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CHAVES

Olhares sobre o "Reino Maravilhoso"

17
Jun19

De regresso à cidade...

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Cá estamos de novo de regresso à cidade, hoje com uma passagem pelo Forte de São Francisco. Desta vez fazemos o regresso ainda de noite… e podia continuar com esta escrita páginas e páginas,  seguidas,  a mentir-vos com verdades. É assim um pouco parecido com o que se faz na política, na história e até na poesia e literatura em geral. Para ser sincero, estou irritado. Esta imagem que vos deixo irritou-me, aliás a irritação já aconteceu  no momento em que a tomei, tudo porque não era este o seu melhor enquadramento, mas fui obrigado a desviar um bocadinho a objetiva para não apanhar um coisa que não queria apanhar…vai daí,  no momento de escrever estas linhas, pus-me a meditar sobre coisas que me irritam, o porquê de esta imagem me irritar se até gosto dela? ou, por exemplo o Camões, ou melhor, o Camões em nada me irrita, embora não seja um autor que eu leve de férias para ler ou que aprecie a sua obra, contudo há até alguns momentos dos quais gosto. O que me irrita em Camões não é o Camões, mas o culto que se faz à sua volta. Tal como acontece, por exemplo,  com o 10 de Junho,  Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas. O que faz o Camões no meio de Portugal e das Comunidades Portuguesas!? Porquê raio temos de estar sempre a evocar e a regressar a época dos descobrimentos!? Porquê raio se está sempre a falar de “Os Lusíadas”  e ninguém refere e poucos são os que conhecem a “Peregrinação” e Fernão Mendes Pinto!?. É, desde que descobri que a primeira História que aprendi estava manipulada e que havia outra História para além dela, nunca mais fui o mesmo e de vez em quando, quando penso nisso, irrito-me, tal como me irrita esta adoração de mitos e as mentiras da nossa história feitas apenas com as verdades que convêm, deixando de fora as verdades que a questionam ou desacreditam.

 

O que vale é que embora estas coisas me irritem, em nada perturbam o meu sono! Cada um acredita naquilo que quer!

 

 

 

07
Jun19

Uma Proposta para Sábado, em Santa Maria Madalena

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Foto de arquivo - 2015

 

Hoje ficamos na margem esquerda do Rio Tâmega, em São Roque junto ou de fronte à sua capela, pois é para aí que vai a nossa proposta para amanhã, sábado, com o “Mercado da Madalena”

 

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Foto de arquivo – 2011

Ficam estas duas fotos daquele que suponho vai ser o espaço do mercado. Embora as fotografias tentem apanhar todo o espaço e fossem tiradas em ambas as direções do largo, guiem-se mais pela primeira foto, pois é a mais atual. Não pelo espaço ser diferente, mas sim pelo arvoredo que entretanto cresceu e que nos dias quentes de sol intenso faz a diferença. Tempo que está meio chocho mas que promete melhorar para sábado.

 

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Há dias disse por aqui que a freguesia de Santa Maria Madalena[1] tinha excelentes condições para receber eventos de vária natureza. Desconhecia este “Mercado da Madalena” que já estava na calha, por pura distração minha, pois quando afirmei o que afirmei já este mercado estava anunciado, aliás, logo a seguir, realizou-se o primeiro mercado. Claro que só me posso congratular com a (dupla) ideia, feliz, de levar a efeito este mercado, e o “dupla” que atrás deixei, vai para o local escolhido e para os produtos que são anunciados em cartaz “produtos da região a preservar tradições do nosso povo!”. Sim senhor, aplaudo e só espero que assim seja. Sábado (amanhã) vou lá ver e depois conto como foi, fica combinado. É esta a nossa proposta para sábado.

 

 

 

 

[1] A respeito de Santa Maria Madalena, ver post https://chaves.blogs.sapo.pt/simplemente-madalena-1863826

 

 

 

23
Mai19

Simplemente Madalena!?

