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CHAVES

Olhares sobre o "Reino Maravilhoso"

07
Out18

Pergaminho dobrado em dois

pergaminho

 

Os falos têm o poder de deflagrar puritanos.

 

Na vida existe muita coisa que me incomoda, mas pelo menos três têm uma particularidade de me chatear ao ponto de me espernear no chão enquanto grito: “Foda-se a Maria Leal”. Essas três coisas são: a CMTV, sopa de canja e pessoas que se levam demasiado a sério, de uma circunspeção tal que chegam ao ponto de criar um certo tipo de rigidez nas falangetas dos seus semelhantes.

 

A primeira é muito parecida a problemas intestinais. A segunda é de facto pérfida aos meus anseios culinários na medida em que me consegue oprimir de tal maneira que dou por mim, por vezes, a saciar-me com três bolachas Maria barradas a manteiga só para não desgostar aquelas pevides manhosas. Em relação à terceira tenho muita coisa a dizer. A pletora de sentimentos que provoca é insofismável e abarca toda a paleta de emoções. Estarão vocês a pensar “o que é que está para aqui a dizer este gajo”. Calma! Já estão a fervilhar. Parecem coelhos com vontade de regabofe.

 

É o seguinte: abomino gentinha com falta de sentido de humor, mas se elas manifestassem o seu desagrado enquanto estão em casa sozinhas a espremer borbulhas e a masturbarem-se de vergonha de serem como são, isso não me incomodava. Agora quererem calar o outro só porque o menino ou a menina não aprecia. Epá, besuntem-se de esperma de escaravelho até criarem uma camuflagem perfeita e depois atirem-se ao poço da seriedade, por favor.

 

Mudando de assunto, mas continuando no mesmo, não é que a Fundação de Serralves, na famosa exposição de Robert Mapplethorpe: Pictures, decidiu retirar um conjunto de obras do artista norte-americano por esta apresentar, na sua maioria, muitos falos e coisas enfiadas, digamos, no rabo. Obviamente, e como devem prever, ninguém está preparado para ver isso. As pessoas estão tão habituadas a outros tipos de chavascal – telenovelas portuguesas e os programas nos canais generalistas de domingo à tarde.

 

Num primeiro momento, a administração da Fundação proibiu certas fotos a menores de 18 anos, reservando um espaço para os mais sensíveis. Posteriormente, permitiu-se a entrada a menores de 18 anos quando acompanhados pelos “respetivos representantes legais”. Coisa, claro, que nenhum menor está habituado a assistir ao monte. No máximo, uma turma de vinte e quatro alunos numa aula de TIC.

 

Não é tudo isto uma chafurdice de moralismo puritano? Duvido, sinceramente, que um jovem menor se surpreenda com as imagens em exposição, exprimindo: “Calma, isto não é tão diferente como o RedTube. É apenas mais requintado, mais bonito e despoleta em mim uma vontade exacerbada de prática de deboche”.

 

É chato para mim ter o conhecimento de censura neste admirável – acatem o sarcasmo – mundo moderno e democrático. Não vivi sequer nenhum dia em ditadura, e agradeço isso ao povo que mais ordena. Mas também não é agora que, vá lá, me apeteça saborear os tempos louros em que o meu pai dizia “Era à reguada, se te portasses mal” ou “Até um irmão teu podia denunciar-te”. Prezo tanto a liberdade que é intolerável sequer pensar em censura. Mesmo assim, vivemos tempos muito difíceis e é preciso o regozijo de todos para que as almas puritanas se vergam perante a sequência de tarolos disformes da obra de Robert Mappletorpe.  

 

Herman JC

 

 

 

30
Jun17

Mais uma de Nadir Afonso

1600-macna (1222)

 

Depois da grande exposição que esteve patente ao público desde a inauguração do MACNA - Museu de Arte Contemporânea Nadir Afonso, que ocorreu em julho do passado ano, depois de o MACNA ter aberto as portas a uma exposição itinerante da Fundação de Serralves é tempo de Nadir Afonso ocupar as salas de exposição permanente com uma nova exposição, a inaugurar hoje mesmo às 18 horas. Esta, em que a geometria marca uma forte presença namoro das telas do Nadir Afonso Pintor com os estudos e projetos do Nadir Afonso Arquiteto.  

 

1600-macna (40)

 

E se nas salas de exposição permanente, Nadir Afonso inaugura hoje mais uma exposição, nas sala de exposições temporárias continuam patente ao público a exposição “Corpo   Abstração e Linguagem” com as obras em depósito da Secretaria de Estado da Cultura na Coleção Serralves, com pinturas e esculturas de grandes nomes da arte feita em Portugal entre os anos 60 e 80 do século passado, ao todo 27 artistas, a saber: Lourdes Castro, Joaquim Rodrigo, René Bertholo, Álvaro Lapa, João Vieira, Manuel Baptista, Fernando Lanhas, Paula Rego, António Palolo, António Sena, Ângelo de Sousa, Júlio Pomar, Pedro Cabrita Reis, Jorge Martins, António Dacosta, Eduardo Betarda, José Pedro Croft, António Campos Rosado, Alberto Carneiro, José de Guimarães, Julião Sarmento, Nikias Skapinakis, Manuel Rosa, Graça Morais, José de Carvalho, Pedro Calapez e José Loureiro.

 

1600-macna (1242)

 

Duas exposições a não perder, hoje com entrada gratuita após a inauguração e com festa nos jardins do Museu, um sunset  a partir das 18 horas, ou seja, uma festa ao pôr do sol, com música e copos.

 

 

 

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