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CHAVES

Olhares sobre o "Reino Maravilhoso"

21
Jan21

Chaves de Ontem - Chaves de Hoje

Da Praça D.Carlos I à Praça da República

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ontem-hoje

 

 

Praça da República

 

Neste Chaves de ontem e de hoje, vamos até à Praça da República, contando um bocadinho da sua história com base em algumas imagens disponíveis, sendo sempre um agradável desafio tentar localizar no tempo as imagens de que dispomos recorrendo a alguns dados documentais e outros dados que a própria imagem contém.

 

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Foto 1

Desde já, pela “Acta Municipal de 13-10-1910”, ou seja uma semana após a implantação da República, o Presidente da Câmara, Dr. António Granjo, propõe que a então Praça de D.Carlos I passe a chamar-se Praça da República, tal qual ainda hoje se chama, embora também seja conhecida por praça do Pelourinho, que foi lá erguido pela primeira vez em 1515, mas nem sempre lá esteve, tendo sido daí apeado em 1870, passando para o Largo da Madalena, tendo também aí sido apeado anos depois para no seu lugar ser construído um fontanário, que ainda hoje existe. Há também alguns documentos que posteriormente o localizam no atual Largo do Anjo onde novamente foi apeado, depois esquecido para mais tarde ser relembrado e erguido a meio da Praça de Camões onde pouco durou, vindo por fim a ser erguido no sítio atual. Pelourinho este que nos vai servir para localizar no tempo algumas das imagens de hoje, que para já podemos com estes dados dividir em dois grupos, a fase anterior e posterior ao pelourinho, ma há mais.

 

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Foto 2

 

Só a partir das imagens que temos disponíveis, a Praça da República passou por várias fases, a saber:

1ª – A praça com a casa dos arcos;

2ª – A praça sem casa dos arcos;

3ª – A praça com jardim, sem jardim, com jardim novamente, sem jardim novamente;

4ª – A cobertura da torre sineira da Igreja Matriz, a antiga e a atual;

5ª – A praça sem pelourinho e com pelourinho.

6ª – A praça com e sem olmo na praça de Camões.

 

 

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Foto 3

 

Para as duas primeiras imagens sabemos que a casa dos arcos durou pelo menos até 1920, pois foi nesse ano é que a Câmara Municipal arrematou a sua demolição “ Casa dos Arcos - Arrematada a demolição desta casa pelo construtor civil, desta vila, José Teixeira de Sousa, único concorrente, pela quantia de 50$00, com direito à pedra e com obrigação da limpeza do lugar”. No entanto sabemos a data da foto 1, pois a mesma foi publicada nas incursões autárquicas de autoria de Firmino Aires, onde na legenda consta ser de 1865. Aparentemente a foto 2 é da mesma data.

 

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Foto 4

 

Quanto à foto 3 e 4 sabemos que é posterior a 1920 porque já não tem a casa dos arcos e anterior a 1934, ano em que aí foi reerguido o Pelourinho. Entretanto dá para perceber que se foi ensaiando o ajardinamento, que mais tarde viria a envolver o Pelourinho.

 

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Foto 5

 

A foto 5, por ainda não ter pelourinho, é anterior a 1934, mas também não tem jardim nem canteiros, apenas árvores. Se não fosse pela nova cobertura da torre sineira da Igreja Matriz, seria levado a dizer que esta foto era anterior às fotos 3 e 4, mas assim não há qualquer dúvida que é posterior. Intriga-me é estar sem jardim e os respetivos canteiros e bancos, mas talvez seja uma foto já do ano de 1934 em que o largo é limpo e preparado para receber o Pelourinho e o novo arranjo do largo, com novos canteiros ajardinados, tal como se pode ver nas fotos 6 e 6-1, por sinal a mesma foto que deu lugar à publicação de dois postais ilustrados de diferentes séries. Esta foto já é posterior a 1940, pois ao fundo, o edifício do atual Museu da Região Flaviense já aparece com 3 pisos, tendo o 3º piso sido construído nesse ano.

