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CHAVES

Olhares sobre o "Reino Maravilhoso"

02
Nov20

O Barroso aqui tão perto - Carvalhelhos

Aldeias do Barroso - Concelho de Boticas

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Carvalhelhos

 

O nosso destino de hoje no Barroso aqui tão perto, é a aldeia de Carvalhelhos, freguesia de Bessa, concelho de Boticas. E quem é que não conhece Carvalhelhos!? Pois se nos referirmos à água de Carvalhelhos, penso que é conhecida em todo o nosso Portugal mas também no estrangeiro e suponho que pelas suas características, haja muito boa gente a bebê-la, a a utilizá-la em tratamentos nas suas termas, sem qualquer dúvida que água de Carvalhelhos é uma boa embaixadora do Barroso.

 

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Mas Carvalhelhos vai para além da água, pois para além de também ser uma aldeia atual do concelho de Boticas, o lugar já era povoado na idade do ferro, tal como o testemunha o castro aí existente.

 

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Se às vezes na abordagem destas localidades do Barroso não sabemos como começar, principalmente por falta de informação, deixando aqui só as nossas impressões pessoais, hoje não sabemos por onde começar com tanta informação disponível para gerir e selecionar, mas para resumir, vamos dividir este post em quatro capítulos. Deveríamos seguir a ordem cronológica e começar pelo castro também conhecido como castelo dos mouros, mas vamos, antes, abordar a atual aldeia, depois passaremos para o castro, depois passaremos a Miguel Torga e aos registos nos seus diários sobre Carvalhelhos e por último abordaremos a água, as termas e o seu parque.

 

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A aldeia, sua localização e itinerário

Dizem que a qualidade da água não terá sido alheia a razão da localização do castro existente. Pois a atual aldeia também pela certa que sofreu da mesma influência, mais recente, sem dúvida, mas que também deixa marcas na atual aldeia, talvez não só por isso, mas que faz a aldeia ter características próprias, numa mistura notória da aldeia tradicional barrosã com construções mais recentes.

 

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Quanto à sua localização, situa-se na margem direita do Rio Bessa, mesmo em frente à aldeia de Bessa, na margem direita do mesmo rio. Fica a 30 km do nosso ponto de partida, a cidade de Chaves, a pouco mais de 6km da vila de Boticas e a apenas 1km da R311, a estrada que tanto utilizamos nos nossos itinerários do concelho de Boticas e que hoje tomaremos novamente a partir de Boticas, passando pela Carreira da Lebre e a cerca de 700m desta, logo após de atravessarmos a ponte sobre o Rio Bessa, temos o desvio para Carvalhelhos. Fica o nosso mapa de seguida. O Ponto de partida, como sempre é Chaves, com saída pela EN103 (Estrada de Braga) até Sapiãos, depois Boticas, etc.

 

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Os destaques para a aldeia vão para as vistas que desde ela se lançam para o vale do Rio Bessa e mais além, para o conjunto do casario da aldeia onde não faltam os tradicionais canastros (espigueiros se preferirem) alguns ainda totalmente em madeira e um tanque, com bebedouro e umas alminhas cobertas com uma espécie de cruzeiro e mais elementos no seu interior. Ainda um cruzeiro no largo, com uma base antiga, mas o restante (parece) de construção recente, e claro o Castro e as Termas e respetivo parque.

 

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Na monografia de Boticas apontam-se ainda mais alguns pontos de interesse, mas como sempre fica o aviso de que os dados já são de 2006 e alguns desses pontos de interesse poderão já não existir. Mas lá consta ainda:

 

- A festa de Sta. Bárbara, Último Domingo de Agosto;

- Mina do Alto do Coto / Coto de Carvalhelhos;

- Capela de Santa Bárbara;

- Cruzeiro e alminhas de Nossa Senhora da Conceição;

- Forno Comunitário;

- O Castro;

- As Termas;

- A estalagem;

- Cozinha da Eugénia;

- Taberna do Tio João.

