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CHAVES

Olhares sobre o "Reino Maravilhoso"

09
Mar19

São Vicente da Raia - Chaves - Portugal

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Diz-me a experiência que não é preciso ser conhecedor de nenhuma ciência para entrarmos por terras desconhecidas para as ficar a conhecer, mas nem sempre entramos nelas e as descobrimos. Se as queremos descobrir, temos de ir com esse propósito, demorar o tempo que for necessário, não deixar escapar nenhum pormenor, por mais simples que seja e, se realmente queremos descobrir as maravilhas deste reino, mas sobretudo, nunca esquecer as palavras sábias de Torga para ver este ou qualquer outro reino maravilhoso:  “ (…) O que é preciso, para os ver, é que os olhos não percam a virgindade original diante da realidade e o coração, depois, não hesite. (…)”.

 

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De facto assim é. Fui pela primeira vez a terras de São Vicente da Raia há coisa de trinta e tal anos, em trabalho, num dia escuro de inverno e muita chuva, com os últimos quilómetros de estrada ainda em terra batida. No desespero de poder cumprir a minha missão fui galgando esses últimos quilómetros com a preocupação de conseguir chegar ao destino. Chuva, pavimento de terra, lama e piso escorregadio,  descidas bem inclinadas e curvas bem apertadas,  aumentavam a preocupação, que terras estas…

 

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À preocupação de lá chegar ia-me afrontando por antecipação, preocupação maior com o caminho de regresso. Se assim era a descer, a subir as coisas complicar-se-iam muito mais, mas como na altura o sangue na guelra ainda fervilhava por e numa boa aventura, que fosse o que Deus quisesse e se os outros desciam e subiam, eu também haveria de conseguir… sem mesmo reparar que ninguém tinha passado por mim, mas como bem podem reparar agora, fui e regressei, e dessa viagem apenas recordo aqueles últimos quilómetros de estrada.

 

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Durante uns anos fui por lá mais algumas vezes, não muitas, mas algumas, talvez 3, 4 vezes, sempre em trabalho, sempre à pressa, sempre com uma preocupação extra, ora do tempo dos relógios, ou falta dele, ora com a viatura que levava e que nunca era de confiança, ou outra coisa qualquer, ou seja, continuei a ir por lá com um olhar afetado, adulterado, infiel, traiçoeiro, em suma, cego, sem a tal virgindade original perante a realidade e o coração.

 

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Foram precisos passarem-se 20 anos para numa tarde de setembro,  abandonar o vale de Chaves, subir a montanha, alcançar o planalto, sem relógio, sem preocupações, apenas eu, a máquina fotográfica, um carro de confiança e a virgindade no olhar como se fosse a primeira vez, e lá fui. Primeiro desvio na estrada e passagem pela Bolideira, depois Travancas, mais um pouco e passei Argemil, terras já minhas conhecidas, e a partir de aí começo a surpreender-me, primeiro com o mar de montanhas com vistas lançadas, por um lado para terras de Vinhais e mais além, para o outro as terras da Galiza.

 

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Antes de começar a descer aquela que então era estrada de terra batidas, parei num alto, um autêntico miradouro natural. Pela primeira vez reparei como a partir de Argemil a terra era outra, mudava na cor, mudava nas formas, até o penedio era diferente, menos azul, mais sépia, era o granito a dar lugar ao xisto e tudo isto delimitado por uma muralha natural que sobe e desce encostas, mais percetível numas encostas, menos noutras, mas que o olhar virginal viam como se tivessem a grandeza das muralhas da China, e lá do alto, aos meus pés, desenhava-se uma linda estrada cheia de curvas e pequenas retas, que ora se viam ora desapareciam do olhar encobertas pelas encostas da montanha, como se de um rio se tratasse, desaguava lá ao fundo numa povoação, imediatamente antes de uma encosta descer de novo para o desconhecido, talvez, quem sabe, para outras povoações.

 

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Pasmei por ali não sei quanto tempo, deliciei-me, embriaguei-me de tanto olhar e descobrir e imaginar, mas também reflexionar em como este reino maravilhoso tão pequeno e tão igual, é tão grande e tão diferente dentro da sua identidade diferenciada. Tinha abandonado o Vale de Chaves há tão pouco tempo e estava perante outra realidade, mas, continuava eu reflexionando em como se desde o vale de Chaves tivesse tomado a direção oposta, mais ou menos à mesma distância, sentiria o mesmo, mas de uma forma distinta, porque a realidade seria outra, tão diferente do vale e tão diferente desta que tinha à minha frente, mas igualmente interessante, fascinante até, estaríamos em terras de Barroso e não aqui, perante terras de Vinhais, mas ainda com os pés assentes no concelho de Chaves.

 

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Mas vamos lá. Já sóbrios, deixemos o miradouro e desçamos a estrada até um pequeno rio que foi batizado como Rio Mousse e a partir deste, de novo começamos a subir para só parar lá no alto naquela que é a nossa aldeia de hoje, a última desta série de povoações com nome de santo, este, o São Vicente que dá nome à aldeia e sede de freguesia de São Vicente da Raia, cujo apelido bem poderia ser “das Raias”, porque são várias as raias desta freguesia, primeiro da raia com a Galiza, depois da raia com Vinhais, mas também da Raia com o Parque Natural de Montesinho e se levarmos em conta aquilo que pra trás deixei escrito, faz também raia com a tal muralha natural (que existe mesmo) a partir de onde tudo começa a ser diferente.

 

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E estamos, entramos, finalmente na aldeia de  São Vicente da Raia, que embora da raia, para além dela ainda há mais três povoações a compor a freguesia e que, igualmente fazem parte do concelho de Chaves. Refiro-me a Orjais, Aveleda e Segirei, sem esquecer o São Gonçalo,  todas elas aldeias e lugares de xisto, com ares de Vinhais e da Galiza, mas também bem próximas dos limites dos três reinos (Portugal-Galiza- Castela e Leão) a apenas 20 km, mas isto são estórias de outra História, pois hoje ficamo-nos por São Vicente da Raia, que por sinal, o santo, é mais um santo mártir e era do Sul de Espanha (Huesca).

 

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O Curioso é que nesta nova entrada na aldeia, que já aconteceu em 2006, foi mesmo como se fosse a primeira vez que ia por lá, pois a não ser o largo de entrada que também é o largo do cemitério, mais nada recordava. Foi assim uma verdadeira descoberta, iniciada pelo pequeno núcleo junto à igreja,  para depois descer e passar a estrada de acesso a Orjais, Aveleda e Segirei e entrar no outro núcleo da aldeiam que notoriamente é muito mais antigo.

 

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Diz-me também a experiência que numa primeira visita nunca vemos tudo e deixamos sempre escapar pormenores de interesse, além de haver sempre uma ou outra imagem que pede e merece um novo enquadramento, para além de outras que saem desfocadas, queimadas ou outro acidente qualquer. Assim,  só uma visita não basta para termos uma recolha de imagens que faça justiça ao todo da aldeia, daí já ter por lá passado mais vezes, não tão exaustivamente como da primeira vez, mas recolhendo sempre um ou outro pormenor, isto dentro da aldeia, pois ao nível geral, vista geral da aldeia e paisagens que a rodeiam, são sempre diferentes, conforme a época do ano, em que a luz e as cores da vegetação variam tanto, que às vezes quase parece que estamos perante paisagens completamente diferentes.

 

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Tenho alguns desses registos tomados em épocas diferentes do ano, penso que só me falta mesmo um com a paisagem vestida de branco e quase a consegui, mas dessa vez, com viatura imprópria para a neve,  sabia mesmo que se descesse, já não subiria. Deixei para outra oportunidade que espero vir a acontecer.

 

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E que dizer de São Vicente da Raia!? Pois é uma aldeia interessante em que o xisto utilizado nas construções faz a diferença em relação à maioria das aldeias do concelho de Chaves. Notoriamente construções muito antigas, hoje maioritariamente abandonadas e/ou em ruínas, algumas com inscrições curiosas,  possivelmente ligadas a uma comunidade judaica que viveu na freguesia.

