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CHAVES

Olhares sobre o "Reino Maravilhoso"

25
Mai20

O Barroso aqui tão perto - Carvalho

Aldeias de Boticas


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Carvalho – Boticas

 

Nos últimos anos o destino deste blog aos domingos, tem sido as aldeias de Barroso. Já por aqui passaram todas as aldeias do Barroso de Montalegre, estamos agora no Barroso de Boticas, e hoje, toca a vez à aldeia de Carvalho.

 

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Contrariamente ao que é habitual, em que começamos o post com as nossas impressões sobre a aldeia, hoje vamos começar pela localização e o melhor itinerário para lá chegar.

 

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Estando o Barroso integrado em Trás-os-Montes, é natural que no Barroso, as suas povoações fiquem entre serras e montanhas, mas é no Barroso, pela certa que não me engano, que se concentram o maior número das mais altas serras de Portugal Continental (Larouco, Gerês, Barroso, Cabreira e Leiranco), mas além da concentração destas serras, elas estão tão próximas, que parecem de mãos dadas umas às outras.

 

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Excetuando a serra do Barroso, que está no interior de Barroso, as outras envolvem-no. Ora entre estas serras há outras pequenas elevações, planaltos e pequenas veigas, estas últimas quase sempre atravessadas por rios, ribeiros ou simples linhas de água que se multiplicam em tempos de chuva ou com o descongelar da neve.

 

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As aldeias de Barroso, em geral, encontram-se nos planaltos, principalmente no Alto-Barroso ou então nas faldas das serras e das pequenas elevações, neste caso, quase sempre junto a uma pequena veiga, na proximidade de um rio, ribeiro ou linha de água. Digamos que é um povoamento natural, deixando os terrenos férteis das veigas para a agricultura, em geral onde há sempre abundância de água, por outro lado, ficam também com a encosta das montanhas livres para se abastecerem de lenha e também da caça.

 

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Pois a aldeia de Carvalho é uma dessas aldeias, que encaixa na perfeição de ocupar as faldas da montanha a lançar vistas para a sua pequena veiga, que vai descaindo e ziguezagueando por entre pequenos montes até chegar à veiga de Carvalhelhos, para desaguar depois na grande veiga do Rio Beça (às vezes, também grafado como Bessa), entre a Carreira da Lebre e a povoação de Beça.

 

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Mas quem nos leva até às localidades/povoações, são os caminhos e estradas, e se a EN103 (Chaves/Braga) é a grande artéria que atravessa todo o Barroso, no concelho de Boticas a grande artéria é a ER311, que atravessa o concelho de Boticas a meio e é por isso que a ER311 nos vai levar até quase todas as aldeias de Boticas. Claro que não o fará diretamente, aliás ao longo de todo o seu percurso pelo concelho de Boticas, só atravessa três localidades (Carreira da Lebre, Quintas e Pinho), mesmo em Boticas, passa ao lado, mas é ela que nos liga a todas as estradas e caminhos que nos levam às povoações.

 

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Continuando o discurso anterior, é claro que todas as regras têm exceções e a exceção para a ER311, são as ligações às aldeias entre Boticas e Chaves, via Sapiãos, pois a ER311 acaba (ou começa) já bem dentro do concelho de Chaves. Mas isto são pormenores, pois a razão de todo este discurso, é porque hoje também vamos até à aldeia de Carvalho, via ER311, embora este itinerário por nós recomendado até nem seja o mais curto, mas talvez mais fácil, e depois a diferença entre um e outro também não é muita. Pois o nosso itinerário, o que nós recomendamos, está traçado no mapa que a seguir lhe deixamos, mas se a seguir à Carreira da Lebre desviar para Carvalhelhos, também vai dar a Carvalho.

 

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Atrás ficou o itinerário em imagem, agora em palavras, só resta esclarecer que estes itinerários para o Barroso têm sempre início na cidade de Chaves, onde na maioria das vezes iremos tomar a EN103 até à aldeia de Sapiãos, depois daí até Boticas e depois, sim, é que aparece a ER311.

