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CHAVES

Olhares sobre o "Reino Maravilhoso"

21
Jan21

Chaves de Ontem - Chaves de Hoje

Da Praça D.Carlos I à Praça da República

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ontem-hoje

 

 

Praça da República

 

Neste Chaves de ontem e de hoje, vamos até à Praça da República, contando um bocadinho da sua história com base em algumas imagens disponíveis, sendo sempre um agradável desafio tentar localizar no tempo as imagens de que dispomos recorrendo a alguns dados documentais e outros dados que a própria imagem contém.

 

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Foto 1

Desde já, pela “Acta Municipal de 13-10-1910”, ou seja uma semana após a implantação da República, o Presidente da Câmara, Dr. António Granjo, propõe que a então Praça de D.Carlos I passe a chamar-se Praça da República, tal qual ainda hoje se chama, embora também seja conhecida por praça do Pelourinho, que foi lá erguido pela primeira vez em 1515, mas nem sempre lá esteve, tendo sido daí apeado em 1870, passando para o Largo da Madalena, tendo também aí sido apeado anos depois para no seu lugar ser construído um fontanário, que ainda hoje existe. Há também alguns documentos que posteriormente o localizam no atual Largo do Anjo onde novamente foi apeado, depois esquecido para mais tarde ser relembrado e erguido a meio da Praça de Camões onde pouco durou, vindo por fim a ser erguido no sítio atual. Pelourinho este que nos vai servir para localizar no tempo algumas das imagens de hoje, que para já podemos com estes dados dividir em dois grupos, a fase anterior e posterior ao pelourinho, ma há mais.

 

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Foto 2

 

Só a partir das imagens que temos disponíveis, a Praça da República passou por várias fases, a saber:

1ª – A praça com a casa dos arcos;

2ª – A praça sem casa dos arcos;

3ª – A praça com jardim, sem jardim, com jardim novamente, sem jardim novamente;

4ª – A cobertura da torre sineira da Igreja Matriz, a antiga e a atual;

5ª – A praça sem pelourinho e com pelourinho.

6ª – A praça com e sem olmo na praça de Camões.

 

 

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Foto 3

 

Para as duas primeiras imagens sabemos que a casa dos arcos durou pelo menos até 1920, pois foi nesse ano é que a Câmara Municipal arrematou a sua demolição “ Casa dos Arcos - Arrematada a demolição desta casa pelo construtor civil, desta vila, José Teixeira de Sousa, único concorrente, pela quantia de 50$00, com direito à pedra e com obrigação da limpeza do lugar”. No entanto sabemos a data da foto 1, pois a mesma foi publicada nas incursões autárquicas de autoria de Firmino Aires, onde na legenda consta ser de 1865. Aparentemente a foto 2 é da mesma data.

 

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Foto 4

 

Quanto à foto 3 e 4 sabemos que é posterior a 1920 porque já não tem a casa dos arcos e anterior a 1934, ano em que aí foi reerguido o Pelourinho. Entretanto dá para perceber que se foi ensaiando o ajardinamento, que mais tarde viria a envolver o Pelourinho.

 

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Foto 5

 

A foto 5, por ainda não ter pelourinho, é anterior a 1934, mas também não tem jardim nem canteiros, apenas árvores. Se não fosse pela nova cobertura da torre sineira da Igreja Matriz, seria levado a dizer que esta foto era anterior às fotos 3 e 4, mas assim não há qualquer dúvida que é posterior. Intriga-me é estar sem jardim e os respetivos canteiros e bancos, mas talvez seja uma foto já do ano de 1934 em que o largo é limpo e preparado para receber o Pelourinho e o novo arranjo do largo, com novos canteiros ajardinados, tal como se pode ver nas fotos 6 e 6-1, por sinal a mesma foto que deu lugar à publicação de dois postais ilustrados de diferentes séries. Esta foto já é posterior a 1940, pois ao fundo, o edifício do atual Museu da Região Flaviense já aparece com 3 pisos, tendo o 3º piso sido construído nesse ano.

 

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Foto 6

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Foto 6-1


As fotos 7 a 12 são todas posteriores a 1959 e anteriores a 1966, para afirmarmos isto, temos a data de algumas fotos (1960) a matrícula do carro em primeiro plano (HE-15-99) da foto 7, é uma matrícula do ano de 1959 ou 1960, e todas as fotos são anteriores às obras da Igreja Matriz de 1966 a 1968 em que a configuração do telhado é alterado, deixando de ter duas águas, passando a um telhado com dois níveis diferentes, ficando o beiral mais próximo do chão e a torre sineira mais à vista, embora com a mesma altura. Curiosa é a outra matricula do VW carocha, pois segundo a listagem de matriculas que a ANECRA – Associação Nacional das Empresas do Comércio e da Reparação Automóvel disponibiliza, a matrícula do carocha (RS-13-83), deveria ser do ano de 1984, pois em todos os locais que procuramos pelas letras RS nos remetem para esse ano, daí, das duas uma, ou a matrícula é falsa ou então não consta nas listagens consultadas, vou mais pela segunda hipótese.