 

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Foto 6

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Foto 6-1


As fotos 7 a 12 são todas posteriores a 1959 e anteriores a 1966, para afirmarmos isto, temos a data de algumas fotos (1960) a matrícula do carro em primeiro plano (HE-15-99) da foto 7, é uma matrícula do ano de 1959 ou 1960, e todas as fotos são anteriores às obras da Igreja Matriz de 1966 a 1968 em que a configuração do telhado é alterado, deixando de ter duas águas, passando a um telhado com dois níveis diferentes, ficando o beiral mais próximo do chão e a torre sineira mais à vista, embora com a mesma altura. Curiosa é a outra matricula do VW carocha, pois segundo a listagem de matriculas que a ANECRA – Associação Nacional das Empresas do Comércio e da Reparação Automóvel disponibiliza, a matrícula do carocha (RS-13-83), deveria ser do ano de 1984, pois em todos os locais que procuramos pelas letras RS nos remetem para esse ano, daí, das duas uma, ou a matrícula é falsa ou então não consta nas listagens consultadas, vou mais pela segunda hipótese.

 

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Foto 7

Para ficarmos a saber mais um pouco sobre esta praça, vejamos o que Firmino Aires deixou registado na “Toponímia Flaviense”:

Praça da República
— Zona: Centro
— Limites: Compreendida entre a Rua de Santa Maria, Praça de Camões e Rua Direita.
É conhecida também como Largo do Pelourinho.

 

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Foto 8


Teve nome realengo, havendo caído em desgraça após a implantação da República. Como muitas vezes acontece, os heróis de ontem podem ser os traidores de hoje, caindo em menosprezo. Vai Victis! — assim diziam os romanos .

Este lugar foi e continua a ser o ponto onde se encontra e redivide todo um passado histórico de Chaves, desde tempos longínquos.
Aqui viveram populações romanas durante séculos. Aqui se comemoram actos religiosos e se viveram horas de opróbrio. Foi também cemitério medieval e praça (mercado).

 

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Foto 9


Desde tempos imemoriais foram ali os Paços do Concelho.

 

Os Paços do Concelho eram, desde tempos muito antigos, situados no pequeno largo contíguo à Igreja Matriz. O modesto edifício compunha-se de rés do chão e um andar, tudo de aspecto pobre e de acanhadas dimensões. Do lado do Norte confinava com a Rua Direita e aí tinha um pequeno torreão no qual estava instalado o velho relógio da vila. Do lado Sul confinava com uma casa particular, que em 1858 pertencia ao marechal de campo reformado Agostinho Luís Alves.


Em frente dos Paços do Concelho, limitando a pequena praça em que também se erguia o pelourinho da vila, havia uma arcada de três arcos, formando um abrigo, com um banco de pedra, destinado às pessoas que tivessem de esperar despachos da Câmara ou do Tribunal da Comarca, também no edifício instalado.

 

 

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Foto 10


A Câmara, para melhorar estas instalações julgou conveniente juntar ao edifício dos Paços do Concelho a casa acima referida e com ele confinante do lado Sul...


Com efeito, da acta de sessão camarária de 22 de Outubro de 1858 consta o seguinte:


O Presidente fez saber à Câmara a grande necessidade de alargar os Paços do Concelho... Por todas as razões propunha à Câmara a aquisição da casa do marechal de campo reformado Agostinho Luís Alves... sendo unanimemente aprovada...


A compra desta casa não remediou porém a deficiência de compartimentos para as instalações do município.

 

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Foto 11


…Mas o tenente de engenheiros José Correia Teles Pamplona, em serviço na guarnição, a quem a Câmara pedira o estudo dessas obras, informou que elas não podiam importar em menos de oito contos de reis e que ainda assim a casa não ficaria com as comodidades necessárias para todas as repartições, como a Câmara pretendia. A Câmara em vista disso resolveu desistir dessas obras.(Carvalho, Gen. Ribeiro de - Chaves Antiga, 109/110).

 

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Foto 12

Nesse mesmo ano de 1861, no mês de Julho, a Câmara foi transferida para o palacete do Largo Principal, pertencente ao morgado de Vilar de Perdizes —António de Sousa Pereira Coutinho, o que havia sido comprado por 2.600:000 reis.