 

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O nosso apontamento

 

A verdade é que hoje troquei as voltas a este post porque não sabia bem como abordar esta aldeia. O facto é que se trata de uma pequena aldeia, que outrora teria sido bem mais pequena, limitada ao núcleo mais antigo, que ainda hoje é notório.

 

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Nota-se também, que esta aldeia em certa altura teve um crescimento para fora do núcleo, mas também é notório que esse crescimento não aconteceu aquando o das outras aldeias, parece-me ser bem anterior. Afirmo tudo isto pelo casario que por lá existe, onde no núcleo antigo ainda existe algum casario das aldeias do Barroso, construções centenárias, mas com estas e fora do núcleo aparecem outras construções, que embora antigas, já são mais cuidadas como habitações bem como nos materiais utilizado, embora de pedra, mas já com utilização de uma pedra trabalhada em perpianho, ou mesmo já sem pedra, principalmente no 2º piso, onde já entram parede rebocadas. Eu diria que são construções que ainda não são centenárias, mas andarão próximas disso. Mas isto é apenas uma opinião.

 

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Os armazéns antigos, parecem demonstrar que uma ligação forte à agricultura, o que é normal, pois as terras que vimos por lá parecem ser férteis, onde se cultiva de tudo, ainda hoje assim acontece.

 

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Também não deixámos de observar a toponímia das ruas, que na aldeia costuma ser curiosa, ou ser aquilo que é, como a Travessa da Eira se a travessa vai dar à eira, ou Rua Central se a rua é central, mas foi a primeira aldeia onde vi um Beco de Camões. Curiosidades.

 

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Quando fizemos o levantamento fotográfico desta aldeia no dia 16 de julho de 2018, chegámos lá às 8H16, pelo menos é a hora que tenho nos meus apontamentos, onde registei apenas três, a da hora, uma outra que diz “está tudo a dormir, até os cães” e uma última que diz “três mulheres a trabalhar”. Recordo que na altura referi que se calha os homens estiveram a ver e festeja a vitória da França no dia anterior, em que se tinha jogado a final do mundial 2018. Mas não, as mulheres de Barroso sempre trabalharam a terra e sempre arregaçaram as mangas para às lides do campo. Apenas mais uma curiosidade.

 

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Passemos agora aos documentos disponíveis, começando pela “Toponímia de Barroso”

 

Carvalho

 

Não duvido que os romanos lhe chamassem quercus mas de quercus não há leis fonéticas que nos levem a carvalho… Não há! É de tal forma abundante que era obrigatório estar bem e muito representado na toponímia em derivados e afins. A partir da mais antiga referência conhecida:

-985 «carbalio furato» D.D 148 talvez se possa apresentar uma proposta etimológica apresar de grande parte dos filósofos optarem pela origem pré-romana ou obscura.

Penso que carbalio será a raiz carb (que leva também a carvão) e o sufixo aculu = carb+aculu > carbaculu>carbaclu<carbaglo>carbalho e b>v para os que mal aprendem a nossa língua.

Dizia eu que de quercus não íamos ter a carvalho; não obstante, vamos ter a muitos topónimos com semelhantes campos semânticos, como sejam: Cerdeira, Cerdal, Cerzeira, Cerzedo, Cerzedelo, Cercozo, Cercal, Cercosa, Cercada, Cerquedo, Cerquido, Cerqueira, Cerquinho, etc. que vem tudo de carvalho e afins.

 

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Por sua vez, um blog especializado na toponímia galego-portuguesa e brasileira diz o seguinte:

 

Em Toponomástica, "Carvalho" provém da raiz kar-, que para Rostaing (1965) é de origem pré-indo-europeia e significa "rochedo". há topónimos em "Car-" por esta Europa fora que, de facto, se referem a "pedras". é o caso de Carrara (It.), a terra do mármore. este "Car-", ou "Car-b-", está também na origem de topónimos em "Cabr...".

Mas Amaral e Amaral (2000) acham que cara- deriva do antigo europeu e significa "alto", dizendo, por outro lado, que karregg- é celta e significa "pedra".

