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CHAVES

Olhares sobre o "Reino Maravilhoso"

11
Ago20

Chaves D´Aurora

Crónicas

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AS AURORAS DE CHAVES

 

Ainda faltavam três semanas para findar o inverno de 2010, quando cheguei a Chaves, onde um projeto pessoal me faria apaixonar, plena e incondicionalmente, pela terra querida de meus ancestrais. Este sentimento já começara em 1974, pouco após a Revolução dos Cravos, quando viajei pelo antigo caminho de ferro, em um comboio cheio de soldados muito jovens que estavam a celebrar, com uma sadia algazarra, tanto o retorno definitivo à terrinha, quanto o facto de estarem livres, enfim, das guerras nas colónias d’África.  Tendo que voltar no mesmo dia a Lisboa, após aportar à antiga estação (hoje um centro cultural), percorri sítios ainda perdidos no tempo até à Estrada do Raio X, onde tentei, em vão, localizar a Quinta do Grão Pará, que pertencera ao meu avô paterno.

 

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Direitos de autor da imagem de Berto Alferes

 

 

Isso viria a concretizar-se apenas em 2006, quando, por uns três dias, num simpático hotel nos Anjos, a contrastar a Aquae Flaviae antiga – e que já me deslumbrava – com a então modernizante Chaves, colhi alguns dados para a construção do romance que pretendia escrever, e no qual me propunha a narrar os acontecimentos que levaram meu avô, meu pai e os mais da família para o norte do Brasil, sem jamais retornarem  –  do quê e onde resultou, afinal, meu estar no mundo.

 

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Dessa vez, porém, o carro de aluguer conduziu-me para a outra margem do Tâmega, ao aconchegante Hotel 4 Estações, próximo à Capela do Senhor do Bom Caminho, numa avenida que se prolonga até a estrada que vai dar à Galiza. Era já noitinha e, por estar cansado, comi um resto de farnel que trouxera de viagem e atirei-me ao sono. Despertei bem cedinho e, ao abrir a janela do quarto,  visualizei partes da veiga, outras tantas da estrada que seguia para o norte, e mais uma pequena amostra do início do planalto Barrosão, a oeste. Fascinante, porém, era o banho de luzes e cores que respingavam em meus olhos. A Natureza apresentava-me – muito prazer em conhecê-la! – a aurora de Chaves.

 

Infelizmente, só algumas vezes pude obter de novo esse gozo, pois, no pouco mais de cem dias em que estive a debruçar-me sobre o notebook, ou, em “pesquisas de campo”, a colher dados na Biblioteca Municipal de Chaves,  percorrer todos os sítios da cidade e conversar com os locais, entre os quais fiz bons e excelentes amigos, eu trabalhava até bem tarde da noite e raramente me podia dar à alegria de dizer  –  bom dia, aurora!       

 

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Certa vez, porém, aconteceu algo que me emocionou bastante. Os amáveis Sr. Ilídio e Dona Ana haviam-me transferido, há pouco tempo, para uma água-furtada no último andar do hotel. Esta era, a meu ver,  o que de mais romântico e charmoso poderia haver para  um escritor. O teto era em diagonal, enviesado, com uma claraboia bem acima da pequena mesa de trabalho, o que, na minha imaginação, reportava-se às mansardas de Paris, onde vários artistas escreveram, pintaram ou compuseram suas obras. Havia dormido cedo, na véspera e acordei com uma súbita inspiração para novo capítulo. Após as abluções matinais, fui até à claraboia e ergui a moldura de vidro, para entrar o ar da manhã. Pus a cabeça para fora, a fim de prover meus olhos, novamente, do orgasmo visual da aurora flaviense.