 

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É uma aldeia que sofre também da maleita do despovoamento e do envelhecimento da sua população, embora exista por lá um caso de sucesso em que o processo foi invertido. Trata-se de um jovem casal em que um deles tinha origens na aldeia e que abandonou o trabalho e a sua vida do grande Porto para se fixar em São Vicente da Raia, primeiro explorando um bar da aldeia, onde serviam excelentes refeições com coisas boas da terra. Posteriormente montaram uma cozinha regional com fabrico de fumeiro,  cuja matéria prima, o porco bísaro, é de exploração própria. Sou testemunha que o que lá se fabrica é de primeira qualidade e nem vos quero descrever o requinte de um cozido à portuguesa com todos os ingredientes made in São Vicente da Raia, carnes, fumeiro, batatas, couves e vinho, penso que só mesmo o azeite é que não é de lá… ou seja, tudo do “bô e do milhor”.

 

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Aproxima-se a primavera e o verão e como o dinheiro ainda está caro para férias noutras paragens, se não conhece a freguesia de São Vicente da Raia, proponho-lhe que reserve 4 dias para conhecer a freguesia, que poderão e deverão ser alternados, pois de seguida vai ser muito cansativo. Tanto faz ser dia de semana como fim de semana, por lá não se nota muita diferença.

 

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Então os 4 dias seriam para:

 

1º dia – Conhecer as 4 aldeias da freguesia, primeiro São Vicente da Raia, depois Orjais, de seguida Aveleda e por fim Segirei. Só as aldeias, não se entusiasme com outros apelos.

2º dia – Fazer a rota do contrabando de Segirei. O trilho está indicado e inicia-se na parte galega com descida sempre junto ao riacho, com passagem pelas cascatas e a terminar ou com passagem por Segirei, pois pode continuar a caminhada até à Praia Fluvial de Segirei. Claro que este dia para andar a pé, mas se eu que não sou de caminhadas já fiz o percurso, qualquer um o faz.

3º dia – O dia completo para passar na praia fluvial de Segirei onde tem bar de apoio e grelhadores. As águas do rio junto à praia fluvial são pouco profundas e o espaço ótimo para crianças e também para pescadores.

4º dia – Descida ao São Gonçalo onde também existe um parque de lazer e pode ir a banhos, com águas também pouco profundas e ótimas para pescar.

 

Claro que para todos estes dias a máquina fotográfica é imprescindível.

 

 

01
Mar19

Alminhas e Cruzeiros

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Cruzeiro das Eiras

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Nesta rubrica das alminhas …. Hoje deixo-vos três cruzeiros, poderiam ser outros, mas são estes, apenas pelas suas características e singularidades. O cruzeiro das Eiras, pela sua singularidade e por ser apontado como um dos mais antigos, o de Castelões pelo seu colorido e toda a arte naif a sobressair e por último o de Oura, um dos mais elaborados do concelho de Chaves. Fica também um pouco da história dos Cruzeiros de Portugal.

 

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Cruzeiro de Castelões

Os Cruzeiros surgem ligados à cruz dos cristãos. São símbolos da crença de um povo, marcos apontados à fé dos caminheiros e de todos aqueles que os veneram, marcando a fé dos que os erigiram como promessa.

 

São padrões da cristandade, e em terra cristã é símbolo de crença e respeito para as povoações. Estes reduzem-se à maior simplicidade, ou  aprimoram a feição artística de granito rude, ao mármore fino, imagem de Cristo pintada ou esculpida, em alto-relevo ou em pleno corpo.

 

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Cruzeiro de Castelões

Com a Contra Reforma religiosa valorizou-se ainda mais a existência do purgatório, assim como o uso de indulgências para redimir a pena por pecados cometidos. Isto originou a que fossem edificados muitos cruzeiros para obterem em vida alguns méritos para o momento da morte.

 

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Cruzeiro de Castelões

Os cruzeiros têm aquela rara e única beleza que a alma lhes dá e os olhos não conseguem vislumbrar e que só a fé faz ver. Estão colocados nas bermas dos caminhos, nas praças, no alto dos montes, perto das povoações ou isoladas, no adro de igrejas, ou em encruzilhadas, praças, cemitérios.

 

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Cruzeiro de Castelões

Os cruzeiros representam o espírito popular da devoção religiosa. Contudo, nem sempre esta causa foi determinante para a sua construção, pois muitos serviram para marcar acontecimentos de pendores variados e para proteger contra influências maléficas e feitiçarias, os caminhos, as encruzilhadas e os largos das aldeias, significando proteção para a população.

 

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Cruzeiro de Oura

Por trás de cada cruzeiro existe uma história relacionada com uma situação triste ou dramática, assim como uma profunda devoção.

 

Os cruzeiros que se encontram nos adros das igrejas tinham e têm como fim santificar esses espaços. Para esta santificação são determinantes as procissões que percorrem o perímetro da igreja.

 

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Cruzeiro de Oura

Os que se localizam nas encruzilhadas tinham como função cristianizar um local entendido como maléfico pelo povo, pois aí pensa-se que se realizavam rituais pagãos.

Os cruzeiros dominam e protegem os campos. Recordam epidemias, assinalam momentos históricos, pedem orações e sufrágios e servem de padrões paroquiais nos adros das igrejas e capelas.

 

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Cruzeiro de Oura

Normalmente não têm grande valor histórico e artístico, contudo há alguns que são bons exemplares, bem desenhados e esculpidos. Há inscrições comemorativas que distinguem muitos deles.

 

Constituem ótimos elementos para o estudo das crenças, dos costumes, qualidades e tendências artísticas de um povo, nas várias épocas da sua história.

 

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O cruzeiro é uma forma de oração, um convite à reflexão, como um catecismo de pedra que nos introduz nos permanentes mistérios que movem filósofos, artistas e poetas: o enigma da origem da vida, a morte e o mundo.

 

Cada cruzeiro tem uma história muito particular que, em muitos casos, deveria ser inserida nos conjuntos paroquiais, tão pouco estudados: igreja, adro, cemitério, ossário e casa paroquial.

 

 

 

Webgrafia

http://museuvirtual.activa-manteigas.com/index.php/places/cruzeiros-3/cruzeiros-historia-e-sua-origem/

 

 

 

23
Fev19

São Lourenço - Chaves - Portugal

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Nesta rúbrica das aldeias de Chaves, ultimamente temos andado por terras de santos, que quer os haja ou não na aldeia, têm-nos no topónimo, tal como a nossa aldeia de hoje - São Lourenço, e como na última aldeia que por aqui passou (São Julião), iniciámos com uma fotografia com neve, hoje, para não se ficarem a rir uma da outra, hoje iniciamos também com neve que já caiu em dezembro de 2009.

 

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A ordem alfabética ditou que hoje fosse a vez a São Lourenço tal como no último fim de semana calhou a São Julião, e estas coisas não acontecem por acaso, embora também não acredite que estivesse predestinado acontecer, mas até poderia estar. Na realidade estas aldeias também são próximas, aliás seguindo pela estrada acima em direção a Valpaços, a seguir a São Lourenço temos São Julião. Quis o destino que assim fosse, talvez, pois não sei qual a origem dos topónimos, mas acontece que ambos os santos são santos mártires, mandados matar pela mesma gente, são da mesma época (nasceram no mesmo século III) e morreram à distância de 47 anos, São Lourenço no ano de 258 e São Julião no ano de 305.