A verdade é que o topónimo "Carvalho" ou "Carbalho" já se escreveu Carbalio, Karualio, Karuallo ou Carualio.

E também é verdade que os "Carvalhos" que eu conheço se colocam, em geral, em ponto alto e dão nome a um ou outro pino pedregoso de importância menor. são parentes do "Caramulo" e da "Carapinha".

 

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Na “Preservação dos Hábitos Comunitários nas Aldeias do Concelho de Boticas” encontrámos o seguinte:

 

Uma referência ao dia da festa em honra de S. Mateus

Mateus,* 21 de Setembro, Carvalho

 

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E uma outra referência, quanto à água do ribeiro que passa em Carvalho que vai servir de regadio as aldeias de Beça e Carvalhelhos. Curioso que no início deste post eu referia que o vale de Carvalho, ia por aí abaixo até à veiga do rio Beça, ainda sem saber que a água do seu ribeiro também e iria servir de rega duas povoações.

 

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Geralmente, cada uma das aldeias dispõe, no seu termo territorial, de nascentes, regatos ou ribeiros, donde provém a água para rega. Todavia, existem situações em que diferentes aldeias têm que partilhar a utilização da água. A partilha de água entre aldeias, geralmente conflituosa, levou à criação de regras de utilização bem definidas, nem sempre respeitadas pelos seus habitantes, ou à posse dessa água por apenas uma das aldeias. Existem no concelho três aldeias em que parte da água, que utilizam para rega, é proveniente de outra aldeia: em Antigo (Dornelas) regam com água de Gestosa (Dornelas), em Carvalhelhos (Beça), regam com água de um ribeiro de Carvalho  (Vilar), e em Lavradas (Beça) regam com água de Lamachã (Negrões - Concelho de Montalegre). Cada uma destas aldeias tem direito a essa água por um determinado período, durante o qual os da outra aldeia não podem tornar a água. Esta regra nem sempre é respeitada, acontecendo por vezes as pessoas andarem a regar e a água faltar, porque alguém da outra aldeia a tornou. Estas situações, além dos conflitos que geram entre os intervenientes, acarretam inúmeras canseiras, pois quem quer regar tem que ir buscar a água à outra aldeia e guardá-la para que não lha voltem a tornar.

 

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E para finalizar fica o habitual vídeo com um resumo de todas as fotografias aqui publicadas, mas o vídeo de hoje, tem mais algumas fotos, numa pequena animação fotográfica incluída no vídeo. Aqui fica e espero que gostem.

 

 

 

 

BIBLIOGRAFIA

BAPTISTA, José Dias, (2014), Toponímia de Barroso. Montalegre: Ecomuseu – Associação de Barroso.

CÂMARA MUNICIPAL DE BOTICAS, Preservação dos Hábitos Comunitários nas Aldeias do Concelho de Boticas - Câmara Municipal de Boticas, Boticas, 2006

 

WEBGRAFIA

http://www.cm-boticas.pt/

https://toponimialusitana.blogspot.com/search?q=carvalho

 

 

07
Jan18

O Barroso aqui tão perto - Carvalho


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Como sempre por aqui, aos domingos, vamos até ao Barroso que está aqui tão perto. Claro que esta ida ao Barroso, aqui no blog, fica-se pelas imagens e algumas palavras que podemos dizer sobre os sítios e localidades que visitámos, não é uma ida real, mas, se como eu conseguirem entrar dentro da imagem, esta pequena viagem virtual pode-se tornar bem real e reviver de novo momentos lá passados. Claro que lhe podem faltar os aromas dos sítios, o sol a bater-nos na pinha, os sons e a aragem a passar-nos nas faces, mas, ao entrarmos na imagem acabamos por descobrir pormenores que in loco, de tão preocupados que estávamos com a composição nos passaram despercebidos, e podem crer que são pormenores preciosos.

 

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Também aqui perante as imagens, a vivência de sensações é bem diferente. Recordo que quando entrei na nossa aldeia de hoje, que dá pelo nome de Carvalho, vínhamos de visitar aldeias que nos impressionaram pela sua beleza, mas também pela receção que tivemos nelas. Refiro-me às aldeias de Reboreda, Tabuadela e Seara. As duas primeiras já passaram por aqui, Seara estará num domingo próximo.