 

Cerrei o caixilho e... o melhor veio a seguir. Estava a digitar o romance, quando escutei batidas leves, mas insistentes. Abri a porta do quarto, para atender a quem tocava. Ninguém. Ao voltar à mesinha, olhei para o teto e vi o autor dos toques. Era um belo representante da Natureza, um passarinho de penugem quase toda amarela, que pinicava com insistência o vidro da claraboia. Talvez quisesse dar-me o bom dia; o mais provável, no entanto, era entrar para comer alguns nacos de pão e de queijo que, com um bom vinho trasmontano, sobraram da minha frugal ceia noturna. Esse delicioso facto levou-me a pesquisar na Internet e escrever o capítulo 221: “No último dia dos Bernardes ao Raio X, ao abrir uma janela, Aurélia deixou seus ouvidos inebriarem-se do canto dos passarinhos. Ah, os pássaros de Chaves! Eles estão por toda parte e alguns, como cantam! Tordos, toutinegras, estorninhos, rouxinóis, rolas-turcas, melros, chapins, bicos-de-lacre, piscos, ferreirinhas, cotovias, chamarizes, pintassilgos, vendilhões... e muitos outros que, àquela altura, abundavam na veiga, nos jardins, nos pomares e nas margens arborizadas do Tâmega”. Talvez Aurélia viesse a inverter, no Brasil, a geografia dos versos de Gonçalves Dias, na “Canção do Exílio”: “As aves que aqui gorjeiam, não gorjeiam como lá”.

 

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Embora protagonizado por minha tia Aurora (ainda que meu avô seja o antagonista e a verdadeira protagonista seja, talvez, a própria cidade), e cujo prenome no livro é o único real, não fictício, é possível, também,  terem sido as auroras de Chaves que me inspiraram o título do romance. As palavras chaves e aurora têm várias conotações. Fazem pensar em quantas portas fechadas minha tia deparou, reais ou metafóricas, e nas tantas chaves que esteve a buscar, na esperança de abrir, para si, um novo alvorecer.

 

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Conforme é exposto na página inicial de Chaves d’ Aurora: “Em que subtis cornucópias os deuses escondem as chaves da aurora, enquanto brincam, perversos, com o desespero dos pobres mortais que, ao intenso frio da madrugada, anseiam pelo amanhecer?”    

 

 

(Nota do Autor: Agradeço a imensa honra de ser convidado por esse dedicado flaviense, meu caríssimo amigo Fernando Ribeiro, a escrever em seu blog https://chaves.blogs.sapo.pt, esta e outras crónicas que virão, sobre as minhas vivências na querida Chaves. Buscarei fazer essa escrita de acordo com as grafias e acentuações de uso em Portugal, ao mesmo tempo em que seguirei o novo Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa. Como tenho dupla cidadania, mas nascido e residente no Brasil, peço apenas a compreensão dos leitores se, em razão de não dominar bastante o linguajar lusitano, houver palavras ou expressões que causem estranheza aos usuários portugueses do idioma).

 

 

 

06
Ago20

A cidade confinada dentro da cidade

Cidade de Chaves

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Hoje vamos dar uma pequena volta pela cidade confinada dentro da cidade.

 

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Vamos dar uma pequena volta pela cidade dos gatos e dos quintais, uma volta por aquela cidade que não se vê desde as ruas e largos por onde cirandamos e debitamos os nossos passos, por uma cidade de intimidades, por uma outra cidade, a verdadeira cidade que existe dentro da cidade.

 

 

 

 

28
Jul20

Só para contrariar...

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Só para contrariar estes dias de inferno em que já estou que nem posso, fica uma imagem fresquinha, de há dois anos, mais precisamente do dia 28 de fevereiro de 2018. Esta é também para contrariar aqueles que dizem que agora já não neva em Chaves, antigamente é que era.

 

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Fotografia de Fernando Rua Alves

 

Já agora, fica também uma imagem dos anos 80 do século passado, esta é dedicada àqueles que querem os carros na ponte, pois talvez se lembrem e queiram também de volta o antigo rio, ecológico e verde…

 

 

 

21
Jul20

No calor da cidade

Cidade de Chaves - Portugal

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Em Chaves é assim, quando está calor, está mesmo calor a valer, entre os 35 e 40ºC, no mínimo, e de inverno, é a mesma coisa, mas ao contrário, ou seja, não há meios termos, daqueles do está-se bem… já dizia o poeta, nove meses de inverno e três de inferno, mas em julho, é quando lá no inferno mais atiçam as chamas. Mas isto é tudo psicológico, basta uma imagem com a frescura das águas do rio e as sombras do Jardim Público, e a temperatura desce a pique, pelo menos na nossa mente, pois o calor fora dela, é igual. Pois, é assim, o calor também tem este efeito de nos pôr a dizer disparates… até amanhã!