 

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Deixemos o São Julião lá mais em cima (na estrada) e vamos saber um pouco sobre a vida e morte de São Lourenço, até com um pouco de humor, o do Santo, que dizem que ele tinha. Verdade ou lenda, apenas transcrevo:

 

Em 257, os cristãos começaram a ser perseguidos e mortos por ordem do imperador Valeriano I. Em 258, o Papa Sisto II foi decapitado. Conta a história que, ao caminhar para o lugar da execução, São Lourenço caminhava junto ao papa e dizia: Aonde vai sem seu diácono, meu pai? Jamais oferecestes o sacrifício da missa, sem que eu vos acolitasse (ajudasse)! O papa, comovido com essas palavras de dedicação filial, respondeu: Não estou te abandonando, meu filho! Deus reservou-te provação maior e vitória mais brilhante, pois és jovem e forte. Velhice e fraqueza faz com que tenham pena de mim. Em três dias você me seguirá.

Depois da morte do Papa, o imperador exigiu que a Igreja lhe entregasse todos os seus bens, dentro de 3 dias. Vencido o prazo, São Lourenço apresentou os pobres que eram acudidos pela Igreja e disse ao imperador: Estes são os bens da Igreja. Valeriano, então, com muita raiva, ordenou que Lourenço fosse queimado vivo. O santo manteve a alegria no momento da execução, mostrando sua profunda fé na vida eterna, no encontro com Jesus Cristo. Por isso, no momento mais angustiante de sua vida – aos olhos do mundo – Lourenço, feliz, dizia aos soldados: agora podem me virar, este lado já está assado. Uma multidão acompanhava o martírio de São Lourenço. E, no meio do povo, grande foi o número dos que se converteram a jesus cristo ao verem o testemunho do jovem São Lourenço.

 

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Voltemos a São Lourenço, agora à aldeia, que fica lá no alto na Serra do Brunheiro, a caminho de Valpaços, acima do Vale de Chaves e dos seus famosos nevoeiros, tal como acontece nesta última foto que vos deixei atrás, com uma preciosidade que só hoje descobri (na foto) e que me convida a subir de novo a São Loureço num dia de nevoeiro para ver se, com uma objetiva mais potente a vencer distâncias, consigo dar mais realce ao motivo. Se repararem bem na foto, o nevoeiro mais distante tal como as montanhas são em terras da Galiza. O último nevoeiro que se vê é sobre a Verin (ou seja o nevoeiro cobre a EuroCidade Chaves-Verin), do lado esquerdo, em cima, há um biquinho de montanha que sai do nevoeiro e nele notam-se uns pontinos amarelados que não são mais que o Castelo de Monterrey.

 

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São Lourenço é uma das aldeias que tem passado aqui no blog com alguma frequência e penso que nos posts anteriores já disse tudo que tinha a dizer sobre a aldeia, mas mesmo assim, sempre que vamos por lá temos que salientar alguns pormenores da aldeia, pois são também a sua imagem de marca ou às quais não podemos ficar indiferentes. Uma delas é pelo presunto, do bô, não só o que as pessoas de lá têm em suas casas, mas também o que servem lá nos bares junto à estrada, acompanhado de bô vinho que São Lourenço também tem e de umas fatias de cebola crua com bô pão centeio, tudo de lá e podem crer que é do melhor que há, tudo bô, sou testemunha disso na primeira pessoa, quer do presunto, vinho, cebola e pão caseiros, quer do dos bares. Se duvidar, nem há com ir por lá, mas cuidado com as curvas ao descer para o vale de Chaves.

 

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Outra imagem à qual não podemos ficar indiferentes é à casa da árvore ou à árvore que nasce dentro da casa. Uma pereira, se bem recordo, que insiste em fazer a delícia de quem vê o motivo, pois não é todos os dias que se vê uma coisa destas. Aliás isto não é bem verdade, pois quem lá vive pode-a ver todos os dias e que por lá passa, também, eu assim faço sempre que passo por lá.

 

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A outra imagem de marca, são as imagens de marca da ruralidade da aldeia, que embora a lançar vistas para o vale de Chaves e que para chegar até ele basta descer o Brunheiro, continua com a sua ruralidade, com motivos que fazem verdadeiros “quadros” de arte” com o selo de garantia do fio azul, o melhor de todos os tempos.

 

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Ainda outra imagem, mas esta já está armazenada na memória, no entanto impossível de esquecer por tantas vezes a ter visto passar à porta da minha infância – as lavadeiras de São Lourenço. Os mais novos não sabem, mas eu conto. Até finais dos anos 60 (Séc. XX) talvez ainda inícios de 70 em São Loureço existia a maior lavandaria do concelho de Chaves. Era para lá que ia muita da roupa suja da cidade para lavar e que depois de lavada, descia em comboios de burros carregados de roupa branca.

 

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Claro que ista subida de roupa suja e descida de roupa branca era no tempo em que a cidade estava dependente de muitos serviços e produtos que as nossas aldeias ofereciam e produziam. Como o abastecimento de leite à cidade feito por Outeiro Seco, a lavagem de roupa de São Lourenço, o carvão e carqueja de várias aldeias, o famoso presunto de Chaves que até das aldeias do Barroso e outros concelhos vizinhos vinha, em que a principal empresa de transporte de mercadorias eram os burros, as pessoas vinham a pé. É por essa razão que o colesterol só começou a aparecer em abundância nos últimos tempos, pois naqueles tempos não tinha tempo de se instalar nos corpos das pessoas.

 

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Também é de terras de São Lourenço que se pode avistar todo o vale de Chaves, terras da Galiza a até ver se a Serra do Larouco está ou coberta de neve. Neve que também cai com alguma frequência em São Loureço, pelo menos aquela que se costuma ver na croa das montanhas e que já cai no vale em forma de chuva. Neve que lá vai caindo por cá, na cidade e nas montanhas, quando lhe dá na gana, isto para contrariar aqueles que dizem que antigamente é que era. Mas não era, ou melhor, também era, pois posso-vos garantir que nestes últimos 30 anos nevou mais em Chaves que nos 30 anos anteriores. Agora se o antigamente é que era se refere aos séculos distantes, isso já não sei, pois não estava cá para ver.

 

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E por hoje é tudo. Para a semana continuamos pelas terras dos santos. Depois de já terem passado por aqui o Santiago, o Santo Estêvão, o São Caetano, o São Cornélio, o São Domingos, o São Gonçalo, o São Julião e o São Lourenço, e talvez o São Fins (Sanfins) e o São Jurge (Sanjurge) chega a vez do São Pedro, mas este só para o próximo sábado, pois hoje é o dia do São Loureço.

 

Fontes consultadas:

https://cruzterrasanta.com.br/historia-de-sao-lourenco/152/102/#c

https://pt.wikipedia.org/wiki/Louren%C3%A7o_de_Huesca

 

 

 

16
Fev19

São Julião de Montenegro e 3+1 Kmºs Zero de Chaves

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Embora iniciemos o post com duas fotografias de neve, a verdade é que esta neve já não é de hoje e há muito que derreteu, aliás, depois desta nevada, já caíram outras. Para sermos precisos, esta nevada caiu em 25 de janeiro de 2009. Mas não ficamos só por aqui, pois se a foto com neve nos leva ao engano, a própria placa de entrada no concelho de Chaves também é enganadora, mas sem nos enganar. Na realidade esta placa está à entrada do concelho de Chaves, localizada  antes de chegarmos à aldeia de São Julião, deixando para trás o concelho de Valpaços, só que antes de aqui chegámos já tínhamos entrado no concelho de Chaves e passado por Limãos, deixado o concelho de Valpaços para trás, só que logo a seguir a Limãos, entramos novamente no concelho de Valpaços (Barracão), deixando o concelho de Chaves para trás, ainda antes de entrámos nele. Confuso, mas é assim mesmo, ou seja, saímos do concelho de Valpaços e entramos no concelho de Chaves, logo a seguir saímos deste e entramos novamente no de Valpaços para logo a seguir sair dele e entrar novamente no de Chaves… é melhor ficar por aqui, mas a realidade é mesmo assim.

 

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Quanto a esta segunda imagem, do mesmo dia da anterior, também é enganadora, mas só quanto à neve, pois quanto às placas, o STOP é mesmo para parar antes de entrar na estrada principal, placa que nos tapa um pouco a outra placa, tirando a santidade a São Julião de Montenegro, a nossa aldeia de hoje.