 

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Mas ia eu dizendo que vínhamos de aldeias que nos tinham impressionaram pela positiva, quando entrámos em Carvalho o relógio marcava as 12H30, a barriguinha já pedia qualquer coisinha, mas como queríamos cumprir o itinerário previamente traçado, o almoço ficaria para depois, e para além desta aldeia, antes de almoço ainda estava prevista a aldeia seguinte, Beçós, á qual também fomos. Talvez pela hora, pelo apetite e por ainda termos mais uma aldeia na agenda, a visita a Carvalho previa ser breve, tanto mais que a entrada da aldeia não impressionou com as primeiras vistas, onde não tínhamos uma visão da totalidade da aldeia (a primeira foto com uma vista geral da aldeia só se tornou visível à vinda de Beçós).

 

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E estávamos então nós na entrada da aldeia, sem alma viva por perto, a apreciar com algum espanto a pequena, mas bonita capela. O espanto, porém, não muito, tinha a ver com a localização da capela, implantada no meio da rua, que neste caso até é estrada de acesso a mais uma aldeia. Uma curiosidade engraçada que faz a diferença e torna estas aldeias singulares. Pela certa a sua implantação terá uma história qualquer que tornará a sua localização mais compreensível, mas isso até nem interessa, pois até passa a ser uma referência para a aldeia. E estávamos nesta de apreciação quando de uma pequena e estreita rua ao nosso lado, saía de lá a primeira das duas pessoas que vimos na aldeia. Claro que aproveitamos sempre estes momentos para uma troca de palavras, a querer saber coisas da aldeia, ainda por cima era toda uma personagem, de bigode farfalhudo, chapéu de rede na cabeça que o intenso sol recomendava, casaco e colete, camisa aberta e barba de três dias, parecia uma personagem vestida para um filme de época.

 

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Conversámos um bocadinho, e embora simpático, foi-nos dizendo que estava com alguma pressa, tinha consulta marcada no médico em Salto, sede de freguesia, e ainda tinha uma caminhada para fazer. Mas mesmo assim ainda nos deu uns minutos, deu para saber que na aldeia ainda havia 19 pessoas, segundo as suas contas de cabeça feitas ali na hora, e houve tempo ainda para posar para a fotografia. Pena a pressa, pois pela certa tinha estórias interessantes para contar. Mas lá foi, estrada acima em direção a Salto.

 

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Ontem, que já tinha as imagens selecionadas e tratadas, ao ver as notícias na televisão com os protestos em Lisboa por causa do fecho de uma estação ou posto dos CTT lá numa rua qualquer, as pessoas protestavam e lamentavam-se por esse encerramento. Uma das pessoas entrevistadas, lamentava porque com esse fecho, o posto mais próximo ficava a 3 quilómetros de distância… Tal como esta, outras notícias se foram sucedendo, como a do frio extremo que nos está a invadir e a abertura dos Centros de Saúde para os engripados. Medos e lamentos dos de Lisboa que vivem numa realidade que não é a nossa e que me levou a pensar naquilo que disse na última aldeia do Barroso que passou aqui, Azevedo, e na ida deste homem ao médico de Salto, ou aliás, a tudo que lhe é necessário, só em Salto, pois estas aldeias para além dos vizinhos nada mais têm. Exceção para o pão, pois o Padaria de Pitões faz um verdadeiro serviço público a estas populações, e dizemos isto porque nos vamos cruzando com ele nas nossas andanças pelo Barroso.

