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CHAVES

Olhares sobre o "Reino Maravilhoso"

18
Mai19

Seixo - Chaves - Portugal

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Estava prometido e cá estamos com a aldeia do Seixo, uma das aldeias do vale da Ribeira de Oura.

 

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Seixo para além de ficar no vale da Ribeira de Oura é também uma aldeia da estrada 311. Já há tempos nos referimos a esta estrada como uma das estradas mais bonitas de Portugal (das que eu conheço), tudo por ser uma estrada de montanha. Penso mesmo que em vale, esta estrada, só mesmo do Seixo a Vidago é que é mais ou menos plana e sem grandes curvas, de resto é tudo em montanha e passa por quatro concelhos – o de Chaves, Boticas, Montalegre e Cabeceiras de Basto, Ou seja, liga o Alto Minho a Trás-os-Montes passando pelo Barroso.

 

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Estrada 311 que em tempos foi classificada com Estrada Nacional mas que hoje em dia para além de Estrada Nacional é também Estrada Regional e Estrada Municipal, ou seja, desde Cabeceiras de Basto até Boticas é Regional - ER311, de Boticas a Vidago é Nacional – EN311 e desde Vidago ao Peto de Lagarelhos passou a ser Municipal – EM311.

 

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Mas deixemos esta curiosidade de parte e partamos até ao Seixo, que fica num dos itinerários alterativos para se ir até Vidago, principalmente se formos em maré de passeio e apreciação, nas calmas, mesmo porque a estrada nos recomenda que se faça sem pressas.

 

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Pois o Seixo fica mesmo onde começa o estreito vale de da Ribeira de Oura que se vai prolongando (vale e ribeira) até desaguar no Rio Tâmega. Aqui no Seixo o vale desenvolve-se em ambas mas margens da Ribeira mas não tem mais que 200m de largura.

 

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Também a aldeia do Seixo se desenvolve em ambas as margens da Ribeira, mas principalmente entre a EM311 e a Ribeira de Oura. Na margem esquerda da ribeira apenas um pequeno bairro, a capela e em tempos a escola primária. Escola esta que foi de pouca dura, pois ainda me lembro de ter sido construída nos anos oitenta, escola de uma sala apenas que só funcionou durante uns anos.

 

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Seixo para além de aldeia de passagem da EM311 funciona também como cruzamento, embora com caminhos municipais, por um lado florestal e pelo outro agrícola. Pois desde o Seixo temos ligação também a Ventuzelos (estradão) e a Vila Boas (estradão) por um lado e para o outro um caminho agrícola pavimentado que nos liga a Matosinhos. Caminhos interessantes para quem anda em descoberta/aventura, mas não muito recomendáveis para tomarmos como ligação a essas aldeias, mesmo o que está pavimentado , pois as suas funções é mesmo de caminho agrícola onde mal cabe um carro, não dando mesmo para dois carros se cruzarem, daí a aventura, pois a qualquer momento poderá ter de fazer uma marcha atrás prolongada até encontrar um ponto onde duas viaturas possam cruzar.

 

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Quanto ao Seixo, aldeia, é uma povoação pequena, com uma casa senhorial com capela a ocupar a parte central da fachada principal a confrontar diretamente com a rua principal da aldeia que desce até à Ribeira de Oura.

 

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Não conheço a história desta aldeia mas tudo indica que a aldeia poderia ter nascido a partir deste casal senhorial, mas isto sou apenas eu a supor, a verdade é que esta casa se destaca das restantes construções do Seixo.

 

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O restante casario é um misto de construções tipicamente transmontanas, de pedra de granito à vista e construções mais recentes, com o núcleo mais antigo entre a estrada e a tal casa senhorial.

 

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Claro que todo o casario, a sua grande maioria, está fora do pequeno vale, deixando as terras mais férteis para o cultivo, ocupando o casario os terrenos inclinados.

 

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Quanto à agricultura que aqui se pratica, é o habitual da nossa região, mas ultimamente no Seixo a vinha tem ganho terrenos, na propriamente na zona de vale, mas na mais inclinada, com vinhas novas, bem tratadas e pela certa pensada para fazer bons vinhos, acompanhada por técnicos dessa área. Mais uma vez sou eu a supor pois o aspeto das vinhas a isso nos leva a pensar.

 

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Quanto ao envelhecimento da população e despovoamento, notoriamente ambas as coisas acontecem, Seixo não é exceção à restante maioria das aldeias do concelho de Chaves e concelhos vizinhos.   

 

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Quanto às imagens, são as possíveis, não há muita escolha, pois a aldeia é pequena, mas mesmo assim tem motivos interessantes e variados para composições também interessantes e, claro, variadas, nem que seja recorrendo àquilo que a natureza nos oferece.

 

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Claro que também não falta a componente humana, que diga-se, em todas as deslocações que fiz ao Seixo, há sempre gente na rua. Mas também nos campo há vida, que dos seus habitantes na lide das suas hortas e outros cultivos, mas também alguns animais domésticos.

 

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Por último, e tal como ultimamente vem sendo habitual, fizemos um pequeno vídeo com algumas imagens que até hoje fomos publicando no blog. Espero que gostem. Termina também aqui o passatempo das 7 diferenças. A solução já está nos comentários, decifrada por um blog amigo.

 

Fica o vídeo e o link para poder ter acesso a ele, diretamente, no youtube:

  

Link para o Video: https://youtu.be/LqFo54s4O0w

12
Mai19

Segirei - Chaves - Portugal

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Vamos até Segirei, mas por partes, com calma! A primeira:

 

DE CIDADELLA A SEGIREI – A ROTA DO CONTRABANDO

Ainda nas aldeias cujo topónimo começa por S , hoje toca a vez a Segirei. Pois para Segirei podemos propor dois tipos de visita, uma light, que consta em ir até Segirei, dar uma vista de olhos à aldeia e regressar a Chaves sem ver nada. A outra proposta é uma visita como deve ser, e para ela, terá de reservar todo um dia para ficar com uns ares do todo que é a aldeia de Segirei.

 

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Pois a proposta consta em ir de popó até à entrada de Segirei sem entrar na aldeia, há de haver por lá uma placa que nos manda para a Galiza, é para aí que devemos ir, pois a visita a Segirei começa em Cidadella, território galego, na Rota do Contrabando que será para fazer a pé até Segirei.

 

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O itinerário da Rota do Contrabando tem cerca de 2.500 m, quase sempre a descer, mas para chegar a Segirei, pela certa demorará toda a manhã, pois ninguém resistirá a fazer montes de paragens pelo caminho, para apreciar a natureza, as cascatas, os rápidos, os moinhos, as zonas de estar, os abrigos, os miradouros, etc., etc., etc.

 

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Dizia eu que é um percurso que se faz perfeitamente nas calmas, claro que isto é para quem não tiver mobilidade reduzida, infelizmente para essas pessoas o itinerário não é mesmo nada recomendável, pois embora o percurso se faça maioritariamente por um descida não muito acentuada, pelo caminho há dois ou três desníveis consideráveis para vencer por escadas, há passagens estreitas, entre outros. Isto na parte galega em que o itinerário foi preparado para passeio, com algumas proteções e pontes de madeira. Do lado português do itinerário, entre a linha de fronteira e Segirei aquilo é ao natural, maioritariamente por um carreiro pelo meio do monte e bota para Segirei. Do mal o menos,  é sempre a descer até à entrada na aldeia. Mas tal como eu disse, não havendo limitações, faz-se bem. Eu próprio que não sou de caminhas a pé, já fiz o percurso completo três vezes.

 

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Agora as recomendações, ou melhor, as opções para fazer o percurso, que são no mínimo três:

 

1ª Opção, com dois popós – Então é assim, o percurso tem cerca de 2,5Km,  os dois popós levam a gente toda até ao início do percurso em Cidadella, descarregam o pessoal e os condutores dos ditos, dão a volta e descem (os dois popós) até Segirei, aí deixam um popó e sobem com o outro até ao ponto de partida. Fazem o percurso todo e no final, com o popó que está em Segirei, vão buscar ou outro. Para já, não se preocupem em saber onde são estes locais, pois estão bem indicados em placas de informação.

 

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2ª opção, com um popó – Aqui as coisas complicam-se, pois para fazer o percurso terá que deixar o carro, fazer o percurso  e depois regressar a pé até ao ponto de partida (não conte com boleias, pois por lá não há muitos popós a circular) e com a agravante que o regresso são na mesma 2.5Km a subir.

 

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3ª opção, com um popó — O condutor deixa os passageiros em Cidadella e não faz o percurso, mas sempre pode fazer uma parte dele, pelo menos visita o que é mais interessante (Cascatas, rápidos e miradouros). Então é assim, o condutor deixa o pessoal todo no início do percurso e regressa até meio do mesmo (na zona dos miradouros). Deixa aí o carro e faz sozinho o percurso desde os miradouros até encontrar o seu pessoal que vem a descer. Como estes vão parando aqui e ali pasmados com o que veem, o condutor vai subindo e apreciando nas calmas as várias cascatas, os rápidos, etc. Quando encontrar o resto do pessoal, junta-se a eles e como já conhece o percurso que acabou de fazer, daí para baixo, até pode servir de guia. Tem de se aproveitar sempre o lado positivo da experiência. Quando chegar à zona dos miradouros, deixa continuar os outros a pé até Segirei, mete-se no popó e espera por eles na aldeia. Entretanto, lá, na aldeia, deve haver alguém, há sempre, com que pode dar uns dedos de conversa. São residentes nativos que gostam de conversar e contar estórias, de contrabando por exemplo, pois nestas aldeias da raia nos tempos em que existia a fronteira, das duas uma, ou eram contrabandistas ou guardas fiscais, e às vezes até ambas as duas…

 

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Quanto ao percurso da rota do contrabando, em palavras, é impossível descreve-lo, quer seja de inverno, primavera, outono ou verão, é sempre interessante. mas diferente. De verão e primavera pode gozar da frescura do percurso, do lado galego é sempre feito debaixo da frescura das sombras das árvores e a paisagem mais contrastada, o sol e sombras a isso obrigam. No outono e inverno é tudo mais igual, com menos colorido. Fica tudo mais acastanhado e verdes azulados esbatidos, mas o riacho corre com mais água e torna as cascatas mais imponentes, principalmente a cascata principal que tem a particularidade de ser descer por umas escadas metálicas acompanhando toda a queda da sua água.