 

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A título de curiosidade, São Julião é um dos 10 santos (talvez 12) aos quais concelho de Chaves   recorre para ser topónimo das suas aldeias, a saber: Santiago do Monte; Santo Estêvão; São Caetano; São Cornélio; São Domingos; São Gonçalo da Ribeira; São Julião, São Lourenço; São Pedro de Agostém e São Vicente. Disse talvez 12 porque Sanjurge e Sanfins da Castanheira, também podem ter na sua origem um Santo, no primeiro caso o São Jurge, pois este topónimo existe por exemplo em Ranhados no concelho da Mêda, e no segundo caso o São Pedro Fins, este sim, é assumido com estando na origem de outras localidades portuguesas que hoje têm como topónimo Sanfins.

 

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Tal como tenho vindo a afirmar todos os sábados, esta nova abordagem às nossas aldeias do concelho de Chaves, tem sido feita por ordem alfabética, no entanto como no nosso arquivo em alguns casos abreviámos o Santo para Stº e o São para S. fomos levados ao engano, por exemplo na ordem em que Stº Estêvão apareceu e,  trouxemos primeiro os topónimos Santos quando deveriam ter trazido as Santas (Santa Bárbara, Santa Cruz, Santa Cruz da Castanheira,  Santa Leocádia, Santa Marinha e Santa Ovaia). As nossas desculpas às Santas, mas fica prometido que a seguir ao último Santo, o São Vicente, vamos às Santas, para continuar na santidade dos topónimos flavienses, que ao todo (Santas e Santos) são 18, talvez 20.

 

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Deixando as curiosidades de parte, entremos então na Aldeia de São Julião de Montenegro que até à última reforma administrativas das freguesias, foi também sede de Freguesia, hoje integradas na grande/extensa freguesia da União de Freguesias das Eiras, São Julião de Montenegro e Cela. Atrás disse grande/extensa porque agora o território desta freguesia estende-se desde o Concelho de Valpaços até ao Vale de Chaves (Eiras).

 

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Quanto à localização de São Julião de Montenegro, para trás, neste post, já fomos adiantando onde fica, mas para sermos mais precisos, a aldeia fica junta à EN 213 (Chaves-Vila Flor), no troço entre São Lourenço e o Barracão (Valpaços).

 

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Os 3+1 Kms Zero de Chaves

A título de curiosidade, pois hoje parece que além de ser um post dedicado a São Julião o é também às curiosidades. Então agora que o Km zero da EN2 está tão na moda, temos também que realçar que esta Estrada Nacional  que serve São Julião, tem também o seu Km Zero em Chaves, mais precisamente na Rotunda do Raio X. Trata-se da EN213 que tem início no Raio X em Chaves e termina em Vila Flor. Ora aqui surge outra curiosidade e outro Km zero, o da Antiga EN314, hoje R314 que também tem o seu KM zero em Chaves, naquela rotunda que não é rotunda (outra curiosidade flaviense) a apenas 200 do KM zero da EN213. Curiosamente esta R314 que tem o seu Km zero em Chaves a 200 metros do Km zero da EN213, termina precisamente em Vila Flor, no preciso cruzamento onde termina a EN213. Ainda outra curiosidade menos curiosa é a dos 3 Km’s zeros destas 3 estradas nacionais se encontrarem dentro de um circulo com 300 m de raio, quase juntos e a EN213 nasce na EN2 e a R314 nasce na EN213, ou seja, rodoviariamente falando, isto só prova que Portugal nasce em Chaves, estatuto que lhe é conferido pela EN2 que atravessa Portugal de Norte a Sul. Por último, referia no título o 3+1 Kms Zero de Chaves, pois além dos três já referido ainda temos outro, o Km zero da EN103-5, que começa no Lameirão e terminava na Fronteira de Vila Verde da Raia, hoje, outra curiosidade, termina na Galiza.

 

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Voltemos a São Julião a uma razão que seja para ser de visita obrigatória. Pois tem mais que uma razão para ser de visita obrigatória, mas há uma muito forte, a da sua Igreja, pois é uma que está nos roteiros obrigatórios das Igrejas Românicas.

 

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Num post anterior deste blog dedicado a São Julião dizia eu a respeito desta igreja:

“A igreja matriz de São Julião de Montenegro é um templo de traça românica onde ainda persistem muitos dos elementos arquitectónicos originais. Só a fachada principal, com uma orientação a Oeste, é que se encontra completamente descaracterizada por obras de restauro mais recentes, aliás obras a que tem estado mais ou menos sujeita ao longo dos tempos e ligadas a estragos causados por causas naturais, como o terramoto de 1755 (segundo alguns documentos) ou mais recentemente, atribuídas a um ciclone do início do século passado que muitas vezes é referido pela população mais idosa, ou mais recentes ainda, nos anos 80, por iniciativa do então padre da freguesia. Obras mais ou menos felizes que lá foram mantendo a cachorarrada  que testemunha a sua origem românica, bem como uma pequena porta que se rasga na parede norte do edifico e que curiosamente podemos ver repetida em desenho na Igreja de Moreiras, desenho onde se encontra reproduzida a famosa cruz usada pela Ordem dos Templários que neste caso seria já da Comenda da Ordem de Cristo, à qual pertenceu S.Julião.”

 

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A Igreja de São Julião de Montenegro está classificada como MIP - Monumento de Interesse Público pela Portaria n.º 740-EH/2012, DR, 2.ª série, n.º 252 (suplemento), de 31-12-2012.

Saliente-se que esta portaria veio repor o estatuto de interesse público que a Igreja de São Julião já tinha possuído e que indevidamente lhe tinha sido retirado em 2010.

 

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Na nota Histórico-Artística que consta na ficha da Direção-Geral do Património Cultural, a respeito da igreja de São Julião, pode ler-se o seguinte:

Povoado desde a Pré-história, como atestam as necrópoles, os testemunhos de arte rupestre, os povoados fortificados de altura (castros) da Idade do Ferro e as construções do período romano (calçada, ponte, barragem e villa) identificados até ao momento, numa comprovação da diversidade e da excelência dos recursos cinegéticos que dispunha às comunidades humanas que o percorriam e nele se fixavam, o território correspondente, na actualidade, ao concelho de Chaves confina, a Norte, com a Galiza, constituindo um dos seis municípios do 'Alto Tâmega'. 

 

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E continua:


De entre a multiplicidade de construções erguidas ao longo dos tempos faz parte a "Igreja Paroquial de São Julião de Montenegro", originalmente construída, ao que se supõe - pela análise da estrutura e das pinturas a fresco existentes na parede interior - , ainda no século XIII, inscrevendo-se, por conseguinte, na arquitectura românica da região, até que, em meados de oitocentos, a fachada principal adquiriu nova feição, destituindo-a da primitiva estrutura. 
Constituindo um dos templos melhor conservados de todo o termo administrativo de Chaves, a igreja preserva, no entanto, a maior parte do estaleiro românico. 

 

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E remata assim:


Composto de nave única (pavimentada com lajes graníticas), cabeceira e sacristia (adossada) de planta rectangular, o templo alberga capela-mor separada do restante corpo por arco quebrado com banda externa de enxaquetado apoiado em meias-colunas com capitéis decorados com motivos zoomórficos, ostentando pinturas a fresco nos dois lados da parede. A capela acolhe grande retábulo de talha dourada profusamente decorado - com tribuna escalonada e sacrário - contendo imagem de Sto. António, sendo, ainda, de destacar, a presença, no interior, de arcossólio na parede Sul com tampa sepulcral com cruz de Cristo. 
Acede-se à nave através de portal rectangular sobrepujado por óculo, ambos rasgados no alçado principal encimado por campanário de dupla ventana coroado com dois pináculos laterais e cruz central. No exterior, merecem especial destaque, a par de duas pias baptismais, talhadas em granito, as fachadas laterais Sul e Norte com cachorrada lavrada com elementos zoomórficos, antropomórficos ou com decoração em rolos e cornija em laços e/ou bolas. 
[AMartins]

 

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Penso que quanto à igreja, deixo documentação suficiente para justificar  a visita obrigatória a a São Julião de Montenegro, mas há mais, pois a aldeia, embora com algumas construções mais recentes que não se enquadram dentro do nosso gosto particular, mantém as suas características como aldeia típica transmontana, principalmente ao longo da rua principal que se inicia na rua da escola e termina no largo da Igreja, bem como ao redor desta, área hoje protegida que no entanto não corrige erros do passado.