 

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Foto 13

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Foto 14

 

Pelo Almanaque O COMÉRCUI0 DE CHAVES de 1937, viemos a saber que o último nome foi PRAÇA D. CARLOS I. Por proposta do Dr. António Joaquim Granjo, Presidente da Câmara, passou a designar-se Praça da República, deixando de se chamar Praça de Dom Carlos.
(Acta Municipal de 13-10-1910).

 

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Praça da República - Atual


E finalmente a praça que hoje temos, sem casa dos arcos, com pelourinho, sem jardim e sempre com muitos popós estacionados, mesmo que o acesso a esta praça seja de trânsito proibido e de estacionamento também.

 

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Praça da República - Atual

E diga-se que não foi fácil encontrar esta fotos, pois embora tenha as redondezas todas fotografadas, à exceção de alguns pormenores da praça, em geral passo-lhe por cima sem a fotografar. O porque é fácil de explicar, em geral, não fotografo coisas que não gosto de ver, e não é pela praça que não a fotografo, pois até é uma das mais bonitas que temos, mas não gosto dos adornos, embora até possam dar jeito num futuro distante, quando alguém como este artolas andar a pesquisar o possível ano da foto pela matricula dos tais adornos.

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Praça da República - Atual

 

Contudo, de vez em quando lá se consegue uma se adornos, com a praça limpinha, e aí, sim, já dá algum gosto tomar umas fotos
Sem carros.

 

BIBLIOGRAFIA
AIRES, Firmino - Incursões Autárquicas, Grupo Cultural Aquae Flaviae, Minerva Transmontana, Vila Real, 2000.
AIRES, Firmino - Toponímia Flaviense, Câmara Municipal de Chaves, Minerva Transmontana, Vila Real, 1990.
CARNEIRO, Francisco Gonçalves – A Igreja de Santa Maria Maior de Chaves, Edição de Autor, Livraria Editora Pax, Braga, 1979.
FONTES, Lourenço, Etnografia Transmontana II - Comunitarismo do Barroso, edição do autor, Montalegre, 1974.

 

WEBGRAFIA
http://www.monumentos.gov.pt/, consultada em 18-01-2021
https://www.anecra.pt/, consultada em 18-01-2021

 

05
Jan21

Chaves de Ontem - Chaves de Hoje

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Na rubrica do “Chaves de Ontem - Chaves de Hoje” vamos até ao ano novo de 1916, com umas despedidas do ano velho que encontrámos no jornal “O Flaviense”, em que se lamentava o ano e se projetavam esperanças para o ano novo. Recordemos que na altura se estava em plena Grande Guerra Mundial.

 

Ano novo

 

Entramos em ano novo sem que o velho nos deixe saudades.

 

Ao soarem as badaladas da meia noite, o ano de 1915 traspoz definitivamente os humbraes da História ouvindo um grandioso côro de maldições. Troava o canhão, crepitava a fuzilaria, corriam por sobre a terra rios de sangue, longos crepes cobriam milhares de viuvas e de orfãos, alastrando pelo velho mundo como negra mancha cada dia mais extensa e mais carregada, talava os campos uma devastação enorme, ouviam-se os brados colericos da miseria e os uivos lamentosos da fome, e por toda a parte, na terra, no mar e nos ares, maquinas de morte e destruição marcavam a par de um feroz engenho, producto da cultura dos homens de hoje, o mais brutal retrocesso aos tempos barbares, a mais cruel e completa negação da paz e do amôr que deviam caracterisar uma epoca de fraternidade universal.

 

Ano tragico foi o que findou, terrivel período de ferocissima lucta, que a Historia registará com lamentos de dôr.

 

Não desponta menos tragicamente o novo ano. O que será o seu curso? O que será o seu termo?

 

Não podemos rasgar o veu que nos encobre o futuro. Anima-nos, porem, a esperança de que 1916 será ano de paz e que a paz marcará o inicio de um novo periodo de reconstituição e de ressurgimento. E desejando que as nossas esperanças não sejam iludidas, a todos os nossos estimados leitores e assinantes aqui apresentamos, com os nossos cumprimentos, os votos mais siceros para no ano novo que começa lhe seja possível gosar as maiores venturas e prosperidades.

