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CHAVES

Olhares sobre o "Reino Maravilhoso"

12
Fev19

Chaves, Casa Azul e a ausência do parpalhaço

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De vez em quando dou comigo a regressar a casa por outros caminhos. Felizmente hoje todos andamos com um instrumento no bolso que além de nos manter contactáveis a todo o momento, também nos permite fazer registos por onde passamos. Refiro-me ao telemóvel. Pois numa desses regressos a casa tomei os meus caminhos de infância e primeira juventude, caminhos que calcorreei desde que nasci até finais dos meus 14 anos de idade, caminhos do meu bairro da Casa Azul. Curioso que desde essa altura já passei por outros bairros e moradas, bem mais tempo que os 14 anos da Casa Azul, mas este, continua a ser o meu único bairro, e não o é só por ter nascido lá… Mas continuando, ia eu dizendo que numa das vezes que por lá passei, fiz três registos de imagem, apenas três, sem qualquer razão aparente, mas que hoje, revendo essas imagens, vejo que foi o meu inconsciente (o da psicologia) que deu impulso ao  meu acto, pois nele registei as três casas que mais me marcaram e trago sempre comigo na memória viva do consciente. Primeiro, esta casa que ficou atrás na primeira imagem do post, é a casa dos braguinhas (foi assim que a conheci), a casa principal de um conjunto de casas que se desenvolviam de um e do outro lado da estrada, casa que para mim sempre foi a construção mais bonita da cidade de Chaves, cheia de pormenores de encantar, com jardins lindíssimos e uma pérgula que de verão irradiava os aromas de perfume das glicínias. Sempre me encantou e continua a encantar, mas o registo que tenho desta casa, é um registo estranho e talvez seja por isso que a mantive para sempre na memória, ou seja, não tenho memória de alguma vez ter visto esta casa habitada, pessoas na varanda, à janela, a usufruir da pérgula, e a pergunta que sempre me pus sem a fazer é: Porquê uma casa de encanto, a mais bonita, de contos de fadas, príncipes e princesas, nunca teve gente dentro para dela poder usufruir e nela ser feliz?

 

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A segunda casa que aqui fica é a casa onde nasci, vivi nela apenas 14 anos mas conheço de memória todos os seus cantinhos. 14 degraus de escadas, virar á direita, 4 passos e a entrada, e fico-me por aqui, pois lá dentro há toda uma imensidão de recordações, boas recordações, mesmo aquelas em que chorei de dor ou de revolta, hoje são boas recordações, recordadas como momentos felizes. Curiosamente hoje refleti um pouco sobre a felicidade, em como ela se conjuga no passado e em todos os pretéritos, e ao que parece, quanto mais distante é esse passado mais felizes fomos, mesmo que então o não tivéssemos sido.  Passar hoje por esta rua, pela “minha” casa, é reviver acontecimentos em cada palmo de casa, em cada palmo de rua, sempre cheia de gente, muita rapaziada de todas as idades. Daquela varanda do meu quarto, dominava toda a rua e todo o mundo, mas apenas servia para espreitar se era o momento certo de descer para a viver, a rua. Ultimamente tenho passado por lá mais vezes do que era habitual e há uma razão, desta vez conhecida e consciente. Lembro-me de tudo nesta rua, dos rostos de toda a gente, onde moravam, os nomes e alcunhas, o que faziam, onde trabalhavam, sei indicar com precisão onde malhei a primeira vez de bicicleta, depois de motorizada, quando fiz as cicatrizes que ainda hoje tenho nos joelhos, etc, etc, etc. Mas há dias um rapaz do meu bairro, em conversa, referiu-se a um acontecimento que ocorreu ao pé da casa do “parpalhaço”, e desde aí a minha cabeça não tem tido descanso. Ao ouvir “parpalhaço” uma luz acendeu-se  e trouxe-me à vida o nome, alcunha que durante anos a fio esteve escondido em qualquer canto da memória, mas não há raio de me lembrar onde o homem morava, quem era, como era, a minha memória trouxe-me o nome do “parpalhaço”, apenas isso. Porquê esqueci o resto!? Porquê!? Não tenho insónias com o caso porque sou de bom dormir e não entro em depressão porque não tenho tempo, senão andava praí todo deprimido e a morrer de sono. É inadmissível que  toda a rapaziada do meu bairro se lembre do parpalhaço e eu não.

