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CHAVES

Olhares sobre o "Reino Maravilhoso"

18
Abr19

A criatura e um pouco de tudo!

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Com a imagem que vos deixo, queria iniciar hoje, aqui e agora, uma nova rubrica no blog que se intitularia “Estórias da Criatura”, em que a criatura, a personagem principal dessas estórias, seria a gata preta que aparece na imagem. No entanto, pensei melhor e para já, não o vou fazer. Acontece que a criatura não é lá muito certa das puxadas, aliás é uma das características da raça, e sei isto por experiência que tenho dos gatos que passaram por casa, que,  quando nós adotamos um e o trazemos para casa para viver connosco, ele pensa que é ao contrário e mal entre em casa, pensa que a casa é dele e nós é que vivemos com ele. A psiconlinews que estuda a psicologia dos gatos diz isso mesmo quando afirma: “Ele acha-se o dono da casa no momento em que pisa nela pela primeira vez: já toma conta da cozinha, do sofá e até arranja o seu próprio cantinho. Os objetos, em hipótese alguma, devem ser substituídos ou trocados de lugar:  a sua casa torna-se o centro do universo para ele. Se você mudar alguma coisa dele de lugar, fará com que ele suba pelas paredes com tanto stress. Gostam de dominar e se ele não gostar das condições que você lhe oferecer, ele vai tentar fugir.” . Ora esta criatura nem sequer é de casa, é meia vadia,  e daí não me dar garantias de que irei ter matéria para alimentar a rubrica pensada de “Estórias da Criatura”. Assim sendo, o projeto vai ficar em banho maria a aguardar pelo desenrolar das estórias, e se elas continuarem, aí sim, faremos a complicação de tudo e até talvez dê para um romance ou, quem sabe, um filme…  

 

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Sem criatura, lá teremos que continuar com o dia-a-dia daquilo que vai acontecendo à nossa volta. Felizmente não faltam acontecimentos, o problema está mesmo em decidirmo-nos por um. Geralmente vamos indo ao sabor dos dias e do tempo, ou seja, se está a nevar trazemos aqui a neve, se está calor falamos do seu exagero, da seca, dos incêndios, etc. Ora tem estado a chover, estamos na Primavera e vem aí a Páscoa, não faltam temas para abordar e até podemos jogar com eles, por exemplo com o brilho da chuva, as cores da primavera, o florir dos campos, onde está também a cor púrpura da Páscoa ou mesmo inspirarmo-nos na geometria da pinga, da gota, da água…eu sei lá!

 

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Pois são essas (estas) as imagens que hoje vos deixo, apenas para variar um pouco.  

 

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Até amanhã!

 

 

07
Mar19

Fernando Peneiras “100peneiras” fotografia, em Chaves

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Mais uma vez o Blog Chaves deixa este espaço virtual para sair à rua, entrar na Adega do Faustino e num cantinho de três paredes mostrar a arte da fotografia, mas desta vez, é também a fotografia que nos mostra outras artes, como a arte que a natureza nos oferece num majestoso rio a desenhar uma linha curva por entre encostas feitas de um puzzle de peças de linhas retas paralelas, às vezes curvas, mas sempre geometricamente traçadas com todo o rigor, que ora se traçam de tons verdes, ora de tons amarelos, ora de tons sépias, ora de tons vermelhos,  para por fim se despojar de todas as cores e ficarem simplesmente nuas sem qualquer pudor.  São pérolas daquele, ou deste colar de pérolas que Miguel Torga apelidou de Reino Maravilhoso. É um bocadinho de tudo isto que o olhar de Fernando Peneiras registou e congelou para,  em fotografia, partilhar connosco neste mês de março e também abril, na galeria da Adega do Faustino, em Chaves.  

 

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Fernando Peneiras “100peneiras” fotografia

“O Meu Majestoso Douro”

 

Fernando Augusto Paiva Peneiras nasceu em S. João da Pesqueira e reside na cidade do Peso da Régua, onde exerce a sua actividade profissional e o seu hobby de “fotógrafo amador” que pratica com imensa paixão, sendo um grande entusiasta e um grande amante da Região Demarcada do Douro, Alto Douro Vinhateiro.