 

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Foto 7

Para ficarmos a saber mais um pouco sobre esta praça, vejamos o que Firmino Aires deixou registado na “Toponímia Flaviense”:

Praça da República
— Zona: Centro
— Limites: Compreendida entre a Rua de Santa Maria, Praça de Camões e Rua Direita.
É conhecida também como Largo do Pelourinho.

 

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Foto 8


Teve nome realengo, havendo caído em desgraça após a implantação da República. Como muitas vezes acontece, os heróis de ontem podem ser os traidores de hoje, caindo em menosprezo. Vai Victis! — assim diziam os romanos .

Este lugar foi e continua a ser o ponto onde se encontra e redivide todo um passado histórico de Chaves, desde tempos longínquos.
Aqui viveram populações romanas durante séculos. Aqui se comemoram actos religiosos e se viveram horas de opróbrio. Foi também cemitério medieval e praça (mercado).

 

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Foto 9


Desde tempos imemoriais foram ali os Paços do Concelho.

 

Os Paços do Concelho eram, desde tempos muito antigos, situados no pequeno largo contíguo à Igreja Matriz. O modesto edifício compunha-se de rés do chão e um andar, tudo de aspecto pobre e de acanhadas dimensões. Do lado do Norte confinava com a Rua Direita e aí tinha um pequeno torreão no qual estava instalado o velho relógio da vila. Do lado Sul confinava com uma casa particular, que em 1858 pertencia ao marechal de campo reformado Agostinho Luís Alves.


Em frente dos Paços do Concelho, limitando a pequena praça em que também se erguia o pelourinho da vila, havia uma arcada de três arcos, formando um abrigo, com um banco de pedra, destinado às pessoas que tivessem de esperar despachos da Câmara ou do Tribunal da Comarca, também no edifício instalado.

 

 

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Foto 10


A Câmara, para melhorar estas instalações julgou conveniente juntar ao edifício dos Paços do Concelho a casa acima referida e com ele confinante do lado Sul...


Com efeito, da acta de sessão camarária de 22 de Outubro de 1858 consta o seguinte:


O Presidente fez saber à Câmara a grande necessidade de alargar os Paços do Concelho... Por todas as razões propunha à Câmara a aquisição da casa do marechal de campo reformado Agostinho Luís Alves... sendo unanimemente aprovada...


A compra desta casa não remediou porém a deficiência de compartimentos para as instalações do município.

 

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Foto 11


…Mas o tenente de engenheiros José Correia Teles Pamplona, em serviço na guarnição, a quem a Câmara pedira o estudo dessas obras, informou que elas não podiam importar em menos de oito contos de reis e que ainda assim a casa não ficaria com as comodidades necessárias para todas as repartições, como a Câmara pretendia. A Câmara em vista disso resolveu desistir dessas obras.(Carvalho, Gen. Ribeiro de - Chaves Antiga, 109/110).

 

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Foto 12

Nesse mesmo ano de 1861, no mês de Julho, a Câmara foi transferida para o palacete do Largo Principal, pertencente ao morgado de Vilar de Perdizes —António de Sousa Pereira Coutinho, o que havia sido comprado por 2.600:000 reis.

 

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Foto 13

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Foto 14

 

Pelo Almanaque O COMÉRCUI0 DE CHAVES de 1937, viemos a saber que o último nome foi PRAÇA D. CARLOS I. Por proposta do Dr. António Joaquim Granjo, Presidente da Câmara, passou a designar-se Praça da República, deixando de se chamar Praça de Dom Carlos.
(Acta Municipal de 13-10-1910).

 

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Praça da República - Atual


E finalmente a praça que hoje temos, sem casa dos arcos, com pelourinho, sem jardim e sempre com muitos popós estacionados, mesmo que o acesso a esta praça seja de trânsito proibido e de estacionamento também.

 

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Praça da República - Atual

E diga-se que não foi fácil encontrar esta fotos, pois embora tenha as redondezas todas fotografadas, à exceção de alguns pormenores da praça, em geral passo-lhe por cima sem a fotografar. O porque é fácil de explicar, em geral, não fotografo coisas que não gosto de ver, e não é pela praça que não a fotografo, pois até é uma das mais bonitas que temos, mas não gosto dos adornos, embora até possam dar jeito num futuro distante, quando alguém como este artolas andar a pesquisar o possível ano da foto pela matricula dos tais adornos.

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Praça da República - Atual

 

Contudo, de vez em quando lá se consegue uma se adornos, com a praça limpinha, e aí, sim, já dá algum gosto tomar umas fotos
Sem carros.

 

BIBLIOGRAFIA
AIRES, Firmino - Incursões Autárquicas, Grupo Cultural Aquae Flaviae, Minerva Transmontana, Vila Real, 2000.
AIRES, Firmino - Toponímia Flaviense, Câmara Municipal de Chaves, Minerva Transmontana, Vila Real, 1990.
CARNEIRO, Francisco Gonçalves – A Igreja de Santa Maria Maior de Chaves, Edição de Autor, Livraria Editora Pax, Braga, 1979.
FONTES, Lourenço, Etnografia Transmontana II - Comunitarismo do Barroso, edição do autor, Montalegre, 1974.

 

WEBGRAFIA
http://www.monumentos.gov.pt/, consultada em 18-01-2021
https://www.anecra.pt/, consultada em 18-01-2021

 

18
Jan21

De regresso à cidade...