 

Pois, mas as venturas e prosperidades foram de mais 3 anos de guerra (1914-1918) e como se a guerra não bastasse, foram seguidos de 2 de pandemia denominada de “Gripe Espanhola” ou “Pandemónica” (1918-1919), que portugueses e flavienses também sofreram, em que na Grande Guerra houve 31.130.500 de mortos, feridos e desaparecidos,  e a pandemia, de janeiro de 1918 a dezembro de 1920, infetou uma estimativa de 500 milhões de pessoas, cerca de um quarto da população mundial e estima-se que o número de mortos esteja entre 17 milhões e 50 milhões, e possivelmente até 100 milhões. Só em Portugal estima-se que o número de mortos fosse entre os 60.000 a 100.000 com uma população que na altura era aproximadamente metade daquela que temos hoje. Penso que dá para imaginar o que foram aqueles 6 anos…

 

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O Chaves de ontem e de hoje, desta vez foi assim, mas fica já uma imagem da praça que iremos abordar na próxima semana.

 

 

01
Dez20

Chaves de Ontem - Chaves de Hoje

Cidade de Chaves

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Já há muito que não vínhamos aqui com esta rubrica, mas com esta coisa da pandemia e de começar a ter saudades do passado, mesmo que recente, ressuscitou-nos a vontade de trazer aqui mais um bocadinho do Chaves de ontem e o Chaves de hoje, um pouco inspirado, ou em tudo, por uma passagem do diário de Miguel Torga, a respeito da nossa cidade no ano de 1960, quando este senhor que está para aqui a teclar esta escrita, tinha visto a luz pela primeira vez há 5 meses e 4 dias.

 

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Eu que até gosto de Torga e que até o considero o maior escritor e poeta a cantar Portugal, que conheceu e calcorreou o seu território e conheceu a sua gente, principalmente do nosso Portugal interior e mais profundo. Eu que como flaviense me senti sempre muito honrado por Miguel Torga nos incluir (Chaves e a região) tantas vezes no seu diário e que até nos descreve e inclui no Reino Maravilhoso que ele criou para nós. Eu um Torgónamo assumido, quando li uma das passagens que escreve no seu diário em 26 de setembro de 1960, que até elogia a gente de Chaves, não gostei mesmo nada daquilo que ele escreveu sobre a cidade de Chaves. Fica já a seguir, com o que não gostei a negrito e sublinhado.

 

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Chaves, 26 de Setembro de 1960

 

Há terras, como Aveiro, por exemplo, impregnadas de não sei que dignidade específica. É uma espécie de irradiação ética, que compensa largamente o forasteiro de todos os desconfortos e desilusões urbanas que nelas sinta. Chaves pertence a essa família. Apesar de feia, suja e desfigurada, o espírito sente-se aconchegado dentro dos seus muros. O prazer que os sentidos não gozam na pureza dos monumentos, na grandeza das praças e no desaforo das avenidas, encontra-o a alma na atmosfera de sanidade humana que respira na mais abafada e miserável ruela.

Miguel Torga, in Diário IX

 

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Fiquei com esse nó atravessado na garganta até ao dia de hoje, em que fui vasculhar e procurar no arquivo fotográfico do blog Chaves Antiga imagens de Chaves do ano de 1960, onde por sinal até encontrei bastantes imagens, onde depois de as ver e analisar muito bem, despido de sentimentalismos e bairrismos, com o olhar neutro e virgem, tal como Torga viu Chaves na época, só tenho que pedir desculpas, talvez perdão a Miguel Torga. Ele tinha toda a razão, Chaves era feia, suja e desfigurada, ou melhor, a cidade estava  feia, suja e desfigurada, embora fosse a cidade que sempre tinha sido até aí e que ainda hoje é (refiro-me apenas ao Centro Histórico), aliás hoje, o nosso centro histórico até está bem mais desfigurado que nos anos 60 do século passado, só com uma diferença, passou a ser uma cidade mais limpa, asseada e embelezada, principalmente no que diz respeito ao seu património histórico e monumental (fortes, castelo, jardins e espaços verdes, rio, ponte romana e edifícios públicos, igrejas e capelas) e felizmente, a grande maioria dos edifícios privados, pelo menos os mais emblemáticos, têm e estão a ser reconstruídos.