 

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No largo da entrada da aldeia, onde se encontra a escola, existe o cruzeiro da aldeia com a sua escadaria elevada em relação ao pavimento do largo, o que lhe confere um ar mais interessante e alguma imponência.

 

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Existe também, numa rua transversal a rua da igreja que liga aos campos de cultivo da aldeia, uma fonte de mergulho que na altura do levantamento fotográfico me indicaram como sendo muito antiga. É notória uma intervenção mais recente em que o arco originalmente aberto e que dava acesso à fonte, foi tapado com blocos de cimento nos quais colocaram uma porta de ferro, retirando-lhe algum interesse. Penso que na altura me falaram também em certas estórias ou lendas ligadas à fonte, mas não o posso afirmar com certeza.

 

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Pela certa que haverá outros motivos de interesse que agora já não recordo, pois também São Julião foi uma das primeiras aldeias a fazer o levantamento fotográfico, isto já lá vão pelo menos 10 anos. Fui por lá mais recentemente mas com a missão mais nobre de acompanhar um amigo à sua última morada onde coincidiu despedir-me de outro pela última vez, um momento em nada apropriado quer para recolha de novas imagens ou para procurar motivos de interesse.

 

E é tudo!

**************

Consultas em: http://www.patrimoniocultural.gov.pt/en/patrimonio/patrimonio-imovel/pesquisa-do-patrimonio/classificado-ou-em-vias-de-classificacao/geral/view/71282 em 16-02-2019

 

 

15
Fev19

Alminhas e Cruzeiros

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Pormenor das alminhas em Seara Velha - Chaves

 

Tal como prometido, cá estamos com mais alminhas, e hoje também cruzeiros.

 

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Cruzeiro e alminhas em Sanfins da Castanheira - Chaves

 

Alminhas e cruzeiros que às vezes aparecem no mesmo cruzamento de caminhos, tal como acontece num cruzamento da aldeia de Sanfins da Castanheira, em Chaves.

 

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Cruzeiro e alminhas, numa única peça, em Seara Velha - Chaves

 

Ou então, mais raro, na mesma construção, ou seja, cruzeiro e alminhas juntos, como é o caso desta última imagem num cruzamento de Seara Velha, também no concelho de Chaves.

 

 

09
Fev19

Stº Estêvão - Chaves - Portugal

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Nestes sábados do blog dedicados ao mundo rural flaviense, em geral às nossas aldeias, temos de abrir duas exceções, pois para além da cidade, no concelho de Chaves existem duas vilas, a de Vidago e a que vos trago hoje, a Vila de Stº Estêvão.

 

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Stº Estêvão já é aqui repetente várias vezes, e para não estar a repetir aquilo que fui dizendo ao longo dos posts que lhe dediquei, hoje fazemos uma abordagem um pouco diferente e talvez chamar a atenção para alguns pormenores que alguns desconhecerão e que muitos se vão esquecendo do que por lá existe, como por exemplo o seu castelo, um dos três castelos medievais que o concelho de Chaves tem. Curiosamente na última imagem aparecem dois desses castelos, o de Stº Estêvão no meio do casario da vila e lá mais em cima, na croa da montanha, do lado esquerdo, o Castelo de Monforte de Rio Livre.

 

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Na última imagem o tal castelo com mais evidência. Infelizmente para mim, apenas conheço este castelo por fora, nunca tive a oportunidade de o ver por dentro. Verdade se diga talvez por algum desleixo meu, mas também porque nas minhas muitas passagens por Stº Estêvão nunca ter visto as suas portas abertas. Sinceramente nem sequer sei se está aberto ou não ao público, mas um dia hei de lá entrar e se o que vir tiver interesse, Stº Estêvão terá aqui outro post.

 

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Quanto à vila, é um misto de tradição e modernidade, mais modernidade que tradição, desta, apenas a antiga rua principal vai mantendo o seu casario mais antigo, e um pequeno núcleo à volta da igreja, de resto, nem o castelo escapou ao ser rodeado pela tal modernidade das novas construções, principalmente das que surgiram no pós 25 de abril e fizeram sair das costuras o antigo povoado.

 

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Há no entanto algumas construções do Estado Novo que se destacam na aldeia, tal como a escola primária, com o projeto tipo das escolas cinquentenárias, esta idêntica às das cidades com dois pisos e quatro salas, apoiada por uma cantina escolar também da época e no mesmo largo onde a escola foi implantada.

 

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Que mais há a acrescentar àquilo que já anteriormente foi dito!? – Talvez que Stº Estêvão é uma das povoações da Veiga de Chaves, que partilha com as vizinhas povoações de Vila Verde da Raia e Faiões, a que ainda se vai mantendo verde e cultivada, pois a restante, também ela foi vítima da modernidade, não resistindo à invasão do casario.

 

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E finalmente dizer que Stº Estevão é de visita obrigatória, embora a evidência da modernidade que lhe retira o estatuto de povoação rural tradicional onde o granito é uma constante do casario,  mas tem o castelo, a belíssima igreja e casario adjacente e o largo da Escola primária/cantina, mas não só, pois o seu território chega até ao Rio Tâmega, onde se localiza a maior lagoa que resultou da exploração de areias e que hoje serve de poiso a muitas espécies de aves, onde existem dois abrigos/observatórios.  

 

Mais sobre Stº Estevão, após este post deverão aparecer links para as anteriores abordagens deste blog.

 

 

26
Jan19

São Gonçalo da Ribeira - Chaves Portugal

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São Gonçalo da Ribeira

 

Nesta ronda pelas nossas aldeias em que nos propusemos traze-las mais uma vez ao blog com imagens que nos escaparam nas anteriores publicações, resolvemos fazê-lo pela ordem alfabética. Já vamos no S, nas aldeias e lugares que adotaram com topónimo um santo (Santiago do Monte, São Caetano, São Cornélio, São Domingos, São Gonçalo, São Julião, São Lourenço, São Pedro de Agostém, São Vicente da Raia e Santo Estêvão), as Santas, vêm a seguir.

 

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Nem sempre estes topónimos correspondem a aldeias propriamente ditas, tal como acontece com o São Caetano e São Gonçalo, estes nasceram como lugares de culto e assumem-se como santuários. Pois o nosso destino de hoje é para um destes lugares de culto - o São Gonçalo.

 

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Também aqui, tal como penso que aconteceu em São Domingos, começaram a nascer algumas casas junto à Capela. Neste Caso de São Gonçalo há por lá uma construção toda construída em xisto e habitada até há alguns anos atrás que notoriamente tem uns bons anos em cima. As restantes (meia-dúzia) são construções recentes, que não são mais que abrigos de pescadores de fim-de-semana.

 

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Inicialmente poder-nos-á parecer estranho que no meio de um mar de montanhas possam existir pescadores, mas não, não é nada estranho, pois é na base destas montanhas, onde elas se encontram, que correm os rios, maiores ou menores e também eles se encontram. O São Gonçalo é um desses locais de encontro de dois rios, que simultaneamente também são limites naturais de freguesias, de concelhos e de distritos, mas também de reservas naturais e outros limites.