 

 

 

16
Jul20

Cidade de Chaves

Vista Geral

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A cidade de Chaves que rebentou com as costuras da velha e pequena cidade de província que até aos anos 60 do século passado, quase se resumia ao atual centro histórico e pouco mais, apenas alguns bairros periféricos. Hoje a cidade grande de Chaves não cabe numa única fotografia, mesmo que tirada desde a Serra do Brunheiro, pois todas as aldeias da periferia de Chaves já estão ligadas fisicamente à cidade.

 

 

 

 

 

 

 

14
Jul20

Cidade de Chaves - Madalena

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Esta é a última imagem conhecida deste prédio centenário adossado à ponte romana e que na fachada oposta, conjuntamente com a ponte romana, fez a delícia dos postais ilustrados de todo um século. Agora por detrás de tapumes está a ser reconstruído. Esperemos que em breve nos surpreenda com a sua nova imagem e que continue a fazer a delícia dos fotógrafos por mais um século.

 

 

 

09
Jul20

Paula Rego em Chaves

Museu de Arte Contemporânea Nadir Afonso

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Ontem trouxemos aqui um pouco de história do 8 de julho e do ilustre flaviense António Granjo, mas ontem, também foi um dia importante para a cultura flaviense, pois não é todos os dias que se inaugura uma exposição de uma das mais conceituadas pintoras portuguesas da atualidade, tal como ontem aconteceu no MACNA – Museu de Arte Contemporânea Nadir Afonso.

 

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Inauguração que por força das medidas de segurança relacionadas com o Covid-19, foi fechada ao público e restrita à presença de 20 pessoas, tendo para o ato sido convidados apenas a imprensa, o executivo municipal, representantes de eleitos locais e representantes da Casa de Serralves, entre os quais a Presidente do Conselho de Administração Ana Pinho, o Diretor do Museu de Serralves Philippe Vergne, a Diretora Adjunta do Museu e curadora desta exposição em Chaves Marta Almeida, que fez uma visita guiada à exposição para todos os presentes.

 

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Uma inauguração diferente daquilo que vem sendo habitual, principalmente pela ausência de público em geral. Assim, ao público, a exposição só hoje é que abre portas com visitas guiadas e não guiadas, uma maratona de visitas que se vai prolongar desde a abertura ao encerramento do museu, que mais uma vez por força das regras de segurança do Covid-19, vão ser visitas limitadas a grupos de 10 pessoas que se inscreveram previamente, tendo as inscrições terminado ontem.

 

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Assim se não se inscreveu, e quiser ser dos primeiros a visitar esta exposição, vai ter de esperar pelo dia de amanhã, dia 10 de julho, aí, só com as restrições habituais tomadas desde a reabertura do museu em que a capacidade máxima está limitada a 40 pessoas dentro do museu, não podendo nas salas de exposições estarem em simultâneo mais de 5 pessoas nas salas de menor dimensão e 10 pessoas nas salas de maior dimensão. Claro que escusado será dizer com uso de máscara obrigatório, desinfeção de mãos, distanciamento, etc.

 

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Mas não são precisas pressas para ver a exposição de Paula Rego, pois ela irá estar patente ao público até dia 18 de outubro. Claro que a par da exposição de Paula Rego, a Exposição de Nadir Afonso – Nadir, Subjectum, continua também patente ao público.

 

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Quanto à artista Paula Rego, dada a sua dimensão no mundo das artes plásticas, quase nem era necessário apresentá-la, mas por via das dúvidas, vamos deixar aqui alguns dados e curiosidades.

 

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Paula Rego

 

Paula Rego

 