 

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Durante o percurso vá recordando que está numa rota que foi utilizada para contrabando, vá imaginando o que era fazer por aí contrabando, a pé ou de burro, passando tudo que havia para passar, incluindo rebanhos, manadas de gado ou varas de porcos, tudo em silêncio, geralmente de noite. Ser contrabandista não era fácil, dava umas croas para sustentar a família, mas era vida complicada, tanto mais que de quando em vez lhes saía a guarda fiscal ao caminho e  tinha de dar às de vila Diogo e ficar sem o contrabando. Guarda fiscal que na aldeia era vizinho e amigo mas que no trelo, era obrigado a cumprir, cada um andava ao seu.

 

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Contaram-me por lá, que, por exemplo, para passarem varas de porcos em silêncio e direitinhos pelo carreirão fora, era pegar nos porcos esfomeados ir à frente deles deixando cair bolota ou castanhas, os coitados (porcos) com o cheiro na bolota nem viam por onde andavam e lá iam carreiro fora.

 

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 Chegados à zona dos miradouros, para um lado as cascatas e a paisagem galega, para o outro é Portugal, e lá ao fundo num pequeno aglomerado de casas, é Segirei. E para lá que vamos de seguida.

 

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ALDEIA DE SEGIREI

Se iniciou a visita onde deve iniciar, em Cidadella, estará a chegar a Segirei por volta das 11 da manhã, isto se iniciar a visita por volta da 9 horas. Por esta altura a barriguinha também já deve estar a começar a dar horas, mas ainda é cedo para almoçar. Um copinho de água fresca ou até uma mini, chegará para enganar o estômago, entretanto poderá fazer uma visita à aldeia.

     

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A aldeia é pequena, mas já foi muito concorrida, principalmente na era das fronteiras até aos anos oitenta, pois como Segirei tinha quartel da guarda fiscal, pelo menos estariam por lá 4 a 7 guardas, com as respetivas mulheres e filhos, já era quase meia aldeia, com os naturais, que eram mais, a aldeia compunha-se. Durante o dia o gado e as poulas davam e chegavam para trabalhar, à noite o contrabando, e assim,  havia vida na aldeia quase durante as 24 horas do dia.

 

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Esta zona, já em pleno Parque Natural de Montesinho, caracteriza-se pelas construções de xisto, ou caracterizava-se, pois como o contrabando dava algum dinheiro extra e o trabalhar a pedra não era tarefa fácil, o tijolo, blocos e cimento depressa começaram a substituir a pedra de xisto. Estes novos materiais mais leves e fáceis de trabalhar, acabavam também por ficar mais baratos e permitir novas soluções construtivas. Daí, pelas características das construções atuais, penso que a partir dos anos 50 do século passado começaram a surgir novas construções de tijolo ou acrescentos e remendos nas de xisto.

 

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Tenho pena de não ter conhecido a aldeia no seu pleno construída em xisto, deveria ter uma beleza singular, mesmo porque o xisto presta-se a isso, quer pela sua cor acastanhada/avermelhada/amarelada, quer pela suas dimensões e forma (em lascas), tornando as construções interessantes à vista, já não tanto à resistência e penso que no isolamento térmico e acústico também não.

 

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Hoje em dia ainda restam por lá algumas construções em xisto, não propriamente habitações, mas destinadas a arrumos, adegas e cortes do gado. Uma ou outra vai conciliando o xisto com novos materiais, o que torna a aldeia numa mistura de arquiteturas no que respeita ao uso de materiais.

 

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Já no que toca ao seu aglomerado, é uma daquelas aldeias que se mantém juntinha e que se desenvolve a partir de um pequeno largo central da aldeia pela encosta fora, não se desenvolve à volta da Capela ou Igreja como soe acontecer, mas à volta de uma antiga fonte de mergulho, hoje modernizada com a colocação de uma torneira, mas de pouco uso, pois falta gente para a utilizar, mas também porque, suponho, que a aldeia tem rede de abastecimento de água.

 

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Uma aldeia que sofre portanto da maleita que mais aflige as aldeias interiores de montanha, esta com a agravante de ser da raia e a aldeia mais distante da sede do concelho, tal como se costuma dizer, fica em cascos de rolha, hoje sem contrabando e com pouca terra cultivável para além de agora não render sequer para sobreviver, não admira que a sua gente, principalmente os mais novos, tenham procurado o seu destino noutras paragens . É um bom exemplo de uma aldeia de resistentes onde o despovoamento se faz sentir.

 

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Mas há sempre exceções, e para além dos resistentes idosos, tenho conhecimento de que pelo menos um ou dois casais, ainda novos com filhos crianças, vivem em Segirei, pois graças à proximidade da Galiza têm lá trabalho, com o sacrifício de viagens diárias de dezenas, às vezes centenas de  quilómetros, é certo, mas vai dando para ganharem algum e manterem-se por Segirei.

 

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De resto, as pessoas (resistentes) que compõem a população, vão-se apoiando, uns aos outros, com alguns contactos à cidade para as necessidades, uns regressos esporádicos aos fins de semana e alguma vida vinda de fora para a pesca ou para umas passagens de fins-de-semana de gente ligada à aldeia que vive noutras paragens. Em agosto é diferente. E isto é Segirei que, enquanto o casal está vivo e em condições de fazerem a sua vida diária de viver com a reforma, vão-se mantendo por lá, mas quando lhe faltar o parceiro ou o apoio familiar,  lá terão que rumar até um lar de 3ª idade…

 

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E de Segirei, aldeia, é tudo ou quase tudo, uma aldeia aconchegadinha no fundo de vertentes de montanhas, ela mesma numa vertente, sem grandes pormenores para assinalar ou realçar, com uma pequena e simples capela, um moinho e pouco mais. Talvez seja a sua simplicidade o que mais cativa, que a torna interessante e que faça com que o fator humano se realce mais.

 

RESISTENTES

E é precisamente para o fator humano que vamos de seguida, com imagens de alguns resistentes que ao longo destes 13 últimos anos fomos registando nas nossas idas a Segirei, sem palavras, apenas com imagem.

 

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Já fizemos a rota do contrabando, já andámos um pouco pela aldeia de Segirei, e deixámos aqui alguns dos seus resistentes, mas as aldeias também se fazem com a sua paisagem e envolvência, é para lá que vamos agora.

 

A ENVOLVÊNCIA PAISAGISTICA

 

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Já sabemos que as paisagens têm o dom de se irem transformando conforme a época do ano. Felizmente por estas terras já fomos umas dezenas de vezes em várias estações do ano onde fomos fazendo alguns registos, com sol, frio, chuva, etc. Penso que só mesmo com neve é que nunca arriscámos chegar até lá, aliás não penso, tenho a certeza, pois com neve nunca fui além de Argemil, e já foi uma aventura.

 

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Na primavera já sabemos que contamos sempre com a exuberância dos vários matizes de verdes, com os amarelos a sobressair e aqui e ali, pontualmente outro colorido das flores co campo, como o lilás da urze e por lá também o da alfazema.

 

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Os outonos e invernos também tem a sua graça na magia de cor, sobretudo no outono onde os vermelhos e amarelos torrados fazem combinações perfeitas, mas também e ainda com os verdes a marcarem presença. Por vezes à flora silvestre também se junta a fauna, mesmo que não seja selvagem, e também o homem, em harmonia, ajudam a compor o ambiente.

 

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Mas também há momentos que pela luz ou falta dela, pela complexidade dos céus nublados, combinados com montanhas despidas, chuvas e ventos, transformam a paisagem, dando-lhe um certo mistério, criando momentos sombrios, às vezes até aterradores e ameaçadores. Eh, a natureza também tem os seus dias, não diria maus, mas diferentes e mais bravios.  

 

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PRAIA FLUVIAL

Com o fator humano e as paisagens pelo meio, perdemo-nos nas horas, mas se bem se lembram, nesta nossa visita/proposta e imaginária,  chegámos a Segirei por volta das 11 da manhã, depois de termos descido a rota do contrabando. Pois para a visita à aldeia e para algumas conversas breves com os resistentes, chega cerca de 1 hora, e já estamos chegados ao meio dia, hora de pensar nas nossas barriguinhas. A nossa proposta é que o almoço se faça no parque de merendas da praia fluvial de Segirei, com o Rio Mente por companhia.

 

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Da aldeia até à praia fluvial pode ir a pé ou de carro, ou ainda de ambas as maneiras, pois uns podem ir a pé e outros de carro. Não é longe mas também não é perto, são cerca de 1.250m de caminho, bom caminho para ambas as hipóteses. Embora o itinerário a pé e de carro seja feito quase em paralelo e muito próximos, quase juntos, para a nossa visita ficar completa e como deve ser,  o trajeto até à praia deverá se feito também a pé. Pelo caminho encontrará as famosas águas de Segirei, ferrosas e levemente gaseificadas, muito idêntica às águas de Vidago. Tem torneira na captação onde poderá beber um copo, que nesta altura da jornada cai sempre bem.

 

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Chegados à praia fluvial, se for de verão, sempre pode dar uma banhoca no Rio Mente. Pouca profundidade, bom para crianças, mas dá para refrescar, pois por ali, mesmo estando boa,  a água é sempre fresca. Quanto à paparoca, de Verão (agosto) o bar da praia costuma estar aberto e prepara umas coisas rápidas, mas bom mesmo é que a paparoca do piquenique já venha meia feita de casa para aqui não ter surpresas de bar fechado e não perder muito tempo em preparativos, mas tem grelhadores de apoio onde, se chegar cedo, poderá confecionar por lá alguns dos alimentos.

 

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E temos a nossa visita concluída, pois na praia fluvial o resto do dia é para descansar e desfrutar. Convém ter umas bejecas frescas para ajudar a passar a tarde.