O nevoeiro e o frio

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Hoje o regresso à cidade não é nosso, pois estamos confinados e somos dos que cumprimos, mas há quem, alheios a esta coisa do vírus, regresse sempre á cidade e ao vale, e se deixe estar por lá desde o cair da noite até por volta do meio-dia do dia seguinte, embora às vezes, teimosos que eles são, fiquem por lá a noite e o dia todo, às vezes, semanas a fio…

 

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Esses dois teimosos têm nome, um chama-se nevoeiro, alapa-se no vale e não sai de lá, o outro chama-se frio, não se vê mas sente-se, costumam andar juntos e é uma das duplas mais flaviense que conheço e que todos os flavienses conhecem, comentam ou falam, e como se de chagas se tratassem, não nos largam, invadem-nos o corpo, às vezes até doer e não há roupa que lhe resista, é como o vírus que praí anda, invade-nos o corpo sem saber por onde entram. Mas indiferentes a tudo isto, talvez por hábito ou simples gosto, há que goste dos dias assim, e quem está longe, quiçá até os recorde com saudades, e uma coisa é certa, visto lá de cima, da croa dos montes, tem tanto de mistério como de beleza e quer queiramos oi não, fazem parte do nosso ser flaviense.

 

 

 

04
Jan21

De regresso à cidade...

Cidade de Chaves

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Cá estamos com o primeiro regresso à cidade do ano, com uma panorâmica a apanhar um bocadinho da cidade à beira rio, com um bocadinho da Madalena e outro de Santa Maria Maior, e ao centro, claro, com a devida vénia a nossa ponte mais velhinha sobre o rio Tâmega, quase dois mil anos a permitir travessias para uma ou outra margem.

 

 

 

Uma boa semana neste novo ano de 2021   

 

02
Jan21

16º Aniversário do Blog Chaves

Blog Chaves - Olhares sobre o Reino Maravilhoso

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É comum festejarem-se os aniversários, pois nós, mesmo sem festa, também costumamos celebrar aqui o aniversário deste blog,  que por sinal faz hoje 16 anos. Um aniversário que coincide sempre com o deixar do ano velho e o entrar no ano novo e daí ser também tempo de balanços e previsões, do ano do blog, do ano que findou e do ano que acabou de entrar.

 

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Também e tal como vem sendo habitual nos últimos aniversários, hoje vamos deixar aqui em imagem algumas daquelas que mais gostámos de registar e publicar neste blog ao longo do ano de 2020, mais as publicadas do que aquelas que tomámos no terreno, pois como todos sabem, o ano que passou foi um ano anormal em que a pandemia, direta ou indiretamente afetou os nossos dias, um ano para esquecer, pois para o terreno em recolha de imagens, apenas saímos 2,5 vezes, como que diz dois dias inteiros e um meio dia, sendo um dia para pagar a promessa do S. Sebastião no Barroso, no dia 20 de janeiro, quando ainda e apenas se falava de  um vírus na China, na província de Hubei, em Wahan.

 

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Pois, mas o raio do vírus depressa entrou nas nossas vidas diárias, com muita informação e desinformação em simultâneo e se no inicio ele só entrava cá pelas notícias e nos novos termos a acrescentar ao nosso vocabulário que, tal como o vírus ia sofrendo mutações, também ele se foi alterando com o tempo, começou por ser o vírus da china, depois passou a coronavírus, depois começa a aparecer o Covi-19, com menos frequência foi aparecendo o Sars-Cov-2, às vezes todos misturados e popularmente também se começou a falar do bicho que anda por aí, mas pouca informação a respeito do que cada qual era, os mais curiosos lá se foram esclarecendo nos sítios disponíveis na net para ficar a saber que o bicho pertence à família dos Coronas, este em particular chama-se Sars-Cov-2 e provoca uma doença chamada Covid-19, seja como for, aqui fica a cronologia, medidas tomadas e danos colaterais nos primeiros 3 mês, que nos condicionaram na liberdade de andar por aí.

 

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2 de março – aparecem os 2 primeiros casos em Portugal

 

11 de março – A OMS declara a doença Covid-19 como Pandemia, ou seja, que a doença já estava instalada em pelo menos 2 continentes. Em Portugal, nesta data havia 59 infetados, como precaução já era recomendado o uso de máscara, de viseiras, lavagem frequente de mãos e/ou desinfeção das mesmas com gel alcoólico.

 

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16 de março – É declarada a primeira morte em Portugal causada pelo bicho enquanto que o nº de infetados já é de 331.

 

18 de março – Regista-se a 2ª morte, o número de infetados é de 642 e o Presidente da República decreta o primeiro estado de emergência, por 15 dias, com confinamento obrigatório.

 

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11 de abril (um mês após declarada a pandemia) – Continua o estado de emergência e confinamento obrigatório, (renovado em 2 de abril), o número de mortos é agora de 470 e de infetados 15.987.

 

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30 de abril – Governo anuncia que o estado de emergência vai passar para situação de calamidade, ou seja, aos poucos começam a abrir alguns serviços, comércios, etc, inicia-se um desconfinamento programado e faseado para todo o mês de maio. É o regresso a uma nova normalidade, mas com muitas regras (mascaras obrigatórias, gel alcoólico, agrupamentos proibidos, distanciamento social e mantêm-se algumas proibições, principalmente as que implicam ajuntamentos de pessoas. Nesta altura (30 de abril) Portugal tinha 989 mortos e 25.045 infetados.