 

 É no seu site:

 http://fernandopeneirasfotografia.weebly.com/,

 

na sua página do Facebook:

 https://www.facebook.com/fernando.peneiras.7

 

e no seu blog http://fotografiafernandopeneiras.blogspot.pt/,

 

entre outros, que expõe, aos visitantes cibernautas e seus amigos, toda a beleza que o rodeia, os seus olhos observaram e as suas objectivas capturaram.

 

No entrudo de 2012 e a convite da direcção da Casa do Careto de Podence, realizou uma exposição fotográfica com o título "Figuras Míticas de um Povo", alusiva a essas figuras misteriosas e diabólicas, “os Caretos de Podence”.

 

Cedeu fotografias para diversas obras, tais como o “Guia Turística da Natureza do Douro”, o “Guia das Aldeias Vinhateiras”, as ilustrações de capa do livro "A NINFA DO DOURO" de Manuel Araújo da Cunha, foto de capa do livro “Palavras d’Alma” de Rui Mendes e, regularmente, trabalhos seus são vistos noutras publicações, cartazes, outdoors e paredes de vários negócios.

 

Trabalha regularmente com a AETUR (Associação dos Empresários Turísticos do Douro e Trás-os-Montes) onde tem fotografias suas expostas na Fundação Rei Afonso Henriques – Zamora/Espanha, participou numa exposição na casa de S. Paulo - S. Paulo, Brasil. Participou igualmente noutra em Buenos Aires e Montevidéu.

 

Publicou o livro de fotografias do Douro com o título “O Meu Majestoso Douro” das quais algumas neste espaço expostas. É coautor do livro de fotografias “Paisagem Natural” col. Fotógrafos da Nossa Terra.

 

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O ALTO DOURO VINHATEIRO, paisagens e histórias…

 

A paisagem da região do Alto Douro Vinhateiro é determinada pelo curso natural do rio e pelo esforço sobre-humano de gerações passadas. A sua beleza é fruto em iguais porções da generosidade divina e do suor humano, resultante do trabalho árduo e continuado de uma paisagem natural, bela por natureza, mas que se tornou única no mundo pela mão do Homem. As encostas que ladeiam o rio foram trabalhadas ao longo de séculos, partindo-se o xisto, construindo-se terraços e muros, e cultivando a vinha em socalcos. O resultado é assombroso, uma paisagem única no mundo. Nas palavras do poeta Miguel Torga: “é um excesso de natureza. […] Um poema geológico. A beleza absoluta.”.

 

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Região Vinhateira do Alto Douro ou Alto Douro Vinhateiro é uma área do nordeste de Portugal com mais de 26 mil hectares, classificada pela UNESCO, em 14 de Dezembro de 2001, como Património da Humanidade, na categoria de paisagem cultural e rodeada de montanhas que lhe dão características mesológicas e climáticas particulares.

 

S. João da Pesqueira é o Concelho que detém a maior área classificada como património mundial pela Unesco. (cerca de 20%.).

 

Esta região, que é banhada pelo Rio Douro e faz parte do chamado Douro Vinhateiro, produz vinho há mais de 2000 anos, entre os quais, o mundialmente célebre vinho do Porto.

 

As suas origens remontam à segunda metade do século XVII, altura em que o Vinho do Porto começa a ser produzido e exportado em quantidade, especialmente para a Inglaterra.

 

Contudo, os elevados lucros obtidos com as exportações para a Inglaterra viriam a gerar situações de fraude, de abuso e de adulteração da qualidade do vinho generoso. Os principais produtores de vinho durienses exigem então a intervenção do governo e a 10 de Setembro de 1756, é finalmente criada a "Companhia Geral da Agricultura das Vinhas do Alto Douro".

 

Para demarcar o espaço físico da região foram então mandados implantar 201 marcos de granito. No ano de 1761 são colocados mais 134 marcos pombalinos, perfazendo então um total de 335.

 

Já em 10 de Maio de 1907, ao abrigo do decreto assinado por João Franco, a região demarcada é novamente delimitada, estendendo-se para o Douro Superior.

 

A longa tradição de viticultura produziu uma paisagem cultural de beleza excepcional que reflecte a sua evolução tecnológica, social e económica.

 

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.

 

fernando peneiras

 

Ficam aqui algumas das imagens que estão em exposição, as restantes, terá que ir à adega do Faustino para as ver ou então, para ver outras imagens de Fernando Peneiras, aceder a um dos sítios (página, Facebook ou blog) que o autor partilha na WEB.