 

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Penso que se irá tornar hábito aqui no blog o de terminarmos os post’s às aldeias com um vídeo com todas as imagens que já publicámos até hoje. Fizemo-lo com Seara Velha e pela certa vamos continuar, pois aqui fica o de Segirei, com as imagens de hoje e mais algumas dos post’s anteriormente dedicados à aldeia. Espero que gostem e até amanhã, com mais uma aldeia do Barroso aqui tão perto.

 

Aqui fica o vídeo:

 

 

Filme, link:

 

 

Link para o vídeo no youtub:

https://youtu.be/P_W0xVyYc2o

 

 

04
Mai19

Seara Velha - Chaves - Portugal

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E nesta nova ronda pelas aldeias do concelho de Chaves, hoje toca a vez a Seara Velha, por sinal uma das aldeias que mais vezes tem passado por este blog e também uma das aldeias por onde mais tenho passado e visitado, isto por várias razões, inclusive, em tempos,  até profissionais.

 

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Calha-nos em caminho, por exemplo, nas nossas vindas do Barroso, aliás, Seara Velha é uma aldeia tipicamente barrosã e segundo alguns, eu incluído, defendemos que o Barroso não se fica apenas pelos concelhos de Montalegre e Boticas (estes na sua totalidades) ou pelos concelhos de Ribeira de Pena e Vieira do Minho (algumas freguesias), mas que tem o seu território alargado até à margem direita do Rio Tâmega, tal como acontece com Boticas e Ribeira de Pena.

 

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Aliás quem conhece o Barroso e o nosso concelho de Chaves, sabe bem que todo este conjunto de aldeias de Chaves que confrontam com os concelhos de Boticas e de Montalegre (Seara Velha, Calvão, Castelões, Soutelinho da Raia, mas também as freguesias que confrontam com estas (Ervededo, entre outras) têm todas elas as características típicas do Barroso. Mas deixemos esta questão para outros debates e concentremo-nos em Seara Velha.

 

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Os destaques

 

Pois vamos aos destaques, ou melhor, àquilo que vos poderá convencer para fazerem uma visita a esta aldeia.

 

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Conjuntos

Primeiro começaria pela paisagem que envolve a aldeia, que é em tudo singular, única, começando pelas terras verdes e férteis que envolvem a proximidade da aldeia para logo a seguir ter um conjunto de elevações, pequenos montes quase completamente cobertos por pequenos rochedos das mais variadas formas e feitios. Parece uma paisagem de outro planeta ou que um qualquer gigante andou por ali a brincar como se estivesse numa praia de gigantes a fazer montinhos de areia em que cada grão de areia, em Seara Velha, na realidade são rochedos. Só por este espetáculo da natureza vale a pena ir a esta aldeia.

 

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Depois temos o conjunto do casario com as construções tipicamente transmontano-barrosãs de granito à vista a marcarem presença em todas as ruas da aldeia, e até nas novas construções, Seara Velha foi feliz, pois nasceram na periferia do núcleo da aldeia, sem o incomodar e mesmo nas reconstruções tem havido algum cuidado, seguindo as características originais. Claro que também há um ou outro pecado, mas sem afetar muito o conjunto, exceção para uma reconstrução recente, que dada a sua localização, parece-me deveria ter havido mais cuidado na sua reconstrução, pelo menos pareceu-me na última passagem que fiz pela aldeia, mas como foi de passagem, pode ser que esteja enganado, mas parece-me que não. Refiro-me à uma reconstrução em frente à igreja.

 

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Depois do casario, se calha esta razão até deveria ser a primeira, pois trata-se de pessoas, da população de Seara Velha que sempre que lá vou, vê-se,  dá vida às ruas e às casas, mas que também é hospitaleira e gosta de receber bem quem os visita. Neste ser da população da aldeia, pela certa não será estranho haver ainda muitas pessoas de geração mais nova que vive ou frequenta com alguma assiduidade a aldeia. A proximidade de Chaves talvez seja outra razão para tal acontecer, mas também os seus emigrantes que ainda tem na aldeia o seu torrão de terra e casa que têm recuperado para um dia a ela voltarem.

 

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Mas nem tudo são rosas por Seara Velha, pois mesmo com os predicados que atrás deixámos, não é exceção no que toca ao abandono e/ou ameaça de ruina de algum do seu casario e também no que toca a despovoamento, menos que em algumas aldeias, mas igualmente sofre dessas maleitas.

 

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Os pormenores

Mas estávamos e vamos continuar naquilo que Seara Velha tem de bom, que compensa e bem o que tem de menos bom. Estávamos naquilo que tem de bom a nível de conjunto, como a paisagem, o casario e a sua população, passemos agora para as suas singularidades e pormenores onde destacaria a sua Igreja Paroquial de Seara Velha, ou de São Tiago, quer pelo enquadramento, quer por alguns pormenores, principalmente os das figuras dos Santos colocados em pequenos nichos com destaque para a imagem de São Tiago a cavalo parecendo querer saltar da igreja.

 

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Destaques também para as alminhas, pelo menos três, uma logo no alto da montanha entre Soutelo e Seara Velha, com 4 faces, outra no início da aldeia incorporada no cruzeiro e uma terceira colocada junto à estrada que serve de variante à antiga estrada que passava pelo centro da aldeia.

 

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Fontes de mergulho, uma no meio da aldeia que está tapada e com a subida da cota do arruamento quase nem se dá por ela, já a outra, à saída da aldeia, é uma das mais interessantes do concelho de Chaves, não só pelo seu enquadramento mas também pelo pormenor da caleira em pedra de peça única, cujo pormenor deixamos aqui em imagem, embora revestida de verde pela pequena vegetação.

 

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No centro da aldeia existe também um belo exemplar de chafariz e tanque/bebedouro, seguindo mais ou menos a arquitetura dos fontanários/tanques da Ditadura Nacional (1928-1933), mas esta com a inscrição CMC de 1935, já no Estado Novo.  Um outro chafariz também chama a atenção, muito mais simples mas com a curiosidade de ser coroado com a concha de Santiago, claro que esta está incorporada no muro que serve de suporte ao átrio da igreja de São Tiago.

 

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Um destaque também para o Associativismo com Associação Cultural e Recreativa À Volta do Pote, fundada em 2008 tem-se mantido em atividade desde aí, promovendo vários eventos e mantendo as principais tradições da aldeia de pé, para além de manter o único espaço de estar/bar da aldeia.

 

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A noite de Seara Velha

Há noites e noites, se as de inverno convidam mesmo ao estar à volta da lareira e à volta dos potes e ir bem cedinho para o calor dos cobertores,  as de verão já convidam um pouco ao estar ao estar na rua, a apanhar um pouco da frescura da noite. Tirando isso, Seara Velha tem o bar da Associação onde dá para por o futebol e a política em dia enquanto se toma um café ou se bebe uma mini, isto sou eu a supor, pois e o que comummente se faz nestes “centros sociais” de aldeia.

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Pois estas imagens da noite de Seara Velha foram tomadas numa noite em que fui por lá para estar à volta do pote, ou melhor, à volta daquilo que os potes tinham cozinhado. Noite fria de inverno, em pleno janeiro, com ar de cortar, seco mas bem frio como soe ser o ar barrosão, mas mesmo assim ainda deu para uns minutos ao ar livre, não muitos, mas os suficientes para tomar umas imagens com a geada já a cair-nos sobre as orelhas, e no momento o relógio ainda só registava as 19H10, mas já com todas as almas recolhidas em casa.

 

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O Forno do Povo

Eu não vos digo que isto é Barroso, pois tal como lá, onde o comunitarismo era uma forma de viver e o forno do povo nunca falta em nenhuma aldeia, principalmente no Alto Barroso, também Seara Velha tem o seu forno do povo. Claro que hoje em dia, embora ainda se usem, já estão longe da utilização que tinham há trinta e mais anos atrás, em que o forno era utilizado quase continuamente, com regras de utilização para que todos pudessem dele usufruir. Mas isso são coisas de outros tempos. Sei que ainda se usam, e até temos a prova disso, mas agora mais esporadicamente, por altura dos folares da Páscoa ou das festas da aldeia.

 

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Pois este forno também é singular, metade rochedo, metade forno, como quem diz que uma das suas paredes é um enorme rochedo que sobressai para lá do forno. É notório que não se trata apenas do forno original, o coberto da entrada é bem mais recente. Em termos de beleza, penso que o original seria bem mais interessante, mas em termos de utilização, assim está muito melhor. Às vezes lá temos que desculpar estes acrescentos pela sua utilidade e conforto que podem proporcionar. Então, já a seguir, aqui fica a prova de que no forno ainda se fazem coisas boas, caseirinhas, este é de mistura de centeio e trigo, a não ser, estou a perder os meus dotes de identificação.

 

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E para terminar este post, fica um pequeno vídeo com as imagens de hoje e outras de outros post’s que fui dedicando a Seara Velha, mas não quero com isto dizer que será o último post dedicado à aldeia, longe disso, pois enquanto pudermos, Seara Velha terá sempre aqui lugar, pois tem sempre motivos de interesse para aqui trazermos, e mesmo com o nosso arquivo já bem alargado no que toca a imagens, ainda não temos tudo. Deixamos sempre alguma coisa por registar para termos a desculpa de um dia lá  voltar.

 

 

 

 

06
Abr19

Santa Marinha - Chaves - Portugal

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Depois de já termos passado pelas terras de todos os santos do concelho de Chaves, estamos agora a entrar na reta final das santas, hoje é a vez da Santa Marinha, sendo a santa que se segue,  a Santa Ovaia. Mas hoje ficamos por Santa Marinha, uma das aldeias da freguesia de Nogueira da Montanha, do planalto da Serra do Brunheiro, deste nosso concelho de Chaves.

 

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Iniciemos por conhecer Santa Marinha, mesmo a santa que dá o seu nome a nossa aldeia de hoje e que por sinal até é um topónimo mais ou menos frequente em Portugal, sendo a mesma santa, por exemplo, que dá nome à freguesia de Vila Nova de Gaia onde se localizam as caves do Vinho de Porto.