 

30 de maio – Quase três meses depois dos primeiros casos em Portugal, a vida parece voltar à normalidade, à possível, continuando algumas restrições e proibições, a economia exigia que a vida voltasse à normalidade, e foi voltando… pese nesta data já terem morrido 1.396 pessoas e o número de infetados total até à data ser de 32.203 pessoas. Não temos falado dos recuperados, mas, simplificando, são a diferença entre os infetados e o nº de mortos, nesta data a rondar os 30.000 casos.

 

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20 de junho (esta data é nossa) – O número de infetados nesta data é de 38.841. A coisa do bicho e do desconfinamento parecia estar a correr bem, mas longe de estar resolvida. Fartos de confinamentos e outras obrigações, dentro da liberdade possível, saímos para um dia de fotografia, devidamente equipados com máscaras e gel desinfetante e com a preocupação do afastamento social. Demos continuidade no levantamento de mais algumas aldeias do concelho de Vila Pouca de Aguiar, foi a segunda vez do ano em que saímos para o terreno em recolha de imagens.

 

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De Setembro até hoje - Em setembro aumentam o número de casos, dá-se início da segunda vaga da pandemia ou o agravamento da primeira, a fase, que em particular, ao contrário da 1ª vaga, atacou o nosso concelho a sério, estando entre os mais atacados de Portugal,  com medidas mais confusas, recolheres obrigatórios, proibições de circular entre concelhos, etc. A nós, além de teletrabalho obrigatório, tocou-nos um confinamento também obrigatório por termos estado em contacto com casos positivos e depois disso,  os únicos dias que pessoalmente tinhamos livres (fins-de-semana) passaram a ter recolher obrigatório e/ou proibição de circular entre concelhos, no entanto, havia uma falha minha, um levantamento fotográfico que, para dar continuidade e manter a metodologia das publicações no blog, tinha de fazer, pois aproximava-se a publicação da aldeia do Barroso de Minas de Beça que por lapso não tinha feito o levantamento fotográfico. Assim, a meio da semana, lá fui no dia 4 de novembro até Minas de Beça, sem muitos cuidados, pois sabia de antemão que não iria haver contactos sociais, tratava-se mais de um contacto com a natureza, pois habitantes contavam-se pelo número de dedos de uma mão, as minas já há muito que foram abandonadas e o casario existente, deixou de ter fregueses, mesmo assim, tínhamos de cumprir e cumprimos. Foi a nossa última saída fotográfica, numa manhã de inverno, fria mas com sol, foi a última vez que saímos para o terreno. Resumindo, 2020 é um ano para esquecer e depressa. Resta-nos ter esperança num novo tempo e nas vacinas, e tal como diz uma máxima que no início se repetia por aí “Vamos todos ficar bem”, pelo menos os que escaparem à contaminação do bicho.

 

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Quanto ao blog, quem o acompanha sabe que por aqui tudo continuou mais ou menos na sua normalidade, aliás o bicho na sua primeira fase do confinamento até deu origem a mais uma rubrica extra, um concurso diário com prémios, que por sinal ainda não entregamos todos, mas que são para entregar. Também graças ao nosso levantamento fotográfico de todo o Barroso que fizemos nos últimos anos do antes Pandemia, ainda temos material (fotografias) inéditas e aldeias para aqui trazer durante mais uns meses. Para já vamos continuar pelo concelho de Boticas, com os vídeos em falta das aldeias de Montalegre e ainda temos as freguesias do Barroso que pertencem aos concelhos de Ribeira de Pena e de Vieira do Minho, ou seja, temos neste ano de 2021,  52 domingos pela frente, o que significam 52 publicações, mas sabemos que algumas, por motivo de força maior ou de outro acontecimento, irão falhar, não muitas, mas pelo menos 3 a 5 falhas, no entanto ainda temos 29 aldeias e 8 freguesias de Boticas por abordar, para além de alguns posts temáticos, como o do São Sebastião, que pela certa não será festejado, mas temos muito material em arquivo para recordar. Em Ribeira de Pena temos uma freguesia e pelo menos 7 aldeias. O pelo menos é por aldeias extintas que ainda não conseguimos localizar. Em Vieira do Minho temos uma freguesia e 11 aldeias, ou seja, sobre o Barroso ainda nos faltam pelo menos 58 posts, o que quer dizer que só terminaremos em 2022 a abordagem total, mas nem por isso estamos descansados, pois ainda não sabemos como vai correr a colheita deste ano de 2021 para podermos garantir imagens para 2022.