 

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O Castro de Carvalhelhos/Castelo dos Mouros

 

De entre a documentação disponível, optamos por trazer aqui aquela que é oficial e está nas páginas oficiais dos monumentos.pt e do património cultural, iniciando pela dos monumentos.pt:

 

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Descrição

Povoado fortificado proto-histórico e romanizado, circundado por duas linhas de muralha, apresentando, na vertente E., uma linha de defesa exterior. As muralhas chegam a atingir c. de 3,5 m de espessura, conservam rampas interiores de acesso a estas, com uma largura de c. de 0,5 m, correspondendo a um alargamento da muralha nos pontos em que estas se inserem. O sistema defensivo está complementado por dois fossos escavados no afloramento de O. a E., embora a O., na zona de mais fácil acesso e onde se localiza a entrada principal do povoado, se tenha acrescentado um terceiro fosso, chegando estes a atingir c. de 7 m de profundidade. Registe-se também uma área com pedras fincadas de NO a O. As cristas superiores dos taludes que intermeiam os fossos apresentam igualmente pedras fincadas. A entrada no povoado faz-se por uma porta estreita, virada a O., que continua por uma passagem angular, igualmente de reduzida largura, para o acesso à plataforma superior, havendo também uma outra entrada na muralha exterior, virada a NE, sobre a ribeira do Castro. Nas plataformas interiores às muralhas encontram-se construções habitacionais de planta circular e rectangular, aparentemente organizado em bairros, em núcleos familiares, apresentando alguns pátio lajeado. Numa das construções foi detectada uma lareira com lastro em lajes e um trasfogueiro como anteparo.

 

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Observações

A reconstituição das estruturas está assinalada com uma camada de cimento. O seu espólio é constituído por fragmentos de cerâmica comum da Idade do Ferro, cerâmica comum romana, cerâmica romana de importação, vidro, cossoiros, tegula, imbrex, cossoiros, mós manuárias rotativas, abundantes elementos numismáticos, artefactos metálicos (armas, ferramentas artesanais), fíbulas, objectos metálicos de adorno, contas de colar de pasta vítrea, escória e 200 kg de cassiterite. O espólio está depositado no Museu da Região Flaviense, em Chaves, e no Museu do Instituto de Antopologia da Faculdade de Ciências do Porto. Em alguns pontos das vertentes do outeiro foram exploradas pedreiras. Tendo as estruturas visíveis sido objecto de restauro.  Embora em algumas zonas as pedras fincadas estejam derrubadas

 

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Passemos agora ao que nos diz a página oficial do património cultural:

 

Nota Histórico-Artístico

Classificado em 1951 como "Imóvel de Interesse Público", o "Castro de Carvalhelhos" (ou "Castelo dos Mouros", como também é conhecido), ergue-se no topo de um esporão sobranceiro ao vale da ribeira das Lameiras, subsidiária do rio Beça, nas imediações das conhecidas termas de Carvalhelhos.

 

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Construído durante a Idade do Ferro, o povoado dispunha de um complexo sistema de fortificação constituído por três cintas de muralha com paramento duplo revestido com blocos graníticos no exterior e de xisto no interior, completada por três fossos profundamente escavados no afloramento granítico precedido de um campo de pedras fincadas. E enquanto coordenador das campanhas arqueológicas, José Rodrigues dos Santos Júnior decidiu, em 1957, reutilizar o material pétreo derrubado na base do muralhado para reconstruir uma extensão de cerca de cinquenta metros da cinta da muralha interior.

 

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É esta primeira linha de muralha que delimita toda a área interna, de forma sub-circular, onde foi escavado um conjunto de estruturas habitacionais de planta predominantemente circular e rectangular. As campanhas arqueológicas conduzidas ao longo de trinta anos permitiram recolher um vasto espólio, do qual, para além de fragmentos de cerâmica comum da Idade do Ferro, se encontrou um depósito com duzentos quilos de cassirite, fíbulas, pontas de lança em ferro e uma quantidade expressiva de escória, a testemunharam, no seu conjunto, a actividade metalúrgica que teria lugar no interior do próprio povoado. [AMartins]

 

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Miguel Torga

 

Entalamos aqui Miguel Torga entre o castro e a água e termas precisamente porque foram estes que levaram Torga até Carvalhelhos, amante que ele era de beber água de todas as fontes, além de às vezes com elas se tratar, e amante da história mais antiga dos lugares de Portugal, do mesmo Torga que fez destas terras o “Reino Maravilhoso” , dedicando a Carvalhelhos 7 dias do seu diário.