 

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Mas passemos à frente, à casota do pastor. Desde que tenho memória, sempre me lembro dela, ali estacionada, no mesmo sítio ao lado da oliveira, às vezes com ovelhas espalhadas à volta pelo campo, outras vezes sem elas, é uma das três casas que guardo comigo para todo o sempre, vejo-a na perfeição de olhos fechados mas tal como a primeira, há uma coisa que sempre me intrigou e continua a intrigar, nunca vi a casota habitada, mais ainda, nunca vi ou conheci o pastor. Imperdoável talvez, mas desta vez sei que não há esquecimentos, apenas nunca calhou ter visto o pastor.

 

Bom, e para terminar num momento feliz, o engraçado era se o pastor fosse o parpalhaço, mas não, isso sei que não é verdade, pois o pastor tenho a certeza que nunca o vi, já quanto ao parpalhaço, tenho  também a certeza de que o conheci… daí, lá terei que continua a passar pela minha rua para ver se me vem à lembrança.

 

 

30
Jan19

Toca a brincar ou pelo menos recordar...

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De tão ocupados, preocupados e outros ados que tais, com as modernidades e outras distrações e competições, sem serões à lareira e o tempo da rádio, vamo-nos esquecendo de brincar e quando o queremos fazer, já não sabemos como… pelo caminho vamos perdendo e esquecendo tradições, saberes e valores que eram passados de geração em geração, os provérbios e adágios para todas as situações,  as cantigas populares, as lengalengas, os trava-línguas…

 

Eu ainda brinco, às vezes, sozinho, já não tenho com quem, já ninguém está pra isso, tão, tão…

 

Tão Balalão
cabeça de cão
orelhas de gato
feijão carrapato

 

E quando me dá pra isso, como estou só, ninguém me cala o bico…

 

Bico bico sarrabico

Quem te deu tamanho bico

Foi a velha chocalheira

Que come ovos com manteiga

Os cavalinhos a correr

E os meninos a aprender

Qual será o mais espertinho

Que melhor se vai esconder.

 

 

Coisas deste tempo…

 

O tempo perguntou ao tempo

Quanto tempo o tempo tem.

O tempo respondeu ao tempo

Que o tempo tem tanto tempo

Quanto tempo o tempo tem.

 

E eu que o diga, assim fui apendendo…

 

Fernandinho foi ao vinho

Parte o copo no caminho

Ai do copo, ai do vinho

Ai do cu do Fernandinho

 

E aprendendo, se aprendia a responder…

 

Nove vezes nove
Oitenta e um
Sete macacos
E tu és um
Fora eu
Que não sou nenhum

 

Um brinde a estas coisas…

 

Copo, copo, jericopo

Jericopo, copo cá.

Quem não disser três vezes:

Copo, copo, jericopo

Jericopo, copo cá,

Por este copo não beberá.

 

Toca a brincar, que

 A Vida são dois dias o de ontem já passou e o de hoje está a acabar ...

 

E com esta me bou!

 

 

 

10
Jan19

Jardim Público - Chaves

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Tinha prá qui um ror de ideias, sentimentos, coisas bonitas para dizer sobre estes corpos nus, despidos de adornos, sobre a ausência de cor para exuberar a essência das coisas, sem distrações, mas que, fui à procura das palavras e até já sabia quais eram, mas com tanto frio, estavam congeladas, impróprias para utilizar, daí, vamos ter de ficar por aqui, desejando-vos o resto de um bom dia, com um

 

Até amanhã!