 

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Quanto às aldeias de Chaves, já fizemos todos os posts devidos, falta cumprir com os vídeos para algumas aldeias, poucas e não vão dar para todo o ano, apenas uns meses e a partir de aí ficamos desarmados, quer em imagens quer em conteúdos a abordar, mas é garantido que as aldeias de Chaves continuarão por aqui pelo menos aos sábados. Precisávamos de ter algum feedback daquilo que gostariam de ver aqui abordado, mas infelizmente não temos, daí temos abordado as aldeias conforme o nosso entendimento, pois tal como diz o povo, quem cala consente... mas fica o repto lançado para o pessoal das aldeias, digam-me o que gostariam de ver ou ser tratado aqui, que eu garanto-vos que vou à vossa aldeia fazer o trabalho e levantamento fotográfico que for necessário. Têm todos os meus contactos no blog, ou no facebook, ou no flickr. Mais não posso fazer.

 

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Quanto à cidade, temas não faltam e há ainda muito trabalho por fazer, não a nível de imagem, que aí uma foto arranja-se sempre, mas a nível de conteúdos. Temos alguns tópicos e rubricas em aberto, tem é faltado tempo para os tratar. Também aqui vamos fazendo o que podemos e a mais não somos obrigados. Ajudas também seriam bem-vindas, e o blog continua aberto para outras colaborações e colaboradores, e pela certa que há por aí muito boa gente que o poderia fazer, mas talvez seja mais fácil passar o tempo no facebook, onde há diversão fácil e coscuvilhice garantida, embora efémera, mas onde se podem mandar umas bordoadas e esperar pela resposta para poder mandar mais meia-dúzia de farpas…

 

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Também vamos continuar, pelo menos enquanto tivermos material, a levar-vos por outros destinos com roteiros de 1 dia, sempre com partida e regresso à cidade de Chaves,  na descoberta do Reino Maravilhoso  e outras terras vizinhas, sem esquecer a Galiza que nos é mais próxima, não só no território como culturalmente falando, e não estou a falar da língua falada, mas sim da cultura de um mesmo povo que já foi em tudo uno, mas que hoje se reparte por duas nacionalidades. E nós que até temos a eurocidade Chaves-Verin, bem poderíamos ser um exemplo para o mundo, mas infelizmente a fronteira continua a existir…

 

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Sim, o blog também vai continuar a ter aqui um ou outro desabafo, pois não somos uma máquina sem sentimentos, sentimos e ás vezes a melhor terapia para continuarmos sãos, é mesmo o desabafo.

 

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E agora vamos aos números estatísticos e algumas curiosidades do blog, mas também do flickr, do Youtube e do MeoKanal, todos eles parentes próximos do blog pois é lá que alojamos as nossas fotografias e vídeos para que possam ser vista(o)s aqui, isto se não forem considerados impróprios e vedados a menores de 18 anos, tal como aconteceu há dias no YouTube com o vídeo da aldeia de Santa Marinha. Pois, são as tais máquinas sem sentimentos que detetam obscenidades onde elas não existem, mas sei que a verdade vem sempre ao de cima e o YouTube já reconheceu o erro e pediu desculpas, e claro, repondo a verdade do vídeo, sem restrições, já pode ser visto por todos.

 

 

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Salvo raras exceções, aos quais desde já agradeço, em geral não temos o feedback dos nossos visitantes, mas o SAPO e o FLICKR têm alguns dados estatísticos, nomeadamente o nº de visualizações e origem dessas visualizações, entre outros dados, como motores de pesquisa, etc, dados esses que nos são disponibilizados e que com eles vamos fazendo uma leitura do perfil de quem nos acompanha, o que para nós é importante para podermos definir os nossos conteúdos. Pelos dados sabemos que à volta de 70% de quem nos visita está em Portugal e 30% estão no estrangeiro. Suponho que em ambos os casos são maioritariamente flavienses, mas também barrosões que nos visitam, mas no caso dos visitantes do Brasil, segundo alguns comentários que caem no blog e mails que vou recebendo, muitos são brasileiros descendentes de portugueses que vêm ao blog à procura das suas origens, em geral netos e bisnetos de emigrantes portugueses que não regressaram a Portugal, mas que guardaram documentos e passaram a mensagem de terem origem em Chaves ou nas proximidades.

 

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Sabemos também que desde o estrangeiro temos fidelizados muitos visitantes, os números ao longo dos anos têm-se mantido mais ou menos constantes, mas nos últimos anos, os visitantes dos Estados Unidos e da França, atingem quase 60% das visitas, seguidos a uma certa distância dos visitantes do Brasil, Suíça e Espanha. De realçar que neste último ano entraram dois novos países na lista, Macau e Uruguai, por sua vez, saiu da lista a India. Nesta listagem temos de ter em atenção que o SAPO só nos disponibiliza os 20 países com mais visitas, os restantes ficam em origem não definida, o mesmo acontecendo com as localidades portugueses que vêm no gráfico seguinte.

 

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Quanto ao números de Portugal, o destaque vai para os visitantes da área do Porto com números muito aproximados dos visitantes de Lisboa, seguidos a uma certa distância por visitantes de Braga, Vila Nova de Gaia, Coimbra e Bragança, mas esta distância não é bem real se tivermos em conta o número de habitantes de cada localidade.   