 

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Carvalhelhos, Barroso, 17 de Junho de 1956

 

A doença tem-me dado muitas horas amargas, mas devo-lhe também uma intimidade com a pátria de que poucos portugueses se podem gabar. Obrigado a procurar a esperança em cada fonte, passo a vida de terra em terra, com as tripas na mão. E até a este Barroso vim parar! O problema, agora, é estar à altura das alturas onde me encontro. O escrúpulo dos tempos em que comungava, tenho-o presentemente quando me aproximo do povo. Estarei puro para lhe ouvir a voz?

Miguel Torga, in Diário VIII

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Carvalhelhos, Barroso, 21 de Junho de 1956

 

PASTOREIO

 

Uma cabra montesa no pascigo;

Fiel ao seu balido,

Um fauno apaixonado;

Entre os dois, um açude adormecido,

Imagem do instinto represado.

 

Corcunda como a vida,

Uma ponte arqueada de suspiros

A ligar as arribas do desejo;

E um guarda as passadiço, uma presença humana,

- O pastor, a moral quotidiana…

 

Miguel Torga, in Diário VIII

 

 

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Carvalhelhos, Barroso, 18 de Junho de 1956

 

Tarde de pesca, mas só a ver. Não sou homem de anzóis. Seja qual for o sonho que me apeteça prender, luto com eles de caras, sem isca. Entro nos matagais aos tiros, a avisar as perdizes que lá vai metralha. Agora que deve ser cómodo atirar um engodo fingindo à realidade e puxá-la depois até nós com a manivela da astúcia, deve. Enche-se o cabaz, e volta-se para casa fresco como uma alface, mesmo que se tenha chafurdado o dia inteiro – ou a vida inteira…- num baixio de águas turvas…

 

Miguel Torga, in Diário VIII

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Carvalhelhos, Barroso, 23 de Junho de 1956

 

Confesso a minha pena: tenho medo de trovoadas. Quando o rosto da natureza se começa a congestionar, começo eu a empalidecer. É que não tenho defesa. Contra o ódio dos homens, nunca o instinto se sente inteiramente desamparado: há sempre outros homens, limpos de alma, capazes de nos acudir. Mas diante da violência obtusa e cega dos elementos, parece que o mundo se despovoa, esvazia, e tudo à nossa volta se rende, abdica e acobarda. No auge da aflição – e isso aconteceu-me há pouco, no alto da serra -, chega-se a gente a um castanheiro, vegetalmente hercúleo e oficialmente acéfalo, e o desgraçado treme como nós!

Miguel Torga, in Diário VIII

 

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Carvalhelhos, 24 de Junho de 1956

 

Conhece-nos,  o sexo fraco! E tanto monta que a psicóloga seja uma requintada Madame de La Fayette, como qualquer parola de Trás-os-Montes. Esta tarde, em Vilar, povoação serrana que visitei para ver uma tábua bem bonita, porque só me apareciam velhas à porta das casas, meti conversa com uma, a tirar nabos da púcara.

- Quantas viúvas há cá na terra?

- Quarenta e duas.

- E viúvos

- Três.

Espantado com semelhante desproporção, perguntei-lhe a causa.

- É que os homens são mais aflitos…

Miguel Torga, in Diário VIII

 

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Carvalhelhos, 25 de Junho de 1956

 

Olho a serra. E diante desta natureza sem disfarces, aberta para todos os horizontes, sinto como que uma centrifugação do espírito. Ando, e parece que voo; tento localizar-me, e perco-me na indeterminação. Uma espécie de nomadismo da alma descentra-me e liberta-me das amarras mesquinhas da vida compartimentada. E compreendo de repente a força universal que impregna os gestos e as palavras destes barrosões, puros na impureza, que lavam as mãos no sangue dum semelhante e há mil anos que descobriram o cepticismo moderno. Homens para quem o absoluto é o relativo clarificado, e que por isso entregam desta maneira a filha ao namorado que lhe pede casamento:

 

Pastora é,

Gado guardou;

Sebes saltou;

Se alguma se picou,

Tal como está

Assim vo.la dou…

 

Miguel Torga, in Diário VIII

 

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Carvalhelhos, 3 de Setembro de 1989

 

Horas e horas de correria por este Barroso a cabo, num Domingo de romarias, na mira de assistir a mais uma vez uma chega de toiros. Mas não fui feliz. Em todas as aldeias visitadas, o grande acontecimento tinha já acontecido. Restavam dele apenas o doce sabor do triunfo ou o amargo da derrota. Na pega ribatejana, outra expressão da nossa virilidade e vitalidade, é o pegador que está em causa ao saltar para dentro da arena. Aqui, é a povoação inteira que se revê na luta entre o boi e o boi rival. E o desfecho do combate diz respeito a todos. Por isso, se vence, o deus testicular é festejado até ao delírio, se fraqueja e se rende, é amaldiçoado até às lágrimas.

Celebração colectiva, a turra é a mais sagrada cerimónia que se pode presenciar nestas paragens, onde cada acto tem a profundidade dos tempos primordiais e não há divindade sem terra nos pés. E eu sou uma natureza religiosa, sedenta de transcendente, que aprendeu nas grutas de Altamira que ele pode ter a figuração de um bisonte e é sempre uma resposta luminosa a perguntas obscuras do instinto.

 

Miguel Torga, In Diário XV

 

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A Água e Termas de Carvalhelhos

 

Também aqui vamos lançar mão da documentação disponível em duas páginas da internet, uma as Termas de Portugal e outra a da empresa das águas de Carvalhelhos que também gere as termas. Iniciemos pelo que nos diz a página das Termas de Portugal. As imagens são do parque das Termas e Estalagem e algumas antigas:

 

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TERMAS DE CARVALHELHOS

Situadas a 800m de altitude, no sopé de um castro pré-romano e envoltas pelo frondoso parque das serras do Barroso, as Termas de Carvalhelhos (ditas santas devido ao ser poder curativo) providenciam um descanso revitalizador.

 

As águas de mineralização mediana são indicadas para repor o equilíbrio natural do organismo e são particularmente aconselhadas para doenças de pele e patologias dermatológicas, afecções do aparelho digestivo e do aparelho circulatório.

 

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Características da água

Mineralização Total: Fracamente mineralizada.

Composição Iónica: Bicarbonatada sódica.

Temperatura: 20ºC

pH: 8

 

Época Termal

De 15 de julhos a 15 de setembro

 

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Da empresa das águas de Carvalhelhos, retirámos o seguinte:

 

Agua de Carvalhelhos

 

Aqui brotam aquelas que começaram por ser conhecidas as Águas das Caldas Santas, em prol do seu virtuoso efeito terapêutico, que diz a lenda, terá sido descoberto por uma pastora que nelas lavou seus pés em chagas e ficou curada. Esta pastora, a “Barrosinha”, ficou para sempre ligada à imagem da marca e faz parte do logotipo da empresa.

 

Passados 100 anos, as suas características mantêm-se inalteradas, demonstrando assim a qualidade e a nobreza dos seus aquíferos. Vários ensaios efetuados, permitem estimar em dezenas de anos o tempo que decorre entre a infiltração da água no solo e a sua emergência à superfície.

 

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1915 - 1948

As origens das águas de Carvalhelhos

Das águas santas de Carvalhelhos diz-se que foram descobertas em 1915, por uma pastora que nelas lavou os pés em chaga e ficou curada. Ganharam fama com um fotógrafo do Porto que chegou à região e documentou a sua própria recuperação. Nessa época, o engarrafamento era feito à mão e a água minero-medicinal era vendida em farmácias.

 

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1961

Do engarrafamento manual até à produção em série

Em 1961 é instalada uma linha de enchimento automática, considerada a mais moderna do país, com uma capacidade produtiva de 6.000 garrafas por hora. Devido à crescente procura desta água no mercado, várias linhas de enchimento foram instaladas, satisfazendo as necessidades de produção e garantindo a qualidade intocável do produto.