Pintora portuguesa radicada em Inglaterra, Paula Figueroa Rego nasceu a 26 de janeiro de 1935, em Lisboa. Formou-se na Slade School of Art e, nos inícios dos anos 60 do século XX, foi bolseira da Fundação Calouste Gulbenkian. A sua primeira aparição perante o público lisboeta deu-se em 1961, na II Exposição da Gulbenkian, tendo o seu trabalho sido bem acolhido pela crítica. O surrealismo e o expressionismo influenciaram estes primeiros desenhos e colagens. Passou pelo movimento da pop art inglesa, conservando, contudo, uma temática muito pessoal. A leitura dos romances de Henry Miller marcou igualmente o seu percurso, ao abordar temas do imaginário erótico feminino. Em 1965 produziu vários trabalhos relacionados com acontecimentos chocantes da vida política ibérica - Cães de Barcelona, Gorgon, Retrato de Grimau, Manifesto por uma causa perdida, temática já anunciada em 1961 com Salazar a vomitar a Pátria. Faz uma leitura pessoal de outras obras de arte e das suas memórias, integradas em processos narrativos em que o mundo da infância aparece como um lugar lúdico de perversidade e algum humorismo. Esta "narratividade" acentua-se nos anos 80. Nos anos 90, assume a orientação figurativa de raiz temática portuguesa ou atinge ainda uma dimensão universal abordando a condição feminina (Série de mulher-cão, Marborough Gallery, 1992). Paula Rego nunca se desligou da vida artística portuguesa, expondo regularmente entre nós, mas também noutros países, como aconteceu, por exemplo, nas cidades de Amesterdão, Paris, Lima e Bruxelas. Também já representou o Reino Unido em certames como a Bienal de S. Paulo. Em maio de 1997, no Centro Cultural de Belém, foi inaugurada uma importante exposição retrospetiva da sua obra, com 136 trabalhos, cobrindo trinta e seis anos de carreira, e, em outubro de 2004, o Museu de Arte Contemporânea de Serralves, no Porto, acolheu uma seleção da obra de Paula Rego, produzida desde 1997. Nesta mostra, de cerca de 150 obras, a artista apresentou, pela primeira vez, os desenhos preparatórios de algumas da suas pinturas, destacando a importância do desenho no seu trabalho.

 

Em 2001, foi publicado, numa edição limitada, numerada e assinada, o livro As Meninas, uma obra conjunta da artista e de Agustina Bessa-Luís.

 

Ao longo da sua carreira tem sido distinguida com vário prémios, como: Prémio Soquil (1971); TWSA Touring Exhibition, Newlyn Arts Centre, Penzance (1984); Prémio Benetton/Amadeo de Souza-Cardoso, Casa de Serralves, Porto (1987); Prémio Turner 89, Londres (1989); Prémio Bordalo da Casa da Imprensa 1997, Lisboa (1998); Prémio AICA'97, Lisboa (1998); Prémio de Consagração Celpa/Vieira da Silva (2001).

 (infopédia)

 

 

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Watcher, 1944

 

Biografia de Paula Rego

 

1935

Nasce no dia 26 de Janeiro em Lisboa, Portugal.

1945-51

Frequenta a St. Julian's School, Carcavelos, Portugal.

1952-1956

Ingressa na Slade School of Fine Art, Londres, Reino Unido, onde conhece o (ainda estudante) artista inglês Victor Willing com quem viria a casar e teria três filhos.

1954

Recebe o 1.º prémio de Summer Composition, Slade School of Fine Art, Londres, Reino Unido.

1957-1963

Paula Rego e a sua família vivem na Ericeira, Portugal.

1962-1963

É bolseira da Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa, Portugal

1963-1975

Paula Rego e a sua família vivem no Reino Unido e em Portugal.

1976

Paula Rego e a sua família fixam residência em Londres, Reino Unido.

1983

Leciona como professora convidada de Pintura na Slade School of Fine Art, Londres, Reino Unido.

1988

Realiza a sua primeira grande exposição individual na Serpentine Gallery, Londres, Reino Unido.

Victor Willing morre de esclerose múltipla, após um longo período de doença.

1990

É convidada para integrar a 1ª edição do programa Associate Artist Scheme na National Gallery, Londres, Reino Unido.

1992

Recebe o título de Mestre honoris causa em Arte pela Winchester School of Art, Hampshire, Reino Unido.

1999

Recebe o título de Doutora honoris causa em Letras pela University of St. Andrews, Fife, Escócia, Reino Unido.

Recebe o título de Doutora honoris causa em Letras pela University of East Anglia, Norwich, Reino Unido.

2000

Recebe o título de Doutora honoris causa em Letras pela Rhode Island School of Design, Rhode Island, Estados Unidos da América.

2002

Recebe o título de Doutora honoris causa em Letras pelo The London Institute, Londres, Reino Unido.