 

 

 

03
Jan19

Arte de Rua

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Cá estamos de novo no regresso à normalidade dos dias, ou quase, faltam os reis que em algumas povoações ainda se vai cumprindo a tradição,  quando a tradição é mesmo da povoação, mas que nos pequenos grupos de putos e adolescentes que iam de porta em porta com os seus cânticos aprendidos à pressa com algumas quadras que os mais velhos lhes transmitiam, essa tradição, já está quase ou de todo perdida.

 

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De regresso à rotina dos dias, também o blog volta à sua rotina, hoje com duas imagens de street art (ou arte de rua se preferirem), com uma pintura oficial, quero eu dizer, permitida e consentida, a da fachada da Junta de Freguesia da Madalena e Samaiões e a outra, não oficial, não permitida, talvez consentida por quem a vê, contudo, igualmente arte de rua, a mais genuína até, por ser arte clandestina, como se a arte pudesse ser clandestina. Por mim, quando embeleza e esconde misérias, é sempre bem-vinda, e no caso, talvez o crime esteja mesmo no mamarrachito, esse sim permitido e consentido sem qualquer preocupação estética em si e de enquadramento. Nestas coisas também se exigia a mão dos arquitetos, dos bons, pois há por aí alguns que mais valia estarem a cavar poulas …

 

22
Dez18

Sanjurge - Chaves - Portugal

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Como vem acontecendo há anos neste blog, os sábados são para as nossas aldeias, as do concelho de Chaves. Hoje vamos até Sanjurge, ou melhor, vamos mais uma vez até Sanjurge, pois esta aldeia é uma das que já passou por este blog várias vezes, e continuará a passar, pois é uma das aldeias que nos caiu em graça, que tem sempre vida dentro dela, mesmo que… ou com alguns mas… pois poderia ser bem diferente, com muita mais vida e mais interessante, tem todas as condições para ser uma aldeia modelo com a vantagem de ser à beirinha da cidade.

 

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Aliás Sanjurge, atualmente, é uma das aldeias que integra uma das freguesias urbanas da cidade, foi apanhada pela última reorganização das freguesias e anexada À freguesia de Santa Cruz/Trindade, a freguesia das grandes superfícies comerciais, do loteamento industrial e que acolheu o grande crescimento da cidade de Chaves nos anos 80/90 do século passado, mas desta freguesia até Sanjurge ainda há uma passo a percorrer, ou seja, foi anexada à grande freguesia da cidade, mas manteve-se e mantém-se lá no seu cantinho com o seu espirito de aldeia rural e a meu ver, muito bem, mesmo porque há uma barreira física entre Sanjurge e o resto da freguesia, uma barreira chamada autoestrada.

 

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Dava uma excelente aldeia dormitório da cidade, que penso já o seja um pouco, embora não se note, pois quem entra na sua intimidade, nem sequer notamos que a cidade está mesmo ao lado. São as tais condições excelentes que tem, mas como se nota, a proximidade da cidade não é tudo, e acaba também por ser mais uma aldeia (no  seu centro histórico) com os mesmos problemas das aldeias mais distantes da cidade.

 

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Quanto às imagens que hoje deixo da aldeia, não são as mais representativas daquilo que Sanjurge tem. Falta-lhe o grande largo atravessado pelo Rivelas  (suponho que o seja, e se não for é um dos seus efluentes), falta a igreja, falta o santuário paredes meias com a autoestrada, faltam algumas ruas da aldeia e até algum do seu casario mais marcante, mas tal como disse no início, Sanjurge é uma das aldeias que tem passado por aqui com alguma frequência, e imagens desses locais já as fui deixando aqui nos posts anteriores.

 

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Hoje ficam algumas imagens que escaparam à seleção anterior e uma que até já é repetente, embora de ângulo diferente. Refiro-me à capela particular que abre hoje o post, que é lindíssima e que apenas lamento ser uma capela fechada, desconhecendo mesmo como é o seu interior e se o mesmo ainda existe como capela.