 

 

26
Fev19

Largo do Arrabalde e alguns lamentos

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Pensei que com o tempo lá me iria habituando ao que fizeram a este largo, mas não, aliás quanto mais o tempo passa, menos gosto da solução aqui adotada e que, comparativamente com o Largo das Freiras, o atentado aqui cometido foi bem maior, com a agravante de que aqui, pouco ou nada se pode fazer para melhorar este espaço, enquanto que nas Freiras ainda estão em aberto melhores soluções. No entanto o que mais me entristece, ou melhor, o que mais acrescenta ao meu desagrado é que a minha geração viveu intensamente grandes momentos da cidade de Chaves e de Portugal nestes dois largos (Arrabalde e Freiras),  e foi precisamente o pessoal da minha geração que os violou, sem qualquer respeito.

 

 

24
Fev19

Manuel Freire com a sua “pedra filosofal”  em Chaves

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Em 1969 a RTP dava à luz um programa que ficou para todo o sempre na memória dos portugueses – o Zip-Zip. Foi um programa de pouca dura, pois iniciou-se e acabou nesse mesmo ano. Realizado por Luís Andrade, apresentado por Fialho Gouveia, Carlos Cruz e Raul Solnado,  era gravado com público no Teatro Villaret e transmitido posteriormente na RTP,  depois de alguns momentos censurados pela PIDE, mesmo assim, quer pelas personagens que Raul Solnado assumia, quer pela qualidade dos seus convidados e pela música que levou até ao programa, o Zip-Zip ficou na História da RTP. Um desses convidados que ficou na memória de todos os portugueses foi Almada Negreiros, na música, deu-se a luz também nesse programa a “Pedra Filosofal”, um poema de António Gedeão (pseudónimo de Rómulo de Carvalho que por sinal era o autor dos nossos livros de físico-química do liceu)) com música e interpretação de Manuel Freire, esse mesmo Senhor que ontem à noite esteve em Chaves no 25º aniversário de uma Associação Flaviense (CCD) e nos proporcionou uma noite encantada com a sua música, poesia e as estórias que acrescentou ao seu espetáculo.

 

Fica o momento da “Pedra Filosofal”, com o qual Manuel Freire finalizou o seu espetáculo.

 

 

 

Sobre Manuel Freire:

 

Frequentou o ensino liceal em Ovar e Aveiro, chegando a estudar Engenharia, em Coimbra e no Porto, sem se licenciar. Incorporado no serviço militar em 1964, faz a recruta em Mafra, passando em seguida pelas bases aéreas da Ota e de Monsanto, obtendo o curso técnico de Armamento e Equipamento de Aviões.

 

Após o serviço militar ingressa na empresa de aços F. Ramada, com sede em Ovar, que integra durante cerca de 20 anos. Paralelamente desenvolve a sua carreira artística, centrado na música.

 

Em 1967 Manuel Freire entrou no Teatro Experimental do Porto, aceitando um convite de Fernando Gusmão. Aí faz a sua primeira atuação «a sério» no domínio da canção. Entretanto estreava-se na música, com um EP que continha "Dedicatória", "Eles", "Livre" e "Pedro Soldado", editado em 1968 pela Tecla. O cantor não escapou à censura, vindo a ser proibido o EP com os temas "Lutaremos meu amor", "Trova", "O sangue não dá flor" e "Trova do emigrante" devido a "O sangue não dá flor". É editado um single com os dois primeiros temas.

 

Obtém enorme projeção em 1969, ao aparecer no programa Zip-Zip, onde lança Pedra Filosofal, com poema de António Gedeão, que popularizou e cuja interpretação lhe valeu o Prémio da Imprensa desse ano, em conjunto com Fernando Tordo. Foi distinguido também com o Prémio Pozal Domingues.

 

No ano de 1971 foi editado o EP "Dulcineia" e o álbum "Manuel Freire" onde aparecem os temas dos primeiros EP's e onde musicou poemas de António Gedeão, José Gomes Ferreira, Fernando Assis Pacheco, Eduardo Olímpio, Sidónio Muralha e José Saramago.