2004

Condecorada com a Grã-Cruz da Ordem de Sant'Iago da Espada, concedida pelo Presidente da República, Portugal.

2005

Recebe o título de Doutora honoris causa em Letras pela Oxford University, Oxford, Reino Unido.

Recebe o título de Doutora honoris causa em Letras pela Roehampton University, Londres, Reino Unido.

Seis litografias da série Jane Eyre (2001-2002) são usadas pela Royal Mail para edição de uma coleção de seis selos, Reino Unido.

2009

Abertura da Casa das Histórias Paula Rego, Cascais, Portugal, um museu dedicado à obra de Paula Rego e Victor Willing, com projeto arquitetónico de Eduardo Souto de Moura.

2010

Nomeada Dame Commander of the Order of the British Empire pela sua contribuição para as Artes pela Rainha do Reino Unido.

Eleita Personalidade do Ano pela Associação de Imprensa Estrangeira em Portugal, Portugal.

Recebe o prémio Penagos de Dibujo atribuído pela Fundación MAPFRE, Madrid, Espanha.

2011

Recebe o título de Doutora honoris causa proposto pela Faculdade de Belas-Artes, Universidade de Lisboa, Portugal.

A sua obra Looking Back (1987) é arrematada pelo valor record de 866,175€/£769,250.

2013

Recebe o Grande Prémio Amadeo de Souza-Cardoso (Consagração) no Museu Municipal Amadeo de Souza-Cardoso, Amarante, Portugal.

Eleita Membro Honorário do Murray Edwards College, Cambridge, Reino Unido.

Paula Rego continua a viver e a trabalhar em Londres, Reino Unido.

2015

Recebe o título de Doutora honoris causa em Letras, University of Cambridge, Reino Unido.

2016

Recebe a Medalha de Honra da cidade de Lisboa.

2017

Recebe o Prémio Maria Isabel Barreno.

2019

Recebe a Medalha de Mérito Cultural do Governo português.

Distinguida com Prémio Carreira pela revista "Harper's Bazaar"

 

In (Casa das Histórias Paula Rego)

 

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Retrato do Presidente da República Jorge Sampaio

 

Não consta da biografia que deixámos atrás, mas a título de curiosidade, Paula Rego é também uma das artistas que consta como autora na Galeria de Retratos Oficiais dos Presidentes da República Portuguesa, com o retrato de Jorge Sampaio.

 

E finalmente passemos à exposição que hoje abre ao público, com os dados que constam na página do MACNA:

 

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PAULA REGO - O GRITO DA IMAGINAÇÃO

9 de julho a 18 de outubro de 2020

 

PAULA REGO: O GRITO DA IMAGINAÇÃO
Obras da Coleção de Serralves

 

Esta exposição tem como ponto de partida o núcleo de obras de Paula Rego na Coleção de Serralves, realizadas entre 1975 e 2004, e que são representativas de várias fases de produção da pintora.

O percurso artístico de Paula Rego começa a definir-se a partir de 1952, quando parte para Londres e ingressa na Slade School of Fine Art. Neste período, os seus trabalhos são marcados por um estilo de certo pendor naturalista e alguma ingenuidade, denotandose já uma forte consciência social e política e uma relação próxima com a realidade.

A partir do final da década de 1950, influenciada pela descoberta da obra de Jean Dubuffet, a artista cria obras marcadas por um gesto mais enérgico, livre e intuitivo. A explosão criativa inspirada por Dubuffet e pela arte bruta manifesta-se na execução de pinturas a óleo combinadas com o recorte e colagem de imagens desenhadas ou pintadas sobre papel, técnica que permite a exploração de diferenciados efeitos rítmicos e narrativos. São exemplos desta prática as pinturas Corredor (1975) e A grande seca (1976), trabalhos marcados por uma violenta abstração surrealizante, enfatizada pela fragmentação e distorção das formas, e em que a pintura atua como um elo de ligação ou de ocultação dos elementos colados, conferindo ambiguidade às imagens representadas.