 

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Por último fica uma composição, tipo uma história, tipo um filme, tipo qualquer coisa que nem eu sei o que pretende ser, dada em duas tranches, tudo porque após a conclusão da primeira (tranche), apercebi-me que faltava uma passagem da história, filme ou seja lá o que é, e vai daí completá-la, mas como a outra já estava feita, para não se estragar, também aqui fica.

 

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Então, suponhamos que é uma história, daquelas que começa por:

 

Era uma vez uma rua de uma aldeia, chamava-se Rua das Cerdeiras, sem cerdeiras, nela apenas a paz santa do silêncio de naquele momento nada acontecer, na rua e nesta aldeia com nome também santo -  São Jurge. Mas eis que num sussurrar, parecendo aparecer do nada, um homem surge, com uma corda numa das mãos, parecendo com ela guiar qualquer coisa, é então que surge um burro, parecendo que vai atrás do homem, ainda sem percebermos que logo a seguir surge uma carroça, também ela parecendo silenciosa com os seus pneus de borracha para não quebrar o silêncio que após a sua passagem, surge por inteiro, caindo a tela, com o habitual FIM (The End).

Moral da história ou filme!?, pois não há, porque a história não está completa, falta-lhe uma imagem.

 

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Agora sim, com a imagem em falta, a composição, tipo história, tipo filme, fica assim:

 

Era uma vez uma rua de uma aldeia, chamava-se Rua das Cerdeiras, sem cerdeiras, nela apenas a paz santa do silêncio de naquele momento nada acontecer, na rua e nesta aldeia com nome também santo -  São Jurge. Mas eis que num sussurrar, parecendo aparecer do nada, um homem surge, com uma corda numa das mãos, parecendo com ela guiar qualquer coisa, é então que surge, preso à corda do homem, a cabeça de um burro que acaba por se revelar ter corpo também,  um burro inteiro, parecendo que vai atrás do homem, mas ao mesmo tempo, parecendo que traz alguma coisa atrás de sí, e eis que surge uma carroça, também ela parecendo silenciosa com os seus pneus de borracha para não quebrar o silêncio que após a sua passagem, surge por inteiro, o silêncio, caindo a tela, com o habitual FIM (The End).

 

O Título da história ou do filme é: “Parecendo surge em São Jurge” e continua sem ter moral…

 

Estava o post a correr tão bem para descambar assim! Talvez o filme se devesse chamar “Efeitos Secundários” da medicação que ando a tomar para a constipação que nem sei se é gripe, mas seja como for, e para rematar, gostei da sequência de imagens, daí a composição, apenas, sem história e sem filme, esqueçam os últimos parágrafos.

 

Até amanhã e Boas Festas!

 

07
Dez18

Rua Luís de Viacos - Chaves

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Hoje trazemos aqui a Rua Luís de Viacos, que no meu entender é mais travessa do que rua, mas não é por aí que o gato vai às filhoses, pois que mais dá ser rua ou travessa, até lhe poderiam chamar atalho. Interessa-me mais o topónimo adotado, ou saber que é (foi) o Viacos. Pois segundo reza a “Toponímia Flaviense”, Luís Pires de Viacos foi o autor do Genesim da Judiaria da Vila de Chaves. Diz ainda que desde os primeiros reinados afonsinos, seis comunas judaicas se encontravam instaladas no nosso território: Porto, Guimarães, Chaves, Monforte de Rio Livre, Bragança e Mogadouro. Mais se sabe que a comuna de Chaves devia ter adquirido importância relativa, vista que o Rei Lavrador fez padrão de 3$000 réis a Luís Pires de Viacos, em satisfação do GENESIM DA JUDIARIA DA VILA DE CHAVES. Quer isto dizer que, na comuna judaica de Chaves, funcionava uma cadeira ou aula, onde se ensinavam todas as doutrinas de Moisés, contidas no PENTATEUCO. (Machado, J.T.Montalvão – Como e Porque se Imprimiu em Chaves o Primeiro Livro em Língua Portuguesa). (…) Teve-se como objectivo dar o nome do autor do Genesim a esta rua, que outro motivo não teve senão transmitir aos vindouros um facto histórico da vida judaica na Vila de Chaves.