 

Em 1972 colaborou na banda sonora da longa-metragem de Alfredo Tropa, "Pedro Só". Em 1973 lança o EP com os temas "Abaixo D. Quixote", "Pequenos deuses Caseiros", "Menina Bexigosa" e "ouvindo bethoven". Ainda em 1973 participou no LP "De Viva Voz" de José Jorge Letria, gravado ao vivo também com a participação de José Afonso.

 

A editora Zip-Zip lança em 1974 o LP "Manuel Freire" com os Ep's e singles gravados para aquela editora.

 

Em 1977 lança um single com os temas "Que Faço Aqui" e "Um Dia" da peça "Os Emigrantes" de Slawomir Mrozek para o Teatro Experimental do Porto. Contou com a colaboração de Luís Cília no LP "Devolta" de 1978 editado pela Lamiré. Em 26 de Janeiro de 1979 revelava ao Diário de Lisboa que pretendia fazer um disco infantil.

 

Em 1986, o disco lançado pela CGTP-IN, "100 Anos de Maio", inclui a sua música "Cais das Tormentas".

 

O disco "Pedra Filosofal" é lançado pela Strauss em 1993. Em 1995 actuou na Festa do Avante numa homenagem a Adriano Correia de Oliveira, onde foi acompanhado pela Brigada Victor Jara.

 

A 9 de Junho de 1995 foi feito Oficial da Ordem da Liberdade. Em 1996 recebeu a Medalha de Prata do concelho de Ovar.

 

"Lágrima de Preta" foi incluído na compilação "Sons de Todas as Cores", de 1997. Colaborou ainda no disco "Florestas Em Movimento", com Carlos Alberto Moniz, patrocinado pela Direcção Geral das Florestas, e na compilação "Pelo sonho é que fomos".

 

O disco As Canções Possíveis onde canta a poesia de José Saramago, de "Os Poemas Possíveis", foi editado em 1999 pela Editorial Caminho.

 

Em 2003, no seguimento da contestação a Luiz Francisco Rebello, tornou-se presidente da Direcção da Sociedade Portuguesa de Autores, acumulando com as funções de administrador-delegado até 2007.

 

Colaborou com José Jorge Letria e Vitorino num CD para crianças acerca da Revolução dos Cravos, intitulado "Abril, Abrilzinho", que foi editado em 2006.

 

 

 

Consultas:

https://pt.wikipedia.org/wiki/Manuel_Freire

 

 

 

12
Fev19

Chaves, Casa Azul e a ausência do parpalhaço

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De vez em quando dou comigo a regressar a casa por outros caminhos. Felizmente hoje todos andamos com um instrumento no bolso que além de nos manter contactáveis a todo o momento, também nos permite fazer registos por onde passamos. Refiro-me ao telemóvel. Pois numa desses regressos a casa tomei os meus caminhos de infância e primeira juventude, caminhos que calcorreei desde que nasci até finais dos meus 14 anos de idade, caminhos do meu bairro da Casa Azul. Curioso que desde essa altura já passei por outros bairros e moradas, bem mais tempo que os 14 anos da Casa Azul, mas este, continua a ser o meu único bairro, e não o é só por ter nascido lá… Mas continuando, ia eu dizendo que numa das vezes que por lá passei, fiz três registos de imagem, apenas três, sem qualquer razão aparente, mas que hoje, revendo essas imagens, vejo que foi o meu inconsciente (o da psicologia) que deu impulso ao  meu acto, pois nele registei as três casas que mais me marcaram e trago sempre comigo na memória viva do consciente. Primeiro, esta casa que ficou atrás na primeira imagem do post, é a casa dos braguinhas (foi assim que a conheci), a casa principal de um conjunto de casas que se desenvolviam de um e do outro lado da estrada, casa que para mim sempre foi a construção mais bonita da cidade de Chaves, cheia de pormenores de encantar, com jardins lindíssimos e uma pérgula que de verão irradiava os aromas de perfume das glicínias. Sempre me encantou e continua a encantar, mas o registo que tenho desta casa, é um registo estranho e talvez seja por isso que a mantive para sempre na memória, ou seja, não tenho memória de alguma vez ter visto esta casa habitada, pessoas na varanda, à janela, a usufruir da pérgula, e a pergunta que sempre me pus sem a fazer é: Porquê uma casa de encanto, a mais bonita, de contos de fadas, príncipes e princesas, nunca teve gente dentro para dela poder usufruir e nela ser feliz?