 

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Íamos e vamos então conhecer a Santa Marinha que tem uma história curiosa com muitos traços da nossa lenda flaviense da Maria Mantela, só que aqui a história faz-se com raparigas e não com rapazes, como acontece com a Maria Mantela (lenda) e também o fim delas, que acabaram todas martirizadas e santas foi diferente das dos nossos rapazes, que apenas se ficaram por padres, quando ao resto, vejam já a seguir.

 

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Pois reza assim a história:

Santa Marinha, virgem e mártir. Diz a tradição que tinha oito irmãs gémeas: Basília; Eufémia; Genebra; Liberata (também conhecida como Vilgeforte); Marciana; Quitéria e Vitória.

 

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A lenda atribui-lhes a naturalidade na cidade de Braga, no ano 120. Seriam filhas de um casal de pagãos, Calcia e de um oficial romano, Lúcio Caio Atílio Severo, régulo de Braga, o qual, quando elas nasceram, estaria ausente da cidade. Entretanto, na cidade, não se acreditava que as gémeas pudessem ser filhas do mesmo pai. O acontecimento causou enorme embaraço à mãe que, teria encarregado a parteira Cita, de as afogar. Em vez disso a mulher, que era cristã, levou-as ao Arcebispo Santo Ovídio, para que as batizasse e lhes desse destino. Foram então entregues a amas cristãs, crescendo e vivendo perto umas das outras, até aos 10 anos de idade.

 

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E continua assim a história:

Por esse tempo, o César romano ordenou aos delegados imperiais para ativarem a perseguição aos cristãos na Península Ibérica. Nessa perseguição, os soldados viriam a descobrir as gémeas, que foram detidas mercê das suas crenças, sendo levadas à presença do régulo. Este, acabou por constatar que elas, afinal, eram suas filhas. Quis convencê-las a renunciar à sua fé e a abraçar o paganismo. Porém, em face da sua resistência, mandou detê-las e enclausurá-las no Palácio. Sucedeu que as prisioneiras durante a noite, por intervenção sobrenatural ou com a ajuda da própria mãe, lograram alcançar a liberdade. Correndo em várias direções chegaram a províncias espanholas, donde se dispersaram. Todavia, Santa Marinha, teria sido apanhada nas proximidades de Orense, em Águas Santas, e condenada à morte, sendo aí degolada em 18 de Julho do ano 130, vindo as suas irmãs a ser também martirizadas.

 

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Seja como for, Santa Marinha acabou por ser o topónimo da nossa aldeia de hoje. Uma pequena aldeia do Planalto do Brunheiro, implantada junto a um cruzamento que com estradas/caminhos que a ligam às aldeias mais próximas de France, Sandomil, Amoinha Velha e Amoinha Nova, esta última já do concelho de Valpaços, terra da famosa Bruxa da Amoinha.

 

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A aldeia de Santa Marinha implanta-se ao longo da estrada em dois pequenos núcleos, um mais antigo à volta da capela e um de construções recentes, mas ao todo são apenas cerca de 30 construções, contando habitações, armazéns, anexos e a capela, a caber tudo num círculo de 150m. Mesmo assim, não é a aldeia mais pequena do concelho, aliás todas estas aldeias da freguesia de Nogueira da Montanha, são muitas (11 no total) mas todas pequenas aldeias, talvez a exceção vá mesmo para Carvela já com dimensões médias.

 

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Imagem do Google Earth

Claro que não vou recomendar uma visita obrigatória e propositada a Santa Marinha, pois a aldeia vê-se em 5 minutos e pessoas também poucas há, pelo menos na rua, mas pode acontecer que haja e com quem até podemos conversar um bocadinho, mesmo assim, também não vamos ficar uma tarde ou uma manhã a conversar, mesmo porque as pessoas tem os seus afazeres e há que respeitar a vidinha deles. Sempre pode dar dois dedos de conversa com os gatos, pelo menos eu falo com eles e eles até parece que me ouvem, isto se acordarem...

 

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E poderão perguntar: - Então esta aldeia não é para visitar!? Claro que é, mas para aproveitar o tempo, que é sempre precioso (pelo menos para mim é) programe logo uma manhã ou uma tarde, ou até ambas, para visitar a toda a freguesia, e ai já terá 11 aldeias para visitar, e esta (visita) sim, recomendo, pois a freguesia tem por lá algumas coisas interessantes, como a igreja de Nogueira da Montanha e o seu castanheiro milenar (dizem!) capelas, cruzeiros, alminhas e sobretudo paisagens e muito casario tipicamente transmontano. Claro que algum desse casario está abandonado, outro em ruínas mas também as há de pé. Quanto ao povoamento, a palavra evoluiu para despovoamento, sendo Nogueira da Montanha uma das freguesias onde mais se faz sentir.

 

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Despovoamento, sim, não pelas terras que até são cultiváveis e dão produtos de qualidade, tal como a batata, mas são terras difíceis de viver, principalmente os Invernos rigorosos não são muito convidativos para se permanecer por lá, pelo menos ao ar livre e o seu rigor tanto se faz nas noites frias de geadas, como debaixo de nevoeiros que para nós, cá de baixo desde o vale o vemos como nuvens que se abatem sobre a serra.

 

Consultas:

http://www.memoriaportuguesa.pt/santa-marinha em 06/04/2019

 

30
Mar19

Santa Leocádia - Chaves - Portugal

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Hoje é a vez de irmos até outra aldeia “santa” do concelho de Chaves, a Santa Leocádia, no limite do concelho de Chaves, ali já para os lados de terras de Montenegro, não as de São Julião mas as de Carrazedo do concelho de Valpaços.

 

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Para chegarmos até Santa Leocádia temos de tomar uma das nossas estradas de montanha que a mais aldeias do concelho nos conduz, a única estrada do concelho que num sentido é sempre a subir e no outro, sempre a descer (claro!). É a estrada que nos leva até ao planalto do Brunheiro e um dos acessos para o concelho de Valpaços, refiro-me à EN314, com título de estrada nacional embora tivesse sido desclassificada para estrada municipal.

 

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Bem, mas para chegarmos até à nossa aldeia de hoje temos que, antes de lá chegar,  abandonar a EN314 e entrar para o interior. Temos duas opções, uma abandonamos a estrada no Carregal, entramos em Adâes, atravessamos esta e logo a seguir vemos lá no cimo Santa Leocádia. A outra opção é continuarmos até Fornelos, abandonar aí a estrada para o interior e logo a seguir é Santa Leocádia. Pessoalmente prefiro a primeira opção, via Adães, isto porque começo a avistar a aldeia ao longe, pois pela segunda opção, só damos pela aldeia só, ou quase, quando estamos em cima dela, mas há outra razão, que explico já a seguir.

 

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Quando as vistas se estendem pelo horizonte adentro até a terra começa a ficar azul e quase se confunde com o céu, temos tendência a apreciar essa maravilha que a natureza nos proporciona e esquecemos os pormenores que temos ali mesmo ao pé de nós. Esta será a vista que nós iremos ver se tomarmos Santa Leocádia via Fornelos e é por essa razão que eu prefiro a outra entrada na aldeia, via Adães, pois aí esta maravilha distante da natureza ficará nas nossas costas, sem a vermos, mas ganhamos as vistas de outras maravilhas que se começam a avistar desde Adães, uma delas são as vistas sobre as duas Santas Leocádias (a seguir já explico isto…) e a outra é sobre uma construção que lá no cimo sobressai e que dá pelo nome de Igreja Românica de Santa Leocádia, para mim a mais bonita e interessante das igrejas românicas que temos no nosso concelho, por várias razões, e uma delas tem a ver precisamente com a sua vistosidade[i] , outra com a própria igreja, outra com os preciosos frescos que se podem apreciar no seu interior, outra com o pormenor do cruzeiro se desviar e inclinar para deixar ver a torre sineira e por último porque é desde a igreja que a outra vista maravilhosa que se perde no horizonte melhor se vê.

 

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Quanto às duas Santas Leocádias não são mais que os dois pequenos núcleos de concentração de casario que a aldeia tem, quase parece a Santa Leocádia de cima, composto pelo núcleo que se desenvolve à volta da igreja onde está também a residência paroquial, o cemitério e um pequeno conjunto de casas. E a Santa Leocádia de baixo onde penso estar o núcleo mais antigo da aldeia, mas isto sou eu a supor que no passado a aldeia seria este pequeno núcleo e lá em cima seria apenas a Igreja e a residência paroquial, o cemitério e o restante casario teriam aparecido depois, suponho. Quanto ao cemitério tenho a certeza, pois antigamente a igreja também tinha a função de ser cemitério, aliás nesta igreja de Santa Leocádia ainda há sepulturas no seu interior.

 

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Quanto ao casario da aldeia, são mesmo dois pequenos núcleos de construções maioritariamente antigas, pois ao que parece a aldeia não se mostrou muito convidativa a receber as novas construções que no último quartel do século passado  popularam um pouco por todo o lado, o que aqui até é mais ou menos compreensível tendo em conta a maleita do despovoamento rural que nas pequenas aldeias é mais fácil de acontecer, Assim, o casario não atinge a grandiosidade das vistas e da Igreja Românica mas é igualmente grande ao manter a sua integridade com aldeia transmontana, não digo típica, porque esta, com os seus dois núcleos, até é atípica.

 

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Qua mais dizer sobre a aldeia!? Pois mais nada, se quiser saber o resto vá até lá e descubra por si, e com esta não estou a ser mauzinho, nada disso, antes pelo contrário, é um convite, tipo conselho para que não deixe de visitar esta aldeia de visita obrigatória, e vá por cima ou por baixo, o que interessa mesmo é ir. Não deixe de visitar um dos mais belos exemplares que temos de arquitetura religiosa do românico, principalmente após o restaura a que esta igreja foi sujeita e que deixou a descoberto os frescos do seu interior. Na deixe de visitar o interior. Por sorte, na maioria das vezes que lá fui apanhei quase sempre a igreja aberta, mas se estiver fechada, pergunte na aldeia que tem a chave, pois pela certa que terão todo o gosto em abri-la e mostrar o seu interior.