 

E agora que já todos sabemos quem foi o Luís de Viacos, podemos dar por terminado este post, com a garantia que amanhã cá estaremos de novo com mais uma das nossas aldeias do concelho, que segundo as minhas contas, toca a vez a Sandamil.

 

 

 

06
Dez18

Ocasionais

ocasionais

 

Maryprosa”

 

 

“Dêem-me mandrágora a beber

para que possa dormir

 durante todo este tempo

em que ....

«a minha Tera natal»

estã ausente”.

-paráfrase- LF

 

 

**Lá fui por aí acima com a minha cara-metade.

 

Conheço a Régua, Pinhão, Alijó e Favaios do Moscatel, Moncorvo, Alfândega da Fé, Miranda do Douro, Mogadouro, Bragança, Mirandela, Macedo de Cavaleiros (e até o Vale da Porca!) e Vila Real.

 

Ainda não tinha visitado CHAVES.

 

Estive perto quando fui a uma Feira do Fumeiro a Montalegre. Valente Feira!

 

Por outra vez, num Dia de “Volta a Portugal”, estive nesta Vila Barrosã, e, com outros amigos, aproveitei para regressar por Sezelhe (Barragem), Paradela do Rio (Barragem), ficar ainda mais deslumbrado com uma Aldeia chamada PONTEIRA, descer até à Ponte da Misarela, virar para trás para a croa da Barragem da Venda Nova e seguir para a de Caniçada, tendo pernoitado no S. Bentinho de Porta Aberta.

 

Já tinha conhecido um OUTEIRO em Bragança; neste roteiro conheci o OUTEIRO de Paradela do Rio.

 

E, «agôra» em CHAVES, topei com três Outeiros: Outeiro Seco, Outeiro Jusão e Outeiro Machado. Falo neles porque, quando no passeio de carro pela margem direita do Tâmega, para montante, além de ter apreciado a veiga numa certa perspectiva, ter dado com os olhos em três ou quatro coisas de que nem quero falar, cheguei a um ponto em que tive de fazer um ângulo recto, à esquerda, para não seguir por um carreiro que já era «terras de Espanha»  - e quando cheguei outra vez a Outeiro Seco tinha passado por uma Vila, um Vilarinho, um Vilarelho e uma Vilela; o segundo, entendi-o melhor quando visitei o “Castro de Curalha” (que coisa maravilhosa! Até coelhos bravos nos vieram saudar! Ou seriam mouras encantadas?!...) – e achei o nome de «Jusão» muito bonito, em vez de «a jusante»; o terceiro, procurei-o por o meu amigo já me ter falado dele: afinal fica num rico vale, no Vale de Anta!

 

Não procurei um quarto Outeiro, o Outeiro Ladrão, com medo de nele ser roubado (bem, isto não é bem verdade: é que me disseram que o ladrão estava morto há muito tempo e que o Outeiro foi arrasado há pouco tempo).

 

Mas, como estava a dizer, fui por aí acima com a minha mulher   -   ó dianho! Tenho de ser moderno, estar na moda e dizer «minha namorada» (bem namorámos desde o 4º ano de Liceu e estamos casados há .... uma «porrada» de anos), que é para dar ares de «prà-frentex»!

 

Uma auto-estrada que podia muito bem ser um lindo miradouro   -  os pedaços de paisagem que se apanham assim o prometem   -   esconde mais do que aquilo que devia deixar ver!

 

Estacionei no “Jardim das Caldas”.