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Não acreditem naquilo que veem na imagem, ou melhor, acreditem porque é real, mas a ilusão de ótica leva-nos a crer que todos aqueles telhados do casario estão juntinhos quando na realidade há um rio a separá-los e uma ponte a uni-los. De facto assim é, mas as diferenças são algumas, pois o casario mais distante está em Santa Maria Maior, o mais próximo está na madalena, ou seja lá para o fundo é a cidade, mais próximo é a Madalena, lá para o fundo é Santa Maria Maior, mais cá é simplesmente Madalena, mas pouca gente sabe que esta Madalena é a Santa Maria Madalena. E qual o porquê da Santa Maria de cá ser só Madalena!? Só Freguesia da Madalena!? O porquê de lá ser cidade, cá não!? O porquê de a Santa Maria de lá ter uma igreja e a de cá apenas ter tido uma capela!? Capela essa que hoje é habitação e casa de móveis. Pois não sei responder a todas essas questões, embora desconfie qual seja a razão. Ainda dizem que o Sol ou a Lua quando nasce é para todos! Mentira, ainda há três dias estava eu na cidade a ver nascer a Lua, grande e luminosa, fui para casa a correr para lhe tirar uma fotografia e quando lá cheguei tive de esperar meia hora para que ela nascesse, e já não era tão grande assim!

 

Para que conste, neste blog, a partir de hoje a Madalena passa oficialmente a ser tratada por Santa Maria Madalena, e mais nada!

 

18
Abr19

A criatura e um pouco de tudo!

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Com a imagem que vos deixo, queria iniciar hoje, aqui e agora, uma nova rubrica no blog que se intitularia “Estórias da Criatura”, em que a criatura, a personagem principal dessas estórias, seria a gata preta que aparece na imagem. No entanto, pensei melhor e para já, não o vou fazer. Acontece que a criatura não é lá muito certa das puxadas, aliás é uma das características da raça, e sei isto por experiência que tenho dos gatos que passaram por casa, que,  quando nós adotamos um e o trazemos para casa para viver connosco, ele pensa que é ao contrário e mal entre em casa, pensa que a casa é dele e nós é que vivemos com ele. A psiconlinews que estuda a psicologia dos gatos diz isso mesmo quando afirma: “Ele acha-se o dono da casa no momento em que pisa nela pela primeira vez: já toma conta da cozinha, do sofá e até arranja o seu próprio cantinho. Os objetos, em hipótese alguma, devem ser substituídos ou trocados de lugar:  a sua casa torna-se o centro do universo para ele. Se você mudar alguma coisa dele de lugar, fará com que ele suba pelas paredes com tanto stress. Gostam de dominar e se ele não gostar das condições que você lhe oferecer, ele vai tentar fugir.” . Ora esta criatura nem sequer é de casa, é meia vadia,  e daí não me dar garantias de que irei ter matéria para alimentar a rubrica pensada de “Estórias da Criatura”. Assim sendo, o projeto vai ficar em banho maria a aguardar pelo desenrolar das estórias, e se elas continuarem, aí sim, faremos a complicação de tudo e até talvez dê para um romance ou, quem sabe, um filme…  

 

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Sem criatura, lá teremos que continuar com o dia-a-dia daquilo que vai acontecendo à nossa volta. Felizmente não faltam acontecimentos, o problema está mesmo em decidirmo-nos por um. Geralmente vamos indo ao sabor dos dias e do tempo, ou seja, se está a nevar trazemos aqui a neve, se está calor falamos do seu exagero, da seca, dos incêndios, etc. Ora tem estado a chover, estamos na Primavera e vem aí a Páscoa, não faltam temas para abordar e até podemos jogar com eles, por exemplo com o brilho da chuva, as cores da primavera, o florir dos campos, onde está também a cor púrpura da Páscoa ou mesmo inspirarmo-nos na geometria da pinga, da gota, da água…eu sei lá!

 

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Pois são essas (estas) as imagens que hoje vos deixo, apenas para variar um pouco.  

 

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Até amanhã!

 

 

07
Mar19

Fernando Peneiras “100peneiras” fotografia, em Chaves

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Mais uma vez o Blog Chaves deixa este espaço virtual para sair à rua, entrar na Adega do Faustino e num cantinho de três paredes mostrar a arte da fotografia, mas desta vez, é também a fotografia que nos mostra outras artes, como a arte que a natureza nos oferece num majestoso rio a desenhar uma linha curva por entre encostas feitas de um puzzle de peças de linhas retas paralelas, às vezes curvas, mas sempre geometricamente traçadas com todo o rigor, que ora se traçam de tons verdes, ora de tons amarelos, ora de tons sépias, ora de tons vermelhos,  para por fim se despojar de todas as cores e ficarem simplesmente nuas sem qualquer pudor.  São pérolas daquele, ou deste colar de pérolas que Miguel Torga apelidou de Reino Maravilhoso. É um bocadinho de tudo isto que o olhar de Fernando Peneiras registou e congelou para,  em fotografia, partilhar connosco neste mês de março e também abril, na galeria da Adega do Faustino, em Chaves.  