 

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Só faltou dizer que Salto fica a 4,5 km da aldeia de Carvalho, bem perto por sinal para pequenas coisas, pois em caso de uma urgência médica, por exemplo, aí as coisas complicam-se. Penso que o Centro de Saúde com urgências mais próximo é Montalegre a 42 km para coisas mais ligeiras, mas o mais provável é que a coisa não seja ligeira e aí lá vai urgência para o Hospital de Chaves a 80 km, mas se a coisa é mesmo complicada, aí só em Vila Real a 150 km, e há que rezar para que não seja um ataque cardíaco… E estamos a falar da aldeia de Carvalho, pois há aldeias com acessos bem mais complicados e mais distantes. Mas estas coisas não interessam aos de Lisboa, nem às televisões, mesmo em casos de morte por andarem às voltas daqui para ali até chegarem a Vila Real passadas umas horas, isso não interessa, agora se for um aloucado que puxa da caçadeira e mata um familiar, um amigo ou vizinho, aí as televisões vêm logo como vampiros à procura de sangue.

 

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E já não quero falar dos alertas das vagas de frio e de calor, pois esses, a nós que convivemos naturalmente com temperaturas mínimas negativas durante quase todo o outono e inverno e que no verão temos semanas consecutivas com temperaturas máximas a 40º, esses alertas, fazem-nos rir. Claro que em Lisboa, a temperatura desce abaixo dos 10º e já é uma desgraça. Pois é, mas nós já estamos habituados aos 9 meses de inverno e aos 3 de inferno, e pelos vistos não temos frio nem calor, por aqui é tudo normal, qual alertas ou preocupações, qual … como diria o outro: -  siga para a aldeia de Carvalho, Sr. Ramboia!

 

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E voltamos ao Carvalho precisamente com uma imagem daquilo que o povo vai fazendo, e tendo sempre em conta o ditado popular de “mais vale prevenir do que remediar” e é assim, um pouco como a formiga, que aos poucos, durante o verão se vai prevenindo para os invernos que já sabemos serem sempre rigorosos, onde quase toda a vida diária se faz à volta da lareira.

 

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Pois a aldeia de Carvalho, tal como já dissemos, fica no Barroso verde da freguesia de Salto. Para o nosso itinerário para Salto/Carvalho, como sempre a partir de Chaves, optamos pela estrada de Braga (N103) até Sapiãos e depois viramos para Boticas e apanhamos a N311 a partir de Boticas e após 60 Km estamos em Carvalho. Este é um dos itinerários possíveis, o outro, é continuar sempre pela N103 até à Venda Nova e aí viramos para Salto. Mas recomendar, recomendo mesmo o primeiro, tem menos trânsito e vistas mais interessantes, além de serem menos quase 20 Km. Mas fica o nosso mapa para uma vista de olhos.

 

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Mas para termos uma localização mais exata, ficam as coordenadas da aldeia e outros dados.

41º 36’ 41.43” N

7º 55’ 24.36” O

Altitude, a aldeia implanta-se entre os 950 e os 1000m. Terras altas mas mesmo assim com pequenos vales entre elevações mais altas. Pequenos vales que como se pode ver em algumas fotografias estão vestidas de verde, maioritariamente das pastagens.

 

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Para sermos ainda mais precisos, basta atravessar Salto e continuar pela N311, seguindo as placas que digam Reboreda e Póvoa, nesta última aldeia (a 3 km de Salto) deixa a N331 e toma uma estrada secundária à esquerda, onde esteja indicado: Carvalho e Beçós.  Do desvio da N331 até Carvalho são menos de 3,5 km. Depois de estar em Carvalho, desfrute da aldeia e no final dê um pulinho à aldeia seguinte, Beçós, que também vale a pena passar por lá.

 

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E vamos agora àquilo que se diz desta aldeia, como por exemplo quanto ao seu topónimo, que com sempre recorremos à “Toponímia de Barroso” onde por acaso pouco ou nada consta para além da evolução da palavra do latim até aos nossos dias:

 

CARVALHO

Do latino CARBACULO > CARBAGULO > CARBAGLO > CARVALHO

 

Merecia mais qualquer coisinha, mas como na “Toponímia de Barroso” nada mais acrescenta, fomos nós à procura de mais achas para a fogueira, e encontrámos umas coisas, curiosamente num blog.