 

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Há dois anos fomos obrigados (ou quase) a ficar sem contador de visitas para podermos garantir uma navegação segura no blog, mas temos o portal SAPO que conta por nós as visitas ao blog, e o FLICKR que nos conta o número de visualizações às fotografias que pubicamos,  só temos que aguardar pelo final do ano para termos aqui a totalidade dos números. No outro ano em 31 de dezembro tínhamos  3.389.843 de visualizações ao blog, somando as 202.716 (dados SAPO) deste ano, atingimos em 31 de dezembro de 2020 os 3.592.559 de visualizações. Por sua vez no Flickr, onde alojamos as fotografias publicadas no blog, na presente data contamos com 16.862 fotografias publicadas, 4.028.963 visualizações e 551 seguidores de fotógrafos flickr. No YouTube ao qual só iniciámos publicações no ano de 2020 com os vídeos das aldeias, o número que temos disponível é o de subscritores do nosso canal que na presente data está em 290 subscritores. Quanto ao MeoKanal, estamos a iniciar mas aos pouco vamos alojar lá todos os vídeos publicados até hoje no blog, bem como os próximos vídeos a realizar.

 

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Quanto às nossas visitas anuais, no gráfico que o SAPO nos disponibiliza dos últimos 4 anos, andamos entre as 10000 e 20000 visualizações mensais, embora de vez em quando, e sem qualquer explicação da nossa parte, o gráfico dispare lá para cima, tal como aconteceu em junho de 2017 que só nesse mês atingimos as 41.067 visualizações e em agosto de 2018 as 25.686 visualizações. No ano de 2020 ultrapassamos a barreira das 20.000 visualizações por duas vezes, em janeiro e maio, e em junho, julho e agosto, muito próximo das 20.000 visualizações.

 

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Quanto às exposições de fotografia que costumávamos realizar na Adega do Faustino, este ano apenas tivemos patente uma ao público e já vinha de dezembro de 2019. A pandemia e o enceramento dos restaurantes fez com que não tivéssemos levado a efeito nenhuma no ano de 2020. Vamos continuar a aguardar por melhores dias, mas possivelmente ainda este mês consigamos retomar as exposições de fotografia.

 

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E chegamos àquela parte dos agradecimentos, começando por agradecer aos nossos colaboradores, sem os quais este blog não estaria completo.

 

Atuais colaboradores do blog

António Roque – O nosso poeta com  a rubrica “ Pedra de Toque”

Cristina Pizarro – Com “ Crónicas de Assim dizer”

João Madureira – Com “Quem conta um ponto…”

Luís de Boticas – Com “Crónicas Estrambólicas” e no último ano com as Crónicas de António Granjo.

Luís dos Anjos – Com "Vivências

Luís Henrique Fernandes (Luís da Granginha) – Com crónicas “Ocasionais”

Manuel Cunha (Pité) – Com “O Factor Humano”

Raimundo Alberto – Com “Chaves D’Aurora

 

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Ainda um agradecimento especial para aqueles que além de colaboradores, mesmo que de forma indireta, em geral,  me acompanham na descoberta do Barroso, do Alto Tâmega e Reino Maravilhoso, embora neste ano só tivéssemos saído duas vezes:

 

António de Souza e Silva

João Madureira

Humberto Ferreira

 

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Por último um agradecimento especial a todos quantos nos visitam e estão aí desse lado a espera das nossas imagens e textos, e às vezes até dos nossos desabafos, devaneios e disparates, que felizmente mais que infelizmente, também fazem parte da vida. Agradecimento especial duplo para aqueles que além de nos visitarem também comentam os nossos posts. Agradecimento triplo para aqueles que nos visitam e comentam com alguma frequência, por último um agradecimento para aqueles que nos visitam, comentam, incentivam e são há muito tempo nossos amigos e amigos do blog, mesmo sem os conhecermos pessoalmente. Um muito obrigado a todos.

 

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Falta ainda agradecer ao portal SAPO por nos disponibilizar este espaço e por estarem sempre prontos para resolver os nossos problemas de edição, para além de um agracecimento especial por de vez em quando colocarem posts nossos em destaque. 

 

E agora, mesmo para finalizar, fica o apelo do costume: façam comentários, peçam-me coisas, puxem-me as orelhas por não trazer aqui coisas que gostariam de ter e ver, eu estou por aqui de boa vontade para vos satisfazer, mas para isso, necessito de saber o que é que querem, necessito do vosso feedback.

 

Agora sim, um bom ano de 2021 

 

01
Jan21

Bom 2021!

desde a Cidade de Chaves - Portugal

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Com a azáfama de ontem preparar o Réveillon em casa, com o pessoal habitual diário do costume, incluído o cão e o gato, nem tivemos tempo de vir aqui desejar umas boas entradas neste ano de 2021 que todos queremos diferente do anterior, e já nem digo um bom ano, pois já ficava contente com um ano normal.

 

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Deixo-vos com as últimas imagens que tomei no ano 2020, a primeira com uma pequena brincadeira nossa, com os atores do costume, a segunda com o presépio da Madalena, mesmo sem a vaca que, distraída, lá andaria a pastar, deixando o cenário incompleto, pelo menos quis o bom senso que não tivessem metido lá o gordo vestido de vermelho, mas tem as Boas Festas, que como manda a tradição, só terminam com os reis. Assim sendo, continuação de umas Boas Festas e se possível um bom 2021, pelo menos que seja normal.

 

 

 

28
Dez20

De regresso à cidade...