 

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E fico-me por aqui, as imagens hoje ficam aos molhos pois embora ainda houvesse mais para dizer, e palavras para intercalar entre imagens, já fui dizendo o que havia a dizer sobre a aldeia em posts anteriores a ela dedicados e depois hoje quero mesmo realçar as três preciosidades da aldeia, ou sejam, os seus núcleos, a Igreja Românica e as maravilhosas vistas que desde ela se alcançam.

 

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Um bom fim de semana e não esqueça que na próxima noite muda a hora, ou seja na próxima noite não vamos ter a 1 da manhã, da meia-noite passamos para as 2 da manhã,  o que faz com que este domingo tenha apenas 23 horas e menos 1 hora de sono, é desta parte que não gosto…

 

 

 

[i] Pelos vistos este termo não existe em português, e temos pena, mas fui buscá-lo aqui ao lado, aos nossos irmãos galegos que ainda falam parte do nosso português antigo, e aí sim, a vistosidade existe e tem o significado que tem de ter, pois tem o significado de: “ qualidade de ser vistoso”

 

24
Mar19

Santa Cruz da Castanheira - Chaves - Portugal

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E cá estamos com mais uma aldeia do concelho de Chaves, ainda por terras santas, pelo menos no topónimo que foi adotado para a aldeia, e embora esta nem seja de santo ou santa em forma de gente, é-o em forma de cruz, ou seja, vamos até Santa Cruz, que por ser de terras da castanheira, leva ainda com o seu apelido – Santa Cruz da Castanheira, o que até dá jeito para a distinguir da outra localidade do concelho de Chaves com o mesmo topónimo – Santa Cruz, esta sem apelidos. Refiro-me a Santa Cruz da freguesia de Santa Cruz, Trindade e Sanjurge.

 

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Desta vez trocamos aqui as voltas. Hoje deveríamos ter aqui uma aldeia do Barroso, pois a de Chaves, deveria ter sido ontem, no entanto para este blog ter imagens, de vez em quando, temos que ir à caça delas, e como ontem foi dia de caça, não nos pudemos dedicar ao blog. Não pôde ser ontem, mas pode ser hoje. A aldeia do Barroso, fica para o próximo domingo.

 

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Vamos então até Santa Cruz da Castanheira que em imagem começámos com uma vista geral sobre a aldeia, tomada, se não me engano, desde a aldeia vizinha de Sanfins da Castanheira. Aldeia que tem uma igreja (ver primeira imagem) com uma torre sineira muito singular. Eu, em tom de brincadeira e sem qualquer ofensa, costumo dizer que é do estilo pombalino, mas não é bem o que Sebastião José de Carvalho e Melo (1699-1782), o Marques de Pombal, utilizou na reconstrução de Lisboa, não, não é esse, este é mesmo estilo de pombal de pombas, senão repare-se na imagem seguinte onde estão duas torres pombais, existentes e localizadas a 900 metros a poente da igreja.. Da duas uma, ou a torre da igreja foi beber inspiração aos pombais ou estes o foram beber à torre da igreja. Isto é apenas uma curiosidade, mas que a torre sineira é singular, lá isso é, o que até é bom, pois é diferente de todas as outras.

 

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Mas entremos em Santa Cruz da Castanheira, uma das aldeias que já conheço desde os anos setenta do século passado, tudo por causa da sua festa e de uma família amiga que temos nesta aldeia, pela qual fomos então convidados, mais precisamente uns colegas de liceu que simultaneamente também moravam no meu bairro.

 

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Mas dessa Santa Cruz da Castanheira pouco recordo, a não ser uma aldeia longe de Chaves, que afinal não é assim tão longe, mas os acessos da altura faziam-na mais longe. A verdadeira descoberta da aldeia já é mais tardia. A primeira vez que lá fui em recolha de imagens foi em 2007, depois em 2008 e as últimas lá recolhidas são de 2012, mas já passei por lá muitas mais vezes, por é de passagem obrigatória para ser ir a outra aldeia, Parada, ou mesmo pró São Gonçalo, embora este último tenha a alternativa voa Orjais. Curiosamente as imagens de hoje são todas de 2007 e 2008. Ou seja, todas com mais de 10 anos, o que faz com que os rapazes que aparecem na próxima imagem, hoje já tenham barba e já andem a rondar os vinte anos de idade.

 

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Rapazes que na altura não me ligaram puto, eles andava pra lá nas suas brincadeiras e isso é que interessava, e muito bem, embora se possa brincar toda a vida, em criança e jovem adolescente as brincadeiras têm outro sabor, então as brincadeiras de rua tem sabor reforçado e o mais engraçado é que na maioria das vezes se brinca ou brincava sem brinquedos, pelo menos com brinquedos convencionais, quando muito uma bola já chegava e qualquer cantinho da rua servia, de preferência se não houvesse envidraçados por perto, mas às vezes lá calhava e lá ia um ou outro vidro à vida. Os rapazes não me ligaram puto, mas fiquei agradado por ver que em Santa Cruz da Castanheira a rapaziada ainda brincava na rua.

 

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Mas não era só os rapazes que andavam na rua, as pitas pedreses também andava e igualmente, também não me ligaram puto, lá continuaram a esgaravatar o chão à procura de migalhas e bicharocos ou mesmo gãos de areia para o seu papo. Também são do meu tempo estas raparigas pedreses e estava-lhes sempre reservado um fim especial, penso que era para alheiras, mas sei que dava sempre uma boa canja.

 

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Já as vacas, o cavalo e os burros que também lá estavam mas não ficaram na imagem, embora vedados, gozavam toda a liberdade do lameiro e igualmente não me ligaram puto mas também não ligavam puto ao guardador, que nem era necessário, penso que estava lá mais numa de meditação do que de guardador, quando muito estava à espera que as reses enchessem o bandulho para as levar de volta à corte, mas não o sei, pois eu também andava na minha vida…

 

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Enfim, uma verdadeira aldeia que além disso tinha um café onde parávamos para uma mini fresquinha ou mesmo um simples café, mas era também pretexto para dar dois dedos de conversa com o seu proprietário que por sinal era primo dos meus amigos de liceu. Estou a conjugar os verbos no passado porque como já não vou por lá há mais de 10 anos não sei se o café ainda existe, suponho que sim, mas 10 anos numa aldeia de hoje é muito tempo, só mesmo os resistentes se conseguem manter por lá tanto tempo.

 

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E foi tudo por hoje, mas estou em crer que não será a última vez que Santa Cruz da Castanheira estará por aqui, aliás quando esta ronda por todas as aldeias do concelho terminar, já há projeto para outra ronda, remodelada e um pouco diferente, mas ainda só está em projeto. Garantia é que os fins-de-semana deste blog são do mundo rural, o nosso do concelho de Chaves, mas também um pouco mais distante, onde o da região e concelhos vizinhos também têm lugar. Andamos a tratar disso, assim tenhamos saúde e condições para o fazer, pois este blog veio para ficar.

 

 

09
Mar19

São Vicente da Raia - Chaves - Portugal

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Diz-me a experiência que não é preciso ser conhecedor de nenhuma ciência para entrarmos por terras desconhecidas para as ficar a conhecer, mas nem sempre entramos nelas e as descobrimos. Se as queremos descobrir, temos de ir com esse propósito, demorar o tempo que for necessário, não deixar escapar nenhum pormenor, por mais simples que seja e, se realmente queremos descobrir as maravilhas deste reino, mas sobretudo, nunca esquecer as palavras sábias de Torga para ver este ou qualquer outro reino maravilhoso:  “ (…) O que é preciso, para os ver, é que os olhos não percam a virgindade original diante da realidade e o coração, depois, não hesite. (…)”.

 

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De facto assim é. Fui pela primeira vez a terras de São Vicente da Raia há coisa de trinta e tal anos, em trabalho, num dia escuro de inverno e muita chuva, com os últimos quilómetros de estrada ainda em terra batida. No desespero de poder cumprir a minha missão fui galgando esses últimos quilómetros com a preocupação de conseguir chegar ao destino. Chuva, pavimento de terra, lama e piso escorregadio,  descidas bem inclinadas e curvas bem apertadas,  aumentavam a preocupação, que terras estas…

 

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À preocupação de lá chegar ia-me afrontando por antecipação, preocupação maior com o caminho de regresso. Se assim era a descer, a subir as coisas complicar-se-iam muito mais, mas como na altura o sangue na guelra ainda fervilhava por e numa boa aventura, que fosse o que Deus quisesse e se os outros desciam e subiam, eu também haveria de conseguir… sem mesmo reparar que ninguém tinha passado por mim, mas como bem podem reparar agora, fui e regressei, e dessa viagem apenas recordo aqueles últimos quilómetros de estrada.

 

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Durante uns anos fui por lá mais algumas vezes, não muitas, mas algumas, talvez 3, 4 vezes, sempre em trabalho, sempre à pressa, sempre com uma preocupação extra, ora do tempo dos relógios, ou falta dele, ora com a viatura que levava e que nunca era de confiança, ou outra coisa qualquer, ou seja, continuei a ir por lá com um olhar afetado, adulterado, infiel, traiçoeiro, em suma, cego, sem a tal virgindade original perante a realidade e o coração.

 

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Foram precisos passarem-se 20 anos para numa tarde de setembro,  abandonar o vale de Chaves, subir a montanha, alcançar o planalto, sem relógio, sem preocupações, apenas eu, a máquina fotográfica, um carro de confiança e a virgindade no olhar como se fosse a primeira vez, e lá fui. Primeiro desvio na estrada e passagem pela Bolideira, depois Travancas, mais um pouco e passei Argemil, terras já minhas conhecidas, e a partir de aí começo a surpreender-me, primeiro com o mar de montanhas com vistas lançadas, por um lado para terras de Vinhais e mais além, para o outro as terras da Galiza.