 

 

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A grande seca (1976)

 

No início da década de 1980, Paula Rego abandona a colagem e passa a dar primazia ao desenho e à pintura em acrílico e guache, criando coloridas composições vertiginosas, habitadas por figuras humanas, animais e vegetais, ora isoladas, ora em fervilhantes e estranhas interações (Girl with pig and weeping dog, 1984; Homenagem a Dubuffet, 1985, Sem título (1986)). Ao longo desta década intensifica-se também o interesse da pintora pela hibridação de diferentes universos: influenciam-na as narrativas orais, escutadas no espaço doméstico e público; interessam-lhe os contos populares e o imaginário das fábulas de Esopo, La Fontaine, Hans Christian Andersen e Lewis Carroll; cativam-na as potencialidades narrativas da banda desenhada; explora os universos trágicos das grandes óperas; atraem-na os romances literários.

 

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Girl with pig and weeping dog, 1984

 

A série de pinturas “The Vivian Girls”, em que se integra The Vivian Girls on the Farm (1984- 1985), constitui um exemplo das relações que a artista estabelece com referentes culturais múltiplos e complexos. O ponto de partida é a monumental obra do autodidata norte-americano Henry Darger (1892-1973), The Story of the Vivian Girls, in What is known as the Realms of the Unreal, of the Glandeco-Angelinian War Storm, Caused by the Child Slave Rebellion, que conta a história das sete filhas do fictício imperador Robert Vivian, no contexto de uma guerra entre uma nação cristã e uma nação ateia. Porém, ao contrário das delicadas ilustrações originalmente concebidas pelo autor, as composições criadas por Paula Rego não são ilustrativas ou descritivas: o seu objetivo era captar a natureza psicológica destas perturbadoras heroínas, simultaneamente vítimas, transgressoras e agressoras.

 

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The Vivian Girls on the Farm (1984- 1985)


A partir de meados da década de 1980, as composições de Paula Rego assumem uma nova concentração e densidade narrativa. Ao invés da dispersão, valoriza-se agora a unidade, alcançada através de uma renovada abordagem à construção do espaço tridimensional e perspético, e à representação mais naturalista do corpo humano. Esta mudança no seu trabalho encontra-se patente na série “Menina e Cão”, da qual são agora expostas as pinturas Sem título (1986) e Girl lifting her skirt to a dog (1986), obras em que as figuras ganham volume e as massas corporais adensam-se, através de modelações de tons e sombreados profundos. Em termos narrativos, mantém-se o interesse da pintora pelo caráter paradoxal e ambíguo das personagens e suas ações: símbolo de fidelidade e obediência, o cão é um ser dominável, característica a que se associa frequentemente o papel e a imagem das mulheres. Porém, este animal – tal como o ser humano – não deixa de responder aos seus impulsos mais primários. Ao retratar a ligação de uma menina com o seu cão, Paula Rego explora as tensas relações de poder estabelecidas, nas quais coexistem amor e raiva, desejo e repulsa, dedicação e ressentimento, pudor e perversão. A abordagem a estes temas verifica-se igualmente nas pinturas On the Balcony, História II e História III (todas de 1986), habitadas por personagens humanas e animais colocadas em estranhas situações, e através das quais é abordado um vasto leque de emoções e interrelações. Este território de metáforas evoca mais uma vez o universo das fábulas, narrativas fantásticas a que é atribuído um caráter instrutivo e moralizante (e, por vezes, subversivo), e que nem sempre têm um final feliz.

 

 

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On the Balcony, 1986

 

A década de 1990 é marcada pela exploração do pastel e o recurso a modelos vivos, que introduzem na obra de Paula Rego um imediatismo do gesto e uma nova expressividade plástica. No seu elenco de personagens, os protagonistas são agora quase sempre humanos, principalmente mulheres, representadas em ambientes domésticos, isoladas ou em grupo, dominadoras, virtuosas, subjugadas, estereotipadas, sexualizadas, ora cruéis, ora misericordiosas e inundadas pela compaixão. Em Watcher (1994) uma mulher sobre uma bacia debruça-se sobre uma varanda, com um triciclo – objeto da infância da própria artista – a seus pés. A posição da figura, de costas para o espetador, e a paisagem e o horizonte que não se veem, salientam o caráter contemplativo e misterioso desta pintura. Em A Cinta (1995), é evidenciada a submissão da mulher às convenções sociais da feminilidade, patente na expressão de desconforto da figura no momento de vestir uma cinta. Tal como nestas obras, no desenho O vestido cor de salmão (2001) Paula Rego aborda a mulher e o seu papel na sua esfera mais íntima; retomado noutros trabalhos gráficos, este tema remete para uma história de decadência: “o vestido cor de salmão feito em pedaços que serve para vestir uma boneca e depois outra mais pequena que cai a um poço” (Rego, 2001).