 

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Penso que o próprio Miguel Torga, que nos últimos 20 anos da sua vida passou a vir a Chaves frequentemente, pelo menos uma vez por ano, se apercebeu dessa alteração na cidade de Chaves e que se viesse hoje pela primeira vez a Chaves, com o seu olhar sem que os olhos perdessem a virgindade original diante da realidade e o coração, não diria que Chaves hoje é feia, suja e desfigurada, antes pelo contrário, mas sem esquecer os pecados nela cometidos e alguns que estão por resolver, refiro-me aos mamarrachos de betão e a algum casario que há anos estão em ruinas ou completamente degradados, como o que fica a seguir, que por sinal são as vistas principais que se podem ver desde o Hotel de Chaves recentemente, e que não devem ser nada agradáveis de ver para o turista que pela manhã se aborda da janela para ver como está o dia… Ficam duas imagens para contraste, com pecados de hoje, mas também belezas dos anos 60, bem mais bonito que o atual espaço, pois nem tudo era feio, sujo e desfigurado, talvez exceções, mesmo ao que aqui se disse.

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Pelas imagens que foram ficando de Chaves no ano de 1960 e Chaves dos últimos anos dá para ver que a cidade foi melhorando o seu visual sem se alterar, bem mais limpa, bem mais bonita, uma cidade que hoje se recomenda e que para mim, como flaviense e sem qualquer bairrismo, não há cidade igual à nossa e é a cidade mais bonita do mundo, só o raio do bicho corona é que está cá a mais…

 

 

 

31
Mar16

Chaves de ontem, Chaves de hoje

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Hoje fazemos um regresso ao ano de 1959, à Lapa, ainda com o antigo bairro da lapa adossado ao forte de S.Francisco. Os putos da bola de então que ficaram registados na imagem, hoje são flavienses de sessenta e tal anos.

 

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Fica então a imagem de Chaves de hoje, cujos arranjos são dos finais dos anos setenta e inícios dos oitenta do século passado, transformando o antigo capo da bola e recinto que acolhia os circos, no principal estacionamento da cidade. Quanto às casas adossadas à muralha, deram lugar a um espaço ajardinado.

 

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11
Mar16

Chaves de ontem, Chaves de hoje

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A lapa, em Chaves, antes de ser o atual estacionamento de popós, foi cemitério, campo(s) de futebol, poiso de circos, ringue de ajuste de contas entre a rapaziada do liceu e bairro de casas com pessoas, entre outras coisas.

 

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À semelhança do que acontecia  noutros locais na cidade, a muralha, neste caso a do Forte de S.Francisco, serviu durante muitos anos de amparo às construções que a ela se foram adossando . Atentados de outros tempos, mas bem mais fáceis de corrigir que os de hoje, pois em vez de betão armado, as casas da época eram de pedra e madeira para além de serem pequenas.

 

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A primeira imagem é de 1968 e as casas por lá se mantiveram até inícios dos anos setenta. A segunda imagem, tomada mais ou menos do mesmo local,  é de há dias atrás, em fim de semana, por isso estar limpa de popós.

 

 

17
Fev16

Chaves de ontem, Chaves de hoje

 

ontem-hoje

 

Muitas vezes insurjo-me aqui contra as “verdades” da História, e não é por mero acaso, mas simplesmente porque sei que a História é feita conforme quem a transcreve, ou seja, se houver dois historiadores a fazer a História de um mesmo acontecimento, pela certa que vamos ter duas versões da mesma história, mesmo que documentada e mesmo que aparentemente semelhantes, há sempre pormenores que fazem a diferença e alteram toda a verdade. Hoje, nas imagens que vos deixo, temos um bom exemplo de uma verdade (ou não) alterada por um pormenor. Se repararem bem nas duas primeiras imagens que a seguir vos deixo, há pequenas diferenças entre ambas, começando na data em que foram tomadas, pois a primeira é de 1965 e a segunda de há dois dias atrás.