 

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Os dois rios que se encontram em São Gonçalo são o Rio Mousse e o Rio Mente, o primeiro nasce na Galiza (em Terroso) e termina o seu curso aqui no São Gonçalo, onde desagua no Rio Mente que, um pouco mais à frente, irá desaguar no Rio Rabaçal, para já próximo de Mirandela abraçar o Rio Tua que entre montanhas e mais montanhas acabará por chegar ao Rio Douro, muito antes de este entrar no mar. Voltando aos dois rios do São Gonçalo, o Mousse vai servindo os limites de freguesias de Chaves, nomeadamente entre a freguesia de São Vicente da Raia e as freguesias de Travancas/Roriz, Cimos de Vila da Castanheira e Sanfins da Castanheira. Já quanto ao Rio Mente, este serve de fronteira aos concelhos de Chave e Vinhais e aos Distritos de Vila Real e Bragança.

 

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Mas vamos até ao São Gonçalo e à sua localização, não de muito fácil acesso. Na última imagem que deixamos, assinalamos com um círculo vermelho o local onde mora o São Gonçalo. A imagem foi tomada desde Argemil. Por entre a baixa do encontro de montanhas em primeiro plano, corre o Rio Mousse, pelo caminho, passa ainda pelo Castelo do Mau Vizinho. À esquerda da imagem logo imediatamente a seguir a uma sombra no terreno, uns pontinhos brancos assinalam a aldeia de Orjais. É a partir desta aldeia que se faz um dos acessos até São Gonçalo. O outro acesso fica do lado direito para além da imagem e é feito a partir de Parada, uma das aldeias da freguesia de Sanfins da Castanheira.

 

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O São Gonçalo, tanto quanto sei, é reivindicado por estas duas aldeias, Orjais e Parada, mas segundo me consta, a festa é repartida a meias em são convívio. Isto pelo que me dizem, pois nunca tive oportunidade nem o gosto de poder assistir à festa anual. Nunca lá fui à festa e lamento, mas também não sei em que dia se realiza. Sei que é em tempo de Verão. Numa consulta que fiz às festas das duas freguesias que reivindicam o santo, em São Vicente da Raia a festa de São Gonçalo acontece no dia 20 de agosto, já nas festas da freguesia de Sanfins, o São Gonçalo acontece no 3º domingo de julho. Estou mais inclinado para esta segunda data, mas tal como disse, não posso confirmar que seja o mesmo São Gonçalo.

 

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É também conhecida pela festa das merendas, pois ao que consta é tradição levar a merenda de casa para lá ser degustada numa das sombras à beira rios, que por lá abundam. Merenda que pela certa é merecida, pois tal como já tive oportunidade de dizer, o São Gonçalo é de acessos complicados, recomendados para veículos todo o terreno. Os ligeiros também lá conseguem chegar, mas isto, tal como uma vez me disseram em Parada, é só para os que não têm amor ao popó.

 

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Dia de festa que se adivinha ser de festa, também sinónimo de alguma confusão, que pela certa não deixam apreciar o verdadeiro santuário, não o do santo, mas o do local, que tal como já uma vez afirmei aqui no blog, é um verdadeiro  santuário de montanhas, de beleza, de tranquilidade, de natureza, de verde e de água cristalina a correr entre margens de ambos os rios.

 

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No acesso até São Gonçalo, que tanto seja feito via Orjais a 5,5 km, ou via Parada a 6,5km, é ainda notório o devaste que um incendio de há quinze ou vinte anos atrás provocou na paisagem. Curiosamente este devaste na paisagem deixou a nu o rude que a montanha é, mas também, que não há um palmo de terra que não tivesse sido, em tempos, trabalhado pelo homem. Hoje penso que já não é bem assim, e também é notório, a montanha há muito que deixou de ser o ganha pão das populações, primeiro porque a população é cada vez mais escassa e segundo porque o fruto da montanha, hoje em dia, pela certa já nem para sobreviver dará.

 

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Uma curiosidade geológica que se vai desenhando ao longo do mar de montanhas chamará a atenção dos mais atentos. Trata-se de um aglomerado rochoso que nos surge à superfície, que se desenvolve em linha reta com cerca de 2 metros de largura e entre 1 a 2 metros de altura parecendo tratar-se de uma muralha, só que esta é natural sem a intervenção humana. Há uns bons anos, no dia em me dei conta desta “muralha” estava com o então presidente da Junta de S. Vicente da Raia que me disse, terem-lhe dito que este fenómeno, começa em terras da Galiza e só termina nas proximidades de Bragança. Pelo que vi, acredito bem que sim, mas mais não posso dizer sobre o assunto, pois nada mais sei.

 

 

E para terminar, deixo atrás um vídeo que encontrei no youtube, de autoria de Paulo Moura/ Flygraphy, que mostra um outro olhar sobre o São Gonçalo e respetivos acessos.

 

 

12
Jan19

São Cornélio - Chaves - Portugal

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Cá estamos em mais uma aldeia do concelho de Chaves, uma na qual tantas vezes passamos e tão raramente paramos e as desculpas, que não nos ilibam de culpas, são precisamente o ser uma aldeia de passagem,  e uma variante construída há uns anos que em vez de nos fazer passar pelo centro da aldeia, nos faz passar ao lado, mas isto, como se costuma dizer, são “desculpas de mau pagador”.

 

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Tinha de iniciar este post com a verdade e as desculpas, pois São Cornélio até é uma das aldeias que merecia mais paragens nossas, por várias razões. A primeira por termos lá, por terem passado por lá ou descenderem de lá pessoas nossas amigas (com as três afirmações verdadeiras), aliás já tivemos oportunidade de explicar isto mesmo em posts anteriores dedicados à aldeia. Uma outra razão é porque foi uma das aldeias onde melhor fomos recebidos aquando do levantamento fotográfico e por último, por ser uma aldeia interessante para fotografar e desde onde se podem lançar vistas de encanto sobre um mar de montanhas mais ou menos distantes, onde o Vale de Chaves se deixa ver em pequenino.

 

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Mas há ainda uma outra razão pela qual vale a pena ir até São Cornélio e que se prende com a importância que a sua localização teve em tempos idos.  Sabemo-lo por algumas estórias que tiveram São Cornélio como palco, isto se recuarmos ao tempo das feiras que se realizavam no Castelo de Monforte, em que, já então, São Cornélio era aldeia de passagem obrigatória para outras aldeias vizinhas e suponho que também para algumas aldeias galegas da raia. Algumas são estórias complicadas, estórias de sangue, estórias hoje adormecidas pelo tempo mas que ainda se sentem e que às vezes calham em conversas. Pelo meio também haverá pela certa outras estórias, algumas anedóticas,  quiçá algumas de amores, e muitas de amizades.

 

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Pena que muitas dessas estórias acabem por morrer com quem as sabe ou genuinamente sabia, pois hoje algumas delas chegam até nós já deturpadas e/ou com várias versões, dependendo do lado de quem as conta, ou seja, estórias que têm todas as características para poderem passar à História, que, esta última, mesmo que documentada, tem sempre interpretações diferentes, mas isto são contas de outro rosário, que até acabam por ser interessantes, principalmente quando as mentiras são tantas vezes defendidas e repetidas que acabam por ser verdades indiscutíveis, é um bocado com o que hoje em dia se passa na internet/redes sociais e um pouco pelos media (mass media)  em geral, principalmente nas televisões  com as “fake news” (notícias falsas) em que basta serem noticiadas para passarem a ser verdades que dificilmente se desmontarão, e mesmo que se prove o contrário, a dúvida ficará semeada para sempre. Pior ainda é que, com a desconfiança, começa-se a duvidar das noticias verdadeiras.

 

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Mas todo este assunto do parágrafo anterior, embora também possa afetar as nossas aldeias, fazem-lhe pouca mossa, pois a este respeito as notícias que a eles dizem respeito, facilmente são confirmadas, e por serem pequenas comunidades em que todos se conhecem, já sabem quando devem acrescentar ou tirar um ponto, dependendo de quem leva ou traz a noticia e depois, nestas pequenas comunidades, a grande maioria é gente de bem e de confiança, pelo menos para quem lhas merece.