 

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Aqui fica mais qualquer coisa sobre o topónimo Carvalho:

“ Em Toponomástica, "Carvalho" provém da raiz kar-, que para Rostaing (1965) é de origem pré-indo-europeia e significa "rochedo". há topónimos em "Car-" por esta Europa fora que, de facto, se referem a "pedras". é o caso de Carrara (It.), a terra do mármore. este "Car-", ou "Car-b-", está também na origem de topónimos em "Cabr...".
Mas Amaral e Amaral (2000) acham que cara- deriva do antigo europeu e significa "alto", dizendo, por outro lado, que karregg- é celta e significa "pedra".

 

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E continua:

"A verdade é que o topónimo "Carvalho" ou "Carbalho" já se escreveu Carbalio, Karualio, Karuallo ou Carualio.
E também é verdade que os "Carvalhos" que eu conheço se colocam, em geral, em ponto alto e dão nome a um ou outro pino pedregoso de importância menor. são parentes do "Caramulo" e da "Carapinha".
Quanto ao celta karregg- , aparece em Carregal, Carregosa, Carregosela e afins, designando locais mais pedregosos do que altos."

 

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E diz mais:


"Machado (2003) aceita que "Carvalho" seja a árvore "carvalho", no que eu não creio, porque, tratando-se de uma estirpe vulgar no tempo em se dava o nome às terras, não tinha relevância que chegasse para tantos topónimos. seria como chamar "Coqueiro" a tantas outras terras no Brasil.
Mas é como a história de "Pinheiro", "Figueira", "Aboboreira", etc, de que já tratei: não dão nome às coisas, absorbem o nome de outras coisas. nem fitónimos são.
A coisa muda de figura se se tratar de mais que um carvalho. um grupo de carvalhos de bom porte já pode ser suficientemente distintivo para dar nome a uma terra. talvez "Carvalheda", que tem conotação colectiva, signifique um "bosque de carvalhos"."


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E remata assim:

"A verdadeira, velha e digna árvore carvalho é outra coisa: era a morada de Bellenos, a manifestação da divindade celta que reunia as características do Apollon dos gregos. que, para Chevalier e Gheerbrant (1969), "sintetiza em si inúmeros opostos que sabe dominar, perfazendo um ideal de sabedoria. realiza o equilíbrio e a harmonia dos desejos sem suprimir as pulsões humanas, orientando-as, antes, para uma espiritualização progressiva, graças ao desenvolvimento da consciência". esse Bellenos pode estar na origem de topónimos como "Beleño" (Esp.) , "Belém" de Lisboa e talvez "Bèlinho" ou Beliño"."

 

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No livro “Montalegre”, para além da referência de Carvalho pertencer à freguesia de Salto, há mais uma que diz (o sublinhado é nosso):

“A freguesia de Salto é, quer em área, quer em população, a maior freguesia do concelho. Como espaço habitado e evangelizado, Salto é já referido no Paroquial Suévico como uma das trinta paróquias já existentes, no último terço do século VI e pertencentes à catedral de Braga. Ao longo da sua vida teve muitos momentos de glória, daí a riquíssima história desta freguesia. Enquanto os cruzados do norte da Europa atravessavam o Atlântico e o Mediterrâneo, para combater nos lugares santos, o povo portugalense trepava descalço os caminhos das suas peregrinações que atravessavam a freguesia. De tal modo que D. Afonso Henriques autorizou e apoiou a construção da Albergaria de São Bento das Gavieiras, ao monge Benedito, em 1136.

Alguns nobres olharam com cobiça para esse território onde adquiriram casais ou mesmo povoações como Carvalho, Póvoa e Revoreda que eram do fidalgo-trovador D. João Soares Coelho e de suas irmãs.”

 

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Não resistimos e além das palavras do livro “Montalegre” roubámos também uma fotografia com o cruzeiro de Carvalho, que por acaso não o vimos na nossa visita à aldeia, mas a preciosidade desta foto até nem é o cruzeiro, pois esses vão abundando por aí, a preciosidade está em segundo plano na construção de granito ainda com a cobertura em colmo. Isto sim é uma raridade que era tão comum há umas dezenas de anos. Pena que para memória futura não se tivessem preservado algumas destas coberturas, principalmente nas aldeias mais típicas, tal como acontece (um bom exemplo) na aldeia de Paredes do Rio.