 

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1975 - 1982

Novo Complexo Industrial

Em 1975 é dado um grande salto qualitativo em termos de instalações industriais, tendo sido construído um complexo industrial, com uma área coberta de aproximadamente 15.000 m², que ainda hoje é uma referência no setor. Nos 7 anos seguintes, a capacidade produtiva da empresa evoluiu significativamente para 33.000 garrafas/hora, e mais tarde para as 40.000 garrafas/hora.

 

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1989 - 1995

O surgimento do plástico e as renovadas linhas de Vidro

Em 1989, depois de várias experiências com diferentes soluções, a empresa foi pioneira a introduzir em Portugal as embalagens de plástico em PET, de elevada qualidade, à qual o mercado só aderiu dez anos mais tarde.

 

Em 1995, no âmbito de uma estratégia orientada para o meio ambiente, a empresa renova as suas linhas de vidro, instalando uma nova linha de alta cadência e elevada performance, substituindo simultaneamente todo o seu parque de vasilhame.

 

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2000

A qualidade Carvalhelhos

Em 2000, a empresa implementa o sistema de gestão da qualidade, certificado pela APCER, ao abrigo das normas ISO 9002, tendo sido adaptado à norma ISO 9001 em 2003 e posteriormente atualizado às diversas revisões desta norma internacional.

 

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2002

Comercialização direta em Lisboa

Em 2002 inicializou-se a comercialização dos produtos Carvalhelhos de forma direta em Lisboa, com staff próprio de armazém e de vendedores.

 

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2004

As novas tendências do mercado

Em 2004, a empresa desenvolve um conjunto de produtos inovadores, seguindo as tendências de mercado da época, surge a Carvalhelhos Limão. Estes produtos foram sendo ajustados às expectativas dos consumidores.

 

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2011

Evolução Tecnológica

Em 2011 houve uma nova evolução tecnológica implementando um ERP na gama PHC Enterprise para substituição da plataforma tecnológica existente, com arquitetura e génese de 1989;

 

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2015

100 Anos Carvalhelhos

2015 é o ano de centenário e da nova identidade corporativa da Carvalhelhos – novo logo, logo dos 100 anos e nova imagem dos rótulos.

 

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As nascentes

A Água de Carvalhelhos brota naturalmente na serra do Barroso, na localidade de Carvalhelhos, no Norte de Portugal, na montanha, em meio ambiente preservado. Foi neste local que em meados do Sec. XIX, foram descobertas umas águas com propriedades medicinais. A existência das suas fontes, batizadas de Lucy e Stella, em homenagem às filhas do fundador da empresa, são conhecidas há mais de 150 anos.

 

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Admite-se hoje que as termas das Caldas Santas de Carvalhelhos já fossem conhecidas antes dos romanos, como o comprovou a descoberta, nos anos 50, do Castro de Carvalhelhos ou “Castelo os Mouros”, como também é designado, pelas escavações realizadas por Santos Júnior e pela sua equipa.

 

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A captação da nossa água ocorre nessas duas nascentes tradicionais de água mineral, a 750-800 metros de altitude, mas também em um poço vertical de água mineral, muito acima do nível médio do mar.

 

Principais Características do nosso Aquífero:

 

Composição Geológica: granitos e xistos;

Tipo de Aquífero: fraturado, composto por “blocos” e “fraturas”;

Fluxo de Águas Subterrâneas: profundidade em rochas graníticas fraturadas, provavelmente, também em xistos;

Parâmetros hidráulicos: transmissividade na faixa de 70-100 metros2/dia e permeabilidade média na faixa de 60-70 metros/dia;

Proteção do recurso água: totalmente assegurada por três razões principais: excelentes condições ambientais verificadas em áreas de recarga, circulação e descarga; a companhia é o proprietário dos terrenos envolvidos com as áreas de descarga; não há fontes de contaminação na área, incluindo corpos d’água superficiais.

 

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E chegamos a fim deste post, apenas nos falta deixar por aqui o vídeo com todas as imagens de Carvalhelhos publicadas até hoje no Blog Chaves.

