos o risco de com o tempo, a escrita e até opinião ficar desactualizada. Mas lendo e relendo aquilo que escrevi em 2007, não lhe altero uma virgula que seja, excepção óbvia apenas para o número de anos que a festa foi realizada. Pois além de nada alterar, vou reforçar aquilo que disse então.

 

Aldeia, vila ou cidade que se preze tem as suas festas de verão, religiosas, com o seu santo ou santa  lá da terra, com procissões, arraial até às tantas da manhã, foguetes no ar, desfiles, tascas e tasquinhas, diversões para os putos, barracas, provas desportivas, enfeites, eu sei lá… e não digam que é parolice ter uma festa religiosa, pois Lisboa e Porto, as nossas grandes cidades também têm as suas festas populares em honra de dois santos – Stº António e S.João.

 

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Pois Chaves não tem essa festa e que me lembre, à excepção das grandes verbenas que se faziam nos anos 60 e 70 (já lá vão 40 anos) que davam algum ar festivo aos sábados à noite dos verões da cidade, não me lembro de haver festa com ar de festa, nem a Srª das Brotas (quando era grande) tinha essa pretensão.

 

Houve pela nossa Câmara, há coisa de mais ou menos 20 anos atrás, o tempo até nem interessa, que se tivesse apercebido que em Chaves não havia essa tal festa de verão e logo um iluminado se lembro do 8 de Julho que, como já era feriado municipal, poderia passar a ser também o dia das festas da cidade. Ora, quanto a mim, foi uma má decisão e por muitas e variadas razões, começando logo pelo facto de não ser uma festa religiosa, sem santo ou santa, sem procissão, anjinhos e bandas de música pelo meio, aquilo que o povo gosta e que os da cidade dizem que é parolo, mas até apreciam e fazem tudo para “por acaso” estarem, sem o querer é claro, na rua em que passa a procissão. Pois a mim, que me juntem aos parolos e quando me virem na rua a ver passar a procissão e a ouvir as bandas de música, fiquem a saber que estou lá porque quero e gosto, e quanto ao ser(-se) parolo é um assunto que merece reflexão, mas isto até são contas de outro rosário….pois ia eu dizendo que o 8 de Julho foi uma má escolha para festa da cidade, precisamente pela falta do espírito religioso, dos santos e andores e, mesmo que vestissem meia dúzia de republicanos e outros tantos monárquicos de anjinhos, ninguém ia acreditar neles e muito menos ajoelhariam à sua passagem. Uma segunda razão para um não ao 8 de Julho é a sua falta de tradição e, não se tome ao de leve esta palavra, pois TRADIÇÃO é tradição e é por ela, que todos os anos na mesma data, as festas se realizam e é por se realizarem na mesma data e todos os anos haver festa, que os filhos da terra marcam as suas férias para esse dia e os filhos ausentes, chegam a percorrer milhares de quilómetros para não faltarem à festa, para se divertirem, mas também para reverem velhos amigos, amores e familiares, porque no dia da festa, estão lá todos os da terra. É essa festa que falta a Chaves, ou melhor, essa festa de Verão, pois de inverno, temos nós uma boa, que poderia ser muito melhor, é certo, mas é boa.

 

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Voltemos então à Nossa Senhora das Graças que tem o espírito religioso que falta ao 8 de Julho e que até, consegue trazer a Chaves todas as freguesias e os seus padroeiros e as suas gentes que não deixam que a santa(o) desça sozinho à cidade. Também tem as bandas de música, sem as quais não há festa e, até o clero, faz o esforço de se juntar e desfilar em procissão. Em suma, os ingredientes para uma grande festa estão lançados, mas falta tudo o resto – os foguetes, os arraial até às tantas da madrugada, as barracas, os divertimentos para os putos, as tascas e tasquinhas… mas sobretudo, falta-lhe a tradição e trazer a Chaves os flavienses. Em suma, para ser festa, falta-lhe o lado pagão e profano, o do divertimento. Assim, tal como é, é apenas uma cerimónia religiosa, de sofrimento até, daquele com o qual temos que sofrer para atingir o céu, e para sofrimento, nos tempos que correm, penso que já nos basta aturar a crise e os senhores de Lisboa que tudo nos roubam e nos desprezam constantemente.

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Conclusão das conclusões: A Nossa Senhora das Graças poderia muito bem ser a festa de Verão que Chaves não tem. Tem os ingredientes, agora falta fazer a festa.

 

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