 

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E é tudo, ficamos por aqui. Pela certa mais coisas haveria para dizer sobre esta aldeia, mais não encontrámos mais nada nas nossas pesquisas e sobre a nossa breve passagem por lá, dissemos o possível.

 

Ficam as referências às nossas consultas e os links para anteriores abordagens ao Barroso.

 

Bibliografia

 

BAPTISTA, José Dias, (2006), Montalegre. Montalegre: Município de Montalegre.

BAPTISTA, José Dias, (2014), Toponímia de Barroso. Montalegre: Ecomuseu – Associação de Barroso.

 

Webgrafia

 

http://toponimialusitana.blogspot.pt/2007/02/o-carvalho-um-samelo.html

 

Links para anteriores abordagens ao Barroso:

 

A

A Água - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-a-agua-1371257

Algures no Barroso: http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-1533459

Amial - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-ameal-1484516

Amiar - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-amiar-1395724

Antigo de Sarraquinhos - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-antigo-de-1581701

Arcos - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-arcos-1543113

Azevedo - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-azevedo-1621351

 

B

Bagulhão - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-bagulhao-1469670

Beçós - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-becos-1574048

Bustelo - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-bustelo-1505379

 

C

Cambezes do Rio - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-cambezes-do-1547875

Caniçó - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-canico-1586496

Carvalhais - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-carvalhais-1550943

Castanheira da Chã - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-castanheira-1526991

Cela - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-cela-1602755

Cepeda - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-cepeda-1406958

Cerdeira - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-cerdeira-1576573

Cervos - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-cervos-1473196

Contim - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-contim-1546192

Cortiço - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-1490249

Corva - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-corva-1499531

Covelães - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-covelaes-1607866

 

D

Donões - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-donoes-1446125

 

F

Fervidelas - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-fervidelas-1429294

Fiães do Rio - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-fiaes-do-1432619

Fírvidas - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-firvidas-1466833

Frades do Rio - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-frades-do-1440288

Friães - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-friaes-1594850

 

G

Gralhas - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-gralhas-1374100

Gralhós - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-gralhos-1531210

 

L

Ladrugães - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-ladrugaes-1520004

Lapela   - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-lapela-1435209

Larouco - Um olhar sobre o Larouco - http://chaves.blogs.sapo.pt/2016/06/19/

 

M

Meixedo - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-meixedo-1377262

Meixide - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-meixide-1496229

Mourilhe - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-mourilhe-1589137

 

N

Negrões - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-negroes-1511302

Nogeiró - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-nogueiro-1562925

 

O

O colorido selvagem da primavera http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-o-colorido-1390557

Olhando para e desde o Larouco - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-olhando-1426886

Ormeche - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-ormeche-1540443

 

P

Padornelos - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-padornelos-1381152

Padroso - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-padroso-1384428

Paio Afonso - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-paio-afonso-1451464

Parafita: http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-parafita-1443308

Pardieieros - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-pardieiros-1556192

Paredes de Salto - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-paredes-1448799

Paredes do Rio -   http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-paredes-do-1583901

Pedrário - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-pedrario-1398344

Peneda de Cima, do Meio e de Baixo, as Três Penedas: http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-as-tres-1591657

Penedones -  http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-penedones-1571130

Pereira - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-pereira-1579473

Pomar da Rainha - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-pomar-da-1415405

Ponteira - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-ponteira-1481696

 

R

Reboreda - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-reboreda-1566026

Roteiro para um dia de visita – 1ª paragem - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-roteiro-1104214

Roteiro para um dia de visita – 2ª paragem - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-roteiro-1104590

Roteiro para um dia de visita – 3ª paragem - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-roteiro-1105061

Roteiro para um dia de visita – 4ª paragem - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-roteiro-1105355

Roteiro para um dia de visita – 5ª paragem, ou não! - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-roteiro-1105510

 

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Senhora de Vila Abril - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-senhora-de-1553325

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Sezelhe - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-sezelhe-1514548

Solveira - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-solveira-1364977

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Tabuadela - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-tabuadela-1424376

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