 

Subi a “Rua do Sol” pela sombra que me dava o passeio do lado esquerdo (o dia estava quente). Logo dei com o seu recomendado “João Padeiro”: encomendei-lhe os folares para o dia e hora do regresso.

 

Achei interessante aquele correr de casinhas baixinhas encostadas ao que julgo ser um pano de muralha. Uma viela a começar junto a um quiosque deu-me o palpite de ser entrada para a zona histórica da cidade. Meia dúzia de passadas e um cruzamento com uma rua estreita, breve para a esquerda e mais comprida para a direita. Segui por este lado, e fui dar a um parapeito.

 

Virei à esquerda e cheguei ao fundo da rua que soube ser a Rua Direita.

 

Aí, olhei para perto. Gostei do Lugar, a que disseram chamar-se “O ARRABALDE”. Veio-me à lembrança o seu “Os bearnesbaques do Arrabalde”.

 

Aí, olhei para longe. E vi uma linda cúpula de uma Igreja, uma montanha com lindos matizes a desenhar uma fronteira com o céu. À distância, pareceu-me ver espreitar a Torre de um Castelo.

 

Subi a Rua Direita. Umas Escadinhas, à esquerda, despertaram-me curiosidade. Mais acima deparei com um pequeno Largo onde está a Igreja Matriz e um edifício com interessante arquitectura.

 

Segui ao Rua Direita até ao cimo. Deu para uma descida a começar com um Largo ou pequena praceta. Disseram-me ser  “O Largo do Anjo”. Mas a estátua era a de um padreco!

 

Procurei a “Casa dos Pastéis”.

 

Afinal, ali, à mão de semear, ou seja, de dar ao dente, havia quatro Pastelarias de “Pastéis de CHAVES”!

 

Antes de almoço (a hora aproximava-se) provar quatro “Pastéis de CHAVES” pareceu-me demasiado.

 

Fui à “Loja dos Prazeres”.

 

Provei um. Apeteceu-me logo outro.

 

Mas saí, para não fazer a vontade ao diabo que me estava a tentar.

 

Desci uma rampita de zinco, e, ao balcão, pedi um “Pastel de Chaves”. Quentinho, avisaram-me para ter cuidado com a dentada.

 

Soprei-lhe de mansinho, convencido que ninguém daria conta. Pelo canto do olho reparei que alguém, na mesa da entrada, sorria.

 

Fiquei com vontade de outro.

 

Mas saí, para não fazer a vontade ao diabo que me estava a tentar.

 

Atravessei o Largo e segui pela Rua “1º de Dezembro”, larga, bonita, ao fundo da qual se adivinha um Jardim.

 

Entrei na alcova da “Princesa” e pedi-Lhe um “Pastel de Chaves”.

 

Não é todos os dias que se vê e se fala com uma princesa. E quando tal acontece, quem é que não fica derretido?!

 

Dei um primeiro beijinho, alto!, estou a sonhar, uma primeira dentadinha no “Pastel de Chaves” e fiquei derretido: tive a impressão que a princesa,  alto!, estou a sonhar, o Pastel se me derreteu na boca.

 

Apeteceu-me logo outro.

 

Mas saí, para não fazer a vontade ao diabo que me estava a tentar.

 

Voltei para trás e fui à procura da “Tia Maria”.

 

Meti pela Rua do “Cândido dos Caçadores e da Feijoada”, virei à esquerda, admirei-me com o Jardim do Castelo e a Torre de Menagem.

 

Não foi preciso muito para acertar com a casa da “Tia Maria”: um cheirinho especial levou-me lá direitinho.

 

Duas senhoritas cheiinhas de simpatia facilitaram-me,  com um daqueles sorrisos que até nos fazem tropeçar, a descida dos degraus de entrada.

 

- Venho conhecer e provar “O Pastel de CHAVES”.

 

Lourinho, quentinho (e nisto eu já estava avisado), foi-me servido com toda a delicadeza.

 

- Cuidado não se lhe queime a língua, disse uma das senhoritas.