 

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Foto 1 -  de 1965

 

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Foto 2  -  de fevereiro de 2016

Entre ambas as datas das fotos anteriores, o edifício em questão sofreu obras de reconstrução e à vista salta logo uma pequena diferença entre ambas, mais propriamente nas três janelas superiores que na versão atual são mais pequenas. De resto mantem-se quase tudo igual, não fosse esta placa (foto nº3) que assinala a altura que alcançou a cheia do Rio Tâmega de 22 de dezembro de 1909.

 

3- 13271-2.jpgFoto 3  -  de fevereiro de 2016

 

A placa foi ampliada da seguinte foto (4), que é uma foto atual:

 

4 - 13271-1.jpg

 Foto 4  -  de fevereiro de 2016

 

Mas vejamos a placa no contexto da fachada do edifício (foto 5) que é a foto atual, a mesma que a foto 2 só que a placa está agora assinalada dentro dum círculo vermelho, entre traços vermelhos que correspondem à altura da janela do lado:

 

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 Foto 5

 

Então agora, fazendo o mesmo exercício na foto de 1965, observem onde estava então a placa da cheia (foto 6).

 

6 - cheia-2.jpg

 Foto 6

 

Segundo uma estimativa minha, a placa após as últimas obras de reconstrução do edifício, foi colocada cerca de um (1) metro acima. Inocência ou falta de referências de que a recolocou!? – Poderia ter sido, mas penso que não, é mais a nossa velha mania de empolarmos os acontecimentos fazendo das coisas pequenas grandes coisas. E assim se vai enganando quem vê a placa e a observa com espanto. Penso eu que seria de bom tom repor a verdade recolocando a placa no seu devido sítio. Mas aqui surge-me uma dúvida e essa é a dúvida da verdade, pois quem me garante a mim que a primeira placa estava no seu devido sítio!? – Sendo como somos, é bem possível que a primeira placa já tivesse sido colocada um (1) metro acima da verdade, o que a ser verdade, a verdade de hoje está 2 metros acima da grande cheia de 22 de dezembro de 1909. Contudo, pela foto seguinte dessa cheia, pela diferença que a água leva até à parte superior do arco o à parte inferior da janela do outro edifício, facilmente se poderá repor a verdade verdadeira, ou não. Mas vejamos a foto:

 

ca (533).jpgCheia de 1909

 

Pois o “ou não” do parágrafo anterior é que sabemos que a foto é da cheia de 1909, no entanto não sabemos se foi tomada no dia em que a cheia atingiu a sua altura máxima, e daí voltamos à estaca zero e lá teremos que acreditar, ou não, em mais uma mentira da história. Mas também pode ser verdade. E isto faz-me sempre lembrar o caso do Silveira e do Pizarro nos acontecimentos das segundas invasões francesas em Chaves (tinha de dizer isto...).

 

Enfim, mas tudo isto são balelas minhas, pois como não sou historiador, tudo que por aqui deixo não vale de nada…

 

 

02
Jan16

Chaves de ontem, Chaves de hoje

ontem-hoje

 

O prometido é devido e nesta última hora do dia vamos ter tempo ainda para deixar aqui alguns posts, retomado algumas crónicas que estavam adormecidas, com esta do Chaves de ontem e de hoje, que no caso, trata-se do Largo do Arrabalde em 1992 (a primeira foto) e o Largo do Arrabalde, hoje, dia 2 de janeiro de 2016 ( a segunda foto). Ambas as fotografias tomadas do mesmo local.

 

Arrabalde em 1992 - 1600-2015-04-22_7

 

Isto também para demonstrar a importância que a fotografia pode ter como documento, em que aquilo que se poderia explicar por palavras nunca teria a profundidade daquilo que se ve.

 

Arrabalde em 2016 - 1600-(45715)

 

Também para ir de encontro àquilo que no último post do ano velho disse aqui sobre a construção do Museu da Termas Romanas. Claro que alguma coisa tinha de ser feita, mas pela certa que haveria outras soluções. Ah!, e não me venham com a cantiga de que são coisas do IPPAR[i], pois que eu saiba, o IPPAR não faz projetos.