 

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Antes de começar a descer aquela que então era estrada de terra batidas, parei num alto, um autêntico miradouro natural. Pela primeira vez reparei como a partir de Argemil a terra era outra, mudava na cor, mudava nas formas, até o penedio era diferente, menos azul, mais sépia, era o granito a dar lugar ao xisto e tudo isto delimitado por uma muralha natural que sobe e desce encostas, mais percetível numas encostas, menos noutras, mas que o olhar virginal viam como se tivessem a grandeza das muralhas da China, e lá do alto, aos meus pés, desenhava-se uma linda estrada cheia de curvas e pequenas retas, que ora se viam ora desapareciam do olhar encobertas pelas encostas da montanha, como se de um rio se tratasse, desaguava lá ao fundo numa povoação, imediatamente antes de uma encosta descer de novo para o desconhecido, talvez, quem sabe, para outras povoações.

 

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Pasmei por ali não sei quanto tempo, deliciei-me, embriaguei-me de tanto olhar e descobrir e imaginar, mas também reflexionar em como este reino maravilhoso tão pequeno e tão igual, é tão grande e tão diferente dentro da sua identidade diferenciada. Tinha abandonado o Vale de Chaves há tão pouco tempo e estava perante outra realidade, mas, continuava eu reflexionando em como se desde o vale de Chaves tivesse tomado a direção oposta, mais ou menos à mesma distância, sentiria o mesmo, mas de uma forma distinta, porque a realidade seria outra, tão diferente do vale e tão diferente desta que tinha à minha frente, mas igualmente interessante, fascinante até, estaríamos em terras de Barroso e não aqui, perante terras de Vinhais, mas ainda com os pés assentes no concelho de Chaves.

 

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Mas vamos lá. Já sóbrios, deixemos o miradouro e desçamos a estrada até um pequeno rio que foi batizado como Rio Mousse e a partir deste, de novo começamos a subir para só parar lá no alto naquela que é a nossa aldeia de hoje, a última desta série de povoações com nome de santo, este, o São Vicente que dá nome à aldeia e sede de freguesia de São Vicente da Raia, cujo apelido bem poderia ser “das Raias”, porque são várias as raias desta freguesia, primeiro da raia com a Galiza, depois da raia com Vinhais, mas também da Raia com o Parque Natural de Montesinho e se levarmos em conta aquilo que pra trás deixei escrito, faz também raia com a tal muralha natural (que existe mesmo) a partir de onde tudo começa a ser diferente.

 

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E estamos, entramos, finalmente na aldeia de  São Vicente da Raia, que embora da raia, para além dela ainda há mais três povoações a compor a freguesia e que, igualmente fazem parte do concelho de Chaves. Refiro-me a Orjais, Aveleda e Segirei, sem esquecer o São Gonçalo,  todas elas aldeias e lugares de xisto, com ares de Vinhais e da Galiza, mas também bem próximas dos limites dos três reinos (Portugal-Galiza- Castela e Leão) a apenas 20 km, mas isto são estórias de outra História, pois hoje ficamo-nos por São Vicente da Raia, que por sinal, o santo, é mais um santo mártir e era do Sul de Espanha (Huesca).

 

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O Curioso é que nesta nova entrada na aldeia, que já aconteceu em 2006, foi mesmo como se fosse a primeira vez que ia por lá, pois a não ser o largo de entrada que também é o largo do cemitério, mais nada recordava. Foi assim uma verdadeira descoberta, iniciada pelo pequeno núcleo junto à igreja,  para depois descer e passar a estrada de acesso a Orjais, Aveleda e Segirei e entrar no outro núcleo da aldeiam que notoriamente é muito mais antigo.

 

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Diz-me também a experiência que numa primeira visita nunca vemos tudo e deixamos sempre escapar pormenores de interesse, além de haver sempre uma ou outra imagem que pede e merece um novo enquadramento, para além de outras que saem desfocadas, queimadas ou outro acidente qualquer. Assim,  só uma visita não basta para termos uma recolha de imagens que faça justiça ao todo da aldeia, daí já ter por lá passado mais vezes, não tão exaustivamente como da primeira vez, mas recolhendo sempre um ou outro pormenor, isto dentro da aldeia, pois ao nível geral, vista geral da aldeia e paisagens que a rodeiam, são sempre diferentes, conforme a época do ano, em que a luz e as cores da vegetação variam tanto, que às vezes quase parece que estamos perante paisagens completamente diferentes.

 

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Tenho alguns desses registos tomados em épocas diferentes do ano, penso que só me falta mesmo um com a paisagem vestida de branco e quase a consegui, mas dessa vez, com viatura imprópria para a neve,  sabia mesmo que se descesse, já não subiria. Deixei para outra oportunidade que espero vir a acontecer.

 

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E que dizer de São Vicente da Raia!? Pois é uma aldeia interessante em que o xisto utilizado nas construções faz a diferença em relação à maioria das aldeias do concelho de Chaves. Notoriamente construções muito antigas, hoje maioritariamente abandonadas e/ou em ruínas, algumas com inscrições curiosas,  possivelmente ligadas a uma comunidade judaica que viveu na freguesia.

 

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É uma aldeia que sofre também da maleita do despovoamento e do envelhecimento da sua população, embora exista por lá um caso de sucesso em que o processo foi invertido. Trata-se de um jovem casal em que um deles tinha origens na aldeia e que abandonou o trabalho e a sua vida do grande Porto para se fixar em São Vicente da Raia, primeiro explorando um bar da aldeia, onde serviam excelentes refeições com coisas boas da terra. Posteriormente montaram uma cozinha regional com fabrico de fumeiro,  cuja matéria prima, o porco bísaro, é de exploração própria. Sou testemunha que o que lá se fabrica é de primeira qualidade e nem vos quero descrever o requinte de um cozido à portuguesa com todos os ingredientes made in São Vicente da Raia, carnes, fumeiro, batatas, couves e vinho, penso que só mesmo o azeite é que não é de lá… ou seja, tudo do “bô e do milhor”.

 

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Aproxima-se a primavera e o verão e como o dinheiro ainda está caro para férias noutras paragens, se não conhece a freguesia de São Vicente da Raia, proponho-lhe que reserve 4 dias para conhecer a freguesia, que poderão e deverão ser alternados, pois de seguida vai ser muito cansativo. Tanto faz ser dia de semana como fim de semana, por lá não se nota muita diferença.

 

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Então os 4 dias seriam para:

 

1º dia – Conhecer as 4 aldeias da freguesia, primeiro São Vicente da Raia, depois Orjais, de seguida Aveleda e por fim Segirei. Só as aldeias, não se entusiasme com outros apelos.

2º dia – Fazer a rota do contrabando de Segirei. O trilho está indicado e inicia-se na parte galega com descida sempre junto ao riacho, com passagem pelas cascatas e a terminar ou com passagem por Segirei, pois pode continuar a caminhada até à Praia Fluvial de Segirei. Claro que este dia para andar a pé, mas se eu que não sou de caminhadas já fiz o percurso, qualquer um o faz.

3º dia – O dia completo para passar na praia fluvial de Segirei onde tem bar de apoio e grelhadores. As águas do rio junto à praia fluvial são pouco profundas e o espaço ótimo para crianças e também para pescadores.

4º dia – Descida ao São Gonçalo onde também existe um parque de lazer e pode ir a banhos, com águas também pouco profundas e ótimas para pescar.

 

Claro que para todos estes dias a máquina fotográfica é imprescindível.

 

 

01
Mar19

Alminhas e Cruzeiros

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Cruzeiro das Eiras

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Nesta rubrica das alminhas …. Hoje deixo-vos três cruzeiros, poderiam ser outros, mas são estes, apenas pelas suas características e singularidades. O cruzeiro das Eiras, pela sua singularidade e por ser apontado como um dos mais antigos, o de Castelões pelo seu colorido e toda a arte naif a sobressair e por último o de Oura, um dos mais elaborados do concelho de Chaves. Fica também um pouco da história dos Cruzeiros de Portugal.

 

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Cruzeiro de Castelões

Os Cruzeiros surgem ligados à cruz dos cristãos. São símbolos da crença de um povo, marcos apontados à fé dos caminheiros e de todos aqueles que os veneram, marcando a fé dos que os erigiram como promessa.

 

São padrões da cristandade, e em terra cristã é símbolo de crença e respeito para as povoações. Estes reduzem-se à maior simplicidade, ou  aprimoram a feição artística de granito rude, ao mármore fino, imagem de Cristo pintada ou esculpida, em alto-relevo ou em pleno corpo.

 

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Cruzeiro de Castelões

Com a Contra Reforma religiosa valorizou-se ainda mais a existência do purgatório, assim como o uso de indulgências para redimir a pena por pecados cometidos. Isto originou a que fossem edificados muitos cruzeiros para obterem em vida alguns méritos para o momento da morte.

 

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Cruzeiro de Castelões

Os cruzeiros têm aquela rara e única beleza que a alma lhes dá e os olhos não conseguem vislumbrar e que só a fé faz ver. Estão colocados nas bermas dos caminhos, nas praças, no alto dos montes, perto das povoações ou isoladas, no adro de igrejas, ou em encruzilhadas, praças, cemitérios.

 

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Cruzeiro de Castelões

Os cruzeiros representam o espírito popular da devoção religiosa. Contudo, nem sempre esta causa foi determinante para a sua construção, pois muitos serviram para marcar acontecimentos de pendores variados e para proteger contra influências maléficas e feitiçarias, os caminhos, as encruzilhadas e os largos das aldeias, significando proteção para a população.

 

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Cruzeiro de Oura

Por trás de cada cruzeiro existe uma história relacionada com uma situação triste ou dramática, assim como uma profunda devoção.

 

Os cruzeiros que se encontram nos adros das igrejas tinham e têm como fim santificar esses espaços. Para esta santificação são determinantes as procissões que percorrem o perímetro da igreja.

 

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Cruzeiro de Oura

Os que se localizam nas encruzilhadas tinham como função cristianizar um local entendido como maléfico pelo povo, pois aí pensa-se que se realizavam rituais pagãos.

Os cruzeiros dominam e protegem os campos. Recordam epidemias, assinalam momentos históricos, pedem orações e sufrágios e servem de padrões paroquiais nos adros das igrejas e capelas.

 

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Cruzeiro de Oura

Normalmente não têm grande valor histórico e artístico, contudo há alguns que são bons exemplares, bem desenhados e esculpidos. Há inscrições comemorativas que distinguem muitos deles.