 

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Fernando Peneiras “100peneiras” fotografia

“O Meu Majestoso Douro”

 

Fernando Augusto Paiva Peneiras nasceu em S. João da Pesqueira e reside na cidade do Peso da Régua, onde exerce a sua actividade profissional e o seu hobby de “fotógrafo amador” que pratica com imensa paixão, sendo um grande entusiasta e um grande amante da Região Demarcada do Douro, Alto Douro Vinhateiro.

 

 É no seu site:

 http://fernandopeneirasfotografia.weebly.com/,

 

na sua página do Facebook:

 https://www.facebook.com/fernando.peneiras.7

 

e no seu blog http://fotografiafernandopeneiras.blogspot.pt/,

 

entre outros, que expõe, aos visitantes cibernautas e seus amigos, toda a beleza que o rodeia, os seus olhos observaram e as suas objectivas capturaram.

 

No entrudo de 2012 e a convite da direcção da Casa do Careto de Podence, realizou uma exposição fotográfica com o título "Figuras Míticas de um Povo", alusiva a essas figuras misteriosas e diabólicas, “os Caretos de Podence”.

 

Cedeu fotografias para diversas obras, tais como o “Guia Turística da Natureza do Douro”, o “Guia das Aldeias Vinhateiras”, as ilustrações de capa do livro "A NINFA DO DOURO" de Manuel Araújo da Cunha, foto de capa do livro “Palavras d’Alma” de Rui Mendes e, regularmente, trabalhos seus são vistos noutras publicações, cartazes, outdoors e paredes de vários negócios.

 

Trabalha regularmente com a AETUR (Associação dos Empresários Turísticos do Douro e Trás-os-Montes) onde tem fotografias suas expostas na Fundação Rei Afonso Henriques – Zamora/Espanha, participou numa exposição na casa de S. Paulo - S. Paulo, Brasil. Participou igualmente noutra em Buenos Aires e Montevidéu.

 

Publicou o livro de fotografias do Douro com o título “O Meu Majestoso Douro” das quais algumas neste espaço expostas. É coautor do livro de fotografias “Paisagem Natural” col. Fotógrafos da Nossa Terra.

 

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O ALTO DOURO VINHATEIRO, paisagens e histórias…

 

A paisagem da região do Alto Douro Vinhateiro é determinada pelo curso natural do rio e pelo esforço sobre-humano de gerações passadas. A sua beleza é fruto em iguais porções da generosidade divina e do suor humano, resultante do trabalho árduo e continuado de uma paisagem natural, bela por natureza, mas que se tornou única no mundo pela mão do Homem. As encostas que ladeiam o rio foram trabalhadas ao longo de séculos, partindo-se o xisto, construindo-se terraços e muros, e cultivando a vinha em socalcos. O resultado é assombroso, uma paisagem única no mundo. Nas palavras do poeta Miguel Torga: “é um excesso de natureza. […] Um poema geológico. A beleza absoluta.”.

 

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Região Vinhateira do Alto Douro ou Alto Douro Vinhateiro é uma área do nordeste de Portugal com mais de 26 mil hectares, classificada pela UNESCO, em 14 de Dezembro de 2001, como Património da Humanidade, na categoria de paisagem cultural e rodeada de montanhas que lhe dão características mesológicas e climáticas particulares.

 

S. João da Pesqueira é o Concelho que detém a maior área classificada como património mundial pela Unesco. (cerca de 20%.).

 

Esta região, que é banhada pelo Rio Douro e faz parte do chamado Douro Vinhateiro, produz vinho há mais de 2000 anos, entre os quais, o mundialmente célebre vinho do Porto.

 

As suas origens remontam à segunda metade do século XVII, altura em que o Vinho do Porto começa a ser produzido e exportado em quantidade, especialmente para a Inglaterra.