 

[i] O IPPAR – Instituto Português do Património Arquitetónico, existiu de 1992 a 2007 e todas as construções do Centro Histórico de Chaves eram obrigadas a ter parecer positivo deste organismo. Em sua substituição, mais ou menos com as mesmas funções acrescida das do Instituto Português de Arqueologia, também extinto, foi criado o IGESPAR – Instituto de Gestão do Património Arquitectónico e Arqueológico. Atualmente, penso, pois não tenho a certeza, que o IGESPAR também já não existe, passando todas as suas competências para a Direção-Geral do Património Cultural.

 

 

11
Abr14

Chaves de ontem, Chaves de hoje

 

Mais coisa menos coisa, de uma até a outra imagem que hoje vos deixo vão 100 anos, pelo menos a julgar pelo que se pode ler nas “Incursões Autárquicas de Firmino Aires: “ 6-  -1920 – Praça da República – Casa dos Arcos. Arrematada a demolição desta casa pelo construtor civil, desta vila, José Teixeira de Sousa, único concorrente, pela quantia de 50$00, com direito à pedra e com obrigação da limpeza do lugar”.

 

 

Sabemos assim que pelo menos até 1920 a Casa dos Arcos ocupava quase metade da atual Praça da República. Fotografias antigas que são autênticos documentos e que a julgar por outras fotografias existentes entre o ano de 1920 e o atual ano de 2014 a arquitetura da praça já conheceu várias versões, algumas bem mais interessantes (a meu ver)  que as que são documentadas nas fotografias de hoje.

 

 

 

13
Mar14

Chaves de ontem, Chaves de hoje

 

Vamos lá a Chaves de ontem e Chaves de hoje com mais um espaço jardim que com o tempo deu lugar a dois edifícios públicos.

 

 

 

Uma das referências mais antigas que encontrei para este espaço está relatado na “História Moderna e Contemporânea da Vila de Chaves”, Volume I, de Júlio Montalvão Machado onde se cita uma passagem do Jornal Intransigente do ano de 1904:

 

“ – Está transformado em Jardim a alameda contígua à Avenida Tenente Valadim. Um gracioso qualquer (e na nossa terra abundam) lembrou-se de chamar “Maria Rita”, não sabemos porquê, à figura algo aleijada e deselegante que ali puseram na muito falada “taça”, a jorrar água de uma trompa que tem na boca. Daí o nome de “Jardim da Maria Rita” que vão dando com certa insistência ao aprazível passeio com que a Câmara acaba de dotar a parte alta da vila”

 

a mesma foto atrás reproduzida numa outra edição de postais da Papelaria Mesquita

 

Contudo, Firmino Aires nas “Incursões Autárquicas” deixa uma referência de uma ata da Câmara Municipal datada de 28-12-1903 onde se diz:

 

“ Jardim Maria Rita. Aquisição de um golfinho de ferro fundido, para o jardim, pela quantia de 36$765 réis.”

 

A referida estatueta da "Maria Rita" em paradeiro (por mim) desconhecido

 

A atual "escultura" substituta da "Maria Rita"

 

Teria então nascido o Jardim da Avenida (conforme mencionado em postais), Jardim Maria Rita ou ainda Jardim Tenente Valadim (conforme mencionado em “Incursões Autárquicas” e  “História Moderna e Contemporânea da Vila de Chaves”, nos inícios do Século Passado.

 

O Jardim Maria Rita com taça sem água mas com Maria Rita (foto de 01-08-2008 às 13H33)

 

Quanto à Maria Rita, a tal estatueta “algo aleijada e deselegante” à qual eu até achava alguma graça e interesse, não sei o que é feito dela, pelo menos não está no sítio do costume, onde agora nasceu em sua substituição uma mesa de pedra com uma “mijareta” ao centro, esta sim (a meu ver) bem mais aleijada e deselegante que a pequena Maria Rita.  Já agora, que é feito da Maria Rita?

 

Jardim Maria Rita com taça com água mas sem Maria Rita - Foto de  08-03-2014, às 16:00

 

Só mais uma: Fica aqui provada a importância que tem fotografarmos a torto e a direito tudo aquilo que vemos e por onde vamos passando, pois mais cedo ou mais tarde vai ser um importante documento com o qual também se pode fazer História. E com esta me vou.

 

 

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