 

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Ainda antes de mudar de assunto, um outro pedido de desculpas, este por aqui no blog às vezes se recorrer à língua inglesa,  da qual agora se usa e abusa,  fazendo com que às vezes apenas fiquemos a ver passar navios , e bem longe da costa, mas que, infelizmente, às vezes, a sua utilização é a única forma de nos fazermos entender, isto por não haver palavras em português para definirem a coisa corretamente. É o abuso do inglês e das siglas/abreviaturas. Num pequeno exercício propus-me fazer uma “fake news” sobre o frio e anunciado surto de gripe, com recurso às habituais siglas que nos atiram para cima sem nos explicarem de onde vêm ,notícia que bem poderia ser verdadeira, e que seria assim:

“Esta onda de frio levou que a CIMAT  e a CMC a acusar o CHTMAD EPE de não cumprir o estipulado para a RRHUC, não tendo o HC e os CSC 1 e 2, capacidade de resposta a um surto de  H3N2 e H1N1, H3N2, H7N1 entre outros, pondo em causa o SNS a prestar à população ao não se cumprir o PNS conforme defende a DGS e o próprio PM. A gravidade da situação já fez com que  o MAI, através do SEPC e a ANPC decretassem o alerta Laranja para TMAD e que as DNPEBRPCAF e o SINAE, acompanhem o evoluir da situação pelo que o MAI já convocou para os devidos efeitos as DAJDORICS da ANPC.” [i] (ver a tradução das siglas no final do post

 

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A notícia e uso de siglas até podem estar exageradas, mas a notícia até poderá vir a tornar-se real, contudo o que mais irrita, é que no meio de tanta informação, os media, raramente informam no que é essencial. Por exemplo, mal a Proteção Civil decreta um alerta, laranja, por exemplo, todos (os media) se apressam a dizer que os distritos tais vão estar sobre alerta laranja, mas raramente dizem o que se deve fazer ou como proceder neste tipo de situação.   Cá para nós que ninguém nos ouve, nesta coisa (que para nós é uma treta) dos alertas às cores, os de Lisboa para nos avisarem, mais valia dizerem: “Para Trás-os-Montes vai cair uma geada do caralho…” e toda a gente ficava a saber que durante a manhã tínhamos de sair de casa mais agasalhados que o costume e que nas sombras teríamos de estar atentos ao gelo.

 

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Às vezes um caralhinho na boca dos lisboetas até nem lhes ficava mal, pelo menos informavam devidamente o pessoal e muito mais que essa cena das cores verde, amarela, laranja e vermelha, que ninguém sabe o que fazer com elas. Ah! Ainda outra, e quando derem informações, que as deem entendíveis para todos os níveis de educação, pois ainda há por aí muita gentinha a não entender metade do que dizem, estou a ver,  por exemplo, num alerta VERMELHO os de Lisboa a dizerem: “ Atenção, todas as zonas em perigo são para evacuar” .  Cá pra mim, alguns dirão “Estes de Lisboa estão malucos” no entanto, estou a ver outros, uns poucos,  a pegar apressadamente num pedaço de papel que tenham à mão e aí vão eles a correr para evacuar na zona de perigo… mesmo sem saber porque! há pessoal que gosta de cumprir com o dever… Por isso, tento na língua naquilo que dizem.

 

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Acho que com esta, está na altura de me ir… Então assim sendo, bou-me!

Até amanhã e desculpas ao pessoal de São Cornélio por termos saído do carreiro e andar práqui com outras conversas, mas às vezes temos de aproveitar esta idas às aldeias para falar um bocadinho nos nossos problemas e preocupações que, afinal de contas, nas aldeias se sentem muito mais do que aqui na cidade. 

 

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[i]  “Esta onda de frio levou que a Comunidade Intermunicipal do Alto-Tâmega   e a Câmara Municipal de Chaves a acusar o Centro Hospitalar de Trás-os-Montes e Alto Douro EPE de não cumprir o estipulado para a Rede de Referenciação Hospitalar de Urgência/Emergência, não tendo o Hospital de Chaves  e os Centros de Saúde de Chaves 1 e 2,  capacidade de resposta a um surto de  vírus da gripe, pondo em causa o Serviço Nacional de Saúde a prestar à população ao não se cumprir o Plano Nacional de Saúde conforme defende a Direção Geral de Saúde e o próprio Primeiro Ministro. A gravidade da situação já fez com que o Ministério da Administração Interna, através do Secretário de Estado da Proteção Civil e a Autoridade Nacional de Proteção Civil decretassem o alerta Laranja para Trás-os-Montes e Alto Douro e que as Direções Nacionais: de Planeamento de Emergência, de Bombeiros, de Recursos de Proteção Civil e de Auditoria e Fiscalização e o Sistema Nacional de Vigilância Epidemiológica, acompanhem o evoluir da situação pelo que o Ministro da Administração Interna já convocou para os devidos efeitos as Divisões de Apoio Jurídico, de Desenvolvimento Organizacional e Relações Internacionais e de Comunicação e Sensibilização da Associação Nacional de Proteção Civil.”

 

 

29
Dez18

Santiago do Monte - Chaves - Portugal

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Há caminhos que são mais caminhos que outros, isto, porque nos levam até mais destinos, porque os utilizamos mais vezes, porque são mais interessantes, porque neles acontecem coisas. O mesmo acontece com os lugares, localidades, aldeias, povoações.

 

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Ainda à cerca dos caminhos que são mais que outros, nem sempre os itinerários principais são mais que os secundários. Podem-no ser em movimento, número de utilizadores e melhor caminho para vencer quilómetros, mas não o são no resto, principalmente no ser interessante e no despertar em nós o prazer de os percorrer.

 

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Vem isto a respeito da nossa aldeia de hoje, Santiago do Monte,  em que simultaneamente passam por ela caminhos interessantes e se torna interessante por ser um entroncamento de caminhos interessantes, e não se deixem levar pelo topónimo de Santiago podendo pensar que me refiro aos caminhos de Santiago, não, longe disso, embora, também sejam caminhos de Santiago, como todos por aqui a nossa volta e se não o são, são caminhos e atalhos para apanhar os caminhos de Santiago.

 

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Um dos caminhos que pessoalmente integro nos caminhos que são mais que outros, por todas as razões que atrás apontei, é a Estrada Nacional 314, que em termos de importância rodoviária até foi desclassificada, deixando de ser estrada nacional, mas é por ela que vamos para a nossa aldeia de hoje e que podemos ir para mais de 50 aldeias do concelho de Chaves, mas também mais além, para terras de Valpaços, Murça, Alijó…

 

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É pela E314 que vamos até Santiago do Monte, ou seja, depois de Vilar de Nantes, Izei, Peto de Lagarelhos e Lagarelhos, temos Santiago do Monte, mas para tal temos que deixar a E314 logo a seguir a Lagarelhos e subir em direção à croa da Serra do Brunheiro, onde estão Maços e Carvela, mas sem lá chegar, porque pelo caminho temos a nossa aldeia, que faz entroncamento com outros dos tais caminhos que são mais que outros, que nos levam até todas as restantes aldeias da freguesia de Nogueira da Montanha, 11, no total.  

 

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Embora estas aldeias entroncamentos com vias de passagem para outras localidades tenham alguma vantagem por assim estarem localizadas, também têm as suas desvantagens, principalmente para a sua descoberta, pois sendo aldeia de passagem, passa-se, quase sempre com o tino noutro destino e não reparamos com deve ser nestas aldeias. Aconteceu comigo muitas vezes, em que passava por ela e apenas lhe deitava um olho, sem nunca ter despertado grande interesse, que o tem, mas que o oculta a quem passa.

 

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Na primeira vez que lá parei para tomar algumas fotografias mudei de opinião, bastou estar lá uns minutos para começar a descobrir a verdadeira aldeia. Mas também as minhas primeiras paragens (2005, 2006 e 2008) não foram feitas com o tempo devido, partindo sempre sem o espirito de missão cumprida. Missão que quase cumpri, pois nunca se cumpre na totalidade.