 

Contudo, os elevados lucros obtidos com as exportações para a Inglaterra viriam a gerar situações de fraude, de abuso e de adulteração da qualidade do vinho generoso. Os principais produtores de vinho durienses exigem então a intervenção do governo e a 10 de Setembro de 1756, é finalmente criada a "Companhia Geral da Agricultura das Vinhas do Alto Douro".

 

Para demarcar o espaço físico da região foram então mandados implantar 201 marcos de granito. No ano de 1761 são colocados mais 134 marcos pombalinos, perfazendo então um total de 335.

 

Já em 10 de Maio de 1907, ao abrigo do decreto assinado por João Franco, a região demarcada é novamente delimitada, estendendo-se para o Douro Superior.

 

A longa tradição de viticultura produziu uma paisagem cultural de beleza excepcional que reflecte a sua evolução tecnológica, social e económica.

 

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.

 

fernando peneiras

 

Ficam aqui algumas das imagens que estão em exposição, as restantes, terá que ir à adega do Faustino para as ver ou então, para ver outras imagens de Fernando Peneiras, aceder a um dos sítios (página, Facebook ou blog) que o autor partilha na WEB.

 

 

26
Fev19

Largo do Arrabalde e alguns lamentos

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Pensei que com o tempo lá me iria habituando ao que fizeram a este largo, mas não, aliás quanto mais o tempo passa, menos gosto da solução aqui adotada e que, comparativamente com o Largo das Freiras, o atentado aqui cometido foi bem maior, com a agravante de que aqui, pouco ou nada se pode fazer para melhorar este espaço, enquanto que nas Freiras ainda estão em aberto melhores soluções. No entanto o que mais me entristece, ou melhor, o que mais acrescenta ao meu desagrado é que a minha geração viveu intensamente grandes momentos da cidade de Chaves e de Portugal nestes dois largos (Arrabalde e Freiras),  e foi precisamente o pessoal da minha geração que os violou, sem qualquer respeito.

 

 

24
Fev19

Manuel Freire com a sua “pedra filosofal”  em Chaves

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Em 1969 a RTP dava à luz um programa que ficou para todo o sempre na memória dos portugueses – o Zip-Zip. Foi um programa de pouca dura, pois iniciou-se e acabou nesse mesmo ano. Realizado por Luís Andrade, apresentado por Fialho Gouveia, Carlos Cruz e Raul Solnado,  era gravado com público no Teatro Villaret e transmitido posteriormente na RTP,  depois de alguns momentos censurados pela PIDE, mesmo assim, quer pelas personagens que Raul Solnado assumia, quer pela qualidade dos seus convidados e pela música que levou até ao programa, o Zip-Zip ficou na História da RTP. Um desses convidados que ficou na memória de todos os portugueses foi Almada Negreiros, na música, deu-se a luz também nesse programa a “Pedra Filosofal”, um poema de António Gedeão (pseudónimo de Rómulo de Carvalho que por sinal era o autor dos nossos livros de físico-química do liceu)) com música e interpretação de Manuel Freire, esse mesmo Senhor que ontem à noite esteve em Chaves no 25º aniversário de uma Associação Flaviense (CCD) e nos proporcionou uma noite encantada com a sua música, poesia e as estórias que acrescentou ao seu espetáculo.

 

Fica o momento da “Pedra Filosofal”, com o qual Manuel Freire finalizou o seu espetáculo.

 

 

 

Sobre Manuel Freire:

 

Frequentou o ensino liceal em Ovar e Aveiro, chegando a estudar Engenharia, em Coimbra e no Porto, sem se licenciar. Incorporado no serviço militar em 1964, faz a recruta em Mafra, passando em seguida pelas bases aéreas da Ota e de Monsanto, obtendo o curso técnico de Armamento e Equipamento de Aviões.

 

Após o serviço militar ingressa na empresa de aços F. Ramada, com sede em Ovar, que integra durante cerca de 20 anos. Paralelamente desenvolve a sua carreira artística, centrado na música.

 

Em 1967 Manuel Freire entrou no Teatro Experimental do Porto, aceitando um convite de Fernando Gusmão. Aí faz a sua primeira atuação «a sério» no domínio da canção. Entretanto estreava-se na música, com um EP que continha "Dedicatória", "Eles", "Livre" e "Pedro Soldado", editado em 1968 pela Tecla. O cantor não escapou à censura, vindo a ser proibido o EP com os temas "Lutaremos meu amor", "Trova", "O sangue não dá flor" e "Trova do emigrante" devido a "O sangue não dá flor". É editado um single com os dois primeiros temas.