Aqui fica o vídeo, espero que gostem:

 

 

Agora também pode ver este e outros vídeos no nosso MEO KANAL nº 895 607

 

Bibliografia:

CÂMARA MUNICIPAL DE BOTICAS, Preservação dos Hábitos Comunitários nas Aldeias do Concelho de Boticas - Câmara Municipal de Boticas, Boticas, 2006

 

Webgrafia:

http://www.monumentos.gov.pt/site/app_pagesuser/sipa.aspx?id=5987

http://www.patrimoniocultural.gov.pt/pt/patrimonio/patrimonio-imovel/pesquisa-do-patrimonio/classificado-ou-em-vias-de-classificacao/geral/view/73697

https://termasdeportugal.pt/rede-termas/santas-de-carvalhelhos

https://carvalhelhos.pt/

http://www.cm-boticas.pt/

 

 

23
Mar16

Chá de Urze com Flores de Torga - 123

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Carvalhelhos, 24 de Junho de 1956

 

Conhece-nos,  o sexo fraco! E tanto monta que a psicóloga seja uma requintada Madame de La Fayette, como qualquer parola de Trás-os-Montes. Esta tarde, em Vilar, povoação serrana que visitei para ver uma tábua bem bonita, porque só me apareciam velhas à porta das casas, meti conversa com uma, a tirar nabos da púcara.

- Quantas viúvas há cá na terra?

- Quarenta e duas.

- E viúvos

- Três.

Espantado com semelhante desproporção, perguntei-lhe a causa.

- É que os homens são mais aflitos…

Miguel Torga, in Diário VIII

 

 

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Carvalhelhos, 25 de Junho de 1956

 

Olho a serra. E diante desta natureza sem disfarces, aberta para todos os horizontes, sinto como que uma centrifugação do espírito. Ando, e parece que voo; tento localizar-me, e perco-me na indeterminação. Uma espécie de nomadismo da alma descentra-me e liberta-me das amarras mesquinhas da vida compartimentada. E compreendo de repente a força universal que impregna os gestos e as palavras destes barrosões, puros na impureza, que lavam as mãos no sangue dum semelhante e há mil anos que descobriram o cepticismo moderno. Homens para quem o absoluto é o relativo clarificado, e que por isso entregam desta maneira a filha ao namorado que lhe pede casamento:

Pastora é,

Gado guardou;

Sebes saltou;

Se alguma se picou,

Tal como está

Assim vo.la dou…

Miguel Torga, in Diário VIII

 

 

16
Mar16

Chá de Urze com Flores de Torga - 122

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Carvalhelhos, Barroso, 18 de Junho de 1956

 

Tarde de pesca, mas só a ver. Não sou homem de anzóis. Seja qual for o sonho que me apeteça prender, luto com eles de caras, sem isca. Entro nos matagais aos tiros, a avisar as perdizes que lá vai metralha. Agora que deve ser cómodo atirar um engodo fingindo à realidade e puxá-la depois até nós com a manivela da astúcia, deve. Enche-se o cabaz, e volta-se para casa fresco como uma alface, mesmo que se tenha chafurdado o dia inteiro – ou a vida inteira…- num baixio de águas turvas…

 

Miguel Torga, in Diário VIII

 

 

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Carvalhelhos, Barroso, 21 de Junho de 1956

 

PASTOREIO

 

Uma cabra montesa no pascigo;

Fiel ao seu balido,

Um fauno apaixonado;

Entre os dois, um açude adormecido,

Imagem do instinto represado.

 

Corcunda como a vida,

Uma ponte arqueada de suspiros

A ligar as arribas do desejo;

E um guarda ao passadiço, uma presença humana,

- O pastor, a moral quotidiana…

 

Miguel Torga, in Diário VIII

 

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Carvalhelhos, Barroso, 23 de Junho de 1956

 

Confesso a minha pena: tenho medo de trovoadas. Quando o rosto da natureza se começa a congestionar, começo eu a empalidecer. É que não tenho defesa. Contra o ódio dos homens, nunca o instinto se sente inteiramente desamparado: há sempre outros homens, limpos de alma, capazes de nos acudir. Mas diante da violência obtusa e cega dos elementos, parece que o mundo se despovoa, esvazia, e tudo à nossa volta se rende, abdica e acobarda. No auge da aflição – e isso aconteceu-me há pouco, no alto da serra -, chega-se a gente a um castanheiro, vegetalmente hercúleo e oficialmente acéfalo, e o desgraçado treme como nós!