Cidade de Chaves com Chuva

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Distraído ou com a rotina dos dias transtornada, entrou o inverno e nem dei por isso, não fosse a chuva e o frio e passaria sem dar por ele, mas já chegou e já cá está.

 

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Um regresso molhado à cidade, e passem por onde passem os meus passos, a mesma coisa, chão molhado, chão molhado e chão molhado, foi assim na rua Direita, desci ao Arrabalde a mesma coisa.

 

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Rua de Santo António, a chuva continua, nem o santo lhe vale, e se calha até tem razão, pois para além dos casamentos da capital dizem que é padroeiro dos pobres… agora já percebi porque é que ele vinha nas notas de 20 escudos, mas adiante, que o Santo António não tem culpa e depois o padroeiro da cuva até é o S. Pedro.

 

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Seja como for e por onde forem os nossos passos de hoje, vão pela chuva, os das secas, hoje, escusam de se queixar…

 

Com ou sem ela, a chuva, uma boa semana para todos, e se possível, desviem-se do bicho que a vacina já chegou a terras de Portugal, agora é só esperar que chegue até nós.

 

 

 

22
Dez20

Chaves de Ontem - Chaves de Hoje

A Praça do Duque

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Neste Chaves de ontem Chaves de hoje vamos até àquela que foi “impropriamente alterada para Praça de Camões”[i] e fazer uma bocadinho da sua história com as imagens possíveis, deixando-as aqui pela sua ordem cronológica, tendo-nos baseado para definir essa ordem nalgumas referências que essas imagens possuem e que foram aparecendo ou desaparecendo conforme o passar do tempo. Pois então temos nestas imagens de hoje várias referências, que são autênticos documentos temporais, a saber:

 

1ª – O desenho da praça

2ª – O edifício da atual Câmara Municipal de Chaves  

3ª – O edifício do atual Museu da Região Flaviense

4ª – O Casario da Praça

 

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Imagem 1

Imagem  1 - Para nós a mais antiga das que hoje aqui deixamos e que nos datamos como sendo anterior a 1909, em que nos aparece-nos com uma praça ampla, não pavimentada, com duas linhas de árvores e um único poste de iluminação, o edifício da Câmara Municipal com porta principal em madeira e sem relógio, e o edifício do lado esquerdo encostado à capela da Stª Cabeça ainda alinhado com a capela.

 

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Imagem 2

 

Imagem 2 – Estive tentado a dizer que esta segunda imagem era a mais antiga, que, sem qualquer dúvida é do ano de 1909, por se tratar de uma imagem das comemorações do 1º Centenário da Guerra Peninsular que se celebraram nesse ano. A imagem é em tudo idêntica à anterior, a não ser as duas linhas de árvores que já não existem, as mesma que me levaram a datar esta imagem como a 2ª na nossa cronologia.

 

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Imagem 3

 

Imagem 3 – Uma imagem que podemos localizar entre o ano de 1911 e 1914 por duas referências que a imagem nos dá, uma a do Pelourinho já aparecer nesta imagem, pelourinho esse que foi proposto aí ser colocado pelo vereador Padre Cerimónias, conforme consta em ata da CMC de 27-10-1910 – “O Vereador Padre Serimónias propõe e a Câmara aprova, “Que sejam restaurados os cruzeiro e pelourinho d’esta villa e posto nos locaes que dantes ocupavam – largo de Camões e do Anjo respectivamente””, que em princípio, logo nesse ano ter-se-ia iniciado a colocação do pelourinho, pois em ata da CMC de 16-2-1911 refere-se – “por promoção do Sr. Administrador do Concelho foi deliberado mandar concluir a reconstrução do Pelourinho no Largo de Camões, desta Vila”. E outra deliberação ou decisão da CMC teria havido, pois o Pelourinho foi erguido na Praça de Camões e não no Largo do Anjo, conforme proposta do Padre Cerimónias. Quando ao cruzeiro, nada se sabe, embora num documento da Direção-Geral dos Edifício e Monumentos Nacionais se diga que para a base do Pelourinho se foram buscar elementos de um antigo cruzeiro que existia à entrada do caminho da Dapela do Pópulo.. A outra referência que nos faz localizar esta imagem antes do ano de 1914 tem a ver com o relógio do edifício da Câmara Municipal, que ainda não aparece nesta imagem.

 

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Imagem 4

 

Imagem 4 – Imagem muito semelhante à anterior e que nós datamos do ano de 1915 e podendo argumentar para tal que o relógio só foi montado no primeiro semestre deste ano, isto porque em meados de dezembro de 1914, embora pronto o relógio ainda não estava em Chaves, pois o fabricante ´”Morez do Jura” em meados desse mês informa que o relógio já está pronto, porém que havia impossibilidade do seu envio, em virtude da supressão de transportes em caminho de ferro para o estrangeiro, por grandes rumores da guerra entre a Alemanha e França. Contudo em 3-6-1915 já havia relógio no telhado da Câmara, pois numa ata da CMC desse dia decide-se efetuar pagamento de 14$28 (que na moeda de hoje seriam 7 cêntimos)  a Vitorino Pereira Vidago, de Chaves, para reparação do telhado dos Paços do Concelho, causados pela montagem do relógio. Outra referência para esta imagem ser de 1915 é o facto da mesma ter sido publicada no Guia-Album de Chaves que foi também publicado nesse mesmo ano. A título de curiosidade, este relógio só durou até 1921, ano em que foi adquirido um novo relógio para substituição do existente, que foi vendido em hasta pública, tendo sido fixado em 600$00 a base para a sua licitação.