 

Obtém enorme projeção em 1969, ao aparecer no programa Zip-Zip, onde lança Pedra Filosofal, com poema de António Gedeão, que popularizou e cuja interpretação lhe valeu o Prémio da Imprensa desse ano, em conjunto com Fernando Tordo. Foi distinguido também com o Prémio Pozal Domingues.

 

No ano de 1971 foi editado o EP "Dulcineia" e o álbum "Manuel Freire" onde aparecem os temas dos primeiros EP's e onde musicou poemas de António Gedeão, José Gomes Ferreira, Fernando Assis Pacheco, Eduardo Olímpio, Sidónio Muralha e José Saramago.

 

Em 1972 colaborou na banda sonora da longa-metragem de Alfredo Tropa, "Pedro Só". Em 1973 lança o EP com os temas "Abaixo D. Quixote", "Pequenos deuses Caseiros", "Menina Bexigosa" e "ouvindo bethoven". Ainda em 1973 participou no LP "De Viva Voz" de José Jorge Letria, gravado ao vivo também com a participação de José Afonso.

 

A editora Zip-Zip lança em 1974 o LP "Manuel Freire" com os Ep's e singles gravados para aquela editora.

 

Em 1977 lança um single com os temas "Que Faço Aqui" e "Um Dia" da peça "Os Emigrantes" de Slawomir Mrozek para o Teatro Experimental do Porto. Contou com a colaboração de Luís Cília no LP "Devolta" de 1978 editado pela Lamiré. Em 26 de Janeiro de 1979 revelava ao Diário de Lisboa que pretendia fazer um disco infantil.

 

Em 1986, o disco lançado pela CGTP-IN, "100 Anos de Maio", inclui a sua música "Cais das Tormentas".

 

O disco "Pedra Filosofal" é lançado pela Strauss em 1993. Em 1995 actuou na Festa do Avante numa homenagem a Adriano Correia de Oliveira, onde foi acompanhado pela Brigada Victor Jara.

 

A 9 de Junho de 1995 foi feito Oficial da Ordem da Liberdade. Em 1996 recebeu a Medalha de Prata do concelho de Ovar.

 

"Lágrima de Preta" foi incluído na compilação "Sons de Todas as Cores", de 1997. Colaborou ainda no disco "Florestas Em Movimento", com Carlos Alberto Moniz, patrocinado pela Direcção Geral das Florestas, e na compilação "Pelo sonho é que fomos".

 

O disco As Canções Possíveis onde canta a poesia de José Saramago, de "Os Poemas Possíveis", foi editado em 1999 pela Editorial Caminho.

 

Em 2003, no seguimento da contestação a Luiz Francisco Rebello, tornou-se presidente da Direcção da Sociedade Portuguesa de Autores, acumulando com as funções de administrador-delegado até 2007.

 

Colaborou com José Jorge Letria e Vitorino num CD para crianças acerca da Revolução dos Cravos, intitulado "Abril, Abrilzinho", que foi editado em 2006.

 

 

 

Consultas:

https://pt.wikipedia.org/wiki/Manuel_Freire

 

 

 