 

Constituem ótimos elementos para o estudo das crenças, dos costumes, qualidades e tendências artísticas de um povo, nas várias épocas da sua história.

 

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O cruzeiro é uma forma de oração, um convite à reflexão, como um catecismo de pedra que nos introduz nos permanentes mistérios que movem filósofos, artistas e poetas: o enigma da origem da vida, a morte e o mundo.

 

Cada cruzeiro tem uma história muito particular que, em muitos casos, deveria ser inserida nos conjuntos paroquiais, tão pouco estudados: igreja, adro, cemitério, ossário e casa paroquial.

 

 

 

Webgrafia

http://museuvirtual.activa-manteigas.com/index.php/places/cruzeiros-3/cruzeiros-historia-e-sua-origem/

 

 

 

23
Fev19

São Lourenço - Chaves - Portugal

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Nesta rúbrica das aldeias de Chaves, ultimamente temos andado por terras de santos, que quer os haja ou não na aldeia, têm-nos no topónimo, tal como a nossa aldeia de hoje - São Lourenço, e como na última aldeia que por aqui passou (São Julião), iniciámos com uma fotografia com neve, hoje, para não se ficarem a rir uma da outra, hoje iniciamos também com neve que já caiu em dezembro de 2009.

 

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A ordem alfabética ditou que hoje fosse a vez a São Lourenço tal como no último fim de semana calhou a São Julião, e estas coisas não acontecem por acaso, embora também não acredite que estivesse predestinado acontecer, mas até poderia estar. Na realidade estas aldeias também são próximas, aliás seguindo pela estrada acima em direção a Valpaços, a seguir a São Lourenço temos São Julião. Quis o destino que assim fosse, talvez, pois não sei qual a origem dos topónimos, mas acontece que ambos os santos são santos mártires, mandados matar pela mesma gente, são da mesma época (nasceram no mesmo século III) e morreram à distância de 47 anos, São Lourenço no ano de 258 e São Julião no ano de 305.

 

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Deixemos o São Julião lá mais em cima (na estrada) e vamos saber um pouco sobre a vida e morte de São Lourenço, até com um pouco de humor, o do Santo, que dizem que ele tinha. Verdade ou lenda, apenas transcrevo:

 

Em 257, os cristãos começaram a ser perseguidos e mortos por ordem do imperador Valeriano I. Em 258, o Papa Sisto II foi decapitado. Conta a história que, ao caminhar para o lugar da execução, São Lourenço caminhava junto ao papa e dizia: Aonde vai sem seu diácono, meu pai? Jamais oferecestes o sacrifício da missa, sem que eu vos acolitasse (ajudasse)! O papa, comovido com essas palavras de dedicação filial, respondeu: Não estou te abandonando, meu filho! Deus reservou-te provação maior e vitória mais brilhante, pois és jovem e forte. Velhice e fraqueza faz com que tenham pena de mim. Em três dias você me seguirá.

Depois da morte do Papa, o imperador exigiu que a Igreja lhe entregasse todos os seus bens, dentro de 3 dias. Vencido o prazo, São Lourenço apresentou os pobres que eram acudidos pela Igreja e disse ao imperador: Estes são os bens da Igreja. Valeriano, então, com muita raiva, ordenou que Lourenço fosse queimado vivo. O santo manteve a alegria no momento da execução, mostrando sua profunda fé na vida eterna, no encontro com Jesus Cristo. Por isso, no momento mais angustiante de sua vida – aos olhos do mundo – Lourenço, feliz, dizia aos soldados: agora podem me virar, este lado já está assado. Uma multidão acompanhava o martírio de São Lourenço. E, no meio do povo, grande foi o número dos que se converteram a jesus cristo ao verem o testemunho do jovem São Lourenço.

 

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Voltemos a São Lourenço, agora à aldeia, que fica lá no alto na Serra do Brunheiro, a caminho de Valpaços, acima do Vale de Chaves e dos seus famosos nevoeiros, tal como acontece nesta última foto que vos deixei atrás, com uma preciosidade que só hoje descobri (na foto) e que me convida a subir de novo a São Loureço num dia de nevoeiro para ver se, com uma objetiva mais potente a vencer distâncias, consigo dar mais realce ao motivo. Se repararem bem na foto, o nevoeiro mais distante tal como as montanhas são em terras da Galiza. O último nevoeiro que se vê é sobre a Verin (ou seja o nevoeiro cobre a EuroCidade Chaves-Verin), do lado esquerdo, em cima, há um biquinho de montanha que sai do nevoeiro e nele notam-se uns pontinos amarelados que não são mais que o Castelo de Monterrey.

 

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São Lourenço é uma das aldeias que tem passado aqui no blog com alguma frequência e penso que nos posts anteriores já disse tudo que tinha a dizer sobre a aldeia, mas mesmo assim, sempre que vamos por lá temos que salientar alguns pormenores da aldeia, pois são também a sua imagem de marca ou às quais não podemos ficar indiferentes. Uma delas é pelo presunto, do bô, não só o que as pessoas de lá têm em suas casas, mas também o que servem lá nos bares junto à estrada, acompanhado de bô vinho que São Lourenço também tem e de umas fatias de cebola crua com bô pão centeio, tudo de lá e podem crer que é do melhor que há, tudo bô, sou testemunha disso na primeira pessoa, quer do presunto, vinho, cebola e pão caseiros, quer do dos bares. Se duvidar, nem há com ir por lá, mas cuidado com as curvas ao descer para o vale de Chaves.

 

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Outra imagem à qual não podemos ficar indiferentes é à casa da árvore ou à árvore que nasce dentro da casa. Uma pereira, se bem recordo, que insiste em fazer a delícia de quem vê o motivo, pois não é todos os dias que se vê uma coisa destas. Aliás isto não é bem verdade, pois quem lá vive pode-a ver todos os dias e que por lá passa, também, eu assim faço sempre que passo por lá.

 

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A outra imagem de marca, são as imagens de marca da ruralidade da aldeia, que embora a lançar vistas para o vale de Chaves e que para chegar até ele basta descer o Brunheiro, continua com a sua ruralidade, com motivos que fazem verdadeiros “quadros” de arte” com o selo de garantia do fio azul, o melhor de todos os tempos.

 

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Ainda outra imagem, mas esta já está armazenada na memória, no entanto impossível de esquecer por tantas vezes a ter visto passar à porta da minha infância – as lavadeiras de São Lourenço. Os mais novos não sabem, mas eu conto. Até finais dos anos 60 (Séc. XX) talvez ainda inícios de 70 em São Loureço existia a maior lavandaria do concelho de Chaves. Era para lá que ia muita da roupa suja da cidade para lavar e que depois de lavada, descia em comboios de burros carregados de roupa branca.

 

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Claro que ista subida de roupa suja e descida de roupa branca era no tempo em que a cidade estava dependente de muitos serviços e produtos que as nossas aldeias ofereciam e produziam. Como o abastecimento de leite à cidade feito por Outeiro Seco, a lavagem de roupa de São Lourenço, o carvão e carqueja de várias aldeias, o famoso presunto de Chaves que até das aldeias do Barroso e outros concelhos vizinhos vinha, em que a principal empresa de transporte de mercadorias eram os burros, as pessoas vinham a pé. É por essa razão que o colesterol só começou a aparecer em abundância nos últimos tempos, pois naqueles tempos não tinha tempo de se instalar nos corpos das pessoas.

 

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Também é de terras de São Lourenço que se pode avistar todo o vale de Chaves, terras da Galiza a até ver se a Serra do Larouco está ou coberta de neve. Neve que também cai com alguma frequência em São Loureço, pelo menos aquela que se costuma ver na croa das montanhas e que já cai no vale em forma de chuva. Neve que lá vai caindo por cá, na cidade e nas montanhas, quando lhe dá na gana, isto para contrariar aqueles que dizem que antigamente é que era. Mas não era, ou melhor, também era, pois posso-vos garantir que nestes últimos 30 anos nevou mais em Chaves que nos 30 anos anteriores. Agora se o antigamente é que era se refere aos séculos distantes, isso já não sei, pois não estava cá para ver.

 

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E por hoje é tudo. Para a semana continuamos pelas terras dos santos. Depois de já terem passado por aqui o Santiago, o Santo Estêvão, o São Caetano, o São Cornélio, o São Domingos, o São Gonçalo, o São Julião e o São Lourenço, e talvez o São Fins (Sanfins) e o São Jurge (Sanjurge) chega a vez do São Pedro, mas este só para o próximo sábado, pois hoje é o dia do São Loureço.

 

Fontes consultadas:

https://cruzterrasanta.com.br/historia-de-sao-lourenco/152/102/#c

https://pt.wikipedia.org/wiki/Louren%C3%A7o_de_Huesca

 

 

 

16
Fev19

São Julião de Montenegro e 3+1 Kmºs Zero de Chaves

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Embora iniciemos o post com duas fotografias de neve, a verdade é que esta neve já não é de hoje e há muito que derreteu, aliás, depois desta nevada, já caíram outras. Para sermos precisos, esta nevada caiu em 25 de janeiro de 2009. Mas não ficamos só por aqui, pois se a foto com neve nos leva ao engano, a própria placa de entrada no concelho de Chaves também é enganadora, mas sem nos enganar. Na realidade esta placa está à entrada do concelho de Chaves, localizada  antes de chegarmos à aldeia de São Julião, deixando para trás o concelho de Valpaços, só que antes de aqui chegámos já tínhamos entrado no concelho de Chaves e passado por Limãos, deixado o concelho de Valpaços para trás, só que logo a seguir a Limãos, entramos novamente no concelho de Valpaços (Barracão), deixando o concelho de Chaves para trás, ainda antes de entrámos nele. Confuso, mas é assim mesmo, ou seja, saímos do concelho de Valpaços e entramos no concelho de Chaves, logo a seguir saímos deste e entramos novamente no de Valpaços para logo a seguir sair dele e entrar novamente no de Chaves… é melhor ficar por aqui, mas a realidade é mesmo assim.