 

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A segunda casa que aqui fica é a casa onde nasci, vivi nela apenas 14 anos mas conheço de memória todos os seus cantinhos. 14 degraus de escadas, virar á direita, 4 passos e a entrada, e fico-me por aqui, pois lá dentro há toda uma imensidão de recordações, boas recordações, mesmo aquelas em que chorei de dor ou de revolta, hoje são boas recordações, recordadas como momentos felizes. Curiosamente hoje refleti um pouco sobre a felicidade, em como ela se conjuga no passado e em todos os pretéritos, e ao que parece, quanto mais distante é esse passado mais felizes fomos, mesmo que então o não tivéssemos sido.  Passar hoje por esta rua, pela “minha” casa, é reviver acontecimentos em cada palmo de casa, em cada palmo de rua, sempre cheia de gente, muita rapaziada de todas as idades. Daquela varanda do meu quarto, dominava toda a rua e todo o mundo, mas apenas servia para espreitar se era o momento certo de descer para a viver, a rua. Ultimamente tenho passado por lá mais vezes do que era habitual e há uma razão, desta vez conhecida e consciente. Lembro-me de tudo nesta rua, dos rostos de toda a gente, onde moravam, os nomes e alcunhas, o que faziam, onde trabalhavam, sei indicar com precisão onde malhei a primeira vez de bicicleta, depois de motorizada, quando fiz as cicatrizes que ainda hoje tenho nos joelhos, etc, etc, etc. Mas há dias um rapaz do meu bairro, em conversa, referiu-se a um acontecimento que ocorreu ao pé da casa do “parpalhaço”, e desde aí a minha cabeça não tem tido descanso. Ao ouvir “parpalhaço” uma luz acendeu-se  e trouxe-me à vida o nome, alcunha que durante anos a fio esteve escondido em qualquer canto da memória, mas não há raio de me lembrar onde o homem morava, quem era, como era, a minha memória trouxe-me o nome do “parpalhaço”, apenas isso. Porquê esqueci o resto!? Porquê!? Não tenho insónias com o caso porque sou de bom dormir e não entro em depressão porque não tenho tempo, senão andava praí todo deprimido e a morrer de sono. É inadmissível que  toda a rapaziada do meu bairro se lembre do parpalhaço e eu não.

 

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Mas passemos à frente, à casota do pastor. Desde que tenho memória, sempre me lembro dela, ali estacionada, no mesmo sítio ao lado da oliveira, às vezes com ovelhas espalhadas à volta pelo campo, outras vezes sem elas, é uma das três casas que guardo comigo para todo o sempre, vejo-a na perfeição de olhos fechados mas tal como a primeira, há uma coisa que sempre me intrigou e continua a intrigar, nunca vi a casota habitada, mais ainda, nunca vi ou conheci o pastor. Imperdoável talvez, mas desta vez sei que não há esquecimentos, apenas nunca calhou ter visto o pastor.

 

Bom, e para terminar num momento feliz, o engraçado era se o pastor fosse o parpalhaço, mas não, isso sei que não é verdade, pois o pastor tenho a certeza que nunca o vi, já quanto ao parpalhaço, tenho  também a certeza de que o conheci… daí, lá terei que continua a passar pela minha rua para ver se me vem à lembrança.

 

 

30
Jan19

Toca a brincar ou pelo menos recordar...

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De tão ocupados, preocupados e outros ados que tais, com as modernidades e outras distrações e competições, sem serões à lareira e o tempo da rádio, vamo-nos esquecendo de brincar e quando o queremos fazer, já não sabemos como… pelo caminho vamos perdendo e esquecendo tradições, saberes e valores que eram passados de geração em geração, os provérbios e adágios para todas as situações,  as cantigas populares, as lengalengas, os trava-línguas…

 

Eu ainda brinco, às vezes, sozinho, já não tenho com quem, já ninguém está pra isso, tão, tão…

 

Tão Balalão
cabeça de cão
orelhas de gato
feijão carrapato

 

E quando me dá pra isso, como estou só, ninguém me cala o bico…

 

Bico bico sarrabico

Quem te deu tamanho bico

Foi a velha chocalheira

Que come ovos com manteiga

Os cavalinhos a correr

E os meninos a aprender

Qual será o mais espertinho

Que melhor se vai esconder.