12
Fev19

Chaves, Casa Azul e a ausência do parpalhaço

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De vez em quando dou comigo a regressar a casa por outros caminhos. Felizmente hoje todos andamos com um instrumento no bolso que além de nos manter contactáveis a todo o momento, também nos permite fazer registos por onde passamos. Refiro-me ao telemóvel. Pois numa desses regressos a casa tomei os meus caminhos de infância e primeira juventude, caminhos que calcorreei desde que nasci até finais dos meus 14 anos de idade, caminhos do meu bairro da Casa Azul. Curioso que desde essa altura já passei por outros bairros e moradas, bem mais tempo que os 14 anos da Casa Azul, mas este, continua a ser o meu único bairro, e não o é só por ter nascido lá… Mas continuando, ia eu dizendo que numa das vezes que por lá passei, fiz três registos de imagem, apenas três, sem qualquer razão aparente, mas que hoje, revendo essas imagens, vejo que foi o meu inconsciente (o da psicologia) que deu impulso ao  meu acto, pois nele registei as três casas que mais me marcaram e trago sempre comigo na memória viva do consciente. Primeiro, esta casa que ficou atrás na primeira imagem do post, é a casa dos braguinhas (foi assim que a conheci), a casa principal de um conjunto de casas que se desenvolviam de um e do outro lado da estrada, casa que para mim sempre foi a construção mais bonita da cidade de Chaves, cheia de pormenores de encantar, com jardins lindíssimos e uma pérgula que de verão irradiava os aromas de perfume das glicínias. Sempre me encantou e continua a encantar, mas o registo que tenho desta casa, é um registo estranho e talvez seja por isso que a mantive para sempre na memória, ou seja, não tenho memória de alguma vez ter visto esta casa habitada, pessoas na varanda, à janela, a usufruir da pérgula, e a pergunta que sempre me pus sem a fazer é: Porquê uma casa de encanto, a mais bonita, de contos de fadas, príncipes e princesas, nunca teve gente dentro para dela poder usufruir e nela ser feliz?

 

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A segunda casa que aqui fica é a casa onde nasci, vivi nela apenas 14 anos mas conheço de memória todos os seus cantinhos. 14 degraus de escadas, virar á direita, 4 passos e a entrada, e fico-me por aqui, pois lá dentro há toda uma imensidão de recordações, boas recordações, mesmo aquelas em que chorei de dor ou de revolta, hoje são boas recordações, recordadas como momentos felizes. Curiosamente hoje refleti um pouco sobre a felicidade, em como ela se conjuga no passado e em todos os pretéritos, e ao que parece, quanto mais distante é esse passado mais felizes fomos, mesmo que então o não tivéssemos sido.  Passar hoje por esta rua, pela “minha” casa, é reviver acontecimentos em cada palmo de casa, em cada palmo de rua, sempre cheia de gente, muita rapaziada de todas as idades. Daquela varanda do meu quarto, dominava toda a rua e todo o mundo, mas apenas servia para espreitar se era o momento certo de descer para a viver, a rua. Ultimamente tenho passado por lá mais vezes do que era habitual e há uma razão, desta vez conhecida e consciente. Lembro-me de tudo nesta rua, dos rostos de toda a gente, onde moravam, os nomes e alcunhas, o que faziam, onde trabalhavam, sei indicar com precisão onde malhei a primeira vez de bicicleta, depois de motorizada, quando fiz as cicatrizes que ainda hoje tenho nos joelhos, etc, etc, etc. Mas há dias um rapaz do meu bairro, em conversa, referiu-se a um acontecimento que ocorreu ao pé da casa do “parpalhaço”, e desde aí a minha cabeça não tem tido descanso. Ao ouvir “parpalhaço” uma luz acendeu-se  e trouxe-me à vida o nome, alcunha que durante anos a fio esteve escondido em qualquer canto da memória, mas não há raio de me lembrar onde o homem morava, quem era, como era, a minha memória trouxe-me o nome do “parpalhaço”, apenas isso. Porquê esqueci o resto!? Porquê!? Não tenho insónias com o caso porque sou de bom dormir e não entro em depressão porque não tenho tempo, senão andava praí todo deprimido e a morrer de sono. É inadmissível que  toda a rapaziada do meu bairro se lembre do parpalhaço e eu não.

 

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Mas passemos à frente, à casota do pastor. Desde que tenho memória, sempre me lembro dela, ali estacionada, no mesmo sítio ao lado da oliveira, às vezes com ovelhas espalhadas à volta pelo campo, outras vezes sem elas, é uma das três casas que guardo comigo para todo o sempre, vejo-a na perfeição de olhos fechados mas tal como a primeira, há uma coisa que sempre me intrigou e continua a intrigar, nunca vi a casota habitada, mais ainda, nunca vi ou conheci o pastor. Imperdoável talvez, mas desta vez sei que não há esquecimentos, apenas nunca calhou ter visto o pastor.

 

Bom, e para terminar num momento feliz, o engraçado era se o pastor fosse o parpalhaço, mas não, isso sei que não é verdade, pois o pastor tenho a certeza que nunca o vi, já quanto ao parpalhaço, tenho  também a certeza de que o conheci… daí, lá terei que continua a passar pela minha rua para ver se me vem à lembrança.

 

 

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