 

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Quanto a esta segunda imagem, do mesmo dia da anterior, também é enganadora, mas só quanto à neve, pois quanto às placas, o STOP é mesmo para parar antes de entrar na estrada principal, placa que nos tapa um pouco a outra placa, tirando a santidade a São Julião de Montenegro, a nossa aldeia de hoje.

 

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A título de curiosidade, São Julião é um dos 10 santos (talvez 12) aos quais concelho de Chaves   recorre para ser topónimo das suas aldeias, a saber: Santiago do Monte; Santo Estêvão; São Caetano; São Cornélio; São Domingos; São Gonçalo da Ribeira; São Julião, São Lourenço; São Pedro de Agostém e São Vicente. Disse talvez 12 porque Sanjurge e Sanfins da Castanheira, também podem ter na sua origem um Santo, no primeiro caso o São Jurge, pois este topónimo existe por exemplo em Ranhados no concelho da Mêda, e no segundo caso o São Pedro Fins, este sim, é assumido com estando na origem de outras localidades portuguesas que hoje têm como topónimo Sanfins.

 

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Tal como tenho vindo a afirmar todos os sábados, esta nova abordagem às nossas aldeias do concelho de Chaves, tem sido feita por ordem alfabética, no entanto como no nosso arquivo em alguns casos abreviámos o Santo para Stº e o São para S. fomos levados ao engano, por exemplo na ordem em que Stº Estêvão apareceu e,  trouxemos primeiro os topónimos Santos quando deveriam ter trazido as Santas (Santa Bárbara, Santa Cruz, Santa Cruz da Castanheira,  Santa Leocádia, Santa Marinha e Santa Ovaia). As nossas desculpas às Santas, mas fica prometido que a seguir ao último Santo, o São Vicente, vamos às Santas, para continuar na santidade dos topónimos flavienses, que ao todo (Santas e Santos) são 18, talvez 20.

 

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Deixando as curiosidades de parte, entremos então na Aldeia de São Julião de Montenegro que até à última reforma administrativas das freguesias, foi também sede de Freguesia, hoje integradas na grande/extensa freguesia da União de Freguesias das Eiras, São Julião de Montenegro e Cela. Atrás disse grande/extensa porque agora o território desta freguesia estende-se desde o Concelho de Valpaços até ao Vale de Chaves (Eiras).

 

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Quanto à localização de São Julião de Montenegro, para trás, neste post, já fomos adiantando onde fica, mas para sermos mais precisos, a aldeia fica junta à EN 213 (Chaves-Vila Flor), no troço entre São Lourenço e o Barracão (Valpaços).

 

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Os 3+1 Kms Zero de Chaves

A título de curiosidade, pois hoje parece que além de ser um post dedicado a São Julião o é também às curiosidades. Então agora que o Km zero da EN2 está tão na moda, temos também que realçar que esta Estrada Nacional  que serve São Julião, tem também o seu Km Zero em Chaves, mais precisamente na Rotunda do Raio X. Trata-se da EN213 que tem início no Raio X em Chaves e termina em Vila Flor. Ora aqui surge outra curiosidade e outro Km zero, o da Antiga EN314, hoje R314 que também tem o seu KM zero em Chaves, naquela rotunda que não é rotunda (outra curiosidade flaviense) a apenas 200 do KM zero da EN213. Curiosamente esta R314 que tem o seu Km zero em Chaves a 200 metros do Km zero da EN213, termina precisamente em Vila Flor, no preciso cruzamento onde termina a EN213. Ainda outra curiosidade menos curiosa é a dos 3 Km’s zeros destas 3 estradas nacionais se encontrarem dentro de um circulo com 300 m de raio, quase juntos e a EN213 nasce na EN2 e a R314 nasce na EN213, ou seja, rodoviariamente falando, isto só prova que Portugal nasce em Chaves, estatuto que lhe é conferido pela EN2 que atravessa Portugal de Norte a Sul. Por último, referia no título o 3+1 Kms Zero de Chaves, pois além dos três já referido ainda temos outro, o Km zero da EN103-5, que começa no Lameirão e terminava na Fronteira de Vila Verde da Raia, hoje, outra curiosidade, termina na Galiza.

 

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Voltemos a São Julião a uma razão que seja para ser de visita obrigatória. Pois tem mais que uma razão para ser de visita obrigatória, mas há uma muito forte, a da sua Igreja, pois é uma que está nos roteiros obrigatórios das Igrejas Românicas.

 

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Num post anterior deste blog dedicado a São Julião dizia eu a respeito desta igreja:

“A igreja matriz de São Julião de Montenegro é um templo de traça românica onde ainda persistem muitos dos elementos arquitectónicos originais. Só a fachada principal, com uma orientação a Oeste, é que se encontra completamente descaracterizada por obras de restauro mais recentes, aliás obras a que tem estado mais ou menos sujeita ao longo dos tempos e ligadas a estragos causados por causas naturais, como o terramoto de 1755 (segundo alguns documentos) ou mais recentemente, atribuídas a um ciclone do início do século passado que muitas vezes é referido pela população mais idosa, ou mais recentes ainda, nos anos 80, por iniciativa do então padre da freguesia. Obras mais ou menos felizes que lá foram mantendo a cachorarrada  que testemunha a sua origem românica, bem como uma pequena porta que se rasga na parede norte do edifico e que curiosamente podemos ver repetida em desenho na Igreja de Moreiras, desenho onde se encontra reproduzida a famosa cruz usada pela Ordem dos Templários que neste caso seria já da Comenda da Ordem de Cristo, à qual pertenceu S.Julião.”

 

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A Igreja de São Julião de Montenegro está classificada como MIP - Monumento de Interesse Público pela Portaria n.º 740-EH/2012, DR, 2.ª série, n.º 252 (suplemento), de 31-12-2012.

Saliente-se que esta portaria veio repor o estatuto de interesse público que a Igreja de São Julião já tinha possuído e que indevidamente lhe tinha sido retirado em 2010.

 

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Na nota Histórico-Artística que consta na ficha da Direção-Geral do Património Cultural, a respeito da igreja de São Julião, pode ler-se o seguinte:

Povoado desde a Pré-história, como atestam as necrópoles, os testemunhos de arte rupestre, os povoados fortificados de altura (castros) da Idade do Ferro e as construções do período romano (calçada, ponte, barragem e villa) identificados até ao momento, numa comprovação da diversidade e da excelência dos recursos cinegéticos que dispunha às comunidades humanas que o percorriam e nele se fixavam, o território correspondente, na actualidade, ao concelho de Chaves confina, a Norte, com a Galiza, constituindo um dos seis municípios do 'Alto Tâmega'. 

 

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E continua:


De entre a multiplicidade de construções erguidas ao longo dos tempos faz parte a "Igreja Paroquial de São Julião de Montenegro", originalmente construída, ao que se supõe - pela análise da estrutura e das pinturas a fresco existentes na parede interior - , ainda no século XIII, inscrevendo-se, por conseguinte, na arquitectura românica da região, até que, em meados de oitocentos, a fachada principal adquiriu nova feição, destituindo-a da primitiva estrutura. 
Constituindo um dos templos melhor conservados de todo o termo administrativo de Chaves, a igreja preserva, no entanto, a maior parte do estaleiro românico. 

 

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E remata assim:


Composto de nave única (pavimentada com lajes graníticas), cabeceira e sacristia (adossada) de planta rectangular, o templo alberga capela-mor separada do restante corpo por arco quebrado com banda externa de enxaquetado apoiado em meias-colunas com capitéis decorados com motivos zoomórficos, ostentando pinturas a fresco nos dois lados da parede. A capela acolhe grande retábulo de talha dourada profusamente decorado - com tribuna escalonada e sacrário - contendo imagem de Sto. António, sendo, ainda, de destacar, a presença, no interior, de arcossólio na parede Sul com tampa sepulcral com cruz de Cristo. 
Acede-se à nave através de portal rectangular sobrepujado por óculo, ambos rasgados no alçado principal encimado por campanário de dupla ventana coroado com dois pináculos laterais e cruz central. No exterior, merecem especial destaque, a par de duas pias baptismais, talhadas em granito, as fachadas laterais Sul e Norte com cachorrada lavrada com elementos zoomórficos, antropomórficos ou com decoração em rolos e cornija em laços e/ou bolas. 
[AMartins]

 

1600-silhueta igreja

 

Penso que quanto à igreja, deixo documentação suficiente para justificar  a visita obrigatória a a São Julião de Montenegro, mas há mais, pois a aldeia, embora com algumas construções mais recentes que não se enquadram dentro do nosso gosto particular, mantém as suas características como aldeia típica transmontana, principalmente ao longo da rua principal que se inicia na rua da escola e termina no largo da Igreja, bem como ao redor desta, área hoje protegida que no entanto não corrige erros do passado.

 

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No largo da entrada da aldeia, onde se encontra a escola, existe o cruzeiro da aldeia com a sua escadaria elevada em relação ao pavimento do largo, o que lhe confere um ar mais interessante e alguma imponência.

 

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Existe também, numa rua transversal a rua da igreja que liga aos campos de cultivo da aldeia, uma fonte de mergulho que na altura do levantamento fotográfico me indicaram como sendo muito antiga. É notória uma intervenção mais recente em que o arco originalmente aberto e que dava acesso à fonte, foi tapado com blocos de cimento nos quais colocaram uma porta de ferro, retirando-lhe algum interesse. Penso que na altura me falaram também em certas estórias ou lendas ligadas à fonte, mas não o posso afirmar com certeza.

 

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Pela certa que haverá outros motivos de interesse que agora já não recordo, pois também São Julião foi uma das primeiras aldeias a fazer o levantamento fotográfico, isto já lá vão pelo menos 10 anos. Fui por lá mais recentemente mas com a missão mais nobre de acompanhar um amigo à sua última morada onde coincidiu despedir-me de outro pela última vez, um momento em nada apropriado quer para recolha de novas imagens ou para procurar motivos de interesse.

 

E é tudo!

**************

Consultas em: http://www.patrimoniocultural.gov.pt/en/patrimonio/patrimonio-imovel/pesquisa-do-patrimonio/classificado-ou-em-vias-de-classificacao/geral/view/71282 em 16-02-2019

 

 

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