 

 

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A Cinta (1995)

 

A orientação figurativa e dramática do trabalho de Paula Rego encontra-se sintetizada no políptico Possessão I-VII (2004), composto por sete pinturas de uma mulher a contorcer-se num divã. A sucessão de imagens deste corpo feminino, deitado, agitado, colocado em diversas posições, cria uma narrativa sem tempo e sem espaço, situada algures entre o erótico, a sessão de psicanálise e o exorcismo. Não é revelado o motivo do perturbador comportamento da personagem, e a sequência não permite saber o que sucedeu ou sucederá – as interpretações ficam a cargo de cada espetador.

 

Para além da pintura e do desenho, a gravura foi um meio muito praticado por Paula Rego. Um dos seus primeiros trabalhos significativos nesta área é o conjunto de gravuras em torno do tema “Menina e cão”, já abordado na pintura. Estas obras, executadas em 1987, destacam-se ora por uma aproximação mais terna e comovente ao referente (Menina sentada num cão), ora pelas suas qualidades humorísticas (Menina com homem pequeno e cão), não abandonando contudo a representação de uma tensão erótica latente, particularmente observável em Quatro meninas a brincar com o cão e Menina com a mãe e um cão. Ainda relacionadas com esta série, são apresentadas nesta exposição as obras Histórias de embalar, cena de violência em que o cão ataca um homem, sob as ordens da menina; e Viajantes, captação do momento de repouso de um grupo de caprichosas raparigas que vão em peregrinação a Santiago de Compostela, numa imagem onírica que evoca o sagrado e o profano.

 

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Viajantes, 1987

 

Também no campo da gravura Paula Rego explorou o universo dos contos infantis. Em Children and their stories (1989) um grupo de crianças dançam de mãos dadas, numa roda oval; em primeiro plano surge uma miscelânea de personagems retiradas de lenga-lengas e histórias célebres, incluindo Alice no País das Maravilhas, Tintin, o Gato das Botas e Pinóquio.

 

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Children and their stories (1989)

 

Sediado no cruzamento de memórias pessoais com múltiplas referências da tradição pictórica e literária internacionais, o trabalho de Paula Rego caracteriza-se por uma obsessiva abordagem aos aspetos mais sombrios, profundos e ambíguos das relações humanas e das articulações entre o indivíduo e o coletivo. Seja em composições mais extravagantes e repletas de humor e ironia, ou em narrativas pictóricas mais densas e cuidadosamente cenografadas, a pintora explora desassombradamente temas como o poder e a obediência, a dor física e psicológica, a vergonha e o orgulho, a violência, a solidão e a sociabilidade.

 

Curadoria: Marta Almeida

 

 

 

E é tudo por hoje, apenas falta mencionar as nossas fontes:

 

http://www.casadashistoriaspaularego.com/pt/paula-rego-e-victor-willing/paula-rego/biografia.aspx

 

Paula Rego in Infopédia [em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2020. [consult. 2020-07-09 02:55:33]. Disponível na Internet: https://www.infopedia.pt/$paula-rego

 

https://macna.chaves.pt/pages/562

 

https://pt.wikipedia.org/wiki/Galeria_de_Retratos_Oficiais_dos_Presidentes_da_Rep%C3%BAblica_Portuguesa

 

https://www.serralves.pt/pt/fundacao/a-casa-de-serralves/

 

 

Até amanhã!

 

 

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      Souza é apelido de Arcossó? Seria de Pedro Souza q...

    • Anónimo

      Não é verdade que esteja extinta. Em Arcossó exist...

    • Anónimo

      Que bom ver esta foto! A minha avô morava numa das...

    • Julia Nunes Baptista

      Boa noite. Que bom reviver a Quinta da Condeixa em...

    • Anónimo

      Que lindo!! Muito emocionada em saber mais sobre a...

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