 

 

Coisas deste tempo…

 

O tempo perguntou ao tempo

Quanto tempo o tempo tem.

O tempo respondeu ao tempo

Que o tempo tem tanto tempo

Quanto tempo o tempo tem.

 

E eu que o diga, assim fui apendendo…

 

Fernandinho foi ao vinho

Parte o copo no caminho

Ai do copo, ai do vinho

Ai do cu do Fernandinho

 

E aprendendo, se aprendia a responder…

 

Nove vezes nove
Oitenta e um
Sete macacos
E tu és um
Fora eu
Que não sou nenhum

 

Um brinde a estas coisas…

 

Copo, copo, jericopo

Jericopo, copo cá.

Quem não disser três vezes:

Copo, copo, jericopo

Jericopo, copo cá,

Por este copo não beberá.

 

Toca a brincar, que

 A Vida são dois dias o de ontem já passou e o de hoje está a acabar ...

 

E com esta me bou!

 

 

 

10
Jan19

Jardim Público - Chaves

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Tinha prá qui um ror de ideias, sentimentos, coisas bonitas para dizer sobre estes corpos nus, despidos de adornos, sobre a ausência de cor para exuberar a essência das coisas, sem distrações, mas que, fui à procura das palavras e até já sabia quais eram, mas com tanto frio, estavam congeladas, impróprias para utilizar, daí, vamos ter de ficar por aqui, desejando-vos o resto de um bom dia, com um

 

Até amanhã!

 

 

 

03
Jan19

Arte de Rua

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Cá estamos de novo no regresso à normalidade dos dias, ou quase, faltam os reis que em algumas povoações ainda se vai cumprindo a tradição,  quando a tradição é mesmo da povoação, mas que nos pequenos grupos de putos e adolescentes que iam de porta em porta com os seus cânticos aprendidos à pressa com algumas quadras que os mais velhos lhes transmitiam, essa tradição, já está quase ou de todo perdida.

 

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De regresso à rotina dos dias, também o blog volta à sua rotina, hoje com duas imagens de street art (ou arte de rua se preferirem), com uma pintura oficial, quero eu dizer, permitida e consentida, a da fachada da Junta de Freguesia da Madalena e Samaiões e a outra, não oficial, não permitida, talvez consentida por quem a vê, contudo, igualmente arte de rua, a mais genuína até, por ser arte clandestina, como se a arte pudesse ser clandestina. Por mim, quando embeleza e esconde misérias, é sempre bem-vinda, e no caso, talvez o crime esteja mesmo no mamarrachito, esse sim permitido e consentido sem qualquer preocupação estética em si e de enquadramento. Nestas coisas também se exigia a mão dos arquitetos, dos bons, pois há por aí alguns que mais valia estarem a cavar poulas …

 

22
Dez18

Sanjurge - Chaves - Portugal

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Como vem acontecendo há anos neste blog, os sábados são para as nossas aldeias, as do concelho de Chaves. Hoje vamos até Sanjurge, ou melhor, vamos mais uma vez até Sanjurge, pois esta aldeia é uma das que já passou por este blog várias vezes, e continuará a passar, pois é uma das aldeias que nos caiu em graça, que tem sempre vida dentro dela, mesmo que… ou com alguns mas… pois poderia ser bem diferente, com muita mais vida e mais interessante, tem todas as condições para ser uma aldeia modelo com a vantagem de ser à beirinha da cidade.

 

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Aliás Sanjurge, atualmente, é uma das aldeias que integra uma das freguesias urbanas da cidade, foi apanhada pela última reorganização das freguesias e anexada À freguesia de Santa Cruz/Trindade, a freguesia das grandes superfícies comerciais, do loteamento industrial e que acolheu o grande crescimento da cidade de Chaves nos anos 80/90 do século passado, mas desta freguesia até Sanjurge ainda há uma passo a percorrer, ou seja, foi anexada à grande freguesia da cidade, mas manteve-se e mantém-se lá no seu cantinho com o seu espirito de aldeia rural e a meu ver, muito bem, mesmo porque há uma barreira física entre Sanjurge e o resto da freguesia, uma barreira chamada autoestrada.