 

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Imagem 5

 

Imagem 5

Esta imagem diz-nos que já tem relógio na Câmara Municipal, que já não tem pelourinho que as árvores já estão entre lancis que definem arruamentos e passeios, ainda não pavimentados, que a porta da CMC ainda é em madeira, que o edifico do atual museu tem dois pisos, mas o 2º é recuado e que o velho olmo ainda existia, ora dá-nos duas indicações preciosas para a sua datação, a primeira o pelourinho e a segunda a porta de madeira da CMC, pois sabemos que o Pelourinho só morou 8 anos na Praça de Camões, tendo a Câmara mandado apeá-lo em 1919, quanto à porta de madeira, essa durou até 1938.

 

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Portão da entrada da CMC

 

Portão de Ferro da entrada principal da CMC

O portão começou a ser executado em 1938 por solicitação do então engenheiro da Câmara, o Engº Sá Fernandes. Demorou 2 anos a ser executado, e custou 5.000$00, importância que foi paga às prestações. As peças do portão foram cravadas, medronhadas e limadas, tudo trabalho manual que, simplificando, e após a obtenção das várias peças, consistia em fura-las com uma manivela, nos quais eram introduzidos cravos e posteriormente limados, peça a peça até se chegar ao portão final. Depois de pronto na oficina, foi contratada a diligência do correio do Porto para fazer o transporte até à Câmara Municipal, ao que parece era o único veículo com capacidade para o poder transportar.

 

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Imagem 6

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Imagem 6-1

 

Imagem 6  e 6-1

Ora pelo portão de ferro da Câmara Municipal esta imagem é posterior a 1938 mas pelo edifício dos Paços do Duque de Bragança (atual museu) podemos seguir até 1940, ano em que foi construído o 3 piso deste edifício e pouco mais dados temos, assim ficamo-nos poe esta imagem ser posterior a 1940.

 

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Imagem 7

 

Imagem 7

Sem muito a dizer em relação a esta imagem, pois é muito idêntica às anteriores, apenas que chegou até nós datada com o ano de 1952.

 

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Imagem 8

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Imagem 9

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Imagem 10

 

Imagem 8, 9 e 10

Imagens posteriores a 1962, não só pelos modelos dos carros mas também porque pelo edifício dos Paços do Duque de Bragança, já e só com dois pisos, estando as obras de apeamento do 3 piso datadas precisamente de 1962. Sabemos também que foi assim que a praça se manteve até 1970, anos em que se iniciaram as obras que deram origem à praça atual.

 

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Imagem 11

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Imagem 12

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Imagem 13

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Imagem 14

Imagem 11, 12 13 14

Imagens de 1970

 

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Imagem 15

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Imagem 16

 

Imagem 15 e 16

Imagens atuais, ou quase, pois ambas são de 2018. 

 

 

 E para voltemos ao início deste post, onde deixo a afirmação de Firmino Aires, ao qual desde já agradeço mesmo que a título póstumo pelas obras que deixou publicadas sobre a cidade de Chaves onde hoje fui beber alguma informação, nomeadamente à Toponímia Flaviense e às Incursões Autárquicas, mas ia dizendo, que no início deixei a afirmação de Firmino Aires que agora completo, pois dizia mais, aqui fica o resto: “è deveras interessante a penúltima designação que teve esta praça — O PRINCIPAL ou da GUARDA PRINCIPAL./Sendo nesta praça onde mais se condensam os valores históricos de Chaves, quer pelo seu tamanho quer pela sua dignidade, deveria continuar a chamar-se a Praça Principal ou da Guarda Principal./Tal como em Sevilha tem a magnífica Praça de Espanha ou Salamanca a Praça Maior, também esta cidade tem a sua praça, que sendo a Principal foi impropriamente alterada para Praça de Camões. Outra praça deveria ser dedicada ao nosso Príncipe dos Poetas.”.

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Composição - Vista geral de toda a praça, de 2019

 

Pois subscrevo quase tudo que Firmino Aires disse, mas não concordo com ele em retomar o nome de Praça Principal, que talvez ele tivesse defendido pelo seu passado como militar, pois eu, com os mesmo argumentos iria mais longe, não até ao primeiro nome conhecido desta praça que era o de “Toural das Ollas”, mas sim a tomar o nome daquele que mais foi mais nobre e em tudo tem a ver com ela, desde o Castelo aos Paços do Duque de Bragança, que tem, e muito bem, estátua nesta praça, que nela viveu, teve os seus filhos e nela foi sepultado (Igreja Matriz). Praça de D. Afonso I, Duque de Bragança, era esse o nome que esta praça deveria ter. É a minha opinião. Quanto ao Camões, bem poderia substituir o nome do Silveira, nas Freiras,  e assim ficava junto à Biblioteca e ao Liceu, casas ligadas aos livros e às letras.

 

[i] In Toponímia Flaviense de autoria de Firmino Aires, 1990

 

 

 

 

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