 

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Só  em junho de 2015, quando reservei toda uma manhã para apenas duas aldeias – Santiago e Alanhosa, é que entrei verdadeiramente nesta aldeia, e valeu a pena o tempo dedicado, não só por algumas imagens e descobertas, mas também pelo contacto com as pessoas, componente em que costumamos falhar, quer por falta de oportunidades mas também por falta de tempo para dedicar a conversas com os filhos destas aldeias, e não pensem que com uma manhã se fica a conhecer uma aldeia, longe disso, quando muito ficamos com uma leve ideia do ser da aldeia.

 

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Cá de baixo desde o vale de Chaves, costumamos olhar para a Serra do Brunheiro e senti-la como nossa. Eu que nasci na sua proximidade e vivo nas suas faldas, sinto-a mais minha do que quando a avisto desde a cidade, mas a verdadeira serra está lá em cima, no seu alto planalto. Aí sim, é que ela se sente em toda a sua plenitude, em todo o seu rigor, aí é que se é verdadeiramente filho da serra num constante conflito de amor/ódio, por ser uma terra berço onde dói viver.

 

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Daí em nada me admirar que os seus filhos aceitem o constante convite de abandonar terras que amam e partam em busca de melhores paragens, mas a minha vénia, essa, fica com os seus velhos, os resistentes, aqueles que ainda detêm os saberes e sabores da serra, que apenas resistirão enquanto os resistentes resistirem.

 

 

08
Dez18

Sandamil - Chaves - Portugal

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E porque hoje é sábado, vamos até mais uma das nossas aldeias do concelho de Chaves, desta vez, calha vir aqui Sandamil, da freguesia de Nogueira da Montanha, que fica ali onde bem na croa da Serra do Brunheiro, onde a serra parou de crescer para se transformar em planalto.

 

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Como a intenção deste trazer aqui as nossas aldeias é múltipla, ou seja, primeiro para as dar a conhecer, segundo para marcarem o seu lugar na WEB, terceiro como um convite a uma visita, nem há como a localizar devidamente e traçar-vos um itinerário para lá chegar. Pois embora já atrás tenha ficado a indicação que Sandamil fica no planalto do Brunheiro, este, tem uma dimensão considerável, entrando mesmo em terras de Valpaços, daí serem necessárias mais algumas indicações. Pois para lá chegarmos (a parti de Chaves), devemos subir a EN314 (Chaves-Carrazedo de Montenegro), passamos Vilar de Nantes, Izei, no Peto de Lagarelhos seguimos pelo lado esquerdo, passamos Lagarelhos e antes de chegarmos a France, logo após as “bombas de gasolina”, viramos à esquerda, seguindo por uma reta que se perde na croa de uma pequena elevação para logo a seguir começar a descer até chegar a um cruzamento onde encontrará a seguinte placa:

 

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Já lá estamos. O que há a dizer sobre a aldeia, já o fui dizendo em anteriores post´s dedicados a Sandamil, pela certa que logo a seguir a este post, o algoritmo da SAPO irá deixar as anteriores abordagens que fiz à aldeia, se tiverem curiosidade, nem há como clicar no link e ir ver o que por lá deixei. Hoje vou abordar outro tema que se prende com o topónimo SANDAMIL, pois tenho sempre curiosidade em saber ou tentar saber qual a sua origem.

 

1600-sandamil (75)

 

Pois bem, se fizermos uma pesquisa na net pelo seu significado, na infopédia encontramos o seguinte:

 

“Do baixo-latim [Villa] Sandemiri, 'a quinta de Sandemiro'. Encontra-se também na Galiza, e tem as variantes Sandomil, Santomil e Santosmil.”

 

1600-sandamil (51)

 

Já na “toponímia galego-portuguesa e brasileira”, um blog que se dedica à toponímia, encontrámos o seguinte:

 

Sandamil (Pt. e Gz.) - existe a variante Sandamiro (Gz.). do antropónimo germânico Sandemiru

 

E acrescenta ainda:

 

Topónimos terminados em "-mil"


Não seriam muitos, mas não há dúvida que vieram para possuir a terra. ao contrário dos romanos, que administravam territórios com a cobertura do poderio militar (sendo proporcionalmente poucas as villae, quintas ou fazendas de romanos de raiz), os novos senhores germânicos instalaram-se aqui para fazer da nossa terra a terra deles também. como senhores, é bom de ver. a toponímia galego-portuguesa não me deixa mentir: os "...ar", "...ães", "...ufe", "...ulfe", "...inde", "...ende", "...iz", e agora os "-mil", não serão milhares mas são realmente muitos. traduzem uma vivência rural, uma opção pelo campo em desfavor das cidades - onde os romanos vencidos tinham preferido viver até então. colapsam as "Bragas" e "Idanhas", desaparecem cidades, perde-se o fio à meada no Itinerário de Antonino. a vida retorna à terra-mãe, ao seio da natureza. as relações de poder de tipo administrativo passam agora para relações de poder de carácter ético e moral.
Da língua deles, incompreensível a nativos e romanos (que lhes chamavam bárbaros, por causa do blá-blá inentendível que soltavam das goelas), restam estes topónimos no genitivo latino: "(propriedade) de f..."
Aprenderam o latim, mas como os romanos já não mandavam para os corrigir, o latim deles, mais o dos nativos, deu em galego-português. e não está nada mal, ficou até legal. bem melhor que o inglês, que o diabo o fez (*).


A nota de rodapé também fica (no rodapé, claro), não só por concordar com ela, mas também pelo sentido de humor do autor.

 

1600-sandamil (57)

 

Por sua vez, o autor de um outro blog ( O Galaico), num comentário ao texto anterior,  deita mais achas para a fogueira, dizendo ao respeito:

 

Os topónimos que acabam por Mil tem muitas vezes origem em locais onde o exército romano tinha recrutado forças para as suas legiões.

A troco de soldo ou à força, as terras que doaram significativa parte da sua população as ordens do invasor ganharam por vezes o tal MIL no fim.

Mil de Militares...

 

1600-sandamil (33)

 

Ora esta última leva-nos a ir à procura do significado de SANDA ao qual se teria acrescentado MIL, que no Priberam nos leva até ao verbo SANDAR, com o seguinte significado:

 

san·dar  (talvez de sarar) - verbo intransitivo - [Portugal: Minho]  Sarar ou melhorar.

 

Sandamil, pelo menos para curar os males do nevoeiro do vale de Chaves, encaixa na perfeição nesta definição, e se o rigor do frio dos seus invernos cura tão bem os presuntos, as chouriças, os salpicões e as alheiras, porquê não nos curar (sarar) a nós também!?... Mais uma acha prá fogueira.

 

Claro que na busca da origem das coisas, às vezes em vez de esclarecer só se complica, mas pelo menos fica uma base para partirmos à descoberta, no entanto, também se pode dar o caso de a origem ser outra qualquer.

 

1600-sandamil (28)

 

As nossas consultas:

 

- Sandamil in Dicionário infopédia de Toponímia [em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2018. [consult. 2018-12-08 04:01:25]. Disponível na Internet:  https://www.infopedia.pt/dicionarios/toponimia/Sandamil

 

- "sanda", in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2013, https://dicionario.priberam.org/sanda [consultado em 08-12-2018].

 

- https://dicionario.priberam.org/sanda

 

- http://toponimialusitana.blogspot.com/

 

 

(*) tendo em conta que essa erva-daninha se tornou obrigatória nas culturas em Portugal desde a escolaridade básica, e que já ninguém é capaz de escrever coisa que se veja senão nessa espécie de língua, calcula-se que as próximas Comunicações de Ano Novo dos senhores Presidente da República e Primeiro Ministro sejam proferidas em Inglês, para poupar dinheiro ao Défice e evitar calinadas, pontapés na gramática e os inefáveis "controlos" e "impactes".

 

 

 

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