 

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Dava uma excelente aldeia dormitório da cidade, que penso já o seja um pouco, embora não se note, pois quem entra na sua intimidade, nem sequer notamos que a cidade está mesmo ao lado. São as tais condições excelentes que tem, mas como se nota, a proximidade da cidade não é tudo, e acaba também por ser mais uma aldeia (no  seu centro histórico) com os mesmos problemas das aldeias mais distantes da cidade.

 

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Quanto às imagens que hoje deixo da aldeia, não são as mais representativas daquilo que Sanjurge tem. Falta-lhe o grande largo atravessado pelo Rivelas  (suponho que o seja, e se não for é um dos seus efluentes), falta a igreja, falta o santuário paredes meias com a autoestrada, faltam algumas ruas da aldeia e até algum do seu casario mais marcante, mas tal como disse no início, Sanjurge é uma das aldeias que tem passado por aqui com alguma frequência, e imagens desses locais já as fui deixando aqui nos posts anteriores.

 

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Hoje ficam algumas imagens que escaparam à seleção anterior e uma que até já é repetente, embora de ângulo diferente. Refiro-me à capela particular que abre hoje o post, que é lindíssima e que apenas lamento ser uma capela fechada, desconhecendo mesmo como é o seu interior e se o mesmo ainda existe como capela.

 

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Por último fica uma composição, tipo uma história, tipo um filme, tipo qualquer coisa que nem eu sei o que pretende ser, dada em duas tranches, tudo porque após a conclusão da primeira (tranche), apercebi-me que faltava uma passagem da história, filme ou seja lá o que é, e vai daí completá-la, mas como a outra já estava feita, para não se estragar, também aqui fica.

 

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Então, suponhamos que é uma história, daquelas que começa por:

 

Era uma vez uma rua de uma aldeia, chamava-se Rua das Cerdeiras, sem cerdeiras, nela apenas a paz santa do silêncio de naquele momento nada acontecer, na rua e nesta aldeia com nome também santo -  São Jurge. Mas eis que num sussurrar, parecendo aparecer do nada, um homem surge, com uma corda numa das mãos, parecendo com ela guiar qualquer coisa, é então que surge um burro, parecendo que vai atrás do homem, ainda sem percebermos que logo a seguir surge uma carroça, também ela parecendo silenciosa com os seus pneus de borracha para não quebrar o silêncio que após a sua passagem, surge por inteiro, caindo a tela, com o habitual FIM (The End).

Moral da história ou filme!?, pois não há, porque a história não está completa, falta-lhe uma imagem.

 

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Agora sim, com a imagem em falta, a composição, tipo história, tipo filme, fica assim:

 

Era uma vez uma rua de uma aldeia, chamava-se Rua das Cerdeiras, sem cerdeiras, nela apenas a paz santa do silêncio de naquele momento nada acontecer, na rua e nesta aldeia com nome também santo -  São Jurge. Mas eis que num sussurrar, parecendo aparecer do nada, um homem surge, com uma corda numa das mãos, parecendo com ela guiar qualquer coisa, é então que surge, preso à corda do homem, a cabeça de um burro que acaba por se revelar ter corpo também,  um burro inteiro, parecendo que vai atrás do homem, mas ao mesmo tempo, parecendo que traz alguma coisa atrás de sí, e eis que surge uma carroça, também ela parecendo silenciosa com os seus pneus de borracha para não quebrar o silêncio que após a sua passagem, surge por inteiro, o silêncio, caindo a tela, com o habitual FIM (The End).

 

O Título da história ou do filme é: “Parecendo surge em São Jurge” e continua sem ter moral…

 

Estava o post a correr tão bem para descambar assim! Talvez o filme se devesse chamar “Efeitos Secundários” da medicação que ando a tomar para a constipação que nem sei se é gripe, mas seja como for, e para rematar, gostei da sequência de imagens, daí a composição, apenas, sem história e sem filme, esqueçam os últimos parágrafos.

 

Até amanhã e Boas Festas!

 

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    • Fer.Ribeiro

      Obrigado Pedro. Um forte abraço desde este Reino M...

    • Miluem

      Pois os gatinhos acham que tudo aquilo em que põem...

    • Pedro Neves

      Belíssimas fotos!

    • Fer.Ribeiro

      Obrigado pela retificação, eu sabia que era grémio...