 

Estive mesmo para soltar uma gargalhada: encontrei no aviso uma cúmplice duplicidade de intenção.

 

Ainda não o tinha acabado, e já me estava a apetecer logo outro!

 

Até cheguei a julgar que era o primeiro “Pastel de Chaves” que estava a provar!

 

Mas saí, para não fazer a vontade ao diabo que me estava a tentar.

 

Como o Almoço estava aprazado para um Restaurante demasiado longe para ir a pé, voltei à esquina da “Rua do Cândido”, desci umas compridas escaleiras, atravessei um parque de estacionamento, apanhei a sombra das árvores de uma Rua, e, em frente ao “João dos Folares”, bolas!, “João Padeiro”, desci para o “Jardim das Caldas”.

 

Com o meu amigo me tinha falado nas virtudes milagrosas, especialmente digestivas, das Águas de CHAVES, já andava comigo um daqueles copinhos de encaixar, e fui à fonte «proβar», como por lá se «questuma» dizer, as águas.

 

Ai! Que bem me caíram!

 

Meti-me no carro e, graças às novas tecnologias, foi fácil subir até à croa de Stº Amaro e tratar do almoço.

 

O «agente-técnico-de-restauração-e-afins», com toda a cortesia, indicou a mesa. Depois, ao apresentar a carta do Menu, sugeriu que, hoje, tinha um  prato de «vitela guizada com cabaçotes”.

 

Soou-me uma campainha cá no toutiço: “Cabaça”, “Vitela”. “Batatas”!

 

’Stouque” foi ao meu amigo que «ouβi» falar de uma receita assim como muito especial, gulosamente saborosa, deliciosamente gulosa.

 

- Ora isso mesmo!  - disse eu, com certa euforia.

 

Nem lhe digo, nem lhe conto: foi cá um dos petiscos! E a «pinga» estava a matar! E a sobremesa,  também recomendada pelo «patrão»....!

 

Almoçadinho tão bem e tão regalado como estava, voltei com o carro para o “Jardim das Caldas”.

 

Apanhei uma sombra. E fui beber mais um gole de milagre digestivo.

 

Metendo conversa com um peregrino, comentando o milagre com que eu já tinha sido abençoado antes de almoço, e as belezas deste “Jardim das Caldas”, corrigiu-me, num galego-transmontano, que, sendo ele um frequente visitante desta cidade, sabia que o Jardim se chamava “Jardim do Tabulado” e não “das Caldas”!

 

E recomendou-me, se por acaso eu quisesse ter mais um motivo de diversão nesta visita, que reparasse no nome das Ruas, vielas, avenidas ... e canelhas!

 

Aqui, fiquei como numa “estrada sem saída” (é o que dá ter nascido e crescido uma floresta de cimento armado!).

 

Fui para o Hotel esconder-me da caloraça, dormir uma sesta.

 

Depois da sesta, e para abrir apetite para o Jantar, fui de carro pela ponte de S. Roque, estacionei perto da antiga Estação e dei uma volta por aquelas redondezas. Vi o Estádio do “Depor”, apreciei as muralhas que protegiam a “Srª das Brotas”, descobri a “Panificadora do Nadir” e o «cañon» por onde outrora circulava o comboio.

 

O Monumento aos Mortos da I G.G.  achei-o com muita dignidade   -   um importante e significativo testemunho de reconhecimento dos Flavienses.

 

Chegada a «hora da janta», fui regalar-me, mais a minha namorada, ‘stá claro, a um dos mais famosos Restaurantes da cidade. Antes de sair para um passeio pela Ponte de Trajano e pela margem do Tâmega, compus-me com um  traguinho abonadinho (repetido) de geropiga!...

 

Caro amigo, assim foi o nosso, o meu e o da minha (faço por não me esquecer da modernicice, claro!) namorada, primeiro dia da conquista de CHAVES.