 

Miguel Torga, in Diário VIII

 

 

09
Mar16

Chá de Urze com Flores de Torga - 121

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Negrões, Barroso, 28 de Maio de 1955

 

Por mais que tente, não consigo reduzir estas vidas de planalto a uma escala de valores comuns. Foge-me das duas mãos não sei que força incomensurável que, exactamente por ser assim, se alcandora nos olimpos possíveis do mundo. Nada existe aqui de notável a testemunhar uma actividade humana superior ou singular. Seres esquemáticos , num ambiente esquematizado. E, contudo, cada indivíduo parece trazer à sua volta um halo de intangibilidade divina.

 

Talvez seja a própria pobreza do meio que, despindo-os de todo o acessório, lhe evidencie a essência. E a nossa perturbação diante deles seria a perplexidade de pobres Adões cobertos de folhas diante de irmãos que permanecem nus.

Miguel Torga, in Diário VII

 

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Gerês, 12 de Agosto de 1955

 

Serra. Sempre que me encontro aqui, quando chego a este dia, perco-me pelas fragas. Vou fazer anos à Calcedónia, ao Cabril ou à Borrajeira – aos picos mais altos da Montanha. Que ao menos o espírito, que vai morrendo no corpo, tenha assim um vislumbre de ressurreição.

Miguel Torga, in Diário VII

 

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 Carvalhelhos

 

Carvalhelhos, Barroso, 17 de Junho de 1956

 

A doença tem-me dado muitas horas amargas, mas devo-lhe também uma intimidade com a pátria de que poucos portugueses se podem gabar. Obrigado a procurar a esperança em cada fonte, passo a vida de terra em terra, com as tripas na mão. E até a este Barroso vim parar! O problema, agora, é estar à altura das alturas onde me encontro. O escrúpulo dos tempos em que comungava, tenho-o presentemente quando me aproximo do povo. Estarei puro para lhe ouvir a voz?

 

Miguel Torga, in Diário VIII

 

 

07
Mai14

Chá de Urze com Flores de Torga - 35

 

Não era bem pelos diários de Torga que hoje queria andar, mas estas coisas das novas tecnologias e da informação digital faz com que num de repente, sem aviso prévio se fique sem nada, num vazio total. O que tinha preparado para hoje e para os próximos dias está dentro de uma caixa fechada que, mesmo que a abrisse, continuaria a ser nada. Benditos livros que a esses nunca lhes desaparecessem as palavras gravadas no papel. Assim, com a brevidade possível, vamos até duas passagens pelo Barroso (aqui ao lado) mais propriamente por Carvalhelhos, com Torga à procura do milagre das fontes.

 

 

 

Carvalhelhos, Barroso, 17 de Junho de 1956

 

A doença tem-me dado muitas horas amargas, mas devo-lhe também uma intimidade com a pátria de que poucos portugueses se podem gabar. Obrigado a procurar a esperança em cada fonte, passo a vida de terra em terra, com as tripas na mão. E até a este Barroso vim parar! O problema, agora, é estar à altura das alturas onde me encontro. O escrúpulo dos tempos em que comungava, tenho-o presentemente quando me aproximo do povo. Estarei puro para lhe ouvir a voz?

 

Miguel Torga, in Diário VIII

 

 

 

 

Carvalhelhos, Barroso, 18 de Junho de 1956

 

Tarde de pesca, mas só a ver. Não sou homem de anzóis. Seja qual for o sonho que me apeteça prender, luto com eles de caras, sem isca. Entro nos matagais aos tiros, a avisar as perdizes que lá vai metralha. Agora que deve ser cómodo atirar um engodo fingindo à realidade e puxá-la depois até nós com a manivela da astúcia, deve. Enche-se o cabaz, e volta-se para casa fresco como uma alface, mesmo que se tenha chafurdado o dia inteiro – ou a vida inteira…- num baixio de águas turvas…

 

Miguel Torga, in Diário VIII

 

 

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