 

E, com este balanço, fizemos as expedições dos curtos dias de férias que fomos passar à sua «terrinha natal», e, no final, quem acabou por ficar conquistado foram estes dois, bem levados na sua cantiga!

 

Já lhe deixei umas referências a algumas expedições dos dias seguintes. Para a próxima, conto-lhe o resto.

 

Mas lá que CHAVES é um verdadeiro campo minado de tentações, de surpresas e de admirações, ai lá isso é! **

 

Num dos passeios pela fresca, na avenida junto ao mar de uma praia da Costa Verde, dei de frente com este casal, com que tinha feito amizade há ainda pouco tempo.

 

Como não podia deixar de ser, falara-lhe da NOSSA TERRA.

 

Hoje, depois das protocolares cortesias, convidaram-me para um refresco numa das esplanadas à beira-mar.

 

A dado momento, o meu amigo, a quem notei um entusiasmo de quem vai fazer uma surpresa agradável ou dar uma boa notícia, perguntou-me se eu tenho ido «à terrinha». E antes de eu lhe responder, atirou:

 

- Sabe....

 

E começou e acabou o discurso que acabo de vos dar a ler.

 

M., nove de Setembro de 2018

Luís Henrique Fernandes, da Granginha

 

15
Nov18

Ocasionais

ocasionais

 

“CABOS”

 

“É um facto sabido que

do Cabo de Stª Maria para nascente

 a abundância

 é de atum,

e do Cabo para poente,

de sardinha”

*Raul Brandão-Pescadores)

 

 

Com as palhas compridas do milho ou do centeio fazem grossas tranças entrelaçadas a acertados espaços com os grelos das cebolas.

Assim se “encaba” o «Cabo das Cebolas»!

 

As vassouras eram feitas de giestas. Mas mal duravam.

Aproveitou-se a piaçaba. Acrescentou-se-lhe um pau, redondo e leve: o Cabo da vassoura!

 

Fardados, de espingarda ao ombro e baioneta à cinta, a Guarda Nacional Republicana era distribuída por vilórias e aldeias. O comandante desse Posto era um Cabo: O Cabo da Guarda!

 

Na guerra, portou-se bem. E mal. Mas sobreviveu. Junto dos seus continuou a sua valentia. «Subiu na carreira»: é chamado Cabo de Guerra!

 

A costa é plana ou fractal. Porém, à saliência mais atrevida, a entrar pelo mar dentro ou a este lhe resistir, chamam-lhe Cabo. E ao mais famoso, o «Cabo das Tormentas»!

 

Camões disse daquele lugar: - “onde a terra acaba e o mar começa”.

Nós chamamos-lhe “O Cabo da Roca”!

 

A vida é fácil. Surge uma contrariedade: é o cabo dos trabalhos!

 

Estragou-se! Deu «cabo de tudo»!

 

Chegou-lhe a mostarda ao nariz: foi às do cabo!

 

         O “DEPOR” não ganha: dá-nos cabo dos nervos!

 

O árbitro roubou-nos (salvo seja!): há que dar-lhe cabo do canastro (salvo seja!)!

 

CHAVES não sai da cepa torta: isto dá-nos cabo da paciência!

 

Ao fim e ao cabo, lá chegou ao cabo da vida!

 

M.. onze de Novembto de 2018

Luís Henrique Fernandes, da Granginha

 

28
Ago18

Apenas um momento...

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Hoje fica apenas isto, um recorte de imagem, o resto fica para amanhã, com algumas palavras, na certeza, porém, que nada será aquilo que possa parecer,  e muito do que se poderia dizer, continuará no silêncio recatado da memória, mas haverá algumas estórias,  onde até as de amor serão possíveis, esperas, tardes longas, porto de abrigo, velhos do restelo, intelectuais do burgo e outros que tais. Hoje, o de agora mesmo, deste momento e não um hoje de hoje em dia,  não tenho mais tempo senão este…

 

Até amanhã, com o resto!

 

 

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